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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITARIA DE IPORÁ CURSO DE GEOGRAFIA ROBERTA CRISTINA SILVÉRIO SILVA O

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITARIA DE IPORÁ CURSO DE GEOGRAFIA

ROBERTA CRISTINA SILVÉRIO SILVA

O ENSINO DE GEOGRAFIA-UM OLHAR DOS PROFESSORES SOBRE O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO E RECONSTRUÇÃO DE APRENDIZAGEM NO ENSINO FUNDAMENTAL II: ANÁLISE DA ESCOLA ESTADUAL ANA ALGEMIRA DO PRADO, NO MUNICÍPIO DE PALESTINA DE GOIÁS.

IPORÁ

2013

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE IPORÁ CURSO DE GEOGRAFIA

ROBERTA CRISTINA SILVÉRIO SILVA

O ENSINO DE GEOGRAFIA- UM OLHAR DOS PROFESSORES SOBRE O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO E RECONSTRUÇÃO DE APRENDIZAGEM NO ENSINO FUNDAMENTAL II: ANÁLISE DA ESCOLA ESTADUAL ANA ALGEMIRA DO PRADO, NO MUNICÍPIO DE PALESTINA DE GOIÁS.

Trabalho de Conclusão apresentado à Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Iporá, como exigência parcial para a conclusão do curso de graduação Licenciatura plena em Geografia.

Orientadora: Profª. Ivanir da Costa Alves

IPORÁ

2013

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação ( CIP )

________________________________________________________________________________

S586e

Silva, Roberta Cristina Silvério

O ensino de geografia um olhar dos professores sobre o processo de construção e reconstrução de aprendizagem no ensino fundamental II:

análise da Escola Estadual Ana Algemira do Prado, no município de Palestina de Goiás / Roberta Cristina Silvério Silva. - 2013. 81 f.: il.

Monografia (Licenciatura em Geografia) Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Iporá. Iporá, 2013. Orientadora: Profª. Ivanir da Costa Alves.

ensino. 3. Aprendizagem. I. Título.

1. Geografia. 2. Geografia Estudo e

CDU: 911

ROBERTA CRISTINA SILVÉRIO SILVA

O ENSINO DE GEOGRAFIA- UM OLHAR DOS PROFESSORES SOBRE O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO E RECONSTRUÇÃO DE APRENDIZAGEM NO ENSINO FUNDAMENTAL II: ANÁLISE DA ESCOLA ESTADUAL ANA ALGEMIRA DO PRADO, NO MUNICÍPIO DE PALESTINA DE GOIÁS.

Monografia defendida no curso de Geografia da UEG de Iporá, para obtenção do grau de

Licenciatura em Geografia, aprovada em

/

________

___________

de

_________

, pela Banca

Examinadora constituída pelos seguintes professores:

__________________________________________

Profª. Ivanir da Costa Alves UEG-Iporá

Presidente da Banca

_________________________________________

Prof. Divino José Lemes de OliveiraUEG-Iporá

(Membro)

_______________________________________

Profª. Marlucia MarquesUEG-Iporá

(Membro)

Dedico este trabalho primeiramente a Deus por ter

me proporcionado a vida e ao meu pai que não esta

mais aqui comigo, mas, sei que lá de cima olhou por

mim em todas as minhas dificuldades. Foi à pessoa

que sempre me incentivou a estudar e lutar por um

futuro melhor.

AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a Deus por ter me proporcionado a vida, saúde e

sabedoria para completar mais uma das grandes conquistas em minha vida.

Aos meus Pais Luis Teodoro da Silva e Maria Rosimar Silvério Silva, pelo amor,

carinho, paciência e incentivo que eles me proporcionaram em todos os momentos da minha

vida, obrigada por tudo

...

Vocês é meu porto seguro.

As minhas irmãs Ihúguia Cássia Silvério Silva e Ihuguiane Mirele Silvério Silva,

pelos momentos de brigas e companheirismo que muito me ajudaram a crescer

...

Adoro

vocês.

Ao meu namorado Adriel que mesmo longe me deu toda a força de que eu

precisava. Muito obrigada meu amor

...

Te Amo

Aos meus familiares obrigada pela influência positiva, foi de grande incentivo.

Aos meus colegas de faculdade, obrigada pelas experiências e conhecimentos

compartilhados no decorrer do curso e até mesmo fora, vão dar saudades todos os momentos

em que passamos juntos.

A minha professora orientadora Ivanir Alves pela dedicação, paciência,

compreensão e direcionamento das idéias para a realização do meu trabalho.

Aos meus amigos obrigada pela força e perseverança para a conclusão do curso.

A todos os professores que transmitiram conhecimento ao longo desses quatro

anos de curso os meus sinceros agradecimentos aos professores da banca, obrigada pela

contribuição no trabalho.

Enfim, obrigada a todos que diretamente e indiretamente torceram e contribuíram

para mais essa conquista na minha vida, os meus sinceros agradecimentos.

“O único lugar aonde o sucesso vem antes do trabalho é no

dicionário”.

Albert Einstein

RESUMO

O presente trabalho tem como tema, um estudo dos docentes de Geografia do Colégio

Estadual Ana Algemira do Prado da cidade de Palestina de Goiás, ressaltando as propostas

para enfrentar os desafios diários encontrados em sala de aula. Nasceram, assim, as seguintes

perguntas: As novas metodologias de ensino têm chamado mais a atenção dos alunos para as

aulas de Geografia? E o diálogo entre professor e aluno, tem influência positiva no

ensino/aprendizagem? A escola escolhida para esta pesquisa foi da rede estadual de ensino,

sendo a única que trabalha com o Ensino Fundamental II, na cidade de Palestina de Goiás. O

objetivo da pesquisa foi verificar as práticas didáticas pedagógicas mais utilizadas e propor

alternativas capazes de direcionar caminhos para enfrentar os novos desafios. A metodologia

empregada foi a análise do plano de ensino, visando o estudo das metodologias que são

utilizadas pelos professores, análise de documentos oficiais e entrevistas com os docentes por

meio de questionários. Concluída as análises, pode-se dizer que os docentes têm buscado

novas metodologias para trabalhar a Geografia, mesmo não sendo com muita frequência, no

entanto encontram vários obstáculos ao ministrar suas aulas, pois na maioria das vezes os

alunos não demonstram interesse pela disciplina.

Palavras-chave: Ensino; geografia; metodologia.

ABSTRACT

This paper chose as its theme, the study of teachers Palestinian city of Goiás, on which

proposals to face the daily challenges encountered by them in the classroom. Born, so the

following questions: The new teaching methodologies have called more attention to students'

classes Geography? And the dialogue between teacher and student has positive influence on

learning the polite? The school chosen for this research was the state schools, and the only

one that works with elementary school II, the city of Palestine Goiás The objective of the

research was to recognize the didactic pedagogical practices most used and propose

alternatives able to direct paths to face the new challenges. The research was supported with

analysis of the teaching plan, aimed at the study of teaching methodologies that are used by

teachers, analysis of official documents, and interviews with teachers through questionnaires.

Completed the analysis , it can be said that teachers have sought through methodologies for

working with geography , although not very often , but always makes use of new

methodologies , however are several obstacles to teach their classes , since most of times

students do not show any interest in the lessons .

Keywords: education; geography; methodology.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ........................................................................................................................11

CAPITULO 1-As DIFERENTES CONCEPÇÕES DA GEOGRAFIA: NOVAS

CONTRIBUIÇÕES

14

  • 1.1 Geografia e ensino ..............................................................................................................14

  • 1.2 O ensino de geografia no contexto atual

21

  • 1.3 Matrizes de referencia para o ensino fundamental do estado de Goiás ..............................29

CAPITULO 2-DESAFIOS E PERSPECTIVAS DO ENSINO DE GEOGRAFIA.........33

  • 2.1 O papel da escola e do professor

37

  • 2.2 Geografia e o aluno

45

CAPITULO 3- DELINEAMENTO METODOLÓGICO ...................................................50

  • 3.1 Uma breve caracterização da cidade em estudo ..................................................................50

  • 3.2 Metodologia da pesquisa .....................................................................................................51

  • 3.3 Sujeitos e contexto das representações da pesquisa ............................................................51

  • 3.4 O contexto das representações da escola e professores ......................................................52

  • 3.5 Histórico da escola ..............................................................................................................52

  • 3.6 Procedimentos para coleta de dados ...................................................................................55

  • 3.7 Concepção filosófica, pedagógica e metodológica do Colégio Estadual Ana Algemira do

Prado

.........................................................................................................................................

56

PROPOSTAS PARA ENFRENTAR NOVOS DESAFIOS ...............................................58

CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................72

5 REFERÊNCIAS

...................................................................................................................

73

ANEXOS ..................................................................................................................................76

INTRODUÇÃO

A Geografia percorreu um longo caminho cheio de obstáculos até se tornar uma

das ciências mais renomadas do mundo e com vasto campo de pesquisa. Ao longo dos anos

vários autores perceberam a necessidade de se ter essa ciência como disciplina escolar, pois

por meio dela a sociedade perceberia sua grande importância na vida de cada um.

A presente pesquisa pretende discutir as várias concepções impostas tanto pela

Geografia Tradicional, a Geografia Crítica e a Geografia Moderna, levantando as várias

questões de importância social, política, local e territorial que influenciaram e influenciam

essa ciência a se tornar uma das mais importantes disciplinas escolar na atualidade.

A pesquisa visa reconhecer as práticas didáticas pedagógicas mais utilizadas e

sugerir alternativas capazes de direcionar caminhos para enfrentar os novos desafios para o

ensino de Geografia.

Para responder ás indagações propostas neste estudo, utilizou-se uma metodologia

de natureza qualitativa do tipo pesquisa campo e, para sua efetivação fez-se o uso de

questionários aplicados para alunos de duas turmas e para os professores da disciplina de

Geografia, em uma Escola da Rede Estadual de Ensino. Com isso foram identificadas

metodologias empregadas no ensino dos conteúdos programáticos de Geografia na segunda

fase do Ensino Fundamental verificando a real contribuição do ensino dessa disciplina para a

formação dos alunos.

A partir destas considerações, a presente pesquisa busca diagnosticar as diferentes

concepções e dificuldades encontradas pelos professores de Geografia do Ensino

Fundamental II, da cidade de Palestina de Goiás. Observam-se ainda as perspectivas e os

métodos que esses profissionais utilizam para ministrar suas aulas.

O trabalho se organiza em quatro capítulos, sendo que no primeiro relata-se a

trajetória da Geografia primeiramente enquanto ciência, pois ela tinha muita importância, no

entanto seus estudos eram fragmentados, ou seja, se estudasse a sociedade, não se estudava o

meio em que estava inserida, estudava-se a natureza, mas não a paisagem, estudava se o meio,

mas não o território, deixando assim os pesquisadores insatisfeitos com suas pesquisas,

havendo-se a necessidade de se unir todas essas questões para formar uma ciência de respeito.

Com a união de todos os quesitos a Geografia ganhou seu espaço e foi a partir desse momento

que os pesquisadores viram a necessidade de expandir ainda mais essa ciência, pois ao longo

dos anos foram se juntando pesquisas com dados precisos, e foi por meio delas que

perceberam que seria necessário que a sociedade também estudasse essa ciência, tornando

dessa forma a Geografia em disciplina escolar.

A Geografia num primeiro momento, enquanto disciplina recebia o nome de

Estudos Sociais, quando se estudava somente o meio social. Depois de algum tempo que ela

passou a ser chamada de disciplina de Geografia, e sua área de estudo se tornou muito mais

ampla. Com o passar dos anos essa disciplina ganhou mais espaço nas salas de aula, no

entanto, foi no século XXI, que essa ciência se destacou, com o grande avanço tecnológico, a

seu favor.

O segundo capítulo fala sobre as mudanças que foram ocorrendo no decorrer dos

anos no ensino escolar, pois atualmente a sociedade conta com a tecnologia a seu favor, no

entanto em relação ao ensino escolar somente uma minoria das escolas conta com uma

pequena parte dessa tecnologia a seu favor, para poder facilitar a aprendizagem dos educando.

No entanto para se ter uma educação de qualidade é necessário que tanto a escola

como os professores estejam preparados para receber os alunos. Educar é uma das práticas

mais antigas do mundo e as escolas em seu passado já foram muito mais rígidas em se

tratando de educação, quando era comum a neutralização das diferenças e a submissão dos

alunos. Os métodos de ensino eram por meio do controle do corpo, levando o aluno a

sujeição de suas forças, sendo sempre imposta uma relação de docilidade, em que ao

educando era imposto somente ouvir, não podendo dar sua opinião no decorrer das aulas.

Hoje a escola tem grande papel a ser desenvolvido perante a sociedade e deve oferecer uma

educação de qualidade para que os alunos saiam da escola como cidadãos pensantes, além de

aprender a criar valores como: o respeito ao próximo, a zelar pelo patrimônio público, a

sempre se utilizar da verdade, a respeitar aquilo que possuem.

O terceiro capítulo fala sobre a caracterização da cidade de Palestina de Goiás e

da escola campo, onde foi realizada a pesquisa que foi feita através de questionários com os

docentes do ensino fundamental II, para saber quais são as metodologias que eles usam para

ministrar suas aulas, e também análise de documentos oferecidos pela instituição, que foram

de fundamental importância para saber quais são as regras básicas que regem a escola.

O quarto capítulo relata sobre as propostas para enfrentar os novos desafios, pois

diariamente o professor deve se inovar para ministrar suas aulas, utilizando todos os recursos

necessários para chamar a atenção de seus alunos.

Entretanto, a escolha do tema tem como objetivo contribuir para o avanço das

discussões acerca da compreensão das práticas didáticas pedagógicas como marco importante

para o processo ensino aprendizagem e descobrir estratégias favoráveis ao desenvolvimento

de cada educando, mediante os processos de aprendizagem, constituídos nas formas de

mediação e interação social.

A escolha da escola campo foi pelo fato de possuir somente uma unidade de

ensino fundamental II na cidade de Palestina de Goiás, como estudei todo o ensino

fundamental e médio nessa escola, ao longo dos anos pude perceber que alguns professores

que em sua maioria são atuantes na disciplina de Geografia, nessa instituição, não tinham

muita facilidade em ministrar suas aulas, tendo como foco principal somente o livro didático.

A escola possuía alguns recursos metodológicos como (TV, DVD, retroprojetor),

no entanto os professores de Geografia não utilizavam nenhum, para chamar a atenção dos

alunos. O planejamento era o mesmo durante anos para todas as turmas. A escola ainda

possuía um grave problema, sendo que a maioria dos profissionais pertencia à mesma família,

(seguindo uma forma de hierarquia) sendo que os professores formados em História

lecionavam a disciplina de Geografia, seguindo dessa forma com as outras disciplinas.

Diante destas considerações a presente pesquisa buscou diagnosticar as

dificuldades dos professores de Geografia da cidade de Palestina de Goiás ao trabalhar com

esta disciplina, quais são as perspectivas e os métodos que estes utilizam nas suas práticas

metodológicas.

Acredita-se que esta pesquisa possa colaborar para que o ensino de Geografia seja

repensado no Colégio Estadual Ana Algemira do Prado da cidade de Palestina de Goiás,

levando em consideração não somente as necessidades dos educandos que são muitas e

principalmente são fundamentais para a vida de cada um. Mas também levar em consideração

os objetivos, as perspectivas e os sonhos dos professores que estão à frente desta instituição

ministrando a disciplina de Geografia que ao longo desta pesquisa percebeu-se que não é uma

tarefa fácil.

1.

AS

DIFERENTES

CONTRIBUIÇÕES

CONCEPÇÕES

DA

GEOGRAFIA:

NOVAS

1.1 Geografia e ensino

A geografia é uma das ciências mais antigas da história. Segundo Sodré (1989, p.

14), foram os gregos os primeiros a registrar os conhecimentos geográficos, que, aliás,

batizaram os conhecimentos sobre a superfície da Terra como Geografia. Herótodo¹ não foi

apenas o pai da Geografia, ele foi também o primeiro a tratar dos aspectos geográficos como

localização e orientação em sua obra.

Segundo Sodré (1989, p.17,18) “os romanos eram conquistadores, mas deixava os

gregos submetidos ainda à primazia de acumular os conhecimentos geográficos”; Políbio²

descreveu como as correntes cavavam os vales; Possidônio³ mediu a profundidade do mar na

região da Sardenha e descreveu os povos da Galícia e das Astúrias; Teofrasto 4 escreveu a

história das plantas, relacionando-as com o clima; Agartácides classificou as tribos da Etiópia

segundo sua dieta; Hiparco 5 inventou a projeção estereográfica, que permitiu maior

fidelidade na representação das regiões e dos roteiros, renovando a cartografia.

Na antiguidade os conhecimentos geográficos foram sistematizados por Estrabão6

e Cláudio Ptolomeu7. O primeiro viveu na época de Cristo e sintetizou, em longa obra, tais

conhecimentos. O segundo voltava-se mais para a matemática, ambos tiveram grande

importância para a existência da geografia. Ainda na antiguidade, a Geografia era vinculada a

outras disciplinas, havia filósofos, historiadores, cientistas, que se referiam, secundariamente,

a aspectos geográficos. Relata Sodré (1989, 19), “que a Geografia aparecia, antes de definir o

seu campo, os seus métodos, as suas técnicas, como tributária e desimportante, de outras áreas

do conhecimento, científicas ou não. Estava ainda carregada de mitos, lendas, deformações,

que escondiam o que, em seus rudimentos, havia de verdadeiro e duradouro”.

Na Geografia moderna esses conhecimentos foram sendo transformados,

conforme se desenvolvia o capitalismo, pois foi através das várias viagens e das intensas

atividades comerciais entre os gregos que permitiu-lhes conhecer e explorar vários lugares

diferentes e dessa forma aprimorar os conhecimentos já existentes. Para Sodré (1989, p.19) do

ponto de vista geográfico, a época 1 oferece as grandes viagens, estimuladas pelo interesse

religioso ou pelo interesse mercantil.

Relata Sodré (1989, p. 21) que foi no século XVII, que a Geografia ganhou maior

importância do ponto de vista histórico, o ritmo do processo histórico se acelera, aprofunda-se

a relação dialética entre descobrimentos e as inovações técnicas. Dessa forma os pesados

galeões substituem as caravelas; o cálculo da longitude se aproxima da exatidão; a velocidade

dos navios pode ser medida; aparecem os relógios marítimos e os cronômetros; Picard 8 mede

o arco do meridiano com precisão; Torricelli9 inventa o barômetro. As viagens de

devassamento se multiplicam, em todos os mares e, no final do século XVII, começam a

assumir a Geografia como caráter científico.

Ainda segundo Sodré (1989, p. 23), foi nesse século que o mundo começou a

assistir as primeiras tentativas de lançamento das bases da Geologia, com Stené. Foi na

segunda metade desse século, que começaram a surgir os primeiros mapas de linhas

hipsométricas10. No entanto, do ponto de vista da história da Geografia, residiu no

aparecimento de duas obras de grande importância para fortalecimento desta, que são: a

Introdução à Geografia Universal, de Cluverius, de 1626, e a Geographia Generalis, de

Varenius, de 1650. Cluverius dividiu sua obra em duas partes, na primeira parte resume os

conhecimentos da Geografia Matemática; na segunda alinha a descrição regional de

numerosos países. No entanto uma das obras que mais se destacou na história da Geografia

foi à obra de Bernhard Varen (Verenius), que foi considerado um dos principais pioneiros da

Geografia. Ele considerava que o estudo dos fenômenos registrados na superfície da Terra

dividia-se em três partes: Celestes, Terrestres e Humanos.

Sodré (1989, p.110) diz, que “a confusão entre o histórico e o geográfico chegou

até o nosso tempo”. A disciplina geográfica, já havia percorrido por um longo caminho, e já

livros contendo a história e descrições de povos e locais de todo o mundo que lhe era conhecido à época.

  • 7 Cláudio Ptolemeu, foi um cientista grego que viveu em Alexandria, uma cidade do Egito. Ele é reconhecido pelos seus trabalhos em matemática, astrologia,astronomia, geografia e cartografia.

  • 8 Auguste Antoine Picard foi um físico, inventor e explorador suíço. Foi o inventor do batiscafo, espécie de submarino utilizado para pesquisas a grandes profundidades.

  • 9 Torricelli (1608-1647) nasceu em Faenza, região ao Norte da Itália, no dia 15 de outubro de 1608. Foi físico e matemático italiano. Descobriu o princípio do barômetro. Seus estudos sobre cálculo deram origem ao Cálculo Integral. Se dedicou ao estudo e planejamento de telescópios, microscópios e instrumentos de precisão.

tinha todas as condições necessárias de se emancipar-se no final do século XVIII, no entanto,

um dos maiores problemas que a Geografia encontrou por um bom tempo, foi ser conhecida

como servidora da história. Outro grande problema que apareceria mais adiante seria a relação

homem natureza, que até então, persiste até os dias atuais.

Segundo Sodré (1989) O berço da Geografia moderna dá-se na Alemanha com

Humboldt¹¹ e Ritter¹², no entanto, para a sua permanência enquanto ciência, a Geografia

passou por um longo caminho para chegar à modernidade, passando de um modelo

cosmológico para um modelo geocêntrico para que as instituições dominantes aceitassem as

teorias. Conforme ressalta Pereira (1999, p. 90 apud D’Ávilla, 2003, p. 16) “[

...

]

geografia

moderna está ligada à consolidação e rearticulação do pensamento.”

