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Anténio Augusto Cunha Tratamento e Pratica Le editora Antonio Augusto Cunha VENTOSATERAPIA Yu LAWTZ @ [iy soneases 6) 27.737 Epa awaza2 com br one editora ~ PROLOGO uso da ventosaterapia ¢ do sangramento se perde na histéria, mas é interessante conhecer a situacao social desta época muito particular da hist6- ria da medicina. - A sua reaparicio atual coincide com os grandes movimentos de res- tauragio da antiga medicina oriental. ‘Apesar das muitas vantagens da medicina moderna, claramente com- provadas pela ciéncia, por que existe um movimento de restauracao da tradi- cional medicina folcl6rica? Entre varias terapéuticas antigas, estava o método da ventosaterapia e sangramento, Nao sabemos quem as criou, mas em minha opiniao € o fruto de uma época de descobertas e de trocas de cultura entre os povos. Desta maneira, creio, que a ventosaterapia e o sangramento, ainda que baseados em prinefpios da antiga medicina, firmaram a sua boa reputagio em um mundo moderno, coexistindo com a medicina convencional e obtendo resultados efetivos. A ventosaterapia é um remédio ¢ sim um método terapéutico essencialmente preventivo assim como a acupuntura convencional. Deve ser usada como um suplemento, apés determinada a natureza do problema. O conhecimento bisico da atuag’o da ventosaterapia deve ser consi- derado como um elemento que emprega apenas uma técnica particular como terapia, 0 uso de pressio negativa. A divulgagao desta antiga arte tem a sua devida importncia entre as diversas terapias difundida Guardando 0 seu uso caseiro no caso de aplicagoes de ventosas sem o uso de sangria que podem ser prejudiciais quando aplicadas sem conheci ‘mento ou treinamento. ‘Quem na sua familia nao ouviu “casos” de tratamento com ventosas de nossos avés ou bisavés em alguma antiga casa de satide da época? Desejo que este livro possa divulgar os fundamentos basicos para os que tém curiosidade sobre este assunto, ¢ que permita esclarecer este antigo método na esperanga de futuros trabalhos sobre o assunto. O Autor Observacao: A ventosaterapia nao se destina a prover um substituto para a acupuntura ou para a terapia convencional. A ventosaterapia s6 deve ser usada como unrsuplemento. Para quaisquer condig6es que exijam um tratamento médi- co, procure o seu médico de confianga. O autor nao se responsabiliza pelo mau uso dos ensinamen- tos aqui divulgados. Guardando o uso de ventosas com sangria apenas para pes- soal especializado, por medida de seguranca e esterilizagao neces- sirias segundo as normas da Secretaria de Satide local. w a _ ~ . A antiga arte da ventosa..... 1.2. 3: 1.4. 15. 16. 7. 1.8. 79. 1.10. . Compreendendo as bases fisiolégicas .. . A importancia do sistema circulatério .. . A teoria do dr. Petragnani . Trocas gasosas com ventosas... . A reacio terapéutica provocada pela ventosa .... INDICE Hist6rico do uso de ventosas Hipécrates ¢ a ventosaterapia .. O uso dos principios astrolégico: As receitas de Avicena... O uso das ventosas por antigos cirurgides ... A €poca dos escarificadores mecanicos.... O Baunscheiditismo.... O uso das sanguessugas O uso da sangria de capilares . O principio da desintoxicacao do sangue pela ventosa.. 37 O teflexo terapéutico provocado pela pressio negativa. 47 9 10 10. 1 12. 13. 14, 15. 16. 17. 18. 19. 20. 2 . Regulagem do sistema nervoso auténomo . Tratamento de 32 doengas comuns com ventosas . Relaxamento eficaz para o estresse - O fortalecimento da resisténcia orgdnica As doengas..... 55 Onde aplicar as ventosas? .. A prevengio da hipertensio.. Massagem com ventosas. Os pontos de acupuntura e as ventosa: Os 12 meridianos . Os tipos de ventosas .... Como aplicar ventosa de fogo . Como aplicar sangria ... Os pontos mais comuns para aplicagao de ventosas...... 85 4. A ANTIGA ARTE DA NENTOSA 1.2. Histérico do uso de ventosas No século pasado, a operacio terapéutica de inspirar copos de ventosas no corpo consistia em colocar sobre a pele uma campénula de vidro ou outras formas de inspiradores semelhantes aos copos de ven- tosas, apés fabricar vicuo pela queima do ar no seu interior. Devendo aplicé-las de pronto sobre a pele para gerar succio no local. Este método chamado de ~ “ventosa seca” era aplicado na pele nua, causando trauma subcutaneo e agindo como contra-irritante. Outro método também comu- mente aplicado era chamado de “ven- Neste método, a pele era irri- tada por meio de um instrumento cor. tante, provocando uma leve sangria ‘chamada de “escarificacio”, imedia- tamente antes da ventosa ser aplica- da. sendo também reconhecido pelos antigos médicos como uma medida contra-irritante. ‘As medidas contra-irritantes provocam 0 deslocamento da dor ¢ © efeito conhecido na medicina oriental como “alivio da superficie do corpo”, muito titil no combate das dores por espasmo muscular ¢ enti- jecimentos musculares, reflexos causadores de falsas dores nos rins pulmi u Nao temos idéia de quem fez uso da ventosa primeiro.Tem-se informagées de seu uso desde o antigo Egito. Ela também € mencionada nos escritos de Hipécrates, e pratica- da pelo povo Grego no século IV a.C. Foi provavelmente conhecida e utilizada também por outras antigas nagdes. antigo instrumento utilizado para fazer ventosa era a cabaca, conhecida naquela época como “Curcubitula”, que em latim significa ventosa Nas regiées primiti- ». vas do mundo a ventosa tem registros histéricos que da- tam de centenas a milhares de anos. Nas suas formas mais primitivas, cra utiliza- da pelos {ndios americanos que cortavam a parte supe- rior do chifre dos bifalos cerca de duas e meia polega- (das de comprimento, provo- cando 0 vacuo por succao oral na ponta do chifre, sendo em seguida tamponado. Os antigos curandeiros Medicine men, com poderosos mtiscu- los faciais e agilidade, conseguiam extrair com a boca, por sucgio e logo cuspindo, o veneno injetado na circulagio sangitinea por picada de cobra, aliviando a dor e as ciimbras no abdémen. 1.3. Hipécrates e a ventosaterapia ‘[Hipdcrates]também usava am- bos os métodos de ventosa “seca” e §“molhada” como principal tratamento nas desordens menstruais. oe Ele prescrevia grandes ventosas de vidro a serem aplicadas nos seios de 12 das vaginais”, pelo uso de ventosas durante um longo periodo de tempo em diferentes partes das coxas, na virilha e abaixo dos seios. Hipocrates era cuidadoso na prevengao da sepsia apés a vento- sa, ¢ advertia com o seguinte conselho: “Quando em aplicagao de ventosa molhada, se 0 sangue conti- nuar a fluir apés o instrumento inspirador ter sido removido, se 0 fluxo do sangue ou soro for copioso, os copos de ventosa precisam ser apli- cados novamente até que da drea tratada tenha se retirado 0 abstrato. De outra forma, 0 sangue vai coagular, retendo-se nas inc! ses, e iileeras inflamatérias podem se formar. Aconsetha-se banhar estas partes em vinagre. O local néio pode ficar umedecido, Nunca permitir que o paciente se deite sobre as esca- rificagées, e estas devem ser tratadas com medicamentos para feridas inflamadas”. O uso de ventosas no Ocidente antigo era um elemento tera- péutico corriqueiro e de grande valor panacéico. Pois na falta de elementos da ciéncia, a ventosate- com 0 interior do corpo através do sangue. Ela era respeitada também pela sua atuagao no elemento ener- gético gerado pela respiragiio. Teo- —{Ceisusltambém descreve aplicagdes de ventosas no primeiro sé- culo d.C,, citando que o edema subcutineo produzido pela ventosa seca consiste parcialmente de “flatus” (gases) derivado da respiragao. =< Celsus adverte que a aplicagiio de ventosas é benéfica tanto para doengas crénicas como para agudas, incluindo ataques de febre, e par- ticularmente nos estressados. Quando ha perigo de fazer sangria, 0 re- curso mais seguro é aplicar nesses pacientes ventosas secas. Ele adverte sobre a ocorréncia de edema nas ventosas, sejam secas ou molhadas. Descreve ventosas secas em varios lugares para tra- 3 dores de cabeca prolongadas. ‘Ventosa molhada para dores no pescogo, ventosas secas aplica- das no queixo para angina facial, ventosas no peito para tosse, ventosas ' secas para dores no peito se o paciente nao for bastante forte para o uso da sangria. Estes exemplos de aplicagdio de ventosas servem para ilustrar 0 > (pensamento médico antigo, guiado pela observacaio, e em alguns as- pectos misticos da época, atrelado ao raciocinio do desvio intencional da circulagiio sangtiinea, que era tido como um causador de doengas quando ocorria o depésito de sangue escurecido estagnado em algumas areas do corpo) No uso de ventosas secas para tratar flatuléncia, os copos de ventosas sao aplicados no abdémen em dois ou trés lugares para tratar a indigest&o ¢ dor abdominal. Pois acreditavam estar influenciando na circulagao do ar viciado dentro da drea abdominal retirando o “flatus”. O actimulo de gases no aparelho digestivo era considerado per- nicioso para o trabalho digestivo e excretor, considerado como a “raiz” do corpo. | tar paralisia, ventosas nas témporas e na regidio occipital em caso de Ventosas eram =>) rm usadas com escarificagio f na virilha e até mesmo nos seios em caso de excessi-_ - ya menstruag: Celsus prescreve ventosas locais em caso de abscessos para retirada de material t6xico no local, ¢ indica como extrair 0 ve- neno por mordida de ani- mais raivosos, macacos, cies, animais selvagens ou serpentes. No mesmo sen- tido de retirar o veneno de- positado no local. 