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Manual de Uso do Regulamento Técnico da Qualidade para Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos

Método Prescritivo

Este projeto foi desenvolvido pelo LabEEE, com o apoio da Eletrobrás/Procel

Eletrobrás/Procel:
Fernando Pinto Dias Perrone
Chefe do Departamento de Projetos Especiais

Procel Edifica:
Solange Nogueira Puente Santos

Laboratório de Eficiencia Energética em Edificações – LabEEE - UFSC


Autores:
Coordenador: Roberto Lamberts

Greici Ramos
Joyce Carlo
Miguel Pacheco
Rogério Versage

Acadêmicos: Diego Tamanini


Rovy Pereira
Manual de Uso do Regulamento Técnico da Qualidade para Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos
Método Prescritivo

SUMÁRIO

SUMÁRIO 2

APRESENTAÇÃO 4

OBJETIVOS DO MANUAL 4
ESTRUTURA DO REGULAMENTO TÉCNICO DA QUALIDADE 5
MÉTODO E ESTRUTURA DO MANUAL 7
SIGLAS E ABREVIAÇÕES 8

1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES 9

1.1 ABERTURA 9
1.2 ABSORTÂNCIA TÉRMICA 11
1.3 AMBIENTE 12
1.4 ÂNGULOS DE SOMBREAMENTO: AHS E AVS 14
1.5 ÁREA DE PROJEÇÃO DO EDIFÍCIO, ÁREA ÚTIL E ÁREA TOTAL 20
1.6 CAPACIDADE TÉRMICA 22
1.7 CICLO ECONOMIZADOR 25
1.8 COBERTURAS NÃO APARENTES 26
1.9 DENSIDADES DE POTÊNCIA DE ILUMINAÇÃO 27
1.10 EDIFÍCIOS COMERCIAIS OU DE SERVIÇOS 29
1.11 ENVOLTÓRIA 31
1.12 FACHADA E ORIENTAÇÃO 33
1.13 FATOR ALTURA E FATOR DE FORMA 36
1.14 FATOR SOLAR 37
1.15 INDICADOR DE CONSUMO 39
1.16 PAFT E PAZ 40
1.17 PAREDES EXTERNAS 47
1.18 RELAÇÃO CUSTO-BENEFÍCIO 48
1.19 TRANSMITÂNCIA TÉRMICA 49
1.20 ZONA BIOCLIMÁTICA 50
1.21 ZONA DE CONFORTO 52
1.22 ZONA TÉRMICA 56

2 INTRODUÇÃO 58

2.1 OBJETIVO 58
2.2 PROCEDIMENTOS PARA DETERMINAÇÃO DA EFICIÊNCIA 58
2.2.1 REQUISITOS PRESENTES NA EQUAÇÃO DE CLASSIFICAÇÃO 59
2.2.2 EQUAÇÃO GERAL DE CLASSIFICAÇÃO DO NÍVEL DE EFICIÊNCIA DO EDIFÍCIO 61
2.3 BONIFICAÇÕES 64
2.3.1 RACIONALIZAÇÃO DO CONSUMO DE ÁGUA 66
2.4 PRÉ-REQUISITOS GERAIS 67
2.5 PRÉ-REQUISITOS ESPECÍFICOS 68

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3 ENVOLTÓRIA 70

3.1 PRÉ-REQUISITOS 70
3.1.1 NÍVEL A 70
3.1.2 NÍVEL B 75
3.1.3 NÍVEIS C E D 77
3.2 DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE EFICIÊNCIA 78
3.2.1 INTRODUÇÃO 78
3.2.2 MÉTODO DE CÁLCULO DO INDICADOR DE CONSUMO 83

4 SISTEMA DE ILUMINAÇÃO 91

4.1 PRÉ-REQUISITOS ESPECÍFICOS 91


4.1.1 DIVISÃO DE CIRCUITOS 92
4.1.2 CONTRIBUIÇÃO DA LUZ NATURAL 93
4.1.3 DESLIGAMENTO AUTOMÁTICO DO SISTEMA DE ILUMINAÇÃO 94
4.2 PROCEDIMENTO DE DETERMINAÇÃO DA EFICIÊNCIA 95
4.2.1 DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE AMBIENTE (K) 95
4.2.2 DETERMINAÇÃO DA DENSIDADE DE POTÊNCIA DE ILUMINAÇÃO RELATIVA LIMITE (DPIRL) 100

5 SISTEMA DE CONDICIONAMENTO DE AR 107

5.1 INTRODUÇÃO 107


5.2 PRÉ-REQUISITOS 107
5.3 CONDICIONADORES DE AR DO TIPO JANELA OU DO TIPO SPLIT 108
5.3.1 CÁLCULO DA CARGA TÉRMICA 108
5.3.2 EFICIÊNCIA DE VÁRIOS AMBIENTES 108
5.3.3 EFICIÊNCIA DE DOIS OU MAIS SISTEMAS INDEPENDENTES 110
5.3.4 EFICIÊNCIA DE UMA ZONA COM DIFERENTES UNIDADES 112
5.4 SISTEMAS DE CONDICIONAMENTO DE AR NÃO REGULAMENTADOS PELO INMETRO 114
5.4.1 SISTEMAS COMPOSTOS POR CONDICIONADORES DE AR DE JANELA E SPLIT 114
5.4.2 SISTEMAS CENTRAIS DE CONDICIONAMENTO DE AR 114
5.4.3 CONTROLE DE TEMPERATURA POR ZONA 115
5.4.4 AUTOMAÇÃO 117
5.4.5 ISOLAMENTO DE ZONAS 117
5.4.6 CONTROLES E DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE VENTILAÇÃO 118
5.4.7 RECUPERAÇÃO DE CALOR 119
5.4.8 CONTROLES E DIMENSIONAMENTO DOS SISTEMAS HIDRÁULICOS 120
5.4.9 CONTROLES E DIMENSIONAMENTO DOS SISTEMAS HIDRÁULICOS 121

ANEXOS 122

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Apresentação
Objetivos do manual
Este manual visa detalhar os tópicos do Regulamento Técnico da Qualidade (RTQ) para
Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Público, de forma a
esclarecer possíveis dúvidas sobre métodos de cálculo e aplicação de seu conteúdo.
Para tal, os conceitos e definições apresentados no RTQ são explicados e os métodos,
justificados. Espera-se que, ao final da leitura, o leitor esteja apto a classificar edifícios de
acordo com os requisitos do RTQ e a submeter apropriadamente o projeto ou edifício à
certificação.

Cabe salientar que nenhuma regulamentação por si garante um edifício de qualidade.


Maiores níveis de eficiência podem ser alcançados através de estratégias de projeto e
por iniciativas e cooperação dos diversos atores ligados à construção dos edifícios
(arquitetos, engenheiros civis, eletricistas, mecânicos e empreendedores). Igualmente,
tão importantes e freqüentemente esquecidos, os usuários têm participação decisiva no
uso de edifícios eficientes através dos seus hábitos, que podem reduzir de forma
significativa o consumo de energia, aumentando assim a eficiência das edificações e
reduzindo desperdícios. Todos os envolvidos na concepção e utilização dos edifícios e
seus sistemas podem contribuir para criar e manter edificações energeticamente
eficientes.

O RTQ deve ser considerado como um desafio para procurar e efetivamente alcançar
níveis mais elevados de eficiência energética nas edificações. A obtenção de uma
etiqueta de eficiência não é definitiva e pode ser continuamente melhorada com
inovações tecnológicas ao longo dos anos, criando um hábito do aprimoramento
constante em eficiência energética, da concepção ao uso do edifício.

A Figura A.1.1 representa os cinco níveis de eficiência do RTQ e mostra como esta
filosofia de contínuo aprimoramento está embutida no regulamento. O RTQ não define
limite superior para o nível A, uma vez que desempenhos mais elevados de eficiência
energética podem sempre ser conseguidos.

A B C D E

Figura A.1.1. Níveis de eficiência


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Neste sentido, a procura de maiores níveis de eficiência inclui o comissionamento. O


comissionamento consiste em planejar e executar os projetos de forma a garantir que os
mesmos apresentem efetivamente o desempenho esperado, corrigindo defeitos ou
ajustando equipamento se for necessário até alcançar os objetivos propostos.

Finalmente, para atingir e manter níveis mais elevados de eficiência é muito importante a
participação dos usuários. Um edifício eficiente com usuários ineficientes pode tornar-se
um edifício ineficiente. Da mesma forma, edifícios ineficientes, podem aumentar de forma
considerável a sua eficiência se houver um empenho dos seus usuários nesse sentido.

Estrutura do Regulamento Técnico da Qualidade

O RTQ fornece uma classificação de edifícios através da determinação da eficiência de


três sistemas:

• Envoltória;
• Iluminação;
• Condicionamento de ar.
Os três itens, mais incentivos, são reunidos em uma equação geral de classificação do
nível de eficiência do edifício. É possível também obter a classificação de apenas um
sistema, deixando os demais em aberto. Neste caso, no entanto, não é fornecida uma
classificação geral do edifício, mas apenas do(s) sistema(s) analisado(s).

A classificação da envoltória faz-se através da determinação de um conjunto de índices


referentes às características físicas do edifício. Componentes opacos e dispositivos de
iluminação zenital são definidos em pré-requisitos enquanto as aberturas verticais são
avaliadas através de equações. Estes parâmetros compõem a “pele” da edificação (como
cobertura, fachada e aberturas), e são complementados pelo volume, pela área de piso
do edifício e pela orientação das fachadas.

A eficiência da iluminação é determinada calculando a densidade de potência instalada


pela iluminação interna, de acordo com as diferentes atividades exercidas pelos usuários
de cada ambiente. Para a determinação da iluminação adequada a cada atividade, o
RTQ segue a norma NBR 5413. Calcula-se a potência instalada de iluminação, a
iluminância de projeto e a iluminância gerada pelo sistema para determinação da
eficiência. Quanto menor a potência utilizada, menor é a energia consumida e mais
eficiente é o sistema, desde que garantidas as condições adequadas de iluminação. Este
item deve ser avaliado por ambiente, uma vez que estes podem ter diferentes usos e,
portanto, distintas necessidades de iluminação.

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A classificação da eficiência do sistema de condicionamento de ar pode ser dividida em


duas diferentes classes. Uma classe lida com sistemas individuais e split, já classificados
pelo INMETRO. Desta forma, deve-se apenas consultar os níveis de eficiência fornecidos
nas etiquetas do INMETRO para cada um dos aparelhos instalados na edificação para
posteriormente aplicar o resultado na equação geral do edifício. Já a eficiência de
sistemas de condicionamento de ar como os centrais, que não são classificados pelo
INMETRO, devem seguir prescrições definidas no texto do regulamento. Assim, a
classificação do nível de eficiência destes sistemas é mais complexa, pois sua definição
depende da verificação de um número de requisitos e não pode ser simplesmente obtida
pela consulta da etiqueta.

Terminado o cálculo da eficiência destes três sistemas (Iluminação, Condicionamento de


ar e Envoltória), os resultados parciais são inseridos na equação geral para verificar o
nível de eficiência global da edificação. O formato da Etiqueta Nacional de Conservação
de Energia (ENCE), contendo os níveis finais e parciais do edifício, é mostrado na Figura
A.1.2.

Figura A.1.2. Modelo da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) para


edificações.

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No entanto, o cálculo dos três diferentes níveis de eficiência parciais e do nível geral de
eficiência podem ser alterados tanto por incentivos, que podem elevar a eficiência,
quanto por pré-requisitos que, se não cumpridos, reduzem esses níveis. Os incentivos
são bônus de pontuação que visam incentivar o uso de energia solar para aquecimento
de água, uso racional de água, cogeração, dentre outros, mas sem a obrigatoriedade de
constarem no edifício. Já os pré-requisitos referem-se a cada sistema em particular, e
também ao edifício por completo, e seu cumprimento é obrigatório.

Método e estrutura do manual


O conteúdo deste manual foi organizado para apresentar os conceitos e definições
usados no RTQ, agrupados em três temas (envoltória, iluminação e condicionamento de
ar). Nem todos os conceitos são mencionados por se considerar que não necessitam
explicação.

Cada um dos conceitos abordados transcreve integralmente a definição do RTQ para


depois esclarecer as intenções da redação e fornecer mais informações. Dependendo do
caso, quadros e figuras são utilizados como recursos didáticos com a intenção de
esclarecer pontos de possível dificuldade de compreensão e sistematizar pontos
importantes.

Há diferentes tipos de quadros para os diversos conteúdos do manual. Quadros de


moldura tracejada contêm citações literais de definições, tabelas e equações do RTQ,
preservando a sua numeração original, facilitando a consulta entre o manual e o RTQ.
Quadros de duas colunas apresentam exemplos práticos, separando por colunas aqueles
que se aplicam ou não à definição explicada. Podem também apresentar exemplos
práticos de definições similares para melhor compreensão das distinções entre as
mesmas. Um terceiro tipo de quadro, de moldura contínua, suplementa o texto principal
com explicações adicionais. Finalmente, um quarto tipo de quadro, de moldura dupla,
apresenta e exemplos de aplicação e exemplos de cálculo para aprofundar a
compreensão do leitor.

Após a revisão dos conceitos e definições, uma outra sessão apresenta a classificação
do nível de eficiência explicando o processo paulatinamente. No final da sessão é
mostrado como integrar as três classificações parciais em uma classificação final do
edifício.

É também abordada a questão das classificações parciais e gerais para partes de


edificações: como proceder, casos em que se aplicam e quais os objetivos.

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A sessão seguinte mostra a conversão dos cálculos, verificação de requisitos e


contabilização de bonificações provenientes dos incentivos para preenchimento dos
formulários de submissão do projeto/edifício com maior rapidez e facilidade. Ou seja, esta
sessão apresenta o procedimento para submissão até ser obtida a ENCE (Etiqueta
Nacional de Conservação de Energia) fornecida pelo INMETRO.

Siglas e Abreviações
ABNT: Associação Brasileira de Normas Técnicas

ENCE: Etiqueta Nacional de Conservação de Energia

INMETRO: Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial

RTQ: Regulamento Técnico da Qualidade para Eficiência Energética de Edifícios


Comerciais, de Serviços e Público

RAC: Regulamento de Avaliação de Conformidade

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1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES
1.1 ABERTURA

Abertura: todas as áreas da envoltória do edifício, com fechamento translúcido ou


transparente (que permite a entrada da luz), incluindo janelas, painéis plásticos,
clarabóias, portas de vidro (com mais da metade da área de vidro) e paredes de blocos de
vidro. Exclui vãos sem fechamentos e elementos vazados como cobogós.

1.1.1 Detalhamento
É abertura toda e qualquer parte da fachada cujo material é transparente ou translúcido,
permitindo a passagem de luz e/ou radiação solar direta ou indireta para o interior da
edificação. Suas arestas podem estar em contato com materiais opacos ou também
transparentes ou translúcidos. Qualquer vão que esteja descoberto e/ou sem nenhum
tipo fechamento (como em pórticos), não é considerado abertura. Um vão total ou
parcialmente fechado com um material opaco, sem a presença de material transparente
ou translúcido, também não é considerado abertura.

Os vãos sem qualquer tipo de fechamento são excluídos da definição, pois vãos
descobertos podem ser usados como proteções solares permitindo ventilação natural e
sombreando a fachada. Além disso, sacadas ou varandas sombreiam portas e janelas de
vidro, e também não são consideradas aberturas, enquanto as portas e janelas de vidro o
são.

Esta definição distingue materiais transparentes e translúcidos dos opacos, que não
deixam passar a luz/radiação solar, pelos seus desempenhos térmicos diferenciados.

1.1.2 Exemplos

É ABERTURA NÃO É ABERTURA


Janelas de vidro; Vãos descobertos;
Paredes envidraçadas; Pórticos;
Paredes de tijolo de vidro; Cobogós;
Vãos fechados com placas de policarbonato Varandas;
ou acrílico; Sacadas;
Janelas fechadas com vidro mas com
venezianas.

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1.1.3 Exercícios

1.1.3.1 Exercício 1

Um edifício apresenta uma fachada em que metade da área é fechada por vidro com a
altura do pé direito, sendo o resto da fachada composta de tijolos de vidro. Qual é o
percentual de aberturas nas fachadas de tal edifício?

Resposta: 100%. Todos os materiais da fachada são transparentes ou translúcidos.

1.1.3.2 Exercício 2

Se, no caso anterior, metade das paredes de vidro que fecham os vãos fosse deixada
sem fechamento, isso aumentaria ou reduziria a área de aberturas da fachada?

Resposta: Reduziria o percentual de aberturas em 25% uma vez que os vãos sem
fechamento não contam como materiais transparentes ou translúcidos. Este exemplo visa
frisar que a definição abertura do RTQ se refere exclusivamente às parcelas da envoltória
do edifício de materiais transparentes ou translúcidos. Vãos descobertos sem nenhum
tipo de material não são aberturas para fins do manual

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1.2 ABSORTÂNCIA TÉRMICA

Absortância à radiação solar (α): Quociente da taxa de radiação solar absorvida por uma
superfície pela taxa de radiação solar incidente sobre esta mesma superfície.

Fonte: NBR 15220-1 (ABNT, 2005)

1.2.1 Detalhamento
Absortância solar é uma propriedade do material referente a parcela da radiação
absorvida pelo mesmo, geralmente relacionada a cor. A NBR 15220-2 apresenta, no
Anexo B, uma lista de absortâncias para algumas cores e materiais, listada a seguir.

α) para radiação solar (ondas curtas).


Tabela 1.1. Absortância (α

Tipo de Superfície α
Chapa de alumínio (nova e brilhante) 0,05
Chapa de alumínio (oxidada) 0,15
Chapa de aço galvanizada (nova e brilhante) 0,25
Caiação nova 0,12 / 0,15
Concreto aparente 0,65 / 0,80
Telha de barro 0,75 / 0,80
Tijolo aparente 0,65 / 0,80
Reboco claro 0,30 / 0,50
Revestimento asfáltico 0,85 / 0,98
Vidro incolor 0,06 / 0,25
Vidro colorido 0,40 / 0,80
Vidro metalizado 0,35 / 0,80
Pintura:
Branca 0,20
Amarela 0,30
Verde clara 0,40
“Alumínio” 0,40
Verde escura 0,70
Vermelha 0,74
Preta 0,97
Fonte: NBR 15220-2 (ABNT, 2005)

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1.3 AMBIENTE

Ambiente: espaço interno de um edifício, fechado por superfícies sólidas tais como
paredes ou divisórias, teto, piso e dispositivos operáveis tais como janelas e portas.

1.3.1 Detalhamento
Um ambiente é um espaço interno do edifício delimitado por divisórias ou paredes. Este
conceito é a base para o cálculo da eficiência do sistema de iluminação de um edifício,
pois a sua determinação é feita através do cálculo da eficiência da iluminação de cada
ambiente. O correto entendimento de ambiente permite um cálculo correto do nível de
eficiência da iluminação.

Por divisão, não se entende somente paredes de alvenaria ou concreto. Freqüentemente


espaços de escritório são divididos por partições desmontáveis que criam espaços
internos que são classificados como ambientes pelo RTQ. É necessário, no entanto, que
tais partições vedem o espaço do piso até ao teto. Estações de trabalho de planta livre
não são contabilizadas como ambientes independentes.

1.3.2 Exemplo

Figura 1.1. Divisórias até o forro (ou teto) delimitam ambientes, mesmo que contenham
vidro. Portanto, há dois ambientes na figura.

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1.3.3 Exercícios
Um espaço é vedado do piso ao teto por divisórias desmontáveis, compostas de madeira
compensada até 2,2 m e vidro a partir dessa altura até ao teto. O espaço tem porta e
forma um escritório independente. Este espaço é um ambiente?

Resposta: Sim. O espaço é fechado. Convém notar que não se deve considerar as
luminárias nos ambientes contíguos no cálculo da eficiência da iluminação. Embora a
passagem de luz entre ambientes contíguos ocorra através da parcela de vidro da
divisória, esta passagem pode ser interrompida com a instalação de persianas.

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1.4 ÂNGULOS DE SOMBREAMENTO: AHS E AVS

AVS: Ângulo Vertical de Sombreamento: ângulo formado entre 2 planos que contêm a
base da abertura:

• o primeiro é o plano vertical na base da folha de vidro (ou material translúcido),

• o segundo plano é formado pela extremidade mais distante da proteção solar


horizontal até a base da folha de vidro (ou material translúcido).

AHS: Ângulo Horizontal de Sombreamento: ângulo formado entre 2 planos verticais:

• o primeiro plano é o que contém a base da folha de vidro (ou material translúcido),

• o segundo plano é formado pela extremidade mais distante da proteção solar


vertical e a extremidade oposta da base da folha de vidro (ou material translúcido).

1.4.1 Detalhamento
A definição de abertura decorre da importância de identificar os materiais transparentes e
translúcidos na envoltória do edifício. As definições de PAFT e PAZ são complementares e
surgem da necessidade de quantificar a influencia das aberturas no comportamento
térmico do edifício. Esta influência, no caso especial das aberturas, está intimamente
ligada à irradiação solar. Por este motivo, não basta determinar e quantificar as aberturas;
torna-se necessário saber se e quanto as mesmas estão sombreadas.

Para quantificar o efeito dos sistemas de sombreamento nas aberturas, o RTQ apresenta
dois conceitos complementares: Ângulo Vertical de Sombreamento (AVS) e Ângulo
Horizontal de Sombreamento (AHS). Estes indicadores de sombreamento na abertura
são medidos, o primeiro em corte, e o segundo em planta. Assim, o AVS mede, no plano
vertical, o efeito das proteções solares horizontais enquanto o AHS mede no plano
horizontal o efeito das proteções solares verticais. A Tabela 1.1 sintetiza estas relações.

Tabela 1.2. Comparação entre AHS e AVS

Tipo de proteção
Indicador Plano de medição Visto
medida
AHS Plano horizontal Em planta Proteções verticais
AVS Plano vertical Em corte Proteções horizontais

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Os ângulos são sempre medidos entre os planos da folha de vidro e da aresta mais
distante pertencente à proteção solar. Para uso no RTQ, o ângulo máximo a ser utilizado
é 45º. Este limite visa evitar o uso de proteções excessivas que possam prejudicar a
penetração da luz natural difusa nos ambientes internos.

Seguem-se alguns exemplos de medições de AVS:

Figura 1.2. Ângulos Verticais de Sombreamento.

O AHS deve sempre ser considerado nos dois lados da abertura. Desta forma, o AHS de
uma abertura é a média do ângulo das duas proteções solares, como mostrado nas
figuras abaixo:

Figura 1.3. Ângulos Horizontais de Sombreamento.

Notar que o AVS deve ser medido em corte enquanto o AHS deve ser medido em planta
e nas duas direções (dependendo da orientação da fachada).

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É AVS É AHS
Se medido no plano vertical; Se medido no plano horizontal;
Se referente a proteções solares horizontais; Se referente a proteções solares verticais;

Refere-se a aberturas; Refere-se a aberturas;


Beirais; Proteções solares verticais e móveis que
Marquises; ocupam toda a fachada;

Proteções solares horizontais e móveis que Varandas externas no alinhamento do


ocupam toda a fachada; edifício.

