UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS

UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE IPORÁ
LICENCIATURA EM GEOGRAFIA

BRUNA PAULA SOUSA AMORIM

A AULA E A SALA DE AULA DE GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA EM PIRANHAS-GO

IPORÁ
2013

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE IPORÁ
LICENCIATURA EM GEOGRAFIA

BRUNA PAULA SOUSA AMORIM

A AULA E A SALA DE AULA DE GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA EM PIRANHAS-GO

Trabalho de Conclusão apresentado à
Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Iporá, como exigência parcial para a conclusão do curso de
graduação em Geografia, modalidade
Licenciatura.
Orientador: Prof. Adjair Maranhão de
Sousa

IPORÁ
2013

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
_______________________________________________________________________________
A524a

Amorim, Bruna Paula Sousa
A aula e a sala de aula de geografia na educação básica em
Piranhas – GO / Bruna Paula Sousa Amorim. - 2013.
39 f.: il.
Monografia (Licenciatura em Geografia) – Universidade Estadual
de Goiás, Unidade Universitária de Iporá. Iporá, 2013.
Orientador: Prof. Adjair Maranhão de Sousa.
1. Geografia. 2. Geografia – Estudo e

ensino. 3. Prática pedagógica
I. Título.
CDU: 911
_______________________________________________________________________________

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE IPORÁ
BRUNA PAULA SOUSA AMORIM

A AULA E A SALA DE AULA DE GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA EM PIRANHAS-GO

____________________________________________________________________
Prof. Adjair Maranhão de Sousa

____________________________________________________________________
Prof. Divino José Lemes de Oliveira

____________________________________________________________________
Prof. Josilene Goulart Pereira

Data: _____/_____/_________
Resultado: ________________

AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus, pois só por meio dele tudo se torna possível, sempre iluminando meu caminho.
Ao meu professor orientador Adjair Maranhão, que com toda paciência sempre
me explicou as coisas da forma mais simples possível, me tranquilizando em todos os momentos.
Aos meus pais João Batista de Sousa e Lucimar Francisca Amorim Sousa pelo
apoio em todas as minhas decisões.
Ao meu noivo Rhomaryo Lopes, por toda a compreensão em todos os momentos e
por toda força dedicada a mim.
As minhas amigas Elizangela e Danilla, que tanto me ajudaram e me suportaram
durante esses anos de faculdade.
A todos os meus professores, todo o meu reconhecimento por tudo que fizeram
por mim.

Obrigada!

RESUMO
A geografia percorreu longos caminhos desde o seu surgimento como ciência, seu estabelecimento como disciplina, e sua chegada efetiva a sala de aula. Um dos objetivos deste trabalho
é compreender toda a trajetória da geografia enquanto ciência e também sua história enquanto
disciplina, para desta forma chegarmos ao ensino de geografia atualmente. Percebe-se claramente as mudanças e evoluções ocorridas tanto no meio econômico, social, político e educacional. No que se referem à educação essas mudanças são refletidas na sala de aula, na forma
como o professor ministra suas aulas, na relação professor aluno e também no modo como os
alunos absorvem esse ensino. Devido à percepção através da fala dos alunos em não gostar da
disciplina de geografia, de acharem a mesma sem importância para a sua vida cotidiana, surgiu à necessidade de se verificar como está à prática pedagógica do professor de geografia no
ensino médio do Colégio Estadual Maria Eulália de Jesus Portilho em Piranhas-GO, visto que
analisar a prática pedagógica se torna de fundamental importância, pois o sucesso da aprendizagem dos alunos está muito atrelado à forma e recursos utilizados pelo professor em sala de
aula, e também verificar como os alunos compreendem a geografia, para a realização deste
trabalho foi entrevistados cento e oitenta alunos e também três professores de geografia, para
que dessa forma possamos perceber se o ensino está atendendo as exigências atuais, que é a
de tornar o jovem aluno em um cidadão crítico reflexivo.
Palavras-chave: ensino, aula, prática pedagógica.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.........................................................................................................................8
1. A TRAJETÓRIA DA GEOGRAFIA ATÉ A SALA DE AULA....................................10
2. O ENSINO DA GEOGRAFIA NO BRASIL....................................................................17
3. A AULA DE GEOGRAFIA DO ENSINO MÉDIO EM PIRANHAS (GO)..................24
3.1ENTREVISTAS COM OS PROFESSORES...............................................................................25
3.2ENTREVISTAS COM OS ALUNOS........................................................................................29
CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................36
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................38

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INTRODUÇÃO
A geografia surgiu com as primeiras civilizações, a partir do momento em que as
mesmas começaram a se locomover de um lugar para outro sobre a superfície terrestre. Longa
foi à trajetória da geografia, passando por várias fases, sendo debatida por estudiosos de diversas áreas. Foi demorado para que a geografia reunisse todos os conhecimentos para ter sua
própria área de estudo. Porém a geografia foi se modernizando, se constituiu como ciência e
se tornou disciplina estudada nas escolas e universidades.
A geografia ensinada na escola até então era de cunho descritivo, e visava à memorização por parte dos alunos, e o enaltecimento da pátria, pois o intuito era despertar o sentimento patriótico. Muito tempo se passou e ainda permanece arraigado em muitos professores, não uma geografia patriótica, mas uma geografia descritiva, de memorização.
Esta pesquisa é fruto, portanto da percepção obtida através da fala dos alunos em
não gostar das aulas de geografia, de acharem uma disciplina totalmente sem importância para
sua vida cotidiana. Analisar a prática pedagógica do professor se torna fundamental, pois o
sucesso de aprendizagem do aluno depende também da metodologia que o mesmo utiliza em
sala de aula.
Dessa forma acreditamos que esse trabalho irá ajudar tanto profissionais, quanto
estudantes, em busca de melhorias para o ambiente da sala de aula.
Este trabalho tem, portanto como objetivo, conhecer a trajetória da geografia, enquanto ciência, e também da geografia enquanto disciplina, para desta forma chegarmos ao
ensino da geografia atualmente e verificar como está a prática pedagógica do professor de
geografia, se ela atende as exigências atuais, visto que a geografia tem como função tornar os
alunos formadores de opinião, e, como o aluno da atualidade vê essa disciplina.
Em busca de atender os objetivos deste trabalho optamos por pesquisas bibliográficas em livros, artigos, de forma a compreender toda a trajetória da geografia até chegar à

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sala de aula. Pautando também por pesquisa qualitativa para melhor obtenção de informações,
com observação direta das aulas, entrevistas na forma de questionários, visando assim adquirir subsídios suficientes para os objetivos ora relatados.
O presente trabalho será dividido em três capítulos. No primeiro capítulo é abordada a trajetória da geografia, seu surgimento, sua sistematização, as fases pelas quais passou,
sua instituição como ciência e também um breve relato de como se tornou disciplina escolar,
visto que adentraremos nesta questão no capítulo seguinte.
O segundo capítulo irá discutir sobre a história da disciplina de geografia no Brasil, todos os entraves, todas as reformas e mudanças, sua união à história e também sua separação, para que desta forma se entenda, como a geografia era ensinada, e assim compreender
o porquê de ainda ser enraizada a métodos tão tradicionais de ensino.
O terceiro capítulo abordará o ensino de geografia atualmente, e para isso a pesquisa se dará no Colégio Estadual Maria Eulália de Jesus Portilho, com os alunos e professores do ensino médio, em todas as séries, e em todos os períodos de aula, qual seja matutino,
vespertino e noturno e para atender aos objetivos verificaremos qual a formação do profissional que está à frente das salas de aula? Como o mesmo busca uma formação continuada? Ou
se busca essa formação? Quais metodologias são utilizadas para tornar as aulas mais atrativas? Já que o aluno diariamente tem acesso a informações por todos os lados, quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos professores frente à sala de aula? Como os alunos concebem a geografia? O que pensam sobre a mesma enfim abordará como é hoje a aula e a sala de
aula, de geografia.

