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TWKliek apresenta: Lisa Marie Rice No Meio dodododo Fogo Cruzado No Meio No No Meio Meio

Lisa Marie Rice

No Meio dodododo Fogo Cruzado

No Meio

No

No Meio

Meio

Fogo Cruzado

Cruzado

Fogo Cruzado

Fogo

Série Protectors 01

Numa história cheia de perigos e quentes cenas de amor, Rice traz a seus leitores um conto de fadas moderno, com personagens complexos e intensos. Quando o ex-SEAL Sam Reston coloca os olhos em Nicole Pearce, é desejo à primeira vista, mas quanto mais ele a conhece mais ela o intriga. Teimosa e orgulhosa, a ex-tradutora da ONU dispõe de todo seu tempo cuidando de seu pai, muito doente, e de sua pequena empresa de tradução, sem tempo para relacionamentos. Mas Sam é persistente e vai apresentá-la a uma paixão que ela nunca sonhou existir. Ela tenta manter distância deste homem sexy e enigmática, mas eles são forçados a ficar juntos quando um homem misterioso ataca Nicole, exigindo informações. Sam salva sua vida e começa a protegê-la, mas seu pai é sequestrado com a finalidade de forçá-la a revelar a informação.

Traduzido e Revisado do Inglês

Indicação e Envio do arquivo: Rosemeire Revisão Inicial: Rosemeire Revisão Final: Valdirene Formatação: Greicy TWKliek

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Comentário da Revisora Val: Essa série faz jus ao nome. Não existe mocinho mais protetor. O Sam é um homem apaixonante, másculo, possessivo, amoroso. Ele adora sua Nicole e para ele, ela é a mulher mais linda do mundo. Todas as vezes que olha para ela, ele pensa nisso e o quanto é afortunado por tê-la encontrado. Só que ela não pode se envolver com ele, e isso o deixa ainda mais apaixonado e decidido a conquistá-la. Ele faz tudo por ela. Ele a deseja de uma maneira enlouquecedora e desesperada. E as vezes que eles fazem amor são descritas de uma maneira que mescla excitação com emoção. Por que existe muito desejo lá, mas existe também um amor enorme, a necessidade de cuidar, o medo de perder, a vontade de colocar o mundo nas mãos da mulher que ele ama. Ele a considera uma princesa, por sua beleza, bondade e perfeição. E ela realmente é uma mulher encantadora, que se depara com um SEAL rude e a princípio mal encarado, que cresceu em meio à violência e nunca teve ninguém que o amasse, exceto seus dois amigos que ele considera como irmãos, mas na verdade são seus companheiros de infortúnio da época em que eram crianças e foram jogados em um orfanato. Encontrar Nicole, sentir um amor tão profundo por uma mulher tão diferente de tudo que ele está acostumado, mexe com seu mundo. Ele acha que não a merece, que ela é melhor que ele, que merece um homem melhor ... Quando ela fica em perigo, ele enlouquece na tentativa de salvá-la. Eu amei cada linha desse livro, foi um prazer revisá-lo e espero que a maioria o aprecie.

Capítulo 1

San Diego 28 de junho

Este livro é dedicado aos homens que sempre protegem as pessoas amadas.

Bem, bem. Olhe só para isto. Sam Reston encostou seu ombro contra a parede do corredor do edifício comercial onde ficava seu escritório e simplesmente bebeu de sua figura. Lá estava ela. Seu próprio e pessoal sonho molhado 1 , de pé, lá no corredor entre seu escritório e o dela, desesperadamente remexendo dentro de uma enorme bolsa que parecia muita cara. Tudo sobre ela era caro, elegante. Topo de linha. Manutenção cara e real, também. O tipo de mulher pela qual ele passava sem uma segunda olhada porque não tinha tempo nem a inclinação, mas merda, com ela faria uma exceção.

1 No Original wet dream, também conhecido como polução noturna, geralmente ocorre quando o homem tem um sonho erótico, se excita e ejacula durante o sono.

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Qualquer homem faria. Nicole Pearce. A mulher mais bonita do mundo. Certamente a mulher mais bonita que ele já vira, incontestavelmente. Lembrava cada segundo desde o momento em que deitara, pela primeira vez, os olhos nela. Duas semanas, três dias e trinta minutos atrás. Mas quem estava contando? Estivera trabalhando encoberto, infiltrado numa quadrilha de contrabandistas e ladrões que trabalhavam nas docas. Seu cliente, uma grande companhia de navios, achava impossível encarregar-se das perdas ocorridas durante o descarregamento nas docas, que no ano passado totalizaram quase dez milhões de dólares. A polícia não chegou a lugar nenhum e a companhia suspeitava que alguém, em algum lugar, estava sendo subornado. Sam esperava que não fosse no departamento de polícia. Seu irmão Mike era oficial da SWAT 2 do Departamento de Polícia de San Diego e era incrivelmente orgulhoso disto.

Alguém definitivamente pisou na bola, entretanto. Então o dono do navio decidiu contratá-

lo.

Movimento esperto. Por um inferno de muito dinheiro, Sam montou o personagem, trabalhando como um estivador, espalhando que não tinha nada contra receber dinheiro por baixo dos panos. Foi contatado, e depressa se infiltrou e subiu na hierarquia da quadrilha de Bucinski, finalmente chegando ao ponto onde o incluíram em dois importantes negócios. Ficou totalmente envolvido e tinha mais ou menos cem fotografias comprometedoras dos membros da quadrilha, seu desprezível chefe, e três chefes corruptos do Porto. Os sacanas não estavam apenas roubando cargas, estavam envolvidos em tráfico de sexo, também, trazendo para dentro do país jovens meninas sequestradas e acobertadas em navios legítimos, os donos dos navios completamente desinformados de sua carga humana. A quadrilha inteira estava afundando. Os idiotas mereciam a agulha 3 , mas não seriam condenados a tanto. Cada um deles iria, porém, passar os próximos vinte ou trinta anos sendo um pouco mais que a mais recente namorada do chefe da gangue na prisão, o que poderia ser até melhor que a agulha. Por causa disso, Sam parecia um vagabundo no primeiro dia em que a viu. Parecer um vagabundo, foi o seu trabalho pelas duas últimas semanas, porque quando Sam Reston fazia algo, ele fazia isto direito. Estar disfarçado numa gangue não era como no cinema. Você comia, vestia, agia e até cheirava como um deles. Enquanto encoberto, ele raramente tomou banho ou se barbeou, e vestia as mesmas roupas por dias e dias. Sabia que cheirava mal e parecia perigoso. Bem, inferno.

2 SWAT- Special Weapons and Tatics: Armas e Táticas Especiais, é uma unidade paramilitar de elite tática dos departamentos de lei norte-americana, bem como em alguns departamentos policiais estrangeiros. São treinados para executar operações de alto risco que estão fora das capacidades dos agentes regulares. 3 Gíria que significa ser condenado à pena de morte.

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Ele era perigoso--tinha pensamentos assassinos com a ira de pensar nos fodidos, dispostos a estuprar pequenas meninas, perdendo até um único dia fora da prisão.

Esteve acordado pelas últimas trinta e seis horas e só estava entrando no escritório pela porta de trás para uma ducha rápida, troca de roupa e um cochilo em seu confortável sofá no escritório quando a viu. Na verdade, ele a cheirou antes de vê-la. O elevador parou, as portas abriram e alguma coisa

floral

o tipo de coisa que viajava direto para a mente dos homens através do nariz e fodendo

... com seu cérebro, fazendo-o andar desajeitadamente. Ele a viu um segundo mais tarde e congelou. Simplesmente congelou. Depois, quando tirou sua cabeça de seu pênis, ficou pasmo. Ele tinha sido um SEAL até que seu tímpano estourou, e ele foi um SEAL danado de bom. O treinamento dos SEAL’s expulsava o fator surpresa de um homem. Você tem que ser bom, ter nervos de aço, só para pensar em experimentar o BUD/S 4 . Se você fosse do tipo que se assustava facilmente, era jogado fora rápido. Nada o pegava de surpresa, nunca. Exceto Nicole Pearce. Sam soube que o pequeno escritório no corredor tinha sido alugado. O gerente do edifício disse a ele. Para uma agência de tradução, embora Sam não tivesse nenhuma maldita ideia do que podia ser isso, administrada por Nicole Pearce. Não pensou mais sobre o assunto. Naquela manhã em particular ele estava mais exausto, imundo e fedendo mais que o habitual. Fedia, também, a suor e cerveja. Estava com uma merda de humor, pronto para terminar o trabalho e querendo colocar os chefes na cadeia rapidamente. Mas pensou melhor. Com as evidências que estava conseguindo, a operação inteira afundaria e só isso já valia a pena alguns dias ou semanas extras vivendo na imundície. Um segundo depois de ser tomado pela surpresa, o cheiro que o abarrotara completamente de feromônios, foi direto para seu pau, ele a viu e seu corpo inteiro se excitou. Ficou imobilizado, incapaz de se mover, incapaz de respirar, por um segundo ou dois. Cabelos negros como a meia-noite, brilhantes, na altura do ombro, olhos ligeiramente amendoados, da exata cor de uma escultura de cobalto que ele queria comprar para seu escritório, mas da qual abriu mão por causa do preço, pestanas tão longas e espessas que podiam provocar uma brisa, a boca um pouco grande, lábio inferior parecendo o de Angelina Jolie, nariz perfeitamente pequeno, pele cremosa. Sapatos que diziam foda-me.

4 BUD - consiste em um 'Curso de Doutrinação de três semanas', conhecido como INDOC, seguido por três fases, cobrindo condicionamento físico (sete semanas), mergulho (oito semanas), e guerra terrestre (nove semanas) respectivamente. Os oficiais e os alistados atravessam o mesmo programa de treinamento. É projetado para desenvolver e testar a resistência, a liderança, e a capacidade de trabalho em equipe.

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A figura de uma incrível ampulheta dentro de um terno azul recatado que combinava exatamente com a cor de seus olhos e visivelmente abraçava todas as curvas que fariam qualquer macho dentro de um raio de um quilômetro salivar. Ela certamente tinha os dois sujeitos da mudança salivando, enquanto os orientava, levando uma escrivaninha de teca pesada e um minúsculo sofá antigo. Eles estavam sob seu comando como dois filhotes de cachorro pulando por um osso. Ela virou o olhar diretamente para ele, na parada do elevador, e Cristo, tudo que ele pôde fazer foi olhar fixo e se deslumbrar com os dois lagos azuis de seus olhos. Olhos que o encaravam desconfiados. Sam estava exausto, mas um homem tinha que estar morto para não ter todos seus hormônios despertos à vista da mais bela mulher da terra. E, inferno, seus hormônios não eram a única coisa desperta. Imediata ereção, aí mesmo, no topo da escada do edifício muito caro que ele escolheu como sede de sua nova companhia. Merda. Graças a Deus estava usando sua calça jeans mais apertada porque ela já estava olhando alarmada à vista dele. Quem a culparia? Ele trabalhou com muito cuidado para parecer com um desclassificado, caminhando como um vagabundo, pensando como um vagabundo, até cheirando como um. E ele estava enfurecido até os ossos com o tráfico de sexo que descobriu. Isso era algo duro de se desligar. Uma mulher deste tipo tinha uma antena no que concernia aos homens. Ela podia ler os homens do mesmo jeito que lia revistas de moda. Era um fato em sua vida. Ela era atordoante, com o tipo de beleza natural que vinha desde pequena e a acompanharia até a velhice. Assim, ela crescera tendo como zumbido de fundo a atenção masculina e tinha aprendido a filtrar as ruins e perigosas, rapidamente. Ele não era ruim, mas era perigoso e levava isso com ele, como uma mortalha, uma segunda pele. Tivera uma infância brutal e aprendera a lutar antes de aprender a ler. Já adulto, realmente era bom com os punhos, com uma faca, inferno – com uma pedra. Tio Sam utilizara o que lhe era natural e refinara, o armando e gastando um milhão de dólares com ele, o transformando em uma máquina mortal. Fizera sua vida como um soldado, liderando homens duros, e agora, como civil, fazia sua vida sendo mais duro que a maioria. Viera diretamente para o escritório depois de trabalhar seu turno nas docas, compartilhando depois uma cerveja com o homem que o recrutou para Bucinski, Kyle Connelly. Sam tomou uma cerveja enquanto Connelly, aquela ferida cheia de pus, rindo, entornava dez, e contava a ele sobre as vantagens do trabalho. Dinheiro extra, todas as drogas que você podia cheirar ou ingerir e sexo. Sam teve que escutar enquanto Connelly alardeou sobre algemar uma menina vietnamita de doze anos de idade num poste de aço para estuprá-la. Sam até teve que mostrar simpatia com o fodido, lamentando porque ele ficou posteriormente dolorido, depois de tirar a virgindade da menina.

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Ouvir isso tudo tendo que rir, dar tapinhas nas costas em sinal de simpatia, foi umas das coisas mais difíceis que fizera em sua vida dura. Suas mãos literalmente coçaram com a vontade de tirar o arame de garrote de seu cinto e rasgar a cabeça do fodido fora do pescoço. Estava lutando com tudo isso dentro dele quando as portas se abriram e – uau. A mais linda mulher do mundo bem ali, na sua frente. Realmente teve que esfregar os olhos, para ter certeza do que estava vendo, porque aquela visão talvez fosse uma compensação pela noite infernal. Seus olhos se arregalaram quando ela o viu. Ele soube o que ela estava vendo – um homem muito grande, muito forte, imensamente fedido, vestido como um vagabundo e também cheirando como um. Bem, não podia se barbear, lavar e trocar de roupas no ato e não havia nada que pudesse fazer para matar aqueles desgraçados das docas, então simplesmente caminhou pelo corredor e entrou em seu escritório. Seus enormes olhos azul cobalto o seguiram cautelosamente a cada passo, por todo o caminho. Na realidade, ela se afastara enquanto ele se aproximava, o que o deixou ainda mais irritado. Porra, a última coisa que faria seria machucar uma mulher. No entanto, fazendo justiça, ela possivelmente não podia saber disso. Provavelmente, cada célula de seu solteiro corpo urbano gritava perigo. Sabia que era solteira porque embora usasse alguns anéis nas lindas mãos, nenhum deles estava em seu dedo anular esquerdo. Ela absolutamente tinha que ser solteira porque Sam não podia imaginar um homem casado ou comprometido com ela que não colocaria uma pedra do tamanho de sua cabeça em seu dedo, para advertir e manter a distancia os outros homens. E que marido ou noivo não estaria ao redor dela para ajudá-la com a mudança para seu novo escritório? Ela não podia saber que sua ira não era, de maneira alguma, dirigida a ela, claro, mas ao sistema. Queria pegar a quadrilha agora mesmo e mandar a todos para a cadeia cinco minutos mais tarde, reservando um tratamento especial para Kyle Connelly, o estuprador de crianças. Mas o que você quer e o que você pode ter são coisas muito diferentes. Ninguém sabia disso melhor que ele. Então teve que ficar disfarçado, doente por dentro, perguntando-se se algumas outras pequenas meninas estavam sendo estupradas enquanto ele juntava provas suficientes para colocar os malditos na prisão. E para fazer isto ele teria que ficar com aquela escória um par de semanas mais. Então, toda vez que Nicole Pearce o viu, ele estava cansado, horrendo e sujo, por dentro e por fora. Lidar com a escória da Terra era um trabalho imundo. Sabia que enquanto estivesse nessa missão, não havia lugar para mais nada, certamente não para algo tão lindo como Nicole Pearce, então ele teve que esperar. Mas agora tudo estava encerrado e a vida tinha acabado de lhe dar sua própria fantasia molhada embrulhada para presente, talvez para compensá-lo pela paciência. Nicole Pearce, do lado de fora de seu escritório, parecendo linda como sempre, ainda que uma carranca nublasse seu rosto, vasculhando sua bolsa e os bolsos da jaqueta, procurando por suas chaves.

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As chaves para o mais frágil pedaço de merda de fechadura que ele já vira. Quando assinou o aluguel de seu escritório, ele ficou muito feliz com o espaço e a localização – entretanto ele dava uma merda para a decoração – e a classe do edifício. Era o tipo de lugar que fazia os clientes relaxarem, o que parecia insano para ele. Que fodida diferença fazia essa tranqueira de tons pastéis e sofisticados? Mas para a maioria das pessoas isso fazia muita diferença. Enorme. Ele percebeu isso. Percebeu que os clientes tensos começavam a relaxar depois de entrar no edifício, com seu porteiro uniformizado, placa de metal polida, acessórios em teca, chão de ardósia, caros arranjos florais dispersos ao redor. O supervisor do edifício deu a ele o nome de um escritório de decoração, que entrou, tomou medidas do enorme espaço alugado e voltou uma semana mais tarde, decorando o escritório que agora parecia uma astronave. Uma astronave decorada, macia, lustrosa e confortável. Isso tudo custou uma fortuna, mas valia a pena ver os rostos dos clientes à medida que entravam. Qualquer um que procurava a empresa de Segurança Reston, por definição, precisava relaxar, e era bom que seu escritório fizesse esse truque porque Sam não era bom em pôr pessoas à vontade. Não tinha nenhum charme e nenhuma conversa fútil nele. Quando Sam tinha um problema, queria resolver ontem. Se tornava uma flecha atirando diretamente em uma solução. Aquela atitude funcionava bem para ele quando trabalhava como SEAL, onde problemas e possíveis soluções estavam claramente separados e, inferno, não precisava ficar ouvindo ninguém. A vida de civil era uma merda, onde Sam se viu lutando com clientes que tinham medo de dizer o que queriam realmente, que menosprezavam sua inteligência, falando uma coisa, mas querendo dizer outra. Cristo. Então, com pessoas da alta sociedade, um ambiente relaxante era uma mão na roda. Para não mencionar Nicole Pearce, direto através do corredor dele, agora mesmo rebuscando por chaves que não estavam lá. Bem, podia fazer algo sobre isto. Por um preço. —Precisa de ajuda? — Perguntou, e suprimiu um sorriso quando ela quase saltou fora daquela sua pele magnífica. —Precisa de ajuda? — O assustador vagabundo que trabalhava para a companhia de segurança na outra porta do corredor tinha perguntado. A cabeça de Nicore Pearce moveu-se rapidamente, o coração disparando em pânico no tórax. Oh Deus, ele estava aí, longo e largo e escuro e horrendo. E assustador como o inferno. Não estava lá um minuto atrás. Todos em seu andar entravam bem antes de sua empresa abrir às nove da manhã, então tinha certeza de estar só enquanto revirava sua bolsa, silenciosamente furiosa. Como um homem tão grande podia se mover tão silenciosamente? Quando deu como certo que sua chave não estava na bolsa, sua cabeça associou o fato à tragédia da presença dele no corredor. Ele era enorme. Seguramente teria que ter feito um pouco de barulho, não? Se bem

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que ao pensar nisso, nas vezes em que o viu ir e vir, presumiu que ele trabalhava em alguma sala do corredor, e estivera totalmente silencioso. Assustador. Olhou para ele cautelosamente, as mãos quietas em sua bolsa grande que frequentemente se transformava em uma pasta. Ele estava de pé com os braços cruzados, recostado contra a parede, parecendo completamente fora de lugar no corredor elegante. Alto, ombros imensos, horrendo e sério. Seria perfeito se a Central de Informações do prédio tivesse encaminhado um aviso urgente. Um assassino. Enorme. Intimidando. O cartaz fixado. Mas isso não aconteceu. A Central de Informações que povoava o Edifício Morrinson no centro de San Diego tinha seus trabalhadores de escritório perfeitamente bons, perfeitamente domesticados, alguns um pouco extravagantes se estivessem no negócio de publicidade, fora isso, inocentes. O vagabundo não tinha absolutamente negócios aqui, olhando fixamente para ela com olhos escuros e formes, um olhar calmo e sem hesitação, completamente fora de lugar no contexto do caro carpete creme, das arandelas de parede Murano e a poltrona Louis XV desenhada por Philippe Starck, e um painel de acrílico com lírios num vaso Steuben. Ela escolheu pagar caro pelo aluguel de um escritório minúsculo no prédio chique construído próximo a Petco justamente pela classe, pelo elegante projeto de decoração que a encantara e porque, bem, gritava sucesso tão ruidosamente que esperava que ninguém ouvisse o crepitar som da angústia financeira subjacente à sua nova companhia. Todo o edifício se alvoroçava num intenso movimento, dentro e fora, em ondas pela manhã e à noite, todos bem vestidos, bem cuidados e ocupados, ocupados, ocupados. Até depois do impacto no mercado financeiro, todos faziam um esforço para parecerem prósperos e bem sucedidos, motivo pelo qual o vagabundo estava muito fora de lugar. O aluguel arrancava um grande pedaço dos ganhos de sua novíssima companhia, e seu escritório era do tamanho de um dedal, mas ela o adorava. Assinou o contrato meia hora depois que o agente imobiliário mostrou a sala para ela. Isso acontecera, claro, antes de o vagabundo começar a assombrar os corredores. Parecia que toda vez que se girava, ele estava lá. Enorme, vestido como um motoqueiro. Ou como ela imaginava que um motoqueiro se vestisse --o que ela sabia disso? Não era comum motoqueiros crescerem em consulados e embaixadas pelo mundo afora. Ele tinha um uniforme: uma calça jeans rasgada, imunda, uma camisa antiga preta lavada tantas vezes que tinha um tom sujo de cinza, e às vezes uma jaqueta preta de bombeiro. Cabelo longo preto e uma pesada, negra e desprezível barba, nada como a barba aparada dos rapazes que trabalhavam na agência de publicidade duas portas abaixo. Não, este era um homem com uma barba pesada e descuidada, que não se barbeara por semanas.

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Mas, além de não seguir a moda yuppie 5 , ou as regras de como se vestir no trabalho, o vagabundo era diferente de outras maneiras, de todas as outras pessoas no edifício. Ela nunca esqueceria sua primeira visão dele no elevador, recostado contra a parede, cabeça baixa, parecendo com um guerreiro que acabou de vir da batalha. Só que não existia nenhuma guerra no centro da cidade de San Diego, que ela soubesse. Ele desapareceu dentro do escritório através do corredor, passando por alguma bela e sofisticada segurança, então imaginou que ele trabalhava lá. Como um capanga? Estivera ciente de seu escrutínio enquanto entrava e saía do seu escritório. Nunca a olhou abertamente, mas podia sentir sua atenção sobre ela como um refletor. Agora, porém, Deus a ajudasse, estava definitivamente olhando-a fixamente, braços cruzados acima daquele tórax absurdamente largo, sério, olhar feroz e sem vacilar. —Precisa de ajuda? — Ele perguntou novamente. Sua voz combinava com seu físico. Baixa, tão profunda que trazia vibrações em seu diafragma. Então novamente, talvez as vibrações fossem de pânico. Nada de chave. Isto definitivamente não estava acontecendo. Não depois do passeio ao inferno que tivera para chegar ao trabalho. De todos os dias para se trancar do lado de fora ... —Não, tudo bem. — Nicole trancou seus dentes no que esperava que ele entendesse como um sorriso, porque não estaria nada bem se não conseguisse abrir a porta.

O que ela não tinha

e o que precisava desesperadamente ter

era a chave do escritório. A

... chave do escritório, colocada em seu chaveiro Hermes, que tinha sido um presente do aniversário de seu pai, tempos atrás, quando ele ainda podia trabalhar e caminhar sozinho. O conjunto de

...

chaves que estava sempre, sempre, no bolso dianteiro de sua bolsa, exceto

...

quando não estava.

Como agora. Nicole Pearce cogitou bater sua cabeça contra a porta do escritório, mas por mais que quisesse, ela não podia. Não perto do sombrio vagabundo com olhar intenso. Esperaria para fazer isso quando ele finalmente partisse. Ele observava enquanto ela mais uma vez verificou o bolso da jaqueta de linho, primeiro um, então o outro, então sua bolsa, inúmeras vezes, numa tríplice rotina infernal. Nada. Era horrível ter alguém vendo seu pânico e angústia. A vida tomou tanto dela ultimamente. Uma das poucas coisas que sobrava era sua dignidade, e isso agora esta escorrendo rapidamente pelo ralo. Tentou parar de se agitar. Este era o tipo de prédio onde você mantinha as aparências e nunca perdia a compostura, nunca. Caso contrário poderiam aumentar o aluguel.

5 Yuppie Ou YUP – Young Urban Professional. Jovem profissional urbano. Termo usado para descrever alguém que é jovem, que tem um trabalho bem remunerado e um estilo de vida afluente. Também usado para descrever uma pessoa rica que não é modesta sobre sua situação financeira.

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Era tão terrível, apalpando desesperadamente sua bolsa, o suor gotejando por sua face, embora os poderosos condicionadores de ar do edifício mantivessem a temperatura constante.

Podia sentir o suor correr por suas costas e teve que parar, fechar seus olhos por uns segundos e recuperar o controle. Respirar profundamente, dentro e fora. Talvez o vagabundo desaparecesse se ela só mantivesse os olhos fechados por tempo suficiente. Percebesse que ela respirava profundamente, profundamente esperando que ele fosse embora. Seja um cavalheiro e simplesmente vá embora. Sem nenhuma sorte. Quando abriu seus olhos novamente, o homem ainda estava lá. Sombrio e duro, a um pé do painel que ela precisava usar. Olhou para o chão de ardósia e a transparente mesa no canto e aguentou firme. Das duas escolhas horríveis, ficar perto dele e esvaziar o conteúdo de sua bolsa na mesa, era marginalmente mais digno que simplesmente agachar e esvaziar toda sua bolsa no chão.

Aproximando-se dele cautelosamente

estava bastante certa que ele não era perigoso, e

... que não a atacaria em plena luz do dia em um prédio público, mas ele era muito, muito grande e

tinha o olhar incrivelmente duro

ela alcançou a bonita mesa, mudou de lugar o vaso de lírios que

... o supervisor colocara ontem mesmo, abriu sua bolsa grande e simplesmente despejou tudo sobre

a superfície transparente.

O ruído foi ensurdecedor no corredor silencioso. Tinha suas chaves de casa, chaves do carro, um disco rígido removível, um estojo prateado

para cartão de visitas, um telefone celular, quatro canetas, um flash drive

...

todos os quais fizeram

barulho ao sair da bolsa. E sua bolsa de couro com cosméticos, um caderno de capa mole, talão de

cheque, bloco de notas, agenda de endereços, cartão de crédito, e tudo isso fez uma bagunça. Em um suor frio de pânico, Nicole abriu caminho na mesa, verificando cuidadosamente, inúmeras vezes, recitando cada objeto debaixo de sua respiração como um mantra. Tudo que devia estar, estava lá. Com exceção da chave do seu escritório. Que desastre. A construção em Robinson a forçou a fazer um desvio longo, motivo pelo qual estava abrindo o escritório às 9:15 em vez de 9. Às 9:30, tinha uma videoconferência com um potencial cliente muito importante em Nova Iorque e seus dois melhores tradutores russos, para negociar um grande trabalho. Um trabalho enorme. Um trabalho que podia representar mais de vinte por cento de sua renda do próximo ano. Um trabalho que ela precisava desesperadamente. As contas médicas de seu pai continuavam a aumentar, sem previsão de término. Acabara de contratar uma enfermeira para as noites nos fins de semana e isto custava dois mil dólares por mês. Uma nova rodada de radioterapia poderia ser necessária, o Dr. Harrison disse na semana passada. Outros dez mil. Era todo dinheiro que ela não tinha e tinha que ganhar. Rápido. Se sua conferência pelo telefone fosse bem, poderia ser capaz de se manter à frente de seus problemas com dinheiro, durante algum tempo pelo menos.

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Ela não tinha tempo para cruzar todo o centro da cidade de volta para casa e conseguir as chaves. Para não mencionar que chatearia seu pai, que já estava tão mal. Ele ficaria preocupado e instável o dia todo. Dormira mal aquela noite. Não queria preocupá-lo de jeito nenhum. Nicholas Pearce tinha um número limitado de dias para sua vida e Nicole estava determinada a fazê-los tão pacíficos quanto possível. Simplesmente não podia voltar para casa. Simplesmente não podia faltar nesta reunião. Seu negócio de tradução, Wordsmith, era muito novo para poder se arriscar a perder este cliente, gerente de um dos maiores fundos privados de Nova Iorque, analisando a possibilidade de investir em gás siberiano e no mercado de títulos russo, e precisando da tradução dos dados e análises técnicas do mercado. O suor escorria por suas costas. Ela fechou a mão trêmula em um punho e bateu suavemente na mesa, querendo simplesmente fechar seus olhos em desespero. Isto não estava acontecendo. —Eu posso abrir sua porta para você. — Ela se chocou novamente com as palavras ditas naquele tom incrivelmente baixo, a voz profunda. Céus, em sua miséria, esquecera do vagabundo. Seus olhos escuros a observavam cuidadosamente. —Mas isto terá um preço. Este não era um bom momento econômico para ela, mas agora mesmo estava disposta a pagar qualquer coisa para entrar em seu escritório. Arrancando seu talão de cheques de sobre a

superfície clara da mesa, se virou para ele. Ele a olhava sem nenhuma expressão no rosto. Ela não tinha nenhuma razão para pensar que fosse um tipo decente de cara, mas esperava que não usasse seu óbvio desespero para fazer uma matança. Por favor, ela rezou para a deusa de mulheres desesperadas. —Certo, me diga seu preço, — disse, abrindo o talão de cheques num gesto feminino e contendo-se para não estremecer quando viu seu saldo. Deus, por favor, não o deixe pedir a Terra, porque sua conta corrente iria direto para o vermelho. Estabilizou sua mão. Não deixe que ele te veja tremendo. Olhou para ele, a caneta pairando acima de seu talão de cheques. —Quanto? —Jante comigo. Ela, na verdade, estava começando a escrever, então congelou.

—Eu-eu, me desculpe

...

?

— Olhou fixamente por um segundo para o cheque em branco

onde começara a escrever jantar com Vagabundo na linha do valor. —Jante comigo, — ele repetiu. Certo, então isso não tinha sido uma alucinação audível. Sua boca abriu e absolutamente nada saiu.

Jantar com ele? Não o conhecia, não sabia nada sobre ele, com exceção do fato de que ele

parecia ...

Áspero. Instintivamente, deu um passo atrás.

A olhava cuidadosamente e nitidamente movimentou a cabeça, como se dissesse algo com que ele concordasse.

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—Você não me conhece e está certa em ser cautelosa. Então vamos começar com o básico. — Estendeu uma mão enorme, calosa, bronzeada e não muito limpa. —Sam Reston, à sua disposição. Sam Reston? Sam Reston? Nicole não pôde se controlar. Seus olhos voaram para a grande placa de metal brilhante, a próxima porta à direita no corredor, com o nome do que ela entendia ser a companhia mais bem sucedida do edifício. SEGURANÇA RESTON. Ele seguiu o olhar dela e esperou até que o olhasse de volta.

Talvez ele fosse o primo ovelha negra do dono da companhia. Ou irmão. Ou algo. Isso tinha que ser esclarecido. —Você é um, um, um parente do Sr. Reston? Ele agitou sua cabeça escura lentamente, os olhos negros nunca deixando os seus. —A companhia pertence a mim. Oh. Uau. Que embaraçoso. Ele estava de pé lá, a mão quieta ainda estendida. Os pais de Nicole haviam lhe ensinado bons modos. Ela apertara as mãos de tiranos e ditadores e, suspeitava, terroristas, em embaixadas no mundo inteiro. Era literalmente impossível para ela não colocar sua mão na dele. Fez isto cuidadosamente e sua mão acabou sendo tragada pela dele. A pele de sua palma era muito quente, calosa e dura. Por um momento esteve temerosa que ele fosse o tipo de homem que provava sua masculinidade com a força de seu aperto de mão. A mão deste homem podia esmagar a sua sem dificuldade e ela ganhava sua vida no teclado do computador. Para seu eterno alívio, ele apenas apertou suavemente por três segundos então soltou sua

mão.

