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APOSTILAS OPÇÃO

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ÉTICA E CONDUTA PÚBLICA:

convivência, na vida social e comunitária, que o ser humano se descobre e se realiza enquanto um ser moral e ético. É na relação com o outro que surgem os problemas e as indagações morais: o que devo fazer? Como

agir em determinada situação? Como comportar-me perante o outro? Diante da corrupção e das injus- tiças, o que fazer? Portanto, constantemente no nosso cotidiano encontramos situações que nos colocam problemas morais. São problemas práticos e concretos da nossa vida em sociedade, ou seja, problemas que dizem respeito às nos- sas decisões, escolhas, ações e comportamentos - os quais exigem uma avaliação, um julgamento, um juízo de valor entre o que socialmente é considerado bom ou mau, justo ou injusto, certo ou errado, pela moral vigente. O problema é que não costumamos refletir e buscar os "porquês" de nossas escolhas, dos comportamentos, dos valores. Agimos por força do hábito, dos costumes e da tradição, tendendo à naturalizar a realidade social, política, econômica e cultural. Com isto, perdemos nossa capacida-

1. Ética e moral.

2. Ética, princípios e valores.

3. Ética e democracia: exercício da cidadania.

4. Ética e função pública.

5. Ética no Setor Público.

5.1.

Decreto nº 1.171/1994 (Código de Ética Profissional do

Serviço Público) e Decreto nº 6.029/2007 (Institui Sistema de

Gestão da Ética do Poder Executivo Federal).

5.2.

Lei nº 8.112/1990 e alterações - regime disciplinar: deve-

res e proibições, acumulação de cargos, responsabilidades, penalidades.

5.3.

Lei nº 8.429/1992: disposições gerais, atos de improbida-

de administrativa.

O

termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pes-

soa). Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado.

Neste sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça social.

ética é construída por uma sociedade com base nos valores históricos

culturais. Do ponto de vista da Filosofia, a Ética é uma ciência que estuda os valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos. Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos de ética. Num país, por exemplo, sacrificar animais para pesquisa científica pode ser ético. Em outro país, esta atitude pode desrespeitar os princípios éticos estabelecidos. Aproveitando o exemplo, a ética na área de pesquisas bioló- gicas é denominada bioética.

e

A

Além dos princípios gerais que norteiam o bom funcionamento social, existe também a ética de determinados grupos ou locais específicos. Neste sentido, podemos citar: ética médica, ética profissional (trabalho), ética

de critica diante da realidade. Em outras palavras, não costumamos fazer ética, pois não fazemos a crítica, nem buscamos compreender e explicitar a nossa realidade moral.

No Brasil, encontramos vários exemplos para o que afirmamos acima. Historicamente marcada pelas injustiças sócio-econômicas, pelo preconcei-

to racial e sexual, pela exploração da mão-de-obra ïnfantil, pelo "jeitinho" e

a "lei de Gerson", etc, etc. A realidade brasileira nos coloca diante de

problemas éticos bastante sérios. Contudo, já estamos por demais acostu- mados com nossas misérias de toda ordem. Naturalizamos a injustiça e consideramos normal conviver lado a lado as mansões e os barracos, as crianças e os mendigos nas ruas; achamos inteligente e esperto levar vantagem em tudo e tendemos a considerar como sendo otário quem procura ser honesto. Na vida pública, exemplos é o que não faltam na nossa história recen- te: "anões do orçamento", impeachment de presidente por corrupção, compras de parlamentares para a reeleição, os medicamentos, máfia do crime organizado, desvio do Fundef, etc. etc. Não sem motivos fala-se numa crise ética, já que tal realidade não pode ser reduzida tão somente ao campo político-econômico. Envolve questões de valor, de convivência, de consciência, de justiça. Envolve vidas humanas. Onde há vida humana em jogo, impõem-se necessariamente um problema ético. O homem, enquanto ser ético, enxerga o seu semelhante, não lhe é indiferente. O apelo que o outro me lança é de ser tratado como gente e

empresarial, ética educacional, ética nos esportes, ética jornalística, ética na política, etc. Uma pessoa que não segue a ética da sociedade a qual pertence é chamado de antiético, assim como o ato praticado. Exemplos de atitudes éticas num ambiente de trabalho:

- Educação e respeito entre os funcionários;

- Cooperação e atitudes que visam à ajuda aos colegas de trabalho;

Divulgação de conhecimentos que possam melhorar o desempenho das atividades realizadas na empresa;

-

- Respeito à hierarquia dentro da empresa;

- Busca de crescimento profissional sem prejudicar outros colegas de

trabalho;

não como coisa ou bicho. Neste sentido, a Ética vem denunciar toda reali- dade onde o ser humano é coisificado e animalizado, ou seja, onde o ser

humano concreto é desrespeitado na sua condição humana.

www.dhnet.org.br Ética Profissional é compromisso social

Ações e comportamentos que visam criar um clima agradável e positi- vo dentro da empresa como, por exemplo, manter o bom humor;

-

 

Rosana Soibelmann Glock José Roberto Goldim Conceituação: O que é Ética Profissional?

Realização, em ambiente de trabalho, apenas de tarefas relacionadas ao trabalho;

-

É

extremamente importante saber diferenciar a Ética da Moral e do Di-

-

Respeito às regras e normas da empresa.

reito. Estas três áreas de conhecimento se distinguem, porém têm grandes vínculos e até mesmo sobreposições. Tanto a Moral como o Direito baseiam-se em regras que visam estabe- lecer uma certa previsibilidade para as ações humanas. Ambas, porém, se diferenciam.

http://www.suapesquisa.com/religiaosociais/etica_profissional.htm

origem da palavra ética vem do grego ethos, que quer dizer o modo

de ser, o caráter. Os romanos traduziram o ethos grego, para o latim mos (ou no plural mores), que quer dizer costume, de onde vem a palavra moral. Tanto ethos (caráter) como mos (costume) indicam um tipo de compor- tamento propriamente humano que não é natural, o homem não nasce com

A

Moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma

forma de garantir o seu bem-viver. A Moral independe das fronteiras geo- gráficas e garante uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este mesmo referencial moral comum.

A

ele como se fosse um instinto, mas que é "adquirido ou conquistado por hábito" (VÁZQUEZ). Portanto, ética e moral, pela própria etimologia, dizem respeito a uma realidade humana que é construída histórica e socialmente

 

O

Direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada

pelas fronteiras do Estado. As leis têm uma base territorial, elas valem

a

partir das relações coletivas dos seres humanos nas sociedades onde

apenas para aquela área geográfica onde uma determinada população ou seus delegados vivem. Alguns autores afirmam que o Direito é um sub-

conjunto da Moral. Esta perspectiva pode gerar a conclusão de que toda a

nascem e vivem. No nosso dia-a-dia não fazemos distinção entre ética e moral, usamos

as duas palavras como sinônimos. Mas os estudiosos da questão fazem

uma distinção entre as duas palavras. Assim, a moral é definida como o conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que norteiam

é moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a existência de

conflitos entre a Moral e o Direito. A desobediência civil ocorre quando argumentos morais impedem que uma pessoa acate uma determinada lei. Este é um exemplo de que a Moral e o Direito, apesar de referirem-se a uma mesma sociedade, podem ter perspectivas discordantes.

lei

comportamento do indivíduo no seu grupo social. A moral é normativa.

Enquanto a ética é definida como a teoria, o conhecimento ou a ciência do comportamento moral, que busca explicar, compreender, justificar e criticar

o

Ética é o estudo geral do que é bom ou mau, correto ou incorreto,

justo ou injusto, adequado ou inadequado. Um dos objetivos da Ética é a busca de justificativas para as regras propostas pela Moral e pelo Direito. Ela é diferente de ambos - Moral e Direito - pois não estabelece regras. Esta reflexão sobre a ação humana é que caracteriza a Ética.

A

moral ou as morais de uma sociedade. A ética é filosófica e científica. "Nenhum homem é uma ilha". Esta famosa frase do filósofo inglês Thomas Morus, ajuda-nos a compreender que a vida humana é convívio. Para o ser humano viver é conviver. É justamente na

a

Ética e Conduta Pública

1 A Opção Certa Para a Sua Realização

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Ética Profissional: Quando se inicia esta reflexão? Esta reflexão sobre as ações realizadas no exercício de uma profissão deve iniciar bem antes da prática profissional.

seus empregados, um colaborador. Isto é ser um profissional eticamente bom. Ética Profissional e relações sociais:

 

A

fase da escolha profissional, ainda durante a adolescência muitas

O

varredor de rua que se preocupa em limpar o canal de escoamento

vezes, já deve ser permeada por esta reflexão. A escolha por uma profis- são é optativa, mas ao escolhê-la, o conjunto de deveres profissionais passa a ser obrigatório. Geralmente, quando você é jovem, escolhe sua carreira sem conhecer o conjunto de deveres que está prestes ao assumir tornando-se parte daquela categoria que escolheu. Toda a fase de formação profissional, o aprendizado das competências

de

água da chuva, o auxiliar de almoxarifado que verifica se não há umida-

de

no local destinado para colocar caixas de alimentos, o médico cirurgião

que confere as suturas nos tecidos internos antes de completar a cirurgia, a

atendente do asilo que se preocupa com a limpeza de uma senhora idosa após ir ao banheiro, o contador que impede uma fraude ou desfalque, ou que não maquia o balanço de uma empresa, o engenheiro que utiliza o

e

habilidades referentes à prática específica numa determinada área, deve

material mais indicado para a construção de uma ponte, todos estão agindo

incluir a reflexão, desde antes do início dos estágios práticos. Ao completar

de

forma eticamente correta em suas profissões, ao fazerem o que não é

a

formação em nível superior, a pessoa faz um juramento, que significa sua

visto, ao fazerem aquilo que, alguém descobrindo, não saberá quem fez, mas que estão preocupados, mais do que com os deveres profissionais, com as PESSOAS. As leis de cada profissão são elaboradas com o objetivo de proteger os

profissionais, a categoria como um todo e as pessoas que dependem daquele profissional, mas há muitos aspectos não previstos especificamen-

adesão e comprometimento com a categoria profissional onde formalmente ingressa. Isto caracteriza o aspecto moral da chamada Ética Profissional, esta adesão voluntária a um conjunto de regras estabelecidas como sendo as mais adequadas para o seu exercício. Mas pode ser que você precise começar a trabalhar antes de estudar ou paralelamente aos estudos, e inicia uma atividade profissional sem completar os estudos ou em área que nunca estudou, aprendendo na

te

e que fazem parte do comprometimento do profissional em ser eticamen-

te

correto, aquele que, independente de receber elogios, faz A COISA

prática. Isto não exime você da responsabilidade assumida ao iniciar esta atividade! O fato de uma pessoa trabalhar numa área que não escolheu livremente, o fato de “pegar o que apareceu” como emprego por precisar trabalhar, o fato de exercer atividade remunerada onde não pretende seguir carreira, não isenta da responsabilidade de pertencer, mesmo que tempora- riamente, a uma classe, e há deveres a cumprir. Um jovem que, por exemplo, exerce a atividade de auxiliar de almoxari- fado durante o dia e, à noite, faz curso de programador de computadores, certamente estará pensando sobre seu futuro em outra profissão, mas deve sempre refletir sobre sua prática atual. Ética Profissional: Como é esta reflexão? Algumas perguntas podem guiar a reflexão, até ela tornar-se um hábito incorporado ao dia-a-dia. Tomando-se o exemplo anterior, esta pessoa pode se perguntar sobre os deveres assumidos ao aceitar o trabalho como auxiliar de almoxarifado, como está cumprindo suas responsabilidades, o que esperam dela na atividade, o que ela deve fazer, e como deve fazer, mesmo quando não há outra pessoa olhando ou conferindo. Pode perguntar a si mesmo: Estou sendo bom profissional? Estou a- gindo adequadamente? Realizo corretamente minha atividade?

CERTA. Ética Profissional e atividade voluntária:

Outro conceito interessante de examinar é o de Profissional, como a- quele que é regularmente remunerado pelo trabalho que executa ou ativi- dade que exerce, em oposição a Amador. Nesta conceituação, se diria que aquele que exerce atividade voluntária não seria profissional, e esta é uma conceituação polêmica. Em realidade, Voluntário é aquele que se dispõe, por opção, a exercer

prática Profissional não-remunerada, seja com fins assistenciais, ou prestação de serviços em beneficência, por um período determinado ou não.

a

Aqui, é fundamental observar que só é eticamente adequado, o profis- sional que age, na atividade voluntária, com todo o comprometimento que teria no mesmo exercício profissional se este fosse remunerado. Seja esta atividade voluntária na mesma profissão da atividade remu- nerada ou em outra área. Por exemplo: Um engenheiro que faz a atividade voluntária de dar aulas de matemática. Ele deve agir, ao dar estas aulas, como se esta fosse sua atividade mais importante. É isto que aquelas crianças cheias de dúvidas em matemática esperam dele! Se a atividade é voluntária, foi sua opção realizá-la. Então, é eticamen-

 

É

fundamental ter sempre em mente que há uma série de atitudes que

te

adequado que você a realize da mesma forma como faz tudo que é

não estão descritas nos códigos de todas as profissões, mas que são comuns a todas as atividades que uma pessoa pode exercer. Atitudes de generosidade e cooperação no trabalho em equipe, mesmo quando a atividade é exercida solitariamente em uma sala, ela faz parte de um conjunto maior de atividades que dependem do bom desempenho desta. Uma postura pró-ativa, ou seja, não ficar restrito apenas às tarefas que foram dadas a você, mas contribuir para o engrandecimento do trabalho, mesmo que ele seja temporário. Se sua tarefa é varrer ruas, você pode se contentar em varrer ruas e juntar o lixo, mas você pode também tirar o lixo que você vê que está prestes a cair na rua, podendo futuramente entupir uma saída de escoa- mento e causando uma acumulação de água quando chover. Você pode atender num balcão de informações respondendo estritamente o que lhe foi perguntado, de forma fria, e estará cumprindo seu dever, mas se você mostrar-se mais disponível, talvez sorrir, ser agradável, a maioria das pessoas que você atende também serão assim com você, e seu dia será muito melhor. Muitas oportunidades de trabalho surgem onde menos se espera, des- de que você esteja aberto e receptivo, e que você se preocupe em ser um pouco melhor a cada dia, seja qual for sua atividade profissional. E, se não surgir, outro trabalho, certamente sua vida será mais feliz, gostando do que você faz e sem perder, nunca, a dimensão de que é preciso sempre conti- nuar melhorando, aprendendo, experimentando novas soluções, criando novas formas de exercer as atividades, aberto a mudanças, nem que seja

importante em sua vida. Ética Profissional: Pontos para sua reflexão:

É

imprescindível estar sempre bem informado, acompanhando não a-

penas as mudanças nos conhecimentos técnicos da sua área profissional, mas também nos aspectos legais e normativos. Vá e busque o conheci- mento. Muitos processos ético-disciplinares nos conselhos profissionais acontecem por desconhecimento, negligência. Competência técnica, aprimoramento constante, respeito às pessoas, confidencialidade, privacidade, tolerância, flexibilidade, fidelidade, envolvi- mento, afetividade, correção de conduta, boas maneiras, relações genuínas com as pessoas, responsabilidade, corresponder à confiança que é deposi- tada em você Comportamento eticamente adequado e sucesso continuado são indis- sociáveis! Todos os Códigos de Ética Profissional trazem em seu texto a maioria dos seguintes princí-

pios:

» honestidade no trabalho;

» lealdade para com a empresa;

» formação de uma consciência profissional;

» execução do trabalho no mais alto nível de rendimento;

» respeito à dignidade da pessoa humana;

» segredo profissional;

» discrição no exercício da profissão;

» prestação de contas ao chefe hierárquico;

» observação das normas administrativas da empresa;

mudar, às vezes, pequenos detalhes, mas que podem fazer uma grande diferença na sua realização profissional e pessoal. Isto tudo pode acontecer com a reflexão incorporada a seu viver.

tratamento cortês e respeitoso a superiores, colegas e subordinados hierárquicos;

»

»

apoio a esforços para aperfeiçoamento da profissão.

 

E

isto é parte do que se chama empregabilidade: a capacidade que vo-

Consideram-se faltas contra a dignidade do trabalho:

cê pode ter de ser um profissional que qualquer patrão desejaria ter entre

utilizar informações e influências obtidas na posição para conseguir vantagens pessoais;

»

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» fazer declaração que constitua perigo de divulgação;

» oferecer serviços ou prestá-los a preço menor para impedir que se encarregue dele outra pessoa;

» negar-se a prestar colaboração nas distintas dependências da enti- dade para quem trabalhe;

» prestar serviço de forma deficiente, demorar injustamente sua execu- ção ou abandonar sem motivo algum o trabalho que foi solicitado;

» delegar a outras pessoas a execução de trabalhos que em forma es- tritamente confidencial lhe tenha sido solicitada;

» fomentar a discórdia:

» usar tráfico de influências como meio para lograr ou favorecer a be- nevolência dos chefes;

» rechaçar a colaboração na execução de determinado trabalho, quan-

do se fizer necessário;

» não prestar ajuda aos companheiros;

» ter conduta egoísta na transmissão de experiências e conhecimentos;

» fazer publicações indecorosas e inexatas. iSecretarias

Ética e Moral.

Ética

A finalidade dos códigos morais é reger a conduta dos membros de

uma comunidade, de acordo com princípios de conveniência geral, para garantir a integridade do grupo e o bem-estar dos indivíduos que o consti- tuem. Assim, o conceito de pessoa moral se aplica apenas ao sujeito en- quanto parte de uma coletividade. Ética é a disciplina crítico-normativa que estuda as normas do compor- tamento humano, mediante as quais o homem tende a realizar na prática

atos identificados com o bem. Interiorização do dever. A observação da conduta moral da humanidade ao longo do tempo revela um processo de progressiva interiorização: existe uma clara evolução, que vai da aprovação ou reprovação de ações exter- nas e suas conseqüências à aprovação ou reprovação das intenções que servem de base para essas ações. O que Hans Reiner designou como "ética da intenção" já se encontra em alguns preceitos do antigo Egito (cerca de três mil anos antes da era cristã), como, por exemplo, na máxima "não zombarás dos cegos nem dos anões", e do Antigo Testamento, em que dois dos dez mandamentos proíbem que se deseje a propriedade ou a mulher do próximo. Todas as culturas elaboraram mitos para justificar as condutas morais. Na cultura do Ocidente, são familiares a figura de Moisés ao receber, no monte Sinai, a tábua dos dez mandamentos divinos e o mito narrado por Platão no diálogo Protágoras, segundo o qual Zeus, para compensar as deficiências biológicas dos humanos, conferiu-lhes senso ético e capacida- de de compreender e aplicar o direito e a justiça. O sacerdote, ao atribuir à moral origem divina, torna-se seu intérprete e guardião. O vínculo entre moralidade e religião consolidou-se de tal forma que muitos acreditam que não pode haver moral sem religião. Segundo esse ponto de vista, a ética se confunde com a teologia moral. História. Coube a um sofista da antiguidade grega, Protágoras, romper o vínculo entre moralidade e religião. A ele se atribui a frase "O homem é a medida de todas as coisas, das reais enquanto são e das não reais en- quanto não são." Para Protágoras, os fundamentos de um sistema ético dispensam os deuses e qualquer força metafísica, estranha ao mundo percebido pelos sentidos. Teria sido outro sofista, Trasímaco de Calcedô- nia, o primeiro a entender o egoísmo como base do comportamento ético. Sócrates, que alguns consideram fundador da ética, defendeu uma mo- ralidade autônoma, independente da religião e exclusivamente fundada na razão, ou no logos. Atribuiu ao estado um papel fundamental na manuten- ção dos valores morais, a ponto de subordinar a ele até mesmo a autorida- de do pai e da mãe. Platão, apoiado na teoria das idéias transcendentes e imutáveis, deu continuidade à ética socrática: a verdadeira virtude provém do verdadeiro saber, mas o verdadeiro saber é só o saber das idéias. Para Aristóteles, a causa final de todas as ações era a felicidade (eudaimonía). Em sua ética, os fundamentos da moralidade não se deduzem de um princípio metafísico, mas daquilo que é mais peculiar ao homem: razão (logos) e atuação (enérgeia), os dois pontos de apoio da ética aristotélica. Portanto, só será feliz o homem cujas ações sejam sempre pautadas pela virtude, que pode ser adquirida pela educação.

A diversidade dos sistemas éticos propostos ao longo dos séculos se

compara à diversidade dos ideais. Assim, a ética de Epicuro inaugurou o hedonismo, pelo qual a felicidade encontra-se no prazer moderado, no equilíbrio racional entre as paixões e sua satisfação. A ética dos estóicos

viu na virtude o único bem da vida e pregou a necessidade de viver de acordo com ela, o que significa viver conforme a natureza, que se identifica com razão. As éticas cristãs situam os bens e os fins em Deus e identificam moral com religião. Jeremy Bentham, seguido por John Stuart Mill, pregou o princípio do eudemonismo clássico para a coletividade inteira. Nietzsche criou uma ética dos valores que inverteu o pensamento ético tradicional e Bergson estabeleceu a distinção entre moral fechada e moral aberta: a primeira conservadora, baseada no hábito e na repetição, enquanto que a outra se funda na emoção, no instinto e no entusiasmo próprios dos profe- tas, santos e inovadores. Até o século XVIII, com Kant, todos os filósofos, salvo, até certo ponto,

Platão, aceitavam que o objetivo da ética era ditar leis de conduta. Kant viu

o problema sob novo ângulo e afirmou que a realidade do conhecimento

prático (comportamento moral) está na idéia, na regra para a experiência, no "dever ser". A vontade moral é vontade de fins enquanto fins, fins abso- lutos. O ideal ético é um imperativo categórico, ou seja, ordenação para um fim absoluto sem condição alguma. A moralidade reside na máxima da ação e seu fundamento é a autonomia da vontade. Hegel distinguiu morali- dade subjetiva de moralidade objetiva ou eticidade. A primeira, como cons- ciência do dever, se revela no plano da intenção. A segunda aparece nas

normas, leis e costumes da sociedade e culmina no estado. Objeto e ramos da ética. Três questões sempre reaparecem nos diver- sos momentos da evolução da ética ocidental: (1) os juízos éticos seriam verdades ou apenas traduziriam os desejos de quem os formula; (2) prati- car a virtude implica benefício pessoal para o virtuoso ou, pelo menos, tem um sentido racional; e (3) qual é a natureza da virtude, do bem e do mal. Diversas correntes do pensamento contemporâneo (intuicionismo, positi- vismo lógico, existencialismo, teorias psicológicas sobre a ligação entre moralidade e interesse pessoal, realismo moral e outras) detiveram-se nessas questões. Como resultado disso, delimitaram-se os dois ramos

principais da ética: a teoria ética normativa e a ética crítica ou metaética.

A ética normativa pode ser concebida como pesquisa destinada a esta-

belecer e defender como válido ou verdadeiro um conjunto completo e

simplificado de princípios éticos gerais e também outros princípios menos gerais, importantes para conferir uma base ética às instituições humanas mais relevantes.

