SISTEMAS DE MANEJO E UTILIZAÇÃO DE DEJETOS

DA CADEIA PRODUTIVA ANIMAL
1. INTRODUÇÃO
Até a década de 70, os dejetos dos suínos não representavam problema ao meio
ambiente, uma vez que a suinocultura intensiva era incipiente. O desenvolvimento da
suinocultura industrial trouxe consigo a produção de grandes quantidades de dejetos que,
pela falta de tratamento adequado, vêm se transformando em uma das maiores fontes
poluidoras dos mananciais hídricos das regiões de intensa produção.
Nas zonas de produção intensiva a suinocultura possui uma grande importância
econômica, social e cultural, porém é considerada uma atividade com baixa qualidade
ambiental, face ao elevado número de contaminantes gerados pelos seus efluentes, o que
pode representar importante fonte de degradação do ar, dos recursos hídricos e do solo.
Neste contexto, os problemas ambientais associados a dejetos de suínos
apresentam-se como um grande desafio para a pesquisa, haja vista que os custos das
tecnologias desenvolvidas são muitas vezes difíceis de serem transferidos para o setor
produtivo por causa da menor capacidade de investimento do produtor nesse segmento.
Isso cria dificuldades para a redução dos impactos ambientais da suinocultura, pois, na
maioria dos casos, não é possível diminuir a poluição sem agregar tecnologia.
A aplicação de dejetos em lavouras e pastagens é utilizada como fonte de
nutrientes, sendo importante na ciclagem dos mesmos dentro das próprias unidades de
produção. Se manejados adequadamente, os dejetos podem contribuir para melhorias das
condições físicas, químicas e biológicas do solo. Contudo, se utilizados de maneira
inadequada, principalmente, em doses elevadas, os dejetos passam de fertilizantes a
poluentes, contribuindo para a contaminação do solo, ar e, especialmente, dos recursos
hídricos. Dessa forma, poderá haver contaminação das águas pelo escorrimento superficial,
quando a capacidade de infiltração do solo for baixa, e a contaminação das águas
subterrâneas, quando a infiltração no solo for elevada.
Da mesma forma que ocorre com águas residuárias domésticas e industriais, a
remoção de poluentes das águas residuárias geradas em atividades agroindustriais, a fim de
torná-las em condições adequadas, de acordo com os padrões estabelecidos pela legislação
ambiental, só pode ser obtida se eficientes sistemas de tratamento forem implantados e
adequadamente operados.
1

ESTIMATIVA DO VOLUME E CARACTERIZAÇÃO DO PODER POLUENTE DOS DEJETOS O primeiro passo para o dimensionamento de um sistema de manejo. (Tabela 02). Além disso. que influenciam a produção de urina. tipo de alimentação. Apresentam grandes variações na concentração dos elementos componentes. A composição físico-química dos dejetos está associada ao sistema de manejo adotado e aos aspectos nutricionais.2. que dependem da diluição a que foram submetidos e da forma que foram manuseados e armazenados. variando a quantidade de dejetos líquidos. tratamento e utilização dos dejetos é determinar o volume diário de resíduos. o volume total de dejetos depende também de outros fatores como sistema de manejo adotado. dependendo da diluição a qual foram submetidos e do sistema de armazenamento. 2 . A quantificação mais aproximada da produção real de dejetos na criação constituise num fator básico para o estabelecimento da estrutura de estocagem e aproveitamento dos mesmos. mediante o conhecimento da concentração de seus elementos componentes. a espécie que produz mais dejetos em relação ao peso vivo. Somente é possível determinar o mais apropriado destino dos dejetos. O suíno não é como mostra a Tabela 01. volume de água utilizado na higienização das instalações. peso vivo dos animais e volume de água ingerida.

