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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA ESCOLA POLITÉCNICA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA ENG C54 - LABORATÓRIO INTEGRADO VI

Professor: Aurino Almeida Filho

INVESTIGAÇÃO PRÁTICA Nº 01

1. TÍTULO

Transformador real a vazio e em curto circuito

2.

FINALIDADE

 

A presente investigação prática tem por finalidade explorar no laboratório os seguintes pontos:

ensaios de rotina de transformadores de força e de distribuição;

as principais características do funcionamento em vazio e em curto circuito, sob tensão variável aplicada ao

transformador, tais como (a tensão deve estar sempre na ordenada e as demais grandezas na abcissa):

 

relação de transformação resistência primária

a R 1 = deverá ser medida no laboratório

corrente de excitação

V = f(Io)

corrente magnetizante

V = f(Im)

corrente de perdas

V = f(Ip)

perdas

V = f(Po)

potência aparente

V = f(So)

potência reativa

V = f(Qo)

fator de potência

V = f(COSφo)

impedância de excitação

V = f(Zo)

 

resistência dos enrolamentos

R1 e R2

corrente primária

I1 (V1k)

componente ativa

I1

(V1k)

componente reativa

I1L (V1k)

corrente secundária

I2 (V1k)

perdas

Pk (V1k)

potência aparente

Sk (V1k)

potência reativa

Qk (V1k)

fator de potência

cos k

(V1k)

impedância de curto circuito

Zk (V1k)

Para cada curva obtida direta ou indiretamente, deverá ser explicado o porque da forma de cada curva, em função, dos fenômenos estudados em aulas teóricas.

Saturação, perdas por histerese, por correntes de Foucault, ôhmicas, etc., deverão ser exploradas em toda a extensão das curvas obtidas.

3.

TRAÇADO DAS CURVAS

 

Com exceção das curvas do fator de potência (p.u. x Volts) e da impedância de excitação (Ohms x Volts), todas as outras deverão ser traçadas em p.u. nos dois eixos coordenados. Assim é que, para tensão nominal no ensaio a vazio(1 p.u.) e V 1k 1 p.u.) no ensaio em curto, as medidas de Io, Po, COSφo, I k , P k e cos k têm valores determinados. Os valores acima e abaixo, terão que ser tabelados e traçados em p.u. na base dos valores nominais. Desta maneira, Ensaio a vazio:

Im = Ion SENφon

Ipn = Ion COSφon

Son = V1n Ion

Qon = V1n Ion SENφon

Para outros valores de V1 diferentes de V1n e de Io diferentes de Ion, virão as equações:

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Im = Io SENφo

Ip = Io COSφo

So = V1 Io

Qo = V1 Io SENφo

Os valores relativos em p.u. serão obtidos dividindo-se as grandezas encontradas pelos seus valores nominais (Imn, Ipn, Son, Qon, Ion e Pon).

As curvas Zo (V1) e COSφo (V1) não deverão, como foi dito, serem traçadas em p.u ..

Ensaio em cuto circuito:

I1

n = I1kn

cos kn

I1Ln = I1kn

sen kn

Skn = V1kn I1kn

Qkn = V1kn I1kn sen kn , etc.

Para outros valores de V 1k diferentes de V 1kn , as equações acima são escritas da seguinte forma:

I1

= I1k

cos k

I1L = I1k

Sk = V1k

sen k

I1k , etc.

Para determinação dos valores relativos em p.u. basta dividí-los pelos correspondentes valores nominais: I 1 n ,

I 1Ln , S kn , Q kn , I 1kn , I 2kn , P kn .

As curvas de Z k (V 1k ) e cos k (V 1k ), não deverão, como foi dito, serem traçadas em p.u ..

Em todas as curvas, deverão ser marcados na característica e nos eixos coordenados os valores nominais, isto é, correspondentes a V1n e V 1kn .

  • 4. EFEITOS DA SOBRE-EXCITAÇÃO

Chamando V1 a tensão aplicada, E1 a força contra-eletromotriz induzida, N1 o número de espiras no enrolamento

primário, f a frequência da rede, Φmax o fluxo máximo no núcleo, Bmax a densidade máxima de fluxo no ferro e S a seção útil no núcleo, tem-se:

Assim,

V1= - E1= k N1 f Φmax = k N1 f Bmax S

Bmax = k (V1/f)

(2)

(1)

Isto é, para manter a mesma densidade de fluxo no núcleo variando-se V1, deve-se variar f na mesma proporção. Aumentando-se Bmax além de 5 % sem elevar-se f, o transformador é considerado com sobre-excitação. Nesta experiência o transformador sob ensaio é grandemente sobre-excitado, provocando grande saturação e consequentemente um grande valor de Io, pois a frequência é mantida constante.

