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o TESTE DE KOCH E SEU ElUPRÊGO NA ORIENTAÇAO EDUCACIONAL E PROFISSIONAL

LIETTE

VALENTE

FRANCHI

1

-

Considerações gerais

2

-

O teste de Koch -

Histórico

3

-

Técnica e interpretação -

Uso no ISOP

4

- Estudo dos resultados obtidos num grupo de orientandos (crianças, adolescentes e adultos) e levantamento dos dados semiotécnicos característicos.

5

-

Análise dos resultados e formulação de conclusões

6 -

Bibliografia

o TESTE DE KOCH -

DER BAUM TEST -

E SEU EMPR!:GO

NA ORIENTAÇAO EDUCACIONAL E PROFISSIONAL

CONSIDERAÇÕES GERAIS

O Teste da Árvore tem se revelado entre nós um meio eficiente e

de grande auxílio no diagnóstico

cacional, seja na orientação profissional, seja no levantamento de traços

patológicos.

O grande interêsse que desperta no Brasil, atualmente, justifica

a exposição - embora sucinta - dos resultados colhidos em nossos oito anos de trabalho nesse campo. Apresentamos, assim, o estudo de casos de crianças trazidas ao ISOP devido a problemas educacionais e o estudo de adolescentes t> adultos que nos procuram buscando uma orientação profissional, aos quais o Teste da Árvore foi aplicado, auxiliando o diagnóstico ou servin-

do

dos casos

foi o seguinte: Entre centenas de indivíduos de cada grupo,

retiramos processos que fôssem, em cada setor, bastante representativos,

para exemplos orientandos que apresentassem

daí têrmos escolhido

para uma exploração inicial. O nosso critério para a apresentação

da personalidade, seja no campo edu-

certas düiculdades. Parece-nos que no campo profissional nenhum trabalho foi, até hoje, publicado no Brasil, no que se refere ao Teste da Árvore e são de

nosso conhecimento, apenas,

os estudos de Psicologia düerencial feitos

através desta prova, na França, os estudos e modificações feitos no teste

por Renée Stora, os estudos feitos em doentes mentais através do tema da Arvore, no Brasil, e o estudo da validação do Teste, feito em Lisboa, com resultados positivos. :!ste nosso trabalho não tem outra pretensão senão informar e

esclarecer sôbre o emprêgo do teste de Koch.

Entretanto não podemos

fugir a

apontar certas conclusões que a observação, durante todos êstes

anos, de milhares de casos, nos permitiu, possibilitando, no diagnóstico da personalidade, a inclusão de novos dados. :mstes aspectos - que são

objeto de pesquisa nossa - estarão entre aspas sempre que aparecerem na análise de um teste da Árvore.

BREVE HISTÓRICO DO TESTE

O teste de Koch há longos anos em uso nos estabelecimentos de

psicologia da Europa, principalmente França e Alemanha, sàmente

há pouco começou a ser empregado no Brasil. Coube ao Instituto de Seleção e Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas a prima- zia quanto ao emprêgo sistemático e análise metódica dêste teste.

teste da Arvore ê, segundo o próprio autor, um teste projetivo.

Karl Koch usou-o após longos anos de estudos e observações - partindo

O

142 ARQUIVOS

BRASILEIROS DE

PSICOTÉCNICA

de trabalhos de Emil Jucker - como êle mesmo declara: "Eu trabalhei

sôbre sua idéia e cheguei à produção do presente método para o teste

da Arvore." A elaboração do método só foi possível à base do estudo cientí-

fico das formas de expressão e especialmente à base da grafologia.

A

organização do teste foi proporcionada pela

prática que Karl Koch

possuia no campo dos testes de aptidões profissionais. Antes de vir a público, o teste da Arvore foi experimentado com

êxito em vários setores. Assim, êle pode ser usado agora por

res educacionais e vocacionais, Educadores, Psicotécnicos e Psiquiatras.

Como auxílio nos testes de aptidões e na orientação educacional êle provou ser um dos mais eficientes. No campo da 1?sicologia industrial, onde por várias razões não é possível muitas vezes a aplicação da grafolo~'ia nem de testes projetivos, dadas as dificuldades inerentes à

aplicaçao e ao material, o teste de Koch foi introduzido com êxito. O fato dêle ser um documento permanente, cujos resultados podem ser compro- vados a qualquer momento, torna-o de indiscutível valor no exame de processos de evolução e cura. O teste é, em geral, bem aceito mesmo por doentes mentais, que

resistem a

Nos testes de escolares (ou pessoas) em que interfere a aprendi- zagem de desenho é possível remover essa interferência mandando dese-

nhar árvores diferentes, e mesmo que tais precauções não fôssem toma- das permaneceriam as diferenças individuais quanto ao rendimento.

ainda deixa algumas questões em aberto, pois

"a riqueza de modos de viver a vida é grande demais para ser apreen-

dida num único método", como tão bem afirma o próprio Koch.

