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Tendo em vista as muitas manifestações de grupos ditos evangelicais e cristãos, sobre como adorar e
Tendo em vista as muitas manifestações
de grupos ditos evangelicais e cristãos,
sobre como adorar e como o culto
verdadeiro deve ser; acha-se necessária
esta pequena resenha para nos
rememorar o Culto que agrada a Deus
(Rom. 12:1)
Adoração,
Culto E
Liturgia.
Uma Abordagem Sucinta E
Bíblica Sobre A Maneira
Certa De Adorar A Deus
Pr. Paulo Araujo

Culto, Adoração e Liturgia.

E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que me mostrava para adorá-lo. E disse-me: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro.

Adora a Deus”. (Apocalipse 22:8-9)

  • I. Termos gregos importantes

    • a. Gónu = Joelho ou Gonuptéo prostrar-se = Ajoelhar-se (oração Luc. 22.41; pedidos Mat. 17.14; saudações Mar. 10.17; homenagem Mat. 27.29).

    • b. Proskunein = ideia básica de prostração, ainda que alguns tendam a ligar esta palavra ao beijo por conta do gesto de beijar o chão em ato de adoração, porém a ideia mais forte é a de adoração.

    • c. Latréia = tem a ideia mais central em serviço, fazendo todo o sentido para o culto de adoração a Adonay, pois os judeus assim chamam o ofício de adoração, um serviço que deve ser bem prestado e para isso usam a palavra avodáh.

    • d. Leitourgia = sua raiz mais primitiva tem a ver com o serviço que os ricos prestavam em favor da cidade ou comunidade, o termo passou por diversas áreas da sociedade até que em termos de ritualística passou a designar o serviço que fiéis prestavam aos seus deuses. Por fim, hoje requer este termo à forma do culto e como este é prestado. De certo é que o termo é muito usado no N.T. como uma indicação ao serviço de ofertório dos irmãos em prol uns dos outros Atos 13.2; Rom. 15.27; Heb. 10.11; Luc. 1.23; IICor. 9.12; Fil. 2.17,30; Heb. 8.6; 9.21. Em Heb. 8.2, é usado para Cristo no santuário e seu uso alí tem a idéia de Servidor do Estado ou aquele que presta serviço ao Povo.

    • e. Homologia = “dizer uma mesma coisa” – este verbete é composto de “Homo” = UM e “Logia” = LOGOS = Palavra. Pode ser compreendida como um acordo de cessação em uma discussão. Esta palavra toma um contexto emprestado e diferente no âmbito religioso e passa a ser conhecida como ato de fazer confissão para se aplacar a ira da divindade sobre a vida do pecador, ou seja, confissão em acordo para se acalmar a desavença entre o pecador e o divino. Depois vai ter sua ideia mais uma vez alterada para a confissão em reconhecimento dos atos poderosos de Deus conforme a LXX.

II.

Adoração no Antigo Testamento

  • a. Princípios básicos = o Básico a se ter em mente na adoração com tudo o que foi emitido acime é que as reações humanas estão envolvidas na adoração, porém que o carro chefe desta não são nossas aspirações e nem nossas potencialidades, o “quê” da adoração está em seu objeto, ou seja, em Deus! Ele é a fonte e também o escoadouro para onde vão todas as indicações de louvor honras e glórias, a saber, a adoração é direcionada ao mesmo. Maneiras ou reações à Adoração pensemos de forma objetiva, se Deus é tanto a fonte (o que nos enche para adorarmos) quanto o objeto da Adoração, esta deve seguir, sem reservas, o

molde dado pelo mesmo em seu manual A Bíblia nas palavras de Moisés - porque não sabemos com que havemos de servir ao Senhor” (Êxo. 10.26).

  • b. Adoração doméstica

i.

Introdução Abraão, Isaque e Jacó ícones da adoração no lar.

ii.

Louvor e oração sempre houve no culto, esses dois elementos. No que tudo indica na época patriarcal (Gen. 12 e afins), estes eram os elementos básicos do culto ao Eterno.

iii.