Varandas externas no alinhamento do edifício.

No caso de proteções solares vazadas, deve-se proceder da seguinte forma:

• Pórticos ou chapas perfuradas paralelas ao plano envidraçado: são consideradas


fachadas e deve-se consultar o item de definições para PAF (Percentual de Área
de Abertura na Fachada).

• Proteções solares vazadas formadas por placas com aletas paralelas devem ter
estabelecidas uma relação entre a altura (para AVS) ou profundidade (para AHS)
da aleta e o vão entre destas aletas, conforme a Figura 1.4. A razão entre eles é
um fator de correção a ser multiplicado pelo AVS ou AHS. Fatores de correção
maiores que 1, adotar 1.

Figura 1.4. Fator de correção para proteção solar vazada.

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FATOR DE CORREÇÃO PARA PROTEÇÕES SOLARES VAZADAS

Proteções solares vazadas permitem uma maior entrada da radiação solar quando
comparada às outras proteções solares com mesmo ângulo de proteção; por este motivo
adota-se o fator de correção. Assim, um fator de correção igual a um representa uma
proteção solar vazada onde a parcela sombreada é a mesma que uma proteção solar não
vazada, de mesmo ângulo.

1.4.2 Exemplos

Figura 1.5. Proteção solar horizontal com Figura 1.6. Proteção solar horizontal com AVS
AVS de 45º. de 30º.

Figura 1.7. Proteção solar vertical com AHS Figura 1.8. Proteção solar horizontal com AVS
de 20º. de 45º e proteção solar vertical com AHS de
20º.

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Figura 1.9. Proteção solar horizontal com Figura 1.10. Proteção solar horizontal
AVS de 60º, em que se deve considerar 45º perfurada: Pérgola. Considerar fator de
para uso no método prescritivo. correção.

Figura 1.11. Varandas internas à projeção horizontal do edifício, à direita. E, varandas


externas à projeção do edifício, à esquerda. Neste caso, ainda existe o sombreamento de
um plano do edifício sobre o outro.

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ATENÇÃO NO CÁLCULO DOS ÂNGULOS DE SOMBREAMENTO

VARANDAS INTERNAS À PROJEÇÃO HORIZONTAL DO EDIFÍCIO

O sombreamento que elas proporcionam não deve ser considerado, visto que o cálculo
do PAF induz à redução da área envidraçada real. Ver PAF, neste capítulo de definições.

VARANDAS EXTERNAS À PROJEÇÃO HORIZONTAL DO EDIFÍCIO


Varandas localizadas na parte externa do alinhamento do edifício (fora da projeção
horizontal do edifício) são consideradas proteções solares, geralmente como AVS. Ver
Figura 1.11.

PROTEÇÕES SOLARES PARALELAS À FACHADA


Caso a proteção solar ocupe uma área paralela à fachada, esta é considerada fachada,
participando do cálculo do PAF, maiores detalhes em PAFT.

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1.5 ÁREA DE PROJEÇÃO DO EDIFÍCIO, ÁREA ÚTIL E ÁREA


TOTAL

Ape: Área de projeção do edifício (m2): área da projeção horizontal do edifício (quando os
edifícios são de formato uniforme) ou área de projeção média dos pavimentos, excluindo
subsolos (no caso de edifícios com formato irregular);
AU: Área Útil (m2): para uso neste regulamento, a área útil é a área realmente disponível
para ocupação, medida entre os paramentos internos das paredes que delimitam o
ambiente, excluindo garagens;
Atot: Área total de piso (m2): soma das áreas de piso fechadas de construção, medidas
externamente.

1.5.1 Detalhamento
Estes são diferentes conceitos sobre a área do edifício, utilizados em diferentes
momentos na classificação do nível de eficiência do edifício.

A área total de piso do edifício é utilizada no cálculo do Fator Altura, e considera a área
de piso de todos os pavimentos, medida externamente.

A área útil do edifício é utilizada na equação geral de classificação do edifício. Refere-se


a toda área do edifício possível de ser ocupada, sendo ambientes de longa permanência
ou áreas de transição, como circulações e escadas; no entanto as áreas de garagem não
são consideradas. Ao contrário da área total de piso, a área útil utiliza as medidas
internas do edifício, desconsiderando as áreas de parede e referem-se aos locais que
atendem a definição de ambiente.

A área de projeção do edifício refere-se à área de projeção horizontal deste edifício. A


área a ser utilizada será sempre a da projeção do edifício, independente se possuir
diferentes alturas ou se a planta tiver forma irregular.

1.5.2 Exemplo
A Figura 1.12 mostra a volumetria de um edifício. A partir desta figura tem-se que:

 = 108 ²

 = ú     + ú     + ⋯ + ú     = 3 × 101,79 = 305,37 ²

  =    +    + ⋯ +    = 3 × 108 = 324 ²

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Método Prescritivo

Planta de Cobertura

Figura 1.12. Volumetria e planta de cobertura com dimensões para determinação de: Ape, AU
e Atot.

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Método Prescritivo

1.6 CAPACIDADE TÉRMICA

Capacidade térmica (C): Quantidade de calor necessária para variar em uma unidade a
temperatura de um sistema, [J/K].
Capacidade térmica de componentes (CT): Quociente da capacidade térmica de um
componente pela sua área, [J/m2 K].

Fonte: NBR 15220-1 (ABNT, 2005)

1.6.1 Detalhamento
A capacidade térmica de componentes (CT) pode ser determinada por componentes
formados por camadas homogêneas perpendiculares ao fluxo de calor, de acordo com a
Equação 1.1. Para componentes com camadas não homogêneas, utiliza-se a Equação
1.2.
* *

C " = # λ% . R % . c % . ρ % . = # e% . c % . ρ % . Equação 1.1


%+, %+,

Onde:
CT é a capacidade térmica de componentes, [J/m²K];
λi é a condutividade térmica do matéria da camada ‘i’, [W/(m.K)];
Ri é a resistência térmica da camada ‘i’, [(m2.K)/W];
ei é a espessura da camada ‘i’, [m];
ci é o calor específico do material da camada ‘i’, [kJ/(kg.K)];
ρi é a densidade de massa aparente do material da camada ‘i’, [kg/m³].

01 + 02 + ⋯ + 03
./ =
01 02 03 Equação 1.2
./1 + ./2 + ⋯ + ./3

Onde:
CTa, CTb, ..., CTn, são as capacidades térmicas do componente para cada seção (a, b, …,
n), determinadas pela Equação 1.1, [J/m²K];
Aa, Ab, ..., An são as áreas de cada seção, [m²].

1.6.2 Exercícios
O exercício a seguir faz parte da NBR15220-2, anexo C, onde pode-se encontrar outros
exemplos de cálculo.

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Método Prescritivo

1.6.2.1 Exercício C.1 - NBR15220-2, anexo C:

Calcular a capacidade térmica de uma parede de tijolos maciços rebocados em ambas as


faces, conforme a Figura 1.13.

Dados:
Dimensões do tijolo: 5 cmx 9 cm x 19 cm;

ρcerâmica: 1600 kg/m3;

λcerâmica: 0,90 w/(m.k);

Ccerâmica: 0,92 kj/(kg.k);

ρargamassa = ρreboco: 2000 kg/m3;

λargamassa = λreboco: 1,15 w/(m.k);

Cargamassa = Creboco: 1,00 kJ/(kg.K).

Figura 1.13. Parede de tijolos maciços rebocados em ambas as faces

Cálculo de todas as seções da parede:

a. Seção A (reboco +argamassa +reboco)

04 = 0,01 × 0,19 + 0,01 × 0,06 = 0,0025 6


<

.74 = # 89 . :9 . ;9 . = =8. :. ;>?@ABCB + =8. :. ;>4?D4E4FF4 + =8. :. ;>?@ABCB = 260GH/= 6J>


9+,

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Método Prescritivo

b. Seção B (reboco +tijolo +reboco)

0A = 0,05 × 0,19 = 0,0095 6


<

.7A = # 89 . :9 . ;9 . = =8. :. ;>?@ABCB + =8. :. ;>C@?âE9C4 + =8. :. ;>?@ABCB = 212GH/= 6 J>


9+,

Cálculo da capacidade térmica da parede:

01 + 02
./ = = 220kJ/m6 K
01 02
./1 + ./2

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Método Prescritivo

1.7 CICLO ECONOMIZADOR

Edifícios comerciais podem necessitar resfriamento mesmo quando o ambiente externo


está frio ou com temperaturas amenas, decorrente das altas cargas internas. Nestas
ocasiões o uso do ciclo economizador reduz o consumo de energia.

O economizador é um equipamento de controle da entrada de ar externo para utilização


no sistema de condicionamento do ar. Ele compara constantemente os valores de
temperatura interna e tempera externa. Nos momentos em que o ambiente externo
apresentar melhores condições que o ambiente interno, onde a temperatura externa é
menor que a interna, o controle abrirá o damper de ar externo, exaustão, aumentando a
entrada do ar externa. Quando esta característica não é atendida, o damper é fechado,
proporcionando apenas a entrada de ar mínima necessária para manter a qualidade do ar
interno. Este processo também pode ocorrer através da comparação entre as entalpias.

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1.8 COBERTURAS NÃO APARENTES

Coberturas não aparentes: coberturas sem possibilidade de visualização por pedestres


situados na calçada do logradouro do edifício. No caso do edifício ter acesso a mais de
uma rua ou avenida, deve-se considerar o logradouro principal.

1.8.1 Exemplo

Figura 1.14. Cobertura não aparente vista de dois logradouros de uma edificação. Mesmo
com a cobertura visível do logradouro secundário, somente o logradouro principal deve ser
o considerado.

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Método Prescritivo

1.9 DENSIDADES DE POTÊNCIA DE ILUMINAÇÃO

DPIA: Densidade de Potência de Iluminação Absoluta (W/m2): razão entre o somatório da


potência de lâmpadas e reatores e a área de um ambiente;
DPIR: Densidade de Potência de Iluminação Relativa [(W/m2)/100lux]: DPIA para cada 100
lx produzidos pelo sistema de iluminação artificial para uma iluminância medida no plano
de trabalho;
DPIRF: Densidade de Potência de Iluminação Relativa Final [(W/m2)/100lux]: DPIR obtida
após o projeto luminotécnico, no final da vida útil do sistema de iluminação, que
corresponde a um período de 24 meses;
DPIRL: Densidade de Potência de Iluminação Relativa Limite [(W/m2)/100lux]: limite
máximo aceitável de DPIR.

1.9.1 Detalhamento
O método de determinação do nível de eficiência do sistema de iluminação é baseado na
Densidade de Potência de Iluminação. Esta se refere à potência instalada nos ambientes
internos exclusivamente e, portanto, está relacionada à definição de ambientes.

A Densidade de Potência de Iluminação é a mais conhecida, sendo usada em outras


normas e regulamentos internacionais. No RTQ, foi chamada de Densidade de Potência
de Iluminação Absoluta (DPIA) para diferenciá-la das demais densidades. Seu uso está
diretamente relacionado ao nível de iluminância necessário nos planos de trabalho, ou
seja, é necessário identificar qual a atividade a ser executada em cada ambiente
(escritórios, banheiros, área de refeição de restaurantes, cozinhas de restaurantes, etc.)
para identificar qual é a densidade considerada eficiente. No Brasil existe a NBR 5413 –
Iluminância de Interiores, que define os níveis de iluminância para ambientes internos. O
RTQ utiliza a Densidade de Potência de Iluminação Relativa (DPIR), que é a DPIA para
cada 100 lx de iluminância média existente no ambiente; desta forma, desvincula a
eficiência das necessidades de iluminância dos ambientes, visto que esta obrigatoriedade
já está presente na norma ABNT, NBR 5413.

Além disso, a DPIR normaliza a DPIA pela iluminância, possibilitando a avaliação do nível
de eficiência energética entre ambientes de diferentes atividades. O exemplo a seguir
demonstra a comparação entre ambientes, utilizando a DPIR. Este método de análise foi
utilizado para gerar limites de DPIR, chamados DPIRL que são comparados a DPIRF
calculados pelo projetista.

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Método Prescritivo

1.9.2 Exemplo
Considere três ambientes com níveis adequados de iluminâncias, cujas características
estão descritas na Tabela 1.2. Dadas as potências dos seus sistemas de iluminação, não
é possível saber qual é mais eficiente visto que os ambientes têm áreas distintas.

A partir da DPIA, que considera a potência e a área, ainda não é possível saber qual
sistema é mais eficiente, visto que geram iluminâncias distintas. Aparentemente, o
sistema mais eficiente é do ambiente C, de 2,4 W/m². Ao normalizar a DPIA, dividindo-a
pela iluminância de cada ambiente, obtém-se a DPIR. Finalmente, verifica-se que o
ambiente B possui o sistema de iluminação mais eficiente, pois atende a um nível padrão
de iluminância (100 lx) com menor potência, que é a DPIR de 0,53 W/m²/100 lx.

Tabela 1.3. Características de três sistemas de iluminação com adequados níveis de


iluminância nos planos de trabalho.

Área Potência instalada Iluminância DPIA DPIR


Ambiente
(m²) de iluminação (W) (lx) (W/m²) (W/m²/100 lx)

A 30 120 300 4,0 1,33

B 60 160 500 2,7 0,53

C 90 220 400 2,4 0,61

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Método Prescritivo

1.10 EDIFÍCIOS COMERCIAIS OU DE SERVIÇOS

Edifícios Comerciais e de Serviços: aqueles usados com finalidade que não a residencial
ou industrial, tais como escolas; instituições ou associações de diversos tipos, incluindo
prática de esportes; tratamento de saúde de animais ou humanos, tais como hospitais,
postos de saúde e clínicas; vendas de mercadorias em geral; prestação de serviços;
bancos; diversão; preparação e venda de alimentos; escritórios e edifícios empresariais,
incluindo sedes de empresas ou indústrias, desde que não haja a atividade de produção
nesta última; edifícios destinados a hospedagem, sejam eles hotéis, motéis, resorts,
pousadas ou similares. Excetuam-se templos religiosos destinados a cultos, mas estão
incluídas edificações com fins religiosos onde são realizadas atividades de escritório,
administração e afins. As atividades listadas nesta definição não excluem outras não
listadas.

1.10.1 DETALHAMENTO
O RTQ não apresenta uma definição exaustiva de edifício comercial, afirmando que os
edifícios comerciais não se limitam aos exemplos contidos na definição. Uma definição
prescritiva implicaria na exclusão de diversos edifícios que devem ser objeto da aplicação
do RTQ.

Por este motivo, o RTQ define edifício comercial e de serviços por exclusão: o que não
são edifícios residenciais ou industriais. Partindo desta premissa, vários exemplos de
edifícios considerados comerciais são apresentados, analisando para qual a atividade o
edifício é concebido.

Como a definição de edifícios comerciais, de serviços e públicos é por exclusão, escolas,


hospitais e edifícios contendo outras atividades institucionais estão abrangidos pelo RTQ.
No caso de edifícios de atividade mista, a definição do tipo de edifício deve ser realizada
determinando o uso principal, cuja área deve ser superior a 500m². Caso as atividades
sejam claramente separadas, é possível considerar a parte comercial do edifício e
classificar a eficiência somente da área comercial.

1.10.2 Exercícios

1.10.2.1 Exercício 1

Uma fábrica de sofás faz também venda direta ao público dos seus produtos nas suas
instalações. Esta fábrica deve ser considerada um edifício comercial?

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Método Prescritivo

Resposta: O uso da fábrica é industrial: a produção de sofás. Caso a área de vendas


seja superior a 500 m², esta parcela é considerada comercial. Caso a área de vendas
esteja em um anexo ou edifício em separado com área superior a 500 m2, este anexo é
considerado um edifício comercial. Da mesma forma, se existir um escritório na fábrica
com área superior a 500 m2 este escritório é um edifício comercial.

1.10.2.2 Exercício 2

Uma ONG ocupa um edifício com mais de 500 m² de área útil. Este edifício é comercial?

Resposta: Sim. Ele pode ser considerado um edifício de escritórios, e portanto comercial
ou de prestação de serviços.

1.10.2.3 Exercício 3

Um banco ocupa um edifício com mais de 500 m² de área útil. Este edifício é comercial?

Resposta: Ele pode ser considerado um edifício de prestação de serviços e, portanto,


está submetido ao RTQ.

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Método Prescritivo

1.11 ENVOLTÓRIA

Env: Envoltória: planos externos da edificação, compostos por fachadas, empenas,


cobertura, brises, marquises, aberturas, assim como quaisquer elementos que os
compõem.

1.11.1 Detalhamento
A envoltória pode ser entendida como a pele do edifício. Isto é, o conjunto de elementos
do edifício que estão em contato com o meio exterior e compõem os fechamentos dos
ambientes internos em relação ao ambiente externo. Meio externo, para a definição de
envoltória, exclui a parcela construída do subsolo do edifício, referindo-se exclusivamente
as partes construídas acima do solo.

Em geral, piso em contato com o solo e paredes em contato com o solo no caso de
ambientes no subsolo (garagens e depósitos, por exemplo) são considerados parte da
envoltória. Entretanto, devem ser excluídas da área da envoltória (Aenv) superfícies em
contato com o solo. No caso da Figura 1.16 apenas uma parte do subsolo é considerada
como envoltória, uma vez que não está em contato com o solo. Esta, por coincidência, é
uma superfície envidraçada.

Esta definição independe de material ou função no edifício. Qualquer tipo de elemento


acima do solo, que pertença ao edifício e que permaneça em contato prolongado com o
exterior, pertence à envoltória.

1.11.2 Exemplos

Figura 1.15 Partes do edifício que compõem a envoltória. O piso pode ser considerado
envoltória quando está em contato com o meio exterior. No RTQ, o contato com o piso não
é computado na área da envoltória.

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Método Prescritivo

Figura 1.16. Subsolo com algumas paredes em contato com o solo. As paredes do subsolo
que estão em contato com o ar são consideradas como parte da envoltória.

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1.12 FACHADA E ORIENTAÇÃO

Fachada: superfícies externas verticais ou com inclinação superior a 60o em relação à


horizontal. Inclui as superfícies opacas, translúcidas, transparentes e vazadas, como
cobogós e vãos de entrada.
Fachada oeste: fachada cuja normal à superfície está voltada para a direção de 270º em
sentido horário a partir do norte geográfico. Fachadas cuja orientação variar de +45º ou -
45º em relação a essa orientação serão consideradas como fachadas oeste para uso
neste regulamento.

1.12.1 Detalhamento
Fachadas são compostas de elementos como paredes, aberturas, vãos sem
fechamentos, proteções solares e quaisquer outros elementos conectados fisicamente a
elas.

Deve-se diferenciar fachadas de paredes externas. Estas últimas referem-se a elementos


opacos, e são citadas ao longo do texto quando aberturas e outros elementos da fachada
não estão incluídos na citação; são usadas principalmente no cálculo da transmitância
térmica e absortância (assim como as coberturas). Já as fachadas referem-se ao
Percentual de Área de Aberturas nas Fachadas (PAF) e são parte da envoltória para
cálculo de Fator de Forma.

A orientação das fachadas influenciam na eficiência da envoltória. Por este motivo é


necessário definir a orientação de cada fachada. Esta determinação é feita através da
implantação de um edifício dentro de um quadrante definido da seguinte forma:

I. De 0 a 45,0° e de 315,1° a 360,0° a orientação g eográfica é Norte;

II. De 45,10° a 135,0° , a orientação geográfica é Leste;

III. De 135,10° a 225,0° , a orientação geográfica é Sul;

IV. De 225,10° a 315,0° , a orientação geográfica é Oeste;

A Figura 1.17 apresenta a rosa dos ventos com os quadrantes. Convém realçar que o
regulamento indica expressamente o uso do norte geográfico e não do norte magnético.

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Método Prescritivo

Figura 1.17. Quadrantes para definição da orientação de fachada.

O exemplo é mostrado na Figura 1.18. Nela, é possível ver a implantação da planta de


um edifício retangular, com a marcação do norte geográfico e de retas perpendiculares
aos planos de fachada. As imagens sobrepostas permitem o posicionamento de cada reta
perpendicular à sua fachada, mostrando a que orientação cada fachada está direcionada.

Figura 1.18. Sobreposição da edificação sobre a rosa dos ventos para definição
da orientação de fachadas. Ver projeção da reta perpendicular à fachada leste
identificando sua orientação.

1.12.2 Exemplo
A Figura 1.19 mostra um exemplo para a determinação da orientação de fachadas. As
fachadas 1 a 8 estão marcadas em perspectiva e em planta. A planta é utilizada para
definir a orientação das fachadas 1 e 8. A partir da sobreposição da planta tem-se que a
fachada 1 possui orientação leste, e a fachada 8 com orientação sul.

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Figura 1.19. Fachadas de edifício marcadas em perspectiva e em planta.

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1.13 FATOR ALTURA E FATOR DE FORMA

FA: Fator Altura: razão entre a área de projeção do edifício e a área de piso (Ape/Atot);
FF: Fator de Forma: razão entre a área da envoltória e o volume do edifício (Aenv/Vtot).

1.13.1 Detalhamento
O Indicador de Consumo (IC) é calculado especificadamente para cada edifício
analisado. Para tanto, são utilizados índices que representam a volumetria do edifício e
possibilitam avaliar de forma comparativa a eficiência da envoltória dos edifícios. Desta
forma, o Fator Altura representa o número de pavimentos, enquanto o Fator de Forma
representa as proporções do edifício. A equação do IC apresenta limites para o FF,
edifícios com valores diferentes dos limites estipulados deverão usar o FF limite da
equação.

100x50m
25x25m FA: 1
FF: 0,06
FA: 1
FF: 0,16

FA: 0,1
FF: 0,16 FA: 0,1
FF: 0,06

Figura 1.20. Fator Altura e Fator de Forma.

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1.14 FATOR SOLAR

FS: Fator Solar: razão entre o ganho de calor que entra num ambiente através de uma
abertura e a radiação solar incidente nesta mesma abertura. Inclui o calor radiante
transmitido pelo vidro e a radiação solar absorvida, que é re-irradiada ou transmitida, por
condução ou convecção, ao ambiente. O fator solar considerado será relativo a uma
incidência de radiação solar ortogonal à abertura. A ISO 15099: 2003 e a ISO 9050: 2003
apresentam procedimentos de cálculos normalizados para o FS e outros índices de
desempenho energético de vidros e janelas com panos envidraçados simples ou múltiplos
e também algumas tipologias de proteções solares internas (ex. venezianas). A NFRC
201:2004 apresenta procedimentos e especificações técnicas normalizadas para
aplicação de um método calorimétrico de medição de ganho de calor solar em janelas.

1.14.1 Detalhamento
Segundo a NBR 15220 -2 (ABNT, 2005) o fator solar de elementos transparentes ou
translúcidos pode ser calculado através da Equação 1.3.