A metaética trata dos tipos de raciocínio ou de provas que servem de

justificação válida dos princípios éticos e também de outra questão intima- mente relacionada com as anteriores: a do "significado" dos termos, predi- cados e enunciados éticos. Pode-se dizer, portanto, que a metaética está para a ética normativa como a filosofia da ciência está para a ciência. Quanto ao método, a teoria metaética se encontra bem próxima das ciên- cias empíricas. Tal não se dá, porém, com a ética normativa. Desde a época em que Galileu afirmou que a Terra não é o centro do universo, desafiando os postulados ético-religiosos da cristandade medie- val, são comuns os conflitos éticos gerados pelo progresso da ciência, especialmente nas sociedades industrializadas do século XX. A sociologia,

a medicina, a engenharia genética e outras ciências se deparam a cada

passo com problemas éticos. Em outro campo da atividade humana, a prática política antiética tem sido responsável por comoções e crises sem precedentes em países de todas as latitudes. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. Moral Conjunto de regras e prescrições a respeito do comportamento, estabe-

lecidas e aceitas por determinada comunidade humana durante determina- do período de tempo. Ética e moral Uma distinção indistinta Desidério Murcho

A pretensa distinção entre a ética e a moral é intrinsecamente confusa e

não tem qualquer utilidade. A pretensa distinção seria a seguinte: a ética seria uma reflexão filosófica sobre a moral. A moral seria os costumes, os hábitos, os comportamentos dos seres humanos, as regras de comporta- mento adaptadas pelas comunidades. Antes de vermos por que razão esta distinção resulta de confusão, perguntemo-nos: que ganhamos com ela? Em primeiro lugar, não ganhamos uma compreensão clara das três á- reas da ética: a ética aplicada, a ética normativa e a metaética. A ética aplicada trata de problemas práticos da ética, como o aborto ou a eutaná- sia, os direitos dos animais, ou a igualdade. A ética normativa trata de estabelecer, com fundamentação filosófica, regras ou códigos de compor- tamento ético, isto é, teorias éticas de primeira ordem. A metaética é uma

Ética e Conduta Pública

3 A Opção Certa Para a Sua Realização

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reflexão sobre a natureza da própria ética: Será a ética objetiva, ou subjeti- va? Será relativa à cultura ou à história, ou não? Em segundo lugar, não ganhamos qualquer compreensão da natureza da reflexão filosófica sobre a ética. Não ficamos a saber que tipo de pro- blemas constitui o objeto de estudo da ética. Nem ficamos a saber muito bem o que é a moral. Em conclusão, nada ganhamos com esta pretensa distinção. Mas, pior, trata-se de uma distinção indistinta, algo que é indefensável e que resulta de uma confusão. O comportamento dos seres humanos é multifacetado; nós fazemos várias coisas e temos vários costumes e nem todas as coisas que fazemos pertencem ao domínio da ética, porque nem todas têm significado ético. É por isso que é impossível determinar à parti- da que comportamentos seriam os comportamentos morais, dos quais se ocuparia a reflexão ética, e que comportamentos não constituem tal coisa. Fazer a distinção entre ética e moral supõe que podemos determinar, sem qualquer reflexão ou conceitos éticos prévios, quais dos nossos comporta- mentos pertencem ao domínio da moral e quais terão de ficar de fora. Mas isso é impossível de fazer, pelo que a distinção é confusa e na prática indistinta. Vejamos um caso concreto: observamos uma comunidade que tem co- mo regra de comportamento descalçar os sapatos quando vai para o jar- dim. Isso é um comportamento moral sobre o qual valha a pena reflectir eticamente? Como podemos saber? Não podemos. Só podemos determi- nar se esse comportamento é moral ou não quando já estamos a pensar em termos morais. A ideia de que primeiro há comportamentos morais e que depois vem o filósofo armado de uma palavra mágica, a "ética", é uma fantasia. As pessoas agem e refletem sobre os seus comportamentos e consideram que determinados comportamentos são amorais, isto é, estão fora do domínio ético, como pregar pregos, e que outros comportamentos são morais, isto é, são comportamentos com relevância moral, como fazer abortos. E essas práticas e reflexões não estão magicamente separadas da reflexão filosófica. A reflexão filosófica é a continuação dessas reflexões. Evidentemente, tanto podemos usar as palavras "ética" e "moral" como sinônimas, como podemos usá-las como não sinônimas. É irrelevante. O importante é saber do que estamos a falar se as usarmos como sinônimas

e do que estamos a falar quando não as usamos como sinônimas. O pro-

blema didático, que provoca dificuldades a muitos estudantes, é que geral-

mente os autores que fazem a distinção entre moral e ética não conse- guem, estranhamente, explicar bem qual é a diferença — além de dizer coisas vagas como "a ética é mais filosófica". Se quisermos usar as palavras "moral" e "ética" como não sinônimas, estaremos a usar o termo "moral" unicamente para falar dos costumes e códigos de conduta culturais, religiosos, etc., que as pessoas têm. Assim, para um católico é imoral tomar a pílula ou fazer um aborto, tal como para um muçulmano é imoral uma mulher mostrar a cara em público, para não falar nas pernas. Deste ponto de vista, a "moral" não tem qualquer conteú- do filosófico; é apenas o que as pessoas efetivamente fazem e pensam. A ética, pelo contrário, deste ponto de vista, é a disciplina que analisa esses comportamentos e crenças, para determinar se eles são ou não aceitáveis filosoficamente. Assim, pode dar-se o caso que mostrar a cara em público seja imoral, apesar de não ser contrário à ética; pode até dar-se o caso de ser anti-ético defender que é imoral mostrar a cara em público e proibir as mulheres de o fazer. O problema desta terminologia é que quem quer que tenha a experiên- cia de escrever sobre assuntos éticos, percebe que ficamos rapidamente sem vocabulário. Como se viu acima, tive de escrever "anti-ético", porque não podia dizer "imoral". O nosso discurso fica assim mais contorcido e menos direto e claro. Quando se considera que "ética" e "moral" são termos sinônimos (e etimologicamente são sinônimos, porque são a tradução latina

e grega uma da outra), resolve-se as coisas de maneira muito mais sim-

ples. Continuamos a fazer a distinção entre os comportamentos das pesso- as e as suas crenças morais, mas não temos de introduzir o artificialismo de dizer que essas crenças morais, enquanto crenças morais, estão corre- tas, mas enquanto preferências éticas podem estar erradas. Isto só confun- de as coisas. É muito mais fácil dizer que quem pensa que mostrar a cara é imoral está pura e simplesmente enganado, e está a confundir o que é um costume religioso ou cultural com o que é defensável. Peter Singer, James Rachels, Thomas Nagel, e tantos outros filósofos centrais, usam os termos "ética" e "moral" como sinônimos. Para falar dos costumes e códigos religi- osos, temos precisamente estas expressões muito mais esclarecedoras:

"costumes" e "códigos religiosos".

Ética e moral Thomas Mautner Universidade Nacional da Austrália

A palavra "ética" relaciona-se com "ethos", que em grego significa hábi-

to ou costume. A palavra é usada em vários sentidos relacionados, que é necessário distinguir para evitar confusões.

1. Em ética normativa, é a investigação racional, ou uma teoria, sobre

os padrões do correto e incorreto, do bom e do mau, com respeito ao caráter e à conduta, que uma classe de indivíduos tem o dever de aceitar. Esta classe pode ser a humanidade em geral, mas podemos também considerar que a ética médica, a ética empresarial, etc., são corpos de padrões que os profissionais em questão devem aceitar e observar. Este

tipo de investigação e a teoria que daí resulta (a ética kantiana e a utilitaris-

ta são exemplos amplamente conhecidos) não descrevem o modo como as

pessoas pensam ou se comportam; antes prescrevem o modo como as pessoas devem pensar e comportar-se. Por isso se chama ética normativa:

o seu objetivo principal é formular normas válidas de conduta e de avalia-

ção do caráter. O estudo sobre que normas e padrões gerais são de aplicar

em situações-problema efetivos chama-se também ética aplicada. Recen- temente, a expressão "teoria ética" é muitas vezes usada neste sentido. Muito do que se chama filosofia moral é ética normativa ou aplicada.

2. A ética social ou religiosa é um corpo de doutrina que diz respeito o

que é correto e incorreto, bom e mau, relativamente ao caráter e à conduta. Afirma implicitamente que lhe é devida obediência geral. Neste sentido, há,

por exemplo, uma ética confucionista, cristã, etc. É semelhante à ética normativa filosófica ao afirmar a sua validade geral, mas difere dela porque não pretende ser estabelecida unicamente com base na investigação racional.

3. A moralidade positiva é um corpo de doutrinas, a que um conjunto de

indivíduos adere geralmente, que dizem respeito ao que é correto e incorre- to, bom e mau, com respeito ao caráter e à conduta. Os indivíduos podem ser os membros de uma comunidade (por exemplo, a ética dos índios Hopi), de uma profissão (certos códigos de honra) ou qualquer outro tipo de grupo social. Pode-se contrastar a moralidade positiva com a moralidade crítica ou ideal. A moralidade positiva de uma sociedade pode tolerar a escravatura, mas a escravatura pode ser considerada intolerável à luz de uma teoria que supostamente terá a autoridade da razão (ética normativa)

ou à luz de uma doutrina que tem o apoio da tradição ou da religião (ética social ou religiosa).

4. Ao estudo a partir do exterior, por assim dizer, de um sistema de

crenças e práticas de um grupo social também se chama ética, mais espe-

cificamente ética descritiva, dado que um dos seus objetivos principais é descrever a ética do grupo. Também se lhe chama por vezes étnoética, e é parte das ciências sociais.

5. Chama-se metaética ou ética analítica a um tipo de investigação ou

teoria filosófica que se distingue da ética normativa. A metaética tem como objeto de investigação filosófica os conceitos, proposições e sistemas de crenças éticos. Analisa os conceitos de correto e incorreto, bom e mau, com respeito ao caráter e à conduta, assim como conceitos relacionados com estes, como, por exemplo, a responsabilidade moral, a virtude, os direitos. Inclui também a epistemologia moral: o modo como a verdade ética pode ser conhecida (se é que o pode); e a ontologia moral: a questão de saber se há uma realidade moral que corresponde às nossas crenças e outras atitudes morais. As questões de saber se a moral é subjetiva ou

objetiva, relativa ou absoluta, e em que sentido o é, pertencem à metaética.

A palavra "moral" e as suas cognatas refere-se ao que é bom ou mau,

correto ou incorreto, no caráter ou conduta humana. Mas o bem moral (ou a

correcção) não é o único tipo de bem; assim, a questão é saber como distinguir entre o moral e o não moral. Esta questão é objeto de discussão. Algumas respostas são em termos de conteúdo. Uma opinião é que as preocupações morais são unicamente as que se relacionam com o sexo. Mais plausível é a sugestão de que as questões morais são unicamente as que afectam outras pessoas. Mas há teorias (Aristóteles, Hume) que consi- derariam que mesmo esta demarcação é excessivamente redutora. Outras respostas fornecem um critério formal: por exemplo, que as exigências morais são as que têm origem em Deus, ou que as exigências morais são as que derrotam quaisquer outros tipos de exigências ou, ainda, que os juízos morais são universalizáveis.

A palavra latina "moralis", que é a raíz da palavra portuguesa, foi criada

por Cícero a partir de "mos" (plural "mores"), que significa costumes, para

corresponder ao termo grego "ethos" (costumes). É por isso que em muitos contextos, mas nem sempre, os termos "moral/ético", "moralidade/ética",

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"filosofia moral/ética" são sinónimos. Mas as duas palavras têm também sido usadas para fazer várias distinções:

1. Hegel contrasta a Moralität (moralidade) com a Sittlichkeit ("eti-

calidade" ou vida ética). Segundo Hegel, a moralidade tem origem em Sócrates e foi reforçada com o nascimento do cristianismo, a reforma e

Kant, e é o que é do interesse do indivíduo autônomo. Apesar de a morali- dade envolver um cuidado com o bem-estar não apenas de si mas também dos outros, deixa muito a desejar por causa da sua incompatibilidade potencial com valores sociais estabelecidos e comuns, assim como com os costumes e instituições que dão corpo e permitem a manutenção desse valores. Viver numa harmonia não forçada com estes valores e instituições

a Sittlichkeit, na qual a autonomia do indivíduo, os direitos da consciência individual, são reconhecidos mas devidamente restringidos;

2. De modo análogo, alguns autores mais recentes usam a palavra

"moralidade" para designar um tipo especial de ética. Bernard Williams (Ethics and the Limits of Philosophy, 1985), por exemplo, argumenta que "a instituição da moralidade" encara os padrões e normas éticas como se fossem semelhantes a regras legais, tornando-se por isso a obediência ao dever a única virtude genuína. Esta é uma perspectiva que, na sua opinião, deve ser abandonada a favor de uma abordagem da vida ética menos

moralista e mais humana e sem restrições;

3. Habermas, por outro lado, faz uma distinção que está também

implícita na Teoria da Justiça de Rawls entre ética, que tem a ver com a vida boa (que não é o mesmo para todas as pessoas), e a moralidade, que tem a ver com a dimensão social da vida humana e portanto com princípios de conduta que podem ter aplicação universal. A ética ocupa-se da vida boa, a moralidade da conduta correta. Thomas Mautner Tradução e adaptação de Desidério Murcho Retirado de Dictionary of Philosophy, org. por Thomas Mautner (Penguin,

2005)

é

Princípios e Valores Éticos.

Difundindo princípios e conceitos éticos Milton Emílio Vivan Rotary Club de São Paulo-Pacaembu, D.4610, desenvolveu no ano rotário 2003-04 um projeto de difusão de princípios e conceitos éticos. O projeto procura responder a uma das frases mais relevantes de Paul Harris: “O

Rotary continuará a ser caridoso, mas pode fazer mais do que isso: faça- mos com que o Rotary extermine a causa que faz necessária a caridade”. A que se referia Paul Harris? Após profunda reflexão, por vários caminhos, surgiu a resposta: a maior vivência dos preceitos éticos. Assim nasceu a idéia do projeto. O primeiro passo foi a escolha de conceitos simples, de fácil mas ampla aplicação, e profundos em sua essência. Resultou na escolha dos princípios da universalidade e do respeito enunciados por Emmanuel Kant. Princípios da universalidade e do respeito de Kant Princípio da Universalidade: quando você quiser saber se uma ação é ética ou não, suponha que essa ação se tornará um padrão universal de comportamento, ou seja, a partir de agora, esse será o modelo de compor- tamento. Imagine, então, todos agindo dessa forma. Se não gostar de viver numa sociedade com todas as pessoas agindo dessa forma, pode-se concluir que a ação em questão não é ética. Em resumo, a pergunta é: e se todos agissem assim? Princípio do Res- peito: todo ser humano deve ser considerado como um fim em si mesmo. Os aspectos que mais caracterizam o Princípio do Respeito são:

• Não negar informações pertinentes e

• Permitir-lhe liberdade de escolha.

Em todos os boletins semanais do clube esses princípios foram citados. Durante o ano, em todos eles foram incluídas perguntas e respostas sobre

a aplicação prática desses dois princípios. Ao final, foram enunciadas e

respondidas 100 perguntas, as quais foram englobadas em um livro que foi

distribuído na Conferência Distrital do D.4610. A comunidade foi atingida pela inserção em jornais de bairro. Para que o projeto alcançasse o âmbito mundial, foi criado o boletim Stadium International, que foi enviado para mais de 600 clubes no mundo e que veiculou os dois princípios de Kant enunciados em português, inglês, francês, italiano, espanhol, alemão, japonês e hindi. Algumas dessas versões foram feitas por clubes do exteri- or, por solicitação do RCSP-Pacaembu, como sinal de engajamento no projeto.

A acolhida tem sido excepcional. Governadores incluíram em suas cartas

mensais os dois princípios e incentivaram seus presidentes a se envolve- rem no projeto.

Influência do “estado da arte” sobre a ética Para sabermos se uma ação é benéfica a toda sociedade, é necessário que se conheçam adequadamente as conseqüências dessa ação sobre a sociedade. Nos casos onde o estado da arte do assunto em questão não atingiu um grau de maturidade suficiente para conclusões seguras e corre- tas, não se pode concluir se a ação é ou não ética. Leonardo da Vinci era

criticado por ter iniciado a dissecação de cadáveres, mas sem essa prática

a medicina jamais conseguiria atingir o grau de evolução atual. Hoje vemos

que sua atitude era ética, apesar de que, naquela época, alguns o critica- vam injustamente, principalmente por ignorância de origem religiosa ou simplesmente técnica. Quando uma ação é ou não é ética Não é difícil diferenciar o que é e o que não é benéfico para uma socie- dade. Mas em alguns casos, onde o conhecimento humano do estado da arte não atingiu um nível adequado, a decisão sobre se uma ação é ou não ética ficará prejudicada. Estão claramente nesse rol a clonagem de seres humanos, o plantio de alimentos transgênicos etc. Outras ações como a eutanásia, em certas circunstâncias, o aborto em determinadas situações, a prisão perpétua ou a pena de morte de alguns crimes também podem carecer de maior conhecimento humano se desconsiderarmos os preceitos

religiosos, pois ainda não sabemos cientificamente a partir de que momento existe ou deixa de existir a vida, a alma, o espírito ou a capacidade de regeneração de um ser humano. Meio ambiente e a ética Como a ética está umbilicalmente ligada à obtenção de melhores condi- ções da vida em sociedade, a preservação e melhoria das condições do meio ambiente são itens dos mais importantes para as gerações futuras. Portanto, uma indústria que solta poluentes em um rio, o carro que emite gases que poluem o ar por estar desregulado, empresas que produzem materiais não-biodegradáveis ou que ataquem a camada de ozônio etc não estão agindo de forma ética, pois estarão comprometendo a qualidade de vida das gerações e sociedades futuras. Uma ação egoísta, porém ética Imagine a criação de um empreendimento de sucesso, com ótimos resul- tados aos investidores, mas que também permita empregar centenas de trabalhadores, inserindo-os socialmente e permitindo-lhes que exerçam plenamente a cidadania. Esta ação, por ser benéfica à sociedade, é consi- derada uma ação ética. Imagine um local onde ocorra seca periodicamente no Nordeste brasileiro. Um empreendedor investe num projeto de irrigação

e cria um pólo produtor de frutas que emprega centenas de famílias. Supo-

nha que esse empreendimento tenha enorme sucesso, com produtos de ótima qualidade e preços competitivos. Admita que as condições de trabalho sejam adequadas, e que os traba- lhadores possam educar seus filhos e contar com assistência médica, ter à disposição transportes, lazer e segurança, enfim, que tenham o necessário para que possam exercer com plenitude a cidadania. A ação desse empre- endedor será uma ação ética, pois resultará em benefício para toda a sociedade. Fatos como esse podem ocorrer no campo, em qualquer cidade

e em qualquer metrópole. Ações legais porém não-éticas Toda lei que não beneficie a sociedade será uma ação não-ética. Leis incompetentes ou leis que venham a beneficiar grupos em prejuízo de toda uma sociedade gerarão ações legais, mas não-éticas. Esse tipo de ação é bastante comum quando grupos julgam legítimo defender seus interesses corporativos, mesmo quando em detrimento do interesse da sociedade. Não são raras as ações desse tipo em todas as casas onde se legisla, seja nas Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas, Câmara de Depu- tados, Senado Federal e até em Associações de Normas Técnicas. Nestas últimas, interesses corporativos podem pugnar por maiores tolerâncias, incompatíveis com requisitos de qualidade etc. Esses interesses corporati- vos procuram se cercar de garantias que diminuam os riscos de prejuízo, não pela competência e maior qualidade dos produtos, mas pela mudança nos parâmetros de controle. Ações legais e não-éticas também podem ter origem na corrupção, na omissão de pessoas ou instituições, mas também simplesmente em ações não-competentes. Um exemplo é o caso de situa- ções geradas por governos que endividam seus países em níveis incompa- tíveis com a capacidade de pagamento, obrigando ao envolvimento em dívidas monstruosas, quase que impagáveis, e que obrigam esses gover- nos a empenharem vultosas quantias que, em princípio, deveriam ser investidas em benefício da população. Outro exemplo é o caso da cobrança

exagerada de impostos que, apesar de legal, pode se tornar não-ética quando sufocar os meios de produção de uma sociedade.

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Comportamentos éticos aplicáveis universalmente

• A compaixão, relacionada com a ajuda ao próximo;

• A não-maleficência, que trata de evitar a imposição de sofrimento ou

privação ao próximo;

• A beneficência, que procura prevenir e combater o sofrimento do próxi-

mo, promover a felicidade do próximo, e com natural e maior intensidade à nossa família e amigos;

• A imparcialidade: tratar as pessoas da forma como merecem ser trata-

das, tendo direitos iguais até que o mérito ou necessidades justifiquem tratamento especial;

• A coragem para se opor a injustiças, mesmo que em prejuízo próprio;

• O respeito à autonomia individual: não manipular ou induzir o pensa- mento das pessoas, mesmo que para o próprio bem delas;

• A honestidade: não enganar as pessoas. A mentira é um vício, especi-

almente quanto à supervalorização das próprias capacidades. Acostume-se a saber que as pessoas merecem saber a verdade;

• Não fazer promessas que não pretende ou que sabe que dificilmente conseguirá cumprir;

• Integridade: cumprir com as obrigações, mesmo que a despeito de inconveniência pessoal.

