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PARECER DA QUERCUS-ANCN SOBRE A PROPOSTA DE FUSÃO ENTRE A RESIOESTE E A VALORSUL

QUERCUS – Associação Nacional de Conservação da Natureza


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PARECER DA QUERCUS-ANCN SOBRE

A PROPOSTA DE FUSÃO

ENTRE A RESIOESTE E A VALORSUL

16 de Agosto de 2007

QUERCUS – Associação Nacional de Conservação da Natureza 1


PARECER DA QUERCUS-ANCN SOBRE A PROPOSTA DE FUSÃO ENTRE A RESIOESTE E A VALORSUL

Índice

1. ASPECTOS A ESCLARECER NA PROPOSTA DE FUSÃO .....................................................3


1.1. A PROPOSTA APRESENTADA NÃO CONSIDERA O ESTUDO APRESENTADO PELA AMO..................3
1.2. CÁLCULO DOS RESÍDUOS A ENVIAR PARA O ATERRO SANITÁRIO DO CADAVAL ESTÁ ERRADO ..4
1.3. MUNICÍPIOS DO OESTE FICAM SEM PODER DE DECISÃO ..............................................................4
1.4. SITUAÇÃO DOS RESÍDUOS DA AMTRES É POUCO CLARA ...........................................................5
1.5. TARIFA DE ATERRO E INCINERAÇÃO FOI IGNORADA ...................................................................5
1.6. ENTREGA DAS LIXEIRAS AOS MUNICÍPIOS ONERA AS CÂMARAS E É RISCO AMBIENTAL ..............5
1.7. PROPOSTA NÃO ESCLARECE SE VAI HAVER RECOLHA SELECTIVA DE MATÉRIA ORGÂNICA .........6
1.8. PREÇOS PAGOS PELA RECICLAGEM NÃO FAVORECEM A FUSÃO COM A VALORSUL .....................6
2. AVALIAÇÃO AMBIENTAL DA PROPOSTA DE FUSÃO ........................................................7
2.1. OS MAUS CHEIROS NO ATERRO DO CADAVAL VÃO-SE MANTER ..................................................7
2.2. TAXA DE RECICLAGEM PROPOSTA É MUITO BAIXA .....................................................................7
2.3. EMISSÕES DE GASES DE ESTUFA VÃO SER ELEVADAS .................................................................8
3. PROPOSTA DA QUERCUS .........................................................................................................10
3.1. PRESSUPOSTOS .........................................................................................................................10
3.2. CUSTO DE TRATAMENTO NA ORDEM DOS 18,56 EUROS A TONELADA .......................................10
3.3. RECICLAGEM DE 75% DOS RSU...............................................................................................10
3.4. PROPOSTA DE TRATAMENTO MECÂNICO E BIOLÓGICO COM VERMICOMPOSTAGEM ................11
3.5. TEMPO DE VIDA DO ATERRO AUMENTARIA 67% EM RELAÇÃO À PROPOSTA DE FUSÃO .............12
3.6. CONTRIBUTO SIGNIFICATIVO PARA A REDUÇÃO DE GASES DE EFEITO DE ESTUFA .....................12
4. CONCLUSÕES...............................................................................................................................14
5. PROPOSTA DE ORÇAMENTO DE TMBV PARA OS MUNICÍPIOS DO OESTE..............16

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1. Aspectos a esclarecer na proposta de fusão


