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29/01/2015

RevistaZCultural»Raça,osignificanteflutuante

 
 
 

Foisobumclimadeexpectativaeincertezasquantoaofuturoquefoielaboradaasérie Promethea,domuitasvezespremiadoroteiristaAlanMooree…

Publicadoem:03,AnoIX,Publicações

 
 
 

Diversossaraushabitamasgrandescidadesbrasileiras,ondeapoesiaéservidaquente,trocada nocalordasrelaçõeshumanaspresenciais.Apoesiafaladaecorporalmente…

Publicadoem:02,AnoIX,Publicações

RevistaZCultural>Publicações>AnoVIII>02>Raça,osignificanteflutuante

Raça,osignificanteflutuante

StuartHall

TraduçãodeLivSovik,emcolaboraçãocomKatiaSantos*

Mesmoquealgunsconsideremumtantotarde,querovoltaràquestãodoquequeremosdizer,quais

29/01/2015

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sãoasimplicaçõesdedizer—comofiznotítulobastanteprovocadordestapalestra—queraçaéuma

construçãodiscursiva,umsignificantedeslizante.Afirmaçõesdessetipojátêmcertoprestígionos

círculosavançadosdacríticahojeemdia,masestáclaroquecríticoseteóricosnemsemprequerem

dizeramesmacoisanemtiramasmesmasconclusõesdessaafirmação.Alémdisso,aideiadeque

raçapossaserentendidacomosignificantenãoé,naminhaexperiência,algoquetenhaatingidocom

profundidade,enemtenhasidoeficazemdesarticularoudesalojar,oqueeuchamariade

pressupostosdosensocomumeformascotidianasdefalarderaçaedeproduzirsentidosobreraçana

sociedadedehoje.Eestoufalando,emparte,domundogrande,bagunçadoesujonoqualraça

importa,foradaAcademia,enãosódaluzquepodemos,apartirdaAcademia,lançarsobreela.

Omaissérioéquenãoforamadequadamentemapeadosouavaliadososefeitosdeslocadoresdese pensarraçacomosignificante,sobreomundodamobilizaçãopolíticaemtornodequestõesderaçae racismo,ousobreasestratégiasdapolíticaedaeducaçãoantirracistas. Bem,talvezvocêsnão estejampersuadidosainda,masessaéminhadesculpaporvoltarnestemomentotardioaessetópico, mesmosabendoquemuitagenteachaque,afinal,tudodeútilquepoderiaserditosobreraçajáfoi dito.

Arejeição“formal”doracismobiológico

Oquequerodizercom“significanteflutuante”? Parafalaremtermosbemgenéricos,raçaéumdos principaisconceitosqueorganizaosgrandessistemasclassificatóriosdadiferençaqueoperamem sociedadeshumanas.Edizerqueraçaéumacategoriadiscursivaéreconhecerquetodasastentativas defundamentaresseconceitonaciência,localizandoasdiferençasentreasraçasnoterrenodaciência biológicaougenética,semostraraminsustentáveis.Precisamos,portanto— diz­se— substituira

definiçãobiológicaderaçapelasócio­históricaoucultural[1].ComoresumiuofilósofoAnthony

Appiahemalgummomento:“…Éhoradoconceitobiológicoderaçaserafundadosemdeixarrastro”. W.E.B.DuBois,ograndepensadoreescritorafro­americano,nãotãoconhecidonoReinoUnido quantodeveria,escreveusobreessasquestõesumtextomaravilhosoetocanteintituladoAsalmasda

gentenegra[2].Emoutrotexto,umensaiointituladoAconservaçãodasraças,faladoquechamade

“…asdiferençasdecor,cabeloeosso” que—aindacomentou—,“emborasejamclaramente definidasparaoolhardehistoriadoresesociólogos”—,coisaboa,porqueexistemmuitascoisasque sociólogosnãoenxergam,maseleachavaqueadiferençaracialfossealgoqueelesmaisoumenos conseguiamdistinguir— “…quetaiscoisassãodemaneirageraldebaixacorrelaçãocoma diferençagenéticae,poroutrolado,impossíveisdeseremcorrelacionadassignificativamentecomas característicasculturais,intelectuaisoucognitivasdeumpovo.”Alémdaextraordináriavariação existentedentrodeumamesmafamília,principalmentequalquerunidadechamada“famíliaderaças”.

Asobrevivênciadopensamentobiológico

Queropontuarquatrocoisassimultaneamente,sobreessaposiçãogeral. Primeiro,elarepresentao quejáédesensocomumentrecientistasproeminentesnessecampo.

Emsegundolugar,essefatonuncaimpediuqueestudiososconsagrassemumaatividadeintensa,por

umaminoriadeacadêmicoscomprometidos,àtentativadeprovaracorrelaçãoentrecaracterísticas

genéticasvinculadasaracialidadesedesempenhocultural.Noutraspalavras,nãoestamoslidando

comumcamponoqual,digamos,ofatoreconhecidocientíficaeracionalmenteimpedeoscientistas

decontinuaremtentandoprovarooposto.