—P-Prazer em conhecê-lo, —gaguejou, porque realmente, o que mais podia dizer? —Um

...

E

ela muito desesperadamente precisava entrar em seu escritório. Agora. —Meu nome é Nicole

Pearce. —Sim, eu sei, Sra. Pearce. — Ele curvou sua cabeça formalmente. Seus olhos eram muito

escuros e – ela agora percebeu – muito inteligentes. —Então

...

sobre meu preço, vamos ver se

posso convencer você que não sou um risco a sua segurança. Ele puxou um fino e imensamente caro telefone celular. Um que Nicole loucamente desejara, tanto pelo estilo, como pela funcionalidade, mas desistira porque estava simplesmente fora de seu alcance financeiro atual. Ele apertou dois botões – quem ele estava chamando estava em sua lista de chamadas rápidas. Ela podia ouvir o telefone chamando, então uma profunda voz masculina respondendo, —É melhor isso ser importante. —Eu tenho uma senhora aqui que quero convidar para jantar, mas ela não me conhece e não está muito certa do meu bom caráter, Hector, então eu chamei você para um endosso. Mostre seu rosto e converse com a senhora. Seu nome é Nicole. Nicole Pearce. — Ele esperou um segundo. —E diga boas coisas. Nicole aceitou a telefone celular cuidadosamente. A tela exibia o rosto moreno e bonito do novíssimo prefeito de San Diego, Hector Villarreal, usando uma camisa de golfe laranja brilhante,

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segurando um taco de golfe acima de seu ombro, fora das linhas de jogo, os olhos ondulando contra a luz solar brilhante. —Oi, Sra. Pearce. — A voz profunda soava alegre. Ela clareou a voz e tentou não soar cautelosa. —Senhor Prefeito. Então. Ele estava sorrindo, as sobrancelhas altas. —Você quer sair para jantar com Sam Reston? Você tem certeza? — Existia um humor acentuado na voz. —Bem, realmente, uh ... Mas essa não era uma conversa usual para um político, eles discutiam outras coisas com

você.

—Não se preocupe sobre isto. Sam é um grande sujeito, tratará você corretamente, nenhuma dúvida sobre isto. Mas eu realmente preciso advertir você de algo, Sra. Pearce, e é sério. Seu coração deu um baque e ela olhou para o rosto duro e impassível de Sam Reston. Ele podia ouvir perfeitamente, já que o Prefeito Villarreal estava conversando num tom alto de voz. —Sim, Sr. Prefeito? —Jamais jogue pôquer com ele. O homem é um tubarão. — Uma gargalhada alta e a conexão foi desfeita. Nicole lentamente deslizou o telefone desligado e olhou para Sam Reston. Ele ainda estava totalmente quieto; a única coisa se movendo era aquele tórax enorme enquanto ele respirava tranquilamente. Ele teve o extremo bom gosto de não parecer orgulhoso ou muito satisfeito consigo mesmo. Não existia nenhuma expressão em todo aquele rosto duro, escuro e barbudo. Simplesmente olhava para ver o que ela faria. Entregou o telefone por um lado e ele pegou pelo outro. Por um momento estavam conectados por cinco polegadas de plástico morno, então Nicole soltou sua mão.

Olharam um para o outro, Nicole congelada no lugar, o Vagabundo

não, Sam Reston, tão

... quieto quanto uma estátua de mármore escura. Não existia nenhum som, absolutamente nada. O edifício podia estar deserto, não existiam nem os sons normais do ar condicionado ou dos elevadores subindo e descendo. Tudo estava quieto, em animação suspensa. Nicole finalmente respirou fundo. Ooooo-kay. Bem, parecia que o Vagabundo, Sam Reston, não era um assassino em série ou um negociante de drogas. Realmente, ele, ummm, era o dono de uma companhia que ela sabia ser muito bem sucedida. O sucesso da Segurança Reston constituía uma porção significativa da rede de fofoca que estava viva e bem no Edifício Morrison. A Segurança Reston era, certamente, muito mais bem sucedida que a Wordsmith, que estava se agarrando a vida pela ocasional linha de novos clientes.

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Se o homem de olhar extremamente perigoso, seriamente desleixado na frente dela, a olhando calmamente, era o Sam Reston da Segurança Reston, então seguramente ela podia fazer isto.

Um trato era um trato. Se ele pudesse de alguma maneira abrir sua porta e permitir que fizesse sua videoconferência, deveria a ele muito mais do que podia ser reembolsado por algumas horas gastas consumindo uma refeição.

Ele a olhava silenciosamente, e oh

...

tão quieto.

9:23. Ela respirou fundo. —Certo, você tem um compromisso para jantar, qualquer noite a sua escolha. — Ela gesticulou para trás dela. —Mas vai ter que abrir minha porta, Sr. Reston, agora mesmo. Eu tenho um telefonema de negócios muito importante, às 9:30 em ponto, e se eu não atender a chamada, então estou fora do negócio. — Ele acenou a cabeça gravemente. —Justo o suficiente. E o nome é Sam.

—Nicole. — Nicole cerrou os dentes, dando uma olhada de relance no grande relógio ao fim do corredor e estremecendo. Se Sam Reston iria colocá-la dentro do escritório, teria que fazer isto

nos próximos seis minutos ou ela estava frita. —Eu me pergunto chave mestra?

...

Existe neste super edifício uma

—Não. — Ele agitou sua cabeça. —Então

nós temos um acordo?

... —Hum, sim. Nós temos. — Nicole mal se conteve de bater as pontas dos dedos no chão. —Você sairá para jantar comigo hoje à noite? — Ele pressionou. Olhando para ela, ele encolheu os ombros. —Desde que eu deixei a Marinha e me tornei um homem de negócios, aprendi a fazer acordos. Na realidade, ele parecia o tipo de homem que fechava negócios na ponta de uma pistola. Mas ela prometera. —Embora eu seja uma mulher nova no mundo dos negócios, aprendi a manter minha palavra. Então, sim, eu aceito seu convite. Agora, por favor, abra minha porta. E se você quebrar qualquer coisa, espero que pague o prejuízo. —Naturalmente, —ele murmurou. Nicole atirou um olhar para seu relógio. Maldição. Levou vários dias para fechar essa videoconferência. O cliente era um “Mestre do Universo” da Wall Street, quase impossível conseguir horário em sua agenda. O "Mestre" em questão era um controlador neurótico e quando dizia 9:30, seriam exatamente às 9:30, e ela sabia que ele nunca chamaria novamente se ela não estivesse na linha. Com um berrante sotaque da cidade de Nova Iorque, derramava as palavras quase mais depressa do que ela podia entender, e disse a ela que não podia ter alguém desperdiçando seu tempo porque seu tempo valia no mínimo mil dólares por minuto. A mensagem não podia ter sido mais clara. Esteja do outro lado da linha às 9:30 ou então está fora. Nicole trabalhou com dois professores aposentados de economia, um que nasceu na Rússia e veio para os Estados Unidos quando adolescente, e outro que estudou em Moscou por dez anos.

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Eles seriam perfeitos para o grande e longo trabalho de tradução e ela tinha toda intenção de cobrar do Mestre do Universo, preços superiores. Sua comissão estaria por um longo tempo pagando a enfermeira da noite. Quatro minutos. Ia perder este negócio, e provavelmente o cliente. Tanto para ... Olhou sobre seu pulso e piscou. Sua porta estava escancarada, seu minúsculo e bonito escritório acenando além do batente. Ela virou, olhando atordoada para Sam Reston, que estava se endireitando e movendo-se para fora de sua porta. —Como você fez isto? Você forçou a fechadura? — Arrombar uma fechadura não exigia algum tipo de esforço? Algum tempo? No cinema, o ladrão sacudia a fechadura por muito tempo. Ele não parecia satisfeito, nem orgulhoso de si mesmo. De fato, estava de cara feia. —Você não usou o sistema de segurança do edifício, — ele disse, sua voz profunda fazendo disto uma acusação. —Um, não. — Nicole se sentia como se tivesse caído no buraco do coelho. O corretor salientou a excelente segurança do edifício e descreveu quase amorosamente a qualidade das fechaduras do escritório. —Eu tinha que usar? —Bem, claro. Quando o que tem é tão medonho quanto isto. — Sua carranca aprofundou quando ele embolsou algo. Embora ela adorasse ver se era uma ferramenta profissional de chaveiro, não tinha tempo para desperdiçar. Outro olhar em seu relógio e se apressou para dentro do seu escritório. Ela mal conseguia pensar em algo além da videoconferência. Tinha menos de dois minutos disponíveis. —Obrigada, Sr. Reston. Então eu acho ... —Sam. —Sam. — Ela rangeu os dentes. Um minuto e meio se foi. —Diga onde te encontrar e quando. Sua carranca ficou maior. —Absolutamente não. Eu a buscarei em sua casa. Não tinha tempo para discutir, nem mesmo o tempo para rolar seus olhos. —Certo. Que tal às sete? Eu moro na Rua Mulberry. Mulberry, 346. Tudo certo? —Certo. Estarei lá às sete para pegar você. — Um músculo em sua mandíbula ondulou, entretanto as palavras eram baixas e tranquilas. Ele vivia longe? Bem, se tivesse que dirigir através de cidade, pedira por isto. Ela oferecera para se encontrarem no restaurante. Ele se virou, ela fechou a porta e o telefone tocou. Nicole levantou o fone e ouviu o som nasal da voz do Mestre. Ela conseguiu! O preço foi alto, mas ela conseguiu.

Capítulo 2

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Bem, as coisas tinham dado muito certo. Sam Reston se recostou atrás de sua escrivaninha, olhando para os relatórios, mas tudo que via na sua frente era a deliciosa Nicole Pearce, com seu rosto primoroso e a figura de ampulheta, embrulhada em roupas de primeira. Um sonho molhado e aristocrático. Esperava por este momento desde que a vira pela primeira vez na sua mudança para aquele cubículo no mesmo corredor de sua própria empresa de cinco salas. Ele sabia que seu escritório era pequeno porque tinha visto antes de escolher suas próprias salas. No escritório dela não caberiam sequer seus arquivos. Ela trabalhava em um negócio de tradução. Sam não entendia absolutamente nada sobre isso. Talvez não precisasse de muito espaço para traduzir francês em Inglês. Ou espanhol em russo. Ou Italiano em alemão. Ou norueguês em português. Ela cobria todos estas línguas, uma surpreendente gama de idiomas, como seu site claramente projetado apresentava. Olhou para sua lista de colaboradores e eram 120 grandes, cada um com um impressionante currículo, dispersos no mundo inteiro. Se houvesse um trabalho de tradução disponível na estação espacial, ela provavelmente teria um colaborador lá, também. Ele quase riu da expressão de Nicole Pearce quando disse seu preço para abrir aquela ridícula fechadura. Jantar com ele. Com certeza, ele pensou, enquanto olhava para suas botas velhas e sujas, confortavelmente instalado sobre sua brilhante e cara escrivaninha, ele parecia um desclassificado. Bem, você não gostaria de ser seu inimigo. Mas Nicole Pearce não era sua inimiga. Merda, não. Ele estava doendo para por as mãos naquela pele branca cremosa desde que a vira pela primeira vez, e quando finalmente conseguisse sua chance, iria ter a certeza que suas mãos estivessem limpas. E fossem gentis. Ele tinha mãos fortes, mas sabia quando restringir sua força. A ideia de machucar qualquer mulher o fazia mal fisicamente, mas a ideia de que de alguma forma

machucasse Nicole

Não, machucá-la não estava nos planos.

... Fodê-la… agora isso era outro assunto. A fechadura na porta do escritório de Nicole Pearce tinha sido tão fácil de abrir que estava até envergonhado. Levou dois segundos, enquanto ela contava o tempo naquele seu sofisticado relógio de pulso. A lembrança de sua boca aberta de surpresa quando olhou para ele abrindo sua porta o fez sorrir enquanto se curvava adiante para verificar seu e-mail. Esta tarde conseguiria um corte de cabelo e faria a barba e então meia hora no chuveiro antes de seu encontro, mas agora mesmo, precisava trabalhar um pouco. Esquadrinhou as linhas de assunto de seus e-mails, arremessando o punho fechado para o alto quando leu ROUXINOL ATERRISSOU. Esquadrinhou o e-mail, movimentando a cabeça com satisfação. Amanda Rogers, de vinte e quatro anos, estava agora se adaptado a sua nova vida, debaixo de um novo nome e com um novo trabalho em Coeur d 'Alene, Idaho.

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A última vez que Sam vira Amanda ela estava empoleirada, tremendo e apavorada, na extremidade da cadeira. Uma bonita menina, ou pelo menos ele imaginou que ela era bonita debaixo de toda aquela contusão, e se você pudesse ignorar o olho preto e a mandíbula inchada. Um braço estava engessado. A mão no outro braço segurava o braço da cadeira tão forte que os nódulos estavam brancos. O braço incólume era esbelto, com um pulso delicado. Um homem enfurecido acharia realmente fácil quebrar aquele braço, e um homem enfurecido tinha feito isso. Seu namorado, o que a apavorou. Logo, não estaria mais quebrando um pulso esbelto e delicado. Seria um pescoço esbelto, delicado. Sam viu isso. Seus dois irmãos, Harry e Mike, viram também. Todos três cresceram com homens violentos, que gostavam de espancar os mais fracos. Mulheres e crianças ocupavam o topo da lista. Como sempre, com Amanda, Sam escondera seus sentimentos tratando tudo como um negócio – como uma máscara, mas por dentro estava fervendo de raiva com a ideia de seu fodido namorado batendo nela. O namorado era uma massa de músculos construídos na academia, e agora na prisão. Ele gritou ameaças para Amanda a cada passo enquanto era levado à prisão, até ser trancado atrás das barras da cela. Mike o observou cuidadosamente, então chamou Sam. Mike então teve uma conversa calma com uma Amanda apavorada, na estação no centro da cidade, e resolveu ajudá-la. O namorado tinha dinheiro e ia pagar a fiança. Ela não sobreviveria a outro espancamento do troglodita, então Mike a encaminhou para ele. Isto era o que Sam amava fazer. Era para o que ele vivia. Seus irmãos, Harry e Mike, também. O sucesso estrondoso da Segurança Reston era gratificante. Ele não podia ter pedido um resultado melhor. Era seu próprio chefe e estavam ganhando dinheiro, ainda por cima. Mas por Deus, o que ele, Harry e Mike conseguiam por caminhos alternativos valia a pena. Tinham o dinheiro, o poder e o conhecimento para subtrair mulheres, frequentemente com suas crianças, da equação brutal de violência. Simplesmente num movimento rápido eles a levavam para longe, onde podiam viver uma vida distante do terror. Cara, isso o fazia se sentir bem. O melhor. As mulheres vinham para ele em gotas. Algumas trazidas por Mike, que trabalhava na Central de Violência, na sede da Polícia. A maioria pelo boca a boca. As mulheres eram altas, pequenas, loiras, morenas, bonitas e simples. Mas todas tinham exatamente a mesma expressão apavorada e de subjacente desespero. Como se já tivessem sido visitadas pela morte e estivessem apenas aguardando sua hora. Às vezes estavam sozinhas, às vezes, tragicamente, com uma criança ou duas a reboque. Frequentemente a criança tinha um gesso, ou contusões purpúreas azuis ou queimaduras. E Sam colocava sua máscara, horários de conversa, lugares e planos inexpressivos. Enquanto dentro se acumulava uma raiva incontrolável, morrendo de vontade de lidar com quem quebrara o braço infantil magro ou apagara um cigarro na carne tenra ou balançara um punho sobre a criança.

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Você quer atacar alguém, seu fodido? Por que você não me enfrenta ao invés de uma criança de vinte quilos? Exceto que eu gastei toda minha vida praticando artes marciais e eu rasgarei seu maldito coração para fora de seu maldito corpo e o alimentarei com ele sem deixar cair uma gota de suor. Não tão valente agora, não é? Sam nunca, nunca permitiu mostrar em seu rosto o que sentia. Estas mulheres e crianças viram violência suficiente por toda vida. Então calmamente as ajudava a desaparecer e reaparecer em uma nova vida. Para Sam, era como se o mundo tivesse enormes buracos abertos por monstros. Ele gastava muito tempo e esforço tentando fechar aqueles buracos. Sam instalara Amanda com uma nova identidade e cuidadosamente deixou seu rastro limpo. Se ela mantivesse seu nariz fora de encrencas, estaria segura e livre em sua casa. Criar uma nova identidade e uma nova vida para ela custou dez mil dólares e Sam deu cinco mil para que ela recomeçasse suas atividades em sua nova vida. Rouxinol, em sua nova casa e nova vida, juntou-se a pomba, ao falcão, à arara, ao flamingo, ao canário, à gaivota, ao papagaio, à garça, ao colibri, e ao pássaro canoro, todas este ano, até agora. Onze mulheres e sete crianças, seguras, porque Sam era capaz de fornecer aquela segurança. Seus clientes custearam isto. Eles podiam dispor do dinheiro. Sam abriu o arquivo do cliente proprietário do navio e adicionou quinze mil dólares em despesas com muita satisfação. Ele economizou para o dono do navio mais de dez milhões; O dono do navio podia muito bem dar algo em troca. O governo americano gastou milhões de dólares para treiná-lo, inclusive no SERE 6 , o tornando um especialista em fuga e evasão. Dava a ele um enorme prazer fazer o governo americano pagar pelos perdidos e fracos, pessoas que deslizavam pelas rachaduras, com os quais ninguém se importava. Oh sim, isso o fazia se sentir muito bem. Cara, Rouxinol aterrissou, o desgraçado do namorado estava indo para a prisão para sempre e ele tinha um encontro com Nicole Pearce. Tudo estava direito no mundo. —Uau. Sam Reston está sorrindo. Jesus, traga rapidamente uma cerveja. O que aconteceu? Você ficou sabendo que o Coronel Stewart finalmente foi pego pelas bolas? — Coronel Roland Stewart, o filho sádico de uma puta que tinha sido o oficial comandante de Sam por um ano e meio no inferno, deixando uma trilha de ódio atrás dele, bem como uma trilha de lodo enquanto sorria e subia os degraus da promoção. Stewart ser pego pelas bolas definitivamente se qualificava como motivo para um sorriso. —Eu gostaria. O filho de uma cadela está no Pentágono agora, com as bolas seguras. Seu outro irmão, Harry Bolt, colocou as duas muletas contra a parede e debruçou seu ombro direito trêmulo contra a porta do escritório de Sam. Sam observou e não disse nada. Tudo já tinha sido dito antes, repetidas vezes e em alta voz, por ambos, Sam e Mike.

6 SERE - Survival, Evasion, Resistance and Escape - sigla americana de uma escola militar que oferece aos alunos formação em captação, evasão, resistência, habilidades de sobrevivência e código militar.

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Harry não tinha nada que tentar ficar de pé sem as muletas. Ele não tinha mesmo era que ficar em pé, conforme o último cirurgião ortopédico disse, tinha que ficar na cadeira de rodas por pelo menos outro mês enquanto seus ossos se recuperavam. Harry era o pior inimigo de si mesmo. Sam encontrara um pequeno apartamento em seu próprio edifício na orla de Coronado, assim poderia ter certeza que Harry não fazia algo irremediavelmente estúpido. Harry retornou do Afeganistão com o corpo quebrado, demônios na cabeça, bebendo muito uísque e, ultimamente, um pouco de algum jazz que ele ouvia eternamente na escuridão enquanto os mantinha à distância. Ele não estava confiável para tratar de sua própria saúde. Quanto mais os médicos diziam para ter calma, mais ele se rebelava. Já caíra duas vezes, atrasando sua recuperação por meses. Finalmente, com exasperação, Sam pediu para ele entrar no escritório, assim, pelo menos ele poderia manter um olho sobre ele. Se Harry caísse, pelo menos Sam estaria lá para pegá-lo. A Segurança Reston estava expandindo rápido e pareceu natural a Sam dizer que precisava de uma mão. Mas então Harry acabou sendo mais que só um par extra de mãos, ele era um recurso enorme para a companhia. Era melhor com computadores que Sam, um fodido gênio realmente, e tinha mais paciência com clientes idiotas que Sam, então estava cercado por uma coleção com a última geração de computadores em uma sala calma fora do escritório de Sam e cuidava dos detalhes com os clientes idiotas. Harry estava tentando parecer relaxado, o osso do ombro apertando duro contra o batente da porta para manter o equilíbrio, mas suas pernas estavam tremendo. Sam sabia que era melhor não protestar. Seu irmão tinha uma cabeça tão dura quanto os pinos de aço que seguravam seu quadril, coxa e ombro esquerdo, todos juntos. Harry brincar com ele era novo, entretanto. Talvez isso quisesse dizer que as feridas cicatrizariam um dia. Ele voltara do Afeganistão com apenas uma pulsação, e perdera todo seu senso de humor. Sam e Mike eram a única família de Harry, as pessoas a serem contatadas em caso de morte. Quando Sam e Mike voaram para Ramstein para levá-lo para casa, Harry estava mais morto que vivo.

Pior que o dano físico era o dano em seu espírito. Como Sam e Mike, Harry sobrevivera a uma infância brutal intacto. O que quer que tenha acontecido no Afeganistão, e até agora ele não falava disso, esmagou seu espírito. Então Harry tirando sarro dele era novo e bom. Sam se endireitou, espalhando documentos, tirou o sorriso do rosto. —Não era um sorriso, — ele murmurou. Raramente sorria. Ninguém sabia disso melhor que seu irmão. —Era, sim. Sam olhou direto para os olhos castanho claros de seu irmão, tão ferozes quanto da águia e tão quentes quanto. —Não era.

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—Era, sim. —Não era. — Sam cerrou a mandíbula e pensou em como soavam infantis. —Você não tem trabalho para fazer? Não deveria preparar o relatório da McIntosh? —Humm. — Disse Henry com o canto da boca erguida. —Fiz isto ontem à noite, enquanto você estava divertindo-se ao longo das docas. Um Harry engraçado era bom, mas existiam limites. —Não estava me divertindo, — Sam estalou. O sorriso leve de Harry enfraqueceu. Sabia como esta espera de duas semanas pesava fortemente em Sam e sabia a razão também. Quem sabia quantas meninas eram machucadas enquanto Sam tinha que esperar?

—Não, — Harry sobriamente disse. —Eu sei que não estava. Estava só te enchendo o saco, Deus sabe por que. Você tem caminhado ao redor de todos parecendo com o Ceifador de Almas ultimamente. —Não mais, — Sam disse. —O trabalho está feito. Eu notifiquei o cliente, que já está contatado as autoridades. Farei um relatório hoje. Está terminado. —Cristo. — Harry se endireitou. Colocou suas muletas debaixo de seus braços e mancou

pela sala. —Uau, isto é

são ótimas notícias. Você conseguiu as provas?

... —Condenação garantida, — Sam disse com satisfação. —Fotografias e gravações digitais e até um pouco de papelada. Vai colocar aqueles fodidos na cadeia pelo resto da vida. Que eu suspeito, será tragicamente interrompida por uma canela entre suas costelas no chuveiro da prisão. Ninguém gosta de estupradores de crianças. —Eh, cara. Parabéns. —Vou chamar Mike e poderemos celebrar hoje à noite. Por minha conta. A gratificação daquele trouxa nos deixará numa boa pelo próximo trimestre.

—Não posso. — Os olhos do Sam deslizaram para o monitor do computador, olhando fixamente para a tela. Não tinha nada lá para olhar agora, mas manteve seus olhos afastados do inteligente rosto de Harry, com olhos perceptivos. —Estarei ocupado hoje à noite. —Então cancele. Nós três precisamos celebrar. Sam não compartilhava do mesmo sangue com Harry, ou com Mike, mas eles eram seus irmãos em todos os sentidos. Isso não significava que faltaria ao seu compromisso com Nicole Pearce para ficar com Harry ou Mike. Hoje à noite estava fora cogitação. —Não posso, — disse, curvando sua cabeça acima de um pedaço de papel, fingindo estudá- lo como se fosse um tratado de paz entre tribos opostas. —Não hoje à noite. Harry empurrou o papel fora de suas mãos e o segurou no alto.

—Certo, eu entendo, você não pode conversar porque estará muito ocupado com

—deu

... uma olhada de relance no papel —lista para compra de papel e toner. Uh-huh. Certo, o que estará acontecendo hoje à noite que é tão especial? Sam olhou com raiva para ele. Seu especial olhar de morte, que garantira o terror em muitos recrutas. Harry colocou suas muletas para o lado e cuidadosamente sentou no canto da escrivaninha olhando para ele, sobrancelhas erguidas. Sam cruzou seus braços e cerrou sua mandíbula.

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—Não vai falar, é? — Um canto da boca de Harry se ergueu, a linguagem corporal completa de um sorriso. —Isso significa que eu terei que chutar. Certo. Eu gosto de quebra-cabeças. E não

está obviamente relacionado com trabalho, ou você me falaria sobre isto, então nós estamos falando de um encontro com uma senhora. E , obviamente, você não quer dizer quem é ela, mas

se você não quer falar sobre isto, isso significa que é

—Ele estalou seus dedos. —Já sei! A

... belezinha do corredor! Aquela com a qual você esteve sonhando. Cristo, como você conseguiu? Quem você teve que matar?

Maldição! Sam odiava que Harry fosse tão esperto. Arrastou sua cadeira, sabendo que não podia bater em Harry. Os ossos do Harry estavam agora mesmo se reajustando, Sam não podia quebrar nenhum novo. Mas, que merda, não queria conversar sobre isto. Nunca foi de falar demais sobre sua vida sexual, principalmente porque nunca tinha muito o que falar. Ele tinha sexo – muito, de fato, entretanto ultimamente, estivera no modo trabalho – mas nunca era com alguém especial. O sexo que ele tinha era principalmente um caminho para arranhar uma coceira, como comer quando faminto. Quem ia querer falar sobre comida uma vez que satisfez a fome? Mesmo porque, uma mulher era exatamente como qualquer outra. Elas satisfaziam uma fome, e pronto.

Mas

Nicole Pearce era diferente. Não podia realmente entender o motivo, mas aí estava. E

... ele não queria falar sobre isto. Olharam fixamente um para o outro, mudos, Sam não falando, Harry tentando fazer com que falasse, mas falhou. Finalmente, Harry deu um grande suspiro martirizado.

—Certo. Isto é o que vai acontecer. Agora mesmo, você está parecendo um estivador, mau elemento e cheirando como um, também. Não há nenhum modo do inferno de você ter sorte com aquele bebezinho parecendo e cheirando como um estivador. Então você vai conseguir um

barbeiro e um corte de cabelo e tomar uma longa ducha. Duas duchas, porque cara

...

—ele

acenou o ar na frente dele como se alguém tivesse soltado um peido fedorento. —Você me entende? E eu vou sair com Mike para uma cerveja e nós vamos esperar por seu relatório amanhã de manhã sobre sua noite fora com a Sra. Deliciosa. —Fora, — Sam rosnou, rolando seus olhos. —Saia agora antes que eu quebre todos os seus ossos de novo, e eu farei um trabalho muito melhor que esse fodido do Afeganistão, confie em mim.

Harry mancou até a saída do escritório, com meio sorriso em seu rosto. Valia a pena estar sendo arreliado para ver Harry sorrir. Sam não era um homem sorridente, mas Harry estivera no inferno e voltara. Essa foi a primeira discussão alegre que teve com Harry desde a explosão no Afeganistão. Talvez isso fosse o Efeito Nicole Pearce. Deus sabia, ela provocava um efeito nele, um volumoso. Harry disse que ele estivera sonhando com ela, o que era loucura. Sam não devaneava.

Mas ele estava

Interessado. Realmente interessado.

... Ele vigiava suas idas e vindas para conseguir um vislumbre dela. Cristo, só de vê-la caminhar pelo corredor em direção a ele tinha sido suficiente para provocar uma ereção que podia ser usada para martelar um prego na parede.

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Ele sabia o fundamental sobre ela, graças a seu site e ao Google. Filha de um embaixador, cresceu ao redor do mundo, frequentou a Universidade de Genebra de Tradução, traduzia francês e espanhol, sabia o básico de russo e alguma coisa de árabe. Aquilo realmente o impressionou. O treinamento de idioma era intenso nas Operações Especiais. Sam se dera muito bem em todo treinamento, exceto idiomas. Tinha um ouvido ruim para idiomas, e isso tinha sido uma desvantagem real. Ainda era, com ele começando a ter clientes estrangeiros.

Embora ela fosse filha de embaixador, Nicole Pearce não vivia como uma mulher privilegiada. Ela vivia em uma casa que valia mais ou menos a metade do valor de um apto no condomínio de Sam na orla de Coronado. Sua renda era uma vigésima parte da sua. Ela fundou sua companhia só a um ano atrás, quando se mudou para San Diego para viver na casa que sua avó materna deixou, trabalhando em sua casa até que se mudou para o edifício um mês atrás. Antes de abrir seu próprio negócio, trabalhava como tradutora para a ONU em Genebra. Quando, por curiosidade, Sam olhou a descrição do trabalho na ONU, viu a renda de seu salário na administração pública. Ele assobiou. Em francos suíços, livre de impostos. Era uma quantia enorme de dinheiro. Por que ela deixou seu trabalho para abrir um negócio pequeno em San Diego, tendo um enorme corte em sua renda? Era solteira, o que o confundia. Nunca tinha sido casada, também, o que era ainda mais difícil de acreditar. Realmente, parecia insano. Ela só vivera em lugares onde colocavam sal e pimenta na água? Onde todos os homens eram gays? O que havia de errado com os homens que ela encontrara? Porque se ele não estivesse no meio de uma operação secreta que não podia deixar, ele teria ficado atrás dela desde a primeira vez que a viu no corredor no dia da mudança. Cresceu no estrangeiro, dona de seu próprio negócio, solteira. Aqueles eram os fatos que podia encontrar sobre ela nos registros públicos. Mas o que os fatos do arquivo não disseram era o quanto ela era intensamente linda. O tipo de mulher que provavelmente devia vir com um sinal

de advertência

perigo adiante.

... A pesquisa no Google também nem insinuava o quão classuda ela era. Uma lady num lindo pacote que significava problema com P maiúsculo, como Sam jamais conhecera. Sexy jogada sobre uma cama, e com a classe de uma princesa de gelo. Elegante, graciosa, equilibrada. Tinha que segurar os músculos do pescoço para não rodar sua cabeça toda vez que ela passava por perto, usando todo seu poder de controle para não farejá-la como um cão, porque, Deus, ela cheirava tão bem. E merda, ela fazia a coisa princesa-plebeu como se fosse um tapinha nas costas. Um fulminante olhar daqueles grandes olhos azul-cobalto, com aquelas pestanas ridiculamente longas e ela conseguia reduzir qualquer macho a uma massa choramingante de protoplasma. Nos dias quando ele estava particularmente repreensível, recebia aquele olhar que teria matado um homem menos seguro. Mas Sam era um sujeito duro. Gostava de desafios. Um canto de sua boca se elevou. Principalmente porque ele sempre ganhava.

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Porto Marítimo de Marseilles, França 28 de junho

Jean-Paul Simonet, um idoso e humilde balconista por trás do escritório do Porto de Marseilles, conhecia bem a companhia Vega Transporte Marítimo. Era uma pequena companhia, navegando só com três navios, se é que podia chamar aqueles baldes de ferrugem sob bandeira da República da Libéria de navios. Os navios da companhia eram conhecidos entre o pessoal do porto pela falta de segurança, velejando com falta de pessoal, até contrabandeando em engradados os bens proibidos. Cigarros. Duas vezes, remessas de armas. Uma vez, pacotes de pó branco. O que significava que alguém molhava a mão de alguma autoridade para olhar para outro

lado.