4 Outros terapeutas acreditavam que a forga de empuxo provoca- do pelas ventosas exercia no interior do corpo o mesmo efeito que apa- rentava na parte superficial. Ou seja, o vacuo na superficie da pele acon- tecia também no interior do corpo. Como exemplo disso, Aa no segundo século usava vento- sas secas e molhadas, mas de forma preferencial. Ele usava ventosa seca extensivamente na coluna para tratar prolapso de titero. Arateus entendia que a absor¢ao provocada pelas ventosas no local, tinha a fungéio de atrair o Utero, fazendo com que subisse. Para facilitar o seu retorno ao local correto, e para este propé- sito ele aplicava ventosas na area lombar, regio isquial, virilha, coluna e até entre a escapula. Para tratar 0 célera ele colocava ventosa nas costas e no corpo mudando-as de lugar rapidamente (como que massageando), para que as defesas orginicas fossem ativadas, pela dinamizagao das energias provocadas por esse estimulo. Isto é doloroso, quando 0 copo de ventosa é remanejado de um lugar para outro sem o uso de um meio lubrificante (vaselina ou dle); podem ocorrer bolhas pelo atrito da ventosa na pele. Arateus aplicava ven- tosas para ileo, epilepsia, e aci- ma dos rins, nas costas, em ca- sos de calculo renal. Ele usava ventosa mo- Ihada livremente para varios tratamentos, seguido do uso de cataplasmas a base de mostar- | da para esquentar 0 local do- ente, e algumas vezes espalha- va sal nas escarificagdes (uma pratica pungente e dolorosa). famtertl en grande ad- mirador deste método. Ele prescreve ventosas de vidro, chifte e latiio, sendo a tltima a mais comumente empregada, embora recomendasse ventosas de vidro para que médicos sem pritica pudes- sem ver a quantidade de sangue retirado. A sangria na area abdominal era considerada muito importante para que o paciente pudesse ter seus intestinos livres de depésitos de toxinas nas alcas do intestino. Na pletora era contra-indicada. Ele usava ventosas para extrair o que ele chamava de “matéria”. “No_alivio da dor, diminuir inflamacées, dispersar inchagos, induzir ao apetite, restabelecer as energias em caso de fraqueza do estémago, delirio apds pequenos cortes, deter a hemorragia e benefi- ciar a menstruacao”. ‘As aplicagdes nao eram feitas sempre sobre a drea afetada, “Para promover o enj6o no peito e na barriga a aplicagao é feita nas maos ¢ nas partes baixas para forgar 0 vémito”. Ele prescrevia indicagdes de aplicagao de ventosas na letargia frenesi e doengas oculares. Por diltimo, ele recomendava aplicar ventosas nas costas e no pescogo apés a escarificagao, ¢ a observar se foi removida uma boa quantidade de sangue para que possa ser alcangada a melhora. [BETIS] no século VI, desaprovava o uso de ventosas nos seios, pois no seriam faceis de se desprenderem do local, sendo necessario algumas vezes fazer orificios nas ventosas para que pudessem ser reti- radas. no século X, aplicava ventosas em criangas expostas a variola se estas tivessem menos de quatorze anos, mas nfo naquelas com menos de seis meses de idade. Sobre este mesmo periodo Serapifio descreve: “Se a satide do paciente em questdo esté muito abalada como no caso de variola, a sangria poderd causar desmaio. Mas em caso contrario, é permitido usar ventosas”. 1.4, O uso dos princfpios astrolégicos (Aiicena} preferia ventosas molhadas, reservando 0 uso de ven- tosas secas para inchagos frios, e nunca colocava ventosas se estas no pudessem ser movidas para varios lugares. Avicena se recusava a usar ventosas durante o primeiro ano de vida. Ele preferia nao aplicd-las em criangas enquanto nao alcangas- sem trés anos de idade. 16 Ventosas eram contra-indicadas apés dezesseis anos de idade. Teriam melhores resultados se aplicadas no meio do més, quando os humores vitais estariam em estado de agitagdo, e durante este tempo, quando a lua estivesse crescente, os humores vitais também estariam em crescimento. A crenga magica alquimica e astrolégica ditava importantes fa-_ tores nos tratamentos daquela época. 1.5. As receitas de Avicena Avicena prescrevia ventosas seguidas na nuca e pescoco no caso de cabega pesada causada por cansago de leitura, mau hilito, tremor da cabeca ¢ lesdes dos dentes, olhos, nariz, garganta e face —Embaixo do queixo para dor de dente, garganta inchada, per- da de coordenacao da mandibula... — Entre as omoplatas para dores nos bragos e garganta ¢ tam- bém para relaxar o orificio cardia do estémago... — Sobre as lombares para escaras, pistulas, gota, hemorrdidas, bexiga, rins ¢ lesdes urinérias por massas inflamat6rias na parte supe- rior da coxa... — Na parte frontal da coxa para orquite, hérnias e iilceras da pera... —No espaco popliteo para abscessos ou iilcera séptica da perna © pés... — Sobre 0 maléolo para menstruagio retida, cidtica e gota. — Sobre os gliiteos perto do Anus para dirigir os humores vin- dos do corpo e da cabeca, em beneficio dos intestinos, na decompos: co das regras e no alivio do corpo. 1.6. O uso das ventosas por antigos cirurgides Maitre Henri_de Mondeville, cirurgiao geral do rei Phillipe de rranga, escreveu um livro de cirurgia entre 1306 ¢ 1320, incluindo uma a ¢ importante seao sobre ventosas, detalhando os pontos que nés temos mencionado anteriormente, ¢ acrescentando algumas interessan- a7 tes observacdes: ‘Nunca)aplicar ventosas no_nevoeiro ou quando os wentos do sul sopraremi 2k (Os humores sdo abundantes na lua cheia, portanto podemos apli- car ventosas, Nao aplicar ventosas apés o paciente tomar banho. A pes- oa que recebeu ventosa s6 poder comer uma hora depois. Nunca usar ventosas com escarificagdo sem ter aplicado ventosa seca antes para puxar o sangue estagnado para a superficie da pele. Entre as indicagdes, ele lista o uso de ventosas com escarificagao nos seguintes casos: “Perto do umbigo para prolapso de titero. Sobre o umbigo reduz a hérnia ou faz parar a menstruagéo ex- iva em meninas. ces Sobre o figado em caso de sangramento na narina direita; so- bre o bago no caso de sangramento da narina esquerda; em ambos, figado e baco, se ambas as narinas sangram ‘No caminho de uma pedra nos rins, aplicar ventosas na drea lombar faz a pedra descer até a bexiga”. ‘A pele deve estar sempre preparada com aquecimento produzi- do pormassagem com aplicacio de meio Jubrificante. Rapidamente re- boque e deslize a ventosa. No momento da queima, 0 copo deve ser palmado na area preparada, deixé-lo até que seja a hora de retiré-lo, ou seja, até que o local esteja vermelho. Gravuras de ventosas foram en- contradas em ma- nuscritos do _sécu- lo TV, no Museu. Briténico. Os dese- nhos demonstram ventosas secas apli- cadas na regio gli- tea de um antigo cavalheiro por uma mulher de aspecto sinistro. Outra gravura aparece em um calendario germanico publica do em 1438; uma cépia pode ser vista na Biblioteca Wellcome, em Londres. O paciente aparece rece- bendo ventosas no banho, o aten- dente aparece utilizando uma lamparina de dleo que esta na sua mao esquerda. Niel IN Ss Qs anos foram se passan- do e as ventosas secas e molha- das foram sendo usadas livre- mente. TPargfcompilou muitos ca- sos aqui mencionadosemostra- dos com uma variedade de co- pos e dois tipos de escari cadores. 1.7. A época dos escarificadores mecanicos ‘ouxe sua maior contribuigao com a introdugdo do escarificador mecdnico. Ele afir- mava que no servia apenas para ventosas mas também no tratamento da gangrena. O instrumento de Paré consistia em uma caixa contendo um mecanismo possuidor de rodas afiadas em laminas, com um manete fixa~ da no lado da caixa, 0 que fazia mover o instru- mento fazendo-o produzir muitas escarificagdes ao mesmo tempo e em igual profundidade. Scultetus desenhou esta maquina em um desenho similar. Heister provavelmente foi o primeiro a usar 0 escarificador mecanico em ventosa molhada. Sua maquina con- sistia de dezesseis peque- nas laminas fixadas em uma caixa cibica com molas de ago. A base do instrumento era aplicada na pele e as molas faziam o trabalho, bastava aper- tar um botio. Apiés as molas terem parado, existiam dezesseis pontos regula- res feitos pelas dezesseis laminas, ¢ logo apés, 0 copo da ventosa era emborcado. Ele usava esta maquina com beneficio para tratar varias doen- cas. Com uma firme crenga no principio da “revolugao” (efeito reflexo das ventosas a distancia), ele aplicava ventosas a alguma distancia do local doente. Por exemplo: em caso de severa hemorragia vinda do nariz. ou dos pulmées, Heister escarificava e emborcava a ventosa nas pernas ¢ pés. Particularmente sobre 0s tornozelos e joelhos. Mas admitia que médicos ¢ cirurgides julgavam o seu método perigoso. Ventosas de vidro eram muito populares naquela época. Para expelir o ar, pecas de papel aceso eram colocadas dentro dos copos e logo emborcados. Este método tinha a desvantagem de ferir 0 paciente, assim como 0 copo com material aceso no seu interior até extinguir o at, poderia queimar a pele. Se o aplicador nao possui experiéncia, pode com a introdugéio da chama no copo por lamparina, esquentar em demasia o vidro e quei- mar a pele do paciente. O terceiro método era o de utilizar uma bomba exaustora com tema de valvulas para retirar o ar do seu interior. um si A ventosaterapia foi lar- gamente usada pelos médicos. Boerhaave fazia vento- sa seca para tratar pneumonia. Richard Mead tratava apoplexia aplicando ventosas no pescogo com profunda escarificagao. Ele emborcava a ventosa com escarificagdo profunda na érea occipital para tratar doengas dos olhos. “Dirigindo 0 sangue para as ventosas colocadas sobre os om- bros, que podem ser feitas com seguranga e fregiientemente, da bons resultados em pneumonia e doencas dos seios, assim como da cabega, servindo também para acalmar a asma”’ Wiliam Heberden usava ventosas nos ombros em casos de per- sistente dor de cabega, removendo “seis ongas” de sangue! Ele a aplicava também no caso de desordens menstruais. A ventosaterapia persistiu até o século XIX, mas era apenas delegado apto o seu uso em balnearios terapéuticos com atendentes es- pecialmente treinados. Dr. Marshall Hall, do Hospital St. Thomas, descreveu com refi- namento a ventosa molhada em 1845: Eu tenho encontrado utili- dade na minha clinica didria na aplicagaio de instrumentos de ven- fosa, assim como nas incisées cru- das em dngulos retos, aplican- do ventosas de vidro e retirando um pouco de sangue. O objetivo é induzir uma efetiva contra-irritagao. As inci- ses cruzadas se tornam inflama- das ou podem vir a ser excitadas a se inflamar por aplicagées apro- priadas. 