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THAIZA MONTEIRO DE ARAUJO

QUALIDADE FÍSICA E FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE TAMBORIL (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) PROVENIENTES DE TRÊS REGIÕES DO ESTADO DE SERGIPE, DURANTE O ARMAZENAMENTO

SÃO CRITÓVÃO - SE SETEMBRO - 2008

THAIZA MONTEIRO DE ARAUJO

QUALIDADE FÍSICA E FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE TAMBORIL (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) PROVENIENTES DE TRÊS REGIÕES DO ESTADO DE SERGIPE, DURANTE O ARMAZENAMENTO

Monografia apresentada ao Núcleo de Engenharia Florestal – Universidade Federal de Sergipe, como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro Florestal.

SÃO CRITÓVÃO - SE SETEMBRO - 2008

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Ficha Catalográfica

Araujo, Thaiza Monteiro de. QUALIDADE FÍSICA E FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE TAMBORIL (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) PROVENIENTES DE TRÊS REGIÕES DO ESTADO DE SERGIPE, DURANTE O ARMAZENAMENTO/ Thaiza. - São Cristóvão: UFS, 2008.

Orientador: Robério Anastácio Ferreira. Monografia (Graduação) – UFS Bibliografia

Universidade Federal de Sergipe. II Título.

CDD -

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE - UFS CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE - CCBS DEPARTAMENTO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE - UFS CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE - CCBS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA AGRONÔMICA – DEA NÚCLEO DE ENGENHARIA FLORESTAL - NEF

QUALIDADE FÍSICA E FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE TAMBORIL (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) PROVENIENTES DE TRÊS REGIÕES DO ESTADO DE SERGIPE, DURANTE O ARMAZENAMENTO

Monografia apresentada ao Núcleo de Engenharia Florestal – Universidade Federal de Sergipe, como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro Florestal.

APROVADA:

ORIENTADA: Thaiza Monteiro de Araujo

____________________________ Prof. Dr. Robério Anatácio Ferreira (Orientador)

____________________________ Prof. Dr. Renata Silva Mann (Orientador Técnico)

________________________ M.Sc. Sheila V. Álvares Carvalho (Professor correlato)

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Aos meus pais, Adelaide da Costa Monteiro e Valdemir Tavares Farias, aos meus irmãos e à minha avó pela paciência e incentivo aos estudos.

OFEREÇO

Ao meu amado pai, Nilton Paz de Araujo.

DEDICO.

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À energia superior, Deus, pela oportunidade de vida. Ao Prof. Dr. Robério Anastácio Ferreira pela oportunidade de trabalhar no Laboratório de Tecnologia de Sementes. Ao Prof. Dr. Genésio Tâmara Ribeiro, por toda atenção e paciência durante a graduação. Ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – Pibic/UFS. Ao BNB/ETENE/FUNDECI pela participação no projeto: “Revitalização do rio São Francisco: Qualidade física e fisiológica de sementes visando à conservação ex situ de espécies florestais para recuperação de matas ciliares”. À Universidade Federal de Sergipe, em especial ao Núcleo de Engenharia

Florestal. Aos amigos do Laboratório de Tecnologia de Sementes e do Núcleo de Engenharia Florestal: Heloísa Oliveira, Diogo de Jesus, Andreza Oliveira, Marcilene, Raquel Zuanazzi, Chiara Donadio, Marco Soledade, Thadeu Ismerim, Marcos David, Paula Luíza e Ronildo César, pela ajuda e companheirismo. A todos os amigos que ingressaram no curso de Engenharia Florestal no ano de

2002.

Aos amigos de todas as horas: David Rios, Camila Guedes, Fabianne Prejuízo, André (Cabeça), Dudu, Ludmilla França, David Cardoso, Vitão, Adejan, Pedro, Rodrigo Numeriano e Valéria Borges. Aos amigos do DELOM, pelos momentos de sensibilidade e descontração. Ao namorado e companheiro Lucas Vieira Arcoverde de Morais, pelo amor, compreensão e dedicação. Enfim, agradeço a todos que estiveram presente na minha vida durante os anos de graduação e que influenciaram na realização deste trabalho.

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Obrigada!

SUMÁRIO

Páginas

LISTA DE TABELAS

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viii

 

LISTA DE FIGURAS

RESUMO

x

  • 1. INTRODUÇÃO

1

  • 2. REVISÃO DE LITERATURA

.........................................................................

3

  • 2.1 Características e importância da espécie

3

  • 2.2 Qualidade física, fisiológica e deterioração de sementes

4

  • 2.3 Armazenamento de sementes

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3.

MATERIAL E MÉTODOS

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  • 3.1 Localização e descrição da área de coleta de sementes

9 ..............................

  • 3.2 Coleta, beneficiamento e armazenamento das sementes

...........................

13

  • 3.3 Superação da dormência de sementes de tamboril

....................................

14

  • 3.4 Avaliação da viabilidade das sementes durante o armazenamento

14

  • 3.5 Avaliação do vigor de sementes

15

  • 3.6 Determinação das características físicas

16

  • 3.7 Delineamento experimental e análises estatísticas

16

  • 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

17

  • 5. CONCLUSÕES ............................................................................................

28

  • 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS

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LISTA DE TABELAS

Página

Tabela 1. Viabilidade inicial (germinação - G), vigor (índice de velocidade de germinação - IVG) e umidade inicial (U) de sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.), de diferentes procedências do Estado de Sergipe. UFS, São Cristóvão,

2008

......................................................................................................

17

Tabela 2. Viabilidade (germinação - G), vigor (índice de velocidade

de

germinação

-

IVG)

e

umidade (U) de

sementes de tamboril

(Enterolobium

contortisiliquum

(Vell.)

Morong.)

de

diferentes

procedências

do

Estado

de

Sergipe,

após

6

meses

de

armazenamento

(T1).

UFS,

São

Cristóvão,

18

2008

......................................................................................

 

Tabela 3. Viabilidade (germinação - G), vigor (índice de velocidade

 

de germinação

do

-

IVG)

e

umidade (U) de

sementes de tamboril

(Enterolobium

contortisiliquum

(Vell.)

Morong.)

de

diferentes

procedências

Estado

de

Sergipe,

após

12

meses

de

armazenamento

(T2).

UFS,

São

Cristóvão,

19

2008

......................................................................................

 

viii

Tabela 4. Viabilidade (germinação - G), vigor (índice de velocidade

de germinação

do

-

IVG)

e

umidade (U) de

sementes de tamboril

(Enterolobium

contortisiliquum

(Vell.)

Morong.)

de

diferentes

procedências

Estado

de

Sergipe,

após

15

meses

de

armazenamento

(T3).

UFS,

São

Cristóvão,

21

...................................................................................... 2008

Tabela 5. Média das características morfométricas de sementes de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum) (Vell.) Morong.)de diferentes procedências do Estado de Sergipe. UFS, São Cristóvão,

21

....................................................................................................... 2008

Tabela 6. Análises físicas e dimensões mínimas e máximas das sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum(Vell.) Morong.).

UFS, São Cristóvão, 2008

....................................................................

Tabela 7. Porcentagem de sementes deterioradas e plântulas anormais durantes as avaliações de qualidade inicial (0 meses), Tempo 1 (6 meses), Tempo 2 (12 meses) e Tempo 3 (15 meses) de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) procedentes de Nossa Senhora do Socorro, Aracaju e Santana do São Franciscodurante o armazenamento por 15 meses. UFS, São Cristóvão, 2008 ......................................................................................

