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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

ASPECTOS TÉCNICOS RELATIVOS À CONSTRUÇÃO DE PONTES EM VIGAS
PRÉ-MOLDADAS

GRUPO: RÍSIA AMARAL ARAÚJO
SOSTENES FILIPE

PROFESSOR ORIENTADOR: DR. JOSÉ NERES DA SILVA FILHO

NATAL - RN
2015/01

PONTES EM VIGAS PRÉ-MOLDADAS

Atividade Prática do Curso de
Pontes da Escola de Engenharia Civil
da Universidade Federal do Rio Grande
do Norte.

NATAL - RN
2015/01
1

RESUMO

Esse documento faz referência ao estudo das pontes em vigas pré-moldadas, seus métodos
construtivos e vantagens. É feito a revisão bibliográfica sobre o assunto objeto desse trabalho,
assim como um breve estudo sobre solidarização estrutural, qualificando os tipos de continuidade
do tabuleiro.

Palavras Chaves: pré-moldado, solidarização, continuidade

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................

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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................................
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3. SISTEMA CONSTRUTIVO .....................................................................................
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4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................

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5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................
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 Redução dos prazos de execução com a execução das vigas simultaneamente com a infraestrutura.  Eliminação dos cimbramentos. dentre as quais podemos destacar:  Melhor controle da execução tanto para as vigas pré-fabricadas como para as pré-moldadas no canteiro de obras. o que é especialmente vantajoso no caso de obras sobre cursos d’água. A técnica de construção de pontes em vigas pré-moldadas se difundiu rapidamente em função das diversas vantagens que apresenta. Com isso. Desta forma. é um dos métodos mais utilizados no mundo para a construção de pontes com vãos de até 40 metros. principalmente na escolha da seção transversal e no comprimento dos vãos intermediários. a utilização de vigas pré-moldadas de concreto armado para construção de pontes teve início na década de 30 do século passado. 4 . uma das etapas mais importantes na concepção do seu projeto executivo. e lajes concretadas no local.1 . em concreto armado e protendido. a construção de pontes e viadutos com tabuleiros de vigas pré-moldadas. Esses elementos pré-moldados. sendo portanto.INTRODUÇÃO Os processos de construção têm uma enorme influência em todas as etapas de projeto e construção de pontes e viadutos.  Otimização obtida na utilização das formas em função do reaproveitamento e do uso de seções padronizadas. Contudo esta técnica teve seu grande desenvolvimento a partir da década de 50 com o avanço da tecnologia da protensão e o desenvolvimento dos sistemas de transporte e montagem das estruturas (Figura 1).

de acordo com o edital de licitação.proporcionam uma considerável economia no processo construtivo. como feito no canteiro de obras da ponte Anita Garibaldi. A execução em etapas e a evolução do sistema estrutural do tabuleiro. A regra. custos de construção e manutenção. pode ser total ou parcialmente substituída por concreto moldado in loco. 5 . desde que a ponte a ser construída seja formada por muitos vãos iguais ou quando se deseja construir várias pontes iguais.815 metros de extensão. é interessante em termos econômicos construir uma fábrica de campo no canteiro de obra. tanto na direção transversal como na longitudinal. meios de transporte e vias de acesso adequados. Esta técnica apresenta vantagens em relação ao comportamento da estrutura. portanto. Para diminuir o peso da montagem. Quando se trata de grandes pontes. que possui 2.Ponte Anita Garibaldi na travessia do canal de laranjeiras ligando os municípios de Laguna-SC e Pescaria Brava-SC. transversalmente. a laje do tabuleiro. de acordo com um projeto típico e desde que se encontre à disposição dispositivos de elevação vertical. implicam na redistribuição das tensões ao longo do tempo. Figura 2 . que são unidas por juntas de concreto moldado in loco e protendidas em conjunto. as pontes com continuidade exigem mais cuidados nas fases de projeto e construção. consegue-se fabricar praticamente todos os elementos estruturais em concreto utilizados na construção da ponte. Desta forma. no município de Laguna – SC. Nos Estados Unidos e Europa há mais de 30 anos este tipo de solução vem sendo substituída pelo uso de vigas pré-moldadas com continuidade estrutural. No Brasil a prática usual é a de se utilizar vigas pré-moldadas simplesmente apoiadas formando vãos isostáticos independentes. é a subdivisão da largura da ponte em faixas longitudinais (no caso de lajes) ou em vigas principais (longarinas). além de proporcionar obras de melhor qualidade estética. em elementos pré-moldados. Por outro lado. possam vir a ser amortizados. ou que.

etc. equipamentos a serem Figura 3 . Para vãos a partir de 15 metros. altura estrutural disponível. sistema de execução da laje. Na figura 3 são apresentados algumas das seções transversais usualmente adotadas.Algumas seções usuais de vigas pré-moldadas de pontes rodoviárias utilizados para o transporte e movimentação. as seções em “I” são as mais utilizadas. e principalmente para vigas executadas no canteiro. local da execução (fábrica ou canteiro).O tipo de seção transversal adotado nas vigas pré-moldadas depende de diversos fatores: Tamanho do vão referido ao sistema estrutural adotado. 6 .

como também o estudo completo dos elementos de apoio e acabamento de todos os sistemas constituintes da ponte. apresentando as considerações que devem ser feitas no projeto de pontes com elementos pré-moldados. os processos construtivos para cada tipo construtivo. escolha da seção transversal. mostrando um modelo de cálculo para fundações em tubulões como também para estacas com blocos de coroamento.2. ALONSO (2010) traz em sua obra definições e procedimentos gerais de projeto de fundações diretas e profundas. modelos de cálculo. tipos de ligações. PFEIL (1988) apresenta na sua obra em dois volumes sobre pontes em concreto armado. ARAÚJO (2010) 7 . como também o dimensionamento dos elementos dos demais sistemas constituintes como a mesoestrutura e a infraestrutura. LEONHARDT (1979) em seu sexto volume da coleção “Construções de Concreto” trata das pontes de concreto armado e protendido. o dimensionamento de todos os elementos da superestrutura em pontes constituídas de elementos pré-moldados e moldados in loco. condições de continuidade. os tipos de sistemas que compõe a ponte.REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Nesta seção são apresentados os principais trabalhos de pesquisa relatados na literatura e que serviram de embasamento para a realização e compreensão do ensaio de cisalhamento direto desenvolvido nesta pesquisa. os conceitos genéricos e principais elementos necessários ao projeto de pontes.

