Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras

Mestrado em Gestão e Internacionalização de Empresas
Redes e inovação empresarial

S#1: Redes de empresas

Conceitos

Interação

Relacionamentos

Rede interorganizacional

Modelo atores-recursos-atividades

Conetividade

Rede industrial

Teoria de rede

Posicionamento de rede

Estratégia no contexto de rede

Contexto e horizonte de rede

Conhecimento de rede

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Conceitos: interação
Interação: tipo de ação que ocorre quando dois ou mais objetos possuem um efeito um sobre
o outro. De salientar que se trata de um efeito com dois sentidos.
Interação: indivíduos e organizações interagem para encontrar o parceiro certo com o qual
trocar; organizar, gerir e integrar as atividades associadas com esta troca; e monitorizar o
desempenho. Estas interações ocorrem dentro das empresas, entre as empresas e ao longo de
toda a rede de relacionamentos nos mercados até ao consumidor final. As interações podem
ocorrer de diversas formas, como: reuniões, conferências, conversas telefónicas, conversas de
vendas, resolução de problemas, etc. As interações possuem como objetivo económico o
permitir a troca de bens, serviços ou ideias. (baseado em: Butler et. al., 1997)

Conceitos: relacionamentos
A abordagem de interação assume que os relacionamentos com clientes e com fornecedores
são processos relacionais compostos por episódios de interação que os influenciam e são por
eles influenciados (Turnbull et al., 1996). Nesta perspetiva, os relacionamentos não são um
conjunto de transações independentes e isoladas, mas resultam de ações e reações das
empresas em processos de negociação complexos (Ford et al., 1998), possuindo uma história e
um futuro. (Häkansson e Johanson, 1992; Easton e Araújo, 1994; Rindfleisch e Heide, 1997).
Diferentes tipos de relacionamento interempresariais (baseado em Easton e Araujo, 1992):
Rivalidade: ocorre quando dois atores possuem objetivos que estão em conflito, mas em
que o posicionamento do objetivo encontra-se sob o controlo de uma terceira parte.
Conflito:

situação

governada

por

estratégias centradas

nos

oponentes.

Num

relacionamento de conflito, os objetivos dos atores são mutuamente exclusivos na medida
em que ambos querem eliminar o outro, forçando o competidor a sair da rede ou de um
relacionamento específico até à destruição completa do rival.
Coexistência: situação em que os objetivos e as metas dos atores são considerados
independentes. Esta independência pode surgir da ignorância do ator em causa ou de uma
decisão consciente de agir de forma independente. Nos dois casos esta independência
pode ser mais aparente do que real, na medida em que os relacionamentos indiretos na
rede originam dependências que os atores podem ou não, estar conscientes ou considerar
inexplicáveis.

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Cooperação: ocorre quando duas ou mais partes possuem objetivos que são mutuamente
dependentes e partilham recursos para alcançar esses objetivos comuns. Existe uma grande
diversidade de modos de cooperação nas redes.
Conluio: definido como uma cooperação entre atores desenvolvida para prejudicar de
forma direta ou indireta uma terceira parte. Ao contrário do conflito, os acordos de conluio
não têm por objetivo a intenção de destruir um terceiro. É possível distinguir entre conluio
explícito e implícito.

Conceitos: rede interorganizacional
Na sua forma mais abstrata, uma rede de empresas é uma estrutura organizada em que um
determinado número de nodos se relacionam entre si, através de ligações específicas, as quais
podem ser diretas ou indiretas. Cada nodo corresponde a uma entidade específica designada
por “ator”. Na medida em que cada nodo representa uma identidade singular e representa
uma estrutura organizacional única, cada um dos relacionamentos estabelecidos é singular, o
que origina um crescimento exponencial da complexidade da rede de empresas em função do
número de intervenientes existentes e dos relacionamentos estabelecidos entre estes.
(Håkansson e Ford, 2002;)

