Você está na página 1de 70

2 Comunicações

Autor: Vítor Duarte Teodoro, 2009

102
   

 
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio

Comunicação
2.1
de informação
a curtas
distâncias

110
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Sinais e transmissão de sinais

A 13 de Setembro do ano 490 a.C. um estafeta correu 42 km


desde a planície de Maratona (onde tinha decorrido uma bata-
lha dos atenienses contra os persas, na Grécia antiga), até à
cidade de Atenas, para comunicar a vitória grega. Este episódio
está na origem da actual modalidade de corrida pedestre de-
signada por maratona. Mesmo um corredor bem treinado de-
mora mais de duas horas a percorrer esta distância de 42 km
para comunicar a mensagem. Correr para contar uma novidade
é uma forma pouco prática de comunicar a grandes distâncias… Estátua de Pheidippides, o mítico soldado
grego que correu 42 km para comunicar
O uso de sinais de fumo e de luz de fogueiras para comuni- uma mensagem, desde o campo da
car é também muito antigo. Mas estes sinais, apesar de se pro- batalha da Maratona até à cidade de
Atenas.
pagarem à máxima velocidade que é possível, 300 000 km/s,
não podem ser enviados a grandes distâncias, particularmente
em dias de má visibilidade. Hoje, as tecnologias da comunica-
ção (telefone, TV, Internet, etc.) através de cabos ou através
da radiação, permitem enviar mensagens quase instantanea-
mente para qualquer lugar da Terra e até para outros planetas
no sistema solar, se bem que neste caso já possa demorar al-
guns segundos ou até minutos.

Através de sinais é possível transmitir informação a


distância. Nas Ciências Físicas e na Engenharia, um sinal é O ouvido e o microfone
a variação de qualquer grandeza no tempo e, ou, no es- são detectores de sinais
sonoros (ondas sonoras).
paço. Por exemplo, quando se emite um som, isto é, um sinal
ou onda sonora, faz-se variar a pressão do ar, em cada ponto
do espaço e ao longo do tempo. Esta variação da pressão do
ar pode ser detectada num certo ponto, pelo ouvido humano,
ou por microfones. E quando se emite luz faz-se variar uma
propriedade do espaço, em cada ponto do espaço e ao longo
do tempo. Essa propriedade pode ser detectada, em certas
circunstâncias, pelo olho humano ou por um telemóvel, por
exemplo.

As radiações ou ondas electromagnéticas (visíveis ou não


visíveis) e as correntes eléctricas podem transmitir informa-
ção, desde que haja variações no tempo e no espaço de pro- O olho e o receptor de
priedades físicas (campo electromagnético). Por exemplo, um GPS (ou um telemóvel)
são detectores de sinais
telefone móvel recebe radiação electromagnética das antenas electromagnéticos (ondas
telefónicas. As propriedades físicas das ondas recebidas pelo electromagnéticas).
telemóvel variam no tempo e no espaço: essas variações, uma
vez transformadas em sinais sonoros, podem conter informa-
ção que é compreendida pelo utilizador.

1 O que é um sinal, em linguagem científica?

2 Qual é a velocidade máxima a que se pode comunicar um sinal?

3 As ondas sonoras exigem que haja algo material que possa vibrar. As ondas electromagnéticas
provocam oscilações nas propriedades físicas do próprio espaço. Qual destes tipos de ondas se
propaga, então, no vácuo?

4 Em certas circunstâncias, a pele de uma pessoa pode detectar sons. Porquê?

112
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

O que é uma oscilação harmónica? Dois exemplos...

Muitas ondas têm como origem oscilações, nomeadamente osci-


lações harmónicas, isto é, oscilações que se repetem com uma
certa frequência (e em que o modelo matemático da oscilação
pode ser descrito por funções sinusoidais).

Por exemplo, uma onda sonora pode ser originada pelas


oscilações (ou vibrações) das cordas vocais e uma onda
electromagnética é originada pelas oscilações de cargas
eléctricas.

Em certas oscilações, é fácil medir a grandeza ou proprie-


dade física que está a oscilar. É o caso da posição de um corpo
suspenso numa mola a oscilar. Mas também podem ser medidas
outras propriedades físicas nessa oscilação, como a velocidade do
corpo oscilante ou a força elástica que actua no corpo. Na figura
ao lado, mostra-se um sensor de força a medir a força no corpo
suspenso, a oscilar. Como se pode observar no gráfico, a força
varia ao longo do tempo, com um período de oscilação de
4,2 s. E as restantes grandezas, como a posição e velocidade do
oscilador, também variam com este período. Isto é, os seus valo-
res repetem-se de 4,2 s em 4,2 s, nas mesmas condições.

No caso de uma onda sonora, há oscilações da pressão de


ar em cada ponto do espaço. O gráfico abaixo foi obtido com
um microfone e um computador, colocado a cerca de um metro
de uma pessoa a assobiar (um assobio é um som praticamente período de oscilação = 4,2 s
puro... como veremos adiante). O microfone regista a pressão
do ar, no ponto do espaço em que se encontra. O gráfico repre-
senta essa pressão do ar (em unidades arbitrárias), nesse ponto,
em função do tempo. Como se pode ver, a
pressão aumenta e diminui periodicamente,
com um período de aproximadamente 6 dé-
cimas milésimas de segundo.

As grandezas que oscilam, em cada


ponto, podem ser representadas em
gráficos em função do tempo, como os
desta página. Estes gráficos são muitas
vezes confundidos com a representação
 76,5 × 10-4 s  82,5 × 10-4 s
da onda no espaço, como as das figuras
das páginas seguintes. Evite fazer essa confu-
período de oscilação =
são...
= 82,5 × 10-4 s – 76,5 × 10-4 s = 6 × 10-4 s

1 Observe o gráfico acima que representa a força no objecto suspenso em função do tempo. Qual
é a intensidade máxima da força? Que tipo de trajectória tem o objecto que oscila na mola?

2 Quanto tempo demora o objecto a voltar a passar na posição em que a mola está com o
máximo de alongamento?

3 O que significa dizer que o período de oscilação da pressão de ar num ponto, devido a um
assobio, é 0,6 milisegundos?

4 O cálculo do período da oscilação da pressão de ar foi realizado apenas com décimas milésimas
de segundo (ver gráfico). Esse facto altera o valor obtido para o período? Porquê?

113
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Velocidade do som

A velocidade de propagação do som depende do


meio onde se propaga: por exemplo, o som pro-
paga-se melhor na tábua de uma mesa do que no
ar.

No ar, a velocidade do som é cerca de 340 me-


ligação a
tros por segundo. Sem atenuação, demora cerca bomba para
de 3 s a percorrer 1 km. A velocidade do som no extracção de ar
ar depende da temperatura do ar. À medida que a
temperatura do ar aumenta, aumenta também a Se colocarmos uma campainha eléctrica dentro de uma
velocidade do som. Noutros materiais, o som pro- campânula da qual se vai extraindo o ar por meio de
uma bomba pneumática, deixamos de ouvir a campainha
paga-se a diferentes velocidades, que podem atingir
a partir do momento em que o ar foi quase totalmente
milhares de metros por segundo. extraído.

Quanto mais afastado se está de uma fonte so-


nora, em geral mais difícil é ouvir o som que ela
produz. Diz-se que o som se atenua, isto é o som
fica mais fraco ou menos intenso quanto maior for a
distância do receptor à fonte sonora.

O som necessita de um suporte material (sólido,


líquido ou gás) para se propagar. No vazio, o som
não se propaga porque não há nada no vazio que
possa vibrar para permitir a propagação do som.

Velocidade do som em diversos meios Um avião supersónico no momento em que ultrapassa a


“barreira do som”, isto é, ultrapassa a velocidade do som.
ar a 0°C 331 m/s
A nuvem atrás do avião resultou da condensação do vapor
ar a 20°C 343 m/s de água do ar.
ar a 30°C 350 m/s

água 1 493 m/s

água do mar 1 533 m/s

borracha 1 600 m/s

madeira (carvalho) 4 100 m/s

betão 5000 m/s

ferro 5 130 m/s

vidro pyrex 5 640 m/s

diamante 12000 m/s 12 000 m/s

1 Só distinguimos um som reflectido (eco) se este chegar ao ouvido pelo menos 0,1 s depois do
som emitido. Verifique que só se ouve um eco no ar se o obstáculo que reflecte o som estiver
a uma distância mínima de 17 m.

2 Qual é a velocidade mínima (em m/s e em km/h) a que deve andar um avião para poder ser
considerado supersónico, isto é, ser capaz de voar mais depressa do que o som a propagar-se?

3 Qual é a velocidade do som no vácuo interestelar? Porquê?

4 Na maioria dos filmes de ficção científica ouvem-se os disparos das naves no espaço. Este
efeito especial corresponderá à realidade? Porquê?

114
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Velocidade da luz

Quando acendemos uma lâmpada, temos a sensação de que a luz


se propaga instantaneamente. Mas não é assim: a luz pode até
levar muitos anos a ir de um local a outro. Por exemplo, a luz do
Sol demora quase 9 minutos a chegar à Terra! E a luz da estrela
mais próxima, além do Sol, a Proxima Centauri, demora 4,3 anos
a chegar à Terra...

Em distâncias pequenas, o tempo de viagem da luz é peque-


níssimo: à nossa escala, a propagação é quase instantânea. A
velocidade da luz no vácuo é aproximadamente trezentos mil qui-
lómetros por segundo (300 000 km/s). É uma velocidade cerca
de 900 000 vezes maior do que a do som. Num segundo, o som
percorre cerca de 340 metros. Num segundo, a luz percorre
300 000 000 metros (trezentos milhões de metros), quase a dis-
A estrela Proxima Centauri é a estrela mais
tância da Terra à Lua. A velocidade da luz no vácuo pouco difere
perto do Sistema Solar. Está à distância
do valor da velocidade da luz no ar. de 4,3 anos-luz, isto é, a luz desta estrela
demora 4,3 anos a chegar à Terra.
A velocidade da luz no vácuo é um valor com um significado
muito especial. De facto, os físicos têm muito boas razões para
acreditar que nada pode viajar mais depressa do que a luz no
vácuo!

Nos outros meios transparentes (vidro, água, plástico, etc.), a


velocidade da luz é menor do que no vácuo.

Velocidade da luz (km/s)

diamante 124 000

vidro de cristal 180 000

vidro vulgar 200 000

água 225 000

vácuo 300 000

ar 300 000

100 000 200 000 300 000

1 Qual é a velocidade da luz no vácuo interestelar, em km/h?

2 Qual é a distância da Terra à estrela Proxima Centauri, em km?

3 O
s astronautas deixaram uma câmara de televisão
na Lua. Quanto tempo demoram as ondas emitidas
por essa câmara de TV a chegar à Terra, que está a
400 000 km da Lua?

4 V
erifique que a luz atravessa uma sala de aula de
6 m de largura em 0,000 000 02 s = 2 × 10–8 s.

5 Analise a figura ao lado que representa um célebre


personagem da banda desenhada que afirma que
“dispara mais rápido que a sua própria sombra”...
Faça uma estimativa da distância da sombra e calcule
o tempo que o Lucky Luke demora a disparar...

115
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

Todos já vimos que no mar a água


forma ondas, umas vezes mais
altas e outras vezes mais baixas. A
sensação que temos ao observar as
ondas numa praia é que a água se
move do mar alto para a praia. Mas
tal não é verdade! O que viaja à
distância são as ondas, não a água.
A água limita-se praticamente a
oscilar para cima e para baixo. Isso
pode ser facilmente verificado: basta
colocar uma rolha de cortiça numa
tina com água e provocar uma onda
num extremo com a mão (agitando
a mão de um lado para o outro). A
rolha praticamente não sai do mesmo
sítio, oscilando para cima e para baixo.

As ondas na água, como as ondas sonoras e as ondas de luz, são vibrações que se propagam.
Uma onda pode propagar-se num certo meio (a água, no caso das ondas no mar), mas não é o
meio que se propaga… E, no caso da ondas de luz, nem sequer é necessário um meio para as
ondas se propagarem, pois elas até se propagam no vácuo ou vazio!

1 Uma onda provocada por um terramoto no mar pode deslocar-se milhares de quilómetros,
atravessando oceanos a uma velocidade de centenas de quilómetros por hora. Será que a água
do local onde ocorre o terramoto é transportada até milhares de quilómetros de distância?
Fundamente a resposta.

2 A velocidade de uma onda numa praia é aproximadamente 5 m/s. Será que um pedaço de
água se move 5 m em cada segundo? Fundamente a resposta.

3 Um surfista é transportado pela onda de água ou pelo movimento da água? Fundamente a


resposta.

Gotas de água a pingar numa superfície de água geram ondas na superfície (foto abaixo)...

4 Que sucede no ponto em que a gota cai?

5 Se se diminuir o intervalo de tempo entre duas gotas sucessivas, que sucede ao número de
ondas que se formam num certo intervalo de tempo?

6 Será que a altura de onde cai a gota é relevante para a velocidade de propagação das ondas?
Planifique uma experiência que lhe permita investigar esta questão (e faça-a..., de modo a
obter uma resposta satisfatória...).

116
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...

As fotos ao lado mostram uma “tina de ondas”, um


dispositivo utilizado nos laboratórios escolares e nos
centros de divulgação da ciência para estudar as
propriedades das ondas numa superfície de água.

As ondas são geradas por sistemas de vibração, que


podem ser “pontuais”. A partir do ponto em que este
toca a água (centro de abalo), vemos uma sucessão
de bandas circulares, como mostra a fotografia ao
lado. As bandas circulares brilhantes correspondem a
cristas ou picos de onda e as bandas circulares escuras
correspondem a vales de onda.

Podemos descrever a onda no plano por linhas circulares


— linhas de onda. A forma circular deve-se ao facto de
a velocidade da onda ter o mesmo valor em qualquer
direcção da superfície da água.

Admita que cada vibração demora 0,2 s.

1 Quantas vibrações ocorrem por segundo?

2 Quanto tempo decorre entre a passagem de um pico


de uma onda e o pico da onda seguinte, num ponto a
uma certa distância do centro de abalo?

3 E num segundo, em cada ponto, quantos picos de


onda passam?

As imagens ao lado e em baixo mostram diversos instantâneos de


A ondas num plano simuladas num computador.

As imagens A e B referem-se à mesma onda, em instantes


diferentes.

4 Que diferença há entre a imagem A e a imagem B?

5 Se a vibração completa no centro de abalo demorar 0,2 s, qual é


o intervalo de tempo mínimo entre a imagem A e a imagem B?

6 Quantas vibrações ocorrem por segundo?

7 Quanto tempo decorre entre a passagem de um pico de uma onda


e o pico da onda seguinte, num ponto a uma certa distância do
centro de abalo?

8 E num segundo, em cada ponto, quantos picos de onda passam?


B
As imagens C e D referem-se a ondas diferentes, no mesmo
instante.

9 Que diferença há entre a imagem C e a imagem D?

10 Em qual dos casos é que o centro de abalo tem maior amplitude


de oscilação?

C D

117
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Onda harmónica periódica: periodicidade no tempo...

Vejamos em pormenor o que é uma


onda harmónica periódica... As fi- t = 0 s
guras foram obtidas num computador
com um modelo matemático que co-
locou 24 partículas a oscilar...
t = 1 s
As partículas podem oscilar em
torno de uma posição intermédia,
num meio elástico. No instante
t = 2 s
inicial, t = 0 s, a primeira partícula
começa a oscilar e 1 s depois já está
ligeiramente afastada da posição in-
termédia... Ao fim de 1 s, a segunda t = 3 s
partícula “sente o puxão” da primeira
partícula (o meio é elástico!) e co-
meça também a oscilar...
t = 4 s
Ao fim de 2 s, a terceira partícula
“sente o puxão” da segunda partícula
e começa também a oscilar... amplitude t = 5 s
Ao fim de 5 s, a primeira partícula
atinge o afastamento máximo, e co-
meça a aproximar-se novamente da
t = 6 s
posição intermédia...

O afastamento máximo do ponto


intermédio é a amplitude da osci-
t = 7 s
lação. A amplitude da oscilação das
partículas é, também, a amplitude
da onda.
t = 8 s

t = 9 s
A primeira partícula volta a passar na po-
sição intermédia ao fim de 10 s...

Portanto, em 2 × 10 s = 20 segundos, t = 10 s
a primeira partícula faz uma oscilação com-
pleta. E todas as restantes partículas tam-
bém fazem uma oscilação completa em 20 s!
Este período de oscilação das partículas t = 11 s

é também o período da onda.


ponto da corda
1 Oscilando uma extremidade a oscilar Corda fixa
de uma corda pode criar-se nesta extremidade

uma onda na corda. A que


distância corresponde a
amplitude da oscilação? E a amplitude da onda?

2 Se se demorar 0,5 s a fazer uma oscilação completa na extremidade, qual é o período da


oscilação? E o período da onda na corda?

118
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Onda harmónica periódica: periodicidade no espaço...

Cada partícula que começa a oscilar conti-


nua a “puxar” a partícula vizinha... t = 12 s

A velocidade da onda tem a ver com o


tempo que demoram os “puxões” a propa-
garam-se. Essa velocidade depende de di- t = 13 s
versos factores como, por exemplo, a elasti-
cidade do meio.

t = 14 s

t = 15 s

t = 16 s

A primeira partícula está quase a fazer


uma oscilação completa...
t = 17 s

t = 18 s

t = 19 s

A primeira partícula acaba de fazer uma


oscilação completa (t = 20 s)... No mesmo
instante em que a primeira partícula faz uma t = 20 s

oscilação completa, há outra partícula “lá para comprimento de onda


a frente” que vai começar a oscilar exacta-
mente como a primeira partícula... A distância t = 21 s
da primeira partícula a essa outra partícula que
oscila exactamente do mesmo modo chama-
se comprimento de onda e representa-se l
(lambda). t = 22 s

À medida que a onda se propaga, mais par-


tículas começam a oscilar... e dois comprimen-
tos de onda depois há novamente uma partí- t = 23 s

cula a oscilar exactamente como a primeira!

1 Admita que cada oscilação das partículas acima representadas demorava apenas 5 s. Que
sucederia ao comprimento de onda? Fundamente a resposta.

2 Admita que cada oscilação das partículas acima representadas demorava 50 s. Que sucederia
ao comprimento de onda? Fundamente a resposta.

3 Que propriedades físicas de um meio podem fazer com que uma onda se propague mais
lentamente?

119
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Velocidade da onda, comprimento de onda, período e


frequência. Equação fundamental das ondas

A velocidade v da onda (em rigor, velocidade


de fase da onda) pode ser calculada conhe-
cendo o comprimento de onda m e o
período T da onda. De facto, a onda propaga- t = 0 s

se numa distância igual ao comprimento de


onda num período. Assim, tem-se:

m t = 5 s
v=
T
No SI, o comprimento de onda m
mede-se em metros, o período T em segun-
t = 10 s
dos e a velocidade v da onda em metros por
segundo.

