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A IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA DE METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA NA UNIVERSIDADE Marivete Bassetto de QUADROS

A IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA DE METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA NA UNIVERSIDADE

DE METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA NA UNIVERSIDADE Marivete Bassetto de QUADROS 1 RESUMO Um dos parâmetros

Marivete Bassetto de QUADROS 1

RESUMO

Um dos parâmetros usuais para a categorização dos países, em avançados ou em desenvolvimento, ou das instituições de Ensino Superior, em boas ou regulares é, sempre e invariavelmente, a ênfase que imprimem à pesquisa científica. Esta questão, por sua vez, está vinculada ao ensino de graduação. No caso brasileiro, a deficiência que se observa no binômio pesquisa científica x graduação decorre de fatores diversos. Neste sentido, é na graduação que as imprecisões terminológicas precisam ser discutidas: O que é ciência? O que é pesquisa científica? Quando um estudo pode ser classificado como científico? Quem é ou o que é pesquisador? Diante de pesquisas efetivadas e resultados divulgados temos as seguintes problematizações: Como mensurar o caráter científico de uma pesquisa? Como mensurar coerência, originalidade, objetivação? Na nossa opinião, o distanciamento do mundo da pesquisa se inicia, ainda na graduação, e prossegue na pós-graduação lato sensu, como decorrência da forma como o conteúdo da disciplina de Metodologia Científica (ou denominações similares) é transmitido. Sem a pretensão de exaurir a temática, objetivamos discutir e analisar neste artigo alguns pontos de estreitamento para o desenvolvimento da pesquisa na graduação.

Palavras-chave: Metodologia. Pesquisa. Universidade. Graduação. Importância.

INTRODUÇÃO

Um dos parâmetros usuais para a categorização dos países, em

avançados ou em desenvolvimento, ou das instituições de Ensino Superior, em

boas ou regulares é, sempre e invariavelmente, a ênfase que imprimem à

pesquisa científica. Esta questão, por sua vez, está vinculada ao ensino de

graduação.

1 Professora da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho – FAFIJA e da Faculdade do Norte Pioneiro – FANORPI nas disciplinas de Metodologia da Pesquisa Científica e Orientação de Trabalho de Conclusão de Curso.

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No caso brasileiro, a deficiência que se observa no binômio pesquisa científica x graduação decorre de fatores diversos. Neste sentido, é na graduação que as imprecisões terminológicas precisam ser discutidas: O que é ciência? O que é pesquisa científica? Quando um estudo pode ser classificado como científico? Quem é ou o que é pesquisador? Todas estas questões e seus elementos não são de fácil conceituação. Objeto de estudo da psicologia da aprendizagem, o processo de aprendizagem dos conceitos é bastante abrangente. Incorpora a permanente mutação do nosso repertório conceitual, e há conceitos de maior complexidade, por representarem inferências em nível elevado de abstração, cujo sentido não é facilmente visualizado, como é o caso dos conceitos embutidos nas questões formuladas. Então, diante de pesquisas efetivadas e resultados divulgados temos as seguintes problematizações:

Como mensurar o seu caráter científico? Como mensurar coerência, originalidade, objetivação? Diante do exposto, sem a pretensão de exaurir a temática, objetivamos discutir, a seguir, pontos de estreitamento para o desenvolvimento da pesquisa na graduação.

1 O ENSINO DA METODOLOGIA CIENTÍFICA E AS QUESTÕES CONCEITUAIS

Na nossa opinião, o distanciamento do mundo da pesquisa se inicia, ainda na graduação, e prossegue na pós-graduação lato sensu, como decorrência da forma como o conteúdo da disciplina de Metodologia Científica (ou denominações similares) é transmitido. Salvo algumas exceções, qualquer docente, independente de sua área de atuação, é designado para ministrá-la. Ora, se o professor não desenvolve, sistematicamente, trabalhos de investigação científica, não tem como desvendar com o discente o mundo mágico

da ciência e termina por impor teorias e métodos científicos, normas e regras, sem discutir a lógica da ciência enquanto processo vital à humanidade. Em vez de a metodologia da pesquisa ser comunicada como um processo

de tomada de decisões e opções que “[

em fases e que se realizam num espaço determinado que é o espaço epistêmico”

estruturam a investigação em níveis e

]