22

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1- Detalhe da localização dos municípios de Nossa Senhora do Socorro (A), Aracaju (B) e Santana do São Francisco (C), no estado de Sergipe. UFS, São Cristóvão, 2008. (Fonte: Google Earth, 2008) ......................................................................................................

Página

9

Figura 2. Aspecto geral da árvore (A), dos frutos (B) e das sementes (C) de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.). UFS,

São

Cristóvão,

13

....................................................................................................... 2008

Figura 3: Detalhe das sementes com emissão de radícula (A), plantulas em formação (B), plântulas com as estruturas essenciais (C), formação da parte aérea (D) das sementes de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.). UFS, São Cristóvão,

................. 2008

15

Figura 4: Detalhe das sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) (A); Medição do comprimento (B);

Medição da largura Cristóvão,

(C)

e

Medição da espessura(D). UFS, São

19

........................................................................................................ 2008

x

Figura 5 - Comportamento da germinação e equações de regressão das sementes de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) nas procedências de Nossa Senhora do Socorro, Aracaju e

Santana do São Francisco durante o armazenamento por 15 meses.

UFS,

São

Cristóvão,

23

..................................................................................... 2008

 

Figura 6 - Comportamento do índice de velocidade de germinação (IVG) e equações de regressão das sementes de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) provenientes dos

 

municípios de Nossa Senhora do Socorro, Aracaju e Santana do São Francisco, durante o armazenamento por 15 meses. UFS, São Cristóvão,

24

................................................................................................... 2008

Figura 7 - Comportamento do teor de água e equações de regressão das sementes de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) procedentes de Nossa Senhora do Socorro, Aracaju e Santana do São Francisco durante o armazenamento por 12 meses.

UFS,

São

Cristóvão,

26

...................................................................................... 2008

 

Figura 8. Detalhe de plântulas anormais (A) e (B), detalhe de cotilédones desestruturados (C) de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) durante o teste de germinação. UFS,

 

São

Cristóvão

27

....................................................................................................... 2008

xi

RESUMO

O presente trabalho teve por objetivo caracterizar fisiologicamente e avaliar o comportamento de sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) procedentes de três regiões do Estado de Sergipe, durante o armazenamento de 15 meses, estruturando um banco de sementes ex situ para subsidiar ações de recuperação de mata ciliar. A espécie é uma das poucas encontradas nos remanescentes florestais ainda existentes no estado, é recomendada para reflorestamentos de áreas degradadas por ser nativa e por possuir rápido crescimento. Através de teste de germinação e índice de velocidade de germinação determinou-se a viabilidade e o vigor para a caracterização da qualidade fisiológica e avaliou-se as características morfométricas e teor de água das sementes para a obtenção da qualidade física. A qualidade fisiológica das sementes de acorodo com a qualidade inicial e aos 6, 12 e 15 meses de armazenamento. Para o teste de germinação e morfometria utilizou-se 100 sementes, sendo 4 repetições de 25 sementes, por procedência, e as avaliações foram realizadas à cada dois dias. Para o teste de umidade utilizou- se 40 sementes, sendo 4 repetições de 10 sementes. Após as avaliações procedeu-se análises estatísticas no programa SISVAR e as médias foram comparadas pelo Teste de Tukey a 5%. Para as características morfométricas, as sementes provenientes de Nossa Senhora do Socorro apresentaram maiores dimensões diferenciando das demais procedências obtendo 14,43mm de comprimento, 10,11mm de largura e 7,17mm de espessura. Foi observada variação entre e dentro das procedências para todos os parâmetros morfométricos avaliados. O menor percentual de umidade foi encontrado na procedência de Aracaju (13,66%). Para a qualidade fisiológica das sementes de

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tamboril, não foi verificado diferenças entre as procedências apresentando taxa de germinação variando de 79 a 88%.

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1. INTRODUÇÃO

Devido à diminuição de áreas de importância ambiental, como as matas ciliares, ocorre também a diminuição da produção de sementes das espécies florestais de interesse, com finalidades ecológicas, econômicas e sociais, comprometendo a regeneração natural. Devido as dificuldades com a obtenção das sementes, germinação e produção de mudas têm sido limitado o aumento da diversidade nos plantios realizados (DURIGAN et al., 2004). A mata ciliar além de ser considerada pelo Código Florestal área de preservação permanente, possui importância por também constituir corredor ecológico, conservar e proteger o solo contra o assoreamento de rios, e mesmo assim, é válido afirmar que as matas ciliares vêm sofrendo graves processos de degradação. Para estabelecer programas de recuperação de áreas nativas e degradadas é necessário coletar informações sobre a produção de sementes de espécies florestais potenciais e suas qualidades fisiológica e física. É importante identificar sementes com comportamento ortodoxo que se mantenham viáveis por longos períodos durante o armazenamento e que possibilite a manutenção em bancos de sementes ex situ. Com as informações sobre o comportamento de sementes armazenadas torna-se mais prática a tomada de decisões por se trabalhar com lotes de sementes mais vigorosas e com boa qualidade. A espécie Enterolobium contortisiliquum Vell. Morong, popularmente chamada de tamboril, é uma das poucas espécies encontradas nos remanescentes florestais ainda existentes no estado de Sergipe. Pertencente a

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família Leguminosae Mimosoideae, é uma espécie nativa que possui sementes ortodoxas e pode ser utilizada em programas de restauração de matas ciliares pelo seu rápido crescimento inicial. Por possuir dormência e ser uma espécie nativa, tornam-se viáveis estudos sobre o armazenamento e a criação de um banco de sementes para futuras ações em programas de restauração de matas. Para evitar grandes perdas fisiológicas com a deterioração das sementes, o armazenamento tem sido foco de estudos. Como a deterioração é um processo irreversível e não pode ser evitada, o emprego de técnicas de armazenamento ganha importância no sentido de conservar ao máximo a qualidade fisiológica, vigor e longevidade das sementes. Durante o armazenamento das sementes é interessante que a qualidade fisiológica não sofra decréscimo, sendo mantidas sementes com alta porcentagem de germinação e bom vigor por maior tempo possível. O armazenamento tem por objetivo conservar a qualidade fisiológica das sementes assegurando o suprimento de sementes de boa qualidade para uso futuro, seja para semeadura em plantios comerciais, pesquisas ou formação de banco de dados de genes. Para avaliar a qualidade fisiológica e física de sementes é necessária a realização de testes laboratoriais e de campo. Os testes práticos de laboratório atuam de forma a complementar testes mais precisos para a análise de sementes, sendo a qualidade fisiológica caracterizada através da viabilidade por testes de germinação, e do vigor com o resultado do índice de velocidade de germinação. Outros testes como, determinação do grau de umidade, servem para auxiliar na caracterização da qualidade das sementes. Diante do exposto, o presente trabalho foi realizado com o objetivo de caracterizar fisiologicamente e avaliar o comportamento das sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum Vell. Morong) durante o armazenamento, estruturando um banco de sementes (ex situ) para subsidiar ações de recuperação de mata ciliar no Estado de Sergipe.