A companhia de transporte era propriedade de um consórcio de negociantes sombrios que fechariam a companhia e desapareceriam em um pulsar do coração se um de seus baldes de ferrugem causasse algum acidente. Hoje, o Marie Claire estava no porto. A numerosa tripulação do Marie Claire mudou ao longo dos anos. Atualmente tinha um capitão turco e tripulação de vinte países diferentes, e estava em seus últimos suspiros. Em algum lugar, em algum escritório de algum país do terceiro mundo, um grupo de homens ao redor de uma mesa decidiu que podiam conseguir um pouco mais de lucro destes raquíticos e descascados navios, se parassem de pagar por manutenção, poderiam usar o navio até que conseguissem tirar o último centavo dele, e quando não estivesse mais em condições de navegar, poderia ser jogado de noite no meio do oceano, longe da vista dos satélites de vigilância, e poderiam pegar o dinheiro de seguro. Lucro por todos os lados. O chefe do Simonet, aquele merda do Boisier, sempre olhava para o outro lado quando os navios da Marítima Vega entravam no porto. Simonet não tinha nenhuma lealdade para a Autoridade do Porto. Ele era mal pago, estava a pouco tempo da aposentadoria, e tinha o coração quebrado pela perda de sua família. Ele não se importava, de um jeito ou de outro. Ele pegou o efeito Boisier a conta gotas – dez caixas de Marlboros, uma caixa de suéteres feitos na China, uma vez uma dúzia de garrafas de Glenfiddich. Sabia que não era nada comparado ao que Boisier pegou por olhar para o outro lado, não levantar um rebuliço pela falta de segurança e garantir passagem da companhia de transportes por Marseilles. Aquele trapaceiro Boisier dirigia um Mercedes classe S novíssimo, com salário de funcionário público. Simonet dirigia um Citroen de quinze anos de idade. O caminho do mundo estava aí mesmo.

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Cuidar das remessas da Marítima Vega era preocupação do Boisier, mas ele não estava aqui hoje. Um caso violento de gripe, Simonet ouviu. A única coisa era que, liberar o trânsito do navio da companhia pelo porto era agora sua preocupação. O capitão do Marie Claire falhou em apresentar um formulário e Simonet teve que sair para buscá-lo porque o capitão não estava atendendo seu telefone celular. Sem o formulário, o próximo porto não aceitaria o navio. Era o dia mais quente do ano até agora, com cem por cento de umidade no ar. Era quase meio quilômetro sem ar-condicionado do escritório de Simonet até onde o barco estava. Por um momento, Simonet esteve tentado a deixar passar. Foda-se isto. Fodam-se eles. Poderia ter um ataque cardíaco enquanto ia ao longo da doca no sol inclemente, a menos que conseguisse pegar um dos carros elétricos que os empregados do porto usavam. Mas se ele não fosse, Boisier perderia seu suborno e se vingaria nele. Boisier era um mestre de regras burocráticas e podia fazer sua vida miserável de várias maneiras. Simonet se aposentava em dezembro, então tudo que queria era afundar sua cabeça na areia. Então, certo, iria até o fim das docas para ter certeza que o capitão preencheu o formulário e voltaria. Faria Boisier saber o que ele fez. Boisier podia levar seu suborno da próxima vez e seria melhor estar agradecido a Simonet. Simonet só encontrou um carro a mais ou menos cem metros de onde o Marie Claire estava atracado. Parou o carro ao lado da doca e olhou com desgosto para o Marie Claire. Era um milagre que já não tivesse afundado com o peso da ferrugem. Estava marcada para sair às 16:00 horas. Sua tripulação inteira devia estar no deck, preparando o navio para partida, mas Simonet não podia ver viva alma. Merde, teria que fazer isto do modo duro. Murmurando para si mesmo, subiu pela prancha larga, olhando ao redor quando alcançou o deck. Estava na popa, próximo à proa, e completamente sozinho no deck. Isto era estranho, e ligeiramente inquietante. O navio enlouquece com movimento logo antes da partida. Tempo era dinheiro, e ficar parado no porto desnecessariamente era caro. Simonet caminhou ao longo do lado do navio, próximo aos enormes containers que enchiam a linha do meio do navio. Indubitavelmente existia o dobro de containers no deck abaixo. Finalmente alcançou a popa, a torre do radar e a pilha alta subindo acima dele. Ainda não via ninguém. Simonet olhou a escada principal entre a ponte e o quarto principal. Estava fumegante e isto estava além de um telefonema de encargo aduaneiro. Fodido Boisier. Mas então novamente, Boisier definitivamente tinha a habilidade de fazer sua vida verdadeiramente miserável nos restantes seis meses de trabalho. Com um suspiro enorme, Simonet começou a subir e estava gotejando com suor e sentindo tontura quando chegou a casa de navegação, onde a maioria dos capitães gastavam seu tempo enquanto atracados. Vazio. Merde. Era perfeitamente sem sentido sair gritando, por causa do barulho dos guindastes. Simplesmente teria que ir pelo navio procurando pelo capitão.

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Simonet encontrou o corrimão da escada, dando boas-vindas a temperatura ligeiramente mais fria dos decks abaixo. Existia um pouco de barulho no fim de um corredor longo e ele o seguiu, não fazendo nenhuma tentativa para suavizar seus passos. Vozes de homens, baixas e sonoras, concentrados em uma tarefa. Ouviu os sons de metal e martelos. Provavelmente tentando consertar o balde de ferrugem eles mesmos, sem chamar a tripulação do estaleiro.

Simonet alcançou o fim do corredor

e congelou. Viu uma cena que enviou gelo a suas

... veias, entendendo tudo num piscar de olhos. Com o coração batendo com medo, voltou devagar para longe, o formulário tremulando pelo deck. Ele não podia ser visto! Estes homens eram insensíveis, totalmente desumanos. Não podiam ser chamados de seres humanos Não hesitaram em massacrar mulheres e crianças. Um funcionário de baixo nível não era nada para eles. Enquanto caminhara para baixo, pelo corredor, não fez qualquer tentativa de silêncio, agora, enquanto caminhava vagarosamente, tentava fazer menos barulho, desejando que pudesse simplesmente desaparecer. Oh Deus, tinha que sair sem ser visto. Quanto mais tempo ele ficasse, maiores as chances de ser descoberto. Simonet agora caminhava tão rápido quanto podia de volta pelo corredor, lançando olhares frenéticos atrás dele. Os homens que vira estavam armados. Ele estava totalmente indefeso neste corredor de aço, um alvo claro. Não tinha nenhuma ideia que tipo de barulho estava fazendo porque não podia ouvir qualquer coisa acima do trovejar de seu coração em seus ouvidos. Por algum milagre, pela graça de Deus, Simonet conseguiu subir a escada e descer do navio sem ser visto. Achou o carro elétrico onde o deixou, e dez minutos mais tarde, estava fechando sua porta do escritório atrás dele, suando profusamente, tragando o ar, totalmente aterrorizado. Oh Deus, oh Deus. Isto era dez milhões de vezes pior que cigarros ou bens de contrabando ou até cocaína. Isto era terrorismo. Isto era o que tinha levado suas duas filhas, Helene e Josiane, naquele terrível dia em Madrid. 11 de março de 2004. Novecentos e onze dias depois de 11 de setembro. O dia que seu mundo terminou. Ele ainda podia lembrar freneticamente de chamar a Embaixada francesa em Madrid porque suas duas filhas, seus dois tesouros, estavam visitando Madrid, pensando – meus dois tesouros irão telefonar e me dizer que estavam fora fazendo compras, ou visitando um museu ou paquerando com homens espanhóis jovens e bonitos. Mas não foi assim. Josiane e Helene estavam no trem, entrado na Estação de Atocha, e foram explodidas. Alguém apertou um dispositivo com um detonador que transformou homens em hambúrgueres humanos, inclusive suas filhas amadas. Simonet viajou para Madrid e trouxe suas filhas para casa em bolsas para corpos que continham partes pequenas de seus corpos, em vez de corpos inteiros. E voltou para casa para uma esposa cujo coração partido simplesmente parou de bater à noite.

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Os jihadistas custou a ele tudo o que ele mais amava, tudo que tinha no mundo e ele fez de tudo para estudá-los. Comprou livros, leu revistas e artigos de jornal, assistia Al Jazeera 7 , fez cursos à noite sobre a história do Islã. Durante os anos passados, ele se tornou um perito em terrorismo islâmico. Então Jean-Paul Simonet entendeu imediatamente o significado do que viu no Marie Claire. Se fechasse seus olhos, podia rever como se estivesse aí mesmo novamente, apavorado e tremendo na entrada da porta. Dez membros da tripulação trabalhando na porta de um porão secreto que fora construído na lateral do navio. Simonet podia ver dentro do porão, os colchões de ar, o estoque de garrafas da água mineral e vários caixas de latas grandes com os sinais pretos e amarelos internacionais que indicavam material radioativo. E o mais apavorante de tudo, pelo menos quarenta homens, prostrados em oração no lado de dentro da porta. Quarenta homens com roupas mulçumanas empilhadas em um lado e xales verdes ao redor dos ombros, só esperando para tornarem-se mártires da batalha. Terroristas. Dirigindo-se a Nova Iorque com bombas amarradas ao redor de seus torsos e acesso a material radioativo. Os dedos tremiam quando Simonet tateou para o telefone, soltando o receptor sem fio em sua pressa. Suas mãos estavam escorregadias com suor, conseguia apenas respirar em torno do terror em seu tórax. Seus dedos esmurraram o número 17, número da polícia, mas parou quase imediatamente. Estas informações eram muito importantes para passar por um operador de telefone. Seu cunhado conhecia o Comissário de Polícia. É isto, alegaria uma enxaqueca e sairia cedo. Existiriam suspeitas se a polícia fervilhasse em seu edifício comercial, pessoas conversariam, seu nome seria divulgado. Se existia uma coisa que Simonet sabia, era que estas pessoas eram malignas. Ele não tinha muito porque viver, mas, por Deus, não queria morrer nas mãos destes canalhas. Não, muito melhor era sair cedo e ir ao centro da cidade para a Delegacia e falar com o Comissário pessoalmente. Ter um plano o acalmou um pouco, até que ouviu passos descendo o corredor. Ninguém vinha para seu escritório no início da tarde. Eles estavam vindo por quê? Esperou, apavorado, escutando como os passos soavam mais perto, mais perto. Dois ritmos nos passos, dois homens. As informações! Ele tinha que divulgá-las! Seus olhos procuraram na lista dos arquivos a serem enviados para tradução. Perfeito. Simonet conhecia um pouco de computadores e criptografia. Dentro de cinco segundos conseguiu esconder as informações necessárias em um arquivo. Apertou ENVIAR e virou ao som de abertura da sua porta.

7 Rede de TV árabe.

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Dois homens, um pequeno e armado, o outro enorme e desarmado entraram repentinamente no escritório. O grande avançou e com uma torção desprezível de suas grandes mãos, quebrou o pescoço de Simonet. O grande homem abriu suas mãos e o corpo inanimado de Simonet desmoronou para o chão. O último pensamento de Simonet estava nos milhares, talvez milhões, de americanos que ele salvou dos ataques que esperava ter conseguido interromper.

Capítulo 3

San Diego

Nicole levantou o Dior de oito anos de idade e o Narciso Rodriguez de sete, um era num

lisonjeiro azul, o outro, um preto elegante. Azul, preto, azul

Não conseguia decidir.

... Era uma coisa muito boa que não perdera ou ganhara peso nos últimos anos, porque não existia nenhuma maneira de que pudesse comprar um novo Dior ou um novo Rodriguez agora. As contas de seu pai comiam todo dólar sobressalente e mais algum. Não tinha problema. Não desperdiçara seus excitantes dias em Genebra, quando era jovem, solteira e rica. Aproveitou aqueles anos, tinha apreciado muito, e agora eles tinham terminado. Ela era um pouco menos jovem agora, ainda solteira e longe de ser rica. Sua vida mudou além de reconhecimento. Mas não se importava. Valia a pena lutar para poder cuidar de seu pai. Preto, azul, preto ... Não era comum estar tão indecisa. E atrasada. Quando foi a última vez que esteve atrasada para qualquer coisa, deixando um homem esperando em um encontro? Não, não era um encontro, era um compromisso. Um acordo. Um jantar fora em agradecimento por destrancar sua porta. Qualquer coisa, só não era um encontro. E ela ainda aqui, vacilando sobre que iria vestir, argh! Isto era tão louco. O que estava fazendo, saindo com um homem que não conhecia? Só trocaram algumas palavras. Teria cruzado a rua para evitá-lo apenas ontem? Isso não teria acontecido se ela apenas imaginasse que o vagabundo que ela via entrar e sair da Segurança Reston podia ser o dono da companhia. Óbvio que executivos de companhia de segurança não precisavam estar vestidos para o sucesso. Toda vez que ela viu o homem no corredor ele parecia um bêbado incrivelmente desprezível, raivoso e não muito limpo. Assim que saiu do telefone com o Mestre do capital e seus peritos russos, tendo felizmente negociado um contrato excelente, verificou o site da Segurança Reston e leu o perfil de Sam Reston. Era longo. Ele era ex-militar, um antigo SEAL, de fato. Lembrou que ele disse ter estado na Marinha. Bem, isso era modesto nele. Ser um SEAL era um pouco mais que passar algum tempo na Marinha. Os Seal’s eram soldados de elite que sofriam um cansativo e extenuante processo de seleção. Como um soldado, Sam Reston tinha sido o melhor do melhor.

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Ele não listou suas medalhas, mas lá estavam em seu tórax na fotografia militar formal, para aqueles que soubessem como ler. Nicole estava familiarizada com as Forças Especiais. Era bastante provável existirem outras medalhas em uma caixa fechada que levaria para o túmulo com ele por missões que ninguém saberia, secreto até o fim dos tempos. Ele não tinha o corte de cabelo típico dos militares e tão familiar a ela nas Embaixadas em torno do mundo, mas seu cabelo no retrato estava definitivamente curto e sem barba no rosto. A expressão sombria era a mesma, entretanto. Estivera certa. Tire a pompa militar e ele ainda pareceria um cara perigoso. O tipo de homem com quem ela normalmente não falaria, nem desperdiçaria uma noite. Mas ela deu sua palavra e isso era sagrado. Ainda, parecia existir muito mais em Sam Reston que se podia ver a olho nu. As medalhas, para começar. O pai de Nicole sempre lhe ensinara a ter um enorme respeito pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. Seu pai serviu em lugares onde frequentemente o exército dos EUA era a única coisa que permanecia entre a civilização e o abismo. As medalhas no tórax muito largo de Sam Reston não estavam lá para serem exibidas na hora certa ou combinar com seus sapatos lustrosos. Estas eram medalhas de valor, por coragem debaixo de fogo. Ela tragou fortemente enquanto lia seu site na web, fazendo o filtro nos fatos, mudando percepções. Ele foi um soldado muito bem sucedido e agora era um homem de negócios também altamente bem sucedido. Não um bêbado raivoso, afinal. Então teve que tirar a camada de medo fora das reações fortes que tivera toda vez que seus caminhos se cruzaram no Edifício Morrison, no corredor, onde frequentemente se encontraram. Às vezes ela perguntou-se se ele tinha algum tipo de radar. Frequentemente, quando ela se virava depois de fechar sua porta, ele estava aí, atrás dela, só fechando a porta da companhia em trabalhava. Sua companhia, ela agora teve que lembrar. Ele parecia estar atrás dela ou na sua frente toda vez que se movia no edifício. E toda vez, seu corpo inteiro ficava fora de controle. Toda célula em seu corpo parava para prestar atenção em sua presença. Ele frequentemente parecia estar chegando ao escritório quando todo mundo no edifício estava encerrando o expediente. Ela estivera intensamente ciente de sua presença até quando ele andava atrás dela, como se ela fosse feita de pedaços de ferro e ele fosse o imã. Esta manhã, foi só a paralisia causada pela ansiedade que a impediu de senti-lo atrás dela. Em todas as outras vezes, seu sexto sentido detectara sua presença. Naquele momento, pensou que era medo. Ele parecia completamente assustador. Apavorante, mesmo. Nunca vira tanta masculinidade num só homem antes. Seus músculos eram longos e magros, não inchados, e parecia como se fossem utilizados, duramente utilizados, não para se mostrar,

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como os da maioria dos homens modernos de hoje em dia. Era como se Sam Reston pertencesse a outra raça de homem. Mais duro, mais forte, mais rápido, maior. A campainha tocou no andar de baixo e Nicole se agitou. Oh meu Deus! Eram sete horas e ainda não estava vestida! Ainda bem que Manuela estaria lá para abrir a porta, já que seu pai não podia. Livrava Nicole de ter que descer correndo as escadas de sutiã e calcinha, sem maquilagem e com o esmalte secando. Esse não seria o jeito certo de receber o Sr. Sam Reston, antigo SEAL da Marinha dos Estados Unidos da América. Não era como se ela sempre se atrasasse para seus compromissos. Mas correra a tarde inteira. Só chegarão meia hora atrás querendo um longo banho para se refrescar, mas seu pai a atrasou quando ela entrou. Ele estava agitado com um artigo com a resposta do governo a respeito do bombardeio mais recente na Indonésia. Seu pai passou três anos como embaixador na Indonésia e era infinitamente mais bem informado que os infelizes boçais do Departamento do Estado ou o jornalista que fazia a cobertura de imprensa no bombardeio. Era uma pena que sua enfermidade o impedia de compartilhar sua experiência e conhecimento. O coração de Nicole doeu por ele. Ele planejara uma aposentadoria sossegada, lendo, escrevendo artigos de jornal, falando sobre diplomacia num blog. Finalmente terminar aquele livro de diplomacia do Medici, que escrevera a vida toda. O início súbito do câncer acabou com aqueles planos. Para Nicole, seu pai era a personificação da luz, razão e bondade. O melhor do gênero humano. Nunca fizera ou dissera uma coisa desonrosa. O mundo ainda precisava desesperadamente de homens como ele, embora logo sua luz seria apagada pela enfermidade. Até desesperadamente doente, frequentemente com dor, permanecia amável e atencioso. Nunca reclamava. Isso partia o coração de Nicole. Nicholas Pearce sempre foi seu herói. Alto, bonito, esperto e afetuoso, o melhor. Um marido e pai maravilhoso. Ela cresceu com o sentimento que sua família era abençoada. Então eles perderam sua mãe em um acidente de carro e agora ele estava na fase quatro do câncer de cérebro, diagnosticado um ano atrás. Foi quando Nicole deixou seu trabalho com a ONU em Genebra para cuidar dele. Não era fácil cuidar de um homem severamente doente, mas não existia nenhuma dúvida em sua mente. Ele foi um pai maravilhoso por toda sua vida. Cuidar dele agora que necessitava, era um privilégio. Porém, ter um pai muito doente fez um estrago em sua vida amorosa. Um sopro do que ela estava lidando, e muitos homens que estiveram muito interessados em um relacionamento, de repente perdiam o interesse. Este era seu pequeno teste. Como seu professor de filosofia na faculdade teria colocado, ser hábil para lidar com a doença de seu pai, mas não suficiente para pensar em se amarrar em algum homem.

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Se o homem em questão pudesse lidar com sua vida e todas as suas dificuldades, bem.

Poderiam dar um passo de cada vez. Se não

...

Adeus. Se você a quisesse, ela vinha com seu pai.

Eles eram um pacote. Ela teve muitas despedidas antes que as relações sequer começassem, e agora que seu pai piorava rapidamente, não estava mesmo aberta a encontros. Não que hoje à noite fosse um encontro, claro. Era um agradecimento. Azul, preto, azul, preto ... Azul, finalmente decidiu. O macio algodão tinha um tom requintado formando par com uma jaqueta de linho preto. Depois de dez anos dos invernos suíços, o clima aprazível de San Diego nunca falhava em deixá-la encantada. Maquilagem! Meu Deus, não existia maneira de descer com a face nua. Ela deu uma olhada no relógio e estremeceu. Vinte minutos mais tarde, estava irreconhecível. Nicole se vestiu e maquiou em tempo recorde e começava a descer os degraus quando de repente parou, estarrecida. Lá estava seu pai, no andar de baixo, olhando para ela, sentado na fabulosa cadeira de rodas

que ela comprou com parte de sua indenização pela demissão da ONU. Fazia de tudo, menos café e cantar. Ele tinha um celebratório dedo de uísque em um copo de cristal na mesa ao lado de seu cotovelo e Sam tinha seu próprio copo de Talisker de vinte anos de idade. Os convidados eram raros e seu pai se regozijava com as visitas. Sam Reston estava sentando em frente a seu pai--ela não podia ver seu rosto, mas podia ver seus ombros, muito largos sobre o encosto da cadeira --vestido em um caro terno azul. Mas o que a fez parar no topo da escadaria, um pé em cima, um pé abaixo no primeiro

degrau, era a expressão no rosto do seu pai. Ele estava

Feliz. Parecia animado e existia cor em

... suas bochechas. Seus olhos--a cor muito parecida com a de Nicole--faiscavam. Não havia dúvidas de que ele tinha contado uma de suas péssimas piadas. Ela não disse a Sam Reston que vivia com seu pai e que ele estava doente. Não disse a ele qualquer coisa, de fato. Então quando veio a sua porta esperando encontrar uma mulher para levar para jantar, foi confrontado com um homem visivelmente muito doente. Um homem muito doente que ele fizera sorrir. Sam Reston acabou de subir em seu conceito. De Vagabundo para dono da companhia de segurança, para o sujeito que fez seu pai sorrir. Este último atributo era o melhor. O olhar de seu pai mudou e seu sorriso aumentou. —Oi, doçura. —Oi, papai. — Sorridente com a expressão do seu pai, desceu as escadas. Se ele estava feliz, mesmo que por um momento, então ela também estava. Sam girou em sua cadeira e seus olhos se encontraram. Nicole parou. Tudo nela parou, cabeça, pulmões, pernas. Foi como tomar um soco no estômago. Todo o ar deixou seu sistema. Seus olhos escuros eram tão intensos, como se fossem mãos, chegando a tocar. Ela dificilmente podia respirar, ou pensar.

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Sempre o vira parecendo horrendo, sujo e perigoso. Agora ele parecia mortalmente sério, noventa quilos de potência masculina, completamente enfocada nela. Seus olhos fizeram uma

viagem rápida até seus pés então voltaram até seu rosto. Com qualquer outro, ela teria se ofendido com a olhada descarada. De alguma maneira Sam Reston conseguiu fazer isto não de

forma insultante mas

excitante.

... De qualquer maneira, ele certamente estava excitado. Aqueles olhos escuros estavam cheios de calor; debaixo da pele azeitonada das maçãs daquele rosto afiado tinha um lânguido tom de vermelho, e este não era um rubor de timidez. Existia sexo puro em seu olhar, poderosamente potente, mais forte que qualquer coisa que já sentiria de um homem antes. Ele minou a força diretamente de seus joelhos e sua mão foi automaticamente para o corrimão. Ficou parada por um longo momento sob o escrutínio aquecido de seus olhos. Foi só o treinamento de toda a vida em círculos diplomáticos onde você nunca, jamais mostrava o que sentia, que fez seus pés se moverem novamente. Apenas percebeu que se movia, enquanto descia os degraus, acompanhada pelos olhos do grande homem sombrio sentado em frente a seu pai. Não ajudava o fato de que ele se limpara fantasticamente bem. Durante o curso do dia ele conseguiu um barbeiro. Um caro. Seu cabelo – longo, desleixado e gorduroso – estava agora brilhante, limpo e graciosamente curto, exibindo a forma elegante de sua cabeça. Nunca o tinha visto em qualquer coisa diferente da rasgada, suja calça jeans e camisas imundas. Agora ele parecia outro homem, vestido em um bem cortado terno azul, camisa de algodão branca e gravata de seda borgonha. Agora parecia com o homem de negócios que era, e um altamente bem sucedido. E aquele homem de negócios a olhava atentamente, passo a passo. Seu pai, normalmente tão astuto e vivo para os modos do mundo, não estava prestando atenção. Ele foi pego no meio da conversa, estava excitado com a companhia. Indelicadamente, agarrou seu uísque e chacoalhou o copo. Oh não! Nicole correu os poucos passos para seu pai, exatamente antes que ele estraçalhasse o copo sobre a mesa. Seu pai pareceu intimidado, a cor agradável da alegria saiu de seu rosto. Nicholas Pearce, tão gracioso durante toda sua vida, com corpo e coordenação de atleta, os quais foram um presente dos deuses porque ele nunca se exercitou, ficou desajeitado. Os tumores estavam roubando sua coordenação motora. A perda vinha muito depressa, ele frequentemente esquecia que não conseguia controlar seus músculos. Ele puxou sua agitada mão de volta, tremendo. Ele odiava fazer bagunça quando estavam apenas os dois. Na frente de estranhos era até mais humilhante. O coração da Nicole apertou duro em seu tórax. Sabia exatamente como ele se sentia por dentro, ter quase derramado uma bebida na frente de um perfeito estranho, um estranho cuja companhia ele estava apreciando. E companhia era rara nestes dias.

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Como seu pai devia se sentir sozinho. Passava seus dias sozinho em uma cadeira de rodas, com a empregada como companhia durante o dia e uma filha cansada à noite. Perdendo peso, ficando mais fraco, dia a dia. Morrer era tão duro. Ela colocou uma mão tranquilizadora em seu ombro, levantando o copo e curvando sua mão ao redor dele. —Desculpe estar tão atrasada, —ela disse para Sam Reston. Ele tinha instintivamente começado a levantar para ajudar seu pai, mas um toque passageiro em seu ombro quando ela passou por ele foi suficiente. Homem esperto. —Não há problema, — disse facilmente. —Tive a oportunidade de conversar com seu pai,

aqui. Estivemos em Jakarta ao mesmo tempo. Ela casualmente segurou o copo de uísque nos lábios do seu pai, olhando com o canto de seu olho. Cuidadosamente, ele tomou um gole. Colocou o copo de volta na mesa, próximo a ele, os movimentos naturais e moderados. Seu pai teve seu gole sem fazer uma bagunça, e sem ser humilhado. —Fazendo coisas ligeiramente diferentes, — seu pai disse. —Sim, senhor, nós estávamos.—Um sorriso apareceu inesperadamente no rosto duro de Sam Reston, o primeiro que ela via. Quase engasgou. Não suavizou aquele rosto duro, mas

destacou as características fortes, fazendo-o parecer quase

bonito. —Nossas ações eram menos

... respeitáveis que as suas, senhor, mas ainda estávamos servindo ao mesmo sujeito. Tio Sam.

Oh Deus, ele não devia sorrir, Nicole pensou. Não, não, não. Teve que repetir para si mesma que a noite era somente um agradecimento por abrir sua porta quando ela estava tão desesperada, e porque dera sua palavra. Ela não queria estar atraída. Não queria que isto fosse um encontro, de qualquer maneira. Isto não era um encontro, de

jeito nenhum. Ela se arrumou toda simplesmente por que

por que sempre tentava estar tão

... apresentável quanto possível, estava em sua natureza. E as borboletas correndo em estômago quando ele virou para olhar para ela? Surpresa por vê-lo vestido como um homem de negócios. Estava perfeitamente preparada para gastar algumas horas muito chatas com Sr. Músculo como um obrigada, para saldar uma dívida. Ir com ele em algum restaurante comum, comer uma comida comum, escutá-lo falar sobre si mesmo – em sua experiência, as conversas dos homens iam de seus trabalhos até os brinquedos mais recentes e retornavam ao trabalho, raramente divergindo--fechar sua mandíbula, assim ela não bocejaria, voltar para casa, desviar os avanços no escuro e dizer boa noite com um suspiro de alívio antes das dez. Nada que não tivesse feito centenas de vezes antes. Seu padrão em encontros. Passar uma noite com um homem que fez seu pai rir, e que tinha um encantador e inesperado sorriso, não, isso não estava mesmo no programa. Para não mencionar que o homem conseguia deixá-la sem ar com um mero olhar.

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Nicole não tinha nenhum tempo para um homem em sua vida. Nenhum. Seu pai estava muito doente. Estava se enfraquecendo quase diariamente. Cada dia era um dia a menos do que sobrava de sua vida. Mantinha uma fachada serena enquanto o via morrer, lentamente, polegada por polegada, dia a dia. Sua vida inteira se revolvia ao redor da enfermidade do seu pai, enquanto tentava pagar todas as contas. Não existia tempo para um homem, para uma vida de amor. As únicas coisas que podia se permitir eram a atenção para seu pai e para o trabalho. Sam precisava saber isto, assim que possível. Aquele olhar que ele deu tinha vários significados. Ele tinha que saber que não existia nenhuma possibilidade de qualquer coisa entre eles.

Ele levantou, curvado acima de seu pai e brevemente segurou sua mão, fingindo não notar que a mão do seu pai tremia na sua. —Foi um prazer conhecer o senhor, Embaixador Pearce. Eu espero ansiosamente conversar com você novamente. As bochechas do seu pai ficaram novamente rosas de prazer. —O p-p-prazer foi todo m-m-meu, eu asseguro a-a-você. — Papai estava cansado. Quando seus escassos recursos físicos falhavam, ele começava a gaguejar. Nicole foi silenciosamente até a cozinha e sinalizou para Manuela que estava na hora do jantar e então cama. Manuela entrou na sala com um sorriso largo, enxugando suas mãos em seu avental. Sam esperou até Manuela estar curvada acima de seu pai e, com um movimento de sua cabeça e uma murmurado "Madame" para Manuela, tomou o cotovelo de Nicole e a encaminhou para a porta. Desceram os degraus e caminharam pela calçada abaixo em uníssono. Nicole percebeu que ele estava encurtando seus passos largos para ela. Ele parecia estar de alguma maneira afinado com seus movimentos, sem nem estar olhando para ela. Esquadrinhava a rua adiante. Ainda assim, tinha a impressão que, embora sua atenção estivesse na rua em frente, ele a pegaria caso ela tropeçasse em suas bonitas, porém impraticáveis sandálias. Do outro lado da rua, as cortinas da janela da sala de estar abriram e os Nojentos espiavam, ainda mais Nojentos. Ela suprimiu um tremor. Quando seus avós compraram este casa, no início dos anos sessenta, era uma área de classe média superior, o lugar perfeito para um casal educar uma família durante os anos de Kennedy. Seguro, ordenado e próspero. Nicole ouviu sua mãe falar frequente e afetuosamente sobre sua vida na Rua Mulberry, no meio de famílias que se conheciam e socializavam. Mas algo aconteceu com a rua depois que Meredith Loren cresceu, casou com Nicholas Pearce e passou os trinta e cinco anos seguintes no exterior. Nicole não sabia se era por causa da explosão demográfica ou econômica, ou se alguém colocou uma maldição no local. Qualquer que fosse o motivo, tornara a área inteira um receptáculo para os perdidos e os desesperados, pessoas nos últimos degraus antes de cair.

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A grande casa do outro lado da rua onde a melhor amiga de sua mãe uma vez viveu, mudara de mãos umas vinte vezes e agora estava em um estado precário, nas mãos de um proprietário ausente e alugada pelas pessoas mais lamentáveis que se podia imaginar. Mães solteiras desprezadas, homens divorciados miseráveis de meia idade que acabavam de perder seu décimo trabalho em um ano, estranhos imigrantes ilegais que a mantinham com a cabeça baixa. E, pior, parecia ser o Clube dos Desajustados, um lugar onde jovens desequilibrados se reuniam para brigar e cuspir sua ira no mundo. Existiam dois em particular, um negro e um branco, o Idiota e o Mais Idiota, ambos com os cabelos rastafari e muito perfurados, ambos com os fundilhos das calças até seus joelhos, sempre drogados ou bêbados. Ambos fixados nela. Quando a viam, era como se algum sinal inaudível fosse irradiado para cachorros. Eles endureciam, começavam a assobiar, gritando obscenidades. Sozinha, a defesa de Nicole era entrar em seu carro tão depressa quanto possível, travar as portas, e sair rápido. Noutro dia, horrivelmente, o loiro moveu-se rápido e bateu na janela lateral de passageiro do seu carro enquanto ela estava entrando. Ela fechou as portas com um baque e saiu tão depressa quanto podia, o coração disparado.