Emterceirolugar,notoque,emboraasimplicaçõesracializadasdestetrabalhocientíficopermanente

sobreotema,porexemplo,sobreraçaeinteligência,sejamclamorosamentecondenadasporgrande

númerodepessoas,certamentepelamaioriadeprofissionaisliberaisesobretudoporgruposnegrosde

todosostipos,defato,grandepartedoqueéditoporessesmesmosgruposentresiébaseadoem

premissasdessemesmotipo,porexemplo,dequeumfenômenosocial,políticooucultural—comoa

correçãodeumalinhapolítica,ouosméritosdeumaproduçãoliteráriaoumusical,ouaadequaçãode

umaatitudeoucrença—podeseratribuídoouexplicadoesobretudofixadoegarantidoemsua

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verdadepelaidentidaderacialdapessoaenvolvida.

Deduzodaintensaatividadedepesquisaaliçãoincômodadequeposiçõespolíticasopostasmuitas

vezesderivamdomesmoargumentofilosófico.Eemboraaexplicaçãogenéticadocomportamento

socialeculturalsejafrequentementedenunciadacomoracista,asdefiniçõesgenéticas,biológicase

fisiológicasderaçapassambem,obrigado,nosdiscursosdesensocomumdetodosnós.Ofatoéque

adefiniçãobiológica,fisiológicaegenéticaderaça,convidadaaseretirarpelaportadafrente,tendea

daravoltaeretornarpelajanela.

Esseéoparadoxoquequeroexplorarediscutiraseguir.Porqueéassim?

Odistintivoderaça

EmumartigonarevistaCrisisdeagostode1911,DuBoismudadecisivamenteseudiscursopara

escreversobre“civilizaçõesondehojepodemosfalarderaças”,acrescentandoque“mesmoas

característicasfísicas,incluindoacordapele,sãoresultadodireto,emmedidaconsiderável,do

ambientefísicoesocial.Alémdisso,sãoindefinidosefugazesdemais”,eleafirma,“paraservirem

comobaseparaqualquerorigem,classificaçãooudivisãodegruposhumanos”.Agora,baseadonesse

reconhecimentoemDuskofDawn,suaautobiografia,oautorabandonaadefiniçãocientíficaderaça

emproldofatodequeeleescrevesobreafricanos,equeafricanoseafrodescendentestêmoque

chamadeancestralidaderacialemcomumporque—éimportantenotá­lo—“têmumahistóriaem

comum,sofreramummesmodesastreetêmumaúnicaelongamemóriadedesastre”.Porqueacor,

emborapoucosignificativaemsi,éimportante—DuBoisafirma—“comodistintivodaherança

socialdaescravidão,dadisseminaçãoedoinsultodessaexperiência.”

Umdistintivo,umainsígnia,umsigno?Aquiestáaideia,preconizadanotítulodeminhaconferência,

dequeraçaéumsignificante,equeocomportamentoeadiferençaracializadosdevemserentendidos

comofatodiscursivoenãonecessariamentegenéticooubiológico.

Raçacomolinguagem,um“significanteflutuante”

Nãoquerodesviardemeucaminhoeentediá­loscomumlongotratadoteóricosobreostermosque

estouusando,massimplesmentelembrá­losqueomodeloqueestásendopropostoaquiestámais

próximodofuncionamentodeumalinguagemdoquedofuncionamentodenossabiologiaoude

nossasfisiologias.Equeraçaseassemelhamaisaumalinguagemdoqueànossaformade

constituiçãobiológica.Talvezpensemqueéumacoisaabsurdaeridícula,talvezatéestejamolhando

emvoltaparateremcertezadequesuasaparênciasestejamfuncionandobem.Garantoqueestão.As

pessoassãomeioesquisitas,algumasmarrons,outrasbastantepretas,algumasaté,comestaluz,

repugnantementerosadas.Masnãohánadadeerradocomsuasaparências.Mesmoassim,quero

defenderqueraçafuncionacomoumalinguagem.Eossignificantessereferemasistemaseconceitos

daclassificaçãodeumacultura,asuaspráticasdeproduçãodesentido.Eessascoisasganhamsentido

nãoporcausadoquecontêmemsuasessências,masporcausadasrelaçõesmutáveisdediferençaque

estabelecemcomoutrosconceitoseideiasnumcampodesignificação.Essesentido,porserrelacional

enãoessencial,nuncapodeserfixadodefinitivamente,masestásujeitoaumprocessoconstantede

redefiniçãoeapropriação.Estásujeitoaumprocessodeperdadevelhossentidos,apropriação,

acúmuloecontraçãodenovossentidos;aumprocessoinfindáveldeconstanteresignificação,no

propósitodesinalizarcoisasdiferentesemdiferentesculturas,formaçõeshistóricasemomentos.