Tal como o período de cada oscilação é o


t = 15 s
período da onda, também a frequência de
cada oscilação é a frequência da onda. A fre-
quência indica, num certo ponto, o número
de oscilações de cada partícula por segundo. t = 20 s
Mede-se em hertz (1 Hz = 1 oscilação por se-
gundo). A frequência da onda indica também
o número de “picos” de onda (isto é, de valor comprimento de onda, m
máximo) que passa por segundo em cada demora um período T...
ponto. Por exemplo, para uma onda com um período de à velocidade v = m/T
10 s, a frequência é 1/10 s = 0,1 Hz. Numa onda com
este período, demora 10 s a aparecer o próximo “pico”
e passam 0,1 picos por segundo.

O período T da onda é, pois, o inverso da frequên-


cia f:

1
T =
f

Substituindo na equação v = m /T, vem:


m
v=
1
f
Frequência da onda: número
v = mf
de “picos” de onda que passam
por segundo num ponto:
Esta última equação, que indica que a velocidade se passarem 10 picos num
da onda é igual ao produto do comprimento de onda segundo, a frequência é de
pela frequência, é vulgarmente designada por equação 10 Hz. Se passar 0,1 picos num
segundo, a frequência é 0,1 Hz.
fundamental das ondas.

1 O período da oscilação que provoca a onda é uma característica do oscilador. Um oscilador


pode ter um período muito pequeno ou muito grande, consoante esteja a oscilar muito
depressa2ou muito devagar...
Já a velocidade da onda, isto é a velocidade da propagação da oscilação às partículas vizinhas,
é uma característica do meio onde ocorre a onda. Tendo em conta estes factos, analise se o
comprimento de onda é uma grandeza física que depende apenas do oscilador ou se
também depende do meio de propagação da onda. Fundamente a resposta.

120
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

1 Como é que uma série de peças de dominó


permite ilustrar a ideia de onda como
propagação de um sinal sem propagação
de objectos?

y, em pixéis
A figura abaixo mostra um instantâneo de um modelo
45 A
computacional de uma onda transversal em que 24 partículas
30 oscilam com um período de 20 segundos. O reticulado tem 10
15 pixéis de lado e a onda propaga-se da esquerda para a direita.

A velocidade da onda é de 10 pixéis por segundo.


10 20 30 40 50
t/s
-15
À esquerda estão os gráficos das coordenadas verticais de
-30 apenas 5 dessas partículas, em função do tempo.

-45 O tempo começou a ser medido no instante em que a primeira


partícula começou a oscilar.
y, em pixéis

45 B y

30 x
O
15

10 20 30 40 50
t/s
-15 2 Qual dos gráficos diz respeito à coordenada vertical da
-30 primeira partícula? Fundamente a resposta.

-45 3 Qual dos gráficos diz respeito à coordenada vertical da


segunda partícula? Fundamente a resposta.
y, em pixéis
4 Qual dos gráficos diz respeito à coordenada vertical
45 C da partícula que começa a oscilar 1/2 período depois?
Fundamente a resposta.
30

15
5 Qual dos gráficos diz respeito à coordenada vertical
da partícula que começa a oscilar um período depois?
10 20 30 40 50 Fundamente a resposta.
t/s
-15 6 Esboce o gráfico da coordenada vertical da partícula que
-30 começa a oscilar 2 períodos depois.

-45 7 Qual é a amplitude de oscilação de cada partícula? E qual é a


amplitude da onda?
y, em pixéis 8 Que há de comum entre todas as partículas?
45 D 9 Mostre como se pode calcular o comprimento de onda desta
30 onda transversal.
15 10 Se o período de oscilação diminuir, que sucede ao período da
onda?
10 20 30 40 50
t/s
-15
11 Se a amplitude de oscilação diminuir, que sucede à
amplitude da onda?
-30
12 Aumentando o período de oscilação, que sucede à velocidade
-45
da onda?

y, em pixéis
13 Se a velocidade da onda aumentar (por exemplo, porque
se propaga noutro meio elástico), mantendo constante o
45 E período da onda, que sucede ao comprimento de onda?
30 Fundamente a resposta.
15

10 20 30 40 50
t/s
-15

-30

-45

121
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Ondas transversais e ondas longitudinais

As ondas transversais são ondas em que as vi- ponto da corda


a oscilar Corda fixa
nesta extremidade
brações ocorrem perpendicularmente à direcção do
movimento da onda (a chamada direcção de propa-
gação). É fácil obter ondas transversais em cordas
e molas esticadas. Basta oscilar uma extremidade
na vertical, com a mão: as oscilações são verticais
e a progressão da onda é horizontal.

As ondas longitudinais são ondas em que as


vibrações ocorrem na mesma linha em que a onda
progride. Pode obter-se uma onda longitudinal com
A
uma mola esticada, apertando fortemente com os Este ponto começa a vibrar
com um certo atraso...
dedos algumas espiras e largando-as. As espiras
oscilam horizontalmente e a progressão das ondas
é também horizontal. B

Este ponto B começa a vibrar


com um atraso igual a um período

Como obter uma onda transversal numa corda.

mais
ar

menos
ar
comprimento
mais
Um sistema que gera ondas de onda ar
longitudinais, empurrando e
puxando a extremidade de uma
mola. A outra extremidade da
mola é mantida fixa a uma
certa distância. As oscilações
propagam-se na mola, com uma
certa velocidade e um certo As ondas sonoras que se propagam a partir menos
comprimento de onda. de um diapasão (ou de outra fonte sonora ar

qualquer) são ondas longitudinais. A vibração mais


ou oscilação do diapasão provoca pequenas ar
menos
compressões e dilatações alternadamente das ar
camadas de ar em volta. Ou seja, provoca va-
riações periódicas de pressão de ar, que podem
ser detectadas pelo ouvido ou por um sensor
de pressão. As ondas sonoras também são
chamadas, por isso, ondas de pressão.

O esquema ao lado mostra uma


onda numa mola.

1 Que tipo de onda se está a


propagar na mola? Porquê?

2 Que tipo de movimento tem o pequeno fio que se colocou numa das espiras da mola?

3 Este é o único tipo de onda que se pode provocar nesta mola? Porquê?

122
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Um modelo de uma onda longitudinal


t = 0 s
Vejamos agora em pormenor o que
é uma onda longitudinal. As figuras t = 1 s
foram obtidas com um modelo mate-
mático que colocou 24 segmentos a t = 2 s
oscilar horizontalmente. Todas as osci-
lações têm igual amplitude e período. t = 3 s

Cada segmento oscila elasticamente


t = 4 s
em torno de uma posição intermédia.
No instante inicial, t = 0 s, o primeiro
t = 5 s
segmento começa a oscilar e 1 s de-
pois já está ligeiramente afastado da
posição intermédia... Ao fim de 1 s, o t = 6 s

segundo segmento “sente o empurrão”


do primeiro e começa também a osci- t = 7 s

lar...
t = 8 s
Ao fim de 2 s, o terceiro “sente o
empurrão” do segundo e começa tam-
t = 9 s
bém a oscilar...

Ao fim de 5 s, o primeiro segmento t = 10 s

atinge o afastamento máximo, e co-


meça a aproximar-se novamente da t = 11 s
posição intermédia...
t = 12 s
O primeiro segmento volta a passar
na posição intermédia ao fim de 10 s...
t = 13 s

Portanto, em 2 × 10 s = 20 segun-
dos, o primeiro segmento faz uma os- t = 14 s
cilação completa. E todos os restantes
também fazem uma oscilação completa t = 15 s
em 20 s! O período de oscilação dos
segmentos é também o período da t = 16 s
onda.
t = 17 s
No mesmo instante em que o pri-
meiro segmento faz uma oscilação
t = 18 s
completa, há outro “lá para a frente”
que vai começar a oscilar exactamente
t = 19 s
como o primeiro... A distância do pri-
meiro a esse outro segmento que os-
cila exactamente do mesmo modo é o t = 20 s

comprimento de onda, m.
t = 21 s
À medida que a onda se propaga,
mais segmentos começam a oscilar... e t = 22 s
dois comprimentos de onda depois há
novamente outro segmento a oscilar
t = 23 s
exactamente como o primeiro!
comprimento de onda, l

123
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Sinal harmónico e onda harmónica

Os exemplos das páginas anteriores são compressão


exemplos de ondas harmónicas. Uma onda A
harmónica é produzida por um sinal har-
mónico, isto é, um sinal que tem um
único período constante e que pode ser
pressão alta
descrito por uma função sinusoidal.

Um exemplo comum de um sinal harmó-


nico é o emitido por um diapasão bem afi-
rarefacção
nado. Um diapasão nessas condições vibra
B
com um só período e, portanto, com uma
só frequência. A onda sonora resultante é,
pois, uma onda com um só período e, con-
sequentemente, com uma só frequência.

Uma outra forma de obter um sinal har-


pressão baixa
mónico é com um assobio bem treinado.
Um assobio tem uma frequência da ordem
dos milhares de hertz. Por exemplo, a onda
sonora provocada pela vibração do ar nos
lábios num assobio de 2000 Hz é uma onda
harmónica com uma frequência de 2000 Hz.

progagação da onda... Um diapasão com a indicação


da respectiva frequência de
Num certo instante… vibração: 512 Hz.
P

compressão
máxima no
ponto P

… meio período depois…


P Representação da propagação de uma onda sonora no
espaço: em cada instante, ao longo do espaço, a pressão
de ar aumenta e diminui em cada ponto.
rarefacção
máxima no O comprimento de onda é a distância entre dois pontos
ponto P onde a pressão de ar é mínima (ou entre dois pontos onde
a pressão é máxima).

… um período depois… Para um assobio de 2000 Hz, que tem um período de


P 1/2000 do segundo = 0,0005 s, o comprimento de onda é
0,17 m = 17 cm, se a velocidade do som for 340 m/s:

compressão λ
v=
máxima T
seguinte no λ=vT
ponto P = 340 m/s × 0, 0005 s
= 0,17 m
pressão mínima pressão mínima
neste ponto neste ponto

comprimento da onda sonora

124
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

1 O gráfico da figura abaixo mostra a pressão de ar (em unidades arbitrárias) num ponto onde
é detectado um som com uma certa frequência e um certo período, por um computador com
microfone. Quantos períodos estão representados no rectângulo a tracejado?

2 Quanto vale a menor divisão do eixo do tempo no gráfico, em milésimos de segundo?

3 Verifique que o período vale

(4,5 ms – 0,75 ms) / 4 = 3,75 ms / 4

ou seja, aproximadamente 1 ms = 0,001 s.

4 Calcule a frequência do som.

5 Observe agora o gráfico da figura abaixo, obtido nas mesmas condições mas com um som
diferente do anterior. Por que razão é mais correcto determinar o período da onda sonora
medindo o intervalo de tempo correspondente a vários períodos no gráfico em vez de apenas
um? (Sugestão: se o período for muito pequeno, que sucede à incerteza na leitura do intervalo
de tempo correspondente a um único período?)

6 Determine o período da onda sonora.

7 Calcule a frequência do som.

8 Que outra grandeza necessita conhecer para calcular o comprimento de onda da onda sonora
correspondente ao som detectado pelo computador? Utilize um valor adequado para essa
grandeza e calcule o comprimento de onda.

9 O comprimento de onda da onda sonora depende apenas da


frequência do som? Fundamente a resposta.

10 Observe o diapasão da foto. Determine o período de vibração se a


frequência do som obtido com o diapasão for 256 Hz.

125
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Funções sinusoidais como modelos matemáticos


de sinais harmónicos

y
x/m
Um dos tipos de funções y/m

mais importantes são as 100 100

chamadas funções sinusoi- 50 50

dais, o seno e o co-seno. O x 3 6 9 12 3 6 9 12


Estas funções permitem -50 -50

descrever o movimento cir- -100 -100


t/s t/s
cular e as oscilações har- t = 1,5 s

mónicas, porque cada uma seno do ângulo co-seno do ângulo

das coordenadas de uma partícula em


1,0 1,0
movimento circular oscila em torno
0,5 0,5
do ponto correspondente ao centro da
trajectória circular. 90 180 270 360 90 180 270 360
-0,5 -0,5

As imagens ao lado mostram uma -1,0 -1,0


ângulo/º ângulo/º
sequência de instantâneos do mo-
vimento de um raio em rotação e
duas partículas a oscilar, com pe-
ríodo de 12 s, obtida a partir
y/m x/m
de um modelo computacio-
100 100
nal. Uma partícula oscila no
50 50
eixo Ox e outra oscila no
eixo Oy. As coordenadas de 3 6 9 12 3 6 9 12
-50 -50
ambas são iguais às coorde-
-100 -100
nadas x e y do extremo do
t = 3,0 s t/s t/s
raio em rotação, respectiva-
seno do ângulo co-seno do ângulo
mente.
1,0 1,0
O raio tem 100 pixéis. E cada
0,5 0,5
partícula oscila entre + 100 pixéis e
– 100 pixéis, no respectivo eixo. 90 180 270 360 90 180 270 360
-0,5 -0,5

A coordenada da partícula que -1,0 -1,0

oscila horizontalmente pode ser ângulo/º ângulo/º

descrita pela função co-seno, porque


se tem

x y/m x/m
cos α =
r 100 100
x = r cos α 50 50

3 6 9 12 3 6 9 12
sendo r o raio da circunfe-
-50 -50
rência e a o ângulo em qual-
-100 -100
quer instante. t = 6,0 s t/s t/s

Como o período é 12 s, a volta seno do ângulo co-seno do ângulo

dá-se com a rapidez de 360º/12 s =


1,0 1,0
30º/s. Assim, o ângulo a pode ser
0,5 0,5
descrito pela função
90 180 270 360 90 180 270 360
360º -0,5 -0,5
α= t
12 s -1,0 -1,0
= 30 t ângulo/º ângulo/º

126
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

x/m
Portanto, o modelo mate- y/m

mático da oscilação da coor- 100 100

denada x é: 50 50

 360º  3 6 9 12 3 6 9 12
x = r cos  t  -50 -50
 12 s 
-100 -100
= 100 cos 30 t ( ) t = 10,5 s t/s t/s

seno do ângulo co-seno do ângulo


Procedendo de modo semelhante,
pode concluir-se que o modelo mate- 1,0 1,0

mático da coordenada y é: 0,5 0,5

y 90 180 270 360 90 180 270 360


sin α = -0,5 -0,5
r
-1,0 -1,0
y = r sin α
ângulo/º ângulo/º
 360º 
= r sin t 
 12 s 
= 100 sin 30 t ( )
y/m x/m
Ou seja, quer a fun-
100 100
ção seno quer a função
50 50
co-seno podem ser uti-
lizadas para descrever 3 6 9 12 3 6 9 12
-50 -50
oscilações: neste exemplo,
-100 -100
trata-se de oscilações de co- t/s t/s
t = 12,0 s
ordenadas de posição mas
seno do ângulo co-seno do ângulo
as funções sinusoidais podem ser uti-
lizadas para oscilações harmónicas de 1,0 1,0
qualquer grandeza física. 0,5 0,5

Alguns livros preferem usar o 90 180 270 360 90 180 270 360
-0,5 -0,5
co-seno, principalmente quando a osci-
-1,0 -1,0
lação se inicia no valor máximo positivo
ângulo/º ângulo/º
(como é o caso da coordenada y neste
exemplo).

Já se a oscilação se iniciar no valor


intermédio, como é o caso da coorde-
nada x neste exemplo, pode ser mais
prático utilizar o seno. Mas ambas as
funções podem ser utilizadas para des-
crever qualquer oscilação harmónica.

Uma chumbada suspensa numa mola oscila em torno de um ponto intermédio


com um período de 2 s e com uma amplitude de 0,10 m (ver foto). Escolheu-se
um referencial Oy vertical, com origem O no ponto intermédio da oscilação.

1 Se se começar a medir o tempo no ponto em que a chumbada passa na amplitude máxima,


para o lado positivo do eixo Oy, a função y = 0,10 cos(180 t) pode ser utilizada como modelo
matemático desta oscilação. Faça o esboço do gráfico da função, ao lado de um esquema da
chumbada e da mola, e fundamente os valores utilizados na expressão da função.

2 Se se começar a medir o tempo no instante em que a chumbada passa no ponto intermédio,


para o lado positivo, que modelo matemático, utilizando a função seno, descreve a coordenada y
da chumbada? Faça o esboço do gráfico da função e confirme-o com a máquina de calcular.

127
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Radianos e graus como argumentos das funções sinusoidais

Na secção anterior vimos como se pode descrever uma oscilação


utilizando funções sinusoidais. O argumento do seno e do co-
seno foi expresso em graus, uma vez que a rapidez de rotação
do raio estava expressa em graus por segundo.

Vimos na Unidade 1 que os ângulos se medem em radia-


nos no SI. Um radiano (1 rad) é o ângulo que corresponde a um
arco em que o comprimento do arco é igual ao comprimento do
respectivo raio.

ângulo de 1 radiano: o
Vimos também que:
comprimento do arco é igual ao
• uma volta completa corresponde a 6,28 radianos, porque comprimento do raio

o arco da volta completa é 6,28 vezes maior que o raio da


circunferência (em rigor, 2 p vezes maior);

• um radiano vale 57,3º (= 360º/6,28).

Portanto, um raio que rode à rapidez de 1 radiano por se-


gundo,

1 rad/s (= 57,3º/s)
y

dá uma volta completa em 6,28 s. E se demorar 10 s a dar a


volta completa, roda com uma rapidez de

6, 28 rad
= 0, 628 rad/s
10 s

Mas se demorar 12 s, como no exemplo da secção anterior, a O x

velocidade angular, que é 360º/12 s = 30º/s, vale, em rad/s:

2 π rad 6, 28... rad


ω = = = 0, 524 rad/s
12 s 12 s

Portanto, usando radianos, se o período for 12 s, o ângulo


Uma volta completa corresponde a uma
varrido pelo raio pode ser descrito pela função rotação de 6,28 radianos= 2 p radianos.
a = 0,524 t Se demorar 12, a velocidade angular é
2 p/12 rad/s = 0,524 rad/s.
sendo 0,524 expresso em rad/s e o tempo t em s.

Assim, para a rotação com um raio de 100 pixéis e um


período de 12 s, a função sinusoidal que descreve a oscilação
da coordenada horizontal é

2π 
x = 100 cos  t 
12 s 

(
= 100 cos 0, 524 t )
e a que descreve a oscilação da coordenada vertical é

2π 
y = 100 sin t 
12 s 

(
= 100 sin 0, 524 t )

128
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

y
De um modo geral, qualquer função do
tipo

( )
x = A cos ω t

y = A sin(ω t )

O x
com w expresso em rad/s e t em segun-
dos descreve uma oscilação harmó-
nica.