(LOPES, 2004, p. 15), tudo ou quase tudo é posto e imposto em nome de uma pseudociência, que assume caráter de inacessível, incompreensível,

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impenetrável, enfadonho ou “muito chata”. Conforme Ferreira (2005) epistemologia é o “Conjunto de conhecimentos que têm por objeto o conhecimento científico, visando a explicar os seus condicionamentos (sejam eles técnicos, históricos, ou sociais, sejam lógicos, matemáticos, ou lingüísticos)”. A ciência precisa ser vista como elemento de vida, termo em si de difícil concepção. A nossa concepção de ciência reitera, pois, a visão de Rubem Alves, educador, e como todo e qualquer bom educador, um sonhador. Para ele, num

texto magnífico, intitulado Ciência, coisa boa

que

empregamos na aventura de viver, que é a única coisa que importa” (1998,

p.17).

A ciência é, essencialmente, o fascínio do conhecimento, a busca incessante para compreensão dos fenômenos que nos cercam. É a resposta para nossas indagações diante da vida, da natureza, dos males que afligem as espécies e assim por diante. A busca das suas verdades, sempre instáveis e mutáveis. Verdade e certeza absolutas são inatingíveis. Aquilo que temos são apenas modelos provisórios, que construímos, para entrar um pouco no mundo misterioso do desconhecido. Logo, a ciência é, em sua essência, é um processo social, dinâmico, contínuo, volátil e cumulativo. Há séculos, influencia a humanidade, rompe fronteiras e convicções, modifica hábitos, gera leis, provoca acontecimentos, e, mais do que tudo amplia, de forma contínua, as fronteiras do conhecimento. (TARGINO, 2005). Em meio a este ciclo que posiciona a ciência como um continuum, está o que denominamos de comunicação científica. Independente do campo de conhecimento consiste na troca de informações entre os pares da comunidade científica, recorrendo-se, para tanto, a quaisquer recursos formais, informais e eletrônicos, envolvendo publicações, eventos, inovações tecnológicas etc. Na verdade, a comunicação científica fundamenta-se na informação científica, matéria-prima do conhecimento, ou seja, a informação transmuta-se em conhecimento, quando apreendida e assimilada. Com o exposto, respondemos à segunda indagação – O que é pesquisa científica? – Indo além, diante do termo científica, lembramos que a demarcação científica incorpora parâmetros. Os critérios de caráter interno compreendem:

consistência, coerência, originalidade, objetivação, racionalidade,

a vida é muito mais do que a

, ciência. A ciência é tão somente uma coisa, entre muitas outras, “[

]

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cumulatividade, capacidade de predição, verificabilidade, dentre outros. Os critérios externos referem-se à análise do texto produzido pela comunidade científica, o que gera a possibilidade de reconhecimento generalizado ou relativo. Isto retoma a premissa irrefutável de que inexiste pesquisa científica sem divulgação de resultados. (TARGINO, 2005). Pesquisa científica e divulgação de resultados são atividades indissociáveis. Divulgar resultados é etapa da pesquisa, e não mero acessório. Como seria possível falar em evolução da humanidade, se Einstein, Newton, Lavoisier, Darwin ou a equipe do Projeto Genoma Humano tivessem guardado para si suas descobertas?

Se nas ciências da vida e nas ciências exatas, em geral, as conseqüências

das descobertas são mais perceptíveis, também nas ciências humanas e sociais, as pesquisas efetivadas, se divulgadas de forma apropriada, surtem efeitos sociais relevantes. A questão – Quem é pesquisador? – não comporta uma resposta unívoca, como antes discutido (TARGINO, 2004). Quem pode ser considerado pesquisador? O aluno de graduação vinculado à iniciação científica ? O docente universitário que cadastrou o seu projeto de pesquisa há anos em sua IES, mas nunca apresentou resultados significativos? O pós-graduando ou graduando que

escreve ou escreveu sua monografia para cumprir mera formalidade? O pesquisador de um instituto de pesquisa, em cuja carteira de trabalho, consta – pesquisador júnior, pesquisador sênior etc. – mas que, no dia-a-dia, limita-se a funções burocráticas?

