Você está na página 1de 3
tudo sobre Raios, relâmpagos e trovões Capítulo 2 O raio e a atmosfera O relâmpago
tudo sobre Raios, relâmpagos e trovões Capítulo 2 O raio e a atmosfera O relâmpago

tudo sobre

tudo sobre Raios, relâmpagos e trovões Capítulo 2 O raio e a atmosfera O relâmpago é
Raios, relâmpagos e trovões
Raios, relâmpagos e trovões

Capítulo 2

O raio e a atmosfera

O relâmpago é um ‘carregador elétrico’ natural

Acredite: entre a sua cabeça e os seus pés há um campo elétrico de aproximadamente 200 volts. Você não sente nada porque o corpo humano é um condutor elétrico bastante razoável, se comparado com o ar. Perto da superfície da Terra há um campo elétrico de 100 volts por metro, que vai diminuindo com a altitude até se anular a 50 Km. Isto significa que, COM TEMPO BOM, entre a camada mais alta - a estratosfera, a 50 Km - e a superfície, há uma espécie de capacitor elétrico de aproximadamente 200.000 volts.

Capacitor É um dispositivo capaz de armazenar carga elétrica. Capacitores (ou condensadores, como também são chamados) têm muitas funções em circuitos elétricos e eletrônicos e estão presentes nas fontes de alimentação. É o capacitor que mantém estável uma corrente alternada, ou bloqueia o fluxo de uma corrente alternada, permitindo passar somente o fluxo de corrente contínua, por exemplo.

E de onde vem a carga elétrica da atmosfera?

A reposta mais razoável é a seguinte: sabe-se que as moléculas de nitrogênio e de oxigênio existentes na estratosfera se ionizam, ou seja, perdem e ganham elétrons ao se chocarem com raios cósmicos, que são partículas de alta energia vindas do espaço. Assim, a concentração de íons na estratosfera é de aproximadamente 1000 por centímetro cúbico e são eles que a tornam fracamente condutora de eletricidade. São esses íons que formam uma corrente elétrica em direção à Terra (da ‘placa’ positiva, a 50 Kms, para a ‘placa’ negativa do capacitor, na superfície), que chega a 1000 ampères, e que, COM TEMPO BOM, deveria descarregar a nossa ‘garrafa de Leyden global’ em questão de horas. Mas isso não acontece. Nas regiões onde ocorrem as tempestades, os raios funcionam como poderosas baterias, que recarregam o capacitor com correntes positivas do solo para superfície, mantendo o equilíbrio de aproximadamente 1000 ampères.

mantendo o equilíbrio de aproximadamente 1000 ampères. Como a tempestade se forma? 7 7 www.liganessa.com.br

Como a tempestade se forma?

7 7 www.liganessa.com.br www.liganessa.com.br • • AES ELETROPAULO AES ELETROPAULO
7 7
www.liganessa.com.br
www.liganessa.com.br
• •
AES ELETROPAULO
AES ELETROPAULO

Podemos dizer que a tempestade é quase que uma conseqüência inevitável das fortes irradiações solares do verão. O sol quente faz a água da superfície da terra evaporar. A água, em estado gasoso sobe, por ser menos densa que o ar e, na troposfera, encontra temperaturas mais frias, o que faz com que se condense em minúsculas gotinhas - partículas de água super resfriadas, em temperaturas abaixo do nível de congelamento, e partículas de gelo - que formam as nuvens de tempestade. As condições que propiciam a formação de nuvens de

tudo sobre Raios, relâmpagos e trovões Capítulo 2 – O raio e a atmosfera tempestade
tudo sobre Raios, relâmpagos e trovões Capítulo 2 – O raio e a atmosfera tempestade

tudo sobre

tudo sobre Raios, relâmpagos e trovões Capítulo 2 – O raio e a atmosfera tempestade são
Raios, relâmpagos e trovões Capítulo 2 – O raio e a atmosfera
Raios, relâmpagos e trovões
Capítulo 2 – O raio e a atmosfera

tempestade são mais freqüentes durante o verão, à tarde e no início da noite, embora possam ocorrer em todas as estações do ano e a qualquer hora do dia. Brisas ao longo das costas, frentes frias ou quentes, áreas de baixa pressão com convergência horizontal de ventos e montanhas, tudo isso pode resultar em nuvens de tempestade. Reconhecer uma cúmulos-nimbus, nome que se dá à nuvem de tempestade, é fácil: sua base é escura e o topo mais claro, lembrando o formato de uma bigorna. A parte de cima da nuvem parece que se estica na horizontal, devido à ação dos ventos superiores. As cúmulos-nimbus são formadas por gotas d’água, cristais de gelo, gotas superesfriadas, flocos de neve e granizo.

Troposfera A camada da atmosfera mais próxima do solo ( 20 quilômetros no Equador e oito quilômetros nos pólos) chama-se troposfera e tem muitas e importantes funções: nela ocorrem as trocas gasosas necessárias à vida; é ela que nos protege das radiações solares, dos meteoritos e evita variações bruscas de temperatura, entre outras coisas. É na troposfera que ocorrem todos os fenômenos meteorológicos. A troposfera contém pequenas partículas, líquidas e sólidas, chamadas aerossóis. O vapor de água, resultante da evaporação da água dos mares e dos rios e da transpiração das plantas é o que vemos, já que formam as nuvens. Além disso, os aerossóis podem ser fruto de incêndios florestais, da erosão do solo pelo vento, de cristais de sal marinho dispersos pelas ondas do mar que se quebram, de emissões vulcânicas e de atividades agrícolas. Nos grandes centros urbanos sua origem é a poluição produzida pelas indústrias e pelos automóveis.

