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19-11-09

TRIBUNAL PLENO
MATÉRIA ADMINISTRATIVA
RECURSO PARA O TRIBUNAL PLENO CONTRA DECISÃO DO EGRÉGIO
CONSELHO DA MAGISTRATURA Nº 05/2009 – CAPITAL (ID. 214.471)
RELATOR - EXMO. SR. DES. GUIOMAR TEODORO BORGES

RECORRENTE – SINDICATO DOS SERVIDORES DO PODER JUDICIÁRIO DO


ESTADO DE MATO GROSSO – SINJUSMAT

RECORRIDO - EGRÉGIO CONSELHO DA MAGISTRATURA

AUSENTES, JUSTIFICADAMENTE, OS EXMOS. SRS. DESEMBARGADORES PAULO


INÁCIO DIAS LESSA (10º VOGAL), A. BITAR FILHO (11º VOGAL), PAULO DA
CUNHA (19º VOGAL), E DES. EVANDRO STÁBILE (23º VOGAL)

PRESIDIU A SESSÃO O EXMO. SR. DES. MARIANO ALONSO RIBEIRO


TRAVASSOS

E M E N T A: O SR. DES. CARLOS ALBERTO ALVES


DA ROCHA – REDATOR DESIGNADO
SERVIDOR DO PODER JUDICIÁRIO – CRÉDITO – URV –
RECONHECIMENTO POR SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO – PAGAMENTO
ADMINISTRATIVO – POSSIBILIDADE – DISPENSA DE PRECATÓRIO –
VINCULAÇÃO A DISPONIBILIDADE FINANCEIRA

Não ofende a regra constitucional o cumprimento de decisão


judicial transitada em julgado que reconheceu o direito dos servidores do Poder Judiciário
receber administrativamente o crédito referente à URV, independente de precatório.
A administração tem a prerrogativa, direito e dever de obedecer
a disponibilidade financeira para a formalização do pagamento.
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RELATÓRIO
O SR. DES. GUIOMAR TEODORO BORGES
Egrégia Turma:
Cuida-se de Recurso de decisão do Conselho da Magistratura
que, por maioria de votos, indeferiu o pagamento administrativo dos valores correspondentes
à aplicação do índice de 11,98%, relativos a chamada URV, reconhecidos, com efeito
retroativo a 5 anos, na ação ordinária proposta pelos servidores do Poder Judiciário.
Prevaleceu no Egrégio Órgão Colegiado o entendimento
exarado pelo eminente Desembargador Paulo da Cunha, Vice-Presidente desta Corte, no
sentido de que o pagamento espontâneo do valor devido, vale dizer, administrativamente,
ofende o disposto no artigo 100 da Constituição Federal, que impõe a necessidade de
submissão dos créditos contra a Fazenda Pública ao regime de precatórios.
Alega o Sindicato, como amparo à pretensão deduzida, que é
direito do servidor receber seus créditos já garantidos por sentença judicial transitada em
julgado, independente do sistema de precatórios.
Afirma que por se tratar de débito de natureza alimentícia, nem
sempre é necessário que o servidor ingresse com nova ação de cobrança ou com execução
específica.
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Diz que a decisão recorrida sequer considerou a possibilidade


de recebimento direto de valor inferior a 40 salários mínimos, como permite a Constituição
Federal.
Sustenta, por fim, quebra do princípio da isonomia, porque
existem servidores que já receberam os seus créditos, administrativamente, enquanto que,
para a maioria, foi relegado ao martírio dos precatórios.
Afirma ser inconcebível o tratamento dispensado a alguns, sem
que igual tratamento seja dispensado aos demais.
Requer o provimento do recurso para que seja permitido o
pagamento administrativo dos créditos pretéritos relativos à diferença da URV, de acordo com
a disponibilidade financeira do Tribunal, bem como seja estabelecido um cronograma de
pagamento do crédito apurado.
É o relatório.

VOTO
O SR. DES. GUIOMAR TEODORO BORGES (RELATOR)
Egrégia Turma:
A matéria posta à apreciação deste Órgão Colegiado está em
saber se é possível ao Tribunal de Justiça, administrativamente, efetuar o pagamento do
crédito relativo à conversão da URV, retroativo a cinco anos da data da distribuição, assim
reconhecido na ação ordinária proposta pelos servidores da Corte.
A sentença que reconheceu o direito à percepção, por parte dos
servidores, do índice resultante da URV (11,98%), reexaminada, transitou em julgado.
Acerca do pedido de pagamento na via administrativa
formulado pelos servidores, prevaleceu no âmbito do Conselho da Magistratura o
entendimento segundo o qual o pagamento desse crédito, administrativamente, constitui burla
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ao sistema constitucional de créditos que regula as execuções patrimoniais contra a Fazenda


Pública.
A questão que se coloca, agora, é exatamente no sentido de
saber se o cumprimento da sentença, de forma administrativa, vale dizer, fora do regime de
precatórios, importa em violação à regra constitucional que condiciona a execução contra a
Fazenda Pública à requisição do juízo da causa.
O texto constitucional brasileiro, no que se refere ao sistema de
créditos contra a Fazenda Pública, é claro em dispor que “à exceção dos créditos de natureza
alimentícia, os pagamentos devidos pela Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, em virtude
de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos
precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas
nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim” (art. 100).
Com o devido respeito aos que pensam em contrário, parece
que a Constituição estabelece norma imperativa no sentido de condicionar o pagamento
decorrente de condenação judicial pela ordem de apresentação dos respectivos precatórios.
Com efeito, é assente no STF o entendimento segundo o qual,
havendo ordem judicial de pagamento, deve haver obediência à ordem cronológica dos
precatórios. Se houver condenação judicial e sobrevier acordo ou transação judicial para
pagamento do valor ao credor, deverá, ainda assim, ser obedecida a ordem cronológica de
inscrição dos precatórios. Mesmo que vantajoso o acordo para a Fazenda Pública, esta não
poderá pagar antes de quitar todos os precatórios pendentes de pagamento (v. Acórdão
unânime do Pleno do STF, Rcl 2.143/SP, rel. Min. Celso de Mello, j. 12/3/2003, DJ de
6/6/2003, p. 30).
E mais: se eventual acordo ou transação realizado for cumprido
antes do pagamento dos precatórios pendentes, caberá o seqüestro por preterição do direito de
precedência previsto no art. 100 da Constituição, também como decidiu o e. STF em Acórdão
unânime do Pleno (v. Rcl 1.979/RN, rel. Min. Maurício Corrêa, j. 16/5/2002, DJ de 2/8/2002,
p. 61.), e é certo que esse posicionamento é também o da doutrina (cf. Leonardo José Carneiro
da Cunha. A Fazenda Pública em juízo, 7ª ed. ampl. São Paulo: Dialética, 2009).
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No caso específico que ora se ocupa, o credor, talvez por causa


da natureza da relação que mantém com o devedor, prefere, em vez de promover a execução
pelo procedimento coativo, via precatório, ver-se ressarcido do direito reconhecido na
sentença, administrativamente, com base em um calendário compatível com o espectro que
retrata o orçamento do Poder Judiciário.
Segundo nos parece é evidente a impossibilidade desse tipo de
expediente. Como se colhe dos autos, a ação teve natureza condenatória e o ente público em
relação ao qual o comando judicial projeta seus efeitos é o Estado de Mato Grosso, entidade
política orgânica que, de todo sabido, é responsável pelo cumprimento de condenação da
mesma natureza, vale dizer, alimentar, já com ordem de precatório definida.
Seria, então, manifesta deslealdade efetuar-se o pagamento –
pela via administrativa – de condenação judicial em violação ao direito daqueles que, há
vários anos, aguardam na fila do precatório.
A impossibilidade desse tipo de pleito já foi reconhecida pelo e.
STF, ainda que se trate de crédito de natureza alimentícia. Assim, a Suprema Corte definiu
que mesmo as prestações de caráter alimentar submetem-se ao regime constitucional dos
precatórios, nestes termos:
“A jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal, ao interpretar o alcance da norma inscrita no caput do art. 100 da
Constituição, firmou-se no sentido de considerar imprescindível, mesmo
tratando-se de crédito de natureza alimentícia, a expedição de precatório,
ainda que reconhecendo, para efeito de pagamento do débito fazendário, a
absoluta prioridade da prestação de caráter alimentar sobre os créditos
ordinários de índole comum. Precedentes” (STF – RE 188285-9-SP, Rel.
Min. Celso de Mello, DJ 1/03/96).