Sacrifícios estes eram sempre muito pessoais, nem sempre padronizadas, Abraão ofertava seus animais, Jacó derramou azeite em uma rocha, mesmo quando Israel se tornou nação os Judeus podiam dar conforme o que tinham em casa (Lev. 14.21).

iv.

Instrução esta sempre foi parte da vida do povo advindo das coxas de Abraão, nunca se viu um povo tão ligado em conhecer o seu Deus enquanto no seu culto quanto os hebreus de Abraão – Gen. 12.5 “as Almas”, ou seja os instruídos no monoteísmo; Deu. 6.4-7.

  • c. Adoração pública

i.

O tabernáculo a adoração coletiva começa com a profissão de fé feita na Páscoa, celebrada no Egito e se estende ao deserto quando o Tabernáculo foi erigido neste ambiente. No tocante a adoração pública, temos as festividades religiosas (páscoa, pentecostes e tabernáculos), os sacrifícios (no mínimo cinco: Holocausto, Lev. 1; Manjares, Lev. 2; Pacífica Lev. 3; Pelo Pecado Lev. 4 e 5; Pela Culpa Lev. 5 e 6), o shabat estes eram os pontos principais da adoração no tabernáculo que legou a sua forma de serviço ao templo.

ii.

O templo de Jerusalém após caminharem no deserto Deus deu descanso aos filhos de Israel na terra que havia prometido aos seus pais, a partir deste período se tornou necessário para a organização da nação que a adoração tivesse um local fixo. Primeiramente os filhos de Israel adoravam coletivamente em Shiló, local onde Eli serviu como Sacerdote Mor e também como tutor a Samuel o profeta. Após o reinado de David, Salomão seu filho é ordenado construir uma casa para Habitação da Shechiná do Eterno. Esta obra foi magnifica, mas o real propósito era de dar aos judeus um local para poderem fixamente dar continuidade a sua adoração pública. Com este advento o culto se revestiu de uma liturgia mais elaborada e, por conseguinte salmos, hinos e corais foram colocados para o serviço ao invés apenas do Chazan, mestre ou condutor da cerimonia.

iii.

A sinagoga com a destruição dos Templos (primeiro e segundo), também por conta da dispersão, as casas de estudo; que outrora eram apenas lugares para estar estudando a Torah e fazendo as orações devidas da vida cotidiana; estas por outro lado ganharam o status de mini templos, com cerimoniais elaborados e com caráter de santidade que era devido só ao Templo feito por Salomão. Esdras o escriba elabora e compila as primeiras bênçãos e rezas pós-exílio, que iriam ser base para o Farisaísmo do tempo de Jesus, também a base do Rabinato do Judaísmo Moderno. Estas sinagogas teriam o caráter de unir o povo judeu de

determinadas cidades da diáspora para o que chamamos de kehilah = congregação; palavra que na septuaginta vai ser traduzida pelo vocábulo ekklesia = igreja.

  • d. Adoração individual Nada no judaísmo excluiu a adoração pessoal, do contrário ainda mais forte hoje do que em qualquer outra época o culto judaico é obrigatório em forma pessoal, depois familiar e só depois pública. Entende-se que o Eterno primeiro tem um encontro pessoal com o homem depois este homem apresenta o Eterno a sua Família, que o auxiliará a apresentar este Eterno ao seu povo e depois ao mundo inteiro.

  • e. Idolatria

i.

Introdução palavra que vem de ídolo e latréia querendo nos dar a idéia do que é idolatria, ou seja, serviço a um ídolo (1João 5.21).

ii.

Cultos Cananeus os cananeus de quem os judeus despojaram a terra para onde foram enviados por HaShem já tinham sua estrutura de ídolos pronta, isso facilitou muito para que os judeus, supostamente nômades, sem uma história de reis e heróis, decaíssem do Culto ao Eterno para o Culto aos falsos heróis e deuses. Dai sim, então, advém um quadro terrível de idolatria entre os mesmos e consequentemente os terríveis cativeiros sobre o povo.

iii.

Influências estrangeiras 1Reis 11.1-8; 1Reis 16.32; 2Reis 8.18; 2Reis

16.10

...