Como vimos, no movimento circu-


lar uniforme, a grandeza w designa-se
2π  2π 
por velocidade angular. y = 100 sin t  x = 100 cos  t 
12 s  12 s 
No caso das oscilações, esta gran-
(
= 100 sin 0, 524 t ) (
= 100 cos 0, 524 t )
deza w designa-se preferencialmente por
y/m x/m
frequência angular, uma vez que não
100 100
há ângulos a serem descritos, devido a
50 50
uma rotação.
3 6 9 12 3 6 9 12
Tal como para a velocidade angular, -50 -50
em que conhecendo o período T da ro- -100 -100
tação, conhece-se a velocidade angular, t/s t/s

conhecendo o período T da oscilação, seno do ângulo co-seno do ângulo


conhece-se a frequência angular:
1,0 1,0

ω= 0,5 0,5
T
1,57 3,14 4,71 6,28 1,57 3,14 4,71 6,28
p/2 p 3 p/2 2p p/2 p 3 p/2 2p
-0,5 -0,5
A unidade SI de frequência angular
-1,0 -1,0
~ é o rad/s. Se nada for dito em con-
ângulo/rad ângulo/rad
trário, é nesta unidade que se deve ex-
primir ~ .

d
1 O gráfico mostra um modelo da oscilação
30
harmónica de uma grandeza d, medida em
unidades arbitrárias. 20

2 Qual é o período de oscilação de d? 10

3 Qual é a frequência de oscilação de d?


t/s
5 10 15 20
4 Qual é a amplitude de oscilação de d?
-10
5 Quantos períodos estão representados no
-20
gráfico?

6 Verifique que o modelo matemático de d -30

pode ser expresso pela função


d = 20 sin(45 t) se o argumento do seno for expresso em graus.

7 Verifique que o modelo matemático de d pode ser expresso pela função d = 20 sin(0,785 t) se o
argumento do seno for expresso em radianos.

8 Qual é a frequência angular da oscilação em radianos por segundo? E em graus por segundo?

9 Se se começar a medir o tempo a partir de t = 2 s, que função, utilizando o co-seno, pode


descrever a oscilação?

129
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Frequência angular, período e frequência das oscilações e


ondas harmónicas
y

Acabámos de ver que a grandeza ~ , a frequência an-


gular, descreve se a oscilação se repete rapidamente
ou lentamente. Por exemplo, se a frequência angular for
6,28 rad/s, ficamos a saber que uma oscilação completa O x
demora 1 s (recorde que uma oscilação completa corres-
Se a frequência
ponde a uma volta completa no movimento circular e que
ângular for 6,28 rad/s,
uma volta completa são 6,28 radianos). o oscilador faz uma
oscilação completa
Já se a frequência angular for 3,14 rad/s, a oscilação em 1 s.
completa demora o dobro do tempo a ocorrer. De facto, x/m
3,14 radianos corresponde a metade de uma volta com- 150

pleta no movimento circular. 100

Já vimos também que o tempo que demora uma volta 50

completa no movimento circular se designa por período e t/s


0,25 0,50 0,75 1,00
que se representa por T.
-50

Outra forma de conhecer o tempo que demora uma -100


volta completa é conhecer quantas voltas dá num se-
-150
gundo, a chamada frequência f (não confundir com fre-
quência angular...). Por exemplo, se der 5 voltas num
segundo, diz-se que a frequência vale 5 hertz (5 Hz). Com
uma frequência de 5 Hz, o período vale 0,2 s: x/m
150
1s
= 0, 2 s por volta completa 100
5 voltas
50

Portanto, como também já sabemos, o período e a fre-


t/s
quência são grandezas inversas: 0,25 0,50 0,75 1,00

-50
1
frequência = -100
período
1 -150
f =
T Esta oscilação tem uma frequência f = 5 Hz e um
período T = 0,2 s. Verifique que a sua frequência
Quanto maior o período menor a frequência, e vice- angular vale l = 31,4 rad/s.
versa.

As funções sinusoidais que descrevem as oscilações são frequente-


mente expressas utilizando a frequência das oscilações, Assim, estas
funções podem ser escritas do seguinte modo, tendo em conta a rela-
ção entre o período T e a frequência f:

 2π 
( )
x = A cos ω t = A cos  (
t  = A cos 2πf t
 T 
)
 2π 

( )
y = A sin ω t = A sin (
t  = A sin 2πf t
 T 
)
Portanto, a frequência angular ~ , em radianos por segundo, pode
ser calculada por qualquer das seguintes equações:


ω=
T
=2π f
130
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

A função x = 2,2 cos(50 t), sendo o argumento do co-seno em radianos, descreve uma oscilação
harmónica de amplitude A = 2,2 unidades e frequência angular ~ = 50 rad/s.

Portanto, podemos escrever a seguinte equação:

~ = 2 ~ f

50 = 2 ~ f

Resolvendo, obtém-se uma frequência f = 8,0 Hz:

50 = 6, 28 f
50
f =
6, 28
= 8, 0 Hz

Portanto, o período da oscilação vale T = 0,125 s:

1
T =
f
1
=
8, 0
= 0,125 s

Conhecendo o período T e a amplitude A pode facilmente esboçar-se o gráfico da função:

x/m

t/s
0,25 0,50 0,75 1,00

-1

-2

-3

Considere agora que uma oscilação é descrita pela função

x = 12,0 cos(20 t)

sendo o argumento do co-seno em radianos e x em milímetros.

1 Qual é a amplitude da oscilação?

2 Qual é a frequência angular ~ da oscilação, em rad/s? E em graus/s?

3 Calcule a frequência f da oscilação.

4 Calcule o período T da oscilação.

5 Faça um esboço do gráfico de x em função de t.

Considere também uma oscilação que é descrita pela função

x = 12,0 sin(20 t)

sendo o argumento do seno em radianos e x em milímetros.

6 Repita todos os cálculos anteriores, utilizando esta função.

131
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

Admita que o gráfico da figura mostra a pressão de ar (em unidades arbitrárias) num ponto onde
é detectado um som com uma certa frequência.

pressão do ar,
em unidades arbitrárias

0,000 0,001 0,002 0,003 0,004


t/s

1 Qual é o período da onda sonora? E qual é a frequência?

2 Admita que cada divisão do eixo vertical vale 1 unidade e que no instante t = 0 s o valor é
nulo. Qual é a amplitude da oscilação?

3 Que grandeza necessitaria conhecer para calcular o comprimento de onda da onda sonora?
Atribua-lhe um valor plausível e calcule o comprimento de onda.

4 Um aluno distraído olha para este gráfico e diz que o gráfico representa quatro comprimentos
de onda. Que tipo de confusão é que esse aluno está a fazer...? Fundamente a resposta.

5 Verifique que a oscilação pode ser descrita pelo modelo matemático p = 2 sin(3,6 × 105 t),
sendo p a pressão do ar em unidades arbitrárias e considerando o valor inicial nulo (argumento
do seno está expresso em graus).

6 Que função descreve p se o argumento do seno for expresso em radianos?

7 Quanto vale a frequência angular da oscilação de p, em unidades SI?

O gráfico da figura mostra a tensão eléctrica gerada num sensor por um som de uma flauta
electrónica num ponto a uma certa distância do instrumento.

8 Qual é o período da onda sonora? E qual é a frequência?

9 Por que razão é mais correcto medir o intervalo de tempo entre várias oscilações para
determinar o período, em vez de medir o intervalo de tempo de uma única oscilação?

10 Qual é a frequência angular da função sinusoidal que descreve a oscilação?

11 Admita que a velocidade do som na altura em que o som foi detectado era 345 m/s. Qual era o
comprimento de onda da sonda sonora? Que significado físico tem esse valor?

12 Qual é a amplitude da oscilação da tensão eléctrica?

132
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Espectro sonoro

O espectro sonoro é o conjunto de todos Os morcegos emitem


os sons, audíveis e não audíveis pelo ser ultra-sons de 30000 Hz (ou
mais) na escuridão de uma
humano. A zona dos sons audíveis, para os cave ou de uma caverna
seres humanos, situa-se entre os 20 Hz e os para voarem afastados
20000 Hz. Os sons de frequências de 0 Hz a da parede. Este seu
sistema de sonar natural
20 Hz (não audíveis) constituem a zona dos
é extremamente eficaz.
infra-sons. Sons de frequência inferior a 20 Hz Será que podemos ouvir
(infra-sons) provocam náuseas e perturbações estes sons emitidos pelos
intestinais. Os sons com frequências muito ele- morcegos?

vadas, superiores a 20000 Hz, que o ouvido hu-


mano também não consegue ouvir, chamam-se
ultra-sons. Uma ecografia é feita
com ultra-sons, isto é,
Os cães conseguem ouvir sons cujas fre- sons de frequência de
quências estão entre os 15 Hz e os 50000 Hz. 20000 Hz, que é superior
às frequências que o ouvido
Podem, por isso, detectar ruídos que deixam in-
humano consegue ouvir.
diferentes os seres humanos, como, por exem- Estes sons são emitidos
plo, os apitos especiais para cães. Os morcegos por cristais vibrantes,
e os cágados conseguem emitir e ouvir sons de colocados perto do corpo.
O eco é recebido por
frequências superiores a 100000 Hz. sensores e analisado por
computadores, de modo a
obter-se uma imagem.

Gama de frequências dos sons que podem ser produzidos por alguns
instrumentos musicais, pelo homem e por diversos animais. O esquema
mostra também as frequências dos sons que podem ser ouvidos por
diferentes animais.

Piano 30 4100
Aparelhagem 15 30 000
de alta fidelidade
Frequências produzidas
85 1 100
Ser humano
20 20 000
Frequências ouvidas
452 1 800
Cão
15 50 000

760 1 500
Gato
60 65 000

10 000 120 000


Morcego
1 000 120 000

50 8 000
Sapo
50 10 000

7 000 120 000


Cágado
150 150 000

50 100 1000 10 000 100 000

frequência (em hertz)

1 Qual é a gama de frequências sonoras audíveis pelo ser humano?

2 Todos os sons emitidos pelos cães podem ser ouvidos pelo ser humano? Fundamente a
resposta.

3 Os morcegos ouvem a maior parte das frequências emitidas pelos seres humanos?
Fundamente a resposta.

4 A partir de que frequência um som é considerado ultra-som?

133
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Sons complexos

A grande maioria dos sons não têm uma só fre- intensidade


(em unidades arbitrárias)
quência. São, na realidade, uma mistura mais
ou menos complexa de muitas frequências.

Se se registar o som correspondente a uma


vogal ou a uma nota musical (num computador,
com software adequado e um microfone) e o com-
pararmos com o som de um diapasão, facilmente
concluímos que o som de um diapasão é um som
“simples” ou som harmónico, porque tem (pratica-
mente!) uma única frequência, enquanto o som da
vogal ou da nota musical não são sons “simples”,
isto é, não têm uma única frequência. Diz-se que
são sons complexos: resultam da mistura de on-
das sonoras com várias frequências.

Os gráficos ao lado mostram o que resulta 0,000 0,002 0,004 0,006 0,008
t/s

quando se combinam som de três frequências di- Uma mistura de três sons puros com amplitudes e
ferentes, com diferentes amplitudes. O som com- frequências diferentes (1000 Hz, 500 Hz e 250 Hz) produz
plexo que resulta da mistura destes sons é repre- um som complexo. Há técnicas matemáticas sofisticadas
que permitem identificar quais são as frequências que
sentado no quarto gráfico.
constituem um som complexo.

Existem técnicas matemáticas sofisticadas que


permitem analisar sons complexos e determi-
nar (com melhor ou pior aproximação) quais as
frequências que podem ter originado esse som
complexo. Uma dessas técnicas é designada pelas 0 250 500 750 1000
iniciais FFT e está implementada em diversos tipos Espectro sonoro do som complexo da imagem de cima.
de software para análise de som, como é o caso Num espectro sonoro, representam-se as frequências cuja
do Audacity, de que existe versão em português. mistura constitui o som complexo e a intensidade relativa
(determinada pela amplitude do som).
O Audacity pode igualmente ser utilizado
para gerar sons de vários tipos, incluindo
sons puros.

Nota musical analisada com um


software de análise e edição de som,
disponível gratuitamente na Internet
(http://audacity.sourceforge.net).

1 Verifique, fazendo medidas nos gráficos, que a frequência de cada um dos sons representados
na figura acima corresponde a cada uma das frequências indicadas no espectro sonoro.

2 Será possível escutar um som não complexo, originado pela sobreposição de sons de duas
fontes? Fundamente a resposta.

3 O som de um diapasão bem afinado é um som puro ou simples. Que significado tem esta
afirmação?

134
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

Os gráficos junto exemplificam dois sons puros e um intensidade do som

som complexo obtidos num microfone, colocado a


uma certa distância de uma fonte sonora (software
de computador que pode gerar sons com qualquer
frequência). t/s
0.001 0.002 0.003 0.004
A escala de intensidade é igual nos três gráficos.

1 Qual é o som puro com maior frequência? Qual é o


valor dessa frequência?

2 Qual é o som puro com maior período? Qual é o intensidade do som

valor desse período?

3 Compare a intensidade do som puro com maior


intensidade com a intensidade do som puro com
t/s
menor intensidade. 0.001 0.002 0.003 0.004

4 Faça um esboço do espectro sonoro do som


complexo que resulta da sobreposição dos dois
sons puros.

intensidade do som

t/s
0.001 0.002 0.003 0.004

As figuras mostram a análise de duas notas


LÁ de uma guitarra Fender em computador.
Os valores indicados referem-se ao tempo
em segundos.

5 Qual representa o LÁ mais agudo?


Fundamente a resposta.

6 Trata-se de sons puros ou sons com


timbre? Fundamente a resposta.

7 Sobrepondo estas duas notas, obtém-


se um LÁ com o mesmo timbre?
Fundamente a resposta.

8 Faça uma estimativa de quantas vezes é


que a frequência do segundo LÁ é maior
que a frequência do primeiro.

9 Verifique que a frequência do primeiro


LÁ é 220 Hz e a do segundo é 440 Hz.

10 Os telefones de teclas produzem


sons característicos, que resultam da
sobreposição de dois sons quase puros.
Por exemplo, a tecla 1 de um telefone
produz um som composto de dois sons
com frequências 697 Hz e 1209 Hz.
Estes dois sons são sons harmónicos?
Fundamente a resposta.

11 As mesas de mistura de som (foto ao


lado) têm imensos botões para controlar
a intensidade das diversas frequências
do espectro sonoro. Como se deverá
proceder para manipular esses botões de
modo a ouvir um som puro a partir de
um som de uma nota musical?

135
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Altura, volume (ou intensidade) e timbre de um som

Um som pode ser mais alto (também se diz mais agudo) ou mais
baixo (também se diz mais grave). Não se deve confundir som
alto com som mais forte ou mais intenso.

A altura de um som está relacionada com a frequência


das vibrações que provocam o som. Por exemplo, um assobio
é, em geral, um som agudo ou alto (corresponde a muitas vibra-
ções do ar por segundo). Já um som de uma pancada da mão
numa mesa é um som baixo ou grave. Quanto mais alto (mais
agudo) for um som, maior é a sua frequência. Um assobio muito
agudo pode corresponder a 4000 vibrações do ar por segundo. Um O vulcão da ilha de Krakatoa, que explodiu
em 1884, produziu o som mais intenso de
som grave ou baixo, como um som das notas do lado esquerdo do
sempre na Terra! Um som muito intenso
teclado de um piano, corresponde essencialmente a sons provoca- não deve ser confundido com um som muito
dos por menos de 100 vibrações por segundo. alto: a altura de um som tem a ver com a
frequência da onda sonora e a intensidade
O som emitido pela explosão do vulcão Krakatoa em 1884 (na do som depende da amplitude e energia das
ondas sonoras.
Indonésia) foi dos mais intensos ou fortes que alguma vez se pro-
duziram na Natureza. Foi tão forte que chegou a ser ouvido a mais
de 4000 km de distância!

A intensidade de um som é a característica que permite


classificá-lo em forte ou fraco. Quanto mais intenso ou forte
for um som, mais longe ele poderá ser detectado, em iguais
condições de propagação. A intensidade de um som depende da
energia que lhe está associada. Esta designa-se muitas vezes por
energia sonora, não porque se trata de uma “forma” especial de
energia (é energia cinética, ou energia do movimento, como outras
“formas” de energia). A intensidade de um som depende da ampli-
tude das respectivas ondas.

Dois instrumentos musicais ou dois cantores podem emitir sons


correspondentes à mesma nota musical, da mesma frequência e
flauta
com a mesma intensidade. Mas um ouvido bem treinado consegue
distinguir essas notas. A propriedade que permite distinguir
sons musicais com a mesma altura e com a mesma intensi-
dade é o timbre do som.

O timbre é uma característica muito importante dos instrumen-


violino
tos musicais e da voz humana. Os sons musicais são misturas
de sons harmónicos (não confundir com ondas harmónicas!):

• o som fundamental ou primeiro harmónico tem uma certa


frequência;

• o segundo harmónico tem uma frequência que é dupla da do clarinete


primeiro harmónico;

• o terceiro harmónico tem uma frequência que é tripla da do


primeiro harmónico. E assim sucessivamente.
Três sons musicais correspondentes à
mesma nota musical, produzidas por
O timbre de cada som musical depende da composição dessa três instrumentos. O timbre destes sons
mistura de harmónicos emitida pela voz ou pelo instrumento mu- (resultante da mistura de harmónicos) é
sical. diferente de instrumento para instrumento.

136
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

Primeiro harmónico
ou som fundamental,
de frequência f

Segundo harmónico,
com frequência 2f

Terceiro harmónico,
com frequência 3f

Quarto harmónico,
com frequência 4f

Som complexo

t/s
s
0,000 0,001 0,002 0,003 0,004 0,005

A figura acima mostra os quatro harmónicos de um som de frequência f e o som complexo


resultante da sobreposição dos harmónicos.

1 Qual é o valor da frequência f ?

2 Determine a frequência dos diversos harmónicos.

3 Qual é o harmónico que tem maior intensidade? Fundamente a resposta.

4 Faça um esboço do espectro do som complexo.

A figura abaixo foi obtida com uma nota musical.

5 Determine a frequência da nota musical.

6 Que relação há entre a frequência da nota musical e a frequência dos respectivos harmónicos?
Fundamente a resposta.

7 Qual dos harmónicos, é mais intenso, sem ser o primeiro harmónico ou som fundamental?

8 Em que difere este espectro do espectro do som da mesma nota musical produzida por outro
instrumento?

O gráfico abaixo refere-se a um assobio analisado num computador. Os valores indicados


referem-se ao tempo em segundos.