PQ/ = U × α × R TU + τ Equação 1.3

Onde:
FST é o fator solar de elementos transparentes ou translúcidos, [J/m²K];
U é a transmitância térmica do componente, [W/(m2.K)];
α é a absortância à radiação solar;
Rse é a resistência superficial externa, [(m2.K)/W];
τ é a transmitância à radiação solar.

Para se obter o FS através desta equação é necessário que se tenha todos os dados
medidos. A forma mais comum de obtê-lo é através de catálogos de fabricantes. Eles
normalmente são representados em porcentagem, mas para o RTQ deve-se adotar o
número fracionário.

1.14.1.1 Exercício

Determinar o Fator solar de um vidro de 4 mm, cujas propriedades estão descritas na


Tabela 1.4.

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Tabela 1.4. Propriedades do vidro – específico para o exemplo acima.

Propriedades do vidro
2
Transmitância térmica 5,8 W/(m .K)
Transmitância a radiação solar 28%
Absortância solar 54%
2
Resistência superficial externa 0,04 (m .K)/W

Assim:

PQ/ = 5,8 × 0.2 × 0.04 + 0,28 = W, XW

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1.15 INDICADOR DE CONSUMO

ICenv: Indicador de Consumo da envoltória.

1.15.1 Detalhamento
O Indicador de Consumo é um parâmetro para avaliação comparativa da eficiência da
envoltória. As equações que determinam o IC foram geradas através de resultados de
consumo de energia simulados no programa computacional EnergyPlus para diversas
tipologias construtivas de edificações comerciais brasileiras. São equações de regressão
multivariada específicas para as zonas bioclimáticas brasileiras. O Indicador de Consumo
não pode ser considerado como consumo de energia da edificação, pois este é
significativamente dependente de parâmetros não incluídos nas equações, como cargas
internas e tipo e eficiência do sistema de condicionamento de ar. Assim, deve ser
considerado apenas um indicador para comparação entre edificações cuja volumetria é
idêntica (Fator de Forma e Fator Altura), de forma que represente as variações de
eficiência decorrentes somente da envoltória.

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1.16 PAFT E PAZ

PAFT: Percentual de Área de Abertura na Fachada total (%): É calculado pela razão da
soma das áreas de abertura de cada fachada pela área total de fachada da edificação.
Refere-se exclusivamente a aberturas em paredes verticais com inclinação superior a 60°
em relação ao plano horizontal, tais como janelas tradicionais, portas de vidro ou sheds,
mesmo sendo estes últimos localizados na cobertura. Exclui área externa de caixa d’água
no cômputo da área de fachada, mas inclui a área da caixa de escada até o ponto mais
alto da cobertura (cumeeira).

PAZ: Percentual de Abertura Zenital (%): Percentual de área de abertura zenital na


cobertura. Refere-se exclusivamente a aberturas em superfícies com inclinação inferior a
60º em relação ao plano horizontal. Deve-se calcular a projeção horizontal da abertura.
Acima desta inclinação, ver PAFT.

1.16.1 Detalhamento
PAFT e PAZ são definições interligadas que medem o mesmo conceito – abertura -
abordado anteriormente, em duas superfícies diferentes: fachadas e coberturas. PAFT e
PAZ transformam em números o conceito qualitativo de abertura, para posteriormente ser
usado em cálculo.

Qualquer superfície de um edifício acima do solo, que tenha aberturas, terá


obrigatoriamente um PAZ ou PAFT. Para diferenciar estes percentuais, deve-se
diferenciar coberturas de fachadas. O RTQ define coberturas como superfícies que
formam um ângulo inferior a 60°C ao plano horizonta l. Superfícies que apresentam
ângulos iguais ou superiores a este, são fachadas. Esta distinção está relacionada ao
ângulo de incidência da radiação solar nas aberturas da edificação, ilustrada na

Figura 1.21.

O cálculo do PAZ e PAFT deve excluir as áreas das esquadrias. PAZ e PAFT referem-se
às partes com materiais transparentes ou translúcidos, exceto no caso de juntas entre
folhas de vidro (borracha, selantes ou similares). Deve-se assim descontar a área de
esquadrias da área do vão da fachada ou da cobertura.

Convém salientar que as áreas de abertura são calculadas de modos diferentes para PAZ
e PAFT. No caso do PAFT a área da abertura é calculada em vista, enquanto para o PAZ
utiliza-se a projeção horizontal da área da abertura. Como pode-se verificar na

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Método Prescritivo

Figura 1.22, as duas aberturas possuem dimensões em corte diferentes, mas a projeção
é igual para os dois casos. Resumindo, para o cálculo de PAZ, utiliza-se a projeção
horizontal da abertura, enquanto no cálculo de PAFT, utilizam-se as medidas da abertura.

90º 60º 0º
A B C

Figura 1.21. Diferença entre PAFT e PAZ. Abertura com ângulos entre A e B, são
consideradas no PAFT. Aberturas com ângulos entre B e C, são consideradas no PAZ.

Abertura A

Abertura B

Projeção de A e B

Figura 1.22. PAZ contabilizado através da projeção horizontal. Aberturas com dimensões
diferentes podem ter a mesma projeção.

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PAFT PAZ
Janelas de vidro; Janelas de vidro;
Paredes de vidro; Paredes de vidro;
Paredes de tijolo de vidro; Paredes de tijolo de vidro;

Vão fechado com placas de policarbonato ou Vão fechado com placas de policarbonato ou
acrílico; acrílico;
Sheds; Sheds;
Mansardas; Mansardas;
Ângulo com o plano horizontal: igual ou Ângulo com o plano horizontal: inferior a
superior a 60°. 60°.

1.16.2 Cálculo de PAFT e PAZ


Para cálculo de PAZ e PAFT, deve-se determinar as áreas de materiais transparentes ou
translúcidos de cada abertura, excluindo os materiais opacos das esquadrias. O
procedimento é:

• Determinar as áreas de todas as aberturas: das fachadas, para PAFT, e das


coberturas, para PAZ;

• Somar todas as áreas das aberturas das fachadas e as áreas das projeções
horizontais das aberturas das coberturas;

• Dividir o somatório das aberturas presentes nas fachadas pela área total de
fachadas (PAFT), e o somatório das aberturas presentes na cobertura pela área
total das coberturas, em projeção, (PAZ). As áreas totais das coberturas ou plano
das fachadas incluem a área das próprias aberturas. Segundo o RTQ, o cálculo
do PAFT deve ser realizado determinando o PAF parcial da(s) fachada(s) oeste e o
PAFT de todas as fachadas. O PAFO (Percentual de Área de Abertura das
fachadas oeste) deve ser único, calculado para todas as fachadas oeste. Caso o
PAF parcial da(s) fachada(s) oeste seja superior ao PAFT (todas as fachadas do
edifício incluindo a(s) fachada(s) oeste) em 20% ou mais, deve-se adotar o PAFO
onde houver PAFT nas equações do item envoltória.

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ATENÇÃO NO CÁLCULO DO
D PAF

PÓRTICOS
Pórticos à frente de grandes aberturas fechadas por planos de vidro são considerados
fachadas (parte opaca + vão) quando:

• estes estão conectados fisicamente ao edifício e

• a sua distância ao plano de vidro não ultrapassa a altura do vão (d ≤ h). Quando
esta condição não for verdadeira, e houver uma proteção horizontal entre a
fachada e o pórtico, o mesmo será considerado como fachada, conforme a Figura
1.23.

A abertura a ser contabilizada no PAF é a parcela de vidro vista ortogonalmente através


do pórtico, descontando as esquadrias. Não há proteção solar a ser contabilizada como
AVS e AHS.
Esta regra também vale para placas perfuradas que ocupam toda a fachada à frente de
aberturas ou planos de vidro,
vidro brises fixos de aletas ou similares.
Obs.: este tipo de superfície não precisa atender a exigência de transmitância térmica,
exceto a parcela opaca atrás do pórtico, quando houver. Ver pré-requisitos
pré requisitos específicos da
envoltória.

Figura 1.23.. Relação entre distância e altura do vão para pórticos e brises paralelos à
fachada.

43
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Método Prescritivo

ATENÇÃO NO CÁLCULO DO
D PAF (continuação
continuação)

PROTEÇÕES SOLARES (BRISES) PARALELOS À FACHADA

Proteções fixas devem seguir o descrito para pórticos.



Proteções móveis à frente de planos de vidro ou aberturas são considerados fachadas
quando:

• estes estão conectados fisicamente ao edifício e

• a sua distância ao plano de vidro não ultrapassa a altura do vão entre as aletas,
para proteções horizontais,
horizontais, e a largura do vão entre as aletas, para proteções
verticais.

A abertura a ser contabilizada no PAF é a parcela de vão envidraçado vista


ortogonalmente através das aletas em sua abertura máxima, conforme a Figura 1.24. As
esquadrias vistas nesta condição devem ser descontadas.

Figura 1.24.. Parcela da abertura a ser contabilizada para o cálculo do PAF.

VARANDAS INTERNAS À PROJEÇÃO HORIZONTAL DO EDIFÍCIO

As portas
tas ou janelas voltadas para a área externa através de varandas internas à
projeção do edifício podem ser contabilizadas para PAF desde que a profundidade desta
varanda não ultrapasse 2 vezes a altura do vão (considerar o piso até o forro ou teto).
Entretanto,
nto, somente a parte vista ortogonalmente em fachada
fachada deve ser considerada para
o cálculo do PAF, descontando as esquadrias. Como este fator reduz a área de vidro
contabilizada no PAF, o sombreamento causado por esta varanda não deve ser
considerado. Ver Ângulos
gulos de Sombreamento neste capítulo de definições.

VARANDAS EXTERNAS À PROJEÇÃO HORIZONTAL DO EDIFÍCIO


Varandas localizadas na parte externa do alinhamento do edifício (fora da projeção
horizontal do edifício) são consideradas proteções solares. Ver Âng
Ângulos de
Sombreamento.

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Método Prescritivo

1.16.3 Exemplos

Figura 1.25. Mansarda contabilizada no PAFT.

Figura 1.26. Clarabóia contabilizada no PAZ.

Figura 1.27. Clarabóia contabilizada no PAZ: embora a área de vidro seja maior, deve-se
considerar a área da projeção horizontal da abertura.

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Método Prescritivo

Áreas envidraçadas que


não fazem parte do
cálculo do PAF.

Figura 1.28. Superfícies opacas atrás de vidros não são contabilizadas no PAF,
como as lajes dos três pavimentos marcadas em vermelho.

46
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Método Prescritivo

1.17 PAREDES EXTERNAS

Paredes externas: superfícies opacas que delimitam o interior do exterior da edificação;


esta definição exclui as aberturas.

1.17.1 Detalhamento
Esta definição visa diferenciar as paredes externas das fachadas. Como visto, paredes
externas são as superfícies opacas, compostas de tijolos, blocos, painéis ou similar,
enquanto as fachadas contêm as paredes e ainda incluem outros componentes como
aberturas, proteções solares, cobogós e vãos sem fechamentos.

Ao longo do texto do RTQ, há diversas citações de paredes ou fachadas, que


apresentam objetivos distintos. O cálculo de transmitância térmica refere-se a
componentes opacos, assim, cita-se transmitância térmica das paredes externas. Em
contraste, o cálculo do PAF refere-se a fachadas, pois inclui aberturas e componentes
vazados.

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1.18 RELAÇÃO CUSTO-BENEFÍCIO

A Relação Custo-Benefício (RCB) é um indicador que relaciona os benefícios de um


projeto e os seus custos, sempre em valores monetários.

Como o RTQ se refere a projetos que tratam de eficiência energética, os benefícios


devem ser considerados a soma da energia conservada. O Manual do Programa de
Eficiência Energética de 2008, da ANEEL, define uma relação custo-benefício de 0,80
para projetos de eficiência energética. Esta relação pode ser calculada através da
Equação 1.6.

=./ × PY.>
Y.Z =
=[[ × .[>
Equação 1.4

Onde:
RCB é a relação custo-benefício;
CT é o custo apropriado do projeto [R$];
FRC é o fator de recuperação de capital;
EE é a energia elétrica conservada [MWh/ano];
CE é o custo evitado de energia [R$/MWh].

O cálculo do FRC é dado a partir da Equação 1.5

\=1 + \>]
PY. =
=1 + \>] − 1
Equação 1.5

Onde:
FRC é o fator de recuperação de capital;
i é a taxa de juros ao ano;
n é a vida útil do equipamento.

48
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1.19 TRANSMITÂNCIA TÉRMICA

Transmitância térmica (W/(m²K)): transmissão de calor em unidade de tempo e através de


uma área unitária de um elemento ou componente construtivo, neste caso, de
componentes opacos das fachadas (paredes externas) ou coberturas, incluindo as
resistências superficiais interna e externa, induzida pela diferença de temperatura entre
dois ambientes. A transmitância térmica deve ser calculada utilizando o método de cálculo
da NBR 15220-2 (ABNT, 2005) ou determinada pelo método da caixa quente protegida da
NBR 6488 (ABNT, 1980).

1.19.1 Detalhamento
De acordo com a NBR 15220-2 (ABNT, 2005) a transmitância térmica de componentes é
o inverso da resistência térmica total, conforme a Equação 1.6.

1
_7 =
Y7
Equação 1.6

Onde:
UT é a transmitância térmica de componentes, [W/m²K];
RT é a resistência térmica de componentes, [(m2.K)/W].

1.19.2 Exercícios
O exercício a seguir faz parte da NBR15220-2, anexo C, onde se encontram outros
exemplos de cálculo.

1.19.2.1 Exercício C.1 - NBR15220-2, anexo C:

Calcular a transmitância térmica de uma parede de tijolos maciços rebocados em ambas


as faces, conforme a Figura 1.13.

Dados:

RTse: 0,1296 (m2.K)/W

Assim:
1 1
_/ = = = `, `Xa/ b
Y/ 0,1296

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1.20 ZONA BIOCLIMÁTICA

Zona Bioclimática: região geográfica homogênea quanto aos elementos climáticos que
interferem nas relações entre ambiente construído e conforto humano.

1.20.1 Detalhamento
A Zona Bioclimática tem por objetivo determinar as estratégias que um edifício deve
seguir para obter o conforto térmico dos seus ocupantes. Desta forma, uma Zona
Bioclimática é o resultado geográfico do cruzamento de três tipos diferentes de dados:
zonas de conforto térmico humano, dados objetivos climáticos e estratégias de projeto e
construção para atingir o conforto térmico.

Há 8 zonas bioclimáticas no Brasil, definidas segundo dados climáticos (de temperatura e


umidade) para a determinação de estratégias de projeto necessárias para atingir o
conforto térmico de moradias de interesse social. Além do método de definição do
zoneamento pelas normais climatologias brasileiras, a norma “NBR 15.220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro” apresenta a lista de 330 cidades brasileiras
pertencentes à sua Zona Bioclimática, disponível também no anexo deste manual. Além
destas, outras cidades tiveram suas zonas definidas por interpolação e estão disponíveis
em www.labeee.ufsc.br. A Figura 1.29 apresenta um mapa com o zoneamento
bioclimático brasileiro.

Determinadas as estratégias adequadas para cada cidade ou localidade geográfica, as


mesmas são agrupadas por uso de estratégias comuns criando assim uma Zona
Bioclimática.

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Figura 1.29. Zoneamento bioclimático brasileiro (fonte: NBR 15.220-3).

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1.21 ZONA DE CONFORTO

Zona de Conforto: zona onde existe satisfação psicofisiológica de um indivíduo com as


condições térmicas do ambiente. Para especificar a hipótese de conforto adotada, utilizar
uma das seguintes normas: ASHRAE Standard 55/2004 ou ISO 7730/2005.

1.21.1 Detalhamento
Segundo a ASHRAE 55-2004, conforto térmico é a condição da mente que expressa
satisfação com o ambiente térmico. Esta satisfação, no entanto, depende de pessoa para
pessoa, o que dificulta a determinação de parâmetros que definam estas condições.
Algumas normas, como a ISO 7730/2005, ASHRAE 55-2004 e EN 15251, estabelecem
parâmetros que procuram avaliar esta situação.

A ISO 7730/2005, determina, através do modelo do Fanger, o cálculo do PMV, Voto


Médio Estimado, índice que prevê o valor médio do voto de um grupo de pessoas para as
condições do ambiente, de acordo com a escala mostrada na Tabela 1.5. O cálculo do
PMV é realizado a partir das seguintes variáveis: atividade metabólica, roupas,
temperatura do ar, temperatura radiante média, velocidade relativa do ar e pressão
parcial do vapor de água. A Equação 1.7 mostra o cálculo do PMV.

Tabela 1.5. Escala de determinação das sensações térmicas

Sensação Térmica
+3 Muito quente
+2 Quente
+1 Levemente quente
0 Neutro
-1 Levemente frio
-2 Frio
-3 Muito frio

PMV = =0,303efg,g<hi + 0,028>j=M − W> − 3,05 × 10f< × l5733 − 6,99=M − W> − pn o − 0,42
× l=M − W> − 58,15o − 1,7 × 10fp M=5867 − pn > − 0,0014M=34 − t n >
Equação 1.7

− 3,96 × 10fr sCt × l=uCt + 273>v − =uw? + 273>v o − sCt ℎC =t yz − t n >{

Onde:
1,00 + 1,290}Ct ~11 }Ct ≤ 0,078 ²℃/‚ „
sCt = |
1,05 + 0,645}Ct ~11 }Ct > 0,078 ²℃/‚
Equação 1.8

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Método Prescritivo

2,38=uCt −u4 >g,6p ~11 2,38=uCt −u4 >g,6p > 12,1†‡4?


ℎC = … „
12,1†‡4? ~11 2,38=uCt −u4 >g,6p < 12,1†‡4?
Equação 1.9

uCt = 35,7 − 0,028=‰ − ‚> − }Ct j3,96 × 10fr sCt × l=uCt + 273>v − =uw? + 273>v o − sCt ℎC =t yz − t n >{ Equação 1.10

PMV é o voto médio estimado, ou sensação de conforto;


M é a taxa metabólica, [W/m2];
W é o trabalho mecânico, nulo para a maioria das atividades, [W/m2];
Icl é a resistência térmica das roupas, [m2ºC/W];
fcl é a razão entre a área superficial do corpo vestido, pela área do corpo nu, ver Equação
1.8;
ta é a temperatura do ar, [ºC];
tr é a temperatura radiante média, [ºC];
var é a velocidade relativa do ar, [m/s];
pa é a pressão parcial do vapor de água [Pa];
hc é o coeficiente de transferência de calor por convecção, [W/m² ºC], ver Equação 1.9;
tcl é a temperatura superficial das roupas, [ºC], ver Equação 1.10.

Esta norma também determina o cálculo do PPD, Porcentagem de Pessoas Insatisfeitas.


As pessoas sentem e reagem de forma diferente as mesmas condições do ambiente. A
Figura 1.30 mostra o número de pessoas insatisfeitas de acordo com o PMV, ilustrando
que, mesmo quando as condições do ambiente indicam a neutralidade térmica, ainda
assim, existem pessoas insatisfeitas. O cálculo do PPD é dado a partir do PMV, conforme
a Equação 1.11.

Ž g,6,‘׌i’ “
PPD = 100 − 95 × ef‹g,g<<p<׌i Equação 1.11

Onde:

PPD é a porcentagem de pessoas insatisfeitas;


PMV é o voto médio estimado, ou sensação de conforto.

A ASHRAE 55-2004 apresenta, além do cálculo do PMV, outro método para determinação
da zona de conforto, assim como alguns parâmetros que ajudam a determinar se um
ambiente está propício a apresentar conforto ou não. O método gráfico, é um método
simplificado que pode ser aplicado em ambientes onde os ocupantes tem uma atividade
entre 1 e 1,3 met, com roupas entre 0,5 e 1 clo. Nos anexos A e B, a norma identifica a
atividade desempenhada e isolamento térmico das roupas. A Figura 1.31 mostra o gráfico

53
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Método Prescritivo

com as áreas de conforto, estas são formadas pelas temperaturas mínimas e máximas,
assim como pela umidade. Este gráfico é válido somente para velocidades do ar menores
que 0,2 m/s.

Figura 1.30. PPD em função do PMV

Figura 1.31. Temperatura operativa e umidade aceitável para determinação da zona de


conforto (ASHRAE 55)

Segundo estas normas outros parâmetros também devem ser observados:

UMIDADE: deve ser mantida abaixo de 0,012, que corresponde à pressão de vapor de
água de 1,910kPa, para uma temperatura de orvalho de 16,8ºC.

AUMENTO DA VELOCIDADE DO AR: o aumento da velocidade do ar pode aumentar a


temperatura máxima da área de conforto, definida na Figura 1.31, conforme as linhas
definidas na Figura 1.32. esta figura ainda mostra que para manter o conforto, a
velocidade do ar não deve passar de 0,8m/s; velocidades maiores que esta devem ser
controladas pelo usuário do ambiente.

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DESCONFORTO TÉRMICO LOCAL: pode ser causado pela diferença de temperatura entre a
cabeça e o pé, causada pela assimetria da radiação térmica; corrente de ar; contato com
piso aquecido ou resfriado.

Figura 1.32. Velocidade do ar necessária para o aumento da temperatura (ASHRAE 55)

1.21.1.1 Exercício

Um escritório, em que as pessoas estão trabalhando sentadas, com serviços leves


(1met), cuja vestimenta apresenta isolamento de 1clo (terno completo), com temperatura
de 26ºC e umidade relativa de 40%, apresenta condições de conforto térmico?

Diante destas condições verifica-se que a ambiente não propicia aos seus usuários as
condições necessárias para o conforto. No entanto, com o aumento da velocidade do ar
pode-se obter um aumento de até 3ºC na temperatura limite. De forma que, se os outros
parâmetros forem atendidos, este ambiente estará na zona de conforto.

55
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1.22 ZONA TÉRMICA

Zona Térmica: espaço ou grupo de espaços dentro de um edifício condicionado que são
suficientemente similares, onde as condições desejadas (temperatura) podem ser
mantidas usando um único sensor (termostato ou sensor de temperatura).

1.22.1 Detalhamento
Uma zona térmica é uma divisão interna de um edifício. Da mesma forma que o conceito
de ambiente é a base do cálculo de eficiência do sistema de iluminação, a zona térmica é
a uma das bases do cálculo de eficiência do sistema de condicionamento de ar. No caso
de posicionamento de sensores ou termostatos, para o sistema de condicionamento de
ar, os ambientes não são necessariamente contíguos. No caso de simulações com
ambientes condicionados, ambientes contíguos de um mesmo piso e com a mesma
orientação costumam fazer parte de uma mesma zona térmica. Em simulações de
ambientes não condicionados (ventilados naturalmente), não é válido unificar ambientes
em zonas térmicas, salvo casos especiais a critério do simulador.

1.22.2 Exemplos

Figura 1.33. Ambientes contíguos de mesma orientação podem ser unificados em uma zona
térmica para a simulação com condicionamento de ar. Na figura, vê-se 4 zonas térmicas: 3
perimetrais e uma central.