1.1. A proposta apresentada não considera o estudo
apresentado pela AMO
A proposta apresentada de fusão dos sistemas Valorsul e Resioeste é
redutora na análise que faz das alternativas de gestão, comparando apenas
esse cenário com a manutenção do actual projecto da Resioeste que se baseia
na colocação da quase totalidade dos RSU em aterro, com as implicações
económicas decorrentes das limitações da utilização do aterro impostas pela
legislação de impacte ambiental.
A proposta ignora completamente o estudo encomendado pela
Associação de Municípios do Oeste (AMO) que apontava para uma solução de
Tratamento Mecânico e Biológico com digestão anaeróbia.
As tarifas resultantes deste processo serão substancialmente inferiores
às que são consideradas para a situação actual da Resioeste uma vez que os
resíduos a colocar em aterro também seriam muito inferiores.
A Quercus irá neste documento apresentar uma proposta de solução
técnica que visa aperfeiçoar a proposta do estudo da AMO, com vantagens
económicas em relação à proposta de fusão e com vantagens ambientais muito
superiores a essa integração.
A proposta da Quercus permitiria que os RSU do Oeste fossem tratados
na Região através essencialmente de processos de reciclagem recorrendo ao
Tratamento Mecânico e Biológico com recurso às tecnologias mais eficientes e
mais baratas.
O sistema basear-se-ia na vermicompostagem (compostagem com
minhocas) que produz um composto de qualidade e limpa os resíduos da
matéria orgânica equiparando-os aos da recolha selectiva.
Os recicláveis, limpos da matéria orgânica, seriam posteriormente
separados ou por processos mecânicos de alta eficiência recorrendo a
sistemas ópticos e balísticos comprovados ou recorrendo à actual unidade de
triagem de embalagens existente na Resioeste, a qual necessitaria de uma
ampliação.

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Como resultado seriam reciclados pelo menos 75% dos RSU


indiferenciados e o custo de tratamento por tonelada de RSU rondaria os 18.56
€.

1.2. Cálculo dos resíduos a enviar para o Aterro Sanitário


do Cadaval está errado
O Quadro 6.4 da proposta (página 24) refere que em 2008 serão
colocadas no Aterro Sanitário do Cadaval (AS Cadaval) 92,2 mil Mg de RSU,
uma vez que 24 mil Mg serão enviadas para a Central de Valorização Orgânica
(CVO) a instalar na Valorlis.
Ora estes dados estão errados, uma vez que a CVO só entra em
funcionamento em 2010 (Quadro 5.4 da página 17). Sendo assim o AS do
Cadaval vai receber até 2010 cerca de 116,2 mil Mg em vez das 92,2 mil
referidas na proposta.

1.3. Municípios do Oeste ficam sem poder de decisão


Os municípios do Oeste vão ficar com um capital extremamente
reduzido na Nova Empresa a formar pela fusão entre a Valorsul e a Resioeste,
o que vai limitar completamente a sua capacidade de intervenção nos
processos de tomada de decisão.
Com efeito, na estrutura accionista da Nova Empresa, os municípios da
Região Oeste ficam apenas com 5,24% do capital social, enquanto que na
actual detêm 49%. O calculo dos 5,24% foi feito com base no número de
acções de todas entidades (municípios e empresas) da Resioeste e Valorsul.
Face ao âmbito da Nova Empresa, tratamento dos resíduos dos
municípios da Resioeste e da Valorsul, seria mais justo que o capital social
fosse calculado em fusão da quantidade de resíduos produzidos por município,
desta forma o seu peso dos municípios da Região Oeste na estrutura
accionista passava dos 5,24 para os 10,31%.
É de referir ainda que a o peso da representação das empresas privadas
(EGF mais EXPO e EDP) sobe dos 51 para os 56,16%, ficando assim os
municípios da Região Oeste ainda com menor peso na Nova Empresa.

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1.4. Situação dos resíduos da AMTRES é pouco clara


A proposta apresentada refere que a partir de 31 de Dezembro de 2007
a Valorsul vai deixar de receber resíduos do seu sistema vizinho, a AMTRES,
de forma a poder encaixar os resíduos da Resioeste.
No entanto, em contacto directo com responsáveis da Tratolixo
(empresa que gere os resíduos da AMTRES) e com alguns municípios da
AMTRES ficámos a saber que essa situação ainda não está esclarecida, uma
vez que como é sabido, até ter pronta a nova unidade de Tratamento Mecânico
e Biológico em 2009, a AMTRES tem de enviar resíduos para outros sistemas
e a Valorsul é o sistema mais próximo.