Nãoépossívelfixarosentidodeumsignificanteparasempreoutrans­historicamente. Ouseja,há sempreumcertodeslizamentodosentido,hásempreumamargemaindanãoencapsuladana linguagemenosentido,semprealgorelacionadocomraçaquepermanecenãodito,alguémésempre oladoexternoconstitutivo,decujaexistênciaaidentidadederaçadepende,equetemcomodestino certovoltardesuaposiçãodeexpelidoeabjeto,externoaocampodasignificação,paraperturbaros sonhosdequemestáàvontadedoladodedentro.

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Comodarcontadarealidadedadiscriminaçãoedaviolênciaraciais?

Dirijo­meaessaquestãodiretamenteporqueacreditoqueéaquiqueosmaiscéticosentrevocêsestão começandoapensar:“Tudobem,dáparadizertalvezqueraçanãoseja,afinal,umaquestãodefatores genéticos,biologia,característicasfisiológicas,morfologiadocorpo,nãoéumaquestãodecor,cabelo eosso”,essetriopavorosoqueDuBoiselencatantasvezes.Entretanto,talvezdigam:“Vocêestá mesmoafirmandoqueraçaéumsimplessignificante,umsignovazio,quenãoestáfixadoemsua naturezainterna,queseusentidonãopodeserassegurado,queflutuaemummardediferenças relacionais?Éesseoseuargumento?Enãoseriaestanãosóerrada,mastambémumaabordagem

leviana[3]e”—ouçoapalavrasendomurmuradanopúblico—“idealistadefatoscrusdahistória

humana,queafinaldecontasdeformaramasvidasealeijarameconstrangeramopotencialde

literalmentemilhõesdedespossuídosdomundo?Edepois,porquenãousaraevidênciadiantede

nossosolhos?Seraçafosseumnegóciotãocomplicado,porqueelaestariaevidentedeformatão

manifestaaondequerqueolhemos?”

Precisodizê­lonovamenteporqueperceboosentimentodealívio—depoisdedarmosumasvoltas

poressasdiversasestruturasdiscursivas—aochegarmosaoquetodosnóssabemossobreraça:sua

realidade.Dáparaverseusefeitos,dáparavê­lanosrostosdaspessoasàsuavolta,dáparaveras

pessoasseremexendoquandopessoasdeumoutrogruporacialentramnasala.Dáparavera

discriminaçãoracialfuncionandonasinstituições,eassimpordiante.Paraquetodaessaalgazarra

acadêmicasobreraça,quandovocêpodeapenasvoltar­separaasuarealidade?

Quecaminhoatravésdahistóriaémaisliteralmentemarcadopelosangueeaviolência,pelo genocídiodaMiddlePassage,oshorroresdaservidãonosengenhoseaforcaimprovisada? Um significante,umdiscurso? Sim,esseéomeuargumento.

Duasposições:arealistaeatextual

Jáquenãoestamospreocupadosaquicomacríticateóricaabstrataesimcomumatentativadeabrir

ossegredosdofuncionamentodesistemasraciaisdeclassificaçãonahistóriamoderna,permitam­me

voltaràquestãodecomoobservamosessefuncionamentoemtornodapreocupantequestãoacercadas

diferençasgrosseirasdecor,ossoecabelo,queconstituemosubstratomaterial,odenominador

comumabsolutoefinaldossistemasraciaisdeclassificação.Quandotodososdemaisrefinamentos

foramapagados,parecehaverumresíduodediferençasquesãopalpáveisnaspessoas,asquais

chamamosderaça.Deondeseráquevieram,sesãosimplesmente,oqueestoutentandoafirmar,

discursivas?

Emtermosgerais,entendoquehátrêsopçõesaqui.Primeiro,podemosalegarqueasdiferençasde

tipofisiológicooudenaturezarealmentefornecembaseparaqueclassifiquemosasraçashumanasem

famílias.Quandosecomprovaqueconseguemfazê­lo,podemserrepresentadasdeformaadequada

emnossossistemasdepensamentoelinguagem.Essaéumaposiçãorealista:estáaí,esófaltarefletir

deformaadequadasobreoqueestáláforanomundo,nossistemasdelinguagemeconhecimentoque

utilizamosparaconduzirinvestigaçõessobreseusefeitos.

Umasegundapossibilidadeéaposiçãochamadamuitasvezesdepuramentetextualoulinguística.

Raçaé,aqui,umsistemaautônomodereferência.Estenãopodesertestadocontraomundoefetivoda

diversidadehumana,sódentrodojogodotextoedojogodediferençasqueconstruímosnanossa

próprialinguagem.