• Consistência. Pode-se medir o valor moral de um ser humano pela

consistência de suas ações. Essa medida tem maior qualidade quando princípios conflitam com interesses. Como a televisão poderia servir como difusor desses princípios e conceitos? A televisão é claramente subutilizada socialmente nesse aspecto. As telenovelas poderiam conter episódios que didaticamente mostrassem as conseqüências benéficas de atitudes éticas à sociedade. Nos esportes poderiam ser ressaltados, valorizados e premiados os comportamentos mais adequados. Reconhecimentos profissionais em âmbito nacional a entidades e pessoas que se destacaram em suas funções e objetivos, observando os princípios éticos. Programas dominicais poderiam apresen- tar quadros específicos a esse respeito. Pequenas histórias e séries pode- riam conter temas que focalizassem um determinado assunto sob o ponto de vista ético. Programas de entrevista poderiam dar ênfase a comporta- mentos a serem imitados. Prêmios poderiam ser oferecidos a comporta- mentos exemplares, programas de perguntas e respostas poderiam dar ênfase aos princípios e conceitos éticos, enfim, em quase todos os tipos de programas há uma forma de incluir conceitos éticos. A ética na formação moral de uma nação Pode-se constatar que há pessoas bastante cultas, educadas, formadas pelas melhores escolas do Brasil ou até do exterior que não se preocupam com a vida em comunidade, ou seja, não têm a necessária sensibilidade ética. Por outro lado, um analfabeto pode ser tão ou mais ético que um doutor se suas ações forem pautadas pelo respeito ao que é de todos. Não é necessário ser alfabetizado para se compreender e viver os valores éticos. Basta que a cabeça seja aberta e não fechada em seus próprios interesses. A ética no Rotary A difusão de princípios e conceitos éticos é, sem dúvida, um dos objetivos do Rotary. O comportamento ético está diagnosticado como remédio ade- quado para quaisquer países de todos os continentes: grandes potências, países ricos, emergentes, carentes e pobres. Uma instituição como o Rotary, de âmbito internacional, tem vocação inerente para ser a portadora da bandeira da difusão dos princípios éticos. Esse projeto custa muito pouco comparado com os existentes, e os frutos serão colhidos em todas as áreas, com benefício incomensurável para todos os seres humanos. Relação entre a ética e a religião Não importa de que religião somos, no que, em que e como cremos:

podemos sempre nos empenhar na prática do bem. Isso não contradiz qualquer religião. Se nossas ações visam ao empenho pela prática do bem da sociedade, nossas ações cumprem a meta de cada religião. É pela prática verdadeira em sua vida diária que o homem cumpre de fato a meta de toda religião, qualquer que seja ela, qualquer nome que tenha. Se acreditamos na prática do bem independente de quaisquer recompensas, imediatas ou futuras, cumprimos ainda melhor essa missão. Relação entre ética e política Ética e política se entrelaçam e se confundem em seu significado mais profundo. A ética está profundamente ligada com a vida em sociedade. Ações éticas implicam em ações que beneficiam a comunidade. Na política deve prevalecer o interesse da sociedade como um todo, e não o de uma minoria privilegiada com acesso ao poder. Um bom político é

aquele que consegue melhorar as condições de vida de seu povo. Assim ele será ético. Um deputado que cria leis que não beneficiam seu povo ou que beneficiam a poucos criará uma ação que, apesar de legal, será não- ética. A criação de novos impostos que venham a sufocar a economia são ações tipicamente não-éticas. A outorga de benefícios imerecidos e injustos também são ações não-éticas. Não basta aos políticos terem boas inten- ções ou boa vontade. Também é necessário ter competência. Para os políticos, a prática da ética está intimamente relacionada com a sua compe- tência profissional. O problema é que, para os políticos, mesmo que queiram, não é fácil praticar a ética. Soluções simples e surradas muitas vezes não bastam. É necessário criatividade, inteligência, arrojo e coragem para encontrar solu- ções competentes e, portanto, éticas, que vão realmente beneficiar a soci- edade. Uma casa legislativa onde se criam leis ineficazes será uma fonte de ações não-éticas, mas legais. Relação entre ética e justiça Numa sociedade ética é fundamental que todos tenham, apesar das diferenças individuais, no mínimo, as mesmas oportunidades para viver com plenitude a cidadania. O desenvolvimento de suas capacidades será função de suas habilidades e vocações, de sua disciplina e talento. A desigualdade social deve ser a mínima aceitável de modo a garantir ao mais humilde o essencial para que possa ter acesso à cidadania: saúde, educação, transporte e segurança. A justiça deve agir no sentido de asse- gurar que cada indivíduo da sociedade tenha o que realmente merece, principalmente do ponto de vista distributivo, em função do mérito, mas também do ponto de vista corretivo, em função do dano causado. Uma justiça eficiente permite que a sociedade viva de forma mais estável, har- moniosa, com paz e, portanto, mais feliz, atingindo assim os objetivos de uma sociedade ética. Numa sociedade justa, até o mérito do sucesso tem maior valor. O mérito, quando legítimo, não pode ter limites. Isso induz e incentiva a prática do bem, das boas ações, facilitando o alcance da felici- dade comum. A corrupção, os conluios e acertos visando aos privilégios que sabotam a ação da justiça e que visam à certeza da impunidade devem ser encarados como vícios e imperfeições da sociedade, que não podem ser tolerados. Relação entre a ética e a malandragem e o otário Em nosso país, inclusive na TV, é comum a valorização e a banalização do termo “malandro”. Malandro assume então o significado de esperto, o que leva vantagem. Mas é impossível dissociar que malandro também significa trapaceiro, velhaco. Otário é o que se deixa enganar pela esperteza, pela trapaça do velhaco. Assim é comum ver-se a figura do malandro, do que procura levar vanta- gem em tudo, ser valorizada em detrimento de um comportamento condi- zente com a vida em sociedade, que sequer é lembrado – e muitas vezes até rejeitado – pelos mais insuspeitos cidadãos. É lamentável a falta de sensibilidade de quem de fato ou de direito deveria corrigir essas atitudes que deformam o caráter dos indivíduos, mas principalmente de nossa mocidade. A existência de um malandro sempre supõe a existência de um otário que foi enganado. A malandragem que visa a obtenção de alguma vantagem para si ou para outrem, mesmo que independente dos meios, e com o mínimo esforço possível, é evidentemente incompatível com a vida em sociedade. Esse conceito deve ser rejeitado com veemência e não tolera- do. O mérito e o valor da conquista com disciplina e talento devem ser valorizados. Não se pode pretender uma sociedade ética ou justa quando se valoriza o comportamento do malandro. Fórum Social Mundial – a reinvenção da democracia (1) *Cândido Grzybowski Desde a sua primeira edição em 2001, o Fórum Social Mundial (FSM) vem sendo um espaço privilegiado de mobilização e encontro da diversida- de de movimentos sociais, organizações, suas redes, campanhas e coali- zões que se opõem à globalização econômica e financeira dominante. A especificidade e força agregadora do FSM decorrem da sua capacidade de fazer com que tamanha heterogeneidade de atores sociais – em termos sociais, culturais e geográficos – acreditem em si mesmos e na possibilida- de de transformar e reconstruir o mundo. Com a globalização dominante a maior parte da humanidade está sendo deixada de lado, como um exce- dente descartável. Com o FSM as pessoas mais simples redescobrem o seu valor fundamental como membros da comunidade humana e cidadãs construtoras de sociedades, das culturas, dos poderes, das economias. Sentir-se produzindo e reproduzindo a vida é a esperança que nasce no Fórum. Seu desafio maior é repolitizar a vida para que outro mundo seja

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possível diante da homogeneidade concentradora de riquezas, socialmente excludente e ambientalmente destrutiva da globalização feita por e ao serviço das grandes corporações. Meu olhar sobre o FSM decorre da minha própria inserção social e polí- tica em sua promoção. Nesse sentido, faço aqui um exercício engajado do livre pensar, um misto de testemunho e de reflexão estratégica sobre os possíveis rumos em que, como participantes diversos e plurais, podemos avançar com o FSM e seu impacto sobre as instituições multilaterais e os Estados. Minha perspectiva não é partir do poder econômico e político constituído e sim do processo e das condições para que os cidadãos e as cidadãs do mundo estejam no centro, controlando o poder e os mercados globais.

1. O Fórum Social Mundial como canteiro de obras da cidadania mundi-

al

Em sua origem, o FSM se constituiu no contrapé do Fórum Econômico Mundial, nos mesmos dias, exatamente para marcar os lados opostos gerados pelas globalização dominante. Fóruns opostos no tempo e no lugar, um velho de mais de 30 anos, outro recém começando a irrupção na história; um numa luxuosa estação de esqui, em Davos, isolado pela polí- cia, o outro na planície de Porto Alegre, a cidade com história de participa- ção popular na gestão pública. Mas não podemos iludir-nos, são opostos que exprimem o mundo globalizado de hoje. A globalização que combate- mos nos transformou, pelo pior caminho possível, em uma comunidade humana planetária interdependente. Este é o ponto de partida: a transfor- mação que a globalização produziu em nossas condições de vida no Plane- ta. Ao mesmo tempo, é fundamental reconhecer que não basta e até é impossível democratizar esta globalização, dar-lhe uma face mais humana e sustentável. A tarefa que se nos impõe é de refundação democrática de um mundo interdependente, de gente para gente, compartindo bens co- muns entre todos os povos, com todos os direitos humanos garantidos a todos os seres humanos, com igualdade no respeito à diversidade social e cultural. Antes do FSM, já nos 80, com a crise da dívida e a ascensão de Marga- reth Thatcher e Ronald Reagan, mas especialmente durante os anos 90 do século XX, foram inúmeras as insurreições de movimentos sociais e organi- zações contra a avassaladora globalização neoliberal imposta ao mundo. O palco principal das manifestações foram as reuniões do G-7, as assembléi- as do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e as roda- das de negociação da Organização Mundial do Comércio (OMC). De forma espetacular, desenvolveram-se redes temáticas regionais e mundiais:

dívida, agricultura, comércio, meio ambiente, cooperação, direitos huma- nos, educação, comunicação etc. Novos sujeitos foram se mundializando e se consolidando: os movimentos feministas, ambientalistas, dos povos indígenas, dos sem terra e camponeses, de trabalhadores migrantes, dos sem teto, movimentos contra o apartheid, todos com um emergente dimen- são planetária, tanto na sua própria identidade social e raio de atuação como na solidariedade que foram despertando. Mas não havia uma encru- zilhada, um espaço de encontro do conjunto destas novas forças sociais e delas com os já mais históricos atores internacionalizados, como o movi- mento operário e sindical. A grande insurreição nas ruas de Seattle, em fins de 1999, foi um empurrão decisivo para a emergência de algo inteiramente novo. A novidade do FSM é de criar o espaço para que a diversidade de ato- res se encontre, se reconheça, troque práticas, experiências e análises, se articule e crie novas redes, coalizões e campanhas. Enfim, o FSM surge como expressão de uma demanda contida da emergente cidadania plane- tária no sentido de pensar todos e todas juntos as possíveis ações de transformação da ordem global existente. Desde o seu nascedouro, o FSM se impôs o respeito à diversidade e ao pluralismo como condição de sua própria existência e de enfrentamento do pensamento único, homogêneo e redutor, da globalização neoliberal.] De minha perspectiva, ainda não criamos alternativas estruturantes em face da globalização dominante. Isto é uma tarefa coletiva de longa dura- ção. Temos apenas 5 anos! Mas despertamos um poderoso movimento de idéias, que alimenta o sonho, a utopia, a esperança e faz a emergente cidadania do mundo agir. Além disto, com o FSM, quebramos a arrogância dos pregadores do neoliberalismo e demonstramos o quanto de autorita- rismo, de militarização e de guerra, de exclusão e intolerância, de anti- humano são portadores os processos globais, centrados nos mercados e na força política e militar que os sustenta.

É uma nova cultura política que pode se desenvolver a partir do proces-

so que o FSM despertou. A multiplicação de fóruns regionais, nacionais, locais e temáticos alimenta o movimento de idéias de que outros mundos são possíveis, lhe dá novas facetas e engrossa a adesão de sujeitos soci- ais os mais diversos social, cultural e geograficamente. Se isso ainda não se traduz em uma nova institucionalidade política, certamente cria o terreno propício para um repensar da política e do espaço público, do local até o poder global e suas instituições. O FSM, como espaço aberto à diversidade e aceitando as divergências, engendra um novo modo de fazer política. Como força propulsora, difusa mas poderosa, que vai além dos que se encontram nos eventos do FSM, há que se reconhecer, de um lado, uma consciência da comum humanidade na diversidade que nos caracteriza como seres humanos. De outro, não dá para subestimar o poder mobiliza- dor e transformador da consciência dos bens comuns fundamentais à vida no Planeta que temos, sejam os frágeis e finitos como são os bens natu- rais, a atmosfera, a biodiversidade, sejam as conquistas humanas como o saber, as línguas e a cultura em geral. Consciência aliada a um resgate da ação cidadã como prática central na transformação das situações e no desenvolvimento humano, democrático e sustentável. Ação que necessari- amente se concretiza localmente, lá onde vivemos, mas que é impregnada

de universalismo, busca ser planetária no seu sentido humano e alcance político.

2. Desafios e tarefas para que o FSM contribua e reforce a capacidade da emergente cidadania planetária no sentido de uma democratização radical do mundo

O FSM não é, em si mesmo, um movimento político, mas um espaço

aberto para a reconquista da política em seu sentido mais pleno. Sua força reside nas múltiplas contradições que comporta, permitindo que elas se exprimam em seu espaço como livre prática de busca de cada participante, cada organização e cada movimento, cada rede e cada campanha, da mais simples à mais complexa e extensa. O FSM pode fortalecer a cidadania que nele se encontra, dialoga e confronta em busca de alternativas à (des)ordem global vigente, sem, no entanto, se tornar, ele mesmo, uma organização que aponta a direção a seguir. Formação de alianças e de novas redes, decisões sobre campanhas as mais amplas e mobilizadoras possíveis, disputas de hegemonia, desencontros em meio a muitos encon- tros, tendo no centro o pensar as alternativas para o mundo global que temos, dão vida ao FSM. Enquanto ele conseguir ser espaço do diverso e da pluralidade, tendo por base os princípios e valores éticos compartidos que nos dá a dupla consciência da humanidade e dos bens comuns a preservar para todos os seres do Planeta, o FSM vai continuar sendo uma das alavancas da cidadania mundial. Isso não me impede de ver enormes desafios e tarefas que se colocam para todos e todas que participamos do FSM como espaço aberto. Inven- tamos o FSM em um momento datado e situado neste começo do século XXI, em plena exacerbação da lógica do terror e da guerra, do acirramento do unilateralismo dos EUA, de crise e até falência da democracia represen- tativa, com crescimento de uma enorme brecha entre as instituições políti- cas e as demandas da cidadania, de continuidade da concentração de riquezas, da exclusão social e da destruição da base da vida. O FSM é tensionado pelos desafios do aqui e agora, precisa criar condições para um pensamento novo e um acúmulo estratégico, que leve a emergente cidada- nia mundial a fortalecer a sua capacidade de ação política. O FSM precisa ser um espaço que contribua para imaginar o mundo, reinventar o método de ação e estimular a intervenção concreta nos processos de globalização em curso. É possível apontar algumas tarefas incontornáveis para respon- der aos desafios que temos pela frente. Não se trata de um plano de ação do FSM – simplesmente porque ele não tem e nem pode ter planos de ação como espaço aberto – mas é o que recolho como seu participante, como analista, ativista e dirigente do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). a) Imaginar o mundo Trata-se de alimentar uma ousada busca dos projetos possíveis de ou- tros mundos como alternativa. Um novo ideal, em suma. Aí vejo como uma primeira tarefa essencial a reflexão sobre a democracia como referência estratégica, com crítica ao modelo liberal e às formulas institucionais atuais. Como trazer ao centro do embate e da construção democrática a idéia força da diversidade de sujeitos em sua igualdade e com as práticas mais libertárias possíveis? Como incorporar os princípios e valores éticos fun- dantes da democracia – a base da universalidade – como referência para todas as relações humanas: familiares, sociais, culturais, econômicas,

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técnicas, políticas, entre os povos, entre os Estados? Incorporar o funda- mento ético na visão estratégica da democracia representa uma mudança política e filosófica fundamental, que aponta para a possibilidade de uma nova cultura política da emergente cidadania planetária. Ele não abandona

respeitar os outros sujeitos, com eles se pondo em ação, em diálogo, em troca. Na prática, o FSM é desafiado a promover o mais radical diálogo entre movimentos sociais e organizações, num processo intra eles, superando barreiras culturais, geográficas e nacionais, e num processo inter diferentes movimentos e organizações, buscando as convergências e divergências. A questão metodológica e política aqui é da tradução, no sentido que lhe dá Boaventura Souza Santos. Vai na mesma direção a necessidade para o FSM de ser cada vez mais mundial, mais espaço da cidadania mundial, penetrando em todas as sociedades no Sul e no Norte, no Oeste e no Leste, atravessando tradições civilizatórias, religiões, filosofias e culturas as mais diversas. E um desafio ainda maior: tornar visíveis os hoje invisíveis social e politicamente para o mundo. Sem dúvida, muitas das questões aqui levantadas já tem soluções práticas, só que muito localizadas, fragmenta- das, não sistematizadas. Permitir que isto venha à luz e se potencialize, tornando-se um modo de operar capaz de levar a cidadania a uma nova cultura política é a tarefa essencial do FSM. Temos muito a aprender a este respeito. A experiência de construir um programa de trabalho a partir de baixo, de estimular o encontro e articulação, aglutinação até, está em curso no FSM, mas é uma árdua e paciente tarefa. Temos hoje mais dispersão e confusão do que diversidade construída naquilo que mostramos nos nossos eventos. Mas é o caminho. c) Intervir concretamente O FSM, em si mesmo, não tem capacidade de intervenção. Sua inci- dência política se faz através do que decidem seus e suas participantes. Porém, voltado a fortalecer a emergente cidadania planetária, pensando a ação e para a ação política, o FSM acaba sendo um espaço aberto para a constituição de novas redes e coalizões visando a formulação de campa- nhas, a promoção de mobilizações e demonstrações, a seleção de possí- veis estratégias de influência no debate público, nas diferentes sociedades

e

nem desvaloriza o embate ideológico, vital para a política democrática,

mas delimita o seu lugar e as suas referências comuns. Dele decorre, também, uma visão que pensa os direitos como relação, como qualidade das relações sociais, onde direitos para serem direitos e não privilégios devem ser de todos e todas e onde direitos comportam responsabilidades.

Com base em tais princípios e valores, é possível pensar na universalidade da democracia como referência para outros mundos. Mas isso implica para

o

FSM, como tarefa de fortalecimento da cidadania mundial, ser um espaço

que favoreça o diálogo entre culturas, entre sujeitos sociais diversos, entre visões e perspectivas diferentes e divergentes, diálogo como condição para

que o possível seja imaginado, pensado e formulado como proposta. Muitas outros desafios e tarefas surgem neste processo de imaginar o mundo. Precisamos superar o déficit conceitual, de teorização e de atribui- ção de significados com o qual enfrentamos a globalização dominante. Não podemos ficar enquadrados para pensar o mundo pelos conceitos que nos são impostos pela ideologia neoliberal e sua visão da globalização – ela mesma um conceito que esconde a lógica de dominação que a engendrou. Nem são mais suficientes os conceitos e teorias das escolas de pensamen-

to

e ação da esquerda superadas pela própria história. O caminho é radica-

lizar a crítica ao capitalismo e à globalização que ele alimenta, em todas as

suas formas e processos. Precisamos reinventar o desenvolvimento como conceito e como mode- lo, libertando-o do produtivismo, do tecnicismo e consumismo que decorrem de sua estreita e praticamente exclusiva associação com crescimento econômico. Isso implica, também, uma revisão do paradigma científico e de sua falsa objetividade, negadora da vida com tudo de subjetivo que ela tem. Precisamos conseguir pensar e imaginar o futuro humano livre da idéia de progresso material no padrão industrial e de consumo dos atuais países desenvolvidos, porque insustentável ambientalmente e excludente social- mente. Imaginar outro mundo é resgatar o trabalho como criador de vida, de produção e reprodução da vida. E, ainda, relocalizar as economias para que tenham dimensão sustentável, segundo as possibilidades da base natural, e sejam humanas e justas socialmente, produtoras de bens e serviços para gente antes de serem para mercados. Isto implica em aceitar

e

espaços, nas conjunturas que se apresentam. Como espaço público

aberto à cidadania mundial, o FSM é atravessado pela necessidade de agir aqui e agora sentida por quem dele participa. Vejo isto como um enorme desafio. Os temas mais prementes para participantes do FSM, como os vejo de onde me situo, são:

·

a necessidade de radicalizar a ruptura com e de se contrapor à ideologia e

às

visões da globalização neoliberal;

desafio de pensar o lugar das relações mercantis e da regulação, media-

das pela negociação democrática. Imaginar o mundo tendo como referente estratégico a democracia é dar-se a tarefa de pensar a ação e o espaço público em todas as esferas da vida. Sem dúvida, as instituições de poder e de Estado precisam ser redefinidas para que as demandas e a participação cidadã sejam a força de legitimação e legalização de direitos e deveres. Isto do local ao global, segundo princípios de soberania e autonomia cidadã, de subsidiariedade e complementariedade de poderes, de multilateralismo e solidariedade entre povos.]

o

o aprofundamento da análise da lógica de funcionamento e da estratégia das grandes corporações e do capital financeiro, com denúncia de suas violações de direitos e de destruição das condições de vida;

·

·

a mercantilização de todas as relações sociais, a privatização de bens

comuns e espaços públicos, a flexibilização de direitos conquistados, a desregulação e liberalização em nome do livre mercado;

·

o poder, concentrado e obscuro, das organizações globais, especialmente

das organizações financeiras e comerciais, longe do controle da cidadania

e

dos povos;

·

a lógica do terror e da guerra, a crescente militarização e a ameaça à paz

 

e

soberania dos povos;

 

b) Inventar o método Um outro grande desafio para o FSM é contribuir para o desenvolvimen-

o perigo do unilateralismo crescente e do imperialismo, a necessidade de reconstrução do multilateralismo e da governança mundial para a paz. São todos temas cruciais em que de algum modo a cidadania mun- dial já está envolvida, precisando dar respostas. Muitos outros podem ser arrolados aqui. Ative-me àqueles que mais diretamente se referem ao

·

to

de um novo modo de fazer política. Com que método construir a cidada-

nia ativa mundial? Como o respeito aos princípios e valores democráticos, valorizando a diversidade social e cultural e respeitando a pluralidade de

visões e idéias, pode ser traduzido em um método de ação? A partir do que

enfrentamento da globalização dominante. Todos estes temas já são deba-

se pratica no FSM, parece fundamental que convergências e divergên-

tidos no FSM. A tarefa urgente é pensá-los mais associados às ações e, ao mesmo tempo, sem que acabem marginalizando os outros grandes desafi-

os

que a emergente cidadania planetária tem pela frente.

cias – como tantas outras convergências, ao seu modo – tenham condições de se expressar no espaço do fórum. Ou seja, não se trata de buscar o mínimo denominador comum, redutor e excludente, mas de valorizar a diversidade de possibilidades, onde nenhuma possibilidade possa negar as outra e nem seja levada a se submeter à qualquer uma outra. Um tal princípio metodológico para a prática política nova que se quer implementar recoloca o problema da articulação, das alianças e coalizões, da formação de blocos de forças, condição indispensável nas democracias. Como formar hegemonias na diversidade de sujeitos e forças, sem prota- gonismos? Respostas a priori não existem, precisam ser criadas. O ponto de partida é o reconhecimento da legitimidade e, até, da necessidade vital de conflitos e disputas para a democracia. As democracias se movem pela luta social, desde que sejam respeitados os princípios éticos fundantes pelas forças em confronto. Isso significa eleger metodologicamente a ação

política, o pensar a ação e para a ação. Significa, também, reconhecer e

3. O FSM 2006: o desafio da expansão e mundialização Desde o começo, em 2001, a vocação mundial e universalista do FSM é posta à prova. Sua vitalidade depende de sempre estar colado às múltiplas realidades sociais e culturais, econômicas e ambientais dos povos do Planeta. A multiplicação de fóruns, nas cidadades, nos países, nas regiões, a realização de fóruns temáticos, e o deslocamento do próprio evento principal, girando o mundo, atende a tal imperativo. Em 2004, fomos para a Ásia, na Índia, na cidade de Mumbai. Agora, em 2006, estamos topando o desafio de realizar um Fórum Social Mundial Policêntrico, articulando eventos em diferentes continentes: vamos a Cara- cas, na Venezuela, a Bamako, no Mali, e a Karachi, no Paquistão, além de uma conferência no Marrocos. Não serão, como imaginado, eventos simul- tâneos, mas muito próximos e, sobretudo, muito articulados entre si. São

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realidades bem diversas o que faz imaginar um FSM muito mais diverso do que até aqui fomos capazes de produzir. Em 2007, já está decidido, vamos todos para Nairobi, no Quênia. O que significa este esforço de mundialização do próprio FSM? Sem dúvida, estamos construindo uma estratégia que nos fortaleça na diversi- dade do que é a emergente cidadania planetária. Estamos mostrando as múltiplas identidades de que somos portadores e, sobretudo, as inúmeras possibilidades na construção de “outros mundos”. Para nós cidadãos e cidadãs da Venezuela, Brasil, da América Lati- na, do Caribe, da América do Norte, o FSM em Caracas representa um grande desafio e vem carregado de significado especial. Já fizemos um Fórum Regional em Quito, no Equador, em 2004. Agora, além de uma clara dimensão regional, o FSM em Caracas adquire um impacto mundial mais claro. Estamos realizando o fórum na Venezuela dos muitos contrastes e, devido às posições do Governo Chaves, tem provocado enorme debate em todo mundo, como uma das formas de oposição à globalização neoliberal e ao imperalismo dos EUA de Bush. Na América do Sul se situa o núcleo mais claro de uma crescente oposição ao neoliberalismo e a Venezuela tem tido um importante papel político nisto. É claro que nem todo(a)s parti- cipantes do FSM concordam com concepções e métodos do Presidente Chaves. O FSM tem a sua autonomia como processo puxado por movimen- tos e entidades da sociedade civil, por suas redes, coalizões e alianças, regionais e mundiais. Mas isto não implica em se negar a enfrentar com análise e debate, numa troca bem aberta, as possibilidades e limites das lutas concretas, especialmente todas aquelas que se alinham no combate ao neoliberalismo e sua globalização. O fato de um dos capítulos do FSM Policêntrico se realizar na Venezuela, neste momento, para além de todas as divergências que pode despertar, precisa ser visto como uma busca efetiva entre nós mesmos e uma demonstração de solidariedade a movi- mentos e organizações da sociedade venezuelana. Mas tem mais. Indo a Caracas, assim como aos outros eventos do FSM Policêntrico, estamos nos expandindo, nos mundializando ainda mais, nos conhecendo melhor. Estamos dando um sinal para o mundo que que- remos sim integração, mas integração de povos, dos múltiplos povos, e não uma incorporação por conglomerados econômicos e financeiros globais, uma inclusão subordinada aos interesses dos EUA. Além disto, nos apro- ximamos do nosso Caribe, com a sua diversidade e vida e fortalecemos a nossa capacidade de resistência ao avanço neoliberal. É, sem dúvida, uma grande oportunidade para mais um salto no processo fórum. Tenho certeza que sairemos da Venezuela mais fortalecidos. Como conclusão, cabe destacar a contribuição que o FSM pode dar para as sociedades civis dos países em que se realizado, especialmente em termos de favorecer a cultura democrática. As alternativas que gestar- mos e os resultados que alcançarmos podem ser incertos, imprevisíveis, distantes, mas a cultura política que é alimentada pela FSM, o modo de buscar alternativas pode ser durável e radicalmente transformador, porque regido por valores e princípios éticos democráticos. O FSM não pode ser avaliado por possíveis propostas que dele emergirem, mas sim pelo modo de atuar e de se fortalecer a própria cidadania construtora de alternativas para o mundo. Este é o sentido primeiro e fundamental de nossa expansão

e mundialização.