1.5. Tarifa de aterro e incineração foi ignorada


Não se entende porque é que a Taxa de Gestão de Resíduos (TGR), a
cobrar pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) não foi considerada na
proposta de fusão.
Esse facto desvirtua a análise económica, uma vez que os resíduos a
enviar para aterro são cobrados a 2 € por tonelada, enquanto que os resíduos
a enviar para incineração serão cobrados a 1 € por tonelada.
Este aspecto é relevante, uma vez que a proposta de solução técnica
que a Quercus propõe para a Resioeste reduz substancialmente os resíduos a
enviar para aterro ou incineração.
De referir que o Ministério do Ambiente tenciona a partir de 2011
aumentar a taxa de aterro para 4 € por tonelada como forma de promover a
reciclagem, o que vem valorizar ainda mais a proposta da Quercus.

1.6. Entrega das lixeiras aos municípios onera as


câmaras e é risco ambiental
Os custos com o controlo ambiental das nove lixeiras que a Resioeste
pretende entregar aos municípios não estão contabilizados nas despesas das
autarquias com os resíduos.
Por outro lado, o facto de algumas autarquias poderem não ter
momentaneamente recursos humanos ou financeiros para realizar esse

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controle pode constituir uma situação de risco ambiental, como a Quercus já


observou nalgumas lixeiras supostamente seladas existentes noutros sistemas.

1.7. Proposta não esclarece se vai haver recolha


selectiva de matéria orgânica
A proposta não esclarece se a CVO da Valorlis vai funcionar com
matéria orgânica da recolha selectiva ou apenas com matéria orgânica dos
RSU indiferenciados.
Este é um ponto importante que pode interferir nas tarifas de tratamento
dos resíduos.
No entanto, aparentemente não vai haver recolha selectiva, uma vez que
no Quadro 5.4 é referido que os resíduos da Resioeste a enviar para a CVO da
Valorlis são 24 mil Mg/ano de RSU indiferenciados.
Sendo assim, esta medida contradiz as orientações do Governo sobre
esta matéria e pode dificultar o acesso aos fundos comunitários.

1.8. Preços pagos pela reciclagem não favorecem a


fusão com a Valorsul
Os valores de contrapartida pagos pela Sociedade Ponto Verde pela
recolha selectiva são mais favoráveis ao sistema da Resioeste (tipologia II) do
que ao da Valorsul (tipologia III), pelo que a fusão dos dois sistemas vai
penalizar os municípios da Resioeste que assim deixam de receber como
tipologia II, passando a receber uma média ponderada, o que os vai colocar
praticamente como tipologia III.
Ao não referir este facto a proposta faz uma análise distorcida das
implicações da fusão dos sistemas em termos de receitas da reciclagem.

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2. Avaliação ambiental da proposta de fusão


2.1. Os maus cheiros no aterro do Cadaval vão-se
manter
A proposta de fusão é inaceitável do ponto de vista ambiental uma vez
que prevê o envio para aterro de grandes quantidades de resíduos urbanos
indiferenciados, existindo a forte possibilidade de se manterem os maus odores
que actualmente caracterizam o aterro do Cadaval.
Com efeito, segundo esta proposta, em 2015 ainda serão enviados para
aquele aterro 75 mil Mg de resíduos urbanos indiferenciados, o que
corresponde a mais de metade do que o aterro actualmente pode receber e
equivale à produção de resíduos de cerca de 150 mil habitantes, o que é
completamente inaceitável face às soluções que já existem no mercado em
termos de reciclagem de resíduos indiferenciados.
No entanto, é importante referir que caso haja problemas na unidade de
incineração da Valorsul, é altamente provável que os resíduos indiferenciados
dessa unidade venham a ser depositados no aterro do Cadaval, uma vez que
na proposta de fusão se diz claramente que aquele aterro funcionará como
“fusível” do sistema.
Ou seja, em caso de problemas aquele aterro terá obrigatoriamente de
receber resíduos da área da Valorsul.