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1. A TRAJÉTORIA DA GEOGRAFIA ATÉ A SALA DE AULA

O processo histórico da geografia se inicia quando o homem começa a se deslocar
de um lugar para outro sobre a superfície terrestre. Segundo Sodré (1989) independente dos
motivos dos deslocamentos, se era por necessidade ou aventura, fizeram com que esses conhecimentos adquiridos fossem ampliados e transmitidos. Eram de caráter descritivo, através
de coletas de dados, neste período não se tinha conhecimento que esses dados eram ‘geografia’ porém foram de grande valia para a formação da mesma enquanto Ciência.
Esses conhecimentos sobre a superfície terrestre foram registrados pelos gregos,
que inclusive deram o nome de geografia a essa Ciência, descreviam o espaço e procuravam a
melhor forma de explorá-lo. Acreditava-se nesta época que a geografia servia somente para
coletar dados, totalmente empírica por isso então é que era tida como descritiva. Conforme
Sodré (1989), antigamente não se compreendia que dados coletados são conhecimento de
forma bruta havendo então a necessidade de ser lapidado, portando não sendo ciência, só elementos que a compõem.
A contribuição dos gregos, na antiguidade clássica, é considerada a mais relevante e
significativa. Os principais destaques foram: a medição do espaço e a discussão da
forma da Terra, o estudo da física da superfície terrestre e a descrição dos aspectos
físico-espaciais. (COSTA & ROCHA, 2010, p. 27).

Os gregos utilizavam os conhecimentos geográficos de forma estratégica, pois
comercializavam com outros países, e por estarem localizados entre o Mar Negro e o Mar
Mediterrâneo tinham assim variados contatos. Com sua localização privilegiada procuravam
dominar economicamente novos espaços e assim expandir seu território. O comércio contribuía para que eles obtivessem muitos contatos, e por meio deles que conhecem muitas culturas diferentes. Devido à comercialização viajavam bastante, e através delas, faziam muitas
observações, passando então para a coleta de dados e a teorização, porém esses estudos reali-

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zados por eles eram descritivos e informativos não muito sistematizados, é o que diz Sodré
(1989).
Segundo Cavalcanti & Viadana (2010), Heródoto, Hipocrates, Erastóstenes, Hiparco, Estrabão e Ptolomeu foram alguns gregos que contribuíram para o surgimento da geografia com estudos como a Antropologia, doenças ligadas ao clima, estudos astronômicos,
divisão do mundo em zonas climáticas e projeção cartográfica. Heródoto por exemplo foi
considerado o pai da geografia, fazia descrições repletas de dados geográficos. Hipócrates
naquela época já levantava a ideia do determinismo geográfico, onde se pensava que o meio
determina o comportamento do homem. Erastóstenes foi diretor da biblioteca de Alexandria e
apresentou a terra de forma geométrica. Hiparco com seus estudos sobre projeções renovou a
cartografia. Já Estrabão e Ptolomeu foram considerados naquela época aqueles que contribuíram para a sistematização da geografia. Estrabão fazia descrições dos povos e Ptolomeu realizava estudos voltados para a matemática.
A geografia neste período ainda não tinha seu campo de atuação definido, e era
retratada por outras áreas de conhecimento. Relata SODRÉ (1989), “Não havia geografia. E
geógrafos consequentemente. Havia filósofos, historiadores, cientistas, que se referiam, secundariamente, a aspectos geográficos”.
A geografia caminhava devagar e não era considerada importante. No século
XVII, as navegações continuavam, porém mais aceleradas, pois inovações técnicas deram
mais agilidade. As viagens aumentam, mas as informações coletadas ainda eram descritivas e
muitas vezes misturadas a lendas.
No final do século XVIII, a geografia encontra condições físicas e filosóficas para
seu desenvolvimento, e começa a ser vista separadamente de outras áreas do conhecimento
visto que por meio de tantas viagens a mesma já possuía conhecimentos suficientes para ter
sua própria área de estudo a partir de então é tida como disciplina autônoma. As viagens a
partir deste século passam a procurar por materiais característicos.
Mesmo sendo considerada disciplina autônoma, a geografia ainda enfrentou problemas no período inicial a sua formação, um deles seria a sua ligação com a história, onde se
dizia que a mesma teria surgido para servi-la. Outro problema seria o da relação entre a natureza e o homem, onde de um lado a geografia é uma ciência da natureza e de outro uma ciência da sociedade, não havendo a relação homem-natureza.

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Com o passar do tempo à geografia foi se modernizando. Para PIEPER &
VENZKE (2009), “o termo modernidade surge como os primeiros geógrafos modernos importantes como Humboldt e Ritter”. Ambos foram influenciados pelo positivismo buscando
explicações gerais para o mundo em que viviam. Humboldt por meio de inúmeras viagens
procurava descobrir as diferenças e semelhanças da superfície terrestre usando para seus estudos o método de comparação. Foi a partir dos estudos de Humboldt que se começa a estudar
mais concretamente sobre a superfície terrestre. Ritter com suas contribuições apresentava a
relação entre a superfície terrestre e as atividades que o homem desenvolvia sobre ela. Estudava a relação homem natureza, a geografia para ele não era apenas descritiva devia inserir o
homem como um ser ativo e transformador da natureza.
Mesmo tendo sua origem na antiguidade, como já salientamos, a Geografia precisou de muito tempo para ser debatida e conceituada como ciência. Segundo Costa & Rocha
(2010), a ciência geográfica passou por várias fases entre os séculos XIX e XX, sendo elas:
Determinismo geográfico, no século XIX cujo maior representante foi o alemão,
Friedrich Ratzel, nesta fase dizia-se que as condições naturais, entre elas o clima determinava
o comportamento do homem, ou seja, as condições climáticas influenciavam na capacidade
do desenvolvimento do homem. Para ele os alemães eram uma raça superior a qualquer outra.
Ratzel, também elaborou conceitos como o de espaço vital, que seria o espaço de expansão
territorial de um povo, onde para o desenvolvimento de uma sociedade era preciso conquistar
território.
Em seguida surgiu na França no final do século XIX o Possibilismo, defendido
por Vidal de La Blache, que dizia que o meio não é determinante no comportamento do homem, e sim exerce alguma influência sobre ele, mas ao mesmo tempo em que o homem é
influenciado pelo meio, ele também o influencia se tiver recursos para isso, à natureza aqui
oferece possibilidades ao homem que neste caso é o transformador da paisagem. Neste período surge o possibilismo divulgado por Lucien Febvre, com estudos voltados para pequenas
áreas, onde se buscava entender como o homem transformava o meio para sua sobrevivência.
Logo após surge a Geografia regional que tinha como defensor Richard Harstshorne, que pregava a diferenciação de áreas, onde o espaço seria dividido por áreas homogêneas. Comparavam-se as regiões de acordo com suas semelhanças e diferenças. Os fenômenos eram estudados separadamente para depois fazer uma integração entre eles, onde cada

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fenômeno deveria ser estudado por uma ciência, e depois cabia à geografia fazer a síntese
desses conhecimentos organizando as informações para dar uma visão do todo.
Em 1950 eis que surge um movimento de renovação da geografia para romper
com os pensamentos tradicionais, a Nova geografia ou Geografia quantitativa embasada no
positivismo usava a matemática para tornar a geografia mais científica. Nesse período as relações sociais e espaciais foram deixadas de lado. Estudava-se o todo e esquecia-se das particularidades. Procurava-se neste período dar um ar mais científico a geografia de até então, usando para isso dados estatísticos, se dizia neste período que todas as ciências deveriam usar a
estatística e a matemática, onde os mesmos seriam indispensáveis para qualquer ciência. O
maior expoente desta geografia era Schaefer.
Na década de 1970 surge a Geografia crítica ou radical baseada no materialismo
histórico dialético, em que o mundo deve ser compreendido como em movimento, contraditório, histórico, transformando a realidade. Seus defensores eram K. Marx e F. Engels, que buscavam entender o sistema capitalista e a divisão da sociedade em classes sociais. Foi um período importante, pois nasciam as discussões sobre os problemas sociais. É neste período que o
homem deixa de ser visto como animal e passa a ser visto como ser social. Este movimento
propõe criticidade à realidade levando a transformação da realidade.
Já a Geografia humanística visa compreender o comportamento das pessoas em
relação aos lugares, as formas de sentir, a afetividade, os significados, o sentimento de pertencimento das pessoas em relação aos lugares que lhes são de algum modo importante. Seu expoente é Yi-Fu Tuan. A Geografia cultural é voltada para o estudo da relação entre cultura e
vida social o defensor dessa geografia é Paul Claval, que estuda a transmissão de conhecimentos, de valores as tradições, os costumes.
Relata Pereira (1989), que na filosofia, a geografia encontrou outro pensamento
que impulsionou seu aparecimento enquanto ciência moderna, como o iluminismo que defendia que não há liberdade acima da razão e que o pensamento racional deveria substituir a fé.
Em suas obras com abordagens geográficas, os iluministas discutiam sobre a relação sociedade e o meio. René Descartes, John Locke, Voltaire, Immanuel Kant, Montesquieu e Rousseau
foram filósofos iluministas que sempre são citados como contribuintes da geografia.
René Descartes, era defensor do racionalismo, para ele para se chegar ao conhecimento era preciso duvidar de tudo. John Locke acreditava que o homem obtinha conheci-