NOTAS Versão de 04.12.05 – Enviada para:Observatorio Social de América Latina – OSAL Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales – CLACSO- Argentina

*CÂNDIDO GRZYBOWSKI é sociólogo e diretor-geral do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e membro da Secretária Interna- cional do Fórum Social Mundial

SANTOS, Boaventura de Souza. O FSM Mundial: Manual de Uso. São Paulo: Ed. Cortez, 2005. p. 118-134.

Ética e Democracia: exercício da cidadania.

Ética e Democracia Márcio C. Coimbra

O Brasil ainda vive em uma democracia em consolidação, ainda incipiente.

Infelizmente, em grande parte de nossa história, vivemos à sombra de golpes de estado e revoluções, como a de 1930 e mais recentemente em 1964. A cada ruptura institucional, o regime democrático sofria um duro

golpe, atingindo-o no seu ponto fundamental: o respeito ao Estado Demo- crático de Direito.

Nosso período mais recente de democracia começou em 1985, com a eleição indireta de Tancredo Neves para a Presidência da República, colocando um fim em 21 anos de regime militar. Logo, chegamos a 2001 com 16 anos de democracia recente. Neste período conhecemos cinco Presidentes da República: Tancredo Neves, que não assumiu devido ao seu falecimento, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Durante o termo de José Sarney, produziu-se uma nova Constituição Federal, a de 1988. Logo, percebe-se que o Brasil ainda está se acostumando com um regime democrático sem rupturas abruptas, ou

seja, a democracia brasileira, assim como suas instituições, ainda está em fase de amadurecimento.

A consolidação de um regime democrático somente ocorre com o tempo e

com o amadurecimento da sociedade e de suas instituições. A base de sustentação desta forma de governo é o povo e a sua soberania, que é exercida através do voto, como bem coloca Bobbio: “democracia é o gover- no do povo, para o povo”. Além disto, é baseada fortemente no exercício da cidadania, no respeito às leis e no exercício da ética como ponto fundamen- tal das relações interpessoais. Portanto, percebe-se um andar quase que em conjunto entre a democracia e a ética. Ainda sobre ética, vale ressaltar as palavras do Prof. Alberto Oliva na

apresentação do livro do Doutor em Filosofia Mário A. L. Guerreiro: “Aplica

à ética o enfoque negativista segundo o qual ao prescritivo não incumbe

especificar o que alguém deve fazer, e sim o que deve ser impedido de fazer por ser danoso ao outro”. Logo, a ética apresenta-se como ponto de convergência e harmonização entre norma e liberdade, assim como já assegurava John Locke. Como conseqüência de uma série de rupturas institucionais que marcaram fortemente a formação do Estado brasileiro e seu desenvolvimento, vemos

que o respeito às regras e ao exercício ético de convivência não tem sido uma constante recentemente no que tange às práticas políticas. Claro que esta tese comporta algumas grandes exceções, pois não podemos genera- lizar os fatos. Mas de qualquer forma, faz-se extremamente importante traçar uma linha paralela entre estes conceitos.

A capa de uma das mais importantes revistas semanais do Brasil, no dia 2

de maio de 2001 traduz com clareza os últimos acontecimentos políticos envolvendo o Senado Federal com a seguinte manchete: “Eles encolheram

o Congresso: Como o Senado se transformou na Casa da Mentira com

Jader, Arruda e ACM”. Não há dúvidas: é uma manchete de impacto. Mas será que o problema reside apenas neste fato? Acredito que não. Os es- cândalos envolvendo os maiores escalões do Estado estão sendo uma constante. Muitos deles lidam com a falta de ética daqueles que exercem uma função pública. Infelizmente, está se criando uma sensação de des- crédito da população perante os seus governantes, o que é muito grave. A mesma revista, na edição de 23 de maio de 2001, mostra como um ex-

presidente do Banco Central, supostamente, vendia informações privilegia- das para o mercado financeiro e como, supostamente, o governo acobertou

o

fato. Além destes casos, podem ser citados outros vários que o governo

tem sobrevivido, como os supostos casos relativos a compra de votos

para reeleição, implantação do projeto Sivam, BNDES e teles, CPI da Corrupção, e por fim as denúncias envolvendo suposta corrupção no DNER, Sudam e Sudene.

O Brasil está pagando um preço alto pela falta da prática democrática

através dos anos e como conseqüência, a falta de ética e transparência em suas instituições. O amadurecimento está acontecendo do modo mais difícil. É necessário que o Brasil passe por estes acontecimentos, pois eles fazem parte da maturação pela qual o Estado brasileiro tem que, necessa- riamente, passar. Ainda hoje, em grau infinitamente menor, ainda existem denúncias de corrupção em um regime amadurecido e estável, de mais de 200 anos, como é o caso da democracia norte-americana, onde a ética está no topo dos valores nacionais, como foi recentemente retratado no livro “Shadow” de Bob Woodward. De qualquer forma, o caminho que o Brasil tem que trilhar ainda é longo e depende principalmente da consolidação do regime democrático e do respeito ao Estado de Direito, que são os pilares básicos de sustentação de uma sociedade estável e ética. Discurso do Ministro do Controle e da Transparência do Brasil, Waldir Pires, no Diálogo dos Chanceleres, durante a XXXIV Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) "Desenvolvimento Social e Democracia Frente à Incidência da Corrupção"

Quito, Equador Quero inicialmente parabenizá-los pela escolha do tema dominante desta Assembléia, que é a luta contra a corrupção. De iniciativa, inclusive, da

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representação política do Equador, a nação que nos hospeda tão cordial- mente, para a adoção de recomendações importantes na linha do combate eficaz a esse flagelo da humanidade.

A democracia precisa dessa vitória, precisa em nosso continente de nossa

responsabilidade comum para derrotar a corrupção em cada um de nossos países. Ela é um dos desvios mais perversos e danosos da sociedade contemporânea, no campo político, como na atividade privada, onde ela agride e suprime os recursos da coletividade para o uso inescrupuloso dos bandidos sofisticados que a praticam. No Brasil, o Presidente Lula, desde a sua primeira fala à nação, declarou seu governo em luta permanente contra a corrupção. É uma política de Estado o que praticamos com prioridade absoluta. Há de ser um combate de larga duração; mas vamos vencê-lo. A corrupção é um crime, assim como também o é o homicídio. Todos sabemos que não é permitido matar

e que é pesado o castigo imposto ao homicida. No entanto, mata-se infe-

lizmente muito, no Brasil e no mundo. Com a corrução se dá mais ou me- nos o mesmo. Mas, infelizmente, nem o homicídio nem a corrupção são passíveis de extinção por força de decreto. Por isso, nenhum país do planeta está livre desse flagelo, seja no setor público –improbidades, tráfico de influência, o enriquecimento ilícito,– seja no setor privado, na manipula-

ção de balanços, na especulação financeira de bolsas, na apropriação criminosa de poupanças privadas.

No atual Governo do Brasil, a administração federal, com gastos orçamen- tários muito reduzidos, está se reestruturando profundamente, na essência de sua ação de controle, buscando rapidamente a atuação integrada e de profunda articulação com os organismos do Governo e do Estado, envolvi- dos com o combate ao desvio do dinheiro público.

O Governo Lula transformou profundamente a natureza de sua missão e

realiza ações conjuntas ou complementares nas áreas de auditoria, fiscali- zação e apuração de desvios, com o Ministério da Justiça, a Polícia Fede- ral, o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal e os Esta- duais, a Advocacia-Geral da União, com êxito de todos os procedimentos. Instituiu também o sistema de fiscalização a partir de sorteios públicos, que ocorrem na sede da Loteria da Caixa Econômica Federal, em Brasília, na presença de toda a imprensa e mídia e de representantes da sociedade civil, dos membros do Congresso Nacional, de oposição e de governo, para escolher as áreas territoriais menores da Federação brasileira, que são os

municípios, onde são aplicadas grandes parcelas do dinheiro público.

Neste Governo, a Lei criou o Conselho da Transparência Pública e Comba-

te à Corrupção. Além disso, estamos empenhados na tarefa do fortaleci-

mento dos Conselhos municipais de controle social. Estamos participando da ENCLA (Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro). Vamos realizar o IV Fórum Global de Combate à Corrupção, em junho de

2005, para o qual, inclusive, o Governo brasileiro os convida a todos para nos darem a honra e o prazer de participarem conosco desse conclave internacional.

A democracia é incompatível com a corrupção. Como é incompatível com a

exclusão. Sua legitimidade decorre da representação popular, que vem da

vontade dos cidadãos, para assegurar as liberdades, inclusive aquela que foi declarada um dia na Carta do Atlântico, como o grande documento do Ocidente, de convocação para a luta contra o nazismo e o fascismo: a liberdade de não ter medo de morrer de fome. A exclusão é o decreto de condenação à pobreza extrema e à fome. A democracia é a cidadania, náo

é um regime com párias.

Não há democracia sem ética, portanto sem responsabilidade com a condi- ção humana. A ética da democracia é a coesão social para a convivência humana, hoje sob grave risco. A democracia política ou se faz social e humana, ou democracia não é. O Presidente Lula recentemente, em janeiro último, em Monterrey, na Cúpula Extraordinária das Américas, a propósito do desenvolvimento social, lembrou-nos do desafio deste milênio, para a condenação das injustiças: “é cada vez maior o abismo que separa ricos e pobres em nosso continente e no mundo”. A ética existe desde o começo das civilizações para o bem do ser humano. Significa a responsabilidade de cada um e de todos com os valores da vida, da dignidade da pessoa hu- mana. A ética da democracia, pois, é a ética da coesão social, pela afirma- ção das liberdades e pelo respeito às necessidades. Assessoria de Imprensa da Controladoria-Geral da União Cidadania Foi de um discurso do dramaturgo Pierre-Augustin Caron de Beaumar- chais, em outubro de 1774, que surgiu o sentido moderno da palavra cida-

dão -- que ganharia maior ressonância nos primeiros meses da revolução francesa, com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Em sentido etimológico, cidadania refere-se à condição dos que resi- dem na cidade. Ao mesmo tempo, diz da condição de um indivíduo como membro de um estado, como portador de direitos e obrigações. A associa- ção entre os dois significados deve-se a uma transformação fundamental no mundo moderno: a formação dos estados centralizados, impondo juris- dição uniforme sobre um território não limitado aos burgos medievais. Na Europa, até o início dos tempos modernos, o reconhecimento de di- reitos civis e sua consagração em documentos escritos (constituições) eram limitados aos burgos ou cidades. A individualização desses direitos a rigor não existe até o surgimento da teoria dos direitos naturais do indivíduo e do contrato social, bases filosóficas do antigo liberalismo. Nesse sentido, os privilégios e imunidades dos burgos medievais não diferem, quanto à forma, dos direitos e obrigações das corporações e outros agrupamentos, decorrentes de sua posição ou função na hierarquia social e na divisão social do trabalho. São direitos atribuídos a uma entidade coletiva, e ao indivíduo apenas em decorrência de sua participação em um desses "cor- pos" sociais. O termo cidadão tornou-se sinônimo de homem livre, portador de direi- tos e obrigações a título individual, assegurados em lei. É na cidade que se formam as forças sociais mais diretamente interessadas na individualização

e na codificação desses direitos: a burguesia e a moderna economia capita-

lista. Ao ultrapassar os estreitos limites do mundo medieval -- pela interliga- ção de feiras e comunas, pelo estabelecimento de rotas regulares de co- mércio, entre regiões da Europa e entre os continentes --, a dinâmica da economia capitalista favorece a imposição de uma jurisdição uniforme em determinados territórios, cuja extensão e perfil derivam tanto da interde- pendência interna enquanto "mercado", como dos fatores culturais, lingüís- ticos, políticos e militares que favorecem a unificação. Em seus primórdios, a constituição do estado moderno e da economia comercial capitalista é uma grande força libertária. Em primeiro lugar, pela dilatação de horizontes, pela emancipação dos indivíduos ante o localismo, ante as convenções medievais que impediam ou dificultavam a escolha de uma ocupação diferente da transmitida como herança familiar; libertária, também, ante as tradições e crenças que se diluíam com a maior mobilida- de geográfica e social; mas libertária, sobretudo, pela imposição de uma jurisdição uniforme, que superava o arbítrio dos senhores feudais e reco-

nhecia a todos os mesmos direitos e obrigações, independentemente de seu trabalho ou condição socioeconômica. Além do sentido sociológico, a cidadania tem um sentido político, que expressa a igualdade perante a lei, conquistada pelas grandes revoluções (inglesa, francesa e americana), e posteriormente reconhecida no mundo inteiro. Nessa perspectiva, a passagem do âmbito limitado - dos burgos - ao significado amplo da cidadania nacional é a própria história da formação e unificação dos estados modernos, capazes de exercer efetivo controle sobre seus respectivos territórios e de garantir os mesmos direitos a todos os seus habitantes. É fundamentalmente uma garantia negativa: contra as limitações convencionais ao comportamento individual e contra o poder arbitrário, público ou privado. Rumo à universalização. A cidadania é originalmente um direito bur- guês. Contudo, quando reivindicada como soma de direitos fundamentais do indivíduo, estes se tornam neutros quanto a seus beneficiários presen- tes e potenciais. Vista como processo histórico gradual, a extensão da cidadania é (1) a transformação da estrutura social pré-moderna no quadro da economia capitalista e do estado nacional moderno e (2) o reconhecimento e a uni- versalização de toda uma série de novos direitos que, em parte, são indis- pensáveis ao funcionamento da economia capitalista moderna e, em parte, são resultado concreto do conflito político dentro de cada país. Portanto, trata-se de um conceito ao mesmo tempo jurídico, sociológico e político:

descreve a consagração formal de certos direitos, o processo político de sua obtenção e a criação das condições socioeconômicas que lhe dão efetividade. Cidadania e democracia. A cidadania tem dois aspectos: (1) o institu- cional, porque envolve o reconhecimento explícito e a garantia de certos direitos fundamentais, embora sua institucionalização nunca seja constante

e irredutível; (2) e o processual, porque as garantias civis e políticas, bem como o conteúdo substantivo, social e econômico, não podem ser vistos como entidades fixas e definitivas, mas apenas como um processo em constante reafirmação, com limiares abaixo dos quais não há democracia.

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Democrático, no sentido liberal, é o país que, além das garantias jurídicas e políticas fundamentais, institucionaliza amplamente a participação política. Direitos e garantias individuais. A necessidade de certas prerrogativas que limitem o poder político em suas relações com a pessoa humana são, muito provavelmente, criação do cristianismo, que definiu o primeiro terreno interditado ao estado: o espiritual. No campo do direito positivo, foi a revolução francesa que incorporou o sistema dos direitos humanos ao direito constitucional moderno. A teoria do direito constitucional dividiu, de início, os direitos humanos em naturais e civis, considerando que a liberdade natural, mais ampla, evolui para o conceito de liberdade civil, mais limitada, visto que seus limites coincidem com os da liberdade dos outros homens. A primeira concretização da teoria jurídica dos direitos humanos foi o Bill of Rights, de 1689 -- a declaração de direitos inglesa. Só depois da independência dos Estados Unidos, porém, as declarações de direitos, inseridas nas constituições escritas, adquirem o perfil de relação de direitos oponíveis ao estado, e dos quais os indivíduos são titulares diretos. Dada sua importância, o direito constitucional clássico dividia as leis fundamen- tais em duas partes: uma estabelecia os poderes e seu funcionamento; outra, os direitos e garantias individuais. No Brasil, é clássica a definição dada por Rui Barbosa às garantias, desdobramento dos direitos individuais: "Os direitos são aspectos, manifes- tações da personalidade humana em sua existência subjetiva, ou nas suas situações de relações com a sociedade, ou os indivíduos que a compõem. As garantias constitucionais stricto sensu são as solenidades tutelares de que a lei circunda alguns desses direitos contra os abusos do poder." É o caso do direito à liberdade pessoal, cuja garantia é o recurso do habeas corpus. Direitos sociais. Na antiguidade, considerava-se que o trabalho manual não era compatível com a inteligência crítica e especulativa, ideal do esta- do. Daí o reconhecimento da escravidão, que restringia consideravelmente os ideais teóricos da democracia direta. A revolução social do cristianismo baseou-se principalmente na dignificação do trabalho manual. Por conse- guinte, durante a Idade Média, o trabalho era considerado um dever social e mesmo religioso do indivíduo. Com o declínio das corporações de ofício, que controlavam o trabalho medieval, e o surgimento das oficinas de trabalho, de características dife- rentes, entre as quais a relação salarial entre operário e patrão, estão dadas as condições propícias ao capitalismo mercantilista da época do Renascimento e da Reforma. Mais tarde, a burguesia, que dominara a revolução francesa, viu-se di- ante dos problemas sociais decorrentes da revolução industrial. Assim, tornou-se indispensável a intervenção do estado entre as partes desiguais em confronto no campo do trabalho, para regular o mercado livre em que o trabalhador era cruelmente explorado. Atualmente não se pode conceber a proteção jurídica dos direitos indi- viduais sem o reconhecimento e a proteção dos direitos sociais do homem, que são oponíveis não ao estado, mas ao capital, e têm na ação do estado sua garantia. Hoje existe um grande movimento pelo reconhecimento, definição e ga- rantia internacionais dos direitos humanos. Em 10 de dezembro de 1948, a assembléia geral da Organização das Nações Unidas (ONU) adotou em Paris a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que só terá força obrigatória quando for uma convenção firmada por todos os países mem- bros da ONU. Os regimes de governo são justos na medida em que as liberdades são defendidas, mesmo em épocas de crise. Os princípios gerais de direito são sempre os mesmos: processo legal, ausência de crueldade, respeito à dignidade humana. As formas de execução desses princípios também não variam. Resumem-se em leis anteriores, em garantias eficazes de defesa e, como sempre, acima de tudo, em justiça independente e imparcial. Suspensão das garantias constitucionais. No Brasil, a instabilidade do poder político e as lutas oligárquicas durante a primeira república fizeram do estado de sítio e da intervenção federal os centros de convergência dos debates jurídicos e das ações políticas. Também o Supremo Tribunal Federal defrontou-se freqüentemente com o problema. No entanto os fatos mais de uma vez atropelaram o direito ao longo da história do Brasil. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. Democracia Desde seu surgimento na antiguidade clássica, o ideal democrático -- aspiração dos homens e dos povos a assumir plenamente seu destino coletivo e sua responsabilidade política -- manifestou-se de muitas manei-

ras diferentes. Como realidade política, no entanto, são escassos os exem- plos históricos de sociedades ou grupos que tenham vivido de acordo com esse ideal. Só a partir do último terço do século XVIII, com a independência dos Estados Unidos e o triunfo da revolução francesa, surgiram as moder- nas democracias e iniciou-se um longo e desigual caminho de desenvolvi- mento e implantação dos sistemas democráticos no planeta. Denomina-se democracia (do grego demos, "povo", e kratos, "autorida- de") uma forma de organização política que reconhece a cada um dos membros da comunidade o direito de participar da direção e gestão dos assuntos públicos. Nas sociedades modernas, são reduzidas as possibili- dades de participação direta, dado o número e a complexidade dos assun- tos públicos. Só é possível o exercício direto da democracia em algumas instituições tradicionais -- administração municipal ou assembléias popula- res, por exemplo. Assim, nos países democráticos, é comum o exercício da democracia por meio de um sistema indireto ou representativo. Normalmente, esse sistema é regulado por uma lei fundamental ou constituição. Os cidadãos elegem representantes, cuja participação nas diversas instituições governamentais garante a defesa de seus interesses. De maneira geral, esses representantes fazem parte de vários partidos políticos, que se identificam com os interesses de uma classe ou grupo social e sustentam diferentes opiniões a respeito de como se deve solucio- nar os problemas da comunidade. Os candidatos que recebem mais votos nas eleições passam então à categoria de membros dos organismos par- lamentares -- congresso, senado, câmara de deputados, parlamento, cortes, assembléia nacional etc. -- nos quais, por um determinado período (mandato), devem defender as opiniões do partido pelo qual se elegeram, apoiando, criticando, reelaborando e votando os projetos de lei que forem submetidos a discussão. No sistema parlamentarista, o governo da nação é exercido pelo partido ou coligação de partidos detentores da maioria parlamentar, e normalmente

o chefe de governo é o líder do partido majoritário. O sistema presidencia- lista distingue-se do parlamentarista pelo fato de os cidadãos elegerem tanto um presidente da república, que exerce o poder executivo com apoio de um ministério por ele nomeado, quanto os membros do congresso, cujos poderes normalmente se limitam à legislação e à aprovação dos orçamen- tos gerais da administração pública. Evolução dos sistemas democráticos: Grécia e Roma. A democracia te- ve origem na Grécia clássica. Atenas e outras cidades-estados implantaram um sistema de governo por meio do qual todos os cidadãos livres podiam eleger seus governantes e serem eleitos para tal função, por um determi- nado período. Esse exercício democrático -- do qual estavam excluídos os

escravos, as mulheres e os estrangeiros -- foi possível porque os cidadãos formavam um grupo numericamente reduzido e privilegiado. Embora o sistema tenha recebido o apoio teórico e doutrinário de pen- sadores da envergadura de Aristóteles, com freqüência ocorriam situações em que a normalidade democrática era interrompida por meio de mecanis- mos que também se repetiram freqüentemente ao longo da história. Quan- do havia algum conflito com uma região ou cidade vizinha, eram atribuídos

a alguns generais poderes absolutos enquanto durasse a guerra. Às vezes,

ao encerrar-se esta, aproveitando o prestígio popular conquistado, os generais apossavam-se do poder como ditadores. Uma situação desse tipo acabou com a "democracia de notáveis" dos primeiros tempos de Roma. O sistema democrático vigorou muito menos tempo em Roma do que na Grécia e, mesmo durante o período republicano, o poder permaneceu habitualmente nas mãos da classe aristocrática. Fundamentos da democracia moderna. Só no século XVII começaram a ser elaboradas as primeiras formulações teóricas sobre a democracia moderna. O filósofo britânico John Locke foi o primeiro a afirmar que o poder dos governos nasce de um acordo livre e recíproco e a preconizar a separação entre os poderes legislativo e judiciário. Em meados do século XVIII foi publicada uma obra capital para a teoria política moderna: De l'esprit des lois (1748; Do espírito das leis), de Montesquieu. O filósofo e moralista francês distinguia nesse livro três tipos diferentes de governo: despotismo, república e monarquia -- fundamentadas no temor, na virtude e na honra, respectivamente -- e propunha a monarquia constitucional como opção mais prudente e sábia. A liberdade política seria garantida pela separação e independência dos três poderes fundamentais do estado: legislativo, execu-

tivo e judiciário. Assim, Montesquieu formulou os princípios que viriam a ser

o fundamento da democracia moderna. Entretanto, setores cada vez mais amplos da opinião pública, encabe- çados pela burguesia -- para cujo desenvolvimento a sobrevivência do

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antigo regime constituía um obstáculo --, formulavam propostas de organi- zação e ação destinadas a abolir o absolutismo e a instaurar uma nova ordem política.