2.2. Taxa de reciclagem proposta é muito baixa


Segundo a proposta apresentada, em 2015 o destino dos resíduos os
municípios que actualmente compõem o sistema da Resioeste será o seguinte:
Destino Toneladas %
Incineração 104 000 46,0
Aterro
- Aterro do Cadaval 75 400 38,7
- Rejeitados da CVO – aterro da 12 000
Valorlis
Reciclagem 15,2
- Recolha selectiva enviada para 22 400
reciclar 12 000
- Reciclagem na CVO

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Como é fácil de constatar, apenas vão ser reciclados cerca de 15% dos
resíduos, o que corresponde à média nacional em 2006.
Não se pode aceitar de forma alguma que passados 9 anos sobre essa
situação, os municípios do Oeste apenas atinjam esse valor de reciclagem,
quando, como se irá demonstrar é possível tratar grande parte dos resíduos
indiferenciados por reciclagem.

2.3. Emissões de gases de estufa vão ser elevadas


Segundo o estudo encomendado pelo Ministério do Ambiente à empresa
Evalue em anexo ao PERSU II, as taxas de emissão de CO2eq referentes às
operações de gestão de resíduos urbanos são sensivelmente as seguintes:
9 Incineração: Emissão de 200 kg CO2eq / Mg RSU
9 Aterro com orgânicos: Emissão de 600 kg CO2eq / Mg RSU
9 Reciclagem: Poupança de 400 de kg CO2eq / Mg RSU
9 Valorização orgânica (com biogás): Poupança de 100 kg CO2eq /
Mg RSU
9 Valorização orgânica (sem biogás): Poupança de 20 kg CO2eq /
Mg RSU

Aplicando estes valores aos quantitativos de resíduos de acordo com os


destinos previstos na proposta de fusão dos sistemas, obtêm-se os seguintes
resultados:
Operação Emissão anual
(toneladas de CO2eq)
Incineração + 20 800
Aterro com orgânicos + 52 440
Reciclagem - 8 900
Valorização orgânica (com - 1 200
biogás)
Balanço total + 63 140

Pode-se assim verificar que do ponto de vista das alterações climáticas


o sistema proposto para a fusão dos sistemas emitirá mais de 60 mil toneladas
por ano de CO2eq, o que é um valor completamente inaceitável face à
urgência que há em combater as alterações climáticas, combate no qual a

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gestão dos resíduos urbanos pode dar uma grande ajuda como será
demonstrado mais adiante neste documento.

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3. Proposta da Quercus
3.1. Pressupostos
Na proposta da Quercus assumem-se os seguintes pressupostos para o
ano referência de 2015 em termos de destino dos RSU:
• Recolha selectiva: 22,4 mil Mg
• CVO da Valorlis: 24 mil Mg
• TMBv: 179,9 mil Mg

3.2. Custo de tratamento na ordem dos 18,56 euros a


tonelada
O processo de TMBv, considerando um financiamento de 50% a fundo
perdido, resulta num custo por tonelada da ordem dos 18,56 euros, o que é
inferior ao apresentado na proposta de fusão entre a Resioeste e a Valorsul.
Em anexo segue o orçamento de uma unidade de TMBv para a área da
actual Resioeste, o qual se destinaria a tratar os RSU que não seriam enviados
para a CVO da Valorlis nem que serão sujeitos a recolha selectiva.
O custo de investimento ronda os 7.350.000 euros sem financiamento,
considerando um financiamento de 50% a fundo perdido passa para os
2.572.500 euros.
Também existe a possibilidade de instalar unidades de TMBv
descentralizadas, o que poderá trazer economias significativas em termos de
transporte de resíduos.

3.3. Reciclagem de 75% dos RSU


Após análise do estudo realizado pela Associação de Municípios do
Oeste e tendo em conta os últimos desenvolvimentos da tecnologia, em
particular na área da vermicompostagem (compostagem com minhocas) de
resíduos indiferenciados, a Quercus considera que aquele estudo deve ser
reformulado tendo em conta esta nova possibilidade tecnológica.
O Tratamento Mecânico e Biológico com Vermicompostagem (TMBv)
permite reciclar mais de 75% dos RSU, enviando para aterro menos de 25%

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dos resíduos, com a grande vantagem de que esses resíduos já não têm
matéria orgânica que no processo de TMBv foi transformada em composto.
Devido à ausência de matéria orgânica, a colocação dos rejeitados do
TMBv no aterro não acarreta qualquer problema de cheiros, nem coloca
problemas de águas residuais.
O processo de TMBv também não emite cheiros nem gera águas
residuais, uma vez que estas são reintroduzidas no próprio processo.