A coisa toda foi incrivelmente

desagradável, para dizer pouco.

... E aí estavam eles, os dois. Para sua sorte. Como se a porta fechando atrás dela fosse um

sinal secreto, o Idiota apareceu na varanda seguido pelo Mais Idiota. Sam a sentiu endurecer a seu lado, seguiu seu olhar, e apertou a mão em seu cotovelo. Eles começaram com os barulhos e assobios, altos o suficiente para perfurar os tímpanos. Nicole olhava para seus pés e caminhava tão rápido quanto podia. A experiência a ensinou que olhar para eles, reconhecer sua existência, só fazia as coisas piores. Ela e Sam caminharam pela rua abaixo juntos enquanto ele calmamente a escoltava para seu carro, BMW, um último modelo, azul escuro. Ele a acomodou no banco do passageiro e caminhou

ao redor para o lado do motorista. Parou por um segundo antes de entrar, olhando acima para os dois idiotas rindo e assobiando da varanda. Ela soube o que eles estavam vendo. Um sujeito que se vestia como um homem de negócios

que ...

não era. Quando ele viu os dois, imediatamente entrou no modo soldado que tinha dentro

dele. Surpreendente. Estivera próxima a ele, pensando que ele era muito, muito grande quando o ar ao redor dele ficou super carregado e ele cresceu ainda mais. O homem tinha sido um soldado de Forças Especiais, um SEAL da Marinha, pelo amor de Deus, e ganhou um peito cheio de medalhas. Ele acabaria com o Idiota e o Mais Idiota com as mãos nas costas. Tudo que ela via era um pedaço do torso pela janela do motorista, mas o dois vadios devem ter visto mais, porque o assobiar e as risadas pararam, como se, abruptamente alguém tivesse posto uma mão ao redor de suas gargantas e as tivessem apertado. Os machos são, acima de tudo, animais. Um rebanho de animais, com um instinto muito agudo para o macho alfa e quando ficar fora de seu caminho.

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Apenas o olhar de um minuto, e os olhos do Idiota estavam no chão em inconsciente submissão, outro minuto e eles se viraram emburrados e lentamente voltaram para o lado de dentro, batendo a porta da frente. Nunca, jamais, nem em um milhão de anos Nicole conseguiria fazer isso, nem mesmo com uma arma na mão, imagine só com um olhar. Sam sentou no banco do motorista, os músculos da mandíbula saltando. Assim que ele se acomodou, as fechaduras foram ativadas. —Isto é mesmo coisa de homem, —Nicole disse, suspirando. —Eu jamais poderia dominá-los com um olhar. —Não, você não poderia. — Ele jogou um olhar para a varanda dianteira, então seu olhar voltou para ela. Curvou-se sobre ela, pegou seu cinto de segurança e o travou. Seus ombros eram tão largos que bloqueavam a luz da noite que entrava pela janela da porta do motorista quando ele girou para ela. —Este é seu Modus Operandi habitual? De pé na varanda, gritando e assobiando para você como se você fosse um cachorro? —Sim. — Nicole suspirou. Os músculos tensos começaram a relaxar novamente. Era quase impossível ficar com medo dentro do carro grande, seguro, bloqueado com Sam Reston ao volante. —Eu acho que eles têm um repertório muito estreito de comportamento. Seu escuro olhar sério encontrou o dela. —Eles estão avançando? Indo mais adiante? Porque é isso que punks gostam de fazer. Sentem os limites, então empurram até que você empurre de volta. Você não vai puxar uma arma de fogo para eles. Se você fosse, já teria feito. Então eles começam a avançar. Um passo, depois outro. Eles estavam avançando? Eles se mudaram um mês atrás. Ou talvez não morassem lá. Apenas apareciam, como mofo, vindo de parte alguma. A primeira semana eles olharam fixamente para ela através da janela. Então eles saíram e a olharam fixamente. Era enervante, mas ela lidou

com isto. Quando ela chegava na esquina, ela esquecia que eles existiam. Na segunda semana as risadas e os assobios tinham começado, junto com gestos rudes e obscenos. Demorou o caminho todo até a cidade para tirar a revolta de seu sistema. No outro dia, quando o Idiota bateu na janela do seu carro, bem, isso verdadeiramente a assustara.

—Eu acho

eu acho que eles poderiam estar avançando, — ela calmamente disse. Pronto.

... Colocou isto em palavras, aquele mal estar pairando como uma nuvem cinza atrás de sua mente. —Um deles bateu na janela quando eu saí outro dia. Eu lembro que pensei que eu podia ficar em apuros se o carro não arrancasse. Ele movimentou a cabeça. —Eu tinha medo disto. Existem coisas que você pode fazer para bloquear o avanço. Muito melhor, existem coisas que eu posso fazer ... Ele deixou isto pendurado no ar. Nicole fechou seus olhos em alívio. Oh Deus, sim. Deixe o problema do Pavor Rastafari com ele. Coloque a encrenca sobre aqueles ombros largos, bronzeados e suas mãos muito capazes. Não havia dúvidas de que Sam poderia lidar com

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os trastes com quase envergonhada facilidade, muito, mas muito mais facilmente do que ela podia ter esperança de fazer. Ele os congelara literalmente com um olhar. A tentação para deixá-lo lidar com o dois trastes era tão forte que teve que cavar suas unhas nas palmas de suas mãos para voltar à realidade. Tê-lo cuidando deste problema para ela era uma tentação enorme. Mas ela não conhecia Sam Reston de qualquer forma. Ele não era seu companheiro de nenhuma maneira. Se ele advertisse os Nojentos com sua aprovação e ela nunca mais o visse novamente, eles notariam e dobrariam o assédio. —Não, — ela relutantemente disse. —Eu penso que seria melhor eu lidar com isto. Ou tentar. Ele movimentou a cabeça, mas não ligou o motor ainda. Ele se ajeitou, as grandes mãos curvadas em torno do volante, olhando para ela. —Diga o que quiser. — Seu olhar passou por ela e foi para onde os dois rostos violentos olhavam pela janela da varanda. Ele deu um soco agudo na buzina e os rostos desapareceram, a cortina bege suja tremulou de volta no lugar. —Meu irmão Mike é um policial. Eu posso pedir para

ele passar por aqui de vez em quando. Parar na frente de sua casa e dizer oi. Deste modo eles saberão que você tem a polícia nas suas costas. —Isso seria maravilhoso. Obrigada. — Nicole tentou manter o alívio fora de sua voz. Era uma solução perfeita. Suficiente para intimidar os delinquentes e manter os dois idiotas distantes, sem estar diretamente ligado a Sam Reston. Era uma solução elegante. —Soa bem. Eu fico muito agradecida. —Seu nome é Mike Keillor e ele passará aqui amanhã. Eu darei a você seu número.

—Perfeito. Eu vou

—Ela parou. —Keillor? Eu pensei ter ouvido que ele era seu irmão.

... —Ele é, em todos os sentidos que importam. — Bem, isso era intrigante. Sam não continuou. —Certo. Passar por aqui algumas vezes seria de grande ajuda. Eu penso que aqueles dois são mais idiotas que perigosos, mas ... —Você pode ser estúpido e perigoso ao mesmo tempo. — A boca de Sam apertou. —O

mundo está cheio de homens estúpidos e perigosos. —Eu cresci no mundo inteiro, — ela respondeu. —Tenho bons instintos para isso. Ela sorriu para ele. Ele ainda estava virado em direção a ela, uma expressão fixa em seu rosto. Embora parecesse sombrio, tinha sido muito gentil, achando uma boa solução para um problema espinhoso sem autoritarismo e sem se impor. Em vez de pôr o carro em movimento, como ela esperava que fizesse, ele se debruçou adiante e deu um beijo nela. Apenas um roçar, realmente. Mas Nicole de alguma maneira ficou com dificuldade em respirar. Ela jogou fora um pouco de ar, abriu sua boca--e nada saiu.

Ela podia objetar, claro. Como ele presumia que podia simplesmente vir para cima e

beijá-

... la. Assim, sem mais nem menos. Mas Nicole se conhecia e sabia que fingir estar indignada não

funcionaria, porque seria uma mentira. O beijo breve estava longe de ter sido desagradável. Instabilizara e enervara, mas não foi desagradável.

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Tinha sido como entrar em contato com algo imensamente poderoso, algo que podia queimar se o contato fosse muito próximo. Quase podia ouvir o zumbido do poder que vinha dele. Ele ligou o motor e estava saindo antes dela poder reagir. Olhava fixamente para frente, mas ela sentiu que estava ciente de cada movimento dela. Soldados desenvolviam boa consciência situacional, como eles chamavam isto. —Tenho ansiado por isso desde que a vi se mudando. — A voz profunda soava verdadeira, declarando algo óbvio. Ele deu um rápido olhar para ela, não sorrindo como um macho que fez um avanço. Não, ele estava mortalmente sério, como se estipulando um objetivo militar. —Foi melhor do que eu imaginei. Nicole soprou uma respiração pelo tórax repentinamente apertado. Não tinha nenhuma resposta, nenhuma mesmo.

Nova Iorque, 28 de junho

Ele era alto, loiro e de olhos azuis. Muito claro, propenso a sardas ao sol, cortesia, sem dúvida, de um Cruzado que estuprou uma de suas antepassadas em Acre, fazendo com que herdasse os genes covardes do Oeste. A covardia foi tirada fora dele por séculos de guerreiros árabes, mas a coloração permanecia. Ele não se importava. Era um presente de Allah 8 . Sua arma contra os infiéis, a ser usada até o final, imshallah 9 . Nascera para isto. Nascido para ajustar-se com a sujeira. Nascido para a vingança. Muhammed Wahed, também conhecido por Paul Preston, tinha a fachada perfeita. Um corretor de títulos de Manhattan, um das dezenas de milhares que trabalhou duro nos moinhos de dinheiro em Wall Street. Era uma fachada genuína. Estudou economia em Stanford e fez mais de dez milhões de dólares nos últimos cinco anos investindo na bolsa. Era um dos poucos comerciantes que lucrou com a recessão. A maior parte do dinheiro foi para "a Causa." Liberdade para a Palestina. A destruição dos judeus. E onde melhor para fazer dinheiro para aquela destruição que na barriga da besta, Manhattan? Seus irmãos no Hamas 10 trabalharam duro nisto. Vinte anos sendo treinado para se misturar, e três anos de planejamento, de obtenção de suprimentos, evadindo os sensores do NSA e os espiões que estavam em todos os lugares.

  • 8 Palavra utilizada em árabe para designar Deus.

  • 9 Se Deus quiser, em árabe.

10 Movimento de Resistência Islâmica, organização fundamentalista islâmica radical que opera em Gaza, Judéia e Samaria. Utilizam meio políticos e violentos, incluindo o terrorismo.

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Muhammed trabalhou toda vida pelo que aconteceria em cinco dias. À véspera da celebração do Quatro de julho. Um momento hábil para fazer a América cair. No dia Quatro de julho, Manhattan seria um solo improdutivo e a América estaria de joelhos. O plano era perfeito. Quarenta mártires em um porão secreto de um navio. Vários caixas com latas de césio 137, a serem divididas em partes iguais entre eles. Quarenta mártires usando roupas mulçumanas com cintos explosivos atados com césio radioativo, detonando no mesmo momento em três de julho ao longo de Manhattan. Muhammed conhecia Manhattan, sabia exatamente onde estavam os pontos nevrálgicos deste mundo financeiro. Ele apontou quarenta edifícios, o centro nervoso dos americanos e da economia mundial. Bancos, casas de corretagem, fundos privados. O SEC, agência de Proteção e Intercâmbio. O Banco de Reserva Federal de Nova Iorque. Os mártires não tinham que subir para os escritórios, necessariamente, entretanto Muhammed marcou compromissos com nomes falsos com os diretores e presidentes para todos eles. Mas se não conseguissem entrar no coração dos edifícios, seria suficiente entrar nos salões de entrada e explodir a eles mesmos para que os edifícios ficassem inabitáveis. As dezenas de milhares de trabalhadores nos edifícios teriam que sair dos salões de entrada sob o efeito da radiação e nunca voltariam para trabalhar novamente. Somente a equipe de material perigoso entraria nos edifícios. No dia seguinte, toda Manhattan seria evacuada. Toda a papelada, os computadores que controlavam a economia --acabada. Completamente inútil. Todos os que trabalhavam nos moinhos financeiros, morrendo de envenenamento com a radiação. Perfeito. Terminar o trabalho iniciado em 11 de setembro e fazer da ilha inteira um deserto radioativo por trinta anos, do mesmo modo que o Oeste fez de sua pátria um deserto. O capitalismo ocidental não existiria mais. Fazer o Oeste ficar de joelhos era seu sonho desde que fora recrutado para a organização quando tinha dez anos de idade. Eles o acharam nos acampamentos, um órfão sem casa, roubando sucata na miséria, vestido em trapos, loiro, de olhos azuis, a pele estranhamente iluminada. Levaram-no com eles, lhe deram uma família e um propósito. Ele era como uma seta, apontada diretamente para o coração do Oeste corrupto e licencioso. O Hamas trouxe tutores, o instruindo não só no idioma do Oeste, inglês, mas em seus modos. Às vezes, sentia que eles tinham medo de que sucumbisse à tentação do Oeste, mas não existia nenhum risco disto. Nenhum. Não existia nenhuma honra e nenhuma solidariedade em ser encontrado entre os infiéis. O coração e a alma do Muhammed pertenciam para sempre ao Hamas e para suas pessoas, para o dia de sua morte. Eles brigaram, seus encarregados e ele. Ele quis se tornar um guerreiro, vestir-se como um deles, ser um mártir. Era a vida mais pura que podia imaginar, severa vingança contra os países que estavam tentando esmagar o Islã. Desistir de sua vida parecia o propósito mais nobre que podia imaginar.

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Mas parecia que o presente de sua cor, seus olhos, era um desperdício muito precioso. Então Muhammed via com ciúme calado como outros homens jovens eram treinados no acampamento e despachados em segredo para encontrar a morte do guerreiro nobre enquanto ele passava seus dias e noites com um tutor após outro, instilando nele a habilidade de se infiltrar no inimigo com facilidade, para melhor destruí-lo. Inglês, francês, literatura, música, matemática, ciências. E a terrível cultura pop do Oeste, com filmes cheios de música e nenhuma vergonha, prostitutas e homens cruéis. Sua cabeça estava cheia com o conhecimento inútil necessário para passar por um deles. Acabou que ele até tinha uma aptidão para os estudos, o que encheu seu coração de vergonha. Seu coração jovem doía por não poder ser como seus irmãos, poder mudar e viver como um deles. Mas a ele foi dito inúmeras vezes que Allah o escolhera para uma missão especial. Isso o tinha feito um menino sozinho no acampamento, fazendo com que todo mundo o olhasse com abominação e suspeita, com o objetivo de ser usado em nome de Allah para matar seus inimigos. Então Muhammed estudou duro, ficando bem versado nos modos do Oeste. Uma identidade foi criada: Paul Preston. Uma operação foi cuidadosamente planejada para sua retirada pelo Mediterrâneo. Foi bastante fácil sua saída do acampamento e chegada na Itália, onde emergiu em Roma com um novo passaporte dos Estados Unidos um bilhete de negócios para entrada na Califórnia. Foi enviado para Stanford para estudar economia, onde saiu-se muito bem. Era seu modo de combater o inimigo, estudar em sua cara, entendendo sua negra alma corrupta. Ele se tornou Paul Preston, nascido de um pai americano e uma mãe inglesa. Formou-se summa cum laude 11 em economia, com uma rede de pessoas em importantes organizações para usar.

Foi instalado em Manhattan com um milhão de dólares e ordens para juntar-se a uma firma de corretagem. O Hamas financiou tudo e tinha dinheiro suficiente para desperdiçar, se fosse necessário. Mas ocorreu que Muhammed foi educado nos modos do Grande Satanás e era muito inteligente. O milhão logo cresceu para cinco, então dez. Ele desenvolveu uma reputação sólida como um operador de bolsa muito bom, muito cuidadoso com o dinheiro. Compraram um apartamento em Upper East Side que era perfeito para alguém em sua condição socioeconômica. Muhammed, agora Paul, tinha ingresso garantido para o Metropolitan Opera House, bem como para os invernos em Vail e verões ao sul de Cape Cod, em Martha’s Vineyard. E em todo esse tempo, os planos dos seus irmãos estavam se desenvolvendo, todas as peças sendo colocadas em seu lugar. Equipamentos comprados ou roubados, mártires recrutados. Material radioativo lentamente adquirido.

11 Summa Cum Laude (Com a Maior das Honras) representa a maior distinção e é o reconhecimento por obter a máxima qualificação possível em uma titulação universitária, especialmente nos níveis do mestrado ou doutorado. Corresponde aos graduados com um nível não menor de dezenove ou vinte pontos obtidos.

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Finalmente, finalmente, o tempo chegou. Muhammed começara a se desesperar, quando de repente uma mensagem chegou. Um DVD codificado em sua caixa postal, com instruções em como destruí-lo, uma vez que pegasse sua mensagem. Como seu coração bateu, o quão orgulhoso ele estava de seus irmãos, do plano criptografado no disco. Era pura genialidade. Quarenta homens, caminhando com bombas sujas. Todos aqueles anos de estudo e trabalho finalmente seriam pagos. A Irmandade precisava da ajuda de Muhammed para saber para onde apontar estes punhais humanos. Precisavam de nomes e lugares. Os nomes que só alguém infiltrado dentro da indústria de finanças podia conhecer. Muhammed os conhecia, oh sim. Sabia exatamente para onde o ponto do punhal devia empurrar. Que negócios destruir, uma precisão cirúrgica batendo no coração da economia. O distrito financeiro inteiro, acabado, destruído, tornando o solo improdutivo. Manhattan vazia, seus habitantes se tornando leprosos radioativos, condenados a uma morte lenta e dolorosa. Perfeito. Um plano que deixaria o Oeste de joelhos, em submissão com a vontade do Profeta. Estava tudo em seu lugar, tudo perfeito. E agora isso. A carranca de Muhammed aumentou quando decifrou o e-mail recebido. Problemas. Um membro da tripulação do Marie Claire, o navio levando os mártires, disse que alguém, da Autoridade Portuária de Marseille viu o porão secreto, viu os homens, as roupas, os cintos e a caixa com as latas com seu universalmente conhecido símbolo radioativo e entendeu o significado. Afortunadamente, o homem tinha sido morto, mas esteve só em seu escritório com seu computador por uns bons cinco minutos. Verificando o servidor, uma mensagem com anexo foi enviada para pearce@wordsmith.com no período de tempo entre a chegada do balconista em seu escritório e sua morte. O exame no fim do anexo mostrava apenas um texto técnico com planos para expandir o porto, mas a mensagem e quem a recebeu tinham que ser destruídos. O Google disse a ele que www.wordsmith.com era uma agência de tradução com sede em San Diego. O nome do sua proprietária era Nicole Pearce. Algo tinha que ser feito rápido. O Marie Claire estava a caminho. Pararia a cem milhas do porto de Nova Iorque. Os mártires seriam desembarcados de noite para quatro barcos rápidos que os levariam a Nova Jersey, e de lá de ônibus para Manhattan. O Marie Claire sairia em breve do porto e estaria a caminho do Panamá quando as bombas explodissem. Ninguém jamais iria suspeitar. Tudo estava em seu lugar, à exceção do e-mail para Nicole Pearce, um problema em potencial. Vinte anos de planejamento estavam para ser coroados com a vitória. Era inconcebível que falhassem. Até mais inconcebível que a falha ocorresse por causa de uma mulher ocidental.

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Não podiam falhar. Muhammed tinha um plano. Nos níveis mais altos das finanças Americanas, no suave coração da América, Muhammed

ficara surpreso ao saber que existiam homens duros. O dinheiro era defendido muito ferozmente quando chegava neste mundo enigmático, pelas leis de ferro da guerra, se necessário. Como todo senhor feudal, os reis da guerra das finanças eram exortados a lidar com os problemas. Um informante ameaçando derrubar um negócio lucrativo, uma esposa divorciada ameaçando denunciar os recursos do ex-marido à receita federal, o cabeça de uma companhia rival cujo avião

teve que afundar

...

Estes

guerreiros existiam para lidar com isso. E os homens de dinheiro sabiam

onde procurar. Há algum tempo atrás, tarde da noite, depois de um luxuoso jantar e uma garrafa de mil

dólares do conhaque que Paul aprendeu a consumir, um homem foi mencionado. Ele tinha muitos nomes e ninguém conhecia seu passado, apenas que fora treinado para ser um assassino eficiente pelo Exército dos Estados Unidos. Não importava seu nome, o importante era o que ele podia fazer.

Qualquer coisa. Ele podia fazer qualquer coisa para você, pelo preço certo. Também comandava altos recursos e treinava homens. Não importava a missão, ele podia lidar com isto. No mundo das altas finanças sua riqueza era ferozmente defendida quando ameaçada e tinha seu próprio especialista, obscuro, rápido, esperto. Paul só conhecia seu apelido: Bandido. Não sabia nada mais, a não ser que existia um número de telefone celular. Ele não tinha o número, mas sabia quem tinha. Muhammed pegou seu telefone e começou o longo processo de organizar uma reunião com um dos homens mais poderosos no mundo. Era um processo humilhante, mas Muhammed engoliu seu orgulho. Rapidamente, o mundo de desonra seria eliminado, e Umma 12 renasceria das cinzas no Oeste.

Capítulo 4

San Diego

Para surpresa de Nicole, Sam Reston não a levou a um dos dez melhores e mais caros restaurantes de San Diego, ou um dos que estavam nos guias de comida, de preferência um que tinha sido recentemente visitado por Lauren Spitz, o guru da moda em comida de San Diego, cuja palavra era mais autorizada que a de Deus.

12 No Islã, o termo refere-se à comunidade constituída por todos os muçulmanos do mundo, unida pela crença em Alá, no profeta Muhammad (Maomé), nos profetas que o antecederam, nos anjos, na chegada do dia do Juízo Final e na predestinação divina. É irrelevante a raça, etnia, língua, gênero e posição social dos seus membros. Todo muçulmano deve velar pelo bem-estar dos integrantes da Umma, sendo estes, muçulmanos ou não.

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Os homens têm padrões muito simples de pensamentos. Nicole aprendeu aquele fato por longa exposição ao gênero. Sam Reston sabia perfeitamente bem o que ela pensara, que ele era algum tipo de mão de obra contratada de baixo nível, a um passo de ser um vagabundo, porém, ao contrário, era o proprietário de uma companhia bem sucedida e provavelmente ganhava dez ou vinte vezes mais que ela. Um sujeito normal a levaria em algum lugar que mostrasse o quanto estivera errada sobre ele e o quanto ele era bem sucedido e poderoso. Esfregaria isso na cara dela. Faria com que sofresse um pouco de remorso por pensar mal dele. O caminho mais fácil para isto seria gastar muito dinheiro em um jantar, no mais exclusivo e caro restaurante, o melhor. Mas parecia que Sam Reston era diferente da maioria dos homens. O beijo leve a fez se calar. Não tinha nenhuma ideia do que dizer. Então passou a viagem de carro agradecida, refletindo sobre o fato de que talvez Sam a ajudasse a ter uma escapatória do Nojento e do Mais Nojento. Fazia silêncio no carro enquanto se dirigiam para o sul, uma parte periférica da cidade que nunca estivera antes. Percebeu quando Sam começou a diminuir a velocidade. Isto definitivamente não era território de restaurante caro. Era, porém, uma área alegre, com muita diversidade étnica, principalmente espanhóis, mas com fortes sabores asiáticos. Sam dirigiu por taperias e taquerias e restaurantes vietnamitas e tailandeses, finalmente entrando no estacionamento de um baixo, largo restaurante cercado por jardins. BALADI, anunciava um grande outdoor, e se isso não fosse suficiente, tinha uma árvore de cedro graciosamente cobrindo metade do outdoor. Nicole deu uma risada encantada. Ela girou para Sam quando ele parou o carro no estacionamento cheio. —Oh meu Deus! Um restaurante libanês! Como você podia saber que eu amo a arte culinária libanesa? Sua boca dura aumentou sua excitação. —Eu confesso que verifiquei seu site na web. Lá dizia que você passou algum tempo em Beirute. Ninguém pode viver no Líbano e não amar a comida. Eu amo, também. Este é um dos melhores restaurantes libaneses que eu já comi, então espero que você aprecie. Ele estava operando um milagre. Seus músculos já estavam relaxando. Não importa quanto tempo levasse, ao fim da noite teria tido uma comida fantástica e uma noite rara jantando fora. O fato é que realmente precisava desta noite para ela. Não tinha comido fora, em o quê? Seis meses, talvez? Não, mais como sete meses. E então esteve em um restaurante extremamente chato com comida suave, insípida. Ignorou seus instintos e aceitou o convite para jantar do cliente. Sua conversa foi ainda mais suave e mais insípida que a comida. Ele ficou sabendo como seu pai estava doente, embora papai não estivesse completamente limitado por uma cadeira de rodas, então. Foi uma noite desastrosa e ela não tinha saído desde então. Sem tempo. Sem dinheiro.

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Qualquer tipo de companhia que Sam Reston fosse nem importava, ela estava realmente esperando ansiosamente pela comida. Existia um longo trecho com pedregulhos e ele colocou uma mão em suas costas à medida que subiam. Estava realmente agradecida por aquela mão já que suas sandálias foram escolhidas mais pela beleza que pela funcionalidade. O calor de seu toque penetrou o material de sua jaqueta e o vestido. Ela olhou em volta quando alcançaram a entrada. O edifício não era luxuoso, mas parecia bem cuidado e amigável. A grande janela exibia uma paisagem de pessoas felizes jantando à luz da noite. A decoração era simples e funcional, garçons alvoroçados e animados. O piso era extenso. Fora, à direita ela podia ver ... —Oh minha nossa. São tomates? — Enfileirados perfeitamente em estacas espaçadas com nós de pequenos botões verdes fora das plantas. E agora que ela olhava mais perto, podia ver minúsculos tufos de tenra alface, ainda bebês, pimentas brilhantemente coloridas, abobrinhas. Sam olhou para ela. —O proprietário produz a maior parte de sua matéria-prima. Ele diz que desse modo sabe o que está conseguindo. E é delicioso, o que é uma vantagem adicional. Ela sorriu. —Me lembra as ladeiras fora de Beirute. Todos aquele jardins e hortas. — Você podia sempre contar em ver um membro de idade avançada da família, cuidadosamente capinando e regando, um turbante em sua cabeça para proteger contra o sol quente do mediterrâneo. —Sim. — Sam sorriu. —Costumávamos subir as colinas e fazer piqueniques com os sujeitos com os quais treinávamos. Colher figos das árvores, era ótimo. Sam era conhecido aqui. Quando abriu a porta para ela, um bonito homem de pele azeitonada vestindo um avental longo veio da cozinha apressado em direção a ele. Deram um ao outro um daqueles tapas varonis nas costas, enquanto as mulheres teriam se beijado, e o homem virou os olhos escuros, inteligentes, para ela. Sam fez as honras. —Nicole, conheça o melhor chefe de cozinha do estado, Bashir Fakhry. Bashir, esta é Nicole Pearce. Ela viveu em Beirute por alguns anos. —Prazer em conhecê-lo. — Nicole conhecia aquela frase em árabe, tendo usado milhares de vezes em Beirute. —Bem-vinda a meu restaurante. Espero que você aprecie a comida. —As bonitas sílabas árabes fluíam como água morna enquanto ele tomou sua mão e curvou-se para um beijo. —Obrigada, eu espero ansiosamente por isto. Você tem um lugar muito bonito aqui, — Nicole respondeu cuidadosamente, agora tendo que criar uma oração real. Árabe não era seu idioma mais forte e ela era propensa a enganos gramaticais. Não cometeu nenhum engano ou Bashir a perdoou. Abriu um sorriso radiante para ela.

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—Uma beleza além de qualquer comparação e fala árabe, — ele murmurou, os olhos escuros líquidos cintilando. Atirou um olhar astuto para Sam, então sorriu de volta para ela. —Abandone este vagabundo e fuja comigo. Nicole riu. Seu inglês era excelente, com um pouco de sotaque. Nicole estava certa que Bashir era um grande galanteador com as senhoras. Ela amava a extravagante personalidade dos libaneses, que conseguiram manter sua humanidade até quando seu país era despedaçado. Nicole tivera sorte suficiente para estar no Líbano durante um período de paz, anos depois

do fim da guerra civil e antes da nova guerra começar. Seu pai fora Chefe da Missão da Embaixada de Beirute por dois anos. Ela apenas começara seus estudos em Genebra, mas passava seus verões no Líbano, apreciando a companhia dos seus pais, se divertindo, estudando árabe e paquerando com o adido cultural da embaixada, que ela suspeitava, pertencesse à CIA. Bashir os levou através do restaurante, sala depois de sala de barulhentos e felizes comensais, até um sala silenciosa, pequena, na parte de trás onde uma parede de vidro espelhada acabava na luxuriante horta.

A sala era deliciosa

íntima e ardente com a luz da noite. Ele os acomodou em uma mesa de

... canto, em ângulos certos de um para o outro. Nicole se divertiu ao notar que Sam imediatamente tomou a cadeira com suas costas para a parede, o que significava que ele tinha que virar a cabeça para apreciar a bonita vista. Bashir desapareceu sem tomar quaisquer pedidos, mas dentro de um minuto, uma menina jovem e bonita apareceu com ele e começou a servir tigela depois de tigela de comida. Uma cheia de mezze 13 perfumada e que parecia deliciosa. Um homem jovem que compartilhava a semelhança com a família desarrolhou uma garrafa de vinho de Baalbek 14 e despejou um dedo no copo de Sam. Ele prestou atenção como Sam experimentava e movimentava a cabeça. Sam acenou um dedo longo no copo de Nicole. —Eu não direi nada até a senhora saborear. Nicole tomou em pequenos goles e estreitou seus olhos com a explosão do gosto em sua boca. Raio de sol, cerejas, carvalho ... —Uau. Sam movimentou a cabeça. —Eu penso que isso está bom, então, Maroun. Obrigado. O homem jovem desapareceu. Nicole olhou em volta, contente com tudo. A sala, a vista, a comida, o vinho. O homem. Já era a noite mais agradável que ela teve em, oh, pelo menos um ano, e nem tinha comido ainda. Até agora, Sam Reston não disse ou fez qualquer coisa antipática, o que o colocava nos dez por cento dos encontros. A comida parecia gloriosa, o vinho estava magnífico.

13 Meze ou mezze (em grego: Μεζές) é uma seleção de acepipes tradicionalmente servidos com ouzo na Grécia e raki na Turquia. Meze em turco significa “refeição ligeira”.