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mento através de suas experiências, quanto mais velho mais conhecimento tinha. Voltaire
criticava a igreja e defendia a liberdade de pensamento. Kant combatia a menoridade, pois
para ele o homem era capaz de pensar por si mesmo sem a necessidade da fé.
Montesquieu defendia a ideia de que o poder deveria ser dividido em: executivo,
legislativo e judiciário. Para Rousseau a sociedade deveria ser igualitária. Diz Rousseau que o
homem nasce bom, porém a sociedade o corrompe, é por culpa da sociedade que o homem se
torna mal.
Para PEREIRA (1989, p. 20), “o ideal iluminista, assentado na crença do poder da
razão humana, é que passa a defender a ampliação da formação cultural para todos como forma capaz de transformar o homem e, por meio dele, a sociedade”.
No Brasil, Milton Santos e Aziz Ab’saber foram os maiores representantes da geografia. Milton Santos, em suas obras retrata a questão do espaço, onde se tem o conceito de
paisagem. Formou-se em Direito, mas se interessava bastante pela geografia. Foi um dos
grandes nomes da renovação da geografia no Brasil.
Aziz Ab’ Saber, dá ênfase a questão do meio ambiente, aos impactos ambientais.
Contribuiu não só com a geografia, mas também em outras áreas do conhecimento como, por
exemplo, a biologia, geologia e arqueologia. Foi um dos maiores nomes da geografia e meio
ambiente.
Segundo Pereira (1989), até o século XIX a educação era elitizada, o conhecimento era restrito a classe dominante, não sendo, portanto, acessível a todos, e acontecia nas instituições religiosas.
Foi a partir do iluminismo que se propaga a ideia de um ensino público, pois baseados na razão os iluministas passam a ver todos como seres racionais. O iluminismo pregava que a sociedade deveria ser igualitária, onde a classe dominante deveria ser substituída por
uma sociedade de iguais direitos.
É neste contexto que a burguesia defende uma educação para todos, pois assim
acabaria com a produção feudal, ajudando a si própria em sua emergência na sociedade e implantação do capitalismo.
No século XIX, tanto a escola, quanto o capitalismo se solidificam, a burguesia já
no poder percebe que pode permanecer nele e passam a implantar escolas no interior da Euro-

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pa com isso tornando as instituições escolares nacionalizadas. Com um ensino voltado para o
patriotismo a geografia é colocada nos currículos escolares, porque mostra o homem no espaço, não para que o homem pensasse o mesmo apenas para que demarcasse o espaço nacional.
A educação chega ao Brasil em 1549, com a vinda dos primeiros jesuítas, que
permaneceram no comando da educação brasileira até metade do século XVIII, com uma
educação voltada para a formação cultural e descrição dos fatos. A geografia era tida neste
período como requisito para os cursos superiores de Direito.
No século XIX a geografia passa a se firmar como disciplina com a criação do
Colégio Pedro II localizado no Rio de Janeiro em 1837, se tornando, portanto uma disciplina
estudada na escola. Este ensino tinha como objetivo despertar o nacionalismo e um sentimento patriótico.
Segundo Cassab (2009), a partir de 1930 a geografia começa a mudar sua história.
Em 1934 surgem os primeiros cursos superiores de geografia na Universidade de São Paulo USP. Em 1935, é fundada a Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB. Em 1939 é criado
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. A partir daí a geografia foi ganhando
forças tanto como ciência quanto como disciplina escolar.
A partir de 1936 são formados os primeiros professores licenciados de geografia
com o objetivo de ensinar uma geografia que sempre descrevesse as riquezas nacionais, era
papel do aluno, portanto descrever os fatos e engrandecer a pátria.
Em 1964 com o golpe militar o objetivo do governo era um ensino voltado para a
formação de profissionais técnicos, ou seja, mão - de - obra para as indústrias, pois era preciso
trabalhar para o desenvolvimento do país. Em 1970 a geografia passou a ser considerada então um problema para o governo militar, pois poderia tornar os alunos pensadores e contestadores. Em 1971 a geografia foi excluída dos currículos escolares e substituída pela disciplina
de Estudos Sociais, que abrangia as disciplinas de geografia e história. Após muitos debates,
lutas e entraves, por meio de manifestos das comunidades acadêmicas, tanto a geografia quanto a história voltaram a ser tidas como disciplinas autônomas.
No século XX, após muitas mudanças nos meios econômicos, sociais e educacionais como, os avanços tecnológicos, e a globalização. Em âmbito educacional essas mudanças
refletiram também dentro da sala de aula, ou seja, na forma de ensinar, na relação professor
aluno, nos conteúdos ensinados visto que os mesmos deveriam estar próximos da realidade do

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aluno. Tudo isso fez com que houvesse a necessidade por parte da escola de buscar novas
formas para transformar o sistema de ensino. A escola já não poderia ser somente um local
onde se reproduz o conhecimento, mas passaria a ser um local de construção do conhecimento.

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2. O ENSINO DA GEOGRAFIA NO BRASIL

Os Jesuítas chegaram ao Brasil meio século depois do descobrimento, no ano de
1549 e tinham como objetivo educar os colonos e também os índios, sob a supervisão do Padre Manoel da Nóbrega. Além da doutrina católica, o português era a disciplina ensinada.
Segundo Pessoa (2007) em 1599 os jesuítas criaram a Ratio Studiorum que funcionava como uma lei, onde todos os colégios existentes no Brasil tinha como dever obedecer a
regras de funcionamento.
A geografia não era considerada neste período uma disciplina independente, era
estudada nas leituras de escritores clássicos. Portanto, na atualidade, quando se volta à Geografia para a literatura, isso já acontecera bem antes da Geografia existir como disciplina regular.
Em 1832 a geografia passa a fazer parte do currículo das escolas jesuítas. O ensino era inspirado em padrões europeus, oferecendo, portanto uma cultura geral, estudando por
meio da descrição e enumeração de fatos ocorridos, um conhecimento totalmente distante da
realidade vivida. A geografia era tão sem importância que nem era divulgada em sala de aula.
Segundo Rocha (1998) os professores que ensinavam nas escolas jesuítas não
possuíam uma formação em geografia, eram provenientes de outras áreas do conhecimento
como, por exemplo, a Filosofia e a literatura. Sendo assim quando o professor ensinava determinado conteúdo, por exemplo, de uma obra literária, ele recorria à geografia a fim de que
os alunos melhor compreendessem, fazendo, portanto a descrição fornecendo informações do
local de tal acontecimento e de sua paisagem.

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No século XIX o ensino de geografia adquiriu maior importância com a criação
do Imperial Colégio de Pedro II, em 1837, no Rio de Janeiro. A geografia neste período passa
a ser tida como disciplina autônoma, com um modelo curricular vindo da França.
Relata Pessoa (2007) que neste colégio, ainda era estudado as obras literárias, porém, foram introduzidas outras disciplinas como a história e a geografia. Essa escola tinha
como objetivo ser uma escola padrão, pois a geografia era requisito para a admissão nos cursos de direito.
O método de ensino utilizado por esse colégio era o de memorização, pois sendo a
geografia, naquela época, totalmente descritiva, a melhor forma de aprender era gravar tudo
na memória.
Existiram algumas manifestações contra essa forma de ensinar geografia durante o
império, Rui Barbosa foi um exemplo disso, segundo ele a geografia deveria possuir um ensino mais modernizado, onde o ensino fosse mais próximo da realidade do aluno, utilizando a
observação. Porém durante todo o império permaneceu uma geografia descritiva distante da
realidade vivida pelo aluno. No final do século XIX a geografia começa mudar sua história.
Iniciam-se manifestações em muitos países afetando o Brasil, e a geografia começa a passar
por mudanças, ou melhor, reformas.
A primeira delas no período republicano em 1890 foi à reforma Benjamin Constant, onde ficou estabelecido que a geografia fosse ensinada a todas as sete series do ensino
secundário. A segunda reforma educacional foi em 1901, Reforma Epitácio Pessoa que reduziu as aulas de geografia somente para os três primeiros anos do secundário. A terceira reforma ocorreu em 1911, sob o nome de Rivadávia da Cunha Corrêa nessa reforma reduziu-se o
secundário de sete para seis anos não mudando em nada o estabelecido na última reforma. Em
1915 era implantada a quarta reforma, chamada de reforma Carlos Maximiliano, nesta houve
a redução do curso secundário de seis para cinco anos e desta forma as aulas de geografia passaram a ser ministradas somente nos dois primeiros anos do secundário.
Passados mais de três quartos de século desde a instituição da geografia como
disciplina, e mesmo tendo passado por tantas reformas, a mesma não evoluía, não se modernizava, pelo contrário cada vez mais se distanciava de metodologias mais modernas.
A segunda década do século XX é de suma importância para o ensino de geografia, visto que neste período surgiram vários embates onde de um lado havia uma maioria de