3.4. Proposta de Tratamento Mecânico e Biológico com


Vermicompostagem
O sistema de TMBv consiste nos seguintes passos:
¾ Triagem manual de resíduos de maiores dimensões (filme
plástico, cartão, grades de plástico, REEE e outros materiais), ou
seja com um diâmetro superior a 40/50 cm.
¾ Em unidades de maiores dimensões esta operação poderá ser
feita após passagem por crivo com malha 40/50 cm, mas em
unidades de menor dimensão não será necessário o crivo.
¾ Passagem dos resíduos por sistema abre-sacos
¾ Pré-compostagem (3-4 semanas)
¾ Vermicompostagem (3-4 semanas)
¾ Secagem
¾ Passagem por crivo fino para retirar o composto
¾ Separação mecânica ou manual de recicláveis, podendo ser
utilizadas infra-estruturas de triagem já existentes.

Os efluentes da pré-compostagem e da vermicompostagem são


recirculados no processo, pelo que não há necessidade de instalar uma ETAR.
A área necessária corresponde a 1 ha por 17 mil Mg de RSU, o que no
caso da Resioeste equivale a cerca de 8 ha para um quantitativo de 179,9 mil
Mg de RSU.
Em termos de balanço de massas consideram-se os seguintes produtos
deste processo:
9 25% - Rejeitados (resíduos sem matéria orgânica)

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9 30% - Composto
9 15% - Recicláveis (plástico, vidro, cartão e metais)
9 30% - Perdas de CO2 e água

A primeira unidade com esta tecnologia a instalar-se em Portugal estará


a funcionar em Novembro deste ano e ficará instalada no Parque Ambiental da
Amalga em Beja.
Funcionará numa primeira fase com uma capacidade para 10 000 Mg
por ano de RSU, mas tem prevista a ampliação até às 50 000 Mg.

3.5. Tempo de vida do aterro aumentaria 67% em relação


à proposta de fusão
Este processo tem a vantagem de enviar para aterro muito menos
resíduos do que a proposta de fusão, pelo que o aterro do Cadaval passaria a
ter muito maior tempo de vida, não sendo necessário recorrer a outro aterro,
pelo menos durante os próximos 20 anos.
Com efeito, segundo a proposta de fusão seriam enviados para o aterro
do Cadaval em 2015 cerca de 75 mil Mg de RSU em bruto, enquanto que na
proposta da Quercus seriam apenas enviados 25% dos resíduos do sistema
(excluindo os que são objecto de recolha selectiva ou envio para a CVO da
Valorlis), ou seja 25% de 179,4 mil Mg (225 800 mil Mg – 22,4 mil Mg – 24 mil
Mg), o que equivale a 44,9 mil Mg.
Assim, considerando que na proposta de fusão, em 2015, o aterro
receberia 75 mil Mg de RSU por ano, haveria um aumento de 67% do tempo de
vida do aterro se se considerasse a proposta da Quercus, segundo a qual
apenas receberia 44,9 mil Mg por ano.

3.6. Contributo significativo para a redução de gases de


efeito de estufa
A proposta da Quercus pressupõe o não envio de matéria orgânica para
aterro, nem a incineração de plásticos, o que evita emissões de gases de efeito
de estufa.