Umaterceiraposição:odiscursivo

Existeumaterceiraposição,àqualmefilio.Essaterceiraposiçãoéadequeexistemdiferençasde

todotiponomundo,equeadiferençaéumtipodeexistênciaanômalaporaí,umasérierandômicade

todotipodecoisaqueagentechamademundoenãohámotivoparanegarmosessarealidadeouessa

diversidade.AchoqueéoqueFoucaultàsvezes,masnemsempre,chamadeextra­discursivo.Mas

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estouemGoldsmithsenãoqueroprovocarosfoucaultianos…Apenasquandoessasdiferençasforam

organizadasdentrodalinguagem,dentrododiscurso,dentrodossistemasdesentido,équepodemos

dizerqueasdiferençasadquiriramsentidoesetornaramfatoresdaculturahumanaedaregulaçãode

condutas—essaéanaturezadoqueestouchamandodeconceitodiscursivoderaça.Nãoéqueas

diferençasnãoexistam,massimqueoqueimportasãoossistemasqueutilizamosparadarsentidoa

elas,paratornarassociedadeshumanasinteligíveis;ossistemasquecotejamoscomasdiferenças,a

formacomoorganizamosessasdiferençasemsistemasdesentidocomosquais,dealgumamaneira,

fazemoscomqueomundonossejainteligível.Eissonadatemavercomnegarque—comodigo,o

testedopúblico—sevocêolharaoredorvaidescobrirque,realmente,temosaparênciasdiferentes

unsdosoutros.

Achoqueessessistemassãodiscursivosporqueojogoentrearepresentaçãodadiferençaracial,a

escritadopodereaproduçãodoconhecimentoécrucialparaamaneiraemqueforamgeradose

funcionam.Eusoapalavra“discursivo”aquiparamarcarteoricamenteatransiçãodeuma

compreensãomaisformaldadiferençaparaumacompreensãodecomoasideiaseconhecimentosda

diferençaorganizamaspráticashumanasentreosindivíduos.

Religião:umaprimeiratentativadeclassificaçãoradical

Ossistemasdeclassificaçãoracialtêmumahistória.Suahistóriamodernaemergeondepovosde

tiposmuitodiferentestêmquefazersentidocomopovosdeumaoutracultura,significativamente

diferente.Podemosdataromomentodesseencontrohistórico.QuandooVelhoMundoencontrouos

povosdoNovoMundo,elecolocouumaquestão,afamosaquestãoqueSepúlvedafezaLasCasasno

debatenointeriordaigrejacatólica,aquestãoda“naturezadospovosqueencontramosnoNovo

Mundo.”Nãodisseram,comoosmaisreligiososentrevocêsgostariamdepensar,“Sãoounãosão

homenscomonósenossosirmãos?Nãosãoelasmulherescomonósenossasirmãs?”Não,não

disseramisso,demoroumuitoparaissoacontecer—doisoutrêsséculosantesdomovimento

abolicionistacolocaressaquestão.Não,oquedisseramfoi:“Sãohomensverdadeiros?”Istoé,

pertencemàmesmaespéciequenósounasceramdeoutracriação?Eaquiduranteséculosnãoeraa

ciência,masareligiãoosignificantedoconhecimentoedaverdade,nolugarondeasciências

humanas,edepoisaciênciacomotal,estavadestinadaaficarmaistarde,parafundamentaraverdade

dadiferençahumanaedadiversidadeemumfatocontrolável,quedefiniaqueoladodeleseralá,eo

nossoaqui;elesnosnaviosenósnotopodacivilizaçãoqueconquistamoseetc.

Dormirmelhor:afunçãoculturaldoconhecimento

Organizarpessoasemdiversosgrupossociais,deacordocomsuasdiferenças,éparaissoqueserveo

atodaclassificaçãohumana.Éissooqueseprocura—primeiroatravésdeumdiscursoreligioso,

depoisantropológicoe,finalmente,emumdiscursocientífico.Aqui,cadaumdessesconhecimentos

estáfuncionandonãocomoprovimentodaverdade,mascomoaquiloquetranquilizaoshomenseas

mulhereseosdeixadormirmelhor.Sãochupetas,chupetasdeconhecimentoquesecolocanaboca;

primeirocoloca­seachupetareligiosaeespera­seque,nofinaldascontas,Deustenhacriadodois

tiposdehomens,tenhafeitoduastentativas—numfimdesemana,depoisnoutro,eelesestavamláe

nósestávamoscá,esómuitotempodepoisagenteacaboutopandounscomosoutros.Masnãohá

qualquerideiadequeviemosdomesmolugar.Eessachupetanãofunciona,vocêatiraecolocaoutra:

eemtermosantropológicos,elesdizem:“Bem,sãoparecidosconosco,porquetodomundovemdos macacosmasalgunssãomaispróximosdosmacacosdoqueagente”eemboranãohajauma diferençaabsoluta,vocêsabequeissoésuficienteparaencontrardiferenças,nosdepartamentos universitários,napublicaçãodeartigosetc.E,finalmente,quandoaprópriaantropologiaporfim desiste,logoapareceJamesClifford,quedesistedessetipodeconhecimentosobreoquea antropologiaconseguefazer,separarasovelhasdascabras.Eaívemaciênciaediz:“Euconsigo,eu seifazer.Tenteagenética.”Vocênãoenxergaagenética,éumsistemamaravilhoso,interno,não fazemosideiadoqueseja,podemosvê­lonolaboratório—masossereshumanosnãooveem,oque veemsãoosefeitosdaoperaçãodocódigogenético.Assim,éumcódigomaravilhosamentesecreto