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defensores da forma tradicional de ensino e de outro lado uma minoria que almejava reformas
no sistema de ensino vigente.
Surgiu então em 1925 a última reforma chamada de reforma Luís Alves-Rocha
Vaz, nesta reforma ficou estabelecido o aumento do tempo de duração do secundário de cinco
para seis anos. A educação neste período estava voltada para a consolidação do nacionalismo
patriótico onde o ensino seria direcionado para os interesses do estado. Afirma PESSOA
(2007) que:
O que se observa com clareza é a recomendação atribuída aos professores na hora de
selecionar os textos que serão trabalhados por essas disciplinas, que os mesmos tenham o devido cuidado em examinar se neles estão incorporados a ideologia do nacionalismo-patriótico, caso não, a recomendação era que fossem diligentemente excluídos por não despertarem os sentimentos ideológicos de patriotismo, que naquele
momento se fazia cada vez mais penetrado em nossas escolas (PESSOA, 2007, p. 44

O professor, portanto tinha como dever criar no aluno esse sentimento patriótico,
despertando um amor à pátria, tornando-o defensor do território nacional. A geografia escolar
se insere no contexto de formação dos estados nacionais, com o intuito de despertar o lado
patriótico que neste período passa a ser a finalidade da geografia e isso fica bem explicito na
obra de Yves Lacoste, A geografia, isso serve em primeiro lugar para fazer a guerra, onde o
autor mostra que existem dois tipos de geografia, uma chamada de geografia dos estados maiores e outra denominada geografia dos professores, uma complementando a outra, com o objetivo de controlar o espaço geográfico. A geografia dos estados maiores tem um papel de
controlar todo o território e dominar politicamente, e, a escola, ajuda neste sentido aplicando
um ensino ideológico.
A outra geografia, a dos professores, que apareceu há menos de um século, se tornou
um discurso ideológico no qual uma das funções inconscientes, é a de mascarar a
importância estratégica dos raciocínios centrados no espaço. Não somente essa geografia dos professores é extirpada de práticas políticas e militares como de decisões
econômicas (pois os professores nisso não tem participação), mas ela dissimula, aos
olhos da maioria, a eficácia dos instrumentos de poder que são as análises espaciais.
Por causa disso a minoria no poder tem consciência de sua importância, é a única a
utilizá-las em função dos seus próprios interesses e este monopólio do saber é bem
mais eficaz porque a maioria não dá nenhuma atenção a uma disciplina que lhe parece tão perfeitamente “inútil” (LACOSTE, 1993 P.31).

Ao mesmo tempo em que se pregava o nacionalismo patriótico, nascia uma geografia de caráter mais moderno. Um importante divulgador dessa geografia moderna foi o
professor Carlos Miguel Delgado de Carvalho, cursou Letras, porém, dedicou parte de sua

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vida a estudos sobre a disciplina de geografia, e que passou a ministrar aulas no Colégio Pedro II, em 1920. Delgado sabia da fragilidade do curso de geografia no Brasil e buscava um
estudo mais científico e sugeriu novas metodologias de ensino, onde os estudos deveriam começar a partir do local, estudando primeiro a realidade para só então partir para o estudo geral.
Delgado vivencia um período de transformação da geografia, causando pressões,
contradições, que foram necessárias, nesse processo de modernização pelo qual passou o ensino de geografia.
De acordo com Pessoa (2007), as décadas de 30 e 40 foram marcos importante
para a transformação no sistema educacional brasileiro, junto com a chegada de Getúlio Vargas ao poder e a Revolução de 1930. Em 1931 surge a Reforma Francisco Campos, estabelecida pelo ministro da educação pública Francisco Campos, considerada uma das mais importantes do sistema educacional brasileiro. Nesta reforma a educação brasileira passaria a vigorar em todo o território nacional. Para ele o ensino não deveria ser de memorização e sim uma
busca de conhecimento, onde seriam valorizadas as observações colhidas pelos alunos. Durante essa reforma o ensino de geografia voltou a fazer parte das cinco séries do fundamental.
Esta reforma serviu para apontar um caminho para que a geografia se renovasse, porém, permaneceu nas salas de aula uma geografia tradicional de memorização.
Relata Pessoa (2007), que em 1934 começaram a serem implantados os primeiros
cursos de professores de geografia no Brasil. Pela primeira vez surgiam cursos superiores
voltados para o magistério, já que todos os professores até então eram oriundos de outras
áreas do conhecimento. Em 1936 são formados os primeiros licenciados em geografia, e este
é um dos fatos mais importantes pelo qual passou a geografia, pois ocorria neste período uma
profissionalização da docência, mudando completamente a forma de ver e de ensinar geografia, colocando pela primeira vez, profissionais qualificados em sala de aula, mostrando como
a geografia de fato estava se modernizando.
Outro importante fato para a modernização desta ciência foi o surgimento da Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB, em 1934, no qual eram divulgadas pesquisas científicas e que também colaboraram com o ensino da disciplina de geografia.

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No ano de 1942 é instaurado pelo então ministro da educação, Gustavo Capanema, outra reforma na educação, chamada de Reforma Capanema que ocorreu durante o período do estado novo, com a ideologia nacionalista de Vargas.
Conforme Souza & Pezzato (2009) a geografia era obrigatória em todas as séries
sendo elas divididas em dois ciclos: o ginasial com quatro anos e o colegial com três, sendo o
colegial divido em duas modalidades uma científica que era mais técnica e outra clássica mais
voltada para as humanidades. O ensino neste período já contava com atlas e livros didáticos.
A reforma Capanema terminou em 1962 e o ensino de geografia que deveria ter se
renovado, não conseguiu, pois muitos professores permaneciam sem formação acadêmica e
com isso não conseguiram seguir a nova forma de ensino, então recorriam ao método antigo e
tradicional de ensino, fazendo com que a geografia fosse desvalorizada.
A partir da segunda metade do século XX começam a surgir críticas, quanto ao
tipo de geografia que até então era ministrada nas escolas.
Em 1968, foram criadas as licenciaturas curtas, era uma formação voltada somente para o campo educacional. O professor que fizesse a licenciatura curta estava apto a ministrar aulas nos cursos de geografia e história, enquanto quem era formado na licenciatura plena
só poderia atuar na sua área de formação específica. Segundo Gomes (2010), o que se pensava
é que os professores formados nas licenciaturas curtas ministrassem aulas nas séries ginasiais,
enquanto os formados nas licenciaturas plenas ministrassem aulas no colegial, porém, nem
todos os alunos conseguiam chegar nesse nível de estudo e sem contar que a geografia nem
era obrigatória neste nível de ensino devido a Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB de
1961, lei essa em que foram instauradas algumas modificações no ensino de geografia. Houve
redução das aulas de geografia no ginasial, onde foi retirada essa disciplina do quarto ano,
houve também a redução de três para duas aulas em todos os ciclos do nível médio e também
nos cursos clássicos e normais, as aulas seriam apenas para os primeiros anos. Outra mudança
se deu em quem organizava o currículo que antes era de responsabilidade do Ministério da
Educação e Cultura e que depois da LDB passou a ser de responsabilidade do Conselho Federal de Educação.
A cada mudança percebia-se um desprestígio da disciplina de geografia, onde
cada vez mais, ela era retirada dos currículos, colocando inclusive os professores em situação
ruim, pois muitos já eram concursados nas suas áreas de formação específica, e desse modo