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1.22.3 Exercício
Um espaço é vedado do piso ao teto por divisórias compostas de madeira compensada
até 2,2 m e vidro a partir dessa altura até ao teto. O espaço forma um escritório
independente. Este espaço é uma zona térmica?

Resposta: Sim. Este espaço encerra um volume de ar de uma forma razoavelmente


estanque criando assim uma zona térmica. Caso uma unidade de janela fosse instalada
com certeza criaria uma zona com temperatura diferente do resto do edifício.

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2 INTRODUÇÃO
O RTQ visa estabelecer as condições para classificação do nível de eficiência energética
de edifícios comerciais, de serviços e públicos, a fim de obter a Etiqueta Nacional de
Conservação de Energia (ENCE) emitida pelo Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) (item 2.1).

O caráter voluntário do RTQ visa preparar o mercado construtivo, de forma gradativa, a


assimilar a metodologia de classificação e obtenção da etiqueta. A metodologia de
classificação está presente no texto do Regulamento Técnico da Qualidade para
Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Público, enquanto a
metodologia de obtenção da etiqueta refere-se aos procedimentos para avaliação junto
ao INMETRO, e está presente no Regulamento de Avaliação de Conformidade (RAC).

A ENCE poderá ser fornecida em três momentos: para o projeto da edificação, para a
edificação pronta, após obtido o Habite-se e para a edificação existente, após reforma. A
avaliação do projeto é pré-requisito para a avaliação dos requisitos presentes na
edificação nova pós Habite-se e na edificação existente pós reforma. Neste último caso, é
necessário apresentar os projetos de reforma da edificação.

2.1 OBJETIVO

Estabelecer as condições para classificação do nível de eficiência energética de edifícios


comerciais, de serviços e públicos.

2.2 PROCEDIMENTOS PARA DETERMINAÇÃO DA EFICIÊNCIA

Em todos os casos, a etiqueta é válida somente para edificações cuja área total útil seja
igual ou superior a 500 m2 ou cuja tensão de abastecimento seja igual ou superior a 2,3
kV, o que abrange os subgrupos A1, A2, A3, A3a, A4 e AS. Desta forma, pequenos
consumidores não estão incluídos nos requisitos exigidos no RTQ.

O Grupo A refere-se a tarifas de energia elétrica de pontos de consumo abastecido por


alta tensão, cujo limite é exatamente 2,3 kW, limite estabelecido no RTQ. Os seus
subgrupos indicam outros limites de tensão:

• A1: igual ou superior a 230 kV;

• A2: de 88 a 138 kV;

• A3: para 69 kV;


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Método Prescritivo

• A3a: de 30 a 44 kV;

• A4: de 2,3 a 25 kV;

• AS: para rede de abastecimento subterrâneo.

Edifícios de uso misto, referentes ao uso residencial e comercial/de serviços em uma


mesma edificação terão suas parcelas comerciais ou de serviços avaliadas
separadamente. Como exemplo, edificações multi-residenciais (de apartamentos) na
torre de edifícios enquanto a base desta torre contém lojas. A parcela de estacionamento
irá pertencer à parcela residencial ou comercial de acordo com o usuário do espaço: se é
o morador dos apartamentos ou o funcionário/consumidor das lojas. Para tanto, basta
que a parcela comercial ou de serviços tenha área útil igual ou superior a 500 m2.

Há dois métodos de classificação do nível de eficiência energética:

• Método prescritivo: através da aplicação de uma equação fornecida, válida para


edifícios condicionados;

• Método de simulação: usando o método prescritivo e a simulação do desempenho


termo-energético de edifícios condicionados e não condicionados.

2.2.1 Requisitos presentes na equação de classificação


Há três grupos principais de requisitos que estabelecem o nível de eficiência energética:
envoltória, sistema de iluminação e sistema de condicionamento de ar. Estes são
avaliados separadamente, obtendo-se níveis de eficiência parciais cuja combinação em
uma equação resulta em uma pontuação que indica o nível de eficiência geral da
edificação. Há cinco níveis de eficiência, tanto para classificações parciais como para
totais, e são: A (mais eficiente), B, C, D e E (menos eficiente).

As classificações parciais permitem a etiquetagem parcial dos sistemas (envoltória,


iluminação e condicionamento de ar), que podem referir-se a parcelas do edifício. A
classificação geral inclui todos os sistemas mais as bonificações e referem-se ao edifício
completo ou a uma parcela deste. As etiquetas parciais referem-se à eficiência dos
sistemas separadamente; a etiqueta geral é definida por uma equação que contém pesos
para balancear a relação entre os sistema.

No entanto, há parcelas do edifício pré-definidas onde as classificações parciais são


aplicáveis. Enquanto os níveis de eficiência dos sistemas de iluminação e
condicionamento de ar podem ser estabelecidos para um pavimento específico ou um
conjunto de salas, a envoltória é estabelecida somente para a edificação completa. Desta
forma:

59
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Método Prescritivo

• A classificação do nível de eficiência da envoltória deve ser solicitada pelo


construtor/incorporador do empreendimento (proprietário) ou pelo condomínio
(proprietário do edifício em uso). Devem ser fornecidas todas as condições para
avaliação no local, o que obriga os proprietários de unidades autônomas de
consumo (salas comerciais ou escritórios em edifícios empresariais ou lojas em
shoppings centers ou galerias) a permitirem a entrada dos avaliadores
acreditados pelo INMETRO em seus estabelecimentos quantas vezes for
necessário.

• A classificação do nível de eficiência do sistema de iluminação e/ou de


condicionamento de ar pode ser realizada em um pavimento ou em um conjunto
de salas. O pavimento ou o conjunto de salas geralmente compõe uma unidade
autônoma de consumo, e pode ser solicitada pelo proprietário ou usuário legal da
unidade (no caso de aluguel) com anuência do proprietário. No entanto, estas
classificações parciais podem ser solicitadas somente em conjunto com a
classificação da envoltória ou se a envoltória já tiver sido classificada em algum
momento anterior.

Os níveis de eficiência podem ser elevados ainda com bonificações nas pontuações
finais obtidas através de outros sistemas que possam promover a eficiência energética.
Esta é uma estratégia de incentivo que visa ampliar o potencial de eficiência da
edificação.

EXEMPLOS DE APLICAÇÃO

O construtor/incorporador obtém uma ENCE parcial para a envoltória. Depois de vender


os pavimentos em planta livre de sua edificação, a empresa proprietária do 5º
pavimento submete os seus sistemas de iluminação e condicionamento de ar para
obter a classificação geral do seu pavimento. O 5º pavimento terá uma ENCE com a
classificação geral do pavimento.

O construtor/incorporador obtém uma ENCE parcial para a envoltória. Depois de vender


os pavimentos em planta livre de sua edificação, o condomínio decide em convenção a
submeter o sistema de iluminação das áreas comuns do edifício à classificação geral.
Será obtida assim uma ENCE para as áreas comuns com duas etiquetas parciais: da
envoltória e da iluminação. Caso o condomínio submeta também o sistema de
condicionamento de ar, será obtida uma ENCE geral para as áreas comuns.

60
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EXEMPLOS DE APLICAÇÃO (continuação)

O construtor/incorporador vende pavimentos em planta livre de sua edificação. A


empresa proprietária do 5º pavimento submete os seus sistemas de iluminação
e condicionamento de ar para obter a classificação geral do seu pavimento.
Como não há classificação prévia da envoltória, esta também deve ser obtida.
Assim, o proprietário do 5º pavimento deve solicitar ao condomínio que este
solicite uma ENCE para a envoltória. Caso os condôminos não concordem, não
é possível obter uma ENCE para os sistemas de iluminação e condicionamento
de ar para o 5º pavimento.

2.2.2 Equação geral de classificação do nível de eficiência do


edifício

2.2.2.1 Método prescritivo

A equação geral é composta por uma relação entre pesos (estabelecidos por usos finais)
para cada sistema e pelo equivalente numérico de seu nível parcial de eficiência. Os
pesos são:

• Envoltória: 30%

• Iluminação: 30%

• Condicionamento de ar: 40%

O equivalente numérico de um nível de eficiência é estabelecido na Tabela 2.1, do RTQ.


O equivalente numérico da envoltória será sempre um número inteiro, enquanto os
equivalentes numéricos do sistema de iluminação e do sistema de condicionamento de ar
podem ser números com decimais.

No texto do RTQ, a equação geral é a 2.1, apresentada abaixo.

AC APT ANC AC APT ANC


PT = 0,3. |•EqNumEnv. +• .5 + . EqNumVž + =0,30. EqNumDPI> + 0,40. |•EqNumCA.  + • .5+ . EqNumVž
AU AU AU AU AU AU
+ b,g

Equação 2.1

61
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Método Prescritivo

Onde:
EqNumEnv é o equivalente numérico da envoltória;
EqNumDPI é o equivalente numérico do sistema de iluminação, identificado pela sigla
DPI, de Densidade de Potência de Iluminação;
EqNumCA é o equivalente numérico do sistema de condicionamento de ar;
EqNumV é o equivalente numérico de ambientes não condicionados e/ou ventilados
naturalmente;
APT é a área de piso dos ambientes de permanência transitória, desde que não
condicionados;
ANC é a área de piso dos ambientes não condicionados de permanência prolongada;
AC é a área de piso dos ambientes condicionados;
Au é a área útil;
b é a pontuação obtida pelas bonificações, que varia de zero a 1.

A relação AC/AU indica a fração de área de piso de ambientes condicionados da


edificação, pavimento ou conjunto de salas. Assim, a área útil deve ser a área útil do
edifício ou a área útil da parcela que está sendo submetida à etiquetagem, independente
da existência de condicionamento.

EXEMPLO DE CÁLCULO

Um edifício empresarial de área útil de 15.000 m2 que abriga múltiplas unidades


autônomas de consumo já possui etiqueta parcial A para a envoltória. Um conjunto de
salas de 600 m2 está sendo submetido ao RTQ, tanto no quesito iluminação com
condicionamento de ar. Se 300 m2 são ambientes condicionados, a fração de área
condicionada a ser considerada é 0,50.

Na equação 2.1, AC/AU representa assim um fator de correção para o equivalente


numérico quando este EqNum não se refere à área total do edifício, mas somente a uma
parte que é condicionada. A área restante, não condicionada, que se refere às áreas de
curta permanência (APT), já obtém equivalente numérico de valor 5 (equivalente ao nível
de eficiência A). Caso existam áreas não condicionadas de permanência prolongada
(ANC), estas deverão atender a um número mínimo de horas em que as condições do
ambiente se encontram na Zona de Conforto, conforme item 6.2.2 do RTQ. Caso estes
ambientes não obtenham esta comprovação, sua fração é considerada nível de eficiência
E e não é inserida na equação 2.1. Assim, a equação pode ser entendida conforme
Figura 2.1.

62
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Método Prescritivo

 AC    AC   APT 
 +  ( )  +  AU .5 + AU .EqNumV + b10
APT ANC ANC
PT = 0,30. EqNumEnv .5 + .EqNumV + 0,30 EqNumDPI + 0,40 EqNumCA.
 AU   AU AU   AU   
Bonificações
Peso Peso Peso

Fração não Fração não


Equivalente Equivalente
condicionada - condicionada -
numérico numérico
longa curta permanência

Equivalente Equivalente Fração


numérico numérico condicionada
para nível A do edifício

Figura 2.1. Variáveis da equação geral

A Tabela 2.2, do RTQ, apresenta os intervalos de EqNum obtidos para as eficiências


parciais ou os intervalos de PT para a eficiência final. Apresenta assim os limites
numéricos para classificação dos níveis de eficiência, e são também válidos para
classificar os níveis de eficiência obtidos no item 3 (envoltória), no item 4 (sistema de
iluminação) e no item 5 (sistema de condicionamento de ar).

EXEMPLO DE CÁLCULO

Um edifício empresarial possui as seguintes etiquetas parciais: Envelope – A;


Iluminação - B; e Condicionamento de Ar – A. No entanto, somente 50% da área útil do
edifício possui sistema de condicionamento de ar. O edifício possui 5% de sua área
composta por ambientes de curta permanência, e 40% da área com condições de
conforto comprovadas em 75% do tempo. Conforme a Tabela 6.1 do RTQ, a área não
condicionada apresenta classificação B. O edifício em questão não apresenta nenhum
sistema ou inovação que possa elevar a eficiência energética do mesmo. Aplicando a
Equação 2.1, obtém-se a classificação C, como se observa abaixo:

PT = 0,30 × j=5 × 0,50> + =0,05 × 5> + =0,40 × 4>{ + =0,30 × 4> + 0,40 × j=5 × 0,50> + =0,05 × 5> + =0,40 × 4>{ + 0

3,5 < 4,245 < 4,5 – Classificação B

2.2.2.2 Método de simulação

O método de simulação é uma alternativa para avaliação da eficiência de forma mais


completa e/ou flexível. É indicado para permitir:

• a liberdade de projeto, seja na forma do edifício, na natureza de suas aberturas ou

63
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Método Prescritivo

proteções solares ou nos sistemas utilizados;

• a incorporação de inovações tecnológicas, comprovando níveis de eficiência


elevados;

• o uso de estratégias passivas de condicionamento, possibilitando edifícios não


condicionados ou parcialmente condicionados;

• a incorporação de soluções não previstas no RTQ.

Este último item abrange todas as soluções arquitetônicas ou dos sistemas que
porventura possam existir no projeto e que não são possíveis de serem analisadas
através do método prescritivo. No RTQ, o item 6 apresenta os requisitos a serem
atendidos para realizar a simulação e para comprovar o nível de eficiência energética do
edifício. O método de simulação é válido para alcançar a etiqueta completa do edifício,
sem a necessidade das etiquetas parciais.

2.3 BONIFICAÇÕES

A Equação 2.1 apresenta uma variável relativa às bonificações, ou seja, uma pontuação
extra que visa incentivar o uso de soluções que elevem a eficiência energética do edifício.
A pontuação adquirida através da implementação destas bonificações variam entre 0 e 1.
Sendo: 0 quando não existe nenhum sistema complementar para o aumento da eficiência
do edifício, e 1 quando uma das bonificações for implantada em sua totalidade. É
possível a utilização de mais de um sistema para se chegar a esta pontuação máxima.

Todas as bonificações listadas devem ser comprovados através de memoriais de cálculo.


Há quatro itens principais, que são:

a. Sistemas e equipamentos que racionalizem o uso da água, proporcionando uma


economia de 20% do consumo anual de água: estão incluídas torneiras com
arejadores, sanitários com sensores ou com válvula de descarga com duplo
acionamento, sistemas de aproveitamento de água pluvial, redução de perdas por
condensação da água de torres de arrefecimento, reuso de água, dentre outras
soluções;

b. Sistemas ou fontes renováveis de energia:

o aquecimento de água, com atendimento igual ou superior a 60% da


demanda de água quente: válido para edifícios que possuam demanda de
água quente, como restaurantes, hotéis, motéis, hospitais, clínicas, clubes,
academias, dentre outros; não é válido para edifícios de escritórios,

64
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Método Prescritivo

supermercados, salvo casos especiais em que esta demanda seja


significativa;

o energia eólica ou painéis fotovoltaicos, com uma economia mínima de


10% do consumo anual;

c. Cogeração, gerando uma economia mínima de 30% no consumo anual de energia


elétrica do edifício;

d. Inovações técnicas ou sistemas que aumentam a eficiência, proporcionando uma


economia de 30% no consumo anual de energia elétrica: este item abrange
qualquer tipo de inovação em eficiência energética que seja lançada no mercado
ou soluções que não estejam previstas neste regulamento. Sistemas de
aproveitamento da luz natural ou estratégias bioclimáticas que reduzam ou
eliminem o uso do sistema de condicionamento de ar, já são previstos no texto e
devem ser explorados no item de simulação, salvo haja alguma forma de
comprovar uma economia anual no consumo de energia elétrica de 30% através
de memória de cálculo ou medição.

EXEMPLO DE CÁLCULO

A. Um edifício empresarial possui as seguintes etiquetas parciais: Envelope – A;


Iluminação - B; e Condicionamento de Ar – A. No entanto, somente 25% da área útil do
edifício possui sistema de condicionamento de ar. O edifício ainda possui 5% de sua
área composta por ambientes de curta permanência, e 35% da área com condições de
conforto comprovadas em 65% do tempo. O edifício ainda apresenta um sistema de
racionalização de água, gerando uma economia de 10% do consumo de água.

Conforme a Tabela 6.1 do RTQ, a área não condicionada apresenta classificação C.

A economia de água gerada pelo sistema é de apenas 50% do valor estipulado pelo
RTQ; então a bonificação será igual a 0,5.

Aplicando a Equação 2.1, obtém-se a classificação C, como se observa abaixo:

PT = 0,30 × j=5 × 0,25> + =0,05 × 5> + =0,35 × 3>{ + =0,30 × 4> + 0,40 × j=5 × 0,25> + =0,05 × 5> + =0,35 × 3>{ + 0,5

PT=3,485

2,5 < 3,485< 3,5 – Classificação C

65
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO (continuação)

B. Supondo que este mesmo edifício apresente um sistema de racionalização de água,


gerando uma economia de 25% do consumo de água.

Como neste caso a economia de água gerada pelo sistema de racionalização é


superior à estipulada pela regulamentação a bonificação é igual a 1.

Aplicando a Equação 2.1, obtém-se a classificação B, como se observa abaixo:

PT = 0,30 × j=5 × 0,25> + =0,05 × 5> + =0,35 × 3>{ + =0,30 × 4> + 0,40 × j=5 × 0,25> + =0,05 × 5> + =0,35 × 3>{ + 1

PT=3,885

3,5 < 3,985 < 4,5 – Classificação B

C. Supondo que o edifício do exemplo A, com um sistema de racionalização de água


com 10% do consumo de água, também possua um sistema de cogeração, que
proporciona uma economia de 12% do consumo anual de energia elétrica.

Pela economia de água obtém-se uma bonificação de 0,5. E pelo sistema de


cogeração, 0,4. Desta forma, a bonificação a ser utilizada na equação é igual a 0,9.

Aplicando a Equação 2.1, obtém-se a classificação B, como se observa abaixo:

PT = 0,30 × j=5 × 0,25> + =0,05 × 5> + =0,35 × 3>{ + =0,30 × 4> + 0,40 × j=5 × 0,25> + =0,05 × 5> + =0,35 × 3>{ + 0,9

PT=3,885

3,5 < 3,885 < 4,5 – Classificação B

2.3.1 Racionalização do consumo de água


A comprovação de economia de 20% no consumo anual de água do edifício deve ser
realizada através de comparação com o consumo anual de água típico considerando
taxas de consumo por usuário de acordo com a Tabela 2.1; ou conforme legislação local,
geralmente código de obras municipal. Neste caso, deve ser entregue uma cópia desta
lei, juntamente com a documentação. Caso o uso da edificação não esteja relacionado
abaixo, adotar o uso que mais se assemelha.

66
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Método Prescritivo

Tabela 2.1. Consumo de água em função do uso do edifício

Uso Consumo (litros/dia) Por Unidade


Edifícios de escritórios 50 a 80 ocupante efetivo
Escolas (internatos) 150 per capita
Escolas (externatos) 50 aluno
Escolas (semi-internatos) 100 aluno
Hospitais e casas de saúde 250 leito
Hotéis com cozinha e
250 a 350 hóspede
lavanderia
Hotéis sem cozinha e
120 hóspede
lavanderia
Lavanderias 30 kg de roupa seca
Quartéis 150 per capita
Cavalariças 100 cavalo
Restaurantes e similares 25 refeição
Mercados 5 m2
100 Automóvel
Postos de serviço
150 Caminhão
2
Rega de jardins 1,5 m
Cinemas e teatros 2 lugar

2.4 PRÉ-REQUISITOS GERAIS

Os pré-requisitos gerais são necessários para a obtenção da classificação geral do nível


de eficiência do edifício. O não atendimento não impede as classificações parciais, mas
impede a obtenção de uma etiqueta completa de nível de eficiência A, B ou C. Ou seja, o
edifício terá eficiência D na classificação geral mesmo que as etiquetas parciais indiquem
nível de eficiência A.

O primeiro item refere-se à medição centralizada por uso final. Este item não exige que
medições sejam realizadas, mas sim que o circuito elétrico seja projetado separadamente
de forma a permitir medições quando necessário. Estas medições poderão auxiliar no
diagnóstico do consumo de energia facilitando o comissionamento ao indicar onde e em
que horas se consome mais e, conseqüentemente, em que tipo de uso deve-se investir
para elevar ainda mais a eficiência energética do edifício quando em uso. Hotéis são
exceções por ser comum possuírem circuitos integrados por quarto que são desligados
automaticamente quando o hóspede sai do quarto. E edifícios com múltiplas unidades
autônomas de consumo possuem um medidor de energia por unidade de consumo, o que

67
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Método Prescritivo

impede a existência de um quadro geral com circuitos separados por uso final.

Os demais itens referem-se a pré-requisitos para alcançar nível de eficiência A. Edifícios


com nível de eficiência A que utilizem sistemas de aquecimento de água devem utilizar
algum dos sistemas eficientes listados, sejam eles aquecimento solar, a gás, bombas de
calor ou por reuso de calor. No primeiro caso, aquecimento solar, se este sistema
apresentar fração solar superior a 60%, pode ainda ser contabilizado como incentivo. O
máximo aproveitamento de área de coleta disponível está relacionado ao atendimento da
demanda de aquecimento de água, evitando sub-dimensionamentos somente para
atender aos pré-requisitos. Os outros itens, controle inteligente de tráfego e bombas de
água centrífugas etiquetadas pelo INMETRO, são também eliminatórios para nível de
eficiência A.

EXEMPLO DE APLICAÇÃO

Um hotel alcançou nível de eficiência B através de uma pontuação de 3,7. Por possuir
demanda elevada de água quente, ele possui coletores solares etiquetados pelo
INMETRO com nível de eficiência A. A fração solar do sistema é de 62%, ganhando
mais 0,8 pontos como bonificação:

• Caso o edifício possua desligamento automático nos quartos, sua eficiência B


está garantida.

• Caso, além do desligamento automático, seus elevadores possuam controle


inteligente de tráfego e suas bombas centrífugas sejam etiquetadas pelo
INMETRO, ele adquire nível de eficiência A, já que alcançou pontuação final de
4,5.

• Caso não possua desligamento automático nos quartos nem circuito elétrico
possibilitando medição por uso final, mesmo com PT = 4,5, seu nível de
eficiência é D.

2.5 PRÉ-REQUISITOS ESPECÍFICOS

Os pré-requisitos específicos da envoltória, sistema de iluminação e sistema de


condicionamento de ar referem-se ao pré-requisito somente, de forma a alterar a
eficiência parcial e, conseqüentemente, o equivalente numérico a ser adotado na

68
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Método Prescritivo

equação 2.1 do regulamento.