9 Verifique que a frequência do assobio se manteve aproximadamente constante ao longo de


todo o assobio.

10 Que propriedade do som variou durante o assobio? Fundamente a resposta.

137
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Reflexão, absorção, refracção, interferência e difracção


de ondas

Quando o som atinge um obstáculo (uma pa-


rede, por ex.) volta para trás, tal como uma bola
ao bater numa parede. Diz-se que o som foi re-
flectido na parede.

O eco é um som reflectido. Mas, felizmente,


não estamos sempre a ouvir ecos! Porquê? Simulação computacional de algumas
propriedades das ondas:
Porque para que se possa ouvir o eco, é neces-
sário que a distância que separa o obstáculo da
fonte sonora seja relativamente grande (pelo me-
nos 17 metros). Caso contrário, não se distingue
o som emitido pela fonte do som provindo da re- Uma barra
geradora de ondas
flexão do som (eco). Em geral, o ouvido humano
começa a vibrar...
só consegue distinguir dois sons seguidos, se
o intervalo de tempo entre eles for igual ou su-
perior a 0,1 s.

Quando o som se propaga num meio físico,


há sempre uma certa atenuação do som, isto é,
uma diminuição da sua intensidade, devido à ab-
sorção das ondas sonoras pelo meio. Por outro
lado, quando o som passa de um meio para outro
pode mudar de direcção, isto é refracta-se. As superfícies de
A refracção do som não é tão importante com a onda começam
a atingir um
refracção da luz, que será estudada com mais
obstáculo...
pormenor mais adiante.

Sabemos ainda que o som, além de se reflec-


tir, é capaz de “contornar” obstáculos. Por exem-
plo, quando se tem uma porta aberta, ouve-se As superfícies de
através da porta, mesmo que a fonte de som não onda reflectem-se
no obstáculo...
esteja em linha recta com o ouvido. De facto, as
ondas sonoras, tal como os outros tipos de ondas,
As superfícies de
são capazes de se difractar, isto é, de se espa- onda difractam-se
lharem em várias direcções quando atingem um nesta extremidade
obstáculo (a palavra difracção tem origem numa do obstáculo...
palavra latina que significa quebrar em pedaços).
As ondas podem também interferir umas com
As superfícies de
as outras, isto é, as oscilações em cada ponto onda difractam-se
do espaço podem sobrepor-se, resultando em au- também nesta
mento ou diminuição de amplitude, nesse ponto. extremidade do
obstáculo...
O comportamento das ondas pode ser facil- As ondas
mente observado com ondas na água. Na tina de atenuam-se
à medida que
ondas (uma tina de onda é um simulador de on-
se afastam da
das utilizado em laboratórios escolares) é possível fonte...
observar o que sucede quando as ondas atingem As ondas reflectidas
interferem com as ondas
um obstáculo. Esse comportamento das ondas
provindas directamente
também pode ser observado com um computador da fonte...
e software adequado, como mostram as imagens. Estas simulações foram obtidas com o programa Crocodile
Physics, cuja versão de demonstração pode ser obtida em
http://www.crocodile-clips.com.

138
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

As imagens junto foram obtidas com um programa que


simula ondas geradas por uma barra vibratória numa
superfície de água.

A zona cinzenta representa um obstáculo totalmente


mergulhado em água. Portanto, a zona por cima do
obstáculo corresponde a água de menor profundidade.

1 Onde é maior o c.d.o. das ondas: na zona de água mais


profunda ou na zona menos profunda? Fundamente a
resposta.

2 Que sucede à direcção de propagação das ondas à


medida que passam da zona mais profunda para a zona
menos profunda?

3 E que sucede à direcção de propagação das ondas à


medida que passam da zona menos profunda para a
zona mais profunda, após atravessarem o obstáculo?

4 Uma parte das ondas que atingem o obstáculo


reflecte-se na superfície de separação. Como é possível
concluir isto a partir das imagens?

5 Uma parte das ondas que atingem novamente a zona


mais profunda, após atravessar o obstáculo, também
se reflecte na superfície de separação. Como é possível
concluir isto a partir das imagens?

6 Em que zona das imagens é possível identificar


interferência entre as ondas geradas no vibrador e as
ondas reflectidas na primeira superfície de separação
entre a zona mais profunda e o obstáculo?

7 Onde é maior a velocidade das ondas: na zona


mais profunda ou na zona menos profunda, sobre o
obstáculo?

8 Este facto está de acordo com a velocidade das ondas


numa praia? Na praia, as ondas são mais rápidas junto
à praia ou são mais rápidas longe da praia?

9 A figura abaixo mostra uma analogia com a refracção


das ondas: um grupo de soldados a marchar passa
de uma zona de solo firme para uma zona de lama.
Explique de que modo esta situação é semelhante à
refracção das ondas.

139
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Campo magnético e campo eléctrico

Uma experiência muito simples permite ilustrar a


ideia de campo de forças. Polvilhando com limalha de
ferro um vidro colocado sobre um ou vários ímanes,
espectro magnético,
observa-se um espectro magnético, isto é uma dis-
torno dos ímanes. A
tribuição regular da limalha em torno dos ímanes. A
disposição evidencia linhas de força do
disposição da limalha evidencia linhas
campo magnético. O
magnético. O campo de forças é mais intenso
nas zonas onde as linhas de força são mais concen-
tradas. Foram experiências como esta que conduziram
campo de
Michael Faraday (1791–1867) à ideia de campo
forças.
Espectro do campo magnético criado por um
Com ou sem limalha de ferro, o íman modifica as íman em barra, obtido polvilhando limalha de ferro.
propriedades do espaço em seu redor. Em qualquer A orientação da limalha define as linhas de força do
ponto do espaço que circunda o íman surgem forças a campo magnético. O campo é mais intenso nas zonas
em que as linhas estão mais concentradas.
actuar no pedacinho de limalha que lá se situar. Estas
forças variam segundo um padrão característico e não
aleatoriamente.

O campo magnético pode ser criado por ímanes ou


por correntes eléctricas, como veremos adiante. Há
tipos campos, por exemplo
outros tipos de campos, como por exemplo os campos
gravitacionais e os campos eléctricos.
gravitacionais e os campos eléctricos. Um campo
é
gravitacional é criado por qualquer objecto com massa
e um campo eléctrico por qualquer objecto com carga
eléctrica não nula. Um exemplo de campo gravitacional
é o campo criado pelo Sol. É este campo que exerce
forças nos planetas do Sistema Solar. O campo gravi-
tacional da Terra actua sobre todos os corpos na Terra,
sobre a Lua, sobre os satélites artificiais, etc. Espectro de um
campo eléctrico
Os campos eléctricos podem ser visualizados criado por dois pólos
eléctricos, com cargas
através da disposição de pequenos grãos (por exemplo,
de sinal diferente,
de sêmola de trigo) mergulhados num óleo no qual se obtido com pequenos
colocaram eléctrodos ligados a fontes eléctricas. A dis- grãos de trigo. A
posição dos pequenos grãos evidencia linhas de força orientação dos grãos
define as linhas
do campo eléctrico. O campo de forças é mais in- A de força do campo
tenso nas zonas onde as linhas de força são mais con- eléctrico. O campo é
centradas. Em geral, a intensidade do campo de forças mais intenso nas zonas
em que as linhas estão
diminui à medida que aumenta a distância ao objecto
mais concentradas. Por
que criou o campo. exemplo, o campo é
B
mais intenso em A do
que em B.

1 Identifique três tipos de campos de forças.

2 Como é possível detectar a existência de um campo gravitacional? E de um campo eléctrico?

3 O que é um espectro de um campo de forças?

4 Como se pode obter o espectro de um campo de forças eléctricas?

140
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Campos eléctricos e campos magnéticos: unidades SI

Os campos eléctricos e os campos magnéticos podem


ser caracterizadas por grandezas físicas. Os nomes
dessas grandezas são idênticos aos nomes dos cam-
pos.

grandeza física campo eléctrico,


Por exemplo, a grandeza física campo eléctrico,

que se representa por E (é uma grandeza vecto-
rial) está relacionada quer com a força eléctrica que
se exerce sobre qualquer carga colocada no campo
quer com a energia potencial associada a essa carga
acção do campo. A unidade
quando fica sob a acção do campo. A unidade SI de
o volt por metro (V/m).
campo eléctrico é o volt por metro (V/m). Um campo
eléctrico criado num dispositivo para obtenção de es-
pectros, como o da figura da página anterior, pode
atingir milhares de volt por metro.

grandeza física campo magnético,


A grandeza física campo magnético, que se re-

presenta por B (é também uma grandeza vectorial) Os campos magnéticos são muito utilizados em
dá-nos o mesmo tipo de informação acerca de cada diagnóstico médico. As propriedades magnéticas das
partículas dos átomos podem ser modificadas por
ponto do espaço onde se faz sentir o campo magné-
campos magnéticos e, com o auxílio de ondas de
tico. Isto é, está relacionada com a força exercida so- rádio, sensores e computadores é possível identificar
bre outros ímanes que sejam colocados em qualquer essas alterações, possibilitando a visualização de
campo magnético.
ponto do campo magnético. A unidade SI de campo certas estruturas no interior do corpo humano.

tesla (símbolo T).


magnético é o tesla (símbolo T).

O campo magnético terrestre é de apenas algu-


mas dezenas de microteslas. Em Portugal, vale cerca
de 40 mT = 0,000040 T. O campo magnético criado
por ímanes é muito mais intenso, sendo tanto mais
intenso quanto mais próximo se estiver do íman. Um
valor típico é cerca de 0,01 T. Mas há campos mag-
néticos muito mais intensos como os utilizados para Um sensor de campo magnético que pode ser ligado a
obter imagens médicas nos aparelhos de ressonância um sistema de aquisição de dados.
magnética, que podem atingir vários teslas, ou os
campos magnéticos nas estrelas de neutrões, que po-
dem atingir milhões de teslas...

D
A foto mostra um espectro de um
campo eléctrico obtido numa zona
onde se encontram dois objectos,
um circular e outro linear, ambos A B C
carregados electricamente.

1 Em qual dos pontos A, B, C ou D


é maior a intensidade do campo
eléctrico? Fundamente a resposta.

2 A carga eléctrica dos corpos é do


mesmo tipo ou de tipos diferentes? Fundamente a resposta.

3 No interior do objecto circular não parece existir linhas de campo. Que se poderá concluir
acerca da intensidade do campo eléctrico nessa zona?

141
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Linhas de campo eléctrico

Um campo eléctrico pode ser representado


por um conjunto de vectores campo no
espaço. O vector campo num
espaço. O certo ponto
num certo ponto
indica para onde aponta a força eléctrica
indica para
que se exerceria numa carga positiva uni-
tária se fosse colocada nesse ponto do
espaço. Se estiver numa escala adequada Vectores campo
(de intensidade de cor ou relacionada com eléctrico, em diversos
o comprimento do vector), também pode pontos do espaço. O
vector campo indica
indicar a intensidade do campo.
para onde aponta
a força eléctrica
representar campo
Outra forma de representar o campo é
numa carga positiva
das linhas de força do campo.
através das linhas campo. unitária, colocada
As linhas de força do campo ou, simples- nesse ponto do
mente, linhas do campo, são linhas às espaço. A intensidade
do campo pode
quais os vectores campo são tangentes.
ser representada
pelo comprimento
do vector ou pela
intensidade da cor.

Linha do campo criado


por duas cargas eléctricas
de sinal oposto. As linhas
“começam” na
carga positiva e
“terminam” na
carga negativa: o
campo criado pela P
carga positiva
repele cargas
positivas e o
criado pela carga
negativa atrai
cargas positivas.

Campo repulsivo
criado pela
Vector campo carga positiva (à
eléctrico no ponto P. esquerda, a azul).

Em cima: representação “tridimensional”(3D) Este vector é a soma


e representação no plano das linhas do do campo repulsivo
campo criado por uma carga positiva (em criado pela carga
baixo). A representação das linhas de campo positiva (à esquerda,
permite concluir onde é que o campo é mais a azul) com o campo
intenso: quanto maior for a densidade de atractivo criado pela P
linhas de campo, mais intenso é o campo. carga negativa (à Campo atractivo
Observe que a representação das linhas no direita, a vermelho). criado pela carga
plano é mais informativa que a representação negativa (à direita,
Todos os vectores
“tridimensional”, pois a 3D pode não se ver a vermelho).
campo são tangentes
facilmente, devido à perspectiva, onde estão
às linhas de campo.
as zonas com mais linhas de campo.

142
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

1 Observe a representação 3D das linhas do campo


eléctrico criado por uma carga negativa (ao lado).
Em que diferem essas linhas das linhas de campo
criado por uma carga positiva?

2 Esquematize as linhas do campo eléctrico criado por


As imagens desta página e
uma carga negativa, representando-as num plano.
da anterior foram obtidas
com as simulações de 3 Em qual dos casos (representação 3D ou
http://www.edumedia-
representação no plano) é mais fácil identificar as
sciences.com.
zonas onde o campo é mais intenso? Porquê?

Observe as linhas do campo criado por duas


cargas positivas iguais.

4 Em que difere este campo do campo


criado por duas cargas negativas iguais?

5 Indique dois pontos onde seja igual a


intensidade do campo.

6 Indique dois pontos onde seja diferente a


intensidade do campo.

7 Indique um ponto onde o campo seja


nulo. Fundamente a resposta, utilizando
vectores.

8 Indique um ponto onde o campo aponte


para a carga da direita. Fundamente a
resposta, utilizando vectores.

9 Indique um ponto onde o campo aponte para a carga da esquerda. Fundamente a resposta,
utilizando vectores.

Observe as figuras abaixo, que indicam as forças a que ficam sujeitas duas cargas, quando
colocadas num campo eléctrico criado por uma carga positiva.

10 Em que difeririam as imagens se a carga criadora do campo fosse negativa?

11 As imagens foram obtidas com simulações computacionais, estando o rato do computador


sempre a “segurar” uma carga não fixa. Que pode concluir acerca da relação entre a força
exercida pelo campo na carga não fixa e a proximidade à carga criadora do campo, fixa?

12 Se a carga não fixa for “largada pelo rato”, move-se na direcção da força exercida pelo
campo eléctrico, se a carga não tiver velocidade inicial. Que condição inicial será necessário
atribuir à velocidade da carga para que ela possa ter uma órbita curvilínea em torno da carga
fixa?

13 Será possível à carga eléctrica negativa não fixa afastar-se da carga positiva fixa?
Fundamente a resposta.

14 Será possível à carga eléctrica positiva não fixa aproximar-se da carga positiva fixa?
Fundamente a resposta.

143
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Linhas de campo magnético em campos criados por ímanes e


em campos criados por correntes eléctricas

As interacções entre pólos magnéticos têm semelhanças e


diferenças com as interacções eléctricas. Por exemplo, pólos
magnéticos do mesmo tipo repelem-se e pólos magnéticos
de tipo diferente atraem-se, tal como as cargas eléctricas se
podem atrair ou repelir, consoante são ambas com tipo de
carga diferente ou do mesmo tipo. Por convenção, as linhas Interacção entre dois ímanes: pólos de tipo
diferente atraem-se e pólos do mesmo tipo
de campo do campo magnético dirigem-se do pólo norte para
repelem-se.
o pólo sul, tal como as linhas de campo eléctrico dirigem-se
das cargas positivas para as cargas negativas.
pólo S
pólo S pólo N pólo N
Há, no entanto, uma diferença importante entre campos
criados por cargas eléctricas e campos magnéticos. É possí-
vel obter cargas positivas e negativas separadamente
separáveis:
mas os pólos N e S de um íman não são separáveis: ou
seja, não é possível obter pólos magnéticos isolados. Assim,
seja, não isolados Assim,
enquanto as linhas de um campo eléctrico podem dirigir-se Um íman partido dá origem a dois novos
ímanes, cada um com dois pólos. Não há
para o infinito, não se fechando, se o campo for criado por
pólos isolados.
uma única carga (ou por cargas do mesmo tipo), as linhas
de um campo magnético fecham-se sempre, uma vez que os
dois pólos estão necessariamente presentes.

O campo magnético pode ser criado quer por íma-


eléctricas. As linhas de campo
nes quer por correntes eléctricas. As linhas de campo
magnético criado por uma corrente eléctrica num fio são
circunferências com centro no fio. Já as linhas de campo
magnético criado por uma bobina (uma bobina é uma série
de espiras enroladas) assemelham-se às linhas criadas por Visualização do campo magnético entre dois
um íman em barra. De facto, uma bobina funciona como um pólos do mesmo tipo: cada pequena agulha
íman, mas apenas enquanto é percorrida por uma corrente magnética no suporte de vidro orienta-se
segundo a tangente à linha de campo no
eléctrica. Colocando uma barra de ferro no interior da bobina,
ponto onde se encontra.
aumenta-se a intensidade do campo magnético, obtendo-se
um electroíman.

Visualização do campo Visualização do campo magnético criado Visualização do campo magnético criado por
magnético criado por uma por uma corrente eléctrica numa série um íman em U: o campo magnético é tanto
corrente eléctrica num fio. As de espiras circulares. As linhas do campo mais intenso quanto maior for a densidade
linhas do campo magnético magnético assemelham-se às linhas das linhas de campo.
são circulares, com centro criadas por um íman em barra, sendo
no fio. possível identificar um pólo norte numa
extremidade e um pólo sul na outra
extremidade.

144
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

Observe as fotos e o esquema ao lado.

1 Como podem ser obtidos espectros


magnéticos como os das fotos?

2 O campo magnético actua apenas


no plano em que um íman se
encontra apoiado ou no espaço, em
todas as direcções? Fundamente a
resposta.

3 Que foto representa a interacção


entre pólos do mesmo tipo? N
Porquê?

4 Nas diversas imagens é possível


identificar zonas onde o campo é
mais intenso e zonas onde o campo
é menos intenso. Porquê? S

5 Qual é convenção utilizada para


a orientação das linhas de campo
magnético?

6 Faça um esboço das linhas de


campo magnético na zona entre
dois pólos do mesmo tipo.

Observe a foto abaixo e os esquemas ao


lado.

7 Que sucede em torno de um fio


quando este é percorrido por uma ligação a
corrente eléctrica? Como se pode uma pilha
suportar essa conclusão?

8 Como funciona um electroíman?

9 Que semelhanças há entre um


electroíman e um íman? E que
diferenças há?

