GUIA DE BOLSA - com o apoio de

:
I. Mercados Financeiros - noção e importância
O que são e para que servem os mercados financeiros?
Um mercado financeiro eficiente e transparente tende a fortalecer a torrente de fluxos financeiros de uma economia,
favorecendo, por essa via, o próprio crescimento económico. Numa economia de mercado, convivem diversos
agentes cujas motivações são diferenciadas. No que toca ao processo de poupança-investimento, esses agentes
económicos - famílias, empresas, Estado - podem ser divididos em duas categorias fundamentais - agentes
superavitários e agentes deficitários. Os primeiros são aqueles cujas pretensões de investimento são inferiores à
respectiva capacidade de poupança. Ao contrário, os segundos desejam investir montantes superiores à sua
capacidade de geração de recursos.
O problema económico que se coloca é então o de saber como podem os agentes económicos deficitários
("investidores") obter recursos para financiarem os seus projectos de investimento, e quais as alternativas ao dispor
dos agentes superavitários ("aforradores") para uma aplicação adequada dos seus recursos excedentários.
Os aforradores não estão dispostos a ceder gratuitamente e sem determinadas garantias as suas poupanças. Da
mesma forma, os investidores não estão dispostos a financiar os seus projectos a qualquer preço. Além disso, os
montantes que um dado investidor necessita nem sempre são compatíveis com o montante que cada aforrador está
disposto a libertar para aquele projecto específico. As economias de mercado precisam portanto de mecanismos
que assegurem a reconciliação destes interesses conflituantes.
O Mercado Financeiro é então o lugar físico ou meramente lógico em que, através de regras e mecanismos prédefinidos, se assegura uma eficiente canalização de recursos dos aforradores (a oferta de fundos) para os
investidores (a procura de fundos). Sendo um mercado, permite que as actividades de financiamento da economia
sejam organizadas de forma a garantir a compatibilização de preços, prazos, montantes, riscos e garantias exigidos
por aqueles que cedem e absorvem os recursos disponíveis.
Qual a composição de um mercado financeiro?
As preferências dos agentes económicos que actuam no mercado financeiro (sejam eles aforradores ou
investidores) são muitas vezes divergentes em termos de prazos de financiamento. De forma a responder a essas
necessidades diferenciadas, o mercado financeiro está dividido em "mercado monetário" e "mercado de capitais".
No primeiro, encontram-se a oferta e procura de fundos de curto prazo, convencionalmente inferior a um ano. No
mercado de capitais, os investidores encontram por um prazo médio ou longo (superior a um ano) os fundos
necessários à execução dos seus projectos, enquanto os aforradores podem proceder à aplicação das suas
poupanças numa lógica de médio e longo prazo.
Qualquer um dos segmentos do mercado financeiro pode ainda ser dividido em "mercado de crédito" e "mercado de
valores mobiliários". Esta distinção está relacionada com o regime de transmissibilidade dos direitos e obrigações
dos instrumentos financeiros. O mercado de crédito abrange todos os instrumentos financeiros cuja natureza
impede a livre transmissibilidade dos direitos e obrigações inerentes - crédito bancário, leasing, factoring, capital de
risco, etc. O mercado de valores mobiliários envolve aqueles instrumentos cujos direitos e obrigações são
livremente transmissíveis e que, como tal, possuem maior liquidez, reforçada ainda pelo facto de serem
transaccionados em mercados especialmente concebidos para a sua negociação - acções, obrigações, Bilhetes do
Tesouro, etc.
Uma das principais consequências desta distinção é dá-se ao nível da intermediação financeira - isto é, da
densidade da rede de intermediários - que é substancialmente mais reduzida nos mercados de valores mobiliários
do que nos mercados de crédito, tornando os primeiros tendencialmente mais transparentes e eficientes.
Fluxo de fundos no sistema financeiro.

Estrutura dos mercados financeiros.

II. Mercado de Valores Mobiliários
Em que consiste o mercado primário?
O mercado de valores mobiliários é um "espaço" onde os agentes económicos carecidos de recursos financeiros
podem proceder directamente à sua captação junto dos investidores, entregando títulos em troca de dinheiro. O
mercado primário (ou de subscrição) funciona no momento em que a entidade emitente procede à colocação de
acções ou obrigações junto dos investidores, recebendo a correspondente contrapartida financeira. A emissão em
mercado primários é, então, o acto de "nascimento" dos valores mobiliários. Envolve os actos de subscrição, ou
seja, a compra por parte dos investidores dos valores mobiliários emitidos em mercado primário, e de colocação,
através do qual as entidades emitentes vendem os respectivos valores mobiliários.
É uma alternativa interessante quer para o financiamento quer para a aplicação de poupanças, na medida em que:
(i) como a rede de intermediários financeiros é pouco significativa, as entidades emitentes conseguem financiar-se a
um menor custo, enquanto os investidores conseguem remunerações mais elevadas para um mesmo nível de risco;
(ii) oferece aos investidores um conjunto amplo de alternativas de aplicação dos seus fundos; (iii) garante às
entidades emitentes o acesso a diversas formas e instrumentos de financiamento, facilitando a gestão das
respectivas estruturas de capitais (por exemplo, balanceando capital próprio e dívida).
E o mercado secundário?
O mercado secundário é um mercado para investimento e desinvestimento em valores previamente emitidos, onde
são realizadas as operações de compra e venda. Visa garantir a novos investidores a aplicação das suas
poupanças, por um lado, e conferir liquidez aos títulos emitidos, garantindo a própria viabilidade do mercado
primário, por outro. Constituem mercados secundários não só os mercados regulamentados, dos quais se destacam
os mercados de bolsa, como também o designado "mercado de balcão".
As bolsas de valores são mercados secundários especialmente organizados para a transacção de valores
mobiliários, estruturados sobre regras de funcionamento legalmente estabelecidas. Os objectivos são assegurar a
liquidez do mercado (globalizando a oferta e a procura dos títulos), por um lado, e garantir a transparência do
mercado e a fácil apreensão pelo investidor das condições vigentes, por outro. Em Portugal, a entidade responsável
pela gestão do mercado de bolsa é a Bolsa de Valores de Lisboa e Porto.
Já o mercado de balcão (também designado "mercado OTC" - "over the counter") não pode ser identificado como
um lugar físico, mas sim como uma rede de comunicações que liga as principais instituições financeiras,
procedendo-se posteriormente ao contacto destas com o público. Trata-se então do mercado que abrange as
transacções de valores mobiliários com o público nos balcões dos diversos intermediários financeiros autorizados,
bem como as operações entre investidores institucionais. Por estes motivos é, naturalmente, muito menos
transparente do que a bolsa de valores.
Como está estruturado o mercado de bolsa?
O mercado de bolsa subdivide-se em mercado à vista e mercado a prazo. Esta distinção baseia-se no momento em
que se procede à liquidação da transacção. Assim, no mercado à vista (também designado "a contado" ou "spot"),
as transacções são realizadas no pressuposto da sua imediata ou quase imediata liquidação. Os instrumentos
financeiros mais comuns do mercado a contado são as acções e as obrigações. Ao contrário, no mercado a prazo
(ou "mercado de derivados"), a liquidação é realizada numa data posterior à concretização da transacção
subjacente. Os instrumentos típicos do mercado de derivados são os contratos de opções e de futuros.
Modalidades de emissão de títulos.
Na óptica da subscrição, a emissão de títulos pode ser classificada quanto ao universo dos subscritores e quanto ao
grau de intermediação. No primeiro caso, a subscrição pode ser pública, se os valores são oferecidos à subscrição
pelo público anónimo, ou particular, se tem como destinatários um número limitado de subscritores, previamente
determinados (normalmente, investidores institucionais). No segundo caso, a subscrição pode ser directa, quando a
subscrição por parte dos aforradores ocorre no momento da própria emissão de valores, ou indirecta, quando a
emissão é subscrita por um ou mais intermediários financeiros (bancos, sociedades de investimento, etc.), com a
obrigação de a oferecerem posteriormente aos investidores a quem se destinam, nos termos acordados com a
entidade emitente.
No óptica da colocação, esta pode ser directa, quando é a própria entidade emitente que promove a venda dos
valores mobiliários directamente aos investidores, ou indirecta, quando essa venda é realizada através de
intermediários financeiros autorizados.

III. Entidades de supervisão em Portugal
Quais as competências da CMVM?
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) é a principal responsável pela regulamentação e
supervisão do mercado de capitais em Portugal. A CMVM é o organismo especializado a quem compete a
regulamentação, supervisão, fiscalização e promoção dos mercados de valores mobiliários, bem como das
actividades aí realizadas, directa ou indirectamente, pelos agentes intervenientes - a bolsa de valores, as
associações de bolsa, os intermediários financeiros que actuem nos mercados de valores mobiliários, as entidades
emitentes, os próprios investidores e quaisquer outras pessoas que desenvolvam actividade no mercado de valores.
Os Regulamentos da CMVM constituem as normas gerais de funcionamento dos mercados geridos pela BVLP.

Estes abrangem diversos temas como, por exemplo, os mercados de valores cujo funcionamento é permitido em
Portugal e a estrutura e segmentação do mercado de valores mobiliários.
Quem gere o mercado de capitais?
A Bolsa de Valores de Lisboa e Porto é uma sociedade anónima que tem com responsabilidade central a gestão
dos mercados regulamentados. Tem como accionistas as instituições de crédito, as sociedades corretoras e as
sociedades financeiras de corretagem. Enquanto sociedade gestora, a BVLP é dotada de poderes de supervisão,
regulamentação e fiscalização do mercado e dos respectivos membros, competindo-lhe emitir os Regulamentos
Específicos que concretizam as normas gerais da CMVM. É ainda responsável pela emissão de Circulares cujo
objectivo é regulamentar os aspectos operacionais de funcionamento do mercado (duração das sessões de bolsa,
realização de sessões especiais, segmentação do mercado de valores mobiliários, parâmetros de negociação, etc.).
A Interbolsa, detida em 100% pela BVLP, dispõe dos meios técnicos para prestar um conjunto de serviços
fundamentais para que o mercado de capitais funcione nas melhores condições técnicas, actuando como: (i) Central
de Valores Mobiliários (registo, depósito e guarda dos valores mobiliários a nível nacional), (ii) Sistema de
Liquidação e Compensação (garante da segurança e eficiência das transacções) e (iii) Agência Nacional de
Codificação (atribuição dos códigos de acordo com as normas da ISO).
Existem outras entidades reguladoras?
Sim. O Ministro das Finanças é a autoridade máxima do mercado de capitais, competindo-lhe regular quaisquer
matérias relevantes para o mercado, como por exemplo, estabelecer as comissões devidas pela transferência de
valores mobiliários admitidos em mercado regulamentado e negociados fora deste. Autoriza também a criação de
mercados de valores mobiliários regulamentados.
O Banco de Portugal, enquanto autoridade monetária, tem como competências centrais conduzir a política
monetária e zelar pela estabilidade do sistema financeiro nacional. É responsável pela supervisão dos
intermediários financeiros no que se refere às actividade relevantes ou não para o mercado de capitais, e que
possam afectar liquidez daqueles (como a concessão de crédito). Actualmente, o BP é um dos membros do Banco
Central Europeu, tendo transferido para este diversas competências, sobretudo ao nível da política monetária.
O Código dos Valores Mobiliários (CVM).
No topo da estrutura normativa que regula o mercado de valores mobiliários em Portugal encontra-se o CVM. Este
consagra uma série de princípios e regras fundamentais quanto à estrutura do mercado, nomeadamente regras
sobre a informação a prestar ao público e aos membros dos mercados, sobre as operações e condições de
admissão, suspensão e exclusão de valores mobiliários à negociação.
Estrutura Normativa do Mercado de Valores Mobiliários.