TÉCNICA DE APLICAÇÃO E INTERPRETAÇÃO

O teste possui uma grande vantagem sôbre outros no que se refere à técnica de aplicaçao - muito fácil, não exigindo material especial, apenas lápis e papel - pode ser aplicado individual ou coletivamente.

A aplicação: De acôrdo com o original, apresenta-se ao paciente

uma fôlha de papel oficio branca, sem pauta, e um lápis prêto n. O 2, dando-se a seguinte ordem: "Desenhe aí uma árvore frutífera." Em França, Renée Stora modifica esta ordem para: "desenhe

aí uma árvore" e após o indivíduo haver terminado o desenho, recolhe

a prova e apresenta nova fôlha em branco, ordenando: "desenhe aí outra árvore".

Desde o início, esta é a técnica adotada no ISOP. Posteriormente, observando a tendência a desenhar palmeiras (pelo menos entre os habi- tantes do Distrito Federal) - o que se devia não só à freqüência com

nesta região, como à lei do menor esfôrço,

porquanto a palmeira é fácil de desenhar - resolvemos acrescentar,

"desenhe aí uma árvore

qualquer, exceto palmeira ou coqueiro". Tomamos também o tempo de

Orientado-

outras técnicas de diagnóstico.

Contudo, o teste

que são vistas tais árvores

apenas, a seguinte alteração às instruções:

duração de cada desenho.

A interpretação: Para tal valemo-nos dos métodos de Koch, empre.

gando, além disso, as ampliações introduzidas por Renée Stora no seu

trabalho "Le test de Koch modifié".

--

-

--

-_

o

TESTE

DE

------

-------~

KOCH

E

SEU

--

~

E'\IPRÊGO

-----------~

143

-

ESTUDO DOS RESULTADOS OBTIDOS EM UM GRUPO DE ORIENTANDOS

Examinemos, a seguir, os resultados obtidos no exame da perso- nalidade, através da aplicação e da análise do teste da Árvore. Para isso, o desenvolvimento dêste trabalho obedecerá ao seguinte plano:

Divisão dos orientandos por grupos: I) Crianças: lI) Adolescentes; lU) Adultos.

2 -

_ Apresentação simples de casos, com os resultados. do Teste da A!V_O- re e, além dêles, os de outras provas de personalldade que serVlrao

3 -

de Koch na Orientação Profissional e apresenta-

para confronto. Parte final, em que são feitos comentários e apreciações sôbre o

1 -

emprêgo do Teste

das algumas de nossas observações nesse setor.

1 grupo -

Crianças

A) Trata-se de uma criança do sexo masculino, de 12 anos, trazi-

do ao ISOP pelos pais. O menino não obedece à genitora e tem problemas na escola em suas relações com os colegas, que, segundo êle, querem bater-lhe. Aos pais, que querem interná-lo, afirma que se suicidará se

isso se der. (Dados retirados

Técnico

tados obtidos foram: Personalidade imatura com relação à idade, agres- siva, com predomínio instintivo. Sinais de angústia, confusão de senti- mentos, insegurança, mêdo da realidade e fraco contrôle. O conflito atual

ainda mais o perturba.

Quanto ao nível intelectual, por êste teste, se mostra deficiente. Em conclusão: Trata-se de criança cujos problemas intrapsíquicos e com o ambiente são naturalmente agravados pela fraca estrutura da personalidade. Damos a seguir, os resultados de outras provas - os quais confir- mam os traços obtidos pelo teste da Árvore:

da Seção de Crianças foi aplicado o teste da Árvore e os resul-

da Entrevista Social). Solicitado pelo

P. M. K.: Personalidade em situação conflitiva, com traços de desajustamento. Revela forte depressão e contra-impulsos, que indicam intensa düiculdade de ajustamento ao meio. Revela nível ideomotor normal para sofrível.

de inte-

ligência -

igual a 4 anos e 4 meses. Relação entre as duas idades = 0,65.

B) Um outro caso por nós examinado é o de um menino de 10

anos. O resultado do teste de Koch pode ser assim resumido: Criança

com fortes dificuldades intrapsíquicas,

de

mentos inadequados do espaço). "Distúrbios de conduta." Agressividade reprimida.