3. são executadas diretamente sobre o solo portante. em geral feitas de concreto armado. circular vazada ou oca. em sua maioria. no caso de fundações profundas. podem subdivididas em três partes principais: infraestrutura. As fundações são subdivididas em duas classes distintas. a escolha do tipo de fundação basear-se-á na consideração dos seguintes fatores:  As cargas da superestrura devem ser transmitidas às camadas do subsolo capazes de suportá-las com segurança. tais como: quadrada. etc. dentro de escavações. quando o solo portante se encontra a uma profundidade que torna pouco prática a execução de escavações. via de regra. estacas préfabricadas em concreto armado ou protendido.INFRAESTRUTURA A infraestrutura das pontes é constituída pelas fundações.1. Estas estacas podem apresentar vários tipos de seções transversais. 8 . Nas fundações diretas. Em função da carga atuante nos pilares e do resultado das prospecções efetuadas no terreno. diretas e profundas. As fundações profundas mais utilizadas são: estacas. sob o ponto de vista funcional. circular.3.1. os tipos construtivos mais usados nos projetos usuais é o de concreto moldado in loco ou. A seguir detalharemos a definição e os principais constituintes de cada parte constituinte. em profundidades adequadas. Os elementos de fundação direta são de dois tipos: blocos rígidos e sapatas. cuja função é transferir pra o solo as solicitações atuantes na superestrutura.  As deformações das camadas subjacentes à fundação devem ser compatíveis com as permitidas pela superestrutura.ELEMENTOS CONSTITUINTES As pontes. mesoestrutura e superestrutura. Segundo o Manual de Projeto de Obras de Arte Especiais do DNER.1. As fundações profundas são utilizadas. hexagonal. tubulões e caixões.TIPOS CONSTRUTIVOS Nas fundações executadas em pontes de concreto. 3.  A implantação das fundações não deve causar danos às estruturas vizinhas nem comprometer a estabilidade das encostas ou dos maciços em que as mesmas se apoiem.

procurando atingir a camada de apoio considerada satisfatória. quando o nível d’água fica acima da cota de fundação.1. a cravação pode ser feita com o auxílio de jatos d’água. as estacas saem de suas posições teóricas. as escavações requerem um escoramento especial para evitar desmoronamentos. ou no caso de estacas com as pontas apoiadas em rocha. Em terrenos permeáveis. Denomina-se “nega” da estaca. Na maioria dos casos. é necessário fazer esgotamento da cava de fundação ou rebaixamento do lençol freático. Em terrenos arenosos. e no caso de estacas prensadas. se adota nos projetos um espaçamento mínimo entre eixos de estacas igual a três vezes o diâmetro equivalente da seção do fuste. Eventualmente. Este espaçamento pode ser reduzido quando as estacas vizinhas têm inclinações diferentes. as estacas pré-fabricadas são geralmente cravadas no solo. a resistência oferecida à penetração no terreno. a energia de cravação da estaca é fornecida pelo choque de um peso denominado martelo. Após a escavação do terreno.FUNDAÇÕES DIRETAS Nas fundações diretas. sendo necessário medir os desvios finais das estacas em cada bloco e verificar a estabilidade do mesmo. no caso de estacas escavadas. Nos bate-estacas. provocando o afastamento das pontas. por percussão. no final da cravação. medida pelo número de golpes necessários para a penetração de 1 cm.1.2. Durante a cravação. executa-se a estrutura dentro de escavações.2.1.PROCESSOS CONSTRUTIVOS 3. por meio de bombas de sucção ou poços de infiltração. após a cravação inicial de 15 cm).FUNDAÇÕES PROFUNDAS No caso de fundações profundas. deve ser executada uma camada de concreto de baixa resistência (concreto magro) com espessura entre 5 e 10 cm. ou em terrenos pouco permeáveis. Acima do nível d’água.2. para regularizar a superfície de assentamento da estrutura da fundação direta. com o auxílio de equipamentos denominados bate-estacas. 3. e a posterior limpeza da região. O diagrama de cravação das estacas (número de golpes correspondente à cravação de 30 cm do amostrador-padrão.2. Com relação ao espaçamento entre estacas.3. é utilizado para controle comparativo de cravação das diversas estacas. o qual podem ser de queda livre ou automotor. a escavação pode ser feita a céu aberto.1. são também utilizados perfuradores. macacos hidráulicos. com as estacas nas 9 .

ou prova de carga direta. a pressão deve ser limitada a p ≤ σadm. ou com uma variação linear. no caso de areias. em geral. e nos recalques diferenciais prováveis. para o caso de carga centrada.1.DIMENSIONAMENTO 3. Logo. conforme indicado na figura a seguir: ≤ σadm p= p= e= (carga centrada) (carga excêntrica) ≤ Assim. que fornece números que permitem fazer uma avaliação da tensão admissível no solo.FUNDAÇÕES DIRETAS As tensões admissíveis nas fundações diretas podem ser determinadas por meio de sondagens. ensaios de penetração estática.3. a área S da base da sapata será determinada por: 10 . quando a carga é centrada.posições reais. 3. na resistência à ruptura do material. As pressões admissíveis nos terrenos de fundação podem ser calculadas com a teoria da mecânica dos solos. pois assim tolera-se que a pressão máxima no bordo ultrapasse a pressão admissível. O ensaio mais usual é o SPT (Standard Penetration Test). baseando-se.3.1. quando a carga é excêntrica. as reações do terreno sob a base de uma sapata rígida podem ser consideradas uniformes. Exceto para o caso de fundação sobre rocha. A estimativa da profundidade de penetração das estacas é feita através das sondagens.1. sendo controladas durante a execução e comparadas com as previstas em projeto. no caso de argilas.