;

2Reis 21.3; Eze. 8.7

...

;

Jer. 44.

  • f. O testemunho dos profetas

 

i.

O lugar dos profetas estes eram os detentores da verdadeira prática teológica no tocante a vida e a adoração ao Eterno. Eram os conclamadores do retorno ao verdadeiro caminho da vida.

ii.

Idolatria sem exceção os profetas vinham e arvoravam bandeira contra o inimigo principal dos judeus na terra de Canaã, a saber, a idolatria.

iii.

Formalismo os mesmos profetas já estavam armados, também, contra o clube social que o templo virara 1Sam. 15.22.

iv.

Adoração verdadeira não podemos cair na ignorância de acreditar que os profetas por estarem contra o formalismo estes estavam contra a liturgia do culto Levítico. Jamais podemos pensar tal coisa, pois os profetas advogavam um retorno na verdade as práticas Bíblicas de adoração, porém com fervor e alegria de alma, portanto precisamos tomar cuidado com o exagero da espontaneidade em nossos próprios cultos - Det. 28.47.

III.

Adoração no Novo Testamento

  • a. Formas de Adoração

i.

Nos evangelhos no tempo de Cristo na terra, este se utilizou do templo em voga para ensinar e participar das festas, cumprindo assim todas as normas dadas pelo Pai. Quando o mesmo Cristo criticava, porém, a adoração feita no templo, não o fazia por desaceitar o ritual, mas sim por ver no coração daqueles que alí estavam uma falsa adoração, ou seja, confiavam mais no ritual do que no mover espiritual que deveria envolver aquele ambiente.

ii.

No livro de Atos e nas epistolas é em atos que temos já uma radical mudança, os da seita do caminho (Atos 24.14), agora já não estão tendo espaço no templo e muito menos nas sinagogas, portanto agora o culto, ainda em moldes Judaicos, está sendo feito e oferecido nas casas dos fiéis com o adendo da Ceia (Col. 4.15; Fil. 1.2).

  • b. Elementos componentes da Adoração

i.

Oração não é necessário dizer que a oração sempre foi uma realidade no culto desde o Jardim-do-Éden até os nossos dias. Adão falava com

Deus, Enoque andou com Deus por 300 anos; isso implica que falava com Deus também. Por fim a própria “Casa de Deus”, era chamada “Casa De Oração” para todos os povos (Isa. 56.7; 2Crô. 7.15).

ii.

Louvor o básico do louvor é que antes ele foi uma oração! O livro dos Salmos no hebraico tem o seu tema como Tehilim, esta palavra é muito próxima da palavra Tefilin, que tem por raiz a palavra Tefilah, que é a palavra hebraica para oração. Portanto, no fim, oração e louvor comungam de uma mesma raiz, ou seja, se louvamos sem ter em mente que este louvor precisa ser cantado como oração ou orado como uma canção; então não cumprimos o propósito do louvor em si.

iii.

Confissão de pecado o texto de Romanos 3.23 nunca foi tão real quanto em nossos dias, e é nessa certeza que deve ser movido o nosso motivo principal de adoração e culto a Deus, a saber, “somos pecadores”. Na presença de Deus nossa miserável condição aparece e a gloriosa majestade de Deus Refulge nos cegando para as nossas qualidades, se é que temos alguma verdadeira qualidade (Gên. 6.5).

iv.

Confissão de Fé (batismo) é no batismo que expressamos nossa certeza em Cristo. Muitas são as tipologias envoltas no Batismo (Col. 2.12; 1Ped. 3.21; 1Cor. 10.1-4). E há de se entender que o relacionamento batismal da igreja é muito diferente do relacionamento batismal dos judeus, para o judaísmo o batismo tem a premissa de dar nova oportunidade, limpar a alma em cada pecado grave ou momento de impureza. A igreja não compreende assim, pois conforme o fundamento lançado pelos apóstolos o batismo na igreja é um apenas e não mais.

(Efé.4.5).

v.