A Geografia passa a ter conceito definido, quando surge a relação homem versus

natureza. Enquanto ciência, a Geografia estuda as relações entre o homem e a natureza, o

processo 2 de apropriação e de organização do espaço natural pela sociedade, vinculado ao

conhecimento da natureza e dos diversos ramos científicos, que se ligam, formando assim

uma unidade científica.

Conceitos de Geografia como a Paisagem, Território, Lugar e Espaço vão se

tornando disciplinas, conforme vão surgindo as viagens geográficas, a necessidade de se

conhecer a Terra, os interesses comerciais (pois deveria conhecer novos comércios), certificar

o que era mito e o que era verdade, a necessidade de se conhecer o espaço e a natureza,

3 fazendo-se assim uma ampliação e uma junção dos conhecimentos geográficos.

10 Linhas Hipsométricas,

é uma técnica de representação da elevação de um terreno através de cores. Geralmente

é utilizado um sistema de graduação de cores. Esquemas convencionais para a hipsometria começam com a cor

 

verde-escuro, para baixas altitudes e, passando por amarelo e vermelho, até o cinza e branco para grandes

 

elevações.

 
¹¹
¹¹

Alexander von Humboldt foi um cientista de uma polivalência. Ele desenvolveu (e se especializou em) diversas áreas:

¹² Carl Ritter foi um ggrafo e naturalista, nascido em Quedlinburg, pertencente à Prússia. Ritter foi, junto com Alexander von Humboldt, um dos precursores da Geografia Moderna. Ritter foi ainda o primeiro professor de geografia regular e fixo em uma universidade, sendo que a cátedra de geografia da Universidade de Berlim foi instituída justamente para que ele a ocupasse.

De acordo com o PCN de Geografia (2001) é considerada uma ciência que

propõe um trabalho pedagógico onde visa à ampliação das capacidades dos alunos, propondo

assim incentivar a aprendizagem do educando. Formando assim como comenta Cavalcanti

(2003, p.10) que “é preciso que se considere, além disso, a relação entre essa ciência e sua

organização para o ensino, incluindo aí a aprendizagem dos alunos conforme suas

características físicas, afetivas, intelectuais e socioculturais”.

Foi no século XIX, que a Geografia passou a ser uma disciplina inteiramente

ligada ao Estado, quando foram criadas leis e normas nas quais se estabelecia que é através

das escolas que o conhecimento poderia ser melhor transmitido, pois, não bastava somente a

dedicação dos pesquisadores em dominar o saber geográfico, o domínio de conteúdo e os

métodos da ciência geográfica. Era necessário, como comenta os PCN’s (2001) que a

Geografia tivesse um tratamento específico como área, uma vez que oferece instrumentos

essenciais para compreensão e intervenção na realidade social. Será por meio dela que o

aluno irá compreender como as diferentes sociedades interagem com a natureza na construção

de seu espaço, as singularidades do lugar em que vivemos, o que o diferencia e o aproxima de

outros lugares, criando assim uma abertura para que a Geografia interaja com outras ciências.

Devido a esses fatores, surge a Geografia Tradicional, para dar um melhor

entendimento para se estudar os conteúdos da Geografia Crítica, ou seja, deixando de ser

pronta e acabada para dar, início a novas leis, surgindo assim os seguimentos dos conteúdos

que complementam e integram a mesma. De acordo com PCN

Essa nova perspectiva considera que não basta explicar o mundo, é preciso transformá-lo. Assim a Geografia ganha conteúdos políticos que são significativos na formação do cidadão. As transformações teóricas e metodológicas dessa Geografia tiveram grande influência na produção científica das últimas décadas. Para o ensino, essa perspectiva trouxe uma nova forma de se interpretar as categorias de espaço geográfico, território e paisagem, e influenciaram, a partir dos anos 80, uma série de propostas curriculares voltadas para o segmento de quinta a oitava séries. Essas propostas, no entanto, foram centradas em questões referentes a explicações econômicas e a relações de trabalho que se mostraram, no geral, inadequadas para os alunos dessa etapa da escolaridade, devido a sua complexidade. Além disso, a prática da maioria dos professores e de muitos livros didáticos conservou a linha tradicional, descritiva e descontextualizada herdada da Geografia Tradicional, mesmo quando o enfoque dos assuntos estudados era marcado pela

Geografia Marxista. (PCN’s, 2001, p. 05).

O método tradicional auxiliou e muito a evolução da Geografia, no entanto, suas

teorias tornaram-se ao longo dos anos insuficientes para apreender a complexidade e

principalmente, para explicá-la, pois a busca pela renovação da Geografia é constante. De

acordo com os PCN’s (2001, p.104) “o levantamento feito por meio de estudos apenas

empíricos tornou-se insuficiente. Era preciso realizar estudos voltados para a análise das

relações mundiais, análises essas também de ordem econômica, social, política e ideológica”.

A Geografia enquanto ciência e disciplina escolar devem ser entendidas por

aqueles que necessitam de conhecer o espaço para que se possa interagir com ela de maneira

apropriada. Segundo os PCN:

é, essencialmente, a busca de explicações mais plurais, que promovam a interseção da Geografia com outros campos do saber, como a Antropologia, a Sociologia, a Biologia, as Ciências Políticas. Uma Geografia que não seja apenas centrada na descrição empírica das paisagens, tampouco pautada exclusivamente na interpretação política e econômica do mundo; que trabalhe tanto as relações socioculturais da paisagem como os elementos físicos e biológicos que dela fazem parte, investigando as múltiplas interações entre eles estabelecidas na constituição de um espaço: o espaço geográfico. (PCN, 2001, p.106)

A Geografia crítica surgiu para auxiliar o ser humano a interagir com o meio em

que vive, para que dessa forma o ensino exposto em sala de aula tenha maior ligação com a

vida em sociedade. É necessário que a Geografia seja trabalhada de forma mais detalhada e

que acima de tudo seja refletida pelos educandos, como uma disciplina os leve perceber a

importância da realidade do mundo e o mais importante onde eles estão inseridos, conforme

cita Cavalcanti (2003, p. 33) “por ser um caminho metodológico possível para a construção e

a reconstrução de conhecimentos necessários ao desenvolvimento intelectual dos alunos”.

Sendo a Geografia uma área de conhecimento, pode levar os alunos a compreenderem a

realidade de forma mais ampla, nela interagindo de forma mais consciente. Segundo

Cavalcanti (2003, p. 33) a Geografia trabalha com conceitos que fazem parte da vida

cotidiana das pessoas e em geral elas possuem representações sobre tais conceitos.

O ensino de Geografia é marcado por várias etapas que vem desde a Geografia

Tradicional até a Geografia Moderna rodeada de fatores que se fundamentam entre si e

transcendem a sociedade. Os discursos que foram criados em torno da Geografia por

pensadores fazem parte de uma disciplina para se pensar e descobrir a realidade do espaço em

que o indivíduo está inserido, além de entender as paisagens e conceitos criados por eles, o

que é de total importância de noção para o ser humano. Conforme cita Cavalcanti:

A consideração aos conceitos e imagens formados pelos alunos na prática, na

experiência da “vida diária”, pode trazer subsídios ao encaminhamento de noções novas (porque, em princípio, ausentes do seu “universo interior”) contribuindo ao

objetivo de torná-las acessíveis e tratá-las de maneira significativa a esses alunos.

(CAVALCANTI, 2003, p.33)

A Geografia Tradicional se baseia no positivismo, sendo um instrumento

metodológico, que sustenta totalmente o ideal do tradicional, onde se observa apenas os

fenômenos do espaço. Sendo assim, ela é muito fragmentada, onde, por exemplo, se estudava

a população, mas não a sociedade; os estabelecimentos humanos, mas não as relações sociais;

as técnicas e os instrumentos de trabalho, mas não o processo de produção. O estudo em torno

dessa ciência ocorria por etapas que até então não se misturavam, fazendo com que a

Geografia não tivesse tanta importância para a sociedade.

Segundo Sodré (1989) Geografia Tradicional foi também marcada pela existência

de divisões, tais como a Geografia Física e a Geografia Humana, Geografia Geral e a

Geografia Regional. Sendo assim, a Geografia Física se preocupa com o meio natural,

enquanto a Geografia Humana se baseia nas distribuições dos aspectos humanos; a Geografia

Geral busca desvendar os fenômenos da superfície, desvendar os vários campos de estudo que

a Geografia proporciona, sendo campo para a Climatologia e a Geologia, entre outras. Já a

Geografia Regional busca desvendar as várias características da região.

A Geografia tradicional valoriza o papel do homem no espaço em que está

inserido, valorizando somente o que ocorre dentro desse meio, deixando conseqüentemente

seu estudo mais fragmentado, ou seja, dando maior ênfase no estudo em torno do meio, das

paisagens naturais e humanizadas. Com isso a Geografia passa a ser uma disciplina

transmitida e estudada de forma a abordar as relações do homem com a natureza de forma

objetiva, buscando assim a interpretação do meio. De acordo com os PCN

Os métodos e as teorias da Geografia Tradicional tornaram-se insuficientes para aprender essa complexidade e, principalmente para explicá-la. O levantamento feito por meio de estudos apenas empíricos tornou-se insuficiente. Era preciso realizar estudos voltados para a análise das relações mundiais, análises essas também de ordem econômica, social, política, e ideológica. Por outro lado, o meio técnico e científico passou a exercer forte influência nas pesquisas realizadas no campo da Geografia. Para estudar o espaço geográfico globalizado, começou-se a recorrer às tecnologias aeroespaciais, tais como o sensoriamento remoto, as fotos de satélite e o computador como articulador de massa de dados: surge o SIG (Sistemas Geográficos de Informação). (PCN, 2001, p.104)

Como pode ser visto os estudos voltados para a Geografia tradicional, como o

tempo foi se esgotando, sendo necessária a criação de novos rumos, novos métodos e teorias

para inovar a ciência, pois os estudos em torno dela já estavam um sobrepondo o outro e as

teorias com o passar dos tempos foram perdendo seu valor. De acordo com os PCN (2001),

partir dos anos 60, a Geografia Critica surgiu para contrapor a Geografia Tradicional. A

Geografia Critica vêm então com o objetivo de estudar as relações existentes sobre o meio. Os

PCN ressaltam que:

Os Geógrafos procuraram estudar a sociedade por meio das relações de trabalho e da apropriação humana da natureza para produzir e distribuir os bens necessários às condições materiais que a garantem. Critica-se a Geografia Tradicional, do Estado e das classes sociais dominantes, propondo-se uma Geografia das lutas sociais. Num processo quase militante de importantes geógrafos brasileiros, difunde-se a

Geografia marxista. [

]

Tanto a Geografia Tradicional quanto a geografia Marxista

... ortodoxa negligenciaram a relação do homem e da sociedade com a natureza em sua

dimensão sensível de percepção do mundo: o cientificismo positivista da Geografia Tradicional, por negar ao homem a possibilidade de um conhecimento que passasse pela subjetividade do imaginário: o marxismo ortodoxo, por tachar de idealismo alienante qualquer explicação subjetiva e afetiva da relação da sociedade com a natureza. (PCN, 2001, p.105)

A Geografia ganha espaço onde seu principal lema “não basta explicar o mundo, é

preciso transformá-lo” surgindo assim com novas perspectivas, para o contexto geográfico,

onde a Geografia passa a trabalhar com assuntos mais palpáveis, de forma a explorar os

diversos assuntos que integram essa ciência. Com isso a Geografia obtém novas aberturas

políticas, econômicas, sociais e culturais que são fundamentais na formação do cidadão.

Nos anos de 1960 as práticas pedagógicas da Geografia em escolas tradicionais

sofreram grandes transformações e interrupções na linha de ensino e pesquisa. Licenciaturas

curtas foram criadas e a Geografia e a História tiveram seus ensinos unificados e ministrados

como Estudos Sociais, com base na Lei Federal n° 5692/71.

A disciplina Estudos Sociais incluía também as disciplinas de História e

Organização Social e Política do Brasil e não possuía uma metodologia própria por isso havia

grande dificuldade em mantê-la. Segundo Buitoni (2010, p.13) ressalta que “a Geografia

fragmentada em Estudos Sociais, ausente da grade curricular como disciplina em todas as

séries do ensino fundamental, ficou cada vez mais empobrecida em termos de conteúdo e

prática pedagógica”.

O resultado da fragmentação da disciplina de Estudos Sociais gerou uma

qualidade de ensino que deixou muito a desejar. Conforme cita Oliveira (1998, p.138 apud D’

Ávila, 2003, p. 17) “alunos e professores têm sido uma espécie de vítima desse processo. A

Geografia que se ensina e se aprende não os motiva mais e, seguramente, está muito longe das

reais necessidades”. Surgindo assim a necessidade de uma reformulação de metodologia no

ensino de Geografia, incluindo assim, a valorização do conhecimento prévio do aluno nessa

área.

Entretanto, pode-se afirmar que o conhecimento geográfico é indispensável na

formação de indivíduos na vida social, pois é através deste que, se conhecera o espaço onde

está inserido, e o papel deste espaço nas práticas sociais.

Pereira (1999 apud D’Ávilla, 2003, p. 17) comenta que “o ensino de Geografia

significa ultrapassar a simples aparência fragmentária do espaço, resgatando a lógica de sua

produção social”. Os conhecimentos pré-recebidos devem ser considerados de total

importância, pois será por meio deles que o aluno aprenderá e terá como meta sinalizadora

para o aprofundamento de seus conhecimentos. De acordo com Cavalcanti:

[

...

]

o confronto dos dois tipos de conhecimento o conhecimento cotidiano (as

representações sociais) e o conhecimento científico ajuda a perceber os encontros e os desencontros entre eles, o que por sua vez traz importantes indicações de como trabalhar com os alunos considerando o conhecimento cotidiano como parâmetro inicial para a mobilização de educando e para a sua ressignificação no final do

processo de ensino/aprendizagem. (CAVALCANTI, 2003, p.168)

A Geografia no Brasil passa a ser ensinada por professores licenciados que

durante a graduação procuraram estudar metodologias, conteúdos, para que no desenvolver de

seu trabalho pudessem desempenhar novas formas de ensino. De acordo com os PCN:

As primeiras tendências da Geografia no Brasil nasceram com a fundação da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo e do Departamento de geografia, quando a partir da década de 40, a disciplina Geografia passou a ser ensinada por professores licenciados, com forte influencia da escola francesa de Vidal de La

Blanche. (PCN’s, 2001, p. 103)

Uma das principais discussões em torno da Geografia baseia-se na forma como

esta ciência está sendo repassada aos educandos das séries iniciais, pois é a partir dessa fase

da aprendizagem em que os educandos estão descobrindo e aprendendo a realidade onde os

mesmos estão inseridos. A Geografia possuiu um vasto campo de riqueza em seus conteúdos

que se transmitido de maneira adequada tem o poder de despertar nos educando que tudo o

que eles vivem fora da sala de aula é complementado e realidade com as disciplinas vistas em

sala de aula. Como mostra nos PCN

No que se refere ao ensino fundamental, é importante considerar quais as categorias da Geografia mais adequadas para os alunos em relação a sua faixa etária, ao momento da escolaridade em que se encontram e às capacidades que se espera que eles desenvolvam. Embora o espaço geográfico deva ser o objeto central de estudo, as categorias, paisagem, território e lugar devem também ser abordados, principalmente nos ciclos iniciais, quando são mais acessíveis aos alunos, tendo em

vista suas características cognitivas e afetivas. (PCN, 2001, p.110):

A procura de conhecer algo novo e diferenciado, tem início nas séries inicias,

dando continuidade nas séries seguintes e a Geografia tem o poder de oferecer isso aos

educandos, através de suas várias teorias e conceitos, possibilitando assim que eles tirem do

papel tudo o que foi visto na sala de aula, e levando para a sua rotina diária.

  • 1.2 O ensino de Geografia no contexto atual

Devido às grandes transformações gerais ocorridas na sociedade e sua dinâmica

no espaço, insere-se o ensino de Geografia. A história da Geografia se torna disciplina escolar

no início do século passado, quando foi introduzida nas aulas com o objetivo de contribuir

para a formação dos cidadãos. Vlach nos diz que a incorporação da Geografia no currículo

escolar:

Foi, indiscutivelmente, sua presença significativa nas escolas primárias e secundárias da Europa do século XIX que a institucionalizou como ciência, dado o caráter nacionalista de sua proposta pedagógica, em franca sintonia com os interesses políticos e econômicos dos vários Estados-nações. Em seu interior, havia premência de se situar cada cidadão como patriota, e o ensino de Geografia contribuíram decisivamente neste sentido, privilegiando a descrição do seu quadro

natural. (VLACH, 1990, p.45 apud in CAVALCANTI, 2003, p. 18)

Depois de algum tempo, a Geografia reaparece com uma nova função ideológica,

quando o objetivo da disciplina é caracterizado como transmissão de dados e informações

gerais sobre os territórios do mundo em geral e de países em particular. É a partir desse

momento que foi denotada a revisão das bases teóricas e metodológicas da ciência geográfica.

Segundo Cavalcanti

As reformulações da ciência geográfica levaram, então, a alterações significativas no campo de ensino de Geografia, mesmo porque alguns dos pesquisadores mais expressivos circularam nas duas áreas de investigação. Devido às várias reformulações surgiram inúmeros trabalhos, que denunciaram as várias fragilidades de um ensino com base na Geografia Tradicional, fazendo se assim, surgir o ensino

de uma Geografia Nova, com base em fundamentos críticos. (CAVALCANTI,

2003, p. 18)

No Brasil, o movimento de renovação do ensino geográfico faz parte de um

conjunto de reflexões epistemológico, ideológico e políticos da ciência geográfica, que teve

início na década de 1970. Cavalcanti (2003, p.19) afirma que se podem situar nesse

movimento alguns marcos importantes como a realização do 3° Encontro Nacional de

Geógrafos, em1978, onde se deram importantes mudanças como a ocorrida na organização da

AGB (Associação dos Geógrafos Brasileiros), promotora do encontro; e a realização em

1987, também pela AGB do 1° Encontro Nacional de Ensino de Geografia—“Fala Professor”.

Este último foi uma reformulação que vinha ocorrendo na Associação desde a década de

1970, que foi consolidado como espaço para discussões e divulgações de estudos de interesse

dos profissionais e estudantes de Geografia.

Na década de 1980 houve um expressivo aumento da discussão dos fundamentos

da Geografia e seu papel na sociedade e no ensino. Cavalcanti (2003, p. 19) comenta que as

várias discussões giravam em torno das condições de ensino da Geografia, das críticas

referentes aos conteúdos veiculados por essa matéria e aos fundamentos da ciência geográfica.

Lacoste¹³ surge nesse movimento, difundindo suas obras no Brasil no período de 1974-1988,

que tratavam prioritamente, da função ideológica da Geografia na escola e dos fundamentos

teórico-metodológicos da ciência geográfica.

Moreira (1992 apud Cavalcanti 2003, p. 19) considera que Lacoste teve um papel

decisivo ao dar impulso inicial às várias reflexões para a renovação da Geografia no Brasil,

principalmente ao considerar o comprometimento da “Geografia do professor” e o caráter

estratégico do saber sobre o espaço, “escondido” por esta ciência.

Atualmente muitas discussões vêm surgindo e rondando à respeito do ensino de Geografia nas escolas com o intuito de valorizar ainda mais essa ciência que possibilita ao ser humano conhecer e se organizar no espaço, conhecer sua própria

realidade social, incorporando assim a teoria na sua prática diária. (MOREIRA, 1992, p. 8 apud CAVALCANTI, 2003, p.19).

Mas para que haja um bom ensino dessa ciência é necessário que o futuro

professor seja habilitado tanto para trabalhar no Ensino Fundamental II como no Ensino

Médio. Contudo, deve-se propiciar ao futuro professor uma educação de boa qualidade,

principalmente com pensamentos críticos, para que esta mesma aprendizagem seja repassada

aos seus futuros alunos.

No entanto um dos grandes desafios diários encontrados pelo docente em

Geografia, na sua profissão é saber trabalhar os conteúdos desta rica ciência com seus alunos,

com a finalidade de mostrar a grande importância dessa ciência na vida social de cada

cidadão.

Saber o que trabalhar e quais conteúdos colocar em prática nas aulas faz com que

o docente trabalhe sempre em busca de novos materiais que façam suas aulas se tornarem

cada vez mais interessantes e produtivas, no conceito dos educando. Pois o professor já traz

consigo uma pré - busca, um ideal que será desenvolvido em sala, através de idéias, teorias

embasadas na vivência de cada educando no meio onde está inserido, interagindo assim suas

aulas conforme cada realidade vivenciada, para que assim facilite o entender de cada aluno.

A Geografia atualmente conta com diversas fontes de pesquisas a seu favor para

que o docente possa pesquisar, interpretar e levá-las para a sala de aula. No entanto, a

Geografia é uma ciência que vive em constante transformação, sendo necessário que o aluno

acompanhe essa transformação, para facilitar a sua aprendizagem.

Os conteúdos que são integrados à Geografia são de total importância para o

enriquecimento desta ciência, pois é através deles que os educando podem construir um

conhecimento crítico e mais profundo sobre a realidade, para que os dilemas que são

vivenciados todos os dias pelos educandos, fora da sala de aula, sejam amenizados ou até

mesmo compartilhados com os colegas, construindo assim aulas mais práticas para que os

educandos do ensino fundamental possam perceber que a teoria do livro é sua prática da

realidade, e saber com isso assimilar os conteúdos que estão sendo estudados dentro da sala

de aula com a sua própria realidade.