O povo francês deu vazão a seus anseios, por tanto tempo reprimidos,

na rebelião contra o governo dos Bourbon e da aristocracia. A revolução francesa procurou em vão encontrar formas de organização política e social que dotassem o sistema de certa estabilidade, mas o surgimento de Napo- leão e a instauração do império fizeram abortar esses esforços. Apesar disso, a revolução teve como conseqüência uma ampla difusão das idéias democráticas, não apenas nos estados europeus, mas também na Améri- ca. Assim, a instauração na Espanha, durante a guerra da independência, de um poder provisório inspirado naquelas idéias favoreceu sua exportação para as colônias americanas. Os Estados Unidos da América foram a primeira nação a criar um sis-

tema democrático moderno, definitivamente consolidado em decorrência de sua vitória na guerra de independência contra a monarquia britânica. No caso dos novos países da América, em geral caminharam juntas as idéias de democracia e independência. Os "libertadores" buscaram pôr fim não só ao domínio exercido pelas potências colonizadoras, como também aos poderes absolutos que os soberanos dessas potências personificavam.

Democracia na atualidade. Embora estejam notavelmente disseminadas no mundo de hoje e seja difícil encontrar argumentos doutrinários contrários a elas que mereçam consenso, em muitas áreas do mundo as idéias de- mocráticas não são postas em prática pelos sistemas políticos. As democracias populares constituíram um caso à parte. Nos países em que houve tomada do poder por organizações de esquerda, sobretudo de caráter comunista, implantaram-se sistemas de dominação política e militar que, embora se proclamassem democráticas, impediam o livre exercício dos direitos e das liberdades fundamentais. Nesses sistemas políticos, afirmava-se que a organização democrática parlamentar não constituía uma tradução adequada das idéias democráticas, já que só serviriam para legitimar o exercício do poder por influentes grupos de pressão, sobretudo de tipo econômico. Para os sistemas que foram domi- nantes nesses países, a organização democrática parlamentar seria uma democracia formal, sem conteúdo, oposta à democracia real, que eles representariam. Organização jurídica da democracia. A essência da democracia como sistema político reside na separação e independência dos poderes funda- mentais do estado -- legislativo, executivo e judiciário --, bem como em seu exercício, em nome do povo, por meio das instituições que dele ema- nam.

O poder legislativo concretiza-se na instituição parlamentar, que pode

ser unicameral ou bicameral. Tem ela como atribuição a elaboração das leis, interpretando-se, portanto, a máxima democrática "o poder emana do povo" como uma afirmação de que é o povo -- seus representantes eleitos por um período limitado e por um sistema eleitoral determinado -- que

elabora as leis que regem a vida da comunidade e controla o poder execu- tivo. Por isso, o sistema também recebe a denominação de estado de direito.

O poder executivo incumbe-se do governo da nação, garantindo o cum-

primento das leis e cuidando da administração do estado. Num sistema democrático parlamentarista, os cidadãos controlam o po- der político pelo voto, de modo que podem remover do poder os partidos cujos dirigentes não tenham cumprido suas promessas eleitorais ou tenham cometido o que os cidadãos consideram erros de gestão política, econômi-

ca ou social. Ao controlar o poder executivo, o parlamento pode, em casos extremos e de acordo com pressupostos estabelecidos pela constituição, chegar a retirar sua confiança do governo. Em tais casos, procede-se à realização de eleições antecipadas.

O terceiro poder do estado, o judiciário, serve de árbitro entre o legisla-

tivo e o executivo nos conflitos de jurisdição, bem como de intérprete dos textos legais. A autoridade judiciária aplica a justiça em nome do povo. Direitos e liberdades fundamentais. Em todo sistema democrático, as leis constitucionais, elaboradas pelos representantes dos cidadãos durante um processo constituinte e dotadas dos mecanismos de reforma apropria- dos, inspiram-se na aceitação básica e no reconhecimento explícito por toda a comunidade de uma série de direitos e liberdades fundamentais, que são de caráter político e social (livre expressão de opiniões, liberdade de culto, de associação política, reunião e manifestação, de proteção familiar etc.), econômico (direito a trabalho e salário dignos, direito de associação sindical, direito de greve) e cultural (direito à educação). Todo direito positi- vo que emana da constituição tende a procurar proteger tais direitos.

Deveres dos cidadãos. Embora, historicamente, a democracia tenha surgido para garantir o exercício das liberdades públicas diante do poder irrestrito do estado, os sistemas democráticos também consagram uma série de deveres sociais que todos os cidadãos são obrigados a cumprir. Esses deveres incluem, basicamente, uma prestação pessoal de serviços -- como o serviço militar, ou serviços civis que o substituam, em todas as circunstâncias ou em casos de emergência -- e uma contribuição econômi- ca, que se traduz sobretudo na aceitação e no cumprimento da obrigação de pagar os impostos votados pelos representantes do povo no parlamento. Os deveres dos cidadãos baseiam-se na obrigação jurídica geral relativa ao acatamento das leis -- a democracia como situação de "império da lei" -- e

na obediência à autoridade no legítimo exercício de suas funções, isto é, na medida em que sua atuação se ajustar ao que foi legalmente estabelecido

e aprovado pelos representantes populares. Democracia no Brasil Afirma o parágrafo único do Art. 1o da constituição brasileira de 1988:

"Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente, nos termos desta Constituição." No entanto, o que se pode afirmar de rigorosamente verdadeiro é que no decorrer da fase republicana e apesar de duas ditaduras -- a do Estado Novo (1937-1945) e

a oriunda do movimento político-militar de 1964 -- além de várias crises, a democracia brasileira tem evoluído claramente no sentido do aperfeiçoa- mento.

As constituições brasileiras sofreram influências diversas. A primeira, outorgada por D. Pedro I em 1824, era parlamentarista e bastante moldada pelo regime inglês. Transferia, porém, ao imperador, titular do poder mode- rador, algumas das atribuições que no Reino Unido cabiam à Câmara dos Lordes, como a capacidade de retardar a promulgação de leis por duas sessões legislativas, quando se recusasse a sancioná-las. Quanto aos direitos políticos, a constituição imperial consagrava o princípio da renda

mínima anual: cem mil-réis para participação nas assembléias paroquiais, 200 mil-réis nas províncias, 400 mil-réis na Câmara, 800 mil-réis no Senado

e no Conselho de Estado. A carta de 1824 permitia a escravidão e negava

direitos políticos às mulheres, aos filhos de família, criados e religiosos. Os libertos só podiam votar nas assembléias paroquiais e os estrangeiros naturalizados eram inelegíveis para a Câmara e o Senado, mas podiam ser ministros de estado. Como se vê, a carta magna do império, embora incor-

porasse extensa declaração dos direitos dos cidadãos, não atendia a alguns requisitos hoje considerados essenciais à democracia.

A constituição de 1891, em que preponderava a influência americana,

adotou, entre outras inovações, o regime presidencialista, aboliu o poder moderador, criou o sistema federativo, limitou a três o número de senado- res por estado, previu a representação das minorias e instituiu o sufrágio universal masculino, excetuados os analfabetos, mendigos, praças de pré e religiosos. No entanto, permitiu o voto a descoberto, fonte de muitas das

fraudes eleitorais da república velha, esqueceu a justiça eleitoral (ficava nas mãos do governo o reconhecimento dos parlamentares eleitos) e nenhuma referência fez às garantias sociais dos trabalhadores.

A lei orgânica do governo provisório (novembro de 1930) e, posterior-

mente, a constituição de 1934 foram as primeiras a levar em conta a posi- ção social dos trabalhadores na democracia brasileira, concedendo garan- tias e a instituindo a justiça trabalhista. A constituição de 1934 tomou como modelo a de Weimar, na Alemanha, e em muitos pontos serviu de base aos constituintes de 1946. A constituição de 1937, outorgada por Getúlio Var-

gas, rompeu com a tradição política brasileira, já que ampliou o poder e o

mandato do presidente da república, restringiu a autonomia do poder judici- ário, dissolveu todos os órgãos legislativos e declarou o estado de emer- gência. Baseada na constituição da Polônia de 1935, serviu de estrutura legal a um regime ditatorial.

A constituição de 1946 procurou conciliar as diversas correntes doutri-

nárias representadas entre os constituintes. Garantiu o direito de proprie- dade, tal como entende a liberal-democracia, mas condicionou seu uso ao bem-estar social, idéia nitidamente socialista. Determinou que se organi- zasse a ordem econômica e social conforme os princípios da justiça social, conciliando a liberdade de iniciativa com a valorização do trabalho humano. Admitiu o exercício, pela União, do monopólio de indústrias e atividades. Ao longo de sua vigência, não faltaram ameaças antidemocráticas, sobretudo de golpes militares. Em 1964, o presidente constitucional João Goulart foi deposto por um movimento político-militar. Durante a ditadura subseqüente, que se esten-

deu por duas décadas, o país viveu regulamentado por uma série de atos institucionais e complementares. Mesmo a constituição de 1967, que resta-

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beleceu certas características de normalidade institucional, foi emendada em outubro de 1969 por novo ato, que manteve o Ato Institucional no 5.

No início da década de 1980, a redemocratização foi ocorrendo gradu-

almente, com a suspensão da censura prévia à imprensa, a lei da anistia e outras medidas. A convocação de uma assembléia constituinte figurava na plataforma de Tancredo Neves, eleito presidente indiretamente mas faleci- do sem assumir o cargo. José Sarney, vice-presidente empossado, convo- cou o Congresso seguinte a assumir funções constituintes. Em 1988 foi promulgada uma nova constituição, que consagrava direitos e garantias individuais e sociais mais amplos que os da carta de 1946. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. O exercício da cidadania começa em casa

O mundo em que vivemos precisa de paz e união, elementos funda-

mentais a vida que podem ser conquistados com a solidariedade de cada um de nós. Esta solidariedade deve ser cultivada dentro de nossas casas e principalmente, juntamente com os nossos filhos, mostrando a importância de determinados valores que nos tornam cidadãos cada vez mais compro- metidos com o mundo em que vivemos. Ser cidadão é estar comprometido com seus direitos e deveres, é sa- ber respeitar os limites do próximo e se importar com quem está ao nosso

redor. Dar bons exemplos é uma grande lição para nossos filhos. Pense na importância que ter uma postura cidadã com a vida e como isto pode tornar o mundo melhor. Para incentivarmos esta postura de valores dentro de nossas famílias, precisamos dar bons exemplos. Filhos não aprendem apenas com o que nós falamos, mas principalmente com o que fazemos. As crianças são o nosso reflexo, são frutos da educação que nós pais oferecemos. Veja algumas dicas:

Tenha atitudes honestas e justas;

Seja tolerante;

Respeite as diferenças;

Ajude quem precisa;

Tenha sempre presente em seu vocabulário aquelas palavras como: ”por favor” e “muito obrigado”. http://nejmiaziz.com.br/

Ética e função pública

A RELEVÂNCIA DA ÉTICA NO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO PÚBLICA Cicero Araujo

I.

Já faz algumas décadas que a Ciência Política contemporânea procu- rou transpor para seu campo de investigação o paradigma do homo oeco- nomicus – a psicologia egoística utilizada pela teoria econômica convencio- nal para dar conta das interações sociais no mercado. “Seu campo de investigação”, isto é, o comportamento de atores coletivos como os parti- dos, os sindicatos, os gabinetes governamentais, ou de atores individuais como as lideranças partidárias, os parlamentares, os eleitores etc. Para o assunto que nos interessa aqui, teve grande impacto no debate posterior o transporte do paradigma econômico para entender certos problemas da administração pública e da ação coletiva de um modo gera l. Cito de cabeça duas linhas de trabalho que, ainda na década de 1960 e início de 1970, tiveram forte influência na compreensão contemporânea das burocracias estatais, das dificuldades do cidadão comum para mantê-las sob controle e fazê-las prestar os serviços a que foram destinadas. Começo mencionando os estudos de James Buchanan e associados2, cujas conclu- sões apontam, primeiro, para a tendência, especialmente nas democracias, de proliferação de serviços à custa dos contribuintes, como forma de garan- tir a reprodução das próprias burocracias encarregadas de fornecer tais serviços; e, segundo, para a tendência de “busca da renda particular” (rent seeking): como que tentando desmistificar a auréola do funcionário como um promotor imparcial do bem comum, esses estudos mostram os servido- res estatais como um grupo de interesse à parte – não apenas um grupo de interesse dentre outros, mas um grupo colocado numa posição especial, já que detentor de certos monopólios legais, exatamente por fazer parte do Estado – sempre disposto a transformar em exclusivo benefício próprio pelo menos parte dos recursos extraídos dos cidadãos, em princípio destinados ao benefício comum. O outro estudo que vale mencionar, realizado por Mancur Olson, esten- dese para os problemas de articulação de qualquer ação coletiva que requeira o engajamento de um grande número de pessoas.3 Suponha que uma comunidade precisa providenciar um determinado bem coletivo, diga- mos, uma rua pavimentada: se o grupo de pessoas que conjugar seus

esforços para prover esse bem for muito pequeno, a ausência de uma delas pode prejudicar toda a empreitada; como prover o bem é do interesse de cada membro do grupo, há um forte incentivo para que todos realmente se esforcem para gerar o benefício. Contudo, se o grupo for muito grande, de tal forma que a contribuição individual de cada participante seja proporcionalmente muito pequena ou insignificante, haverá fortes incentivos para que não haja amplo comparti- lhamento dos esforços, e para jogar nos ombros dos demais o peso do empreendimento. Se houver, dentro do grupo maior, um grupo bem menor altamente interessado em fornecer esse benefício de qualquer forma, a despeito do comportamento parasitário do restante, a ação coletiva fatal- mente resultará capenga, para não dizer totalmente frustrada em seus propósitos. Esse é o famoso problema do “carona” (free rider), que coloca em evidência o por quê das organizações sociais se estruturarem em hierarquias, às quais se apendam incentivos especiais às diferentes cama- das, de modo a aumentar sua eficácia ou produtividade, ou então de modo a evitar que os efeitos corrosivos do “carona” simplesmente não destruam a ação coletiva à qual foram encarregadas de organizar. Aliás, qualquer executivo de uma grande organização social, seja ela privada ou pública, sabe muito bem, ainda que apenas de forma intuitiva, o que significa o

“carona” e de seus efeitos nefastos na vida da organização que ajuda a administrar. O feito de Olson foi isolar o fenômeno, estabelecer uma hipóte- se para explicar suas razões e dar-lhe grande relevância para a compreen- são da ação coletiva nas suas mais variadas formas. Não vou me deter no detalhe dos argumentos que esses autores lan- çam mão para demonstrar essas conclusões, mesmo porque estamos falando de estudos bastante complexos, envolvendo também entendiantes formalizações matemáticas. A menção a eles visa apenas destacar as premissas psicológicas de todo o encadeamento do raciocínio, raramente problematizadas e discutidas, mas geralmente justificadas por seu aparente realismo: a base elementar das interações sociais são indivíduos egoístas, exclusivamente “auto-interessados”, que ingressam em ações cooperativas apenas porque não há outra maneira de obter certos bens (justamente os “bens coletivos”) para si mesmos. Mas que são também indivíduos “racio- nais”, isto é, capazes de escolher, dentro de um leque de diferentes opções de ação, aquela alternativa que otimize a relação entre o benefício espera- do da opção e o custo para viabilizá-la – ou que “maximize a utilidade”, para empregar a terminologia dos economistas. Há que reconhecer a enorme força atrativa que essas premissas são capazes de exercer sobre o investigador social, tanto por sua simplicidade (elas são aptas a fornecer modelos explicativos enxutos e elegantes, senão do ponto de vista moral, ao menos do ponto de vista cognitivo) quanto por sua plausibilidade e realismo – quem não seria tentado a admitir a hipótese de que, em média, as pessoas são auto-interessadas, pelo menos quando se trata das interações anônimas do mercado ou das grandes organizações estatais? No entanto, um leitor mais atento desses estudos não deixa de suspei- tar de um certo sabor de paradoxo em suas conclusões, derivadas do aparência mesma de realismo das premissas. Pois se é verdade que as organizações sociais e as ações coletivas são focos permanentes de rent seekers e free riders, como não deixar de pensar que, levadas às últimas conseqüências, a compulsão egoísta e a “maximização da utilidade” deveriam liquidar com- pletamente a vida social e toda a possibilidade de cooperação? Porém: (1) as organizações sociais persistem, assim como o fato da cooperação – e as premissas só nos deixam perplexos a respeito de por quê elas persis- tem; e (2) os próprios estudos assumem que, sem a vida social e, portanto, sem a cooperação, interesses cruciais dos agentes egoístas seriam afeta- dos. Em outras palavras, o auto-interesse mesmo deveria ser impulso suficiente à cooperação e, no entanto, é o autointeresse que a corrói, quando não a elimina pura e simplesmente. Eis o sabor de paradoxo.

II.

Na verdade, a longa tradição da filosofia moral e política já havia esbo- çado paradoxos como os mencionados acima, os quais apareciam com freqüência na forma de dilemas práticos. (Por exemplo, como aparece no episódio da condenação de Sócrates, mencionado nos diálogos de Platão:

é preferível, se tivéssemos apenas essas duas opções, sofrer a injustiça ou cometê - la?) Poderíamos recuar a esses debates dos antigos filósofos gregos – estamos falando de uma longa tradição mesmo! – mas vamos nos contentar com certos pais fundadores do pensamento político moderno, e

com a brevidade que esta palestra requer. Em primeiro lugar, no pensa- mento de Thomas Hobbes, um filósofo inglês do século XVII, pois ele é

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também o primeiro moderno a explorar rigorosamente as premissas do homo oeconomicus antes mesmo da teoria econômica ter se estabelecido como disciplina autônoma. E usou-a não para elucidar o mercado, mas para mostrar por que a organização política das comunidades, isto é, o Estado, e a estrita obediência a ela por parte de seus súditos era necessá- ria para promover interesses vitais de cada indivíduo. Para tanto, Hobbes postulou uma situação inteiramente hipotética, na qual pessoas compulsi- vamente egoístas se viam expostas umas às outras sem a mediação dessa organização política comum, situação a que chamou de “estado de nature- za” (em oposição ao “estado civil ou político”). Sua análise dessa situação hipotética era a demonstração da completa impossibilidade da vida social no estado de natureza. Este, se existisse de fato, não poderia ser outra coisa senão um “estado de guerra de todos contra todos”: para Hobbes, a anarquia, a ausência de organização política comum, correspondia à ano- mia, a completa ausência de regras de convivência e, logo, de cooperação social. Invertendo o raciocínio, Hobbes queria dizer que a condição neces- sária da cooperação social é a firme e voluntária disposição de cada indiví- duo para obedecer a um superior comum, o “Soberano”, a autoridade política incontrastável (leia-se: uma autoridade acima da qual não poderia haver recurso), cabeça de uma organização social maior que inclui a Lei e

a Espada da Lei (o Estado). Reparem onde recai a ênfase do argumento:

não se trata apenas de estabelecer a nomia do est ado civil em oposição à anomia do estado de natureza, pois os indivíduos nessa condição bem poderiam ter experimentado estabelecer regras comuns de ação, e então chamá-las de “Lei”. Mas é precisamente isso que Hobbes pensava ser impossível sem o Soberano: este no fundo representa o instrumento co- mum capaz de coagir os recalcitrantes a respeitar as regras, quaisquer que fossem. Sem a devida constituição de tal instrumento, o desrespeito à Lei seria generalizado. Em essência, é isso o que significa Estado. Mas essa breve apresentação já nos faz pressentir, no raciocínio de Hobbes, pelo menos um paradoxo (do qual ele não tinha plena ciência) e um dilema prático (sobre o qual estava perfeitamente atento):

(1) O paradoxo é que a decisão voluntária de instituir e obedecer um Soberano significa, em si mesma, um ato cooperativo. Porém, não havia o argumento estabelecido que qualquer ação cooperativa da parte de indiví- duos compulsivamente egoístas requer a figura do Soberano e seu Estado? Dito de outra maneira: para cooperar precisamos de um Soberano, mas

para ter um Soberano precisamos já cooperar de alguma forma. Como sair dessa enrascada? De certo modo, a obra de Hobbes antecipa alguns dos problemas de autores como Buchanan e Olson, já citados, quando puxa- mos suas premissas até seus extremos. (2) O dilema prático é o seguinte. Se por Soberano entendemos de fato um superior incontrastável, a autoridade acima da qual não há recurso, somos tentados a imaginar uma figura que, eventualmente, de posse dos recursos de poder para tanto, venha a agir de forma sistematicamente arbitrária e tirânica, No capítulo 18 do Leviathan, sua obra-prima, Hobbes faz o seguinte trocadilho, que indica claramente essa intenção: “Covenants without the sword are bu t words” (“Os pactos sem a espada não passam de palavras”). desrespeitando suas próprias leis, perseguindo, prendendo e arrebentando seus súditos. O que fazer? Hobbes havia dito que a vida sob o pior Sobe- rano seria ainda assim bem melhor que a sob o estado de natureza, a vida em perpétua guerra civil. Para um observador atento do século XXI, porém, que conheceu as misérias dos regimes tirânicos, autoritários ou totalitários do século XX (e que ainda persistem em muitos lugares), isso deve soar mais como uma profissão de fé do que um argumento sólido. Para tal observador, soaria mais razoável pensar que toda a autoridade política deve ser limitada por outras autoridades. Algo como um regime constitucio- nal de “freios e contrapesos” (checks and balances), como gostam de dizer os americanos. Mas o próprio Hobbes se antecipara a essa aparentemente agradável solução (evidentemente falsa, a seu ver). Controlar o Soberano – digamos, através da intervenção periódica do “Povo” (o conjunto dos cidadãos co- muns participando diretamente do controle), ou, para ser mais realista, dos “Representantes do Povo” reunidos numa Câmara especial de fiscalização

– controlar o Soberano, dizia ele, significa simplesmente fazer com que o

Soberano deixe de ser Soberano, e transferir essa função para a figura do controlador. Quem, porém, controlará o controlador? Um novo controlador, e o con- trolador desse controlador, etc etc etc?

Enfim, o dilema ou conduz a uma regressão ao infinito – e aqui se ante- vê o problema da hipertrofia do aparato estatal indicado por Buchanan, na

forma de uma sobreposição indefinida de mecanismos burocráticos de fiscalização –, ou então somos obrigados a parar em algum ponto nessa escalada, sem que a questão inicial que deveria ser respondida (como

estabelecer o controle da autoridade política por outras autoridades) fique claramente equacionada.

III.