10 Aumentando o número de espiras


numa bobina, pode aumentar-se a
intensidade do campo magnético ligação a
no interior e na proximidade da uma pilha
ligação a
bobina, quando esta é percorrida uma pilha
pela corrente. Que outro processo há ligação a
uma pilha
para aumentar a intensidade desse
campo magnético, sem aumentar a
intensidade da corrente eléctrica?

ligação a
uma pilha

145
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

O campo magnético terrestre

A Terra é um espécie de íman gigante, pensa-


se que devido a correntes eléctricas no interior
norte
da Terra. Como se convencionou que o pólo de
magnético
uma bússola que aponta para o norte é o pólo norte
norte da bússola, o pólo sul desse íman gigante geográfico
que é a Terra está situado perto do norte geo-
gráfico. Actualmente, esse pólo está no norte do
varia de ano para ano!).
Canadá (a sua posição varia de ano para ano!).
Chama-se a esse pólo “norte magnético”
magnético”.
Os mapas da página seguinte mostram a posi-
ção desse pólo em 2005.

Em cada ponto da Terra, uma bússola aponta


para o norte magnético, numa direcção que faz
em geral um certo ângulo não nulo com o norte
geográfico, definido pelo eixo de rotação da
Terra. Esse ângulo entre a direcção para onde
aponta geográfico
a bússola aponta e o norte geográfico é a cha-
mada declinação magnética.
mada declinação

As linhas do campo magnético da Terra estão


representadas no esquema ao lado. Como se
pode observar, nos pólos magnéticos o campo Visualização do campo magnético terrestre: a Terra
funciona como um íman gigante, em que o pólo magnético
é vertical. Noutros locais da Terra, a direcção
sul desse íman está perto do pólo norte geográfico. Por
do campo magnético faz um certo ângulo com isso, o pólo norte das bússolas aponta para norte...
a horizontal, ângulo esse
horizontal, ângulo esse que é designado por Em cada ponto da Terra, o campo magnético tem um
inclinação magnética e
magnética e que em Portugal con- certa inclinação que, na zona dos pólos magnéticos, é
de 90º. Em Portugal, a inclinação do campo magnético
tinental vale aproximadamente 55º. A inclinação
terrestre é de aproximadamente 55º.
magnética pode ser determinada com bússolas
de inclinação, como a da figura abaixo.

55º

Bússola de inclinação, que permite medir a Inclinação do campo magnético em Portugal continental:
inclinação do campo magnético da Terra. aproximadamente 55º.

146
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

Observe a figura ao lado que mostra uma


gravura de um livro do século XIX.

1 Que instrumento está representado na


gravura?

2 Que ângulo é possível medir com esse


instrumento?

3 Se a agulha magnética desse


instrumento for colocada num plano
horizontal, para onde aponta o pólo
norte dessa agulha?

4 Será possível utilizar este instrumento


para medir a declinação magnética?
Fundamente a resposta.

Observe os mapas ao lado. O


primeiro mapa representa a
intensidade (em microteslas,
valores a vermelho) e
a declinação do campo
magnético (em graus, valores
a azul) em diversas zonas da
Terra.

O segundo mapa representa


a inclinação do campo
magnético (em graus, valores
a vermelho).

5 Qual é a intensidade do
campo magnético no
“norte magnético”?

6 Entre que valores varia


a intensidade do campo
magnético no território
continental de Portugal?

7 Qual é o valor aproximado


às dezenas da declinação
magnética na costa
marítima de Portugal
continental?

8 As linhas do campo
magnético terrestre são
paralelas à superfície
terrestre? Fundamente a
resposta.

9 Indique um local em que


a orientação do campo
magnético terrestre seja
vertical.

147
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Fluxo magnético através de espiras condutoras

As espiras condutoras desempenham um papel fundamental na


produção de corrente eléctrica, como vamos ver na secção se-
guinte. A produção de corrente está relacionada com a variação
do fluxo magnético nas espiras. Vejamos, pois, o que é a gran-
deza fluxo magnético. B ´ cos q
componente normal ou perpendicular
fluxo magnético
O fluxo magnético U (“phi”) é uma quantidade física que (à espira) do campo magnético
efeito do
mede o efeito do campo magnético numa certa área como, por
s q
exemplo, a área delimitada por uma espira. Mede-se numa uni- co

dade designada por weber (Wb) e calcula-se multiplicando a q
área pela magnitude da componente normal do campo magné- 
espira
B
tico (ver esquema ao lado):
de área A
Φ = A × B × cos θ
q
ângulo entre o campo magnético
Na área delimitada pela espira, o fluxo magnético é máximo e a normal à espira
quando o campo magnético é perpendicular à espira e é nulo
quando o campo magnético é paralelo à espira:

espira espira
aA
áre a componente perpendicular (à espira) do campo
magnético coincide com o campo magnético
q = 0º

o fluxo magnético F = A ´ B ´ cos q


na espira é máximo = A ´ B ´ cos 0º

B = A ´ B ´1
campo magnético = A´B

a componente perpendicular do campo


magnético é menor que o campo magnético...

q = 23º

o fluxo magnético F = A ´ B ´ cos q


na espira é menor... = A ´ B ´ cos 23º
 = A ´ B ´ 0,92
B

a componente perpendicular do campo


magnético continua a diminuir...

q = 69º


B o fluxo magnético F = A ´ B ´ cos q
na espira continua = A ´ B ´ cos 69º
a diminuir...
= A ´ B ´ 0,36

a componente perpendicular do campo


magnético anula-se...
q = 90º


B o fluxo magnético F = A ´ B ´ cos q
na espira anula-se... = A ´ B ´ cos 90º
= A´B´0
=0

148
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

Em alguns laboratórios escolares existem bobinas com espiras relativamente grandes que podem
ser facilmente movimentadas, com a mão ou com motores, em relação ao campo magnético
terrestre, que é relativamente pouco intenso mas é suficiente para provocar variações do fluxo do
campo magnético nas espiras dessas bobinas (variação essa que pode originar corrente eléctrica
nas espiras, como vamos ver adiante).

Consideremos uma bobina típica de 100 espiras circulares de raio 20 cm.

São os seguintes os valores aproximados para o campo magnético terrestre em Portugal:

• a intensidade vale 40000 nT = 40 mT = 40 × 10-6 T;

• a inclinação do campo é aproximadamente igual a 55º.

A figura seguinte esquematiza a posição das espiras quando estas estão perpendiculares ao
campo magnético da Terra.

norte magnético
q = 55º

eixo de rotação

B direcção do
campo magnético
terrestre

espiras

B
A
solo

1 Verifique que a área de cada espira é


0,126 m2.

2 Verifique que o fluxo do campo magnético


terrestre numa espira vale 5,0 × 10-6 Wb,
quando as espiras estão colocadas
perpendicularmente ao campo magnético.

3 Calcule o fluxo do campo magnético nas 100


espiras, quando estas estão perpendiculares
ao campo.

4 Esquematize em que orientação, face ao


campo magnético terrestre, deve ser colocada
a bobina para que o fluxo magnético nas
espiras seja nulo.

5 Que ângulo faz o plano das espiras com a


horizontal quando o fluxo magnético é nulo?

6 Faça um esquema em que represente as


espiras na horizontal. Que ângulo fazem as
espiras com o campo magnético?

7 Verifique que o fluxo do campo magnético


terrestre numa espira colocada
horizontalmente vale 2,9 × 10-6 Wb.

8 Calcule o fluxo magnético nas 100 espiras


colocadas horizontalmente.

Uma bobina grande (a vermelho) pode ser


colocada perpendicularmente ao campo
magnético terrestre. Se a bobina estiver
parada, há fluxo magnético na bobina...
mas não há variação do fluxo magnético!

149
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Poderá um campo magnético criar um campo eléctrico?


Indução electromagnética

Uma experiência simples permite ilustrar um dos


fenómenos físicos com maior utilidade prática:
aproximando e afastando um íman de uma bo-
bina de fio de cobre (uma bobina é um fio enro-
lado em hélice com muitas espiras), ligada a um
detector de corrente, observa-se uma corrente
voltímetro
no fio, ora num sentido, ora noutro, consoante
o íman se aproxima ou se afasta. Note-se que a
corrente só existe enquanto o íman se move! E é
tanto mais intensa quando mais rapidamente se
move o íman. Parando o íman, não há corrente.

Esta experiência ilustra a indução electro-


Esta experiência ilustra a indução
magnética, isto é, a produção dum campo eléc-
magnética, isto é, a produção dum campo eléc-
trico por um íman em movimento.
trico por um íman em movimento. Esse campo
voltímetro
eléctrico origina, no fio condutor que
eléctrico origina, no fio condutor que constitui a
bobina, uma corrente eléctrica.

Note-se que a corrente pode surgir quer por-


A aproximação e o afastamento do íman da bobina
que o íman se move quer porque a bobina se provoca o aparecimento de um campo eléctrico que, por
move. Ou seja, é o movimento relativo entre o sua vez, origina a movimentação de cargas eléctricas no
fio condutor da bobina, surgindo uma corrente eléctrica.
íman e a bobina que é responsável pela criação
Parando o íman, o campo eléctrico criado pelo movimento
do campo eléctrico e, por consequência, pelo do íman desaparece, deixando de haver corrente
aparecimento da corrente eléctrica. eléctrica.

À esquerda: um íman parado na proximidade de uma bobina. O osciloscópio, ligado à bobina,


não detecta corrente eléctrica.
À direita: movendo o íman, observa-se uma corrente variável no osciloscópio.

1 Observe novamente as fotos acima. Como se deve


proceder para obter corrente eléctrica no osciloscópio,
mantendo o íman parado?

2 Que evidência há de que o sentido da corrente


eléctrica obtida por indução varia durante a indução?

3 Observe a foto ao lado: num fio ligado a uma bobina


foram intercalados dois LEDs, um vermelho e outro
verde. Quando se move um íman no interior da
bobina, os dois LEDs acendem alternadamente.
Porquê? (Nota: tenha em conta que um LED é um
componente electrónico que só deixa passar corrente
eléctrica num sentido).

150
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Fluxo do campo magnético, força electromotriz induzida e


lei de Faraday

Um gerador eléctrico pode ser caracterizado por grandezas


físicas adequadas. Por exemplo, a chamada força electro-
motriz do gerador é uma grandeza física que está relacio-
nada com a energia que se pode obter no
gerador por unidade de carga eléctrica
que circula no circuito ligado ao gerador.
A força electromotriz é frequentemente
abreviada para f.e.m. O seu símbolo
é f (“épsilon”) e a sua unidade SI é o
volt (V).

Faraday verificou que a força electro-


motriz obtida por indução electromagné-
tica depende apenas da maior ou menor
rapidez da variação do fluxo magnético
na bobina, ou, mais precisamente, é, em
módulo, dada pela taxa instantânea de
variação temporal do fluxo. Isto é:

• quanto mais depressa variar


o fluxo, maior é o módulo da
f.e.m. induzida no gerador;

• se o fluxo não variar, a f.e.m.


induzida no gerador é nula.

A relação matemática entre o fluxo


do campo magnético e a f.e.m. obtida
por indução electromagnética é dada Um gerador de indução: rodando a manivela,
chamada lei de Faraday,
pela chamada lei Faraday, que constitui uma das leis roda-se uma bobina no interior de um íman
fundamentais do electromagnetismo
electromagnetismo. Assim, se o fluxo em U. O fluxo do campo magnético na bobina
varia à medida que a bobina roda, obtendo-se
variar de uma maneira uniforme, a taxa de variação de fluxo
uma força electromotriz variável, que é
no tempo pode ser representada por detectada pelo voltímetro ligado aos extremos
∆Φ da bobina.
ε = Os sistemas industriais de produção de corrente
∆t
eléctrica utilizam um processo semelhante, mas
em vez de se obter energia da mão obtém-se
Esta equação é, pois, uma forma de representar a lei de
energia através de quedas de água ou do
Faraday: o módulo da f.e.m. induzida (módulo porque não movimento de vapor de água.
se está a considerar o sentido da corrente) é igual à taxa de
variação no tempo do módulo do fluxo magnético.

espira
1 Admita que numa certa espira o fluxo de um
campo magnético se mantém constante e igual a
0,20 Wb. Quanto vale a variação do fluxo magnético na
espira? E a força electromotriz nos extremos da espira?

2 Admita agora que, nessa espira, o fluxo do campo magnético


varia, em módulo, 0,05 Wb em cada segundo. Quanto vale a
f.e.m. nos extremos da espira? 
B
3 Se a taxa de variação do fluxo passar para 0,20 Wb em cada dois campo magnético
variável
segundos, quanto passa a valer a f.e.m. nos extremos da espira?

4 Se o fluxo do campo magnético for muito elevado, há necessariamente f.e.m.


induzida na espira? Porquê?

151
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

Nas fotos desta página pode observar-se uma bobina a rodar. Observe que o eixo da bobina tem
uma certa inclinação. O fio da bobina está ligado a um osciloscópio.

Numa das fotos, o eixo da bobina está orientado perpendicularmente ao campo magnético
terrestre.

Na outra foto, o eixo da bobina está orientado paralelamente ao campo magnético terrestre.

Sugestão: utilize um ponteiro ou um lápis para simular a orientação do campo magnético


terrestre e um disco (ou um prato ou até uma folha de papel) para simular a bobina. Tenha em
conta que a inclinação do campo magnético terrestre vale 55º no local onde foram tiradas as
fotos.

1 Em qual dos casos é que o fluxo do campo magnético terrestre induz corrente eléctrica na
bobina, quando esta está a rodar? Simule essa situação com o ponteiro e o disco...

2 Em qual dos casos é que o fluxo do campo magnético terrestre é constante na bobina, quando
esta está a rodar? Qual é o seu valor? Porquê? Simule essa situação com o ponteiro e o
disco...

3 No caso em que há corrente induzida na bobina, o fluxo do campo magnético varia, em


módulo, de um valor máximo até zero. Em que situação é que o fluxo é nulo? Simule essa
situação com o ponteiro e o disco...

4 Se a bobina rodar mais lentamente, que se observa no osciloscópio da direita, mantendo-se as


escalas?

5 Se a bobina rodar mais rapidamente, que se observa no osciloscópio da direita, mantendo-se


as escalas?

6 Será viável utilizar o campo magnético da Terra para produzir corrente eléctrica à escala
industrial? Porquê?

norte magnético direcção do


q = 55º campo magnético
terrestre
eixo de rotação

B

B A
A B Duas orientações das espiras face
solo ao campo magnético terrestre...

152
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

Admita que a bobina da página anterior tem 100 espiras norte magnético
circulares de raio 20 cm. Tenha em conta que o campo
magnético terrestre em Portugal: q = 55º

• tem intensidade de 40000 nT = 40 mT;

• faz um ângulo de 55º com o plano horizontal. 


B
1 Calcule o valor máximo do fluxo do campo magnético
terrestre em cada espira da bobina.

2 Calcule o valor máximo do fluxo do campo magnético


terrestre nas 100 espiras da bobina.

3 Entre que valores varia o fluxo do campo magnético A B


terrestre nas 100 espiras da bobina quando a bobina roda solo
como mostram os esquemas ao lado?

4 Quando a bobina roda, há indução electromagnética?


Porquê?

5 Qual dos seguintes esboços de gráfico melhor representa o



fluxo do campo magnético na bobina em função do tempo, B
quando a bobina roda 90º, como mostra a figura?

f/Wb (A) f/Wb (B)

t/s t/s


B
f/Wb (C) f/Wb (D)

t/s t/s

O gráfico abaixo representa o fluxo magnético numa certa bobina durante 8 s.

Φ / Wb

0,60

0,40

0,20

2 4 6 8
t/s

6 Em que intervalo de tempo foi constante o fluxo magnético?

7 Em que intervalo de tempo foi nula a f.e.m. induzida nos extremos da bobina?

8 Qual foi a variação do fluxo entre


t = 3,0 s e t = 5,0 s?

9 Verifique que a força electromotriz induzida nesse intervalo de tempo vale


0,30 Wb / 2 s = 0,15 V.

10 Calcule a força electromotriz induzida entre t = 5,0 s e t = 8,0 s.

11 Faça um esboço do gráfico do módulo da força electromotriz induzida entre t = 0,0 s e


t = 8,0 s.

153
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Geradores electromagnéticos e corrente alternada sinusoidal

Uma das principais aplicações da lei de Faraday é a construção de gerado-


res electromagnéticos. Um gerador electromagnético transforma energia
mecânica em energia eléctrica — a energia das cargas em movimento.

Um gerador típico é constituído por um sistema rotativo (formado por


uma ou várias bobinas de fio enrolado numa armadura de ferro) e íma-
nes, tal como na figura ao lado. A bobina é posta a rodar por acção
de uma força exterior.

Quando o plano da bobina está perpendicular ao campo


magnético, é máximo o fluxo do campo magnético através
da bobina. À medida que a bobina roda, o plano da bobina
fica cada vez mais próximo da posição paralela às linhas de
campo magnético. Quer dizer, o fluxo magnético através da
espira diminui. Logo, há variação de fluxo na espira e, de
acordo com a lei de Faraday, surge uma força electromotriz
induzida. Enquanto rodar a bobina, mantém-se a variação do
fluxo.
S N
Já sabemos que o fluxo do campo magnético através da S N
área A delimitada por uma espira da bobina é dado por

Φ = A × B × cos θ
A

Se o ângulo rodar com uma certa velocidade angular ~ ,


podemos escrever que o fluxo é, em qualquer instante t, dado
por:

Φ = A × B × cos (ω × t )

B
De acordo com a lei de Faraday, a força electromotriz indu-
zida f é a taxa de variação do fluxo:
Representação esquemática de um
∆Φ gerador de indução electromagnética.
ε =
∆t A rotação da bobina num campo
magnético origina uma corrente
É possível mostrar que essa
É possível mostrar que essa força electromotriz é, também, dada induzida na bobina, que pode ser
transferida para um circuito exterior
sinusoidal, com o mesmo período e a mesma frequên-
por uma função sinusoidal, com o mesmo período e a mesma frequên-
através dos terminais A e B.
cia do fluxo magnético na espira. Assim, qualquer função do tipo A tensão eléctrica nestes terminais
varia periodicamente, com o mesmo
 2π 
ε = εmax × cos  × t  período do fluxo do campo magnético
 T  na bobina.
 2π 
ε = εmax × sin  × t 
 T 

onde T é o período da função que descreve a força electromotriz obtida


num gerador de indução, com espiras a rodar num campo magnético.

A corrente alternada das habitações é uma corrente sinusoidal


deste tipo. A tensão eléctrica V tem um valor máximo de 311 volts e
tipo. A tensão eléctrica V tem um valor máximo de 311 volts e
um valor eficaz de 220 volts (este valor eficaz corresponde à tensão de
uma corrente contínua que transporta a mesma energia que a corrente
alternada). O período dessa corrente alternada vale 0,02 s e a frequência
50 Hz.