S ≥ Conhecida a área S. Com essa restrição. deve-se fixar uma relação entre os lados A e B.6lb + 5cm para permitir a ancoragem da armadura longitudinal do pilar. deve-se garantir que h > 0. pode-se adotar: A/a = B/b onde a e b são as dimensões do pilar. por exemplo. A altura ho na borda deve respeitar os limites h/3 e 20cm. B=√ Para a sapata ser considerada rígida. resulta: A=√ . a altura h deve obedecer aos limites: h ≥ e h ≥ Além disso. 11 .

a área de aço necessária segundo a direção x é: Asx= R1d(x1-0. o braço de alavanca é Z = d.fyd Onde R2d é a resultante das reações do terreno que atuam acima da seção que passa pelo eixo do pilar e é paralela á seção II e y1 é a distância de R2d até o eixo do pilar. as bielas podem convergir para a seção do topo da sapata. A tensão σd aplicada no topo da sapata é dada por: σd = Nd / a.20fcd Essa equação fornece a profundidade x da seção para onde as bielas devem convergir. O braço de alavanca é Z = d – x. ficando o cálculo semelhante ao de sapata corrida sob parede. recomenda-se colocar uma nervura central. A tensão normal nesse plano é: σd1 = Introduzindo essa última equação e fazendo σd1 ≤ 0. Se R1d é a resultante das reações do terreno que atuam à direita da seção que passa pelo eixo do pilar e é paralela à seção I e se x1 é a distância de R1d até o eixo do pilar.20fcd. resulta: σd1= σd ≤ 0.25b) / Z.25a) / Z. onde d é a altura útil da sapata junto às faces do pilar.fyd Analogamente: Asy= R2d(y1-0. sem que ocorra esmagamento. Se resultar σd ≤ 0. onde Nd é a força normal de cálculo do pilar.20fcd.Quando o lado A da sapata for superior a 2B. onde fcd é a resistência à compressão de cálculo do concreto da sapata. 12 .b . Neste caso.

1. o número de estaca necessárias para transmitir os esforços da estrutura para o solo podem ser calculados por: N = Carga no pilar / carga admissível da estaca O cálculo acima só é válido se o centro de carga coincidir com o centro do estaqueamento e se forem utilizadas estacas de mesma dimensões. o que permite traçar o diagrama carga x recalque.3. e a partir daí. visto que tanto o peso próprio do tubulão quanto o atrito lateral entre o fuste e o terreno são desprezados. 13 . a área da base será: Ab = P / σadm  D = √ e sua altura: H = 0.FUNDAÇÕES PROFUNDAS A capacidade de carga das estacas pode ser determinado. a área da base do tubulão é calculada de maneira análoga à exposta anteriormente para sapatas isoladas. por meio das provas de carga. Assim. 3. com razoável precisão.No caso comum de fundação por tubulões a céu aberto. como a norma alemã e americana. que são elementos estruturais constituídos concretando-se um poço aberto no terreno.2. estimar a tensão admissível do elemento estrutural. geralmente dotado de uma base alargada. Uma vez escolhido o tipo de estaca e de posse do valor da carga admissível e do espaçamento entre eixos. Na maioria das vezes. essa capacidade de carga é estimada em função de alguma prescrições simplificadas de normas estrangeiras.866(D – Φ) sendo Φ o diâmetro do fuste.

sendo neste caso a = e/2 e ϒ igual a 1. o valor deverá estar compreendido entre os seguintes limites: ϒ. é recomendável a utilização de armadura de pele como sendo 1/8 da armadura principal em cada face do bloco. Sua armadura não precisa ser calculada.d ≤ { Sendo V a força em cada biela.2 vez o diâmetro da estaca e. parte-se de um valor d ≥ e/2.No cálculo estrutural dos blocos de coroamento. é interessante fazer o travamento dos mesmos nas duas direções utilizando cintas ligando os blocos uns aos outros. podendo ser calculada de forma análoga a armadura de pele. principalmente quando a armadura principal têm diâmetro elevado. “a” a distância do centro da estaca ao centro da biela. Quando se trata de blocos sobre duas estacas. Nesses blocos.2. Deve ser calculado estribos horizontais e verticais como sendo: As’ = As/8 3. a seguir. a altura deve ser da ordem de 1. uma vez que a transmissão de carga é direta para estaca.61T / fyk. No caso de bloco com apenas uma estaca. sendo a armadura calculada por As = 1. parte-se de uma relação d ≥ e .V / bw. se não ocorre esmagamento da biela comprimida. Inicialmente. utilizando-se apenas uma armação construtiva. Deve-se utilizar também uma armadura construtiva na face superior do bloco. Em seguida. Pelo fato de a disposição da armadura ser em malhas. portanto. Logo: T = P(2e – b) / 8d sendo e a distância entre eixos da estaca e do pilar.96. Para tanto. o esquema de forças será igual ao do bloco sobre duas estacas e. no mínimo. No caso de blocos sobre quatro estacas.61T / fyk Inicialmente. igual ao comprimento de ancoragem da armação de espera do pilar. calculamos o Aútil. calculamos o As: As = 1. o mesmo pode ser armad segundo a periferia. verificando-se. Em seguida.MESOESTRUTURA 14 . podemos calcular a área de aço necessária calculando primeiro a força de tração na armadura pelo método de bielas e tirantes. segundo as diagonais e malhas. d a altura útil e P a carga do pilar. a força T será dada por T = .