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2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Características e importância da espécie

Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong, popularmente conhecida como tamboril, é uma espécie da família Leguminosae Mimosoideae que tem como sinonímias botânicas, Mimosa contortisiliqua Vell. e Enterolobium timbouva Mart. É uma espécie decídua, heliófita, seletiva higrófita, dispersa em várias formações florestais e quase sempre concentrada em solos úmidos. Possui altura de 20 a 35 m, com tronco de 80 a 160 m de diâmetro; formando uma copa ampla e frondosa com folhas compostas bipinadas com 2-7 jugas (LORENZI, 1992). A espécie apresenta grande plasticidade ecológica e de ampla distribuição neotropical, ocorrendo em várias regiões fitoecológicas e sobre vários tipos de solos. Ocorre no Pará, Maranhão, Piauí até Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul (LORENZI, 2002). As sementes de tamboril possuem dormência tegumentar e, em alguns casos, essa dormência pode estar combinada com uma dormência embrionária (SCALON et al., 2005). Suas flores apresentam importância apícola, a estética de sua copa lhe confere uso paisagístico e sua madeira é utilizada para diversos fins. A madeira de tamboril é considerada leve e possui muitas utilidades como o fabrico de barcos e de canoas de tronco inteiro, compensados, brinquedos, armações de móveis, miolo de portas e caixotaria em geral. Os frutos contêm saponaria. Por possuir copa ampla e frondosa proporciona ótima sombra durante o verão. É ótima para reflorestamento de áreas degradas de preservação permanente em

3

plantios mistos, principalmente por seu rápido crescimento inicial (LORENZI,

1992).

É recomendada para reflorestamentos e recuperação ambiental, pois a dispersão de suas sementes por roedores, como pacas e cutias, facilita sua disseminação (CARVALHO, 2003) e pode ser empregada em reflorestamentos de áreas degradadas de preservação permanente em plantios mistos, em especial por seu rápido crescimento (LORENZI, 1998). Tem sido estudada sob vários aspectos, como comportamento silvicultural, melhoramento e conservação, valor medicinal, etc (MONTEIRO & RAMOS, 1997).

2.2 Qualidade física, fisiológica e deterioração de sementes

A qualidade física das sementes diz respeito à composição dos lotes, pois aqueles compostos apenas por sementes da espécie e cultivar escolhida, de tamanho uniforme facilitam o manuseio e influenciam na decisão do comprador. Sementes grandes normalmente formam plântulas mais pesadas e emergem mais rapidamente, por possuírem maiores quantidades de reserva nutritiva, fixando-se mais facilmente. As sementes menores tendem a germinar primeiro por necessitarem de pouca quantidade de água para o processo de germinação. O teor de água na semente também influencia no tamanho e peso das sementes. A viabilidade e o vigor são características fundamentais da qualidade fisiológica da semente. A viabilidade é medida, principalmente, pelo teste padrão de germinação em condições favoráveis, o qual determina a máxima germinação da semente. O vigor de sementes é tido como aquela propriedade que determina o potencial para uma emergência rápida e uniforme e para o desenvolvimento de plântulas normais sob uma ampla faixa de condições de campo (AOSA, 1983), e detecta as modificações deletérias mais sutis, resultante do avanço da deterioração. O vigor das sementes também tem conseqüências importantes no armazenamento de sementes, pois quanto mais baixo o vigor das sementes, mais baixo será o potencial de armazenamento. Os testes de vigor são realizados para complementar informações obtidas no teste de germinação. A padronização e desenvolvimento de testes para a avaliação da qualidade fisiológica em sementes é fundamental para a constituição de um

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eficiente controle de qualidade (MUNIZ et al., 2004). Sendo assim, as pesquisas estão direcionadas para a obtenção e/ou aprimoramento de testes de vigor, que sejam padronizáveis, de baixo custo, de fácil utilização, para o estudo e desenvolvimento de testes rápidos, metodologias adequadas para a avaliação da qualidade de sementes de diversas espécies para que exista corretamente o controle de análise em sementes (BORSATO et al., 2000). A deterioração é um processo irreversível e refere-se a toda e qualquer alteração degenerativa, sendo possível diminuir sua velocidade com o manejo adequado e eficiente das condições ambientais, durante o armazenamento (BAUDET, 2003). Quando as sementes deterioram, elas perdem vigor progressivamente, apresentando redução na velocidade e uniformidade de emergência, menor resistência a condições adversas, decréscimo na proporção de plântulas normais e, finalmente, perdem a viabilidade ou capacidade de germinar (SANTOS, 2006). A perda da integridade das membranas constitui um dos primeiros eventos da deterioração de sementes, onde a permeabilidade, compartimentalização e a separação dos sistemas metabólicos das membranas são afetadas. Sendo que, muitas enzimas estão associadas aos sistemas de membranas e, qualquer mudança nesta integridade teria conseqüências fisiológicas e bioquímicas (BASU, 1995). Além da perda da integridade das membranas durante o processo de deterioração, observa-se, ainda, redução da produção de ATP, diminuição na síntese de proteínas e ácidos nucléicos e degeneração cromossômica (BEWLEY e BLACK, 1994). Segundo Machado Neto et al. (2001), não está totalmente claro como proteínas das sementes são degradadas. A destruição de algumas estruturas como lisossomos por lise de membranas ou dano por radicais livres liberam as enzimas hidrolases, que estão normalmente separadas do resto das células. Essa falta de organização pode levar a uma degradação principal de macromoléculas, tais como proteínas por endopeptidases/ proteases em sementes envelhecidas. As enzimas envolvidas na respiração podem apresentar alta atividades em sementes de qualidade reduzida e ser um possível marcador molecular para a deterioração (VIEIRA, 1996). A deterioração de sementes pode resultar em mudanças acentuadas em reservas nutritivas e na atividade de enzimas capazes de degradá-la. É bastante

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documentada a diminuição de atividades em enzimas tais como calalase, desidrogenase e glutamato descarboxilase. Esse decrécimo geral na atividade enzimática diminui o suprimento nutricional para a semente em germinação (SMITH e BERJAK, 1995). A deterioração conduz as sementes à perda total da viabilidade e não pode ser evitada, mas o grau de prejuízo pode ser controlado, pelo armazenamento adequado (CARNEIRO e AGUIAR, 1993).

2.3 Armazenamento de sementes

Sementes ortodoxas podem ser desidratadas sem dano para baixos teores de umidade e, sob uma extensa gama de ambientes, sendo que a longevidade no armazenamento aumenta com a diminuição do teor de umidade e da temperatura de modo controlado (HONG e ELLIS, 2003). Essa tolerância está relacionada à capacidade do organismo em enfrentar o estresse da quase completa perda de água e da reidratação, onde o organismo reduz seu metabolismo após a dessecação e nessas condições acumula altos níveis de açúcares (HOEKSTRA et al., 2003). Acredita-se que estes açúcares são capazes

de prevenir mudanças nas fases das membranas e mudanças estruturais das proteínas (CROWE et al., 1998). Assim, as membranas não se rompem e a atividade enzimática é preservada. A viabilidade de sementes é uma resultante da influência de vários fatores, tais como: características genéticas da espécie, vigor da planta-mãe, condições climáticas predominantes durante a maturação das sementes, grau de danos mecânicos durante a secagem e beneficiamento e condições nas quais é

realizado o armazenamento (BEWLEY e BLACK,

1994).