No caso da simulação, há pré-requisitos específicos que determinam a possibilidade de


realização da simulação, que são o tipo de programa e o tipo de arquivo utilizados. Nem
todos os pré-requisitos específicos do item 3 – Envoltória, do item 4 – Sistema de
Iluminação e item 5 – Sistema de Condicionamento de Ar, são obrigatórios na
modelagem da simulação. Entretanto, estes pré-requisitos devem ser atendidos no
projeto apresentado e no edifício construído, assim como os pré-requisitos gerais, sendo
assim dispensados apenas na modelagem computacional.

69
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Método Prescritivo

3 ENVOLTÓRIA
3.1 PRÉ-REQUISITOS

A envoltória deve estar de acordo com pré-requisitos específicos para cada nível de
eficiência. Quanto mais elevado o nível, mais restritivos são os requisitos a serem
atendidos. A Tabela 3.1 apresenta uma síntese dos pré-requisitos da envoltória exigidos
por nível de eficiência.

Tabela 3.1. Tabela síntese dos pré-requisitos da envoltória

Nível de Transmitância térmica da Cores e absortância Iluminação


eficiência cobertura e paredes exteriores de superfícies zenital
A X X X
B X X
CeD X

A tabela mostra como o número de pré-requisitos a ser atendidos aumenta com o


melhoramento do nível de eficiência. Adicionalmente, alguns requisitos de transmitância
térmica do nível A são mais rigorosos que do nível B que são mais rigorosos que dos
níveis C e D.

3.1.1 Nível A
Seguindo a ordem do regulamento, o primeiro pré-requisito refere-se à transmitância
térmica. Este pré-requisito distingue coberturas e paredes exteriores ao exigir diferentes
limites de propriedades térmicas para cada caso. Em seguida, serão descritos os pré-
requisitos para cores a absortâncias de superfícies e, finalizando, os pré-requisitos para a
iluminação zenital.

3.1.1.1 Transmitância térmica

DA COBERTURA

O RTQ apresenta duas transmitâncias térmicas máximas, de acordo com o


condicionamento dos ambientes do último pavimento ou de uma edificação térrea: 1,0
W/m2K para coberturas de ambientes condicionados artificialmente e 2,0 W/m2K para
coberturas de ambientes não condicionados. Também define que a transmitância térmica
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considerada seja uma média ponderada das diversas transmitâncias existentes quando a
cobertura é composta por diferentes materiais e, portanto, por diferentes transmitâncias
para o mesmo tipo de ambiente: com condicionamento ou sem condicionamento.

DAS PAREDES

Os limites de desempenho mínimos dos pré-requisitos do nível A para as paredes


exteriores dividem-se em dois agrupamentos de zonas bioclimáticas, ao contrário da
cobertura que varia conforme o condicionamento do ambiente. Para as zonas
bioclimáticas 7 e 8, o limite de transmitância térmica varia ainda de acordo com a
capacidade térmica do material, visto que a inércia térmica apresenta participação
significativa no desempenho térmico de edificações nestas zonas. Isto não implica que o
efeito da inércia térmica é irrelevante nas demais zonas, mas apenas que este é
essencial em qualquer tipo de edificação localizada nas zonas bioclimáticas 7 e 8.
Outras soluções utilizando a inércia térmica podem ser exploradas em simulação para
tipologias específicas de edificações localizadas nas demais zonas bioclimáticas, para
elevar sua eficiência energética global.

A Tabela 3.2 apresenta uma síntese relacionando transmitâncias térmicas limite, zonas
bioclimáticas e capacidade térmica.

Tabela 3.2. Síntese das exigências para transmitância térmica máxima de paredes exteriores

Zonas
Transmitância térmica máxima
Bioclimáticas
ZB 1 a 6 3,7 W/m²K
2
2,5 W/m²K para paredes com 3,7 W/m K para paredes com
ZB 7 a 8 capacidade térmica máxima de 80 capacidade térmica superior a 80
2 2
kJ/m K kJ/m K

71
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Método Prescritivo

EXEMPLO

Figura 3.1. Parede de blocos de concreto 2 Figura 3.2. Parede de tijolos de cerâmica
furos, reboco e revestimento cerâmico, com com isolamento térmico e reboco, com U =
U = 2,44 W/m²K. 0,90 W/m²K.

Exceção ao item 3.1.1.1: planos compostos por vãos envidraçados com superfícies
opacas paralelas ao plano de vidro, mesmo que vazadas, não precisam atender ao pré-
requisito de transmitância térmica, visto que o plano posterior (vidro) não é elemento
opaco. Se houver superfícies opacas atrás destes planos, o pré-requisito de
transmitância térmica deve ser cumprido.

São exemplos desta exceção:

• proteções solares com aletas paralelas ocupando toda a fachada;

• pórticos;

• placas perfuradas;

• qualquer elemento de sombreamento paralelo a aberturas da fachada.

3.1.1.2 Cores e absortância da superfície

Segundo a NBR 15.220, a absortância solar é o “quociente da taxa de radiação solar


absorvida por uma superfície pela taxa de radiação solar incidente sobre esta mesma
superfície”. Quanto maior a absortância, maior a parcela da energia incidente que se
transforma em calor (radiação de ondas longas) após incidir sobre um material opaco. A
cor é utilizada como indicação da absortância quando não há possibilidade de medição:
cores mais claras têm absortâncias mais baixas. O ideal é obter a especificação da
absortância solar pelo fabricante, como os fabricantes de tintas ou de cerâmicas, ou obter
resultados de medições previamente realizadas.

72
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Método Prescritivo

Para garantir envoltórias mais eficientes, o RTQ determina uma absortância máxima de
0,4 para os materiais de revestimento externo das paredes (onde incide a radiação solar)
para as Zonas Bioclimáticas de 2 a 8. A Zona Bioclimática 1 (cidades mais frias do Brasil,
como Curitiba) é excluída para permitir absortâncias elevadas que podem aumentar os
ganhos térmicos por radiação nos edifícios no inverno.

Para coberturas não aparentes, a absortância solar máxima também é de 0,4, exceto
para coberturas de teto-jardim ou de telhas cerâmicas não esmaltadas (Figura 3.3). Estas
coberturas apresentam bom desempenho térmico independente da absortância solar: o
teto-jardim devido a efeitos como a evapo-transpiração e as telhas cerâmicas não
esmaltadas devido à sua porosidade. As coberturas aparentes podem possuir
absortâncias maiores que esta, uma vez que fazem parte da composição da fachada do
edifício.

A absortância solar da fachada e cobertura é a absortância média ponderada pela área


(ver exemplo no item 3.1.2.2, nível de eficiência B).

Figura 3.3. Cobertura não aparente se vista do logradouro principal (avenida) e aparente se
vista do logradouro secundário, deve ser: em telha cerâmica, com absortância baixa (cores
claras) ou em teto-jardim, para níveis A e B.

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Método Prescritivo

Figura 3.4. Cobertura aparente se vista do logradouro principal (avenida), mesmo que não
aparente do logradouro secundário, pode ter absortância solar superior a 0,4 para níveis A
e B.

3.1.1.3 Iluminação zenital

Aberturas zenitais permitem que a luz natural penetre nos ambientes internos,
possibilitando a redução no consumo de eletricidade em iluminação. No entanto, à
primeira vista, o RTQ parece penalizar esta pratica ao exigir percentuais reduzidos de
aberturas zenitais para o nível A, conforme se pode verificar na Tabela 3.1 do RTQ.

Tabela 3.1: Relação entre PAZ e FS

PAZ 0 a 2% 2,1 a 3% 3,1 a 4% 4,1 a 5%


FS 0,87 0,67 0,52 0,30

Esta exigência garante que a entrada de luz natural no edifício não implique,
simultaneamente, em uma elevação da carga térmica pela radiação solar. Portanto,
quanto maior a área de abertura zenital, menores os fatores solares da Tabela 3.1. Desta
forma, um menor PAZ pode usar vidros ou materiais transparentes ou translúcidos com
maior fator solar e vice-versa. Esta exigência não restringe a exploração da luz natural,
pois atualmente existem vidros de elevado desempenho térmico existentes no mercado,
além da possibilidade de uma boa distribuição das aberturas em uma área máxima de
5% da área da cobertura. Em outras palavras, um bom projeto de iluminação, com
aberturas bem distribuídas e com vidros de elevado desempenho tem condições de

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alcançar um bom percentual de horas de aproveitamento da luz natural ao longo do ano,


proporcionando uma significativa economia de energia elétrica, como representada na
Figura 3.5.

Além disso, o limite máximo de 5% de PAZ pode ser ultrapassado caso o método de
avaliação do nível de eficiência seja a simulação do desempenho energético da
edificação. Neste caso, o modelo de referência será gerado segundo o método
prescritivo, com PAZ máximo de 5%, e o modelo real segundo o projeto a ser avaliado.

Outra solução é o aproveitamento de iluminação zenital a partir de aberturas em planos


verticais, ou com inclinação superior a 60o com o plano horizontal, aberturas em que a
incidência direta da radiação solar, nas horas mais quentes do dia, é menor. Estas
aberturas serão contabilizadas como parte de PAFT, independentemente da sua
localização no edifício.

Aberturas contabilizadas no PAFT, segundo o RTQ, são aquelas inseridas em planos


externo, cujo ângulo de inclinação com o plano horizontal é maior ou igual a 60º. Assim,
elementos como sheds ou mansardas em planos verticais podem ser utilizados para
iluminação zenital sem sua área ser contabilizada no PAZ.

Figura 3.5: Dispositivos de iluminação zenital (clarabóias) com PAZ de 5% alocadas de


forma distribuir a luz natural.

3.1.2 Nível B

3.1.2.1 Transmitância térmica

Tal como no nível A, são apresentados limites máximos para as transmitâncias térmicas
de coberturas e paredes. No entanto, estes limites são menos rigorosos que os para as
coberturas do nível A. Assim, para o nível B, as coberturas a transmitância térmica
máxima é 1,5 W/m²K para ambientes condicionados artificialmente. Os demais

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parâmetros e métodos são idênticos tanto para alcançar nível de eficiência A como nível
de eficiência B.

3.1.2.2 Cores e absortância da superfície

As exigências em relação às cores e absortância para o nível B são idênticas às do nível


A.

EXEMPLOS DE CÁLCULO NA PONDERAÇÃO


PONDERAÇÃO DA TRANSMITÂNCIA
TÉRMICA E ABSORTÂNCIAS
ABSORTÂNCIAS DA COBERTURA

Figura 3.6. Coberturas em


perspectiva e em planta de teto-
teto
jardim com grama (U=1,62 W/m²K),
duas lajes planas de concreto com
isolamento térmico (U=1,14 W/m²K) e
telha metálica com isolamento
térmico (U=0,70 W/m²K).

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Método Prescritivo

EXEMPLOS DE CÁLCULO NA PONDERAÇÃO DA TRANSMITÂNCIA


TÉRMICA E ABSORTÂNCIAS DA COBERTURA (continuação)

A Tabela 3.3 apresenta os dados utilizados na ponderação de quatro transmitâncias


térmicas adotadas em cobertura de ambientes condicionados mostradas na Figura 3.6.

Tabela 3.3: Cálculo da transmitância média das coberturas da Figura 3.6.

Ponderação Transmitância
Material Área Transmitância
da área Final
Teto-jardim com
140 1,62 0,29
grama
1,19
Laje de concreto 126 + 66 1,14 0,40
Telha metálica 144 0,85 0,30

A Tabela 3.4 apresenta os dados utilizados na ponderação das absortâncias adotadas


na cobertura de ambientes condicionados mostradas na Figura 3.6.

Tabela 3.4: Cálculo da absortância média para a Figura 3.6.

Ponderação
Material Área Absortância Total
da área
Teto-jardim com
140 0,55 0,29
grama
Laje de concreto
126 0,37 0,26
gelo 0,40
Laje de concreto
66 0,49 0,14
amarela
Telha metálica 144 0,25 0,30

3.1.3 Níveis C e D
Os pré-requisitos para envoltória dos níveis C e D resumem-se a exigências de
transmitâncias térmicas máximas de 2,0 W/m2K para coberturas de qualquer tipo de
ambiente, eliminando a diferenciação entre ambientes condicionados e não
condicionados. Os limites de transmitância térmica são idênticos para paredes dos níveis
A e B e não há pré-requisitos envolvendo absortâncias de superfícies.

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3.2 DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE EFICIÊNCIA

3.2.1 Introdução
O cálculo do indicador de consumo (IC) visa prever como a envoltória de um edifício vai
impactar o seu consumo de energia. Através do cálculo do IC é possível identificar
envoltórias mais eficientes.

A envoltória protege o interior do edifício. Quanto mais expõe o interior do edifício, maior
a troca térmica permitida entre o interior e o exterior. Assim, envoltórias com maiores
trocas térmicas implicam em elevados ganhos de calor em climas mais quentes (radiação
solar, temperatura, etc.) ou maiores perdas de calor em climas frios (infiltração,
diferenças de temperatura, etc.)

O extenso território do Brasil abrange diferentes realidades climáticas que exigem


estratégias distintas para alcançar condições de conforto térmico e da eficiência
energética das edificações. Como estas estratégias alteram o consumo de energia, foram
elaboradas diferentes equações para o cálculo do Indicador de Consumo. O RTQ usa a
norma NBR 15.220 - Parte 3, que estabelece oito zonas bioclimáticas para o Brasil, esta
mesma norma contém também uma lista contendo algumas cidades brasileiras e as
zonas bioclimáticas a que as mesmas pertencem. Esta tabela está transcrita no anexo 1
deste manual.

Para efeitos do RTQ algumas zonas bioclimáticas foram agrupadas, pois as simulações
não mostraram diferenças significativas entre os consumos de energia de edificações
simulados nas referidas zonas. A Tabela 3.5 apresenta as zonas bioclimáticas agrupadas
e não agrupadas.

Tabela 3.5: Síntese de agrupamento das zonas bioclimáticas

Zona Bioclimática não agrupada Zona Bioclimática agrupada


ZB1
ZB2 e ZB3
ZB4 e ZB5
ZB7
ZB6 e ZB8

Convém salientar que nem todas as zonas agrupadas são consecutivas: a ZB6 e ZB8
são agrupadas enquanto a ZB7 não. Para cada Zona Bioclimática, agrupada ou não,
existem duas equações diferentes de acordo com a área de projeção do edifício (Ape):

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para Ape menores que 500m² e para Ape maiores que 500m². Em caso de terraços ou
edificações de forma irregular, Ape deve ser considerada como a área de projeção do
edifício no plano horizontal. Também deve-se frisar que estes 500 m2 referem-se à área
de projeção do edifício e não à área útil.

Adicionalmente, para cada uma destas equações (Ape maior ou menor que 500m²) há
limites máximos e mínimos para o Fator de Forma (Aenv/Vtot). As equações para Ape >500
m² são válidas para um Fator de Forma mínimo permitido. Já as equações Ape<500 m²
são válidas para um Fator de Forma máximo permitido, ilustrados na Figura 3.7. Acima
ou abaixo destes valores, deve-se adotar os valores limites nas equações. A Tabela 3.6
apresenta os valores limites do fator de forma para cada zona bioclimática.

Figura 3.8 apresenta um fluxograma com os passos a serem seguidos para a escolha da
equação.

Figura 3.7. Exemplos do fator de forma para aplicação nas equações das zonas
bioclimáticas1, 2 e 3.

79
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Método Prescritivo

Tabela 3.6. Fator de forma máximo e mínimo por zona bioclimática.

Ape < 500m² Ape > 500m²


Zona Bioclimática
Fator de forma máximo Fator de forma mínimo
1 0,60 0,17
2e3 0,70 0,15
4e5 0,75 Livre
6e8 0,48 0,17
7 0,60 0,17

Determinar ZB do edifício

Determinar equação IC para a ZB


do edifício

Determinar Ape do edifício

Ape ≤500m² Ape >500m²

Determinar Determinar Fator


Fator de Forma de Forma

Se FF < FF max Se FF > FF max Se FF < FF min Se FF > FF min


usar FF usar FF max usar FF min usar FF

Figura 3.8. Fluxograma de escolha da equação de IC

Para iniciar o cálculo do Indicador de Consumo é necessário calcular as seguintes


variáveis:

Ape: Área de projeção do edifício (m2);


Atot: Área total de piso (m2);
Aenv: Área da envoltória (m2);
AVS: Ângulo Vertical de Sombreamento, entre 0 e 45º (graus);
AHS: Ângulo Horizontal de Sombreamento, entre 0 e 45º (graus);
FF: (Aenv/ Vtot), Fator de Forma;
FA: (Ape/ Atot), Fator Altura;
FS: Fator Solar;

80
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Método Prescritivo

PAFT: Percentual de Abertura na Fachada total (adimensional, para uso na equação);


Vtot: Volume total da edificação (m3).

A
ATENÇÃO NO CÁLCULO DO IC

MÁXIMOS DE AHS E AVS


Em relação ao AHS e AVS, o valor máximo para uso na equação é 45°. Se o valor de
AHS e AVS for maior, como o mostrado na Figura 3.9, deve-se
se usar 45° no cálculo do IC.

Figura 3.9.. Proteção solar horizontal com AVS de 60º, maior que o valor máximo para
uso no método prescritivo.

FACHADA OESTE E PAFT


Na equação, o Percentual de Área de Abertura na Fachada total (PAFT) corresponde a
um valor médio representativo do percentual de aberturas de todas as fachadas. Para o
uso deste valor, primeiramente, deve-se
deve se realizar o cálculo do PAF para a fachada oeste
(PAFO) e do PAFT. Se o PAFO for pelo menos 20% maior que o PAFT, deve-se
deve adotar o
PAF da fachada oeste na equação.

Tendo todas as variáveis, o IC é calculado para três tipos de envoltórias: ICenv, ICmáxD e
ICmín.

O cálculo do ICenv é realizado usando os dados de projeto do edifício. A exceção é


quando AHS ou AVS é maior que 45°, em que se usa o valor limite, ou quando o Fator de
Forma excede os limites de cada equação.
equação

O cálculo do ICmáxD faz-se


se usando a mesma equação com os mesmos dados de Fator de
Forma e Fator Altura usados no cálculo de ICenv. Já os dados PAFT, FS, AVS, AHS

81
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Método Prescritivo

utilizados são mostrados na Tabela 3.2 do RTQ, e mostrados a seguir:

Tabela 3.2. Parâmetros de IC máximo

PAFT FS AVS AHS


0,60 0,61 0 0

ICmáxD corresponde ao limite entre o nível D e E. Caso ICenv seja maior que ICmáxD, então o
nível da envoltória desse edifício é E.

Analogamente, também se calcula o ICmín. Como no cálculo do ICmáxD, os mesmos quatro


parâmetros - PAFT, FS, AVS, AHS - são alterados. AVS e AHS são zero tal como no
cálculo do ICmáxD. Já os parâmetros PAFT e FS são inseridos na equação conforme e
Tabela 3.3, do RTQ, apresentada a seguir. A Tabela 3.6 compara os dados de entrada de
ICenv, ICmáxD e ICmín e sintetiza as semelhanças e diferenças entre eles.

Tabela 3.3. Parâmetros de IC mínimo

PAFT FS AVS AHS


0,05 0,87 0 0

Tabela 3.7. Comparação de parâmetros nas equações IC.

ICenv ICmáxD ICmín


Ape IGUAL IGUAL
Atot IGUAL IGUAL
Aenv IGUAL IGUAL
Vtot IGUAL IGUAL
FA IGUAL IGUAL
FF IGUAL IGUAL
PAFT Alterar para 0,60 Alterar para 0,05
FS Alterar para 0,61 Alterar para 0,87
AVS Alterar para 0 Alterar para 0
AHS Alterar para 0 Alterar para 0

O resultado de ICmín representa o indicador de consumo (IC) mínimo para aquela

82
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Método Prescritivo

volumetria. Uma vez obtidos ICenv, ICmáxD e de ICmín procede-se para o cálculo dos limites
dos níveis de eficiência para o edifício em questão. Ao contrário do que sucede no caso
da iluminação, os limites dos diversos níveis de eficiência da envoltória (A, B, C, D e E)
variam de edifício para edifício e têm de ser calculados caso a caso.

Apesar de AHS e AVS serem zero, o ICmín representa um Indicador de Consumo baixo.
Como o vão (PAFT) já é pequeno, o sombreamento foi dispensado, evitando o
escurecimento do ambiente.

Além disso, como a parte inicial do processo de desenvolvimento do regulamento foi um


levantamento nacional sobre edifícios comerciais no Brasil, contatou-se que o uso de
AVS é raro e de AHS é quase nulo.

3.2.2 Método de cálculo do indicador de consumo


A determinação dos limites de eficiência da envoltória é realizada através dos ICmáxD e
ICmín. Os indicadores de consumo ICmáxD, e ICmín formam um intervalo (i) a ser dividido em
quatro partes iguais, como mostrado na equação 3.11, que define o intervalo de mudança
do nível de eficiência, como indicado na Tabela 3.4 do RTQ.

O valor de i e de seus múltiplos é subtraído de ICmáxD formando assim os quatro


intervalos. A Figura 3.6 mostra a abrangência do intervalo (i) na escala de Indicadores de
Consumo.

=}.Eᢣ − }.Eí] >


\=
4
Eq. 3.11

Tabela 3.4. Limites dos intervalos dos níveis de eficiência.

Eficiência A B C D E
Lim Mín - ICmáxD - 3i + 0,01 ICmáxD - 2i + 0,01 ICmáxD – i + 0,01 ICmáxD + 0,01
Lim Máx ICmáxD - 3i ICmáxD - 2i ICmáxD - i ICmáxD -

83
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Método Prescritivo

ICmín ICmáxD
ICmaxD -3i ICmaxD -2i ICmaxD -i
i i i i

A B C D E

Figura 3.10. Ilustração do cálculo de IC

Como mencionado anteriormente, o ICmáxD é o limite entre os níveis D e E. Um edifício


tem classificação E sempre que o IC for superior ao valor de ICmáxD. O nível E não possui
limite máximo. Da mesma forma, o nível A não apresenta limite inferior de Indicadores de
Consumo, como mostrado na Tabela 3.4 do RTQ. O ICmín é utilizado para o calcular os
limites dos diversos níveis mas não limita diretamente nenhum nível de eficiência. Desta
forma, as barras representando os níveis A e E na Figura 3.10 apresentam um
comprimento maior que as dos outros níveis para ressaltar a inexistência de limite inferior
para a eficiência A e de limite superior para E.

Para a determinação do nível de eficiência da envoltória, é necessário conhecer o ICmín e


ICmáxD, e verificar a posição de ICenv na escala, de acordo com os intervalos de eficiência.

EXEMPLO DE CÁLCULO DO INDÍCE DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA

A Figura 3.11 representa um edifício empresarial de três pavimentos que pretende


obter a etiqueta do nível de eficiência energética. O edifício está localizado em
Curitiba, Zona bioclimática 1. O edifício tem proteção solar horizontal na fachada norte
e vertical nas fachadas leste e oeste, as aberturas possuem vidros verdes de 4 mm,
com FS igual a 0,43. O edifício possui teto-jardim na sua cobertura.