Em outro julgamento, da mesma forma, ficou assente o


seguinte:
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“As prestações de caráter alimentar submetem-se ao regime


constitucional dos precatórios, ainda que reconhecendo a possibilidade
jurídica de se estabelecerem duas ordem distintas de precatórios, com
preferência absoluta dos créditos de natureza alimentícia, de ordem especial,
sobre aqueles de caráter meramente comum, de ordem legal” (STF- RE
195042-1-SP, Min. Celso de Mello, DJU 24/11/95).
Em conclusão, portanto, é direito dos servidores, que precisam
ser pagos, porque reconhecidos inclusive por decisão judicial, mas a forma de fazê-lo é por
meio de precatório.
É como voto.

VOTO
A SRA. DESA. MARIA HELENA GARGAGLIONE PÓVOAS
(1ª VOGAL)
Acompanho o relator.

VOTO
O SR. DES. JUVENAL PEREIRA DA SILVA (2º VOGAL)
Acompanho o douto relator.

VOTO
O SR. DES CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA (3º
VOGAL)
Senhor Presidente:
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Como já exposto pelo douto relator, a questão versa sobre a


decisão advinda do Conselho da Magistratura, que na esteira do voto proferido pelo Des.
Paulo da Cunha, entendeu que o pagamento espontâneo relativo ao crédito da chamada URV,
deve obedecer ao art. 100 da CF.
O inconformismo do recorrente cinge-se a receber os créditos
independente de precatória.
Portanto, em suma, a matéria está restrita a dizer se o Tribunal
de Justiça pode administrativamente efetuar o pagamento do crédito afeto a URV, retroativo a
cinco anos.
Com o devido respeito aos que comungam do entendimento do
Conselho da Magistratura, parece que não seria razoável concluir que os servidores do Poder
Judiciário tivessem de se valer, uns de ação de execução, outros de ação de cobrança, para
recebimento de créditos reconhecidamente devidos pela administração pública em todo o país.
Embora permeie, hoje, em nosso modelo, o chamado
sincretismo processual, que importou em acabar com a bifurcação autônoma até então
existente entre processo de conhecimento e aquele de jurisdição denominada satisfativa, o
certo é que remanesce, ainda, ao credor, o impulso destinado a se chegar à expropriação de
bens do devedor para satisfação do credor.
In casu, o credor prefere que o direito reconhecido na sentença,
seja ressarcido de acordo com a disponibilidade do orçamento do Poder Judiciário, ao invés
de receber os créditos via precatória.
Antes propriamente de tecer considerações quanto a ser possível
ou não o pagamento administrativo, vale dizer, sem a requisição de precatório, de valores a
que se acha recorrido em ação ordinária, vale diagnosticar a evolução do quadro decorrente da
procedência da ação com base na qual se aprecia o pedido de pagamento administrativo em
apreciação.
Importante a avaliação dessa conjuntura porque, ao que os autos
revelam, a Direção do Tribunal de Justiça, anterior e atual, cientes do conteúdo da sentença
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que reconheceu o direito ao índice de 11,98% aos servidores, provocada, fez por dar
cumprimento ao julgado, pelo menos parcialmente.
Assim é porque o Desembargador Paulo Inácio Dias Lessa,
ainda no exercício da Presidente, ordenou: “determino que a Coordenadoria de Recursos
Humanos – Departamento de Pagamento de Pessoal cumpra, imediatamente e na íntegra, a r.
sentença singular proferida pelo Juízo da 1ª. Vara Especializada da Fazenda Pública da
Capital e, consequentemente, o acórdão deste Colegiado”. E acrescentou: Por fim, acolhendo
o parecer da Coordenadoria Financeira e da Coordenadoria de Planejamento, indefiro o
pedido de estabelecimento de cronograma para pagamento dos créditos, devendo estes serem
pagos quando da disponibilidade orçamentária e financeira deste Poder”.(fl.77).
Já na atual gestão, o e. Desembargador Mariano Alonso Ribeiro
Travassos, embora tenha revogado, em parte, a decisão administrativa supracitada, mas o fez
em data de 13 de abril de 2009 e nos seguintes termos: “revogo em parte a decisão que
determinou à Coordenadoria de Recursos Humanos – Departamento de Pagamento de Pessoal
o cumprimento integral da sentença, devendo o referido órgão se limitar a incorporar o
percentual de 1 1,98% aos servidores ativos e inativos, sindicalizados ou não, a partir de
l9.01.2009”.
Percebe-se, então, que o Poder Judiciário pôs-se a dar
cumprimento - inicialmente por inteiro e, em seguida, em parte-, à r. sentença que reconheceu
ser devidos aos servidores o índice de 11,98%, inclusive mandando incluir em folha de
pagamento.
A questão que se coloca, agora, é exatamente no sentido de
saber se o cumprimento da sentença, administrativamente, vale dizer, fora do regime de
precatório, importa em violação à regra constitucional que condiciona a execução contra a
Fazenda Pública à requisição do juízo da causa.
Desde que o critério utilizado pelo Tribunal não incorra em
tratamento desigual ou preferencial a grupos específicos de servidores, o pagamento pode ser
feito, e inclusive é conveniente que assim se faça, pela via administrativa.
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É preciso ressaltar, inclusive, que os órgãos do Poder Judiciário


Nacional, mesmo os Tribunais Superiores, têm autorizado o pagamento administrativo dessa
verba.
Em verdade, nesses Tribunais, a discussão nem se encontra na
possibilidade ou não de pagamento desse crédito pela via administrativa, mas, sim, na
incidência de juros de mora para os casos de atraso no pagamento.
Aliás, hoje, no âmbito da administração pública da União, a
matéria relativa ao percentual de 11,98%, relativo a conversão dos vencimentos em URV,
acha-se inclusive administrativamente sumulada, mais precisamente na súmula 20, da
Advocacia Geral da União, com este verbete:
“Os servidores administrativos do Poder judiciário e do
Ministério Publico da União tem direito ao percentual de 11,98%, relativo à
conversão de seus vencimentos em URV, por se tratar de simples
recomposição estipendiária, que deixou de ser aplicada na interpretação da
medida provisória nº 434, 475 e 482/94”.

Disciplinando a questão afeta ao pagamento de despesas de


exercícios anteriores relativas ao pessoal, a Presidência do C. STJ editou o ATO n. 32, de 19
de fevereiro de 2004, destacando, verbis:
ATO Nº 32, DE 19 DE FEVEREIRO DE 2004
O PRESIDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA,
usando da atribuição que lhe é conferida pelo art. 21, XXXI, do Regimento
Interno, considerando o disposto no art. 37 da Lei nº 4.320, de 17 de março de
1964, e tendo em vista o que consta no Processo STJ 2823/2002, resolve:
Art. 1º O pagamento de despesas de exercícios anteriores
relativas a pessoal regula-se pelas disposições deste ato.
Art. 2º Para os fins deste ato, consideram-se:
I - as vantagens pecuniárias criadas por lei, mas somente
reconhecido o direito do servidor após o exercício de competência;
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II - as vantagens pecuniárias reconhecidas


administrativamente, de ofício ou a pedido do servidor, não pagas no
exercício de competência, observada a prescrição qüinqüenal;
III - as vantagens pecuniárias concedidas judicialmente que
impliquem incorporação de valores na remuneração do servidor,
compreendidas no lapso entre a data da decisão e a sua efetiva implantação
em folha de pagamento e não quitadas no exercício de competência.
Art. 3º O pagamento das despesas referidas no inciso II do
artigo anterior será precedido de processo administrativo em que devem
constar, no mínimo:
[...]
Art. 5º O pagamento das despesas a que se refere este ato
somente ocorrerá quando houver disponibilidade orçamentária suficiente para
tal fim.
Art. 6º O pagamento obedecerá à ordem cronológica de
concessão do direito.
§ 1º Diante da inexistência de disponibilidade orçamentária
para o pagamento integral da despesa, providenciar-se-á a suplementação
necessária.
§ 2º Impossibilitada a suplementação mencionada no parágrafo
anterior, o ordenador de despesa autorizará a liquidação até o montante
disponível, ficando o saldo remanescente sujeito à liquidação no exercício
seguinte, sempre se observando a cronologia.
§ 3º As despesas que afetem um grande número de interessados
ou as reconhecidas como prioritárias pelo Ministro Presidente ou pelo
Conselho de Administração podem ser pagas independentemente da ordem
cronológica, devendo, em todos os casos, estar demonstrada, nos autos, por
meio de justificativa ou juntada de documentos, a situação de exceção.
Art. 7º Este ato entra em vigor na data de sua publicação.
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Ministro NILSON NAVES