.

A conservação ex situ pode ser realizada por meio do armazenamento de sementes (FAO, 1993) e consiste na conservação das espécies fora do seu habitat devendo ser realizado de forma complementar a conservação in situ (BRASIL, 2000). De acordo com Aguiar (1995), o armazenamento atua como instrumento regulador de mercado possibilitando a conservação de recursos genéticos em bancos de germoplasma, sendo de grande importância por garantir o suprimento anual de sementes, principalmente das espécies com produção irregular ao longo dos anos.

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Dependendo da espécie, as sementes de árvores podem permanecer vivas por períodos que vão de apenas alguns dias até décadas (KRAMER e KOZLOWSKI, 1972). Toda e qualquer semente armazenada sofre deterioração que pode ser mais rápida ou mais lenta, dependendo das características ambientais e das características das próprias sementes. As sementes foram classificadas em dois grupos distintos com relação ao comportamento no armazenamento. No primeiro estão as ortodoxas, que se mantém viáveis após dessecação até um grau de umidade em torno de 5% e podem ser armazenadas sob baixas temperaturas por um longo período. No segundo grupo têm-se as recalcitrantes, ou sementes sensíveis à dessecação, que não sobrevivem com baixos níveis de umidade, o que impede o seu armazenamento por longo prazo (ROBERTS, 1973). Dessa forma, a classificação das sementes quanto à capacidade de armazenamento depende de estudos de tolerância à dessecação e do armazenamento sob temperaturas baixas (HONG e ELLIS, 1996). Os principais meios utilizados para o armazenamento de sementes são a câmara fria, a câmara seca e a câmara fria seca, que se adaptam à maioria das situações (VIEIRA et al., 2002). Segundo Stein et al. (1974), dentre os fatores que afetam a longevidade das sementes durante o armazenamento destaca-se o tipo da semente, estágio de maturação, tratamentos anteriores ao armazenamento, viabilidade e conteúdo de umidade das sementes, temperatura do ar, umidade e pressão de oxigênio durante o armazenamento e grau de infecção por fungos e bactérias. De acordo com Carvalho e Nakagawa (2000), durante o armazenamento de sementes a umidade relativa do ar é um dos fatores grande importância, por afetar a respiração das sementes. A temperatura é outro fator de relevante importância por influenciar consideravelmente a preservação da qualidade da semente, influenciando diretamente nas atividades biológicas e acelerando os processos de atividades respiratórias da semente armazenada e dos microrganismos à ela associados, visto que a respiração envolve o ciclo da glicose, o ciclo de Krebs e a fosforilação oxidativa sendo esses processos influenciados durante o armazenamento, ainda que enzimas hidrolíticas e desidrogenases são ativas mesmo em condições ótimas de armazenamento (BERNAL-LUGO e LEOPOLD, 1998).

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Devido à localização geográfica do Brasil, são constantes temperaturas e teores de umidade relativamente altos, o que dificulta programas de armazenamento de sementes tornando o processo um pouco mais oneroso por necessitar de instrumentos de armazenamento mais caros. Geralmente a redução da luminosidade, da temperatura e da umidade de ambos, sementes e ambiente, faz com que o metabolismo das sementes seja reduzido e que os microorganismos que as deterioram fiquem fora de ação, aumentando sua longevidade. (VIEIRA et al., 2002), durante o armazenamento. Sendo o embrião a parte essencial da semente, no armazenamento, a maior preocupação é mantê-lo vivo e pronto para retornar ao crescimento (VIEIRA et al., 2002). Segundo Kramer e Kozlowski (1972) e Fontes et al. (2001), as proteínas dos núcleos das células dos embriões das sementes se degeneram com o tempo, causando aberrações cromossômicas que impedem a germinação, sendo assim, as informações sobre a capacidade de armazenamento das sementes são importantes, pois além de permitir a diminuição da velocidade de deterioração das sementes, podem ser utilizados na elaboração de programas para a conservação de germoplasma (DELOUCHE et al., 1973). Todavia, o sucesso do armazenamento de sementes está diretamente ligado ao conhecimento sobre o comportamento das sementes durante este processo, possibilitando a utilização de condições adequadas para a manutenção da viabilidade (HONG e ELLIS, 1996).

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3. MATERIAL E MÉTODOS

3.1. Localização e descrição da área de coleta de sementes

As matrizes foram selecionadas em trecho de mata ciliar nos municípios de Nossa Senhora do Socorro, Aracaju e Santana do São Francisco, Estado de Sergipe (Figura 1), onde os frutos foram coletados e as sementes beneficiadas no Viveiro Florestal, da Universidade Federal de Sergipe.

3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1. Localização e descrição da área de coleta de sementes As matrizes

Figura 1- Detalhe da localização dos municípios de Nossa Senhora do Socorro (A), Aracaju (B) e Santana do São Francisco (C), no estado de Sergipe. UFS, São Cristóvão, 2008. (Fonte: Google Earth, 2008).

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Nossa Senhora do Socorro: o município está localizado na região leste do estado de Sergipe, apresenta limites com Aracaju a leste, Laranjeiras e Santo Amaro das Brotas a norte e São Cristóvão a sul e oeste, possui área municipal de 157,2km². A sede municipal tem uma altitude de 10 metros e coordenadas geográficas 10°51’13” de latitude sul e 37°07’30” de longitude oeste. O município apresenta um clima do tipo megatérmico seco e sub-úmido, temperatura média anual de 25,2°C, precipitação pluviométrica média anual de 1.689,0mm e o período chuvoso encontra-se entre março a agosto. Está inserido na bacia hidrográfica do Sergipe e constituem a drenagem principal, além do rio Sergipe, os rios Cotinguiba e do Sal, sendo os principais recursos hídricos existentes os riachos Madre (ou Buti), Aratu, Palame, do Morcego, Piabeta, da Várzea, Candeias, Cajaíba e os rios Catingueira, Poxim Mirim, Sergipe, do Sal e Cotinguiba. A geologia do município abrange sedimentos cenozóicos das Formações Superficiais Continentais e unidades mesozóicas da Bacia de Sergipe. Entre os sedimentos cenozóicos, predominam areias finas e grossas com níveis argilosos a conglomeráticos do Grupo Barreiras, além de depósitos aluvionares e coluvionares, flúvio-lagunares, depósitos de pântanos e mangues e terraços marinhos mais recentes. Os litótipos mesozóicos são relacionados ao Grupo Piaçabuçu (argilitos e folhelhos cinzentos a verdes, com intercalações de arenitos finos a grossos da Formação Calumbi) e ao Grupo Sergipe (calcilutitos cinzentos, argilitos, folhelhos e margas das Formações Cotinguiba e Riachuelo. Os principais problemas ambientais encontrados no município de Nossa Senhora do Socorro são a exploração de areia das margens e da calha dos rios e riachos; desmatamento ciliar e das nascentes, provocando degradação ambiental dos mananciais; poluição do rio Sergipe, do Sal e Cotinguiba, por efluentes industriais, agroindustriais (frigorífico, usinas de cana de açúcar), esgotos sanitários, entre outros, que vem comprometendo a vida aquática de peixes, camarões, sururu, ostras e outros crustáceos, além de causar perda de renda das populações ribeirinhas; supressão dos manguezais, sobretudo para ocupação urbana e uso irracional de agrotóxicos na agropecuária e até para a pesca.