14 Baalbek ou Balbek (em aramaico Balabakk) é uma cidade histórica do Líbano.

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Seu pai estava em boas mãos hoje à noite. Ela conseguiu o contrato com o Mestre da Wall Street, um milímetro mais próximo se não da riqueza, ao menos da solvência. Talvez. A noite lembrava a ela dias mais felizes, seus verões com sua família e com amigos. Lembrava a ela de outra vida, perdida. Sam imergiu uma folha de alface quebradiça no hummus 15 em uma tigela esmaltada decorada em volta com as cores da Terra. —Se você já está sorridente, então eu quero ver depois que você pôr isto em sua boca. — Ele segurou para ela. Seus dedos a tocaram quando aceitou o petisco. Foi um pouco como um choque elétrico. Nicole parou, a folha balançando em sua mão e olhou para ele, preocupada. Oh não. Não, não, não. Justo quando ela estava tendo uma noite agradável, também. Quando seus dedos se encontraram, uma explosão poderosa de calor entrou por seu sistema, da cabeça para o dedão do pé, como se estivesse em frente a um forno aberto. Rubor quente clássico, só que ela não estava na menopausa. Oh Deus, não. Estava atraída por Sam Reston. Maciçamente. Estivera escondido por sua pequena viagem ao mundo da sujeita, mas aparentemente debaixo, zumbindo como um motor poderoso, existia a atração. Atração sexual. Atração sexual selvagem, de uma intensidade que nunca experimentara antes.

Ficou alegre ao pensar que poderia estar fazendo amizade com ele. Seria agradável ter alguém para sair ocasionalmente, temperado com um pouco de atração sexual, só para manter seus hormônios em dia. Ele passava a maior parte de seus dias trabalhando no mesmo corredor que ela, o que significava, talvez, que poderia ter companhia às vezes em seus almoços, que até agora tinham sido basicamente, iogurte e um sanduíche empacotado, sozinha em sua escrivaninha. Precisava de amizades. Não precisava desta conexão incandescente que atingia todas as zonas erógenas de seu corpo. Desanimada, olhou para baixo, para o petisco sobre a folha de alface, para fora da janela para os jardins nitidamente bem cuidados, então voltou o olhar para Sam Reston. Estremeceu com o calor em seus olhos. Ele viu sua mão trêmula e a posicionou junto a sua. Tirou a alface de seus dedos, enrolou sua mão grande, áspera ao redor da dela e trouxe sua mão para sua boca. Sua respiração era uma baforada quente acima de sua pele. As borboletas revoaram inesperadamente em seu estômago quando ele beijou sua mão.

15 Homus (hommos, ou ainda homus tahine) é uma pasta feita com pasta de grão-de-bico e tahine (pasta de gergelim), que é normalmente temperada com suco de limão, cominho, alho, azeite e páprica. Homus é um prato típico dos países árabes do Oriente Médio.

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Ele entendeu exatamente o que acontecia dentro dela. Seus olhos escuros eram tão inteligentes e tão quentes que ela não conseguiu desviar o olhar.

Se ele tivesse aquele olhar irritantemente satisfeito consigo mesmo, de alguém presunçoso, isto seria fácil. Levante uma parede, coma a comida agradável, mantenha uma conversa leve, seja distante quando disser boa noite e evite o beijo. Mas ele não parecia satisfeito consigo mesmo. Parecia sério, duro, como se a selvagem atração sexual fosse a coisa mais perigosa na Terra. E era. Uma granada carregada, de fato. Oh Deus, ela tinha que parar isso, e rápido.

—Olhe, eu

Os olhos de Nicole se alargaram em desânimo. As palavras não vinham. Isto era

... apavorante. Tudo que saiu foi um sopro de ar de sua garganta apertada. Teve que parar e tentar novamente. —Olhe. —Por pura força de vontade conseguiu verbalizar, tirando sua mão da dele. Tentando, pelo menos. Seu aperto era indolor, mas firme. —Existe algo que preciso dizer para você, Sam, cara a cara. E preciso que você escute cuidadosamente. Ele curvou sua cabeça, os olhos fixos nos dela. —Bem. — Ele apertou sua mão ligeiramente. —Mas eu quero estar tocando em você enquanto escuto.

Bem, inferno. Que ele não a tocasse era parte do que ela queria dizer. Mas a sensação de sua

mão na dela era tão

maravilhosa. Morna, envolta por carne dura, de alguma maneira segura.

... Respirou fundo, porque isto não ia ser fácil. Por um momento simplesmente olhou para ele, para o homem muito grande e forte, o macho mais improvável para acordar sua libido dormente no exato momento em que entrou em sua vida. Tinha uma ponta de remorso pelo que teria que dizer a ele, mas não podia se esquivar disso. Tinha que ser feito.

Desde o momento em que buscou seu pai doente em Dushanbe 16 e foi informada pelos médicos das condições dele, soube que sua vida estava acima da dela e que tudo o mais, exceto o cuidado com seu pai teria que ser jogado fora. Sua vida de solteira despreocupada em Genebra, amigos, uma vida de amor. Tudo teve que ser abandonado. Ela viu isso tudo em um instante, com uma claridade brutal. A única outra coisa que podia permitir em sua vida era o trabalho. Não foi nem remotamente tentada por qualquer outra coisa em sua vida antes, mas de alguma maneira, Sam Reston a fez ansiar, ansiar pela relação que poderiam ter se as coisas fossem diferentes. Mas não eram.

—Isto

...

Esta coisa entre nós

...

— acenou sua mão livre entre eles, —e note bem que eu não

estou negando que existe algo. Mas o que quer que seja, tem que parar aqui. Por mais que eu queira explorar isto, eu não posso.

16 Duchambe, Dushanbe (em tajique Душанбе) é a capital e a maior cidade do Tajiquistão. Situa-se no oeste do país e tem cerca de 562 mil habitantes segundo o censo demográfico do ano 2000.

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Seu rosto estava totalmente impassível e ele ficou em silêncio. Ele até parecia não estar respirando. Estava completamente concentrado nela, todo aquele poder, firmemente enfocado nela.

Ela pediu para que ele escutasse cuidadosamente porque pensou que não iria querer ouvir o que estava dizendo. Ele não mostrava qualquer rastro de contrariedade, entretanto, como a maioria dos homens teria feito. Talvez isso fosse uma característica do soldado, ver o que era. Se não pudesse enxergar a realidade, não importando se não concordava com ela, estava morto. —Explique, por favor. — A voz funda soou pensativa, não brava ou defensiva. —Certo. Preciso dizer a você onde minha vida está agora mesmo. —Respiração funda. Soltando o ar num fluxo controlado. Exatamente como seu professor de ioga a ensinou. —A pouco mais de um ano atrás eu estava vivendo em Genebra, onde fiz a universidade. Estava trabalhando para a ONU como tradutora. Eu amava meu trabalho e tinha um círculo largo de amigos e uma vida social ativa. Ela olhou a janela por um segundo, verificando se a afiada ponta do remorso tinha sido perdida. Como ela tinha sido incrivelmente feliz. Jovem, solteira, ganhando bem. Amava o trabalho, seus colegas, seus amigos, sua vida. A ONU pagava muito bem, em francos suíços e livres de impostos. Genebra era uma cidade de sonho, bonita, verde e segura, cercada por montanhas magníficas com as melhores pistas de esqui no mundo. Um trem pequeno partia da França Meridional e da Itália Setentrional. O mundo tinha sido sua casa. Ela suprimiu um suspiro. Aqueles dias foram embora, para sempre. Olhou de volta para Sam, que a observava firmemente. —Bem, —disse rapidamente, —imagino que você saiba tudo isso se você olhou meu website. Ou pelo menos você sabe o principal. —Sim. — A voz profunda estava baixa. —Eu sei que você viveu em Genebra e trabalhou para a ONU. Soa interessante. Uma pequena e afiada punhalada no coração. —Sim, sim isto era interessante. Eu amava isto. — Nicole se endireitou na cadeira, endurecendo sua espinha. Tinha sido bom. Agora estava terminado. Certo. —Mas agora eu tenho outras prioridades. Eu sempre estive perto de meus pais. Minha mãe morreu em um acidente de carro em 2004 e foi uma perda enorme para meu pai e para mim. Nós acabamos tendo apenas um ao outro. Quando eu me formei e comecei meu novo trabalho, ele era o embaixador designado para o Tajiquistão, com poderes especiais. Parecia feliz em sua nova vida tanto como eu estava com a minha. Então eu não tive nenhuma dúvida ou dificuldade quando recebi o telefonema. Meia- noite, do dia catorze de maio, um pouco mais que um ano atrás. O telefonema era para dizer que papai estava no hospital.

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A boca de Nicole se apertou. Lembrava da cena vivamente. O telefonema veio numa sexta- feira à noite. Programara um feriado esquiando nas geleiras, alegremente pensando sobre a neve e schnaps 17 e schnitzli 18 . Então seu mundo veio abaixo. O telefonema era de um secretário da embaixada, para dizer que seu pai estava no CTI. Uma hora mais tarde, Nicole estava no aeroporto de Genebra, esperando pela primeira das quatro conexões da viagem de 24 horas para chegar ao lado do seu pai.

—A Embaixada disse que meu

meu pai estava muito mal, em coma. Eu saí imediatamente e

... quando cheguei em Dushanbe, papai estava saindo do coma. Ao fazer os exames e tentar descobrir o que acontecia, eles descobriram isto ... Oh Deus. Isto era tão duro de dizer. Sua mão na dele começou a tremer e ele a apertou ligeiramente. Apenas fale. —Descobriram que ele tinha câncer no cérebro. Não um grande tumor, o que seria sério, mas talvez tratável. Seu cérebro estava cheio deles, quase muitos para contar, os médicos disseram. Inoperável. A única coisa que podiam fazer por ele era radioterapia para estender sua vida um pouco, e um pouco de quimioterapia. Eu estava fazendo acertos para ele voar de volta comigo para Genebra, quando ele começou a acordar. Eu sabia que podia dar conta do recado em Genebra. Eu podia achar uma casa maior para alugar; o cuidado médico ali é excelente. A ONU tem um generoso programa de saúde que inclui parentes. Eu estava telefonando para as pessoas, trabalhando nisso tudo. Quando ele estava completamente acordado, papai foi informado de sua

condição. E

e ele me disse que serviu seu país no exterior toda sua vida de adulto, e que agora

... queria ir para casa, voltar para os Estados Unidos para ... A garganta de Nicole travou, simplesmente nada saía. Seus olhos pinicaram e teve que desviar os olhos por um segundo. Ela engoliu. Sam não mostrava nenhum sinal de impaciência. Ele simplesmente ficou parado, olhando para ela, segurando sua mão. Quieto e ainda enfocado. Um minuto, dois. Ela olhou fixamente, cegamente fora da janela até que conseguiu falar de novo. Puxou uma respiração, estremecendo e voltou os olhos para ele. —Morrer. Ele quis voltar para casa para morrer, — finalmente sussurrou. Uma única lágrima foi derramada de seu olho e caiu sobre a mesa. E ela que achava que não tinha mais lágrimas. Sam secou seus olhos com o delo polegar. A pele de seu dedo era áspera, como a língua de gato, o toque delicado. —Sinto muito, — ela disse, curvando sua cabeça. Um encontro para jantar com uma chorona não era nenhuma diversão. —Sente muito? — Ele franziu o cenho. —Por que?

17 Schnapps é um tipo de bebida alcoólica destilada. A palavra em inglês se deriva do alemão Schnaps que é usada para se referir a qualquer tipo de aguardente, particularmente aquelas que contêm teor de 32% de álcool. 18 Schnitzel é um tradicional prato austríaco que consiste em escalope revestido em pão ralado e frito. É uma parte popular da cozinha vienenses e austríaca. Na Áustria, o prato, chamado de Wiener Schnitzel (Schnitzel de Viena), é tradicionalmente decorado com um limão, fatia de filé de sardinha, alcaparras e ou salada de batata ou batatas com salsinha e manteiga.

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Ela sentia muito por tudo. Por que logo iria perder seu pai, por sua vida reduzida, por esta atração que não podia ir a lugar nenhum.

Certo, o próximo pedaço precisava ser dito. —Daquele momento, do momento que eu entendi que meu pai estava muito mal e que ele queria voltar para casa, minha vida foi jogada como uma moeda de dez centavos. Eu deixei meu trabalho e nós nos mudamos para cá, para a casa que minha avó me deixou. — Nicole tentou fazer sua voz soar vibrante. —Então, Sam. Goste ou não, esta é minha vida. Meu pai está morrendo e nós não temos nenhum dinheiro. Enquanto arrumava as coisas do papai, eu descobri que ele investiu sua poupança vitalícia em um fundo mútuo administrado por Lawrence Karloff. Ela movimentou a cabeça quando ele estremeceu. O embaraçoso processo de milhares de pessoas que perderam cada centavo de sua poupança na gigante pirâmide planejada e administrada pela lenda de Wall Street – Lawrence Karloff – ainda fazia manchetes. —Sim, realmente. Papai perdeu cada centavo que economizara em sua vida para aquele Karloff bastardo. Está essencialmente sem dinheiro. E desde que papai teve que se aposentar mais cedo do Departamento do Estado por motivos de saúde, sua pensão foi reduzida. Basicamente, a pensão paga pelas utilidades, comida, impostos e isto tudo. O Departamento do Estado cobre hospitalização. Mas os custos para tratá-lo são altos, nossa empregada, seu fisioterapeuta, os

medicamentos ...

os valores são astronômicos e estão todos sobre mim. Não penso que nós

podíamos ter realmente voltado para os Estados Unidos se minha avó não tivesse me deixasse a casa. Afortunadamente, não temos que pagar aluguel ou uma hipoteca. Caso contrário eu não

acredito que teria sido possível e papai não poderia realizar seu

seu desejo.

... —Então nós voltamos para os Estados Unidos. Eu fundei a Wordsmith com meus contatos da universidade e do meu trabalho na ONU. Tentei trabalhar em casa todo o ano passado, mas não era o ideal. Papai, abençoado seja, interrompia mil vezes por dia, e eu preciso me encontrar com clientes, de forma que decidi alugar uma sala no centro da cidade como escritório. Na Wordsmith nós somos bons no que fazemos, mas ainda é uma típica companhia pequena que cresce continuamente, mas nem sempre temos o suficiente. Com o que eu ganho disto, eu posso apenas acompanhar as despesas médicas. Ela o olhou diretamente nos olhos. Recontar sua vida assim era doloroso e deprimente. E, infelizmente, necessário. —Não estou contando tudo isso para você ter pena de mim. Por favor, não faça isso. Estou fazendo exatamente o que quero fazer agora, não mudaria minha vida de qualquer modo. Mas preciso que você entenda que esta é minha vida e não existe nenhuma razão por que alguns de meus problemas devessem fazer parte dos seus. Não é nenhuma diversão sair com alguém que não tem nenhum dinheiro para qualquer coisa. E não é apenas a questão do dinheiro. Todo segundo de meu dia é dedicado a meu pai ou para trabalhar. Assim é como são as coisas, é isso que eu faço. Eu cuido de papai e trabalho. Eu não saio, não vou ao cinema ou a jogos ou concertos. Não posso nem pensar sobre férias, nem mesmo poucos dias longe. Não deixarei meu pai sozinho e não teria dinheiro para isto de qualquer maneira. Esta é a situação enquanto meu pai estiver vivo, o que eu espero com todo meu coração será o máximo possível. Então você vê, eu não estou

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livre para apenas

sair e brincar com você. Não existe nada alegre ou fácil sobre minha vida agora

... mesmo, Sam. Eu sou, em todos os sentidos, um fardo. Estou dizendo isto para você porque você ... bem, sua expressão corporal é clara. Você parece sentir, por falta de uma palavra melhor, atração. Eu estou certa? Ele movimentou a cabeça, os olhos nunca deixando os seus. —Jesus. Absolutamente. Desde o primeiro segundo em que eu vi você. Ela suspirou. Ele não estava fazendo isto mais fácil. A atração era mútua. A não ser que ela conseguisse explicar muito bem para a inteligência afiada dele a batida acelerada do coração, o leve tremor quando ela o via com aquele olhar perigoso. Ele ainda tinha um olhar perigoso, mas não era medo o que ela sentia. Oh Deus, não. Ele não era bonito, mas tinha características afiadas, limpas, as características fortes de um homem acostumado a mandar. O pacote inteiro – o grande corpo, as grandes mãos ásperas, os olhos escuros penetrantes, o ar sério, a voz profunda – era deleitável e a fazia tremer por dentro. Estava tão concentrada no que dizia que não se preocupara com as próprias sensações, mas agora essas sensações estavam se apresentando de volta. Estava excitada por ele, era absolutamente inacreditável. Agora mesmo, em meio a um bom restaurante libanês, o sangue estava correndo para seu sexo e seus seios, sua respiração aumentando de velocidade, a cabeça abastecida com imagens quentes dela rastejando sobre seu colo e simplesmente o lambendo por toda parte. Nicole odiava machões. Cresceu em países do terceiro mundo onde o macho mais idiota sentia que era superior a todas as mulheres porque tinha um cromossomo Y e um pedaço de carne que balançava entre suas pernas. Era imune a esta postura machista, a seus tórridos olhares e alarde de sua ousadia sexual. Mas Sam Reston era o negócio real. Ele não ostentava seu poder masculino, isto somente ... estava lá. Fazia parte dele, tanto como suas mãos ou pés. Força de macho, não só de seus músculos, mas de sua vontade, exsudava dele, junto com os feromônios com o verdadeiro cheiro da atração, que corria direto a seu coração. Ele ainda estava segurando sua mão e a conexão parecia elétrica, o calor correndo a distância toda sobre seu braço. Até seu cheiro era delicioso. Não uma água-de-colônia, só pele limpa, a goma em sua camisa branca, e um odor lânguido de sabão. Não Armani ou Boss, mas ainda uma garantia para fazer o coração de uma fêmea pulsar. Ele simplesmente destilava poder e sexo. Uma terra de hormônios. Estava excitada como nunca estivera em sua vida, ainda que estivessem simplesmente sentados em um restaurante, de mãos dadas. Embora nada público estivesse acontecendo ali, seu tórax parecia apertado e era difícil respirar. Estava quente por toda parte, como se estivesse com febre.

Nunca sentiu isto antes, e não era

...

desagradável. Como era triste ter que desistir sem ter

uma chance para saborear isto primeiro. Com um suspiro, ela puxou e ele permitiu que deslizasse sua mão da dele. Enfiou uma fatia

de pão de fabricação caseira superficialmente no hummus e gemeu com prazer. Delicioso.

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Nicole aprendeu do modo mais duro a lição de viver o momento, sendo agradecida pelos menores prazeres. Esta era uma comida fabulosa na companhia de um homem incrivelmente sensual. Ela tinha que colocar seus sentimentos de lado e apreciar. Não tinha uma noite agradável desde que soube sobre a doença de seu pai. Deus sabia quando teria outra noite como esta. —Isto está fabuloso. Nicole conteve-se de rodar seus olhos com encanto, e pegou um pouco de tabule 19 com um pedaço de pão frito. Sam movimentou gravemente a cabeça. —Sim, está. Bashir e sua mãe são fantásticos na cozinha. — Empurrou uma tigela de terracota com fatteh 20 em direção a ela. —Você terminou? Ela parou, outra mordida a meio caminho de sua boca. Iam embora já? Um picada de tristeza passou por ela. Uau. Isso era rápido. Ela disse que não estava disponível para uns encontros e ele quis terminar a noite tão rápido quanto podia. Nicole escondeu a decepção. —Se eu terminei? Com a comida? —Não. Com que você queria me dizer. Disse tudo que queria dizer? Para falar a verdade não. Ela só vivera em San Diego por um pouco mais de um ano e entre Wordsmith e seu papai, não existia nenhum tempo para fazer quaisquer amigos. Isto era o mais íntimo que estivera de uma conversa honesta sobre sentimentos desde sua vida despreocupada deixada em Genebra. Não disse como seu coração doía em ver seu pai morrer, dia a dia, pedaço por pedaço. O quão fortemente queria segurá-lo, o quão horrível era para ela, senti-lo deslizando de seu aperto. Não disse a Sam o quanto estava cansada entre a atenção para seu pai em casa e as catorze horas por dia a mais que passava no trabalho. Não disse a ele o quanto se sentia só, às vezes, sem um amigo para ajudar a aliviar a pressão inexorável. Ou o quanto estava preocupada sobre dinheiro, perguntando-se se seu dinheiro seria suficiente e facilitaria as coisas no final. Mas ele não ia querer saber isto. Sua história já era patética suficiente do jeito que estava. —Sim. Eu acho que eu mais ou menos disse o que tinha a dizer. Aqueles olhos escuros chateados fixaram-se nos seus. Ele levantou sua mão e chegou perto de seu rosto. Os cabelos na nuca se eriçaram quando ele correu um dedo longo abaixo sua bochecha. —Eu nunca senti uma pele tão suave como a sua antes. — O dedo correu mais baixo, acima de sua mandíbula e descansou em uma veia em seu pescoço. Seguramente poderia sentir como seu coração batia.

19 Tabule, também Taboulé é uma salada libanesa tradicionalmente feita de bulgur , finamente picado salsa e hortelã, tomate e cebolinha , temperada com suco de limão e azeite.

20 Fatteh é um prato consistente e cremoso que mistura grão-de-bico, pão e vários temperos.

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Estava achando duro respirar quando ele correu seu dedo de cima abaixo no ponto de pulsação. Ele podia ler toda reação lá, como se seu pescoço fosse algum tipo de detector de mentira. Ele não estava reagindo a isso, simplesmente olhando para ela, tocando nela. —Você escutou uma palavra do que eu disse? Sua boca apertou. —Oh sim. Cada palavra. Então. Deixe-me resumir isto claramente. Você está cuidando de um pai doente, enquanto tenta recomeçar as atividades num novo negócio e manter sua cabeça fora e acima d’água financeiramente. É isso? —De um pai muito doente. — Como doía, toda vez que falava isso. —Mas sim, este é um

bom resumo. E o que quero dizer é que eu não tenho o tempo ou a energia para alguns encontros. —Finalmente achou a força para mover sua cabeça para longe de seu toque e pegou um pouco de muhummarrah 21 com um pita 22 e colocou tudo em sua boca. Quente, picante, delicioso. Céu puro, com uma ponta de remorso. Bem, o gosto amargo de remorso era um que estava acostumada hoje em dia. Cabeça para cima, disse a si mesma. —Eu sinto muito. — Nicole estudou o veio de madeira da mesa por um momento, então seus olhos se encontraram com os de Sam novamente. —Estou tentando ser tão clara e honrada aqui quanto possível, Sam. —Sim, eu posso ver isto. — Seus músculos da mandíbula apertaram. —E aprecio sua honestidade. O que eu não alcanço em tudo isso é por que qualquer destas coisas devia me fazer desejar você menos? Ela piscou em surpresa. —Bem, eu disse a você. Não tenho tempo para uns encontros. Tempo ou energia. Meu pai é minha prioridade, e depois vem todo o resto. Apenas não existe qualquer outra coisa em minha

vida agora. Não pode haver. Então

Qualquer coisa que você poderia querer de mim, eu não

... posso dar a você. Você estaria em melhor situação com outra pessoa, alguém que não está tão

embrulhada em problemas. Realmente, francamente, agora mesmo você seria louco em me querer. Ele ficou mudo um longo momento, então levantou seu garfo. —Acho que seria melhor comermos um pouco mais desta comida, caso contrário Bashir terá minha cabeça.

21 A muhammara, do árabe “avermelhado” é uma pasta de pimentões vermelhos, geralmente consumida no almoço ou como parte do mezze (espécie de buffet árabe). Original do norte da Síria, mais precisamente da região de Aleppo, pode também ser encontrado no sul da Turquia, bem como em outras regiões do Oriente Médio. Em seu preparo clássico, é feito a partir de fléfleh, uma pasta de pimentões secos ao Sol. Esta pode ser substituída, igualmente com sucesso, por pimentões tostados. 22 Pita, pitta é um pão redondo amplamente consumido em muitos países do Oriente Médio. É prevalente a partir da Balcãs através da Turquia. O "bolso" no pão pita é criado por meio de vapor, o que incha a massa. Como o pão esfria e achata, um bolso é deixado no meio. Nosso pão sírio.

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Nicole colocou um sorriso torto. Ele estava certo. A comida era fabulosa, seria uma pena enorme desperdiçar. Viva o momento, e tudo aquilo. Um suspiro estava em seu tórax, mas se recusou a deixar sair. Que bem faria? Pareceu bom dizer a situação a Sam, clara e friamente. Ela definitivamente fez a coisa certa. E se sentisse como se tivesse apunhalado seu coração, bem, seu coração estava batendo bastante bem agora. Seu apetite se foi, mas fez um esforço real para fazer justiça a comida magnífica. Ela era filha de diplomata e frequentava jantares desde os dezessete anos até quando estava doente e tinha que engolir comida horrível abaixo da garganta com um sorriso. Ela sabia como fazer isto. Sam estava quieto, e então ela se calou também. Talvez ele estivesse com remorso, também. Mas a vida era assim mesmo, boas coisas acontecendo no tempo errado. Era simplesmente destino. É como Kismet 23 , Bashir chamaria isto. O sol estava começando a se por acima dos bonitos jardins quando o garçom veio com uma cafeteira de bronze pequena com uma manivela de madeira longa, o dallah 24 , que de alguma maneira a lembrava da lâmpada do Aladdin, e despejou uma bebida fermentada fragrante. As xícaras não tinham asas. Sorridente, Nicole trouxe a xícara morna para seu nariz e apreciou o aroma. O café foi preparado com grãos secos e especiarias e estava denso, açucarado, delicioso. Combinava perfeitamente com os minúsculos baklava 25 que o garçom deslizara sobre a mesa. Ela amava a versão libanesa, feito com xarope de água de rosas em vez de mel. O ambiente estava dramaticamente iluminado pelo brilho intenso do sol se pondo, tornando tudo dourado. Até a pele profundamente bronzeada de Sam Reston, virou bronze. Neste exato momento, ele parecia diabolicamente atraente. E totalmente fora de alcance. Sam desceu sua xícara de café, cruzou seus braços sobre a mesa e se debruçou adiante, a face mortalmente séria. As ranhuras profundas em sua boca forte e suas narinas estavam comprimidas, como se tomado por alguma emoção forte. —Agora eu tenho algo para dizer a você. Nicole colocou sua xícara sobre a mesa e se debruçou um pouco adiante, também. Ele fez a cortesia de escutar cuidadosamente quando falou tudo que tinha a dizer. Agora retornaria o favor. Qualquer coisa que dissesse não mudaria a situação, mas ele merecia ser ouvido. Qualquer coisa que fosse dizer não seria agradável, entretanto. Seu rosto estava sombrio. —Este é o negócio. Eu nunca falo sobre meu passado. Não é da conta de ninguém. Mas eu penso que existem algumas coisas sobre mim que você precisa saber. Você sabe que eu falei sobre meu irmão Mike, e que embora não compartilhamos o mesmo sangue, somos mais íntimos que a maioria dos irmãos?

  • 23 Destino, em urdu, turco, árabe, búlgaro e outros dialetos sérvios-croata.

  • 24 Tradicional cafeteira com bico longo, usado para fazer café árabe.

  • 25 A baklava ou baclava é um tipo de pastel elaborado com uma pasta de nozes trituradas, envolvida em massa filo e banhada em xarope ou mel, existindo variedades que incorporam pistachios, avelãs e sementes de sésamo, papoila ou outros grãos.

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Nicole movimentou a cabeça. O policial. O policial que iria a sua casa e intimidaria o Nojento e o Mais Nojento. —Existe um terceiro irmão, Harry. Ele não está em boa forma agora mesmo. Foi atingido no Afeganistão. Está trabalhando comigo agora. Vou fazê-lo meu sócio assim que ele estiver melhor. Agora mesmo ele está apenas sobre seus pés. Nós somos três. A razão que Harry, Mike e eu somos tão próximos é que passamos parte de nossa infância no mesmo orfanato, administrado por um casal brutalmente cruel. Nós só tínhamos uns aos outros para nos proteger, caso contrário eu penso que não teríamos sobrevivido. Cuidamos um do outro desde então. Ele olhou fixamente abaixo em suas mãos apertadas. Estavam limpas, as unhas pequenas, mas parecia que eram muito usadas, e de forma muito dura. Existiam cicatrizes, cortes e calos, as mãos de um homem que, embora fosse um homem de negócios, não se envergonhava do trabalho manual. Completamente diferente das mãos de qualquer outro homem com quem ela jantara anteriormente. Nicole não podia se controlar. Levou sua mão, pairando acima das mãos apertadas dele. Hesitou apenas por um segundo, então cobriu as mãos dele com as suas. Queria que ele sentisse a conexão humana. Ele passou tempos duros, também. Suas mãos estavam mornas, radiando calor e força. Ele falou, olhando para suas mãos juntas. —Minha mãe me abandonou em uma caçamba. Me jogou fora, como lixo. — Ele olhou para sua expressão chocada, abriu as mãos e entrelaçou os dedos nos dela. Um sorriso torto surgiu em sua boca. —Está tudo bem, querida. A história tem um final feliz. Eventualmente. Eu estou aqui, não é? —Sim, você está, — ela murmurou. Ele estava aqui. E como. Enorme e forte e totalmente diferente de qualquer outro homem que já encontrara. Tentou suprimir o soco afiado que sentiu quando a chamou de "queridal." Pare com isto, ralhou consigo mesma. Isto não iria dar em nada. Ter seu coração envolvido não ajudaria ninguém, muito menos ela. —Alguém a viu fazendo isto e me pescou do lixo. Me levaram para o hospital imediatamente e fui colocado em uma incubadora. Aparentemente eu tinha um mês de vida e estava seriamente abaixo do peso. Difícil de acreditar, não é? —Sim, é. — Nicole o examinou. Imensamente largo e alto, com seu pacote de músculos densos e duros. Era impossível imaginá-lo como um bebê desnutrido. Esta história trágica definitivamente teve um final feliz. —Esta mulher, minha mãe, era uma bêbada e uma prostituta. Era conhecida na área. Eu não tenho nenhuma ideia quem foi meu pai. Não penso que ela sabia, de qualquer maneira. A polícia a localizou e ela foi condenada por tentativa de homicídio com dez anos de prisão. Ela só ficou oito, então saiu em liberdade condicional. Foi me procurar no orfanato, jorrando tolices sobre querer reconciliar e recomeçar. Ele rolou seus olhos. —Um louco de um assistente social acreditou nela e simplesmente me deram para ela. Eu tinha oito anos e nunca tinha visto aquela mulher que dizia ser minha mãe antes.

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—Oh não, — Nicole respirou. A história poderia ter um final feliz, mas soou como se houvesse uma tragédia antes deles chegarem lá. —Sim. — Suas mãos apertaram as dela. —Seu nome era Darlene Reston. Eu não posso

pensar nela como minha mãe, ela era só

a mulher com quem eu tive que viver por alguns anos.