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teriam muitas dificuldades de ministrar aulas em uma disciplina na qual não estavam preparados, além de ficarem praticamente sem aulas para ministrar, pois cada vez mais a carga horária da disciplina diminuía.
O ano de 1970 foi o ápice da ditadura militar que se iniciou em 1964, o governo
implantava uma nova forma de ensinar a geografia, colocando o aluno como mero expectador
de todo o processo político pelo qual passava o país e usava essa disciplina como forma de
manipulação limitando totalmente o conhecimento. De acordo com ROCHA (1998) “No período ditatorial a geografia deixa de ser trabalhada como formadora de cidadãos críticos e ganha caráter enciclopédico, propondo a formação de cidadãos obedientes ao sistema.” Neste
período há uma busca por mão- de -obra especializada para atender as indústrias que estavam
sendo instaladas, o ensino então passou a ser mais tecnicista e menos científico, era preciso
manter a ordem acima de tudo. Com esse modelo educacional o estado tornava a sociedade
menos pensante, incapaz de analisar os fatos criticamente e questionar a ordem vigente.
De acordo com Gomes (2010), a situação ficou ainda pior para os professores de
geografia e história, quando em 1971 foi aprovada a Lei 5692/71. Essa lei criou a disciplina
de Estudos Sociais unificando assim a disciplina de geografia e história no primeiro grau. A
partir dessa lei o ensino de primeiro grau seria de oito anos e o segundo grau de três anos,
onde o segundo grau seria de cursos profissionalizantes. A inserção da disciplina Estudos Sociais busca atender a necessidades do modelo de educação que estava sendo implantado. A
geografia passa a ser tão desprestigiada que praticamente é extinta dos currículos.
Os professores se revoltaram contra essa forma de ensino, alguns professores do
departamento de geografia da USP, enviaram uma carta ao Conselho federal de Educação
dizendo a importância do ensino de geografia para o primeiro e segundo grau. As manifestações começam a ganhar força através da AGB, que divulgava a situação da geografia por
meio de artigos, pediam pela volta da geografia no ensino escolar e inclusive falavam da pouca procura pela licenciatura em geografia devido à criação das licenciaturas curtas, a ponto do
curso de geografia quase ser extinto das universidades.
Outro ponto importante levantado pelos artigos divulgados na AGB era em relação à definição dos conteúdos ensinados pela disciplina Estudos Sociais, onde em muitos livros estavam presentes conteúdo da geografia, com o título de Estudos Sociais.
Segundo Gomes (2010), em 1973 surge os Guias Curriculares que estabeleciam
regras para os conteúdos a ser ensinados pela disciplina estudos sociais, abordando com um

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novo método conteúdos antigos. Porém esses guias não funcionavam muito bem, pois havia
livros mais próximos às regras dos guias curriculares que tratavam da disciplina estudos sociais, outros já estavam mais voltados para a disciplina geografia ou história, isso dependia muito se o autor do livro era mais ligado à geografia ou a história, ou as áreas de humanidades,
que era o objetivo da disciplina de estudos sociais, estudar as práticas do homem na relação
espaço-tempo. Percebe-se, portanto que neste período havia uma indefinição acerca dos conteúdos pertencentes à disciplina estudos sociais.
No final da década de1970, começaram, a haver críticas em relação aos conteúdos
de geografia. Neste período a USP foi convidada pela Coordenadoria de Estudos e Normas
Pedagógicas – CENP de São Paulo, para que encaminhassem um novo currículo dessa disciplina, para que assim tanto a geografia quanto a história, pudessem restabelecer-se como disciplinas autônomas. Ao mesmo tempo em que isso ocorria, surgia na geografia das universidades uma reestruturação dos saberes científicos, chamada de geografia crítica ou radical.
Ainda segundo Gomes (2010), a geografia científica começa cada vez mais a interferir nos currículos da geografia escolar. A partir da década de1980 começou um debate
entre os professores de geografia, em busca de tornar o ensino mais democrático e comprometido com a justiça social. Durante toda a década de 1980 aconteceram vários encontros sobre a
questão do ensino de geografia, buscava-se por meio destes encontros definirem o que seria
ensinado nas disciplinas de geografia e história. Os geógrafos da época faziam de tudo para
que a geografia voltasse a ser uma disciplina autônoma. Por meio de tantos debates esses professores foi ganhando espaço na elaboração do guia curricular, e após várias versões da proposta curricular a geografia volta para o ensino de 1° grau.

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3. A AULA DE GEOGRAFIA DO ENSINO MÉDIO EM PIRANHAS (GO)
Como relatado nos capítulos anteriores, à disciplina de geografia passou por várias mudanças, e apesar de todas essas mudanças e reformas ocorridas no sistema educacional
brasileiro, não só na educação, como também na sociedade, ao longo dos anos, fez com que,
se consagrasse um modelo de ensino da geografia, que vem sendo reproduzido desde suas
origens até os dias atuais. O século XXI é marcado, portanto por uma série de mudanças dentre elas a globalização. Todas essas mudanças impõem que tanto a escola quanto o professor
se renove, se modifique, para atender as exigências do mundo globalizado. A escola e o professor estão necessitando cada vez mais melhorar a qualidade do ensino para atender as exigências da atualidade, que é a de tornar os alunos críticos-reflexivos da realidade que o cerca.
Porém, na escola brasileira, a percepção, é, que, essas necessidades que tomam
conta das profissões e profissionais, na educação, não vem acontecendo como deveria e se
espera. Enquanto aluna na educação básica, nos anos de 2004 a 2006, em que cursei o ensino
médio, no Colégio Estadual Maria Eulália de Jesus Portilho em Piranhas-GO, em que se deu
essa pesquisa, sempre ouvia dos alunos que as aulas de geografia eram muito cansativas, que
era sempre a mesma coisa em todas as aulas, que a professora falava demais, e que a mesma
explicava um livro em uma aula.
Depois de quatro anos voltei à escola na função de estagiária para fazer o meu
estágio supervisionado, neste caso em forma de observações, visto que o meu estágio na forma de regência foi realizado na cidade de Iporá-Go. Quando voltei à escola obtive as mesmas
percepções, onde os alunos diziam que as aulas de geografia, entre outros adjetivos, são muito
“chatas”, e que a professora não faz nada de diferente... Pensando nisso, surgiu à necessidade
dessa pesquisa, para que assim pudesse ser verificado como está à situação do ensino de geografia em Piranhas-GO e porque os alunos dizem não gostar de geografia. Para isso optamos
neste trabalho pelas séries do ensino médio, por ser nesta fase da educação básica, que deve

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ocorrer à ampliação do conhecimento, mediado e estruturado pela escola, para que o aluno
consiga sua autonomia como cidadão atuante na sociedade. Segundo Pessoa:
A importância da geografia no ensino médio está relacionada com as múltiplas possibilidades de orientação na formação de alunos cidadãos, capazes de emitir opiniões
sensatas a fim de direcionar decisões políticas que vise um benefício comum, de ter
conhecimento e acesso aos seus direitos e deveres, de respeitar outros posicionamentos e da mesma forma admitir múltiplas leituras da realidade, reconhecendo as contradições e os conflitos existentes no mundo. (PESSOA, 2007, p. 81).