Conceitos: modelo Atores-Recursos-Atividades
No Modelo ARA (Atores, Recursos e Atividades) apresentado por Håkansson e Johanson (1992)
para as redes industriais, é apresentada uma estrutura composta por atores, atividades e
recursos. Estes elementos de base da rede encontram-se ligados entre si e relacionam-se na
rede que compõem. Segundo o modelo, os atores (podem ser indivíduos, grupos de
indivíduos, partes de empresas, empresas ou grupos de empresas) são definidos como sendo
as entidades que realizam as atividades e/ou controlam os recursos. Os recursos, enquanto
meios utilizados pelos atores quando realizam as atividades, são elementos usados na
transformação de outros recursos através das atividades realizadas pelos atores. Através
destas definições recorrentes, a rede de atores, a rede de atividades e a rede de recursos
encontram-se relacionadas umas com as outras.

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No âmbito do Modelo ARA, as atividades implicam: combinação, desenvolvimento, troca, ou
criação de recursos através da utilização de outros recursos. Os elementos que compõem a
rede encontram-se relacionados entre si e com outros elementos externos, formando
estruturas que podem também ser consideradas como redes. Ao interagirem entre si, os
atores estão a formar redes onde é partilhado o conhecimento sobre os relacionamentos dos
atores e estruturas da rede. Também as atividades industriais encontram-se relacionadas
entre si por estruturas que podem ser vistas como redes. Da mesma forma, os recursos
encontram-se relacionados entre si numa estrutura de rede. Estas três redes, que formam a
“rede total” encontram-se ligadas por forças, em termos das quais a rede total pode ser
analisada: interdependência funcional, estrutura de poder, estrutura de conhecimento, entre
outras.

Conceitos: conetividade
As empresas encontram-se embebidas numa rede de relacionamentos, que se estende para
além dos relacionamentos com os seus parceiros diretos, assumindo a forma de
relacionamentos indiretos. Uma rede pode ser descrita através da sua conectividade, ou seja,
das interligações diretas e indiretas dos atores. (Mattsson, 2002)
As redes traduzem a interdependência entre o relacionamento diádico (estabelecido entre
dois atores) e os outros relacionamentos conectados com a díade. A conectividade torna mais
complexa a gestão num contexto de rede, porque não é possível considerar um
relacionamento de forma isolada. Ao escolher os seus parceiros, a empresa focal (empresa
alvo da análise) tem de considerar essas interdependências (Ritter, 2000; Ritter, 1999). Com
base nesta perspetiva, cada relacionamento pode afetar outros relacionamentos de forma
positiva (apoiando ou reforçando) ou negativa (dificultando ou impedindo) ou não ter
qualquer efeito sobre eles. O desempenho de um relacionamento pode ser alterado através da
alteração de outros relacionamentos.

Conceitos: rede industrial
Numa perspetiva de rede, o processo de interação torna-se mais complexo, porque não pode
ser restringido à relação diádica entre um comprador e um fornecedor. Para além disso, há

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que considerar a teia de relacionamentos e de interesses diretos e indiretos em que um e
outro se movem e que influenciam a forma como interagem entre si.
A rede da empresa resulta assim das conexões entre parceiros diretos e indiretos e as suas
atividades e recursos. Neste contexto, a empresa é considerada incompleta, dependente dos
recursos e competências de outras empresas (Ford et al., 2003). Por causa desta
interdependência, nem sempre existem fronteiras claramente percetíveis entre as atividades e
recursos da empresa e as dos seus fornecedores ou clientes. A rede não possui centro ou
fronteiras claras e as suas características são determinadas pelas ações das empresas e entre
os relacionamentos das empresas que a integram.