No âmbito do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, nos


autos n. 359/2007-000-90-00.0, em que é interessado o Sindicato dos Servidores Públicos
Federais da Justiça do Trabalho da 15ª Região, decidiu a respeito do tema, confira:
“EMENTA: DESPESAS DE PESSOAL E DE ENCARGOS
SOCIAIS. DIREITOS RECONHECIDOS JUDICIAL OU
ADMINISTRATIVAMENTE. EXERCÍCIOS ANTERIORES.
PAGAMENTO. CRITÉRIOS. RESOLUÇÃO . DOTAÇÃO
ORCAMENTÁRIA ESPECÍFICA. A fixação, por resolução, de critérios
para o pagamento de despesas de exercícios anteriores de pessoal e de
encargos sociais, no âmbito da Justiça do Trabalho, prestigia os princípios
constitucionais da legalidade, da moralidade, da impessoalidade e da
eficiência. Tratando-se de verbas de natureza alimentar, a sua retenção
indevida pela União fere a garantia fundamental de recebimento do justo
salário - vencimentos, no caso dos servidores - pelo trabalho prestado.
Necessário, portanto, o atendimento dos pedidos de dotação orçamentária
específica, conforme exigência imposta pelo art. 37 da Lei 4.320, de 17 de
março de 1964, apresentados por cada Tribunal, principalmente pela natureza
alimentar do direito reconhecido, que não pode sofrer retenção indevida, sob
pena de enriquecimento ilícito do Estado e de empobrecimento sem causa dos
servidores, dos magistrados e dos pensionistas.”

Do acórdão destaco, verbis:


“O Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, por meio
da Portaria Conjunta no 1, de 29 de agosto de 2006, regulamentou o
pagamento de despesas de exercícios anteriores de pessoal e encargos sociais,
no âmbito da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional,
da seguinte forma:
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"PORTARIA CONJUNTA Nº 1, DE 29 DE AGOSTO DE 2006


[...]
Art. 1º O reconhecimento de dividas referentes a vantagens
concedidas administrativamente ou decorrentes de decisóes judiciais, que
impliquem pagamentos de despesas de exercícios anteriores, relativas a
pessoal e encargos sociais, no âmbito do Sistema de Pessoal Civil da União -
SIPEC, passa a ser regulado exclusivamente por esta Portaria.
[...]
Art. 3º Considera-se para fins de pagamento de despesas de
exercícios anteriores, objeto desta Portaria:
[...]
§ 1º O efetivo pagamento de despesas de exercícios anteriores
somente poderá ocorrer quando houver análise técnica quanto á legalidade e
disponibilidade orçamentária suficiente para satisfazer as despesas.
§ 2º Entende-se como disponibilidade orçamentária, para os
efeitos desta Portaria, o limite financeiro que for estabelecido nas avaliações a
que se refere o art. 9º da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000.”
(fls.7/8)
[...]
“Importante relembrar, nesta oportunidade, a respeito desse
passivo da URV, a manifestação da Assessoria de Planejamento, Orçamento e
Finanças deste Conselho Superior no parecer acostado às fls. 59/60 do
processo no TST-CSJT- 321/2006-000-90-00-7, mencionado no voto do Exmo.
Conselheiro Relator, Desembargador Roberto Pessoa, que bem necessidade de
medidas de política administrativa para a solução desse crucial problema que
aflige não só os servidores que têm legítimo e incontestável direito ao
recebimento dessa diferença, que nada mais é do que a retenção indevida e
ilegal de verba de natureza alimentar, procedimento que afronta os princípios
da legalidade e da moralidade, mas também dos Presidentes de Tribunais que
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são insistentemente cobrados pelo pagamento desse direito. Diz aquele


parecer:
"A partir do reconhecimento do direito acima, ano após ano, os
passivos dos créditos devidos a titulo de URV foram sistematicamente
solicitados à Secretaria de Orçamento Federal - SOF/MO - por meio de
créditos suplementares, sem que, no entanto, quase nunca atendidos ou
quando atendidos, consignados em valores insuficientes", além do que 'os
Tribunais Trabalhistas têm procurado saldar o passivo em questão utilizando
recursos orçamentários disponiveis ao fim de cada exercício".
Nesse diapasão, não só a edição de resolução fixando critérios
para pagamento de despesas de exercícios anteriores de pessoal e encargos
sociais, reconhecidas judicial ou administrativamente, como é o caso da URV,
prestigiará os princípios constitucionais da administração pública da
legalidade, da moralidade, da impessoalidade e da eficiência, como também o
empenho do Conselho Superior da Justiça do Trabalho e do Tribunal Superior
do Trabalho na aprovação dos pedidos de dotações orçamentárias específicas
de cada Tribunal junto ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
destinado à quitação desses débitos, fazendo cessar, assim, essa retenção
indevida pela União de créditos reconhecidos como direitos legítimos e de
natureza alimentar dos seus magistrados, servidores e pensionistas.”
(fls.15/17)

Assim, até mesmo para harmonizar o tratamento dispensado aos


servidores públicos do Poder Judiciário em âmbito nacional, parece profícuo o critério de
pagamento defendido pelo recorrente.
É que não se mostra razoável admitir que o pagamento do
crédito se faça pelos moldes tradicionais, com a propositura de um sem-número de ações
judiciais a embaraçar ainda mais o nosso já atravancado Poder Judiciário.
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A forma mais segura de se proceder ao pagamento dos vários


credores, cujos saldos, somados, devem chegar a altos valores, é atribuir ao credor o controle
da sua consecução.
Administrativamente, o Tribunal poderá controlar a situação de
cada servidor, realizando o devido abatimento daqueles que já receberam seus créditos.
A propósito, como resolver a situação daqueles que,
sabidamente, já receberam seus créditos, caso se determine, agora, que os demais servidores
busquem a realização dos seus pelas vias ordinárias? Que critério é esse que beneficia alguns
em detrimento de outros?
Registre-se, por oportuno, que o Poder Judiciário, enquanto
Poder dotado de autonomia administrativa e orçamentária não tem contribuído para formação
da divida pública interna, decorrente do não cumprimento de obrigação legal ou convencional,
sobretudo de natureza alimentar, retratada em precatórios em tramitação contra o Estado, ai
compreendido os demais poderes.
O fato de se ter permitido que se chegasse ao contencioso o
direito à percepção do índice de 11,98%, talvez se dera por conta da incerteza quanto à
legalidade, que aliás gerou ampla discussão no âmbito da doutrina e jurisprudência.
Compreensível, assim, que o administrado, por cautela, por
conta da indisponibilidade do interesse público, aguardasse o pronunciamento judicial acerca
da citada vantagem, em ação declaratória.
Agora, com a certeza de que a vantagem é devida, com a devida
vênia, não parece racional condicionar o cumprimento da obrigação, necessariamente ao
regime de precatórios, até porque, se tal ocorrer, será a vez primeira que o Poder Judiciário
estará a contribuir para a formação do primeiro precatório com origem em demanda oriunda
de descumprimento de obrigação alimentar nascida no âmbito da gestão do Poder judiciário.
De notar-se, por derradeiro, que o crédito reconhecido em ação
declaratória e cujo pagamento administrativo é reclamado, não está sujeito ao regramento
próprios dos precatórios, mesmo, porque, ao que consta, não foi sequer instaurado esse
regime, repita-se, a pedido do credor.
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Logo, se não há, por opção do vencedor da ação, no caso o


sindicato, instancia de execução instaurada, o que se da por meio de pedido de requisição do
juízo da causa ao Presidente do Tribunal, não há falar-se em quebra de ordem de precatório,
portanto, no caso, inexistente.
Não há, em conclusão, que se falar em burla ao disposto no art.
100 da CF., porquanto cuida-se de regra cuja reincidência reclama a existência de precatório,
que de resto não foi requisitado e nem pode a administração obrigá-lo a tanto.
Em conclusão, portanto, presente o reconhecimento do direito
no âmbito da ação declaratória, possível afigura-se, em tese, o cumprimento da obrigação de
natureza inclusive alimentar assegurada aos servidores, administrativamente, mediante,
naturalmente, a elaboração de um plano compatível com a reserva do possível visualizada no
espetro orçamentário.
Assim, por esses motivos, é que voto pelo provimento do
presente recurso, a fim de permitir que o Tribunal de Justiça proceda ao pagamento
administrativo dos créditos pretéritos relativos às diferenças da URV dos seus servidores, de
acordo com a disponibilidade financeira do órgão. Além disso, deve o Tribunal prezar pelo
pagamento igualitário (em percentual) a todos os servidores, sem preferências, senão em
função de situações legalmente permitidas.
É como voto.