A partir da Figura 3.11 tem-se que:

Ape=384m² Aenv=576m²

Vtot=2304m³
Atot=768m²

84
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO DO INDÍCE DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA


(continuação)

Figura 3.11. Volumetria do edifício analisado para o cálculo do nível de eficiência da


envoltória.

A seguir são apresentados os cálculos das outras variáveis necessárias para o cálculo
do IC.

1. CÁLCULO DO FATOR DE FORMA E DO FATOR ALTURA

0¥@ 384
P0 = = = W, §
0¦B¦ 768

0@]¨ 576
PP = = = W, §
©¦B¦ 2304

2. DEFINIÇÃO DO FATOR SOLAR – Obtido através de catálogo de fabricantes.

85
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO DO
D INDÍCE DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA
(continuação)

3. CÁLCULO DO PAFT

Figura 3.12. Detalhe da Abertura

Para definir o PAFT, deve-se


deve comparar o PAFT com o PAFO. Caso o PAFO for maior que
o PAFT mais 20%, deve-se
se utilizar o PAFO. Assim:

04A@?¦«?4
ª0P7 =
307
  0,53
0@]¨ 576

04A@?¦«?4 ¬ 48,6
ª0P¬    0,337
0­4C®4¯4 ¬ 144

ª0P7  20%  0,53  0,106  0,636

ª0P7  20% ƒ ª0P¬  0,636 ƒ 0,337


ª0P

Assim, utiliza-se o PAFT para o cálculo


cálcul do IC.

86
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO DO
D INDÍCE DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA
(continuação)

4. CÁLCULO DO ÂNGULO DE SOMBREAMENTO

Tanto para o AVS, quanto para o AHS, o valor máximo da angulação a ser utilizada é
de 45º. Outro detalhe a ser observado, é a utilização da média deste ângulo em função
da área de abertura do edifício.

Figura 3.13.. Detalhe da proteção solar do edifício analisado para o cálculo do nível de
eficiência da envoltória.

4.1. AVS

Este edifício possuii duas angulações diferentes para o AVS, uma de 34º, e outra de 55º. A
limitação do ângulo a 45º refere-se
refere se ao resultado final do ângulo de sombreamento. Assim:

AVSS = 0 A abertura S = A abertura N = 129


29,6 m²

AVSO = AVSL = 0 A abertura O = A abertura L = 24,3


24 m²

=0©Q, × 04A@?¦«?4,
4A@?¦«?4 >  =0©Q6  04A@?¦«?46 >
0©Q± =
=34°  89,6>  ==55°°  44,8>
  41°
04A@?¦«?4 ± 129,6

=0©Q± × 04A@?¦«?4 ± >  =0©Q³  04A@?¦«?4 ³ >  =0©Q¬  04A@?¦«?4 ¬ >  =0©Q
0©Q =
= ´  04A@?¦«?4 ´ >
04A@?¦«?4

=41°  129,6>
129  =0°  129,6>  =0°  24,3>  =0°  24,3>
0©Q   µ, ¶°
307,08

87
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO DO INDÍCE DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA


(continuação)

4.2. AHS

O processo de cálculo do AHS é o mesmo do AVS. Primeiro encontra-se o AHS da fachada,


e depois o do edifício. As aberturas das fachadas leste e oeste possuem proteção solar
vertical em apenas um dos lados da abertura. Abaixo o cálculo do AHS:

AHSS = AHSN = 0 A abertura S = A abertura N = 129,6 m²

AHSO = AHSL A abertura O = A abertura L = 24,3 m²

=AHS, + AHS6 > =0° + 25°>


AHS¹ = AHSº = = = 12,5°
2 2

=0»Q± × 04A@?¦«?4 ± > + =0»Q³ × 04A@?¦«?4 ³ > + =0»Q¬ × 04A@?¦«?4 ¬ > + =0»Q´ × 04A@?¦«?4 ´ >
0»Q =
04A@?¦«?4

=0° × 129,6> + =0° × 129,6> + =12,5° × 24,3> + =12,5° × 24,3>


0»Q = = , ¶`°
307,08

5. CÁLCULO DO INDICADOR DE CONSUMO E DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE


EFICIÊNCIA DA ENVOLTÓRIA

Como o edifício está localizado em Curitiba, pertencente à Zona Bioclimática 1, com um


Ape<500m², utiliza-se a equação 3.3 do RTQ. Esta equação tem como limite um FF
máximo de 0,60, como o edifício avaliado possui um FF igual a 0,25, utiliza-se o FF do
edifício avaliado. Abaixo, equação do IC para Zona Bioclimática 1:

P0
}.@]¨ = −43P0 − 316,62PP + 16,83ª0P7 + 7,39PQ − 0,200©Q + 0,200»Q + 132,5 − 77P0 × PP
PP
− 0,92PP × ª0P7 × PQ × 0»Q + 182,66

Para a determinação do nível de eficiência da envoltória do edifício, é necessária a


determinação dos valores limites para cada etiqueta. Assim calcula-se o ICmáx e o ICmin
desta envoltória. A Tabela 3.8 apresenta um resumo dos parâmetros que serão
utilizados para o cálculo destes índices.

88
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO DO INDÍCE DE CONSUMO DA ENVOLTÓRIA


(continuação)

Tabela 3.8. Parâmetros para cálculo do ICenv, ICmáxD e ICmin.

Parâmetro ICenv ICmáxD ICmin


Ape 384 m² 384 m² 384 m²
FA 0,50 0,50 0,50
FF 0,25 0,25 0,25
PAFT 0,53 0,60 0,05
FS 0,43 0,61 0,87
AVS 17,26º 0º 0º
AHS 2,63º 0º 0º

Substituindo os valores na equação tem-se:

0,5
}.Eᢣ = −43 × 0,5 − 316,62 × 0,25 + 16,83 × 0,6 + 7,39 × 0,61 + 132,5 − 77 × 0,5 × 0,25 + 182,66
0,25
¼½á¾ = `§, ¿¿

0,5
ICÀ%* = −43 × 0,5 − 316,62 × 0,25 + 16,83 × 0,05 + 7,39 × 0,87 + 132,5 − 77 × 0,5 × 0,25 + 182,66
0,25
Á = `XX, ¶§

O cálculo do IC da envoltória é realizado com os dados do edifício. Substituindo os


valores tem-se:

ICU*Ã = −43 × 0,5 − 316,62 × 0,25 + 16,83 × 0,53 + 7,39 × 0,43 − 0,20 × 17,26 + 0,20 × 2,63
0,5
+ 132,5 − 77 × 0,5 × 0,25 − 0,92 × 0,25 × 0,53 × 0,43 × 2,63 + 182,66
0,25

¼½ = `X¶, `W

A partir do ICmáx e o ICmin, encontra-se o limite para cada etiqueta, Tabela 3.9. O ICenv
determina a classificação A para a envoltória do edifício, com EqnumEnv é igual a 5.

Tabela 3.9. Limites dos intervalos do nível de eficiência para envoltória

Eficiência A B C D E
Lim Mín - 346,49 348,33 350,16 352,00
Lim Máx 346,48 348,32 350,15 351,99 -

89
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Método Prescritivo

APLICAÇÃO DOS PRÉ-REQUISITOS

Exemplo 1

Supondo que o edifício do exemplo anterior, de classificação A, tenha todos os seus


ambientes climatizados, com transmitâncias térmicas das paredes de 4,1 W/m²K e teto
jardim; a absortância das paredes é de 0,3.

Comparando estes dados com os pré-requisitos estabelecidos pelo RTQ para o Nível
A, verifica-se que apenas o pré-requisito referente à transmitância térmica das paredes
não é atendido (τmáx=3,7 W/m²K). Para manter a classificação A é necessário que
todos os pré-requisitos seja atendidos, desta forma, o edifício anterior passa a ter
classificação B para envoltória, com EqnumEnv igual a 43.

Exemplo 2

O edifício do exercício anterior possui iluminação zenital, com PAZ de 4% e FS de 0,6.

Mesmo atendendo o limite máximo do PAZ, este edifício não atende o limite
estabelecido para o FS. Segundo o RTQ, para um PAZ de 4%, o fator solar máximo é
de 0,52. Desta forma este edifício passa a ter classificação B.

90
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Método Prescritivo

4 SISTEMA DE ILUMINAÇÃO
A iluminação artificial é essencial para o funcionamento dos edifícios comerciais
permitindo o trabalho em locais distantes da fachada e em horários em que a luz natural
não atinge os níveis de iluminação mínimos adequados. É vital garantir níveis corretos de
iluminação dentro dos ambientes internos dos edifícios para permitir o desempenho das
tarefas por seus usuários em condições de conforto e salubridade. Por esse motivo, a
norma NBR 5413 define níveis mínimos de iluminância necessários para diferentes tipos
de atividades.

Por outro lado, o sistema de iluminação artificial consome energia e gera carga térmica.
O sistema de iluminação apresenta, portanto, dois tipos de consumo de energia: o
consumo direto, ao utilizar eletricidade para gerar luz, e um consumo indireto, decorrente
do calor gerado nesse processo. Esse calor tem de ser retirado dos ambientes obrigando
a um maior gasto do sistema de condicionamento de ar, aumentando desta forma o
consumo geral de energia do edifício.

Assim, um edifício com um sistema eficiente de iluminação fornece os níveis adequados


de iluminâncias para cada tarefa consumindo o mínimo de energia, e também gerando a
menor carga térmica possível. Vários métodos podem ser utilizados para alcançar este
objetivo. Este capítulo mostra o método de avaliação do nível de eficiência energética do
sistema de iluminação, através de pré-requisitos e cálculos envolvendo a eficiência e o
projeto luminotécnico (método prescritivo).

Os sistemas eficientes são definidos através da densidade de potência instalada do


sistema de iluminação. Mas há outros métodos a serem utilizados de forma suplementar,
como pré-requisitos específicos para os sistemas de iluminação, a fim de garantir que o
sistema de iluminação só funcione quando é efetivamente necessário.

4.1 PRÉ-REQUISITOS ESPECÍFICOS

Quanto mais elevado o nível de eficiência maior o número de pré-requisitos a atender. A


Tabela 4.1 mostra quais pré-requisitos devem ser atendidos para cada nível de eficiência
do RTQ.
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Método Prescritivo

Tabela 4.1. Relação entre pré-requisitos e níveis de eficiência.

Pré-requisito Nível A Nível B Nível C


4.1.1 Divisão dos circuitos Sim Sim Sim
4.1.2 Contribuição da luz natural Sim Sim
4.1.3 Desligamento automático
Sim
do sistema de iluminação

4.1.1 Divisão de circuitos


O item de divisão de circuitos define que cada ambiente deve possuir no mínimo um
dispositivo de controle manual que permita o acionamento independente da iluminação
interna do ambiente com facilidade, localizado de forma que permita a visão clara de todo
ambiente. Este requisito permite que os usuários de cada ambiente controlem o seu uso,
ajustando a iluminação às suas necessidades específicas.

Para o caso de ambientes com área inferior a 250 m², é permitido um controle para todo
o ambiente. No caso de ambientes com grandes áreas, acima de 250 m², o RTQ
determina a divisão do sistema em parcelas menores, de no máximo 250 m², cada uma
com um controle independente, a fim de setorizar o sistema de acionamento quando
houver poucos usuários no local, evitando grandes áreas iluminadas sem ocupação.

Se o ambiente apresenta área maior que 1000 m² (por exemplo, um galpão), então o
sistema de iluminação deve ser dividido em parcelas com áreas máximas de 1000 m². A
Tabela 4.2 sintetiza esta regra.

Tabela 4.2. Relação entre áreas de ambientes e áreas de controle independente.

Área total de piso do Área máxima de piso da parcela iluminada


ambiente por um sistema com controle independente
< 250 m² 250 m²
> 250 m² 250 m²
>1000 m² 1000 m²

92
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE APLICAÇÃO

A Figura 4.1 ilustra a divisão de circuitos de um sistema que ilumina 600 m² de área de
piso. Ele foi dividido em três circuitos de controle, sendo que os dois laterais possuem
a área máxima permitida, de 250 m², e o circuito central possui 150 m². Desta forma, o
sistema completo não necessita permanecer ligado nos momentos em que há
ocupantes somente na área central.

600 m² 250 m² 150 m² 250 m²

Figura 4.1. Exemplo de divisão de zonas de controle de iluminação em um ambiente com


mais de 250 m².

4.1.2 Contribuição da Luz Natural


Para reduzir a necessidade de uso da iluminação artificial quando há luz natural
suficiente para prover a iluminância adequada no plano de trabalho, o RTQ determina
que as luminárias próximas às janelas devem possuir um dispositivo de desligamento
independente do restante do sistema. A Figura 4.2 ilustra dois exemplos de aplicação. As
luminárias não precisam ser alinhadas entre si, mas sim que o sistema seja alinhado às
janelas. Desta forma, o posicionamento das luminárias é também um item importante a
ser considerado no projeto luminotécnico.

93
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Método Prescritivo

Figura 4.2. Exemplos de circuitos com controle de acionamento perto das janelas.

4.1.3 Desligamento automático do sistema de iluminação


Para evitar ambientes desocupados com iluminação artificial ativada, o RTQ determina a
utilização de dispositivos que garantam o desligamento dos sistemas de iluminação
quando ninguém se encontra presente. O RTQ estipula três métodos para garantir que
ambientes não ocupados não continuem com o sistema de iluminação ligado.

• um sistema automático com desligamento da iluminação em um horário pré-


determinado. Deverá existir uma programação independente para uma área limite
de até 2500 m²;

• um sensor de presença que desligue a iluminação 30 minutos após a saída de


todos ocupantes;

• um sinal de um outro controle ou sistema de alarme que indique que a área está
desocupada.

A aplicação de um destes métodos é obrigatória para ambientes com área superior a 250
m² para o nível A. É necessário frisar que o cumprimento deste pré-requisito não exclui a
necessidade existir um controle manual no ambiente, proporcionando ao ocupante
flexibilidade de uso. Esta medida, controle independente de acionamento do sistema de
iluminação, visa permitir que os usuários possam controlar o uso da iluminação de acordo
com a necessidade. Já o desligamento automático, visa melhorar o uso do sistema de
iluminação na ausência de usuários. Cada método, portanto, tem objetivos diferentes e o
cumprimento de um não substitui o atendimento ao outro.

Durante este capítulo explica-se como determinar a eficiência do sistema de iluminação


segundo o RTQ em diversos tipos de ambientes mostrando exemplos de aplicação.

94
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Método Prescritivo

4.2 PROCEDIMENTO DE DETERMINAÇÃO DA EFICIÊNCIA

A definição da eficiência do sistema de iluminação é dada a partir da determinação da


densidade de potência de iluminação relativa final (DPIRF), de cada ambiente
separadamente e, por conseguinte, seu equivalente numérico. A partir destes
equivalentes numéricos e através da ponderação pela área de cada ambiente, determina-
se o equivalente numérico do pavimento e do edifício, encontrando por fim o equivalente
numérico e o nível de eficiência do sistema de iluminação artificial.

Para se determinar a Densidade de Potência de Iluminação relativa final, pode-se seguir


um roteiro, encontrando:

• o Índice de Ambiente (K);

• a Densidade de Potência de Iluminação relativa limite (DPIRL);

• a Iluminância de Projeto (Ep), através da NBR 5413 – Iluminância de Interiores;

• a Iluminância Final, através do projeto luminotécnico (Ef);

• a Densidade de Potência relativa final (DPIRF).


A seguir, este processo é mostrado, iniciando-se com o Índice de Ambiente (K).

4.2.1 Determinação do índice de ambiente (K)


O índice de ambiente (K) é uma relação que permite classificar diferentes ambientes,
com base nas áreas, sob o ponto de vista luminotécnico, considerando uma distribuição
padronizada das luminárias. A Equação 4.1 mostra esta relação.

∑ AÅ + AÆÅ
K=
Ap
Equação 4.1

Onde:
K: índice de ambiente, [adimensional];
At: Área de teto, [m²];
Apt: Área do plano de trabalho, [m²];
Ap: Área de parede, [m²].

A partir do K, determina-se o Fator de utilização (Fu), fornecido nos catálogos dos


fabricantes. O cálculo do Fu inclui as refletâncias do teto, paredes e piso e, portanto,
varia conforme os ambientes. No entanto, alguns fabricantes não fornecem o Índice de
ambiente (K), e sim, o RCR (Room cavity ratio – razão da cavidade do recinto), utilizado
pelo método norte-americano. A relação entre o RCR e o K está apresentada na Equação
4.2.

95
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Método Prescritivo

5
Y.Y =
J
Equação 4.2

4.2.1.1 Variações do índice de ambiente

Para ambientes retangulares a relação pode ser simplificada. A Equação 4.3 é utilizada
para ambientes retangulares com iluminação direta, enquanto a Equação 4.4, é utilizada
para iluminação semi-direta ou indireta.

C×L
K=
h=C + L>
Equação 4.3

Onde:
K: índice de ambiente, iluminação direta, [adimensional];
C: comprimento total do ambiente, [m];
L: largura total do ambiente, [m];
h: altura entre a superfície de trabalho e o plano das luminárias no teto, [m].

3×C×L
K=
2 × hÉ =C − L>
Equação 4.4

Onde:
K: índice de ambiente, iluminação semi-direta e indireta, [adimensional];
C: comprimento total do ambiente, [m];
L: largura total do ambiente, [m];
h': altura entre a superfície de trabalho e o teto, [m].

4.2.1.2 Casos especiais

Em alguns casos o ambiente analisado apresenta algumas diferenciações que


influenciam no cálculo do K. Ambientes com vários níveis e mezaninos, ou ambientes
com setorização de usos com necessidades de iluminação diferentes, necessitam de um
cuidado maior no projeto luminotécnico e no cálculo do K. A qualidade do projeto não é
avaliada pelo RTQ.

VÁRIOS NÍVEIS

Em ambientes com mais de um nível, como o mostrado na Figura 4.3, deve-se calcular
vários índices de ambiente, separando-os de acordo com as áreas de sombreamento
causadas pelos mezaninos, e de acordo com a necessidade de inserção de novos pontos

96
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Método Prescritivo

de iluminação artificial. Os volumes em que serão calculados os diferentes índices de


ambiente (K), são prismas regulares, a Figura 4.4 mostra
a a subdivisão do ambiente da
Figura 4.3 de forma não adequada para o cálculo do K. A subdivisão deste ambiente deve
ser realizada como mostrada na Figura 4.5, com os onze setores necessários para o
cálculo do K. Em seguida deve-se
deve calcular um projeto luminotécnico separadamente para
cada setor e, depois de obtido o nível de eficiência de cada um, deve-se
se fazer uma média
ponderada em função da área do piso por eles compreendida para a obtenção do nível
de eficiência final.

Figura 4.3.. Ambiente único, para cálculo do K, com seis níveis diferentes.
diferentes

Figura 4.4.. Setorização errada do ambiente para cálculo do K.

97
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Método Prescritivo

Figura 4.5. Setorização correta do ambiente para cálculo do K.

VÁRIAS ATIVIDADES

Alguns ambientes apresentam setores com diferentes usos e, conseqüentemente,


diferentes níveis de iluminação são necessários, como mostrada na Figura 4.6. Nestes
ambientes calcula-se um K para cada setor e, mesmo que as luminárias de um setor
iluminem também o outro, este fator não irá influenciar no cálculo do K; a melhor
distribuição destas deverá ser definida no projeto luminotécnico. Para a verificação do
Fator de utilização, verifica-se o caso da ocorrência de diferentes refletâncias no
ambiente.

Figura 4.6. Planta com layout de setores com usos diferentes q necessitam de níveis de
iluminância diferentes.

98
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Método Prescritivo

DIFERENTES REFLETÂNCIAS
AS

É comum que os ambientes analisados contenham diferentes refletâncias nas paredes,


pare
assim como aberturas e vãos, que devem ser consideradas como sumidouros de luz.
Para
ara a consulta da tabela do Fator de utilização, deve-se considerar a parcela
compreendida pelas refletâncias, e realizar a média ponderada das mesmas. A tabela de
consulta
ta do Fu apresenta apenas alguns valores de refletância para consulta, sendo eles:
70, 50, 30 e 10%. Assim, a refletância a ser utilizada para a verificação será a mais
próxima da refletância média encontrada.

EXEMPLO DE CÁLCULO

O ambiente ‘K10’, da Figura 4.5, representado melhor na Figura 4.7 possui abertura
em uma das paredes e um vão no lugar da outra parede; estes funcionam como
sumidouro ideal de luz, e desconsidera-se
desconsidera e a reflexão da luz no vidro. Supondo que as
duas paredes restantes sejam brancas, e portanto, possuam refletância de 80% temos
que:

Ap1= Ap3=18,0m
18,0m (paredes inteiras)
Ap2=9,6m (parcela opaca)
Av2=9,0m (parcela de vidro)
Av4= 0,9m (viga)
Ap4=17,1m (parede inexistente)
Atot=54,6m

=0, × ;, > + =06 × ;6 >.


> . . =0]  ;] >
;E¥ =
0¦B¦4t ¯@ ¥4?@¯@F

=28,5  0,80>>
;E¥   W, X
54,6

Figura 4.7.. Ambiente K10, detalhes para


cálculo da refletância.

Como a refletância média das paredes encontrada foi igual a 42%, ao consultar a
tabela do fator de utilização deverá
dever utilizar-se 50%.

99
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Método Prescritivo

4.2.2 Determinação da densidade de potência de iluminação


relativa limite (DPIRL)
Após a definição do índice de ambiente (K), o segundo passo consiste na consulta à
Tabela 4.1 do RTQ. Nesta tabela, conforme o índice de ambiente, são apresentados os
limites máximos de Densidade de Potência de Iluminação Relativa — em W/m2/100lux —
para cada nível de eficiência. A observação da tabela, no entanto, mostra limites somente
para os níveis A, B, C e D, enquanto o RTQ define cinco níveis de eficiência. Desta
forma, se ultrapassado a Densidade de Potência de Iluminação Relativa Limite (DPIRL) do
nível D, a classificação do ambiente é automaticamente E.

A consulta à Tabela 4.1, do RTQ, permite fazer o projeto luminotécnico para um dado
nível de eficiência, sabendo o limite máximo da DPIR. O valor máximo de DPIR de cada
nível de eficiência é chamado de valor limite de Densidade de Potência Relativa (DPIRL).

Para fazer o projeto luminotécnico, é necessário conhecer o nível de iluminância média


adequado para a função a ser desempenhada naquele ambiente. Esse nível está
presente na NBR 5413 – Iluminância de Interiores no item 3.4. Este será o valor de
iluminância de projeto (EP).

O projeto luminotécnico pode ser realizado através de vários métodos de cálculo como o
método dos lumens ou o método dos pontos. Segue-se um roteiro para o projeto
luminotécnico através do método dos lumens.

O objetivo final do método dos lumens é determinar o número de lâmpadas mínimo que
garanta um valor mínimo de fluxo luminoso (Φ) no plano de trabalho. Este fluxo será
resultado do produto da área do ambiente (A) com o nível de iluminância de projeto
desejado (EP), Equação 4.5.