1.8. O Baunscheiditismo ‘A original idéia de Karl Baunscheidt demonstrou a propriedade curativa e vivificante das defesas do organismo pelo estimulo irritativo na pele, Karl Baunscheidt, nobre Alemao nascido em 1809 na cidade de Preufsen, viveu em Dusseldorf e depois em Bonn nos seus tiltimos anos. "Karl sofia de reumatismo nas mos. Mas um dia, trabalhava em seu escrit6rio absorto, quando recebeu varias picadas de mosquito em suas mios. Pouco depois do desconforto produzido pelas picadas, a dor de suas maos devida ao reumatismo foi aliviada_ (8 insetos acabavam de ensinar um segredo para as suas dores. Entiio Karl projetou um aparelho com muitas agulhas passando a aplicd-lo_no local doloridg como se imitasse as picadas dos mosquitos. . . Ele nomeou o seu sistema de tratamento de Baunscheiditismo. O seu aparelho recebeu o nome de “restaurador da vida”, nao sendo outra coisa mais que uma reunio de finas agulhas, formando uma escova destinada a produzir picadas na pele. A saliva do mosquito foi reconhecida salutar pelo inventor do Bunscheiditismo, por causar irritagao que contribuiria para expulsar os “humores mérbidos” (na época costumava-se atribuir aos “humores mérbi fe dos” a causa de varias doengas). q Portanto Karl criou 0 “Oleo Baunscheidt”, um leo irritante para ser aplicado sobre as picadas feitas pelo aparelho. Apés a aplicagtio do dleo, formavam-se na pele erupgdes cuténeas. Segundo ele, esta erupedo era importante para efetuar a cura, acreditando que através dela a doenga se projetava para fora do corpo. Esta técnica foi usadana Alemanha, Inglaterra, Franga, Holanda, Russia, América do Norte e até na Africa, 1.9. O uso das sanguessugas Na Europa assim como na Asia existiam varios métodos modi- ficados de sangtia e escarificagao. Na Europa a “venesecedo” ou sangria das veias era uma pratica popular, enquanto na Asia o sangramento das dilatagées capilares (telangiectasias) na periferia da pele junto com ventosas era 0 método mais utilizado. Entretanto, a escarificagdo e o sangramento por meio de “san-_ guessugas” ou através de_emplastros feitos de pastas abrasivas com batata, gengibre etc. eram usados no Oriente. Oemprego das sanguessu- gas teve a sua origem na Grécia. — antiga. A sanguessuga (Hirudus medicinalis) é um verme _aquati co que foi usado durante séculos na medicina. A idéia corrente era que este verme extraia o sangue com “humores mérbidos” e, con- seqiientemente, levava 0 paciente 4 cura. O nome deste verme é Hirudo (em latim) e ha varias es- q es pécies na zoologia. —= Os “humores mérbidos” serian riorados que se acumulam nos vasos sangilineos e nos mitsculos enrijecidos, causando doengas. O uso das sanguessugas como terapéutica foi comum na idade média no ocidente. Em Portugal na antigitidade, os “barbeiros-sangradores” eram, geralmente, os técnicos encarregados de aplicar sanguessugas, por con- cessio de uma licenga para praticar cedida pelo cirurgidio-mor. Naquela época, em Lisboa, foram publicados varios livros so- bre 0 assunto, ¢ os saldes de barbear eram o local de venda de sangues- As sanguessugas préprias para uso terapéutico cram as de égua corrente criadas em fazendas especializadas, As sanguessugas de agua parada nfo cram usadas por serem consideradas t6xic Devemos fazer referéncia ao grande e polémico médico francés Francois Boussais, que foi chamado de Paracelso do século XIX por Saoton Foi aluno de Bichat, cirurgido do exército francés e pro- fessor de Patologia Geral em Paris. Ele tinha uma visdo especial do uso das sanguessugas que cura- vam quase todos os doentes. Este médico tem atualmente seu nome na Enciclopédia Delta Larousse e um hospital com seu nome na Franga. Ele nfo aceitava a idéia dos “humores mérbidos”, e propagava a idéia de que a irritagio seria o principal fator da manutengio da vida e satide. Ele dizia que 0 organismo, ao reagir contra os agentes irritantes provocados, adiquiria novas forga: ‘Os fendmenos vitais dependem de estimulos externos que, quan- do so moderados, mantém o organismo com satide e quando se tornam fracos ou fortes, sobrevém a doenca. Portanto, podemos compreender como as sanguessugas ativa- ram o sistema homeostatico por um duplo mecanismo: a) Exemplo das ventosas causando sua reagio nociceptiva na pele. b) Pela sangria que desperta o sistema homeostético. Mas na antigiiidade, poucos conseguiam entender, € por isso 0 seu uso se tornou abusivo{ Em 1833, a Franca, além de consumir a sua propria produgao de sanguessugas, teve que importar 40,000.00 (quarenta milhdes) de sanguessugas do Império Russo, Turquia e Pérsia) O seu uso foi indiscriminado e irresponsavel, ocasionando com- plicagSes graves, até a supressio da classe dos barbeiros-cirurgiées, e com o desenvolvimento da quimica farmacéutica, teve 0 seu esqueci- mento total. A titulo de explicagao, ha pouco falévamos de venosecgiio, que € 0 método de cortar ou puncionar a veia cubital para evacuar de 200 a 300ce de sangue, com o objetivo de reduzir a circulagio sangiiinea, aliviando portanto a atividade cardiaca ¢ baixando a pressio. Isto faz com que haja um estimulo na circulagao geral do corpo, sendo indicado nos casos de edema pulmonar, ataque cardiaco, hipertensio arterial e intoxicacdo por CO (monéxido de carbono).. 24 1.10, O uso da sangria de capilares A pungao das dilatacdes capilares se tornou o método essencial na acupuntura asidtica. Consiste no sangramento provocado por pun- ‘¢do das finas dilatagdes capilares que se encontram em zonas superfici- ais na pele, provavelmente no sinus venoso. ‘As dilatagdes capilares so supostamente causadas por estagna- eGo da circulagdo sangilinea, Existem varios tipos de dilatagdes capila- res. Elas podem ser solitatias ou miltiplas, reticuladas, radiantes, neares ou esporddicas em suas formas. Quanto 4 coloragiio, podem se apresentar avermelhadas, verme- Iho escuro, purpura ou ciandticas. Apés pun- cionar as dilata- eSes capilares e aplicarmos vento- sas, podemos es- perar a melhora imediata da estag- nagio do sangue, assim como 0 es- timulo da circula- Zo geral e o ali- vio da atividade eardiaca. O con- trole da pressio e © desvio propo: tal da circulagdo que traz benefi- cios na anormal alta temperatura, i=] ap Basta para isso retirarmos apenas poucas gotas de sangue em torno de 10 a 20cc no maximo. Podemos fazer uso desta técnica de uma 2 duas vezes por semana ou mensalmente. 25 Indicagdes do seu uso no tratamento em comum com a Acu- puntura ou nio, nos casos de: a) Pressao arterial anormal, alta ou baixa. b) Ataque cardiaco. c) Gripes e resfriados, tonsilites. ) Asma, especialmente em criangas. e) No caso de varias queixas ginecolégicas, especialmente no estado do climatério. £) Nevralgias, paresias, dores nos ombros, dor de cabeca, lombalgia. 2) Distiirbios digestivos, hemorréidas, doengas da pele. h) Intoxi i) Traumatismos e entorses. io por CO (monéxido de carbono). Sendo contra-indicado na gravidez, doengas cardiacas e desnu- trigao. 2. COMPREENDENDO AS BASES FISIOLOGICAS © corpo humano possui uma eficiéncia incompardvel no de- sempenho do’seu organismo com seus sistemas ¢ fungdes. O coragio, sendo um orgao de proporgdes de 10 por 15 em, bombeia 0 nosso san- gue por uma rede de_90,000 quilémetros de vasos sangiiineos durante 24 horas por dia em uma vida média de 80 anos de idade, mantendo 0 corpo em boas condigées. Portanto, a circulagao sangiiinea e o sangue desempenham uma importantissima fungdo no corpo humano. Se alguma coisa afeta o san- gue ou a sua circulagiio de modo terapéutico ou maléfico, iri conse- giientemente gerar um efeito curativo ou destrutivo na nossa satide. sangue humano é composto na maior parte de fluido, mais conhecido como plasma, onde glébulos ver- melhos e brancos ¢ plaquetas estéo em seu meio. O plas- ma sangiiineo é composto de 90% de Agua, os outros 10% So constituidos por gases como oxigénio, gas carbé- nico e nitrogénio; alimentos, proteinas e sais; substdncias protetoras como anticorpos; horménios, matérias toxicas como uréia, acido trico, e outras. Nos humores, ou seja, nos fluidos do corpo, ¢ onde se efetua o metabolismo. O homem quando adulto tem uma quantidade de agua no corpo no valor de cerca de 70% do seu peso. Esta Agua esta situada entre o interior e o exterior das células, e ‘em ambos os ambientes ela dissolve um grande nimero de substancias. Ha uma expressiio comum no Japao que diz “O_homem saud4- vel parece respingar Agua”. Realmente tanto 0 homem quanto a mulher que possuem a pele bonita, vigosa, tm ambos uma pele hidratada elastica muito atraente. Mas conforme a idade avanga, as células do organismo vao per- dendo Agua ea pele vai se tornando ressecada ¢ rugosa. Se a jovialidade corresponde ao frescor, comparamos a velhice ou senilidade & desidra- tagao do organismo. O organismo de um bebé tem 80% do seu peso constituido de Agua em comparagio com_o adulto que tem 70% em média, 0 idoso ‘Com o envelhecimento, gradativamente os 60 trilhGes de célu- las organicas perdem Agua. A perda da umidade da pele é a demonstra cio do envelhecimento. Como as células perdem Agua, 0 tecido subcu- tineo comeca a murchar e a pele perde a elasticidade criando rugas. Mas s sangiiineos também envelhecem, ¢ a prevengao deste envelhecimento consiste em conservar e manter a umidade das células organicas. ; . / A atrofia também ocorre com os vasos sangiifneos. Os vasos dos jovens sao elisticos ¢ possuem um certo calibre, mas na velhice, estes vasos sangilineos se tornam finos e rigidos devido & arteriosclerose. Em conseqiien- cia, o sangue nao consegue fluir livremente e pode entupir os va- sos sangiiineos com facilidade. ts Ouso da yentosa promo- ve a vasodilatagio momentinea ao ser aplicada, ¢ ao ser retirada, © vaso sangiifneo retorna ao seu calibre normal, fazendo uma es- pécie de gindstica circulatéria. Semelhante & vasodilatagdo e vasoconstrigéo provocadas pelo uso da Sauna Finlandesa. Os acidentes vasculares cerebrais sao classificados: (a) Como hemorragia cerebral quando ocorre 0 rompimento do vaso sangilineo cerebral. (b) E em caso de infarto cerebral, quando ocorre entupimento dos vasos. Ultimamente no mundo todo, o niimero de infartos e a sua ocor- réncia em pessoas jovens tem aumentado. Devido ao uso das “junk foods”, como hamburguers, batatas fritas, pizzas, e alimentos a base de carne somado ao estresse. Os jovens de hoje entopem os vasos sangiiineos com maior fa- cilidade do que antigamente, o que é um sinal precoce de envelheci- mento. Precisamos portanto tomar cuidado com a nossa alimentagio, e aumentar 0 consumo de agua diario. 29 3. A IMPORTANCIA DO SISTEMA CIRCULATORIO O sistema circulatério dos homens difere do das mulheres. Tal- vez esta’ seja a explicagdo para a maior longevidade das mulheres em comparagéio com os homens. Elas possuem um comprimento m: dos seus vasos sangiiineos, em relagao aos homens. Em conseqiiéncia, os seus vasos sangiiineos séo também mais curtos € portanto sobrecar- regam menos 0 coracdo. Mesmo entre os homens, aqueles que vivem mais, geralmente s4o os que tém menor es\ Ho sii Para melhor explicar este fato, imaginemos as mangueiras do corpo de bombeiros. Quando hé apenas uma mangueira, a Agua flui livremente, mas basta conectarmos 3 ou 5 mangueiras, e percebemos de imediato que o fluxo ou jato de agua perdeu a forga, isto se nao aumentarmos a poténcia da bomba e a pressio da Agua. Este fato demonstra 0 que ocorre com 0 corag%o € os vasos sangilineos. A vida média dos jutadores de Sum6 no Ja- pao est, segundo as esta- tisticas, em torno de 54 a 55 anos. Este fato é atri- buido a grande sobrecar- ga do coracio pelo esfor- co de enviar o sangue para todo 0 organismo. Nos Estados Uni- dos, a diferenga de vida média entre homens e mu- Iheres & de mais de 10 anos, sendo a principal causa atribuida a grande estatura do povo americano e obesidade. A segunda causa da maior longevidade das mulheres é a capaci- dade hematopoiética superior 4 dos homens. ‘Uma vez que perdem sangue com freqiiéncia por causa da mens- truacao e do parto, elas dispdem da capacidade de repor prontamente essas perdas. Portanto, os_ componentes sangiiineos das mulheres sitio sempre mais frescos e saudaveis se compararmos com os homens. Segundo os antigos livros de Medicina Oriental, o sangue trans- porta a energia. Eles estavam corretos, estima-se 0 volume