queapenasumnúmeropequenodepessoastêmaoseudispor,quefazoqueareligião[4]não

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conseguiueaantropologiaafinalacaboufracassandoemfazer.Eleconseguedizerporqueessas

pessoasnãosãodomesmocampo,porquesãodiferentesumasdasoutras,eporquesãorealmentede

outraespécie.Enãoseriabomsaberqueemvezdetentardescobrirseosquesãoseusamigossão

maispróximosdevocêdoqueaquelesquenãoosão,todoaquelemapacomplexodealiançaseetc.

queconstituemasrelaçõeshumanas—nãoserialegalsevocêpudessedizeralgosimplescomo:

“Voudarumpulonolaboratórioedepoislhedigoseelessãopróximosounão.”Éissoqueagenética

conseguefazer.

Fixandoadiferença:afunçãoculturaldaciência

Aciênciatemumafunção,umafunçãocultural,emnossasociedade.Voupararantesqueeuválonge demais.Nãoestousugerindoqueaciêncianãotemsubstância.Estoufalandodafunçãodaciência dentrodossistemasculturaishumanos.Estoufalandodafunçãoculturaldaciênciaequeessafunção, naslinguagensediscursosdoracismo,temsidoprecisamenteadedargarantiaecertezadadiferença absolutaquenenhumoutrosistemadeconhecimentoatéentãotinhaconseguidoprover.Éporisso queotraçocientíficopermaneceuminstrumentotãopoderosonopensamentohumano,nãosóna Academia,masemtodapartedodiscursodosensocomumdaspessoas. Duranteséculos,selutou paraestabelecerumadiferençabinária,entredoistiposdepessoa.Masquandochegamosao Iluminismo,quedizoureconhecequesomostodosdeumamesmaespécie,foiprecisoencontraruma maneirademarcaradiferençadentrodessaespécieenãoentreduasespécies—porqueumaparteda espécieédiferente:maisbárbara,atrasadaoucivilizadadoqueaoutraparte.Evocêsedeparacom umamarcaçãodiferentedadiferença,adiferençaqueémarcadadentrodosistema.Vejamcomo

EdmundBurkeescreveuparaohistoriadorWilliamRobertsonem1777:“Nãoprecisamosmais

recorreràhistória”,afirmou,“paratraçaroconhecimentodanaturezahumanaemtodasassuasfases

eperíodos.Porquê?Porqueagoraograndemapadahumanidadeestátodonaestradaenãoháestado

ougradaçãodebarbárieoumododerefinamentoquenãoestejasimultaneamentesobnossavista.”

EsteéoolharpanópticodoIluminismo:tudo,todaacriaçãohumanaestá,porassimdizer,soboolho

daciência.E,nesteâmbito,épossívelmarcarasdiferençasquerealmenteimportam.Equaissão?“As

civilidadesmuitodiferentesdaEuropaedaChina;abarbáriedeTartaryedaArábia;eoestado

selvagemdaAméricadoNorteedaNovaZelândia.”Meuargumentonãodizrespeitoàciênciaemsi,

masaoqueestivernodiscursodeumaculturaquefundamentaaverdadesobreadiversidadehumana,

queabreosegredodasrelaçõesentrenaturezaecultura,quedesataonóenigmáticodadiferença

humanaqueimporta.Oqueimportanãoéquecontenhamaverdadecientíficasobreadiferença,mas

quefuncionemcomofundamentododiscursosobreadiferençaracial.Fixameestabilizamoquede

outramaneiranãohaveriacomoserfixadoouestabilizado.Asseguramegarantemaverdadedas

diferençasdiscursivamenteconstruídas.

Natureza=cultura

Então,arelaçãoaquiéqueaculturaéfeitaparaserumatocontínuodanatureza,elaseapoiana

naturezaparasejustificar.Anaturezaeaculturaoperamcomometáforasumaparaaoutra.Operam

metonimicamente.Éafunçãododiscurso,ederaçacomosignificante,fazercomqueambosos

sistemas—naturezaecultura—correspondamumaooutro,demaneiraqueumapossaserlida

atravésdaoutra.Assim,umavezquesesaibaondeumapessoacabenaclassificaçãodasraças

humanasnaturais,épossívelinferirdaíoqueprovavelmentepensam,oquesentemouproduzem,a

qualidadeestéticadesuasproduções,eassimpordiante.Afunçãoderaçacomosignificanteé

constituirumsistemadeequivalênciasentrenaturezaecultura.