e moldados in loco. Como esses materiais praticamente não resistem à tração. em conjunto com os esforços recebidos diretamente de outras forças solicitantes da ponte. na mesoestrutura. interligados entre si por meio de ligações resistentes a momentos fletores. aspecto mais leve. tais como pressões de vento e da água em movimento. 3. 15 . até a infraestrutura. os pilares podem ser constituídos também de elementos pré-moldados ou préfabricados. melhores possibilidade para cruzamento esconsos. podendo ter sua estabilidade garantida pelo engastamento de pilares na fundação associados à vigas articuladas. é a parte da subdivisão das pontes que constituise dos elementos estruturais responsáveis por transmitir os esforços da superestrutura. visibilidade praticamente desobstruída em baixo da ponte. por vigas horizontais. Esses elementos. sendo os primeiro geralmente indicados para estruturas de vãos pequenos como passarelas e pequenas pontes. ou pela ação de pórticos solidarizados de pilares e vigas. Para garantir a estabilidade global desse sistema. então estes pilares são geralmente muito espessos (3 a 5m) e fortes. as estruturas pré-moldadas podem atuar isoladamente ou em combinação entre si. Após o advento e o desenvolvimento do concreto armado.TIPOS CONSTRUTIVOS Antes do advento do concreto armado como material de construção. quase sempre.2. por razões hidráulicas.A mesoestrutura. Da mesma forma que a superestrutura é formada por vigas pré-moldadas ou pré-fabricadas. constituída pelos pilare. Os pilares comum apresentam.1. os pilares de pontes são quase sempre construídos com este material. no início do século passado. geralmente. os pilares eram construídos com dimensões transversais e peso próprio elevados. muitas vantagens: menor consumo de material. em relação aos pilares-parede. ligados. podem ter soluções pelo uso de pilar único (pilar-parede). Os pilares-paredes são os preferidos no caso de pontes fluviais. formando um quadro transversal. Existindo navegação fluvial. e o último mais comum e utilizado como mesoestrutura da maioria das pontes com elementos de superestrutura em vigas pré-moldadas. dois ou mais pilares. os pilares das pontes eram construídos em concreto ciclópico ou alvenaria de pedra. para terem segurança contra a colisão de navios. ou por pilares independentes. Este pilares são utilizados preferencialmente em vias elevadas e pontes em rampa. dependendo do tipo de superestrutura e da altura dos pilares. A cada linha transversal de apoio do estrado correspondem.

a qual é empurrada para cima. com altura da ordem de 1 m. consiste em uma fôrma desmontável. 3. com armadura pouco espaçadas a fim de manter as fissuras devido aos momentos de coação e de temperatura com aberturas pequenas. esses pilares conseguem ser projetados em concreto armado convencional. é o mais empregado. Estes pilares.2. Para vãos maiores. a qual é içada para nova posição após a concretagem de cada segmento do pilar. O concreto é. sendo depositado nas fôrmas e compactado por vibração. com altura da ordem de 3m. Este processo. projetistas recomendam o uso da protensão. o conjunto de fôrmas é parcialmente desmontado e levantado por meio de uma torre auxiliar. Após a desforma. 16 . sendo econômico em pilares de pequena altura. quando se trata de concreto moldado in loco. da mesma forma. elevado em uma torre auxiliar ou por meio de guindastes. em geral. são geralmente pré-fabricados. abaixo da sela de apoio. Para vãos de até 15 metros. com seção constante ou variável. Quanto ao tipo de fôrmas utilizadas. c) Fôrmas deslizantes. com andaime auxiliar. Pilares vazados.2. Pilares maciços armados. quando a ação do vento ou outros esforços horizontais.Os pilares pré-fabricados de concreto armado são geralmente moldados em formatos quadrado. devem ter uma armadura basicamente horizontal nas zonas de bordo (espaçamento das barras ≤ 150mm). retangular ou cilíndrico. Pilares altos precisam também de uma forte armadura longitudinal (vertical). Os pilares de pontes em concreto armado são construídos de baixo para cima. podem ser distinguidos três processos construtivos: a) Fôrmas convencionais. produzirem tração. até cerca de 10m. no estado-limite de ruptura. podendo haver também opções de formatos personalizados. b) Fôrmas saltantes. de altura pouco inferior à altura das fôrmas. devem ser armados predominantemente da horizontal. consiste em uma fôrma desmontável de painéis metálicos ou de madeirit. principalmente se tiverem um revestimento de alvenaria de pedra natural. indicados para pilares de grande altura. de painéis metálicos ou de madeira. em concretagens sucessivas ou contínuas.PROCESSO CONSTRUTIVO Pilares espessos podem ser de concreto simples – com exceção da sela do apoio – com concreto pobre em argamassa. se torna econômico para pilares com altura média de 10 a 30m.

mostraremos de forma detalhada. recebem e permitem a distribuição das cargas dos veículos e contribuem para o aumento da resistência à flexão das vigas.3. no desenvolvimento do projeto final do curso. normalmente. como foge um pouco do escopo deste trabalho. Com isso. p. são dispostas longitudinalmente. como citado anteriormente envolve muitas variáveis de carga. que forçam o deslizamento. por meio de macacos hidráulicos. o gabarito que delimita a altura da construção. sendo um processor bastante trabalhoso de ser detalhado de forma analítica. d) altura livre: é a distância medida verticalmente do ponto mais baixo da superestrutura à superfície que se encontra sob a ponte ou o viaduto. são realizadas por: a) lajes: formam a pista de rolamento. c) transversinas de apoio e de meio de vão: dão rigidez à ponte e. 17 . O processo de cálculo dos esforços nos pilares de uma ponte. a reação máxima de carga móvel é combinada com o maior valor da força longitudinal no estrado e com a ação de vento sobre a ponte carregada. combinam-se os valores máximos e mínimos das reações da superestrutura com os valores dos esforços horizontais compatíveis. Assim. suportam a estrutura e transmitem as cargas dos vãos aos pilares. quando engastadas na pista conduzem parte da carga móvel às vigas.SUPERESTRUTURA A superestrutura recebe diretamente as cargas da pista e as transmite à mesoestrutura. da fôrma na superfície do concreto recém colocado e vibrado. 4. segundo Mason (1977.2. 3. As suas principais funções estáticas. b) longarinas: mais conhecidas como vigas. produzidos por todos os agentes intrínsecos e extrínsecos à estrutura. 13).continuamente. e) gabarito: é a altura livre a ser deixada abaixo da ponte ou viaduto e.DIMENSIONAMENTO Os pilares estão sujeitos a esforços verticais e horizontais. Em uma ponte essa medida é feita com base na cota de cheia máxima do rio e num viaduto essa medida é feita da obra de arte até a faixa de tráfego. Para o dimensionamento.