sangilineo total do homem como correspondente a_1/3 do seu peso. Para calcular de modo pritico 0 ~~ 9 seu volume sangtiineo, faga a seguinte pro- Kr porgdo: o sangue corresponde a cerca de Ocal 80 ml por quilo de peso nos homens e cer- CZ \ cade 60 mi por quiio na mulher, resta ago- ley ra multiplicar estes nimeros pelo seu peso para obter o valor correto. Este volume de sangue é 0 que cir- cula por todo o seu organismo no tempo de um a dois minutos. Neste tempo, o sangue é respon- savel pelo seu papel importante na resp racdo, ele & que leva o oxigénio para o te- cido dos érgaos, o sangue remove o gis carbénico do sistema ¢ o elimi- na através dos pulmées. Mas precisamos, para manutengio de nossa vida, de nutrientes vindos de fora. Fisiologicamente, as células necessitam de nutrientes (alimentos energéticos, reguladores e plisticos) para que possa haver equilibrio, restaurador, e o sangue leva estes nutrientes para os tecidos dos drgaos, absorvidos pelo intestino delgado. Ele elimina as matérias t6xicas através dos érgdios excretores, € regula a atividade dos fluidos naturais das varias partes do corpo, trans- portando os varios horménios que estimulam ou inibem 0 trabalho dos érgaos internos. Além disso, sangue tem uma acio protetora, possuindo subs- tancias chamadas anticorpos, que tém a capacidade de destruir as toxi- nas € outros agentes nocivos. Distribui calor para o organismo, manten- do uma temperatura constante, modera os excessos térmicos do ambi- ente externo, ¢ fica armazenado em pequenos depésitos, principalmen- te no bago e figado, além de outros tecidos, no caso de emergéncias. Qual a fungao das ventosas na satide? —P O uso freqiiente de ventosas controla a corrente sangiiinea, que ja vimos ser de grande importincia para a manutenedo da vida ¢ da © energia do corpo. ==> 0 uso das ventosas provoca também fortalecimento dos vasos @ sangiifneos, pois os vasos capilares ¢ linfaticos reagem a pressio nega- tiva no corpo produzida pelas ventosas, expandindo-se ¢ contraindo-se. —® Neste processo os vasos se fortalecem, tornando mais eficiente a corrente sangiiinea, evitando infartos, derrames, etc. No caso dos cortes e fetimentos provocados pela pungio da microssangria ¢ escarificagao terapéutica, em geral ocorre uma melhor reagdo do organismo ja preparado por receber este estimulo, evitando infecgGes e propiciando um rapido restabelecimento. 33 4. A TEORIA DO DR. PETRAGNANI O professor ¢ doutor G. Petragnani, diretor do Instituto de Higi- ene da Universidade da Catania, defendeu em comunicagio 4 Acade- mia Médico-Fisica em 1953, a teoria de que o envelhecimento podia ser retardado e as doencas poderiam ser evitadas se 0 organismo adulto fosse submetido periodicamente a estimulos como escarificagdes e pe- quenos cortes provocadores de sangria, assim como injegio subcutinea de coléides, e estimulos como os da ventosa, e massagem por percussio em todo 0 corpo, além do uso de perfuragées por agulhas ou pregui- nhos em um aparelho montado para este fim. Esta constatagdo se deu pelo fato de os camponeses terem o ito de se ferirem para adquirir satide conforme a sua tradicio. Se ( Estas auto-agresses sio capazes de solicitar uma reagdo salutar do organismo trazendo periodicamente as func6es do corpo ao maximo le atividade funcional, excitando pelo estado de “alarme” as defesas orginicas e fortalecendo a sua reagao aos estimulos exdgenos e as do- engas. ) ar ss) Ker | 5. © PRINCIPIO DA DESINTOXICACAO DO SANGUE PELA ENTOSA ®—» ( Desde a antigiiidade no Oriente é conhecida a propriedade da ventosa de limpar o sangue das toxinas acumuladas causadas pela su- jeira da agua e dos alimentos, pois a estagnagao do sangue coagulado, escuro, sujo, nos misculos das costas ou nas articulagdes ¢ considerado pela medicina oriental como um dos elementos causadores de doengas, sendo necessério retir4-lo para que o paciente possa se restabelecer. ) ‘A aplicagio da ventosa produz uma reagio no corpo que se manifesta por uma marca na pele. Segundo o estado de satide do paci- ente, pode ser vermelha, roxa, marrom e até preta! Em certos casos po- ‘dem até se formar bolhas de agua no local onde a ventosa foi aplicada, devendo essa agua ser retirada por perfuragao destas bolhas com agulha esterilizada. Esta constatagio —feita pelo povo oriental durante milé- nios — de diferentes cores entre as marcas, elucidou a importin- cia da qualidade do sangue. Quando se aplicavam ventosas no local doente, na pele ficavam marcas roxas e até pretas, enquan- to em dreas normais apareciam marcas avermelhadas. Reacao terapéutica da ventosa 37 Esta base pritica demonstra a importancia da troca gasosa, vi- sando limpar o sangue de impurezas, naturalmente modificando a cor escura para a avermelhada, quando o local se recobrou da doenga. A limpeza das toxinas no sangue pela respirago pulmonar é 0 método mais comum de se manter saudavel, quando 0 corpo esté em seu estado normal. Porém, quando o corpo esté doente, o ritmo da respiragio se torna diferente, pouco profundo. Conforme a medicina oriental, este ¢ um sinal de que existe doenca no corpo, enfraquecendo as trocas g: sas pela respiragio. - a » Para haver satide, € necessério que a“alealinidade do sangue, com 0 seupH de 7,2 a 7.4, nfo seja aumentada ou diminuida em extre- mos, pois pote trazer doengas ¢ até a morte. O sangue bioquimicamente equilibrado tora o pH das células homogeneamente estavel. Este processo de controle é geralmente feito pelos rins ¢ pulmées. } Falamos hd pouco em sangue suo, escuro. Este sangue esta vol- tado para a_acidez/enquanto o sangue limpo esti para o pH neutro, ou seja, nem éeido nem alealino. O sangue venoso possui pH 7,2 a 7,3, enquanto 0 sangue arte- rial tem pH em tomo de 7,3 a 7,5, Se hi equilibrio neste valor de pH a p vida se mantém, P + “A diferenca do pH de 0.2.0 0,3 6 que mantém a satide, Embora 0 valor seja pouco, basta o seu desequilibrio para cairmos enfermos. Se este mecanismo compensatério nao existisse, 0 corpo nao seria capaz de curar as doengas por si mesmo, até mesmo a cirurgia nfo teria efeito. O ato de respirar se realiza instintivamente desde 0 nascimento. E considerado importante para a manutencio da satide pelos povos ori- entais desde a antigiiidade. Se por algum motivo a respiracio parar, a falta de oxigénio no sangue faré com que o valor do pH arterial caia, causando falecimento. —+ (_Este principio Iégico fez com que se proliferassem os sistemas de respiracao para satide usados no Oriente, assim como a Yoga, 0 Qi Gong, e o Shin Kokyu hé que, unidos a captagao da energia vital Ki do universo, possibilitam a limpeza do sangue traduzindo-se num excelen- te método de cura espontinea)) 38 ¥ oO volume}de ar trocado na respiracio é de 20% de oxigénio na inspiragio e 16% na expiracdo, demonstrando que(4%) do volume de oxigénio respirado é absorvido pelo organismo. ~~ 4 ‘A quantidade de_gas carbonico na inspiragio é de 0,03% e na expiracio o seu valor sobe para 4%” Demonstra portanto que 0 meca- nismo respirat6rio expulsa 0 gas carb6nico ¢ distribui através do san- gue 0 oxigénio no organismo, elevando o pH. Para que essa troca de gases possa ocorrer no mecanismo respi- ratério, 0 corpo necessita da diferenga de pressio gasosa nos alvéolos pulmonares. O ar atmosférico, segundo as leis da fisica, possui a caracteristi- ca de se locomover naturalmente quando ha desnivel de pressio no seu ambiente. Ou seja, ele se move do local de presséo mais alta, migrando para onde hi o valor de presso mais baixa. Este mecanismo da natureza é que produz o vento. Se esta dife- renca de pressio € baixa, mas seu valor é muito alto 0 vento se transfor- ma em destruidores tufées. As trocas gasosas nos alvéolos pulmonares também obedecem & mesma lei. E por diferenca de pressio que o oxigénio passa dos al- véolos para 0 sangue dos capilares ¢ o gas carbénico do sangue venoso para os alvéolos. A aplicacao de_ventosas na pele baseia-se, desde os tempos an- tigos, no mesmo prinefpio: na lei_de trocas gasosas através da pele, climinando os gases estagnados no corpo ¢ promovendo a li sangue, pelo uso da pressio negativa produzida pelo vécuo. Al we 39 6. AS TROCAS GASOSAS COM NENTOSAS A pele antigamente cra considerada apenas como uma simples cobertura do organismo destinada a protegé-lo contra agentes agressores do meio ambiente. A pele na verdade é uma membrana grossa, resistente e flexivel, que cobre 0 corpo ¢ te \etros quadrados de superficie em adultos, E uma excelente capa protetora das influénciassmecani er micas, quimicas; é um 6rgio excretor, receptor de estimulos e regula- dor da temperatura corporal. Ela se compoe de epiderme, hipoderme e derme, sendo 0 maior aparelho do corpo humano. Apele € considera- da um aparelho de respira- cio, assim como o pulmio, mas 0 seu grau de absorgao de oxigénio é bem menor. Ela se destina mais 2 elimi nagio das células enve- Ihecidas, ou a excre¢aio das toxinas pelo suor, e gases que intoxicam. Estas fungdes ex- cretoras sio exercidas pe- Jas glindulas sudoriparas glindulas sebiceas. As glandulas sudoriparas conseguem eliminar as toxinas gaso- sas pelo suor, que possuem pH em torno de 4,5 a 6,5. Ela também elimina gases por diferenca de pressio como se fosse o pulmio. A-pele é coberta por 1000 “bar” (unidade de pressio usada em meteorologia) de pressio isométrica (Quando aplicamos a ventosa, ou seja, 0 vacuo em sua superfi- cie, retiramos daquele local os 1000 “bar” de pressao, ¢ forgamos para que ocorra o fendmeno descrito pela lei fisica de trocas gasosas, fazen- do com que os gases migrem para a baixa pressio. Como conseqiiéncia, as toxinas e os gases, como 0 gas carbé- nico, g4s amonfaco (formado quando os rins falham em transformar amonfaco em ficido trico) etc. que ficam embaixo da pele, so imedia- tamente eliminados. Reparem-que 6) mecanismo é 0 mesmo que ocorre nas trocas gasosas no alvéolo pulmonar, isto é, diferenga de pressdes. Este € 0 mecanismo fundamental para limpeza do sangue pro- duzido pela ventosa. Aparelhos compressores so utilizados no Japio para dar maior pressio negativa dentro do copo, por aspiragio. Os copos de ventosa para este fim devem ter o bocal grosso e arredondado para nao ferir a pele do paciente, adaptado com valvula pneumitica. A forca de sucgio 6 muito forte propositalmente para produzir um bom desempenho terapéutico segundo a técnica de ventosaterapia do professor Kuroiwa. No Brasil temos 0_aparelho de ventosaterapia Seki, elaborado pelo professor Seki, que produz por compressor uma pressao negativa de até 70 mil bares com fins terapéuticos. O principio usado pela ventosa nio elimina apenas os gases, mas, através dos pontos dos meridianos usados pela Acupuntura, con- segue eliminar toxinas por reflexo dentro dos érgios internos no inte- rior do corpo. J Consegue assim uma limpeza maior do que a obtida pelo pul- mio, regulan(lo a pressio negativa por compressor. J 192 5 e=-@ Aparetho de Ventosa Seki Uma demonstragao da limpeza, por eliminagdo de gases inter- nos com uso das ventosas, consiste no seguinte experimento: Prepare uma quantidade de égua de 1/4 do tamanho em volume do copo ventosa. Coloque esta gua no interior desta ventosa antes de aplicé-la no cor- po. (Aconselhamos para esta ex- perigncia usar ventosas por sucgdo Seki.) Observe, apés aplicd-la na pele com uma boa presso, que se formam bolhas de gas na agua dentro da vento- sa. Conforme aumentamos 0 grau de pressdo negativa de sucgo, au- mentaremos a quantidade de borbulhas Isto 6 geralmente provocado pelo ato imoderado de comer e be- ber demasiadamente, abuso do Alcool, ingestio de alimentos poluidos ‘ou demasiadamente gordurosos ¢ condimentados. Este caso a medicina oriental descreve como “acémulo de ali- mentos”, em que o paciente come demasiadamente, formando substin- cias indigestas t6xicas no organismo. 