Aracaju: o município de Aracaju limita-se com os municípios de São Cristovão, Nossa Senhora do Socorro e Santo Amaro das Brotas, ocupa uma

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área de 181,8 Km², possui população de 520.303 habitantes segundo dados de 2007 do IBGE, com uma densidade demográfica de 2.535,19 hab/km². Possui precipitação média anual de 1.590mm, temperatura média anual 26°C, período chuvoso de março a agosto com tipo climático megatérmico úmido e sub-úmido com moderada deficiência no verão, nesse período, a quantidade média de chuva supera os 200 mm por mês. Entre esses meses, o mais chuvoso é o abril, no qual chove cerca de 241 mm. Os meses mais quentes são: janeiro, fevereiro e março, com temperatura média de 27°C, sendo que a média das máximas são 30°C e a das mínimas são 24°C. Já os mais frios são julho e agosto, com temperatura média de 24°C, a média das máximas não supera os 27°C, e à noite a temperatura cai para 21°C. Os meses mais secos são entre setembro e fevereiro, sendo o mês mais seco o de novembro, que chove cerca de 48 mm. A média de chuvas entre esses meses é de aproximadamente entre 60 mm e 75 mm. Possui solos indiscriminados de mangue, podsol, areias quartzosas marinha, podzólico vermelho amarelo, glay pouco úmido. A vegetação é composta por campos limpos e sujos e vegetação higrófilas (campos de vázeas e manguesais). É formada por planície flúvio marinha e planície marinha. Relevo dessecado do tipo colina. As ocorrências minerais são de areia, argila, petróleo, sais de potássio, magnésio, salgema, calcário e granito. As bacias hidrográficas e os principais manguezais são: Bacia do Rio Sergipe e Vaza Barris e Rio do Sal, Rio Poxim, Rio Pitanga e Canal de Santa Maria. As áreas de preservação são de Mangues e Restinga e Área de Proteção Ambiental do Morro do Urubu.

Santana do São Francisco: o município de Santana do São Francisco está localizado no extremo nordeste do Estado de Sergipe, limitando-se a norte com o Estado de Alagoas e a sul, leste e oeste com Neópolis. A área municipal ocupa 47,0km² e a sede municipal tem uma altitude de 25 metros e coordenadas geográficas de 10°18’01” de latitude sul e 36°40’55” de longitude oeste. Apresenta clima do tipo megatérmico seco a sub-úmido, temperatura média no ano de 26,0°C, precipitação pluviométrica média anual de 1.200,0mm e período chuvoso de março a agosto. O relevo está caracterizado por feições dissecadas nas formas de colinas, cristas e superfícies tabulares com bordas

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erosivas. O solo é do tipo podzólico vermelho amarelo, com uma vegetação de mata de capoeira, cerrado e pastagem. (SERGIPE.SEPLANTEC/SUPES, 1997 e

2000).

O município está inserido na bacia hidrográfica do rio São Francisco. Constituem a drenagem principal, além do rio São Francisco, a Lagoa do Fogo, podendo-se distinguir dois domínios hidrogeológicos: Formações Superficiais Cenozóicas e Bacias Sedimentares, o primeiro ocupando aproximadamente 70% do território municipal. Cerca de 80% da área do município está englobada no domínio das Formações Superficiais Continentais (Cenozóico), sendo o restante ocupado por sedimentos paleozóicos da Bacia de Sergipe. Entre os sedimentos cenozóicos, destacam-se as areias finas e grossas com níveis argilosos a conglomeráticos do Grupo Barreiras. No extremo leste, ocorrem depósitos flúvio-lagunares mais recentes. Nas porções norte e leste, afloram as Formações Penedo e Barra de Itiúba (Grupo Coruripe), representadas por arcóseos, folhelhos, siltitos, arenitos e calcilutitos.

3.2. Coleta, beneficiamento e armazenamento das sementes

Os frutos de tamboril foram coletados a partir de indivíduos ja identificados e etiquetados. Foram selecionadas de 5 a 10 árvores-matrizes, com distância mínima de 50m entre si, na tentativa de assegura maior variabilidade genética entre os indivíduos. A seleção foi realizada com base nas características fenotípicas (altura das plantas e circunferência a altura do peito), aspectos fitossanitários e aspectos da produção de frutos de cada matriz, de populações já identificadas. A Figura 2 detalha a árvore, frutos e sementes de Tamboril.

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Figura 2. Aspecto geral da árvore (A), dos frutos (B) e das sementes (C) de
Figura 2.
Aspecto geral da árvore (A),
dos frutos (B)
e das sementes (C)
de

Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.). UFS, São Cristóvão,

2008.

De acordo com Kageyama e Gandara (1999), recomenda-se colher sementes em 12-13 indivíduos de uma população grande. Deve-se considerar que algumas situações, a exemplo da região do Baixo São Francisco, face à grande fragmentação da vegetação, nem sempre se observa tal número de indivíduos dentro das populações ainda existentes. A coleta foi feita diretamente nas árvores-matrizes no mês de janeiro de 2007 com o auxílio de podão e lona plástica. Os frutos foram acondicionados em sacos de naylon e transportados para o viveiro onde foram beneficiados. O beneficiamento, procedimento para extração das sementes, foi feito com o auxílio de tesoura de poda e martelo de borracha. Após o beneficiamento, as sementes foram secas à sombra por 24 horas e levadas ao Laboratório de Tecnologia de Sementes, onde foi feita limpeza e exclusão de sementes brocadas, atacadas por fungos, ou com algum tipo de injúria observada a olho nu. Os testes foram realizados no Laboratório de Tecnologia de Sementes (LABSEM), do Departamento de Engenharia Agronômica (DEA), da Universidade Federal de Sergipe (UFS), São Cristóvão-SE. Após a limpeza e seleção, as sementes foram armazenadas em embalagem plástica impermeável e etiquetadas. O ambiente de armazenamento foi em câmara fria à temperatura de 6 a 9°C e umidade relativa do ar de 60 a

65%.

13

3.3. Superação da dormência de sementes de tamboril

Em sementes de tamboril é verificada a dormência tegumentar que impede a penetração da água ou troca de gases. Para a superação da dormência tegumentar das sementes de tamboril foi feita escarificação mecânica, na região oposta ao hilo, com o uso de lixa 60 para permitir a entrada de água na semente e dessa forma, promover a germinação.

3.4. Avaliação da viabilidade das sementes durante o armazenamento

No teste de germinação é observada a emergência e desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião, demonstrando sua aptidão para produzir uma planta normal sob condições favoráveis de campo. O teste visa fornecer informações sobre a viabilidade das sementes. Para a realização dos testes de germinação foram utilizadas 100 sementes, sendo quatro repetições com 25 sementes para cada procedência. Após a escarificação, as sementes foram desinfestadas com hipoclorito de sódio a 2% durante 3 minutos, enxaguadas com água destilada e distribuídas em gerbox´s de polietileno contendo areia de textura média como substrato, lavada e esterilizada em estufa por 48 horas à temperatura de 105°C. Os gerbox contendo substrato e sementes foram armazenados a 25ºC e luz contínua, sendo mantidas em germinador MANGELSDORF. As avaliações foram realizadas à cada dois dias, de acordo com os critérios estabelecidos pelas Regras para Análise de Sementes (BRASIL, 1992), onde plântulas normais devem apresentar radícula, hipocótilo, cotilédones, epicótilo e o primeiro par de folhas (Figura 3). Também foram avaliadas sementes deterioradas, sementes duras e plântulas anormais. A qualidade fisiológica das sementes de acorodo com a quailidade inicial e aos 6, 12 e 15 meses de armazenamento.