Φ¥?BË@¦B = 0 × [¥ Equação 4.5

Desta forma, conhecendo o fluxo luminoso das lâmpadas em cada luminária, tem-se o
número total de luminárias para um ambiente, dado por:

Φ¥?BË@¦B
3= Equação 4.6
Φt«E

Da Equação 4.5 e Equação 4.6 resultam:

0 × [¥
3=
Ìt«E
Equação 4.7

100
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Método Prescritivo

0 × [¥
3= Equação 4.8
Ìt«E × P« × P¯
Onde:
n: Número de luminárias do sistema de iluminação artificial;
A: Área do ambiente, [m²];
EP: Iluminância de projeto, [lx];
Φlum: Fluxo luminoso da luminária, [lm];
Fu: . Fator de utilização, [adimensional];
Fd: Fator de depreciação, [adimensional];

O resultado da Equação 4.8 pode não ser um número inteiro. Neste caso, o valor deve
ser arredondado para o maior número inteiro. O número inteiro assim obtido partindo da
Equação 4.8 é multiplicado pelo fluxo luminoso das luminárias para determinação da
iluminância média inicial (Ei).

n × ΦzÍÀ × FÍ
[9 =
A
Equação 4.9

Determinada a iluminância inicial (Ei) resta determinar a iluminância no final da vida útil
do sistema de iluminação (Ef), que corresponde a um período de 24 meses. Este cálculo
é realizado a partir da Equação 4.10, considerando um Fator de depreciação igual a 0,8.

[­ = [\ × FÏ Equação 4.10

Determinada a iluminância final basta conferir se cumpre o nível de eficiência que visa
alcançar. Para tal, tem de verificar dois requisitos:

• Conferir se a Iluminância média final é igual ou superior à Iluminância prescrita na


NBR 5413 para a atividade principal do ambiente;

• Verificar se a Densidade de Potência Instalada Relativa final (DPIRF) é menor que


a DPIRL para o nível em questão.

101
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Método Prescritivo

E QUANDO K NÃO APARECE NA PRIMEIRA COLUNA DA TABELA?

Supondo um ambiente de 16,00 m de comprido por 13,60 m de largura, com h de 1,60 m.


Aplicando a fórmula, o valor de K seria 2,67. Consultando a tabela novamente, percebe-se
que não há tal valor; após 2,5 o próximo valor é 3. Como proceder neste caso?

Em casos como estes, o regulamento prevê que se faça uma interpolação utilizando os
valores mais próximos determinados na tabela. No caso em questão esse valores seriam
2,5 e 1,83 (Kmin e DPIRLmin), mais 3,0 e 1,76 (Kmax e DPIRLmax).

Fazendo uma interpolação linear:

=G − GE9] > × =Ъ}Ñ´Eᢠ− Ъ}Ñ´E9] >


Ъ}Ѵ = Ъ}ѴE9] +
=GE4¢ − GE9] >

Substituindo os valores

=2,67 − 2,5> × =1,74 − 1,83>


Ъ}Ѵ = 1,83 +
=3 − 2,5>

Resolvendo chega-se a um DPIRL de 1,80 para o K de valor 2,67.

Existem outros dois casos possíveis de valores de K não previstos na tabela:

Valores inferiores a 0,6 (o valor de k mais baixo previsto na tabela);

Valores superiores a 5 (o valor de k mais alto previsto na tabela).

Para valores inferiores 0,6, utilizam-se os valores de DPIRL correspondentes ao K 0,6.


Para valores maiores que 5, da mesma forma, utilizam-se os valores de DPIRL referentes
ao K de valor 5.

102
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Método Prescritivo

COMO SÃO DEFINIDOS OS NÍVEIS DE EFICIÊNCIA

Os valores que definem os diversos níveis de eficiência são determinados através da


análise de quatro sistemas de iluminação distintos em onze ambientes diferentes (para
testar os quatro sistemas em diferentes s K).
O desempenho de cada um dos quatro sistemas de iluminação em cada ambiente
definiu os valores limites de DPIRL para cada nível de eficiência.

Equipamento A B C D

Duas lâmpadas
Duas lâmpadas Duas lâmpadas Duas lâmpadas
com refletor e
Luminária com refletor de sem refletor de sem refletor de
aletas de
alumínio alumínio alumínio
alumínio

Lâmpada 28W, 2900 m 32W, 2700 lm 32W, 2700 lm 40W, 2600 lm

Eletrônico Eletrônico Eletro magnético Eletro magnético


Reator
2X28 W 2X32 W 2X32 W 2X40 W

Potência total 62,0 W 70,0 W 76,5 W 95,0 W

Para conferir se a Iluminância de final é igual ou superior à Iluminância prescrita na NBR


5413 (para a atividade principal do ambiente) basta comparar os valores de EP com Ef.
Ou seja:

[¥ ≤ [s Equação 4.11

Para verificar se a DPIRF é menor que a DPIRL para o nível em questão, procede-se do
seguinte modo:

100 3 × ª 100
Ъ}Ñ´ > Ъ}ÑÒ = Ъ}Ó × = × Equação 4.12
[­ 0 [­

Onde:
DPIRL: Densidade de Potência Relativa Limite, [W/m2/100lx];
DPIRF: Densidade de Potência Relativa Final, [W/m2/100lx];
DPIA: Densidade de Potência Absoluta, [W/m2];
Ef: Iluminância final, [lx];

103
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Método Prescritivo

n: Número de luminárias do sistema de iluminação artificial;


artificial
P: Potência da luminária, [W];
A: Área do ambiente [m²].

Concluindo, se ambas a condições


c se verificarem, então
ntão o projeto luminotécnico
conseguiu alcançar o nível de eficiência desejado. Caso uma destas duas condições não
se verifique, então será necessário refazer o projeto para que alcance o nível de
eficiência desejado (ou aceitar um
um nível de eficiência mais baixo para o projeto)

EXEMPLO DE CÁLCULO

Um escritório localizado em um edifício cuja envoltória já obteve classificação decide


obter também a etiqueta parcial para o sistema de iluminação do escritório. A Figura
4.8,, mostra as dimensões deste escritório. As Paredes A e D possuem refletância igual
a 0,80; enquanto as paredes C e B, possuem refletância de 0,60; a cobertura tem
refletância de 0,80 e o piso de 0,40.

Figura 4.8.Detalhes do escritório.

104
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO (CONTINUAÇÃO)

1. CÁLCULO DO ÍNDICE DE AMBIENTE

1.1. Determinar número de luminárias

Para o projeto utilizou-se: luminárias Indelpa IDL 2404 2x28w com corpo em chapa de aço
e refletor em alumínio; lâmpadas GE T5 Starcoat de 28W (F28W/T5/830) com fluxo
luminoso de 2900 lm, e Reator eletrônico 2x28w.

ÍNDICE DE AMBIENTE:

h = 2,15m  altura entre o plano de trabalho (0,75m) e altura da lâmpada (2,9m).

C×L 32 × 12,5
K= = = X, Ô
h=C + L> 2,15=32 + 12,5>

NÚMERO DE LUMINÁRIAS:

Consultar tabela de Fator de Utilização, do fabricante. Como na tabela não existe o valor
de K correspondente a este ambiente, deve-se interpolar os valores contidos na tabela.
Assim:

Fu = 0,8226 φlum = 2900lm/lâmpada = 5800lm/luminária

A = 400 m² EP = 500 lx – atividade de escritório.

0 × [¥ 400 × 500
3= = = 52,4 ÕÖ \3á\1×
Ìt«E × P« × P¯ 5800 × 0,8226 × 0,8

Arredondando para o próximo número inteiro tem-se 53 conjuntos luminária/lâmpada. No


entanto, para uma melhor distribuição das luminárias serão utilizados 56 conjuntos.

Iluminância inicial e final:

Depois de estabelecido o número de luminárias do ambiente, deve-se verificar se a


iluminância inicial (Ei), e a iluminância final (Ef) são maiores que a iluminância de projeto
(EP):

3 × Ìt«E × P« 56 × 5800 × 0,8226


[9 = = = 667,95 lx
0 400

EÚ = E% × FÏ = 667,95 × 0,8 = 534,36 lx

105
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO (continuação)

2. DETERMINAÇÃO DO NÍVEL DE EFICIÊNCIA

O sistema apresenta uma potência total de 62W, com 2 lâmpadas de 28W e reator
eletrônico.

2.1. Cálculo da DPIA

3 × ª 56 × 62
Ъ}Ó = = = 8,68‚/ ²
0 400

2.2. Cálculo da DPIRF

100 100
Ъ}ÑÒ = Ъ}Ó × = 8,68 × = , ¶a/²/¾
[­ 534,36

2.3. Definição do DPIRL e Nível de Eficiência

Para definição do nível de eficiência energética atingido pelo sistema, deve-se


consultar a Tabela 4.1 do RTQ e comparar a DPIRF encontrada com a DPIRL. Como a
DPIRF encontrada é menor que DPIRL para o nível A, conforme Tabela 4.3, o EqnumDPI
é igual a 5

Tabela 4.3. Comparação entre DPIRF encontrado e DPIRL

DPIRL - (W/m2/100lux)
Índice de Ambiente - K DPIRF - (W/m2/100lux)
Nível A Nível B

4,18 1,73 2,15 1,62

3. PRÉ-REQUISITOS

Para o sistema permanecer com esta classificação, o sistema precisa atender a todos
os pré-requisitos:

• Divisão de circuitos – área de 400m². É necessário dividir o circuito em setores,


para que a área atendida por eles não seja maior que 250m².

• Contribuição da Luz Natural –possibilitar o acionamento independentemente da


fileira de luminárias próxima a abertura.

• Desligamento automático do sistema de iluminação – como a área possui mais


de 250m², deve possuir um sistema de desligamento automático.

Para continuar com a classificação A, todos os pré-requisitos devem ser atendidos.

106
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Método Prescritivo

5 SISTEMA DE CONDICIONAMENTO DE AR
5.1 INTRODUÇÃO

Os sistemas de condicionamento de ar são tratados de dois modos distintos no RTQ,


dependendo se os condicionadores são avaliados pelo PBE/INMETRO ou não. Os
sistemas compostos por condicionadores de ar de janela e split, avaliados pelo
PBE/INMETRO, são classificados através do nível de eficiência que o INMETRO atribui a
cada modelo. Os sistemas compostos por condicionadores que não estão abrangidos por
nenhuma norma de eficiência do INMETRO (que se referem principalmente ao sistema
de condicionamento central, mas também incluem alguns tipos de split), por sua vez, são
avaliados através do seu desempenho em relação a certos níveis.

A classificação do sistema de condicionamento de ar permite classificações parciais. Isto


significa que se pode certificar somente uma sala, um conjunto de salas, um piso ou parte
de um edifício. Neste aspecto, a classificação do sistema de condicionamento de ar
funciona da mesma forma que a classificação da eficiência da iluminação que também
permite classificações parciais.

5.2 PRÉ-REQUISITOS

A determinação do nível de eficiência de um sistema de condicionamento de ar depende


além do nível de eficiência do equipamento, também do cumprimento do pré-requisito.

Os sistemas de condicionamento de ar compostos por equipamentos do tipo janela ou


split, avaliados pelo INMETRO, possuem pré-requisito apenas para nível de eficiência A.
Este pré-requisito consiste em conferir se a unidade de condicionamento de janela ou a
unidade condensadora do sistema split do ambiente em questão está sempre
sombreada. Caso este pré-requisito não seja cumprido, o nível do sistema de
condicionamento de ar cairá para B, mesmo ele sendo composto por equipamentos com
etiqueta A do INMETRO.

Os sistemas compostos por condicionadores não avaliados pelo INMETRO, e que


pretendem obter etiqueta A, além de possuir o desempenho desejado, também devem
atender a uma série de requisitos descritos no item 5.4 do RTQ e neste manual.

107
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Método Prescritivo

5.3 CONDICIONADORES DE AR DO TIPO JANELA OU DO TIPO


SPLIT

5.3.1 Cálculo da carga térmica


O cálculo das cargas térmicas deve ser baseado em normas e manuais de engenharia,
como o ASHRAE Handbook of Fundamentals (ASHRAE, 2005) ou NBR 16401.

SISTEMA DE CONDICIONAMENTO CENTRAL

Se a carga térmica de pico da edificação for superior a 350 kW (100TR) o sistema de ar


condicionado deverá ser central, exceto se comprovado que os sistemas individuais
apresentam menor consumo. Neste caso deve-se apresentar o memorial de cálculo de
simultaneidade, comprovando o menor consumo dos sistemas individuais. O cálculo da
simultaneidade consiste na demonstração de todas as cargas dos aparelhos de
condicionamento de ar utilizados.

5.3.2 Eficiência de vários ambientes


O primeiro passo para determinar a eficiência para sistemas compostos por
condicionadores de ar do tipo janela ou split consiste em consultar a eficiência da
unidade (ou unidades) no site do INMETRO. Pode acontecer que o modelo (ou modelos)
consultado não esteja presente no site do INMETRO. Nesse caso, o nível de eficiência da
unidade (ou unidades) não classificada na tabela do INMETRO é definido como E.

Os níveis de eficiência para estes tipos de unidades podem ser consultados na página do
INMETRO: http://www.inmetro.gov.br

Após coletar os dados de eficiência do INMETRO do aparelho, procede-se à ponderação


das áreas, caso seja necessário. No caso de classificar somente uma sala com uma
unidade de janela ou split, então a eficiência do sistema de condicionamento de ar será
igual à eficiência do aparelho em questão, desde que os pré-requisitos sejam cumpridos.
O pré-requisito, neste caso, reporta-se somente ao nível de eficiência A e consiste em
conferir se a unidade de condicionamento de janela ou a unidade condensadora do
sistema split do ambiente em questão está sombreada permanentemente.

Na maioria dos casos, pretende-se obter a classificação de um conjunto de diferentes


ambientes, várias salas, diversos pisos. Neste caso, deve-se primeiro determinar o nível
de eficiência de cada unidade independente, seja esta de janela ou split. Depois,

108
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Método Prescritivo

determina-se a área que cada unidade independente de condicionamento de ar atende.


Na posse destes dois tipos de dados, calcula-se uma média de eficiência para cada
ambiente, ponderada por área.

EXEMPLO DE CÁLCULO

Um escritório deseja obter a etiqueta do nível de eficiência energética. Este escritório


possui um aparelho condicionador de ar em cada uma de suas salas. A Tabela 5.1
apresenta os dados necessários para a determinação da classificação final.

Tabela 5.1. Dados para exemplo de cálculo de eficiência de vários ambientes

Ambiente Área [m²] Eficiência da unidade Equivalente numérico


1 20 B 4
2 40 C 3
3 50 C 3
4 45 A 5

Para se calcular a classificação geral pondera-se as eficiências de cada ambiente por


área da seguinte forma:

Soma da área de todos os ambientes. No caso em questão:

20+40+50+45 = 155m² ;

Divide-se a área de cada ambiente pela área total dos quatro ambientes obtendo o
coeficiente de ponderação de cada ambiente.

Tabela 5.2. Exemplo de ponderação por área

Ambiente Área [m²] Coeficiente de ponderação


1 20 0,13
2 40 0,26
3 50 0,32
4 45 0,29
TOTAL 155 1,0

109
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO (continuação)

Multiplica-se o coeficiente de ponderação de cada ambiente pelo equivalente numérico


de eficiência:

Tabela 5.3. Exemplo de determinação da eficiência de um ambiente de vários ambientes

Equivalente Coeficiente de
Ambiente Resultado ponderado
numérico ponderação
1 4 0,13 0,52
2 3 0,26 0,78
3 3 0,32 0,96
4 5 0,29 1,45
TOTAL 3,71

O resultado numérico é comparado com a tabela de classificação, Tabela 2.2 do RTQ:

3,5 < 3,71 < 4,5

Assim, o nível de eficiência tem valor B.

5.3.3 Eficiência de dois ou mais sistemas independentes


Quando no mesmo edifício existe mais de um sistema independente de condicionamento
de ar, o nível geral de eficiência do mesmo é determinado através da ponderação das
eficiências de cada um dos sistemas. Esta ponderação é feita em três passos:

• Determinar a eficiência de cada um dos sistemas individualmente;

• Ponderar as áreas servidas a partir de cada sistema em relação ao total do


edifício, ou em relação à parte do edifício cuja eficiência se almeja determinar;

• Calcular a eficiência total do edifício, ou parte do edifício, através da média


ponderada por área da eficiência de cada sistema.

110
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO

Para a determinação do nível de eficiência energética de um edifício de escritórios,


onde a climatização das áreas comuns é feita por um sistema central de
condicionamento de ar e os gabinetes são climatizados por unidades de janela. Neste
caso, a eficiência do sistema de condicionamento seria igual à área das zonas comuns
ponderada pela eficiência do sistema central de condicionamento com a média
ponderada por área de cada gabinete com a eficiência dos sistemas de
condicionamento de janela respectivo.

Tabela 5.4: Exemplo de cálculo de eficiência do sistema de condicionamento de ar com


diferentes sistemas de condicionamento de ar

Eficiência do Equivalente
Sistema Área [m²]
sistema numérico
Sistema central de
300 A 5
condicionamento
Unidade de janela 10 C 3
Unidade de janela 10 B 4
Split 40 B 4

Para poder calcular a classificação geral precisa-se ponderar as eficiências de cada


ambiente por área da seguinte forma:

Soma da área de todos os ambientes. No caso em questão:

300+40+10+10 = 360m²;

Divide-se a área de cada ambiente por a área total dos quatro ambientes obtendo o
coeficiente de ponderação de cada ambiente.

Tabela5.5: Exemplo de ponderação por área de ambientes

Coeficiente de
Ambiente Área [m²]
ponderação
1 300 0,83
2 10 0,03
3 10 0,03
4 40 0,11
TOTAL 360 1,00

111
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO (continuação)

Multiplica-se o coeficiente de ponderação de cada ambiente pelo equivalente numérico


de eficiência:

Tabela5.6: Exemplo de determinação de eficiência

Equivalente Coeficiente de
Ambiente Resultado ponderado
numérico ponderação
1 5 0,83 4,17
2 3 0,03 0,08
3 4 0,03 0,11
4 4 0,11 0,44
TOTAL 4,81

O resultado numérico é comparado com a tabela de classificação, Tabela 2.2 do RTQ:

4,5 < 4,81 < 5,0

Assim, o nível de eficiência tem valor A.

5.3.4 Eficiência de uma zona com diferentes unidades


Pode acontecer que dois, ou mais, sistemas de condicionamento partilhem o mesmo
ambiente. Por exemplo, uma sala de aula que tem três unidades de janela para
condicionamento de ar e que cada uma destas unidades tem potências e eficiência
diferentes; como determinar a eficiência neste caso?

Neste caso, a eficiência de cada unidade seria ponderada por potência e não por área,
uma vez que todos os aparelhos funcionam em uma mesma área.

112
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO

No seguinte exemplo, um ambiente é servido por três unidades condicionadoras


diferentes com distintas eficiências como se pode se pode ver na Tabela5.7

Tabela5.7: Exemplo de equivalentes numéricos de distintos sistemas

Eficiência da Equivalente
Unidade Potência [Btu/h]
unidade numérico
1 7500 B 4
2 9000 C 3
3 12000 C 3

Para poder calcular a classificação deste ambiente é necessário ponderar as eficiência


de cada unidade pela potência, da seguinte forma:

Soma da potência de cada unidade. No caso em questão:

7500+9000+12000 = 28500 Btu/h

Divide-se a potência de cada unidade pela soma da potência das três unidades
obtendo o coeficiente de ponderação de cada ambiente:

Tabela5.8: Exemplo de ponderação por potência

Coeficiente de
Unidade Potência [Btu/h]
ponderação
1 7500 0,26
2 9000 0,32

3 12000 0,42

TOTAL 28500 1,00

Multiplica-se o coeficiente de ponderação de cada unidade pelo Equivalente numérico


de eficiência:

113
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Método Prescritivo

EXEMPLO DE CÁLCULO (continuação)

Tabela 5.9: Exemplo de determinação de eficiência através ponderação por potência

Equivalente Coeficiente de
Ambiente Resultado ponderado
numérico ponderação
1 4 0,26 1,04
2 3 0,32 0,96
3 3 0,42 1,26
TOTAL 3,26

O resultado ponderado é comparado na tabela de classificação e assim:

2,5 < 3,26 < 3,5

Assim, o nível de eficiência tem valor C.

5.4 SISTEMAS DE CONDICIONAMENTO DE AR NÃO


REGULAMENTADOS PELO INMETRO

5.4.1 Sistemas compostos por Condicionadores de Ar de Janela


e Split
Os condicionadores de ar não avaliados pelos INMETRO, devem atender às condições
estabelecidas na Tabela 5.1 do RTQ, para obter as classificações A e B; na Tabela 5.4
para classificação C; e, na Tabela 5.7 para obter a classificação D. Para obtenção da
classificação A, a unidade de condicionamento de janela ou a unidade condensadora do
sistema split deverá estar sempre sombreada. Aparelhos com eficiência menores que as
listadas nestas tabelas terão classificação E. O valor do COP presente nestas tabelas
refere-se à eficiência de resfriamento dos aparelhos de condicionamento de ar.

5.4.2 Sistemas Centrais de Condicionamento de ar


Os sistemas centrais de condicionamento de ar não são avaliados pelo INMETRO, desta
forma sua classificação deverá ser feita através da consulta dos requisitos mínimos
presentes em uma seqüência de tabelas apresentadas no RTQ. De acordo com a
classificação desejada deve-se consultar uma tabela específica:

114
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Método Prescritivo

• Nível A:
o resfriadores de líquido - Tabela 5.2,
o condensadores e torres de arrefecimento – Tabela 5.3,
o atender aos requisitos (itens 5.4.3 a 5.4.9);

• Nível B:
o resfriadores de líquido - Tabela 5.2,
o condensadores e torres de arrefecimento – Tabela 5.3;

• Nível C:
o resfriadores de líquido - Tabela 5.5,
o condensadores e torres de arrefecimento – Tabela 5.6;

• Nível D:

o resfriadores de líquido - Tabela 5.8;

• Nível E:

o quando não se enquadrar em nenhum dos itens acima.

5.4.3 Controle de Temperatura por zona

5.4.3.1 Geral

Cada zona térmica deverá ter sua temperatura controlada por um termostato, sendo que
cada termostato dever atender a apenas uma zona térmica. Pode, entretanto, existir um
termostato que controla um sistema perimetral que está inserido em duas ou mais zonas
térmicas.

Nestes casos, normalmente tem-se dois sistemas em uma mesma zona térmica, o
sistema perimetral que tem a função de retirar as cargas recebidas pela envoltória do
edifício, como mostrado na Figura 5.1, e o sistema interno que tem a função de retirar as
demais cargas da zona térmica. Para o controle dos sistemas periféricos pode-se utilizar
um termostato em mais de uma zona, desde que dispostos em fachadas com a mesma
orientação e com uma distância máxima de 15 m entre eles.