Vejamos agora um outro pensador político que se debruçou sobre os mesmos problemas, mas de uma outra perspectiva. David Hume, esse pensador, um filósofo escocês do século XVIII, tinha genuínas preocupa- ções de ordem moral em suas elaborações. Hume é muito citado como um dos autores iluministas que via a moralidade não como um artifício das organizações políticas para conter nossos instintos egoístas, mas como uma espécie de sentimento primário, natural, que estimulava certas ações espontâneas de solidariedade e cooperação, isto é, sem o recurso ao Soberano hobbesiano. Contudo, quando se tratava de pensar a organiza- ção política de uma sociedade grande e complexa, seu argumento e suas conclusões parecem não escapar de dilemas análogos aos de Hobbes, Buchanan e Olson, conforme veremos daqui a pouco. Hume partia, sem dúvida, de premissas mais variadas que as de Hob- bes. Ao lado dos impulsos psicológicos do auto-interesse, ele suponha também impulsos benevolentes e altruístas: além da busca pelo próprio bem, o que é natural e até certo ponto desejável, as pessoas também se interessam pelo bem alheio. Detalhe, porém: não se trata de uma benevo- lência indefinida e ilimitada, mas de uma benevolência parcial. Gostamos e desejamos sinceramente o bem de certas pessoas, mais do que de outras: o de nossos pais, filhos, irmãos

e amigos, mais do que uma pessoa que mal conhecemos, ou de um con- junto anônimo de pessoas. Sim, amamos o próximo muitas vezes até mais do que a nós mesmos, porém o próximo é o próximo de fato, que não raro concorre com o distante, quando não está em briga com ele. É verdade que somos capazes de ressoar espontaneamente os sofri- mentos e as alegrias alheias, como que reproduzindo esses sentimentos em nós mesmos, ainda que de forma esmaecida, um fenômeno que Hume chamava de “simpatia”, da qual derivou os sentimentos morais. Mas a simpatia apenas transmi- te e reproduz sentimentos, ela não implica automat icamente desejar e efetivamente fazer o bem a qualquer pessoa ou a qualquer necessitado que esbarremos no caminho, como faria o Bom Samaritano dos Evangelhos. Antes, a benevolência parcial, um desejo natural de fazer o bem, explica nossas propensões tribais primárias, ou seja, nossa disposição para convi- ver num círculo restrito, próximo, de amigos e familiares: nossa propensão espontânea ao clã ou à tribo. Mas o clã ou a tribo, ao mesmo tempo que desenvolve impulsos de altíssima atração para dentro, não raro cria tam- bém impulsos igualmente fortes de repulsão ao estranho, os círculos soci- ais distantes. Como membros de um grupo, pensava Hume, somos até estimulados, em certas circunstâncias, a praticar maldades ao estranho – e isso não em prol de nós mesmos, mas do grupo a que pertencemos – mais terríveis do que praticaríamos se vivêssemos a sós. A história das sociedades humanas, contudo, sugere uma contínua ex- pansão rumo a comunidades mais amplas e complexas do que tribos e clãs. Como explicá-la? Aqui Hume é obrigado a apelar, não para o senti- mento natural, mas para a convenção, para o artifício institucional, cujo

primeiro fruto é a virtude da Justiça, a base das regras do Direito. A Justiça

é a virtude da macro - sociabilidade, geradora de regras estritas e in flexí- veis (“convenções”), porém impessoais (pois não importa quem elas benefi- ciam ou prejudicam em cada caso de sua aplicação) e expansivas, que contrasta com as virtudes da micro - sociabilidade, maleáveis e personali- zadas (isto é, onde importa o “quem”), mas exatamente por isso de curto alcance. Mas qual a base do respeito às convenções sociais, as regras da Justiça? Tem de haver um princípio geral que sustente as convenções. Esse princípio é a reciprocidade. Daí que o contrato e a promessa sejam os modelos exemplares da Justiça em ação: os dois primeiros contratantes devem ter sido sujeitos estranhos um ao outro, mas que por um motivo qualquer – digamos, comercial – precisaram produzir um bem coletivo. Qual

a estrutura geral do contrato? Eu faço a minha parte e, no momento apra-

zado, você faz a sua. Sou indiferente à sua felicidade, e, contudo, para produzir certo bem para mim ou para meus entes queridos, preciso estabe- lecer uma relação cooperativa com o estranho, sem o qual aquele bem não vinga. Logo, só tem sentido cooperar nessas condições se cada um faz a sua parte, e na medida em que cada um faz a sua parte (daí a reciprocida-

de). Essa é a natureza da convenção, tão bem caracterizada pela imagem

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humeana dos dois remadores de um barco que se controlam mutuamente na alternância de seus respectivos lances de remo. Um faz seu lance na medida em que o outro faça o seu, e só nessa medida o bem coletivo (a navegação rumo a um porto comum desejado) será produzido. Notem como nesse argumento a percepção do auto-interesse embasa a reciprocidade. E é desse ponto em diante que os problemas do argumento vão aparecendo:

(1) A sociedade grande e complexa, reconhece Hume, supera as difi- culdades e deficiências do círculo restrito da tribo, e porém gera suas próprias dificuldades e deficiências. Quanto mais cresce a sociedade, mais anônima e impessoal ela se torna, de modo que sua sustentação depende- rá menos das paixões altruístas do que da reciprocidade e, logo, da per- cepção do auto –interesse na própria atividade cooperativa. Uma coisa, porém, é cooperar com uns poucos estranhos, onde é possível controlar os laços recíprocos de cada parte e onde está claro que a defecção de um dos cooperantes põe a perder todo o empreendimento. Outra é a situação em que o número de estranhos é enorme, em que a contribuição de cada um é proporcionalmente ínfima. Pensem, para ficar num exemplo bem simples, na diferença da partici-

pação eleitoral de um grupo de cinco eleitores e a participação num grupo de um milhão de eleitores. A importância da participação de cada indivíduo para a determinação de um certo resultado no primeiro caso é visivelmente maior do que no segundo caso. No primeiro, relutaria muito em deixar de participar, se estou de fato interessado nesse resultado determinado. No segundo, tendo a estimar, com razão, que minha ausência será muito menos decisiva (e também muito menos sentida) para esse ou aquele resultado final, ainda que seja do meu interesse obtê-lo, a ponto de eu apostar que um número suficiente de parceiros cumprirão a sua parte em meu lugar, e então obter resultado idêntico ao que obteria se eu tivesse participado. Mas o dia da votação, um domingo, está ensolarado: por que não desfrutar esse sol na praia, e deixar que os outros enfrentem a fila da urna por mim? Estamos outra vez diante da mesmíssima questão identifi- cada por Olson: o problema do “carona”. Mas é óbvio que se todos pensas- sem como o carona, o bem coletivo almejado não se consumaria. Mas por que não pensariam, se os estranhos cooperam apenas graças à reciproci- dade e o auto-interesse? (2) Hume imagina duas saídas para esse aparente labirinto. A primeira volta a recorrer à psicologia: o hábito explicaria, pelo menos em parte, porque continuamos a cooperar mesmo quando deixamos de perceber claramente em que medida nossa participação num empreendimento cooperativo é decisiva ou não para produzir o resultado almejado. Se em situações mais simples e visíveis julgamos que nossa participação é sim decisiva, tendemos a estender esse juízo, sem conferir se tal é mesmo o caso, para os casos mais complexos e menos visíveis. Mas o hábito, admite Hume, está longe de uma explicação suficiente, e então ele recorre a uma segunda saída, mais fundamental. Trata-se da constituição do governo, ou seja, de uma espécie de divisão de trabalho entre governantes e governados, o primeiro formado por um grupo relati- vamente pequeno e o segundo reunindo a grande maioria da comunidade;

o primeiro altamente motivado a garantir, como administradores da coisa

pública, o provimento dos bens coletivos, o segundo liberado para perse- guir seus bens privados e os de seu círculo restrito de amigos e familiares, contanto que paguem os impostos que sustentarão as atividades do primei-

ro grupo. Vejam que esse esquema não implica que os governantes sejam

altruístas: eles são motivados a produzir os bens coletivos porque essa é, na repartição social das tarefas, a meta auto-interessada mais próxima e visível, enquanto é a mais distante para o restante da comunidade, isto é, os governados. A instalação do governo significa simplesmente uma opera- ção de transformar, pelo menos para alguns (os governantes), o auto- interesse distante e embaçado – que ameaça desintegrar a cooperação em sociedade anônimas – num auto-interesse próximo e nítido. É como se o artifício do governo simbolizasse a arte da construção de uma lente social para corrigir a miopia congênita dos grandes conglemerados humanos. Outra vez, a um observador atento do sinuoso raciocínio humeano não escapará novas dificuldades nessa segunda saída. Porque se o grupo dos governantes, encarregado da administração dos negócios públicos, for suficientemente coeso, compacto e bem articulado como nas burocracias estatais modernas, eles acabarão por constituir um conjunto de interesses apartado, talvez mesmo divergente, do restante da sociedade. O auto-

interesse para os seus membros pode significar algo substancialmente – e não apenas ilusoriamente (por causa apenas de uma distorção de óptica) –

diferente dos governados. E como a promoção daquele interesse depende da extração, via impostos, dos recursos dos governados, eles serão tenta- dos a desviar esses recursos para benefício próprio e não para o benefício comum. E aqui estamos de novo, e por caminhos transversos, perante o rent seeking de James Buchanan.

IV.

Para onde afinal nos leva todo essa apresentação de argumentos?

Penso que nos leva a constatar o contra-senso das premissas psicológicas do homo oeconomicus quando estendidas ao mundo da cooperação social de um modo geral, e da administração da coisa pública em particular. Se levamos até a sua raiz a hipótese de que todos os que promovem serviços

a outrem, privadamente ou em nome do público, são exclusivamente moti-

vados pelo interesse egoísta, então a minha sugestão é que o fato do provimento sistemático desses serviços deve aparecer como um mistério da investigação social. O próprio fato da organização social se torna um mistério. Se alguém contestar dizendo que esse fato em que estou me arvorando é transitório e só ilusoriamente sólido, então é preciso admitir, na ausência de outras premissas plausíveis, que os Estados modernos, os quais procuram enlaçar sociedades grandes e complexas, caminham de modo inexorável para o seu colapso, provavelmente de forma lenta, porém

constante, gradualmente introduzindo aquela anomia que Hobbes tanto temia. Minha própria contra-resposta a essas duas sugestões é pura e sim- plesmente destacar aquilo que dá título a esta palestra: a relevância da ética no exercício da função pública. Ao que agora posso acrescentar: a relevâ ncia da ética na preservação da organização social, genericamente falando, e não apenas da administração da coisa pública. Mas até aqui a ética ou a moral se apresentou negativamente, como um vago oposto da compulsão egoísta. Porém, o que ela é positivamente? Devo dizer de partida que a longa tradição da filosofia moral a que me referi no começo desta palestra jamais logrou construir um consenso a respeito dessa pergunta. A esmagadora maioria dos filósofos, é verdade, descartou ser possível reduzir a moralidade ao egoísmo. O que isso signifi- ca, porém? O altruísmo? A deferência aos mandamentos de Deus? O respeito incondicional a certas regras ou leis que consigamos formular de modo universal, que podem até coincidir com aqueles mandamentos, porém sem necessariamente assumir suanatureza divina? O respeito incondicional a uma certa interpretação da igualdade entre os seres huma-

nos?

Todas elas, creio, são alternativas plausíveis para fundar a ética, e aju-

dam a explicar, em parte, o sustento da organização social, da cooperação

e da solidariedade. Não digo que para ajudar a explicar seja preciso assu-

mir que elas são praticadas por todos e em todos os momentos. Fosse assim, incorreríamos no mesmo exagero a que incorre a psicologia egoísti- ca. Basta afirmar que quando detectamos alguma forma de cooperação e solidariedade, haveríamos de pelo menos suspeitar de que alguma dessas alternativas da vida ética esteja em operação. Contudo, todas elas deveriam apontar para uma visão mais sintética, reconciliadora. Estamos, como disse, longe de obter consenso sobre uma visão concreta. Mas penso que, seja qual for, ela deveria ser marcada pelo esforço de aproximar a natureza da ética ou da moralidade – vejam que, para meus propósitos, não me interessei pela distinção desses termos, mas espero que outros colegas aqui presentes tenham a chance de sugerir uma para a discussão – com a ponderação sobre o que torna a vida digna de ser vivida, uma ponderação sobre os valores e princípios que expressem o que significa essa vida digna, essa vida que valha a pena ser vivida, como indivíduos e como membros de uma comunidade. E que valha a pena não porque garante meu próprio bem ou o bem alheio, ou porque garante a cega obediência às leis estabelecidas, mas porque promove uma gama de ideais sobre o que deve ser uma vida humana, ideais por definição não realizados, e talvez jamais plenamente realizáveis, mas que promovidos graças à nossa capacidade de realizar ações conscientes e inteligentes. Penso também, para concluir, que nada poderia representar melhor o excelente exercício das funções públicas do que a consciência dessa questão. Seria ótimo, por certo, que tal ponderação estivesse no horizonte de cada funcionário público, ainda que suas diferentes conclusões geras- sem conflito – pois o predomínio da ponderação ética não significa a elimi- nação do conflito social, apenas o desloca para um outro patamar: não o conflito por interesses mesquinhos, mas o conflito para o qual vale a pena lutar, porque feito em prol de coisas dignas. Crucial, porém, é que tal pon-

deração contamine suas principais artérias e envolva especialmente os que exercem suas altas responsabilidades, porque, afinal, como diz a velha

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sabedoria, esses são os exemplos para os demais. Insisto: são exemplos para os demais não tanto porque indiscutivelmente corretos, mas porque são suficientemente ousados e ambiciosos para pensar, querer, buscar ideais nobres e elevados.

Ética no Setor Público.

Ética no Serviço Público Jorge Teixeira da Silva; Letícia Clara Ribeiro; Antonio Carlos Menegon; Joyce de Castro Nunes; Vanderlei Dandrea; Ana Paula Rodrigues; Francis- ca Dantas; Polliane Tenório Neto; Márcia de Jesus silva; Rogério Chagas Pozo. Alunos do Curso de Direito da UMESP. Este artigo, fruto de uma intensa atividade de reflexão escrita de todos nós, alunos do Curso de Direito da UMESP, surgiu da discussão que esteve presente no decorrer do semestre na disciplina: Cidadania, ética pública e ação cultural. Resolvemos escrever sobre os Serviços prestados ao públi- co, devido aos abusos relatados pelos meios de comunicação presentes em nosso cotidiano pelo que Milton Santos chama de funcionários sem mandato, é sabido que muitas pessoas que confiaram no trabalho se de- cepcionaram. O presente texto pretende trabalhar estas idéias, de modo que possamos olhar através da perspectiva do direito, o desrespeito que vem ocorrendo as regra de conduta e da ética que requer o trabalho que os serviços públicos visam prestar.

O Direito que os cidadãos vêm adquirindo aos poucos, e que levou mui-

to tempo para ser construído e respeitado vem, como sabemos, sofrendo

com a grande dificuldade que a população enfrenta no dia a dia para fazer valer seus direitos que às vezes desaparecem porque não são postos em prática. A princípio, achamos que isto ocorra por falta de consciência dos próprios cidadãos seja por normas e desculpas de resolução posta por nossos governantes trazendo um efeito de omissão do papel de um cida- dão e seus direitos. Estes efeitos citados são objetivados pelos governan- tes que enriquecem justamente através da ignorância em relação aos direitos conquistados pela população o que gera um grande desrespeito para com os cidadãos e uma cultura que se perpetua. Milton Santos, em seu trabalho: O espaço do cidadão mostra-nos que estes atos de desrespeito aos direitos e à representação que alguns dos funcionários públicos em relação à população, viola a moral, os direitos e principalmente, ataca a cultura dos cidadãos, dando a impressão de que os serviços públicos podem ser algo negociável, quando o mesmo é inaliená-

vel.

Para que possamos esclarecer melhor nossas idéias, chegamos à questão da ética no serviço público. Mas, o que é "ética"? Contemporaneamente e de forma bastante usual, a palavra ética é mais compreendida como disciplina da área de filosofia e que tem por objetivo a moral ou moralidade, os bons costumes, o bom comportamento e a boa fé, inclusive. Por sua vez, a moral deveria estar intrinsecamente ligada ao comportamento humano, na mesma medida, em que está o seu caráter, personalidade, etc; presumindo portanto, que também a ética pode ser avaliada de maneira boa ou ruim, justa ou injusta, correta ou incorreta. Num sentido menos filosófico e mais prático podemos entender esse conceito analisando certos comportamentos do nosso dia a dia, quando nos referimos por exemplo, ao comportamento de determinados profissionais podendo ser desde um médico, jornalista, advogado, administrador, um político e até mesmo um professor; expressões como: ética médica, ética jornalística, ética administrativa e ética pública, são muito comuns. Podemos verificar que a ética está diretamente relacionada ao padrão de comportamento do indivíduo, dos profissionais e também do político, como falamos anteriormente. O ser humano elaborou as leis para orientar seu comportamento frente as nossas necessidades (direitos e obrigações)

e em relação ao meio social, entretanto, não é possível para a lei ditar nosso padrão de comportamento e é aí que entra outro ponto importante

que é a cultura, ficando claro que não a cultura no sentido de quantidade de conhecimento adquirido, mas sim a qualidade na medida em que esta pode ser usada em prol da função social, do bem estar e tudo mais que diz respeito ao bem maior do ser humano, este sim é o ponto fundamental, a essência, o ponto mais controverso quando tratamos da questão ética na vida pública, á qual iremos nos aprofundar um pouco mais, por se tratar do tema central dessa pesquisa.

A questão da ética no serviço Público.

Quando falamos sobre ética pública, logo pensamos em corrupção, ex- torsão, ineficiência, etc, mas na realidade o que devemos ter como ponto de referência em relação ao serviço público, ou na vida pública em geral, é

que seja fixado um padrão a partir do qual possamos, em seguida julgar a atuação dos servidores públicos ou daqueles que estiverem envolvidos na

vida pública, entretanto não basta que haja padrão, tão somente, é neces- sário que esse padrão seja ético, acima de tudo .

O fundamento que precisa ser compreendido é que os padrões éticos

dos servidores públicos advêm de sua própria natureza, ou seja, de caráter

público, e sua relação com o público. A questão da ética pública está dire- tamente relacionada aos princípios fundamentais, sendo estes comparados ao que chamamos no Direito, de "Norma Fundamental", uma norma hipoté- tica com premissas ideológicas e que deve reger tudo mais o que estiver relacionado ao comportamento do ser humano em seu meio social, aliás, podemos invocar a Constituição Federal. Esta ampara os valores morais da boa conduta, a boa fé acima de tudo, como princípios básicos e essenciais

a uma vida equilibrada do cidadão na sociedade, lembrando inclusive o tão

citado, pelos gregos antigos, "bem viver". Outro ponto bastante controverso é a questão da impessoalidade. Ao contrário do que muitos pensam, o funcionalismo público e seus servidores devem primar pela questão da "impessoalidade", deixando claro que o termo é sinônimo de "igualdade", esta sim é a questão chave e que eleva o serviço público a níveis tão ineficazes, não se preza pela igualdade. No

ordenamento jurídico está claro e expresso, "todos são iguais perante a lei".

E também a idéia de impessoalidade, supõe uma distinção entre aquilo

que é público e aquilo que é privada (no sentido do interesse pessoal), que gera portanto o grande conflito entre os interesses privados acima dos interesses públicos. Podemos verificar abertamente nos meios de comuni- cação, seja pelo rádio, televisão, jornais e revistas, que este é um dos principais problemas que cercam o setor público, afetando assim, a ética que deveria estar acima de seus interesses. Não podemos falar de ética, impessoalidade (sinônimo de igualdade), sem falar de moralidade. Esta também é um dos principais valores que define a conduta ética, não só dos servidores públicos, mas de qualquer indivíduo. Invocando novamente o ordenamento jurídico podemos identifi-

car que a falta de respeito ao padrão moral, implica portanto, numa violação dos direitos do cidadão, comprometendo inclusive, a existência dos valores dos bons costumes em uma sociedade.

A falta de ética na Administração Publica encontra terreno fértil para se

reproduzir , pois o comportamento de autoridades públicas estão longe de se basearem em princípios éticos e isto ocorre devido a falta de preparo dos funcionários, cultura equivocada e especialmente, por falta de meca-

nismos de controle e responsabilização adequada dos atos anti-éticos.

A sociedade por sua vez, tem sua parcela de responsabilidade nesta si-

tuação, pois não se mobilizam para exercer os seus direitos e impedir estes

casos vergonhosos de abuso de poder por parte do Pode Público. Um dos motivos para esta falta de mobilização social se dá, devido á falta de uma cultura cidadã, ou seja, a sociedade não exerce sua cidadania. A cidadania Segundo Milton Santos " é como uma lei", isto é, ela existe mas precisa ser descoberta , aprendida, utilizada e reclamada e só evolui através de pro- cessos de luta. Essa evolução surge quando o cidadão adquire esse status,

ou seja, quando passa a ter direitos sociais. A luta por esses direitos garan-

te um padrão de vida mais decente. O Estado, por sua vez, tenta refrear os

impulsos sociais e desrespeitar os indivíduos, nessas situações a cidadania deve se valer contra ele, e imperar através de cada pessoa. Porém Milton Santos questiona, se "há cidadão neste pais"? Pois para ele desde o nas- cimento as pessoas herdam de seus pais e ao longa da vida e também da sociedade, conceitos morais que vão sendo contestados posteriormente com a formação de idéias de cada um, porém a maioria das pessoas não

sabem se são ou não cidadãos.

A educação seria o mais forte instrumento na formação de cidadão

consciente para a construção de um futuro melhor. No âmbito Administrativo, funcionários mal capacitados e sem princípios éticos que convivem todos os dias com mandos e desmandos, atos deso-

nestos, corrupção e falta de ética tendem a assimilar por este rol "cultural" de aproveitamento em beneficio próprio. Se o Estado, que a principio deve impor a ordem e o respeito como re- gra de conduta para uma sociedade civilizada, é o primeiro a evidenciar o ato imoral, vêem esta realidade como uma razão, desculpa ou oportunidade para salvar-se, e , assim sendo, através dos usos de sua atribuição publica.

A consciência ética, como a educação e a cultura são aprendidas pelo

ser humano, assim, a ética na administração publica, pode e deve ser desenvolvida junto aos agentes públicos ocasionando assim, uma mudança na administração publica que deve ser sentida pelo contribuinte que dela se utiliza diariamente, seja por meio da simplificação de procedimentos, isto é,

a rapidez de respostas e qualidade dos serviços prestados, seja pela forma de agir e de contato entre o cidadão e os funcionários públicos.

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A mudança que se deseja na Administração pública implica numa gra- dativa, mas necessária "transformação cultura" dentro da estrutura organi- zacional da Administração Pública, isto é, uma reavaliação e valorização das tradições, valores, hábitos, normas, etc, que nascem e se forma ao longo do tempo e que criam um determinado estilo de atuação no seio da organização. Conclui-se, assim, que a improbidade e a falta de ética que nascem nas máquinas administrativas devido ao terreno fértil encontrado devido à existência de governos autoritários, governos regidos por políticos sem ética, sem critérios de justiça social e que, mesmo após o advento de regimes democrático, continuam contaminados pelo "vírus" dos interesses escusos geralmente oriundos de sociedades dominadas por situações de pobreza e injustiça social, abala a confiança das instituições, prejudica a eficácia das organizações, aumenta os custos, compromete o bom uso dos recursos públicos e os resultados dos contratos firmados pela Administra- ção Pública e ainda castiga cada vez mais a sociedade que sofre com a pobreza, com a miséria, a falta de sistema de saúde, de esgoto, habitação, ocasionados pela falta de investimentos financeiros do Governo, porque os funcionários públicos priorizam seus interesses pessoais em detrimento dos interesses sociais. Essa situação vergonhosa só terá um fim no dia em que a sociedade resolver lutar para exercer os seus direitos respondendo positivamente o questionamento feito por Milton Santos "HÁ CIDADÃOS NESTE PAÍS?" e poderemos responder em alto e bom som que " SIM. Há cidadão neste pais. E somos todos brasileiros.". Finalizando, gostaríamos de destacar alguns pontos básicos, que base- ado neste estudo, julgamos essenciais para a boa conduta, um padrão ético, impessoal e moralístico:

1 - Podemos conceituar ética, também como sendo um padrão de com-

portamento orientado pelos valores e princípio morais e da dignidade humana.

2 - O ser humano possui diferentes valores e princípios e a "quantidade"

de valores e princípios atribuídos, determinam a "qualidade" de um padrão de comportamento ético:

Maior valor atribuído (bem), maior ética. Menor valor atribuído (bem), menor ética.

3 - A cultura e a ética estão intrinsecamente ligadas. Não nos referimos

a palavra cultura como sendo a quantidade de conhecimento adquirido,

mas sim a qualidade na medida em que esta pode ser usada em prol da função social, do bem estar e tudo mais que diz respeito ao bem maior do ser humano .

4 - A falta de ética induz ao descumprimento das leis do ordenamento jurídico.

5 - Em princípio as leis se baseiam nos princípios da dignidade humana, dos bons costumes e da boa fé.

6 - Maior impessoalidade (igualdade), maior moralidade = melhor pa- drão de ética.