Leitura da Bíblia com um culto tipicamente judaico com algumas inserções das orientações dos Discípulos e mais ainda dos Apóstolos, a igreja primitiva não precisava comentar através de seus escritos sobre a

leitura da palavra de Deus nos momentos do culto. Na verdade o que fica registrado é o pedido do apóstolo Paulo em que leiam suas cartas publicamente (1Tes. 5.27). Porém, quanto aos textos Sacros; estes já eram lidos e comentados em cada reunião (Atos 6.4; 12.24; 13.44).

vi.

Pregação o ministério sempre foi exigente com o conhecimento da Bíblia, pois no culto é que as informações sobre a promessa, vinda, morte, ressurreição e o breve retorno do Messias são ensinadas; cabe, portanto ao ministro conhecer a Palavra de Deus, pois o culto é racional justamente para se aprender nele (2Tim 2.15)!

vii.

Ceia do Senhor por serem as comunidades cristãs pequenas havia o costume de em quase toda reunião se celebrar, no interior do culto, a Ceia Do Senhor, após dispersões mil e também por motivo de crescimento do Evangelho, passou-se a estipular um dia especifico para a Ceia.

viii.

Coletas? sim, coletas. O Novo Testamento é categórico nas palavras de Paulo aos crentes em Corinto, para que estes ajuntassem as coletas nas reuniões para que ele as pudesse tê-las já de antemão para levar em auxilio aos irmãos.

ix.

Cultos ocasionais? não há no Novo Testamento nenhuma menção de cultos ocasionais (por festas, feriados, culto jovem, etc.), mas com o equilíbrio que nos é peculiar entendemos que podemos sim ter um culto ocasional dentro de moldes bíblicos e que não firam a sacralidade do templo Atos 13.2, separação de Paulo; Atos 10.44-48, culto na casa do centurião.

  • c. A essência da Adoração

    • i. Cristo no Novo Testamento, assim como no Judaísmo clássico, o Messias não é apenas o ‘grande profeta’ prometido na Torá, nem é apenas o ‘enviado’ de Adonay, nem simplesmente o “Filho de Elohim”. Na posição que assumiu de REPRESENTANTE do ETERNO (esta é a função do Mashiach no Judaísmo), ele é Adonay perante nós homens (Is 7:14). Sua missão (do Messias) é representar o Eterno plenamente à nós (Cl 2:9). Vejam como os profetas de ISRAEL tratam o Mashiach: “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será chamado Adonay Justiça Nossa”(Jr 23:6). Então aí estamos com o Apostolo Paulo que nos fala que a Glória dele é na Cruz de Cristo e que a Ele seja honra Glória e poder.

IV.

ii.

O Espirito Santo nossa adoração está hoje em um ato de maior perfeição, não só porque adoramos em espírito, mas porque adoramos No Espírito Rom. 8.26 ...

LITURGIA DO CULTO CRISTÃO NAS IGREJAS PENTECOSTAIS

Nas igrejas pentecostais o culto cristão, nas suas variadas formas, dependendo da finalidade do mesmo (oração, doutrina, ação de graças, Santa Ceia, Ordenação de Obreiros, etc.), a principal característica é a livre manifestação dos dons espirituais e das expressões espontâneas da comunidade, nos moldes Bíblicos.

  • a. Basicamente, as reuniões acontecem da seguinte forma:

i.

Abertura com uma oração realizada pelo dirigente do culto, ou por alguém por ele delegado;

ii.

Cântico de hinos do hinário oficial (Harpa Cristã);

iii.

Cânticos de hinos por grupos, conjuntos musicais, corais e solistas (se necessário);

iv.

Leitura Bíblica, feita com a congregação em pé, seguida de oração;

v.

Recolhimento dos dízimos e das ofertas, geralmente acompanhado por

vi.

um cântico; Pregação ou ensino da Palavra, costumeiramente seguido de apelo;

vii.

Agradecimentos e avisos gerais;

viii.

Oração final;

ix.

Bênção apostólica;

Os elementos acima nem sempre seguem a sequência descrita, podendo ter diversas variações dependendo da denominação e da região onde o culto é celebrado. Não há uniformidade rígida na liturgia pentecostal.