Cavalcanti (2003) ressalta que a Geografia ocupa, no currículo escolar, um lugar

privilegiado na formação da cidadania participativa e crítica. Ela ajuda os alunos a pensar a

realidade e atuar nela do ponto de vista da espacialidade, dimensão cada vez mais valorizada

pela ciência geográfica dada a complexibilidade do mundo.

O professor durante a prática pedagógica deve procurar e inovar sempre os

conteúdos, formando assim um ciclo, em que irá se formar outros conteúdos que

complementarão o primeiro, com isso o professor não ficará preso ao livro didático, com

conteúdos ultrapassados que ainda não foram atualizados. É muito importantes trazer esses

conteúdos para a realidade dos alunos, pois na maioria das vezes eles já vivenciam essa

realidade. Conforme cita Cavalcanti (2003, p. 20), que o ensino de Geografia, não se deve

pautar pela descrição e enumeração de dados, priorizando apenas aqueles visíveis e

observáveis na sua aparência. Pelo contrário, o ensino deve propiciar ao aluno a compreensão

do espaço geográfico na sua concretude, e nas suas contradições. Vesentini (1987 apud

Cavalcanti 2003) também considera que o professor deve ir além do conteúdo que está

somente no livro didático:

Um ensino crítico de Geografia não consiste pura e simplesmente em reproduzir num outro nível o conteúdo da(s) geografia(s) crítica(s) acadêmica(s); pelo contrário, o conhecimento acadêmico (ou ciêntifico) deve ser reatualizado,

reelaborado em função da realidade do aluno e do seu meio (

) não se trata nem de

... partir do nada e nem de simplesmente aplicar no ensino o saber científico; deve haver uma relação dialética entre esse saber e a realidade do aluno- daí o professor

não ser um mero reprodutor, mas um criador. (VESENTINI, 1987, p. 78 apud CAVALCANTI, 2003, p.22).

Para um ensino aprendizagem mais consistente e homogêneo é de fundamental

importância desempenhar uma reflexão pedagógica que se empenhe em analisar e

desenvolver uma relação conteúdos-métodos, onde se considere prioritamente o aluno como

sujeito do processo ensino-aprendizagem. Segundo D´Ávilla (2003, p.28) “a metodologia é a

ciência que estuda o método o qual pode ser definido como o conjunto de processos pelos

quais se torna possível conhecer determinada realidade para desenvolver certos

procedimentos ou comportamentos, Oliveira (2002, p.57 apud D´ Ávilla, p. 28) também

comenta, “que o método nos leva a identificar a forma pela qual alcançamos determinado fim

ou objetivo”. Assim, para que o ensino aprendizagem alcance seu objetivo é necessário que

este seja constituído por um conjunto de etapas, ordenadamente dispostas a serem

vivenciadas.

Essa ordenação metodológica possibilitará ao professor um bom desempenho em

sala que indicará o que fazer no momento certo. Segundo Galliano (1979, p.06 apud D’Ávilla

2003, p. 28) “a técnica é a tática da ação. Ela resolve o como fazer a atividade, soluciona o

modo específico e mais adequado pelo qual a ação se desenvolve em cada etapa”. A

metodologia que será colocada em prática não deverá considerar somente os espaços

predefinidos, mas pelo contrário deverá trabalhar temas ligados à problemática que está ligada

a ele, fazendo assim que o ensino passe por um processo de construção criada e recriada

diariamente, sendo capaz de surpreender e provocar os alunos. Garcia (2002, p.66 in apud

D’Ávilla, 2003, p, 28) cita que “a metodologia não é algo que possa ser resolvido previamente

por quem não está compartilhando o processo vivido”.

O primeiro passo ao se desenvolver uma boa metodologia é que esta seja pensada

e planejada para que todos os alunos tenham uma participação ativa no decorrer das aulas. A

aula tradicional deve ser substituída por uma mais atrativa onde os alunos devem ter muitas

dúvidas, questionar, propor enfim, mergulhar na dinâmica do trabalho. Cavalcanti afirma:

O domínio da ciência geográfica, refletido na matéria de ensino, bem como de seus métodos próprios é, sem dúvida, condição prévia para seu ensino. Mas cumpre destacar o fato de que nem a ciência é idêntica à matéria de ensino, nem os métodos da ciência idênticos aos métodos de ensino, ainda que guardem entre si uma unidade. Quando se trata de ensinar as bases da ciência, opera-se uma transmutação pedagógico-didática, em que os conteúdos da ciência se transformam em conteúdos de ensino. Há, pois uma autonomia relativa dos objetivos sociopedagógicos e dos métodos de ensino, pelo que a matéria de ensino dever organizar-se de modo que seja didaticamente assimilável pelos alunos, conforme idade, nível de desenvolvimento mental, condições prévias de aprendizagem e condições

A metodologia criativa possibilita novas formas de aprendizagem, indo muito

além dos conteúdos tradicionais e impondo constantemente novos desafios para os alunos.

Callai apud D’Ávilla, afima:

Precisamos ter clareza dos pressupostos da ciência com que trabalhamos engendrar novas formas pedagógicas para dar conta do ensinar e do aprender e entender que a aprendizagem supõe inequivocamente uma relação social com aqueles com quem estamos convivendo no processo ensino aprendizagem, seja concretamente como pessoas, seja através da produção do conhecimento que já foi realizado e ao qual

estamos tendo acesso. (CALLAI 1999, p.80 in apud D’ÁVILLA, 2003p. 28)

Caberá ao professor encaminhar e diversificar os conteúdos sempre com muitas

novidades, para dessa forma motive os alunos a prestarem mais atenção nas aulas. Collere et

al (2004), ressalta que o professor deve sempre usar tais metodologias:

Deve sempre haver a possibilidade de inserção do inesperado, ou seja, de inserir temas não previstos que ganham relevância em razão de algum fato inusitado (atentados terroristas, desastres naturais, guerras, copa do mundo, olimpíadas, viagens espaciais etc.) e que são motivadores do aprendizado em função da massificação dos meios de comunicação. Esses temas despertam interesse por parte dos alunos, e precisam de explicação por parte do professor. A importância das aula de campo, desde aquela ao redor da escola, até outras de maior distância, pois a compreensão da realidade será mais completa quanto maior for o contato do aluno com a concretude do real, o que lhe permitirá perceber a complexibilidade do mundo; A utilização das diferentes linguagens tecnológicas e recursos pedagógicos como: projetor de slides, laboratório de informática, mapas, globos, TV, vídeo ou DVD, produção de maquetes, para a apreensão dos conceitos relativos à cartografia e a representação, a fim de proporcionar aos alunos aulas dinâmicas, criativas e atraentes. (COLLERE et al, 2004, p. 19)

No entanto para o professor garantir um bom desempenho durante as aulas, é

necessário fazer uma junção entre uma boa metodologia e um bom planejamento, pois um

auxiliará o outro no decorrer de toda a aula, conforme Vieira, afirma:

O professor deve estar consciente da necessidade de estar com suas aulas sempre bem planejadas. Este planejamento irá deixá-lo com segurança e em condições de debater com seus alunos sobre o conteúdo desenvolvido buscando um engajamento de todos na busca do conhecimento. Este entrosamento de idéias irá formar conceitos, os quais sendo construídos em conjunto serão fixados e entendidos de forma mais simples, não necessitando de decorebas e de infindáveis questionários

tão solicitados pelos alunos. (VIEIRA, 2009, p. 02)

Cavalcanti (2003, p. 22) comenta que se por um lado a transformação na prática

de ensino não ocorre em função de nossas reflexões teóricas, com elas as possibilidades dessa

transformação ficam potencializadas desde que sejam, efetivamente, reflexões “coladas” aos

imperativos da prática.

Vesentini (1995 apud Cavalcanti 2003, p. 22) e Pereira (1995 apud Cavalcanti

2003, p. 22) justificam em textos, sobre os reais objetivos sobre o ensino de Geografia no

final do século XXI. Vesentini (1995 apud Cavalcanti 2003) comenta sobre as funções

históricas do ensino de Geografia, relatando sobre o seu atual papel nas salas de aula.

Mas que tipo de geografia á apropriada para o século XXI? É lógico que não aquela tradicional baseada no modelo “A Terra e o Homem”, onde se memorizavam

informações sobrepostas (

...

).

E também nos parece lógico que não é aquele outro

modelo que procura “conscientizar” ou doutrinar os alunos, na perspectiva de que

haveria um esquema já pronto de sociedade futura (

...

).

Pelo contrário, uma das

razões do renovado interesse pelo ensino de geografia é que, na época da globalização, a questão da natureza e os problemas ecológicos tornam-se mundiais

ou globais, adquiriram um novo significado (

).

O ensino de geografia no século

... XXI, portanto, deve ensinar ou melhor, deixar o aluno descobrir o mundo em

que vivemos, com especial atenção para a globalização e as escalas local e nacional, deve enfocar criticamente a questão ambiental e as relações sociedade/natureza ( ...),

deve realizar constantemente estudos do meio (

)

e devem levar os educando a

... interpretar textos, foto, mapas, paisagens. (VESENTINI, 1995, p. 15-16 apud CAVALCANTI, 2003, p. 23)

Nesse contexto Pereira (1995 apud Cavalcanti 2003) faz uma alerta em seu artigo

sobre a necessidade de se pensar a fundo sobre os reais objetos de ensino da Geografia, não

ficando preso somente aos conteúdos superficiais.

Por exemplo, ao se definir que o objeto do estudo do conteúdo “indústria brasileira” é fazer com o que o aluno saiba o que é a “indústria brasileira”. E aí, sem saber, o professor começou a adotar a lógica do cachorro que corre atrás de seu próprio rabo e consegue apenas ficar cansado.( PEREIRA 1995, p. 62 apud CAVALCANTI 2003, P. 23).

Tanto Vesentini (1995 apud Cavalcanti 2003) quanto Pereira (1995 apud

Cavalcanti 2003) relatam sobre a importância de o professor fazer com que seus alunos

tenham pensamentos críticos, que sejam atuantes no decorrer das aulas e não fiquem somente

concordando com tudo que o profissional fala, pois é através do ensino de Geografia que o

docente tem o poder de transformar conteúdos científicos, teóricos de modo que venham

facilitar a aprendizagem dos educandos. Atualmente o que tem se visto com muita freqüência

nas aulas de Geografia é que muitos professores deixam de trabalhar conteúdos corriqueiros

no dia-a-dia, para dar maior enfoque a assuntos que são interessantes para eles também, mas

que muitas vezes estão longe da sua realidade. Pereira (1995, p.74 apud Cavalcanti, 2003, p.

23) afirma: “Creio que é possível afirmar que a missão, quase sagrada, da Geografia no ensino

é a de alfabetizar o aluno na leitura do espaço geográfico, em suas diversas escalas e

configurações”.

Para um bom aprendizado da Geografia é de fundamental importância o uso de

mapas nas aulas, mas muitos docentes deixam a desejar nas aulas com a falta da exposição do

mesmo, fazendo dessa forma que a aula se torne muito distante da realidade do discente,

sendo que através de uma pequena amostra no mapa estes poderiam enxergar sua realidade,

mesmo que de forma teórica onde vivem.

Santos (1995 apud Cavalcanti 2003, p.24) comenta sobre a importância da relação

entre conteúdos e objetivos no ensino de Geografia, sendo que o professor deve encaminhar

suas aulas com reflexões sobre objetivos que não tratem somente do futuro mas também no

presente. Pois é preciso propiciar que os alunos tenham pensamentos críticos e dialéticos, não

fazendo que eles sejam simplesmente meros receptores de informações fáceis.

A dialética fundamental, quando estamos nos referindo ao processo escolar de ensino-aprendizagem, mesmo que possa e deva se expressar na formulação dos conteúdos, não está exclusivamente neste, mas vai além e se concretiza na identificação das ciências (formulação das questões) e na busca de soluções

(formulação de respostas) (

...

)

a relação escolar, na medida em que se fundamenta no

ensino da lógica formal, mais do que passar esse ou aquele conteúdo fragmentado incerto de contradições permite ao educando apropriar-se de perguntas e respostas prontas, enquanto o processo de dialetização do ensino não é, simplesmente, a reprodução de textos elaborados a partir desse tipo da lógica, mas, mais que isso, é a possibilidade de viver a contradição imanente entre a necessidade e sua superação, no plano da construção intelectual. (SANTOS, 1995, p. 56 apud CAVALCANTI, 2003. p. 24)

Em pleno século XXI muitos docentes encontram muitas dificuldades em

ministrar aulas mais dinâmicas, pois mesmo quando vão trabalhar com conteúdos riquíssimos,

na maioria das vezes a escola não oferece recursos para que a aula seja trabalhada com mais

detalhes. Com isso o ensino fica preso somente na teoria, enquanto que se fosse trabalhado de

forma adequada se obteria resultados mais favoráveis para a aprendizagem de seus alunos.

Segundo os PCN’s afirma que:

Os conteúdos selecionados devem permitir o pleno desenvolvimento do papel de cada uma na construção de uma identidade como o lugar onde vive e, em sentido mais abrangente, com a nação brasileira, valorizando os aspectos socioambientais que caracterizam seu patrimônio cultural e ambiental. Devem permitir também o desenvolvimento da consciência de que o território nacional é constituído por múltiplas e variadas culturas, que definem grupos sociais, povos e etnias distintos em sua percepção e relações com o espaço, e de atitudes de respeito às diferenças socioculturais que marcam a sociedade brasileira. (PCN, 2001, p. 123)

A finalidade de se ensinar a Geografia para crianças e jovens é fazer com que os

alunos percebam a importância de se ter um pensamento crítico sobre vários assuntos,

formando assim raciocínios e concepções mais articulados e aprofundados a respeito do

espaço. Fazendo-se dessa forma com que os alunos reflitam mediante aos vários

acontecimentos e fatos que ocorrem diariamente longe da sua rotina ou até mesmo no seu dia-

a-dia.

Segundo Cavalcanti (2003) o ensino é o processo de conhecimentos pelo aluno,

mediado pelo professor e pela matéria de ensino, no qual devem estar articulados seus

componentes fundamentais, que são: objetivos, conteúdos e métodos de ensino, pois a

principal função do docente é desenvolver competências apropriadas para usar em sala de

aula, estimulando assim o educando a criar suas próprias habilidades, fazendo a junção entre a

teoria e a prática aplicada à realidade em que cada um está inserido. Somente assim que os

educandos aprenderão mesmo com os erros, acertos, palpites e criarão uma interação maior

com professor e colegas, fazendo dessa forma que a aula seja mais produtiva e que todos

interajam dando pontos de vista diferentes sobre um mesmo assunto. De acordo com o

Programa Curricular de Geografia:

Uma forma de orientar a seleção e organização do conteúdo deve ser a referência ao espaço geográfico como categoria de compreensão da realidade. Espaço geográfico entendido enquanto histórico, concreto, social e objetivo. Essa categoria, em princípio, instrumentalizaria uma leitura da realidade do ponto de vista de sua espacialidade. A compreensão dessa categoria requer certo entendimento de alguns conceitos, como lugar, paisagem, região, natureza, sociedade, território, que formam a estrutura conceitual básica do raciocínio geográfico. (GOIÁS, SEC 1995, p. 17 apud CAVALCANTI, 2003, p. 25)

É necessário que no decorrer das aulas o docente esteja sempre interagindo com

seus discentes com atividades dentro e fora da sala de aula, para que o aluno passe a buscar e

produzir seus próprios conhecimentos e conceitos que serão adquiridos com maior facilidade

através de trabalhos e pesquisas e de tantas alternativas que ele irá buscar para se desprender

da teoria. Segundo Cavalcanti

A experiência tem mostrado a ineficácia de se ensinar conceitos à criança ou o jovem apenas transmitido a eles o conceito definido no livro ou elaborado pelo professor. A pesquisa em torno do assunto sugere que o professor deve propiciar

condições

para

que

o

aluno

possa

(CAVALCANTI 2003, p. 26)

formar, ele mesmo, um conceito.

De acordo com D’ Avilla (2003, p. 10) “o conteúdo escolar tem passado por

significativas transformações, no intuito de dar conta dos avanços epistemológicos da ciência

e de responder as necessidades da escola no processo de formação do sujeito”. Percebe-se

dessa forma que a autora trabalha essa questão de forma que tanto docentes quanto a escola

estão de certa forma mudando sua rotina, por menor que seja para se enquadrarem nos novos

avanços, para assim oferecerem uma melhor estrutura escolar para seus alunos.

D’Avilla (2003, p. 10) também chama a atenção para os conteúdos que são

repassados de forma mecânica, em que os professores encontram somente o livro didático

como suporte, deixando de levar conteúdos mais claros e interessantes, e que estão presentes

tanto na vida dos educando quanto realidade da escolar.

Com isso a Geografia se torna chata e não muito interessante para a maioria dos

alunos, fazendo que eles se sintam obrigados a assistirem as aulas, se sentem distantes da

realidade repassada pelo professor.

1.3Matrizes de referência para o ensino fundamental do estado de Goiás

Para se garantir o sucesso da aprendizagem de todos os estudantes e a qualidade

social da educação, é preciso promover constantemente boa formação dos envolvidos no

processo educacional, em que é necessário fazer o acompanhamento pedagógico e os

espaços coletivos de discussão na escola sobre o currículo escolar.

Segundo as MATRIZES CURRICULARES (2009, p.10),

Essa afirmação representa consenso existente na Secretaria de Estado da Educação de Goiás e está alinhado com a proposta do Governo do Estado de eleger a educação como o principal instrumento de promoção da cidadania, assegurando a todos os educando o exercício de direitos sociais com valores supremos de nossa sociedade.

No Caderno 5 “Currículo em Debate: Matrizes Curriculares”, está dando

continuidade ao processo de Reorientação Curricular no Estado. Sendo que as Matrizes

Curriculares do 1° ao 5° ano foram elaboradas pelos técnicos-pedagógicos da Coordenação

do Ensino Fundamental. O principal ponto de partida para uma nova elaboração das

Matrizes Curriculares deu-se em decorrência do cumprimento da Resolução do CEE-GO n°

186/2004, onde ocorreu uma ampliação do Ensino Fundamental do Sistema Educativo do

Estado de Goiás de oito para nove anos de escolaridades.

A partir de 2004, começou um amplo processo de discussão sobre o currículo do

6° ao 9° ano, envolvendo os profissionais dos diferentes níveis do sistema educacional.

Segundo os Cadernos Cenpec, (n°4, 2007, p.100) o processo de discussão tem como propósito

de valorizar os saberes dos profissionais que fazem uma renovação diária da educação em sala

de aula e que constantemente renova a crença de que “o currículo de cada escola só se

modifica, de fato, à medida que o conjunto de educadores se mobiliza para problematizar,

estudar e discutir os fatores que provocam a exclusão de milhares de jovens e para

construírem juntos novos caminhos para a inclusão social”.

Com as mudanças das Matrizes Curriculares, as expectativas de aprendizagem de

1° ao 9° ano do Ensino Fundamental, passaram a constituir uma referência curricular, tendo

como meta melhorar efetivamente a qualidade da aprendizagem dos estudantes de Goiás. As

Matrizes Curriculares são constituídas de referências para um melhor desenvolvimento de

qualquer atividade educacional que tenha como foco a qualidade do ensino e a aprendizagem

no Ensino Fundamental.

De acordo com as Matrizes Curriculares (2009, p. 11) foi,

Com a necessidade de democratização do conhecimento, para dessa forma fortalecer a qualificação dos profissionais da educação em todo o Estado de Goiás, as Matrizes Curriculares constituem as referências para o desenvolvimento de qualquer atividade educacional que tenha como foco a qualidade do ensino e a aprendizagem no Ensino Fundamental

.

As Matrizes Curriculares tem como meta privilegiar o diálogo entre a teoria e a

prática, para que dessa forma ocorra uma boa articulação entre os diferentes saberes que

envolvem o ensino.

Tanto na rede pública de ensino do Estado de Goiás, quanto em qualquer outra

rede de ensino privada, o educador irá lidar num mesmo espaço com culturas diferentes, em

que o mesmo terá que repassar um aprendizado homogêneo para todos. Dessa forma as

Matrizes Curriculares afirmam que:

Na rede pública de ensino do Estado de Goiás, assim como em outras redes nacionais e internacionais, é possível identificar diferenças sociais e culturais e que ensejam diferentes necessidades de aprendizagem, ao mesmo tempo em que se verificam práticas e experiências que são comuns a todos os atores que lidam com as relações de ensino. (MATRIZES CURRICULARES, 2009, p.11)

As Matrizes Curriculares possuem um estabelecimento de metas em que seu papel

é contribuir para a construção da unidade e da integração das diversas áreas do conhecimento,

sempre buscando, ao mesmo tempo, garantir o respeito à diversidade, sendo esta uma marca

cultural do Estado de Goiás. No entanto para o Ensino Fundamental, no sentido de valorizar a

capacidade de utilização crítica e criativa dos conhecimentos e não o simples acúmulo de

informações, as Matrizes Curriculares indicam, aos profissionais: a leitura e a produção de

textos em todas as áreas do conhecimento, o respeito à cultura local e juvenil, o

desenvolvimento de habilidades sempre considerando o estudante sujeito de sua própria

formação, assumindo o estudante também a responsabilidade no processo de aprendizagem.