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Figura 3 : Detalhe das sementes com emissão de radícula (A), plantulas em formação (B), plântulas

Figura 3: Detalhe das sementes com emissão de radícula (A), plantulas em formação (B), plântulas com as estruturas essenciais (C), formação da parte aérea (D) das sementes de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.). UFS, São Cristóvão, 2008.

3.5. Avaliação do vigor de sementes

O vigor das sementes foi determinado através do índice de velocidade de germinação (IVG), através do teste de germinação, sendo as avaliações realizadas à cada dois dias. O cálculo utilizado para a avaliação do vigor foi feito de acordo com Maguire (1992):

IVG =

E 1

 

+

E 2

+...+

En

 

N 1

N 2

Nn

Onde:

E1,

E2,

...

En = de plântulas emergidas computadas na primeira,

segunda,

,

, última contagem.

 

N1, N2, contagem.

...

,

Nn = de dias de semeadura à primeira, segunda,

,

última

15

3.6. Determinação das características físicas

A determinação do grau de umidade nas sementes baseia-se na perda de peso quando secas em estufa, sendo a água nas sementes expelida em forma de vapor. Para o teste de umidade utilizou-se 4 repetições de 10 sementes. As sementes foram cortadas ao meio com tesoura de poda, colocadas em cápsulas de alumínio e em seguida, colocadas na estufa a 105°C, durante 24 horas. Foram pesadas cápsula seca sem sementes, cápsula com sementes úmidas e cápsula com sementes secas. Os resultados foram expressos com base no peso úmido das sementes, segundo recomendações das Regras para Análise de Sementes (BRASIL, 1992), através do cálculo:

% de umidade =

100(

P

p

)

P

t

Onde:

P = peso inicial – o peso do recipiente e sua tampa mais o peso da semente úmida; p = peso final – o peso do recipiente e sua tampa mais o peso da semente seca; t = tara – o peso do recipiente com sua tampa. Para as avaliações morfométricas, as sementes foram medidas quanto ao comprimento (mm), largura (mm) e espessura (mm), sendo utilizada uma amostra de 100 unidades por procedência. Foi utilizado paquímetro digital modelo Digimess, para a avaliação.

3.7. Delineamento experimental e análises estatísticas

Para a avaliação dos testes de germinação e vigor, o delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado (DIC). As análises estatísticas foram realizadas no programa SISVAR ® (FERREIRA, 2003) e as médias comparadas pelo Teste de Tukey a 5%.

16

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para as características morfométricas das sementes foram avaliadas dimensões de comprimento (mm), largura (mm) e espessura (mm), sendo utilizada uma amostra de 100 unidades por procedência. Foi utilizado paquímetro digital modelo Digimess, para a avaliação. A média dos resultados está expresso na Tabela 1.

Tabela 1. Média das características morfométricas de sementes de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) de diferentes procedências do Estado de Sergipe. UFS, São Cristóvão, 2008.

Procedência

Comprimento

(mm)

Largura (mm)

Espessura

(mm)

Nossa Senhora do Socorro

14,43a

10,11a

7,17a

Aracaju

12,55c

7,97c

6,09c

Santana do São Francisco CV(%)

14,04b

9,58b

6,37b

7,99

10,52

10,38

Teste de Tukey realizado ao nível de significância a 5%. Letras iguais nas colunas não diferem entre si.

Os limites da avaliação morfométrica das sementes de tamboril apresentaram variação de 11,74 a 16,35mm de comprimento; 8,24 a 15,92mm de largura e 5,7 a 8,58mm de espessura na procedência de Nossa Senhora do Socorro. Na procedência de Aracaju foi observado variações de 6,72 a 14,88mm de comprimento; 4,82 a 11,16mm de largura e 3,44 a 7,95mm de espessura. E nas sementes provenientes do município de Santana do São Francisco foi

17

observado variações de 11,79 a 17,15mm de comprimento; 7,34 a 11,81mm de largura e espessura de 3,94 a 7,78mm (Tabela 2).

Tabela 2. Análises físicas e dimensões mínimas e máximas das sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.). UFS, São Cristóvão,

2008.

Comprimento

(mm)

Espessura (mm) 5,7 - 8,58

3,44 - 7,95 3,94 - 7,78

Procedência

Largura (mm)

Nossa Senhora do Socorro Aracaju Santana do São Francisco

11,74 -16,35

6,72 - 14,88 11,79 - 17,15

8,24 - 15,92

4,82 - 11,16 7,34 - 11,81

Observou-se variação entre e dentro das procedências para todos os parâmetros avaliados, sendo encontrados valores de 12,55mm nas sementes de Aracaju, 14,43mm nas sementes provenientes de Nossa Senhora do Socorro e 14,04mm para as sementes de Santana do São Francisco para comprimento. Valores de 7,97mm na procedência de Aracaju, 10,11mm expressos pela procedência de Nossa Senhora do Socorro e 9,58mm nas sementes provenientes de Santana do São Francisco para largura e valores de 6,09mm na procedência de Aracaju, 7,17mm na procedência de Nossa Senhora do Socorro e 6,37mm nas sementes de Santana do São Francisco para espessura. As sementes provenientes do município de Nossa Senhora do Socorro apresentaram-se maiores em todas as dimensões, diferenciando significativamente das demais procedências. Segundo Nakagawa (1992) e Carvalho e Nakagawa (2000) como as sementes maiores possuem tecidos de reserva mais volumosos e produzem plântulas mais pesadas, tendem a emergir mais rapidamente, entretanto, as sementes procedentes de Senhora do Socorro, que apresentaram maiores dimensões obtiveram vigor semelhante às demais procedências, sem diferença estatística. Detalhe da avaliacao morfometrica nas sementes de tamboril (Figura

4).

18

Figura 4 . Detalhe das sementes de tamboril ( Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong .) (A); Medição

Figura 4. Detalhe das sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) (A); Medição do comprimento (B); Medição da largura (C) e Medição da espessura(D). UFS, São Cristóvão, 2008.

A variação das dimensões encontrada nas sementes pode ser decorrente das características dos micro-ambientes em que se encontram e da variabilidade genética. Após a coleta e beneficiamento dos frutos, as sementes de tamboril foram armazenadas em câmara fria, sendo retiradas amostras para os teses laboratoriais. Os valores do teste de qualidade inicial (Tabela 3).

Tabela 3. Viabilidade inicial (germinação - G), vigor (índice de velocidade de germinação - IVG) e umidade inicial (U) de sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.), de diferentes procedências do Estado de Sergipe. UFS, São Cristóvão, 2008.

Procedência

G (%)

IVG

U (%)

Nossa Senhora do Socorro

93.00a

2.03a

15.22b

Aracaju

92.00a

1.91a

12.67a

Santana do São Francisco

76.00b

1.39a

15.88b

CV (%)

9.03

  • 18.89 3.34

Teste de Tukey realizado ao nível de significância a 5%. Letras iguais nas colunas não diferem entre si.