Exige­seotraçobiológicocomosistemadiscursivonamedidaemqueossistemasraciaistenhama

funçãodeessencializar,denaturalizar,essamaneiradetiraradiferençaracialdahistória,dacultura,e

localizá­laparaforadoalcancedamudança.

Verécrer

Noentanto,essenãoé,ameuver,oúnicomotivopeloqualoraciocíniobiológico,enquantofunciona

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comosefosselargamentefalso,aindapermanecenaconversaquandofalamosderaça.Essenãoéo

únicomotivo.OpontodepartidadeDuBoiseraprecisamenteasdiferençasmaisgrosseirasdecor,

cabeloeosso.

Apesardofatodequepermanecemanômalosàspopulações,transcendemadefiniçãocientífica,são

osque,afinal,provêmofundamentodaslinguagensqueusamosnocotidianoparafalarsobreraça:os

fatosfísicosgrosseiros,queteimamemexistir,decor,cabeloeosso.Ora,aquestãocentralsobre

essasdiferençasfísicasgrosseiraséqueelasnãoestãobaseadasnadiferenciaçãogenética,massão

claramentevisíveisaolhonu.Sãoabsolutamente,evidentemente,indisputavelmentepresentes.Sãoa

diferençavisível.São,paraoolhonãocientífico,oquefazcomqueraçasejaumassuntoque

continuamosdiscutindo.Sãoosfatosbrutos,físicosebiológicosqueaparecemnocampodevisão

humano,ondeverécrer.

FrantzFanonfoiarrebatadoporessainscriçãodadiferençaracialnasuperfíciedocorponegro:oque elechamoudeevidênciaescuraeinquestionáveldesuapróprianegritude.EmPelenegra,máscaras

brancas(2008[1952])eledisse:“Souumescravonãodaideiaqueoutrostêmdemimmasdeminha

própriaaparência,soufixadoporela.”Poisoquepodetransfixaraspessoasmaisdoqueaquiloqueé

poderoso,evidenteeconcretamentepresente?Umadiferençaracialqueseinscreveindelevelmentena

escrituradeumcorpo?Mesmoassim,queroargumentarqueaconteceaíumjogodesignificantes.

Genética:produzindosentidocomadiferença

Deondesurgemessessignosevidentesevisíveisdediferençaracial?Cabelocrespo,narizlargo, lábiosgrossos,traseirosgrandes.E,conformeoescritorfrancêsMichelCournotoexpressoucom delicadeza,“pênisdotamanhodecatedrais”.Oquedáorigematudoisso,claro,éocódigogenético. Porqueessascoisasnãoestãosimplesmentepresentes.Játentaramfazerumatriagemdeumconjunto depessoasqueapresentemalgumasdessasdiferenças,separando­asemdoisgruposdiscretose opostos?Issoéimpossíveldeserfeito.Éimpossível.Algumaspessoasficamemumpolo,outras noutro,edepoisháumgruponomeioqueficadeslizandoparadentroeparafora.Nãoépossívelfixá­ lo.Assim,emboraraçasejaclaramenteoquevocêvê,oqueafixaéoquetodossabemos,nósdaárea científica.Oquelhedárespaldoéocódigogenético,oquallamentavelmentenãoseconsegue enxergar.Masépossívelinferirsuaexistênciaapartirdofatodequealgumaspessoastêmtraseiros grandeseoutrascabeloscrespos,ealgunstêmnarizeslargosealguns,comodizem,têmopênisdo tamanhodeumacatedral.Masnãodáparaorganizarapopulação—sabe,dizer“abaixeascalças”e lhedigosevocêéistoouaquilo—porqueacoisaéanômalademais.Massepodetercertezadeque, geneticamente,umpedaçodecódigodeuorigemaessasdiferençasnoníveldasuperfíciedas

aparências[5].Enós,pobresmortais,temosquetrabalharcomessasuperfíciedasaparênciasporque

nãotemosacessoaocódigogenético.

Lerocorpo

“Tudobem”,vocêsdevemestardizendo,“issopodeserverdade,masoquevocêestádizendo,de fato,équeessascoisasquesãovisíveistambémsãosignificantes!Vocêasestálendocomosignosem umcódigoquenãodáparaservisto, presumindoqueéocódigogenéticoqueproduzessasdiferenças grosseirasdecor,cabeloeosso.Equesóporcausadissoéquepodemosusá­lascomoumaformade fazerdistinçãoentreumeoutrogrupodepessoas.”Seeudisser,“aconteceuporacaso”,nãoéa respostaqueprocuramos.Procuramosentenderofatodequevocêconseguelerocorpocomosefosse umtexto.Eleéumtexto.Agora,meusamigos,seiquevocêsvãodizer,“Sevocêmebater,mecortar, euvousangrar.Semeatropelarnarua,comoacontecefrequentementeaquiemNewCross,voume machucar.Então,nãomedigaquesouumtexto.”Talvezsejaverdade,masnamedidaemque estamosfalandodosistemadeclassificaçãodediferenças,ocorpoéumtextoesomostodosleitores dele.Ecirculamos,olhandoessetexto,inspecionando­ocomocríticosliterárioscadavezmaisde pertoparaverasdiferençasmaisrefinadas,astãosutisdiferençasdemetáfora.Equandoissonão funcionacomeçamos,comoverdadeirosestruturalistas,afazerusodascombinações.“Bem,comum permanente,sabe,umnariznãotãolargo,comcabelosumpoucocrespos,esetenhoumtraseiro

http://revistazcultural.pacc.ufrj.br/raca­o­significante­flutuante%ef%80%aa/

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grandinhoesabeDeusmaisoquê,talvezeuchegueaumaaproximação.”Somosleitoresderaça,isso