2 Gases nocivos O grande volume de dejetos concentrados em pequenos locais. permite transformações químicas tendo como produtos finais gases nocivos e odores. A aeração (decomposição biológica aeróbica).referencial que traduz. 2. a ozonização e a compostagem são alguns dos processos que podem ser utilizados para redução dos odores.1 IMPACTO AMBIENTAL Comparativamente ao esgoto doméstico.1.000mg/l.2. requerem investimentos elevados que estão. Para o esgoto doméstico a DBO5 é de 200mg/l já para dejetos de suínos. Dentre os gases. o conteúdo de matéria orgânica de um resíduo através da medida da quantidade de oxigênio necessário para que as bactérias depuradoras possam oxidar biologicamente a matéria orgânica por um período de 5 dias. É importante levar em conta que os dejetos possibilitam a sobrevivência e a disseminação dos patógenos por alguns dias até meses. quanto maior for a DBO5 mais oxigêncio será retirado da água. Os odores são produzidos pela amônia. sob condições ambientais favoráveis. acima dos níveis toleráveis. a diluição. sulfeto de hidrogênio (H2S). já que os sistemas digestivo e urinário são as principais vias de eliminação desses agentes. dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4). Isso se traduz no aumento de emissão de dejetos por área. o que favorece a diminuição das chances de sobrevivência dos organismos aquáticos. sulfeto de hidrogênio e por inúmeros compostos orgânicos intermediários resultantes da decomposição biológica da matéria orgânica do esterco. de maneira indireta. A lógica do confinamento determina uma alta prevalência de microorganismos patogênicos nos pisos. 15% de sólidos voláteis e redução da taxa de coliformes a 1%. a redução do poder poluente para 40 mg/DBO/litro de dejetos.1. o valor pode atingir até 52. via de regra. Entretanto.1 Doenças infecciosas O estatus epidemiológico está relacionado as condições sanitárias de cada unidade criatória. 3 . O presente modelo suinícola brasileiro mostra uma redução do número de suinocultores com aumento do efetivo de rebanho por unidade criatória. acima da capacidade de investimento do produtor. ou seja. os dejetos suínos são 260 vezes mais poluentes. os mais importantes são: amônia (NH4). de fontes hídricas para consumo humano. Isso se deve à DBO5 (Demanda Bioquímica de Oxigênio) . O efeito direto e imediato desse processo é a contaminação. 2.

Um dos compostos que deve ser considerado na preservação ambiental é o nitrato.2. uma estratégia de controle dessas patologias é o tratamento das águas residuais lançadas nas rios através da cloração. Um tempo de contato de 1530 minutos normalmente é suficiente. destaque é dado à salmonelose.1. alguns destes nutrientes podem atingir as águas subterrâneas ou superficiais acarretando problemas de contaminação. poderá ocorrer a sobrecarga da capacidade de filtração do solo e retenção dos nutrientes do esterco.10.1. 3. teor de matéria orgânica dos efluentes. 2.1 Processos físicos Os dejetos passam por um ou mais processos físicos. As principais técnicas de tratamento de dejetos costumam combinar processos físicos. As dosagens variam de acordo com o tipo de cloro. os patógenos não são eliminados completamente. PRINCIPAIS TÉCNICAS PARA O TRATAMENTO DE DEJETOS Vários são os processos de tratamento para os dejetos com alta concentração de matéria orgânica. temperatura. a colibacilose e a leptospirose. A separação das fases pode ser efetuada por decantação. nível de cloro residual e tempo de contato. Nesse caso. bem como operação e recursos financeiros.5mg/litro.4 Contaminação da água Mesmo com a remoção dos sólidos.3 Contaminação do solo Quando o esterco líquido é aplicado em grandes quantidades no solo ou armazenados em lagoas não impermeabilizadas. Quando isso ocorre. 4 . onde ocorre a separação das fases sólida e líquida. A escolha do processo a ser adotado dependerá de fatores como: características do dejeto e do local. 3. aeração ou desidratação. Dentre as infecções que têm veiculação hídrica. pH. como os oriundos da criação de suínos. Os teores de nitrato observados em lençóis freáticos de terras tratadas com grandes volumes (160 m3/ha de esterco líquido por vários anos) foram maiores que os encontrados nas terras não tratadas. O nível de cloro residual não deve ser inferior a 0. eventualmente químicos e biológicos. O mais importante é que deverá atender à legislação ambiental vigente.