VOTO
O SR. DES. LUIZ FERREIRA DA SILVA (4º VOGAL)
Com todo respeito ao Relator e àqueles que o acompanharam
acompanho a divergência.
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VOTO
A SRA. DESA. CLARICE CLAUDINO DA SILVA (5ª
VOGAL)
Senhor Presidente:
Pedindo vênia ao douto Relator, acompanho a dissidência aberta
pelo Des. Carlos Alberto Alves da Rocha.

VOTO
O SR. DES. TEOMAR DE OLIVEIRA CORREIA (6º VOGAL)
Senhor Presidente:
Acompanho a dissidência, mas gostaria apenas de acrescer que
haja o pagamento nos moldes votado, desde que seja sempre respeitada a disponibilidade
financeira do Egrégio Tribunal.

VOTO
O SR. DES. ALBERTO FERREIRA DE SOUZA (7º VOGAL)
Acompanho a dissidência.

VOTO
O SR. DES. LEÔNIDAS DUARTE MONTEIRO (8º VOGAL)
Senhor Presidente:
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Ouvi com muita atenção e respeito os votos antecedentes,


particularmente, àqueles que mereceram com maior fundamentação tal como aquele proferido
pelo eminente Relator como também aquele da lavra do ilustre 3º Vogal, Des. Carlos Alberto
Alves da Rocha, ambos muito bem fundamentados e baseados numa argumentação
extremamente segura, não apenas por uma questão de justiça, mas, sobretudo, com base em
nosso ordenamento jurídico.
Não vejo, salvo melhor juízo, que a pretensão que o art. 100 da
Constituição Federal possa representar um impedimento, um obstáculo à pretensão do
Sindicato recorrente, de modo que com a devida vênia do eminente Relator e daqueles que o
acompanharam voto com a dissidência, anotando como bem observou o eminente Des.
Teomar de Oliveira Correia que neste pagamento seja observada a disponibilidade financeira
do Poder Judiciário.
É como voto.

VOTO
O SR. DES. JOSÉ FERREIRA LEITE (9º VOGAL)
Senhor Presidente:
A exemplo do que já assinalou o eminente Des. Leônidas Duarte
Monteiro ouvi com bastante atenção os fundamentos do voto do Relator e também do Des.
Carlos Alberto Alves da Rocha e do que abstrai, a dúvida estaria em se saber se para o
pagamento daquele direito que foi reconhecido, via sentença judicial, deveria concretizá-lo
através de pagamento administrativo, ou se haveria necessidade de se recorrer ao texto
constitucional do art. 100 que recomenda a necessidade do precatório.
A mim me parece que, diante dos votos que circundam a
situação dos servidores, a administração do Tribunal de Justiça tanto desta como da passada
agiu com os cuidados necessários de não efetuar o pagamento administrativamente sem que
houvesse o pronunciamento do Tribunal Pleno.
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Entendo com a dissidência de que o pagamento pode e deve ser


feito administrativamente, desde que autorizado pelo Tribunal Pleno e obedecido
evidentemente à disponibilidade orçamentária, pois entendo que se tiver disponibilidade
pague, senão tiver não pague e aquele que se sentir prejudicado poderá buscá-lo através da via
judicial própria.
Portanto, com essas rápidas considerações vou acompanhar a
dissidência para votar no sentido que fica a direção do Tribunal autorizada a pagar, via
administrativa, dentro daquilo que o orçamento permite ao direito reconhecido, via sentença
judicial, objeto do julgamento; é nesse sentido que me parece que foi o voto do Des. Leônidas
Duarte Monteiro e do Des. Teomar de Oliveira Correia, de forma que voto nesse sentido.
É como voto.

VOTO
O SR. DES. JOSÉ JURANDIR DE LIMA (10º VOGAL)
Senhor Presidente:
Ouvi atentamente os votos precedentes e não tenho dúvida em
dar provimento ao recurso e o faço com base nos votos do eminente Des. Carlos Alberto
Alves da Rocha e Des. Leônidas Duarte Monteiro, faço também com base no voto do Des.
Manoel Ornellas de Almeida proferido no Conselho da Magistratura, onde ele disse que
permitir agilização de processo no Tribunal para receber um crédito líquido e certo do
servidor seria inchar ainda mais o Poder Judiciário, essa técnica não é recomendável já que o
servidor tem o direito líquido e certo em receber o seu crédito, então que receba desde que
haja evidentemente previsão orçamentária.
Voto dando provimento ao recurso.
É como voto.
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VOTO
O SR. DES. JOSÉ TADEU CURY (13º VOGAL)
Senhor Presidente:
Gostaria de acrescentar que como decidido no Superior Tribunal
de Justiça e também em julgamento proferido na Primeira Câmara Cível do qual participei,
que o percentual de 11,98% não caracteriza reajuste de correção de remuneração, mas
somente correção do errôneo critério de conversão de remuneração.
De forma a assegurar o poder aquisitivo dos servidores públicos
nos termos da Medida Provisória 434 e 457/94 e da Lei n. 8880/94, mas como se trata
somente de correção de errôneo critério voto com a divergência para que o Tribunal possa,
administrativamente, dentro da sua possibilidade orçamentária, efetuar os pagamentos.
É como voto.

VOTO
O SR. DES. MARIANO ALONSO RIBEIRO TRAVASSOS
(14º VOGAL)
Egrégia Turma:
Improvejo o recurso como fundamentei em meu voto no
Conselho da Magistratura.

VOTO
O SR. DES. ORLANDO DE ALMEIDA PERRI (15º VOGAL)
Egrégio Plenário:
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Ouvi atentamente os debates, e a questão que se coloca é se


reconhecido judicialmente o direito dos servidores à reposição da diferença relativa à URV, se
esse direito deve entrar ou não na fila de precatórios.
Não me parece, à primeira vista, que se a administração pública
pode reconhecer, administrativamente, esse direito, direito esse reconhecido amplamente
pelos nossos tribunais de todo país e, se reconhecido esse direito administrativamente pode
ser pago, penso que não há razão para que o direito reconhecido judicialmente dos servidores
deva ir para a fila de precatórios.
A questão se o Tribunal de Justiça tem ou não disponibilidade
financeira indagada por alguns colegas aqui, respondo que sim. No relatório encaminhado ao
Tribunal de Contas pelo Poder Judiciário mato-grossense revela que no mês de agosto
tínhamos em caixa R$ 34.515.000,00(trinta e quatro milhões, quinhentos e quinze mil reais) é
provável até que esse valor que o Tribunal de Justiça dispõe em seu orçamento, talvez não
seja suficiente para pagar todos os direitos dos servidores, por esse motivo vou um pouco
além ao meu voto.
Penso que esta situação, hoje vivenciada neste Plenário, tem que
ser regulamentada como, aliás, fez o Superior Tribunal de Justiça ao disciplinar essa questão
num ato n. 32, de 19 de fevereiro de 2004, referida pelo Des. Carlos Alberto Alves da Rocha.
Nessa mesma esteira, também andou um Conselho Superior da
Justiça do Trabalho que em decisão também aqui referida pelo eminente Des. Carlos Alberto
Alves da Rocha disciplinou essa questão do pagamento do passivo dos seus servidores, sendo
assim penso que é chegado o momento de nós regulamentarmos essa grave questão para que
possamos resolver o passivo para com os nossos magistrados e servidores.
Para se ter uma idéia, temos hoje pronto para pagamento, em
termos de precatórios, o valor de R$ 18.400.000,00(dezoito milhões e quatrocentos mil reais)
poderiam estar sendo pagos aos créditos reconhecidos judicialmente aos nossos magistrados e
servidores.
É bem verdade que existem tanto outros que ainda estão em
formação dos precatórios, haja vista que ainda não foi expedido sequer ofício requisitório,
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penso que é momento de o Tribunal de Justiça começar a enfrentar as suas pendências


judiciais para com os magistrados e servidores.
De forma que o meu voto é acompanhando a divergência e
também no sentido de que este Tribunal de Justiça se debruce sobre a questão e apresente, no
menor espaço de tempo, uma resolução disciplinando o pagamento dos seus passivos tanto
para magistrados quanto para servidores.