sendo chamadas de transversinas de apoio (TA). a fim de possibilitar a execução da laje de tabuleiro com espessura em torno de 20cm a 25cm. da ordem de 200cm a 300cm. Normalmente as longarinas têm espaçamento transversal pequeno. com uso de pré-lajes de concreto armado. custos de 18 . Nos Estados Unidos e Europa há mais de 30 anos este tipo de solução vem sendo substituída pelo uso de vigas pré-moldadas com continuidade estrutural.Figura 1 – definições geométricas Pontes e viadutos rodoviários com superestrutura composta por longarinas pré-fabricadas em concreto protendido são provavelmente o sistema mais utilizado atualmente como solução para projetos de obras de arte especial com vãos entre 20m e 60m. Esta técnica apresenta vantagens em relação ao comportamento da estrutura. A laje é um elemento importante na distribuição transversal da carga móvel e para realizar essa função pode ser auxiliada por vigas transversais que recebem a denominação de transversinas e que podem ocorrer nos apoios. e ao longo do vão. como mostrado na figura 2 . Figura 2 – Seção transversal típica de ponte rodoviária em vigas pré-moldadas No Brasil a prática usual é a de se utilizar vigas pré-moldadas simplesmente apoiadas formando vãos isostáticos independentes. sendo chamadas de transversinas intermediárias (TI). Neste tipo de concepção são colocadas juntas sobre os apoios ou utilizadas lajes de continuidade.

tanto na direção transversal como na longitudinal. 4. Há grande facilidade administrativa de pessoal pela repetitividade das operações e concentração das atividades em um único local. comparado às construções convencionais com cimbramento. proporcionando continuidade da estrutura através de armadura passiva ou ativa de várias maneiras. sobre argamassa. As peças pré-moldadas são montadas a seco. O aprimorado controle tecnológico amplia cada vez mais a durabilidade das obras. ou fixas através de pinos ou outro dispositivo. Além disso. pois introduz a industrialização. A execução em etapas e a evolução do sistema estrutural do tabuleiro. pequena mobilização de equipamentos além do transporte de material ao longo da obra ser praticamente nulo. dependendo da situação local. as pontes com continuidade exigem mais cuidados nas fases de projeto e construção. Por outro lado. pela definição clássica. 19 . além de proporcionar obras de melhor qualidade estética. A construção em pré-moldado é tradicionalmente feita através de elementos ligados por articulações fixas ou móveis. observa-se uma maior durabilidade e melhor acabamento da estrutura decorrente da utilização de pré-moldados. ou compor a seção parcialmente por pré-moldagem e os encontros moldados in loco(MASON. implicam na redistribuição das tensões ao longo do tempo. assim como a redução de resíduos gerados no canteiro. O método de construção em pré-moldados pode ser econômico desde que se tenham muitas pontes iguais ou com vãos parecidos. Outra alternativa é a solidarização. ou seja. livres para se movimentar. Esse método construtivo vem sendo cada vez mais utilizado. fôrmas e concretagem “in loco”.1- O PRÉ-MOLDADO Conforme Diniz (2006). o concreto pré-moldado é o elemento concretado fora do seu lugar de uso na estrutura final. O método de construção em pré-moldados tende a apresentar um aumento de qualidade em comparação ao moldado in loco.construção e manutenção. através de encaixes entre os elementos. 1977). Na construção com pré-moldados. sobre almofadas de elastômeros. pode-se ter toda a obra com pré-moldagem. automatização e diminuição do tempo de construção. as peças pré-moldadas são montadas na condição de articulação e posteriormente são ligadas entre si com o elemento de suporte através de concretagem no local.

a redução de fôrmas e escoramentos. são a combinação de componentes pré-fabricados de concreto armado ou protendido com aço ou com concreto moldado “in loco”. Geralmente. •Perfeito acabamento obtido pelo uso de fôrmas metálicas ou de concreto. cronograma apertado. pesquisas mostram que praticamente 50% das construções atualmente são mistas. •Rapidez de execução. Hoje em dia. a otimização de utilização dos equipamentos. As principais vantagens do uso das vigas pré-fabricadas/prémoldada são: •Rígido controle de qualidade das peças. as vigas pré-fabricadas são produzidas em uma fábrica. exigindo a execução simultânea de superestrutura e mesoestrutura. 20 . onde o canteiro de fabricação possui instalações fixas e permanentes. As vigas préfabricadas diferem das vigas pré-moldadas principalmente quanto ao canteiro de fabricação. 4. usam-se sistemas que combinam o pré-moldado com o concreto moldado no local. caixa de rio muito profunda e rios sem regimes definidos.3- PONTES EM VIGAS PRÉ-MOLDADAS Segundo Almeida (2000).2- CONSTRUÇÕES MISTAS DE CONCRETO PRÉ-FABRICADO OU PRÉMOLDADO Segundo Franco (2006). além de oferecer significativas oportunidades no mercado da construção civil. Enquanto as vigas pré-moldadas são executadas em canteiros temporários e específicos para uma obra. As fundações são geralmente constituídas por estacas pré-moldadas ou pré-fabricadas. justificando a instalação de um canteiro de fabricação. grande comprimento. •Uso de mão-de-obra especializada. o que resulta em grande quantidade de vigas. e a superestrutura é montada com elementos pré-moldados. 4. •Redução da área do canteiro de obras. Os blocos e os pilares são concretados no local. este sistema construtivo tem sua aplicação muito vantajosa quando ocorrem os seguintes fatores (isolados ou simultâneos): elevada altura de escoramento.

sendo bastante usual a adoção de duas etapas de protensão: a primeira pouco após a concretagem. e. e a outra após o término da construção da laje. faz-se necessária a análise da protensão de acordo com cada fase de carregamento. •Estoque de vigas. •Laboratório para controle tecnológico do concreto. •Estoque de peças planas •Almoxarifado e Oficinas. atuando como elemento estrutural. que é feita com o revestimento do cabo com tubos de plástico. para que não ocorra o excesso de compressão nas regiões próximas aos apoios. além de servirem de escoramento. permitindo a livre deformação do cabo quando liberado. faz-se a concretagem da laje. Normalmente as vigas são de concreto protendido. Nestes sistemas.MÉTODO CONSTRUTIVO DE PONTES EM VIGAS PRÉ-MOLDADAS Seu sistema executivo se constitui da integração dos processos de fabricação e de montagem. •Central de armação.3. sendo seu escoramento modernamente efetuado com o auxílio das pré-lajes(figura 3) que. apenas para que a viga suporte o peso próprio e os esforços decorrentes do lançamento da viga. costuma-se eliminar a aderência do concreto com o cabo nestas áreas. Após o lançamento das vigas. Quando as vigas são executadas com concreto protendido. o que dispensa as operações de protensão no canteiro e injeção das bainhas. •Pistas para fabricação e protensão de vigas. as vigas são executadas em baias e posicionadas com o auxílio de treliças de lançamento ou guindastes. •Pistas para produção de peças planas. ainda na baia. O traçado do cabo é retilíneo. 21 .•Uso de protensão aderente.1. para a fabricação dessas vigas é necessário que o local destinado para moldagem ou usina de fabricação tenha a seguinte configuração: •Central de concreto •Central dosadora de concreto e estoque de agregados. 4. em fôrmas de concreto. •Estoque de cordoalhas. observando a mudança de característica da seção transversal ao longo da construção. também podem conter as armaduras positivas da laje.