Como referências para uma boa formação dos alunos, as Matrizes Curriculares

para o Ensino Fundamental, têm como meta proporcionar a todos os profissionais os

instrumentos capazes de lhes fazer uma reflexão responsável, para uma ação crítica em

situações complexas e rotineiras de seu trabalho, que servirá de documento de estudo por

todos os profissionais da rede nos encontros coletivos.

As Matrizes Curriculares se fundamentam em dois princípios básicos que se

referem tanto na formação dos profissionais que participam na elaboração e implementação

das Matrizes Curriculares do Ensino Fundamental, até os profissionais que vão colocá-la em

prática. De acordo com as Matrizes Curriculares (2009), esses princípios pertencem a dois

grandes grupos que são:

Educacional princípios que apresentam as linhas gerais sobre as quais estão fundamentadas as ações de educação e do currículo do 1° ao 9° ano do Ensino

Fundamental

[

...

]

Eles

se

caracterizam

pela

flexibilidade,

diversificação,

transformação, integração e estão apresentados nos textos das áreas do conhecimento. Didático-Pedagógico esses princípios orientam as ações e atividades referentes aos processos de planejamento, execução e avaliação das ações

dos profissionais do ensino. Eles se caracterizam pela valorização do conhecimento prévio, interdisciplinaridade, transversalidade e articulação dos saberes e norteiam o planejamento das oficinas pedagógicas por áreas do conhecimento. (Matrizes Curriculares, 2009, p. 12)

As orientações teórico-metodológicas têm como fonte as Matrizes Curriculares, pois estas

constituem um referencial para que os educadores possam planejar e acompanhar as ações do

processo de ensino e aprendizagem nesse nível de ensino, bem como estabelecer relações

como os demais níveis de modalidades, sempre visando uma educação inclusiva. O

referencial teórico-metodológico do 1° ao 9° ano do Ensino Fundamental está calcado em um

paradigma que concebe a educação como um processo complexo e contínuo de

desenvolvimento de conceitos, atitudes, hábitos e habilidades. Dessa forma estimula os

professores a buscarem a modernização e atualização profissional necessária para acompanhar

as exigências da sociedade contemporânea. Conforme cita Schön (2000 in apud Matrizes

Curriculares, 2009, p.12), “sujeitos competentes e compromissados com aquilo que está no

campo de ação de seu poder, bem como a melhoria do bem público e das instituições

política”.

O processo de aprendizagem é entendido como um processo que sempre requer

uma visão intencional do educador, pois é através dele que haverá o principal estímulo para

que os alunos prestem mais atenção nas aulas, pois é no momento da aprendizagem e da

vivência entre professor e aluno, que o professor criará uma ponte de construção/reconstrução

do conhecimento e a apropriação crítica da cultura elaborada, sempre considerando a

necessidade de padrões de qualidade e de princípios éticos.

Segundo o SEE (Secretaria de Educação, 2006, apud Matrizes Curriculares, 2009,

p. 13), “a concepção de aprendizagem que compõem uma escola possui muitas definições e

conceitos caracterizados pelos contextos culturais em que está inserida, exigirá reflexão e

atenção sobre as singularidades que permeiam a capacitação dos integrantes”. Pois uma

aprendizagem desorganizada sempre costuma levar a ações repetitivas, não levando a

compreensão total do conteúdo exposto.

De acordo com as Matrizes Curriculares (2009, p. 13), “Para uma aula ser bem

produtiva o planejamento é de fundamental importância no desenvolvimento do trabalho

pedagógico do professor, pois é através do planejamento que se é possível definir o que se

pretende alcançar, prever situações e obter recursos didáticos (humanos ou materiais),

organizar as atividades, dividir tarefas para facilitar o trabalho em sala, avaliar determinadas

atividades ou criar outras. O planejamento também permite refletir sobre o que será exposto

em sala de aula e até mesmo no modo de agir mais adequado.

O planejamento é a principal ferramenta de organização do trabalho pedagógico,

pois é através dele que os professores terão todo o auxílio no decorrer de suas aulas, de modo

que o ensino cumpra sua finalidade com o que foi proposto no planejamento. Segundo as

Matrizes Curriculares (2009), na elaboração de um plano de ensino é preciso levar sempre em

conta:

O projeto educativo da escola: o que definiu como metas a alcançar o que destacou como prioridades de aprendizagem, o tipo de estudantes que se pretende formar; Aprendizagens que o estudante já realizou o seu nível de conhecimento; Aprendizagens ligadas à leitura e produção de textos; Exigências das culturas locais e juvenis; Resultados de pesquisas, no interior da escola, sobre aprendizagem dos estudantes em cada nível do ensino. (MATRIZES CURRICULARES, 2009, p. 1

O sistema de avaliação da aprendizagem tem como objetivo fornecer informações

que possibilitem uma melhor reorganização nos processos de ensino e de aprendizagem tanto

dos discentes quanto dos docentes. A avaliação não se finda somente aos critérios de

aprovação ou reprovação dos estudantes, pelo contrário, ela constitui a base para um

monitoramento onde visa a permanente qualidade das ações de educação, a partir de critérios

claramente definidos. De acordo com as Matrizes Curriculares (2009, p. 14), “os critérios

utilizados na avaliação da aprendizagem têm como referência básica os objetivos definidos

para o processo de formação e capacitação e o desenvolvimento de competências a serem

desenvolvidas”

Segundo Perrenoud (2001 in apud Matrizes Curriculares, 2009, p.14), para a

melhor compreensão da relevância social e educacional da avaliação da aprendizagem, é

necessário se fazer uma investigação dos fracassos e avanços a partir da reflexão sobre as

práticas avaliativas. Pois é a partir dessa avaliação que se poderá fazer uma renovação das

práticas de ensino, sendo fundamental auxiliar os discentes na reflexão critica sobre sua

própria educação, para que dessa forma possam reconsiderar suas próprias idéias, ações e

atitudes. Os educandos devem ter total consciência da qualidade da própria aprendizagem no

momento da avaliação, pois é através da avaliação que poderão ver quais são as principais

deficiências em torno da educação, sendo que a partir desses atritos, que se buscará uma

melhora para a educação.

2. DESAFIOS E PERSPECTIVAS DO ENSINO DE GEOGRAFIA

O início do século XXI foi marcado por uma inovação tecnológica nunca antes

experimentada, esta inovação chegou a todo vapor ao meio social, principalmente no meio

escolar em que veio facilitar as aulas expositivas de Geografia. Santos (2000, p.18 apud

Collere et all 2005, p. 01) comenta que à medida que “a rapidez, a profundidade e a

imprevisibilidade de algumas transformações recentes conferem ao tempo presente uma

característica nova, a realidade parece ter tomado definitivamente a dianteira sobre a teoria”.

Isso fez com que a realidade de outros lugares do planeta chegue com mais precisão e rapidez

em todos os lugares, deixando assim a teoria do papel de lado. No entanto essa rica ciência

sofreu e ainda sofre com várias mudanças drásticas, para se tornar uma disciplina fundamental

em todas as escolas e na vida de cada aluno. Segundo Vesentini (2004, apud Costa, 2010, p.

04), atualmente no Brasil ocorre uma ampla discussão sobre a desvalorização da categoria dos

professores e da qualidade de ensino, em que os profissionais se deparam diariamente com

problemas que vão desde a “dura” carga de trabalho, salas com superlotação de alunos, baixos

salários e pouco tempo para se atualizarem ou até mesmo se especializarem.

Tardif (2005 apud Costa, 2010, p. 05), também comenta que a carga horária de

trabalho do professor é influenciada por diversos fatores, deixando-o sobrecarregado. Estes

fatores de um modo geral são influenciados pela rotina diária do professor, pois muitos

docentes enfrentam dificuldades quanto à acessibilidade ao local de trabalho, como: trabalhar

em locais distantes, violência nas escolas e em sala de aula, alunos com dificuldades de

aprendizagem, as exigências das escolas, e a dupla jornada de trabalho.

No entanto um dos principais problemas enfrentados atualmente pelos profissionais,

ainda é a falta de recursos presentes na maioria das escolas, em que, na maioria das vezes, mal

disponibiliza o quadro negro, o giz e um apagador, para a realização das aulas. Com a falta de

recursos necessários para uma boa aula e a pesada carga horária dos professores, muitas vezes

impede que o profissional possa realizar uma aula satisfatória. Vesentini (2004 apud Costa,

2010, p. 05) ainda acrescenta que:

No caso do ensino da Geografia, isso tudo é agravado pelos preconceitos pela

disciplina (e contra as humanidades em geral, consideradas “secundárias”), que fica

com uma carga horária reduzida, e enfrenta uma enorme dificuldade para operacionalizar os estudos do meio, que são importantíssimos na sua prática educativa. (VESENTINI, 2004, p, 235 apud COSTA, 2010, p. 05)

Além de todos os fatores citados, a Geografia enquanto disciplina enfrenta outro fator

agravante diariamente, onde muitos profissionais da educação consideram essa disciplina

como simplória em que qualquer um é capaz lecionar, sendo ela uma disciplina inválida por

muitos profissionais de outras disciplinas.

Aquino Junior (2007 apud Costa, 2010, p. 01) explicita que as várias dificuldades

quanto ao espaço e a infra-estrutura nas escolas não devem ser tomadas como justificativas a

programação de um ensino de má qualidade, pois para esse autor “o bom professor é aquele

que consegue trabalhar a construção do conhecimento com os alunos independente do espaço

e da infra-estrutura que lhe sejam disponibilizadas”. Pois para esses profissionais que amam a

profissão não há barreiras que possa ser derrubada.

A Geografia era tida no início como uma disciplina embasada somente no patriotismo

e nacionalismo, mas hoje a Geografia é vista como uma disciplina crítica dinâmica e

preocupada com os aspectos sociais que rodeiam e norteiam a sociedade. Vesentini (2004

apud Costa 2010) aponta que:

Há quase um consenso entre os professores de Geografia, pelo menos no Brasil, que atualmente estamos vivenciando uma transição de uma Geografia(s) escolar tradicional para uma critica(s). Aquela primeira seria descritiva e mnemônica, alicerçada no paradigma a “a Terra e o Homem”, com uma seqüência predefinida de temas: estrutura geológica e relevo, clima, vegetação, hidrografia, população e economia. E a última a(s) Geografia(s) critica vem se expandindo no Brasil a partir dos anos 80. (VESENTINI, 2004, p.222 apud COSTA, 2010, p. 02)

Segundo Quintão (2009 apud Costa, 2010, p. 02) a Geografia do século XX estava

somente preocupada em formar cidadãos para defenderem arduamente os interesses do

Estado, com o único interesse em despertar nesses alunos o “amor à pátria,formando assim

cidadãos que não reconheciam a fundo a realidade da sociedade e nem do país, e que, no

entanto devia defender.

Cavalcanti (2003, p. 21) aponta que, nas duas últimas décadas a Geografia vem

passando e superando por um longo período de renovação, em que o ensino que era alicerçado

na base de decorar os conteúdos atualmente vem sendo substituído por um ensino mais crítico

e comprometido na transformação do social.

No balanço geral do movimento de renovação de Geografia nas

últimas décadas, duas questões precisam ser destacadas (

...

)

os

modestos efeitos na prática de ensino dos professores de Geografia,

comparados com questionamentos, análises e propostas “renovadas”

feitos em nível teóricos, e a reflexão dessa prática a partir de uma

referência pedagógico didática, também incipiente. (CAVALCANTI, 2003, p.21)

Muito antes de a Geografia crítica se desenvolver com mais vigor nas academias, ela

já era trabalhada nas escolas do Ensino Médio e Fundamental (nesse período ela era

conhecida como Estudos Sociais). Nesse período seus conteúdos abordavam assuntos como:

Subdesenvolvimento, Sistemas Socioeconômicos, Problemas Sociais Urbanos, entre outros.

Com as várias modernidades e tecnologias que chegaram para inovar e facilitar a vida

da sociedade, o ensino de Geografia nas escolas também teve que se adequar, fazendo dessa

ciência uma disciplina dinâmica, em que o objeto de estudo é o espaço geográfico, marcado

por todas essas modificações.

Segundo Costa (2010, p. 03), a Geografia tem trabalhado a criticidade do aluno,

instigando-o a refletir e construir seus “próprios” conhecimentos, porém o ensino tradicional

não foi totalmente existo das escolas.

No entanto para os alunos acompanharem e entenderem a fundo as transformações

diárias, os educando devem ser cada vez mais instruídos, sendo o professor o principal

mediador nessa construção de conhecimentos, ou seja, sempre instruindo seus alunos a serem

pensadores críticos. É bom que o aluno saiba distinguir e correlacionar o conteúdo aprendido

em sala de aula com sua rotina. Malysz (2007 apud Costa, 2010) destaca que o professor de

Geografia precisa:

ensinar Geografia numa perspectiva que estimule: a interpretação e análise das diferentes paisagens; a leitura critica dos acontecimentos nos diversos lugares, a

(

...

)

compreensão de conflitos territoriais; a desafinação que existe na sociedade globalizada; a conscientização das questões socioambientais na sociedade de consumo. (MALYSZ, 2007, p 17 apud COSTA, 2010, p. 03)

Para ensinar Geografia o professor deve promover ações que despertem a curiosidade

do aluno, relacionando a teoria geográfica com a prática cotidiana dos mesmos e com os

acontecimentos. Segundo Collere et al. (2004) o ensino geográfico não é uma particularidade

brasileira, esta ciência tem um grande valor como disciplina em outras partes do mundo sendo

enfatizada pela Comunidade Geográfica Internacional como uma disciplina essencial para a

formação de indivíduos críticos para o exercício da vida cidadã. Assim, a Declaração

Internacional sobre Educação Geográfica, firmada pela Comissão de Educação Geográfica da

UGI, em 1992, em Washington, e ratificada em 2000, em uma reunião realizada em Seul, na

Coréia do Sul, afirma que:

(

)

a Geografia como campo de estudos é essencial para a compreensão de nosso

... lugar no mundo e de como as pessoas interagem com as demais em seus entorno; a

investigação e educação geográficas promovem e ampliam a compreensão cultural, a

interação, a igualdade e a justiça em escala local, regional e global; todos os estudantes têm direito à oportunidade de desenvolver seus valores sociais, culturais e ambientais através da educação geográfica que promoverá seu desenvolvimento como

pessoas geograficamente informadas;

geográficos

Os geógrafos profissionais e educadores

... (devem) promover a educação geográfica global para fazer frente aos

... futuros desafios do desenvolvimento e o entorno natural. COLLERE (2004, p. 05)

Mas para que o docente realmente possa entender e gostar da Geografia, ele deve ter

um aprendizado de qualidade, em que ele não seja um mero receptor de informações, mas

possa digerir essas informações, e transformá-las nas suas vivências diárias.

Com isso vem surgindo muitas discussões a respeito do ensino de Geografia nas

escolas nos dias atuais com o intuito de poder valorizar cada dia mais essa ciência que

proporciona ao aluno ser um conhecedor do espaço principalmente onde ele está inserido. O

ensino de Geografia nas escolas exige mais clareza, a fim de proporcionar ao aluno um

aprendizado mais profundo sobre os conteúdos estudados em sala de aula e sempre buscando

inserir o aluno e seu espaço no método de aprendizagem, a fim de que os conteúdos sejam

entendidos com mais facilidade.

Segundo Collere et al (2004):

Passados mais de vinte e cinco anos de um intenso e profundo movimento de renovação da Geografia brasileira (décadas de 70 e 80), marcados, sobretudo pela introdução do materialismo histórico e da dialética como pilares teórico- metodológicos, chegaram ao inicio do século XXI com a aceitação de várias vertentes que até então estavam à margem das discussões e em torno da ciência geográfica. Tais discussões pautam-se freqüentemente em abordagens de cunho fenomenológico, hermenêutico, existencialista, e também numa perspectiva da Geografia Cultural e da Geografia Socioambiental. (COLLERE et al, 2004, p. 07)

Assim cabe aos educadores estarem sempre inovando e renovando seu próprio

conhecimento, na busca de aprimoramento nas suas metodologias de ensino, pois dessa

forma, o ensino se tornará mais inovador e interessante, fazendo que seus alunos tenham

pensamentos mais críticos sobre a realidade.

Com isso, o professor deve sempre se preocupar com as metodologias que serão

empregadas em sala de aula, buscando sempre chamar atenção dos alunos para a aula,

fazendo com que se interessem e participem efetivamente. As metodologias devem se

aproximar ao máximo com a realidade dos alunos, para que dessa forma eles aprendam com

mais facilidade os conteúdos expostos. Ao planejar as aulas o professor deve estar sempre

preocupado em fazer com que seus alunos dialoguem, pois dessa forma a construção do

conhecimento será realizada com mais facilidade.

Muitos professores são fiéis ao cumprimento dos conteúdos dos livros didáticos,

seguindo à risca tudo o que este oferece, não pesquisando novidades em outras fontes.

Embora estes livros tragam conteúdos bem abrangentes, cabe ao professor associá-los ao

cotidiano dos alunos e levá-los a pensar sobre o que realmente faz a diferença na hora de

aplicar o conhecimento adquirido. Com isso a Geografia ensinada será mais interessante,

levando a turma a se interessar mais a fundo sobre o conteúdo. Kimura (2001apud Viera,

2009) fala que:

...

a

Geografia constitui-se em um campo fértil de oportunidades para experimentar

de maneiras muito ricas e estimulantes várias habilidades e, dessa forma, possibilitar ao aluno desenvolver competências criativas de percepção e cognição a serem incorporadas ao seu crescimento. (KIMURA, 2001, p. 26 apud VIEIRA, 2009, p.

06)

Vieira (2009) menciona a falta de motivação dos alunos, mesmo quando são

utilizadas técnicas diferenciadas de aprendizagem. É nesse momento da aprendizagem que se

percebe a importância do educador, pois ele é o elo entre o conteúdo e a aprendizagem; sua

maneira de explicar, de incentivar os alunos é que irá determinar o sucesso da aula. Com isso,

os conceitos que se formam através da participação da turma serão absorvidos de forma

subjetiva por cada um, formando uma seleção íntima do que é mais importante e que será

captado e se formará a própria opinião sobre o assunto. Dessa forma, as aulas terão um

sentido mais real, se tornando mais prazerosas e motivadoras de novas descobertas.

2.1 O papel da escola e do professor:

Educar é uma das práticas mais antigas do mundo. No entanto segundo Viera

(2009) a Instituição Escolar já foi bem mais rígida em seu passado, pois neutralizava as

diferenças e levava a adaptação e a submissão dos alunos que até então era comum. Eram

usados métodos que permitissem o controle do corpo, levando-o a sujeição de suas forças,

sendo sempre imposta uma relação de docilidade, onde ao educando era imposto somente

ouvir, não podendo dar sua opinião no decorrer das aulas. Segundo Michel Foucault (1987

apud Viera, 2009):

Isto leva a uma submissão do ser, onde o poder se mantém através da coercitividade, levando o sujeito a obedecer sem o poder da critica, de outras opiniões, sendo assim um “boneco de presépio” nas mãos dos detentores do poder. (FOUCAULT, 1987, p. 118 apud VIEIRA, 2009, p. 04)

Devido a essa forma de educação que estava sendo utilizada no passado, com o

passar dos anos foi se notando que ela não trazia benefícios aos alunos, e o respeito era

imposto através de ordens e do medo da escola. Professor, aluno e escola mantinham uma

relação de angústias, em um lugar que era visto como impróprio para debater sobre seus

anseios pessoais, suas relações sobre a sociedade/humanidade, mas, com um caráter formal,

alunos pensadores, talvez não tão críticos como o pudessem ser, mas com um grande

conhecimento técnico daquilo que aprendiam em sala de aula. Valores políticos, ética,

humildade dentre outros aprendizados e valores só seriam adquiridos no decorrer de suas

vidas e não na escola.

Com o passar dos anos o ensino tradicional não deixou de existir no meio escolar,

com isso veio a falta de pensamentos críticos dos alunos. Atualmente considera-se a

percepção de que se deve haver um diálogo mais aberto entre professor e aluno, fazendo-se

dessa forma que todos possuam voz ativa para exporem suas opiniões. Uma aula onde

somente o professor expresse seu ponto de vista sem ao menos escutar as opiniões dos alunos

deve deixar de fazer parte no cotidiano escolar. Quando esse tipo de metodologia é usado em

sala, a aula se torna chata e monótona, ou seja, pouco interessante para os alunos.

Atualmente a escola tem um importante papel a ser desenvolvido perante a

sociedade e deve oferecer uma educação em que os alunos saiam da escola como cidadãos

pensantes, além de aprenderem a criar valores como: o respeito ao próximo, a zelar pelo

patrimônio público, a sempre se utilizar da verdade, a respeitar daquilo que possuem.

Segundo Gómez (2001, p.11 apud Collere et al. 2044, p. 15) “A escola e o sistema

educativo em seu conjunto podem ser entendidos como uma instância de mediação entre os

significados, os sentimentos e as condutas da comunidade social e o desenvolvimento

particular das novas gerações”.

Para a maioria dos alunos, a escola é o único meio de contato com um mundo de

conhecimento sistematizado, no entanto, esse ambiente escolar na maioria das vezes não

aparece tão atraente para os alunos. Como salienta Moreira (2003, p. 01 apud Collere at al.

2004, p. 16), a escola deve sempre procurar “

...

tornar-se um espaço de criação e de critica

cultural”.