Quem semeia poluição colhe raios

Esta é a versão atualizada do antigo ditado “Quem semeia ventos colhe tempestades”. Pelo menos é a conclusão a que chegaram os pesquisadores do Grupo de Eletricidade Atmosférica do INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, coordenados pelo Dr. Osmar Pinto Júnior, todos autoridades reconhecidas mundialmente quando o assunto é raio. Eles confrontaram os dados obtidos na 29 estações medidoras de poluição atmosférica da Cetesb - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (nas cidades de São Paulo, Campinas, São José dos Campos, Paulínia e Sorocaba), com os obtidos nos diversos sensores que medem a incidência de raios e que estão espalhados por toda a região Sudeste brasileira.

Os números não mentem: os picos de incidência de raios coincidem com os de poluição atmosférica.

A chuva diminui e os raios aumentam

Há uma clara relação entre calor, poluição atmosférica e raios. Nos grandes centros urbanos, o asfalto e o concreto dos edifícios somados à ausência de vegetação acabam por concentrar mais calor. O ingrediente principal dessa receita parece ser a poluição urbana, responsável por jogar na atmosfera milhões de aerossóis. É em torno deles que o vapor d’água vai lentamente se transformando em gotículas. Quando há pouca quantidade de aerossóis, as gotículas logo viram gotas maiores que despencam como chuva. Mas quando há uma grande concentração de aerossóis competindo pela mesma quantidade de vapor d’água, o que acontece é que cada aerossol condensa pouco vapor e as gotículas permanecem minúsculas. O resultado é uma enorme nuvem, repleta de gotículas incapazes de chover! A nuvem fica carregada de eletricidade e a conseqüência você já sabe: raios! Segundo o INPE, os raios causam prejuízos de R$ 500 milhões e matam 100 pessoas no Brasil anualmente.

Aerossóis – São pequenas partículas, líquidas e sólidas, encontradas na troposfera, a camada da atmosfera mais próxima do solo. Tudo o que produz fumaça em grande quantidade pode originar aerossóis. Eles podem ser fruto de incêndios florestais, da erosão do solo pelo vento, de cristais de sal marinho dispersos pelas ondas do mar ao se quebrarem, de emissões vulcânicas e de atividades agrícolas. Nos grandes centros urbanos sua origem é a poluição produzida pelas indústrias e pelos automóveis.

www.liganessa.com.br

AES ELETROPAULO

8

tudo sobre Raios, relâmpagos e trovões Capítulo 2 – O raio e a atmosfera Queimadas
tudo sobre Raios, relâmpagos e trovões Capítulo 2 – O raio e a atmosfera Queimadas

tudo sobre

tudo sobre Raios, relâmpagos e trovões Capítulo 2 – O raio e a atmosfera Queimadas na
Raios, relâmpagos e trovões Capítulo 2 – O raio e a atmosfera Queimadas na Amazônia
Raios, relâmpagos e trovões
Capítulo 2 – O raio e a atmosfera
Queimadas na Amazônia trocam chuvas por raios
Todos os anos vemos reportagens sobre as conseqüências das queimadas provocadas por
agricultores na Amazônia. Nuvens gigantescas de fumaça cobrem o céu a ponto de impedirem
o funcionamento de escolas e dos aeroportos de Rio Branco e Porto Velho. Mas esse prejuízo
talvez nem seja o maior se comparado às alterações provocadas no meio ambiente. As
queimadas amazonenses jogam na atmosfera cerca de 30.000 partículas por centímetro cúbico
de ar, uma taxa cerca de 100 vezes maior do que a encontrada sobre a cidade de São Paulo em
pleno inverno. Como conseqüência, só um quinto da luz solar chega ao solo, o que pode esfriar
a superfície em até dois graus Celsius e diminuir as chuvas na região em 15% a 30%.
Com tamanha concentração de aerossóis, o crescimento das gotas é tão lento que, em alguns
casos, a água, em vez de cair na forma de chuva, evapora novamente na atmosfera e é levada
pelas correntes de vento para outras regiões. Ou seja: a chuva que deveria cair numa área
acaba caindo em outra. A concentração de aerossóis também provoca a formação de cúmulo-
nimbos, e aí a chuva demora mais, mas quando acontece, é torrencial, se concentra num só
período e é acompanhada por raios.
A distância entre você e o raio se mede de ouvido
Assim que você enxergar o clarão do relâmpago, comece a contar os segundos e só pare
quando começar a ouvir o trovão. Divida o resultado por três. O que der é aproximadamente
a distância entre você e o raio, medida em quilômetros.
Se, durante uma noite calma e sem chuva ou vento, você enxergar o clarão mas não ouvir o
trovão, é porque aquele relâmpago está a mais de 20 quilômetros de distância. Durante forte
chuva, com ventos, é capaz de você não conseguir ouvir trovões emitidos por raios a menos
de 20 quilômetros.
O ‘cálculo de ouvido’ não é muito preciso, porque a velocidade do som depende das condições
do meio em que se propaga e também da temperatura. Com ar limpo e sem vento, numa
temperatura de 20 graus, a velocidade do som é de aproximadamente 342 metros por

segundo. A que se aprende na escola (331 metros por segundo) só vale quando a temperatura é zero grau.

www.liganessa.com.br

AES ELETROPAULO

9