4 Desidratação 5 . Já as peneiras vibratórias separam a fração líquida da sólida realizando movimentos tangencial e vertical. 3. O dimensionamento deve levar em conta a vazão do efluente e a velocidade de sedimentação. Centrífuga de alta rotação com a relação c/d maior que 2 são utilizadas para separar sólidos altamente dispersos com baixa concentração. nas peneiras rotativas a fração líquida atravessa os crivos depositando-se na sua parte inferior e a fração sólida adere à superfície sendo retirada por uma lâmina de raspagem.1. cilindro rotativo ou cônico com diferentes velocidades.1 Decantação A separação por decantação é obtida armazenando-se os dejetos líquidos em um reservatório de maneira que com o tempo a fração sólida em suspensão decante.1. Deste modo fica facilitado o posterior processamento dos dejetos. fósforo e nitrogênio orgânico são encontrados nos sólidos sedimentados (82% e 62%.3 Centrifugação Outro processo de separação das fases dos dejetos é a centrifugação no qual a força gravitacional incide nas partículas em suspensão dos dejetos. 3. a sólida e a líquida. menor que 2 são empregadas para separar líquidos com alta concentração de sólidos. encontrados na fase líquida. Na avaliação de eficiência foi observado que peneiras com 800 e 500um (10um = 0. Sendo que as estáticas apresentam uma menor eficiência em relação às demais. A solubilidade diferente dos diversos elementos presentes provoca uma divisão heterogênea. o nitrogênio amoniacal (90%) e o potássio (100%).2 Peneiramento Existem diversos tipos de peneiras. todas com o mesmo objetivo. A centrífuga pode ser do tipo horizontal. As peneiras classificam-se em estáticas.centrifugação. A relação c/d (comprimento/diâmetro) do cilindro define a eficiência da centrífuga. Por sua vez. ar forçado ou ar aquecido. separar os dejetos em duas frações.01mm) determinaram a eficiência de 40 e 49% respectivamente. vibratórias e rotativas. e a desidratação da parte líquida por vento. respectivamente).1. de forma a manter os dejetos em fluxo contínuo. 3.1. Centrífugas de média rotação com c/d. peneiramento e/ou prensagem. 3.

3 Processos biológicos Os processos físicos são. porém ainda passível de decomposição. o Óxido de Cálcio são alguns dos produtos utilizados. as lagoas anaeróbias são especialmente indicadas como pré-tratamento de águas residuárias.3. Reduzindo-se o teor de umidade dos dejetos para percentuais entre 10 a 15% tem-se um produto livre de odores melhorando as condições de uso. por ação de microrganismos naturalmente presentes no meio. Lagoas de estabilização podem ser classificadas. b) seleção bacteriana com orientação específica de fermentação. normalmente. A ação desses produtos pode se dar de 3 diferentes formas: a) bloqueio as fermentações indesejáveis. em: a) Anaeróbia: tem sido o processo mais indicado para tratamento de águas residuárias de elevada carga orgânica. 3. considerados como tratamentos preliminares entretanto. Por isso. taxa de geração do resíduo. de acordo com o tipo de tratamento. isto é. os organismos transformarão o material orgânico em material menos complexo.2 Técnicas de tratamento químico Através da adição de produtos químicos é possível precipitar partículas e material coloidal reduzindo a demanda bioquímica de oxigênio. decorrente de transformações bioquímicas proporcionadas pelos microrganismos. Nas lagoas anaeróbias. 6 .A desidratação objetiva o controle da poluição e facilita o manuseio do produto. A escolha entre as formas de tratamento vai depender da disponibilidade de área junto à fonte geradora da água residuária. separação de fase.1 Lagoas de estabilização As lagoas de estabilização são unidades especialmente construídas com a finalidade de tratar águas residuárias por meios predominantemente biológicos. e c) sobreposição de odores. os Sais de Ferro. o Hidróxido de Cálcio. predominantemente. o que deve ser feito sob condições aeróbias. 3. 3. e localização (distância de áreas residenciais). Os processos utilizados são a evaporação. velocidade exigida no tratamento do resíduo. a remoção do material orgânico é. O sulfato de Alumínio. secagem e adição de material absorvente.