Mas para que isso ocorra com mais facilidade, é preciso fornecer ao aluno as

condições básicas de acesso à cultura, formando assim um conjunto de práticas sociais criadas

ao longo dos anos, que possibilitará a prática e o exercício de sua cidadania. Dessa forma é

necessário que “

...

a escola se abra para os diferentes artefatos culturais que circundam os

alunos”. (IBID, p. 03 apud Collere et al.2004, p.16)

No entanto, a educação na maioria das vezes fica a desejar, ou seja, a escola

abriga no mesmo espaço diversos tipos de cidadãos, em que os conflitos obtidos fora da sala

de aula são refletidos diretamente no ambiente escolar. Sendo assim, o professor deve tentar

amenizar essa situação para levar alguma contribuição dessa situação para seus alunos, e sua

aula não seja totalmente afetada. Conforme cita Frigotto (2001 apud Viera, 2009):

A prática educativa que se efetiva na escola é alvo de uma disputa de interesses antagônicos. Sua especificidade política consiste, exatamente, na articulação do saber produzido, elaborado, sistematizado e historicamente acumulado, com os interesses de classe. (FRIGOTTO, 2001, p. 33 apud VIERIA, 2009, p. 05)

...

Atualmente, por mais escasso que seja, ainda existe este tipo de educação que

valoriza a reprodução de conteúdos prontos, que não aceitam as interferências e análises dos

alunos, formando assim cidadãos incapazes de refletir sobre o espaço onde estão inseridos.

Viera (2009, p. 05) comenta que “o educador deve ter em mente que é preciso repensar a

educação enquanto inserida no processo de transformação do saber; Entender que o

significado da palavra educar deve ser a capacidade de saber interpretar e transformar o

mundo.” Portando, o educador deve lutar diariamente por uma educação libertadora,

formando pessoas com senso crítico que sejam capazes de mudar as relações dentro e fora da

escola. Segundo Freire (1975 apud Viera, 2009):

A educação que se impõe aos que verdadeiramente se comprometem com a libertação não pode fundar-se numa compreensão dos homens como “seres vazios” a quem o mundo “encha” de conteúdos; não pode basear-se numa consciência especializada, mecanicistamente compartimentada, mas nos homens como “corpos conscientes” e na consciência como consciência intencionada ao mundo. Não pode

ser a do depósito de conteúdos, mas a problematização dos homens em suas relações

com o mundo. (FREIRE, 1975, p. 77 apud VIEIRA, 2009, p. 05)

No entanto, esta prática está se mantendo de forma tradicional até os dias atuais,

mesmo com o avanço da tecnologia. Oliveira (1998 apud D’Ávila 2003) reforça essa idéia,

quando afirma que “é na escola que uma parte do processo de conscientização e/ou não

conscientização se desenvolve”. Sendo assim o uso de estratégias mais variadas é de total

importância para o ensino de Geografia, pois a criação de situações-problemas, aliadas ao uso

de recursos didáticos variados, considerando a realidade de vida de cada educando, dinamiza,

provoca e estimula a curiosidade de cada aluno. Conforme cita Oliveira (1998, p.12 apud

D’Ávila, 2003, p. 19) “é necessário compreender que educar é um processo que engloba

objetivação e subjetivação”.

Nesse sentido, o ensino de Geografia deve mostrar aos alunos as diversas

interpretações que formam essa disciplina escolar, para que dessa forma o aluno possa

conhecer um pouco do espaço geográfico, onde está inserido, podendo assim, interagir de

uma forma mais crítica com o seu meio, conforme cita Collere et al (2004):

A análise geográfica partindo de temas e/ou lugares numa discussão que articule as questões da natureza e da sociedade. Exemplo: o fenômeno urbano, a demografia, o êxodo rural, a saúde, a economia, a globalização, a geopolítica, a cultura, os movimentos sociais; fenômenos da natureza: como a hidrografia, o clima, a vegetação, o relevo, solos e ecossistemas; À representação do mundo e dos diversos lugares, por meio de mapas temáticos, maquetes e plantas, tendo presente a legenda, a escala e a orientação; O uso da cartografia sistemática: a astronomia, coordenadas geográficas, fusos horários, escalas e sistemas de informações geográficas. (COLLERE, 2004 p.18)

A redefinição do ensino de Geografia consiste em um primeiro momento

qualificar os professores que irão estimular os alunos a terem um pensamento mais crítico,

sobre as aulas que serão ministradas. Outro fator importante é o ambiente escolar que deve

estar preparado para receber os alunos, esses dois fatores são de fundamental importância em

uma boa formação educacional que irão futuramente formar cidadãos de verdade.

Valorizar o espaço escolar significa valorizar a comunidade e dar voz aos sujeitos

locais, compreender a história e considerar o espaço como o resultado da vida da comunidade.

O espaço escolar e os professores devem estar preparados para fazer todas as análises de

âmbito local, regional, nacional e global, para que dessa forma a aprendizagem não fique

presa somente a um âmbito desses, mas que ela faça uma ligação com todos, pois uma boa

formação consiste em que o aluno esteja por dentro de todos os assuntos, e não somente de

um. “Os lugares particulares se interligam entre si de forma seletiva e de acordo com os

interesses locais, nacionais ou mundiais. O espaço concretiza todas essas relações e torna-se

fundamental estudar o particular, o local. (CALLAI, 2003, p. 131 apud Collere et al. 2004, p.

16).

A escola é um dos lugares privilegiados para a produção do conhecimento e para a

formação de novas gerações. Pois o mundo fora da escola está cheio de informações, sendo

que na maioria das vezes o aluno não sabe digeri-las, sendo comum levarem-nas para a sala

de aula, onde serão compartilhadas com os demais colegas, aperfeiçoando assim esses novos

conhecimentos.

Castrogiovanni ressalta a dicotomia entre esses dois mundos:

Existe ainda pouca aproximação da escola com ávida, com o cotidiano dos alunos. A escola não se manifesta atraente frente ao mundo contemporâneo, pois não dá conta de explicar e textualizar as novas leituras da vida. A vida fora da escola é cheia de

mistérios, emoções, desejos e fantasias, com tendem ser as ciências. A escola parece ser homogênea, transparente e sem brilho no que se refere a tais características. É urgente teorizar a vida, para que o aluno possa compreendê-la e representá-la melhor e, portanto, viver em busca de seus interesses. (2009, p. 13)

No entanto para que essa boa aprendizagem ocorra com mais facilidade o espaço

escolar deve ser organizado de maneira em que o ensino-aprendizagem seja o foco para a

construção de bons conhecimentos:

O trabalho no espaço escolar não é mecânico é de sujeitos coletivos e o objetivo final não é o produto material ou lucro, e sim a apropriação do conhecimento e enriquecimento intelectual de toda a comunidade escolar; portanto, nesse espaço social de construção, cada participante precisa agir cooperativamente, com a intenção de completar o trabalho do outro, colaborar para a formação da equipe principalmente quanto aos objetivos comuns: a melhoria das circunstâncias da aprendizagem. (SATO, 2007, p.54 apud Costa, 2010, p. 04)

É nesse espaço que ocorre a maior parte da vivência entre professor e aluno, e de

onde sairá os diversos cidadãos que formarão nossa comunidade, nossa cidade e

principalmente nossos futuros profissionais.

A educação no ambiente escolar deve estar voltada para levar oportunidades

novas, que possam ser transmitidas de forma que os educando aprimorem seus

conhecimentos, reflitam sobre os mesmos, e o mais importante aplicá-los no seu cotidiano. A

escola deve estar inserida numa educação que forneça aos seus educandos possibilidades de

interpretar a realidade e interagir com ela de forma consciente.

Como ressalta Cavalcanti (2003) a educação e o ensino de Geografia em si,

passam por grandes desafios diariamente, e a grande questão é como saber ensinar e o que

ensinar no momento certo. Cabe ao educador desenvolver competências dentro da sala de

aula, ou seja, estimular o educando a criar suas habilidades desvinculadas da teoria e,

estimular o mesmo a colocar em prática tudo o que viu em sala. No entanto, como ressalta

Nunes (2004), com as várias dificuldades que o professores vem encontrando no ato de

educar, a maioria dos professores encontra-se desmotivada e apresenta baixo rendimento;

sendo assim estes continuam a seguir metodologias antigas de ensino, ficando na maioria das

vezes preso somente ao livro didático. Dessa forma a maioria dos professores não atualiza

suas metodologias, contribuindo dessa forma para o rebaixamento diariamente na qualidade

do ensino e a própria alienação do professorado, o qual sabe, é histórico, que seu trabalho

sofre muito com a pressão de interesses das classes dominantes como afirma Masseto (1994

apud Nunes):

[ aprender, conforme sua idade, a se localizar no espaço e no tempo, a sociedade onde vive, captando os fatos e acontecimentos que agitam seu mundo interno e o mundo a sua volta. Neste sentido, aprender a se relacionar e a participar das

...

]

descobertas das ciências e do momento histórico em que vive. (MASSETO, 1994, p.22 apud Nunes, 2004, p. 155).

Não se trata somente de inserir o aluno no meio em que vive, mas sim fazer com

que possa produzir conhecimentos sobre os vários meios em que possa ser inserido,

realizando críticas construtivas com vistas a contribuir com propostas melhorativas para o

lugar em que vive. Segundo Nunes (2004, p. 154) num primeiro momento, acredita-se que,

um bom diálogo desenvolvido em sala de aula, contribua e muito com a aproximação de

professor e aluno, criando assim um ambiente mais propício em que o aluno ficará mais à

vontade e terá maiores condições de aprender e perceber a realidade onde está inserido.

No entanto para a criação de um bom ambiente em sala de aula é importante que o

professor esteja sempre inovando, criando e propondo alternativas de ensino para tentar dessa

forma chamar atenção de seus alunos para as aulas. Conforme cita Nunes (2004) “a escola

hoje enfrenta a concorrência direta de outros “meios” (televisão, computadores, vídeo game,

internet, etc.) que atraem muito mais o aluno do que o cotidiano da sala de aula. Nesse mundo

globalizado, o mais importante para a escola é saber o que fazer com tanta informação

disponível cotidianamente, pois segundo ENRICONE, et alii (1988 apud Nunes, 2004):

[

...

]

este é, porém, um tempo de saber: livros, viagens, TV. mudou a forma de vida

sobre a Terra e todos os dias há algo novo. Mais do que nunca é necessário saber o porquê e o como. Não se trata de acumular dados, mas de averiguar para conhecer,

para explicar, para participar. (ENRICONE, et alii, 1988, p. 59 apud NUNES, 2004, p. 155):

No entanto conforme ressalta Aquino (2007 apud Costa, 2010, p. 01), um bom

educador é aquele que consegue trabalhar a construção do conhecimento do aluno

independente do espaço ou infraestrutura que a escola lhe oferece. Pois nas aulas de Geografia

seriam pertinentes os diversos usos tecnológicos para dessa forma ajudar a expor com mais

clareza os conteúdos e disciplinas, entretanto, não é somente através desses recursos que se

pode desenvolver uma aula criativa e proveitosa. O professor deve ir além da imaginação

tendo conhecimento e criatividade suficientes para transformar suas aulas em um espaço de

construção e reconstrução de conhecimentos.

Cabe ao professor ser ágil e flexível, não mantendo uma única metodologia, ou

recurso didático, como o ensino de Geografia está sempre em constante transformação, o

professor deve procurar instrumentos capazes de fazer com que os alunos socializem sua

realidade com as aulas teóricas, pois só dessa forma compreenderão em que realidade eles

estão inseridos. Afirma Nunes (2004) que essa integração é muito importante inclusive para o

desenvolvimento de projetos em que professores e alunos trabalham conjuntamente.

Desempenhando dessa forma todo o planejamento e organização de um bom ensino-

aprendizagem, que é fundamental na realização da prática de ensino. Lana Cavalcanti (2003)

ressalta que:

A geografia ocupa, no currículo escolar, um lugar privilegiado na formação da cidadania participativa e critica. Ela ajuda os alunos a pensar a realidade e atuar nela do ponto de vista da espacialidade, dimensão cada vez mais valorizada pela ciência geográfica dada a complexibilidade do mundo. (CAVALCANTI, 2003, p. 09)

Pressupõe-se dessa forma que o ensino e a aprendizagem devem ter uma

preocupação maior de toda a equipe que compõe a escola, já que o sistema de um modo geral

não consegue resolver todas as desigualdades que compõem as classes sociais. Como afirma

Nunes (2004), o esforço da massa popular, (a maioria) poderá mudar os rumos da educação

do país, pois é preciso superar as dificuldades e se tornar independentes do domínio da

minoria que subordina e escraviza a maioria, que só prosperará educando-se, para assim

formar uma sociedade mais digna. A escola deve abrir caminhos para os educandos

perceberem que podem ser diferentes, e construírem suas próprias visões através da realidade

em que estão inseridos. Sendo assim, é de total importância que o professor valorize cada

comentário vivenciado cotidianamente pelos alunos, pois, fazendo um bom

aproveitamento/ligados ao saber elaborado pelo professor, os alunos compreenderão com

mais facilidade, e tornará a aprendizagem mais significativa. Conforme cita Vieira:

O professor deve estar consciente da necessidade de estar com suas aulas sempre bem planejadas. Este planejamento irá deixá-lo com segurança e em condições de debater com seus alunos sobre o conteúdo desenvolvido buscando um engajamento de todos na busca do conhecimento. Este entrosamento de idéias irá formar conceitos, os quais sendo construídos em conjunto serão fixados e entendidos de forma mais simples, não necessitando de decorebas e de infindáveis questionários

tão solicitados pelos alunos. (VIEIRA 2009, p. 02):

No entanto, nesse planejamento o professor deve sempre estar sempre preocupado

em ministrar uma aula que passe para seus alunos pensamentos crítico sobre os conteúdos

estudados, e não pensamentos fáceis, que se tornem pronto e acabado na sua vivencia escolar.

Freire (1975 apud Viera 2009, p. 03) comenta essa relação da escola com os conteúdos, em

que na maioria das vezes serve somente para encher nossos alunos de idéias prontas, as quais

não os levarão a ter um pensamento crítico sobre o conteúdo, servindo assim este conteúdo

somente em sala de aula.

O importante, do ponto de vista de uma educação libertadora, não “bancária” é que

em qualquer dos casos, os homens se sintam sujeitos de pensar, discutindo o seu pensar, sua própria visão do mundo, manifestada implícita ou explicita, nas suas sugestões e nas de seus companheiros. (FREIRE, 1975, p.141 apud VIEIRA, 2009,

p.3)

Dessa forma, as práticas de conscientização do pensamento crítico do aluno vêm

do professor no simples ato de planejar suas aulas, em que o educador deve demonstrar

interessado a valorizar as informações de seus alunos, criando assim um ambiente de respeito

e aprendizagem recíproca. A relação entre professor/aluno deve ser a mais natural possível,

sendo estabelecida sempre com diálogos abertos, onde cada educando possa se sentir a

vontade de compartilhar suas próprias experiências com seus colegas de classe. O educador

no simples ato de transmitir conhecimento tem a função de fazer com que o aluno reflita sobre

o conteúdo exposto, levando-o a um crescimento individual, e fazendo com que este aos

poucos vai se tornando um cidadão com pensamento critico. No entanto, para que isso se

torne realidade na educação é necessário que os educadores estejam sempre conscientes de

seus atos e obrigações.

Com isso a isso, a escola não deve desconhecer nenhuma condição concreta de

seus alunos, pois essas diversas realidades que formar o grande mosaico escolar, com os

diversos projetos de vida, os quais devem ser valorizados minuciosamente para um melhor

aprendizado de seus alunos.

2.2. Geografia e o aluno

O valor educativo em torno da disciplina de Geografia tem por tradição estabelecer a

relação entre certos campos de conhecimentos das ciências naturais conforme cita Collere et

al (2004, p .09) a: Geologia, Cartografia, Astronomia, entre outras, e também das ciências

sociais como a: Sociologia, Antropologia, Demografia, entre outras, sobretudo aqueles

saberes que ainda não foram transformados em disciplinas escolares.

Segundo Collere et al (2004, p. 09), vários autores têm se dedicado a pensar sobre o

real significado do ensino de Geografia, em todos os níveis da educação. Para alguns autores,

o conteúdo da Geografia é o mundo, o espaço e sua dinâmica contínua, onde as mudanças

ganham cada vez mais velocidade. Callai (2001, p. 131 apud Collere et al, 2004, p. 09)

comenta que é preciso dar todas as condições necessárias para os alunos pensarem e agirem,

sempre buscando elementos que lhes permitam compreender e explicar essas mudanças. No

entanto Casseti (2002, p. 145-162 apud Collere et al, 2004, p.09), relata que cabe à Geografia

a função de preparar o aluno para uma leitura da produção social do espaço, repleto de

contradições, ou o desvendamento da realidade, negando a “naturalidade” dos fenômenos que

imprimem certa passividade aos indivíduos.

Pontuschka (1998, apud Collere et al, 2004, p.09) relata que se resgata a importância

ímpar da Geografia na formação intelectual e ética dos jovens, na construção da sua cidadania

e na consciência de sua dignidade humana. Sendo assim, as contribuições dos professores de

Geografia se referem e muito à importância dessa disciplina na vida de cada aluno.

a Geografia, assim como as demais áreas do conhecimento deve primar por

... formar uma pessoa com desenvolturas nas tomadas de decisão e o despertar para a

percepção condizente com a condição humana reconhecendo-se como agente

produtor e reprodutor do espaço

geográfico....

o desafio da Geografia consiste em

integrar teoria e prática, ou seja, a preocupação da maioria dos professores de

Geografia tem sido formar cidadãos conscientes e críticos de seu papel na construção do espaço geográfico”. (PONTUSCHKA, 1998, p. 63 apud COLLERE et al, 2004, p. 09)

No entanto, pode-se argumentar que, para o aluno do Ensino Fundamental, o

interessante é o desenvolvimento de um raciocínio espacial que auxilie na compreensão do

mundo por meio de uma simples análise geográfica. Devido a isso Moraes (1998, p. 166 apud

Collere et al, 2004, p. 10), comenta que “formar o indivíduo crítico implica estimular o aluno

questionador, dando-lhe não uma explicação pronta do mundo, mas elementos para o próprio

questionamento das várias explicações. Formar o cidadão democrático implica investir na

sedimentação do aluno no que diz respeito à diferença, considerando a pluralidade de visões

com um valor em si”.

Com isso a Geografia reafirma sua importância no Ensino Fundamental, como sendo

uma disciplina que tem por objetivo analisar e interpretar o espaço geográfico, colocando o

homem sempre nesse espaço, onde através deste, ele obtém relações com o meio em que vive,

produz e reproduz nesse mesmo espaço. Sendo assim cabe à escola, ser um dos principais

lugares onde se produz conhecimentos, capaz de subsidiar os alunos no enriquecimento dos

saberes, para se tornarem sujeitos capazes de interpretar o mundo que os cerca.

Segundo Collere et al. (2004, p. 11-12), a educação geográfica pode se acrescentar

muito além do valor educativo dessa disciplina, pois esta ciência se renova a cada dia devido

todos os acontecimentos do mundo têm uma dimensão espacial, visto que o espaço é a

materialização dos tempos e da vida social, portanto, deve se empreender uma educação

geográfica, cujos aspectos fundamentais são:

Ter noções espaciais, ou seja, uma alfabetização espacial, onde serão aprendidos os conceitos básicos de localização, organização, representação, e compreensão da estrutura do espaço construído dinamicamente pela natureza e pela sociedade; Ler e interpretar criticamente o espaço, levando em consideração o meio em que o educando vive; Perceber as diversidades das temáticas geográficas, que ocorrem no mundo globalizado, a exemplo de temas como: migrações legais e ilegais, desmatamento, corrupção, política, (des) territorialização, turismo, crime organizado, entre outros. (COLLERE, 2004, p. 11-12)

Taís domínios é fundamental para se empreender em uma educação voltada para

um mundo heterogêneo, em que todos os dias sofre com as mudanças. No entanto, é necessário

que o professor saiba trabalhar com todos os pontos e conteúdos, sem deixar de lado a

solidariedade, a ética e o respeito à diversidade (de todos os tipos) que são condições

necessárias para transversalizar todos os conteúdos. Pois com a problematização dessas

questões facilitará uma discussão em sala de aula, onde surgirão diversos posicionamentos que

irão ampliar o conhecimento e possibilitarão a todos ter autonomia e sua própria visão critica

para a vida individual e social.

A mobilidade é um conceito-chave no mundo atual, pois está sempre permitindo

o contato com diversas realidades. No âmbito da disciplina de Geografia, esta mantém laços

fundamentais com vários outros estudos da rede geográfica, fazendo com que seja completa, no

meio escolar.

Segundo Collere et al. (2004, p. 12) dessa forma pode-se concluir que os

conteúdos da disciplina de Geografia no Ensino Fundamental, transitam sempre com duas

possibilidades, que são necessárias e não se separam: a escalar, que prioriza os lugares com

seus distintos limites e fronteiras; a temática, que se relaciona a temas do mundo atual. Estes

temas apresentados servem como problematizadores ou eixos que não existem fora do espaço;

e os lugares sempre têm um conteúdo, o que significa a necessidade de sempre considerá-los

interligados e contextualizados nos seus tempos e espaços.