... Ela bebia todo o dinheiro da assistência e usava drogas também. Uma coisa que com certeza eu sei é que ela não estava comprando comida e leite e roupas com o que o Estado mandava para ela. Uma vez tive uma infecção no tímpano que ficou sem tratar e acabei ficando com um ouvido

debilitado. Eu me desenvolvi e entrei na Marinha, entretanto, um morteiro acabou com meu tímpano. Fique quase surdo de um ouvido, tive que deixar a Marinha por problemas médicos. Fiz uma operação que restabeleceu um pouco minha audição. Mas eu não posso mergulhar a qualquer profundidade. — Ele agitou sua cabeça. —Você não pode ser um SEAL se não pode mergulhar. Nicole teve uma visão de um jovem fraco, um Sam vulnerável, preso aos cuidados de uma mulher que bebia todo o dinheiro da comida, que não procurou cuidado médico quando ele precisou disto. —Existiam homens em volta, também, muitos eles. — A voz profunda de Sam era baixa e imparcial. —A maior parte estava drogada e viviam drogados por dias. Eles não me notavam, mas quando me notavam, eu conseguia me livrar deles. Durante a maior parte da minha infância fui muito fraco e desnutrido. — Sua boca estava apertada. —A vítima perfeita dos outros meninos. Minha fraqueza os fazia sentirem-se fortes. Quando eu estava com mais ou menos doze anos, um professor finalmente notou que algo estava profundamente errado. Então o Estado me tirou dos cuidados de Darlene e me pôs em um orfanato. —Graças a Deus. — Nicole piscou para afastar as lágrimas. O homem forte, bem sucedido na frente dela estava anos-luz longe do menino pequeno, abusado, e não ia querer suas lágrimas. Mas seu coração doía. —Para falar a verdade não. O orfanato não era muito melhor. O velho Hughes e sua esposa ficavam com as crianças mais velhas, que não tinham sido adotadas, porque o governo pagava mais por elas. A esposa nos alimentava com sopa rala e bolachas enlatadas compradas a granel, batia em nós quando ficava de mau humor, e se fechava no quarto quando seu marido tinha seus pequenos ataques de ira. Ele ficava irracional constantemente. Qualquer coisa podia deixá-lo fora de si. Uma cama desfeita. Restos de bolacha na mesa. Um olhar, até. Nós aprendemos a nunca retrucar. Ele odiava muitas coisas, mas principalmente odiava o que chamava de mulheres e crianças respondonas. Era um grande filho de uma cadela que amava usar seus punhos em nós. Formou-se uma enorme pedra no tórax de Nicole, dificultando sua respiração. Sua batalha contra as lágrimas estava perdida. Ele a alcançou mais uma vez para secar uma lágrima contra sua bochecha. O quão terrível a vida podia ser. Ela lamentava por seu pai agonizante e agora lamentava por uma criança que nunca conheceu o amor, só negligencia e violência. Encontrou seu olhar impassível.

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—Me diga que algo bom aconteceu. Por favor. Diga-me que eles tiraram você do orfanato e o colocaram em outro lugar. Ele agitou sua cabeça. —Não. Fiquei lá até que ficasse velho o suficiente para me alistar. Mas algumas boas coisas aconteceram. Existia uma senhora agradável, de idade avançada vivendo na casa ao lado. Sra. Colley. Velha estranha, mas bondosa. Ela morria de medo do Velho Hughes mas quando ele não estava por perto, me convidava e me enchia de comida. Eu cresci quinze centímetros e ganhei

vinte quilos em um ano. Eu me certifiquei que fossem vinte quilos de músculos. O Velho começou a pensar duas vezes antes de usar seus punhos em mim. —Bom para você, — Nicole disse ferozmente. Sam Reston cresceu para ser o tipo de homem que ninguém atacava, não sem sérias consequências. —Outra boa coisa aconteceu quando eu tinha doze anos. Meu irmão Harry Bolt chegou e então três meses mais tarde meu outro irmão Mike Keillor. Harry tentou defender sua irmã bebê e

sua mãe contra o namorado dela. O sacana

perdoe minha linguagem.

... Nicole movimentou a cabeça e acenou longe com sua mão livre. Sacana soava quase certo para um homem que machucava meninas pequenas. O sacana bateu na irmã pequena e na mãe de Harry até a morte. Harry ficou selvagem. Colocou o sujeito no hospital, mas não antes dele conseguir ambas as pernas quebradas. Ele estava sob a guarda de Hughes. Eu vi o Velho Hughes sorrir enquanto Harry caminhava porta adentro com as muletas e eu soube exatamente o que ele estava pensando. Eu não era mais um alvo fácil para sua ira. Ele precisava de uma saída e aqui estava Harry, incapacitado, carne fresca. Aquela noite eu encostei uma faca no Velho Hughes e disse a ele que se ele tocasse o novo sujeito, eu o cortaria em tiras, começando por suas bolas. Eu quis dizer cada palavra, também, e eu penso que ele percebeu isto. Naquele tempo eu era tão alto quanto Hughes, entretanto ele era muito mais pesado. Mas não tinha músculos, era todo balofo. Harry ficou bom com a Sra. Colley empurrando tanta comida abaixo de sua garganta quanto ele pudesse comer e ao final daquele ano, ele estava tão grande como eu. Harry e eu éramos realmente próximos. E então Mike veio. Era seu oitavo orfanato. Nós três ficamos juntos, cuidando um do outro e todos nós saímos fora assim que pudemos. Eu fui para a Marinha, Harry para o Exército e Mike para a Forças Armadas. Nicole abriu sua boca para dizer algo, mas ele não tinha terminado. Ele trouxe sua mão para a boca e a beijou, lábios mornos contra sua pele fria. A história do Sam a tinha gelado até os ossos. —Agora, a razão de eu contar tudo isso a você é para que você consiga entender algo. Eu e meus irmãos ficamos bem porque nós cuidamos de um do outro, sempre, em qualquer situação. Nós três nos cuidamos, ficamos íntimos e amigos, quando ninguém mais se importava. E sabemos, profundamente, o que significa quando alguém se importa e faz a coisa certa. Todos nós temos um trabalho onde vemos, diariamente, os efeitos da falta de atenção e carinho com crianças e esposas ou seus pais ou seus amigos. Seu rosto de repente pareceu afiado e duro, a pele acima daquelas maçãs de rosto altas apertando, olhos chateados nos seus.

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—Então, Nicole, você me perdoará se eu não concordar em nos afastarmos porque você ama tanto seu pai. Porque você está sacrificando coisas importantes para ter certeza que ele tenha uma morte digna e você está garantindo que ele está onde quer e precisa estar. Você está fazendo a coisa dura, a coisa certa, e eu a admiro por isto. Eu fiquei atraído por você desde a primeira vez que eu a vi, mas por Deus, é pior agora que eu sei o que existe atrás desse rosto magnífico. Sam tomou sua mão e, escandalosamente, levou-a para debaixo da mesa, entre suas pernas. Ele dobrou a mão dela sobre seu pênis. Seu enorme pênis duro como pedra. Quando ela o tocou, pôde sentir o sangue correndo por ele, tornando seu pênis muito mais duro, mais espesso. Senti-lo sob sua mão, trouxe uma corrida de sangue para seu próprio sexo, que cerrou involuntariamente, uma vez, duas vezes. Ficou paralisada, totalmente incapaz de se movimentar ou de pensar. —Não querer você? — A voz de Sam estava rouca agora, como se achasse difícil encontrar as palavras. Soltou o ar com dificuldade. Os músculos da mandíbula apertados e suas narinas dilatadas. —Eu quis você desde o primeiro segundo que eu a vi. Eu não podia fazer qualquer coisa sobre isso porque estava trabalhando disfarçado, mas certo como o inferno que pensei sobre isto, noite e dia. Cristo, Nicole, eu quero tanto você que mal consigo respirar. Eu quero tanto você que não posso nem pensar. Diga que você voltará para casa comigo. Agora. Ela não podia retirar a mão porque sua grande mão estava enrolada ao redor da dela, mantendo-a acima de seu pênis. Isto era totalmente louco. Nada assim tinha acontecido com ela antes.

Não existia ar na sala. Não, a resposta era não, claro. Ela tinha que dizer não. Como poderia ir para casa com ele, assim, sem mais nem menos? Isto era uma loucura, nunca fez qualquer coisa assim em sua vida. Ela teve seus amantes, mas era incrivelmente seletiva e difícil. Precisava de vários encontros e se existisse uma única nota destoante, se ela se sentisse de qualquer maneira desconfortável com a ideia, acabava dizendo não. Ela era bonita, vários homens se mostravam interessados, entretanto muitos destes homens eram idiotas. Disse não muitas vezes desde a puberdade. Existiam toneladas de razões para dizer não agora mesmo para Sam, se conseguisse que seu cérebro voltasse a trabalhar para pensar nelas. Suas mãos tremiam, seus seios incharam e entre suas coxas, ela estava quente, derretendo com o pulsar de uma onda súbita de desejo. Não, claro que não, você é louco? Ela disse, só que as palavras não saíram daquele modo. De alguma maneira, o que terminou saindo foi um, —Sim.

Capítulo 5

Sim! Sam levantou-se abruptamente, balançando a cadeira atrás de si. Apenas ouviu o ruído quando colocou a mão em seu bolso e retirou uma nota de cem dólares. Lançou a nota sobre a

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mesa – era mais que suficiente, mas ainda que não fosse, Bashir sabia que ele acertaria mais tarde – e agarrou sua mão. Nicole parecia totalmente chocada com o que disse, os olhos azuis grandes e largos espantados, aquela boca deliciosa num O chocado. Sam não conseguia parar de pensar sobre isto. Não conseguia pensar em qualquer outra coisa, realmente, exceto colocá-la em sua cama. Ou onde quer que fosse. Não precisava ser uma cama. Contra a porta ou a parede ou no chão ou no sofá estaria muito bem. Ele não se importava. A coisa mais importante era estar dentro dela tão rápido quanto possível e permanecer lá o máximo possível. Até o próximo ano, se o que estava sentindo era qualquer indicação. Era como se nunca tivesse feito sexo antes. Estava tão excitado que podia apenas sentir suas mãos e pés enquanto caminhava para seu carro, andando rápido. Afortunadamente, tinha seu braço ao redor de sua cintura quando Nicole tropeçou nos pedregulhos. Sam a segurou rápido. Ela nunca cairia enquanto estivesse com ele, mas ficou com vergonha porque a arrastara pela metade do caminho. —Desculpe, — ele murmurou e diminuiu a velocidade de seus passos largos. Era um corredor, e estava acostumado a chegar de A a B rapidamente. Normalmente andava rápido e quando estava apontando em direção a algo que procurava, ganhava velocidade. Ele tinha corrido? Só Deus sabia. Seus sentidos estavam tão detonados que nada mais conseguia entrar, exceto sua ereção, que se comunicava alta e claramente com ele. Tentou diminuir a velocidade, até ficar fora de seus passos largos, mas maldição, era difícil. Mais tarde, refletiria sobre o que significava para ele estar fora do controle de seu corpo. Era inconcebível. Ele aprendeu autocontrole na escola mais dura possível – em sua infância. E então a Marinha e o treinamento dos SEAL’s aproveitaram aquelas habilidades e as afiaram à perfeição como uma máquina. Estava a cargo de si mesmo, sempre. Ciente das coisas ao seu redor em qualquer local. Ele era firme como uma rocha. Durante algum tempo foi um maldito franco atirador, pelo amor de Deus. Franco atiradores podiam controlar suas próprias batidas do coração, certamente sua respiração. E suas mãos nunca tremiam. Agora mesmo, ele mal estava ciente do mundo ao seu redor, só da mulher bonita a seu lado. Tudo o mais era névoa. Estava cego para o resto, como soldados não treinados para a batalha, as mãos tremendo. A dez metros de seu carro, tirou a chave e destrancou as portas. Precisou de um esforço para não jogar Nicole no assento do passageiro de qualquer jeito. Uns segundos mais tarde, estava no banco do motorista, as mãos enroladas fortemente em torno da direção. Estava tão excitado que quase doía. Sam examinou Nicole e estremeceu. Ela estava pálida, olhos largos com o que reconheceu como consternação e não desejo, as mãos apertadas tão duramente em seu colo que estavam brancas e pálidas. Uma veia pulsava em seu pescoço. Porra.

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Ela estava assustada com ele. Ele teve uma ideia do que ela estava vendo. Um homem grande, muito forte, musculoso, com os dentes cerrados e olhos estreitados, emanando agressão. Lutar e foder são coisas intimamente relacionadas, certamente para um homem como ele. Era dominante no campo de batalha e dominante na cama. Essa era sua natureza e crescera acostumado a isto. Mas não queria Nicole Pearce assustada com ele. Merda, não. Ela era a mulher mais elegante e chique com quem ele já saíra, e a mais bonita também. E quase por um milagre, também era bondosa. Mulheres assim não crescem em árvores. Eram tão raras, de fato, que nunca encontraria ninguém nem remotamente parecida com ela. Precisava ser tratada suavemente, como uma dama, mas diabos se seu sangue correndo entendia isso. Ele reconhecia isto, oh sim. Agora que estava no carro, levando-a para sua casa e para sua cama tão rápido quanto a lei permitia, percebeu que de alguma maneira tinha entrado no modo de combate. O leve arquejo dele tinha a função de segurar oxigênio para um esforço maior. Seu corpo estava propriamente se preparando para algo grande, lutar ou foder, não importava. Acabara de saber que tinha que estar pronto e que ia ser áspero. Em todos os níveis, Nicole estava lendo isto, percebendo que ele era um macho com uma larga raia de violência dentro ele e um caso importante de luxúria enfocada firmemente nela, quase fora de controle. Ela teria que estar louca para ir para casa com ele neste estado. Mas se dissesse não agora mesmo, ele simplesmente uivaria para a lua. Sam sabia que tinha que fazer algo, e rápido. Primeiro, relaxe. Ele desenrolou suas mãos da direção, recostou-se no assento e conscientemente foi relaxando o corpo. Forçou a si mesmo a respirar devagar. Forçou seus músculos do rosto a relaxar. Fechou os olhos e respirou fundo. Abriu os olhos. Pelo breve tempo em que fora um franco atirador, aprendeu muito. Não amava a mecânica de atirar de um lugar escondido como Mike fazia. Mike amava suas armas de fogo como bebês. Para Sam elas eram ferramentas, e não particularmente interessantes. Mais ainda, o treinamento do franco atirador incluía aulas extensas de completo controle. Eles o ensinaram como diminuir a velocidade da sua batida do coração. Ensinaram a deixar seu corpo entrar em uma forma misteriosa de hibernação, onde podia ficar totalmente parado por dias, as funções corporais no mínimo, só o suficiente para permanecer vivo. Ele procurou bem no fundo e se conectou consigo mesmo. Modo mínimo. Durante o próximo minuto, como um motor esfriando, diminuiu a taxa da velocidade de seu de coração, sua respiração, até diminuiu seus pensamentos. Não mais imagens quentes de Nicole Pearce debaixo dele, os profundos olhos azuis em êxtase, as pernas esbeltas longas e abertas para ele, a boceta suave o recebendo.

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Não, não. Ao invés disso, encheu sua cabeça com poços quietos, vazios e cinzentos, fazendo seu corpo esfriar. A primeira vez que ficou sabendo que o treinamento dos SEAL’s ensinava como fazer isso, ele riu. Parecia demais como algo tirado de algum filme zen. Sam queria estar nos SEAL’s mais que qualquer outra coisa no mundo porque queria ser o homem mais duro em um mundo de homens duros. Quando alguém disse que parte de ser um SEAL incluía aquilo de se tornar como Yoda 26 , ele ridicularizou. Mas ele aprendeu, funcionou naquela ocasião e estava funcionando agora. As mãos da Nicole agora estavam quietas em seu colo e um pouco de cor voltou para seu rosto. Ela perdeu aquele olhar chocado, como se de repente estivesse cara a cara com um lobo. Seus olhos se encontraram. Cristo, seus olhos eram lindos. Lagos profundos, intensamente azuis, emoldurados por pestanas ridiculamente longas. Como ela conseguia piscar com pestanas assim? —Eu quero você. Muito, — ele soltou. Oh merda. Queria dizer algo calmante, talvez até suave, não que ele fosse conhecido por sua suavidade. Normalmente era franco com as mulheres. Ela parecia o tipo de mulher que apreciaria um pouco de suavidade. Porém parecia que agora mesmo não tinha qualquer suavidade nele. O desejo fritou seus circuitos. —Desculpe. — Ele estremeceu. —Eu quis dizer ... Nicole soltou um pouco a respiração. Ela não estava sorrindo, mas seu rosto se iluminou. —Tudo bem. Eu acho que entendi a mensagem quando você me arrastou para seu carro sem pedir a conta. Seus dentes rasparam. —Desculpe, — disse novamente, então parou. Pare enquanto você está ganhando. —Sim, eu posso ver isto. — Sua voz era suave. Eles se olharam, medindo um ao outro, o ambiente no carro totalmente silencioso. Sam controlou tudo, sua respiração, seus movimentos. A calma teria que ser seu presente para ela, um sinal de que podia se controlar mais tarde, na cama. Ele esperava que sim. Nicole ergueu sua mão esquerda do colo. Como absolutamente tudo sobre ela podia ser tão fodidamente bonito? Suas mãos podiam figurar em um daqueles comerciais de TV de sabonete. Pele pálida de marfim, dedos longos, esbeltos. Algum tipo de anel complicado com vários tipos de pedras no dedo mediano, não no dedo anular, graças a Deus. Unhas feitas, mas curtas, sem aquela loucura de quadrado branco nas pontas, ou pintadas de esmalte preto ou púrpura. Isso e batom preto eram realmente broxante para ele, fazendo-o pensar que estava fodendo um zumbi. Bah. Não existia nada sobre Nicole que não o deixasse excitado. As mãos de Nicole eram tão magníficas que teve que congelar seus músculos para não agarrá-las. Sua mão estava se movendo, flutuando no espaço. Ele não olhou para seu rosto, entretanto podia facilmente vê-la através de sua visão periférica. Lentamente, ela colocou sua mão sobre a

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Personagem fictício do filme Star Wars, Guerra nas Estrelas. Foi um sábio Mestre Jedi, que liderou o Conselho Jedi por anos.

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dele no volante. Parecia fresca, e suave. O contraste entre suas mãos era incrivelmente erótico. Suas mãos eram grandes, duras, cheia de cicatrizes. A dela parecia um pouco com uma estátua de mármore, esculpida pelo maior artista do mundo. Ele segurou o ar, por uma respiração, duas. Algo deve tê-la reassegurado porque ela sorriu, um pouco. Apertou sua mão, uma carícia leve que foi diretamente para seu pênis, então voltou sua mão para seu colo. —Nós vamos fazer isto? — Ela verbalizou, a voz baixa. Porra, sim! Sam bloqueou as palavras em sua garganta em vez de gritá-las. —Sim. Eu espero. — Sua voz saiu rouca, como se ele não falasse em anos. Clareou a garganta, então manteve sua boca fechada. Não traga má sorte a isto, disse a si mesmo. Qualquer coisa que falasse agora mesmo, estaria errado. Seus olhos passearam até sua virilha, onde um pênis de aço, tão duro que estava azul, tentava esmurrar sua passagem pela lã leve de suas calças do terno caro. Diferentemente da calça jeans, a calça do terno simplesmente delineavam toda sua ereção. —Eu posso ver isto. O sangue pulsou em seu pênis, e ele se ajeitou em suas calças. Ela não podia deixar de notar. Era como se seu pênis tentasse alcançá-la. Não existia nada que pudesse fazer para esconder o quão duro estava. Às vezes quando uma ereção ficava inconveniente, ele podia abaixar um pouco a adrenalina, como diminuía a velocidade da batida do coração. A vida estava cheia de pensamentos desalentadores, imagens que podiam amortecer o desejo. Nada assim parecia funcionar agora, entretanto. Não existia qualquer pensamento no mundo que conseguisse fazer seu pênis afundar com Nicole Pearce um pé longe dele, contemplando a ideia de fodê-la. Seu pênis realmente doía e suas bolas estavam cheias firmemente contra ele, querendo explodir. Ela olhou seus olhos, procurando por algo. Imaginou que ela procurava por sinais de violência. Existia violência nele, certo, sempre existiu, mas nunca em direção a mulheres ou crianças. Nunca machucaria uma mulher ou uma criança e estava agradecido que sua carreira militar nunca o forçou a isto, porque ele não poderia. Mas, além disto, nunca poderia machucar Nicole Pearce. Preferia atirar em si mesmo, no peito. Esperava, com todo o coração, que pudesse manter o controle na cama com ela, o que era outro assunto. Controle. Passou toda vida no controle de si mesmo e teve que se agarrar firmemente para manter isto, porque sentiu o controle escapando, como areia por um punho fechado. Finalmente seu lábios viraram para cima em um sorriso lânguido. —Certo, — ela disse suavemente. Certo! Era como deixar um cão fora do portão.

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Uns segundos mais tarde, estavam correndo pela estrada, Sam tentando chegar em seu apartamento tão rápido quanto legalmente possível. Desejou ter um daqueles carros de James Bond que podiam voar. Depois de vinte minutos em velocidade alta, estavam dirigindo ao longo da margem d'água, o sol começando a se por num florescer de vermelho na água. Era uma noite bonita. Com qualquer outra mulher, ele apontaria isto. Levou incontáveis mulheres para sua casa e sua cama, sabendo que iriam foder, e sempre foi capaz de manter uma conversação leve. Não conseguia achar sua voz agora, entretanto. Nada. Era como se sua garganta estivesse entupida. Ela não parecia ter quaisquer problemas com isto. Ele gostou que ela parecesse confortável com o silêncio. Ela olhou na imensidão do Pacífico, a extremidade mais baixa do sol carmesim fervente iluminando suavemente no horizonte. —Está uma noite adorável. Sam fez um barulho estrangulado em sua garganta e ela girou o olhar para ele. —Onde você mora? Onde estamos indo? Uma pergunta simples, merecendo uma resposta. Ela iria se assustar novamente se ele não pudesse nem conversar. Lutou consigo mesmo, agarrando-se a um pouco de autocontrole. —Na orla de Coronado. Comprei um apartamento lá um ano atrás. —Ele realmente teve que se concentrar na direção. Luzes vermelhas, luzes verdes, freios. Era um bom motorista, tinha um instinto natural para isto, mas agora mesmo tinha que trabalhar duro para não enfiar o pé no acelerador até o fundo e o inferno com tudo. Provavelmente entraria direto em um maldito poste de luz. —Eu era essencialmente um mergulhador da Marinha e quando me desliguei, sabia que precisava viver perto do mar. Essa era uma parte da verdade, mas ele não contou tudo – como passara incontáveis tardes nas dunas umas milhas abaixo, passando tanto tempo quanto possível longe dos punhos do Velho Hughes, vendo os SEAL’s da Marinha em seu treinamento brutal. Gostaria de ser como um deles, parte de um time de homens com todas as habilidades para fazer o mundo mais seguro. Com o passar dos anos, vendo homens duros ficarem ainda mais duros dia após dia, soube o que queria fazer com sua vida. E agora, em sua vida pós-exército, morar na orla de Coronado significava que podia correr ao longo da praia até a área de treinamento e assistir o sufoco dos novos recrutas saindo da água gelada e saber que sempre existiria uma nova geração de homens para vigiar seu país. Nicole estava olhando com interesse em volta enquanto ele dirigia pela Orla de Coronado, passando pelo primeiro do grande complexo de condomínios. O seu era o último, La Torre. —Eu queria explorar esta parte de cidade, mas ainda não consegui, — ela suavemente disse. —Não? — Ele estava surpreso. A área era um passeio popular em San Diego. Ela olhou para ele com um sorriso lânguido.

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—Nós só estamos aqui a um ano. Desde que chegamos realmente estive ocupada com Papai e Wordsmith. Eu apenas explorei um pouco de San Diego, principalmente perto de casa e a área do centro da cidade próxima a nosso edifício. —Eu mostrarei à área para você, — Sam ofereceu. —Ficarei muito feliz em fazer isso. Conheço a cidade como a palma de minha mão. —Depois. Quando matarmos a outra fome primeiro, seja lá quando isso aconteça. Ela olhou para ele, um olhar lateralmente azul escuro que tinha uma nota leve de tristeza. Bateu nele como um martelo o fato de que ela não estava realmente esperando vê-lo novamente depois de hoje à noite. Oh não, ele não concordava com isso. De jeito nenhum. Aquela conversa mole dela de não ter lugar em sua vida para um homem? Dane-se. Sam ia ficar no pé dela, se fosse necessário, para ela continuar saindo com ele. —Nós chegamos, —ele disse, mudando nitidamente de direção na calçada de seu condomínio, então entrando abaixo na garagem subterrânea. Ele se dirigiu a sua vaga e desligou o motor. Seu condomínio tinha 140 unidades e a garagem estava normalmente ocupada vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, com o vai e vem das pessoas. Estranhamente, entretanto, agora mesmo estava deserta. O único som era do motor do carro esfriando. Ficaram em silêncio por um momento, olhando um para o outro. Nicole engoliu em seco. Faça algo, seu idiota, ele disse a si mesmo. Segurando firmemente o volante, porque não confiava em si mesmo para tocá-la, se debruçou acima dela, lentamente. Ela ainda esperou um momento, então moveu a cabeça para encontrar seus lábios, as mãos ainda em seu colo. Seus lábios se encontraram sobre o console central. O primeiro gosto real dela foi elétrico. Ele sentiu isto até suas bolas. O mero gosto, um roçar dos lábios, então, as cabeças inclinando, um gosto mais fundo. Oh Deus, era como beber um vinho bom. Seu nariz estava contra sua bochecha. De perto, ela cheirava muito melhor. Eles deviam engarrafar isso e chamar de Mulher Desejável. Os homens seguiriam as mulheres usando isto até o precipício. Ele abriu sua boca e lambeu sua língua, sentindo a respiração dela desenhada em sua boca. Oh Jesus. Mais um segundo e levaria o banco para trás, subiria em cima dela, ergueria sua saia, rasgaria sua calcinha e a abriria com os dedos, se metendo dentro dela. Ele podia apenas respirar com a excitação. Tinham que fazer isso do lado de dentro. Ele não se importava, mas presumivelmente Nicole se importaria de ser pega transando no banco da frente. Ergueu a cabeça, observando seus olhos se abrirem lentamente, como enormes faróis azuis escuros. Ela parecia atordoada, a pele de seu rosto totalmente ruborizada. Estava excitada. Não tanto como ele --isso seria impossível--mas estava definitivamente ligada. —Vamos subir. — Ele estava sussurrando. Tudo parecia frágil, como se o momento fosse de vidro e pudesse quebrar com um som muito alto.

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—Certo, — ela sussurrou de volta. Não tiveram nenhuma conversa fútil enquanto o elevador subia. Nicole não conseguia articular uma palavra, sua garganta estava firmemente fechada. O que havia para dizer, de qualquer maneira? Não conseguia pensar em ter qualquer conversa fútil que não voltasse direto para o que pretendiam fazer. Sam Reston estava ao lado dela, parecendo prestes a explodir, com uma ereção enorme armando uma barraca em suas calças. Quaisquer possíveis comentários que pudesse fazer sobre o tempo, ou o prédio, ou a comida que comeram seria estúpido ou sem sentido. O ar estava muito carregado, como se algo enorme, escuro, seguramente enorme, possivelmente perigoso, estivesse chegando mais perto a cada segundo.

Isto realmente nunca aconteceu com ela antes, ir para a casa do homem no primeiro encontro, já aceitando a ideia de dormir com ele. A Sra. Frígida sempre mantinha suas opções abertas, nunca prometia qualquer coisa. Vários homens que pensaram que ir para a cama com ela era um negócio feito, ficaram muito decepcionados. Não fazia nenhuma promessa e sempre se reservava o direito de dizer não se ficasse desconfortável com a ideia.

Não que fosse dizer não agora. Não podia. Era como se Sam fosse este

este obscuro

... feiticeiro que de alguma maneira a encantara. Jogara uma rede cintilante sobre ela, assim não poderia escapar, não podia voltar, só podia ir para frente. Como uma flecha que, uma vez disparada, poderia só seguir adiante, nunca voltar atrás. Existia esta enorme e escura sensualidade, fluindo diretamente em direção ao apartamento e à cama dele, e estava presa nisto. Com o pensamento de estar na cama de Sam Reston, sua vagina apertou, duramente. Oh Deus, estava tão excitada que podia sentir os lábios de sua boceta raspando, à medida que se movia. Isto era território absolutamente inédito para Nicole. Outro país completamente. Um até agora distante de seu conhecimento, podia inclusive estar em um planeta alienígena. Não conseguiria dizer qualquer coisa. Sua voz trairia sua agitação. Estava apenas esperando por algo semelhante a um pouco de controle, tentando manter a respiração regular, mas tudo isso era impossível quando percebeu que estavam a poucos minutos da cama. No pensamento, nas imagens aquecidas em sua cabeça de Sam Reston, ombros desnudos acima dela, olhos escuros olhando fixamente para ela, as longas pernas enroscadas com as suas, sua vagina apertou duro novamente, seus músculos do estômago claramente puxando. Céus, estava a minutos de um orgasmo, só de andar no carro e caminhar ao lado deste homem! Seu coração disparado, seus joelhos fracos. Isto era ridículo. Insano. Nicole não era altamente sexual. Até em Genebra, livre, leve e solta, com todo o dinheiro do mundo e uma cidade de diplomatas e banqueiros a seus pés, não teve tantos encontros. Certamente não transou indiscriminadamente. Era difícil de agradar, se entediava facilmente. Fria e no controle, sempre.

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Não agora. Este áspero ex-soldado de alguma maneira a agitou tão duramente que perdeu sua estabilidade emocional. Estava tão nervosa que teve que parar de tamborilar os dedos na bolsa.

Olhou para cima uma vez, então desviou os olhos. Ele estava olhando para ela, olhos escuros enfocados nela, sem vacilar em sua atenção. A maioria das mulheres queriam que seus namorados prestassem atenção nelas, mas isto estava além das vibrações de um primeiro encontro. Ele era um soldado, e estava com a atenção fixa nela como se ela fosse uma missão. Nunca estivera fechada em um espaço onde o silêncio tinha peso e densidade. O silêncio parecia uma coisa viva no elevador, viva e sinuosa, espessa, serpenteando ao redor deles como uma névoa invisível. Essa névoa densa lhe roubou a respiração e, obviamente, todo o bom senso porque pensou que podia saltar sobre Sam Reston. Era difícil pensar como a antiga Nicole da ONU pensava, esta era a realidade. Ele a afetava de uma forma inédita, porém também era verdade que nunca saíra com ninguém como ele antes. Seus encontros, até agora, tinham sido com elegantes metrossexuais. Certamente não grandes e duros como Sam, incapaz de jogar aqueles jogos de homem-mulher sofisticados nos quais ela era tão boa. Sam não escondeu seu desejo de forma alguma. Não estava jogando com ela de qualquer forma. Era como se seu desejo fosse uma tábua de esmeril enorme, lixando uma camada de sua pele até que estivesse em carne viva. Olhou-o, então desviou o olhar novamente, rapidamente. Ainda estava enfocado nela, os músculos da mandíbula saltando, olhos estreitados em fendas. Seu coração saltou e ela teve que lembrar de respirar. Nicole olhou fixamente para a porta do elevador, porque se olhasse para ele novamente, se moveria em sua direção ou o tocaria e ele parecia levar o controle apenas por um fio. Ela mal mantinha o controle. Quando as portas abriram, Sam colocou uma mão em suas costas e seus joelhos quase dobraram. Um bem iluminado salão com tacos altamente polidos se estendia a sua frente em um corredor. No fim do corredor uma enorme janela espelhada que ia do chão ao teto enchia o ambiente com um brilho carmesim. De um lado do edifício estava o oceano, do outro, a baía. Sam tomou seu cotovelo e a encaminhou à direita, até o fim do corredor. O coração de Nicole estava disparado. Não ia existir tempo para um gole de uísque e escutar música enquanto lentamente se decidia a tomar o próximo passo. Uma vez dentro do apartamento, iriam diretamente para a cama, podia sentir isto. O sexo pulsava ao redor dele como uma aura quase visível. Enquanto caminhavam, seus olhos se encontraram ao mesmo tempo, então o olhar de Nicole deslizou longe. Era muito intenso. Ela estava pegando fogo. Podia sentir tudo, cada polegada de seu corpo. Estava excitada como nunca estivera em sua vida e, depois de um beijo, o único contato físico era sua grande mão em seu cotovelo.

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Tudo que podia ouvir eram seus próprios saltos, estalando acima do chão de taco, no mesmo

ritmo do martelar em seu coração. Sam se movia totalmente calado, como um enorme e escuro

fantasma.

Alcançaram uma porta do lado esquerdo, com vista para o oceano.