IV. O Mercado à Vista
Como está organizado o mercado à vista em Portugal?

O mercado à vista (ou "a contado" ou "spot") abrange aquelas operações em que a transacção e a liquidação são
efectuadas de forma simultânea ou quase simultânea. Os instrumentos mais comuns são as acções e as
obrigações. Em Portugal, a organização do mercado a contado traduz-se numa divisão em diversos segmentos,
cada um com regras diferenciadas em termos de admissibilidade dos valores mobiliários a serem colocados para
negociação. No entanto, existem certos requisitos gerais que todos os valores mobiliários têm que preencher para
serem admitidos à negociação em qualquer dos mercados: têm que ser fungíveis, livremente negociáveis,
totalmente negociáveis e não sujeitos a disputa ou qualquer situação legal que os possa onerar. Estas regras visam
garantir a transparência e eficiência das transacções ocorridas nos mercados de bolsa.
Qual o segmento mais importante do mercado à vista?
É, sem dúvida, o Mercado de Cotações Oficiais (MCO), que representa 98% das transacções efectuadas. Está
direccionado para os valores mobiliários mais líquidos, sendo o mais exigente em termos de requisitos de admissão
à cotação e prestação de informação ao mercado. Esses requisitos têm a ver com a dispersão de capital em bolsa,
situação económico-financeira das entidades emitentes, capitalização bolsista previsível (no caso da emissão de
acções), etc. Refira-se ainda que, para que determinados valores mobiliários possam ser admitidos à negociação no
MCO, a entidade emitente deve desenvolver a sua actividade há pelo menos três anos. Para além das acções das
maiores empresas portuguesas (Portugal Telecom, EDP, BCP, etc.), estão admitidas no MCO outros valores,
nomeadamente Obrigações do Tesouro, dívida privada (isto é, obrigações emitidas por empresas) e warrants
autónomos. Em suma, este é o segmento mais relevante e com maior notoriedade do mercado de valores
mobiliários em Portugal e o mais interessante para os investidores particulares.
Quais são os outros segmentos do mercado à vista?
O Segundo Mercado (SM) foi criado em Janeiro de 1992 a pensar nas pequenas e médias empresas (PME) que,
pelo facto de não cumprirem os requisitos de elegibilidade necessários (capitalização bolsista, dispersão de capital,
etc.), não podem ser admitidas no MCO. Assim, o legislador estabeleceu para o SM requisitos de admissão e
obrigações de prestação de informação menos exigentes e custos de admissão à negociação em bolsa mais baixos
do que aqueles verificados no MCO. Para verem os seus valores mobiliários admitidos no SM, as entidades
emitentes têm que exercer a sua actividade há pelo menos dois anos.
Em Janeiro de 2001, foi criado o Novo Mercado (NM) com o objectivo de colocar em bolsa as empresas ligadas às
novas tecnologias, com elevado potencial de crescimento mas sem dimensão suficiente para serem admitidas no
MCO. Os requisitos de admissão tendem a ser um pouco mais apertados do que no SM (em termos de montante
dos capitais próprios e dispersão do capital).
O Mercado sem Cotações (MsC) é um mercado não regulamentado destinado aos valores que não preenchem os
requisitos necessários à admissão em qualquer dos outros. O seu objectivo é aportar ao mercado os valores que,
por norma, estariam dele arredados.
Finalmente, existe ainda o Mercado Especial de Operações por Grosso (MEOG). O MEOG destina-se à realização
e ao registo de transacções de grandes lotes de valores mobiliários representativos de dívida (mínimo de 500.000
euros) que tenham sido admitidos à negociação no MCO e que não se encontrem suspensos ou excluídos de
negociação.
Mercado a contado em Portugal

Volume de transacções (milhões de euros)

V. Funcionamento do Mercado à Vista
Quem pode ser membro do mercado à vista?
A negociação no mercado a contado tem que ser efectuada através dos designados "membros do mercado", que
são os intermediários financeiros autorizados pela BVLP a operarem sobre valores mobiliários. Em Portugal, o
modelo de organização das bolsas de valores está assente na figura do corretor, o intermediário financeiro
responsável pela recepção de ordens dos investidores, tanto para a compra como para a venda de valores
mobiliários, e pela respectiva execução. As ordens de compra e venda podem ser encaminhadas pelos investidores
directamente para o recinto de bolsa através dos corretores, ou através de outros intermediários financeiros (por
exemplo, o banco onde o investidor tenha conta). Estes últimos também podem ter acesso directo ao sistema. Em
Portugal, podem desempenhar as funções de corretor as sociedades corretoras (SC) e as sociedades financeiras
de corretagem (SFC). Estas últimas, além de executarem ordens por conta dos clientes, podem ainda deter e

operar sobre uma carteira própria de valores. Na terminologia anglo-saxónica, diz-se que as primeiras actuam como
brokers, enquanto as segundas como dealers.
Como funcionam as operações de bolsa?
O primeiro passo consiste na emissão pelos investidores das ordens de compra e venda aos corretores, ordens
essas que devem incluir todas as instruções necessárias para que o corretor proceda à execução do negócio. Entre
aquelas instruções incluem-se, obrigatoriamente, a descrição de quais os valores mobiliários a adquirir ou alienar, a
quantidade a transaccionar, o preço de compra ou venda e o prazo no qual a ordem deve ser executada. No
momento da transmissão da ordem, o investidor deverá disponibilizar ao intermediário os montantes monetários
necessários para concretizar a aquisição ou, se for esse o caso, os valores mobiliários que pretende vender. No
segundo passo, os intermediários introduzem as ordens numa plataforma informática única que, de forma
totalmente automática, confronta todas as ofertas introduzidas. Finalmente, no caso de o negócio ser concretizado,
segue-se o terceiro passo, que consiste na liquidação física (entrega dos títulos aos compradores) e financeira
(pagamento aos vendedores) da transacção entre os corretores e, posteriormente, destes com os respectivos
clientes, através da entrega dos valores adquiridos ou do dinheiro recebido.
Qual a duração das sessões de bolsa?
A sessão de bolsa é o período diário de funcionamento da bolsa de valores durante o qual se podem realizar
operações sobre valores mobiliários. As sessões ordinárias destinam-se às transacções quotidianas dos valores
admitidos à negociação nos vários mercados bolsistas e funcionam de segunda a sexta-feira. Para os valores
negociados em contínuo, a sessão decorre entre as 8:30 e as 16:30. Refira-se, no entanto, que a primeira hora de
funcionamento (8:30 às 9:30), consiste num período de pré-abertura, no qual é fixado o preço de abertura de cada
título. Logo, a abertura "efectiva" do mercado ocorre às 9:30. Para a generalidade dos valores negociados por
chamada, funcionam três sessões diárias: a primeira, das 9:30 às 10:30, a segunda, das 10:30 às 13:00, e,
finalmente, a terceira, das 13:00 às 16:00.
As sessões especiais são realizadas de forma esporádica, seja para cumprimento de decisão judicial ou por decisão
da BVLP. Destinam-se à realização de ofertas públicas de venda, ofertas públicas iniciais, operações de
privatização (ver secção XV) ou à transacção de grandes lotes de valores sempre que estas não possam decorrer
em sessões normais. As sessões especiais têm que ser anunciadas com pelo menos oito dias de antecedência
(num jornal nacional de grande circulação e no Boletim de Mercado), referenciando as características da operação
(identificação da operação e dos valores em causa, data e hora, etc.).
VI. Sistemas de formação das cotações
Como se geram os preços na negociação em contínuo?
A negociação no mercado a contado é incorporada numa única plataforma informática, através do designado
sistema LIST (Lisbon Trading), que confronta as ofertas introduzidas pelos intermediários, comparando preços,
volumes e outras características. No sistema de negociação em contínuo, todas as ofertas de compra e venda para
cada valor podem interferir umas com as outras, gerando operações contínuas e um número indeterminado de
preços ao longo de uma sessão. Assim, as transacções são realizadas à medida que as propostas de compra e
venda se vão compatibilizando entre si. As regras de concretização dos negócios assentam nos princípios da
prioridade-preço (para duas ordens de compra sobre um mesmo valor mobiliário, prevalece a que traduz um preço
superior) e da prioridade-tempo (para duas ordens de compra com um preço idêntico para um dado valor, prevalece
aquela cujo corretor manifeste primeiro a intenção negocial). A prioridade-preço prevalece sobre a prioridade-tempo.
Suponhamos que um operador de bolsa anuncia que pretende adquirir 1000 acções da EDP a um preço de 2,6
euros e que, em seguida, um outro anuncia a intenção de comprar 900 ao preço de 2,7 euros. Posteriormente, um
terceiro operador anuncia a intenção de vender 600 unidades a 2,5. Esta ordem de venda, por ser a um preço
inferior, é compatível com as duas ordens de compra que haviam sido anunciadas. No entanto, será concretizada
tendo como contraparte o comprador que ofereceu o preço mais alto. Pelo princípio da prioridade-preço, o corretor
que anunciou a sua intenção em segundo lugar será o comprador das 200 acções que o corretor vendedor colocou
no mercado, a um preço de 2,7 euros.
Seria diferente se o corretor que anunciou a intenção de compra em segundo lugar tivesse referido também o preço
de 2,6 euros. Neste caso, como nenhum dos compradores teria prioridade-preço sobre o outro, o comprador que
tivesse manifestado a sua intenção negocial em primeiro lugar seria aquele a fechar o negócio nos 2,6 euros
propostos, aplicando-se o princípio da prioridade-tempo.
E na negociação por chamada?
As ofertas de compra e venda são tratadas de forma conjunta num ou mais momentos pré-estabelecidos da sessão
de negociação, permitindo que as transacções sejam efectuadas a um preço único ou a um número limitado de
cotações, correspondentes ao(s) preços que maximizar(em) a quantidade transaccionada nessa(s) chamada(s).
Vamos supor que são anunciadas as seguintes ordens de compra e venda numa chamada sobre obrigações da PT:
3 ordens de compra: a primeira, de 140 títulos a um preço de 100, a segunda, de 200 títulos a 102, e a terceira, de
150 títulos a 104. 3 ordens de venda: a primeira, de 215 títulos a 100, a segunda, de 130 títulos a 101, e a terceira,
de 180 títulos a 103.
Em seguida, para cada preço, somam-se todas as ordens de compra superiores ou iguais a esse preço, e todas as
ordens de venda de valor inferior ou igual a cada preço definido:

O resultado de cada chamada depende da
aplicação sucessiva de três regras. A primeira regra determina que o preço de mercado será aquele que permita,
num dado momento, realizar o maior número possível de transacções. No nosso exemplo existem dois preços (101
e 102) que maximizam a quantidade transaccionada. Então, aplica-se a estes preços a segunda regra - o preço
escolhido será aquele que minimize a quantidade que fique por transaccionar. No exemplo, temos um novo empate,
já que aos preços de 101 e 102, ficam exactamente o mesmo número de títulos por transaccionar (5). Assim, aplicase a terceira regra - o preço escolhido é aquele que mais se aproxime da cotação anterior. O objectivo desta
terceira regra é minimizar a volatilidade dos preços.
Instrumentos negociados em cada um dos sistemas
Negociação LIST em contínuo:

 Acções cotadas no MCO e algumas das cotadas no SM;
 Obrigações do Tesouro;
 Warrants autónomos.
Negociação LIST por chamada:




Acções cotadas no SM e no MsC;
Obrigações comuns;
Títulos de participação;
Unidades de participação.

Formação de cotações - resumo
Em Contínuo: preços resultam da aplicação sucessiva de dois princípios:

 1º princípio: Prioridade-preço;
 2º princípio: Prioridade-tempo;
Por Chamada: preços resultam da aplicação sucessiva de três regras:

 1ª regra: Maximização da quantidade transaccionada;
 2ª regra: Minimização da quantidade por transaccionar;
 3ª regra: Proximidade com cotação anterior;
VII. Acções - conceito e terminologia
Acções ordinárias vs acções preferenciais
As acções são títulos representativos de uma fracção do capital social de uma empresa. As acções podem ser
classificadas de acordo com dois critérios fundamentais - a identidade e os direitos dos titulares. As acções podem
ser ordinárias ou preferenciais sem voto. As acções ordinárias conferem aos seus titulares os direitos comuns
fixados no pacto social, como sejam o direito aos lucros ou o direito de voto nas assembleias gerais. Ao contrário,
os titulares de acções preferenciais não têm direito de voto e não podem estar presentes nas assembleias gerais.
No entanto, conferem aos seus titulares um direito prioritário a um dividendo mínimo não inferior a 5% do respectivo
valor nominal.
Existem ainda as denominadas acções preferenciais remíveis. Tratam-se de acções cujos privilégios patrimoniais
ficam, aquando da sua emissão, sujeitos a uma remissão em data fixa. Como qualquer acção preferencial,
conferem aos seus titulares um dividendo adicional, mas se direito de voto. A diferença está no facto de terem uma
vida limitada, extinguindo-se através do reembolso dos seus detentores ou da conversão em acções ordinárias.
Acções nominativas vs acções ao portador
Quanto à identidade dos titulares, as acções podem ser nominativas ou ao portador. Nas primeiras, a sociedade
emitente tem a faculdade de conhecer, a qualquer momento, a identidade dos seus titulares, enquanto nas
segundas estes podem ser anónimos. Se não existir qualquer cláusula estatutária ou decisão do emitente, as
acções consideram-se nominativas. Refira-se ainda que, salvo disposição legal estatutária ou resultante das

condições fixadas em cada emissão, as acções nominativas podem, por iniciativa do titular, ser convertidas em
acções ao portador e vice-versa.
O preço das acções
Existem diversos conceitos associados ao valor de uma acção. Desde logo, o valor nominal, que designa a fracção
do capital social da empresa que é representado por uma acção. Este valor é igual ao quociente entre o capital
social e o número de acções da empresa.
Quanto valor contabilístico de uma acção, traduz o quociente entre o "capital próprio" e o número de acções
existentes. O capital próprio resulta da diferença entre o activo e o passivo constantes do balanço de uma empresa.
O valor de facto da empresa é determinado pelo confronto da oferta e da procura no mercado. Ao preço de mercado
de uma acção designamos cotação. Em Portugal, as acções são negociadas em contínuo e, como tal, a cotação
das acções evolui à medida que se vão compatibilizando as propostas de compra e de venda em cada sessão de
bolsa. Se multiplicarmos a cotação pelo número de acções emitidas, obtemos a capitalização bolsista, noção que
traduz o valor de mercado da empresa.
O valor de mercado dos activos
Os activos de uma empresa (instalações, equipamentos, mercadorias, etc.) podem ser financiados por capitais
próprios (ou seja, pertencentes aos accionistas) ou por capitais alheios, normalmente dívida remunerada
(empréstimos bancários ou obrigacionistas, leasings, etc.). A partir da capitalização bolsista, é possível determinar o
valor de mercado dos activos da empresa (ou enterprise value). Este resulta da soma da capitalização bolsista com
a dívida financeira (ou remunerada) da empresa, líquida de disponibilidades (dinheiro e depósitos bancários). O EV
é um instrumento muito importante na análise e avaliação das empresas.
Valorização das acções - Fórmulas de cálculo.