154
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

O gráfico seguinte representa a tensão eléctrica V, expressa em volts, nas habitações em


Portugal, em função do tempo, durante 0,1 s:

V/V

300

200

100

t/s
0,02 0,04 0,06 0,08 0,1
-100

-200

-300

1 Quanto tempo demora a tensão a repetir o valor máximo?

2 Qual é o período da função sinusoidal que descreve a tensão eléctrica V em função do tempo?

3 Tendo em conta que o valor máximo de V é 311 V, verifique que V pode ser descrito pela
função

 6, 28 
V = 311 × sin  × t 
 0, 02 

sendo todas as grandezas da função expressas em unidades SI.

A foto ao lado mostra uma


experiência com um gerador
electromagnético e um sistema de
aquisição de dados para medir a força
electromotriz obtida no gerador.

O gráfico representa o valor da


força electromotriz obtida durante
5,0 s, em função do tempo, num
dos ensaios. Note-se que durante os
primeiros 2,5 s não se fez mover o
íman.

4 Se o íman não se moveu nos


primeiros 2,5 s, que se pode
concluir acerca do valor da força
electromotriz induzida?

5 O sensor de tensão tem o valor


zero bem calibrado? Fundamente
a resposta.

6 Quando o íman está parado, na


proximidade da bobina, o fluxo
do campo magnético na bobina é
nulo? Fundamente a resposta.

7 Quando se faz mover o íman,


rodando a manivela, induz-se
corrente eléctrica. Em que
“instante” foi mais rápida a
variação do fluxo? Fundamente a
resposta.

8 Se durante um pequeno intervalo


de tempo a f.e.m. fosse constante e igual a 0,10 V, quanto variaria o fluxo do campo
magnético na bobina em cada segundo, em webers? Fundamente a resposta.

9 Se durante um pequeno intervalo de tempo o módulo da f.e.m. aumentar, como varia o fluxo
do campo magnético na bobina em cada segundo? Fundamente a resposta.

155
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Microfones e altifalantes como exemplo de transdutores

Um sistema electrónico é um circuito ou conjunto de ondas sonoras (input)


circuitos que realiza uma certa função. Num sistema,
costuma-se distinguir: sinal eléctrico

• a entrada de sinais (em inglês, input);

• o processamento dos sinais;

• a saída de sinais (em inglês, output).

Por exemplo, num leitor de CDs, os sinais de en-


trada são os que resultam da leitura (por luz laser)
do CD, o processamento é toda a transformação por
que passam (descodificação, pré-amplificação, am-
plificação, etc.) e a saída corresponde à emissão do ondas sonoras sinal eléctrico
(output)
som por um altifalante. Num computador, os sinais
de entrada podem ser os que o teclado ou um rato
proporcionam, o processamento é tudo o que sucede
nos circuitos internos do computador e a saída pode
ocorrer num ecrã ou numa impressora.

Os componentes de saída ou de entrada de um


sistema electrónico são chamados, em geral, trans-
dutores: membrana

• os transdutores de input convertem sinais


íman
mecânicos, ópticos ou acústicos em sinais eléc-
tricos (ou seja, convertem em energia eléctrica
outra forma de energia);

• os transdutores de output convertem sinais bobina


eléctricos em sinais de outro tipo (portanto, (move-se em
conjunto com
convertem energia eléctrica noutra forma de
a membrana)
energia).
Componentes principais do microfone de indução.
Um microfone é um transdutor de input que
converte o som, isto é, as vibrações do ar (ou de
qualquer outro meio) num sinal eléctrico. Em alguns
microfones, os chamados microfones de indução, as
ondas sonoras são convertidas em vibrações de uma íman
membrana flexível, colocada na proximidade de uma
membrana
bobina móvel, que por sua vez está próxima de um
bobina móvel
íman. Quando a membrana vibra, é produzida uma
corrente induzida, variável. Essa corrente (input)
é em seguida processada e transferida para outros
componentes.
sinal eléctrico
Um altifalante é um transdutor de ouput que tem
uma função inversa à dos microfones. Recebe um
sinal eléctrico, sinal esse que é utilizado para fazer Componentes principais do altifalante.
vibrar uma membrana, igualmente por indução elec-
tromagnética. A vibração da membrana, num cone
suficientemente grande, produz ondas sonoras.

156
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

1 Explique em duas ou três frases o funcionamento


de um microfone.

2 Um megafone combina no mesmo


aparelho um microfone e um altifalante.
Descreva resumidamente os processos
físicos que ocorrem num megafone.

Os sistemas de alta-fidelidade têm sempre


diversos altifalantes, cada um deles
para uma certa gama de frequências.
Os sons mais graves são produzidos
pelos altifalantes de maior diâmetro e os
mais agudos pelos de menor diâmetro.
Utilizam-se os termos “woofer” e
“sub-woofer” para os altifalantes para
sons de menor frequência e “tweeter”
para os sons de maior frequência
(2000 Hz até aos limites das frequências
audíveis pelos seres humanos).

3 Que tipo de altifalante é utilizando para


sons graves?

4 Um sub-woofer reproduz sons de muito


baixa frequência (20 Hz a poucas
centenas de hertzs). Trata-se de sons
graves ou sons agudos?

5 Qual dos tipos de altifalante tem de ter


membranas que sejam suficientemente
flexíveis para vibraram com ondas
sonoras com períodos da ordem da
décima milésima de segundo?

Os microfones de pequeno tamanho utilizado em


computadores e noutros dispositivos electrónicos
(microfones de electretes) utilizam uma
tecnologia diferente da indução electromagnética.

6 Pesquise na Internet por “microfone


de electrete” e compare o princípio de
funcionamento desses microfones com o
princípio dos microfones de indução.

7 O gráfico ao lado, retirado de um catálogo de


Microfone de electrete.
microfones de electrete, representa o nível
mínimo de intensidade sonora que o microfone
detecta, quando a direcção da fonte sonora
faz ângulos de 0º, 90º e 180º com a
superfície do microfone. Que outra variável
é necessário controlar para obter dados
deste tipo?

8 Para que gama de frequências é que a


resposta do microfone depende menos da
posição da fonte sonora? Fundamente a
resposta.

157
2.2
Comunicação
de informação
a longas
distâncias

164
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Como uma descoberta, quando Ørsted preparava uma aula em


1820, contribuiu para alterar o mundo...

Os gregos antigos, há mais de 2000 anos, conheciam


o facto de um determinado minério, hoje designado
por magnetite (diz-se que existia em abundância na
Magnésia, daí o seu nome), atrair pequenos pedaços
de ferro. Mas só em 1600, o inglês William Gilbert
(1544–1603) descobriu que a Terra se comporta tam-
bém como um íman permanente. Cerca de um século
e meio depois do trabalho de Gilbert, apareceram os
primeiros estudos quantitativos das acções entre pólos
magnéticos.

Em 1820, o dinamarquês Christian Ørsted des-


cobriu (ao preparar uma aula!) que uma agulha
magnética era actuada por forças, sempre que se
Gravura do século XIX onde se pode observar
aproximava de uma corrente eléctrica. Estava dado a célebre experiência de Ørsted: a corrente
o primeiro passo para relacionar os ímanes com as eléctrica no fio, colocado sobre uma agulha
correntes eléctricas, o que veio a originar o ramo da magnética, faz com que a agulha de desvie.

Física designado por Electromagnetismo. Em poucos


anos, diversos físicos célebres (Biot, Savart, Ampère,
Faraday, etc.) descobriram as leis experimentais mais
importantes do Electromagnetismo.

As forças electromagnéticas vieram a ser funda-


mentais para a criação de motores e geradores eléc-
tricos e para as comunicações. Com a telegrafia (a
partir de 1844), as mensagens podiam ser trans-
mitidas através de fios a distâncias muito gran-
des e depois entregues por escrito ao destinatário. As
primeiras mensagens usavam um “alfabeto telegrá-
fico” especial, o chamado código Morse, constituído
por dois sinais, um “longo” (o “traço”) e outro “rápido”
(o “ponto”). Por exemplo, o pedido internacional de
ajuda, SOS escrevia-se “. . . — — — . . .” porque a le-
Emissor (na foto de cima) e receptor (na foto de
tra S era representada por três pontos e a letra O por
baixo) de sinais telegráficos do século XIX. O primeiro
três traços. alfabeto telegráfico é o célebre código Morse inventado
pelo americano Samuel Morse em 1876. Os caracteres
O desenvolvimento da telegrafia coincidiu com eram representados por grupos de “pontos” e “traços”
a expansão das redes ferroviárias na Europa e na separados entre si por espaços. Para a produção de
“pontos” usavam-se pulsos elécricos muito curtos
América, pois aproveitavam-se as linhas de caminho
e para a produção de “traços” pulsos ligeiramente
de ferro para estender as linhas do telégrafo, o que maiores. Esses sinais podiam ser transmitidos a longas
permitia um mais fácil acesso para verificação e ma- distâncias através de fios.
nutenção dessas linhas pelos “guarda-fios”.

Em 1876, o americano Graham Bell conseguiu


transformar ondas sonoras em sinais eléctricos (nos
microfones) e transmitir esses sinais à distância por
meio dos fios. No receptor, os sinais são reconvertidos
em ondas sonoras (nos altifalantes). Nascia o tele-
fone… um aparelho bem mais prático para comunicar
do que os aparelhos para enviar e receber código
Morse!

166
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

Os pólos Norte e Sul de


dois ímanes atraem-se
mutuamente. Pelo contrário,
pólos do mesmo tipo, de
ímanes diferentes, repelem -se
mutuamente.

1 Que tipo de interacção há


entre dois pares ímanes das
fotos ao lado?

Uma corrente eléctrica exerce


forças numa agulha magnética.
Se o fio onde passa a corrente
for enrolado, obtém-se um
ligação a
electroíman, apenas enquanto
uma pilha
passa a corrente... Se o
enrolamento for feito em torno de
um objecto de aço, aumenta-se
a força que o electroíman pode
exercer nos ímanes ou noutros
electroímanes.
As duas imagens junto mostram
uma campainha eléctrica antiga
e um guindaste para separar
objectos de ferro do lixo
indiferenciado. Em ambos os
aparelhos existem electroímanes.

2 Como é o que o martelo da


campainha pode ser atraído de
modo a bater na campainha?

3 Como é o que os metais


ferro-magnéticos do monte de
resíduos podem ser separados
dos restantes materiais?

Os aparelhos receptores utilizados


na comunicação telegráfica através
de fios, como o da página anterior,
utilizam electroímanes.

4 Descreva resumidamente como


é que um sinal Morse pode ser
é que um sinal Morse pode ser
registado numa tira de papel
registado numa tira de papel
num aparelho receptor de
num aparelho receptor de
sinais Morse.
sinais Morse.

À direita está uma foto de um dos primeiros motores eléctricos,


inventado por Faraday.

5 Na foto é possível identificar dois electroímanes. Onde?

6 Que sucede quando a corrente eléctrica percorre o fio enrolado?

167
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Ondas de rádio: Maxwell, Hertz, Marconi... e o mundo ficou


mais pequeno

Os sinais telegráficos ou telefónicos viajam pelo fios a uma ve-


locidade relativamente próxima da velocidade da luz. São, pois,
úteis para transmitir informação a longas distâncias. O problema
são os fios eléctricos (feitos de cobre, que tem de ser refinado
até quase à pureza total, o que não é barato, e, além do mais,
têm de ser instalados…). Impunha-se, pois, um processo de co-
municar sem fios! Essa proeza foi conseguida na transição do
século XIX para o século XX.

Algumas dezenas de anos depois de Faraday ter descoberto a


Foto do princípio do século XX que mostra
indução electromagnética, o físico escocês James Maxwell publi- a estação que nos EUA recebeu a primeira
cou um livro (Tratado de Electricidade e Magnetismo, 1873) com comunicação intercontinental sem fios.
as leis matemáticas do campo electromagnético e fez uma es-
pantosa previsão: as cargas eléctricas em movimento acelerado
deveriam emitir ondas electromagnéticas, da mesma natureza
das da luz visível mas com comprimento de onda diferente!

Uma série de experiências realizadas pelo alemão Heinrich


Hertz na década de 1880 vieram a confirmar estas previsões.
Pela primeira vez foi possível produzir ondas electromagnéticas
artificialmente, emiti-las à distância e captá-las. Estavam assim
criadas as condições para a comunicação a grandes distâncias.
Estas comunicações acontecem por emissão e recepção das cha-
madas ondas hertzianas (ondas electromagnéticas com compri-
mentos de onda que vão de alguns centímetros a centenas de
metros), e começaram no início do século XX.

Os pioneiros da TSF—telegrafia sem fios—confrontaram-se


com alguns problemas complexos. Os sinais electromagnéticos
que eles usavam eram fracos e apenas eram captados a distân-
cias muito curtas. O inventor pioneiro na comunicação por TSF a
grandes distâncias foi o italiano Marconi que usou antenas com
longos fios e placas metálicas. Marconi conseguiu a proeza de
comunicar por TSF da Europa para a América do Norte em 1901.
Estava assim confirmada a possibilidade de comunicar via rádio a
grandes distâncias. 12 de Dezembro de 1901: Marconi, na estação
receptora no Canadá, após receber o primeiro
A evolução da electrónica foi decisiva para a TSF. Os circuitos sinal que atravessou o Atlântico, sem fios.
electrónicos são usados para tornar mais fortes os sinais electro-
magnéticos muito fracos, isto é, para amplificar sinais (circuitos
amplificadores) que podem posteriormente ser usados em siste-
mas como colunas de som ou auscultadores. Os sinais chegam
aos receptores muito fracos e de nada serviam se não fossem
amplificados…

1 Que vantagens apresentou a TSF face ao telégrafo através de fios, utilizando o código Morse?

2 O desenvolvimento da telegrafia sem fios antecedeu ou sucedeu à formulação da teoria


electromagnética? Fundamente a resposta.

3 Observe com atenção a página seguinte. Descreva em duas ou três frases como funciona o
processo de emissão e recepção de ondas de rádio.

168
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Ondas de rádio: uma animação computacional

A emissão e a recepção de ondas electromagnéticas para transmitir infor-


mação a distância é tecnicamente complexa e evoluiu imenso desde as
descobertas de Hertz e Marconi. Por exemplo, hoje é possível ter emissores
e receptores ultraminiaturizados. No entanto, o princípio de funcionamento
da emissão e da recepção é relativamente simples: cargas eléctricas os-
cilantes, nas antenas emissoras, originam campos electromagnéticos
variáveis que se propagam pelo espaço e que podem ser detectados
por outras cargas eléctricas, nas antenas receptoras.

O rato do computador pode mover Na realidade, as cargas


uma carga eléctrica na antena eléctricas movem-se
emissora. O movimento pode ser nas antenas por acção
oscilante, para cima e para baixo, de correntes eléctricas
com uma certa frequência... oscilantes, que podem
transportar informação.

À medida que a carga eléctrica Se a carga não acelerasse,


oscila, varia o campo eléctrico não haveria variação do
na sua proximidade (bem campo eléctrico...
como o campo magnético, não
representado na animação).

O campo eléctrico propaga-se no A propagação de um campo


espaço à velocidade da luz, em de forças electromagnéticas
todas as direcções. Como o campo não é instantânea! Se a
eléctrico está sempre a variar na propagação fosse instantânea,
antena, em cada ponto do espaço o um acontecimento poderia
campo vai também variar ao longo ser conhecido em todo o
do tempo... Universo no mesmo instante
em que ocorre. Era como se
Note que à medida que o campo não houvesse espaço... o que
se propaga, a sua intensidade vai é um absurdo! Foi Einstein,
diminuindo... com a Teoria da Relatividade
que resolveu este e outros
absurdos, se se considerasse
Quando o campo atinge uma que a velocidade da luz era
antena receptora, as cargas infinita.
eléctricas dessa antena
começam a oscilar. Deste modo,
é possível transmitir sinais à
distância, utilizando radiação
electromagnética!

Pode fazer esta experiência conceptual com a


respectiva animação computacional na página deste
livro na Internet ou em http://phet.colorado.edu.

169
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Sinais digitais e sinais analógicos. Bits e bytes

Um sinal pode ser de dois tipos:

• analógico, isto é, um sinal que varia continua-


mente, sem interrupções;

• digital, ou seja, um sinal que varia “aos sal-


tos”.

Por exemplo, num velocímetro de ponteiro, a velo-


cidade é indicada pela posição do ponteiro, que varia
continuamente à medida que varia a velocidade. Pelo
contrário, num relógio digital, onde a tempo é indi-
cado por algarismos, o mostrador “salta” de segundo
em segundo, de minuto em minuto e de hora em
Num velocímetro analógico como o da figura, o
hora. ponteiro “anda” percorrendo todos os valores
continuamente, sem “saltos”.
Num circuito eléctrico, um sinal eléctrico (isto é, a
variação de uma corrente eléctrica num certo inter-
valo de tempo) pode ser um sinal analógico, no caso
em que a corrente varia continuamente, ou digital,
quando a corrente só pode tomar alguns valores (por
exemplo, existe corrente com uma certa intensidade—
“ligado”—ou não existe corrente— “desligado”). Com
a ajuda de um osciloscópio, pode verificar-se se, num
dado troço de um circuito, o sinal é analógico ou digi-
tal.

Um sinal digital comum só pode ter um de dois


valores. Por exemplo, “1” ou “0”, “ligado” ou “desli-
gado”, “sim” ou “não”. Cada um destes dois valores
é designado por bit. Qualquer número ou letra pode
ser representada digitalmente, num código adequado Num relógio digital como o da figura, os valores do
mostrador “saltam” de unidade em unidade.
(código binário), isto é, num código que só utiliza
dois sinais.

Um conjunto sequencial de oito bits é um byte.


Todos os algarismos de 0 a 9, bem como as letras,
sinais de pontuação, etc., são representados nos com-
putadores por bytes diferentes. Por exemplo, no có-
digo binário mais comum (o chamado código ASCII):

• a letra “A” é representada pelo byte


“01000001”;

• a letra “a” é representada pelo byte


“01100001”;

• o algarismo “0” é representado pelo byte


“00110000”;

• o algarismo “8” é representado pelo byte


“00111000”; Num CD, a informação é gravada digitalmente, isto
é, em enormes sequências de apenas dois valores,
• o símbolo “?” é representado pelo byte
representados por dois tipos de “buracos”: um
“00111111”. “pequeno” e outro um pouco “maior”.

170
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

1 Observe os dois instrumentos de


medida ao lado. Qual representa
um instrumento digital? E qual
representa uns instrumento
analógico? Fundamente a
resposta.

2 A resolução de um instrumento é,
simplesmente, a menor variação
de valor que esse instrumento
pode indicar. Se o multímetro estiver graduado em milivolts,
qual é a sua resolução?

3 E qual é a resolução da bússola da figura?

4 O código Morse representa informação digitalmente ou


analogicamente? Fundamente a resposta.

5 A fotografia digital veio substituir a fotografia


registar
em película. Uma máquina digital pode registar
imagens com vários milhões de pontos. Em
que difere esse registo na máquina digital no
registo numa película fotográfica?