Ele colocou um cartão em uma fenda e pôs sua mão em um painel ao lado da porta. O painel

relampejou em verde e deslizou abrindo para revelar um painel de códigos. Sam esmurrou cinco

números e com uns suaves zumbidos de maquinaria de alta precisão, a porta deslizou na parede.

À frente existia um corredor com assoalho de tábuas largas e claras que acabava num grande

hall. A parede da parte de trás era de grandes painéis de vidro que terminava em uma sacada, o

escuro azul do mar longe.

Nicole parou no limite, de repente incapaz de fazer um movimento. Sam permaneceu ao

lado dela, aguardando.

Olhou para ele, consternada, incapaz de avançar, incapaz de voltar. Seus joelhos tremeram.

De repente estava travada em um ataque de nervos. Tudo sobre isto parecia novo e assustador.

De alguma maneira, ele compreendeu. Estava tão duro que sua ereção parecia um martelo

em suas calças, mas não a empurrou para dentro ou tomou seu cotovelo e a encaminhou para

dentro.

Ele não se moveu.

—Bem-vinda. — A voz profunda era suave quando ele gesticulou com seu braço na entrada

da porta. Não disse nada mais, simplesmente esperou por ela. A mensagem implícita era muito

clara. Entrar em sua casa tinha que ser sua escolha.

Tremendo, sentindo como se estivesse atravessando uma barreira invisível para outra vida,

Nicole entrou.

A casa cheirava bem – tecido limpo e polidor de limão e a brisa marinha que entrava pela

janela aberta, com cortinas de algodão branco ondulando com o vento vindo do oceano.

Um silvo suave, um metálico clic atrás dela e a porta foi fechada e trancada.

Ela estava dentro.

Iria fazer isto.

Oh sim.

No segundo seguinte suas costas estavam contra a porta com todo o peso de Sam Reston

contra ela enquanto ele a beijava de modo selvagem. Não o beijo frágil, hesitante em seu carro. Oh

não, isto era como se estivesse tentando tragá-la, enquanto arrastava sua pele pela dela. Um beijo

fundo, selvagem, interminável.

Oh Deus, seu gosto! Como um riacho fresco da montanha bombeando toda carga de

hormônios masculinos, calculado para deixar qualquer mulher selvagem. Sua boca comia a dela,

tentando vários ângulos, como se não fossem suficientes. E não era.

Sua bolsa estatelou no chão, seguida por seu casaco.

Nicole agora podia segurá-lo junto ao coração, entretanto "segurar" era um termo suave para

o que realmente queria fazer

...

rastejar em sua pele, sentir cada polegada dura, o corpo deleitável,

não com as pontas dos dedos mas com seu corpo todo. Enroscou seus braços ao redor de seu

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pescoço e se curvou para trás. Seus músculos do tórax eram tão definidos que podia senti-los sob

sua jaqueta, camisa, e também sob seu vestido e sutiã, saliências duras de músculos se movendo

contra ela. Nicole se surpreendia com o prazer de roçar seu corpo ao dele, com o precipício de

prazer disto, e porque estava queimando e ele parecia ser a única coisa que podia extinguir o fogo.

Seu pênis estava quente, duro e enorme contra sua barriga e podia sentir as pulsações o

empurrando contra sua pele. Apertou seus quadris, roçando-se contra ele, e o ouviu gemer em sua

boca. Sam abaixou e a ergueu com uma mão em seu traseiro, alinhando seu pênis com seu

montículo. Ela se apertou contra ele e a resposta pulsou de seu pênis contra ela, contraindo todo

músculo de seu corpo.

Sam rosnou e se debruçou nela até mais fortemente, a boca engolindo a sua, os quadris se

apertando contra ela ...

Era inconcebível que existisse qualquer coisa os separando. Era como se estivessem

caminhando juntos naquilo, exatamente no mesmo ritmo. Ela alcançou seus ombros, arrancou fora

a jaqueta daqueles ombros largos. Agitou seus dedos desfazendo-se da gravata e a fez flutuar para

o chão, em seguida estava nos botões da camisa, tirando os pedaços redondos de plástico das

casinhas, puxando para fora de suas calças. Não podia tirar sua camisa porque as mãos dele

estavam em sua bunda, a segurando, então a camisa saiu de seus ombros apenas o suficiente para

sentir os pelos ondulados do tórax e os músculos duros de seu peito contra ela. Era enlouquecedor

que ainda existissem as barreiras de seu vestido e sutiã entre eles. Doía por senti-lo, a dureza em

sua suavidade. Absorver alguma coisa daquela força e calor em sua pele.

As mãos calosas de Sam abriram suas coxas, levantando a saia, até que tocou em sua

calcinha. Sua calcinha muito cara de seda lilás, que esperava que ele deixasse escorregar por suas

pernas até o chão, como em algum anúncio de perfume, uma vez que a deixou tocar o chão de

novo com seus próprios pés.

O que aconteceu foi tão rápido que não conseguiu acompanhar os movimentos. Som de

rasgar, som de zíper se abrindo, dedos ásperos abrindo sua boceta e—oh meu Deus! —Ele estava

nela, impossivelmente duro, impossivelmente quente, mais fundo que ninguém já estivera antes.

Ambos ficaram congelados, Sam embutido nela enquanto lutava para acomodá-lo. Ela

remexeu um pouco e ele aumentou dentro dela, tão fundo que os tecidos sensíveis de sua carne

podiam sentir seus pelos púbicos.

Estava cheia em todos os sentidos. Seu pênis, enterrado dentro dela, suas mãos duras

segurando sua parte inferior, rodeando agora até sua cintura, ela o segurando acima de seus

braços, seu tórax largo e duro a apertando contra a parede ...

Thunk! A testa de Sam bateu na parede ao lado dela.

—Preservativo, — ele gemeu, arquejando como um touro enlouquecido. Um músculo

contraiu em sua bochecha. Ele gemeu novamente e ela sentiu seu corpo endurecer, começando a

retirar-se.

Não!

—Pílula, — ela ofegou e seu corpo inteiro deu um solavanco.

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—Oh cara, — ele respirou. —Sem camisinha. — Retirou-se devagar, voltou para dentro, num

golpe exploratório e gemendo. —Eu sinto você como uma luva.

—Ahhh ...

— Nicole dificilmente conseguiria oxigênio suficiente para responder. Ele estava

quente dentro dela, a parte debaixo de seu corpo toda ardendo em calor, mas não se movia. Ela

entendeu bem o que ele estava fazendo

...

dando um tempo para que ela se ajustasse a seu

tamanho. Nenhuma dúvida sobre isso, porque ele tinha um membro campeão, certamente o

maior com que ela já topara. Mas ele precisava usá-lo, o tonto, em vez de simplesmente esperar

por ela. O que ele queria? Um sinal? Ela daria a ele um sinal.

Nicole girou sua cabeça ligeiramente, o nariz contra sua bochecha. Ele tinha um cheiro tão

delicioso. Claramente se barbeara, mas existia o leve início da barba contra seu rosto quando

esfregou sua bochecha contra ele. Hesitantemente, ela o lambeu. Quis fazer isto a noite toda, só

para ver que gosto ele tinha.

Delicioso.

No toque de sua língua, Sam empurrou, mas ainda se segurou quieto dentro dela, respirando

fortemente. Ela remexeu um pouco mais e ele saltou dentro dela, não existia nenhuma outra

palavra para isto.

Ela começou a tomar a pílula a vários meses atrás, por ordens médicas, quando a tensão

provocou a interrupção de vários períodos menstruais. Nunca tomou pílula enquanto sexualmente

ativa. Esta era a primeira vez que sentia o pênis de um homem dentro dela sem uma barreira de

látex e era ...

Maravilhoso. Intenso, quase barbaramente íntimo.

Abriu a boca e o mordeu, uma mordida afiada junto a sua mandíbula, e isso acabou com ele.

Seu grande corpo empurrou e começou a bombear nela, golpes fundos e duros que eram

possíveis só porque estava muito molhada com a excitação. A noite inteira tinha sido de

preliminares.

Todo seu peso estava apertado contra ela, a boca na sua, os quadris batendo pesado. Não os

golpes corteses, regulares de um amante na primeira vez, sondando o que a mulher gostava. Não,

estes golpes estavam fora de controle, eram os movimentos de um homem usando toda sua força

e ...

ela adorou. Ele deve ter percebido porque, impossivelmente, aumentou ainda mais o ritmo, se

movendo dentro e fora dela tão rápido que era um milagre não soltar fumaça com a fricção.

Isto era uma loucura, num grau de excitação impossível de sustentar. Dentro de alguns

minutos, Nicole congelou, todos os músculos na parte debaixo travaram, enquanto sentia o

orgasmo chegando, como um temporal no horizonte. Parou de respirar, fechou os olhos,

totalmente concentrada onde ele bombeava nela com golpes duros, pesados. Uma arremetida

particularmente funda e

...

Oh! Seu corpo inteiro convulsionou, sua vagina apertando ao redor

dele, braços e pernas firmemente o agarrando, querendo senti-lo tão perto quanto possível.

Sua respiração terminou em um gemido baixo, roto, gaguejando a tempo de suas punhaladas

afiadas, mais rápidas agora e mais duras, até que ele inchou dentro dela e explodiu.

Oh meu Deus! Podia sentir os jatos de sêmen espirrando contra suas super sensíveis

paredes, uma lavagem quente, rítmica dentro dela, diferente de qualquer coisa que já

experimentara antes, tão excitante que prolongou seu próprio orgasmo. Apertou ao redor dele em

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um ritmo erótico que combinou as pulsações de seu próprio orgasmo, o sentimento tão intenso

que ela quase desmaiou.

Foi como correr uma maratona. A cabeça de Nicole bateu contra a parede porque não tinha

a força necessária para mantê-la na vertical. Seus braços soltos, incapazes de segurar mais aqueles

ombros largos. Suas pernas estavam ainda ao redor de seus quadris, mas estavam tremendo.

Toda área de sua virilha estava molhada e com cheiro de sexo, áspero e terreno, partindo de

onde eles se enganchavam.

—Oh, — ela respirou, incapaz de formar qualquer frase mais coerente.

—Sim, — Sam grunhiu. —Eu sei. Segure firme e apertado, querida.

O

que

...

?

Oh. Sam a agarrou pela parte inferior, e os puxou para longe da parede,

caminhando pela casa, ainda dentro dela. Ainda balançava duro dentro dela, como se não tivesse

gozado, roçando contra seus tecidos incrivelmente sensíveis enquanto a carregava.

Ele a estava beijando, carregando-a como se ela fosse leve, diretamente para o quarto. Ainda

tinha um pouco luz do lado de fora e abriu seus olhos o suficiente para conseguir uma impressão

do quarto espaçoso e espartano, então ele a beijou novamente e o mundo de fora desapareceu.

Não tinha nenhuma ideia de como ele fez isto, mas quando a colocou na cama, ambos

estavam nus. Ainda estava dentro dela, e agora estava em cima com todo seu peso lançado sobre

ela. Era tão delicioso, sentir seus músculos duros, o roçar dos pelos do tórax contra seus seios. Ele

abriu as coxas fortes, cabeludas, espalhando ainda mais suas próprias pernas muito mais

amplamente, e deslizou inacreditavelmente até mais profundamente dentro dela.

Ele aninhou o nariz em sua orelha, soltando beijos por toda parte de seu rosto e pescoço.

Entre beijos, sussurrou para ela.

—Isso foi muito rápido, eu realmente sinto muito. Eu quero que você saiba que eu vou

recompensá-la, só não agora mesmo.

Apenas o escutava, concentrada em onde estavam se tocando, em como ele a enchia. Mas

nos movimentos da fala dele, sua vagina se contraiu ao redor dele. Seu pênis aumentou dentro

dela.

—Assim, aí mesmo, — ela suspirou.

Ele riu, um ruído masculino, baixo e encantador. —Oh sim.

Não estava se movendo, permitindo a ela voltar um pouco a si. Alisou seu ombro. Sua pele

era tão quente e dura. Aço morno. Franziu o cenho enquanto seus dedos encontravam pele áspera

e espessa. Uma cicatriz. Uma cicatriz redonda.

Seus olhos tremularam e se abriram, se afastou um milímetro de seu corpo para poder olhá-

lo nos olhos. Olhos fundos, escuros, olhando fixamente para ela. Ele não estava mais sorrindo.

—Isso é o que eu penso que é? — Sussurrou.

Ele deu um pequeno e rude aceno com a cabeça.

—Existem outras?

—Embaixo, uma em meu quadril, os órgãos vitais escaparam por um fio. Bíceps direito,

ferimento na carne, sem órgãos atingidos, mas dói como o inferno.

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Tocou em cada uma enquanto ele as mencionava. O ferimento embaixo de seu quadril era

grande, feio, com cumes espessos de tecido com cicatriz. Ela amarrou a cara enquanto ele a

beijava.

—Você teve um cirurgião realmente abominável.

Ele agitou a cabeça, mordiscando seu queixo.

—Curativo de batalha. Nós estávamos no meio do inferno. Levou uma semana conseguir

chegar a um hospital. A marinha ofereceu cirurgia plástica, mas francamente, nunca quero ver

outra agulha novamente em minha vida.

Nicole tocou gentilmente sua face. Ele não levou uma vida encantadora. Caminhou pelo

perigo, provavelmente mais vezes que podia dizer a ela. Algumas polegadas à esquerda ou à

direita, e teria sangrado até morrer. Nunca o teria encontrado, nunca saberia o que seu corpo era

capaz de sentir.

Erguendo um pouco sua cabeça, ela o beijou, suavemente. Como se seus ferimentos ainda

doessem. Sam tomou o controle do beijo imediatamente, a boca abrindo acima da sua, a língua

golpeando sua boca no mesmo ritmo dos golpes de seus quadris.

Começou a se mover fortemente nela, mais rápido e mais rápido, e ela colocou suas mãos

debaixo de seus braços, segurando em seus ombros, como se segurasse sua vida. Sam afastou a

boca da dela com um grito sufocado e enterrou o rosto em seu cabelo, ela fechou os olhos e

arqueou o pescoço.

Ele estava certo. Não podiam se beijar agora. Era demais.

Sam ergueu seus joelhos, metendo-se impossivelmente mais fundo, tocando em algo ...

Nicole gozou com um grito selvagem, cerrando sua boceta firmemente ao redor dele, agitando e

estremecendo, suando, lágrimas escapando de seus olhos, o clímax tão intenso que se perdeu por

longos momentos, girando pelo espaço, voltando a si mesma só quando Sam grunhiu e começou a

jorrar dentro dela, jatos longos, quentes de sêmen molhando sua vagina.

Se movia dentro dela com enorme facilidade agora. Estava incrivelmente molhada, cheia de

seu esperma e seus sucos. O tempo se deformou, perdendo seu sentido.

Finalmente parou quando Nicole se moveu preguiçosamente em ondas de prazer. Estava

incrivelmente suada, mas era mais o suor dele que o dela. Seus seios estavam grudados, descobriu

quando empurrou seus ombros. Toda área de sua virilha estava ensopada, molhada, inclusive suas

coxas. Sua vagina estava dolorida, super sensibilizada. Podia sentir cada polegada de seu pênis,

ainda duro dentro dela. Seus músculos estavam relaxados, incapazes de trabalhar.

Se sentiu ...

maravilhosa. Estaria flutuando se o peso enorme dele não estivesse sobre ela.

Empurrou seus ombros novamente e com um suspiro entristecido, ele se ergueu em seus

antebraços e sorriu para ela.

Uma mecha minúscula de cabelo escuro caiu em sua fronte e ela levantou uma mão para

alisá-lo para trás.

—Você está com fome? — Ele perguntou e estava pronta para responder, Não, claro que não,

nós acabamos de jantar, quando seu estômago roncou, ruidosamente.

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—Aparentemente, estou. — Isto era espantoso. Tiveram um excelente jantar e, consultando

seu estômago, percebeu que estava morta de fome.

Sam estalou um beijo em seu nariz e saiu de dentro dela. Então lentamente, ela começou a

se excitar novamente. Se isso não fosse suficiente, vê-lo nu bastou para excitá-la de novo.

Embora fosse enorme, ele era magro, perfeitamente proporcionado, gracioso e forte. E –

uau! – Grande.

Pela primeira vez, Nicole podia apreciar seus, hum, atributos. Incrivelmente, depois de gozar

duas vezes, ele permanecia semi ereto. Seu pênis, brilhando com seus sucos, tinha uma cor de

camurça escura, com grandes veias saltando, quase alcançado seu umbigo.

Sam pegou em seu tornozelo por um segundo.

—Trarei algo para você no terraço. Nós vamos precisar de algum combustível para o segundo

round.

Sam quase riu de sua expressão. Ela estava pronta para dizer que era o bastante, mas ele

não. Nem mesmo perto. Ele estava quente como nunca estivera em sua vida.

Cara, só olhar para ela, lá em sua cama

...

Como alguma décima sétima maravilha do mundo.

Apenas as cores dela seriam suficientes para despertar um homem morto. Cabelo preto como a

meia-noite, pele de porcelana, lábios vermelhos, ligeiramente inchados de seus beijos. Mamilos de

cereja vermelha, uma nuvem de cabelo preto suave entre suas coxas.

Ela brilhava, de seu suor e o dela. De seu esperma, de seus fluidos de mulher. Não se moveu

uma polegada depois que ele retirou-se. Parecia como se tivesse sido fodida por um amante

fantasma – as pernas curvadas e separadas, tão escancaradas para ele que podia ver os tecidos

inchados, o fundo rosa de sua boceta, braços quietos estendidos, olhos meio fechados como se

ainda no meio de um beijo. Quis subir de volta sobre ela, deslizar por trás dela. Queria tanto isso

que teve que cerrar os punhos.

Mas ela precisava de comida. Sam estava acostumado a forçar a si mesmo, mas não a

forçaria.

Olhou-a enquanto suas pálpebras lentamente abaixaram até que só existia uma lasca

daquele surpreendente azul, enquanto sua respiração diminuía de velocidade, o batimento

selvagem de seu coração acima de seu peito, começava a bater menos freneticamente.

Merda, até olhar para ela era melhor que foder qualquer outra.

Esse era um pensamento assustador. Empurrou-o para trás e foi para a cozinha buscar

comida. Não cozinhava muito, mas sua empregada às vezes deixava algumas coisas e sempre tinha

frutas.

Cinco minutos mais tarde, estava levando uma grande bandeja para fora na sacada, contente

com o que conseguiu arrumar. Um grande prato de uvas, umas fatias de queijo que,

milagrosamente, não tinham mofo em cima. Metade de um pão de trigo congelado que

descongelou no micro-ondas.

Duas taças e uma garrafa de um vinho chileno sauvignon blanc realmente bom. Ela saberia

como pronunciar isto. Colocou a bandeja na mesa de ferro forjado e vidro e se debateu se acendia

as luzes do terraço. Estava escuro, talvez ao redor de meia-noite. Estiveram fodendo por três horas

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direto. Acendeu uma das luzes de fora, só o suficiente para enxergarem a comida, não o suficiente

para que um barco no oceano pudesse ver o que estavam fazendo.

Sam olhou acima do oceano escuro, então abaixou os olhos para si mesmo, em seu pênis que

simplesmente não baixava. Sempre tivera bastante fôlego, mas depois de umas horas, geralmente

estava pronto para dar aquilo como encerrado. Levar a senhora para casa. Relaxar.

Mas não estava em qualquer lugar próximo aquele ponto com Nicole. Não podia nem

imaginar isto.

Estava na mais profunda merda, refletiu, quando voltou ao quarto para levá-la para fora no

terraço.

Capítulo 6

Início da manhã de 29 de junho em San Diego

O céu estava dourado, o sol nascendo lentamente no oceano que ainda levava a escuridão da

noite.

Nicole abriu um olho, então fechou depressa.

Olhos fechados, tentou processar o que viu.

Um trem descarrilado, isso é o que ela viu.

Abria seus olhos toda manhã para seu quarto tranquilo, em ordem, com os quatro pôsteres

de sete países, com o dossel de sua cama de renda francesa e lençóis Frette. A cômoda do século

dezessete. Os vasos com flores frescas, os potes de cerâmica, os grandes vasos de cristal Bacará

com areia multicolorida. As aquarelas adoráveis da sua mãe e uma coleção de fotografias tiradas

por um velho amigo de escola que era agora um dos melhores fotógrafos de moda no mundo.

Tudo em seu lugar. Frio, quieto e limpo, exatamente como gostava.

Este quarto parecia que tinha estado na guerra, particularmente a cama. Olhou abaixo de si

mesma, nua, uma perna presa pela perna poderosa, cabeluda de um homem igualmente desnudo.

Um homem com hormônios em vez de sangue, ela juraria.

Sam Reston não tinha um botão de ‘desligar’. Ele finalmente tinha parado algumas horas

atrás porque estava pronta para entrar em coma, depois de incontáveis orgasmos.

Tempo, ela ofegou, e ele riu e lentamente retirou-se dela, o ato tão sensual que lamentou a

ausência de seu pênis imediatamente, entretanto pedira por um descanso. Ele desapareceu por

um momento e voltou com duas taças de vinho branco gelado e um prato de uvas maduras.

Mesmo depois do jantar, mesmo depois do piquenique improvisado à meia-noite no terraço,

ainda estava faminta. Sexo ininterrupto, parecia, era um estimulante de apetite, em mais de uma

maneira.

Enquanto bebia o vinho, não podia deixar de olhar admirada para Sam, sentado ao lado dela,

os músculos salientes, enquanto a alimentava com uvas, seu pênis grande, espesso e ereto,

contraindo-se quando ela olhava para ele.

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Olhou rapidamente para seu colo e desviou os olhos, mas podia sentir o rubor subindo de

seus seios até o rosto. Pensou que tinha parado de corar na adolescência, mas aparentemente não.

A proximidade íntima com Sam Reston fazia o sangue vibrar por seu corpo, subindo para seu rosto,

colorindo de rosa escuro seus mamilos.

Ele olhava para ela, realmente olhava para ela, desde seus seios ruborizados, o esquerdo se

movendo ligeiramente com as pulsações fortes de seu coração, a batida da veia em seu pescoço,

as pérolas de umidade em seu cabelo púbico, uma mistura de seu sêmen e sua excitação.

Seus olhos se ergueram para os dela e seu corpo inteiro se agitou. Mas isto era como tentar

dar ignição num carro que participara de uma corrida na noite anterior, gastando cada molécula de

combustível do tanque. Estava dolorida por toda parte, particularmente em seu sexo, e o desejo

que sentia era só um eco lânguido do consumo do combustível utilizado para o passeio que fora

tê-lo dentro de si a noite toda em sua cama.

Era isto. Batera seu próprio limite pessoal. Finalmente. Foi uma noite de excessos que a

surpreendeu, mas tinha seus limites e ela os alcançara.

Sam moveu sua mão livre para seu joelho, o segurando, os olhos escuros estreitados

queimando os seus. Ele levou a boca até sua orelha.

—Nicole? — A voz profunda era como uma carícia. Como incrivelmente sensual soou em sua

orelha enquanto se movia fortemente dentro dela. Seu estômago tremeu com a memória.

Oh Deus, ele estava pronto para outro round. Como podia? Com um suspiro, Nicole percebeu

que não estava sendo justa. Ela quase rastejara pela pele dele até agora, combinando calor com

calor. Se ela alcançou seu limite, e ele não, não era culpa dele.

—Deite-se, — ele disse suavemente.

O coração batendo, deixou suas costas relaxarem contra o colchão. Como podia fazer isto?

Talvez, se se esforçasse, conseguisse outro round.

Ele se moveu no colchão e ela controlou um estremecimento. Mas em vez de subir em cima

dela, como esperava, ele sorriu e posicionou sua taça de vinho sobre sua barriga e lentamente,

muito lentamente, despejou um fio do líquido frio fragrante do Chardonnay acima dela.

Pareceu bom em sua pele aquecida demais, as notas frutosas fragrantes subindo até seu

nariz.

E então Sam se curvou e lambeu o vinho sobre seu estômago, lentamente, como um gato

lambendo leite. Ela tentou subir em seus cotovelos, mas ele simplesmente colocou uma grande

mão em seu tórax e suavemente empurrou suas costas.

Ergueu a cabeça e sorriu para ela.

—Não, querida, — ele disse, sua voz um sussurro fundo, escuro. —Você não faz nada agora.

Apenas relaxe e me deixe te dar prazer.

Isso era bom, porque seus músculos pareciam água, incapazes de segurá-la.

A língua do Sam se moveu mais baixo, mais baixo e ela ofegou quando ele lambeu ao redor

de seu sexo, suavemente, como se ciente do fato de que estava dolorida.

—Feche seus olhos. — A voz profunda veio de longe.

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—Certo. — Ela fechou seus olhos, ouviu o lânguido click quando desligou a luminária ao lado

da cama.

Sam cheirou seu sexo, o nariz contra seus clitóris, a língua rodando suavemente, examinando

superficialmente onde seu pênis acabara de estar. Sua respiração terminou em um suspiro, seu

próprio murmúrio de satisfação ecoando nela.

O vento entrava suavemente pelas janelas francesas abertas, gentil e regular, como se o mar

estivesse respirando. Existiam sons suaves e que vinham abaixo de seu corpo enquanto Sam

trabalhava com sua boca.

Uma sensação tão estranha, lentamente a tomando enquanto o manto do sono descia sobre

ela, como se deslizasse longe e longe, para uma terra de prazer que crescia cada vez mais escura ...

Diferente das outras contrações de orgasmo, tão afiados que se aproximavam da dor, este

clímax foi gentil, sonhador, seu corpo como um barco que balançava nas ondas suaves do mar,

balançando, balançando ...

Esta era a última coisa que ela lembrava.

O céu clareava lentamente. Logo amanheceria.

Nicole saiu devagar da cama, estremecendo com todos os músculos doloridos, caminhando

até o banheiro. Passou por um espelho e estremeceu à vista da mulher desconhecida, surgindo

pela fraca luz do amanhecer do mundo externo, como uma imagem que emerge da névoa. O

cabelo escuro selvagem, cheio de nós e embaraçado ao redor de sua cabeça, olhos enormes, lábios

inchados.

Olhou de volta para a cama, para ele. Era tão grande que seus pés ficavam pendurados para

fora da cama. Até seus pés eram magníficos, longos, magros, altos e curvados. Um braço grosso

estava acima de seus olhos, o outro estendido para seu lado da cama. Profundamente adormecido,

completamente quieto, com exceção da expansão de seu tórax largo a cada respiração.

Bem ...

Ele fez amor a noite toda. Literalmente. Ela não tinha nem ideia que algum macho

acima de quinze anos fosse capaz disto, capaz de gozar tantas vezes que ela perdeu a conta.

Mesmo agora, em repouso completo, em um sono tão profundo que bem podia ser um coma, seu

pênis parecia cheio, as veias visíveis, semiereto em sua coxa.

Se os olhos de Sam abrissem agora, e se ele a visse nua ali, aquele pênis estaria

completamente erguido em um momento. Ela apostava tudo o que tinha nisto.

Algo nela parecia deixá-lo fora de si. Certamente, algo nele a deixava fora de si. Parecia que

estava fazendo amor agora mesmo. Seus seios estavam inchados, mamilos vermelhos e duros. E oh

Deus, só olhar para ele, tal qual alguma estátua grega ganhando vida, suas coxas tremiam.

Ela tinha que sair daqui. Rápido.

Por uma segundo, olhou com desejo para a porta do banheiro. Um chuveiro. Um chuveiro a

ajudaria a se sentir como se voltasse a ser ela mesma novamente, lavando longe o cheiro dele

impregnado em sua pele. Ele tocou em cada polegada ontem à noite, marcando indiscutivelmente

todo seu corpo, dentro e fora. Não estava acostumada a não se sentir fresca e limpa e

definitivamente não estava acostumada a ter o cheiro de outra pessoa.

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Olhou fixamente para si mesma no espelho, este rosto que nunca vira antes, olhos largos,

pupilas dilatadas.

E então ficou ciente de outra coisa. Umidade entre suas pernas, descendo por suas coxas. Por

um momento, achou que inesperadamente estava tendo seu período, que seu corpo simplesmente

desobedeceu a pílula e tinha ido em frente e ovulado, quebrando o horário hormonal. Uma noite

inteira de sexo selvagem seguramente seria suficiente para surpreender o controle de seus

hormônios.

Olhou para baixo, esperando ver gotas de sangue, mas tudo que viu era uma umidade

cintilante.

O sêmen dele.

Sam despejou um pequeno lago nela durante a noite. Com a memória disso, seus joelhos

cambalearam. Ofegou por ar, o som alto no quarto silencioso. Nicole rodou rapidamente a cabeça

ao redor para ver se de alguma maneira despertara Sam, mas ele estava totalmente apagado.

O pensamento disto – de Sam acordando e a encontrando aqui, de ter que enfrentá-lo

depois dos excessos de ontem à noite

...

Oh não.

Não é que não estivesse atraída por ele, é que estava atraída demais. A Nicole Pearce de

ontem à noite, – a mulher que se esbanjou em sexo, que deixou fora o mundo para enfocar

estritamente em Sam Reston e em seu corpo delicioso, completamente masculino – ela tinha que

simplesmente ser colocada de lado. Aquela Nicole era uma aberração e tinha que desaparecer,

agora mesmo.

Falando em desaparecer ...

Procurou de modo selvagem. Seu vestido estava no chão, amassado, o sutiã em cima.

Jaqueta atrás de uma cadeira. Uma sandália estava tombada ao lado, próxima a uma cômoda

grande e brilhante, e seu par

...

Onde inferno seu par estava? Sair descalça da casa do Sam era

muito terrível para contemplar, mas a outra sandália não estava em nenhum lugar visível. Duas

olhadas no quarto e nenhuma sandália. Só sobrou um lugar para procurar. Abaixou e sim, lá estava.

Debaixo da cama. Debaixo da cama muito grande e muito baixa de Sam. Levou um minuto inteiro,

mas finalmente conseguiu pegá-la.

Possivelmente não podia sair com esta aparência, mas por outro lado, existia uma corneta

dentro dela, insistente e alta. Saia agora. Saia agora. Antes que ele acordasse, porque não tinha

nenhuma pista do que possivelmente pudesse dizer a ele.

Vista-se e vá, agora.

Deslizou para o banheiro, deixando a porta aberta, de forma que um pouco da luz do

lânguido amanhecer pudesse entrar. Se ligasse as luzes no branco-ladrilhado do banheiro, o clarão

poderia despertar Sam.

Um salpicar de água fria em seu rosto, uma lavagem rápida entre suas pernas – e oh meu

deus, o toque da toalhinha íntima parecia incrivelmente áspero contra sua super sensibilizada

carne – um pente apressadamente passado pelo cabelo foi tudo que se permitiu. O sutiã e vestido

foram vestidos em um minuto.

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Segurando suas sandálias pelas correias, andou nas pontas dos pés seu até a porta da frente.

No chão encontrou um material suave lilás. Sua calcinha. Sua linda calcinha La Perla, rasgada em

dois pedaços. E como ela adorou quando Sam a rasgou para fora de seu corpo, porque era uma

barreira inaceitável entre ela e a carne dura do Sam.

Fechou seus olhos por uns segundos, então os abriu, querendo mais que nunca sair tão

rápido quanto podia, como alguém fugindo da cena do crime.

A porta. Olhou para a porta cautelosamente. Ontem à noite, ao entrar, tinha sido como

entrar em alguma sala secreta no Pentágono. Impressão da palma, chave cartão, código de cinco

dígitos. Não tinha nenhuma ideia que números eram. Sua mente estava totalmente perdida em

névoas de luxúria.

Se precisasse de um código secreto para sair, estava em apuros.