•Concretagem. Este comprimento é limitado para que os efeitos de temperatura no tabuleiro da ponte não sejam excessivos (ALMEIDA.2. aditivos). •Conferência das formas e armaduras. •Montagem das formas. além do desconforto para o usuário. cimento. •Programação de fabricação. Modernamente utilizam-se as lajes de continuidade ou lajes elásticas que dispensam o uso de juntas de dilatação em obras de até 150m de comprimento. areia. •Previsão de insumos (aço. que representam uma descontinuidade no tabuleiro da obra e criam um local de futuros problemas e patologias. 22 . 4. pedra. •Corte e dobra de armação.PROCESSO DE MOLDAGEM •Recebimento e análise dos projetos.3. •Dosagem do concreto. 1994).Figura 3 – pré-laje Este sistema apresenta a desvantagem de precisar de juntas de dilatação.

•Lançamento e Montagem na obra. as armaduras de protensão (cordoalhas de aço especial) são distribuídas ao longo do comprimento da pista de fabricação e fixadas por cunhas em ancoragens situadas nos extremos da pista (Figura 7). A primeira atividade a ser realizada é a preparação da armação. 23 . São também utilizados desmoldantes entre a fôrma de concreto e o concreto para evitar que as superfícies se colem e facilitar a desfôrma. que se constitui do corte e dobra de toda a ferragem utilizada no projeto.•Desfôrma. é liberada a realização do controle tecnológico. e simultaneamente. Figura 4 – armadura de protensão Antes da concretagem. •Estoque. •Liberação do controle tecnológico. Para garantir um acabamento externo das peças de qualidade utiliza-se formas de concreto. •Protensão. A concretagem é realizada com o caminhão betoneira movimentando-se ao longo da pista conforme Figura 8.

fixadas por cunhas em ancoragens situadas nos extremos da pista.Figura 5 – Concretagem As armaduras de protensão. onde ficarão até serem retiradas e transportadas para a obra. são tracionadas com auxílio de macacos hidráulicos até que seja atingida a força de tração estipulada no projeto. 24 . as cunhas nos extremos da pista são retiradas transmitindo-se por aderência os esforços de protensão para a peça estrutural. Figura 6 – Estocagem 4. As peças concretadas liberadas para utilização são movimentadas para o estoque (Figura 6).3. bem como a colocação das mesmas sobre o caminhão que as transportará para o local da obra. Em seguida.TRANSPORTE A movimentação das peças para o estoque. é feita com a utilização das pontes rolantes.3.

pois normalmente não exige estruturas auxiliares e os operários e equipamentos trabalham em terra firme. este tipo de montagem deve ser analisado. Esta montagem é feita por meio de guindastes localizados no solo.4. Este processo é possível para vãos de até 45 metros e vigas com até 120 toneladas. A montagem pode se fazer transportando as peças e um equipamento de içamento sobre uma balsa chata ou com auxilio de treliças lançadeiras. próxima da posição a ser ocupada pelas vigas da estrutura. passarelas e aos trechos secos das cabeceiras das pontes.3.Montagem de viga pré-moldada por meio de guindaste pelo solo 4. 25 .4.3. É o processo mais simples. Figura 7 .MONTAGEM SOBRE ÁGUA Sempre que a estrutura estiver sobre um curso d’água. ou seja. Este equipamento auto-motor serve para o lançamento de vigas pré-moldadas até sua posição definitiva sobre os pilares. na posição mais favorável possível.5. em sua projeção (Figura 7).MONTAGEM PELO SOLO Esta técnica de montagem se aplica aos viadutos. Em casos de trechos curvos e rampas máximas de até 5% este processo também é possível de ser executado.

Montagem de viga pré-moldada por meio de treliça lançadeira Figura 7a – Posicionamento de viga pré-moldada sobre apoio definitivo 26 .Figura 7 .

3.4. Contudo as juntas no tabuleiro representam um problema para os órgãos proprietários das pontes em função dos elevados custos de manutenção.6. O dimensionamento destas estruturas é relativamente mais simples uma vez que as deformações impostas têm menor influência sobre o seu comportamento.3.6. Do ponto de vista da construção também é uma solução simples e rápida. além de causarem desconforto para o tráfego (Figura 9). O mau funcionamento das juntas frequentemente provoca infiltrações que são uma das maiores causas de deterioração das pontes rodoviárias (Pritchard 1994).1- TABULEIRO DE VÃO ISOLADOS As pontes em vigas pré-moldadas foram inicialmente projetadas e construídas com vãos isostáticos separados por juntas localizadas sobre os apoios. 27 .SOLIDARIZAÇÃO ESTRUTURAL Figura 8 – vigas pré-moldadas bi apoiada 4.