44 7. A REACAO TERAPEUTICA PRONOCADA PELA NENTOSA O tratamento pela ventosa foi desenvolvido através do longo processo de pratica, vivéncia e luta contra a doenga. O seu uso é simples e facil e sua eficiéncia no tratamento de certas doengas comuns conseguiu grande aceitagio na China, Japio e _ Coréia. E popular o seu uso familiar! ~@ (£ comum vermos na China ou no Japao pessoas irem a praia com _mareas nas costas produzidas pelas ventosas. Estas marcas desa- parecem sozinhas dentro de dois a trés dias.) Aqui no Brasil este recurso terapéutico é usado pelos imigran- tes orientais ¢ alguns curopeus tradicionais. Creio que, no Brasil, a acei- tagao social do método utilizado pela ventosaterapia é uma questio cul- tural apenas. Como a ventosa trata a doenga? Tem-se observado no Oriente que 0 tratamento peld{uso da ventosa possui a capacidade de regular a + _fungio nervosa quando aplicado nos pontos dos 14 meridianos: Au- menta também a resisténcia do corpo As doencas pela aplicagao de ventosas com off sem sangria, desintoxica os tecidos promovendo uma purificagdo e melhor respiragao da pele, como também a qualidade da circulagio sangiiinea fornando os vasos mais flexiveis ¢ limpando os teCidos abaixo da pele. ——— * Ajuda na retirada de nddulos gordurosos localizados, responsé- vei pela formagio das celulites, que atrapalham 0 livre fluxo sangiiineo. ] ——Sie-coadjuvanies no trabalho de remocio dos radicais livres — moléculas de oxigénio agressivas causadoras de desequilibrio bio- \,quimico — e na limpeza do sangue sujo, eliminando 0 excesso de colesterol. Os efeitos da aplicagio das ventosas so percebidos facilmente na parte externa quando em tratamento local. O esvaziamento sangiiineo dos tecidos provocado pelo seu uso ¢ 0 aumento da circulagio podem retirar rapidamente o sangue dos teci- dos, substituindo por outras, as células sangiifneas ext actimulo‘dé sangue sujo localizado ¢ removi ido, t ‘razed (Ress dor ) provocada pelo inchago. e Nos casos de estiramentos de motes escoriagdes e dor local por hematoma, a sangria com ventosa traz pronto restabelecimento. Quando aplicamos ventosas, o vacuo formado engole a pele fa- zendo com que o sangue comece-a ser sugado para a periferia da pele com mais intensidade, provocando 0 reflexo terapéutico conforme a cor € a tipologia de sua apresentagio na pele. O grau de forga de suc¢io depende do tipo de doenga, cronica ‘ou aguda, podendo ser forte ou moderada para atingir 0 nivel de est{- mulo necessario para uma boa reacao do corpo contra a doenca. 46 8. O REFLEXO TERAPEUTICO PRONOCADO PELA PRESSAO | NEGATINA | ena io quando a ventosa ¢ retirada, fazendo com que ocorra uma reagio terapéutica propicia _ativacio da forca vital contra a doenga. Com base emG.000)anos de hist6ria, a ventosaterapia tem a ‘© vantagem de ser segura e nao possuir contra-indicagées. Tim detcSaieade Useaeie deve GSEreat ce pontis © Arias de aplicagio das ventosas, para que os resultados sejam prontos e efi- @~ Napritica de ventosas secas nao é preciso conhe- cer_ com profundidade a teoria, Pode-se seguir trés aspectos biisicos: a) Aplicagao local, onde se manifestar maior prazer, trazendo alivio ime- diato. b) Aplicagao nos pon- tos locais ¢ distantes nos casos de dores. c) Aplicagio no_pes- _c0go € nas costas. Mesmo que nos possa escapar um ponto ou outro, nao hé moti- vos para preocupagio, pois 0 bocal da ventosa é grande o suficiente @ — para abrangé-los, mesmo porque da ventosaterapia é expan- dir os vasos, pela pressio negativa, mlhorando ¢ desobstruindo a cit- culacao estagnada. : O reflexo da pressio é — Bw o.¢feito mais importante da ce = ventosaterapia. Entretanto, é pouco conhecido na medicina atual. Este tema foi objeto de investigagdes cientificas no Ja- pio, em virtude do fenémeno particular de aparecimento de suor na aplicagio das ventosas. A transpiragio no local de aplicacao da ventosa se deve & pres- so assimétrica negativa exercida sobre 0 corpo. © —> ( Aopzessio negativa aplicada na pele influi nao somente no refle- xo de sudorese, mas também no reflexo do enrijecimento e nas _fungdes do sistema nerv uuténomo,) Quando uma ventosa succiona uma zona cutinea, produz-se uma troca no lado oposto a essa zona. Esta troca é relativa conforme a dose de pressio negativa no local. Este fendmeno € produzido por estimulo do sistema nervoso vegetativo. Em principio o sistema parassimpitico se volta predominante- ® —= mente no lado oposto. Isto explica como é possivel cortar a hemorragia nasal, aplicando ventosas no ponte({6VG)situado entre a base occipital ea borda superior da nuca na linha posterior. ——» Quando se aplica pressfio em ambos os lados do corpo ao mes- mo tempo, o sistema parassimpatico predomina. Isto explica a sensacio de sono durante a aplicagdo da ventosa. = Outro efeito sobre a pele é 0 da influéncia exercida sobre a permeabilidade capilar mediante o nervo. Ao aplicarmos as ventosas, ha a formagao de edema local. 48 Como se sabe, o edema se produz em caso de permeabilidade capilar, ou seja, quando o aumento da permeabilidade permite a passa- gem de proteinas ¢ de outras moléculas até os capilares dos tecidos celulares. Isto aumenta a pressio osmética do tecido intersticial e a égua dos capilares se dirige ao tecido subcutineo, produzindo o edema. Gragas a esta modificacio de permeabilidade capilar, a ventosa ativa o intercimbio gasoso (entre os tecidos ¢ capilares) e a drenagem do liquido extracelular, 0 que forma um edema passageiro causado por uma decadéncia funcional de certos drgaos internos. | Como exemplo, nos referimos ao edema ocasionado por enfer- midades organicas, como a insuficiéncia cardiaca, hepatica ou renal e outras enfermidades, sendo absolutamente necessario consultar um médico especialista para tratar a enfermidade de origem. 9. REGULAGEM DO SISTEMA NERVOSO AUTONOMO O sistema nervoso se liga a todas as partes do nosso corpo, gerenciando a fungio dos 6rgios internos. A funcio alterada do sistema nervoso pelo aumento ou inibigéo de sua funcao pode levar ao mau funcionamento de certos érgios, resultando em doengas. O sistema nervoso auténomo compée-se de uma réde de células e fibras nervosas; ele controla os misculos involuntarios e regula as fungées vitais do corpo. —» (Nao age sob o controle de nossa vontade, mas o estimulo nos pontos ¢ meridianos usados pela acupuntura tem demonstrado influenciar asua ado.) As técnicas de tratamento usando ventosas nos pontos dos 14 meridianos tém um efeito reflexo sobre estas fungdes nervosas, fazen- do com que os desequilibrios do sistema nervoso se regulem por meio da chamada teoria da reagio “neuroepidérmica”. Segundo pesquisado- res orientais, proporcionados pelo estimulo da ventosa nos pontos de acupuntura, ativaria certas ligagdes (ainda nao totalmente descobertas pela ciéncia atual) que se transmitiriam ao sistema nervoso, aumentan- do a resposta das células nervosas na liberagiio de elementos quimicos neurotransmissore: Desta maneira as dores podem ser aliviadas, assim como outras doencas. Alivia também hipertensio, pois a dilatagao dos vasos por meio de aco reflexa nervosa produz a queda temporaria da pressao arterial, e, pelo efeito relaxante, revigora as forcas abaladas pelo estresse. st ae Algumas provas experimentais em anos recentes feitas na Coréia demonstram que as ventosas, quando aplicadas em ntimero na regifio das costas inferior e superior, aumentam o fluxo de sangue nos érgios internos, resultando no fortalecimento dos rins e figado. Fortalecendo estes 6rgios, teremos 0 organismo também fortalecido, pois eles funci- ‘onam como grandes filtros sangiiincos. (Estomago) (Bexiga) (Bago) (Figado) Observem que as ventosas sio dispostas no local proximo ao 6rgio mencionado. Para exercer um efeito sobre 0 6rgio interno desejado, so usa- das um grande niémero de ventosas no local para estimular a reagio local “neuroepidérmica”, produzir a desintoxicagao, a troca sangiifnea por estimulo reflexo, fortalecimento dos 6rgaos. s2 10. RELAAAMENTO EFICAZ PARA O ESTRESSE Recentemente aumentaram consideravelmente as queixas em torno de varias doengas. Os médicos teriam dificuldades e dtividas no diagnéstico desses pacientes, pois nfo apresentam nenhum sintoma de- finido que se possa classificar. Mas, na maioria dos casos, seriam pro- cessos conseqiientes de fadiga adquirida pela vida moderna. Hans Seyle, da Universidade de Montreal no Canadé, em 1936 deu inicio a experiéncias por um perfodo de 30 anos, até formar a sua teoria da sindrome do Estresse. -y Stress significa distorgio, ¢ os seus estimulos estressantes po- dem ser de calor, frio, umidade, traumatismo, de origem fisica, de ori- gem quimica, por nervosismo, por indecisio, intrangiiilidade, etc. Quando 0 organismo recebe 0 estimulo estressante, os_drgios na sua totalidade tém tendéncia a se atrofiarem. Ha uma queda da tem-_ peratura do corpo, perda de t6nus muscular, o sangue se torna denso, a permeabilidade capilar diminui e se reduz a ago do sistema nervoso. Logo apés, a defesa do organismo volta ao normal, aumentando a secregao cortical no sangue. Nesta fase o organismo esta se defendendo de fortes estimulos estressantes externos, ou seja, a sua reagao as ventosas apresentaria 0 seu aspecto maximo. Na verdade, o relaxamento mental é obtido através do relaxa- mento fisico. No seu tratamento, a aplicagio de ventosas nfo cuida so- mente dos misculos enrijecidos, mas acalma diretamente os nervos excitados. —s (Isto permite ao corpo restabelecer um equilibrio mental e fisico, além de reforcar a energia para vencer 0 estresse ¢ suas enfermidades.) 