O máximo que conseguimos assegurar é que o pesquisador busca,

incessantemente, a verdade na ciência, consciente de que jamais se tornará o detentor da “verdade”, seguindo ao longo desse percurso normas peculiares à comunidade cientifica.

2 O ENSINO DE METODOLOGIA NA GRADUAÇÃO

Ora, se falta aos docentes, em geral, sensibilidade para compartir com a graduação a riqueza conceitual presente no mundo da metodologia científica, há outra questão ainda mais séria, responsável pela pobreza das pesquisas em comunicação científica.

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Uma questão séria, responsável pela pobreza da pesquisa na graduação. Salvo as disciplina(s) obrigatória(s), o aluno enfrenta o desafio de desenvolver sua primeira pesquisa, com freqüência, tão-somente em seu último semestre, ou quando em cursos anuais no último ano, com a obrigatoriedade da monografia final ou o denominado TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO. Por conseguinte, este assume o caráter de “monstro” aterrador, haja vista que o primeiro contato entre futuro profissional e pesquisa científica se dá dentro de um clima, por si só antagônico, diante da pressão da formatura que se aproxima e do contato com o desconhecido. Habituados, desde o ensino fundamental e médio, a encarar a autoria como ato banal, o universitário costuma “brincar de autor”, através da compilação de verdadeiras “colchas de retalho”, deixando para trás a elaboração dos projetos como instrumento de mensuração da capacidade crítica, criativa e ética do formando. Sem a pretensão de macular o bom ensino da graduação, presente em algumas universidades e faculdades, afirmamos que muitos dos problemas envolvidos na execução dos TCCs sejam na forma monográfica, artigos científicos, paper entre outros estão vinculados à pouca ênfase que é concedida ao ensino da metodologia científica, aliada a questões outras, como: (TARGINO,

2005)

a) Desarticulação entre a grade curricular, relegando a inter e transdisciplinaridade, incorporadas, em nível teórico, nos foros de debate acerca do ensino em graduação;

b) Discussões evasivas sobre a possibilidade de as monografias substituírem os estágios curriculares ou extracurriculares, se for o caso, embora constituam esferas distintas;

c) Tendência para que os TCC reflitam a dicotomia presente em muitos cursos de graduação – teórico ou prático? prático ou teórico?;

d) Complexidade inerente ao processo de autoria em torno das (des)vantagens da autoria individual x múltipla;

e) Controversa relação entre orientador x orientador;

f) Questões técnico-administrativas, envolvendo carência e/ou inadequação dos recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros das instituições;

g) Complexo processo de acompanhamento e avaliação dos TCC;

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h)

Registro, arquivamento e processo de divulgação dos TCC, muitas vezes, deficientes.

O

estudo de Metodologia Científica nas universidades raramente é bem

aceito pelos alunos. As perguntas cruciais advêm do por que e para que estudar

tantas regras, tantos detalhes, indicações rígidas para digitação e formatação do texto, que parecem cercear a liberdade do aluno em pensar e escrever sem nenhuma exigência metodológica. Num mundo marcado pela pressa, pela falta de tempo, pelo tic-tac do relógio, falar de disciplina e de método é realmente desanimador. Acostumamo- nos a um necessário e exacerbado ativismo, a agir como robôs mecanizados, a copiar idéias e posturas e deixamos de lado uma das maiores riquezas humanas que é a capacidade de pensar.