115
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Método Prescritivo

Figura 5.1. Esquema do sistema de condicionamento de ar periférico.

5.4.3.2 Faixa de temperatura de controle

A faixa de temperatura de controle (deadband) é utilizada em sistemas que atuam sobre


resfriamento e aquecimento, e é estabelecida para que não haja sobreposição das
cargas de resfriamento sobre a demanda de aquecimento, e vice-versa. O intervalo
mínimo de 3ºC, como mostrado na Figura 5.2, é definido na regulamentação para evitar
que cargas “falsas” sejam geradas pelo próprio sistema, que deverá compensá-las. Por
exemplo, se há resfriamento no ambiente e a temperatura interna atinge o set point de
21ºC, o sistema de resfriamento será desligado e o aquecimento não será ligado, pois ele
estará programado para funcionar apenas se a temperatura for reduzida a menos de
18ºC, considerando deadband igual é de 3°C . A faixa de temperatura de controle garante,
portanto, que o sistema de aquecimento seja ligado automaticamente somente se a
temperatura cair naturalmente.

Figura 5.2. Faixa de temperatura de controle.

5.4.3.3 Aquecimento suplementar

A capacidade de aquecimento da bomba de calor diminui à medida que a temperatura


externa cai, para suprir esta deficiência e atender a demanda pode-se utilizar juntamente
com a bomba de calor uma resistência elétrica. No entanto, é necessário que haja o

116
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Método Prescritivo

controle desta resistência, de forma que só entre em funcionamento quando a bomba de


calor não for suficiente para atender a carga de aquecimento. Há três casos em que a
resistência pode ser necessária:

• durante os ciclos de degelo da serpentina;

• para complementar a capacidade da bomba de calor, o que exige termostato


específico para este controle;

• para substituir a bomba de calor quando a temperatura externa for muito baixa
(abaixo de 4ºC), o que impede o uso da bomba da calor por risco de
congelamento.

5.4.3.4 Aquecimento e resfriamento simultâneo

Quando os equipamentos de aquecimento e resfriamento, que atendem a uma zona


térmica, são distintos, ou em ambientes muito grandes e climatizados por mais de uma
unidade, é possível ocorrer simultaneamente aquecimento e resfriamento do ar;
acarretando em um maior consumo de energia.

Como requisito para obtenção do nível A, é necessário a existência de um controle que


evite o aquecimento e o resfriamento simultâneo.

Da mesma forma, para a obtenção do nível A o sistema de forma geral não poderá fazer
uso de reaquecimento seja para controle de temperatura ou umidade. Entretanto, existem
casos em que algumas salas com controle preciso de temperatura e umidade podem
fazer uso deste recurso (aquecimento e resfriamento simultâneo), e mesmo assim a
edificação conseguir obter a classificação A se o somatório das áreas destas salas for
pequeno em relação à área total climatizada do edifício, pois a ponderação por área pode
manter o edifício no nível de eficiência A.

5.4.4 Automação
Com a finalidade de evitar que o sistema de condicionamento de ar funcione quando o
edifício está desocupado, deve-se adotar pelo menos um dos sistemas de automação
descritos no RTQ.

5.4.5 Isolamento de zonas


Este requisito evita o suprimento de ar condicionado em grandes áreas não ocupadas
durante o funcionamento do restante do edifício. Sistemas do tipo volume de ar variável
(VAV, Variable Air Volume) atendem a esta situação, sendo que as áreas isoladas devem
possuir sistemas de automação, como os descrito no item 5.4.3 do RTQ, para desativar

117
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Método Prescritivo

os suprimentos de ar.

Os sistemas VAV costumam apresentar uma vazão mínima por zona (em geral, 30% da
vazão total para aquela zona). Assim, o projeto deve incluir um registro extra (damper)
para bloquear a vazão mínima que entraria desnecessariamente na zona não ocupada.

EXEMPLO DE APLICAÇÃO

Uma escola possui um sistema central de condicionamento de ar, que atende todo o
edifício. Como o auditório é ocupado em horário diferente ao das salas de aula, esta
zona térmica deve ser isolada do restante do edifício. Desta forma, durante o período
de aulas, em que o auditório não está sendo utilizado, esta zona será desativada. O
caso contrário também é válido, o sistema de condicionamento deve funcionar
adequadamente para o auditório quando o restante da escola não for utilizado e,
portanto, não estiver condicionado.

5.4.6 Controles e dimensionamento do sistema de ventilação

5.4.6.1 Controles de sistemas de ventilação para áreas com altas taxas de


ocupação

Os sistemas de ventilação com taxa de insuflamento de ar externo superior a 1400 l/s


(5040 m³/h), devem possibilitar a redução automática da renovação do ar, quando os
ambientes estiverem parcialmente ocupados. Uma forma de fazer isto é através de
sensores de CO2, que indicarão quando a taxa de ocupação é parcial e, portanto, quando
e quanto é necessário reduzir a taxa de renovação de ar

5.4.6.2 Ciclo economizador.

O ciclo economizador é interessante para ambientes com significativa carga interna em


momentos em que as condições de temperatura e umidade do ambiente externo são
amenas, como em instalações de uso noturno como casas de entretenimento, boates ou
teatros, situadas em cidades onde ocorrem condições amenas com freqüência.

Para a obtenção do nível A o sistema deverá apresentar ciclo economizador sempre que
o custo benefício for favorável (RCB≤ 0,80).

118
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Método Prescritivo

5.4.6.3 Sistemas de exaustão

O fechamento dos sistemas de exaustão através de dampers motorizados ou acionados


gravidade visa garantir a qualidade do ar no interior dos ambientes ao evitar a entrada de
poluentes, insetos e outros, através do sistema quando o mesmo se encontra desligado.

5.4.6.4 Acionamento otimizado

Sistemas de ventilação com capacidade nominal maior que 5000 l/s (18000 m³/h) devem
possuir controles de acionamento gradual automático. Este controle visa evitar picos de
demanda no acionamento de grandes ventiladores, sendo assim ligados gradualmente
até alcançarem a potência desejada.

5.4.7 Recuperação de calor


Ventiladores individuais com capacidade de insuflamento de ar nominal maior que 2400
l/s (8640 m³/h), devem utilizar recuperador de calor em sistemas que trabalham com 70%
de ar externo ou mais, ou seja, quando a renovação de ar é elevada e, portanto, é
interessante pré-aquecer ou pré-resfriar este ar externo, aproveitando a energia do ar
exaurido.

As exceções envolvem casos como:

• sistemas em que os ambientes não são resfriados ou que necessitam de pouco


aquecimento;

• quando os fluxos de ar são pequenos (vazão de exaustão menor que 75% da


vazão de ar externo);

• quando a exaustão (ar descartado) contém poluentes que podem danificar o


recuperador de calor, como gases tóxicos, fumaça corrosiva ou gordura;

• quando o pré-aquecimento já é realizado por outro sistema.

No recuperador de calor ocorre a troca de calor entre o ar de renovação e o ar de


exaustão, conforme ilustrado na Figura 5.3.

Figura 5.3. Esquema do funcionamento de um recuperador de calor.

119
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Método Prescritivo

São exemplos de tipos de recuperadores de calor:

• Roda de entalpia:
o Eficiência elevada;
o Necessita uma renovação periódica de componentes;
o Pode haver contaminação entre os fluxos de ar.

• Trocador de placas plásticas ou alumínio


o Eficiência reduzida em relação ao primeiro devido à troca exclusiva de
calor sensível.

• Trocador de placas higroscópicas


o Trocas de calor sensível e latente, porém com eficiência reduzida neste
último;

o Elevada durabilidade.

5.4.8 Controles e dimensionamento dos sistemas hidráulicos


Os sistemas de condicionamento de ar com sistema hidráulico com bombas com
potência superior a 7,5kW devem atender aos requisitos descritos abaixo.

5.4.8.1 Sistemas de vazão de líquido variável

Os sistemas de bombeamento hidráulico que apresentam válvulas de controle para abrir


ou fechar de acordo com a carga térmica, devem possuir inversores de freqüência, para
reduzir a vazão da bomba para 50% da vazão de projeto, ou menos.

Mesmo com a redução da vazão da bomba, a pressão deve ser tal que garanta que a
água, ou o líquido refrigerante, alcance todos os pontos. Para tanto, o RTQ sugere a
medição da pressão diferencial no trocador de calor mais distante, ou no de maior
pressão. No entanto, o ponto ideal de medição deve ser definido pelo projetista, dada a
diferença de cada projeto.

5.4.8.2 Isolamento de bombas

Quando existir mais de um resfriador de líquido, em uma central de água gelada, deve-se
assegurar que quando um resfriador for desligado a vazão da central seja reduzida
automaticamente.

5.4.8.3 Controles de reajuste da temperatura de água gelada e quente

O reajuste da temperatura de água gelada e quente aumenta a eficiência do sistema e

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Método Prescritivo

reduz as perdas de calor nas tubulações. Controles para reajuste automático da


temperatura de suprimento de água gelada e quente devem ser implantados em sistemas
com capacidade de projeto maior que 88kW (25TR). Este controle pode ser feito de duas
formas:

• baseado na temperatura de água de retorno, que representará as cargas


existentes no edifício. Este controle deve ser feito com cuidado, uma vez que
mostra a média requerida pelo sistema. Ou seja, quando uma zona térmica
funciona próxima as condições de projeto, e as outras com baixa carga térmica, a
primeira zona térmica provavelmente não manterá suas condições térmicas.

• baseado na temperatura externa.

5.4.9 Controles e dimensionamento dos sistemas hidráulicos


Este item aplica-se ao equipamento de rejeição de calor usado em sistemas de
condicionamento de ar tais como condensadores a ar, torres de resfriamento abertas,
torres de resfriamento com circuito fechado e condensadores evaporativos.

Nestes sistemas, cada ventilador acionado por um motor com potência igual ou superior
a 5,6kW deve poder operar em carga parcial, além de possuir controles que mudem
automaticamente a velocidade do ventilador para controlar a temperatura de saída do
fluído do dispositivo de rejeição de calor ou temperatura/pressão de condensação do
dispositivo. A possibilidade de operar com velocidade variável reduz significativamente o
consumo de energia.

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Método Prescritivo

ANEXOS
Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas

Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”)

UF Cidade Estratégia ZB

AC Cruzeiro do Sul FJK 8


AC Rio Branco FIJK 8
AC Tarauacá FJK 8
AL Água Branca CFI 5
AL Anadia FIJ 8
AL Coruripe FIJ 8
AL Maceió FIJ 8
AL Palmeira dos Índios FIJ 8
AL Pão de Açucar FIJK 8
AL Pilar FIJ 8
AL Porto de Pedras FIJ 8
AM Barcelos FJK 8
AM Coari FJK 8
AM Fonte Boa FJK 8
AM Humaitá FIJK 8
AM Iaurete FJK 8
AM Itacoatiara FJK 8
AM Manaus FJK 8
AM Parintins JK 8
AM Taracua FJK 8
AM Tefé FJK 8
AM Uaupes FJK 8
AP Macapá FJK 8
BA Alagoinhas FIJ 8
BA Barra do Rio Grande CDFHI 6
BA Barreiras DFHIJ 7
BA Bom Jesus da Lapa CDFHI 6
BA Caetité CDFI 6
BA Camaçari FIJ 8
BA Canavieiras FIJ 8
BA Caravelas FIJ 8
BA Carinhanha CDFHI 6
BA Cipó FIJK 8
BA Correntina CFHIJ 6
BA Guaratinga FIJ 8
BA Ibipetuba CFHIJ 6
BA Ilhéus FIJ 8
BA Irecê CDFHI 6
BA Itaberaba FI 8
BA Itiruçu CFI 5
BA Ituaçu CDFHI 6
BA Jacobina FI 8
BA Lençóis FIJ 8

122
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Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”) - continuação

UF Cidade Estratégia ZB

BA Monte Santo CFHI 6


BA Morro do Chapéu CFI 5
BA Paratinga FHIJK 7
BA Paulo Afonso FHIJK 7
BA Remanso DFHI 7
BA Salvador (Ondina) FIJ 8
BA Santa Rita de Cássia CFHIJ 6
BA São Francisco Conde FIJ 8
BA São Gonçalo dos Campos FIJ 8
BA Senhor do Bonfim FHI 7
BA Serrinha FIJ 8
BA Vitória da Conquista CFI 5
CE Barbalha DFHIJ 7
CE Campos Sales DFHIJ 7
CE Crateús DFHIJ 7
CE Fortaleza FIJ 8
CE Guaramiranga CFI 5
CE Iguatu DFHIJ 7
CE Jaguaruana FIJK 8
CE Mondibim FIJ 8
CE Morada Nova FHIJK 7
CE Quixadá FHIJK 7
CE Quixeramobim FHIJK 7
CE Sobral FHIJK 7
CE Tauá DFHIJ 7
DF Brasília BCDFI 4
ES Cachoeiro de Itapemirim FIJK 8
ES Conceição da Barra FIJ 8
ES Linhares FIJ 8
ES São Mateus FIJ 8
ES Vitória FIJ 8
GO Aragarças CFHIJ 6
GO Catalão CDFHI 6
GO Formosa CDFHI 6
GO Goiânia CDFHI 6
GO Goiás FHIJ 7
GO Ipamerí BCDFI 4
GO Luziânia BCDFI 4
GO Pirenópolis CDFHI 6
GO Posse CDFHI 6
GO Rio Verde CDFHI 6
MA Barra do Corda FHIJK 7
MA Carolina FHIJ 7
MA Caxias FHIJK 7
MA Coroatá FIJK 8
MA Grajaú FHIJK 7
MA Imperatriz FHIJK 7
MA São Bento FIJK 8
MA São Luiz JK 8

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Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”) - continuação

UF Cidade Estratégia ZB

MA Turiaçu FIJ 8
MA Zé Doca FIJK 8
MG Aimorés CFIJK 5
MG Araçuai CFIJ 5
MG Araxá BCFI 3
MG Bambuí BCFIJ 3
MG Barbacena BCFI 3
MG Belo Horizonte BCFI 3
MG Caparaó ABCFI 2
MG Capinópolis CFIJ 5
MG Caratinga BCFI 3
MG Cataguases CFIJ 5
Conceição do Mato
MG Dentro BCFI 3
MG Coronel Pacheco BCFIJ 3
MG Curvelo BCFIJ 3
MG Diamantina BCFI 3
MG Espinosa CDFHI 6
MG Frutal CFHIJ 6
MG Governador Valadares CFIJ 5
MG Grão Mogol BCFI 3
MG Ibirité ABCFI 2
MG Itabira BCFI 3
MG Itajubá ABCFI 2
MG Itamarandiba BCFI 3
MG Januária CFHIJ 6
MG João Pinheiro CDFHI 6
MG Juiz de Fora BCFI 3
MG Lavras BCFI 3
MG Leopoldina CFIJ 5
MG Machado ABCFI 2
MG Monte Alegre de Minas BCFIJ 3
MG Monte Azul DFHI 7
MG Montes Claros CDFHI 6
MG Muriaé BCFIJ 3
MG Oliveira BCDFI 4
MG Paracatu CFHIJ 6
MG Passa Quatro ABCFI 2
MG Patos de Minas BCDFI 4
MG Pedra Azul CFI 5
MG Pirapora BCFHI 4
MG Pitangui BCFHI 4
MG Poços de Calda ABCF 1
MG Pompeu BCFIJ 3
MG Santos Dumont BCFI 3
MG São Francisco CFHIJ 6
MG São João Del Rei ABCFI 2
MG São João Evangelista BCFIJ 3
MG São Lourenço ABCFI 2
MG Sete Lagoas BCDFI 4

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Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”) - continuação

UF Cidade Estratégia ZB

MG Teófilo Otoni CFIJ 5


MG Três Corações ABCFI 2
MG Ubá BCFIJ 3
MG Uberaba BCFIJ 3
MG Viçosa BCFIJ 3
MS Aquidauana CFIJK 5
MS Campo Grande CFHIJ 6
MS Corumbá FIJK 8
MS Coxim CFHIJ 6
MS Dourados BCFIJ 3
MS Ivinhema CFIJK 5
MS Paranaíba CFHIJ 6
MS Ponta Porã BCFI 3
MS Três Lagoas CFHIJ 6
MT Cáceres FIJK 8
MT Cidade Vera CFIJK 5
MT Cuiabá FHIJK 7
MT Diamantino FHIJK 7
MT Meruri CFHIJ 6
MT Presidente Murtinho BCFIJ 3
PA Altamira FJK 8
PA Alto Tapajós FJK 8
PA Belém FJK 8
PA Belterra FJK 8
PA Breves FJK 8
PA Conceição do Araguaia FIJK 8
PA Itaituba FJK 8
PA Marabá FJK 8
PA Monte Alegre FIJ 8
PA Óbidos FJK 8
PA Porto de Moz FJK 8
PA Santarém (Taperinha) FJK 8
PA São Félix do Xingú FIJK 8
PA Soure JK 8
PA Tiriós FIJ 8
PA Tracuateua FIJK 8
PA Tucuruí FJK 8
PB Areia FIJ 8
PB Bananeiras FIJ 8
PB Campina Grande FIJ 8
PB Guarabira FIJK 8
PB João Pessoa FIJ 8
PB Monteiro CFHI 6
PB São Gonçalo FHIJK 7
PB Umbuzeiro FI 8
PE Arco Verde FHI 7
PE Barreiros FJK 8
PE Cabrobó DFHI 7
PE Correntes FIJ 8

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Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”) - continuação

UF Cidade Estratégia ZB

PE Fernando de Noronha FIJ 8


PE Floresta FHIK 7
PE Garanhuns CFI 5
PE Goiana FIJ 8
PE Nazaré da Mata FIJ 8
PE Pesqueira FI 8
PE Petrolina DFHI 7
PE Recife FIJ 8
PE São Caetano FIJ 8
PE Surubim FIJ 8
PE Tapera FIJ 8
PE Triunfo CFHI 6
PI Bom Jesus do Piauí DFHIJ 7
PI Floriano FHIJK 7
PI Parnaíba FIJ 8
PI Paulistana DFHIJ 7
PI Picos DFHIJ 7
PI Teresina FHIJK 7
PR Campo Mourão BCFI 3
PR Castro ABCF 1
PR Curitiba ABCF 1
PR Foz do Iguaçu BCFIJ 3
PR Guaíra BCFIJ 3
PR Guarapuava ABCF 1
PR Ivaí ABCFI 2
PR Jacarezinho BCFIJ 3
PR Jaguariaiva ABCFI 2
PR Londrina BCFI 3
PR Maringá ABCD 1
PR Palmas ABCF 1
PR Paranaguá BCFIJ 3
PR Ponta Grossa ABCFI 2
PR Rio Negro ABCFI 2
RJ Angra dos Reis FIJ 8
RJ Barra do Itabapoana CFIJ 5
RJ Cabo Frio FIJ 8
RJ Campos CFIJ 5
RJ Carmo BCFIJ 3
RJ Cordeiro BCFIJ 3
RJ Escola Agrícola CFIJ 5
RJ Ilha Guaíba FIJ 8
RJ Itaperuna CFIJ 5
RJ Macaé CFIJ 5
RJ Niterói CFIJ 5
RJ Nova Friburgo ABCFI 2
RJ Petrópolis BCF 3
RJ Piraí BCFIJ 3
RJ Rezende BCFIJ 3
RJ Rio de Janeiro FIJ 8

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Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”) - continuação

UF Cidade Estratégia ZB

RJ Rio Douro CFIJ 5


RJ Teresópolis ABCFI 2
RJ Vassouras BCFIJ 3
RJ Xerém CFIJ 5
RN Apodí FIJK 8
RN Ceará Mirim FIJ 8
RN Cruzeta FHIJK 7
RN Florania FHIJ 7
RN Macaiba FIJ 8
RN Macau FIJ 8
RN Mossoró FHIJK 7
RN Natal FIJ 8
RN Nova Cruz FIJ 8
RO Porto Velho FIJK 8
RS Alegrete ABCFI 2
RS Bagé ABCFI 2
RS Bom Jesus ABCF 1
RS Caxias do Sul ABCF 1
RS Cruz Alta ABCFI 2
RS Encruzilhada do Sul ABCFI 2
RS Iraí BCFIJ 3
RS Passo Fundo ABCFI 2
RS Pelotas ABCFI 2
RS Porto Alegre BCFI 3
RS Rio Grande BCFI 3
RS Santa Maria ABCFI 2
RS Santa Vitória do Palmar ABCFI 2
RS São Francisco de Paula ABCF 1
RS São Luiz Gonzaga ABCFI 2
RS Torres BCFI 3
RS Uruguaiana ABCFI 2
SC Araranguá ABCFI 2
SC Camboriu BCFIJ 3
SC Chapecó BCFI 3
SC Florianópolis BCFIJ 3
SC Indaial BCFIJ 3
SC Lages ABCF 1
SC Laguna ABCFI 2
SC Porto União ABCFI 2
SC São Francisco do Sul CFIJ 5
SC São Joaquim ABCF 1
SC Urussanga ABCFI 2
SC Valões ABCFI 2
SC Xanxerê ABCFI 2
SE Aracajú FIJ 8
SE Itabaianinha FIJ 8
SE Propriá FIJK 8
SP Andradina CFHIJ 6
SP Araçatuba CFIJK 5

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Tabela A.1: Lista de cidades e respectivas zonas bioclimáticas (Fonte: “NBR 15220-3:
Zoneamento Bioclimático Brasileiro”) - continuação

UF Cidade Estratégia ZB

SP Avaré BCFIJ 3
SP Bandeirantes BCFI 3
SP Bariri BCFI 3
SP Barra Bonita BCFI 3
SP Campinas BCFI 3
SP Campos do Jordão ABCF 1
SP Casa Grande ABCFI 2
SP Catanduva CFHIJ 6
SP Franca BCDF 4
SP Graminha BCFI 3
SP Ibitinga BCFIJ 3
SP Iguape CFIJ 5
SP Itapeva ABCFI 2
SP Jau BCDFI 4
SP Juquiá CFIJ 5
SP Jurumirim BCFI 3
SP Limeira BCDFI 4
SP Limoeiro BCDFI 4
SP Mococa BCDFI 4
SP Mogi Guaçu (Campininha) BCFIJ 3
SP Paraguaçu Paulista CDFI 6
SP Pindamonhangaba BCFIJ 3
SP Pindorama CDFHI 6
SP Piracicaba ABCFI 2
SP Presidente Prudente CDFHI 6
SP Ribeirão das Antas BCFI 3
SP Ribeirão Preto BCDFI 4
SP Salto Grande BCFIJ 3
SP Santos CFIJ 5
SP São Carlos BCDFI 4
SP São Paulo BCFI 3
SP São Simão BCDFI 4
SP Sorocaba BCFI 3
SP Tietê BCFI 3
SP Tremembé BCFI 3
SP Ubatuba BCFIJ 3
SP Viracopos BCDFI 4
SP Votuporanga CDFHI 6
TO Paranã CFHIJ 6
TO Peixe FHIJK 7
TO Porto Nacional FHIJK 7
TO Taguatinga DFHIJ 7

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