a redução da DBO até o nível requerido. além de material celular (estruturas biológicas dos microrganismos). conforme esquema apresentado na Figura 1. Nessas condições. sulfeto de hidrogênio (H2S) e amônia (NH3). que demora vários dias. pode-se utilizar aeradores mecânicos para fornecimento de oxigênio ao meio líquido. o material orgânico em suspensão (DBO particulada) tende a se sedimentar. como é o caso da maioria dos efluentes da agroindústria (águas residuárias de criatórios de animais. Durante o percurso da água residuária. Os microrganismos aeróbios convertem o material orgânico em gás carbônico.com uso de aeração mecânica). o processo de lagoas facultativas é o mais simples. b) Facultativa: Dentre os sistemas de lagoas de estabilização. água. enquanto bactérias anaeróbias transformam material orgânico em dióxido de carbono (CO 2) e compostos orgânicos simples como metano (CH4). protozoários. fungos etc. Uma grande variedade de microrganismos pode tomar parte nesse processo: bactérias. dependendo unicamente de fenômenos naturais. sulfatos (SO42-) e outros compostos estáveis. vindo a constituir o lodo de fundo.notadamente as que detêm grande carga orgânica. de laticínios. de tal forma que esse possa ser utilizado como alimento pelos microrganismos. a fotossíntese deixa de ser a fonte de oxigênio para as bactérias aeróbias passando a ser a incorporação do ar atmosférico ou de oxigênio puro a 7 . c) De maturação ou aeróbia (aerada . mais rapidamente. nitratos (NO3-). Caso se deseje ter um sistema de lagoas de estabilização de menores dimensões e que promova. A base de todo o processo biológico é o contato efetivo entre esses organismos e o material orgânico contido nas águas residuárias. etc). de abatedouros.

menor requisito de área dentre todos os sistemas de lagoas de estabilização. denominado “ar difuso”. o aumento no nível de sofisticação do processo e os requisitos de energia relativamente elevados. também. além das vantagens citadas. ligeiramente superior às obtidas em sistemas com lagoas facultativas. a necessidade de contínua remoção do lodo deve também ser incluída entre as desvantagens do sistema. No caso das aeradas de mistura completa-lagoa de decantação. há. O decantador 8 . As desvantagens desses sistemas são a necessidade da introdução de equipamentos. As lagoas aeradas podem ser subdivididas em aeradas-facultativas e aeradas de mistura completa-lagoa de decantação. seguidos de tanques de aeração de mistura completa e decantadores secundários (Figura 7). operação e manutenção relativamente simples. maior independência das condições climáticas locais que os sistemas de lagoas facultativas e anaeróbio-facultativas. relativamente alta eficiência na remoção da DBO. d) Sistema de lodo ativado Os sistemas de lodos ativados são constituídos por decantadores primários. As principais vantagens de sistemas com lagoas aeradas são apresentarem construção. sendo o fornecimento de oxigênio feito por aeradores mecânicos ou por sistema de aplicação de ar subaquático. satisfatórias resistências às variações de carga e reduzidas possibilidades de maus odores.principal fonte de oxigênio para as bactérias aeróbias degradarem o material orgânico em suspensão. requisitos de área inferiores aos sistemas de lagoas facultativas e anaeróbio-facultativas. No caso de sistemas com lagoas aeradas de mistura completa-lagoa de decantação.

Com isso. além de poder apresentar problemas de ruídos e exalação de aerossóis.2 Biodigestão Os sistemas de armazenagem/tratamento. os sólidos permanecem por muito mais tempo no sistema e é justamente esta maior permanência que garante a elevada eficiência dos lodos ativados. O princípio básico do sistema de lodos ativados é a recirculação. deve ser removido periodicamente e estabilizado antes de sua disposição final no ambiente. 3. destacando-se a biodigestão anaeróbia de resíduos (agroindustriais. Nesses sistemas ocorre também a redução do mau cheiro. entre elas podemos destacar o tratamento de efluentes. etc.3. O lodo produzido. reduzidas possibilidades de ocorrência de maus odores e desenvolvimento de insetos e vermes. Algumas das vantagens da digestão anaeróbia são: 9 . baixos requisitos de área (bastante inferiores às do sistema de lagoas e estabilização). obviamente. visam reduzir a carga orgânica dos dejetos. com o objetivo de aumentar o tempo de contato das bactérias degradadoras do material orgânico com o líquido. possibilidade de remoção biológica de N e P.). Como desvantagens. constituído basicamente pela biomassa bacteriana desenvolvida no tanque de aeração. a redução de odores e a eliminação de patógenos. pode-se citar a de conversão da biomassa em energia secundária. podem-se citar os elevados custos de implantação e operação. a necessidade de conhecimento técnico para sua operação. o elevado consumo de energia. diminuir as necessidades de aeração e. possibilitando o seu uso racional como fertilizante nas lavouras. com isso. apresentar grande sensibilidade às descargas tóxicas. por bombeamento. de dejetos. rurais. Dentre as formas alternativas de energia renováveis. As vantagens dos sistemas de lodos ativados são a elevada eficiência na remoção de DBO. domésticos. menor proliferação de moscas e possibilita a utilização de biodigestores (produção de biogás). o que permite o seu aproveitamento sob a forma de biogás (metano). os gastos de energia no processo. Sendo que a produção de metano é apenas uma das vantagens da biodigestão anaeróbia. já que a biomassa tem tempo suficiente para metabolizar praticamente todo o material orgânico presente nas águas residuárias.primário tem por função proporcionar a remoção de parte do material orgânico sedimentável e. dos sólidos (biomassa bacteriana) sedimentados no decantador secundário.