Para finalizar, diria ainda que essa questão de precatório


também pudesse ser resolvida de forma muito simples, basta que a administração do Tribunal
de Justiça reconheça, administrativamente, por um simples ato administrativo esse direito dos
servidores que já foram reconhecidos no âmbito judicial e, basta então, uma vez reconhecido
administrativamente esse direito, a solução seguinte é que seja incluído em folha de
pagamento, aliás, encaminho meu voto no sentido de que se esse valor de R$
34.515.000,00(trinta e quatro milhões, quinhentos e quinze mil reais) não bastar para saldar
todos os débitos para com os nossos servidores, então que se dilua nos próximos meses, ou no
próximo ano as prestações restantes, mas incluindo em folha de pagamento, se possível, em
folha complementar.
É como voto.

VOTO
O SR. DES. JURANDIR FLORÊNCIO DE CASTILHO (16º
VOGAL)
Eminentes Pares.
Quando da decisão proferida nos autos de Reexame Necessário
de Sentença nº 97685/2008, do qual participei como revisor do voto do ilustre Dr. Marcelo
Barros, restou-se reconhecido o direito da incorporação aos subsídios dos servidores do Poder
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Judiciário de Mato Grosso, da chamada diferença salarial referente a URV equivalente a


11,98%.
Na oportunidade deste julgamento, ratificou-se a sentença
monocrática que ao julgar os pedidos do Sindicato recorrente procedentes, determinou a
incorporação da diferença da URV com efeitos retroativos ao termo inicial.
O eminente Des. Manoel de Almeida Ornellas, proferiu voto,
ainda em apreciação no Egrégio Conselho da Magistratura, adotando como medida de justiça,
a inclusão na folha de pagamento dos servidores, dos valores referentes ao retroativos da
diferença da URV, em consonância ao principio da igualdade primado na Constituição
Federal, tendo em vista que já houve pagamentos destas importâncias a alguns servidores
deste Sodalício. Salientou ainda, o nobre Desembargador, que a exigência do recebimento
através de precatório é uma discricionariedade do administrador.
Diante de tudo o quanto foi apresentado, hei por bem
acompanhar o posicionamento adotado pelo ilustre Desembargador Manoel Ornellas, tendo
em vista que o direito dos Servidores já foi exaustivamente reconhecido pelo plenário da 1ª
Câmara Cível, julgamento que inclusive já sofreu os efeitos do transito em julgado, portanto,
não pode recair sobre esses valores quaisquer outras discussões.
Isto posto, dou provimento ao recurso interposto pelo Sindicato
recorrente.
É como voto.

VOTO
O SR. DES. RUBENS DE OLIVEIRA SANTOS FILHO (17º
VOGAL)
Senhor Presidente:
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Confesso que, ao adentrar no Tribunal tinha entendimento


idêntico ao do Relator e fui surpreendido pelo muito bem elaborado voto do Des. Carlos
Alberto Alves da Rocha.
Entendo que essa questão deva ser mais bem apreciada porque
estamos decidindo, em uma última análise, se vai se respeitar a Constituição Federal em seu
art. 100 que tem que se expedir o precatório ou não; penso que a clareza do art. 32 do
Superior Tribunal de Justiça caminha no sentido de que seria dispensável, mas para a firmeza
da minha decisão peço paciência aos servidores e peço vista dos autos para analisar a matéria.

VOTO
O SR. DES. MANOEL ORNELLAS DE ALMEIDA (18º
VOGAL)
Senhor Presidente:
Pela primeira vez experimento a situação de julgar o recurso de
decisão que proferi, mas o Regimento Interno autoriza, logo não posso fugir do raciocínio
porque entendo que precatório segundo entendeu o Des. Paulo da Cunha era uma medida
utilizada para receber direito líquido e certo, agora se a administração pública não quer pagar,
demora pagar, mas que reconhece o crédito, daí surge o precatório, ação ordinária e ação de
execução para os sindicalizados e para os não sindicalizados. Entendi que também seria
desnecessário, sendo assim votei apenas e tão-somente para que o Tribunal reconhecesse o
crédito e pagasse à medida que o Presidente tivesse condições pouco importa o valor que se
tem, o que interessa é que a administração reconheça o crédito porque adveio de uma sentença
depois de muitos anos transitado em julgado, e que pague de acordo com aquela
administração, meu voto foi nesse sentido.
Talvez se ele não chegou a complementar assim, complemento
agora encaminhando meu voto no sentido de que o Tribunal reconheça tanto aos
sindicalizados como aos não sindicalizados conforme fez a gestão anterior o reajuste da URV,
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porque a vida me ensina que em outras oportunidades e em outros órgãos da administração


pública do Brasil ocorreu. Assim como eu e outros colegas desembargadores também foram
convocados, à época do Des. A. Bitar Filho no TRE, para receber diferença de URV de
quando era juiz e quando eles não me pagaram.
De forma que achei que a situação seria idêntica a URV para
corrigir uma diferença que é erro da administração pública, vamos reconhecer pelo menos o
crédito, posso entrar e pedir o precatório se for o caso, mas não dizer que a administração está
se negando a pagar porque o crédito não existe, esse foi o meu voto e é assim que voto
acompanhando a bem lançadas razões do Des. Carlos Alberto Alves da Rocha.
É como voto.

VOTO
O SR. DES. DONATO FORTUNATO OJEDA (19º VOGAL)
Senhor Presidente:
Também me alinho com o pensamento esposado pelo eminente
Des. Carlos Alberto Alves da Rocha porque se o Tribunal deixou de pagar um direito
reconhecidamente líquido e certo dos funcionários, não há como não corrigirmos esse erro no
sentido de mandar que se paguem todos esses direitos atrasados que vem desde a década de
1994 em que foi instituído o instituto da URV, de forma que não tenho dúvida nenhuma em,
adotando os que me precederam acompanhar o voto proferido pelo ilustre 3º Vogal em seu
brilhante voto.
É como voto.

VOTO
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O SR. DES. JOSÉ SILVÉRIO GOMES (21º VOGAL)


Senhor Presidente:
Peço vênia ao eminente Des. Rubens de Oliveira Santos Filho
que pediu vista dos autos, mas desde já, acompanho a divergência.

VOTO
O SR. DES. JOSÉ LUIZ DE CARVALHO (22º VOGAL)
Senhor Presidente:
Peço vênia ao Des. Rubens de Oliveira Santos Filho, mas desde
já, acompanho o 3º Vogal, Des. Carlos Alberto Alves da Rocha.

VOTO
O SR. DES. JURACY PERSIANI (23º VOGAL)
Com a devida vênia, acompanho a divergência.

VOTO
O SR. DES. MÁRCIO VIDAL (25º VOGAL)
Senhor Presidente:
Vou pedir vênia duplamente ao Relator e ao eminente colega
Des. Rubens de Oliveira Santos Filho que pediu vista para acompanhar, desde já, a
divergência.

VOTO
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O SR. DES. RUI RAMOS RIBEIRO (26º VOGAL)


Acompanho a divergência.

VOTO
A SRA. DRA. GRACIEMA RIBEIRO DE CARAVELLAS (27ª
VOGAL)
Senhor Presidente:
Pedindo vênia ao douto Relator e ao Des. Rubens de Oliveira
Santos Filho, acompanho a divergência.