costumam ter vida útil menor.  Juntas denteadas: também conhecidas como finger joints. com perfis metálicos com reentrâncias para alojar as extremidades da fita elastomérica. coberta com material asfáltico com espessura igual à da pavimentação. que protegem os cantos das juntas.2- CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE JUNTAS Nos tabuleiros com lajes sem continuidade. fixado e calçado em cantoneiras de aço. compondo um sistema para grandes movimentações e aberturas. com dentes justapostos de encaixe macho e fêmea.atualmente em desuso.Figura 9 – Junta aberta 4. Essas juntas têm uma placa de aço ou alumínio diretamente apoiada em dois trechos contíguos da superestrutura.6.  Juntas de compressão: empregam um bloco contínuo e alveolar de neoprene. As cantoneiras de aço podem ser substituídas por blocos contínuos de concreto polimérico. da ordem de 1 cm. As fitas podem. Estes são alguns dos mais difundidos:  Juntas de asfalto . Juntas fechadas: Há vários tipos de juntas de dilatação fechadas. ser instaladas em conjunto. Como permitem a livre passagem de águas e detritos e sofrem o impacto direto das rodas dos veículos. podemos classificar os seguinte tipos de juntas: Juntas abertas: Podem ter suas faces verticais em concreto armado sem proteção ou protegidas por cantoneiras metálicas.  Juntas com fitas elastoméricas (neoprene): feitas com dois blocos de concreto de alta resistência. são usadas somente para movimentações pequenas. são constituídas por duas chapas de aço. ancoradas à estrutura da 28 . ainda.3. fixados nas extremidades da superestrutura.

podendo ter algumas juntas no caso de pontes muito extensas. o sistema deve empregar uma calha na abertura para recolher as águas pluviais e as escoar adequadamente.7. Normalmente.3. as chapas são fornecidas em módulos de cerca de 1 m de largura. 4.obra de arte. Para funcionar devidamente como junta fechada. Desta forma a laje fica contínua em toda extensão da obra. Tabuleiros de vãos isolados com lajes de continuidade Uma solução utilizada para se evitar o uso das juntas é a construção de vãos simplesmente apoiados unidos por uma laje de continuidade. 29 .

Figura 11. A laje de continuidade é dimensionada para a carga direta das rodas e para os momentos que surgem nela devido à rotação das vigas nos apoios em função dos carregamentos nos vãos e das deformações impostas. Para minimizar estes momentos a laje tem sua espessura reduzida e separada das vigas até uma determinada distância das suas extremidades.Figura 10 – seção transversal de laje com e sem continuidade O dimensionamento dos vãos é feito de maneira independente uma vez que os momentos fletores que ocorrem nos apoios são insignificantes para as vigas devido à pequena rigidez da laje em relação a estas. Figura11-detalhe típico de laje de continuidade ligando vãos isolados 30 .

Nos casos onde é prevista uma segunda etapa de protensão para as vigas. A protensão total nem sempre é possível em função das elevadas tensões de compressão que ocorrem nas vigas sem carregamento. ou apenas ter função de formas para suportar o concreto fresco da laje. As pré-lajes podem funcionar como parte da seção resistente da laje. Nos últimos anos muitos projetistas têm deixado de adotar transversinas internas nos vãos porque a sua contribuição para a rigidez transversal do tabuleiro é pequena e a sua execução apresenta dificuldades construtivas. guindastes. 31 .3. podendo se tornar um ponto de infiltração na estrutura. 4. Em seguida é feita a concretagem da laje constituindo-se dessa forma uma estrutura composta. O mesmo autor também entende que o uso de duas linhas de aparelhos de apoio dificulta o içamento da superestrutura para eventuais trocas. A ligação transversal entre as vigas pré-moldadas (longarinas) é feita por intermédio da laje e de transversinas. Para Menn (1990) a laje de continuidade está sujeita à fissuração. incorporando a armadura transversal inferior.Uma parte dos projetistas e autores entende que esta é a melhor alternativa em função da sua simplicidade e do seu baixo custo. Nesta etapa as vigas poderão estar com protensão total ou parcial dependendo da concepção adotada no projeto. etc. Para dispensar o uso de formas são utilizadas lajes pré-moldadas de pequena espessura (pré-lajes) apoiadas nas mesas das vigas. esta é realizada quando o concreto da laje atinge resistência adequada.).3- PROCESSO CONSTRUTIVO DAS LAJES COM CONTINUIDADE O processo construtivo usual consiste na colocação das vigas pré-moldadas protendidas sobre os apoios por um dos vários processos disponíveis (treliças de lançamento.6. mas outros entendem que estes fatores não justificam a não utilização da continuidade.

4- TABULEIROS COM CONTINUIDADE NAS VIGAS Nos Estados Unidos desde a década de 60 as pontes em vigas pré-moldadas protendidas são construídas com continuidade estrutural entre os vãos.Figura12-detalhe da protensão 4. Desde então diversos sistema de conexão têm sido utilizados: protensão e armaduras passivas.6.3. Figura 13 – Kingsport Bridge. Tennessee 32 .

(2003) vinte anos após a inauguração da obra foi constatado que o estado geral da obra era muito bom. como veremos a adiante. Os autores consideraram as fissuras no fundo das vigas na região dos apoios (Figura 14) e as fissuras entre as vigas e as transversinas sem maior importância estrutural. possui 29 vãos e um comprimento total de 820 metros sem juntas (Figura 14). inaugurada em 1981.A ponte mais extensa construída com este sistema é Kingsport Bridge no estado americano do Tennessee. Estas fissuras são causadas pelo momento positivo devido à restrição das deformações diferidas. Figura 14 – Kingsport Bridge. Tennessee. Segundo os autores o único problema grave detectado foi motivado por infiltrações nas juntas dos encontros. EUA: seções e esquema da conexão 33 . EUA: detalhe de fissura na região da conexão momento positivo e vista geral Em um levantamento realizado por Burdette et al. Nas extremidades foram previstas juntas entre a superestrutura e os encontros. A ponte é dupla. Tennessee. Figura 15 – Kingsport Bridge.