Valor Nominal = Capital social/Nº total de acções
Valor contabilístico da acção = Capital Próprio/Nº total de acções
Capitalização bolsista = Cotação*Nº total de acções
Enterprise Value (EV) = Capitalização bolsista + Dívida financeira - Disponibilidades
Exemplo prático - Indicadores da EDP
(Referência: Balanço de 31-12-2000 e cotação de 2 de Dezembro de 2001)
Dados: Capital social: 3000 milhões de euros
Nº de acções: 3000 milhões
Capital próprio: 6205 milhões de euros
Dívida financeira: 5227 milhões de euros
Disponibilidades: 58 milhões de euros
Cotação: 2,56 euros
Cálculos:




Valor nominal por acção = 3000/3000 = 1 euro
Valor contabilístico por acção = 6205/3000 = 2,07 euros
Capitalização bolsista = 3000*2,56 = 7680 milhões de euros
EV = 7680 + 5227 - 58 = 12849 milhões de euros
VIII. Os direitos dos accionistas
Quais os direitos patrimoniais dos accionistas?
A posse de acções de uma empresa conferem aos sócios um conjunto de direitos económicos sobre a sociedade.
Esses direitos são de cariz patrimonial - uma acção representa uma parcela do valor patrimonial da sociedade - e
de controlo - os accionistas têm direito de voto na assembleia geral. No âmbito patrimonial, coexistem dois direitos
fundamentais. O primeiro consiste na participação nos lucros da sociedade, nomeadamente através da distribuição
de dividendos e do recebimento de novas acções na directa proporção das actualmente detidas em eventuais
aumentos de capital por incorporação de reservas. O segundo direito tem a ver com a capacidade de o accionista
dispor dos títulos que detém, podendo vendê-los quando entender.
Existe ainda um terceiro direito patrimonial. Em caso de dissolução por falência da sociedade, os accionistas têm
direito ao património residual da sociedade. Porém, não gozam de privilégios creditícios, ou seja, são os últimos a
receber o produto da massa falida, depois do Estado, trabalhadores, bancos, clientes, fornecedores e demais
credores.
E quais os direitos de controlo?
Ao nível do controlo, os accionistas têm o direito de participarem nas assembleias gerais da sociedade e aí serem
devidamente informados e exercerem o seu direito de voto sobre assuntos importantes da vida da empresa. Podem
também eleger ou fazerem-se eleger para cargos de direcção ou fiscalização da sociedade.
O direito de controlo é também exercido pelo denominado direito de preferência quando ocorrem aumentos de
capital por entrada de dinheiro. No sentido de assegurar a manutenção da percentagem detida pelos accionistas

actuais, estes têm reservado um direito preferencial na subscrição das novas acções, até ao limite que reponha a
percentagem por eles detida antes da operação de aumento de capital.
O direito à informação.
Para garantir uma mais eficaz defesa dos direitos patrimoniais e de controlo dos pequenos accionistas, as
sociedades cotadas em mercados regulamentados estão obrigadas a prestar publicamente determinadas
informações, nomeadamente todas as alterações patrimoniais ou quaisquer outros eventos que possam ter
influência na evolução da empresa e na sua performance bolsista. As sociedades estão igualmente obrigadas à
publicação de um Relatório e Contas anual (devidamente auditado por entidades credenciadas), bem como das
respectivas contas semestrais e trimestrais, de acordo com as regras definidas pelas entidades de supervisão.
O governo das sociedades
O desenvolvimento dos mercados de capitais intensificou as preocupações relativas à estrutura e ao controlo das
sociedades cotadas em mercados abertos à negociação pública. Entende-se por "governo das sociedades" (ou
corporate governance) o sistema de regras e condutas relativo ao exercício da direcção e do controlo das
sociedades cotadas. Trata-se de um conjunto de determinações que visam aperfeiçoar os mecanismos de controlo
dos investidores (sobretudo dos pequenos accionistas) e garantir que os órgãos de gestão da sociedade
prosseguem aquilo que deve ser o seu objectivo fundamental - a maximização do valor criado para os accionistas.
Essas obrigações podem ser impostas por via legal, ou serem sugeridas através de recomendações das entidades
de supervisão. Em Portugal, por exemplo, para além das imposições legais (direitos de voto, publicação de contas,
convocação de AGs, comunicação de factos relevantes, etc.), a CMVM indica uma série de regras que devem
nortear a acção dos órgãos responsáveis da empresa, quer ao nível do funcionamento interno quer ao nível da
relação da empresa com o exterior.
Recomendações da CMVM relativas ao governo das sociedades.
As recomendações da CMVM referem-se a cinco temáticas essenciais. Para cada temática, destacam-se as
seguintes recomendações:

1. Divulgação de informação:
Utilização das novas tecnologias (nomeadamente, da Internet) na divulgação de informação financeira e dos
documentos preparatórios da reuniões das Assembleias Gerais. Contacto permanente da sociedade com o
mercado, de forma a prevenir assimetrias no acesso à informação por parte dos investidores.
 2. Exercício do direito e voto:
Estímulo ao exercício activo do direito de voto, quer directamente, nomeadamente por correspondência, quer por
representação. Aperfeiçoamento dos procedimentos conexos com os pedidos de representação para votar em
assembleia geral.
 3. Regras Societárias:
Estabelecimento, ao nível da organização interna da sociedade, de regras específicas para a regulação de
situações de conflito de interesses entre os membros do órgão de administração e a sociedade. As medidas que
sejam adoptadas para impedir o êxito de ofertas públicas de aquisição devem respeitar os interesses da sociedade
e dos seus accionistas.
 4. Órgão de Administração
Inclusão no órgão de administração de um ou mais membros independentes em relação aos accionistas
dominantes, por forma a maximizar a prossecução dos interesses da sociedade. Remuneração dos membros do
órgão de administração, em particular dos que exercem funções de gestão corrente, deve depender dos resultados
da sociedade.
 5. Investidores Institucionais
Os investidores institucionais devem tomar em consideração as suas responsabilidades quanto a uma utilização
eficiente dos direitos inerentes aos valores mobiliários de que sejam titulares ou cuja gestão se lhes encontre
confiada Os investidores institucionais devem prestar informação no tocante à prática seguida quanto ao exercício
do direito de voto relativamente a valores mobiliários cuja gestão lhes esteja confiada.
IX. As Sociedades Anónimas
Quais as características de uma SA?
Para estar cotada em bolsa, a sociedade tem que ter o seu capital dividido em acções, representativas de uma
parcela do seu capital. Logo, a empresa em causa tem que ter a forma de sociedade anónima (SA). Nas sociedades
anónimas o capital encontra-se dividido em acções, sendo que cada sócio limita a sua responsabilidade ao valor
das acções que subscreveu. Logo, os accionistas apenas respondem até ao limite da respectiva participação pelas
dívidas da sociedade. Além disso, os credores apenas se podem fazer pagar pelo património da sociedade, ficando
protegidos os bens pessoais dos sócios. Em suma, diz-se que a responsabilidade dos accionistas é não solidária
(com os restantes sócios) e limitada (ao valor do património afecto à empresa).
O governo de uma sociedade anónima é assegurado por um conjunto de órgãos que pode ser dividido em duas
categorias fundamentais: (i) órgãos de administração e fiscalização e (ii) órgãos de deliberação.
Quem assegura a administração de uma SA?
O art. 278º do Código das Sociedades Comerciais prevê duas estruturas alternativas para a administração e
fiscalização das SA:
a) Conselho de administração e conselho fiscal - estrutura monista.

b) Direcção, conselho geral e revisor oficial de contas - estrutura dualista.
Considerando a primeira estrutura, o conselho de administração (CA) é o órgão responsável pela gestão e
representação da sociedade. É composto por um número ímpar de membros, entre os quais o seu presidente. Os
administradores podem não ser accionistas da empresa, mas devem ser pessoas singulares, ainda que em
representação de uma pessoa colectiva.
A segunda estrutura divide a administração da sociedade em direcção e conselho geral (CG). A direcção é o órgão
de gestão da sociedade, composto por um número ímpar de membros, no máximo de cinco. O CG, por sua vez,
tem como responsabilidade efectuar o controlo das actividades da direcção, e é constituído por accionistas, em
número não superior a 15.
A fiscalização da sociedade compete, em princípio, a um fiscal único, que tem que ser um revisor oficial de contas
(ROC) ou uma sociedade de revisores oficiais de contas (SROC). Os sócios podem, no entanto, optar pela criação
de um conselho fiscal, composto por três ou cinco membros, sendo que um deles tem quer ser um ROC ou uma
SROC.
Como exercem os pequenos accionistas o seu direito de controlo?
Através da Assembleia Geral (AG), o órgão deliberativo por excelência de uma SA, no qual têm assento todos os
accionistas com direito de voto (salvo disposição em contrário, cada acção representa um voto). As deliberações da
AG são tomadas por maioria dos votos emitidos (não contabilizando as abstenções), excepto em algumas matérias
previstas na lei (ou, eventualmente, no pacto social), para as quais se exige maioria qualificada. As AG devem ser
convocadas sempre que a lei o determine ou o CA, a direcção, o CG ou o conselho fiscal entendam conveniente.
Podem também requerer a realização de uma AG os accionistas que detenham uma participação no capital social
da sociedade igual ou superior a 5%.
A AG anual deve reunir no prazo de três meses a contar da data do encerramento do exercício económico
(normalmente, as empresas nacionais fecham o exercício anual no dia 31 de Dezembro) ou no prazo de cinco
meses a contar da mesma data quando se tratam de sociedades que tenham que apresentar contas consolidadas.
Na AG anual, os accionistas são chamados a deliberar sobre diversas questões, incluindo a aprovação do relatório
de gestão e contas do exercício e a aprovação da proposta de distribuição de resultados.
Estrutura de controlo de uma SA.

X. As demonstrações financeiras
A Demonstração de Resultados (DR)
As demonstrações financeiras são instrumentos contabilísticos que reflectem a situação económica e financeira da
empresa, constituindo-se como os instrumentos básicos fundamentais para a análise de investimento. A DR reflecte
os proveitos e os custos ocorridos ao longo de um determinado período de tempo - o trimestre, o semestre ou o
ano. A diferença entre esses proveitos e custos constitui então o lucro da empresa durante o período considerado.
A estrutura da DR compõe-se de quatro conceitos fundamentais. Em primeiro lugar, temos o resultado operacional,
ou seja, o resultado gerado pela actividade principal da empresa. É obtido pela diferença entre as vendas da
empresa e os custos operacionais (compra de mercadorias e matérias-primas, salários e encargos conexos, custos
gerais de produção e amortização do imobilizado). Em segundo, temos o resultado financeiro, que resulta da

diferença entre proveitos e custos de natureza essencialmente financeira (juros pagos e recebidos, descontos de
pronto pagamento obtidos e concedidos, rendimentos e encargos de participações de capital, etc.). Em terceiro,
surge-nos o resultado extraordinário, que abrange os custos e proveitos com um carácter inesperado (sinistros,
multas, dívidas incobráveis ou recuperadas, etc.) ou meramente pontual (por exemplo, mais ou menos valias
resultantes da alienação de componentes do activo imobilizado). Finalmente, em quarto lugar, temos o resultado
líquido (RL), que resulta da soma algébrica das três componentes anteriores, deduzida do IRC devido.
O Balanço
O Balanço representa a situação patrimonial da empresa (activos, dívida e capital) num determinado momento de
tempo. Tal como a DR, é normalmente apresentado no final de um período contabilístico (trimestre, semestre, ano).
Ao contrário da DR, que pretende representar factos ocorridos ao longo de um período, o Balanço é uma
"fotografia" respeitante a um momento preciso. O Balanço está dividido em três categorias fundamentais: activo,
passivo e capital próprio. O activo inclui tudo aquilo que a empresa possui e que é susceptível de ser avaliado em
dinheiro - disponibilidades (dinheiro em numerário, depósitos bancários e títulos negociáveis), créditos sobre
clientes, stocks de mercadorias, equipamentos, instalações, etc. O passivo é o conjunto de fundos obtidos
externamente pela empresa, seja através de empréstimos remunerados, seja através do diferimento de pagamentos
devidos (aos fornecedores, ao Estado, etc.). Finalmente, temos o capital próprio, que corresponde ao capital
pertencente aos sócios. Assim, grosso modo, o CP corresponde ao valor do investimento realizado pelos
proprietários adicionado dos lucros (ou deduzido de eventuais prejuízos) obtidos ao longo dos exercícios passados
e do exercício corrente.
Para que servem as demonstrações financeiras?
Ao nível da gestão, o Balanço e a DR constituem um importante instrumento de apoio à tomada de decisão, na
medida em que, por um lado, permitem analisar a performance da empresa e, por outro, podem ser utilizados para
a realização de projecções financeiras, que permitem identificar em que circunstâncias o negócio pode ser viável.
Ao nível da avaliação, constituem o instrumento base para que os investidores possam verificar se a empresa em
questão constitui ou não uma boa oportunidade de investimento. No caso das empresas cotadas, estas estão
obrigadas a divulgar as suas demonstrações financeiras trimestrais, semestrais e anuais. Nos relatório e contas
anuais, para além do Balanço e DR devidamente fiscalizadas por entidades competentes, são incluídos dados
relevantes sobre a gestão e a evolução da empresa, bem como anexos explicativos das demonstrações financeiras.
Componentes da DR.
(+) Vendas e/ou Prestações de Serviços
(-) Custo das Mercadorias Vendidas
(-) Fornecimentos e Serviços Externos
(-) Custos com Pessoal
(-) Impostos diversos
(-) Amortizações
(-) Provisões
(=) Resultado Operacional
(+) Resultados Financeiros
(=) Resultado Corrente
(+) Resultado Extraordinário
(=) Resultado Antes de Impostos
(-) IRC
(=) Resultado Líquido
Igualdade fundamental do balanço.
Existe uma relação fundamental que tem que verificar-se obrigatoriamente em qualquer momento considerado:
Activo = Passivo + Capital Próprio
Esta expressão constitui o princípio básico da contabilidade, dizendo-nos que a aquisição de todo o património da
empresa (activo) tem que ser financiada ou por capitais dos sócios (capital próprio) ou por capitais alheios (passivo).