O primeiro objetivo da disciplina de Metodologia Científica é resgatar em

nossos alunos a capacidade de pensar. Pensar significa passar de um nível espontâneo, primeiro e imediato a um nível reflexivo, segundo, mediado. O pensamento pensa o próprio pensamento, para melhor captá-lo, distinguir a verdade do erro. Aprende-se a pensar à medida que se souber fazer perguntas sobre o que se pensa. (LIBÂNIO, 2001). Uma segunda meta a ser alcançada pela Metodologia Científica é aprender a arte da leitura, da análise e interpretação de textos. Vivemos o fenômeno do aluno-copista, vivemos a era do Ctrl C e Ctrl V, que reproduz em suas pesquisas e trabalhos acadêmicos aquilo que outros disseram, sem nenhum juízo de valor, de crítica ou apreciação. Reproduz sem ética sem dar o devido crédito intelectual e autoral. Sabemos da dificuldade que a leitura e hermenêutica - arte de interpretar o sentido das palavras - de um texto apresentam em relação à interpretação de um autor, a sua real intenção e que um texto/palavra é um mundo aberto a ser

lido e interpretado e, exatamente por isso o texto linguagem significa, antes de tudo, o meio intermediário, pelo quais duas consciências se comunicam. Ele é o código que cifra a mensagem (SEVERINO, 2002).

E um terceiro ponto que norteia o ensino da Metodologia é aprender a

fazer, que significa colocar-se num movimento histórico em que o presente assume continuamente uma instância crítica em relação ao passado. Aprender a fazer captando o lado ético de todo agir humano implica um senso de

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responsabilidade, pois quanto mais cuidamos de vislumbrar o futuro nos atos presentes, mais aprendemos a fazer. Aprender a fazer e a pensar não é privilégio de inteligências. Grandes gênios se perderam no encurralamento de seu saber fragmentado e hiperespecializado, desenvolvendo experiências que terminaram em produtos nefastos para a humanidade. Não se pode entender o investimento de inteligências na pesquisa de armamentos de morte, a não ser porque essas pessoas nunca aprenderam a pensar e a fazer. (LIBÂNIO, 2002). Vemos, portanto, que a Metodologia objetiva bem mais que levar o aluno a elaborar projetos, a desenvolver um trabalho monográfico ou um artigo científico como requisito final e conclusivo de um curso acadêmico. Ela pode levar o/a aluno/a a comunicar-se de forma correta, inteligível, demonstrando um pensamento estruturado, plausível e convincente. O conteúdo da disciplina Metodologia Científica pode ser classificado como conceitual e procedimental, uma vez que não basta memorizar as ações ou as normas da ABNT sem uma construção de sentidos, pois é preciso compreender sua lógica de funcionalidade, bem como, realizar as etapas - que comporta o saber fazer – para isso as condições de aprendizagem são: a reflexão sobre a ação que o sujeito está fazendo, a exercitação constante, é preciso fazer uso deste conhecimento com freqüência e a descontextualização – saber aplicar em outras situações que se apresenta como necessidade (ZABALA, 2001). Tendo claro esta questão, que os alunos (as) aprenderão a fazer, fazendo em um contexto pleno de significados, propiciando espaços onde os alunos e alunas, têm oportunidade de realizar atividades num processo experimental a partir dos textos das outras disciplinas, como o exercício de sublinhar textos, produzir esquemas e resumos, estruturar um trabalho exigido na graduação considerando as normas da ABNT, entre outros. O desenvolvimento progressivo das competências relacionadas ao ler e escrever que nossos alunos e alunas precisam dar conta de construir no percurso da graduação, não é objetivo de apenas uma disciplina ou de um professor, mas deve ser um compromisso de todos e todas que como enfatiza Edgar Morin (2001), tem a compreensão que o conhecimento deve ser transversal. O método, quando incorporado a uma forma de trabalho ou de pensamento, leva o indivíduo a adquirir hábitos e posturas diante de si mesmo, do outro e do mundo que só têm a beneficiar a sua vida tanto profissional quanto