Ferreira (2004, p.13) relata que a Geografia sempre transita numa perspectiva

escalar, ou seja, quando são abordados temas como, por exemplo, os continentes, não são vistos

apenas sua localização, mas sim a formação do seu relevo, hidrografia, vegetação, população,

economia, etc. Dessa forma os conteúdos de Geografia estão sempre fazendo essa transição

entre as possibilidades ‘escalar e temática’. Sendo este um dos principais desafios que o

professor de Geografia ao correlacionar encontra todos os dias ao ministrar suas aulas.

O valor educativo do ensino de Geografia nas séries iniciais pode ser identificado

em princípio pelo simples fato de que todos nós ocupamos um determinado lugar no espaço.

Neste espaço cada um tem seus limites e as características próprias que são marcas específicas

de cada indivíduo. Saber movimentar nesse espaço passa a ser um dos primeiros desafios para

o aluno e, no entanto, é necessário ele conhecer, identificar os objetivos e relações entre os

mesmos. É de fundamental importância o aluno ser conhecedor desse espaço, pois é a partir

desse conhecimento que se fará uma representação melhor de tudo isso. A partir desse

conhecimento o aluno poderá fazer uma leitura do espaço que em seguida conseguirá fazer

uma leitura do mundo, dando início assim ao desenvolvimento de habilidades como a

observação, descrição, análise, interpretação e representação dos lugares e paisagens.

De acordo com Collere et al (2004, p. 13), “os anos iniciais de uma boa educação

começam com um objetivo principal sendo este uma boa alfabetização, sendo que a

contribuição da disciplina de Geografia é exatamente oferecer ao aluno a possibilidade de ler

e escrever o mundo da vida. A educação Geográfica é de fundamental importância ser

ensinada desde os anos iniciais, pois é através desta que se introduz sua linguagem e conceitos

específicos. Castrogiovanni (2009, p. 15) comenta que, “A construção da noção de espaço

requer longa preparação e esta associada à liberação progressiva e gradual do egocentrismo”.

Segundo Collere et al. (2004):

A construção de uma noção básica de espaço pelas crianças começa da ação/espaço vivido, passando pela construção do espaço representativo, e chegando às relações espaciais topológicas, isto é, as relações de ordem, vizinhança, separação, envolvimento e continuidade; as projetivas que são direitas e esquerdas, frente e atrás, em cima e embaixo e ao lado; e as euclidianas, que tem como base a noção de distância. (COLLERE et al, 2004, p. 13)

No entanto para o aluno entender com mais facilidade a noção de espaço cabe ao

professor desenvolver atividades do cotidiano do aluno. Conforme relata Collere et al:

O professor deve desenvolver atividades correlacionadas com o cotidiano de seus alunos, como por exemplo, brincando na caixa de areia, de casinha,

fazendo jogos, escrevendo no caderno, passeando/andando pelos espaços da escola e nas suas vizinhanças. Fazer observar o que esta sendo feito, e o resultado (espaço construído), descrever os lugares, definindo os limites/fronteiras, as distâncias, orientação. Saber analisar tudo isso, interpretando a realidade e fazendo a representação destes espaços. (COLLERE et al, 2004, p. 13-14).

Neste momento da aprendizagem já se é possível trabalhar com os alunos das séries

iniciais, relações de tempo e espaço, pois desta forma o professor já começará inseri-lo, no

meio social, para que dessa forma, comece a ter as noções básicas de uma sociedade.

De acordo com Collere et al (2004, p. 14), “as relações Geográficas trazidas para o

contexto da educação nos anos iniciais servirão como base para o entendimento de futuros

conceitos mais complexos ao longo da aprendizagem.

No entanto em relação ao anos finais do Ensino Fundamental, surge uma maior

preocupação quanto à compreensão dos alunos, na apropriação de conceitos geográficos como

(lugar, território, paisagem, região, redes, sociedade, natureza, espaço/tempo), que até então,

serão desenvolvidos a partir desse período. Conforme cita Rua et al. (1993 apud Collere et al.

2004, p. 14) que propõe, no que diz respeito à construção do raciocínio geográfico e o

desenvolvimento da consciência critica:

A construção de conceitos, como pré-requesito para a compreensão dos elementos que caracterizam a organização espacial e que sejam fundamentais para a formação de um raciocínio geográfico articulado, cumulativo e critico. A valorização do espaço vivido pelo aluno, seja para a identificação de elementos necessários à construção de conceitos, seja como base de compreensão critica da organização espacial. (RUA et al, 1993, p. 04-05 apud COLLERE et al, 2004, p. 14)

Para se obter uma melhor compreensão da organização do espaço, é necessário se

obter certo “olhar geográfico” que serão analisadas a partir das marcas escritas nele, visíveis

ou não. Portanto cabe ao professor saber fazer essa ponte de ligação constante entre aquilo

que o aluno vê e o que ele sente. Conforme cita Santos (1988, p. 61-62 apud Collere et al.

2004, p. 14), “Tudo aquilo que nós vemos, o que nossa visão alcança é a paisagem. Esta pode

ser definida como o domínio do visível, aquilo que sua vista abarca. Não é formada apenas de

volumes, mas também de cores, movimentos, odores, sons, etc (

...

).

Collere et al (2004, p. 14)

afirma que “a percepção é sempre um processo seletivo de apreensão”. Os muitos elementos

que formam a organização espacial vão ser mais bem entendidos pelo aluno, quanto mais fácil

ele for repassado, e quanto maior for o aprofundamento do trabalho diário proposto pelo

professor.

Collere et al (2004, p. 15), relata que “diante de vastos leques de opções temáticas,

conceituais e teórico-metodológicas no âmbito da disciplina de Geografia, o professor não

deve manter somente uma postura receptiva e reprodutiva. O professor no decorrer de suas

aulas deve imprimir uma visão investigativa de pesquisa (não somente de sua parte, mas em

conjunto com seus alunos), pois dessa forma, a aula será mais bem compreendida, e entendida

pelos alunos, e o professor terá o papel do principal agente transformador do ensino e da

escola e, em decorrência, da própria sociedade.

3. DELINEAMENTO METODOLÓGICO

3.1 Uma breve caracterização da cidade em estudo

O último censo realizado em Palestina de Goiás (2010) revelou que existem 3.482

habitantes, distribuídos numa área de aproximadamente 1.320,687 km², localizada nas

coordenadas 16°44’30” Sul e 51°31’30” Oeste, situada a 294 km da capital, Goiânia. O

município tem relevante inserção na região Centro-Oeste do País devido ao corte rodoviário

da GO-221 e sua economia se baseia principalmente nos setores da agricultura, com uma

grande produção de soja, feijão e milho; pecuária, com produção de bovinos, suínos, equinos

e laticínios; Construção civil nas áreas de transformação e construção; Comércio, nas áreas de

reparação de veículos automotores e peças, área de alojamento e alimentação de pessoas,

transporte, comunicação; Serviços, com presença de casa lotérica, banco, correios (IBGE,

2010). Na área de educação o município de Palestina de Goiás possui somente dois

estabelecimentos de ensino, sendo uma Municipal e a outra Estadual, que atende toda a

população local e rural. O mapa abaixo mostra a localização da cidade de Palestina de Goiás

(Mapa 01)

3. DELINEAMENTO METODOLÓGICO 3.1 Uma breve caracterização da cidade em estudo O último censo realizado em

Fonte:Washington Alves

Para a efetivação da pesquisa considerou-se como campo o Colégio Estadual Ana

Algemira do Prado, situado na cidade de Palestina de Goiás e que atende alunos do Ensino

Fundamental I e II. Os alunos atendidos são provenientes de bairros da cidade e também da

zona rural.

  • 3.2 Metodologias da pesquisa

Para compreender os principais desafios enfrentados pelos professores da Rede

Estadual do Ensino Fundamental II de Palestina de Goiás na disciplina de Geografia, optou-se

pela pesquisa bibliografia de cunho qualitativo para dar credibilidade aos dados coletados.

Na coleta da pesquisa cujo tema: Propostas para enfrentar novos desafios, optou-

se pela pesquisa bibliográfica juntamente com os documentos oficiais como os PPP’s (Plano

Político Pedagógico) da respectiva escola além das Matrizes Curricular que regem o Ensino

Fundamental II, para melhor compreender a metodologia utilizada pelos professores da área.

Através dos questionários aplicados aos professores entrelaçados com a

reorientação curricular do 6° ao 9° ano e os documentos oficiais, PPP e Matriz Curricular do

Ensino Fundamental II, buscando compreender a importância dessa pesquisa para reformular

o ensino de Geografia no Ensino Fundamental II.

  • 3.3 Sujeitos e o contexto das representações da pesquisa

Os sujeitos envolvidos nesta pesquisa foram os professores de Geografia do

Colégio Estadual Anal Algemira do Prado atuante no Ensino Fundamental II de Palestina de

Goiás. Para delimitar a pesquisa foi necessário alguns critérios para estabelecer os sujeitos da

mesma como saber como Escola pesquisada: considerou-se estabelecer questões que

envolveram o professores e o ensino de Geografia, estabelecendo-se: os desafios diários

encontrados pelos professores de Geografia, as relações professor educando, proposta

pedagógica.

Aos professores envolvidos foram aplicados questionários a fim de conhecer as

questões que influenciam na sua profissão, ou seja, no dia a dia na sala de aula. Foram

obtidas várias informações que levaram a entender as angústias, alegrias e descontentamentos

dos professores, ainda questões sobre a forma como o ensino da Geografia em sala de aula,

além de estabelecer e conhecer as metodologias que os mesmos usam diariamente, a fim de

trazer para a realidade do educando o conhecimento.

Para fundamentar a pesquisas na escola analisou-se o PPP- Projeto Político

Pedagógico do Colégio Estadual Ana Algemira do Prado, com objetivo de conhecer o

funcionamento da escola e as questões que envolvem a relação professor - educando e as

metodologias utilizadas em sala de aula.

  • 3.4 O contexto das representações da Escola e Professores

Analisou-se uma escola do Ensino Fundamental II de Palestina de Goiás, que

atende a 1° e a 2° fase do Ensino Fundamental II, a escola campo é Estadual, situada no bairro

central de Palestina de Goiás e de fácil acesso para os educando da comunidade em geral, uma

vez que no período vespertino estão os alunos que em sua maioria são da zona rural.

Para realizar a caracterização da escola foi feita uma pesquisa de campo através

dos documentos fornecidos pela própria instituição escolar.

A escola campo foi fundada em 1972 e pertence à rede pública de ensino, tendo

seu funcionando no município de Palestina de Goiás. Nesta instituição de ensino, a pesquisa

foi feita com os professores de Geografia que atuam no ensino fundamental II.

  • 3.5 Históricos da Escola

De acordo com o PPP (2011) em 1972 quando o Colégio Estadual foi construído e

teve como primeira diretora Ana Felisbina de Sousa que, neste mesmo ano, passou o cargo a

Dorama Ana de Bastos. Em 1974 a direção da escola foi assumida por Ivone Barbosa da

Silva. No ano seguinte, ainda sob sua direção, funcionou o Ensino Supletivo (Educação

Integrada).

Até então, o distrito de Palestina (criado pela Lei 7.188 de 12 de novembro 1968)

contava apenas com 01 grupo escolar que atendia aos alunos de 1ª a 4ª séries do antigo

Primeiro Grau e o Ginásio Costa e Silva, sendo que este (Ginásio) era de responsabilidade do

município e aquele (Primeiro Grau) de responsabilidade do estado.

Em 1976, aconteceu a transferência do Ginásio Costa e Silva para a escola

Estadual Ana Algemira do Prado, tendo como diretora a professora Maria Aparecida Vilela

Rodrigues e como secretário o professor Lourival Francisco de Sousa.

Segundo o PPP (2011) naquela época os recursos eram escassos, tanto nos

recursos humanos quanto nos materiais. O quadro de funcionários era bem reduzido: diretor,

secretário, professores e auxiliares de serviço geral, não contavam nem mesmo com a função

de coordenadores. Era bastante dificultoso desenvolver certos tipos de atividades com os

alunos, em decorrência da escassez de material didático pedagógico adequado. A escola não

possuía máquina de impressão. Havia uma máquina de datilografia, mas esta ficava à

disposição da Secretaria. Ainda nessa época, não contava com o uso dos livros didáticos para

os alunos. Tudo era compro pelos pais: do uniforme ao material utilizado pelos mesmos. Não

havia água tratada. Tinha, na escola, um poço que abastecia as caixas de 1.000 l através de

bomba manual, que era acionada pelos auxiliares de serviço geral. Neste mesmo período o

distrito de Palestina não contava ainda com energia elétrica. Á noite, através de um gerador a

diesel, a energia era fornecida à população até as 23h00min. No entanto era comum faltar

energia, pois quando o gerador dava algum problema era necessário chamar um técnico da

capital, e isso causava grandes transtornos para a escola, pois era obrigado suspender as aulas

noturnas, às vezes, até por semanas.

Na década de 80, Palestina de Goiás passara da condição de distrito a município,

que foi criado pela Lei 10.404 de 30 de dezembro de 1987 e instalado após as eleições de

1988, tendo como primeiro prefeito Carlos Alberto de Moraes empossado a 1º de janeiro de

1989. Nesta época o município possuía uma área de 1220 km² e uma população de 3.684

habitantes.

Em 1995, a realidade da escola já estava inserida num panorama de maiores

perspectivas. Neste ano começou o funcionamento de duas turmas do “Ensino Especial”,

atendendo um total de quinze alunos com deficiência especial passando em seguida a ser

Escola Inclusiva.

Em 1997, foi inaugurado um novo pavilhão na escola com três salas de aulas:

uma ocupada pelo sistema de vídeo, outra para a pré-escola e a terceira como biblioteca.

Neste mesmo pavilhão foi construída ainda a sala de professores com dois banheiros e a

secretaria com uma pequena sala anexa que serve como almoxarifado.

A criação do Ensino de Segundo Grau, Curso Técnico em Contabilidade, foi

implantada em 1984, época em que se deu a ampliação do já então Colégio, com duas salas de

aulas. Mas mesmo com esta pequena ampliação, o colégio convivia, ainda, com o drama da

falta de espaço para acolher seus alunos. De 1986 até 1997 as turmas do 3º Ano do Segundo

Grau tiveram uma sala improvisada na cantina da escola.

As condições de acesso à escola eram fáceis, no entanto tornaram-se ainda mais

acessíveis com a criação do município. As ruas foram pavimentadas e sinalizadas,

melhorando o trânsito, o que deixou os pais mais tranqüilos em relação à segurança dos filhos

que vão para a escola à pé e em sua maioria das vezes e sozinhos. Em frente ao colégio há

uma praça com grande número de árvores e bancos de concreto onde os alunos aguardam o

início das aulas. Nesta praça está situado também o ginásio de esportes, local bastante

freqüentado pelos alunos para a prática de esportes e para as aulas de Educação Física

oferecidas pela escola e outros eventos culturais promovidos pela mesma.

O PPP (2011) relata que no ano de 1999, foi implantado o “Programa de

aceleração da aprendizagem”, criado pelo art. 24, parágrafo V. “b” da Lei 9394/96 de

Diretrizes e bases da Educação e pela Resolução do C.E.E. Nº. 250 parágrafos 1º e 2º. O

referido programa é desenvolvido através de projetos e subprojetos, sendo que o cronograma

para cada etapa (1ª à 4ª) e (5ª à 8ª) são pré-estabelecidos pela coordenação do programa. O

principal objetivo do Programa de Aceleração da Aprendizagem é regularizar o fluxo escolar

dos alunos do Ensino Fundamental, diminuindo dessa forma o número de repetências e,

dando maiores oportunidades aos alunos que estão em idade/série defasados, podendo avançar

se alcançar com êxito o final do programa ou avançar para série seguinte à de origem. No ano

de 2003 também foi implantado a EJA- 3ª Etapa (Educação de Jovens e Adultos) para alunos

do Ensino Médio.

No ano 2007 houve mudanças no que se refere à organização da Escola visto que

a partir deste período o Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) passou a ser da alçada do

município obedecendo a LDB.

No ano de 2008 municipaliza-se também a II fase do Ensino Fundamental (6º ao

9º ano). O colégio passa a partir dessa data a funcionar somente com o Ensino Médio.

Porém, em 2009, a segunda etapa do ensino fundamental (6º ao 9º ano), volta

novamente a ser atendido pelo Colégio Estadual Ana Algemira do Prado e somente por ele.

Para melhor atender os alunos seria necessária a construção de uma quadra poli

esportiva; a má distribuição arquitetônica do prédio que por ser mal elaborado causava

desconforto, pois banheiro, corredor e cozinha (cantina) eram separados por paredes e o mau

cheiro era insuportável. Em fevereiro de 2010 a escola passou por uma reforma do prédio que

modificou sua estrutura. Os banheiros que antes incomodavam por estar ao lado da

cantina/cozinha, com a reforma passam para o final do 2º pavilhão. No entanto nesse período

de reforma tanto funcionários, professores e alunos passaram por um momento de

desconforto, mas foi pequeno período, onde todos buscavam o mesmo objetivo, melhorar a

estrutura escolar.

A educação, fenômeno social que é, integra as relações econômicas, políticas e

culturais de uma determinada sociedade.

Durante toda sua história, até o momento, a administração passou por 20 (vinte)

diretores. O número de professores de Geografia durante a coleta de dados, era 4 (quatro)

professores, sendo que somente uma professora é da área de Geografia, os outros 3 (três)

professores são formados em História.

3.6 Procedimentos para coleta de dados

Para a coleta de dados, foi feito um levantamento dos documentos como PPP-

Plano Político Pedagógico da escola pesquisada, em específicos do ensino fundamental II,

analisando a importância que os professores pesquisados possuem para o contexto da

educação local e o que estes levam de conhecimento aos educando e como se sentem nesta

função de professor.

O PPP (Plano Político Pedagógico, 2011), do Colégio Estadual Ana Algemira do

Prado busca enfatizar todas as questões básicas que norteiam nossa sociedade, executando

dessa forma um bom desempenho na prática para que dessa forma seja notado por toda

sociedade, conforme afirma Lobrot (1992 apud PPP, 2011, p. 15):

O seu papel é difundir a sabedoria e esta é necessária para o funcionamento da sociedade. Reduz a ignorância e, por isso, permite que os indivíduos tenham uma conduta esclarecida. Assegura o ajustamento profissional, pois qualquer profissão requer uma quantidade considerável de conhecimentos.( LOBROT, 1992, p.81 apud PPP, 2011, p. 15)

Contudo a escola pesquisada deve sempre mostrar em seu contexto escolar total

transparência para que a sociedade possa enxergar de modo que sinta que o conhecimento não

se encontra isolado, sabe-se que o Colégio Estadual Ana Algemira do Prado sempre atendeu

toda a demanda de educando do ensino fundamental II, assim percebe-se que a escola sempre

garantiu a sociedade uma fonte de conhecimentos, pois até os dias atuais a escola conta com

um número muito freqüente de educando.

Os documentos fornecidos pela instituição, como o PPP (Plano Político

Pedagógico, 2011), e a Matriz Curricular auxiliaram na pesquisa feita no interior da mesma,

contribuindo para que fosse entendida da melhor maneira esses profissionais de Geografia e

as metodologias postas por estes na escola. Foram aplicados questionários aos sujeitos da

pesquisa na escola campo. Os questionários foram aplicados aos professores de Geografia que

trabalham na instituição escolar onde os mesmos foram caracterizados para a análise do

discurso dos docentes. Os questionários foram realizados em forma de perguntas envolvendo

questões práticas do seu dia-a-dia na escola e em sala de aula. Foram analisadas as práticas

pedagógicas e os recursos metodológicos que estes exercem em seu cotidiano, as dificuldades

que estes encontram como docentes da disciplina de Geografia e outras questões que

envolvem a prática destes com seus educando, pois muitas vezes a convivência em grupo não

é fácil, além de toda burocracia que estes passam na instituição que trabalham.

Todas as questões levantadas fazem referência ao tema abordado para esta

pesquisa a fim de delimitar a Geografia e seu ensino sob ótica do docente, a fim de entender o

que se passa com o docente em sala de aula, compreender o que os mesmo esperam

futuramente para o ensino de Geografia, são indagações que remete a pensar novas

possibilidades e sugestões para que se possa colocá-las em prática.

3.7 Concepção filosófica, pedagógica e metodológica do Colégio Estadual Ana Algemira

do Prado.

Segundo o PPP (2011) do Colégio Estadual Ana Algemira do Prado, a escola

segue três linhas teóricas em sua proposta pedagógica que são: a de Vygotsky 14 , Gardner15 e

Piaget16. De acordo com o PPP (2011) Vygotsky defende a idéia de contínua interação entre

as mutáveis condições e a base biológica do comportamento humano. Os fatores biológicos

preponderam sobre os sociais apenas no início da vida da criança, as interações sociais com

adultos ou com companheiros mais experientes governam o desenvolvimento do pensamento

e o próprio comportamento da criança. À medida que as crianças crescem, elas interiorizam a

ajuda externa que vai se tornando desnecessária; Gardner defende que o processo de

construção do conhecimento não ocorre apenas pelo viés do cognitivo, mas principalmente

4 pelo afetivo, pela imaginação, pela intuição, por outros tipos de raciocínios que ele chama de

  • 14 Vygotsky, pensador importante em sua área, foi pioneiro na noção de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida.