6 Com dois bits, apenas se podem registar 4 níveis de uma grandeza física: 00, 01, 10 e 11.
Verifique que, com três bits, é possível registar 8 níveis, escrevendo todos as sequências de
três bits possíveis.

7 Com quatro bits, podem realizar-se os registos seguintes: 0000, 0001, 0010, 0011, 0100, ...
Complete a sequência e conclua quantos valores é possível registar. Verifique que a
expressão 2n, onde n é o número de bits, permite calcular o número de
valores possíveis que se pode registar com n bits.

8 Um sensor ultrasónico de movimento utiliza 8 bits para registar


distâncias do obstáculo ao sensor, o que lhe permite registar no máximo
28 = 256 valores diferentes.
Verifique que se o sensor efectuar medidas até 2 m, a sua resolução
vale aproximadamente 1 cm.

9 Como é possível testar a resolução de um sensor ultrasónico de


movimento?

10 Os telemóveis utilizam sinais de 8 bits para representar os


sinais áudio, registando os respectivos valores vários milhares
de vezes por segundo. Verifique que se o registo for feito 8000
vezes por segundo, num segundo o telemóvel recebe 64000
bits (isto é, recebe 64 kbits).

As três imagens ao lado têm 50 por 75 pixels. Numa das imagens, cada pixel é codificado apenas
com 1 bit e nas restantes cada pixel é codificado com 8 bits.

11 Em qual das imagens cada pixel é codificado apenas com 1 bit? Fundamente a resposta.

12 Quantos níveis de cinzento há, no máximo, na imagem com diversos tons de cinzento?

13 Quantas cores diferentes


há, no máximo, na imagem
colorida?

14 A imagem com 1 só bit por


pixel ocupa no mínimo
(50 × 75)/8 = 469 bytes no
disco de um computador.
Explique a origem deste
cálculo...

171
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Conversão de sinais analógicos em sinais digitais e vice-versa

Para que um sinal analógico possa ser


utilizado num sistema digital necessita de
ser convertido num sinal digital. Essa con-
versão, feita nos chamados conversores
analógicos digitais (conversores ADC, Sinal analógico que vai ser
Analog to Digital Converter) está esque- convertido em digital por
matizada na figura. Note que quanto maior um conversor ADC…

for o número de bits utilizados para con-


verter o sinal analógico em sinal digital,
menor é o erro que se comete na conver- É medido o valor do sinal
de 0,01 milisegundos em
são. E, claro, quanto maior for o número
0,01 milisegundos, por
de valores que se registam por segundo, exemplo.
melhor é também a conversão. Mas
quanto mais bits se usar, e quanto mais
valores se registarem por segundo, melhor
tem de ser o conversor ADC e maiores
têm de ser as memórias associadas ao sis- (conversão analógica-
tema de conversão. A qualidade paga-se... digital)

Em seguida, cada valor


No exemplo da figura, usam-se apenas
do sinal é quantificado,
3 bits para fazer a conversão do sinal. Este usando um código com
número de bits só permite um código com um certo número de bits.
8 níveis diferentes de registo para o sinal, Com apenas 3 bits, como
na figura, podem obter-se
o que é muito pouco para, por exemplo,
8 níveis diferentes do
registar sons. Os telefones usam 8 bits sinal: 000, 001,..., 111
(o que permite 256 níveis diferentes de (mas com 8 bits já se
sinal). Para som com qualidade musical, podem obter 256 níveis!)

como no caso dos CDs, usam-se 16 bits


O que “circula” no
(o que permite 65536 níveis diferentes de circuito são estes “uns”
registo), 44 100 vezes por segundo! e “zeros”…

Os sinais digitais apresentam enormes (conversão digital-


analógica)
vantagens práticas. Por exemplo, são facil-
mente codificados e descodificados e não
há “ruído”, isto é, não sofrem pequenas … que podem ser
variações ao acaso, porque todos os si- novamente convertidos
nos 8 níveis diferentes do
nais são apenas constituídos por “zeros”
sinal: 000, 001,..., 111
e “uns”. No entanto, pode haver erros de (no transdutor de output,
transmissão. Por isso, a maior parte dos que inclui in sistema
sistemas usam técnicas de redundância. DAC, Digital to Analog
Converter)...
Por exemplo, fazem duas vezes a mesma
coisa e se os dois resultados forem dife-
rentes detectam o erro e repetem o pro- … permitindo a
cesso. É graças a técnicas de redundância reconstituição do
que os CDs, mesmo com pequenos riscos, sinal original (esta
reconstituição é tanto
continuam a tocar em condições.
mais fiel quanto maior for
o número de bits usados
na conversão e quanto
maior for o número de
registos por segundo).

172
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

1 Admita que se pretende representar os sinais de luz de


um cruzamento. Será necessário utilizar um conversor
analógico-digital ou a informação referente aos sinais
pode logo ser obtida em formato digital? Fundamente a
resposta.

2 Pode utilizar-se apenas 1 bit para representar os sinais


de luz? Porquê?

O gráfico ao lado esquematiza um processo 1111


1110
de conversão de um sinal analógico num
1101
sinal digital. 1100
1011
3 Por que razão se considera o sinal (curva 1010
1001
a negro) como sinal analógico? 1000
0111
4 Quantos bits vão ser utilizados na 0110
0101
conversão do sinal? 0100
0011
5 Qual é o intervalo de tempo entre a 0010
0001
digitalização de dois valores sucessivos? t s
t/m
0000
0 10 20 30 40
6 Verifique que a frequência de registo do
sinal é de 500 Hz.

7 Complete a seguinte sequência de valores registados para o sinal no intervalo de tempo


[0, 20] ms:

1000 1100 1110 1101 ...

8 Complete a reconstituição digital do sinal 1111


1110
no gráfico incompleto junto. 1101
1100
9 Como se poderia melhorar a qualidade do 1011
1010
sinal obtido após ter sido reconstituído no 1001
conversor digital-analógico? 1000
0111
0110
0101
0100
0011
0010
0001
0000 t s
t/m
0 10 20 30 40

A foto ao lado representa um conversor de som analógico-digital de 16 bits com uma taxa de
conversão de 48 kHz.

10 Quantas vezes, em cada segundo, é convertido um sinal


sonoro neste conversor ADC?

11 Qual é o intervalo de tempo entre duas conversões


sucessivas?

12 Verifique que é possível registar 65536 níveis diferentes de


sinal.

13 No intervalo de tempo de um período de um sinal sonoro


de 4800 Hz, após a conversão ADC o sinal é registado 10
vezes. Explique o fundamento desta afirmação.

14 No intervalo de tempo de um período de um sinal sonoro de 480 Hz, após a conversão ADC,
quantas vezes é que o sinal é registado? Fundamente a resposta.

Prevê-se que as emissões de rádio FM e de televisão analógica


sejam substituídos por emissões digitais nos próximos anos.

15 Que vantagens apresentam os sistemas digitais de rádio e


televisão face aos sistemas analógicos?

16 Informe-se sobre as características dos sistemas digitais,


nomeadamente a taxa de conversão e a gama de
frequências em que serão emitidas.

173
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Modulação de sinais por amplitude (AM) e por frequência (FM)

Já vimos que um sinal (por exemplo, um som) pode ser representado


através de correntes eléctricas variáveis. No entanto, a emissão das ondas
não se faz com o sinal original porque, em geral, a sua frequência é muito
baixa para poder ser emitida e recebida. Assim, o sinal com a informação
original é utilizado para modificar as propriedades de uma onda de alta
frequência (a chamada onda transportadora) e é esta onda que é emitida
e depois recebida. Diz-se que o sinal é modulado na onda transporta-
dora, de alta-frequência.

A modulação pode ser feita, por exemplo:

• modificando a amplitude da onda transportadora em diferentes in-


tervalos de tempo (modulação de amplitude ou AM, de Amplitude
Rádio com sintonização FM e AM.
Modulation); A emissão em AM (modulação
de amplitude) é cada vez menos
• modificando a frequência da onda transportadora em diferentes in- utilizada e tem vindo a ser
tervalos de tempo (modulação de frequência ou FM, de Frequency substituída desde há cerca de
Modulation). três décadas pela emissão em FM
(modulação de frequência), porque
No esquema mostra-se como funciona a modulação: um sinal (a ver- a qualidade da emissão e da
recepção FM é melhor, apesar da
melho, com diversos níveis de intensidade) é utilizado para alterar a am-
emissão FM não atingir áreas tão
plitude e a frequência da onda transportadora. Observe que quanto mais vastas como a emissão AM.
elevado for o nível do sinal, maior é a amplitude que o emissor provoca na
onda transportadora, no caso da modulação AM, ou maior é a frequência
da onda transportadora, no caso da modulação FM.

onda transportadora

t/ms
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120

nível do sinal
a transmitir

5 sinal a emitir
4
3
2
1
0 t/ms
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120

onda modulada por modulação AM


(variação da amplitude da onda
transportadora de acordo com o sinal)

t/ms
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120

onda modulada por modulação FM


(variação da frequência da onda
transportadora de acordo com o sinal)

t/ms
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120

174
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

Observe com atenção o esquema da página anterior.

1 Qual é, em milisegundos, o período da onda transportadora?

2 Calcule a frequência da onda transportadora.

Modulação AM...

3 Compare o nível do sinal no intervalo de tempo [0, 20] ms com o nível do sinal no intervalo de
tempo [20, 50] ms.

4 Compare a amplitude do sinal no intervalo de tempo [0, 20] ms com a amplitude do sinal no
intervalo de tempo [20, 50] ms na modulação AM.

5 Compare o nível do sinal no intervalo de tempo [0, 20] ms com o nível do sinal no intervalo de
tempo [50, 70] ms.

6 Compare a amplitude do sinal no intervalo de tempo [0, 20] ms com a amplitude do sinal no
intervalo de tempo [50, 70] ms na modulação AM.

7 Descreva em duas ou três frases o princípio de funcionamento da modulação por amplitude.

Modulação FM...

8 Qual é a frequência da onda modulada por FM no intervalo de tempo [0, 20] ms?

9 Calcule a frequência da onda modulada por FM no intervalo de tempo [20, 50] ms.

10 Calcule a frequência da onda modulada por FM no intervalo de tempo [50, 70] ms.

11 Compare a frequência da onda modulada no intervalo de tempo [0, 20] ms com a frequência
do sinal no intervalo de tempo [20, 50] ms com o nível do sinal a transmitir nesses intervalos
de tempo.

12 Compare a frequência da onda modulada no intervalo de tempo [0, 20] ms com a frequência
do sinal no intervalo de tempo [50, 70] ms com o nível do sinal a transmitir nesses intervalos
de tempo.

13 Descreva em duas ou três frases o princípio de funcionamento da modulação por frequência.

Observe com atenção os gráficos ao lado que


representam um certo sinal e a respectiva
modulação numa onda transportadora.

14 Identifique o gráfico que representa o


sinal, o gráfico que representa a onda
transportadora e o gráfico que representa a
onda modulada.

15 Trata-se de um exemplo de modulação AM


ou FM? Fundamente a resposta.
t
t/ms
0 10 20 30 40
16 O período da onda transportadora vale 1
ms. Qual é a respectiva frequência?

17 E qual é o período e a frequência da onda


modulada?

18 Os rádios AM podem ser de onda


longa, onda média e onda curta, de
frequências respectivamente nos intervalos
[153; 279] kHz, [520; 1610] kHz e t
t/ms
0 10 20 30 40
[2300; 26100] kHz. Estas frequências
dirão respeito à frequência da onda
transportadora ou à frequência de
oscilações que representam os sinais
sonoros? Porquê?

19 A emissão de rádio em FM utiliza ondas


transportadoras com frequências no
intervalo [88; 108] MHz devendo cada
estação estar afastada 0,2 MHz da próxima.
A frequência da onda modulada por FM
é constante? Para que será utilizado este t
t/ms
intervalo de 0,2 MHz na frequência da onda 0 10 20 30 40

transportadora?

175
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Bandas de frequências da radiação electromagnética utilizada


nas comunicações

A frequência das radiações electromagnéticas utilizadas nas co-


municações é regulada por autoridades internacionais e nacio-
nais (em Portugal, pela ANACOM, http://www.anacom.pt).

Por acordo internacional, são utilizadas designações como


UHF e VHS para diversas zonas do espectro de frequências
(bandas de radiofrequência), como se pode ver no esquema
da página seguinte. Por exemplo, a emissão de TV em Portugal
utiliza frequências nas bandas UHF e VHF.

Todas as frequências utilizadas em comunicações são muito


inferiores à da luz visível e, claro, às frequências das radiações
extremamente energéticas como os raios X e os raios gama. As As comunicações com satélites necessitam
frequências de comunicações mais elevadas atingem algumas de ser realizadas em altas frequências
para poderem atravessar a atmosfera. Por
dezenas ou até centenas de gigahertzs e, se a sua potência outro lado, como sofrem menor difracção,
não for muito elevada, não têm efeitos sobre os objectos, ao necessitam que emissores e receptores
contrário das frequências da radiação X ou gama (radiações estejam na linha de vista.
ionizantes), que, se suficientemente intensas, podem arrancar
electrões a átomos e provocar mudanças em moléculas dos se-
res vivos, originando cancros e outras doenças graves.

As frequências das diversas bandas de radiofrequência têm


comportamentos distintos ao propagarem-se na atmosfera. Por
exemplo, as ondas de menor frequência (maior compri-
mento de onda) difractam-se facilmente em obstáculos, como
edifícios e montanhas, sendo utilizadas para comunica-
ções fora da linha de vista. As ondas longas e muito longas
reflectem-se na atmosfera e na Terra, podendo dar a volta à
Terra, por reflexões sucessivas. Já as ondas de média e alta
frequência (menor comprimento de onda) difractam-se
mais dificilmente e, por isso, podem exigir que o receptor As frequências utilizadas nas estações
de rádio AM e FM têm menor frequência
esteja na linha de vista com o emissor, para poder ocor-
(logo, maior comprimento de onda) que as
rer comunicação, como é o caso da comunicação da Terra com utilizadas nas comunicações com satélites.
satélites. Essa comunicação também é facilitada pelo facto das Por isso, podem difractar-se mais facilmente,
contornando obstáculos, e as antenas não
ondas de alta frequência atravessarem mais facilmente a at-
necessitam de estar na linha de vista.
mosfera, sendo pouco reflectidas ou absorvidas.

rádio microondas infravermelho ultravioleta raios gama


frequência (Hz) visível raios X
104 105 106 107 108 109 1010 1011 1012 1013 1014 1015 1016 1017 1018 1019 1020

100 km 10000 m 100 m 1m 1 cm 1 mm 1000 nm 100 nm 1 nm 0,1 nm


c.d.o.

VLF LF MF HF VHF UHF SHF EHF


bandas de rádiofrequência

escala aproximada do
comprimento de onda

montanhas seres humanos ponta de esferográfica bactérias moléculas átomos núcleos atómicos

176
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

Bandas de frequências da radiação electromagnética utilizada nas comunicações

Designação da banda do espectro Gama de frequências


e comprimento de onda
utilizada em (exemplos)

Frequência muito baixa


(Very Low Frequency, VLF) 3 kHz – 30 kHz comunicações com submarinos
100 km – 10 km

Frequência baixa emissão de rádio AM a longas distâncias (onda larga)


(Low Frequency, LF) 30 kHz – 300 kHz controlo aeronáutico
10 km – 1 km navegação

Frequência média emissão de rádio em AM (onda média)


(Medium Frequency, MF) 300 kHz – 3000 kHz rádio digital
1 km – 100 m

Frequência alta emissão de rádio em AM (onda curta)


(High Frequency, HF) 3 MHz – 30 MHz banda do cidadão (comunicações rádio entre pessoas)
100 m – 10 m comunicações policiais

Frequência muito alta emissão de TV


(Very High Frequency, VHF) 30 MHz – 300 MHz emissão de rádio em FM
10 m – 1 m comunicações aeronáuticas e marítimas
comunicações terrestes (bombeiros, táxis, etc.)

Frequência ultra alta emissão de TV


(Ultra High Frequency, UHF) 300 MHz – 3000 MHz telemóveis
1 m – 100 mm bluetooth
GPS

Frequência super alta comunicações WIFI entre computadores


(Super High Frequency, SHF) 3 GHz - 30 GHz comunicações com satélites
100 mm – 10 mm radares
fornos de microondas
Frequência extra alta
(Extremely High Frequency, EHF) radares de alta-resolução
30 GHz - 300 GHz
10 mm – 1 mm

1 Por que razão se utilizam radiações


electromagnéticas em bandas de alta
frequência nas comunicações com satélites?

2 Por vezes, os carros de exteriores das


televisões utilizam satélites e antenas
parabólicas para comunicar em directo com
as respectivas estações de televisão. Que
cuidados é necessário ter com a orientação
das antenas dos carros de exteriores?

3 Os satélites de comunicações podem estar


a dezenas de milhares de quilómetros da
Terra. Que influência pode ter esse facto na
comunicação em directo?

A figura ao lado mostra uma simulação


computacional da difracção de ondas emitidas
por um vibrador pontual.

4 Em que consiste a difracção das ondas?

5 Aumentando o comprimento de onda


(diminuindo, portanto, a frequência das
ondas), a difracção torna-se menos evidente.
Que relação há entre este facto e o facto
de não ser necessário colocar a antena e o
receptor em linha de vista numa comunicação
com ondas de média e baixa frequência?

177
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Interacção entre ondas e o meio

Já atrás se referiram diversos fenómenos que ocor-


rem com as ondas, nomeadamente a reflexão, re-
fracção e a difracção. Esses fenómenos ocorrem quer
com ondas sonoras quer com ondas electromagnéti-
cas.

Há, no entanto, como já vimos também, uma di-


ferença fundamental entre ondas sonoras e ondas
electromagnéticas: a propagação do som só existe
em meios materiais (sólidos, líquidos ou gases, como
o ar). O som necessita de um meio físico para se
propagar porque é no próprio meio material que
ocorrem vibrações (vibrações da pressão de ar em
cada ponto ou mesmo vibrações de objectos). No vá-
cuo (onde não há ar ou objectos para vibrarem…), as Na Lua, onde não há ar nem qualquer outro tipo de
ondas sonoras não se podem propagar. atmosfera, os astronautas podiam ver mas não ouviam
nada através do espaço! Por exemplo, não podiam ouvir o
A luz, pelo contrário, propaga-se no vácuo, isto é, som do carro onde se transportavam! Só podiam comunicar
propaga-se na ausência de qualquer meio material. uns com os outros por rádio… e por gestos, claro!