41, © FORTALECIMENTO DA RESISTENCIA ORGANICA AS DOENCAS ‘A ventosaterapia consegue melhorar o estado fisico geral sem contra-indicagSes. Ela produz o aumento dos gidbulos brancos, aumen- to das hemécias, melhora a aco anti-hemorragica, torna o sangue rela- tivamente alcalino ¢ fortalece o sistema imunoldgico do nosso organis- ‘mo, sendo um excelente método preventivo e terapéutico contra as do- engas. A aparéncia geral da cor da pele muda do pilido para o rosa apés as aplicagées de ventosas, estimula o apetite « melhora a do de oxigénio do organismo. Mesmo quando 0 uso de remédios nfo surte tanto efeito e a recuperacio ¢ lenta, 0 uso conjunto de ventosas descarta as més influéncias tornando o tratamento mais efetivo. Através da observagio da mudanga da cor da pele para o tom avermelhado apés a aplicagao de ventosas, (experimentos coreanos de- +~ monstraram que a temperatura da pele | antes e depois da aplicagfio de ventosas se elevou até em Areas | distantes do ponto de sua aplicagio.) Isso ilustra que 0 seu uso_acelera o metabolismo e pro- voca dilatagio dos as 3S vasos periféricos, aumentando a circulagio sangiifnea, reforgando a tesisténcia contra wasao de agentes nocivos. 56 12. ONDE APLICAR AS NENTOSAS? O uso de ventosas no Oriente foi desenvolvido com base na acupuntura. Ela se fundamenta na crenga de que a resisténcia contra a doen- ¢a pode ser alcangada, induzindo 0 corpo a se curar pela aplicagao de ventosas em pontos dos 14 meridianos ou em nédulos de reagio positi- va. ~ Esta fungio reguladora é descrita no antigo Cinon de Medicina ‘ Oriental, o Nei Jing: | “A acupuntura tem a funcao de remover a obstrucdo dos meri- | dianos, regulando o Ki e 0 sangue, tendo como resposta deste fato a harmonizacao da hipoatividade ¢ da hiperatividade das fungoes do corpo”. pie a —— ( Aaplicaco de ventosas nestes pontos enrijecidos provoca por congestiio o esvaziamento sangiiineo deste tecido ¢ estes endurecimen- tos desaparecem, fazendo por reflexo com que o paciente se recupere, pelo equilibrio fornecido pela normalizagio do livre fluxo da circula- cio nestes pontos do Ki e do sangue.) Pulmio Coragtio/ Disturbios Cardiacos Figado Rins Intestinos 58 Dentre estas areas, precisamos estar atentos ao grau de enti- jecimento da musculatura do pescoco, pois ele possui papel importante na circulagdo cerebral.(Estudos clinicos demonstram que a estenose da a— @ artéria, ou arteriosclerose obliterante nesta regiao, causa distirbios vasculares no cérebro.) (A medicina oriental acredita que 0 enrijecimento da musculatura da regifio cervical em conjunto com o enrijeci- mento da musculatura do tra- _pézio causaria distirbios circu- latorios e estagnaciio de Ki que se propas zariam ralo Testo do (intestino grosso, intestino del- gado, vesicula biliar, bexiga, tri- plo aquecedor e estmago). A hipertonia dos mis- culos sobre os ombros e pesco- go afeta a circulacdo cerebral assim como afeta a circulagio das extremidades dos membros superiors - O grupamento muscular desta regiio torna-se facilmente fatiga- do pelo efeito das tensdes didrias, podendo causar pela sua rigidez ma_ circulagio cardiaca e pulmonar por reflexo. Além de causar hiperten- a sto reflectiva: ( Este réflexo ocorre quando ha déficit de suprimento sangilined” no cérebro, causado pelo enrijecimento muscular dificultando o fluxo sangiiineo nos ramos das artérias subclavias e vertebral. Na tentativa de recuperar o déficit sangiiineo, o organismo produz automaticamente uma hipertenso compensativa. ) set we i, eh ie, > Semper 0 Gnujea) —» ‘sau E ~ mole ~ Carl Rina MR rat V ogee Feapitio @, 60 A regio lombar carrega 0 peso da parte superior do corpo, estando sujeita a ocorréncia de enri- jecimentos e distirbios; como con- tragdio lombar e lombalgias, resul- tante do fato de trabalharmos sen- tados varias horas por dia e de maus habitos posturais. Da mesma ma- neira reflexa,.a hipertonia da mus- culatura lombar pode concorrer na di a orgii élvicos. 13. A PRENENCAO DA HIPERTENSAO Quando atingimos a meia idade, a hipertensio arterial comeca a nos preocupar. Atualmente 6 dito que uma entre trés pessoas de meia idade sofre de hipertenso, e o nimero de hipertensos que nao fazem uso de medicamentos 6 ainda maior. Existem diversas causas de hipertensio, como 0 excesso de sal, estresse, obesidade, estafa, tabagismo, ingestdo alcoslica, hereditarie- dade, etc., mas uma das principais causas 6 a ingestio de sal e 0 enrijecimento dos misculos sobre os ombros e 0 pescogo que provoca hipertensao reflexa. Loves pay 59 ‘© nosso organismo tem um estrutura tal que se 0 grupamento muscular da area cervical e do trapézio entijecer, eleva a pressio arte- rial, > ( Como acimulo de colesterol, gorduras ¢ cileio contidos no san- gue, hos vasos sangiiineos lesados pela hipertensio arterial, mais o enrijecimento muscular crénico da area cervical e trapézio, torna o flu- xo de sangue prejudicado, isso provoca arteriosclerose, acelerando o welhecimento dos vasos.) Se persiste a hipertensio arterial, o coragdo trabalha com a forca suficiente e correspondente a pressio alta, e depois de algum tempo pode ocorrer a hipertrofia do coragio, levando & insuficiéneia cardiaca. As estatisticas médicas demonstram que a maior parte das mor- tes stibitas € causada por doencas dos vasos sangiiineos, mas se usar- mos as ventosas periodicamente para repelir a exausto, acalmar os ner-_ vos ¢ relaxar a musculatura do pescoco e sobre os ombros, estaremos ajudando na prevengio da hipertensao. 1 Tratamento com ventosas para aliviar a fadiga e acalmar os nervos 62 14. MASSAGEM COM NENTOSAS O que é eG@ossagem?) Sao certas manipulacdes de tecidos moles do corpo; estas mani- pulagdes sfio manobras aplicadas com as maos, muito efetivas, admi- nistradas com o propésito de produzir efeitos no sistema nervoso, mus- cular, na circulacdo local e geral do sangue ¢ da Jit A massagem foi primeiro descrita emQ698 a.C) por Huang-ti na China. Hipécrates foi o primeiro a usar_a massagem em _direcdo centripeta, provavelmente baseada na observagao clinica, antes da cir- culagiio sangtiinea ter sido descoberta por Harvey 2.000 anos apés. Os gregos ¢ romanos continuaram a praticar a massagem até a queda do Império Romano. A arte da massagem foi praticamente perdida durante a idade média, mas reviveu no século XVI através do médico francés Ambroise Paré; no século XIX, Mettzer na Holanda e Ling na Suécia ajudarama_ formular um sistema cientifico de massagem. A Primeira e a Segunda Guerra Mundial foram parcialmente responsaveis pelo aumento do uso da massagem nos Estados Unidos Atualmente, a massagem € usada em tratamentos para varias situagdes, sendo considerada um tratamento popular. Nao restam ditvi- das que o uso do toque hurmano traz um extraordinario beneficio, tanto fisico como psiquico e pode ser usado nao apenas para tratar doenga, mas para a manutengao do bem-estar. Os seus efeitos sio: remover a pele ressecada pela abertura dos poros e pelo suor. Mecanicamente, aumenta 0 fluxo do _sangue e da linfa, reduzindo o edema. Mantém a flexibilidade dos musculos, retira as adesées e as fibrosites e mobiliza as secrecdes dos pulmées. A aplicagao de_yentosas no corpo, além de facilitar as trocas. gasosas e regular o pH sangilineo e trazer um efeito reflexo quando aplicada nos pontos de acupuntura, se usada para massagear usando um meio lubrificante (6leo ou vaselina), produz o “efeito massagem”, a + ( Na estagnacao da circulacdo sangiiinea pode se formar um qua- ‘dro dlgico com acompanhamento de manifestagdes na pele e mitsculos, como dilatagdes capilares (telangiectasias), infiltracdes subcutaneas, formagées de cordées enrijecidos e nédulos, assim como alteragdes té micas locais. v9 Se utilizarmos nestas manifestagdes pressdes isquémicas ou pressoterapia Shiatsu, a musculatura reage aumentando a sua rigidez, v piorando 0 quadro.#> Nestes casos, para descongestionar 0 bloqueio, devemos ativar a circulagdo sangilinea, aplicando massagem com ventosas. ) 3, 64 15. OF PONTOS DE ACUPUNTURA € AS NENTOSAS A medicina tradicional oriental tem o seu principio em antigos conceitos de que 0 corpo possui energia vital circulante (Ki) e uma rede de distribuicdo chamada de meridianos, que possi comunicagio com 0 meio ambiente através de aberturas também conhecidas como pontos de acupuntura. Para visualizarmos melhor, vamos comparar este sistema com os metrés urbanos subterraneos, Os pontos sio como as estagées de embarque de passageiros que se ligam & superficie. Os meridianos seriam as linhas ou trilhos por onde passa 0 flu- xo eletromagnético, ou 0 Ki. Os pontos so uma porta aberta para recepgao de estimulos ex- ternos, como pressio de dedos, agulhas, queima de moxa, ventosas. Em@953) 0 dr, Yoshi ni desenvolveu um ohmimetro sensivel o bastante para ser usado como detector de pontos de acupun- tura na superficie da pele. Quando analisados por fotografia microscépica, estes pontos detectados revelam a existéncia de terminagdes nervosas ¢ de vasos sangiiineos. Nao so encontrados onde o aparelho nao detecta estes pontos de acupuntura. Estes pontos, quando “doentes”, se encontram enrijecidos ¢ sensiveis, devendo ser tratados para a melhora do quadro patolégico. Conforme o desequilibrio de polaridade no corpo que imped livre fluxo de energia Ki, determinamos respectivamente 0 aspecto(Kyo ) (vazio) ou(fitsu) (plenitude) de bloqueio. Quando o Ki flui bem distri- buido no corpo, este se encontra em estado de “boa satide”, mas se 65 aparecem desequilibrios, logo se produzem Kyo ¢ Jitsu em algumas partes do corpo entrando 0 organismo em estado patolégico para a me- dicina oriental. oO aspecto Ky9)se apresenta na ventosaterapia, quando apés re- tirarmos a ventosa, area se apresenta pilida, sem qualquer reagio. de se apresentar de varias maneiras, conforme o esta- ate e a cronicidade da doenca, como: Reacdo Forte (tom escuro), aspecto antigo, crénicos b) Reagio Aguda (tom escuro disperso, manchado), doenga crénica; ©) Reagio média (tom avermelhado pigmentado), doenca re- cente; d) Reagio puntiforme (para doenca aguda), estados dolorosos. Podemos também, em determinadas doencas internas, forcar a aparecer a “reagio de bolhas”, como se fossem bolhas de queimadura na pele, sendo considerado um bom efeito terapéutico de reacao orga- nica, segundo algumas escolas orientais. 66 16. OS 12 MERIDIANOS Meridiano Yin do pulmao Este meridiano corres- ponde aos pulmées, que resti- tuem o sangue fresco gragas & respiragdio externa (ventilagaio pulmonar) e interna (respira- Gao celular); tem relagdes es- treitas com a pele assim como 0 metidiano do intestino gros- so que forma o seu par. Estes meridianos siio a base do metabolismo, que rea- lizam as fung6es fundamentais da vida gragas ao contato com o mundo exterior. Por outro lado, 0 pulmao €0 tnico érgdo que podemos controlar voluntariamente. Por esta razao, ha diver- sos métodos respiratérios cujo fim é controlar a respiragao para equilibrar as fungdes do sistema nervoso auténomo e o estado mental. Em caso de desequilibrio funcional, sentiremos opressio no peito, tosse, palpitagdes, causando cansagos constantes. 