Código de Ética Profissional do Serviço Público - Decreto n.º 1.171/94. DECRETO Nº 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994 Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. 0 PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, e ainda tendo em vista o disposto no art. 37 da Constituição, bem como nos arts. 116 e 117 da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e nos arts. 10, 11 e 12 da Lei n° 8.429, de 2 de junho de 1992, DECRETA:

Art. 1° Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, que com este baixa. Art. 2° Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta

e indireta implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente. Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética será comunica- da à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República, com a indicação dos respectivos membros titulares e suplentes. Art. 3° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 22 de junho de 1994, 173° da Independência e 106° da República.

ANEXO Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal CAPÍTULO I Seção I Das Regras Deontológicas I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princí-

pios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercí- cio da vocação do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos.

II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético

de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e § 4°, da Constituição Federal.

III - A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção

entre o bem e o mal, devendo ser acrescida da idéia de que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrati- vo.

IV- A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos

direta ou indiretamente por todos, até por ele próprio, e por isso se exige, como contrapartida, que a moralidade administrativa se integre no Direito, como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade, erigindo- se, como conseqüência, em fator de legalidade.

V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunida-

de deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que,

como cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio.

VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e,

portanto, se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada pode- rão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional.

VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou

interesse superior do Estado e da Administração Pública, a serem preser-

vados em processo previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a

publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem comum, imputável a quem a negar.

VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la

ou falseá-la, ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interes- sada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabi- lizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação.

IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao

serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, por descuido ou má vontade, não cons- titui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência,

seu tempo, suas esperanças e seus esforços para construí-los.

X - Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que

compete ao setor em que exerça suas funções, permitindo a formação de

longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço, não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos.

XI - 0 servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de

seus superiores, velando atentamente por seu cumprimento, e, assim, evitando a conduta negligente. Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho da função pública.

XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é

fator de desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à desordem nas relações humanas. XIII - 0 servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organiza- cional, respeitando seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode receber colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportuni- dade para o crescimento e o engrandecimento da Nação.

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Seção II Dos Principais Deveres do Servidor Público XIV - São deveres fundamentais do servidor público:

a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego

público de que seja titular;

b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento,

pondo fim ou procurando prioritariamente resolver situações procrastinató-

rias, principalmente diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral ao usuário;

c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu

caráter, escolhendo sempre, quando estiver diante de duas opções, a melhor e a mais vantajosa para o bem comum;

d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial

da gestão dos bens, direitos e serviços da coletividade a seu cargo;

e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfeiçoando o

processo de comunicação e contato com o público;

f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada prestação dos serviços públicos;

g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a

capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do serviço público, sem qualquer espécie de preconceito ou distinção de raça, sexo,

nacionalidade, cor, idade, religião, cunho político e posição social, absten- do-se, dessa forma, de causar-lhes dano moral;

h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar

contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o

Poder Estatal; i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratan- tes, interessados e outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou aéticas e denunciá-las;

j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da defesa da vida e da segurança coletiva;

l) ser assíduo e freqüente ao serviço, na certeza de que sua ausência

provoca danos ao trabalho ordenado, refletindo negativamente em todo o sistema;

m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou

fato contrário ao interesse público, exigindo as providências cabíveis;

n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os

métodos mais adequados à sua organização e distribuição;

o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a

melhoria do exercício de suas funções, tendo por escopo a realização do bem comum;

p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício

da função;

q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a

legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas funções;

r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções supe-

riores, as tarefas de seu cargo ou função, tanto quanto possível, com critério, segurança e rapidez, mantendo tudo sempre em boa ordem.

s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito;

t) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe

sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados administra-

tivos;

u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou

autoridade com finalidade estranha ao interesse público, mesmo que ob- servando as formalidades legais e não cometendo qualquer violação ex- pressa à lei;

v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a

existência deste Código de Ética, estimulando o seu integral cumprimento. Seção III Das Vedações ao Servidor Público XV - E vedado ao servidor público;

a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e

influências, para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem;

b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de

cidadãos que deles dependam;

c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro

ou infração a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão;

d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular

de direito por qualquer pessoa, causando-lhe dano moral ou material;

e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance

ou do seu conhecimento para atendimento do seu mister;

f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões

ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os

jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores; g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de qualquer espécie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumpri- mento da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim;

h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para

providências;

i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços públicos;

j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular;

l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qual- quer documento, livro ou bem pertencente ao patrimônio público;

m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de

seu serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros;

n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente;

o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral,

a honestidade ou a dignidade da pessoa humana;

p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empre-

endimentos de cunho duvidoso.

CAPÍTULO II DAS COMISSÕES DE ÉTICA

XVI - Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Fede- ral direta, indireta autárquica e fundacional, ou em qualquer órgão ou enti- dade que exerça atribuições delegadas pelo poder público, deverá ser criada uma Comissão de Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre

a ética profissional do servidor, no tratamento com as pessoas e com o

patrimônio público, competindo-lhe conhecer concretamente de imputação

ou de procedimento susceptível de censura.

XVIII - À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encar-

regados da execução do quadro de carreira dos servidores, os registros

sobre sua conduta ética, para o efeito de instruir e fundamentar promoções

e para todos os demais procedimentos próprios da carreira do servidor público.

XXII - A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura e sua fundamentação constará do respectivo parecer, assinado por todos os seus integrantes, com ciência do faltoso.

XXIV - Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se

por servidor público todo aquele que, por força de lei, contrato ou de qual- quer ato jurídico, preste serviços de natureza permanente, temporária ou excepcional, ainda que sem retribuição financeira, desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal, como as autarquias, as fundações públicas, as entidades paraestatais, as empresas públicas e as sociedades de economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado.

DECRETO Nº 6.029, DE 1º DE FEVEREIRO DE 2007. Institui Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Fede- ral, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe con- fere o art. 84, inciso VI, alínea “a”, da Constituição, DECRETA:

Art. 1 o Fica instituído o Sistema de Gestão da Ética do Poder Execu- tivo Federal com a finalidade de promover atividades que dispõem sobre a conduta ética no âmbito do Executivo Federal, competindo-lhe:

I - integrar os órgãos, programas e ações relacionadas com a ética

pública;

II - contribuir para a implementação de políticas públicas tendo a transparência e o acesso à informação como instrumentos fundamentais para o exercício de gestão da ética pública; III - promover, com apoio dos segmentos pertinentes, a compatibilização

e interação de normas, procedimentos técnicos e de gestão relativos à ética

pública;

IV - articular ações com vistas a estabelecer e efetivar procedimen- tos de incentivo e incremento ao desempenho institucional na gestão da ética pública do Estado brasileiro.

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Art. 2 o Integram o Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal:

- a Comissão de Ética Pública - CEP, instituída pelo Decreto de 26 de maio de 1999;

I

IV

- supervisionar a observância do Código de Conduta da Alta Ad-

ministração Federal e comunicar à CEP situações que possam configurar descumprimento de suas normas.

§

1 o Cada Comissão de Ética contará com uma Secretaria-

- as Comissões de Ética de que trata o Decreto n o 1.171, de 22 de junho de 1994; e

II

Executiva, vinculada administrativamente à instância máxima da entidade

ou órgão, para cumprir plano de trabalho por ela aprovado e prover o apoio técnico e material necessário ao cumprimento das suas atribuições.

III

- as demais Comissões de Ética e equivalentes nas entidades e ór-

gãos do Poder Executivo Federal. Art. 3 o A CEP será integrada por sete brasileiros que preencham os requisitos de idoneidade moral, reputação ilibada e notória experiência em administração pública, designados pelo Presidente da República, para mandatos de três anos, não coincidentes, permitida uma única recondu- ção.

§

2 o As Secretarias-Executivas das Comissões de Ética serão chefi-

adas por servidor ou empregado do quadro permanente da entidade ou

órgão, ocupante de cargo de direção compatível com sua estrutura, aloca- do sem aumento de despesas. Art. 8 o Compete às instâncias superiores dos órgãos e entidades do Poder Executivo Federal, abrangendo a administração direta e indireta:

§

1 o A atuação no âmbito da CEP não enseja qualquer remuneração

I - observar e fazer observar as normas de ética e disciplina;

para seus membros e os trabalhos nela desenvolvidos são considerados prestação de relevante serviço público.

II - constituir Comissão de Ética;

III - garantir os recursos humanos, materiais e financeiros para que a

§

2 o O Presidente terá o voto de qualidade nas deliberações da

Comissão cumpra com suas atribuições; e

Comissão.

IV

- atender com prioridade às solicitações da CEP.

3 o Os mandatos dos primeiros membros serão de um, dois e três anos, estabelecidos no decreto de designação.

§

Art. 9 o Fica constituída a Rede de Ética do Poder Executivo Federal, integrada pelos representantes das Comissões de Ética de que tratam os

Art. 4 o À CEP compete:

incisos I, II e III do art. 2 o , com o objetivo de promover a cooperação técnica

- atuar como instância consultiva do Presidente da República e Mi- nistros de Estado em matéria de ética pública;

- administrar a aplicação do Código de Conduta da Alta Administração Federal, devendo:

I

II

a avaliação em gestão da ética. Parágrafo único. Os integrantes da Rede de Ética se reunirão sob a coordenação da Comissão de Ética Pública, pelo menos uma vez por ano, em fórum específico, para avaliar o programa e as ações para a promoção da ética na administração pública. Art. 10. Os trabalhos da CEP e das demais Comissões de Ética de-

e

a)

submeter ao Presidente da República medidas para seu aprimo-

ramento;

b)

dirimir dúvidas a respeito de interpretação de suas normas, deliberan-

vem ser desenvolvidos com celeridade e observância dos seguintes princí-

do

sobre casos omissos;

pios:

c)

apurar, mediante denúncia, ou de ofício, condutas em desacordo

I

- proteção à honra e à imagem da pessoa investigada;

com as normas nele previstas, quando praticadas pelas autoridades a ele submetidas;

- proteção à identidade do denunciante, que deverá ser mantida sob reserva, se este assim o desejar; e

II

III

- dirimir dúvidas de interpretação sobre as normas do Código de

III

- independência e imparcialidade dos seus membros na apuração

Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal de que trata o Decreto no 1.171, de 1994;

dos fatos, com as garantias asseguradas neste Decreto. Art. 11. Qualquer cidadão, agente público, pessoa jurídica de direito privado, associação ou entidade de classe poderá provocar a atuação da CEP ou de Comissão de Ética, visando à apuração de infração ética impu-

IV

- coordenar, avaliar e supervisionar o Sistema de Gestão da Ética

Pública do Poder Executivo Federal;

V - aprovar o seu regimento interno; e

tada a agente público, órgão ou setor específico de ente estatal. Parágrafo único. Entende-se por agente público, para os fins deste Decreto, todo aquele que, por força de lei, contrato ou qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza permanente, temporária, excepcional ou even- tual, ainda que sem retribuição financeira, a órgão ou entidade da adminis- tração pública federal, direta e indireta. Art. 12. O processo de apuração de prática de ato em desrespeito ao preceituado no Código de Conduta da Alta Administração Federal e no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal será instaurado, de ofício ou em razão de denúncia fundamentada, respeitando-se, sempre, as garantias do contraditório e da ampla defesa, pela Comissão de Ética Pública ou Comissões de Ética de que tratam o incisos II e III do art. 2º, conforme o caso, que notificará o investigado para manifestar-se, por escrito, no prazo de dez dias.

VI - escolher o seu Presidente.

Parágrafo único. A CEP contará com uma Secretaria-Executiva, vinculada

à

Casa Civil da Presidência da República, à qual competirá prestar o apoio técnico

administrativo aos trabalhos da Comissão. Art. 5o Cada Comissão de Ética de que trata o Decreto no 1171, de 1994, será integrada por três membros titulares e três suplentes, escolhidos entre servi- dores e empregados do seu quadro permanente, e designados pelo dirigente máximo da respectiva entidade ou órgão, para mandatos não coincidentes de três anos.

e

Art. 6 o É dever do titular de entidade ou órgão da Administração Pú- blica Federal, direta e indireta:

I

- assegurar as condições de trabalho para que as Comissões de Ética

cumpram suas funções, inclusive para que do exercício das atribuições de seus

integrantes não lhes resulte qualquer prejuízo ou dano;

1 o O investigado poderá produzir prova documental necessária à sua defesa.

§

- conduzir em seu âmbito a avaliação da gestão da ética conforme processo coordenado pela Comissão de Ética Pública.

II

2 o As Comissões de Ética poderão requisitar os documentos que entenderem necessários à instrução probatória e, também, promover diligências e solicitar parecer de especialista.

§

Art. 7 o Compete às Comissões de Ética de que tratam os incisos II e

III

do art. 2 o :

I

- atuar como instância consultiva de dirigentes e servidores no âm-

§

3 o Na hipótese de serem juntados aos autos da investigação, após

bito de seu respectivo órgão ou entidade;

a

manifestação referida no caput deste artigo, novos elementos de prova, o

II

- aplicar o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do

investigado será notificado para nova manifestação, no prazo de dez dias.

Poder Executivo Federal, aprovado pelo Decreto 1.171, de 1994, devendo:

4 o Concluída a instrução processual, as Comissões de Ética profe- rirão decisão conclusiva e fundamentada.

§

a)

submeter à Comissão de Ética Pública propostas para seu aper-

feiçoamento;

§

5 o Se a conclusão for pela existência de falta ética, além das providên- cias previstas no Código de Conduta da Alta Administração Federal e no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, as Comissões de Ética tomarão as seguintes providências, no que couber:

b)

dirimir dúvidas a respeito da interpretação de suas normas e deliberar

sobre casos omissos;

c)

apurar, mediante denúncia ou de ofício, conduta em desacordo

com as normas éticas pertinentes; e

I

- encaminhamento de sugestão de exoneração de cargo ou função

d)

recomendar, acompanhar e avaliar, no âmbito do órgão ou enti-

de confiança à autoridade hierarquicamente superior ou devolução ao órgão de origem, conforme o caso;

dade a que estiver vinculada, o desenvolvimento de ações objetivando a

disseminação, capacitação e treinamento sobre as normas de ética e disciplina;

II

-- encaminhamento, conforme o caso, para a Controladoria-Geral

da União ou unidade específica do Sistema de Correição do Poder Executi- vo Federal de que trata o Decreto n o 5.480, de 30 de junho de 2005, para exame de eventuais transgressões disciplinares; e

III

- representar a respectiva entidade ou órgão na Rede de Ética do

Poder Executivo Federal a que se refere o art. 9 o ; e

APOSTILAS OPÇÃO

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III - recomendação de abertura de procedimento administrativo, se a

gravidade da conduta assim o exigir. Art. 13. Será mantido com a chancela de “reservado”, até que esteja concluído, qualquer procedimento instaurado para apuração de prática em desrespeito às normas éticas.

§ 1 o Concluída a investigação e após a deliberação da CEP ou da

Comissão de Ética do órgão ou entidade, os autos do procedimento deixa-

rão de ser reservados. § 2 o Na hipótese de os autos estarem instruídos com documento acobertado por sigilo legal, o acesso a esse tipo de documento somente será permitido a quem detiver igual direito perante o órgão ou entidade originariamente encarregado da sua guarda.

3 o Para resguardar o sigilo de documentos que assim devam ser mantidos, as Comissões de Ética, depois de concluído o processo de investigação, providenciarão para que tais documentos sejam desentra- nhados dos autos, lacrados e acautelados.

Art. 14. A qualquer pessoa que esteja sendo investigada é assegurado o direito de saber o que lhe está sendo imputado, de conhecer o teor da acusação

e de ter vista dos autos, no recinto das Comissões de Ética, mesmo que ainda

não tenha sido notificada da existência do procedimento investigatório. Parágrafo único. O direito assegurado neste artigo inclui o de obter cópia dos autos e de certidão do seu teor. Art. 15. Todo ato de posse, investidura em função pública ou cele- bração de contrato de trabalho, dos agentes públicos referidos no parágrafo único do art. 11, deverá ser acompanhado da prestação de compromisso solene de acatamento e observância das regras estabelecidas pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal, pelo Código de Ética Profissio- nal do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal e pelo Código de Ética do órgão ou entidade, conforme o caso. Parágrafo único . A posse em cargo ou função pública que submeta

a autoridade às normas do Código de Conduta da Alta Administração

Federal deve ser precedida de consulta da autoridade à Comissão de Ética Pública acerca de situação que possa suscitar conflito de interesses. Art. 16. As Comissões de Ética não poderão escusar-se de proferir decisão sobre matéria de sua competência alegando omissão do Código de Conduta da Alta Administração Federal, do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal ou do Código de Ética do órgão ou entidade, que, se existente, será suprida pela analogia e invoca- ção aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

1 o Havendo dúvida quanto à legalidade, a Comissão de Ética competente deverá ouvir previamente a área jurídica do órgão ou entidade. § 2 o Cumpre à CEP responder a consultas sobre aspectos éticos que lhe forem dirigidas pelas demais Comissões de Ética e pelos órgãos e entidades que integram o Executivo Federal, bem como pelos cidadãos e servidores que venham a ser indicados para ocupar cargo ou função a- brangida pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal. Art. 17. As Comissões de Ética, sempre que constatarem a possível ocorrência de ilícitos penais, civis, de improbidade administrativa ou de infração disciplinar, encaminharão cópia dos autos às autoridades compe- tentes para apuração de tais fatos, sem prejuízo das medidas de sua com- petência. Art. 18. As decisões das Comissões de Ética, na análise de qual- quer fato ou ato submetido à sua apreciação ou por ela levantado, serão

resumidas em ementa e, com a omissão dos nomes dos investigados, divulgadas no sítio do próprio órgão, bem como remetidas à Comissão de Ética Pública.

Art. 19. Os trabalhos nas Comissões de Ética de que tratam os in- cisos II e III do art. 2 o são considerados relevantes e têm prioridade sobre as atribuições próprias dos cargos dos seus membros, quando estes não atuarem com exclusividade na Comissão. Art. 20. Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal darão tratamento prioritário às solicitações de documentos necessários à instrução dos procedimentos de investigação instaurados pelas Comissões de Ética .

1 o Na hipótese de haver inobservância do dever funcional previsto no caput, a Comissão de Ética adotará as providências previstas no inciso III do § 5 o do art. 12. § 2 o As autoridades competentes não poderão alegar sigilo para deixar de prestar informação solicitada pelas Comissões de Ética.

§

§

§

Art. 21. A infração de natureza ética cometida por membro de Co- missão de Ética de que tratam os incisos II e III do art. 2 o será apurada pela Comissão de Ética Pública. Art. 22. A Comissão de Ética Pública manterá banco de dados de sanções aplicadas pelas Comissões de Ética de que tratam os incisos II e

III

ou entidades da administração pública federal, em casos de nomeação para cargo em comissão ou de alta relevância pública. Parágrafo único. O banco de dados referido neste artigo engloba as sanções aplicadas a qualquer dos agentes públicos mencionados no pará- grafo único do art. 11 deste Decreto. Art. 23. Os representantes das Comissões de Ética de que tratam

os incisos II e III do art. 2 o atuarão como elementos de ligação com a CEP, que disporá em Resolução própria sobre as atividades que deverão desen- volver para o cumprimento desse mister. Art. 24. As normas do Código de Conduta da Alta Administração Federal, do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal e do Código de Ética do órgão ou entidade aplicam-se,

no que couber, às autoridades e agentes públicos neles referidos, mesmo

quando em gozo de licença. Art. 25. Ficam revogados os incisos XVII, XIX, XX, XXI, XXIII e XXV do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Fede-

ral, aprovado pelo Decreto n o 1.171, de 22 de junho de 1994, os arts. 2 o e 3 o do Decreto de 26 de maio de 1999, que cria a Comissão de Ética Pública, e

os Decretos de 30 de agosto de 2000 e de 18 de maio de 2001, que dispõem

sobre a Comissão de Ética Pública. Art. 26. Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação. Brasília, 1º de fevereiro de 2007; 186 o da Independência e 119 o da

República.

do art. 2 o e de suas próprias sanções, para fins de consulta pelos órgãos

LEI Nº 8.112, DE 11 DE DEZEMBRO DE 1990 Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais.

PUBLICAÇÃO CONSOLIDADA DA LEI Nº 8.112, DE 11 DE DEZEMBRO DE 1990, DETERMINADA PELO ART. 13 DA LEI Nº 9.527, DE 10 DE DEZEMBRO DE 1997. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Título I Capítulo Único Das Disposições Preliminares Art. 1 o Esta Lei institui o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das autarquias, inclusive as em regime especial, e das fundações públicas federais. Art. 2 o Para os efeitos desta Lei, servidor é a pessoa legalmente investida em cargo público. Art. 3 o Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servi- dor.

Parágrafo único. Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasilei- ros, são criados por lei, com denominação própria e vencimento pago pelos cofres públicos, para provimento em caráter efetivo ou em comissão. Art. 4 o É proibida a prestação de serviços gratuitos, salvo os casos previstos em lei. Título II Do Provimento, Vacância, Remoção, Redistribuição e Substituição Capítulo I Do Provimento Seção I Disposições Gerais Art. 5 o São requisitos básicos para investidura em cargo público:

I - a nacionalidade brasileira;

II - o gozo dos direitos políticos;

III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais;

IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;

V - a idade mínima de dezoito anos;

VI - aptidão física e mental.

1 o As atribuições do cargo podem justificar a exigência de outros requisitos estabelecidos em lei.

2 o Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de

se inscrever em concurso público para provimento de cargo cujas atribui- ções sejam compatíveis com a deficiência de que são portadoras; para tais

§

§

Ética e Conduta Pública

20 A Opção Certa Para a Sua Realização

APOSTILAS OPÇÃO

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pessoas serão reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas

§

5 o No ato da posse, o servidor apresentará declaração de bens e

no

concurso.

valores que constituem seu patrimônio e declaração quanto ao exercício ou

 

§

3 o As universidades e instituições de pesquisa científica e tecnológi-

não de outro cargo, emprego ou função pública.

 

ca

federais poderão prover seus cargos com professores, técnicos e cientis-

§

6 o Será tornado sem efeito o ato de provimento se a posse não

tas estrangeiros, de acordo com as normas e os procedimentos desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.515, de 20.11.97)

ocorrer no prazo previsto no § 1 o deste artigo. Art. 14. A posse em cargo público dependerá de prévia inspeção médica oficial. Parágrafo único. Só poderá ser empossado aquele que for julgado apto física e mentalmente para o exercício do cargo. Art. 15. Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do cargo

Art. 6 o O provimento dos cargos públicos far-se-á mediante ato da autoridade competente de cada Poder. Art. 7 o A investidura em cargo público ocorrerá com a posse. Art. 8 o São formas de provimento de cargo público:

 

I - nomeação; II - promoção; V - readaptação;

público ou da função de confiança. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de

10.12.97)

 

§

1 o É de quinze dias o prazo para o servidor empossado em cargo

VI

- reversão;

público entrar em exercício, contados da data da posse. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

VII - aproveitamento;

VIII - reintegração;

§

2 o O servidor será exonerado do cargo ou será tornado sem efeito o

IX

- recondução.

Seção II Da Nomeação Art. 9 o A nomeação far-se-á:

ato de sua designação para função de confiança, se não entrar em exercí- cio nos prazos previstos neste artigo, observado o disposto no art. 18. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

§

3 o À autoridade competente do órgão ou entidade para onde for

I - em caráter efetivo, quando se tratar de cargo isolado de provimento efetivo ou de carreira; II - em comissão, inclusive na condição de interino, para cargos de confiança vagos. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) Parágrafo único. O servidor ocupante de cargo em comissão ou de natureza especial poderá ser nomeado para ter exercício, interinamente, em outro cargo de confiança, sem prejuízo das atribuições do que atual- mente ocupa, hipótese em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o período da interinidade.(Redação dada pela Lei nº 9.527, de

10.12.97)

nomeado ou designado o servidor compete dar-lhe exercício. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

§

4 o O início do exercício de função de confiança coincidirá com a

data de publicação do ato de designação, salvo quando o servidor estiver em licença ou afastado por qualquer outro motivo legal, hipótese em que recairá no primeiro dia útil após o término do impedimento, que não poderá exceder a trinta dias da publicação. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) Art. 16. O início, a suspensão, a interrupção e o reinício do exercício serão registrados no assentamento individual do servidor. Parágrafo único. Ao entrar em exercício, o servidor apresentará ao órgão competente os elementos necessários ao seu assentamento indivi- dual.