XI. Análise económica e financeira
Em que consiste a análise financeira?
Para tomarem decisões de investimento, os profissionais recorrem a um conjunto de instrumentos de diagnóstico da
situação das empresas. Ao estudo com base nesses instrumentos chamamos análise económico-financeira. É o
estudo rigoroso das demonstrações financeiras da empresa (Balanço e Demonstração de Resultados), em que o
analista procura identificar determinados aspectos fundamentais e retirar conclusões quanto à performance da
referida empresa. Questões como a evolução e estrutura das vendas (por mercado geográfico, por produto, etc.) e
dos resultados, as margens do negócio e a composição da dívida (curto prazo vs longo prazo) costumam chamar
imediatamente a atenção do analista.
Porém, as demonstrações financeiras tradicionais enfermam de algumas limitações. Assim, em primeiro lugar, a
informação contida no Balanço representa uma imagem estática de um todo que é dinâmico, composto pelas
actividades de exploração, investimento e financiamento da empresa. Em segundo lugar, a DR reflecte fluxos de
cariz económico (como as amortizações do imobilizado ou as provisões, assim como vendas e compras que ainda
não foram pagas) e não um circuito de fluxos financeiros que expliquem os saldos das diversas rubricas do Balanço.
Por isso, no sentido de refinar a análise económica e financeira, os analistas recorrem a instrumentos

complementares às demonstrações financeiras tradicionais: (i) mapa de origem e aplicação de fundos, (ii) rácios
financeiros e (iii) informações qualitativas.
O Mapa de Origem e Aplicação de Fundos (MOAF)
É um instrumento de análise da liquidez da empresa, a partir do qual é possível realizar o estudo da capacidade da
empresa em gerar meios financeiros para responder às suas obrigações de pagamento. Este estudo é prosseguido
através de um conceito financeiro fundamental - o fluxo de tesouraria (ou cash flow). Trata-se de um mapa
financeiro que reflecte os fluxos financeiros que entram e saem da empresa ao longo de um dado período de tempo.
Calculado através das rubricas do Balanço e da DR, é composto por três grandezas fundamentais:

Fluxo Operacional de Tesouraria (FOT): constitui o saldo dos fluxos financeiros que decorrem do
funcionamento do ciclo de exploração da empresa;

Fluxo Gerado de Tesouraria (FGT): representa a quantidade de meios financeiros libertos pela
actividade normal de exploração da empresa, após o pagamento de encargos compulsivos - encargos financeiros e
IRC - e depois de resultados extraordinários. Este indicador expressa a real capacidade de autofinanciamento da
empresa, isto é, de satisfazer os seus compromissos recorrendo exclusivamente aos recursos financeiros gerados
internamente;

Fluxo Líquido de Tesouraria (FLT): constitui o total de recursos financeiros colocados à disposição da
empresa durante o período, seja através do autofinanciamento (o FGT), seja através do financiamento externo entrada de capitais próprios (aumentos de capital por entrada de dinheiro) ou de capitais alheios (empréstimos de
curto ou de médio e longo prazo).
Os rácios financeiros
Frequentemente, os analistas recorrem a indicadores sob a forma de rácios (ou quocientes) entre grandezas
extraídas da informação contabilística da empresa. Estes nunca são utilizados isoladamente, mas sim para
complementar os outros instrumentos de análise (Balanço, DR, MOAF, outros rácios, etc.). Os rácios servem
essencialmente propósitos comparativos, seja para a mesma empresa ao longo de sucessivos exercícios
económicos, seja entre empresas do mesmo sector num mesmo período de tempo.
Os diversos rácios financeiros têm natureza e propósitos diferenciados (ver caixa). Assim, existem rácios de (i)
liquidez (medem a capacidade da empresa cumprir os seus compromissos de curto prazo, à medida que se vão
vencendo), de (ii) rentabilidade (capacidade da empresa gerar resultados), de (iii) endividamento (medem a
intensidade com que a empresa recorre empréstimos remunerados) e de (iv) actividade (indicadores de eficiência
na gestão do activo).
Composição do MOAF.
(+) Resultado operacional (ver fórmula de cálculo na Secção X)
(+) Amortizações+Provisões (incluídas no RO, mas que não constituem fluxos financeiros)
(-) Variação de créditos de curto prazo no período.
(-) Variação de existências no período.
(+) Variação do passivo operacional no período
(=) FOT
(+) Resultados extraordinários (ver Demonstração de Resultados)
(+) Resultados financeiros (ver Demonstração de Resultados)
(-) Impostos sobre os lucros
(=) FGT
(+) Variação dos empréstimos obtidos (curto e longo prazo)
(+) Aumentos de capital por entrada de dinheiro
(=) FLT
Rácios mais utilizados.

Grau de liquidez = (Créditos de curto prazo + Disponibilidades)/Passivo de curto prazo
Representa o grau de cobertura do exigível a curto prazo, pelos activos disponíveis no curto prazo.

Rentabilidade das vendas = (Res. Operacionais + Amortizações)/Volume de negócios
Medida de rentabilidade da actividade principal da empresa, excluindo o efeito das amortizações (que não
representam fluxos financeiros).

Rentabilidade dos capitais próprios = Res. Líquido/Cap. Próprio
Medida de remuneração potencial dos capitais próprios que foram aplicados na empresa.

Grau de Solvabilidade = Dívida Financeira/Cap. Próprios
Reflecte a estrutura de capitais da empresa (relação entre capitais próprios e alheios).

Tempo Médio de Existências = (Existências/Custo das Vendas)*365
Tempo Médio de Recebimento = (Clientes/Volume de negócios)*365
Tempo Médio de Pagamento = (Fornecedores/Compras)*365
São indicadores de eficiência na gestão do activo circulante da empresa (stocks, créditos e débitos de exploração).
São medidos em dias.

XII. A relação Risco-Retorno

Quais os rendimentos inerentes às acções?
O valor de uma acção depende tanto do rendimento (esperado) gerado para o seu titular como do nível de risco
associado à entidade emitente. É nesta relação risco-retorno que assenta a avaliação de acções. A remuneração
dos accionistas assume duas formas: (i) dividendos e (ii) mais ou menos-valias. O dividendo consiste numa parcela
dos lucros anuais da sociedade que são entregues, em numerário, aos respectivos accionistas. O montante de
dividendos a distribuir depende da deliberação da Assembleia Geral da entidade emitente, que tomará em
consideração aspectos como os resultados gerados, o plano de investimento da empresa e as suas necessidades
de autofinanciamento. No limite, a empresa pode mesmo optar por não distribuir quaisquer dividendos. As acções
podem também gerar rendimentos por via de um ganho de capital (ou mais-valia) para os seus titulares. A maisvalia resulta da valorização das acções devido ao aumento do valor de mercado da sociedade emitente.
E os riscos?
As componentes da remuneração do accionista têm um carácter incerto, na medida em que estão directamente
ligadas à performance da empresa e à evolução do mercado de capitais. Diz-se, por isso, que as acções são títulos
de rendimento variável. Aliás, o accionista pode mesmo não receber quaisquer dividendos e/ou registar perdas de
capital (menos-valias). Esta incerteza faz com que as acções, quando comparadas com outros títulos (como os
Bilhetes do Tesouro ou mesmo como as obrigações comuns), sejam valores com maior grau de risco. O grau de
risco das acções também varia consoante a entidade emitente. O risco dependerá de factores como a
competitividade do sector a que pertencem, o volume e estabilidade dos cash flows gerados, a dimensão, entre
outros. Exemplificando, é natural que, em condições normais, as acções de um grande banco nacional tenham
associado um grau de risco inferior às acções de empresas do sector das TMT (tecnologia, media e
telecomunicações).
A relação risco-retorno e o valor das empresas.
A generalidade dos investidores é avessa ao risco. Nesse sentido, é de esperar que, para um maior nível de risco,
exijam um rendimento (esperado) superior. É nesta relação risco-retorno que assentam as decisões de
investimento. Do exposto, decorre que a avaliação das empresas tem que reflectir dois pilares fundamentais: os
fluxos financeiros (cash flows) que se esperam que a empresa venha a gerar no futuro, por um lado, e a taxa de
retorno exigida pelo accionista, por outro. A avaliação tem também que reflectir o denominado valor temporal do
dinheiro, ou seja, a concretização de um princípio fundamental em finanças que nos diz "um euro no bolso do
investidor hoje vale mais do que um euro amanhã".
Para compatibilizar cash flow gerado, nível de risco e valor temporal do dinheiro, o método mais correcto de
avaliação de empresas (ou de qualquer projecto desenvolvido pelas mesmas) é o método do valor actual, que pode
ser resumido na seguinte fórmula:
Vo = CF1/(1+r) + CF2/(1+r)^2 + CF3/(1+r)^3 + ... + CFn/(1+r)^n
Em que:



CFn é o cash flow gerado no momento n;
r é a taxa de retorno exigida para activos com aquele grau de risco;
Vo é o valor actual da empresa (momento 0).

Concretizando, o valor de uma empresa é tanto maior, quanto maiores forem os cash flows gerados no futuro e
tanto menor, quanto maior for o risco associado (pois isso representa uma taxa de actualização mais elevada).
Políticas de dividendos alternativas:
A política de dividendos de uma empresa pode assumir três tipos fundamentais:


Não pagamento - permite uma maior margem de manobra na gestão financeira da empresa);
Estabilização - pressupõe uma política consistente e sem flutuações desnecessárias, com vista a
potenciar expectativas e reduzir incertezas em relação ao retorno dos accionistas);

Residual - os dividendos não são encarados de forma decisiva na política financeira da empresa.

Os factores que condicionam a política de dividendos de uma empresa são diversos, dos quais destacamos os
seguintes:

Estabilidade dos cash flows (as empresas mais maduras geradoras de cash flows mais estáveis
tendem a pagar mais dividendos do que empresas em crescimento, sujeitas a maior instabilidade nos seus fluxos
financeiros);

Oportunidades de investimento, que podem levar a empresa a reter resultados, no sentido de fazer
face às necessidades decorrentes do referido investimento;

Sinalização/atracção aos investidores.
Retorno do accionista.

O accionista particular determina a sua taxa de retorno com base na seguinte fórmula:
r = (Div + P1)/Po
Em que,




Po é o preço que o investidor pagou pela acção;
Div representa o valor dos dividendos recebidos enquanto detinha a acção;
P1 é o preço pelo qual vendeu a acção numa data posterior;
r é a taxa de retorno obtida.

XIII. Avaliação de acções
O modelo dos cash flows descontados
No sentido de preverem o potencial de retorno associado às acções, os investidores recorrem essencialmente a
dois instrumentos de avaliação: o modelo dos cash flows descontados e os múltiplos de mercado. O modelo do
discounted cash flow (DCF) obedece aos princípios gerais de cálculo do valor actual, isto é, pressupõe uma
avaliação das empresas com base (i) nos fluxos financeiros (cash flows) esperados para o futuro, (ii) no grau de
risco subjacente aos activos e (iii) no valor temporal do dinheiro.
O conceito de cash flow normalmente utilizado é o chamado free cash flow (FCF), que representa nada mais nada
menos do que o conjunto de meios financeiros libertos num determinado período de tempo, destinados a remunerar
todos os investidores da empresa, sejam eles accionistas ou credores. A previsão dos FCF futuros depende da
evolução passada da empresa mas também da percepção de quem realiza a avaliação sobre determinados
factores, tais como a qualidade da equipa de gestão e do produto/serviço oferecidos pela empresa, o ambiente
competitivo e a evolução da indústria, a conjuntura económica, etc.
A taxa de actualização aplicada aos FCF periódicos corresponde a uma média ponderada entre a taxa de retorno
exigida pelos accionistas e a taxa de juro média dos empréstimos da empresa. Ao valor obtido chamamos de taxa
de custo médio ponderado do capital (weighted average cost of capital ou wacc na terminologia anglo-saxónica).
O valor intrínseco dos activos da empresa é calculado com base na seguinte fórmula:
DCF = FCF1/(1+r) + FCF2/(1+r)^2 + ... + FCFn/(1+r)^n
Em que:

 FCFn é o free cash flow gerado no momento n;
 r corresponde ao wacc;
 DCF é o valor actual dos activos da empresa (momento 0).
Encontrado um valor para os activos da empresa (ou EV), é necessário isolar o valor dos capitais próprios, isto é, do
capital dos accionistas. Este obtém-se subtraindo ao DCF o valor da dívida financeira da empresa (líquida de
disponibilidades) no momento inicial. O valor por acção determina-se, então, da seguinte forma:
(DCF - Dívida Líquida)/Número de acções da empresa
Os múltiplos de mercado
Para complementar a análise com base no DCF, costumam-se utilizar rácios que relacionam dados operacionais da
empresa com o seu valor de mercado naquele momento. Os múltiplos são indicadores essencialmente utilizados
para efeitos de comparação com os concorrentes da empresa. Em termos simplistas, diz-se que uma empresa está
"barata" se os seus múltiplos de mercado são inferiores aos das outras empresas cotadas que operam no mesmo
sector de actividade. Pode-se então dizer que, enquanto o DCF é uma análise dinâmica, a análise com base em
múltiplos é estática. Em contrapartida, os múltiplos reflectem grandezas reais, enquanto o DCF assenta na
assunção de determinados pressupostos que carecem de confirmação. Mais do que conflituantes, os métodos são
complementares (os múltiplos costumam ser utilizados como uma espécie de verificação dos resultados do DCF).
Os múltiplos de mercado mais utilizados são os seguintes:

 EV/Vendas, em que o EV (enterprise value) corresponde ao valor de mercado dos activos da empresa, ou seja,
à soma da capitalização bolsista com a dívida financeira líquida de disponibilidades (ver secção VII);
 EV/EBITDA, em que o EBITDA (earnings before interest, tax, depreciation and amortization) corresponde à
soma do resultado operacional com as amortizações, isto é, aos meios libertos pela actividade operacional da
empresa;
 PER (price earnings ration), que corresponde ao quociente entre a cotação e o resultado da empresa.
Determinação do FCF.
O FCF é uma medida de cash flow que representa o conjunto de meios financeiros libertos pela sociedade num
determinado período de tempo para (i) pagamento de dividendos, (ii) pagamento de juros e (iii) autofinanciamento
(fundos reinvestidos na sociedade). A fórmula de cálculo é a seguinte:







(+) Resultado Operacional (ver secção X)
(+) Amortizações + Provisões (parcelas do RO que não representam fluxos financeiros)
(-) Var. Existências no período
(-) Var. Créditos de Exploração no período
(+) Var. dos Débitos de Exploração no período
(-) Investimentos em activo fixo no período
(=) FCF

Determinação da taxa de retorno exigida pelos accionistas.
A taxa de retorno (ra) exigida pelos accionistas é calculada de acordo com a fórmula:
ra = rf + b*(rm-rf)
em que:

 rf é a taxa isenta de risco (correspondente aos Bilhetes do Tesouro);
 rm é a taxa de retorno média de todos os activos do mercado (isto é, a taxa de retorno de uma carteira de
mercado teórica);
 rm-rf é o prémio de risco de mercado;
 b é o coeficiente de risco sistemático, representando o ponderador do risco do activo que está a ser avaliado
(quanto maior o b de uma título, maior o risco associado). Em termos simples, o b da carteira de mercado é 1. Logo,
se o b é inferior/superior a 1, diz-se que o activo tem um risco inferior/superior à média do mercado

XIV. Operações sobre acções
Aumento de capital por entrada de dinheiro
Por vezes, as sociedade emitentes realizam algumas operações que podem alterar o número de acções emitidas, o
seu valor nominal ou o número de accionistas da sociedade. Trata-se de uma operação em que a sociedade
emitente aumenta o seu capital social através da colocação de novas acções no mercado, em troca de dinheiro.
Trata-se, então, de uma forma de financiamento para a empresa. O aumento de capital pode ser reservado aos
antigos accionistas ou, então, a empresa pode optar também por captar fundos junto do público anónimo, alargando
assim o número de accionistas.
Quando se verifica um aumento de capital por entrada de dinheiro, o valor de cada acção poderá alterar-se,
consoante o preço a que são emitidas as novas acções. Suponhamos que uma sociedade cujo capital está dividido
em 1 milhão de acções com uma cotação de 10 euros, decide aumentar a seu capital em 100 mil acções,
vendendo-as a um 9 euros cada. A capitalização bolsista da empresa antes do aumento de capital seria de 10
milhões de euros. Posteriormente, são injectados, por via do aumento de capital, mais 900 mil euros. Então,
teoricamente, a empresa passou a valer 10,9 milhões de euros. Como o número de acções passou a ser de 1,1
milhões de acções, a cotação teórica das acções é agora de 9,91 euros.
Aumento de capital por incorporação de reservas.
Muitas vezes as sociedades transformam reservas constituídas em períodos anteriores em capital social, de forma a
garantir uma solidificação dos recursos que já estavam ao seu dispor. Nestes casos, são distribuídas gratuitamente
aos sócios actuais novas acções, na proporção que o aumento de capital represente sobre o capital antigo
(exemplificando, se o accionista detinha 1% da empresa antes da operação, tem direito a 1% das novas acções
emitidas). Ao contrário da situação anterior, esta operação não representa qualquer entrada de fundos, logo a
capitalização bolsista da empresa não deverá alterar-se. Logo, se a capitalização mantém-se e o número de acções
aumenta, então a cotação teórica de cada acção diminui. Do ponto de vista do accionista, esta situação é
perfeitamente neutra em termos de valor, uma vez que a diminuição do valor de cada acção é compensada pela
atribuição gratuita de novas acções.
Split de uma acção.
O split de uma acção não é mais do que uma modificação do valor nominal da mesma. Trata-se de uma operação
de desdobramento ou concentração (mais raro) das acções da sociedade. Assim, em troca das acções antigas, o
accionista recebe acções novas de valor nominal superior (em caso de concentração) ou inferior (em caso de
desdobramento). Exemplificando, vamos supor que uma sociedade que tem um capital social de 10 milhões de
euros representado por 1 milhão de acções com um valor nominal de dez euros, pretende ter o mesmo capital
representado por acções de 5 euros. Então, deverá entregar aos seus accionistas duas acções novas por cada
acção de 10 euros retirada de circulação. Como é fácil de ver, a situação não representa qualquer entrada de
fundos e é perfeitamente neutra em termos de valor accionista. O desdobramento das acções por via de um stock
split pode ter impacto na liquidez dos títulos quando estes assumem um valor unitário muito alto, na medida em que
disponibiliza ao mercado um maior número de acções com um custo unitário maior, o que facilita a realização de
transacções.
Acções próprias.

As acções próprias são títulos que foram adquiridos pela própria sociedade aos seus accionistas. Trata-se de uma
forma de distribuição dos lucros da empresa alternativa aos dividendos, que tem que ser aprovada em assembleia
geral ou pelo conselho de administração da sociedade e devidamente comunicada ao mercado. É um expediente
usado pela gestão para sinalizar a confiança na performance futura da empresa, sobretudo quando se registam
quedas elevadas nas cotações. Legalmente, as sociedades podem deter até um limite máximo de 10% do seu
próprio capital social. Enquanto as acções pertencerem à sociedade, ficam inibidos todos os seus direitos, excepto
os resultantes de aumentos de capital por incorporação de reservas.
Direitos de subscrição.
Os aumentos de capital originam os chamados direitos de subscrição (ou de incorporação se o aumento de capital
for através de incorporação de reservas), que conferem aos accionistas actuais o direito de adquirirem (ou
subscreverem gratuitamente, no caso da incorporação de reservas) as novas acções a serem admitidas. Estes
direitos têm a particularidade de serem, em si mesmo, valores mobiliários e, como tal, podem ser transaccionados
em bolsa.

XV. OPA & OPV
Oferta de Pública de Venda (OPV)
As OPAs e OPVs são operações de grande envergadura que podem ter um impacto profundo no equilíbrio de poder
e no próprio valor de mercado das sociedades envolvidas. Consiste na venda por parte de um ou mais accionistas
de uma grande lote de acções ao público. As OPV costumam ser realizadas em sessões especiais de bolsa
organizadas pela entidade gestora da bolsa (a BVLP, em Portugal), contando sempre com a intervenção de
intermediários financeiros. Em muitos casos, as OPV coincidem com a própria admissão de uma sociedade ao
mercado de capitais. Dizemos então que estamos diante de uma oferta pública inicial (mais conhecidas pela
terminologia anlgo-saxónica de initial public offering ou IPO). Os IPO podem fazer-se através da venda das acções
detidas pelos sócios antigos da empresa ou através de aumentos de capital.
Em Portugal, as OPV que nos últimos anos têm envolvido montantes mais elevados têm a ver com os processos de
privatização e reprivatização de empresas públicas. Assim, as sucessivas colocações em bolsa das acções de
empresas como a PT, a EDP ou a Brisa têm sido as mais importantes, não só pelos montantes envolvidos, como
também pelo interesse suscitado juntos dos investidores.
Mais recentemente, surgiu uma nova vaga de IPOs em Portugal. Entre 1999 e 2000, empresas do sector das TMT
(tecnologia, media e telecomunicações) como a ParaRede, a PTM, a Sonae.com, a Impresa ou a Novabase
juntaram-se ao lote das empresas cotadas no mercado principal da BVLP.
Oferta Pública de Aquisição (OPA)
A OPA é uma operação através da qual uma entidade (o oferente) se propõe adquirir um grande lote de acções
(eventualmente, a totalidade do capital) de uma sociedade aos respectivos detentores (os destinatários da oferta). O
oferente pode ser uma sociedade ou um grupo de sociedades em conluio. A OPA pode ser realizada sob as formas
de oferta pública de compra (a contrapartida oferecida pelas acções da sociedade adquirida é uma soma monetária)
ou de oferta pública de troca (o oferente, sendo uma sociedade, entrega aos destinatários, como contrapartida da
aquisição, acções do próprio oferente, mediante um rácio de troca pré-definido). Existe ainda uma terceira forma de
OPA, que não é mais do que uma combinação das duas anteriores, isto é, a contrapartida das acções adquiridas é
um montante monetário adicionado de um lote de acções do oferente.
Quando uma entidade lança uma OPA tem como objectivo garantir (ou simplesmente aumentar) o controlo sobre a
entidade adquirida. Claro que o sucesso da operação depende da qualidade da oferta realizada (no mínimo, deverá
superar a cotação em bolsa dos títulos da empresa adquirida). Se não houver uma predisposição dos sócios da
sociedade alvo de OPA para vender uma quantidade mínima que garanta o controlo por parte do oferente, então a
operação ficará sem efeito. Além disso, é conferida a possibilidade a outras entidades (não só as que controlam a
sociedade visada, como quaisquer outras) de lançarem uma contra-oferta em condições mais favoráveis para os
destinatários.
Muitos ordenamentos jurídicos, entre os quais o português, impõem a obrigatoriedade de lançamento de OPA
sempre que se façam aquisições de quantidades de acções susceptíveis de alterar a relação de poder accionista na
sociedade visada. Noutros ordenamentos, é também imposta a obrigatoriedade de uma oferta pública geral, ou
seja, de aquisição da totalidade das acções da sociedade alvo de OPA, nos casos em que tenham sido adquiridos
por alguém um número demasiado elevado de acções, comprometendo a liquidez das acções que permaneceram
em circulação. Trata-se de uma forma de defesa dos interesses dos pequenos accionistas. Em Portugal, é
obrigatório o lançamento de uma OPA geral quando a entidade compradora adquire uma percentagem superior a
33% do capital da sociedade visada.
OPVs realizadas em Portugal (2000-2001)

Principais OPAs realizadas em Portugal (2000-2001)

XVI. O Índice PSI-20
A composição do PSI-20
O PSI-20 (sigla de Portuguese Stock Index) é a principal referência da evolução do mercado de acções em
Portugal. A sua base de cálculo é de 3.000 pontos, fixada por referência aos preços de fecho da sessão de 31 de
Dezembro de 1992. O PSI-20 é um índice calculado com base numa amostra de 20 emissões de acções de
empresas nacionais cotadas no Mercado de Cotações Oficiais (MCO) da BVLP. As empresas seleccionadas
tendem a ser aquelas com maior capitalização bolsista e que, em cada dia, são objecto de um volume de
transacções mais abundante (ou seja, possuem maior liquidez). Por estes motivos, são também aquelas que têm
maiores probabilidades de estarem presentes nas carteiras de investidores institucionais, portugueses e
estrangeiros.
Como é calculado?

O cálculo do PSI-20 é feita através de uma média ponderada pela capitalização bolsista das sociedades que a
compõem. O PSI-20 é calculado e divulgado em tempo real durante o horário das sessões de bolsa da BVLP.
Mais recentemente, e seguindo medidas semelhantes tomadas pelas suas congéneres internacionais, a BVLP
adoptou uma nova metodologia para o cálculo do PSI-20, que entrou em vigor no dia 1 de Outubro de 2001. Pelo
novo método, a capitalização bolsista de cada empresa é corrigida pela percentagem das acções que estiverem
efectivamente dispersas e disponíveis para negociação no mercado (free float). Assim, quanto maior o free float,
menor é a correcção a efectuar à capitalização da empresa. Esta nova regra parte do princípio (correcto) que a
liquidez de um título depende não só da capitalização bolsista do emitente, mas também da percentagem do capital
que está em free float. À correcção pelo free float, a BVLP acrescentou uma segunda regra, que define que
nenhuma empresa poderá ter um peso superior a 20% na ponderação do índice de referência, aquando da sua
revisão (podendo entretanto flutuar consoante a evolução do mercado), para assegurar uma maior diversificação do
PSI-20.
Para que serve o PSI-20?
Os índices de acções são um instrumento de medição do comportamento do mercado, bem como meio de
comparação muito útil para profissionais e para qualquer pessoa que possua uma carteira de acções. Por exemplo,
é habitual os analistas compararem a evolução de mercados bolsistas de diferentes países através da evolução dos
respectivos índices de referência, bem como a evolução de um determinado título com a evolução do índice do país
em que está cotado. O índice PSI-20 (à semelhança dos congéneres internacionais) serve igualmente de suporte
para a negociação de produtos financeiros derivados (opções e futuros), bem como de activo subjacente a produtos
financeiros estruturados, cuja rendibilidade depende da evolução global do mercado bolsista português.
A composição do PSI-20 é imutável?
Não. Com efeito, a carteira de acções que compõe o PSI-20 é revista semestralmente em Janeiro e Julho. Assim,
as acções de uma empresa são excluídas ou incluídas na amostra consoante registem, no fim de cada um dos dois
períodos anuais de revisão ordinária, uma classificação dentro ou fora dos 20 primeiros, de acordo com os critérios
definidos.
Para além das revisões bianuais ordinárias, podem também ocorrer revisões extraordinárias dos índices, motivadas
por acontecimentos não recorrentes.
Principais índices internacionais.