O que se buscou com essa pesquisa foi responder, se este ensino está atendendo as
exigências atuais? Como está a prática pedagógica do professor de geografia? Quais metodologias os mesmos usam para que o aluno compreenda de forma clara o que está sendo repassado? Bem como o que o aluno acha da disciplina e das aulas de geografia?
Para responder esses questionamentos, foram realizadas entrevistas por meio de
questionários com alunos de todas as séries do ensino médio e também com os professores,
além da observação direta das aulas de geografia, para que desta forma conseguíssemos reunir
maior quantidade de informações possíveis.
Esta pesquisa foi realizada no Colégio Estadual Maria Eulália de Jesus Portilho,
que está localizado na Av. Brasil Central n° 1440- Centro- Piranhas - GO e a escolha se deu
devido ser esse, o único que oferece o ensino médio na cidade. O mesmo contém cerca de 700
alunos distribuídos nos três turnos, matutino, vespertino e noturno. A maior parte dos alunos
está concentrada no período matutino onde o mesmo conta com quatro salas de 1° ano, três
salas do 2° ano e duas salas do 3°ano. No período vespertino contem três salas do 1° ano, duas salas do 2° e duas salas do 3°ano. Já o período noturno possui a menor quantidade de alunos contendo somente uma sala do 1° ano, uma do 2° ano e uma do 3° ano.
Foram entrevistados Cento e Oitenta alunos, distribuídos em todas as séries do
ensino médio e em todos os períodos de aula e também todos os professores de geografia da
unidade escolar.
As aulas de geografia no colégio estão distribuídas entre três professores, e por
uma questão ética, os professores não serão identificados pelos nomes, trataremos, portanto os
mesmos como P1, P2 e P3.
3.1 Entrevistas com os professores
Nas entrevistas foi perguntado aos professores questões sobre sua formação?
Tempo de trabalho como professor de geografia? Quantidade de turmas que os mesmos pos-

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suem? As metodologias mais utilizadas por eles? Como é o ambiente da sala de aula? Como e
onde planejam suas aulas? Buscam-se uma formação continuada? Como avaliam os alunos?
Como se dá a relação professor aluno? Se os mesmos estão preocupados em verificar se os
alunos estão compreendendo os conteúdos? E também como descrevem o ensino de geografia
hoje?
Os professores entrevistados, disseram que se formaram na Universidade Estadual
de Goiás – UEG, Unidade de Iporá e possuem mais de 35 anos de idade. No que se refere à
formação inicial os professores P1 e P2 são formados em geografia possuindo, portanto uma
formação específica para atuar nessa área do conhecimento, e ministram aulas de geografia há
cerca de 14 anos. Já a professora P3 é formada em História e ministra aulas de geografia há 04
anos. Questionada sobre o porquê a mesma ministra aulas de outra disciplina que não seja a
sua formação específica, a mesma justificou que a escola fez essa distribuição para que a
mesma completasse sua carga horária.
Ambos os professores disseram que a formação inicial contribui pouco para a sua
prática em sala de aula, pois no estágio não foram muito cobrados, além de o estágio acontecer rapidamente e o contato com os alunos ser muito pouco. Para eles a formação inicial serviu apenas como uma iniciação na vida escolar, e que, o que conta mesmo é a vivência, o diaa-dia.
Segundo os professores envolvidos na pesquisa somente a formação inicial não é
suficiente para uma boa prática pedagógica, embora seja de grande importância, devido ser o
alicerce na construção da prática docente, a formação inicial serve como, elemento norteador,
pois a boa prática mesmo, se consolida no cotidiano do trabalho docente. Segundo Cavalcanti
(2008), a formação profissional serve para dotar o profissional de bases teóricas para que ele
consiga atuar na prática, esse momento de formação acaba sendo, portanto o acesso à teoria,
já o momento da prática é a aplicação desses conhecimentos.
Neste contexto entendemos que, somente a formação inicial não é suficiente para
a boa prática em sala de aula, é necessário que o professor busque sempre uma formação continuada. Descreve Pires (2011), a formação do professor de geografia deve ser um processo
inesgotável, que se constrói e reconstrói a cada dia, e isso se dá por meio da busca por conhecimento através da formação continuada.

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Para o professor P2 foi muito difícil colocar o que aprendeu na teoria, na faculdade, em prática dentro da sala de aula, pois segundo ele sua formação foi um pouco deficiente
o que prejudicou sua ação docente, onde o mesmo relata que há uma dicotomia entre geografia acadêmica e geografia escolar, pois durante a formação, se estuda a prática docente de
forma utópica, não vivenciando a realidade das ações cotidianas da sala de aula.
Para CAVALCANTI (2008), “a teoria e a prática precisam ser elementos presentes e imbricados na formação inicial, com vistas a preparar os professores de geografia para
atuarem em conformidade com as necessidades socioeducacionais”.
Podemos perceber a importância de se integrar teoria e prática também na fala de
Castellar. “O processo de formação inicial de professores deveria integrar as bases teóricas
com a prática cotidiana e, dessa maneira, os estudantes – futuros professores, teriam uma dimensão maior do significado dos saberes específico e das práticas sociais” (CASTELLAR,
2010, p.42).
Dos professores entrevistados o P1 e P3, fizeram especialização em Formação
Socioeconômica do Brasil em 2003 pela Universidade Salgado de Oliveira-UNIVERSO e o
P2 em Literatura Brasileira em 2005, porém mesmo sabendo da importância de uma formação
continuada, nenhum deles atualmente está fazendo algum curso de aperfeiçoamento. Os professores entrevistados disseram que atualmente não estão buscando especializações, pois possuem uma carga horária muito extensa e que uma especialização além de dinheiro exige tempo.
O professor P1 possui quatorze turmas no Colégio Estadual Maria Eulália de Jesus Portilho, nos períodos matutino e vespertino, e além de ser concursada no Estado de Goiás, também e concursada no Estado de Mato Grosso, dessa forma ela ministra aulas três dias
na semana em Piranhas e os outros dois dias ela viaja para Barra do Garças- MT, onde ministra aulas também. Relata P1 que não pode abrir mão de nenhum dos concursos, pois devido os
salários serem baixos só com os dois concursos ela consegue sobreviver, acaba assim ficando
com a carga horária muito puxada não sobrando tempo para se qualificar.
O professor P2 também possui quatorze turmas, trabalha em 03 escolas estaduais
da cidade, sendo em duas delas no ensino fundamental, trabalha nos três períodos, matutino
vespertino e noturno, além de ministrar aulas de outras disciplinas, como, Ensino Religioso e
Atividade Esportiva.

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A professora P3 trabalha em duas escolas estaduais da cidade, sendo uma delas no
ensino fundamental, porém só possui uma turma de geografia, já que é formado em História.
Ministram também outras disciplinas como, História, Filosofia e Sociologia.
Para Sampaio & Vlach (2008), o professor precisa sempre aperfeiçoar a sua prática, necessita sempre ser um pesquisador, pois se ele não pesquisar deixará de ser professor e
passará a ser apenas um repetidor de conteúdo. Nesse sentido, durante o ano, as instituições
de ensino superior, tem por prática, planejar oficinas, encontros temáticos, palestras... de curta
duração e com preços acessíveis para que seus acadêmicos e egressos, numa formação continuada, possa voltar e participar dessas atividades, como forma de aperfeiçoamento profissional.
Nas entrevistas realizadas com os professores, ambos deixaram claro que utilizam
variados recursos metodológicos, tais como: data show, DVD, computador e internet, TV,
mapas, também jornais e revistas. Porém durante as observações das aulas foi possível notar
que as aulas expositivas são sem dúvida a forma mais comum de dar aulas dos professores
entrevistados, e que o livro didático mesmo após tantas mudanças na educação e no mundo,
continua sendo a ferramenta mais utilizada,
Por meio das observações das aulas, pode ser percebido que ainda permanece nos
dias atuais um ensino tradicional com aulas expositivas baseadas no livro didático, onde os
professores poucas vezes tentaram romper com a passividade dos alunos. Os professores às
vezes até tem o instrumento para inovar na sua aula, mas estão tão presos a métodos tradicionais de ensino que acaba não conseguindo desenvolver no aluno suas habilidades intelectuais.
Uma prática pedagógica mais inovadora permite ao aluno observar, descrever, comparar e analisar os fenômenos observados na realidade, desenvolvendo habilidades
intelectuais mais complexas, como fazer correlações dos conceitos geográficos que
estão implícitos na realidade. (CASTELLAR, 2010.p.47).

O que se observa é que as aulas expositivas fazem com que os alunos não aprendam a aprender e sim que eles apenas decorem, memorizem e respondam as atividades de
forma mecânica, sem utilizar os conhecimentos geográficos para a sua vivência. Segundo
PIRES (2012), um dos principais objetivos reservados ao ensino de Geografia consiste, antes
de tudo, em dotar o aluno da capacidade de dominar o seu próprio desenvolvimento, possibilitando-lhe o desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes, que propiciem uma
aprendizagem para a vida.