éoqueestárolando.Somosleitoresdadiferençasocial.Eocabeloécitadocomosefossedefinitivo,

comosepusessefimàdiscussão.“Vocêdizqueraçaéumsignificante,masnãoé,não.Opessoalláé

diferente,dáparaperceberquesãodiferentes!”Bem,essaobviedade,aprópriaobviedadeda

visibilidadederaça,éoquemeconvencedequeissofunciona,porqueissoestásignificandoalgo:é

umtextoqueconseguimosler.

Porqueprecisamosiralémda“realidade”

Eagora,então,essanoçãodequeatéocódigogenéticoéimpressoemnósatravésdocorpo,enão

sobreocorpo,edequenãosepodepararnasuperfíciedoprópriocorponegrocomoseissodesseum

fimàdiscussão.Maséexatamenteporissoqueocorpoéinvocadonodiscursodessamaneira:na

esperançadequeeleencerreoassunto,dequesevocêinvocaraprópriarealidade,sevocêdisser,“a

pessoamaispretanestasala,venhacomigo”,comoseapossibilidadedeapontaressapessoa

destruíssemeuargumento.Ésóolhar:“Olhe,ali!”Éexatamenteessaafunçãodeinvocarocorpo

comooúltimosignificantetranscendental,comoseelefosseomarcadoralémdoqualtodosos

argumentossãosuspensos,todalinguagemcessa;comosetododiscursofossederrubadodiantedessa

realidade.Achoquenãopodemosnosdesviardarealidadederaçaporqueaprópriarealidadederaça

éoobstáculoquenosseparadeumacompreensãomaisprofundadosentidodedizerqueraçaéum

sistemacultural.

Analisarashistóriasdocorpo

JádissequeFanon,noensaioPelenegra,máscarasbrancas,éarrebatadoeobcecadopelotraumade

suaprópriaaparênciaedoqueissosignifica.Ficaenlouquecidoporestarpresoetrancadoemum

corpoqueooutro,ooutrobranco,conhecesódeolharparaele,queesseoutrovêatravésdeleaolero

textodocorponegro.Estáobcecadocomessefato.E,noentanto,comovocêssabem,apotênciae

importânciadePelenegra,máscarasbrancaséqueFanonentendeuquepordebaixodoqueele

chamoudeesquemascorpóreosestáoutroesquema.Umesquemacompostodehistóriaseanedotase

metáforaseimagensqueéoquenarealidadeconstróiarelaçãoentreocorpoeseuespaçosociale

cultural.Sãoessashistóriasenãoofatoemsi.Ofatoemsiéprecisamenteaciladadasuperfície,que

nospermitedescansarnoqueéóbvio,noqueestápresentedeformamanifesta,oquenoséoferecido

comosintomadaaparência.Aquiloqueassumeolugardoquedefatoé,umdossistemasculturais

maisprofundosecomplexosquenospermitemdistinguirentredentroefora,entrenóseeles,entre

quempertenceequemnãopertence.

Essefatoaparentementesimples,óbvioebanalrequerainvocaçãodeterritóriosdesaberparaque estesejaproduzidocomofatosimples,óbvioebanal.Nessesentido,adiferençaracialémaisparecida comadiferençasexualdoqueoutrossistemasdediferença,precisamenteporqueaanatomia,a fisiologia,pareceresolveraquestão.Oquesabemoseaprendemos,aospoucos,sobreadiferença sexual,istoé,aprofundidadedasquestõesportrásdaproduçãodessadistinção,éoqueprecisamos começaraaprendersobreas linguagensqueusamosparafalarderaça.

Porqueimporta?combatendooracismo

Emboraoconceitoderaçanãopossadesempenharafunçãoquelheésolicitada—proveraverdade

fixando­asemsombradadúvidas—édifícillivrar­sedeleporqueémuitodifícilparaaslinguagens

sobreraçafuncionaremsemqualquertipodegarantiafundacional.Oqueestoudizendoaqui,sobre

essanecessidade,nãoéumargumentoteórico,ounãoapenas.Éumargumentopolítico,porquetanto

apolíticaderaçaquantoadeanti­raçaestãofundadasnanoçãodequedealgumamaneira,emalgum

lugar,sejaatravésdabiologia,oudagenética,oudafisiologia,dacor,oualgoquenãosejaahistória

eculturahumanas,háumagarantiadaverdadeeautenticidadedascoisasnasquaisacreditamoseque

queremosfazer.Éabuscadagarantia,tantonapolíticaantirracistaquantonapolíticaracista,quenos

vicianapreservaçãodotraçobiológico.Édifícilabrirmãodeleporque,nofinaldascontas,não

sabemoscomoseriatentarconduzirumapolítica,sobretudoumapolíticaantirracista,semgarantias.