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social, afetiva, econômica e cultural. Por método entendemos caminho que se trilha para alcançar um determinado fim, atingir-se um objetivo; para os filósofos gregos, metodologia era a arte de dirigir o espírito na investigação da verdade. Ora, as regras e passos metodológicos que são ensinados na universidade, visando à inserção do estudante no mundo acadêmico-científico - que são pertinentes e necessárias - objetivam também, e sobretudo, a criar hábitos que o acompanharão por toda a sua vida, como o gosto pela leitura, a compreensão dos diferentes interlocutores, um espírito crítico maduro e responsável, o diálogo claro e profundo com os outros e com o mundo, a autodisciplina, o respeito à alteridade e ao diferente, uma postura de humildade diante do pouco que se sabe e da infinidade de saberes existentes, o exercício da ética e do respeito a quem pensa diferente, a ousadia/coragem de expor o próprio pensar. A disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica nas universidades deve ajudar os alunos na experiência de sentirem-se cidadãos, livres e responsáveis, a administrar suas emoções e exercitar o bom senso e a eqüidade. De um modo peculiar, os alunos muito se enriquecem quando assimilam bem tudo que foi exposto, estes saem da faculdade cheios de teorias, de idéias para revolucionarem as empresas, levá-las a patamares recordes de lucro e eficiência; acumulam teorias dos mais renomados especialistas em marketing, em controle de qualidade, logística, organização empresarial, enfim, administração pública, reserva de mercado. Deparam-se, muitas vezes, com a questão do método. Por onde começar? Qual o primeiro passa a ser dado? O que é mais urgente? Entre teoria e método há uma grande diferença, ainda que sejam interdependentes. Ambos buscam realizar o objetivo proposto, a teoria pode gerar e dar forma ao método e vice-versa; o método quando alimentado de estratégia, de iniciativa, invenção e arte estabelece uma relação com a teoria capaz de propiciar a ambos regenerarem-se mutuamente pela organização de dados e informações (MORIN apud VERGARA, 2005, p. 335). O método numa empresa ou instituição abre caminhos, aponta ou intui soluções, minimiza tempo e gastos, estimula o diálogo entre opiniões contrárias e/ou diferentes, resgata a postura ética, cria o espírito de participação e responsabilidade comuns na solução de problemas, no enfrentamento de desafios e na conquista de metas.

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O profissional que pauta sua vida por princípios metodológicos adquiridos na universidade adquire possibilidades de pensar e ver para além do que lhe é mostrado e exigido; ele/a pode levar a instituição ou empresa a se destacar e até mesmo inovar em áreas específicas, pois aprendeu a traçar metas e objetivos claros, convencidos das hipóteses levantadas, apoiados em referenciais de análise seguros que justificam os argumentos expostos. Tudo isto como fruto de alguém que aprendeu a pensar, aprendeu a ler, analisar e interpretar - não só os textos como a vida - aprendeu, assim, a fazer! Acreditamos que o mundo acadêmico-científico é uma cartilha - um pouco mais elaborada - para aprender a arte de com-viver. E viver-com é a arte de ser. Quando assimilarmos no cotidiano da vida, não apenas as regras metodológicas da ABNT e suas infinitas exceções e peculiaridades, com o objetivo de elaborar um trabalho científico de excelência, mas avançarmos, transformando as mesmas regras frias e intelectuais em hábitos que integralizam a pessoa, então estaremos, também, aprendendo a ser. Entrar nesse processo significa superarmos a tentação de medir tudo em termos de eficiência e de interesses e substituirmos esses critérios quantitativos por intensidade da comunicação, pela difusão dos conhecimentos e das culturas, pelo serviço recíproco e a boa harmonia para levar adiante uma tarefa comum (LIBÂNIO, 2002, p. 85).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em suma, julgamos imprescindível gerar atitudes comportamentais conscientes e internalizadas quanto às operações inclusas no processo de pesquisa científica, a partir da graduação. Afinal, é este o estágio mais propício para começar a preparação de um cientista capacitado, rompendo o estereótipo da pesquisa como monstro submisso a formas e fórmulas mecânicas, burocráticas e maçantes. Isto significa investir em medidas aparentemente simples, mas decisivas, como: minimizar as distorções do ensino da metodologia científica; enfatizar a prática da Iniciação Científica; estimular a transformação dos Trabalhos de Conclusão (TCC) em pesquisas significativas para o avanço da área; e ressaltar a divulgação de resultados como elemento essencial dos trabalhos desenvolvidos.