VOTO
O SR. DR. CARLOS ROBERTO CORREIA PINHEIRO (28º
VOGAL)
Senhor Presidente:
Pedindo vênia ao douto Relator e ao eminente Des. Rubens de
Oliveira Santos Filho que pediu vista dos autos, desde já acompanho a divergência fazendo
minhas as palavras proferidas pelo Des. Manoel Ornellas de Almeida que alguns de vocês já
foram ordenadores de despesa do TRE e sabem que há um certo tempo já foi determinado o
pagamento da URV, de forma que acompanho o Des. Carlos Alberto Alves da Rocha com os
acréscimos proferidos pelo Des. Orlando de Almeida Perri e sugerindo que se houver a
disponibilidade financeira haveria necessidade da suplementação orçamentária.
É como voto.

V O T O (RETIFICAÇÃO)
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A SRA. DESA. MARIA HELENA GARGAGLIONE PÓVOAS


(1ª VOGAL)
Senhor Presidente:
Gostaria de rever meu voto, uma vez que estou absolutamente
convencida que razão assiste a divergência aberta ao Des. Carlos Alberto Alves da Rocha,
portanto, peço vênia ao eminente Relator e ao Des. Rubens de Oliveira Santos Filho e, desde
já, o acompanho.

EM 15 DE OUTUBRO DE 2009
ADIADA A CONCLUSÃO DO JULGAMENTO EM FACE
DO PEDIDO DE VISTA DO 17º VOGAL – DES. RUBENS DE OLIVEIRA SANTOS
FILHO. O RELATOR NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO SENDO
ACOMPANHADO PELOS 2º E 14º VOGAIS. O 3º VOGAL DEU PROVIMENTO SENDO
ACOMPANHADO PELOS 1º, 4º, 5º, 6º, 7º, 8º, 9º, 10º, 13º, 15º, 16º, 18º, 19º, 21º, 22º, 23º,
25º, 26º, 27º E 28º VOGAIS.
AUSENTES JUSTIFICADAMENTE OS 11º, 12º 20º E 24º
VOGAIS.
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EM 19-11-2009

AUSENTES, JUSTIFICADAMENTE, OS EXMOS. SRS.


DESA. MARIA HELENA GARGAGLIONE PÓVOAS (1ª VOGAL), DES. LEÔNIDAS
DUARTE MONTEIRO (8º VOGAL), DES. A BITAR FILHO (12º VOGAL), DES. JOSÉ
SILVÉRIO GOMES (21º VOGAL), DRA. GRACIEMA RIBEIRO DE CARAVELLAS (27ª
VOGAL) E DR. CARLOS ROBERTO CORREIA PINHEIRO (28º VOGAL)
AUSENTES, TEMPORARIAMENTE, OS EXMOS. SRS.
DES. DONATO FORTUNATO OJEDA (19º VOGAL), DES. JOSÉ LUIZ DE CARVALHO
(22º VOGAL) E DES. EVANDRO STÁBILE (24º VOGAL)

M A N I F E S T A Ç Ã O (ORAL)
O SR. DES. PAULO DA CUNHA (20º VOGAL)
Senhor Presidente:
Não me sinto habilitado a proferir meu voto, uma vez que não
participei da sessão anterior.

V O T O (VISTA)
O SR. DES. RUBENS DE OLIVEIRA SANTOS FILHO (17º
VOGAL)
Senhor Presidente:

A inegável relevância do tema justificou o meu pedido de vista, sendo


que, antes de entrar no mérito da controvérsia, faz-se mister uma digressão dos fatos ocorridos
no processo.
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A Medida Provisória n. 434, de 27.02.94, criou o Programa de


Estabilização Econômica, instituindo a Unidade de Valor – URV, dispondo que “os valores
das tabelas de vencimentos, soldos e salários e das tabelas de funções de confiança e
gratificadas dos servidores civis e militares seriam convertidos em URV na data de 1/3/94,
dividindo-se o valor nominal, vigente em cada um dos quatro meses imediatamente
anteriores à conversão, pelo valor em cruzeiros reais, do equivalente em URV do último mês
de competência, de acordo com o Anexo I desta Medida Provisória”.

Com a edição da Lei n. 8.880, de 27 de abril de 1994, conforme já


consignou o STF na ADI 1.797-0/PE, “a lei de conversão não reproduziu o novo texto do
referido dispositivo, mas o primitivo da Medida Provisória n. 434, autorizando, portanto, o
entendimento de que, no cálculo de conversão dos vencimentos em referência, haverá de ser
tomada por divisor a URV do dia do efetivo pagamento.”

A remuneração dos servidores do Poder Judiciário mato-grossense foi


convertida no ultimo dia do mês de abril de 1994, e não na data do efetivo pagamento (dia
20), gerando, portanto, a diferença de 10 dias a ser recebida, correspondente a 11,98%.

A ação foi ajuizada pelo recorrente apenas em 06 de março de 2003


(fls. 05-v), sendo a sentença de procedência ratificada e o apelo improvido pela Primeira
Câmara Cível em 15.12.2008.

Decisão transitada em julgado em 22.1.2009, após a renúncia de ambas


as partes ao prazo recursal (fls. 42).

Em 15 de janeiro de 2009 o recorrente protocolou Pedido de


Providências, objetivando que “o Departamento de Pagamento de Pessoal do TJ/MT
promova os estudos necessários visão ao pagamento do passivo, retroativo a 05 anos da
data da distribuição da ação (6.3.2006), devendo incidir correção monetária pelo INPC a
partir do termo inicial e juros de mora de 6% ao ano a partir da citação ocorrida em
20.3.2006, nos termos do art. 219 do CPC e 415 do CC, com os devidos reflexos, bem como
seja estabelecido um cronograma de pagamento do crédito.” (fls. 03).
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Em 19 de janeiro de 2009, o então Presidente Des. Paulo Inácio dias


Lessa autorizou que a Coordenadoria de Recursos Humanos – Departamento de Pagamento
de Pessoal cumprisse, imediatamente e na íntegra, a sentença singular, indeferindo o pedido
de estabelecimento de cronograma dos créditos pretéritos, a serem pagos de acordo com a
disponibilidade financeira e orçamentária da Administração (fls. 76/77).

Redistribuído ao Conselho da Magistratura (nova gestão), o novel


Presidente Des. Mariano Alonso Ribeiro Travassos, em 13 de abril de 2009, ratifica a decisão
anterior no que concerne ao pagamento a partir de 19.1.2009, para os servidores
sindicalizados e não sindicalizados, revogando-a parcialmente no que concerne aos valores
pretéritos, “os quais necessariamente devem passar pelo competente processo de execução
em desfavor da Fazenda Pública, no caso dos sindicalizados abrangidos pela sentença, ou
ação de cobrança, no caso dos não sindicalizados.” (sic fls. 87).

Fundamentou que “o pagamento dos valores pretéritos devidos aos


servidores por força da decisão judicial mencionada, em virtude do sério impacto financeiro
e orçamentário que implicará ao Tribunal, além de vulnerar dispositivo constitucional de
legal, há que passar, necessariamente, pela execução prevista no art. 730 do CPC e,
posteriormente, submeter-se ao disposto no art. 100, caput e § 1º-A, da Constituição federal
de 1988, sob pena de inviabilizar a adequada execução dos cronogramas de trabalho
estabelecidos com base no orçamento vigente” (sic fls. 80).

Como 2º vogal, o Vice-Presidente Des. Paulo da Cunha, em 16 de


abril de 2009, votou pela anulação parcial da decisão do Presidente antecessor,
fundamentando que o pagamento administrativo dos créditos pretéritos vulnera o sistema
constitucional que rege as execuções patrimoniais por quantia certa contra a Fazenda Pública
e que a impossibilidade financeira da atual gestão justifica os argumentos lançados pelo
Desembargador Presidente.

Consignou que, uma vez que o pagamento atual está sendo


materializado pelo acordo firmado com o Executivo, que garantiu o repasse de
R$35.000.000,00 (trinta e cinco milhões de reais) a mais para os exercícios de 2008/2009
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(documento de fls. 18/22), é “irreal, e até leviano, que a Administração deste Sodalício se
comprometa com os servidores a, administrativa e voluntariamente, satisfazer seus créditos
pretéritos relativos às diferenças do percentual de 11,98%. Pois não há previsão
orçamentária para tanto.” (sic fls. 92).