Quando há disponibilidade dos resíduos líquidos. As câmaras de digestão dos biodigestores. CONSIDERAÇÕES FINAIS A prática de lançar os dejetos de suínos de forma indiscriminada na natureza. são depósitos semelhantes às esterqueiras. O processo de digestão anaeróbia (biometanização) consiste de um complexo de cultura mista de microorganismos. gás carbônico (30-35%-CO2) e vapor d’água. Os biodigestores. podendo substituir o gás liquefeito de petróleo (GLP). o Modelo Canadense com cobertura de lona de PVC. dos mananciais naturais de água. No Brasil. constitui-se numa agressão condenável sob todos os aspectos.alta redução de demanda bioquímica de oxigênio (DBO). produção de biofertilizantes. baixos custos operacionais e de investimento e possibilidade de sistemas descentralizados de tratamento de resíduo. capaz de metabolizar materiais orgânicos complexos. Alguns modelos de biodigestores têm se mostrado de interesse. com riscos de contaminação do solo. A vantagem deste processo está na produção constante de biogás que é relacionado com a carga diária de sólidos voláteis. a lenha. a gasolina e serve para a geração de energia elétrica. podem ser construídas de pedra. O modelo tipo Batelada que. diferenciando-se apenas por possuírem cobertura para armazenar o biogás gerado pelo processo de digestão anaeróbia. do ar e da saúde das comunidades rurais e urbanas. o interesse volta-se para os biodigestores contínuos como os modelos Indiano e Canadense. em substituição às campânulas (metálica ou de fibra de vidro). tais como carboidratos. como é o caso da cama obtida nos galpões de frangos de corte. apesar da simplicidade. sendo considerada como uma fonte de energia renovável. pode ser útil em situações em que o resíduo é obtido periodicamente. tijolos ou lonas de PVC e as campânulas ou balões para o armazenamento do biogás gerado podem ser de ferro. em uso no meio rural. principalmente de suínos. Atualmente. o modelo contínuo (Indiano) foi o mais difundido por sua simplicidade e funcionalidade. lipídios e proteínas para produzir metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2) e material celular. constituindo-se de uma mistura de metano (65-70%-CH4). principalmente por apresentarem baixo custos devido à pouca tecnologia associada e facilidade operacional. vem ganhando maior espaço em virtude dos menores custos e facilidade de implantação. fibra de vidro. pequena produção de lodo. sendo que a alternativa mais barata é a que utiliza coberturas de PVC. 4. O biogás é o produto da digestão anaeróbia dos dejetos de suínos em um biodigestor. 10 .

promove uma produção mais eficiente. água de chuva nos depósitos de dejetos e preconizar o manejo e dimensionamento da infra-estrutura de armazenagem e tratamento de dejetos mais adequadas a cada produtor. ao atendimento dos anseios do consumidor e ao desenvolvimento sustentável de nossa agricultura. A composição e a quantidade de dejetos excretados pelos suínos têm relação direta com a composição das rações fornecidas aos animais. Essa questão deve ser discutida amplamente pela sociedade. tais como os desperdícios de bebedouros. excesso de água para limpeza. A questão dos dejetos suínos não se constitui apenas num problema que envolve o setor produtivo de suínos.É fundamental redirecionar os modelos de produção de suínos hoje praticados. o emprego de formulações mais precisas no sentido de atenderem as reais demandas em nutrientes dos animais. visando à qualidade de vida das populações. de maneira técnica. apresentando inter-relação com todas as atividades que afetam a qualidade do meio ambiente. 11 . iniciando-se pela redução de todas as diluições desnecessárias. evitando desperdícios. com redução nos custos de alimentação e menor excreção de poluentes.

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