As perdas em vazio são dadas por::

Po = Ph + Pf + R 1 (Io) 2

(3)

onde a parcela R 1 (Io) 2 , desprezível para V1 = V1n, torna-se substancial quando a sobre-excitação é expressiva.

Como Bmax é aproximadamente proporcional a V1(expressão (1)), as influências da sobre-excitação sobre Ph, Pf e

consequentemente sobre Io e COSφo, são facilmente analisadas, pois, as perdas por histerese e devido às correntes de Foucault são, respectivamente, dadas pelas equações:

Ph =

f B max V

(4)

Pf = ( 2 f 2 B 2 max V 2 )/ 6

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5. PROPORCIONALIDADE ENTRE AS PERDAS EM CURTO CIRCUITO E A TENSÃO DE CURTO CIRCUITO

Como as perdas no ferro, sejam por histerese ou devidas às correntes de Foucault, são proporcionais ao quadrado da densidade de fluxo e portanto, neste caso, proporcionais ao quadrado da tensão de curto circuito, os valores de P k

são também proporcionais ao quadrado de I 1k (ou I 2k ).

Devido ao fato da tensão de curto circuito ser uma pequena parcela da tensão nominal, as perdas no ferro são desprezadas no ensaio em curto circuito.

6. MONTAGEM DO CIRCUITO

  • 6.1 A vazio.

5. PROPORCIONALIDADE ENTRE AS PERDAS EM CURTO CIRCUITO E A TENSÃO DE CURTO CIRCUITO Como as
  • 6.2 Em curto circuito.

5. PROPORCIONALIDADE ENTRE AS PERDAS EM CURTO CIRCUITO E A TENSÃO DE CURTO CIRCUITO Como as

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  • 7. QUESTÕES A SEREM RESPONDIDADAS

    • 7.1 Determinar a resistência do lado de baixa tensão do transformador, considerando o valor

medido da resistência do lado de alta e comparar com o valor medido de R2. Explicar possíveis diferenças.

  • 7.2 Determinar os valores, ôhmico e percentual, das reatâncias de magnetização primária e

secundária considerando que o transformador foi bem projetado.

  • 7.3 Determinar os valores, ôhmico e percentual, da resistência que representa as perdas no

núcleo.

  • 7.4 Determinar os valores, ôhmico e percentual, da reatância de magnetização.

  • 7.5 Determinar as perdas no núcleo e as perdas no cobre em valores absolutos e percentuais.

  • 7.6 Traçar a característica da regulação a plena carga em função do fator de potência da carga,

cos

= 0 (indutivo) até cos

= 0 (capacitivo).

  • 7.7 Traçar a curva de regulação para cos

= 0,8 (indutivo) de zero até 150% da carga nominal.

  • 7.8 Traçar a curva de eficiência ao fator de potência unitário, de zero até 200% da carga nominal.

Esboçar a curva (tracejada) até o valor da corrente de curto circuito.

  • 7.9 Determinar o rendimento para carga nominal e para meia carga.

    • 7.10 Calcular a carga de máxima eficiência do transformador.

    • 7.11 Traçar a curva de relação de transformação do transformador, usando o ensaio a vazio e

usando o ensaio de curto circuito. Explicar as eventuais diferenças.

  • 8. ATENÇÃO!

Ao serem mudadas as escalas do voltímetro e do amperímetro, verificar se as escalas, não o deslocamento do ponteiro, do wattímetro são compatíveis com as tensões e correntes. Cuidado para não danificar o amperímetro no instante de energização. Deverão ser curto circuitados os terminais do amperímetro no instante da energização, pois a corrente transitória de energização de um transformador se situa entre 6 e 20 vezes a nominal! Nos transformadores comerciais, não se pode provocar sobre-excitações superiores a 10% e sobre-correntes superiores a 30%, sob pena de causar falhas no isolamento e aquecimento demasiado nas unidades.

  • 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Fitzgerald, A.E. e Kingsley Ch. Jr. - Electric Machinery. Sen, P. C. (1997). Principles of Electric Machines and Power Electronics, ed., John Wiley & Sons, Inc. Fouillé, A. - Electrotéchnique a l’Usage des Ingénieurs - Dunod Kostenko, M. e Piotrovsky, L. - Electrical Machines - Mir Publishers Kosow, I. L. – Máquinas Elétricas e Transformadores – Editora Globo Del Toro, Vincent – Fundamentos de Máquinas Elétricas – Editora Prentice – Hall do Brasil Ltda.

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