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RevistaZCultural»Raça,osignificanteflutuante

Nãosabemoscomoconduzirapolíticasemgarantia. Queremosdealgumamaneiraquealgonosdiga queasopçõespolíticascontingentesemabertoeusualmenteerradasquefazemospodem,nofinal,ser lidasapartirdeumatemplatemaiscientífico­teóricaque,seativéssemosconhecidodeantemão,nos teriaditooqueestavacertoounão.Precisamosdegarantia,precisamos,nosonodarazão,dealgoque nosdiga“Sim,façam­no”.Nãosópornosdarasensaçãodeser,enosparecerser,acoisacerta,até ondenossoscálculosalcançam,mastambémporqueaofinalseráacoisacerta,existiráalgoquea tornarácerta.Issoporqueaspessoasquedefendemasmesmascoisas,afinal,sãoaspessoasquevocê conhece,sãoboaspessoas.Comoéquepessoasquesejuntaramemtornodessaformacomumde identificaçãopodemestarerradas?Masaverdadeéquepodem,comotodosossereshumanos comuns.Todospodemosestarerrados,emuitasvezesestamos.Defato,normalmenteestamos,edá paraafirmarquenossapolíticaquasesempreoé.Aúnicacoisaquenãosomosédetentoresde garantiasdaverdadedoquefazemos.

Defato,acreditoquesemessetipodegarantiateríamosquerecomeçar[6].Recomeçaremumoutro

espaço,comumconjuntodiferentedepressupostosparatentarnosperguntaroqueénaidentificação

humana,napráticahumana,naconstruçãodealiançashumanasque—semasgarantiasecertezasda

religião,oudaciência,antropologia,genética,biologia,oudaaparênciadiantedenossosolhos—,

semqualquergarantia,poderianospossibilitaraconduçãodeumdiscursoedeumapráticahumanos

eticamenteresponsáveissobreraçaemnossasociedade.Comoseriaconduzi­lo,semteràsnossas

costasumtoquedecerteza,mesmoqueparecêssemosestarerrados,setivéssemosacessoaocódigo,

algoquetivessenosditooquefazer,desdeoinício?

Eestaéumaverdadeincômoda.Éincômodo,claro,paraosquegostariamdepoderinvocarostraços

biológicosougenéticoscomoformadesuspenderodebate.Mastambéméumaverdademuitodifícil

deserencaradapelaspessoasquesentemquea“realidadederaça”dáumaespéciedegarantiaou

sustentaçãoaseusargumentospolíticos,juízosestéticosecrençassociaiseculturais.Quando

adentramosapolíticadofimdadefiniçãobiológicaderaça,mergulhamosdecabeçanoúnicomundo

quetemos:oabismododebateedapráticapolíticospermanentementecontingentesesemgarantias.

Umapolíticacríticacontraoracismo,queésempreumapolíticadacrítica.

*EstetextoéumaconferênciaproferidaporStuartHallem1995emGoldsmithsCollege—

UniversityofLondonereproduzidaemdocumentárioporSutJhally©MediaEducationFoundation,

1996.Estádisponívelnaíntegra,eminglês,ilustradaporfotosediagramas,noYouTube.Começano

minuto6’40”daparte2dodocumentárioRace,theFloatingSignifier,disponívelem:

*StuartHall,nascidonaentãocolôniadaJamaicaem1932,migrouparaaInglaterraem1951.

Preocupou­sedesdecedocomquestõespós­coloniaisequestõesligadasaoracismo.DirigiuoCentre forContemporaryCulturalStudies,daUniversityofBirmingham,eoDepartamentodeSociologia,da

OpenUniversity,atéseaposentarem1997.PresidiupormuitosanososconselhosdoInstituteof

InternationalVisualArt(www.iniva.org)eAutograph­ABP(anteriormenteaAssociationofBlack

Photographers)www.autograph­abp.co.uk.

*LivSoviképrofessoradaEscoladeComunicaçãodaUniversidadeFederaldoRiodeJaneiro

(ECO­UFRJ)eorganizadoradacoletâneadeStuartHall,Dadiáspora(EditoraUFMG,2003).

KatiaSantosépesquisadoraindependente,tradutora,escritoraeautoradolivroIvoneLara,adonada

melodia.

[2]DuBois,W.E.B. Asalmasdagentenegra.Trad.HeloísaTollerGomes.RiodeJaneiro:Lacerda

Ed.,1999.

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