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Para além disso, a proposta da Quercus também permite importantes


reduções das emissões através da reciclagem de orgânicos e embalagens.
Assim, com base nas taxas de emissão de CO2eq previstas no PERSU
II, em 2015 obter-se-iam as seguintes emissões para um TMBv aplicado à
Resioeste:

Operação RSU ano (mil Mg) Emissão de gases de


estufa por ano (Mg de
CO2eq)
Reciclagem
- Recolha selectiva 22,4 - 8 960,0
- TMBv 26,9 - 10 794,0
Valorização orgânica
- Sem biogás 107,9 - 2 158,8
- Com biogás 12,0 - 1 200,0

Aterro (sem orgânicos)


- Valorlis 12,0
- Cadaval 45,0
Balanço Total - 23 112,8

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4. Conclusões
De forma a tornar mais fácil analisar as duas propostas, elaborou-se um
quadro comparativo com os aspectos que consideramos mais relevantes,
sendo de referir que os dados relativos a quantitativos de resíduos e emissões
se referem ao ano de 2015:

Proposta de fusão Proposta da Quercus


Custo de tratamento 20,64 18,56
(€ por Mg) (sem incluir as taxas (incluindo a taxa de
de aterro e aterro)
incineração)
Resíduos a enviar para o 75 400 44 975
aterro do Cadaval (sem biodegradáveis)
(Mg/ano)
Taxa de reciclagem (%) 15,2 74,8
Emissão de CO2eq + 63 140 - 23 112,8
(Mg/ano)

Parece pois evidente que a solução proposta pela Quercus apresenta


claríssimas vantagens ambientais, para além de apresentar também vantagens
económicas.
A Quercus, devido a falta de recursos, não teve oportunidade de estudar
a possibilidade de descentralização do sistema em várias unidades de
vermicompostagem a instalar próximo dos Municípios com maior produção de
resíduos (por exemplo junto às estações de transferência). Contudo, certo que
a tecnologia de vermicompostagem tem poucos impactes ambientais, essa
possibilidade pode revelar um potencial positivo em termos de económicos e
ambientais, permitindo os resíduos serem tratados localmente, indo para as
infra-estruturas (unidade de triagem e células do aterro) do actual aterro no
Cadaval os materiais (plásticos e metais) para triagem e os 25% de rejeitados
para depositar que não vão originar odores nem lixiviados.
De referir que a vermicompostagem é apta para o tratamento de
resíduos biodegradáveis de diferentes origens (co-compostagem ou co-
vermicompostagem), essa possibilidade pode ser explorada localmente para o
tratamento de outros resíduos (ex.: de explorações agrícolas, agro-industriais,

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etc.) permitindo desta forma diminuir diferenciadamente por município a tarifa


de tratamento dos resíduos sólidos urbanos a tratar.
Face ao exposto, concluímos que seria fundamental que a AMO
aproveitasse esta informação para actualizar o seu estudo e assim estivesse
em melhores condições para poder avaliar ambas as propostas.

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5. Proposta de Orçamento de TMBv para os Municípios


do Oeste

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Orçamento

PLANO DE CUSTOS PARA CENTRAL DE VERMICOMPOSTAGEM (TMB)


PRESSUPOSTOS:
Amortização equipamento Trat Mecânico e Const. Civil 20 anos Taxa de manutenção 0,100 ano
Amortização Equipamento Tratamento Biológico 20 anos Toneladas de RSU a tratar 179900 ano
Residuos para aterro (25%) 44975 ton. ano Taxa de juro 0,075 ano
Custo aterro por tonelada (inclui taxa de 2 euros) 27 euros Terreno 80000 m2
Custo de transporte e Est. De transfer. 10 euros Valor da renda (m2) 1,2 euros
Matéria reciclável (%) 15 % Preço materia reciclável (ton) valores SPV 2006