As ondas de luz são, pois, devidas à variação de


propriedades do próprio espaço físico. Essas pro-
Da luz visível que incide num vidro:
priedades físicas do espaço são bem reais! Estamos
• uma parte atravessa o vidro (o
permanentemente a utilizá-las nos telemóveis, na rá- vidro é transparente à radiação
dio, na televisão, nos lasers, etc., e, claro, na visão! visível: é por isso que
podemos ver o interior...);
As ondas de luz ou ondas electromagnéti- • uma parte é reflectida (é
cas, correspondem à variação, no espaço e no por isso que vemos o
vidro...);
tempo, de campos eléctricos e magnéticos que
• uma parte é absorvida.
podem ser criados no próprio espaço, indepen-
dentemente de haver ou não haver meio material.
Claro que se houver meio material, essas proprieda-
des podem ser alteradas. Por exemplo, a energia Da luz visível que incide no
metal da lâmpada, uma parte
da radiação dissipa-se nos meios materiais.
é reflectida e outra parte é
A interacção entre a radiação e os meios materiais absorvida.
pode também manifestar-se de outras maneiras. Por
exemplo, quando um feixe de luz incide na superfície
de um corpo, parte da luz é absorvida pelo corpo,
parte é reflectida e outra parte atravessa a super-
fície, se esta for transparente. Por sua vez, a luz re-
flectida pode dispersar-se em várias direcções, como
a luz que incide numa folha de papel, ou seguir numa
única direcção, como a luz que incide num espelho.

1 No filme Armageddon (e em muitos outros filmes, com cenas


“no espaço”) ouvem-se todo o tipo de sons nas batalhas
que ocorrem no espaço, onde não há ar nem qualquer outro
meio material. Essas cenas traduzem correctamente o que
aconteceria de facto no espaço? Porquê?

2 O que é que oscila quando uma onda electromagnética se


propaga? E quando se propaga uma onda sonora?

178
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Leis da reflexão da luz

Quando a luz incide num objecto, uma parte re-


flecte-se. Se o objecto for uma superfície espelhada,
diz-se que se trata de uma reflexão especular.
Se a superfície não for espelhada, como é o caso
da maior parte dos objectos, também ocorre refle-
âng
ulo
xão, mas em todas as direcções (diz-se reflexão de i
ncidên

ân
cia
difusa). Para estudar a reflexão da luz é útil utilizar

gu
lo
o conceito de raio luminoso. Um raio luminoso é, lin

de
p ha
po erp n

re
simplesmente, uma linha que indica a direcção da

fle
nt en or
o di ma


de cu l
propagação de uma onda de luz.

o
in lar (ou
ci )
dê no
nc
O estudo experimental da reflexão pode ser feito ia

com pequenos espelhos fixos num plano ao qual se Reflexão especular da luz: o ângulo de incidência é sempre
associa um transferidor, como mostram as fotos ao igual ao ângulo de reflexão.
lado. Observando cuidadosamente a reflexão de um
raio luminoso incidente no espelho, e medindo o
ângulo de reflexão (ângulo entre o raio incidente e
a normal no ponto de incidência) e o raio reflectido
(ângulo entre o raio reflectido e a normal no ponto
de incidência), conclui-se que:

• o ângulo de reflexão é sempre igual ao ângulo


de incidência;

• o raio incidente, o raio reflectido e a normal


no ponto de incidência estão no mesmo plano.

Estas regras verificam-se qualquer que seja a Quando a luz incide perpendicularmente ao
orientação do raio incidente e são geralmente desig- espelho, quer o ângulo de incidência quer o
nadas por leis da reflexão da luz. ângulo de reflexão são nulos.

raio
incidente

folha de cartolina

Reflexão difusa de um raio laser que incide numa folha de cartolina e ampliação
respectiva interpretação. Numa superfície não espelhada, a luz reflecte-se
em todas as direcções, isto é difunde-se. Uma superfície espelhada é
perfeitamente regular e uma folha de cartolina é muito irregular, a nível
microscópico. A luz é dispersada devido a essas irregularidades, como
mostra o esquema.

1 Observe a foto ao lado. Apenas uma das velas está


acesa. A “chama” da outra vela é uma imagem da
chama da vela acesa, observada no vidro transparente,
que funciona também como espelho devido à escuridão
atrás do vidro. Esquematize a reflexão de três raios
luminosos no vidro (não se esqueça das leis da
reflexão...) e verifique que a imagem se forma no
ponto onde se cruzam os prolongamentos, para trás do
espelho, dos raios reflectidos no espelho.

179
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Leis da refracção

Quando as ondas passam de um meio para outro com proprieda- raio incidente
normal no
des diferentes, a onda muda de direcção, isto é, refracta-se. ponto de
incidência
ângulo de
Definindo como ângulo de incidência i o ângulo entre o raio
incidência
incidente e a perpendicular no ponto de incidência e como ângulo
de refracção r o ângulo entre o raio refractado e a perpendicular
no ponto de incidência, conclui-se experimentalmente que:

• o raio incidente, o raio refractado e a normal no ponto de


incidência estão no mesmo plano; superfície de
separação ar-água
• o quociente entre o seno do ângulo de incidência i e o seno raio
do ângulo de refracção r é sempre constante para dois pa- refractado

res de meios.
ângulo de
refracção
Estas regras, as leis da refracção da luz, verificam-se sem-
pre, qualquer que seja o ângulo de incidência.

A relação matemática entre o ângulo de incidência i e o ângulo


de refracção r pode ser representada pela seguinte equação:

sin i
= constante
sin r i

30º
Para o caso da refracção da luz do ar para a água, como é o
caso da foto, esta constante vale 1,3 (em rigor, este valor de- sin i
= constante
pende da frequência da luz incidente, como vamos ver adiante). sin r

A refracção das ondas deve-se às diferentes velocidades


de propagação nos dois meios. A analogia de um carrinho,
que passa de uma superfície lisa para outra rugosa, sugere isto 22º
mesmo: as rodas que atingem primeiro a superfície rugosa come- r
çam primeiro a andar mais devagar e obrigam o carrinho a mudar
de direcção. A refracção das ondas pode ser observada facilmente
com ondas de água: as ondas refractam-se quando passam de
uma zona menos profunda (onde se movem mais rapidamente)
para uma zona mais profunda (onde se movem mais lentamente).

Refracção de ondas de água, ao passarem Um carrinho que passe de uma superfície O efeito da refracção da luz é
de uma zona menos profunda (em cima, lisa para uma superfície rugosa muda de bem visível quando se coloca
onde se propagam mais depressa) para direcção, porque as rodas que atingem um objecto num copo com
uma zona mais profunda (em baixo, onde primeiro a superfície rugosa começam água, como se pode observar
se propagam mais devagar). primeiro a andar mais devagar. nesta foto.

180
OK Necessito de rever esta página... Necessito de apoio para compreender esta página...

62º

Ao lado exemplifica-se como


determinar o ângulo de refracção,
quando um raio de luz passa do
ar para a água, com um ângulo de
β=?
incidência de 62º, sabendo que o
quociente entre o seno do ângulo
de incidência e o seno do ângulo de de acordo com a
sin62º
refracção vale 1,3 (como vimos na = 1,3 lei da refracção...
sin β
página anterior).
sin62º
= sin β
1 Verifique que 1,3 calculando e resolvendo
sin 62º / sin 43º = 1,3. 0,88 em ordem a sinβ...
= sin β
2 Verifique se os esquemas abaixo 1,3
estão correctos, tendo em conta 0,68 = sin β
as leis da refracção da luz e β = 43º para calcular β, conhecendo
admitindo que o feixe de luz o seno de β, pode usar-se a função
inversa do seno, na máquina
passa do ar para a água.
de calcular: sin-1β...
90

90

90
12

12

12
60

60

60
0

0
15 15 15
0 30 0 30 0 30

180
0 180 0 180
0 180 0 180
0 180 0

30 0 30 0 30 0
15 15 15
0

0
60

60

60
12

12

12
90

90

90
A foto ao lado mostra duas refracções
sucessivas de um raio laser. A primeira
refracção dá-se quando o raio passa do ar
para um bloco de vidro e a segunda quando
o raio passa do vidro para o ar.

3 Em qual das refracções o ângulo de


refracção é menor que o ângulo de
incidência?

4 Em qual das refracções o raio se afasta da


normal no ponto de incidência?

5 Em qual das refracções a luz passa


para um meio onde se desloca mais
rapidamente? Fundamente a resposta
utilizando a analogia do carro da página
anterior.

A foto ao lado mostra uma moeda num copo, sem e com


água.

6 Um raio de luz que emirja da água, vindo da moeda,


afasta-se ou aproxima-se da normal no ponto de
incidência?

7 No copo com água, a moeda parece estar mais acima do


que realmente está. Esquematize o percurso de um raio
de luz provindo da moeda e prolongue o raio refractado.
Em que medida este esquema auxilia a compreender o
modo como a moeda é vista?

181
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Índice de refracção

Índices de refracção
Numa refracção, a maior ou menor mudança de direcção de
de diversos meios transparentes
um raio de luz quando passa de um meio para outro está
ar 1,00029
relacionada com a velocidade da luz nos dois meios.
gelo 1,31
O índice de refracção (símbolo n) é uma grandeza fí- água 1,333
sica que relaciona a velocidade de propagação da luz num vidro pyrex 1,470
meio face a outro meio, que se toma para referência. O vidro acrílico 1,490 - 1,492
vácuo é considerado como meio de referência para definir benzeno 1,501
índices de refracção para a luz. vidro crown (puro) 1,50 - 1,54
vidro flint (puro) 1,60 - 1,62
Assim, uma vez que a velocidade da luz no vácuo se re-
diamante 2,419
presenta por c (3,00 × 108 m/s), podemos escrever:
sílica 4,01

velocidade da luz no vácuo


índice de refracção de um meio transparente =
velocidade da luz nesse meio transparente
c
n=
v

O índice de refracção depende do


comprimento de onda da radiação, como
se pode observar no gráfico ao lado para
diversos tipos de vidro. No entanto, para
índice de refracção
alguns meios transparentes, essa varia- 1,9
ção não é muito acentuada, pelo menos
para os diversos c.d.o. da luz visível. Por vidro flint LaSF9
isso, algumas tabelas têm índices de re-
1,8
fracção para a luz visível sem indicação
de qual é o c.d.o. da luz.
vidro flint SF10
Conhecendo o índice de refracção de 1,7
um meio transparente, pode-se calcular a
velocidade da luz nesse meio. Por exem-
vidro flint F2
plo, se o índice de refracção de um certo 1,6
tipo de vidro for 1,50, a velocidade da luz vidro crown BaK4

nesse vidro é:
vidro crown BK7
1,5
c
n= vidro crown FK51A
v
3, 00 × 108 m/s
1, 50 = 1,4
v
3, 000 × 108 m/s 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600
v=
1, 50 c.d.o., em nm

= 2, 00 × 108 m/s

1 O índice de refracção é uma grandeza física sem unidades. Porquê?

2 Calcule a velocidade da luz no gelo.

3 Diz-se que um meio é tanto mais refringente quanto maior for o seu índice de refracção. Que
relação há entre a refringência e a velocidade da luz?

4 Observe o gráfico acima. A velocidade de um raio de luz com 400 nm de c.d.o. no vidro flint
SF10 é maior, menor ou igual à velocidade de um raio de luz com 800 nm de c.d.o. nesse
mesmo tipo de vidro? Fundamente a resposta.

182
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Índice de refracção e 2.ª lei da refracção

Vimos que a relação matemática entre o ângulo de inci-


dência i e o ângulo de refracção r pode ser representada
pela equação

sin i
= constante
sin r

Vejamos agora outra forma de escrever esta equação. meio 1


Consideremos dois raios luminosos que passam de um velocidade da luz v1
meio 1 para um meio 2, onde a velocidade da luz é menor. índice de refração n1 = c/v1
O segmento AD define uma superfície da onda de luz que, D E
após a refracção, corresponde ao segmento CF, porque a
luz tem menor velocidade no percurso AC do que no per- i
curso DF.
i
A F
A distância DF é dada por v1Dt e a distância AC por r
v2Dt, sendo v1 e v2, respectivamente, as velocidades da
luz nos meios 1 e 2 e Dt o intervalo de tempo no percurso r
AC, que é igual ao intervalo de tempo no percurso DF.
B C meio 2
Tendo em conta que os ângulos assinalados na mesma velocidade da luz v2
cor são iguais (têm lados perpendiculares), pode concluir- índice de refração n2 = c/v2
se que
cateto oposto
sin θ =
v1 hipotenusa
sin i
= distância percorrida = v × ∆t
sin r v2

Por outro lado, tendo em conta a definição de índice de DF v ∆t
sin i = = 1
AF AF
refracção, vem calculando os senos...
AC v2∆t
sin r = =
AF AF
c v1∆t
sin i n1 sin i
= dividindo = AF
sin r v2∆t
sin r c
e simplificando... AF
n2 sin i v1
=
sin i n2 sin r v2
=
sin r n1

Esta última equação é, pois, uma outra forma de escre-
ver a 2.ª lei da refracção. Por exemplo, tendo em conta a
tabela de índices de refracção da página anterior, podemos
escrever que na refracção da luz do ar para a água se tem
sempre:

sin i nágua 1, 333


= = = 1, 333
sin r nar 1, 000

1 Calcule o quociente sin i / sin r quando um raio luminoso se refracta ao passar do ar para o
gelo.

2 Verifique que sin i / sin r = 0,750 quando um raio luminoso se refracta ao passar da água para
o ar. Esse raio aproxima-se ou afasta-se da normal?

3 Verifique que para um raio luminoso que passa da água para o ar, a um ângulo de incidência
de 30º corresponde um ângulo de refracção de 42º.

183
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Reflexão total e ângulo-limite ou ângulo-crítico

A foto ao lado mostra o que sucede a diversos feixes de luz


emitidos de um ponto no interior de um recipiente com água.

Quando um raio luminoso passa de um meio opticamente


mais denso (isto é, tem maior índice de refracção, é mais re-
fringente) para um meio opticamente menos denso (menor
índice de refracção, menos refringente), o ângulo de refracção
aumenta quando aumenta o ângulo de incidência e chega a
atingir 90˚, como sucede com o raio incidente 3 indicado na
figura ao lado, cujo ângulo ângulo de incidência vale ic.

A luz, com uma incidência segundo um ângulo superior


a ic, já não pode refractar-se. A este fenómeno chama-se
ar (meio 2)
reflexão total da luz e ao ângulo ic, a partir do qual o fe-
água (meio 1)
nómeno ocorre e a que corresponde um ângulo de refracção ic
de 90˚, chama-se ângulo-limite ou ângulo-crítico. Para i > ic

este ângulo e para a refracção da água para o ar, tem-se, de 1 2 3

acordo com a 2.ª lei da refracção:


4
sin ic nar
=
sin 90º nágua Quando um raio vindo da água incide na superfície
sin ic de separação ar-água, a partir do ângulo ic (ângulo-
1, 000
= limite ou ângulo-crítico) deixa de haver refracção: a
1 1, 333 luz reflecte-se na superfície de separação.
sin ic = 0, 750
ic = 48, 6º

Portanto, para ângulos de incidência superiores a 48,6º,


um raio de luz não se refracta quando passa da água para o
ar... Em vez de se refractar, reflecte-se!

Para o caso da refracção de um raio que emerge para o


ar, a partir de um vidro cujo índice de refracção seja 1,61, o
valor do ângulo-limite é

sin ic nar
=
sin 90º nvidro
sin ic 1, 000
=
1 1, 61
sin ic = 0, 621
ic = 38, 4º

Reflexão total da luz na superfície de separação

Portanto, quanto mais refringente for o meio de onde


vem o raio, menor é o ângulo limite.

1 Que significa afirmar que o ângulo-limite da refracção de um raio de luz quando passa do
diamante para o ar é 24,4º?

2 Tendo em conta o índice de refracção do diamante, verifique que o ângulo-limite da refracção


de um raio de luz do diamante para o ar é 24,4º.

3 Em que condições é que um raio de luz é capaz de atravessar dois vidros diferentes sem se
refractar?

184
OK Necessito
Necessito de rever esta página...
de rever esta página... Necessito
Necessito de apoio para compreender esta página...
de apoio para compreender esta página...

Reflexão total, fibras ópticas e comunicações

A reflexão total da luz está na origem de um enorme progresso na


comunicação de informação a distância. De facto, assim que se con-
seguiu obter materiais suficientemente flexíveis e com elevado ín-
dice de refracção, foi possível construir cabos de fibras ópticas onde
a luz é transportada a enormes distâncias por reflexões sucessivas
no interior de uma fibra óptica.

Uma fibra óptica tem pelo menos duas ca-


madas:

• um núcleo transparente, onde a luz se


propaga;

• um revestimento, onde a luz se reflecte,


que tem um índice de refracção menor do
que o do núcleo.

É esta diferença de índices de refracção que


possibilita o fenómeno da reflexão total da luz no
interior do núcleo da fibra e, consequentemente,
a transmissão de raios de luz a enormes distân-
cias.

As fibras podem ser de plástico ou de vidro


mas este é mais utilizado porque absorve menos
as ondas electromagnéticas. As frequências mais
utilizadas para a luz transmitida nas fibras encontram-se na gama Uma fibra óptica é um filamento
da radiação infravermelha, portanto não visível. muitíssimo estreito e comprido,
transparente (de vidro ou plástico) com
Apesar da transmissão ser feita num meio físico, com veloci- um revestimento com um índice de
refracção menor do que o do núcleo.
dade inferior à da luz no vácuo (e no ar), a luz propagada através Como num tubo de água, a luz entra
da fibra óptica atinge taxas de transmissão de milhares de milhões por uma extremidade e sai por outra,
de bits por segundo. À medida que se melhora o material de que é devido às sucessivas reflexões totais nas
paredes, porque os ângulos de incidência
feito o núcleo, aumenta-se essa taxa de transmissão. Desde 1988,
são superiores aos ângulos-limite.
quando se instalou o primeiro cabo intercontinental de fibra óptica
que permitia apenas 40000 conversas telefónicas em simultâneo, já
se evoluiu para cabos que permitem centenas de milhões de conver-
sas simultâneas. A transmissão de dados nas fibras exigem
foto-emissores que convertem sinais eléctricos em pulsos de luz.

As fibras ópticas apresentam enormes vantagens sobre os cabos


eléctricos metálicos como, por exemplo: menor dimensão; maior
taxa de transmissão de informação; atenuação muito reduzida, que
permite maiores distâncias entre repetidores; imunidade às interfe-
rências electromagnéticas; custos mais reduzidos.

1 A foto ao lado mostra um


endoscópio para observação
pulmonar. Descreva
resumidamente o funcionamento
desse tipo de instrumento.

2 Que vantagens e desvantagens pode ter a transmissão de dados por fibra óptica face à
transmissão por satélite?

185

Interesses relacionados