Art. 17. A promoção não interrompe o tempo de exercício, que é contado no novo posicionamento na carreira a partir da data de publicação do ato que promover o servidor. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de

Art. 10. A nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado de provimento efetivo depende de prévia habilitação em concurso público de provas ou de provas e títulos, obedecidos a ordem de classificação e o prazo de sua validade. Parágrafo único. Os demais requisitos para o ingresso e o desenvol- vimento do servidor na carreira, mediante promoção, serão estabelecidos pela lei que fixar as diretrizes do sistema de carreira na Administração

Pública Federal e seus regulamentos. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de

10.12.97)

 

Art. 18. O servidor que deva ter exercício em outro município em razão de ter sido removido, redistribuído, requisitado, cedido ou posto em

10.12.97)

 

exercício provisório terá, no mínimo, dez e, no máximo, trinta dias de prazo, contados da publicação do ato, para a retomada do efetivo desempenho das atribuições do cargo, incluído nesse prazo o tempo necessário para o deslocamento para a nova sede. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de

10.12.97)

Seção III Do Concurso Público Art. 11. O concurso será de provas ou de provas e títulos, podendo ser realizado em duas etapas, conforme dispuserem a lei e o regulamento

do

respectivo plano de carreira, condicionada a inscrição do candidato ao

§

1 o Na hipótese de o servidor encontrar-se em licença ou afastado

pagamento do valor fixado no edital, quando indispensável ao seu custeio,

legalmente, o prazo a que se refere este artigo será contado a partir do término do impedimento. (Parágrafo renumerado e alterado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

ressalvadas as hipóteses de isenção nele expressamente previs-

tas.(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) (Regulamento) Art. 12. O concurso público terá validade de até 2 (dois ) anos, po- dendo ser prorrogado uma única vez, por igual período.

1 o O prazo de validade do concurso e as condições de sua realiza-

e

§

 

§ 2 o

É

facultado

ao

servidor

declinar

dos

prazos

estabelecidos

no caput. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) Art. 19. Os servidores cumprirão jornada de trabalho fixada em razão das atribuições pertinentes aos respectivos cargos, respeitada a duração máxima do trabalho semanal de quarenta horas e observados os limites mínimo e máximo de seis horas e oito horas diárias, respectivamen- te. (Redação dada pela Lei nº 8.270, de 17.12.91)

ção serão fixados em edital, que será publicado no Diário Oficial da União e

em

jornal diário de grande circulação.

§

2 o Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato aprova-

do

em concurso anterior com prazo de validade não expirado.

Seção IV Da Posse e do Exercício Art. 13. A posse dar-se-á pela assinatura do respectivo termo, no qual

deverão constar as atribuições, os deveres, as responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado, que não poderão ser alterados unilate- ralmente, por qualquer das partes, ressalvados os atos de ofício previstos em lei.

§

1 o O ocupante de cargo em comissão ou função de confiança

submete-se a regime de integral dedicação ao serviço, observado o dispos- to no art. 120, podendo ser convocado sempre que houver interesse da Administração. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

2 o O disposto neste artigo não se aplica a duração de trabalho

§

estabelecida em leis especiais. (Incluído pela Lei nº 8.270, de 17.12.91)

 

§

1 o A posse ocorrerá no prazo de trinta dias contados da publicação

Art. 20. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório por período de 24 (vinte e quatro) meses, durante o qual a sua aptidão e capacidade serão objeto de avaliação para o desempenho do cargo, observados os seguinte fatores: (vide EMC nº 19) I - assiduidade; II - disciplina;

do

ato de provimento. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

§

2 o Em se tratando de servidor, que esteja na data de publicação do

ato de provimento, em licença prevista nos incisos I, III e V do art. 81, ou afastado nas hipóteses dos incisos I, IV, VI, VIII, alíneas "a", "b", "d", "e" e

"f", IX e X do art. 102, o prazo será contado do término do impedimen- to. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

 

§

3 o A posse poderá dar-se mediante procuração específica.

III

- capacidade de iniciativa;

 

4 o Só haverá posse nos casos de provimento de cargo por nomea- ção. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

§

IV

- produtividade;

 

V-

responsabilidade.

APOSTILAS OPÇÃO

A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

1 o 4 (quatro) meses antes de findo o período do estágio probatório, será submetida à homologação da autoridade competente a avaliação do desempenho do servidor, realizada por comissão constituída para essa

§

§

1 o A reversão far-se-á no mesmo cargo ou no cargo resultante de

sua transformação. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de

4.9.2001)

finalidade, de acordo com o que dispuser a lei ou o regulamento da respec- tiva carreira ou cargo, sem prejuízo da continuidade de apuração dos fatores enumerados nos incisos I a V do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.784, de 2008

§

2 o O tempo em que o servidor estiver em exercício será considerado

para concessão da aposentadoria. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

§

3 o No caso do inciso I, encontrando-se provido o cargo, o servidor

§

2 o O servidor não aprovado no estágio probatório será exonerado

exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de va- ga. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

4 o O servidor que retornar à atividade por interesse da administra-

§

ou, se estável, reconduzido ao cargo anteriormente ocupado, observado o disposto no parágrafo único do art. 29.

§

3 o O servidor em estágio probatório poderá exercer quaisquer

ção perceberá, em substituição aos proventos da aposentadoria, a remune-

cargos de provimento em comissão ou funções de direção, chefia ou as- sessoramento no órgão ou entidade de lotação, e somente poderá ser cedido a outro órgão ou entidade para ocupar cargos de Natureza Especial, cargos de provimento em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS, de níveis 6, 5 e 4, ou equivalentes. (Incluído pela Lei nº

ração do cargo que voltar a exercer, inclusive com as vantagens de nature- za pessoal que percebia anteriormente à aposentadoria. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

§

5 o O servidor de que trata o inciso II somente terá os proventos

calculados com base nas regras atuais se permanecer pelo menos cinco

9.527, de 10.12.97)

anos no cargo.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

§

4 o Ao servidor em estágio probatório somente poderão ser concedi-

§ 6 o

O

Poder

Executivo

regulamentará

o

disposto

neste

arti-

das as licenças e os afastamentos previstos nos arts. 81, incisos I a IV, 94, 95 e 96, bem assim afastamento para participar de curso de formação

go. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001) Art. 27. Não poderá reverter o aposentado que já tiver completado 70 (setenta) anos de idade. Seção IX Da Reintegração Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo resultante de sua transformação,

quando invalidada a sua demissão por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.

decorrente de aprovação em concurso para outro cargo na Administração Pública Federal. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

§

5 o O estágio probatório ficará suspenso durante as licenças e os

afastamentos previstos nos arts. 83, 84, § 1 o , 86 e 96, bem assim na hipó- tese de participação em curso de formação, e será retomado a partir do término do impedimento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) Seção V Da Estabilidade Art. 21. O servidor habilitado em concurso público e empossado em cargo de provimento efetivo adquirirá estabilidade no serviço público ao completar 2 (dois) anos de efetivo exercício. (prazo 3 anos - vide EMC nº

19)

1 o Na hipótese de o cargo ter sido extinto, o servidor ficará em disponibilidade, observado o disposto nos arts. 30 e 31.

§

§

2 o Encontrando-se provido o cargo, o seu eventual ocupante será

reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização ou aproveitado em outro cargo, ou, ainda, posto em disponibilidade. Seção X Da Recondução Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo anteri- ormente ocupado e decorrerá de:

I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo;

Art. 22. O servidor estável só perderá o cargo em virtude de sentença judicial transitada em julgado ou de processo administrativo disciplinar no qual lhe seja assegurada ampla defesa. Seção VI Da Transferência Seção VII Da Readaptação Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribui- ções e responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em inspeção médica.

II - reintegração do anterior ocupante.

Parágrafo único. Encontrando-se provido o cargo de origem, o servi- dor será aproveitado em outro, observado o disposto no art. 30. Seção XI Da Disponibilidade e do Aproveitamento Art. 30. O retorno à atividade de servidor em disponibilidade far-se-á mediante aproveitamento obrigatório em cargo de atribuições e vencimen- tos compatíveis com o anteriormente ocupado. Art. 31. O órgão Central do Sistema de Pessoal Civil determinará o imediato aproveitamento de servidor em disponibilidade em vaga que vier a ocorrer nos órgãos ou entidades da Administração Pública Federal. Parágrafo único. Na hipótese prevista no § 3 o do art. 37, o servidor posto em disponibilidade poderá ser mantido sob responsabilidade do órgão central do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal - SIPEC, até o seu adequado aproveitamento em outro órgão ou entida- de. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) Art. 32. Será tornado sem efeito o aproveitamento e cassada a dispo-

nibilidade se o servidor não entrar em exercício no prazo legal, salvo doen- ça comprovada por junta médica oficial. Capítulo II Da Vacância Art. 33. A vacância do cargo público decorrerá de:

1 o Se julgado incapaz para o serviço público, o readaptando será aposentado.

§

§

2 o A readaptação será efetivada em cargo de atribuições afins,

respeitada a habilitação exigida, nível de escolaridade e equivalência de vencimentos e, na hipótese de inexistência de cargo vago, o servidor exer- cerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de vaga.(Redação

dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) Seção VIII Da Reversão

(Regulamento Dec. nº 3.644, de 30.11.2000) Art. 25. Reversão é o retorno à atividade de servidor aposenta- do: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

I - por invalidez, quando junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da aposentadoria; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001) II - no interesse da administração, desde que: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

I

- exoneração;

 

a)

tenha solicitado a reversão; (Incluído pela Medida Provisória nº

II

- demissão;

2.225-45, de 4.9.2001)

III

- promoção;

b)

a aposentadoria tenha sido voluntária; (Incluído pela Medida Provi-

VI

- readaptação;

sória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

VII - aposentadoria;

c)

estável quando na atividade; (Incluído pela Medida Provisória nº

VIII - posse em outro cargo inacumulável;

 

2.225-45, de 4.9.2001)

IX

- falecimento.

 

d)

a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à solicita-

Art. 34. A exoneração de cargo efetivo dar-se-á a pedido do servidor, ou de ofício. Parágrafo único. A exoneração de ofício dar-se-á:

ção; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

e)

haja cargo vago. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.225-45, de

4.9.2001)

I

- quando não satisfeitas as condições do estágio probatório;

 

- quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no prazo estabelecido.

II

APOSTILAS OPÇÃO

A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

Art. 35. A exoneração de cargo em comissão e a dispensa de função

 

§

1 o O substituto assumirá automática e cumulativamente, sem prejuí-

de confiança dar-se-á: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

 

zo

do cargo que ocupa, o exercício do cargo ou função de direção ou chefia

I - a juízo da autoridade competente;

 

e

os de Natureza Especial, nos afastamentos, impedimentos legais ou

II - a pedido do próprio servidor.

Capítulo III Da Remoção e da Redistribuição Seção I Da Remoção Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede. Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo, entende-se por

regulamentares do titular e na vacância do cargo, hipóteses em que deverá optar pela remuneração de um deles durante o respectivo perío- do. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

 

§

2 o O substituto fará jus à retribuição pelo exercício do cargo ou

função de direção ou chefia ou de cargo de Natureza Especial, nos casos dos afastamentos ou impedimentos legais do titular, superiores a trinta dias consecutivos, paga na proporção dos dias de efetiva substituição, que excederem o referido período. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de

modalidades de remoção: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

 

10.12.97)

 

- de ofício, no interesse da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

I

Art. 39. O disposto no artigo anterior aplica-se aos titulares de unida- des administrativas organizadas em nível de assessoria. Título III Dos Direitos e Vantagens Capítulo I Do Vencimento e da Remuneração Art. 40. Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público, com valor fixado em lei.

II

- a pedido, a critério da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de

10.12.97)

III

- a pedido, para outra localidade, independentemente do interesse

da Administração: (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

 

a)

para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor públi-

co civil ou militar, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do

Distrito Federal e dos Municípios, que foi deslocado no interesse da Admi- nistração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

(Revogado pela Lei nº 11.784, de 2008)

Art. 41. Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei.

b)

por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou depen-

dente que viva às suas expensas e conste do seu assentamento funcional,

 

§

1 o A remuneração do servidor investido em função ou cargo em

condicionada à comprovação por junta médica oficial; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

comissão será paga na forma prevista no art. 62.

 
 

§

2 o O servidor investido em cargo em comissão de órgão ou entidade

em virtude de processo seletivo promovido, na hipótese em que o

número de interessados for superior ao número de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou entidade em que aqueles estejam lotados.(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) Seção II Da Redistribuição Art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, ocupado ou vago no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder, com prévia apreciação do órgão central do SIPEC, observados os seguintes preceitos: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

c)

diversa da de sua lotação receberá a remuneração de acordo com o esta- belecido no § 1 o do art. 93.

 

§

3 o O vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens de

caráter permanente, é irredutível.

 
 

§

4 o É assegurada a isonomia de vencimentos para cargos de atribui-

ções iguais ou assemelhadas do mesmo Poder, ou entre servidores dos

três Poderes, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as relativas

à

natureza ou ao local de trabalho.

 

5 o Nenhum servidor receberá remuneração inferior ao salário míni- mo. (Incluído pela Lei nº 11.784, de 2008

§

I - interesse da administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

 

Art. 42. Nenhum servidor poderá perceber, mensalmente, a título de

II - equivalência

de

vencimentos; (Incluído

pela

Lei

9.527,

de

remuneração, importância superior à soma dos valores percebidos como remuneração, em espécie, a qualquer título, no âmbito dos respectivos Poderes, pelos Ministros de Estado, por membros do Congresso Nacional e Ministros do Supremo Tribunal Federal. Parágrafo único. Excluem-se do teto de remuneração as vantagens previstas nos incisos II a VII do art. 61. Art. 44. O servidor perderá:

10.12.97)

III

- manutenção da essência das atribuições do cargo; (Incluído pela

Lei nº 9.527, de 10.12.97)

IV

- vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade

das atividades; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

 

V

- mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação profis-

sional; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

 

I - a remuneração do dia em que faltar ao serviço, sem motivo justifi- cado; (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) II - a parcela de remuneração diária, proporcional aos atrasos, ausên- cias justificadas, ressalvadas as concessões de que trata o art. 97, e saídas antecipadas, salvo na hipótese de compensação de horário, até o mês subseqüente ao da ocorrência, a ser estabelecida pela chefia imedia- ta. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) Parágrafo único. As faltas justificadas decorrentes de caso fortuito ou de força maior poderão ser compensadas a critério da chefia imediata, sendo assim consideradas como efetivo exercício. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) Art. 45. Salvo por imposição legal, ou mandado judicial, nenhum desconto incidirá sobre a remuneração ou provento. (Vide Decreto nº

VI

- compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades

institucionais do órgão ou entidade. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

§

1 o A redistribuição ocorrerá ex officio para ajustamento de lotação e da força de trabalho às necessidades dos serviços, inclusive nos casos de reorganização, extinção ou criação de órgão ou entidade. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

2 o A redistribuição de cargos efetivos vagos se dará mediante ato conjunto entre o órgão central do SIPEC e os órgãos e entidades da Admi- nistração Pública Federal envolvidos. (Incluído pela Lei nº 9.527, de

§

10.12.97)

3 o Nos casos de reorganização ou extinção de órgão ou entidade,

extinto o cargo ou declarada sua desnecessidade no órgão ou entidade, o servidor estável que não for redistribuído será colocado em disponibilidade,

§

1.502, de 1995) 2.065, de 1996)

(Vide Decreto nº 1.903, de 1996)

(Vide Decreto nº

até seu aproveitamento na forma dos arts. 30 e 31. (Parágrafo renumerado e alterado pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

4 o O servidor que não for redistribuído ou colocado em disponibili-

§

(Regulamento)

(Regulamento)

Parágrafo único. Mediante autorização do servidor, poderá haver consignação em folha de pagamento a favor de terceiros, a critério da administração e com reposição de custos, na forma definida em regulamen- to.

dade poderá ser mantido sob responsabilidade do órgão central do SIPEC, e ter exercício provisório, em outro órgão ou entidade, até seu adequado

aproveitamento. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) Capítulo IV Da Substituição Art. 38. Os servidores investidos em cargo ou função de direção ou chefia e os ocupantes de cargo de Natureza Especial terão substitutos indicados no regimento interno ou, no caso de omissão, previamente de- signados pelo dirigente máximo do órgão ou entidade. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

Art. 46. As reposições e indenizações ao erário, atualizadas até 30 de junho de 1994, serão previamente comunicadas ao servidor ativo, aposen- tado ou ao pensionista, para pagamento, no prazo máximo de trinta dias, podendo ser parceladas, a pedido do interessado. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

 

§

1 o O valor de cada parcela não poderá ser inferior ao corresponden-

te

a dez por cento da remuneração, provento ou pensão. (Redação dada

pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001)

 

APOSTILAS OPÇÃO

A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

2 o Quando o pagamento indevido houver ocorrido no mês anterior

ao do processamento da folha, a reposição será feita imediatamente, em uma única parcela.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.225-45, de

4.9.2001)

3 o Na hipótese de valores recebidos em decorrência de cumprimen- to a decisão liminar, a tutela antecipada ou a sentença que venha a ser revogada ou rescindida, serão eles atualizados até a data da reposi- ção. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001) Art. 47. O servidor em débito com o erário, que for demitido, exonera- do ou que tiver sua aposentadoria ou disponibilidade cassada, terá o prazo de sessenta dias para quitar o débito. (Redação dada pela Medida Provisó- ria nº 2.225-45, de 4.9.2001) Parágrafo único. A não quitação do débito no prazo previsto implicará sua inscrição em dívida ativa. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.225-45, de 4.9.2001) Art. 48. O vencimento, a remuneração e o provento não serão objeto de arresto, seqüestro ou penhora, exceto nos casos de prestação de ali- mentos resultante de decisão judicial. Capítulo II Das Vantagens Art. 49. Além do vencimento, poderão ser pagas ao servidor as se- guintes vantagens:

§

§

I - indenizações;

II - gratificações;

III - adicionais.

§ 1 o As indenizações não se incorporam ao vencimento ou provento

para qualquer efeito.

2 o As gratificações e os adicionais incorporam-se ao vencimento ou provento, nos casos e condições indicados em lei.

Art. 50. As vantagens pecuniárias não serão computadas, nem acu- muladas, para efeito de concessão de quaisquer outros acréscimos pecuni- ários ulteriores, sob o mesmo título ou idêntico fundamento. Seção I Das Indenizações Art. 51. Constituem indenizações ao servidor:

§

I - ajuda de custo;

II - diárias;

III - transporte.

IV - auxílio-moradia.(Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)

Art. 52. Os valores das indenizações estabelecidas nos incisos I a III do art. 51, assim como as condições para a sua concessão, serão estabe- lecidos em regulamento. (Redação dada pela Lei nº 11.355, de 2006) Subseção I Da Ajuda de Custo Art. 53. A ajuda de custo destina-se a compensar as despesas de

instalação do servidor que, no interesse do serviço, passar a ter exercício em nova sede, com mudança de domicílio em caráter permanente, vedado o duplo pagamento de indenização, a qualquer tempo, no caso de o cônju- ge ou companheiro que detenha também a condição de servidor, vier a ter exercício na mesma sede. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

1 o Correm por conta da administração as despesas de transporte do

servidor e de sua família, compreendendo passagem, bagagem e bens pessoais.

2 o À família do servidor que falecer na nova sede são assegurados

ajuda de custo e transporte para a localidade de origem, dentro do prazo de 1 (um) ano, contado do óbito.

3 o Não será concedida ajuda de custo nas hipóteses de remoção

(Incluído pela

Medida provisória nº 632, de 2013) Art. 54. A ajuda de custo é calculada sobre a remuneração do servi- dor, conforme se dispuser em regulamento, não podendo exceder a impor- tância correspondente a 3 (três) meses. Art. 55. Não será concedida ajuda de custo ao servidor que se afastar do cargo, ou reassumi-lo, em virtude de mandato eletivo. Art. 56. Será concedida ajuda de custo àquele que, não sendo servi- dor da União, for nomeado para cargo em comissão, com mudança de domicílio. Parágrafo único. No afastamento previsto no inciso I do art. 93, a ajuda de custo será paga pelo órgão cessionário, quando cabível. Art. 57. O servidor ficará obrigado a restituir a ajuda de custo quando, injustificadamente, não se apresentar na nova sede no prazo de 30 (trin- ta) dias.

previstas nos incisos II e III do parágrafo único do art. 36.

§

§

§

Subseção II Das Diárias Art. 58. O servidor que, a serviço, afastar-se da sede em caráter

eventual ou transitório para outro ponto do território nacional ou para o exterior, fará jus a passagens e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas extraordinária com pousada, alimentação e locomoção urba- na, conforme dispuser em regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

1 o A diária será concedida por dia de afastamento, sendo devida

pela metade quando o deslocamento não exigir pernoite fora da sede, ou quando a União custear, por meio diverso, as despesas extraordinárias cobertas por diárias.(Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)

2 o Nos casos em que o deslocamento da sede constituir exigência

permanente do cargo, o servidor não fará jus a diárias.

3 o Também não fará jus a diárias o servidor que se deslocar dentro

da mesma região metropolitana, aglomeração urbana ou microrregião, constituídas por municípios limítrofes e regularmente instituídas, ou em áreas de controle integrado mantidas com países limítrofes, cuja jurisdição e competência dos órgãos, entidades e servidores brasileiros considera-se estendida, salvo se houver pernoite fora da sede, hipóteses em que as

diárias pagas serão sempre as fixadas para os afastamentos dentro do território nacional. (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) Art. 59. O servidor que receber diárias e não se afastar da sede, por qualquer motivo, fica obrigado a restituí-las integralmente, no prazo de 5 (cinco) dias. Parágrafo único. Na hipótese de o servidor retornar à sede em prazo menor do que o previsto para o seu afastamento, restituirá as diárias rece- bidas em excesso, no prazo previsto no caput. Subseção III Da Indenização de Transporte Art. 60. Conceder-se-á indenização de transporte ao servidor que realizar despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos, por força das atribuições próprias do cargo, conforme se dispuser em regulamento. Subseção IV Subseção IV Do Auxílio-Moradia (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006) Art. 60-A. O auxílio-moradia consiste no ressarcimento das despesas comprovadamente realizadas pelo servidor com aluguel de moradia ou com meio de hospedagem administrado por empresa hoteleira, no prazo de um mês após a comprovação da despesa pelo servidor. (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006) Art. 60-B. Conceder-se-á auxílio-moradia ao servidor se atendidos os seguintes requisitos: (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)

servi-

dor; (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)

II - o cônjuge ou companheiro do servidor não ocupe imóvel funcio- nal; (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)

III - o servidor ou seu cônjuge ou companheiro não seja ou tenha sido

proprietário, promitente comprador, cessionário ou promitente cessionário de imóvel no Município aonde for exercer o cargo, incluída a hipótese de lote edificado sem averbação de construção, nos doze meses que antece- derem a sua nomeação; (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)

IV - nenhuma outra pessoa que resida com o servidor receba auxílio-

moradia; (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)

V - o servidor tenha se mudado do local de residência para ocupar

cargo em comissão ou função de confiança do Grupo-Direção e Assesso- ramento Superiores - DAS, níveis 4, 5 e 6, de Natureza Especial, de Minis- tro de Estado ou equivalentes; (Incluído pela Lei nº 11.355, de 2006)

VI - o Município no qual assuma o cargo em comissão ou função de

confiança não se enquadre nas hipóteses do art. 58, § 3 o , em relação ao

local de residência ou domicílio do servidor; (Incluído pela Lei nº 11.355, de