  • 15 Formado no campo da psicologia e da neurologia, o cientista norte americano Howard Gardner causou forte

impacto na área educacional com sua teoria das inteligências múltiplas, divulgada no início da década de 1980. Seu interesse pelos processos de aprendizado já estava presente nos primeiros estudos de pós-graduação, quando pesquisou as descobertas do suíço Jean Piaget (1896-1980). Por outro lado, a dedicação à música e às artes, que

outras inteligências. Em síntese, este estudioso considera que conhecemos através de sistema

de “inteligências” interconectadas, mas, de certa forma, independentes, localizados em

regiões diferentes do cérebro, com intensificações diferenciadas em cada pessoa e para cada

cultura. Concluindo se dessa forma que temos sete inteligências e que há sempre o

predominante de uma sobre as outras, formando assim vários conhecimentos e informações

em vários assuntos; Já Jean Piaget considera que na Psicologia a primeira autoridade em

desenvolvimento cognitivo, propõe, que antes de qualquer coisa, que o desenvolvimento

cognitivo se realiza em estágios. Isso significa que a natureza e a caracterização da

inteligência mudam significativamente com o passar do tempo. A concepção construtivista

está diretamente associada à influência de Piaget, onde o aluno exerce o papel ativo do sujeito

no processo de aprendizagem. Além de a escola seguir essas teorias, ela ainda busca propostas

de ação na linha da “Pedagogia de Projetos”, incentivando os professores a sempre buscarem

parcerias com o objetivo de desenvolver essas atividades coletivas no âmbito da

interdisciplinaridade. Fazendo-se dessa forma com que “a proposta de ensino contribui para a

construção de uma “escola cidadã”, menos burocrática, mais humanizada, politizada, alegre e

comprometida com os interesses e necessidades de toda a comunidade escolar”.

Sempre se preocupando em obter resultados satisfatórios a escola busca contribuir

positivamente com a aquisição do saber de seus alunos que cada vez mais estão buscando um

saber nas diversas fontes de conhecimento que hoje lhes são disponíveis. Propondo sempre

um ensino mais exigente, onde cada vez mais cobra-se do aluno o emprego das inteligências

múltiplas e não só o da memorização, exigindo, também, um aluno mais participativo.

O plano curricular pedagógico foi elaborado de acordo com as necessidades da

escola, e sempre seguindo os PCN (Plano Curricular Nacional). Contudo a escola busca estar

sempre atenta para as questões que envolvem as experiências de aprendizagem para que os

educandos se sintam confortáveis e acompanhando o desenvolvimento da realidade no seu

dia- a-dia.

começou na infância, o levou a supor que as noções consagradas a respeito das aptidões intelectuais humanas eram parciais e insuficientes.

16 Um dos mais importantes pesquisadores de educação e pedagogia, Jean Piaget nasceu na cidade de Neuchâtel (Suíça) em 9/08/1896 e morreu em 17/9/1980. Especializou-se em psicologia evolutiva e também no estudo de epistemologia genética. Seus estudos sobre pedagogia revolucionaram a educação, pois derrubou várias visões e teorias tradicionais relacionadas à aprendizagem. As idéias de Piaget estão presentes em diversos colégios do mundo todo. Suas teorias buscam implantar nos espaços de aprendizagem uma metodologia inovadora que busca formar cidadãos criativos e críticos. De acordo com suas teorias, o professor não deve apenas ensinar, mas sim e antes de tudo, orientar os educandos no caminho da aprendizagem autônoma.

O PPP (2011, p. 45) relata que “o planejamento tem como característica ser

flexível, isto é, pode ser modificado de acordo com a realidade de cada turma, bem como de

seu desenvolvimento ou dificuldades encontradas ao longo do processo”. Percebe-se dessa

forma que a escola esta em constante preocupação com a estabilidade do ensino e de seus

alunos, pois ela esta sempre reavaliando as propostas que vão para as salas de aula.

No que se refere aos aspectos pedagógicos a escola juntamente com seu corpo

docente busca posicionar-se ante o sistema educacional e uma nova dinâmica de ensino, com

isso o educador é chamado a refletir num primeiro momento, em torno de certos elementos

que recebem hoje um novo enfoque decorrente do progresso científico tecnológico. Nesse

quesito a escola visa o preparo de pessoas de mentalidade flexível e adaptável para enfrentar

as rápidas transformações do mundo. Pessoas que aprendem a aprender e, conseqüentemente

estejam aptas a continuar aprendendo sempre.

A escola realiza atividades extraclasses constantemente, trabalhos coletivos,

encontros pedagógicos e reuniões sempre que necessário a fim de sempre enriquecer a

qualidade do ensino e o empenho que a escola desenvolve perante a sociedade. A mesma

estabelece essas propostas pedagógicas como o ponto de partida para um bom desempenho

profissional.

Segundo o PPP (2011, p. 50) relata que as avaliações dos conteúdos buscam

sempre garantir um melhor desempenho em torno do ensino-aprendizagem que foi repassado

em sala de aula para que dessa forma os educandos saibam enxergar e entender o que foi

realmente repassado pelo professor. No entanto as avaliações são elaboradas de forma

continua sempre obedecendo às regras de diminuir o índice de reprovados, e com o intuito de

que os alunos aprendam com mais facilidade os conteúdos expostos em sala de aula.

De acordo com o PPP (2011, p. 50), a avaliação é um processo contínuo de

pesquisa que visa sempre interpretar os conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos,

tendo em vista mudanças esperadas no comportamento, propostas nos objetivos, a fim de que

haja condições de decidir sobre alternativas do planejamento do trabalho do professor e da

escola como um todo. A avaliação não é o fim de um aprendizado, mas sim o meio, que

permitira o professor verificar até que ponto os objetivos propostos em sala de aula estão

sendo alcançados, pois é através da avaliação que o professor poderá observar mais

atentamente onde seus alunos estão tendo mais dificuldades em determinado conteúdo,

podendo assim reformular o seu jeito de trabalho com a adoção de novos procedimentos que

diminua a deficiência de aprendizagens.

4. PROPOSTAS PARA ENFRENTAR NOVOS DESAFIOS

Quando se fala em saber ensinar, muitos pensam que é uma simples habilidade

expressa pela competência dos professores diante de sua rotina diária no processo de

ensino/aprendizagem. Segundo Moysés:

Educar é muito mais que isso. Tarefa complexa requer preparo e compromisso; envolvimento e responsabilidade. É algo que se define pelo engajamento do educador com a causa democrática e se expressa pelo seu desejo de instrumentalizar política e tecnicamente o seu aluno, ajudando-o a construir-se como sujeito social. (MOYSÉS, 2001, p.14).

No entanto, é óbvio, que o professor, por si só, não é capaz de transformar toda a

realidade escolar e econômica de uma sociedade, que tem suas raízes no meio econômico e

sociopolítico. O professor entra na vida de cada educando pela sua competência como

profissional da educação, sendo o principal responsável de maior peso quando se pensa e fala

na melhoria da qualidade do ensino.

O professor tem um trabalho árduo, pois lida diariamente com alunos que são por

si só um grande desafio, em que o professor tem o dever de trabalhar bem, para que dessa

forma consiga bons resultados, sendo que este é um dos maiores desafios.

A aprendizagem se faz em cima de conceitos, enunciados e definições. É a partir

da utilização desses elementos que se faz o ponto de partida para saber o que quer ensinar. Na

aprendizagem um conceito sempre se segue a outro, fazendo dessa forma com que o

aprendizado siga sempre de forma contínua. No entanto, Vygotsky (1987 apud Moysés, 2001,

p. 15) afirma que:

Um conceito se forma não pela interação de associações, mas mediante uma operação intelectual em que todas as funções mentais elementares participam de

uma combinação específica. [

]

Quando se examina o processo de formação em

... toda a sua complexidade, este surge como um movimento do pensamento, dentro da pirâmide de conceitos, constantemente oscilado entre duas direções, do particular para o geral e do geral para o particular. (VYGOTSKY, 1987, p.70 apud MOYSÉS, 2001, p15)

Estudos desenvolvidos por Vygotsky (1987), Bruner (1976) e Ausebel (1990) in

apud Moysés (2001, p.22-23) relatam que a tarefa de ser mediador entre o objeto e o sujeito

do conhecimento sempre exigirá do professor o desenvolvimento de certas atitudes e

habilidades. Dentre essas atitudes, destacam-se a de descobrir primeiramente o que o aluno já

sabe; a de saber organizar de forma coerente e articulada o conteúdo que será ministrado;

saber criar condições para que o aluno possa passar do particular para o geral, de tal forma

que ele próprio sempre reconstrua o seu conhecimento. Pois para que aprendizagem seja

satisfatória para ambas as partes, não basta que somente o professor ache o assunto relevante

e significante, também é necessário que o aluno chegue a essa conclusão. Conforme cita

Snyders:

[

]

uma pedagogia realmente progressiva é uma pedagogia capaz de

... desmitificar o próprio desejo da criança, capaz de explicar-lhe porque é que ela tem este desejo, de onde lhe vem essa limitação dos seus desejos, capaz

de auxiliá-la a ultrapassar os seus desejos primeiros e dirigir-se para desejos culturais que, de outro modo, ficariam a ser monopólio da classe dirigente. (SNYDERS, p.19 apud MOYSÉS, 2001, p.24)

A motivação de um professor em sala de aula é de fundamental importância para

uma boa aprendizagem, de acordo com Moysés (2001, p. 41), motivação e aprendizagem

andam lado a lado, pois se o aluno está motivado, a aprendizagem ocorre com mais

naturalidade. Mouly (1966, p. 206 apud Moysés, 2001, p.41), afirma que “geralmente se

admite que a aprendizagem pelo menos na situação usual não pode ocorrer sem

motivação, e que, além disso, a eficiência da aprendizagem está na proporção direta da

motivação do individuo”. Nérici (1968, p. 183 apud Moysés, 2001, p. 41), autor de um dos

principais manuais de Didática Geral, também afirma que “motivação é um fator decisivo no

processo de aprendizagem e não poderá haver, por parte do professor, direção de

aprendizagem se o aluno não estiver motivado”. Para complementar Campos (1972, p. 95

apud Moysés, 2001, p.41) enfatiza que “a compreensão e o uso adequado das técnicas

motivadoras resultarão em interesse, concentração de atenção, atividades produtivas e

atividade eficiente de uma classe”.

Seguindo esses parâmetros o ensino de Geografia no Colégio Estadual Ana

Algemira do Prado, gira em torno de um trabalho desenvolvido em que os professores buscam

trabalhar conteúdos estudados em sala de aula que sejam capazes de estimular e desenvolver

as habilidades dos alunos tanto dentro da escola quanto no seu dia a dia, pois o que foi

ensinado, não pode ficar preso em sala de aula.

Em se tratando do conhecimento dos professores em relação aos planejamentos

curriculares e as matrizes curriculares que regem a instituição e são de total importância para

o ensino fundamental, quando questionados de como os docentes da instituição retratam ao

fazer uso frequente desses parâmetros e diretrizes. Conforme a docente Arlete diz:

Sou professora há 20 anos, e desde que eu me engajei na profissão sempre procurei me orientar e planejar minhas aulas, no inicio tive muita dificuldade e buscava sempre inovar minhas aulas, mas com o passar dos anos, o planejamento foi se tornando rotineiro, mas nunca deixei de planejar minhas aulas. Sempre procuro trazer novas informações para meus alunos, no intuito de sempre estar inovando o ensino de Geografia, pois esta disciplina esta em constante transformação. (ARLETE, 2013).

De acordo com a docente Rosimeira é de fundamental importância sempre todos

os professores estarem fazendo uso dos documentos que regem a instituição. Pois é através

deste documento que o professor terá de imediato todo o suporte necessário para planejar suas

aulas, fazendo dessa forma com que as práticas pedagógicas atinjam seu êxito, para que dessa

forma o ensino de Geografia possa ser passado com um grande significado positivo na vida

dos educando. Segundo Kaercher:

Queremos apenas enfatizar que a Geografia, ainda que, como disciplina escolar possa, muitas vezes, parecer insípida, e até desagradável para os alunos, é uma prática social inerente e permanente a todo e qualquer grupamento humano. Ou se faz Geografia e se transforma o espaço, a natureza, ou se parece. Bom, portanto, que haja um espaço-tempo permanente, num lugar chamado escola, para se pensar a geograficidade da nossa existência. (KAERCHER, 2004, p. 21).

As várias renovações que foram surgindo em torno do ensino de Geografia, têm

como principal objetivo promover uma aprendizagem mais significativa dos conteúdos

escolares, onde os professores possam a vir com o decorrer das aulas estarem desenvolvendo

questões que já possuem um conhecimento, bastando apenas aprofundar-se para dar coerência

à aprendizagem.

Contudo buscaram-se os grandes desafios que fundamentam o ensino de

Geografia para traçar algumas questões que envolvem os professores de Geografia atuante no

ensino escolar na cidade de Palestina de Goiás, com a finalidade de poder encontrar novas

propostas para os desafios diários que os professores encontram em sua rotina.

Buscou através da elaboração e aplicação deste questionário (ANEXO I) levantar

informações junto aos professores de Geografia atuantes no ensino fundamental II entender

quais são as opiniões dos mesmos a respeito dessa grande renovação da Geografia. Foram

aplicados (02) dois questionários com professores atuantes no Colégio Estadual Ana

Algemira do Prado, a pesquisa veio para delinear, as perspectivas e opiniões dos mesmos em

relação ao ensino da Geografia hoje, na escola e principalmente o que esta está representando

para os educandos. Sabendo que a cidade de Palestina de Goiás conta somente com duas

escolas, sendo somente uma mantida pela Rede Estadual de Ensino. Procurou-se conhecer os

docentes pesquisados no primeiro momento identificando-os, Altenias Gonçalves de Sousa,

possui formação superior em Licenciatura Plena em História, também possui Pós em

Formação Sócia Econômica Brasileira, atua há 30 anos no Ensino Fundamental II de

Geografia, exercendo uma carga horária de 40 horas aula no Ensino Fundamental II.

Aldenias Gonçalves de Sousa, formado em Licenciatura Plena em História, possui

Pós em Formação Sócia Econômica Brasileira, atua há 28 anos no Ensino Fundamental II de

Geografia, com uma carga horária de 40 horas, sendo que há 5 anos, também ministra aulas

para o Ensino Médio de Geografia, com uma carga horária de 20 horas; Rosimeira Rosa de

Sousa Prado, possui Licenciatura Plena em História, com especialização Pós-Graduada em

Gestão Escolar, tempo de atuação no magistério de 16 anos e 12 anos no Ensino Fundamental

II de Geografia, com uma carga horária de 60 horas. E Arlete Maria Araújo Silva, possui

Licenciatura Plena em Geografia, com especialização Pós-Graduada em Psicopedagogia, atua

há 20 anos no Ensino Fundamental II, com uma carga horária de 60 horas aulas.

Com bases nas opiniões dos docentes pesquisados acredita-se que esta pesquisa

possa e muito contribuir para que o ensino de Geografia na escola venha a ser repensado de

forma que tanto os docentes quanto os educandos se sintam confortáveis com a forma que a

mesma é planejada e executada na prática escolar.

Em uma aprendizagem existem inúmeras situações problemas nas quais se pautou

para entender as perspectivas que os professores esperam e sentem em relação a esta

disciplina. D’AVILA (2003) ressalta que:

O objetivo maior do ensino é a construção do conhecimento mediante o processo de aprendizagem do aluno. A intervenção intencional própria do ato do professor, diz respeito à articulação da metodologia aplicada, levando em conta as condições

concretas onde ocorre o ensino em seus diferentes momentos. (D’ÁVILA, 2003, p.

63)

O ensino de Geografia, ao longo dos anos, buscou sempre se renovar

aprofundando-se em novas perspectivas de ensino deixando a fundo somente os paradigmas

adquiridos desde seu surgimento para enfim repensar uma nova prática pedagógica que busca

desenvolver questões que envolvem o educando no seu contexto para que de fato os mesmo se

sintam confortáveis em conhecer e aprender a conviver com uma nova Geografia, que estará a

todo o momento no seu cotidiano e principalmente no âmbito escolar. Callai (1999 apud

D’Ávila, 2003) fala que:

A geografia tem um instrumento teórico capaz de dar conta da explicação da sociedade expressa, quer dizer, concretizada em um espaço construído, do qual resulta uma paisagem. Esse território cheio de vida, de movimento da sociedade

precisa ser compreendido, precisa ser analisado e interpretado. (CALLAI, 1999, p. 12 apud D’ ÁVILA, 2003, p. 16)

Em torno de toda a instrumentação que envolve a dinamização da Geografia na

busca de se estabelecer uma disciplina escolar dinâmica e com novas práticas e metodologias

de ensino em seu contexto, foi questionado aos entrevistados sobre o princípio de que

atualmente, a relação da temática com a realidade do educando (conceitos do cotidiano) são

fundamentais no processo de ensino e aprendizagem e, quais são os recursos metodológicos

que os mesmos utilizam em suas aulas para que possam desenvolver os conteúdos geográficos

de uma forma diferenciada e dinâmica, com o intuito de estar chamando a atenção dos alunos.

De acordo com a docente Rosimeira:

Atualmente ensinar Geografia esta muito mais fácil, do que anos atrás, pois com o avanço da tecnologia ficou muito mais fácil explicar certos conteúdos, pois temos a nosso favor a internet, televisão, celulares com internet, a tecnologia esta a nosso favor. No entanto, como trabalhamos muito, e na maioria das vezes não temos muito tempo de assistir jornal ou até mesmo acessar a internet, em muitos casos, os alunos ficam mais por dentro dos assuntos do que nós próprios. (ROSIMEIRA, 2013)

A docente Arlete atuante no ensino fundamental II há 20 anos fala que “ser

professora de Geografia é muito gratificante, pois esta disciplina está em constante

movimento, e é através dela que podemos entender os vários fenômenos que ocorrem no

nosso meio social, pois a Geografia esta em todos os assuntos. E com a tecnologia a nosso

favor temos mais facilidade em desenvolver projetos, pesquisas, leituras, debates, sempre

utilizando os meios tecnológicos (TV, vídeos, internet, jornais, revistas). Com o decorrer dos

anos e com os avanços tecnológicos, se tornou muito mais fácil ministrar as aulas de

Geografia, fazendo com que dessa forma os professores sempre recorra aos meios

tecnológicos para explicar melhor os conteúdos buscando sempre levar ao educando o

conhecimento mais atualizado.

Conforme cita Oliveira (1998, p.138 apud D’Ávila, 2003, p. 17), “os alunos e

professores têm sido uma espécie de vitima desse processo. A Geografia que se ensina e se

aprende não os motiva mais e seguramente esta muito longe das reais necessidades”. Percebe-

se diante dessa afirmação a necessidade de estar se repensando as novas metodologias de

ensino, para que nem os professores muito menos os alunos se tornem vitimas de um sistema

educacional prisioneiro. No entanto já na concepção de Mercador in apud D’ Ávila, o autor

comenta que:

A formação de professores frente à introdução de novas tecnologias exige uma reformulação das metodologias de ensino e um repensarem de suas práticas pedagógicas, permitindo auxiliar o professor ampliando e fortalecendo experiências de aplicação das mesmas no processo-aprendizagem e adequando os recursos destas tecnologias como ferramentas pedagógicas. (MERCADOR, 1999, p.99 apud D’ÁVILA, 2003, p. 19).

O docente Altenias diz usar, não com muita frequência, recursos metodológicos

como rodas de conversa, no entanto, usa com mais freqüência a metodologia de aulas

expositivas, onde os alunos irão pesquisar mais afundo sobre determinados assunto e depois

apresentarão para os outros colegas. Nessa perspectiva Kaercher ressalta que:

Toda relação de ensino engloba muito mais do que o cognitivo; forma de valores e modelos de comportamento implicando na construção das noções de mundo, sociedade e ciência, conhecimento e etc. então, os professores de geografia

observados ‘nunca’ ensinam ‘apenas’ Geografia. [

...

]

em alguns casos ensinam,

menos Geografia do que outras coisas! Mesmo assim são modelos de fazer Geografia. E mesmo, assim formam e são modelos para uma série de idéias que

estão muito além da disciplina Geografia. (KAERCHER, 2004, p.37)

Nesse enfoque, há uma grande necessidade da redefinição do ensino de Geografia

no ensino fundamental II, para que tanto os professores e as escolas sejam beneficiadas e

qualificadas de forma adequada, para que dessa forma possam preparar melhor os educandos.

Pois estes indivíduos estão num processo de formação e necessitam ser educados com uma

grande qualidade e por dentro dos grandes avanços tecnológicos, que atualmente rege toda

nossa sociedade.

É no ensino fundamental que se abre a primeira porta para que os educandos

comecem a ser orientados a viver em sociedade, sabendo que de imediato estes ainda são

pequenos cidadãos, no entanto precisam já começar a comunicar-se e interagir com o mundo a

sua volta. D’ÁVILA ressalta que:

Acredita-se, entretanto, que a pouca participação dos professores no processo traz dificuldades para a deliberação de um movimento capaz de promover mudanças importantes no ensino- aprendizagem. O professor não deve ficar preso a única metodologia ou recurso como, por exemplo, o livro, porque hoje já se faz uma

crítica em profundidade tanto em relação aos métodos de ensino, como a qualidade do livro didático no contexto da prática de ensino. (D’ÁVILA, 2003, p.19).