Conceitos: teoria de rede
As teorias de rede refletem as visões e intenções do ator na rede, as suas crenças sobre a
estrutura, processos, desempenho da rede e efeitos das ações estratégicas executadas por si e
pelos outros atores (Johanson e Mattsson, 1992; Mattsson, 2002). Dada a sua natureza
subjetiva, as visões dos atores acerca da rede, da sua extensão, da natureza dos
relacionamentos, da posição que eles e os outros aí ocupam, entre outros elementos, podem
ser muito diferentes. A diversidade de teorias de rede resulta do facto de cada ator se
relacionar com conjuntos específicos de parceiros e de, mesmo havendo relacionamentos
comuns, os vários atores poderem vê-los de forma diferente (Ford et al., 2003; Roseira, 2005).

Conceitos: posicionamento de rede
O posicionamento da empresa na rede resulta do papel que desempenha na própria rede e
dos relacionamentos diretos e indiretos que estabelece com outros atores. Este
posicionamento é relativo, na medida em que cada ator possui uma perspetiva única de si
próprio e dos outros atores, e altera-se ao longo do tempo. O posicionamento de rede afeta a
forma como a empresa interage com os demais atores presentes na rede, ao nível direto e
indireto; afeta a visão que a empresa tem da rede; e afeta a forma como a empresa define as
suas estratégias.
O posicionamento de rede pode ser medido em termos do poder da empresa na rede e em
termos do papel e valor da empresa como parceiro de rede. Este poder encontra-se associado

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com a capacidade da empresa de aceder e controlar recursos na rede, podendo derivar de
fatores como a capacidade de inovação ou as alianças que determinada empresa desenvolve.

Conceitos: estratégia num contexto de rede
No âmbito de um contexto de rede, a estratégia deriva das constantes interações existentes
entre os atores da rede de relacionamentos, não sendo considerada um processo unicamente
interno da própria empresa e restrito a esta. Nesta perspetiva, a formulação e implementação
estratégica das empresas é caraterizada por um processo emergente e adaptativo. As opções
estratégicas da empresa possuem reflexos na rede de relacionamentos da empresa e são por
esta afetadas e constrangidas. (Roseira, 2005)

Conceitos: contexto e horizonte de rede
: contexto de rede / rede focal
: horizonte de rede: atores que a empresa conhece,
mas não considera relevantes
: ambiente: integra a parte da rede onde a empresa
individual não identifica os atores.

Conceitos: conhecimento de rede
Em geral, a empresa tem de conhecer e compreender as redes onde está enquadrada, de
forma a poder tirar partido delas e atuar nelas (Gemunden e Ritter, 1997; Möller e Halinen,
1999). Quanto melhor for o conhecimento de rede, maior será a probabilidade de antecipar as
mudanças estratégicas iniciadas por concorrentes, clientes e fornecedores, e antecipar os
efeitos das suas próprias ações. Neste contexto, cada empresa deve preocupar-se com a
posição das outras empresas ou organizações às quais está direta ou indiretamente ligada, sob
pena do quadro produzido não capturar os principais fatores indutores da mudança nos
mercados industriais (Ford et al., 1998). A empresa deve desenvolver competências para
monitorizar a rede para além dos seus relacionamentos imediatos e para avaliar a sua

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dinâmica, sem o que se tornará vulnerável às dinâmicas originadas fora do horizonte das suas
operações normais (Roseira, 2005).

Análise de redes e relacionamentos
Quatro níveis de análise das redes e relacionamentos interorganizacionais (Möller e Halinen,
1999):

Nível 1 - “Industries as networks” (a indústria como rede): determinado sector industrial é
analisado como uma rede de relacionamentos entre os diversos atores envolvidos,
englobando as diversas organizações que formam essa indústria.
Nível 2 - “Managing focal nets and network position” (a empresa na rede): a análise da
organização no âmbito dos relacionamentos principais que fazem parte do seu ambiente,
ou seja, a rede focal de determinada organização.
Nível 3 - “Managing relationship portfolios” (gestão dos relacionamentos): caracterização
de como uma organização gere os seus relacionamentos.
Nível 4 - “Managing exchange relationship” (relacionamento diádico): análise dos
relacionamentos diádicos como elemento de base da análise.

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