Enfatizou a adoção de uma postura isonômica pela Administração, de


modo que nenhum servidor tenha satisfeito seu crédito pela via administrativa e assinalou a
necessidade de se proceder ao levantamento daqueles que já tinham sido contemplados com o
pagamento além da idoneidade das respectivas liquidações (fls. 89/97).

O Corregedor-Geral da Justiça, Des. Manoel Ornellas de Almeida, em


30 de abril de 2009, votou pelo pagamento administrativo dos créditos (fls. 99/101),
alicerçado no argumento de que “o precatório é questão de preferência, aliás, até mesmo a
propositura das ações de execução ou ordinária, pois, se prevalecer a recomendação, é
evidente que o administrador público além de confessar uma conduta inclinada para o
calote, estará alimentando a propositura de inúmeras ações que torna a administração
pública uma verdadeira campeã dos processos que abarrotam o Poder Judiciário
brasileiro.”

Recurso Administrativo interposto em 19.6.2009, o processo foi


submetido a julgamento por este Colegiado em 15 de outubro passado, ocasião em que o
Relator, Des. Guiomar Teodoro Borges, negou–lhe provimento, a fim de determinar o
pagamento dos créditos mediante precatório, no que foi inicialmente acompanhado pela Desa.
Maria Helena Gargaglione Póvoas e Des. Juvenal Pereira da Silva.

O voto divergente, do Des. Carlos Alberto Alves da Rocha, concluiu


pela desnecessidade da observância do disposto no art. 100 da CF, já que, por opção do
recorrente não há instância de execução instaurada, no que foi acompanhado pelos
Desembargadores Luiz Ferreira da Silva, Clarice Claudino da Silva, Teomar de Oliveira
Correia, Alberto Ferreira de Souza, Leônidas Duarte Monteiro, José Ferreira Leite, José
Jurandir de Lima, José Tadeu Cury, Manoel Ornellas de Almeida, Donato Fortunato Ojeda,
José Silvério Gomes, José Luiz de Carvalho, Juracy Persiani, Márcio Vidal, Rui Ramos
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Ribeiro, Graciema Ribeiro de Caravellas e Carlos Roberto Correia Pinheiro, tendo a Des.
Maria Helena Gargaglione Povoas, posteriormente, retificado seu voto.

Ressalvou-se, ao final, que o pagamento estaria sujeito à


disponibilidade financeira do órgão, o que também foi afirmado por alguns dos julgadores,
tendo sido enfatizado em um dos votos a necessidade do reconhecimento administrativo
para tanto.

A questão discutida limita-se a verificar a possibilidade de pagamento


administrativo de verba reconhecida judicialmente, em relação a qual não tenha sido expedido
precatório.

O art. 100 da Carta Magna estabelece que “à exceção do créditos de


natureza alimentícia, os pagamentos devidos pela Fazenda Federal, Estadual ou Municipal,
em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de
apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de
casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este
fim.”

O termo precatório deriva da palavra precata, que significa requisitar


algo de alguém, sendo que, para Pontes de Miranda, constitui ato processual mandamental.

De Plácido e Silva leciona que por precatórios “entendem-se as cartas


expedidas pelos juízes da execução aos Presidentes dos Tribunais de Justiça, a fim de que,
por seu intermédio, se autorizem e se expeçam as respectivas ordens de pagamento às
repartições pagadoras.” (in Do Precatório Requisitório na Execução contra a Fazenda
Pública, 3ª ed., Forense, 2001).

Como se sabe, o pagamento dos instrumentos deve obedecer a uma


ordem cronológica de apresentação, que confere ao titular o direito ao não preterimento, de
modo que o descumprimento dessa sequência gera ao credor, inclusive, o direito de seqüestro
das rendas públicas.
RECURSO PARA O TRIBUNAL PLENO CONTRA DECISÃO DO EGRÉGIO
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A teleologia da regra constitucional deve ser analisada sob duas óticas.

Reflete desdobramento do princípio da igualdade, já que visa a conferir


tratamento isonômico aos credores do Estado (a propósito: ADIN 584/PR), a ser observada,
inclusive, no que se refere à quitação dos débitos de natureza alimentícia, que deve também
responder a uma ordem sucessória, ainda que distinta (art. 100, § 1º-A, da CF).

Ademais, como corolário dos princípios da unidade e da


anterioridade que regem o direito financeiro e orçamentário, visa a concretizar o
planejamento estatal, na medida em que o objetivo do orçamento é a previsibilidade das
despesas públicas para o consequente direcionamento das receitas que as suportarão.

Eventual desobediência ao mencionado art. 100 da CF tem o condão de


ensejar a inconstitucionalidade do ato ou procedimento, o que – ressalte-se - não ocorreu no
caso.

Inicialmente e a fim de acalmar os ânimos, há que se observar que


eventual sobra financeira não deve ser devolvida ao Poder Executivo, na medida em que o
repasse foi efetivado ao Poder Judiciário, cuja autonomia financeira é garantida
constitucionalmente nos termos do art. 99, caput, da Carta Magna.

Como se sabe, o Poder Judiciário encaminha sua proposta orçamentária


conjuntamente com os demais Poderes dentro dos parâmetros estabelecidos na Lei de
Diretrizes Orçamentárias, e respeitadas as limitações constitucionais e infraconstitucionais, o
gestor público pode atuar amparado na sua autonomia administrativa institucional.

De se concluir, então, que se a liquidação administrativa for


materializada com receita proveniente do orçamento do próprio Poder Judiciário com
destinação diversa da dotação específica para o pagamento de precatório, não há se falar em
preterição na ordem de pagamento.
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No caso, a irresignação recursal limita-se aos créditos pretéritos, que


possuem natureza remuneratória e devem ser tratados como despesas de “exercícios
anteriores”, haja vista que seu fato gerador é antecedente a este exercício.

O tema está regulamentado no art. 37 da Lei n. 4.320/64, que é o


embasamento legal para a edição do já mencionado Ato n. 32/2004, do Superior Tribunal de
Justiça.

Dispõe referido dispositivo:

“Art. 37. As despesas de exercícios encerrados, para as quais o


orçamento respectivo consignava crédito próprio com saldo suficiente para
atendê-las, que não se tenham processado na época própria, bem como os restos
a pagar com prescrição interrompida e os compromissos reconhecidos após o
encerramento do exercício correspondente poderão ser pagos à conta de dotação
específica consignada no orçamento, discriminada por elementos, obedecida,
sempre que possível, a ordem cronológica.” (grifei).

A norma é regulada pelo Decreto n. 62.115/68, nos seguintes termos:

“A. 1º. Poderão ser pagas por dotações para ‘despesas anteriores’,
constantes dos quadros discriminativos de despesas das unidades orçamentárias,
as dívidas de exercícios encerrados devidamente reconhecidas pela autoridade
competente.

Parágrafo único. As dívidas de que trata este artigo compreendem as


seguintes categorias:

(...)

III – compromissos reconhecidos pela autoridade competente,


ainda que não tenha sido prevista dotação orçamentária própria ou não tenha
esta deixado saldo no exercício respectivo, mas que pudessem ser atendidos em
face da legislação vigente”. (destaquei).
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De acordo com a regra legal, a despesa requer dotação orçamentária


específica e a sua liquidação pode ser alcançada com eventual suplementação, caso
necessário, o que deverá ser buscado pela atual e futuras gestões deste Poder.

Ademais, à luz da legislação tratadora do tema, os créditos podem ser


efetivados com a receita derivada da rubrica ‘despesas anteriores’ – especificamente existente
no orçamento a fim de atender ao princípio da cautela que rege a contabilidade pública – e
também com eventual sobra orçamentária, desde que não haja impedimento para que
seja aplicada com despesas de pessoal.

De se notar que o art. 6º do mencionado Ato n. 32/2004, do Superior


Tribunal de Justiça, que, a título sugestivo, pode ser utilizado como parâmetro para o início da
regulamentação do tema nesta esfera, subsume-se à situação ora vivenciada por este Poder.
Confira-se:

“Art. 6º O pagamento obedecerá à ordem cronológica de concessão


do direito.