67 Meridiano Yang do intestino grosso Este meridiano se relaciona com o intestino grosso, érgdo excretor que se encarrega da eva- cuagdo de excrementos da depuragio de substan- as tOxicas, gragas a flo- ra bacteriana (ou as bac- térias intestinais). A medicina oriental da muita importdncia eliminagao rapida dos re- siduos pesados, pois 0 depésito prolongado no corpo produz substan- cias téxicas e gases que slo prejudiciais a saide. Em caso de dese- quilibrio, 0 branco dos olhos fica amarelado, e sentimos os misculos sobre os ombros enrije- cidos e uma dor que se irradia para os bragos e dedos. Existem relagées estreitas deste meridiano com a pele, tornando-a menos brilhante, ocorrendo também o aparecimento de granulos. 68 Meridiano Yang do estémago O meridiano do es- tmago representa este 6 gio digestivo que tem rela- ges estreitas com nossa vida cotidiana. Creio que nao é necessario insistir na importancia do seu dese- quilibrio desestruturador que impede a nossa nutri- gio de processar-se com- pletamente. Nao podemos es- quecer da sua influéncia no estado psiquico (ansieda- de, depressao, estresse, etc.) Quando o estéma- go funciona mal, suas con- seqiiéncias sto quase ime- diatas. Surgem problemas de digestio, com sintomas freqtientes de dor de cabe- a irradiando para os olhos, e para a parte frontal, secu- ra dos labios, hemorragia nasal e cansago. 69 Meridiano Yin do bago 70 Este meridian con- tém as fungées do pancreas da medicina atual, representa © conjunto das glandulas di- gestivas e transforma os ali- mentos em quimo, pronto para ser assimilado, O seu desequilibrio traz arrotos, diarréia ou prisdo de ventre. A pessoa sente tam- bém as pernas pesadas. Meridiano Yin do coragio O meridiano do cora- ao controla a fungiio do co- ragdio que 6 0 érgiio central da circulag&io do sangue. A me- dicina oriental antiga nao co- nhecia as fungdes do cérebro, pensava que 0 coragdo desem- penhava a mesma fungdo. Em certo sentido, tinha razio, pois © coragdo se deixa influir fa- cilmente pelos sentimentos que slo uma espécie de trans- formagiio dos estimulos do mundo exterior recebidos por meio dos cinco érgdos dos sentidos. O seu desequilibrio reflete os olhos injetados, além de uma dor no epigas- trio, e faz sentir formigamen- tos na parte externa do ante- brago até 0 dedo minimo. n Meridiano Yang do intestino delgado 2 Este meridiano corres- ponde ao intestino delgado que assimila os alimentos e os con- verte em energia. Por esta razio, alguns médicos tradicionais in- sistem na teoria da produgdo do sangue nos intestinos. O seu desequilibrio tor- na os olhos amarelados e dimi- nui a audic&o; ocasiona também dor no antebrago até 0 cotovelo. Meridiano Yang da bexiga O meridiano nao cor- responde somente a bexiga, mas também as fungdes do sistema nervoso auténomo, como se pode comprovar fa- cilmente pelo trajeto que per- corre ambos os lados da co- luna vertebral, quase por cima das cadeias paragan- glionares simpaticas. Este meridiano tem relagdes es- treitas com o sistema nervo- so auténomo. Por isso, ele é muito utilizado para equilibrar as fungdes do sistema nervoso auténomo. O desequilibrio do meridiano da bexiga torna a pele flacida, cabeca pesada, ou dor de cabega por causa da congestao deste grupo muscular por onde passa 0 meridiano, podendo aparecer dores na nuca, escapula e lombar. 4 Este meridiano nao corresponde somente aos rins, cuja fungdo é manter os “humores” em seu estado normal, qualitativo e quan- titativo, filtrando-os para que a urina e os residuos metabdlicos e outras subs- tincias prejudiciais ao orga- nismo humano sejam expe- lidas, mas também as glan- dulas supra-renais que se- cretam numerosos hormé- nios indispensaveis 4 manu- tengao da vida. Em caso de desequi- librio deste meridiano, 0 ros- to se torna escurecido, apa- recem vertigens, diarréias edemas, assim como perda de apetite e cansago facil, ‘ocasionando freqiientemen- te dores lombares. Meridiano Yin circulagao sexualidade O nome deste me- ridiano em japonés é Shim- ‘po, que significa literalmen- te “cobertura do coragiio” Este meridiano foi traduzi- do erroneamente como “cir culagdo sexualidade”. Os orientais antiga- mente davam uma grande importancia ao coragiio, e por isso acreditavam que existia um “6rgiio especial” que protegia 0 coragao, para envolvé-lo e administrar a sua fungao. Portanto, esse meri- diano tem uma fungao rela- cionada ao coracdo, influen- ciando sobre o seu ritmo cardiaco. O desequilibrio des- te meridiano causa sintomas semelhantes aos do coragaio. Meridiano Yang trés aquecedores 6 O meridiano trés aque- cedores nao é um érgiio con- creto. A medicina oriental ex- plica que a energia Ki, depois de entrar neste meridiano pelo seu ponto correspondente “Sanshé Yu” (2B), circula por este meridiano alimentando os Orgiios internos que se encon- tram no torax e abd6émen. Examinando este me- ridiano, podemos averiguar o estado de satide. Quando os miisculos da drea do epigastrio estiio enrijecidos, isto signifi- ca as vezes enfraquecimento geral ou entdo distirbio nos Orgios genitais. Meridiano Yang da vesicula biliar Este meridiano corresponde a vesicula biliar, que é 0 reservaté- rio da bilis, indispensavel a digestdo e absoredio de gorduras. A bilis também possui um papel impor- tante na excrecaio de cer- tas substancias toxicas, fa- cilita a absorgo de vita- minas soliiveis em gordu- ra, horménios e alcaldi- des, Um desequilibrio deste meridiano se origi- na por choque emocional, estresse e por ingestio de comida rica em gordura e ete. 7 Meridiano Yin do figado O figado na medicina oriental tem a propriedade de “conservar 0 sangue” sendo também considerado como o local de origem da forga vital Ki. Por isso, em caso de excesso de energia neste me- ridiano, tornamo-nos irados com facilidade, mas no caso contririo ficamos pacificos. Este meridiano se re- laciona com os enrijecimen- tos musculares, tendinites, céimbras, espasmos e com os problemas da vista. figado equilibrado tem um efeito benéfico sobre © coragiio. O seu desequilibrio perturba todo 0 corpo e seus sintomas principais sfio: nau- seas, calafrios, céimbras, es- pasmos arteriais, enrijec mento muscular, perturbagio da vista. Pode também influ- enciar as faculdades mentais por causa da irritagdo. 18 17. OS TIPOS DE NENTOSAS 1. Ventosas chinesas de bambu Sao fabricadas em formato de copos lixados e polidos para se- rem usadas com aplicagao de fogo, em trés tamanhos: a) 11,5 cm de altura e 5,2 cm de diametro; b) 10,5 cm de altura e 4,7 cm de didmetro; c) 9,0 cm de altura e 3,5 em de didmetro. 2. Ventosas chinesas de vidro Sao fabricadas em vidro comum de 0,5 cm de espessura, ou em vidro tipo “Pirex” de 3 mm de espessura com resisténcia térmica, para serem usadas com fogo, em trés tamanhos: a) 8,0 cm de altura com 4,3 cm de diametro; b) 7,0 cm de altura com 3,5 cm de diametro; c) 6,0 cm de altura com 2,5 cm de didmetro. 79 3. Ventosas coreanas inquebriveis Fabricadas em plastico transparente em dois modelos diferen- tes, com valvulas embutidas, para serem aplicadas por compressor ma- nual, em seis tamanhos: a) 2,0 cm de didmetro por 4,0 cm de altura; b) 2,5 cm de didmetro por 4,5 em de altura; c) 4,5 cm de diametro por 5,0 cm de altura; d) 5,0 cm de didmetro por 6,0 em de altura; e) 6,0 em de diametro por 7,0 em de altura; £) 6,5 cm de didmetro por 8,0 cm de altura. u pr > — | 18. COMO APLICAR NENTOSA DE FOGO Adapte uma bola de algodio em um pedago de arame de aproxi- madamente 20 cm de comprimento, dobre a ponta em gancho para que 0 algodao se fixe melhor. Segurando a pega de arame com a mao direita, pingue 4 a 5 gotas de alcool no algodao e acenda com isqueiro ou fésforo. Estando a ventosa segura na mo esquerda, coloque o fogo den- tro dela girando por 2 a3 segundos, e aplique imediatamente a ventosa no local desejado da pele. Esta operaco deve ser feita a 20 cm aproximadamente do local em que se vai aplicar a ventosa. Se a distancia for muito grande entre a ventosa ¢ a pele, o ar sera aspirado no meio do caminho da aplicagao, ficando 0 vacuo fraco, nao resultando em boa qualidade de tratamento pela fraca suc¢ao, podendo a ventosa se soltar e cair. Devemos portanto treinar até alcangar a velocidade e exatid’io necessérias. 81 Obs: Para aplicar ventosas onde ocorrem pélos na pele, aconse- Iha-se depilar o local antes. Para retird-la da pele, basta exercer pressiio com o dedo na pele ao lado da borda da ventosa para que o ar possa entrar, fazendo com que se solte. Nunca puxe a ventosa para retird-la quando em sucgao na pele. 82 19. COMO APLICAR SANGRIA 1. Martelo de agulhas O martelo de agulhas pode ser usado nos seus dois lados, como grupo dispersante de agulhas (A) ¢ 0 grupo denso de agulhas (B). O lado A é usado para golpear rapidamente a area da pele cor- respondente, em torno de vinte vezes, até que o local fique avermelha- do, podendo aparecer pontos de sangue. 2. Agulha triangular A agulha triangular é usada para remover 0 sangue sujo que possui coloragdio escura no local de obstrugao da passagem de Ki. Esta agulha é protegida por um tubo de metal e possui uma mola em seu interior com adaptador de profundidade. O golpe deve ser rapido e seco, espremendo-se em seguida 0 local puncionado para retirar algumas gotas de sangue. 20. OS PONTOS MAIS COMUNS PARA APLICACAO DE NENTOSAS Q1. TRATAMENTO DE 32 DOENCAS COMUNS COM NENTOSAS 1) Dor de cabega tensional Quando ficamos tensos por excesso de trabalho ou de estudo, a musculatura sobre os ombros ¢ pescogo logo enrijece, diminuindo a qualidade da circulagao para o cérebro, sendo necessatio descongestionar esta drea para 0 alivio da dor de cabeca tensional 2) Dor de cabega habitual Varias condigdes podem induzir a dor de cabega, como: doen- cas intacranianas, doengas dos drgios dos sentidos, como sinusites. E condigdes funcionais podem produzir cefaléia, assim como doengas generalizadas como a hipertensio. ‘Aconselhamos usar martelo de agulhas ao longo das vértebras L1 a $4, e na area afetada, assim como em ambas as palmas das maos e ponta dos dedos. | a) Usar ventosas nos pontos: Tai Yang, Ying Tang e 41G. 38 3) Cansago visual Quando lemos em demasia, assistimos a televisdo, usamos com- putadores, ou dirigimos a noite, ocorre 0 cansago visual. Importante informar que 0 cansaco visual € prejudicial 4 satide, trazendo os sintomas de: cabeca pesada, tensfio na nuca e na regifio cervical. Isto demonstra a influéncia nefasta no sistema nervoso; neces- sario portanto acalmar os nervos e retirar 0 cansago, aplicando ventosas na drea do pescogo e na musculatura sobre os ombros, relaxando esta musculatura, para permitir uma melhor circulagiio cerebral. Aplicando também ventosas nos pontos: Tai Yang e 41G. 89 4) Bronquite Usar martelo de agulhas, ou massagem com ventosa, na regitio das costas, em ambos os lados da musculatura paravertebral, até a pele ficar vermelha, para que haja reagdo na circulagdo sangiiinea aumen- tando a imunidade e fortalecimento da saiide. Usar ventosas de trés em trés dias, ou de quatro em quatro, con- forme a reagdo da pele. Aconselhamos combinar com acupuntura, aplicando ventosas apés estimulo das agulhas. 