XVII. Obrigações - conceito e terminologia
Quais os direitos dos obrigacionistas?
As obrigações são títulos de dívida que representam uma fracção de um crédito concedido pelos seus titulares à
entidade emitente. Os obrigacionistas não são proprietários, mas sim, credores da entidade emitente. Uma
obrigação confere ao seu titular - o obrigacionista - um direito de crédito remunerado sobre a entidade emitente. O
empréstimo obrigacionista é, então, um contrato pelo qual a entidade emitente se compromete a pagar aos
obrigacionistas um certo valor periódico - o juro - e a reembolsar o capital emprestado, nos termos estipulados na
data de emissão. A amortização do capital pode ser realizada de uma só vez no último período de pagamento de
juros, de forma escalonada, em datas pré-definidas ou ainda ser antecipada.
Quais as diferenças entre obrigações e acções?
As obrigações distinguem-se das acções por atribuírem aos seus titulares a simples qualidade de credor. Não
sendo proprietários, os obrigacionistas não têm qualquer envolvimento na condução dos assuntos da entidade

emitente. Além disso, enquanto as acções apenas podem ser emitidas por sociedades anónimas, as obrigações
podem ser emitidas pela generalidade das pessoas colectivas (sociedades anónimas ou de quotas, Estado,
autarquias, etc.). A segunda diferença fundamental consiste no facto de as obrigações serem valores de rendimento
fixo. De facto, logo na data de emissão, são definidas a taxa de juro a praticar ao longo da vida do empréstimo - ou
o modo de a calcular, caso o empréstimo seja a taxa variável - bem como o calendário do seu pagamento e da
amortização do empréstimo. Além disso, existe ainda outro factor que minora o risco em relação às acções:
enquanto credores gerais, os obrigacionistas são ressarcidos com prioridade em relação aos accionistas, em caso
de insolvência da sociedade emitente.
Quais as diferenças entre obrigações e crédito bancário?
As duas diferenças fundamentais entre empréstimo bancário e empréstimo obrigacionista estão relacionadas com
(i) o universo dos credores e (ii) a transmissibilidade dos direitos. Relativamente ao primeiro aspecto, a cada
empréstimo obrigacionista podem estar associados muitos credores. Pelo contrário, num empréstimo bancário
apenas existe, em princípio, um credor associado ao contrato. No que toca à transmissibilidade, as obrigações são
valores mobiliários e, como tal, podem ser transaccionados em bolsa.
O preço das obrigações
Tal como nas acções, existem diversos conceitos ligados ao valor das obrigações. Assim, as obrigações têm um
valor nominal, que consiste no valor inscrito no título e que serve de base para o cálculo dos juros periódicos.
Outro conceito importante é o de preço de emissão, que se refere ao montante que o subscritor tem que pagar para
adquirir a obrigação. Se o preço de emissão for superior ao valor nominal, diz-se que a obrigação foi emitida acima
do par; se o preço de emissão for inferior ao valor nominal, então temos uma emissão abaixo do par; por fim, se o
preço de emissão e o valor nominal forem iguais, diz-se que a emissão foi realizada ao par. Da mesma forma,
temos o valor de reembolso (o montante recebido pelo titular aquando da amortização do empréstimo), que também
pode ser realizado acima, abaixo ou ao par.
Por fim, temos a cotação, isto é, o valor de mercado das obrigações resultante das transacções em bolsa.
Quem pode intervir num empréstimo obrigacionista?
Os intervenientes num empréstimo obrigacionista são os emitentes e os subscritores. Os primeiros são aqueles que
emitem as obrigações, tornando-se devedores, ficando com a responsabilidade de pagar o juro e reembolsar o
capital. Podem emitir obrigações os governos, os municípios e as empresas. Os subscritores são os compradores
das obrigações e, como tal, credores da sociedade. Estes tanto podem ser particulares como institucionais (fundos
de investimento, fundos de pensões, bancos, seguradoras, etc.).
Condições de emissão.
Na data de emissão são definidos diversos aspectos que têm que constar da ficha técnica do empréstimo, dos quais
se destacam: o valor nominal da emissão e o número de obrigações, o preço de emissão, a taxa de juro (valor ou
método de cálculo), o modo de pagamento dos juros, o prazo (maturidade) e condições de reembolso e a admissão
à cotação.

XVIII. Tipos de obrigações
O que são obrigações de taxa fixa?
A classificação fundamental das obrigações reside na modalidade de taxa de juro. Em termos genéricos, existem
obrigações de taxa fixa e obrigações de taxa variável. Conforme o nome indica, são obrigações cuja taxa de cupão
é definida na altura da emissão, permanecendo inalterada ao longo da sua vida útil, e sendo todos os cash flows
conhecidos à partida. Nestas circunstâncias, se a taxa de juro de mercado sobe, a cotação da obrigação desce, em
virtude da redução do diferencial entre a remuneração da obrigação e do mercado. O comprador da obrigação em
mercado secundário passa a ser remunerado de acordo com as novas condições desse mercado (recebe o mesmo
juro, pagando menos). Em suma, num contexto de subida das taxas de mercado, o risco corre, em cada momento,
por conta do titular da obrigação, enquanto num contexto de descida das taxas de mercado, esse risco corre por
conta da entidade emitente.
E obrigações de taxa variável?
Tratam-se de obrigações cuja taxa de juro varia ao longo da vida útil do empréstimo, por via da indexação a um
parâmetro definido na data de emissão e representativo do mercado. o indexante. A taxa de juro calcula-se por
adição ou multiplicação do indexante a um diferencial (spread), que deve reflectir as expectativas quanto à evolução
das taxas de juro e risco do emitente. Os cash flows variam, então, de acordo com as taxas de juro de mercado.
São por isso emitidas com o objectivo de minimizar o risco decorrente das oscilações das taxas de mercado. Neste
tipo de obrigações, o ajustamento da remuneração do obrigacionista faz-se por via de alterações inerentes à própria
alteração das taxas de mercado e não através da flutuação das cotações.
Existem outras modalidades de obrigações?
Sim. Existem modalidades de obrigações cujo regime de pagamento dos juros de cupão se distingue do formato
clássico implícito nas duas anteriores. Desde logo, temos as obrigações de cupão zero, que não pagam juros
durante toda a vida do empréstimo, considerando-se que o juro está implícito no diferencial (pré-definido) entre o
preço de emissão e o valor do reembolso.
Existem também as obrigações de capitalização automática, em que os juros não são pagos periodicamente, mas
sim capitalizados até ao momento do reembolso, sendo liquidados juntamente com o capital em dívida.

Já as obrigações participantes, conferem aos titulares uma remuneração híbrida. Para além do direito de receberem
um juro periódico, podem receber uma remuneração adicional, indexada aos lucros da empresa. Desta forma, o
obrigacionista "participa" nos resultados da empresa.
Por fim, temos as obrigações perpétuas, que nunca são amortizadas (não existe reembolso), mas que garantem ao
titular o recebimento de um juro para sempre.
Obrigações convertíveis vs obrigações com warrants.
Podem existir cláusulas nos empréstimos obrigacionistas que permitem aos subscritores acederem, em condições
privilegiadas, a valores a emitir no futuro. É o caso das obrigações convertíveis e das obrigações com warrants. É o
caso das obrigações convertíveis, que conferem ao titular o direito de, durante um determinado período, as
converterem em acções, mediante um rácio de conversão pré-definido. Exercido o direito, a obrigação original
desaparece, passando o seu titular a ser accionista. As obrigações com warrants conferem aos detentores o direito
de comprar um certo número de acções ordinárias a emitir pela sociedade emitente num período e a um preço prédefinidos.
Tipos de indexantes
Um bom indexante deve reflectir as condições vigentes no mercado em cada momento. Os indexantes mais
utilizados são:

 Lisbor: para os prazos de 1, 3, 6 e 12 meses, é a média aritmética das taxas interbancárias do escudo
oferecidas por oito instituições financeiras, depois de retiradas as duas mais altas e as duas mais baixas. Divulgada
pela Reuters às 11:00 horas;
 Euribor: média ponderada das taxas interbancárias dos países da zona euro;
 TBA: Taxa Base Anual, que é a média ponderada das taxas médias dos últimos 12 leilões de colocação de
Bilhetes do Tesouro;
 TD3: média ponderada das taxas brutas dos depósitos a prazo superiores a 180 dias e inferiores a uma ano,
praticadas pelas três maiores instituições de crédito com maior saldo neste tipo de depósitos;
 APB: divulgada pela Associação Portuguesa de Bancos, corresponde à média simples das taxas de juro activas
(isto é, sobre créditos concedidos) fornecidas por oito instituições bancárias, para cada prazo considerado;
 TRO: Taxa de referência para as obrigações.

XIX. Avaliação de obrigações
Qual o rendimento das obrigações?
O valor de uma obrigação depende do rendimento (esperado) do seu titular e do nível de risco associado à entidade
emitente. A avaliação de obrigações assenta num análise risco-retorno. Para se poder avaliar uma obrigação, é
necessário conhecer todos os cash flows envolvidos. É então necessário saber qual o preço a pagar, quais os juros
periódicos e o valor do reembolso. Conhecidos os cash flows, é possível calcular a taxa interna de rentabilidade
(TIR) ou, na denominação mais utilizada para as obrigações, a yeld to maturity (YTM). A YTM pode ser definida
como a taxa de juro implícita na obrigação se o investidor adquirir o título ao preço actual e o mantiver até receber o
reembolso, tendo em consideração o valor temporal do dinheiro. Trata-se, no fundo, da taxa de actualização que
iguala o valor actual de todos os cash flows futuros ao preço de aquisição:
P = C1/(1+YTM) + C2/(1+YTM)^2 + ... + (VR+Cn)/(1+YTM)^n
Em que:




P é o preço de aquisição;
Cn corresponde ao valor dos cupões (juros) periódicos;
VR representa o valor de reembolso;
n é o número de períodos (ano, semestre,...) de vida útil da obrigação.

E o risco?
Em termos genéricos, o risco pode ser definido como a possibilidade de o rendimento auferido pelo investidor se
afastar do rendimento esperado inicialmente. O risco do obrigacionista resulta fundamentalmente de duas variáveis
fundamentais: a evolução da taxa de juro e a situação económico-financeira da entidade emitente.
Assim, a primeira fonte de risco é a incerteza quanto à evolução das taxas de juro. Em obrigações de taxa variável,
por exemplo, o rendimento do obrigacionista será tanto maior/menor quanto maior/menor forem as taxas de juro de
mercado, logo o risco está na descida das taxas de juro. Em obrigações de taxa fixa, o risco reside na subida das
taxas de juro, que se traduz numa diminuição do preço da obrigação.
O segundo risco importante para avaliação de obrigações é o chamado risco de crédito ou de incumprimento. Tratase do risco assumido pelo investidor que assenta na maior ou menor probabilidade de vir a receber os juros e o
valor do reembolso das obrigações nas datas previstas. Para existir, não é necessário um processo de falência,
bastando apenas uma degradação da situação financeira da empresa.
Como avaliar obrigações?

Tal como em qualquer activo financeiro, a decisão de investimento em obrigações depende de uma relação riscoretorno - para um maior risco, os investidores exigem um retorno superior. Logo, a avaliação das obrigações tem de
assentar em dois pilares fundamentais: os fluxos financeiros gerados (investimento inicial, juros e reembolso) e a
taxa de juro vigente no mercado para obrigações de risco semelhante. Tem também que, naturalmente, reflectir o
valor temporal do dinheiro. Então, a metodologia adequada é o valor actual líquido, que consiste na actualização
dos fluxos financeiros esperados à taxa vigente no mercado para obrigações de risco semelhante.
VAL = C1/(1+rm) + C2/(1+rm)^2 + ? + (VR+Cn)/(1+rm)^n - Po
Em que:





Po é o preço de emissão;
Cn corresponde ao valor dos cupões (juros) periódicos;
Rm identifica a taxa de juro de mercado;
VR representa o valor de reembolso;
n é o número de períodos de vida útil da obrigação.

O investidor apenas deve aceitar instrumentos com um VAL superior a zero.
Taxas de juro nominais, efectivas e reais.
A taxa de juro efectiva constitui a verdadeira taxa de rendimento do investidor, na medida em que tem em conta o
período de o pagamento de juros. Imaginemos um empréstimo com uma taxa anual nominal de 10% com
capitalização semestral de juros. A taxa efectivamente praticada é de 5% em cada semestre. Então, a taxa anual
efectiva implícita num empréstimo nestas condições é igual a [(1+5%)^2 - 1], ou seja, 10,25%.
Uma taxa real é aquela que desconta o efeito da taxa de inflação. Assim, para obtermos a taxa real efectiva anual
do empréstimo referido acima, fazemos [(1+10,25%)/(1+i) - 1)], em que i representa a taxa de inflação anual.
As sociedades de rating.
Tratam-se de companhias financeiras que têm por objecto a avaliação da capacidade de crédito das entidades
emitentse que se apresentem ao mercado solicitando a contracção de empréstimos. As sociedades de rating
atribuem uma nota - a notação de rating - com base numa escala pré-definida, que tem em linha de conta a análise
e avaliação da situação económico-financeira e perspectivas de evolução futura das entidades emitentes de valores
mobiliários de dívida.