Segundo Kaercher (1998, pag. 71 apud D’Ávila, 2003, p. 11), “o movimento de

renovação da Geografia Brasileira já tem mais de quinze anos, mais o seu sopro renovador

ainda esta distante na maioria das salas de aula do Ensino do Primeiro e Segundo grau (ensino

fundamental e Ensino Médio, conforme a lei de Diretrizes de Base da Educação). Diante

dessa afirmação foi perguntado aos docentes quais são os grandes desafios que o professor de

Geografia tem encontrado hoje na sua prática de educador, e porque está ocorrendo um

grande distanciamento entre a ciência geográfica e a disciplina de Geografia, o professor

Aldenias declara que:

O sistema educacional, pra nós enquanto professores atuantes há muitos anos sabemos que ele é muito alienador, pois sabemos que o governo oferece o livro didático e temos a obrigação de seguir ele, no entanto, sigo sim os conteúdos do livro didático, mas sempre busco trazer os conteúdos para nosso cotidiano, e sempre com pensamentos críticos para dessa forma estimular o raciocínio dos meus alunos. (ALDENIAS, 2013)

O docente ressalta em sua fala o descontentamento que o professor enquanto

educador está presenciando no seu dia-a-dia tendo que trabalhar muitas vezes, sem as

condições básicas que são fundamentais para se ministrar uma boa aula e ainda enfrentando

os desafios que a educação e suas burocracias impõem, atingindo não o professor, mas

principalmente o educando em formação.

Segundo a docente Rosimeira, “não é somente em Geografia, que o trabalho do

professor se pauta em grandes desafios, também sou professor na área de história e encontro

os mesmos desafios, no entanto sempre busco aprimorar o meu conhecimento com novas

leituras e pesquisas sempre a fim de qualificar a minha aprendizagem para que dessa forma eu

também possa ajudar os meus alunos, perante alguma dúvida. Entre ciência e a disciplina

estudada há um grande distanciamento em relação ao tempo. Pois a ciência foi e é de

fundamental importância, pois foi através dela que se teve a necessidade de dar início a

disciplina. Sendo que hoje o estudo de Geografia é baseado no “agora” e nas transformações

do momento”. A professora Arlete já foi bem enfática na sua fala, relatando que estuda,

planeja se dedica, mas quando ele chega pra dar sua aula desanima com a grande falta de

interesse da maioria dos alunos. A respeito do distanciamento da ciência e da disciplina de

Geografia, eles acreditam não ser muito preocupante, pois a ciência sempre será a base para a

disciplina: Segundo Cavalcanti:

A relação entre uma ciência e a matéria de ensino é complexa; ambas formam uma unidade, mas não são idênticas. A ciência geográfica constitui-se de teorias, conceitos e métodos referentes à problemática de seu objeto de investigação. A matéria de ensino Geografia corresponde ao conjunto de saberes dessa ciência, e de

outras que não têm lugar no ensino fundamental e médio [

].

É preciso que se

considere [

]

aí a aprendizagem dos alunos conforme suas características físicas, afetivas,

intelectuais, socioculturais. (CAVALCANTI, 2003, p.9)

Segundo Hissa, na busca por uma compreensão menos complexa sobre ciência

ressalta que:

A ciência já não pode mais ser compreendida apenas como produto de uma razão dissociada de sensibilidades. A ciência é a arte, interpretando o que muitos denominam realidade, de sempre rearranjar informações-elas mesmas, um produto da criação que permitem construir o desenho do mundo, das coisas e dos seres, das suas complexas relações e dos seus lugares. (HISSA, 2002, p. 14)

Pode-se perceber que o docente está sempre na busca por novos conhecimentos,

pois como já foi mencionado o docente Aldenias ressalta que o estudo de Geografia não pode

ser baseado somente nos nossos antepassados é sempre necessário estar buscando uma

Geografia renovada, pois a sociedade se transforma todos os dias, e como a Geografia faz

parte de toda a sociedade ela também tem que acompanhar essas transformações.

De acordo com Vygotsky (1994, p.108 apud D’Ávila, 2003, p. 26), “a Geografia

trabalha com conceitos que fazem parte da vida dos seres humanos, sendo o professor, um

agente mediador desses conhecimentos”, sendo que o aprendizado é mais uma aquisição de

cada ser humano, ou seja, é a capacidade de cada tem por pensar sobre qualquer assunto.

Diante dessa afirmação de Vygotsky percebe-se tamanha importância da disciplina de

Geografia no ensino fundamental, pois é nessa fase do ensino que se começa a familiarização

do educando com a disciplina e com a sociedade. Ocorrendo dessa forma a necessidade dos

professores se pautarem em repassar os conteúdos de uma forma que vá levar o conhecimento

do educando muito além da sala de aula, para que dessa forma os mesmos se sintam

possuidores do saber e possam juntamente com os professores discutir os conteúdos que

norteiam a Geografia.

Para Kaercher (2002) mesmo com a tecnologia a favor da educação, uma grande

parcela dos educando ainda são desacreditados, não têm muita paciência para ouvir os

professores. Nessa perspectiva é preciso fazer com que os alunos percebam qual a

importância do espaço, na constituição de sua individualidade e da sociedade de que ele faz

parte a todo o momento.

A busca por novas metodologias de ensino faz com que o docente encontre

grandes desafios no seu dia a dia escolar e social, pois se adequar a novas tecnologias e

métodos para se ter resultados positivos em sala de aula é a grande questão que o docente

atualmente busca solucionar. A memorização de conteúdos antes servia apenas para

alcançarem sucessos em provas ou avaliações. Com idéias inovadoras, e sempre tentando

seguir as inovações a escola atualmente começou a trocar sua metodologia didática por outras,

como inserir o aluno no problema, para que dessa forma ele possa encontrar qual a melhor

resposta para resolver o problema em questão.

Segundo Dib sobre a questão de dinamização das aulas de Geografia adotadas

pelos docentes o autor aborda que:

Quando aqui destacamos a palavra dinamização, entendemos que não representa aquela aula onde o professor de cambalhotas na sala de aula, ou qualquer tipo de espetáculo circense, mas sim aquela aula que se faça fluir o melhor possível o processo de ensino aprendizagem de Geografia e que nesse enredo, o profissional esteja preparado no que diz respeito aos fundamentos gerais da educação, incluindo as metodologias de ensino e avaliação e a evolução do pensamento geográfico, buscando enterrar definitivamente o ranço perverso deixado pela Geografia Tradicional. (DIB, 2005, p. 1)

Alguns dos entrevistados ainda se encontram ainda com muito receio de se adequar a

novas tecnologias. De acordo com o docente Aldenias “essas metodologias podem ajudar e

muito, mas não utilizo com freqüência, pois deve se ter uma grande flexibilidade ao fazer uso

dessas metodologias para que ao invés de ajudar não venha bagunçar ainda mais as idéias dos

educando”. E segundo a professora Rosimeira:

Atualmente com tanta modernização e todas ao nosso alcance, se assim preferirmos não precisamos mais ministrar nossas aulas somente com a voz, o quadro negro, o giz e o livro didático. Não faço uso diário dessas tecnologias em todas as minhas aulas, mas se eu sentir necessidade de usar, eu faço uso para poder chamar mais atenção dos meus alunos. (ROSIMEIRA, 2013)

Oliveira (2002, p. 314 apud D’Ávila, p. 24) relata que, para provocar situações,

desencadear processos e utilizar mecanismos intelectuais requeridos pela aprendizagem, que

permitirão aos professores empregarem métodos ativos, para engrenar a ação didática em

bases sólidas. Dessa forma o aluno irá sair do ensino fundamental com uma aprendizagem

mais aprofundada, pronto para dar continuidade ao seu conhecimento.

Para Cavalcanti (2003), o ensino é um processo de conhecimento pelo aluno,

mediado pelo professor e pela matéria de ensino, no qual devem estar articulados seus

componentes fundamentais: objetivos, conteúdos e métodos de ensino. De acordo com

D’AVILA (2003, p.29), “a importância da metodologia consiste no controle detalhado de

cada técnica auxiliando na pesquisa, sendo importante para o pesquisador buscar ou comparar

informações, articular conceitos, avaliar ou discutir resultados e etc.”, compreende-se dessa

forma que o professor em alguns conteúdos ele deve fazer o uso da tecnologia, para que dessa

forma ele possa chamar mais atenção dos alunos, e também para facilitar ao ministrar as

aulas.

Segundo a docente Arlete, alguns professores que fazem parte da unidade escolar,

inclusive ele, procuram sempre trabalhar com projetos, pois a sua elaboração estimula e muito

o aluno no seu próprio senso crítico, sobre as situações que os mesmos se deparam no dia-a-

dia, ele cita exemplos de projetos como: consumismo, poluição, combate ao trabalho infantil,

combate a dengue, racismo, feira de ciências, teatros entre outros. São questões que podem

ser despertadas nos educando para que possam interagir na busca por melhores condições. Na

concepção de Kaercher:

A Geografia e seu conteúdo são, sem dúvida, pretextos para a discussão coletiva

acerca da razão e do afeto/desejo que envolvem, necessariamente, a relação não só com a disciplina Geografia, mas sobretudo, com os alunos. A Geografia aqui é matéria prima, pretexto para, a partir de seus conteúdos e conceitos, refletirmos a

existência e nossa ação no mundo. [

...

]

pensar como ação concreta do professor pode

contribuir, por exemplo, para a autonomia do aluno, e também para um entendimento mais claro dos conteúdos tratados, no caso aqui, de Geografia, é uma

tarefa permanente para os cursos de licenciatura. (KAERCHER, 2004, p. 48).

Atualmente não é mais possível trabalhar uma Geografia que não gere

entretenimento, ou seja, estar sempre por dentro do que está acontecendo ao nosso redor, é o

início do conhecimento, pesquisar sobre os acontecimentos, é o aprofundamento desse

conhecimento que se repassado aos educandos estimulará o interesse em aprender a Geografia

e conhecê-la desde seus conceitos, categorias até o mundo globalizado, pois para entender o

hoje e o agora é preciso saber onde se teve o início dessa disciplina. Os professores estão

buscando inovar suas aulas com novas estratégias de ensino, desenvolvendo conteúdos tendo

como base as atividades diárias para se fundamentarem em um estudo mais específico dando

sempre oportunidade aos educandos, assim o professor cria indagações, investiga e passa a

conhecer as dificuldades e a capacidade de cada educando, podendo delimitar os aspectos de

cada um em sala de aula.

Questiona-se aos docentes pesquisados quais são as contribuições e propostas para

melhorar o ensino de Geografia na formação do educando do Ensino Fundamental II, que foi

a base dessa pesquisa. O professor Aldenias ressalta que a Geografia faz com que:

As contribuições em torno da disciplina são que os alunos tenham um pensamento crítico sobre o que esta acontecendo ao seu redor, não somente em sala de aula, mas que eles possam ter esse mesmo pensamento no seu dia-a-dia. Em se tratando das propostas, de um primeiro momento é preciso que o professor planeje suas aulas, chame a atenção dos alunos, mas também é preciso que o aluno se dedique, fazendo leituras e questionando, não deixando apenas somente para os professores. (ALDENIAS, 2013)

No processo de ensino aprendizagem, em um primeiro momento se pensa que

somente o professor é o principal responsável pela educação, no entanto, é fundamental que o

educando também se sinta como parte integrada nesse processo que interessa a ambas as

partes, e o educando se sentindo peça fundamental, desenvolverá na sociedade seu papel de

cidadão crítico. Diante dessa fala, percebe-se que a docente Rosimeira tem buscado trazer

para a realidade dos educandos os conteúdos que estão expostos no livro didático, fazendo

dessa forma uma ligação entre a teoria e a prática. O docente Altenias posiciona-se dizendo

que:

É de fundamental importância perceber as várias transformações que ocorrem dentro da nossa sociedade, pois é através dessas pequenas ou grandes transformações que vamos aprimorando ainda mais o nosso conhecimento. No entanto devemos sempre fazer uma reflexão do que mudou, para não perdermos completamente nossas origens. (ALTENIAS, 2013).

Sobre as questões levantadas pelo docente Aldenias faz-se um paralelo com

Kaercher, que de acordo com sua visão sobre a educação o autor acredita que:

A melhor educação é aquela que ajuda o educando a criar-se na autonomia e a independentizar-se, desenvolvendo nele a capacidade de agir livremente, mas sempre lembrando que a nossa opinião é uma crença com a consciência de ser insuficiente. E, por saber-se insuficiente, muitas vezes formula mais questões do que

finaliza com respostas. [

...

]

cremos que todo educador, ao se deparar com um grupo

de alunos, vá além dos conhecimentos de sua disciplina. Neste sentido é desejável

que ele repense constantemente os fundamentos norteadores do seu “quefazer”!

Enfim que ele faça filosofia quando lecionar Geografia! Que faça da Geografia uma

forma de filosofar. (KAERCHER, 2004, p. 77).

D’AVILA (2003, p.59), retrata que, “quanto ao aspecto metodológico no ensino

de Geografia, persiste a crença de que para ensinar bem basta ter o conhecimento do conteúdo

enfocado criticamente pelo professor e não pelo aluno”. De acordo com o professor (B), a

Geografia vem contribuir e muito com o meio social, pois esta disciplina está interligada com

todas as outras, sendo fundamental na formação da consciência, cidadania e ecologia. No

entanto para se ensinar bem é preciso que o professor esteja com o conteúdo bem enfocado,

no entanto, o aluno também deve estar a par do conteúdo para dar suas contribuições. Pois é

na escola que se inicia a estrutura de futuros cidadãos com a oportunidade de construir

conceitos, conceitos estes que faz e fará toda a diferença na vida de cada cidadão. Segundo

Kaercher:

O professor pode muito, pode aperfeiçoar seus métodos de ensinar. Mas o mais essencial na relação de ensino aprendizagem esta em outro lugar, que não sua técnica ou vontade, esta no aluno, no seu desejo de saber, aprender. Desejo este que é imprescindível e, com certeza, incontrolável por nós. (KAERCHER, 2204, p. 70)

Como pode ser visto os professores pesquisados da cidade de Palestina de Goiás,

mesmo perante as muitas dificuldades encontradas todos os dias buscam sempre estar

renovando e se aderindo a novas metodologias de ensino, fazendo com que dessa forma o

ensino de Geografia na cidade seja de qualidade.

Pois a renovação do ensino possibilita que os mesmo sempre se aventurem na

busca por novas metodologias de ensino, por mais simples que seja, para que a aprendizagem

seja de fato compreendida da melhor forma. D’AVILA relata que:

Existem inúmeras situações de aprendizagem nas quais os alunos podem construir

seu conhecimento. Entre esses recursos, destacam-se alguns tais como: textos (de

jornais, revistas); obras literárias (poemas, crônicas, poesias). [ obras de arte jogos, teatros e outros. (D’ÁVILA, 2003, p.63)

...

]

filmes, mapas,

Dessa

forma

pode

se

ensinar

a

Geografia

estudando

diferentes

áreas

de

conhecimento, pois a Geografia esta por todos os lados, possibilitando que o educando se

sinta importante de esta diretamente interagindo com o professor em sala de aula, não

somente com o conteúdo da disciplina de Geografia, mas das outras disciplinas também.

Contudo pode-se observar que os docentes entrevistados se preocupam com a formação do

educando no que diz respeito à capacidade que este tem para absorver os conteúdos

trabalhados em sala de aula. Todos os professores de Geografia enfatizaram buscar novas

formas de ensino e metodologias, para inovar suas aulas, mesmo que não fazendo uso direto

dessas metodologias.

Ao assumir as metodologias de ensino o professor deve estar seguro dos riscos

que irá correr no decorrer das aulas caso não sejam bem aceitas pelos educandos, os mesmos

devem estar preparados para reverter essa situação fazendo com que o educando interaja

completamente com as aulas. Pode-se concluir que os docentes envolvidos com esta pesquisa

se preocupam com o ensino de Geografia, e a forma que está sendo transmitida aos

educandos, pois será através desse ensino que os educandos se formarão cidadãos para

também compor nossa sociedade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A realização desta pesquisa possibilitou compreender o que de fato vem

ocorrendo em torno do ensino de Geografia desde o seu surgimento até os dias atuais. Podem-

se ver claramente as várias transformações que foram ocorrendo ao longo dos anos tanto na

ciência quanto na Geografia para que então pudesse ser transmitida de forma a levar clareza

aos educando e a sociedade. Sabe-se que com o passar dos anos os métodos de ensino foram

se transformando, facilitando dessa forma o diálogo entre professor e aluno, no entanto

mesmo obtendo-se de métodos que facilite transmitir aos educando a disciplina de forma mais

coerente e clara não é uma tarefa fácil, ser um bom educador.

Contudo com base na pesquisa feita com os docentes da escola aqui da cidade de

Palestina de Goiás constata-se que os mesmos trabalham em função de levar o conhecimento

aos educandos de forma a eliminar o “decoreba”, pois os tempos mudaram e houve a

necessidade de no lugar da memorização o uso mais frequente do diálogo, em sala de aula,

pois dessa forma os educandos aprendem com mais facilidade o conteúdo, e se sentem

inseridos na sociedade, pois os professores estão todos, a cada dia que passa, aproximando os

conteúdos com a rotina dos educandos.

Dessa forma os professores de Geografia entrevistados relatam que o ensino de

Geografia necessita estar sempre se renovando a cada novidade e tecnologia que surgem, não

deixando de aderir às novas tecnologias e sempre buscando inserir no seu contexto

metodologias de ensino que vão fazer com que os educandos se interessem pelo o ensino de

Geografia. Sabendo que os educandos são indivíduos que podem interferir no meio onde

vivem, é necessário que saibam interagir neste espaço.

REFERÊNCIAS

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FUNDAMENTAL, volume 22, Brasília, 2010

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D´ÁVILA, Vânia Virgínia Tillmann. O Processo de Construção e Reconstrução do

Conhecimento na Disciplina de Geografia no Ensino Médio: Análise de escolas no

Município de Itajaí/SC/ D´ÁVILA, Vânia Virgínia Tillmann.Itajaí:[s.n.].,2003.

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MOYSÉS, Lúcia Maria. O Desafio de Saber Ensinar. Campinas, SP: Papirus, 8° Ed. 2001

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Disponível

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setembro de 2013, hrs: 21h38min

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3ª edição, Brasília, 2001

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VIEIRA, Rejane. Metodologias de ensino utilizadas nas aulas de geografia. ICH/Ufpel,

Acadêmica do curso de Licenciatura Plena em Geografia, da Universidade Federal

de

Pelotas.

2009.

Acesso

em:

08/jun/2013.

Disponível

em

<http://www.ufpel.edu.br/fae/dialogoscompaulofreire/METODOLOGIAS%20DE%20ENSIN

O%20UTILIZADAS%20NAS%20AULAS%20DE%20GEOGRAFIA. Pdf>

ANEXOS

Universidade Estadual de Goiás

Curso: Geografia

Trabalho de conclusão de curso

Caro Professor (a) ________________________________________________________

Este questionário foi feito para reunir suas opiniões sobre os principais desafios de ensinar

Geografia na II fase do Ensino Fundamental, pois é de extrema importância sua participação.

Nosso objetivo se centraliza na identificação dos fatores que contribuem para ensinar

Geografia no Ensino Fundamental II do Colégio Estadual Ana Algemira do Prado.

Meu nome é Roberta Cristina Silvério Silva, do o 4° ano de Geografia estou concluindo o

curso de licenciatura, motivo este da realização deste trabalho.

ENTREVISTA COM PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL II

1

Dados do professor:

a

Nome Completo: ___________________________________________________

b

Formação superior: _________________________________________________

c

Especialização ou Outros: ___________________________________________

d

Tempo de atuação no

Fundamental II _________

e

Total de carga horário semanal no Ensino Fundamental II: __________________

2

Partindo do princípio de que, hoje, a relação das temáticas com a realidade do aluno

(conceitos do cotidiano) é fundamental no processo de ensino e aprendizagem, quais são

os recursos metodológicos que você utiliza para desenvolver o conteúdo, em sua sala, na

busca dessa relação?

________________________________________________________________________

________________________________________________________________________

________________________________________________________________________

________________________________________________________________________

________________________________________________________________________

________________________________________________________________________

________________________________________________________________________

  • 3 Segundo Kaecher (2004, pag.71 apud D’Ávila, 2003, p. 39), “O movimento de renovação da Geografia Brasileira já tem mais de quinze anos, mais o seu sopro renovador ainda está distante na maioria das salas de aula do Ensino do Primeiro e Segundo Graul (2009), (Ensino Fundamental e Ensino Médio, conforme a lei de Diretrizes de Base da Educação).” De acordo com sua visão quais são os grandes desafios do professor de Geografia, atualmente, e porque há distanciamento entre a ciência e a disciplina? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________

  • 4 O movimento de renovação da Geografia é uma realidade em nosso dia-a-dia. De acordo com os Documentos oficiais como, a matrizes curriculares do 6° ao 9° do Estado de Goiás e os Parâmetros Curriculares Nacionais de Geografia fazem partes da fundamentação teórica de seu planejamento. Você conhece esses documentos que regem o Ensino Fundamental II? Você ao preparar suas aulas fundamenta-se neles? Qual a relação que encontra entre o que é proposto nesses documentos e a sua prática em sala de aula? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________

5

A memorização de conteúdos, que eram destinados apenas alcançarem sucessos em

provas ou avaliações, hoje já não deverá fazer parte da prática pedagógica dos

professores. Com idéias inovadoras, a escola começou a tocar sua metodologia

didática por outras, como por exemplo: os alunos passaram a lidar com assuntos

temáticos e situações- problemas, procurando respostas e soluções adequadas para

eles. Partindo desta contextualização, o que você poderia comentar sobre

metodologias inovadoras?

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Qual a contribuição da Geografia na formação do aluno do Ensino Fundamental II?

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