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Com relação ao ambiente da sala de aula todos os professores entrevistados reclamaram da questão da falta de infraestrutura, onde as salas possuem pouca ventilação, atrapalhando a aprendizagem dos alunos. E também relataram que falta na escola recursos didáticos e matérias pedagógicos. De acordo com os professores o planejamento é feito quinzenalmente e que os mesmos o fazem em casa, na escola dependendo da disponibilidade de tempo.
As avaliações segundo eles são contínuas, porém todos utilizam as provas para
verificar a aprendizagem dos alunos. Relataram também que estão sempre verificando o que
os alunos compreenderam do conteúdo e procuram sempre repassar os conteúdos de maneira
contextualizada. Todos disseram que a relação professor aluno ocorre de forma interativa.
Perguntados sobre como descrevem o ensino de geografia ambos afirmaram que a
geografia é de suma importância para a formação crítica do aluno e para que o aluno se reconheça como pertencente ao espaço. Ideia defendida por Callai (2010) que diz: que a geografia
deve criar condições para que o aluno se reconheça como sujeito que participa do espaço em
que vive e estuda, e que ele compreenda que os fenômenos que acontecem são resultado do
que é produzido pela humanidade de tempos em tempos. Segundo os professores esse tipo de
ensino ainda não é uma realidade. Relata a professora P1 que a geografia vem se transformando bastante, porém segundo ela ainda falta muito para que um ensino de geografia eficaz
seja uma realização.
3.2 Entrevistas com os alunos
Como dito anteriormente as entrevistas aconteceram não só com os professores,
mas também com os alunos do ensino médio, para que os mesmos fossem ouvidos a respeito
das aulas de geografia. As entrevistas aconteceram por meio de questionários, onde foi comunicado aos alunos que não havia a necessidade de identificação para que desta forma os mesmo não se sentissem constrangidos e pudessem responder com maior sinceridade.
A opção pelo ensino médio como dito anteriormente se deve ao fato de ser nesta
fase do ensino que ocorre a ampliação do conhecimento e também por constituir a última etapa da educação básica, e, por conseguinte, ser aperfeiçoados os conhecimentos adquiridos no
ensino fundamental. Neste sentido a geografia no ensino médio deve organizar conteúdos que
permita ao aluno realizar aprendizagens significativas, para que dessa forma o aluno desenvolva sua visão crítica, o que faz desta fase uma etapa especial, pois o aluno está entre duas
fases de sua vida entre a adolescência e a vida adulta, vivenciando experiências importantes.

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Cabe à escola, no ensino médio não só formar cidadãos, mas também informar, dotar os jovens de múltiplos recursos e de senso de responsabilidade social para ampliar suas possibilidades de transformação do espaço social, com espírito de autocrítica. (VAZ, 2008, p.165).

Cabe a esta etapa do ensino, portanto desenvolver no aluno sua autonomia intelectual e pensamento crítico, onde o jovem cidadão possa se desenvolver intelectualmente, tornando-se um cidadão consciente capaz de refletir suas ações, criando assim sua identidade
social.
Aos alunos entrevistados foi perguntado o que é geografia? se gostam da disciplina? E o porquê? Se é possível utilizar os conhecimentos da disciplina de geografia no seu diaa-dia? Quais recursos metodológicos os professores utilizam para as aulas? Bem como a frequência com que esses recursos são utilizados? E também como são as aulas de geografia?
Dos Cento e Oitenta alunos entrevistados 45% possui 15 anos de idade, 40% estão
entre 16 e 17 anos, e apenas 15% possuem de 18 a 24 anos sendo que esse último ocorre com
maior frequência nos alunos que estudam no período noturno. A seguir o gráfico 1 com a faixa etária dos alunos entrevistados.
Gráfico 1: que demonstra a faixa etária do alunos.
Faixa etária dos alunos
50%
45%
40%
35%
30%
25%
20%
15%
10%
5%
0%

15 Anos
16 e 17 Anos
18 a 24 Anos

Alunos
Fonte: AMORIM, B.P.S., 2013.

Nota-se que a faixa etária dos alunos está condizente com as séries que frequentam.
No questionário foi perguntado para os alunos o que é geografia? Muitos alunos
deram as seguintes respostas:

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Geografia é a matéria que estuda mapas;

Geografia é fundamental para o dia-a-dia;

Matéria que descreve a terra;

Matéria que ajuda a localizar os lugares;

Matéria que estuda a natureza.

O que percebemos pelas respostas dos alunos é que para eles a geografia se apresenta de forma fragmentada, como se a mesma fosse dividida em compartimentos, os alunos
não concebem a geografia como sendo um conjunto, de fenômenos naturais e humanos, um
estudo da espacialidade. Isso acontece segundo Pires (2012), porque ainda permanece na geografia um ensino enciclopédico onde ao aluno não constrói conhecimento, pois o ensino fica
preso ao livro didático, criando deste modo um conhecimento desarticulado, fragmentado e
dissociado da realidade do aluno.
No questionário entregue aos alunos foi perguntado também se os mesmos gostam
da disciplina de geografia? E o porquê? Segue o gráfico2, que demonstra a opinião dos alunos.
Grafico 2: Porcentagem de alunos em relação ao gostar da disciplina.
Aulas de geografia

10%
35%
Gostam

55%

Não gostam
Apáticos

Fonte: AMORIM, B.P.S., 2013.

Conforme mostrado no gráfico 2, dos alunos entrevistados somente 35% dizem
gostar da disciplina de geografia, porém deram respostas muito vagas a cerca do porque
gostam, algumas das respostas foram:

porque estuda tudo aquilo que eu gosto;

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porque aprendemos varias coisas que acontecem no cotidiano;

porque aprendemos muitas coisas;

porque falamos de clima e como utilizar os mapas;

porque aprendo sobre o mundo;

porque é interessante.

Por meio das respostas dos alunos que gostam da disciplina, percebemos que os
mesmos não conseguiram nem dizer o porque gostam da disciplina, o que demostra que talvez
eles não estejam gostando tanto assim, ou que há um certo desinteresse por parte dos alunos
ou que essa disciplina não esteja sendo desenvolvida de forma a fazer os alunos
compreenderam de fato a geografia, não queremos aqui criticar o que está sendo ensinado
mas, analisar como está sendo ensinado. A partir da fala dos alunos é possível observar que
os conhecimentos adquiridos por eles, até então não foram de fato sistematizados. Conforme
Pires (2012), os métodos tradicionais de ensino ainda permanecem arraigados em muitos
professores, e essa forma de ensinar conteudista, descritiva e de memorização causa
desinteresse nos alunos e fazem com que os mesmos entendam a geografia em partes, não se
inserindo como pertencentes ao espaço estudado pela geografia.
De acordo com o gráfico 2, dos Cento e Oitenta alunos entrevistados, 55%
disseram não gostar da disciplina de geografia, o que acaba sendo estranho visto que a
geografia é uma disciplina muito atual, e o porquê de não gostarem, os mesmos disseram que:

porque estuda mapas, não gosto de mapas;

porque acho complicado de entender;

porque as respostas das atividades são muito grandes;

porque as aulas são chatas;

porque não tem nada de interessante;

porque a professora só mostra mapas;

porque tenho que decorar as respostas e elas são grande;

porque as aulas são chatas, o professor fala muito e eu não entendo nada.

É possível constatar a partir da fala dos alunos, que os mesmos ainda têm uma visão de que a geografia é uma disciplina decorativa, conteudista. Pode-se perceber que os alunos ainda não tem a consciência de que eles fazem parte da realidade do mundo, os mesmos
não estão construindo conhecimento, apenas repetindo o que já está pronto nos livros ou na

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fala dos professores, deste modo, os alunos estão somente reproduzindo definições que estão
prontas e acabadas nos livros didáticos, deixando de lado a construção do conhecimento.
Percebe-se pela fala dos alunos que para eles a disciplina de geografia é uma disciplina de memorização, onde os mesmos estão sempre na inércia, ouvindo o professor em
suas aulas expositivas. Ainda de acordo com Pires (2012), ainda permanece na geografia aulas
expositivas, pois para que o professor introduza novos recursos metodológicos em suas aulas,
e necessário tempo e dedicação, e isso representa mais trabalho para os professores. A forma
como os conteúdos estão sendo trabalhados provoca o desinteresse dos alunos.
Ainda de acordo com o gráfico2, dos alunos entrevistados 10% são apáticos a
disciplina de geografia, ou seja, não gostam e nem odeiam. A seguir algumas respostas.

Para mim é uma disciplina normal;

De todo jeito tenho que estudar, então tanto faz;

É a mesma coisa das outras disciplinas.

O que se nota aqui é que como esses alunos, não gostam e nem odeiam, há uma
possibilidade de gostarem da disciplina, de se desenvolverem na construção dos conhecimentos geográficos, pois basta aqui que os professores trabalhem melhor suas práticas para que os
alunos se interessem pela disciplina.
Foi perguntado aos alunos se é possível utilizar os conhecimentos da disciplina de
geografia no dia-a-dia? Segue o grafico3 com a porcentagem dos alunos que disseram ser
possível, bem como os que relataram não ser.
Gráfico 3: porcentagem de alunos em relação a utilização da geografia.
Utilização da Geografia

27%
73%

É possível
Não é possível

Fonte: AMORIM, B.P.S., 2013.