XX. Mercado a Prazo
O que é um instrumento derivado?
O mercado a prazo (ou "mercado de derivados") abrange aquelas operações em que a liquidação é realizada numa
data posterior à concretização da transacção subjacente. Os instrumentos típicos do mercado de derivados são os
contratos de opções e de futuros. Um instrumento financeiro derivado é um "produto" cujo perfil de rendimento está
directa e explicitamente ligado ao preço de um outro instrumento, designado de "activo subjacente". Num exemplo
hipotético, imaginemos que é hoje emitido um certificado que pode ser trocado dentro de seis meses por um
montante igual ao preço de mercado que entretanto vigorar para um conjunto de acções da PT. Então, o rendimento
desse certificado depende (deriva) do preço futuro das acções da PT - o activo subjacente.
No entanto, em termos reais, os instrumentos derivados costumam ser desenhados para permitirem a gestão de
riscos financeiros, tendo o perfis de ganhos mais subtis do que o certificado hipotético referido. Num exemplo mais
realista, vamos imaginar um contrato (de futuros) destinado a comprar dentro de um mês um lote de 100 acções do
BCP a 4,6 euros por acção. Como se observa, não existe qualquer referência a rendimentos, mas apenas a uma
aquisição. Porém, existe um rendimento implícito. Se dentro de um mês, as acções do BCP valerem 4,7 euros, o
contrato terá um valor de 10 cêntimos por acção, ou 10 euros no total, uma vez que o titular do contrato poderá
comprar acções a 4,6 e vendê-las imediatamente a 4,7 no mercado. Este contrato é um instrumento derivado, na
medida em que o seu valor depende da evolução do preço das acções do BCP.
Num outro exemplo realista, suponhamos um contrato que dá o direito, mas não a obrigação, de adquirir 100
acções da EDP dentro de um mês a 2,5 euros por acção. Trata-se de uma opção (ou contrato de opção) de compra
sobre acções da EDP. O rendimento dependerá da cotação das acções da EDP dentro de um mês. Se estas
valerem 2,7, então o titular pode comprá-las a 2,5 e vendê-las no mercado com um ganho de 20 cêntimos por acção
(20 euros no total).
Os instrumentos financeiros e as bolsas.
Num contínuo processo de inovação financeira, começaram a ser transaccionados em bolsa instrumentos
financeiros derivados sob a forma de contratos estandardizados. Os activos subjacentes tendem a ser, claro, outros
instrumentos financeiros, tais como o preço de acções, taxas de juro e de câmbio, índices de mercado, ou preços
de matérias-primas (produtos como o petróleo, o ouro, o açúcar, o café, entre outros, são transaccionados em
algumas bolsas internacionais).
Estes instrumentos não são apenas utilizados para fins especulativos. Desempenham também um importante papel
ao nível do comércio internacional, na medida em que são sobretudo utilizados como ferramentas de gestão de
riscos (hedging) associados a transacções envolvendo os activos subjacentes. Assim, por exemplo, uma empresa
que negoceie grandes quantidades de açúcar enfrenta riscos associados às oscilações dos preços daquele produto.
Esse risco pode ser controlado através da utilização de instrumentos derivados (futuros sobre o preço do açúcar,
por exemplo). Da mesma forma, empresas fortemente endividadas ou com um grande volume de transacções

internacionais, podem utilizar derivados, respectivamente, sobre as taxas de juro e sobre taxas de câmbio, de forma
a reduzirem os riscos associados a cada uma das situações.
A negociação de derivados na BVLP.
Tal como no mercado à vista, as ordens de bolsa envolvendo derivados na BVLP apenas podem ser efectuadas
pelos membros de mercado, ou seja, os intermediários financeiros devidamente autorizados pela entidade gestora
dos mercados. As ofertas são introduzidas em terminais informáticos localizados nas instalações dos participantes
no mercado e daí, encaminhadas para um computador central na entidade gestora, onde são confrontadas com as
ofertas pendentes no mercado. Para a negociação de futuros e opções, a BVLP adoptou um sistema automático de
negociação, denominado SEND (Sistema Electrónico de Negociação de Derivados), que difunde de forma imediata
a operação decorrente do cruzamento de duas ofertas de sinal contrário ou, no caso de o tipo de oferta o permitir, o
saldo pendente de execução.
Refira-se que o SEND permite a negociação em contínuo. Logo, a formação dos preços no mercado de derivados
da BVLP obedece aos princípios da prioridade-preço e prioridade-tempo descritos na secção VI.

XXI. Contratos de futuros
O que é um futuro?
O contrato de futuros envolve duas partes, o comprador e o vendedor, que se obrigam a realizar o contrato numa
data futura. Do primeiro, diz-se que tem uma posição "longa" sobre o activo subjacente, ao passo que o segundo
tem uma posição "curta". É um contrato transaccionável, efectuado num mercado organizado (bolsa), de compra ou
de venda de um activo em quantidade e qualidade padronizadas (pré-definidas pela bolsa), numa data futura
estandardizada, e a um preço fixado no presente. Conforme decorre da definição apresentada, nos futuros
negociados em bolsa os prazos de vencimento e as quantidades são pré-definidas pela própria bolsa e é igual para
todas as partes contratantes. Num mercado a prazo não regulamentado, são naturalmente as partes que definem
todos os termos do contrato. A padronização das condições contratuais decorre da necessidade de eficiência e de
transparência dos mercados. Para além destas duas vantagens, normais na negociação em bolsa, existe ainda uma
outra. Em caso de incumprimento de uma das partes envolvidas no contrato, a entidade gestora da bolsa
responsabiliza-se e assume esses créditos.
Os mercados de futuros permitem às empresas e aos particulares a colocarem ordens de compra diferidas para
diferentes mercadorias, títulos e divisas. Em termos genéricos, os contratos de futuros podem ser encarados como
simples investimento (numa lógica mais especulativa ou de reposicionamento em termos de perfil risco-retorno de
carteiras detidas) ou como um instrumento de gestão de riscos, destinado à cobertura de oscilações dos activos
subjacentes (operações de hedging). As empresas com vocação internacional protegem-se contra as variações das
taxas de câmbio recorrendo periodicamente a futuros sobre taxas de câmbio.
Qual o valor de um futuro?
Existem dois preços associados a um contrato de futuros. Em primeiro lugar, o preço de exercício é o preço de uma
unidade de activo subjacente acordado hoje para a realização da transacção no futuro. Em segundo, temos o preço
de mercado (spot), ou seja, o valor de uma unidade de activo subjacente na data de concretização da transacção. A
diferença entre preço de exercício e preço de mercado representa o valor do contrato.
Aquando da sua celebração, o valor do contrato é, naturalmente, zero. Posteriormente, o valor do futuro vai
oscilando ao longo da sua vida útil, acompanhando a variação dos preços do activo subjacente. O comprador
aposta na subida do preço de mercado do activo subjacente acima do preço de exercício (pois pode vendê-los
imediatamente no mercado com ganho). Ao contrário, o vendedor aposta na descida do preço do activo subjacente.
Então, os perfis de ganhos do comprador e do vendedor são, como é natural, completamente simétricos (ver figura).
O valor do contrato de futuros depende também de factores como a distância face ao termo do contrato, a
volatilidade, a taxa de juro ou os rendimentos do activo subjacente.
Quais os futuros da BVLP?
Conforme já referimos, o mercado de derivados iniciou a sua actividade em 1996, precisamente com o lançamento
de dois contratos de futuros, um sobre taxas de juro de longo prazo (Futuros OT 10) e outro sobre o PSI-20. A 2 de
Setembro do mesmo ano iniciou-se a negociação do contrato sobre taxas de juro de curto prazo (Futuros Lisbor 3
meses). Em 2000, os dois contratos sobre taxa de juro forma excluídos da negociação.
Em 1997 foram lançados os primeiros contratos de futuros incidindo sobre emissões individuais de acções de
empresas nacionais, mais concretamente da Portugal Telecom e da EDP. Actualmente, para além destes dois
contratos, são ainda negociados na BVLP futuros sobre acções do BCP, da Cimpor, da Telecel, da PT Multimedia e
da Sonae.
Futuros sobre acções.
É um contrato mediante o qual o investidor se obriga a comprar/vender 100 acções, num data futura (de
vencimento) a um preço fixado no momento da transacção. Caso o investidor tenha uma expectativa de subida do
preço das acções, tem interesse em assumir agora uma posição compradora no contrato de futuros para o vender
mais tarde a uma cotação superior. Caso tenha uma expectativa de descida dos preços, então deve adoptar uma
posição vendedora, para o comprar mais tarde a um preço inferior, ganhando na diferença de cotações. Refira-se
que a liquidação é física, na medida em que existe uma transmissão de acções em troca de dinheiro.
Futuros sobre o PSI-20.
As diferenças fundamentais entre futuros sobre acções e futuros sobre o PSI-20 residem ma natureza diferente do
activo subjacente. Enquanto no primeiro caso estamos perante activos com existência física, no segundo estamos a

falar de um número com um significado muito preciso (ver secção XVI). Desde logo, os Futuros PSI-20 estão
cotados em pontos de índice (e não em Euros). Para obter o valor, basta multiplicar cada ponto por 1 euro (14000
pontos correspondem a 14000 euros). Além disso, ao contrário do que acontece nos futuros sobre acções, a
liquidação é puramente financeira.
XXII. Opções
O que é uma opção?
O comprador de uma opção tem o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender o activo subjacente numa
data futura a um preço pré-determinado. Um contrato de opções é um instrumento financeiro derivado em que
alguém (o comprador) adquire o direito, mas não a obrigação, de comprar (ou vender) um determinado activo à sua
contraparte (o vendedor). O vendedor, por sua vez, obriga-se a aceitar a decisão do comprador de exercer ou não a
opção. À semelhança do que acontece no mercado de futuros, os contratos de opções negociados em mercados
organizados obedecem a certos padrões fixados pela própria entidade bolsista.
Os contratos de opções podem ser de compra ou de venda. O comprador de uma opção de compra (call option)
tem o direito de, numa determinada data, adquirir o activo subjacente pelo preço fixado no contrato. Já o comprador
de uma opção de venda (put option) adquire o direito de vender o activo subjacente ao preço fixado no contrato.
Quer num caso, quer no outro, o vendedor está obrigado a aceitar a opção de compra/venda do comprador.
As opções podem ainda ser de estilo europeu ou de estilo americano. Nas opções europeias, a opção só pode ser
exercida na data de vencimento. Nas opções americanas, o exercício da opção pode ocorrer em qualquer dia útil
entre a data de emissão e a data de vencimento.
Qual o valor de uma opção?
Na formulação do valor de uma opção concorrem três conceitos de preço. Assim, temos o preço de exercício (o
preço de uma unidade de activo subjacente acordado hoje para a realização da transacção no futuro) e o preço de
mercado (o valor de uma unidade de activo subjacente na data de concretização da transacção). Uma vez que o
comprador tem o direito, mas não a obrigação de exercício da opção, o valor (diferença entre preço de exercício e
de mercado) nunca é negativo na sua óptica (pois, se a diferença lhe é desfavorável, ele simplesmente não exerce
a opção. Assim, o comprador de uma call option aposta na subida do preço do activo subjacente, enquanto o
comprador de uma put option aposta numa descida do activo subjacente.
Quer isto dizer que o vendedor de uma opção nunca ganha nada? Logicamente que não. É que, ao contrário do que
acontece nos futuros, o comprador de uma opção está obrigado a pagar um determinado valor ao respectivo
vendedor - o prémio. Assim, caso o comprador da opção não a exerça, o vendedor regista um ganho
correspondente ao prémio. Como se observa na figura ao lado, os perfis de ganhos de comprador e vendedor de
uma opção não são simétricos. Refira-se que o valor de um contrato de opções depende também de factores como
a distância face ao termo do contrato, a volatilidade do activo subjacente, a taxa de juro ou os rendimentos do activo
subjacente.
Quais as opções na BVLP?
O mercado de opções da BVLP é ainda jovem, tendo sido lançado apenas em Março de 2000. A sua actividade foi
iniciada, como é natural, com o lançamento de um contrato de opções de estilo europeu sobre o PSI-20.
Posteriormente foram lançados contratos de opções de estilo americano sobre algumas empresas nacionais:
Portugal Telecom, EDP, Telecel, PT Multimedia, e Sonae.
Opções sobre acções na BVLP.
É um contrato mediante o qual o comprador tem o direito, mas não a obrigação, de comprar (call option) ou vender
(put option) um lote de 100 acções a um preço fixado no momento da transacção. Caso o comprador tenha uma
expectativa de subida do preço das acções, tem interesse em adquirir uma call option, para a vender mais tarde a
uma cotação superior. Caso tenha uma expectativa de descida dos preços, então deve adquirir uma put option, para
o comprar mais tarde a um preço inferior, ganhando na diferença de cotações. O vendedor terá, naturalmente,
expectativas opostas. As opções sobre acções da BVLP são opções com estilo americano, ou seja, podem ser
exercidas em qualquer dia útil entre as datas de emissão e de vencimento.
Perfil de ganhos das opções.