A taxa de germinação das sementes de tamboril foi melhor expressa pelas procedências de Nossa Senhora do Socorro (93%) e Aracaju (92%) diferenciando estatisticamente da procedência de Santana do São Francisco com 76% de germinação. Não houve diferenças no vigor das sementes entre as

19

procedências, variando de 1,39 a 2,03. Após a secagem natural das sementes a procedência de Aracaju apresentou o menor percentual de umidade (12,67%) diferenciando estatisticamente das demais procedências, sendo desejado o menor teor de água nas sementes ortodoxas armazenadas evitando ataque de microorganismos e diminuindo a atividade das taxas respiratórias e metabólicas nas sementes. As sementes classificadas como ortodoxas podem sofrer dessecação a baixos níveis de umidade sem grandes danos fisiológicos. Durante o armazenamento existe a tendência das sementes entrarem em equilíbrio com a umidade relativa do ambiente de armazenamento por ser constituída de material higroscópico. Nesse estudo o ambiente de armazenamento foi câmera fria, com umidade relativa de 64-66%. Alguns autores relataram o teor de água em sementes durante o armazenamento como, por exemplo, Santos (2007a), que observou o teor de umidade em sementes de branquilho (Sebastiana commersoniana (Baill.) Smith & Down) no momento do armazenamento sendo de 8,8%, e em cedro rosa (Cedrela angustifolia S. ET. MOC) foi observado teor de umidade de 18,3% após a secagem natural, sendo considerado relativamente alto (PIÑA-RODRIGUES, 1992) e sendo ambas as espécies de sementes de comportamento ortodoxo, bem como as sementes de tamboril. As sementes de tamboril armazenadas em câmara fria, com umidade e temperatura controladas foram submetidas aos testes de germinação, índice de velocidade de germinação e umidade, e avaliadas após seis meses (T1). Os resultados estão expressos na Tabela 4.

20

Tabela

4.

Viabilidade

(germinação

-

G),

vigor

(índice

de

velocidade

de

germinação - IVG) e umidade (U) de sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) de diferentes

procedências do Estado de Sergipe, após 6 meses de armazenamento (T1). UFS, São Cristóvão, 2008.

 

Procedência

G (%)

 

IVG

U (%)

Nossa Senhora do Socorro

88.00ab

 

1.44a

11.20a

 

Aracaju

95.00a

1.35a

13.25a

Santana do São Francisco

70.00b

1.51a

15.07a

 

CV

(%)

12.22

12.92

15.46

Teste de Tukey realizado ao nível de significância a 5%. Letras iguais nas colunas não diferem entre si.

As sementes provenientes de Aracaju apresentaram maior taxa de germinação (95%), diferenciando estatisticamente da procedência de Santana do São Francisco com taxa de germinação de 70%. As sementes provenientes de Nossa Senhora do Socorro (88%) não diferenciou estatisticamente das demais procedências, quanto às médias comparadas no teste de Tukey a 5%. Não houve diferença estatística significativa entre as três procedências com relação ao vigor e teste de umidade após seis meses de armazenamento das sementes em câmara fria. Após 12 meses de armazenamento foi retirada mais uma amostra para a realização dos testes laboratoriais que estão expressos na Tabela 5.

Tabela

5.

Viabilidade

(germinação

-

G),

vigor

(índice

de

velocidade de

germinação - IVG) e umidade (U) de sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) de diferentes procedências do Estado de Sergipe, após 12 meses de armazenamento (T2). UFS, São Cristóvão, 2008.

 

Procedência

G (%)

 

IVG

U (%)

Nossa Senhora do Socorro

89.00a

 

1.00a

15.22b

 

Aracaju

90.00a

1.25a

12.85a

Santana do São Francisco

84.00a

1.00a

16.42b

 

CV

(%)

10.29

26.65

6.05

Teste de Tukey realizado ao nível de significância a 5%. Letras iguais nas colunas não diferem entre si.

21

Após 12 meses de armazenamento, as sementes apresentaram taxa de germinação variando entre 84% e 90%, sem diferenciar estatisticamente entre as procedências. Nos resultados de vigor também não houve diferença significativa entre as procedências, variando de 1.00 a 1.25. Entretanto, no teste de umidade o melhor resultado foi observado na procedência de Aracaju (12,85%), ressaltando que o grau de umidade das sementes é um dos fatores de maior influência sobre a manutenção de sua viabilidade (WARD & POWELL, 1983), e quanto menor o teor de umidade nas sementes, maior a longevidade. Após 15 meses de armazenamento das sementes de tamboril em câmara fria, mais uma amostra foi retirada para a realização dos testes de viabilidade e vigor expressos na Tabela 6.

Tabela

6.

Viabilidade

(germinação

-

G),

vigor

(índice

de

velocidade

de

germinação - IVG) e umidade (U) de sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) de diferentes procedências do Estado de Sergipe, após 15 meses de armazenamento (T3). UFS, São Cristóvão, 2008.

Procedência

G (%)

IVG

U (%)

Nossa Senhora do Socorro

88.00a

1.47a

14.74b

Aracaju

88.00a

1.25a

13.66a

Santana do São Francisco

79.00a

1.22a

15.51b

CV (%)

11.61

41.33

3.62

Teste de Tukey realizado ao nível de significância a 5%. Letras iguais nas colunas não diferem entre si.

As sementes de tamboril não diferenciaram estatisticamente na representação da germinação, variando de 79 a 88%, após 15 meses de armazenamento em câmara fria. O resultado obtido demonstra que a viabilidade das sementes manteve-se conservada durante o armazenamento, mantendo boa capacidade de germinação mesmo que em níveis inferiores ao inicial, assim como observou-se que a germinação de branquilho (Sebastiana commersoniana (Baill.) Smith & Down) decresceu gradualmente ao longo do período de armazenamento de 531 dias (SANTOS, 2007a). O índice de velocidade de germinação não diferenciou significativamente entre as procedências variando de 1.22 a 1.47,

22

entretanto esse valor diminuiu sensivelmente quando comparado ao teste de qualidade inicial. Esse resultado pode ser explicado devido ao dessecamento e a reidratação no momento da germinação, onde as moléculas de RNA-ribossômico e DNA podem ser parcialmente degradas, levando à quebra de cromossomos e membranas celulares e consequentemente, o vigor se reduz (BEWLEY e BLACK,

1982).

O teor de umidade nas sementes foi melhor expresso pela procedência de Aracaju (13,66%) que diferenciou estatisticamente das demais procedências e apresentou o menor teor de umidade. Comparando o teste de qualidade inicial com o Tempo 3, as sementes apresentaram variação no teor de umidade, visto que a conservação da qualidade das sementes pode ser obtida pela redução da umidade destas e da temperatura do ambiente de armazenamento. Sendo considerado o intervalo de 5% a 15% de umidade, a cada 1% de aumento no teor de umidade da semente, a longevidade é reduzida pela metade (HARRINGTON,

1972).

O comportamento da germinação e equações de regressão das sementes

de tamboril durante os quinze meses de armazenamento está expresso na Figura

5.

entretanto esse valor diminuiu sensivelmente quando comparado ao teste de qualidade inicial. Esse resultado pode ser

Figura 5- Comportamento da germinação e equações de regressão das

sementes de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) nas procedências de Nossa Senhora do Socorro, Aracaju e Santana do São Francisco durante o armazenamento por 15 meses. UFS, São Cristóvão,

2008.