13VG, 13B, 38B, 21VB. Para tosse, usar: 13VG, 11VG, 13B. 90 5) Cilica A célica abdominal é geralmente causada por gases nos intesti- nos, advindos de alimentagdo irregular e inadequada causando pertur- bagées funcionais do trato intestinal. Necessario aplicar aquecimento na area abdominal e ventosas para fortalecer o trato gastrintestinal, assim como regular os nervos apli- cando ventosas nas costas, € nos pontos: 25E, 12VC, 20B, 21B. on 6) Célera Usar ventosas nos pontos: 25E, 6VC, 4VC, 20B. 7) Diarréia Os pontos para tratamento da diarréia também servem para tra- tar a constipagdo intestinal. Devemos tratar primeiro de fortalecer os intestinos, usando ven- tosas na regiio lombar na formagao demonstrada, e logo apés, aplicar ventosas nos seguintes pontos: 25E, 27E, 12VC. 88 BP 66 a 93 + BA, ; 8) Lombalgia A lombalgia, quando nos levantamos da cama é geralmente provocada por tore’io lombar da cintura pélvica por mé postura ao dor- mir. Devemos aquecer o local para relaxar os miisculos, tentar equi- librar a cintura pélvica desnivelada, acalmar os nervos e estimular a circulagao sangiiinea para aliviar a congestao local, aplicando ventosas na rea do quadrado lombar, no ponto da dor e na regitio poplitea, com €nfase nos pontos: 23B, 30VB, 4VG, 54B. Dy Py B rE Beo, Ry, 813} Tey 94 9) Lombalgia com dor nas pernas O enrijecimento e a fadiga da musculatura do quadrado lombar, podem provocar lombalgias e interferir por reflexo nos érgaos pélvicos, sendo necessério prevenir o seu enrijecimento e a dor lombar, aplican- do ventosas na rea lombar e na musculatura posterior da coxa, com énfase nos pontos: 23B, 47B, 25B, 30VB, 51B, 31VB. 95 10) Dor nos ombros e nas costas O enrijecimento da musculatura sobre os ombros pode causar hipertensdo arterial reflexa, induzindo a insénia e nervosismo, podendo ser prejudicial a satide. Portanto, necessitamos por prevengdo ficar sempre atentos ao seu enrijecimento, e aplicarmos ventosas nesta drea e na musculatura paravertebral interescapular, com énfase nos pontos: 14VG, 21VB, 11B, 10ID, 151G, 1P. 96 11) Ombro congelado Atualmente existem jovens que nfo conseguem dobrar os bra- ¢os para tras devido a dores na regio dos ombros. No Japio este tipo de dor se chama “Goju-Kata”, que significa “ombro dos 50”, porque geralmente ocorria aos cingiienta anos. Para traté-lo, precisamos aquecer a articulagéio com toalha quente. Logo apés, aplicamos ventosas ao seu redor; paralelamente a este tratamento convém fazer exercicios leves de movimentacao dos ombros e bragos. As ventosas devem ser aplicadas nas areas dos pontos: 141G, 15IG, 11IG. 97 12) Clénus nas pernas O clénus nas pernas é um sinal de anormalidade no funciona- mento da musculatura por excitagdo dos nervos desta area. ‘Na medicina oriental é um sinal de desequilibrio de meridianos. Ela ocorre apés exercicio forgado nas pernas. Para aliviar este sintoma e prevenir a cdimbra nas pernas, devemos aplicar ventosas nos pontos: 57B, 55B. 98 13) Menstruagiio dolorosa Comega com a sensagao de frio nos pés, que é sinal de dese- quilibrio de distribuigao de sangue pelo corpo, passando a demonstrar irregularidade na fase menstrual, com tensio e dor. Para aliviar este sintoma, aplicamos primeiro ventosas no baixo ventre nos pontos: 4VC, 6VC, 3VC e 25E, para influir na circulagdo local, ¢ algum tempo depois aplicamos as ventosas nas pernas nos pon- tos: LOBP, 6BP, para incentivar a circulagao. E aconselhavel aquecer os pés. mPOOS 0 \o® ° QO 8 OO CO — (88 99 14) Leucorréia Usar ventosas nos pontos: AVC, 6VC, 6BP, 25E. 100 15) Urticaria E uma doenga alérgica, provocada por alergia a alimentos ou remédio, ascaridiasis, etc. Aparecem placas de varios tamanhos e pruri- do intenso. A aplicagao de ventosas, assim como 0 uso de martelo de agu- Ihas na musculatura paravertebral das costas, procura fortalecer a imu- nidade. Aconselhamos 0 uso dos pontos: 13VG, 111G, 54B, 10BP. 101 16) Rubéola Usar ventosas nos pontos: 13VG, 4VG, L1IG, 54B. 102 17) Dor de estémago 12VC, 25E, 27E, aplicagao nas costas na area relativa ao est6- mago: 18B,19B,20B, 21B. 18) Solugo Usar ventosas nos pontos: 13VG, 13B, 12VC. 19) Nevralgia intercostal A caracteristica da nevralgia intercostal ¢ a dor quando se respi- ra, sem que haja febre ou qualquer problema na pele, mas uma dor por baixo da pele. Geralmente a dor ocorre desde as costas até a parte lateral do trax e do peito, sendo necessario neste caso aplicar ventosas no cami- nho da dor. on Was © Oo O@O Se 105 20) Dor na musculatura do quadril e coxa Aplicar ventosas nos pontos: 23B, 25B, 30VB, 51B. 106 21) Enrijecimento da coxa e da musculatura dos gémeos O enrijecimento e a fadiga dos membros inferiores interfere na qualidade do retomo da circulagtio sangiiinea, indispensavel para ma- nutengo da satide. Necessita portanto aliviar a fadiga muscular e nervosa, excitan- do a circulagao sangitinea local, aplicando ventosas nos pontos: 23B, 25B, 30VB, 54B e 57B. a A 22) Dispepsia De uma forma geral, 0 estresse mental ¢ um dos principais cau- sadores de problemas digestivos; portanto, é importante regular o siste- ma nervoso a fim de poder manter serenidade mental ¢ fisica, diminuin- do 0 grau de agressdio no aparelho digestivo. Para este fim, usamos as ventosas em toda a musculatura para- vertebral, aliviando 0 cansaco e a fadiga e acalmando o sistema nervo- so. Aconselhamos manter o paciente aquecido, néio esquecendo tam- bém de aplicar ventosas nos pontos: 12VC, 25E, 27E, 4VC. 108 23) Insénia ) “ Os sintomas comuns das pessoas que sofrem eventualmente de insénia sao: Enrijecimento da musculatura sobre os ombros ¢ fadiga nas cos tas, além de frio nos pés e “cabeca quente”, preocupada. Aconselhamos aquecer os pés com imerséio numa bacia de agua quente ¢ usar ventosas bilateralmente na area do trapézio e na para- vertebral da coluna, para acalmar o sistema nervoso excitado, com én- fase nos seguintes pontos: 14VG,21VB, 22B, 20B, 21B. 109 24) Artralgia ) / tosa). 10 a) Extfemidade Superior:14VG, 15IG, 10ID, 1P, 111G. b) Extremidade Inferior:30VB,54B, 51B, 57B e area local. c) Coluna: de 14VG até 4VG. Abrasdio: drea local (sangrar a area primeiro, e logo aplicar ven- 25) Alivio dos sintomas da febre Aplicar ventosas para aliviar 0 cansago e 0 desconforto no cor- po, assim como para o alivio das dores na coluna e articulagdes. Aplicando ventosas na musculatura paravertebral bilateralmen- te. O° 3 8 Q O@o Je mn 26) Cistite Nas cistites em mulheres, ocasionadas pelo frio, o mais apropri- ado é 0 aquecimento e 0 uso de ventosas que imprime uma estimulagao leve no organismo. Entretanto, nas cistites provocadas por contaminagao de bacilos, procure o seu médico. As ventosas devem ser aplicadas na regiio lombar e na area do baixo ventre nos pontos: 25B, 23B, 47B, 12VC, 25E, 4VC. 112 27) Impoténcia Podemos tratar a diminuigéio do volume de esperma, e diminuir a frigidez aumentando a circulagao sangtiinea local por meio de vento- sas nos pontos 18B, 20B, 23B, 47B, e 6VC, 4VC, 3VC. 28) Paralisia Aplicar ventosas na area paralisada, ou usar martelo de agulhas para sangrar e aplicar ventosa. 29) Torcicolo com dor nas costas Isto € causado por ficar longo tempo sentado, lendo ou dirigin- do, ou apés golpe de frio. Aplicar ventosas no pescogo e nas costas para melhorar a circu lagdo sangilinea e obter “efeito massagem”. Aconselhamos também o uso do balsamo “Tiger Balm” em conjunto no local de aplicagao das ventosas. Aplica-se 0 balsamo nas Areas bilaterais da musculatura para- vertebral entre as escdpulas, no pescogo, e logo em seguida as ventosas. 4 30) Hipertensio A hipertensiio é a maior causa da apoplexia. A dieta é importante, com uma alimentagdo baseada em mais. verduras ao invés de carne. Se a tensdo maxima arterial exceder a 17 e a baixa exceder a 9,5, procure seu médico. Ventosas podem ser usadas se a medicagéio nao der resultado. Para melhores resultados, unir a medicag4o com o uso de ventosas. Para primeiros socorros: sangrar os pontos nas pontas dos de- dos. Aplicar ventosas em 14VG, 21VB e 36B, fazendo antes 0 uso de sangria nestes pontos. a ls 31) Picadas de insetos Para picadas de abelha, vespa, insetos venenosos. Use sangria na drea infectada e aplique ventosas para sugar 0 veneno como “primeiros socorros”. Sangria auxiliar: Fumigagao deve ser usada apés a sangria difi- cultada para melhores resultados. Use ventosas apés acupuntura nos pontos: 23B, 31B, 32B, 31VB, 30VB, 54B e 57B (tratando como ciatica da bons resultados). 116 32) Gripe e resfriados As indicagdes para ventosas na gripe e resftiado sao para o ali- vio dos sintomas de pescogo enrijecido, dor nas costas e lassitude, se- guida de febre e dor de cabeca. Pontos indicados: 20VB, 11B,12B,13B, 14VG, L1IG e 4IG. 117 &) MONDE 2€BP - wroxa () IBM4---~-> ats Julo? yortte ¢) pleecans = Biro Precaugoes importantes: 1) Nao aplique ventosas no 41G, 21VB, 6BP, nadegas, cintura ou barriga em mulher grivida. 2) A pele pode se tornar avermelhada, roxa ou preta apés 0 uso da ventosa. Entretanto, é recomendavel que a periodicidade de aplica- ¢éo seja curta entre uma aplicagao e outra, para que ndo se perca o efeito. Geralmente de trés em trés dias, ou mais conforme a reagiio na pele. Obs: Nao ha necessidade de esperar desaparecer por completo a reacdo do primeiro tratamento. 3) Dores reumaticas, paralisias ¢ algias de qualquer parte do corpo podem ser aliviadas pelo uso de ventosas, basta aplicé-la no local doloroso. E aconselhavel utilizar acupuntura e moxabustdio em conjunto com as ventosas. Bons resultados podem ser atingidos neste caso, quando aplica- mos as ventosas por cima das agulhas puncionadas na pele, a0 mesmo tempo, fortalecendo o estimulo uma da outra. 4) As ventosas devem ficar de 3 a Scm de distincia da coluna. Esta ¢ a melhor Area para aplicacZio de ventosas regularmente, com 0 objetivo de manutengao da satide aplicadas geralmente uma vez por seman «7 lepesroave JU yo” amr Fe a) Cutan = Fax (33) x Qlhbet) XK Jags CM TUES 5) Goanueh BANK VCRE VAus; E44 (hn lateral } /VO14eu24 1A) DEcisH0 = VB yoy A) VME = Bay | VGt4. VG13) VB34,V B39 118 | \ €) CEDAR wrike E32 C) OBES DADE: ?,,