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Avaliamos que muitas são as dificuldades de aprendizagem para os acadêmicos e acadêmicas na disciplina de Metodologia Científica. Seja em função da idéia equivocada que têm da pesquisa, considerando o modelo adotado na escolarização básica, a pura reprodução das fontes, ou mesmo por causa da prática insuficiente de leitura e capacidade de construção interpretativa. Entretanto, uma contribuição fundamental nesta questão é o trabalho coletivo entre os docentes no sentido de fazer as regulações necessárias contribuindo para o avanço do saber em estudo. Um dos grandes méritos desta disciplina é a reflexão sobre a inconstância do conhecimento, pois permite a compreensão da necessidade do ser humano produzir perguntas e respostas relacionadas às dúvidas e questionamentos postos, objetivando a interpretação e a explicação da realidade, das coisas e dos fenômenos. Neste sentido, o conhecimento que hoje nós validamos, amanhã podemos refutá-lo, constitui-se num aspecto fantástico que se traduz na sua própria inconclusão do ser, na idéia do provisório. Isso nos remete ao campo da produção das explicações e das verdades. É comum os alunos e alunas terem um conceito de verdade absoluto, uma única referência. No processo de leituras e debates a desconstrução destas idéias, é algo que se torna inevitável. (NEVES,

2006)

Aprender e ensinar Metodologia Científica, não pode se limitar a uma atividade distanciada da práxis pedagógica, senão nosso papel em sala de aula será apenas o de exigir o cumprimento de normas que não compreendemos, bem como, solicitar dos alunos e alunas algo que não fazemos, como por exemplo, o exercício da reflexão escrita. Freire (1997) sinaliza que como docentes nós não podemos ajudar os alunos e alunas a superarem suas ignorâncias se não superamos permanentemente a nossa, pois não podemos ensinar o que não sabemos, o que não aprendemos. Que legitimidade temos, então de solicitar um artigo científico, quando não conseguimos escrever nenhuma linha, não temos intimidade com a publicação? Questões como esta dialogam cotidianamente com a minha prática, interrogam o meu fazer e certamente tem me ajudado a ensinar melhor. Esta forma de ver e aprender Metodologia da Pesquisa Científica talvez possa contribuir para um maior desempenho dos professores que se responsabilizam pelo seu ensino, uma melhor aceitação da disciplina/matéria por parte dos alunos - nem sempre muito receptivos -, e poderá, finalmente,

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proporcionar uma dinâmica interdisciplinar com as demais matérias visando um

ensino eficaz e integrador.

REFERÊNCIAS

ALVES, Rubem. Ciência coisa boa

às ciências sociais. Campinas: Papirus, 1998. p. 11-17.

In: MARCELLINO, N. C. (Org.). Introdução

FREIRE, Paulo. A educação na cidade. São Paulo: Cortez, 1991.

Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.

LIBÂNIO, João Batista. Introdução à vida intelectual. 2. ed. São Paulo:

Loyola, 2001.

A arte de formar-se. São Paulo: Loyola, 2002.

LOPES, Maria Immacolata Vassallo de. Pesquisa de comunicação: questões epistemológicas, teóricas e metodológicas. Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, São Paulo, v. 27, n. 1, p. 13-39, jan./jun. 2004.

MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos e resenhas. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2001.

NEVES, Josélia Gomes. Metodologia científica ou a dor e a delícia de aprender a ler e escrever na graduação. Revista Virtual Partes. Disponível em:

http://www.partes.com.br/educacao/metodologia.asp. Acesso dia 15mar2006. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

TARGINO, Maria das Graças. A pesquisa cientifica é uma atividade criativa? (2005) Disponível em: www.imes.edu.br/revistasacademicas.com. Acesso dia

20/jul/2006.

VERGARA, Sylvia Constant. Métodos de pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas, 2005.

Para citar este artigo:

QUADROS, Marivete Bassetto de. A importância da disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica na universidade. In: ANAIS - VII CONGRESSO DE EDUCAÇÃO DO NORTE PIONEIRO – Educação e Interdisciplinaridade. 2007. FAFIJA, Jacarezinho, 2007. p. 88 - 98. ISSN 18083579.

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