§ 1º Diante da inexistência de disponibilidade orçamentária para o


pagamento integral da despesa, providenciar-se-á a suplementação
necessária.

§ 2º Impossibilitada a suplementação mencionada no parágrafo


anterior, o ordenador de despesa autorizará a liquidação até o
montante disponível, ficando o saldo remanescente sujeito à liquidação
no exercício seguinte, sempre se observando a cronologia.

§ 3º As despesas que afetem um grande número de interessados ou as


reconhecidas como prioritárias pelo Ministro Presidente ou pelo
Conselho de Administração podem ser pagas independentemente da
ordem cronológica, devendo, em todos os casos, estar demonstrada,
nos autos, por meio de justificativa ou juntada de documentos, a
situação de exceção.” (destaquei).
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Em conclusão, reconhecido o direito dos representados, sem notícia de


Embargos ou Rescisória e, na hipótese da existência de saldo financeiro e orçamentário,
consoante os termos explanados, não há impedimento para que a liquidação seja procedida na
via administrativa.

Por todo o exposto, peço vênia ao nobre Relator e dou provimento ao


Recurso, para que o pagamento administrativo dos créditos pretéritos se dê
independentemente da expedição de precatório, estendendo-o aos não sindicalizados,
mediante cálculo individualizado e de acordo com a disponibilidade financeira deste Tribunal,
destacando a necessidade da urgente regulamentação da matéria para que, em consonância
com o princípio constitucional da isonomia, seja dispensado tratamento igualitário aos
servidores deste Poder.

É como voto.

V O T O (RETIFICAÇÃO)
O SR. DES. JUVENAL PEREIRA DA SILVA (2º VOGAL)
Colendo Tribunal, Eminentes Pares:
Quero consignar, preambularmente, que no período que
compreendeu a última sessão do julgamento desta matéria até a presente data busquei meditar
e estudar a questão com mais vagar e profundidade, tendo em vista tratar-se de direitos que
pertinem aos Servidores do nosso Poder Judiciário.

Claro que qualquer matéria, relativa a direito de qualquer


cidadão, há de ser minuciosamente enfrentada com toda solidez jurídica, buscando-se o mais
lídimo direito. No entanto, não podemos fechar os olhos para um fato de todos nós conhecido:
os servidores do Judiciário Mato-grossense estão no aguardo desta decisão, tendo em vista
que se trata de assunto relacionado a seus proventos, que já por algum período vem sofrendo
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uma série de reduções em face de interpretações administrativas divergentes. Como nada


podemos fazer acerca desses impasses, penso que é obrigação do Plenário ao menos tentar
salvaguardar ao quadro de nossos servidores um direito sobre o qual não recai qualquer
discussão, qual seja, o pagamento da verba denominada URV.

Na última sessão plenária votei acompanhando o relator, que


posicionou-se no sentido de reconhecer o direito, por óbvio, visto que este Plenário já o fizera
anteriormente, mas afirmando que a forma de pagamento deveria dar-se via precatório.

Como na oportunidade invocou-se dispositivo constitucional,


em primeiras linhas pareceu-me essa a decisão mais acertada. No entanto, solicitei ao setor
competente o inteiro teor do acórdão e pude fazer um estudo mais profundo, averiguando
ambas as teses nele divergentes. E foi essa análise mais acurada, mais cuidadosa, mais sólida
que me fez mudar de posicionamento, motivo pelo qual peço escusas ao eminente Relator e
aos que o acompanharam para destacar os motivos que me levaram a rever o meu voto.

O douto Relator, invocando o art. 100 da CF, citou que os


pagamentos deveriam ser feitos exclusivamente via precatórios, entendendo que pagar os
créditos pendentes administrativamente não seria possível.

Todavia, o não menos eminente Des. Carlos Alberto Alves da


Rocha, em brilhante voto, enfrentou a matéria desde a gênese da forma de pagamento para
satisfação de credores, ressaltando que, no caso em apreço, o credor – leia-se: servidores do
Judiciário Mato-grossense- prefere que o direito reconhecido na sentença seja ressarcido de
acordo com a disponibilidade financeira do Poder Judiciário, ao invés de receber via
precatórios.

Havendo tal escolha, remanesce apenas saber se ao


administrador é possível atender tal pedido. E, pelo que pude perceber da discussão, claro
ficou que sim. Obtemperou o ilustrado Des. Carlos Alberto que seria mesmo conveniente que
o Tribunal pague a dívida administrativamente, a exemplo do que já vêm fazendo outros
órgãos do Poder Judiciário Nacional, dentre eles até mesmo os Tribunais Superiores.
Destacou ser a matéria tão singela e cristalinamente pacífica, que o Superior Tribunal de
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Justiça editou o ATO n. 32, de 19 de fevereiro de 2004, disciplinando como se daria o


pagamento de despesas de exercícios anteriores relativas a pessoal. Dessa forma deixou
indene de dúvidas que é absolutamente possível que o próprio órgão devedor pague seus
créditos pendentes de forma administrativa, prescindindo de qualquer execução judicial.

Destaco alguns termos de citado Ato que demonstram a


legalidade do pagamento administrativo, por exemplo, regula-se naquele ordenamento “as
vantagens pecuniárias reconhecidas administrativamente, de ofício, ou a pedido do
servidor (...)” (art. 1°, Inciso II). E o art. 3º do mesmo Ato disciplina que “o pagamento das
despesas referidas no inciso II, (isto é, as vantagens pecuniárias reconhecidas
administrativamente) será precedido de processo administrativo.”

O ponto fulcral é o seguinte, reconhecendo-se


administrativamente o direito, o pagamento também administrativo é absolutamente legal.

Penso ser desnecessário repetir toda a jurisprudência já trazida


ao Plenário nesse sentido, e não tenho dúvida alguma em afirmar que, agir de forma diversa
seria apenas postergar a concretização de um direito que este próprio Tribunal, por motivos
alheios a este Colegiado, há anos vem sonegando aos servidores.

Se até mesmo o Superior Tribunal de Justiça paga


administrativamente seus servidores, por que não poderia fazê-lo o Tribunal de Justiça do
Estado de Mato Grosso, obrigando seus servidores a executar sentença, sendo que basta
reconhecer administrativamente o direito e pagá-lo?

Então surge outra questão: Há dúvidas em que se deva


reconhecer administrativamente o direito ao recebimento da verba denominada URV, sendo
público e notório que os servidores públicos do Brasil inteiro já a recebeu? Penso que não.
Todos sabem que esse direito é legítimo. Então, pode ser reconhecido administrativamente.

Ora, basta fazermos um retrospecto em todo o histórico do


nosso próprio Tribunal para averiguarmos que, ao longo dos anos, sempre se reconheceu
direitos em sede administrativa, que foram pagos à medida que a possibilidade orçamentária e
financeira foi permitindo. Não há porque agir de forma diversa agora.
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É mister lembrarmos ainda que essa não é uma conduta


administrativa isolada do nosso Tribunal. Tanto é verdade que, quando exerci a função de
juiz Eleitoral como Membro do TER, em certa oportunidade fui contatado pelo setor
competente daquele Tribunal, sendo questionado qual era o número do meu CPF, haja vista
que seria feito um depósito em meu nome, relativo ao pagamento da diferença da URV. Dessa
forma, sem provocação alguma de minha parte, recebi a quantia a que fazia jus, pois o
Tribunal Regional Eleitoral, spont própria, procedeu à quitação da referida diferença. Esse
fato, inclusive, foi muito bem ressaltado pelo eminente Des. Manoel Ornellas de Almeida na
última sessão que tratou deste julgamento, quando lembrou que ele e todos os outros
membros daquele Sodalício também receberam a URV sem necessitarem de entrar com
qualquer espécie de pedido.

Com essas considerações, meditando em todos os aspectos


relacionados à matéria, revejo o meu posicionamento e acompanho na íntegra o voto do 3º
Vogal.

É como voto.

VOTO
O SR. DES. PAULO INÁCIO DIAS LESSA (11º VOGAL)
Senhor Presidente:
Embora estivesse ausente na sessão anterior, me sinto habilitado
a proferir meu voto e o faço acompanhando o eminente 3º Vogal, Des. Carlos Alberto Alves
da Rocha.

Jucineide Lara
Redatora de Debates