A ideia de ter que caminhar de volta para o quarto, despertar Sam e pedir um código a

obrigou a se enfocar, se concentrar. Ela estudou a porta, estreitando os olhos. Uma porta tinha que

trabalhar de ambos os modos, não é? Você tem que poder sair, não só entrar.

Não existia nenhum painel de segurança. Nenhuma maçaneta, nada de nada no que dizia

respeito a esse assunto. Olhou fixamente para a porta, esperando decifrar seu segredo.

Abria por controle remoto? Teria que voltar ao quarto e procurar nas calças do Sam? Isso

seria o fim da linha.

Existia um botão na parede próximo à porta sem traços característicos. Colocou um hesitante

dedo, pairando acima dele, então juntou sua coragem e apertou, esperando que não estivesse

conectado a algo perigoso, como uma sirene. Ou uma bomba.

Um clique e a fechadura destravou, a porta correu e abriu.

Sim!

Nicole atravessou nas pontas dos pés, então silenciosamente deslizou a porta, fechando-a

atrás dela.

Permaneceu no corredor, respirando fortemente, como se tivesse escapando de uma prisão.

Seu coração estava batendo tão forte que era um milagre o som não ecoar pelo corredor quieto.

Era totalmente ridículo, mas não podia fazer qualquer coisa sobre o modo que se sentia--em

pânico e quebrada, como se estivesse fugindo de algo perigoso.

Lembrando do barulho dos seus saltos no chão de taco brilhante no corredor ontem à noite,

caminhou descalça para o elevador e apertou o botão, estremecendo com o pequeno PING

quando chegou no andar de Sam. Soou tão alto no silêncio.

No elevador, segurou sua bolsa firmemente, como uma proteção, e olhou fixamente

preocupada para as portas do elevador.

Quando abriram, saiu no enorme envidraçado hall de entrada. O céu estava agora num tom

cinza perolado e podia ver a praia a uns cinquenta metros, as ondas pequenas terminando como

renda na areia.

—Senhora?

Nicole saltou e apenas conseguiu suprimir um grito.

—Desculpe. Posso ajudá-la? — O tom educado, com um leve acento hispânico.

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Um segurança do prédio, uniformizado, dentro de uma área de madeira polida, cercado por

telas de vídeo exibindo os vários corredores vazios, olhando para ela com uma expressão

preocupada.

Nicole heroicamente refreou o instinto de olhar abaixo, para si mesma com desânimo, mas

sabia exatamente o que ele estava vendo. Uma mulher desgrenhada que obviamente estivera

inutilmente andando nas pontas dos pés descalços depois de uma noite de excesso em um dos

apartamentos.

Isto era tão injusto. Nicole era o epítome de uma senhora adequada. Até em meio a um

quente affair, sempre mantinha o decoro. Foi educada assim. Sempre se orgulhou do fato de um

observador casual nunca saber o que estava pensando, o que estava sentindo.

Agora mesmo, bem podia ter tatuado na testa a noite quente que tivera.

A única coisa a fazer era ignorar isto. Esticou as costas, colocou seu melhor sorriso cortês de

filha de embaixador e ergueu sua cabeça.

—Bom dia, —disse calmamente. —Eu gostaria de saber se você poderia me chamar um táxi.

—Certamente, Madame, — o segurança disse, já fazendo a ligação sem tirar os olhos dela.

Presumivelmente, no caso dela fugir com um dos vasos de pedra que deviam pesar cento e

cinquenta quilos cada um.

—Obrigada, — Nicole disse e caminhou elegantemente para a frente do hall de entrada,

sentando em um dos longos e brilhantes bancos de carvalho. Cuidadosamente colocou suas

sandálias e desviou a vista para as janelas que davam para a praia. O céu estava sem nuvens, num

azul pálido, o oceano cinza claro. Seria um dia glorioso, como tantos que estavam fazendo em San

Diego.

Desviou a vista do oceano, pensando em absolutamente nada, até que ouviu o guarda gritar.

—O táxi está aqui, Madame.

Girou a cabeça e viu o táxi fazendo o contorno para a frente do prédio. Nicole movimentou a

cabeça para o guarda e entrou no táxi. Deu seu endereço para o motorista e olhou cegamente para

fora da janela quando ele arrancou.

Esta parte de San Diego era bonita, mas ela apenas percebia as praias de areia branca, a

vegetação luxuriante, a luz que dançava no ondular do oceano, os corredores na praia.

Tudo que conseguia pensar era em Sam Reston em cima dela, o nariz uma polegada do seu, a

olhando ferozmente enquanto se movia dentro e fora dela. E o fato de não ter pensado nem uma

vez em seu pai durante toda a noite passada.

Nova Iorque

—Paul Preston para Sr. Mold. Eu tenho um compromisso com ele às dez horas.

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Ah. Finalmente. A última secretária do quartel. Ela ergueu o olhar e deu um pequeno sorriso,

só um leve esgar de bonitos e brancos dentes como um comercial de Chiclets. Muhammed

aprendeu que quanto mais poderoso o homem, menos amigável era a secretária.

Já passara por três secretários, oferecendo sorrisos em incrementos decrescentes, conforme

se aproximava da "Santa Presença." Esta secretária era a pessoa que cuidava da agenda do seu

chefe. Era poderosa além da medida e sabia disto.

Muhammed solicitou este encontro, desesperado para chegar ao grande financista Richard

Mold tão rápido quanto possível, sabendo que o tempo era vital, ainda tentando não pressionar

muito, porque Mold veria isto como um sinal de vulnerabilidade.

Estes homens podiam cheirar o desespero a cem passos, como hienas conseguiam cheirar

sangue a milhas de distância. Muhammed estava desesperado, mas não por dinheiro.

Entretanto vivia em um mundo que fazia qualquer coisa por dinheiro – viviam por isto,

morriam por isto, até matavam por isto – ele era indiferente a esta isca.

Particularmente agora, quando ele – Muhammed Wahed, uma criança dos acampamentos –

iria mudar o curso da história humana. Os homens teceriam histórias de suas ações por mil anos.

Ou mais.

Então era duro para ele se manter tranquilo na frente da fria secretária quando ela apertou

um botão e calmamente disse,

—Sr. Paul Preston para ver você, senhor. Seu compromisso das dez horas.

Ela notou o leve brilho de suor em sua fronte? Viu que tinha que se esforçar para afastar a

umidade suas mãos?

Talvez tenha percebido. Talvez fosse melhor assim. Talvez se estivesse muito despreocupado,

seria notado e comentado depois. Richard Mold comandava um império e seus métodos eram

severos. Em seu próprio mundo, ele era um califa, um sultão. Alguém querendo um favor era

esperado que estivesse transpirando, tremendo e suplicante.

Houve um murmúrio baixo, tranquilo no fundo do intercomunicador – o tom de comando

muito claro – e a grande porta de metal à direita da escrivaninha emitiu um lânguido clicar e

deslizou suavemente na parede.

A secretária o olhou friamente.

—Você tem até às dez e quinze, senhor.

O subentendido era que às 10:15 a segurança seria chamada.

Bem, até às 10:15 ele um teria um nome, ou não. Estava nas mãos de Allah neste momento.

Passou pela porta.

Durante os últimos anos, Muhammed estivera em incontáveis escritórios dos ricos e

poderosos. Alguns preferiam a decoração de um antigo lorde inglês. Paredes escuras, poltronas de

couro fundo, garrafas de cristal, como se um escritório no quadragésimo andar de um arranha-céu

de Manhattan pudesse ter existido por trezentos anos, atravessando gerações e gerações da

nobreza inglesa.

Alguns tinham escritórios que pareciam ter viajado no tempo até o século vinte.

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Mas em todos eles, em todos eles exsudava uma aura específica – olhe para mim. Olhe para

o que eu realizei. Olhe para o quão poderoso eu sou. Não me cause problemas, porque eu

esmagarei você.

Muhammed esteve neste escritório uma vez antes, quando Mold acabara de assumir o

comando do grande fundo de capital privado. Parecia Versalhes então. Agora era todo mármore

preto macio e lustroso, com design Lucite 27 .

Muhammed ouvira que Mold gastou três milhões de dólares redecorando seu escritório.

E aí estava ele, atrás de um longa mesa de ébano com pernas transparentes, a escrivaninha

vazia e nua e altamente polida, como convinha a um Mestre do Universo.

Mold se levantou, mas não ofereceu a mão.

—Preston, — ele disse. A voz profunda não era particularmente calorosa ou de boas-vindas.

—O que eu posso fazer por você?

Essa era uma pergunta complexa, se já tivesse existido uma. Muhammed estava aqui só

porque Mold contava que Muhammed pudesse fazer algo por ele. Se não houvesse a possibilidade

de uma troca de favores, Muhammed seria convidado a se retirar pela segurança de Mold a um

aperto do botão vermelho que estava indubitavelmente no lado inferior da escrivaninha.

Todo nervosismo se foi, levado para longe como o ar que passava nos condicionadores

invisíveis de ar.

Muhammed vira o futuro.

O edifício comercial de Mold era um dos que estavam no topo da lista. No momento em que

seus irmãos mártires partissem para ação, este edifício seria um dos primeiros a sofrerem com a

radiação. Os irmãos estariam recentemente barbeados, vestidos nos uniformes da Wall Street –

ternos Armani, Boss, Jill Sanders. Teriam identidades que passariam pelo escrutínio dos guarda-

costas. Muhammed daria a ordem para que um mártir ficasse no salão de entrada e outro irmão

mártir subisse aqui, para o quinquagésimo quinto andar, e detonasse a bomba em seu cinto em

frente a escrivaninha da secretária esnobe. Mold morreria imediatamente. Sua companhia, tudo

que ele tinha, iria embora em um momento, tudo intocável por décadas.

Isto acalmou Muhammed completamente. Mold estava emitindo as ondas de agressão

típicas de um comerciante de capital da Wall Street. Seus acessos de raiva eram famosos. Estava

acostumado a gritar, intimidando subalternos para conseguir as coisas a seu modo.

Muhammed olhou para Mold calmamente, para este homem morto que caminhava.

Só alguns dias para acontecer.

Olhou em volta, então escolheu uma cadeira e se sentou justamente quando Mold dizia,

—Sente-se.

A cadeira que foi comprada de um famoso designer era feita de papel. Muhammed leu que

tinha sido vendida por dez mil dólares, suficiente para alimentar centenas de pessoas nos

acampamentos por um ano.

Richard Mold merecia queimar. Todos eles mereciam.

27 Líder global em design, desenvolvimento e fabricação de produtos em acrílico.

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Muhammed arrumou sua calça comprida para não arruinar a excelente prega, e cruzou as

pernas.

Silêncio.

Isso irritou Mold. Seu rosto, profundamente bronzeado ficou apertado, e seus olhos

estreitados.

—Então, Preston, sobre o que se trata? — Perguntou friamente.

Muhammed esperou um momento, então falou.

—Tenho uma informação que você poderia achar interessante, e em troca, quero um nome e

um número de telefone.

As sobrancelhas espessas cinzas do Mold se juntaram na testa.

—Qual é a informação e que nome?

Muhammed arranhou a prega de sua calça comprida, apreciando sentir o linho bom. Deixou

passar um minuto, dois. Oh, aprendeu os modos sutis do poder do Oeste. Mold o olhava, o rosto

crescente muito mais apertado.

Finalmente, Muhammed deu um pequeno suspiro.

—Uma companhia na qual você investe, uma corporação muito bem conceituada, acabou de

anunciar um de seus melhores trimestres. Um aumento de dois dígitos em vendas. Suas ações

subiram quase quinze por cento em virtude do relatório. Mas isto é falso. O Diretor Executivo

acumula quase vinte bilhões de dólares em perdas e o FBI o prenderá em quatro dias. Se você

vender estas ações, pode fazer milhões. Em quatro dias.

O rosto do Mold não mostrava nada, mas Muhammed conhecia os pensamentos que

passavam por sua mente. Durante a última semana, várias corporações anunciaram grandes

ganhos depois de quase dois anos de queda. Muhammed podia estar se referindo a qualquer uma

das várias companhias. Aponte a errada e você perde um pacote. Aponte a certa e, ah. Faça

milhões em um momento. Adicione a sua reputação como um homem de milagre. Para alguém

como Mold, era irresistível. Ele e seu tipo nasciam para este tipo de desafio.

Aquele golpe apertado de uma boca aberta, mordendo as palavras.

—E o que você quer em troca do nome da companhia?

Sim! Era negócio feito.

—Outro nome, — Muhammed murmurou. —Tudo o que nós dois queremos é um nome.

Mold não desperdiçava palavras desnecessariamente. Simplesmente olhava fixamente.

Muhammed se debruçou ligeiramente adiante, abaixando a voz.

—Há um tempo atrás, eu ouvi que existe um homem que a comunidade financeira

...

usa.

Quando existem problemas que não podem ser comprados. Eu quero o nome e telefone de

contato deste homem que faz os problemas e as pessoas desaparecerem.

Silêncio. Silêncio absoluto.

Eles estavam tão alto que nenhum som podia penetrar e uma das obrigações da mulher lá

fora era prevenir barulhos ou distrações. Não existia nenhum som mesmo. Até o ar condicionado

era totalmente silencioso.

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Mold olhou em seus olhos por um longo momento, então pegou uma folha e, usando sua

caneta Cross, escreveu. O som do movimento de caneta pelo papel espesso era alto na manhã

silenciosa. Mold dobrou a folha uma vez, duas vezes, então a deslizou através da escrivaninha.

Muhammed pegou sua própria caneta e circulou o nome de uma companhia no topo de uma

página rasgada do Wall Street Journal.

O nome era a segunda maior corporação nos EUA. Acabara de anunciar o registro de altas

vendas depois uma longa temporada em baixa. Até onde Muhammed sabia, as informações

estavam corretas. Mold venderia baixo e perderia muito dinheiro.

Não importaria, porque em quatro dias, Mold, sua companhia, a corporação e toda a Wall

Street teria desaparecido.

Muhammed dobrou a folha do jornal nitidamente pela metade e a deslizou através da

escrivaninha de Mold, embolsando o papel que Mold escrevera sem olhar.

Ele levantou, pasta na mão. Não cometeu o engano de oferecer a sua mão. Eles se olharam

fixamente por um momento. Muhammed curvou sua cabeça sobriamente e saiu, sentindo os olhos

do chato Mold atrás de sua cabeça e ouvindo o leve ranger do pedaço de papel em seu bolso com

o nome do homem que resolveria seu problema e o ajudaria a acabar com o mundo.

Geórgia

O nome era Sean McInerney. Trabalhava frequentemente disfarçado e tinha vários nomes

alternativos, mas Sean McInerney era o nome com o qual tinha nascido.

Não seria o nome com o qual morreria.

Depois do exército, ao iniciar sua nova profissão, Sean pensou muito sobre o nome que

usaria. Queria um nome curto e mordaz. Uma palavra, memorável, como Cher ou Madonna, só

que em vez de pensar num pintinho bonito, você tinha que pensar em algo letal.

Estava ouvindo Outlaw 28 da banda Whitesnake, e resolveu adotá-lo. Perfeito.

Ele tinha vários nomes alternativos, mas "Bandido" funcionava realmente bem em sua nova

profissão. O nome não era original, mas seus novos empregadores gostaram disto. Fazia com que

se sentissem sensuais e duros.

A vida após as Operações Especiais era boa. Realmente boa.

Tivera um pouco de sorte ao penetrar na corte dos banqueiros, diretores executivos,

diretores de fundos privados, financistas e gerentes do dinheiro que passavam seu tempo curvados

acima dos monitores de computadores, pensando que eram perigosos e duros.

Os banqueiros e financistas gostavam de pensar neles mesmos como homens realmente

duros, mas só eram duros porque possuíam uma parede de dinheiro por trás. Quando aquela

28 Bandido ou fora da lei.

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parede ameaçava cair, eles desintegravam e mostravam sua verdadeira natureza – aquela pálida de

balconista, não de machos alfa, como muito carinhosamente se imaginavam.

O único atributo que Bandido tinha e reconhecia neles era a absoluta desumanidade. Toque

em seu dinheiro e contratariam o melhor para brigar por eles e não dariam nenhuma chance a

quem os ameaçava.

E então sua vida pós-exército começou. A saída desonrosa – expulso do Exército por vender

armas quando existiam fodidos armazéns abarrotados de armas enferrujando no deserto – o

impediu de solicitar um trabalho de colarinho branco, não que desejasse um.

Não, uma estranha conexão entre um velho amigo do Exército e seu irmão que trabalhava

com finanças o colocou em sua nova profissão.

O primeiro trabalho não podia ter sido mais fácil. Um informante, pronto para enviar um

quente conjunto de documentos mostrando a conduta ilegal e em um segundo, quinze milhões de

gratificação surgem do nada. O diretor executivo se encontrou com ele em um quarto de luxo no

topo de um arranha-céu de um edifício de negócios mais ou menos a cinco quarteirões de onde

ele trabalhava. O financista podia ser um deus no mundo de finanças mas era um fodido idiota na

vida real.

O financista deu um nome falso e teve a certeza de empregar eufemismos, mas estava claro

que queria o informante morto. O Bandido mostrou sua Barrett 95 em seu coldre e viu como os

olhos do banqueiro se alargaram.

Era tudo uma falsidade.

O Bandido sabia perfeitamente bem quem era o banqueiro. Lewis Munro, diretor executivo

da décima maior corporação nos EUA. O Bandido tinha seu nome, endereço e o endereço do

apartamento em Lexington onde vivia a amante de Munro. Sabia quanta cocaína Munro consumia

em uma semana e quanto pagava por ela. Sabia qual escola particular frequentavam os filhos de

Munro, quanto a Sra. Munro gastava em uma semana na Hermes e até a quantia de impostos que

Munro sonegou.

Até o Barrett era um embuste. Uma bala calibre .50 era garantia de chamar a atenção da

policia como nada mais. Para a Barrett ele usava uma bala de armadura penetrante, o Raufoss

Mk.211, contendo balas incendiárias, e muito precisas em rifles de vigia. Ele tirou três mil caixas

do armazém de material básico.

Era uma bala militar, totalmente desperdiçada em um alvo civil a menos que você tenha um

franco atirador escondido e pronto para disparar. Com um grande, vermelho alvo em cima do

pescoço do sujeito morto, o que seria um espetáculo. Às vezes aquilo era necessário. A maior parte

do tempo, não era.

Quando aconteceu, foi um assalto comum de rua. O informante caminhava de volta para

casa sozinho, depois de um jantar com amigos, o assaltante tomou todo seu dinheiro, cartões de

crédito e até sua aliança de casamento e seu relógio de pulso. A polícia especulou que o

informante resistiu e conseguiu uma facada nas costelas por seus machucados.

O detetive de homicídio permaneceu acima do corpo caído na ruela e agitou sua cabeça

inconformado com a sorte do assaltante em acertar o coração com uma punhalada.

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Não foi sorte. Bandido praticou o movimento milhares de vezes em treinamento e centenas

de vezes em corpos ao vivo em missão.

Se o informante tivesse sido atingido por uma bala de um franco atirador, a polícia poderia

investigar seus negócios e talvez achar algum material incriminando Munro, que teria que dar

algumas explicações, o que teria feito sem sentido os cem mil dólares que Munro transferiu para o

banco de Bandido em Aruba.

Da maneira como foi feito e sem a faca, não existia nenhuma impressão digital, e depois de

duas infrutíferas semanas, o caso do informante já estava frio.

Com aquele golpe ele fez seu nome. Se tornou o sujeito a ser procurado pelo setor financeiro

quando alguém tinha um problema que não podia ser resolvido com dinheiro, inclusive divórcios

das esposas onde não existia nenhum acordo pré-nupcial.

Bandido tivera mais de vinte trabalhos nos últimos cinco anos, todos perfeitamente

executados. Um estudo do terreno e do assunto, um rápido entra e sai, utilizando métodos que

variavam extensamente, e ninguém era mais hábil que ele. Ele até tinha um time de antigos

soldados, bons homens que, depois de dar tudo de si para o Tio Sam sem receber nada em troca,

agora usavam suas habilidades para ganhar dinheiro.

Bandido aprendeu com os financistas, também. Encurralar o mercado e ganhar alto. Recebia

no mínimo quinhentos mil dólares em um estalar de dedos agora, mais despesas, para começar.

Bandido deu a Munro um número de telefone celular em um cartão, sabendo que Munro

espalharia isto. Munro vivia em um mundo de homens acostumado a ganhar, não importava o

custo. E se não tivessem o conjunto necessário de habilidades para fazer o trabalho específico,

simplesmente contratavam homens que tinham.

O telefonema veio quando olhava para os cem acres que comprou na Geórgia, menos de

uma hora do centro e do aeroporto internacional de Hartsfield. A terra era extensa o suficiente

para treinos de disparo, uma casa e cursos de resistência para seus homens, enquanto oferecia

completo isolamento. O perímetro era cercado por sensíveis sensores capazes de detectar um

coelho, com webcams em todo perímetro, a cada cinco metros.

Em essência, o Bandido tinha seu próprio país.

Construiu uma casa enorme que oferecia todo conforto que possivelmente pudesse querer.

De pé na enorme janela de vidro espelhado e reforçado bebericava seu Jack Daniel, quando

atendeu o celular. Este era o celular de negócios, nunca usado para qualquer outra coisa exceto

clientes com trabalhos.

Bem, bem, pensou. Hora de ganhar um pouco mais de dinheiro.

—Você é o homem conhecido como Bandido? —A voz era suave, não profunda, o padrão

americano.

—Sim. — Não perguntou quem estava chamando. Não fazia qualquer diferença. O sujeito

mentiria de qualquer maneira. Se necessário para o trabalho, Bandido podia descobrir. Caso

contrário, não se importava, desde que o dinheiro entrasse em sua conta no banco. —O que você

precisa?

—Ah, um homem que vai diretamente ao ponto. Eu gosto.

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—Bem, desde que eu mesmo me represento e continuando a ser direto, deixe-me dizer a

você que eu não me moverei daqui até que a taxa mínima esteja depositada em minha conta.

—Fui informado sobre seu

...

estilo, Sr. Bandido. Se você verificar sua conta bancária,

encontrará o depósito. Mais. Eu mandarei a você as informações sobre a pessoa de interesse em

dez minutos, uma vez que você verifique isto.

Bandido não precisou de dez minutos. Dentro de um minuto, olhou sua conta bancária e sim,

aí estavam, os quinhentos mil com um extra de cem mil associados a benevolência.

Bandido sabia que seus empregadores viviam, respiravam e morriam por dinheiro. O

dinheiro extra significava que isto era extra importante.

Depois de dez minutos, um toque de seu telefone celular. Recebeu uma mensagem de texto.

Nicole Pearce. Agência de tradução, Wordsmith. Edifício Morrison, San Diego, Califórnia.

Nicole Pearce recebeu dados em um e-mail enviado de Marseilles em 28 de junho. Recupere

disco rígido, possíveis pen drives, procure por cópias, elimine o computador, elimine Nicole Pearce.

Prazo curtíssimo e inegociável. O trabalho deve ser completado até dois de julho.

Certo.

Consiga um disco rígido de uma mulher, mate a mulher. Ele fez coisas mais duras em sua

vida. Verificou o site da web deste negócio, Wordsmith. Depois de meia hora, tinha uma boa ideia

do que ela fazia e deu ainda uma boa olhada para Nicole Pearce.

Cristo. Ela era fodidamente boa de olhar. Um de seus homens, Dalton, vivia em estado

permanente de excitação. Se Dalton estivesse nessa operação, ele lançaria Pearce no colo de

Dalton para brincar com ela por algum tempo. Ele ficaria agradecido.

Verificou alguns sites restritos e descobriu que ela morava com um Nicholas Pearce, seu pai,

não seu marido.

Bandido excluiu a busca do seu computador, levantado-se e se esticando. Terminou seu

uísque olhando pela janela para seu pequeno império.

Ele amava esta vida. Amava o peso e a sensação, o dinheiro e o poder. Amava possuir duras

habilidades e esfregar isso nos narizes de homens suaves, além de fazê-los pagar por isto também.

Bandido permaneceu na janela, vendo os aviões de Hartfield subir no céu, um depois do

outro, como o mecanismo de um relógio. A seu próprio modo, era tão preciso e técnico quanto

qualquer piloto ou cirurgião.

Desceria para seu ginásio de última geração e faria um bom treinamento para o

condicionamento físico, então teria um almoço leve com água. Nada mais de álcool. Estava agora

oficialmente em modo de operação, dedicado somente para a missão, e assim ficaria até o

trabalho estar concluído.

Tinha um avião particular a sua disposição. Solicitaria a saída para as três da tarde, dando a

ele tempo para pesquisar a pessoa e o golpe.

Seus olhos demoraram no adorável rosto em sua tela no computador.

Cristo, uma beleza real. Que seria sacrificada pelos homens do dinheiro.

Desculpe, querida, ele pensou. Eu não sei o que você fez, mas você acabou de pisar nos

dedões da pessoa errada.

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Capítulo 7

San Diego 29 de junho

Sam colocou o telefone no gancho pela milionésima vez, os dentes cerrados. Nicole não

estava atendendo. Não atendeu o telefone a primeira vez que ele ligou e não estava atendendo a

sua trigésima ou quadragésima ligação.

Ele sabia que a definição de insanidade era repetir a mesma coisa várias vezes, esperando

um resultado diferente a cada vez.

Ele estava louco?

Só Deus sabia. Certamente não estava completamente são. Ele tinha alfinetado as paredes

do próprio cérebro desde que acordou no brilho do pós-sexo diferente de qualquer outro que já

tivera antes, só para descobrir que Nicole escapou sorrateiramente enquanto ele estava dormindo.

Sem uma palavra, nem um maldito bilhete.

Ele deveria estar em coma, porque não havia modo que o barulho, por mais silencioso que

fosse, de uma pessoa se vestindo não o despertasse. Na batalha, ouvia uma pedra rolar longe

durante o sono, e quando os inimigos chegavam ao acampamento, só encontravam as brasas do

fogo e uma emboscada.

Para não mencionar o fato que seu sistema de segurança enviava uma mensagem para seu

celular a cada vez que a porta da frente era aberta. Ele continuou dormindo quando isso

aconteceu, também.

Tudo sobre a manhã estava fora de lugar, depois da noite mais fabulosa de sexo que já tivera.

A princípio, ele tropeçou, cansado, de quarto em quarto, esperando encontrá-la

...

em algum lugar.

Do lado de fora da sacada. No banheiro. Talvez na cozinha bebericando uma xícara de café.

Depois de dar duas voltas pela casa foi que percebeu que as roupas dela desapareceram.

Junto com ela.

Esfregou seu tórax quando percebeu isto. Machucava, como se tivesse uma faca afiada ali.

Nesse momento deu seu primeiro telefonema, para a casa dela, chamando a si mesmo de

asno porque ficou tão envolvido com seu pênis que nem pedira o número de seu celular. Bem,

uma busca em um banco de dados semi legal cuidou disto.

O telefone caiu na caixa postal, o convidando a deixar uma mensagem para ela. O que ele

fez, repetidamente.

No número de telefone de casa recebeu a primeira mensagem eletrônica, "Você ligou para a

casa dos Pearce. Nós não podemos atender agora, mas por favor deixe uma mensagem e

retornaremos assim que for possível."

Regra número um nos negócios – nunca acredite em máquinas falantes. Elas prometem que

irão retornar e nunca retornam. Mas cara, ele acreditou nisto e deixou uma longa e vaga

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mensagem, cujo teor básico era Volta para mim. Enquanto tropeçava para o chuveiro, manteve o

telefone sem fio ao seu lado, assim não perderia seu telefonema.

Porque é óbvio que ela ligaria tão logo fosse possível. Ela não estava chamando agora mesmo

porque estava ...

No banheiro ou algo assim. Ou talvez atendendo a seu pai.

Então ligou novamente cinco minutos mais tarde, contando o tempo a cada segundo.

Porque, bem, telefonar novamente imediatamente seria coisa de tara

...

obsessivo. Não seria?

Não foi até a décima vez que ligou, enquanto estava dirigindo para o escritório, que lhe

ocorreu que ela não estava respondendo não porque estivesse ocupada.

Ela não estava respondendo por que não queria conversar com ele.

Jesus.

Ela o estava evitando.

E também desligara o telefone celular.

Os últimos dez telefonemas para a casa dela foram feitos do escritório. Cada um respondido

por "Você telefonou para a casa dos Pearce ..."

Sam olhou fixamente para o telefone, tamborilando os dedos.

Tinha um orçamento para fazer, para um cliente que era muito rico, tão mudo quanto uma

rocha, e que indubitavelmente forneceria um bom fluxo de renda por muitos anos ainda.

Tinha alguns catálogos de equipamento de segurança para aprovar.

Tinha e-mails para responder.

Tinha o orçamento do próximo ano para examinar cuidadosamente.

Tinha que ligar para seu contador.

Tamborilou seus dedos novamente e soltou uma respiração frustrada.

Porra.

Sam pegou seu celular e ligou para Mike.

—Oi. — A voz profunda de Mike, fria e grave o acalmou um pouco. Mike era sempre frio, mas

era especialmente frio com as mulheres. Nunca ficaria suando ou em pânico porque uma mulher

desaparecia depois de uma noite de sexo quente. As noites de sexo quente eram a especialidade

do Mike.

Não que Sam estivesse suando ou um pânico. Não, não.

—Ei. — A voz de Sam estava áspera. Ele clareou a garganta. —Escute, eu tenho um favor para

pedir a você.

—Atire. — Era uma das expressões favoritas de Mike, irônico, vindo de um policial.

—Eu preciso que você apareça na casa de uma mulher. Eu quero que você pare com o carro

patrulha, luzes acesas, vestido em seu melhor uniforme da SWAT, o pacote completo. Vá armado.

Pareça assustador. — Para Mike, isso não seria difícil. O treinamento especial tinha transformado

seu peito em uma parede volumosa. Você não queria foder com Mike. Você particularmente não

queria foder com ele quando no trabalho, uniformizado e armado.

Exatamente o que Sam precisava. Queria que Mike assustasse os idiotas dos vizinhos que a

perseguiam. Todo pelo em seu corpo se arrepiou quando os viu saírem para a varanda e olhar

fixamente para Nicole, gritando e assobiando. O modo como olharam para ela fez seu intestino

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doer. Seu comportamento era o comportamento do predador clássico. Circulando cautelosamente,

ficando sempre mais íntimo. Um dos fodidos tocou na janela do seu carro enquanto ela estava

saindo, Nicole disse. O próximo passo era tocá-la. E o passo depois desse era agarrar e, da próxima

vez que ela voltasse para casa depois de escurecer, o estupro.

Só por cima de seu cadáver.

Sam não tinha nenhuma ilusão sobre o modo que o mundo trabalhava. O forte vivia do fraco

e neste mundo, os fracos incluíam mais ou menos todas as mulheres e todas as crianças. Ele viu

suficiente mulheres e crianças maltratadas para saber que alguém tão fraco, sem um protetor, iria

atrair violência, mais cedo, ao invés de mais tarde. Era inevitável. Passara sua vida inteira pondo a

si mesmo na frente do fraco, tentando protegê-los. Eles três, Sam, Harry e Mike, passaram suas

vidas tentando parar algo que podia nunca ser parado, só diminuir a velocidade.

Nicole era como um cordeiro marcado para o abate.

A casa podia estar localizada num bom bairro no tempo de sua avó, mas agora era diferente.

Estava no meio de um bairro que degenerava diariamente. Com a recessão econômica, ele

apostava que o bairro estava cheio de homens desempregados. Homens sem trabalho, ressentidos,

embriagados por bebidas ou drogas, sem nada para fazer o dia todo a não ser fantasiar – bem,

aqueles não eram os melhores vizinhos para uma mulher ter.

Especialmente uma mulher como Nicole.