Custo Total Custo Ano


Sem Subsidio Com Subsidio Sem Subsidio Com Subsidio
30% 50% 70% 30% 50% 70%
INVESTIMENTO
Tratamento Mecânico
Construção Civil 1.500.000,00 € 1.050.000,00 € 525.000,00 € 450.000,00 € 75.000,00 € 52.500,00 € 26.250,00 € 22.500,00 €
Equipamento 2.500.000,00 € 1.750.000,00 € 875.000,00 € 750.000,00 € 125.000,00 € 87.500,00 € 43.750,00 € 37.500,00 €
Tratamento Biológico
Construção Civil 2.000.000,00 € 1.400.000,00 € 700.000,00 € 600.000,00 € 100.000,00 € 70.000,00 € 35.000,00 € 30.000,00 €
Equipamento 750.000,00 € 525.000,00 € 262.500,00 € 225.000,00 € 37.500,00 € 26.250,00 € 13.125,00 € 11.250,00 €
Máquina Vermicompostagem - € - € - € - € - € - € - € - €
Instalações Sociais 200.000,00 € 140.000,00 € 70.000,00 € 60.000,00 € 10.000,00 € 7.000,00 € 3.500,00 € 3.000,00 €
Laboratório 100.000,00 € 70.000,00 € 35.000,00 € 30.000,00 € 5.000,00 € 3.500,00 € 1.750,00 € 1.500,00 €
Arranjos exteriores 300.000,00 € 210.000,00 € 105.000,00 € 90.000,00 € 15.000,00 € 10.500,00 € 5.250,00 € 4.500,00 €
MANUTENÇÃO DE INSTALAÇÕES 20.000,00 € 20.000,00 € 20.000,00 € 20.000,00 €
MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS 16.250,00 € 16.250,00 € 16.250,00 € 16.250,00 €
CUSTOS DE PESSOAL
1 Orgãos Sociais 49.539,49 € 49.539,49 € 49.539,49 € 49.539,49 €
1 Administrativos 17.706,15 € 17.706,15 € 17.706,15 € 17.706,15 €
16 Produção e Logística 267.128,40 € 267.128,40 € 267.128,40 € 267.128,40 €
3 Tecnicos 98.596,58 € 98.596,58 € 98.596,58 € 98.596,58 €
INVESTIGAÇÃO & DESENVOLVIMENTO 18.000,00 € 18.000,00 € 18.000,00 € 18.000,00 €
ENCARGOS FINANCEIROS 487.500,00 € 341.250,00 € 243.750,00 € 146.250,00 €
FORNECIMENTOS E SERVIÇOS EXTERNOS 75.000,00 € 75.000,00 € 75.000,00 € 75.000,00 €
COMBUSTÍVEL 70.000,00 € 70.000,00 € 70.000,00 € 70.000,00 €
RENDA 96.000,00 € 96.000,00 € 96.000,00 € 96.000,00 €
CUSTO DE TRANSP. E EST. TRANS. 1.799.000,00 € 1.799.000,00 € 1.799.000,00 € 1.799.000,00 €
CUSTO DE ENVIO PARA ATERRO 1.214.325,00 € 1.214.325,00 € 1.214.325,00 € 1.214.325,00 €

TOTAL DE CUSTOS ANO 7.350.000,00 € 5.145.000,00 € 2.572.500,00 € 2.205.000,00 € 4.596.545,62 € 4.340.045,62 € 4.113.920,62 € 3.998.045,62 €

RESUMO DE CUSTOS
SEM SUBSIDIO COM 30% COM 50% COM 70%
Investimento Tratamento Mecânico 4.000.000,00 € 2.800.000,00 € 2.000.000,00 € 1.200.000,00 €
Investimento Tratamento Biológico 2.750.000,00 € 1.925.000,00 € 1.375.000,00 € 825.000,00 €
Laboratório 100.000,00 € 70.000,00 € 50.000,00 € 30.000,00 €
Investimento Inst. Sociais e Exteriores 500.000,00 € 350.000,00 € 250.000,00 € 150.000,00 €
Investimento pot Tonelada 40,30 € 28,21 € 20,15 € 12,09 €
Custo de Tratamento por Tonelada 25,55 € 24,12 € 22,87 € 22,22 €

PREÇO
SEM SUBSIDIO COM 30% COM 50% COM 70%
Preço de Tratamento por Tonelada 30,66 € 28,95 € 27,44 € 26,67 €

RECEITAS DE RECICLÁVEIS TMBv PREÇO FINAL


Valor Ano SEM SUBSIDIO COM 30% COM 50% COM 70%

1.597.872,50 € 21,78 € 20,07 € 18,56 € 17,79 €

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