23

Observa-se que na taxa de germinação para a procedência de N. S. do Socorro houve um pequeno decréscimo de 5%, da avaliação da qualidade inicial ao Tempo 3, mantendo a taxa de germinação alta com 88% de germinação durante 15 meses de armazenamento. Na procedência de Aracaju a taxa de germinação permaneceu com boa porcentagem (88%), não decrescendo a níveis muito baixos, da mesma forma foi observado em sementes de Copaifera langsdorffii Desf. (FERREIRA et al, 2003) um decréscimo significativo no percentual de sementes que emitiram radícula e de plântulas normais, à medida que as sementes foram envelhecidas. Provavelmente, esta redução está associada ao processo de deterioração das sementes com o tempo de armazenamento, entretanto, até 15 meses de armazenamentos foi visto que as sementes de tamboril ainda possuíam taxas de germinação altas. As sementes referentes à procedência de Santana obtiveram um aumento de 3% na taxa de germinação entre o tempo da avaliação da qualidade inicial (QI) até os quinze meses de armazenamento (T3), chegando ao percentual de 79% de germinação. Os resultados obtidos ao final do tempo de 15 meses demonstraram germinação superior 25% indicado por Lorenzi (2000) e superior a 70% indicado por Salomão (2003) para tamboril. O comportamento e equações de regressão do índice de velocidade (IVG) das sementes de tamboril está expresso na Figura 6.

Observa-se que na taxa de germinação para a procedência de N. S. do Socorro houve um

Figura 6 - Comportamento do índice de velocidade de germinação (IVG) e equações de regressão das sementes de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) provenientes dos municípios de Nossa Senhora do Socorro, Aracaju e Santana do São Francisco, durante o armazenamento por 15 meses. UFS, São Cristóvão, 2008.

24

Após 15 meses de armazenamento das sementes de Tamboril, todas as procedências apresentaram diminuição no Índice de Velocidade de Germinação, da mesma forma que Diniz (2001) observou uma redução do vigor em sementes de amendoim ao término do armazenamento (12 meses), sendo esse decréscimo uma oscilação esperada, bem como foi observada diminuição do índice de velocidade de germinação em sementes de branquilho (Sebastiana commersoniana (Baill.) Smith & Down) após 531 dias de armazenamento em câmara fria e acondicionadas em saco plástico (SANTOS, 2007a) e também em sementes de Cassia grandis houve um pequeno decréscimo no índice de velocidade de germinação (SANTOS, 2007b). O comportamento do teor de água das sementes de tamboril durante o armazenamento está expresso na Figura 7.

Após 15 meses de armazenamento das sementes de Tamboril, todas as procedências apresentaram diminuição no Índice

Figura 7 - Comportamento do teor de água e equações de regressão das sementes de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) procedentes de Nossa Senhora do Socorro, Aracaju e Santana do São Francisco durante o armazenamento por 12 meses. UFS, São Cristóvão,

2008.

As sementes de Nossa Senhora do Socorro apresentaram umidade inicial de 15,22% na avaliação da qualidade inicial e após 15 meses de armazenamento as sementes apresentaram teor de água de 14,74%, havendo pequena variação de umidade, assim como foi observado em sementes de Ocotea porosa

25

armazenadas em embalagens de plástico e de vidro, consideradas semipermeável e impermeável respectivamente, que mantiveram praticamente inalterado o grau inicial de umidade (TONIN, 2006). Como as sementes são higroscópicas essa variação da umidade relativa nas sementes deve ter ocorrido devido à troca de umidade com o meio de armazenamento (câmara fria) para alcançar o equilíbrio, visto que o tempo de equilíbrio entre a umidade da semente e a umidade relativa do ambiente depende da espécie e da temperatura (HARRINGTON, 1972). Entretanto, como a embalagem foi hermeticamente fechada deve-se atentar para o fato de que em embalagens impermeáveis não ocorrendo trocas gasosas entre as sementes e a atmosfera e, com elevados teores de água, a respiração das sementes ocorre em altas taxas e o bloqueio destas trocas pode causar a morte das sementes (NEVES, 1994). Dessa forma pode-se relacionar a variacao na umidade das sementes devido ao tamanho das mesmas, tendo um lote com muitas sementes observa-se que elas nao possuem tamanhos perfeitamente iguais, logo nao possuem quantidade de agua iguais resultando em trocas de umidade entre as sementes. As sementes de Aracaju obtiveram percentual de umidade de 12,68% na avaliação da qualidade inicial e após 15 meses de armazenamento apresentaram teor de água de 13,66%, aumentando 0,98%. De acordo com Harrington (1972), para cada 1% de aumento no teor de umidade da semente, a longevidade é reduzida pela metade, considerando-se o intervalo de 5% a 15%, o que pode estar ligado ao fato de pequena diminuição do índice de velocidade de germinação das sementes de Aracaju quando feita a comparação entre o teste de qualidade inicial e o teste no Tempo 3. O mesmo foi observado nas sementes de Santana do São Francisco que houve aumento de 0,5% de teor de água. De acordo com os resultados obtidos até 15 meses de armazenamento, as sementes provenientes de Nossa Senhora do Socorro, Aracaju e Santana do São Francisco não apresentaram diferenças estatisticamente significativas na viabilidade e no vigor. As sementes de tamboril apresentaram alta taxa de germinação variando de 79 a 88%. Anormalidades encontradas durante o teste de germinação podem estar associadas a deficiências genéticas ou ao uso de gerbox com tampa, com altura reduzida em relação à altura da plântula (Figura 8). A quantidade de plântulas

26

anormais e sementes deterioradas ao longo do tempo de armazenamento está expressa na Tabela 7.

Figura 8: Detalhe de plântulas anormais (A) e (B), detalhe de cotilédones
Figura
8:
Detalhe
de
plântulas
anormais
(A)
e
(B),
detalhe
de
cotilédones

desestruturados (C) de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) durante o teste de germinação. UFS, São Cristóvão2008.

Tabela 7. Porcentagem de sementes deterioradas e plântulas anormais durantes as avaliações de qualidade inicial (0 meses), Tempo 1 (6 meses), Tempo 2 (12 meses) e Tempo 3 (15 meses) de Tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) procedentes de Nossa Senhora do Socorro, Aracaju e Santana do São Franciscodurante o armazenamento por 15 meses. UFS, São Cristóvão, 2008.

Sementes deterioradas (%)

0 meses

6 meses

12 meses

15 meses

Nossa Senhora do Socorro

5

15

11

12

Aracaju

4

5

10

7

Santana do São Francisco

22

22

16

21

Anormalidades (%)

0 meses

6 meses

12 meses

15 meses

Nossa Senhora do Socorro

1

1

0

0

Aracaju

4

0

0

6

Santana do São Francisco

5

1

0

0

27

5. CONCLUSÕES Não ha diferenças na qualidade fisiológica das sementes de tamboril (Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong.) entre as procedências, após 15 meses de armazenamento. As sementes provenientes de Aracaju apresentam a menor percentagem de umidade quando comparadas às outras procedências. Quanto à avaliação das características morfométricas, as sementes provenientes do município de Nossa Senhora do Socorro apresentam maiores dimensões.

28

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS

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