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De acordo com o gráfico 3, dos alunos entrevistados 73% disseram ser possível
utilizar os conhecimentos adquiridos pela disciplina de geografia, e somente 27% expuseram
não ser possível. Segue abaixo algumas das respostas da maioria dos alunos.

Sim, porque podemos utilizar os mapas;

Sim, para não desmatar;

Não, pois não tem nada a ver com minha vida, só com o planeta;

Sim, mas ainda não sei como, talvez um dia;

Sim para localizar as regiões;

Não, pois não tenho nada a ver com outros países;

A partir da fala dos alunos é possível perceber que a maioria dos alunos dizem ser
possível utilizar os conhecimento da disciplina em seu dia-a-dia, porém suas justificativas não
foram satisfatórias, pois os mesmos tem uma visão muito fragmentada da disciplina, onde os
alunos não conseguem estabelecer uma conexão da disciplina de geografia com sua vida cotidiana, ou seja os mesmos não concebem a geografia como sendo útil para sua vida. Segundo
Pessoa (2007) o professor não pode deixar de trabalhar a realidade do aluno, pois se assim o
fizer tornará a disciplina de geografia meramente livresca, teórica, e sem articulação com o
mundo vivido. O que torna a disciplina desinteressante. Já os alunos que descreveram não ser
possível utilizar esses conhecimentos, disserem que a geografia não tem utilidade alguma para
sua vida prática.
Aos alunos envolvidos na pesquisa também foi perguntado quais recursos metodológicos os professores utilizam nas aulas de geografia? Com que frequência são utilizados?
E também como são as aulas de geografia? Os recursos metodológicos relatados foram: Data
show, retroprojetor, DVD, computador e internet, TV, mapas, livros didáticos, jornais e revistas.
De acordo com as respostas dos alunos, do Colégio Estadual Maria Eulália de
Jesus Portilho, as aulas de geografia são planejadas tomando como principal recurso o livro
didático, e também a utilização de mapas, vez ou outra os professores utilizam outros recursos
metodológicos, e com isso se nota que as aulas ministradas ainda não perderam a característica tradicional de ensino onde as aulas são realizadas por meio dos livros didáticos, com aulas
expositivas, cuja mediação só ocorre pela fala do professor, poucas vezes, há uma inovação na
metodologia utilizada. E isso torna as aulas de geografia monótonas, causando o desinteresse
dos alunos pela disciplina.

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Relata Pires (2012), o professor utiliza o livro didático devido à falta de tempo
para preparar atividades alternativas, pois essas atividades mesmo que apresentem resultados
satisfatórios de aprendizagem representam mais trabalho para os professores que as atividades
rotineiras.
Neste sentido o professor deve sempre procurar inovar na sua prática, para que
desta forma instigue sempre a vontade de aprender do aluno, despertando sua curiosidade, seu
desejo de aprender, pois caso contrário, o aluno se sente desmotivado, não presta atenção nas
aulas e não se interessa em aprender.
Descreve Pires (2011), a maioria dos professores ainda utiliza-se de práticas repetida em anos de profissão, vigorando estratégias de ensino centradas na voz do professor e na
passividade do aluno, eliminando, com isso, a chance de fazê-lo elemento ativo do processo
de ensino-aprendizagem.
Em relação às aulas foi perguntado no questionário como são as aulas de geografia? Os aluno dos professores P1 e P3 disseram haver uma boa interação com os professores,
já os alunos do professor P2 disseram que a relação é boa, porém o professor é mais severo,
onde os alunos disseram que as aulas são cansativas, bastante teóricas, e o professor fala bastante e passa muitas atividades. Os alunos do professor P1 são os que de acordo com o questionário, aqueles que mais gostam da disciplina de geografia, pois possuem um diálogo maior
com a professora. De todos os professores entrevistados a professora P1 é a que mais tenta
diversificar sua prática, embora os alunos reclamassem que a mesma utiliza sempre em suas
aulas mapas, e eles disseram estarem um pouco fartos de mapas em todas as aulas, e isso mostra que o professor diversificou sua metodologia introduzindo mapas, porém, faz utilização
deste recurso sempre, fazendo com que se torne uma atividade rotineira entediando os alunos
da mesma forma.
Percebemos que o modo como a geografia tem sido ensinado tem contribuído
pouco para o desenvolvimento das competências e habilidades, necessárias para a formação
de um cidadão crítico. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN, é essencial que a geografia se liberte da concepção de disciplina de caráter informativo, para se transformar numa forma de construção reflexiva e dinâmica, para que desta forma dê condições
para que o educando tenha o entendimento da evolução da sociedade.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Durante a realização deste trabalho procurou-se compreender toda a trajetória da
geografia como ciência desde seu surgimento, bem como os caminhos que a mesma percorreu
até o momento em que chegou à sala de aula.
Percebe-se que claramente são indiscutíveis as mudanças da evolução do tempo.
O mundo muda, vai se transformando, evoluindo, a sociedade, as ideias, e com a geografia
não é diferente, foi vivenciada e debatida de acordo com a visão de cada pensador em cada
contexto histórico pela qual passou. Os defensores da geografia, inclusive os filósofos que
também contribuíram para a evolução desta ciência, mesmo que às vezes com visões equivocadas, foram de suma importância para a evolução da geografia. Todas as correntes de pensamento, métodos de analisar o espaço geográfico, teorias, definições, foram necessários, pois
através desses debates e dos pensamentos errôneos é que se buscaram conhecimentos para a
evolução do pensamento geográfico.
Por meio de todos os acontecimentos transcorridos nos capítulos anteriores, chegamos à geografia atual, que é desenvolvida nas escolas. Não foi objetivo de esta pesquisa
apontar responsáveis pelos problemas no ensino, pois há vários fatores que envolvem o ensino
de geografia, como formação dos professores, falta de materiais didáticos, condições de trabalho, o que deve ser levado em consideração na análise da prática pedagógica do professor. O
que se quer é refletir sobre como está à prática pedagógica do professor de geografia na escola
participante dessa pesquisa.
Constatamos a partir do que foi respondido pelos alunos e professores nos questionários que há uma contradição na fala de ambos, pois os professores disseram utilizar metodologias variadas, já os alunos disseram que os professores utilizam o livro didático sempre, e
poucas vezes há a utilização de recursos metodológicos. Entendemos que é necessário ouvir o
que os alunos têm a dizer visto que eles são a representação verídica do que é produzido pelo

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professor na sala de aula. Partindo desse princípio, portanto percebemos que há no ensino de
geografia um ensino que está apenas reproduzindo o que está pronto nos livros didáticos, onde
os alunos estão concebendo a geografia de forma fragmentada, descritiva e de memorização.
Isso ocorre devido ao fato dos professores ainda utilizar métodos tradicionais de ensino.
O que se percebe é uma geografia conteudista, que acaba não permitindo um ensino que vise a formação para a cidadania, para colocar o aluno como pertencente a sociedade.
Para que o ensino deixe de ser fragmentado, dissociado da realidade do aluno, é preciso repensar a forma que os professores estão ministrando suas aulas, é preciso desenvolver um
ensino que sempre estimule o raciocínio do aluno, para que o mesmo seja capaz de fazer análises e reflexões sobre seu cotidiano, no entanto o que se percebe é um ensino tradicional, que
causa desmotivação, nos alunos.
Percebemos com essa pesquisa que a forma como as aulas estão sendo ministradas no Colégio Estadual Maria Eulália de Jesus Portilho, não estão atendendo as exigências
atuais, pois não está conseguindo inserir um ensino que esteja voltado para a realidade do
aluno, e com isso os alunos não se sentem interessados pelos conhecimentos geográficos, e
isso fica claro na fala dos alunos que dizem estudar geografia memorizando, ou seja os alunos
não estão construindo seus próprios conhecimentos apenas repetindo o que está no livros didáticos. Portanto é necessário urgentemente um ensino de geografia inovador e crítico, que
leve em consideração a realidade do aluno, que não deixe o aluno como mero expectador mais
que o torne atuante na sociedade, propondo um ensino que propicie ao educando uma aprendizagem mais significativa.

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