XXIII. Warrants
Caracterização dos warrants.
Um warrant dá ao seu detentor o direito, mas não a obrigação, de adquirir ou alienar um determinado activo
subjacente, a um determinado preço de exercício, até ou numa data pré-estabelecida. Os warrants podem ser
definidos como "opções securitizadas" (securitised options). Esta definição engloba dois aspectos fundamentais que
caracterizam estes instrumentos financeiros. Por um lado, têm um carácter de opção e, como tal, têm perfis de
ganhos e são financeiramente avaliados como as opções (ver secção XXII). Por outro, são considerados valores
mobiliários (securities) e negociados em contínuo no mercado a contado. Logo, podem ser facilmente comprados ou
vendidos em bolsa a qualquer momento, tal como as acções ou as obrigações, através de intermediários financeiros
devidamente autorizados.
Quais os direitos dos seus titulares?
Os warrants são valores mobiliários conferem aos seus detentores a possibilidade de exercerem ou não,
determinados direitos em relação a um determinado activo (subjacente), nomeadamente: 1.Subscrever, alienar ou
adquirir o activo subjacente, por contrapartida de um preço, nas condições e prazo definidos aquando da emissão;
2.Exigir a diferença entre o preço do activo subjacente fixado na emissão e o respectivo preço de emissão.
No caso de deter um call warrant (warrant de compra), o investidor tem o direito de adquirir o activo subjacente a
esse título. O investidor poderá optar ou não por exercer esse direito. Se o fizer, pagará o preço de exercício e
receberá o activo subjacente, ou receberá a diferença entre a cotação desse activo e o preço de exercício.
Se possuir um put warrant (warrant de venda), o investidor adquire o direito, e não a obrigação, de vender o activo
subjacente. Se o fizer pagar, irá vender o activo subjacente ao preço de exercício ou receberá a diferença entre o
preço de exercício e a cotação desse activo.
Os warrants podem ter como activos subjacentes valores mobiliários cotados em bolsa (normalmente acções),
índices de valores mobiliários cotados em bolsa, taxas de juro, divisas ou outros activos semelhantes, desde que
devidamente autorizados por Portaria do Ministro das Finanças.
Quem pode emitir warrants?
Podem emitir estes valores as instituições financeiras (bancos, caixas de crédito, sociedades de investimento), as
sociedades anónimas não financeiras no caso de warrants sobre valores mobiliários próprios, bem como outras
instituições de crédito ou sociedades financeiras de corretagem (ver secção V), desde que dentro dos limites legais
e devidamente autorizados pelo Banco de Portugal.
Quando o activo subjacente é um índice, a emissão do respectivo warrant tem que ser autorizada pela entidade que
procede ao seu apuramento (por exemplo, warrants sobre o índice PSI-20 têm que ser autorizados pela BVLP). No

caso de serem utilizados valores mobiliários como activo subjacente de warrants emitidos por terceiros, esse facto
deve ser comunicado à entidade emitente dos valores mobiliários em causa com uma antecedência de 5 dias em
relação ao início do prazo da oferta. Exemplificando, se uma instituição financeira quiser emitir warrants sobre
acções da Vodafone, esta tem que ser informada com antecedência. Já a emissão de warrants próprios (isto é,
quando a entidade emitente dos warrants e dos valores mobiliários usados como activo subjacente é a mesma) está
condicionada à admissão pelo contrato de sociedade. A deliberação tem que explicitar qual o activo subjacente, o
número de warrants a emitir, os preços de subscrição e de exercício, prazos de exercício, natureza (subscrição
pública ou particular) e critérios de rateio.
Qual o valor de um warrant?
O warrant possui um valor intrínseco que resulta da diferença entre o preço de mercado (spot) do activo subjacente
e o preço de exercício do warrant, ou seja, representa o benefício que seria obtido pelo exercício da opção implícita
naquele warrant. Como em qualquer contrato de opção, é sempre superior ou igual a zero. Existe também um valor
temporal, que mede a probabilidade de que o valor intrínseco venha a aumentar. Neste caso, as variáveis decisivas
são a volatilidade, a maturidade (prazo), as taxas de juro e os rendimentos do activo subjacente (dividendos, por
exemplo). O prémio a pagar representa o preço do warrant e, como tal, deve ser igual à soma dos dois valores
apresentados.
Determinantes de valor.
Exercem influência sobre o preço ou valor do warrant factores como o preço do activo subjacente e o preço de
exercício, o prazo de vencimento, a volatilidade, as taxas de juro ou os dividendos. O impacto destes factores pode,
por sua vez, ser medido por variáveis com funções específicas:

Delta: mede a percentagem de variação no preço do warrant motivada pela variação de um ponto
percentual no preço do activo subjacente.

Rho: calcula a sensibilidade do preço do warrant face a variações de um ponto percentual na taxa de
juro.

Theta: mede a influência do passar do tempo no valor do warrant.

Vega: diz-nos, em cada momento, quanto vai variar o preço do warrant em função da variação de um por
cento da volatilidade.

Gamma: calcula a velocidade a que evolui o valor do Delta (quanto maior for o valor absoluto do Gamma,
mais rapidamente oscila o valor do Delta face a variações do activo subjacente).

XXIV. Dicas e informações úteis
Avalie os seus conhecimentos.
A aplicação de poupanças em mercados de bolsa, embora possa apresentar boas oportunidades de investimento,
encerra também alguns riscos. Seguem-se alguns conselhos dirigidos aos investidores particulares. O investimento
em valores mobiliários tem consequências directas no património do investidor. Como tal, exige não só um
acompanhamento permanente, mas também determinados conhecimentos técnicos. Logo, antes de decidir investir
em valores mobiliários, o potencial investidor deve avaliar os seus conhecimentos e disponibilidade de tempo. No
caso de serem insuficientes, a melhor opção é recorrer a especialistas.
Faça um plano de investimento.
Antes de tomar qualquer decisão, o investidor deve definir um objectivo de rendibilidade e um limite de prejuízo para
um determinado horizonte temporal. A definição de objectivos é importante para proceder à reavaliação periódica do
investimento realizado.
Invista progressivamente.
Intervenções no mercado de valores mobiliários devem ser graduais. O ideal é começar por investimentos em
valores de menor risco, passando progressivamente para outros que envolvam maiores graus de risco. Isto permite
ao investidor adquirir de forma progressiva maior sensibilidade ao risco, mais conhecimentos e maior confiança,
sem pôr em causa o seu conforto financeiro.
Diversifique os seus investimentos.
A aplicação de poupanças deve ser dirigida a diversos activos financeiros de forma a reduzir a dependência em
relação a um único activo. Cada investimento tem o seu risco. A diversificação permite que os riscos associados a
cada instrumento possam compensar-se mutuamente, permitindo uma menor flutuação do rendimento do investidor.
Logo, o investidor racional "não deve colocar todos os ovos no mesmo saco".
Informe-se.
É fundamental a recolha e análise de toda a informação relevante, nomeadamente a relativa às entidades
emitentes, às principais características dos valores mobiliários e aos mercados disponíveis para investir, tendo
sempre em atenção as respectivas vantagens e desvantagens.
Exerça os seus direitos de cliente.

O investidor deve solicitar e tem o direito de receber do seu intermediário financeiro toda a informação necessária
para tomar uma decisão de investimento responsável, nomeadamente sobre os custos das operações,
características dos produtos em que pode investir, riscos associados e regras de funcionamento do mercado.
Recorra às entidade responsáveis
Caso necessite de esclarecimentos ou pretenda apresentar reclamações relativas ao mercado de capitais, não
hesite em recorrer às entidades de regulação e supervisão. Uma das principais funções da CMVM deve ser a
defesa de todos os investidores.
Serviço de Apoio ao Investidor.
O SAI é um serviço prestado pela CMVM, criado com o objectivo de prestar esclarecimentos e informações a todos
os investidores, bem como para ouvir as suas reclamações e até mesmo sugestões. Em termos genéricos, o SAI
presta os seguintes serviços ao público:

1. Informação - a CMVM tem disponibiliza um serviço de difusão de informação relevante, tais como,
regulamentos e recomendações aprovados pela CMVM, informação financeira periódica e factos relevantes
divulgados pelas entidades emitentes, entidades autorizadas a prestarem serviços de investimento, etc.).

2. Formação - a CMVM disponibiliza programas e iniciativas de formação destinadas aos investidores
actuais e potenciais (seminários, conferências, manuais, brochuras, etc.).

3. Recepção de reclamações e participações - todos os interessados podem dirigir ao SAI as
reclamações, queixas e participações que queiram fazer contra pessoas, entidades ou factos submetidos à
supervisão da CMVM.

9 CONFIGURAÇÕES
9,1 Dados Pessoais
9,2 Palavra Chave
9,3 Palavra Chave Negociação
9,4 Portfolios
9,5 Streaming
9,6 Notificações
LP_Validacao
Opção reservada para abertura de conta

Anexo 1 /FaqTrackers.tea

FAQ GERAL
(Link para
8,9,1 Opção
FAQ Geral)

FAQ
Warrants
(Link para
8,9,2 Opção
FAQ
Warrants)

FAQ Trackers

Operações
Bancárias
(Link para
8,9,3 Opção
Operações
Bancárias)

Segurança
(Link para
8,9,4 Opção
Segurança)

Guia de
Bolsa(Link
para 8,9,5
Guia de
Bolsa)

Trackers
O que são?
Os Trackers são um novo tipo de produtos de investimento que replicam a performance de um índice ou de um
basket pré-determinado de activos (acções/obrigações).
Tecnicamente, os Trackers são fundos de investimento abertos de gestão passiva, transaccionáveis em bolsa (por
exemplo, acompanham a evolução dum índice como o Euro STOXX 50).
Características
Os activos que compôem os diversos fundos são investidos, pela sua equipa de gestão de uma forma eficiente, de
modo a que o fundo reflita sempre a composição e a ponderação do índice que lhe é subjacente.
A sua utilização vai desde a especulação sobre a evolução do mercado como um todo (em vez de se comprar os
activos), à cobertura de risco (para quem utiliza opções e futuros sobre índices).
Os Trackers podem ser comprados ou vendidos em bolsa em qualquer momento durante a sessão de bolsa, pelo
que vem daí a sua designação de ETFs (Exchange Traded Funds).
Vantagens
A teoria financeira tem mostrado que no longo prazo, os fundos de investimento tradicionais têm uma reduzida
probabilidade, em média, de proporcionar rendibilidades acima das proporcionadas pelo mercado de uma forma
significativa e sustentada.
A vantagem dos Trackers prende-se com o facto de oferecerem uma exposição bastante flexível e com custos
reduzidos, à performance do mercado como um todo, através de uma única transacção.
Os trackers combinam as vantagens das acções/obrigações (negociação em contínuo, transparência e custos
reduzidos) com as vantagens dos fundos de investimento (diversificação).
Custos
Serão cobradas comissões de intermediação como se de uma acção se tratasse (na compra e na venda).
Adicionalmente é deduzida nos activos do fundo uma comissão anual de gestão que já está incorporada no preço.
Estas comissões de gestão são substancialmente inferiores às comissões de gestão cobradas pelos fundos de
investimento tradicionais.
Fundo

Comissão Gestão Média

ETFs - Índices Acções

0.30 %

Fundos Acções Tradicionais

1.50 %

ETFs - Índices Obrigações

0.15 %

Fundos Obrigações Tradicionais

0.74 %

Produtos Zona Euro
O Banco Carregosa disponibiliza aos seus clientes a negociação dos Trackers mais transacionados no mercado:
Nome

DAX EX

Símbolo Fundo

EXS1

Índice
Acções

Subjacente

Dax Index

Bolsa

Xetra

ISIN

Gestão

Plataforma

DE0005933931

IDEXCHANGE
Inv AG

GoBulling
Web,
GoBulling
Pro

(Símbolo
DAXEX.F)

DJ Euro
STOXX 50
EX

EXW1

Índice
Acções

Euro
STOXX 50

Xetra

DE0005933956

IDEXCHANGE
Inv AG

GoBulling
Web,
GoBulling
Pro
(Símbolo
DAXEX.F)

DJ Euro
STOXX50
Master Unit

MSE

Índice
Acções

Euro
STOXX 50

EuroNext

FR0007054358

Lyxor Asset
Manag.

GoBulling
Web

CAC 40
Master Unit

CAC

Índice
Acções

CAC 40

EuroNext

FR0007052782

Lyxor Asset
Manag.

GoBulling
Web

streetTracks
MSCI Pan
Euro

ERO

Índice
Acções

MSCI Pan
Euro

EuroNext

FR0000001885

State Street
Global
Investment

GoBulling
Web

iboxx €
Liquid
Corporates

IBCS

Índice
Acções

IBOXX
Liquid
Corporates
TR

Xetra

DE0002511243

Barclays
Global Inv.

GoBulling
Web

eb.rexx Gov.
Germany EX

EXHA

Índice
Obrigações

eb.rexx
German
Gov Bonds

Xetra

DE0006289465

IDEXCHANGE
Inv AG

GoBulling
Web

eb.rexx Gov.
Germany
2.5-5.5 EX

EXHC

Índice
Obrigações

eb.rexx
German
Gov Bonds
2.5 5.5

Xetra

DE0006289481

IDEXCHANGE
Inv AG

GoBulling
Web

eb.rexx Gov.
Germany
5.5-10.5 EX

EXHD

Índice
Obrigações

eb.rexx
German
Gov Bonds
5.5 10.5

Xetra

DE0006289499

IDEXCHANGE
Inv AG

GoBulling
Web

Produtos Zona Dólar
O Banco Carregosa disponibiliza aos seus clientes a negociação dos Trackers mais transacionados no mercado:
Nome

Símbolo Fundo

Subjacente

Bolsa

ISIN

Gestão

Plataforma

S&P Depositary
Receipts

SPY

Índice
acções

S&P 500

AMEX

US78462F1030

State Street
Global
Investment

GoBulling
Pro

Diamonds

DIA

Índice
acções

Dow Jones
Industrial
Avrg.

AMEX

US2527871063

State Street
Global
Investment

GoBulling
Pro

NASDAQ 100
Index Tracking
Stock

QQQ

Índice
acções

Nasdaq 100

AMEX

US6311001043

Nasdaq

GoBulling
Pro

Anexo 1
Eliminado pois era informação repetida
Anexo 2 Exemplo descrição de acontecimento
(Em constante actualização)

(Link para
Homepage) Information - Daily Agenda
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IteaForm17

2010

829600200-202

Junho

Pode-se escolher
Pode-se escolher os dias a sombreado

Thursday, May 6, 2010

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