Da mesma forma que ocorre nas pontes com juntas. Isto é particularmente vantajoso no caso de ocorrerem cargas excepcionais e de obras situadas em regiões sujeitas a ações sísmicas. a sequência de execução e as mudanças que ocorrem com o sistema estrutural devem ser levadas em conta na avaliação dos esforços e dimensionamento.Os tabuleiros com continuidade nas vigas apresentam vantagens em relação aos construídos com vãos isolados:  A eliminação das juntas representa uma substancial economia nos serviços de manutenção e restauração ao longo de todo o período de vida útil da obra. os vãos entre topos de vigas são eliminados e as travessas sobre os pilares podem ser evitadas. quando computada a fluência devida à protensão e retração diferencial.  As pontes em vigas pré-moldadas com continuidade apresentam uma melhor estética do que aquelas construídas com vãos isolados. As pontes com vigas pré-moldadas com continuidade também são relativamente mais complexas na etapa de projeto quando comparadas às pontes com vãos isolados. Por outro lado o processo construtivo requer mais cuidados na sua execução. caso sejam utilizados apoios provisórios para suportar as vigas durante a execução das transversinas.  A continuidade estrutural aumenta a capacidade de redistribuição de esforços no estado limite último.  Apresentam pista de rolamento mais uniforme evitando o desconforto para o tráfego causado pela juntas estruturais. sejam quase os mesmos daqueles calculados para a hipótese de vãos isolados.  Embora os esforços totais finais atuantes nas vigas. Também o tempo de execução pode ser um pouco mais demorado do que no sistema de vãos isolados. Como são estruturas construídas em estágios. Apresentam maior esbelteza.  A simplificação dos pilares com a possibilidade de eliminação da travessa de apoio das vigas também pode contribuir para a redução dos consumos. principalmente se for utilizada protensão no dispositivo de continuidade. é possível se conseguir uma redução no consumo dos materiais desde que o projeto seja bem concebido. a seção transversal também sofre alterações pois 34 . Esta vantagem é maior nos países de clima frio onde o uso de sal para descongelamento dos pavimentos agrava este problema.

Por sua vez a continuidade das vigas restringe as rotações devido à fluência (protensão e peso próprio) e à retração diferencial entre a laje e as vigas que ocorreriam nas suas extremidades caso estas estivessem simplesmente apoiadas. 35 .b). No entanto. a armadura positiva é importante para limitar a abertura de fissuras pelos momentos positivos que ocorrem na seção do apoio devido à fluência da protensão. 4.inicialmente têm-se vigas isoladas e depois um tabuleiro formado por vigas.6.3. Realmente o momento no meio do vão é pouco alterado pela continuidade uma vez que o momento devido às restrições nos apoios praticamente anula o ganho obtido pela continuidade (Figura 15b). também é necessária para se garantir uma armação mínima de tração ancorada na região dos apoios e para a resistência ao cortante na seção da junta de concretagem entre a viga pré-moldada e a transversina. Além disso. ao longo do tempo.5- CONTINUIDADE COM ARMADURAS PASSIVAS O sistema de continuidade para vigas pré-moldadas com utilização de armaduras passivas é método mais popular entre os projetistas. principalmente nos Estados Unidos. ocorrendo evolução de tensões nos elementos estruturais. Assim. desenvolvem-se momentos fletores positivos devidos à protensão e negativos devidos ao peso próprio (fluência) e à retração diferencial entre a laje e as vigas (Figura 15. laje e transversinas. variações diferenciais de temperatura e às cargas móveis em vãos distantes.

A armação para o momento positivo na região da ligação usualmente é feita por intermédio de armaduras passivas. Esta técnica. Figura 16 – Continuidade com armadura passiva 4. a primeira etapa de protensão deve ser suficiente para suportar o peso próprio da viga e da laje com as transversinas. Neste tipo de ligação. tem como vantagem o fato de permitir um efeito de protensão sobre todo o conjunto da estrutura.O processo também é o de mais simples execução e o de menor custo. Para pontes com muitos vãos. além possibilitar o controle de tensões sobre apoios.6. os cabos de continuidade são protendidos por trechos (geralmente a cada dois vãos) e 36 . para minimizar as perdas por atrito.6- CONTINUIDADE COM PÓS-TENSÃO A continuidade das vigas pré-moldadas pode ser efetivada através da utilização de póstensão.3. A pós-tensão de continuidade pode se dar através de cabos dispostos ao longo de toda a extensão da ponte ou apenas nos trechos sobre os apoios. como nos demais sistemas. No caso da pós-tensão se dar ao longo de toda a obra os cabos de continuidade são enfiados nas bainhas deixadas previamente nas vigas e são protendidos após a concretagem da laje e transversinas. Neste tipo de conexão a armadura positiva e a armadura da alma são deixadas com um prolongamento para fora do topo das vigas (Figura 16).

Figura 18 – Continuidade com pós-tensão ao longo de toda a extensão da ponte: (a) esquema longitudinal da armação principal da viga. Na Figura 18 é apresentado um esquema deste tipo de ligação. (b) detalhe da extremidade da viga (Menn.unidos com acopladores (ancoragens de continuidade). 1990) 37 .

o aumento da segurança estrutural e a redução dos custos de manutenção da estrutura ao de toda a sua vida útil. apresentam como principais vantagens. Muito embora os tabuleiros com descontinuidade podem ser uma solução adequada e rápida para alguns casos. 38 . devido sua simplificação que é adequada a climas quentes. CONCLUSÃO As pontes construídas com a utilização de vigas pré-moldadas de concreto armado ou protendido com continuidade estrutural.5.

2009. MASON. Jayme. 2. Pontes em estruturas segmentadas pré-moldadas protendidas: análise e contribuições ao gerenciamento do processo construtivo. 1. 1 . ARAÚJO. Rio de Janeiro.Curso de Engenharia Civl. 39 . Cap. Anais do 51º Congresso Brasileiro do Concreto. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS PINHO. 112 f. Mauricio Fernando. 2009. 2006..A. – Rio de Janeiro: LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora S. Dissertação (Mestrado) .19. p. Anna. GOMES. PFEIL. LEONHARDT.Curso de Engenharia Civl. ROSENBLUM. ed. “Pontes em Concreto Armado” – 4a. Rio de Janeiro: Abece. Walter. 6. Rio de Janeiro: Editora Interciência LTDA. Rio de Janeiro:Livros Técnicos e Científicos. Paulo de Araújo. 1988.ed. Ézio da Rocha. 2006. 199 f. 1979. Pontes em Concreto Armado e Protendido. In: 51 CBC. São Paulo. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. ed. 1. 320 p. Sistemas construtivos de pontes e viadutos com ênfase em lançamento de vigas com treliças lançadeiras. TCC (Graduação) . Rio de Janeiro. Universidade Anhembi Morumbi. Izaq da Silva. Construções de concreto. 2011. 2009. 1977..6. Fritz. Vol. 51. REGIS. Tabuleiros de pontes em vigas prémoldadas protendidas com continuidade – Aspectos de projeto e construção.