  • b. MODISMOS LITÚRGICOS INTRODUZIDOS NO CULTO CRISTÃO PENTECOSTAL

A negligência para com o ensino teológico promoveu alguns males nas igrejas pentecostais, dentre as quais as Assembleias de Deus, onde a vulnerabilidade para modismos doutrinários, teológicos e litúrgicos é notória. Observemos uma breve lista que envolve algumas inovações (ou imitações do movimento neopentecostal):

i.

Cultos de “milagres” (inclusive nos círculos de oração) com nomes ou

desafios específicos (As fogueiras santas, As voltas em Jericó, A travessia

do Mar Vermelho, Os mergulhos no Rio Jordão, etc.);

ii.

Os cultos semanais da vitória, da conquista, do milagre, da restituição, etc. (mera imitação do que acontece na Igreja Universal do Reino de Deus e em outras semelhantes);

iii.

As determinações e decretos nas orações públicas (teologia e liturgia triunfalista);

iv.

O modismo do "eu profetizo" e do “eu determino” dos pregadores e nas

pregações;

v.

A vergonhosa barganha dos dízimos e ofertas, fundamentada na teologia de alguns tele-evangelistas que difundem a distorcida teologia da prosperidade e da vitória financeira com as suas semeaduras descabidas, com o cínico propósito de manter status e impérios pessoais em nome da pregação do Evangelho.

vi.

Manifestações esporádicas de dons espirituais (tais como profecias, visões, revelações, etc.), tidas como obrigatórias para a liturgia cultual;

Conclusão nas Palavras do Rev. John M. Frame

Há (temos que admitir), uma tradição na ética reformada em que as decisões cotidianas do fiel são governadas por algo como O Princípio Reformado nº2.

Quando vou ao armazém comprar couve, não há ordem bíblica alguma me dizendo qual couve comprar. Segundo a tradição há pouco mencionada, o fato relevante na situação é que as Escrituras não me proíbem comprar qualquer couve de que eu goste. Então eu posso comprar uma em particular porque “tudo o que não está proibido é permitido”, PR2. Ouvi esse tipo de argumento feito mesmo no tocante a questões sérias como aborto:

as Escrituras não o proíbem, destarte, é parte da adiaphora, moralmente indiferente. Estamos livres para fazê-lo ou não fazê-lo. Entretanto, acredito que tal tradição labora em sério erro. Julgo eu que aplicá-la ao aborto é quase uma reductio ad absurdum.

Penso ser evidente que, apesar de não haver nenhuma proibição específica do aborto na Bíblia, semelhante proibição pode ser deduzida por boa e necessária consequência dos princípios mais amplos da Escritura com respeito à vida humana. Tal consideração em si própria, naturalmente, refuta a ideia de que o aborto seja adiaphoron, mas isso não refuta a aplicação da teoria em questão a outras matérias, tal como comprar couve.

Porém, a reflexão sobre o aborto traz à nossa atenção a necessidade de considerar, em

toda decisão humana, “princípios escriturísticos mais amplos”. E seguramente precisamos considerá-los em todo tempo, mesmo quando compramos couve. Comprar couve é realmente adiaphoron, moralmente indiferente? Eu diria que não. Comprar couve, como todas as ações humanas, é matéria de preocupação para Deus. Ele diz, “quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1Cor. 10.31). Essa ordem, como aqueles em Rom. 14.23, Col. 3.17, 24 e alhures, é absolutamente genérica. Ela cobre todas as atividades humanas, inclusive comprar couve. Se compramos couve para a glória de Deus, ele fica agradado; caso contrário, ele não fica.

O ato não é moralmente indiferente ou neutro; ele é ou bom ou mau, dependendo de sua meta e motivo. Portanto, em um sentido importante, não há nenhuma adiaphora; não há nenhum ato humano que seja moralmente neutro. Nisto empregamos não só nossas decisões de vida e moral, mas também nosso culto, que é a manifestação do nosso respeito, amor, e temor ao Deus dos céus. Portanto quer cultueis “quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus”!

Pr. Paulo Araújo.