(o desenho não corresponde ao de uma

criança de 10 anos, mas sim ao de uma de 6-7). Parece haver problema na esfera sexual (simbolismo), vida instin-

tiva mal controlada (ver raízes da árvore l,a e 3. a ). Sinais degenerativos

Teste de Kohs: Resultado deficiente na presente prova -

acusando entre as idades mental e cronológica uma diferença

disritmica, "incoerente" (falta

harmonia do desenho, traços inesperados e intempestivos, preenchi-

Nível

mental deficiente

(galhos desproporcionados)

(ver figo 1).

144 ARQUIVOS BRASILEIROS DE PSICOTÉCNICA

144 ARQUIVOS BRASILEIROS DE PSICOTÉCNICA I I t = " , , , 1

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Se buscarmos - para comparação - dados de outras provas do seu processo, encontraremos:

Entrevista Social (síntese): Criança nervosa, com crises, tics,

convulsões. Deficit

esquerdos. É excitado e quando contrariado, contrai o músculo da face

esquerda. Babava muito até os 6 anos.

sexual;

regiões sexuais. Gosta de ver os animais em prática sexual e, assim,

ainda se excita mais.

procura esfregar-se nos irmãos e está sempre manipulando as

ainda a notar que o orientando vive em constante excitação

quanto à coordenação motora do braço e perna

Fortes dificuldades de memória; aprendeu a ler com dificuldade;

está no 2.0 ano primário.

normal rude, já nos limites da zona fronteiriça.

pouco desenvolvimento nos estudos -

P. M. K: Caso patológico - Deficit ideopráxico intenso. (Fazer

Teste de Hohs: Inteligência - Caso de pouca dotação intelectual,

classificando-se como

Q.1. = 0,81; idade mental 8 anos e 5 meses. C) O terceiro caso é o de uma menina de 12 anos ,trazida ao ISOP

pelos pais. O teste da Árvore, que lhe foi aplicado, revelou:

Criança apresentando atualmente uma inibição patológica. Afe- tividade bloqueada, dificuldade em reagir ao meio exterior e adaptar-se:

afastamento do mundo, angústia, emotividade (dados retirados do tra-

çado, dimensões e posição da 1.

por êste teste (a organização, forma ,traço correspondem aos das crian-

EEG.)

a

árvore). Nível intelectual normal -

o TESTE

DE

KOCH

E SEU EMPRÊGO

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ças de nível mental normal - nesta idade). Em suma: Parece-nos que

a alteração da personalidade se deve a fatôres atuais que determinaram tal tipo de reação, pois básicamente não apresenta, por esta prova,

traços patológicos.

(Ver figo 2.)

cf

 

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Os desenhos das árvores aqui reproduzidas mostram com fidelidade abso<luta as di- mensões usadas pela criança llOI papel que lhe fo<i dado, enquanto que, acima se vê a disposição e preparação das mesmas em relação ao< papel ofíício que receberam.

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ARQUIVOS

BRASILEIROS

DE

PSICOTÉCNICA

"- -- --- - - - --"---- ------"--"---- ----------------------- ------

Recorrendo a outra prova de seu processo, temos:

Teste

de

Inteligência

Terman: Q. r. = 0,68.

(Cubos

de

Kohs):

Q.

L

=

0,66.

Binet-

Observação:

Apesar do rendimento baixo nesta prova, acredita-

(inibição forte), que fatôres de

mos, devido

personalidade estejam interferindo no seu rendimento.

à atitude da orientanda

Se consultarmos a Entrevista feita com os pais da criança, vemos trazida a êste Instituto devido à mudança radical de tempera-

que foi

mento que vem apresentando de um ano para cá.

A menina que era alegre, brincalhona, tornou-se nervosa, irascí- vel, com tics; alheia-se, fica de olhar vago, absorta. Quando em passeio,

diz

achar que estão falando dela. Sempre em oposição à família e pouco sociável com os estranhos. Muito apegada à genitora. Passou a sofrer

de enurese noturna depois dos 7 anos. Quanto à sua vida escolar, iniciou

o primário com 6 anos;

estava cursando a

pois começou a se retrair, a apresentar-se nervosa, a negar-se a respon-

der quando inqüirida pela professôra. Revela interêsse por praia e cine- ma e, apesar de viver triste, solicita à sua genitora que a leve, porém esta não a satisfaz. Anteriormente gostava muito de cantar.

sentir pontadas nas veias. Irrita-se por qualquer coisa, reclama por

aprendeu a ler com facilidade. Aos 11 anos

5. a série e foi

quando teve que ser retirada do colégio,

II grupo -

Adolescentes

A) Aplicamos o teste da Árvore em um adolescente masculino,

de 13 anos, trazido ao ISOP para orientação global e levantamos os

seg"uintes dados:

Adolescente que se apresenta pelo presente teste, bastante inferior mentalmente ao grupo. Disso decorre "uma conduta irregular", difi-

culdades de

iniciativas úteis, de se lançar às atividades de sua idade. (Fig. 3.)

adaptação ,angústia, depressão. Incapacidade de tomar

Pelo P. M. K. revelou: personalidade imatura com traços disritmi- cos acentuados e com nível ideomotor sofrível.

acusaram um retar-

damento: IM = 8 a 6 m. Da Entrevista Social retiramos: criança trazida ao ISOP pela mãe

que há muito vem observando certo retardamento no filho. O menino

2. a série primária. Ultimamente vem tendo crises de desespêro, dizendo que é maluco e que não quer mais estudar.

cursa a

As provas de inteligência -

Binet-Terman -

B) Foi aplicado o teste da Árvore também em adolescente de 15

anos masculino, trazido para orientação global, com os seguintes resul-

tado;: "adolescente com dificuldade de adaptação, imaturo para a idade,

instintivo, disrítmico, revelando "características de conduta". (Fig. 4.)

de psicopatia", "desvios

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KOCH E
SEU EMPR:gGO
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BRASILEIROS DE

PSICOTÉCNICA

A Entrevista Psiquiátrica revelou: grau acentuado de amoralida-

de e cinismo, não se preocupando o orientando com o aspecto repro- vável de suas atitudes. Há fortes indícios de desvio da psico-sexualidade Imaturidade emocional, problemática vital e familiar também condicio- naram bastante suas atitudes e seus atos (delinqüência sob a forma de furto).

Personalidade que

está em situação evidente de desajustamento afetivo. As suas fantasias

dominantes são as de transgressão social. Na

não se sente gratificado, por isso recorre a perversões

Entrevista Social: Os pais trouxeram-no devido ao seu conporta- menta. Pertence a uma "gang". A situação familiar é conflitiva, havendo

discordância

rença entre o orientando de quem é madrasta e o próprio filho.

No P. M. K. foram levantados os seguintes traços: adolescente apresenta base constitucional com sinais disritmicos, em parte sob

que

contrôle. Revela instabilidade tensional, agressividaae oscilante, fortes

defesas do ego.

C) O nosso terceiro caso se refere a adolescente masculino de

17 anos que veio ao ISOP buscar uma orientação profissional, pois se sentia indeciso. A análise do teste da Arvore revelou: sensitividade, agressividade, fraca coerência intrapsíquica. Tendência a conflitos. Para confirmar ou não certo traço que julgávamos pudesse indi- car psicopatia, foi solicitado um teste de Rorschach e embora não tenha sido êste aplicado - naturalmente por razões de fôrça maior - temos aqui os resultados da entrevista psiquiátrica: personalidade esquizóide, tímida e reprimida, com forte tendência ao autismo. Necessita de orien- tação psicológica.

O P. lU. K.: personalidade sujeita a pulsões emotivas, com forte

intratensão c onstitucional, mas reagindo extratensivamente. Intensa agressividade constitucional e atual. Problemática de caráter sexual?

adolescente de sexo

masculino, de 16 anos, cursando o 3.° ano ginasial.

O seu teste da Árvore apresenta os seguintes traços: "Personali-

dade sensível, emotiva e um tanto instável. Tímida frente a situações

Tendo uma das suas árvores a forma

novas, denotando pouca energia.

de um pára-quedas aberto julgamos de bom alvitre perguntar se tinha alguma carreira em vista e nos declarou desejar fazer exame para a Escola de Barbacena e ser aviador. Concluímos então da seguinte forma,

a análise de seu teste: embora deno,ta~do forte inter~sse .I?e.la carreira

de aviador -

seus

traços de personalidade não nos parecem positivos

Resultados do

Thematic

Appel'ception Test:

sua vida sexual, parece,

entre os cônjuges, pois o pai julga que a espôsa faz dife-

D) O último caso dêste grupo se refere a

que transparece na propna representaçao graflca -

para esta carreira.

(Ver figo 5.

)

Dos

outros

testes

de

personalidade

os

resultados

foram

os

seo'uintes:

 

" P. M. K.: Personalidade que revela os característicos próprios da crise da adolescência: tem base constitucional ainda instável, bastante insegura, com traços esquizodisritmicos, sujeito a pulsões emotivas, mas começando a definir-se caracteriologicamente.

o

TESTE

DE

KOCH

E

SEU

,---- Ei\lPRÊGO

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o TESTE DE KOCH E SEU ,---- Ei\lPRÊGO 149 ----------------- I" 2 '30 Rorschach: Sentimento depressivo,
o TESTE DE KOCH E SEU ,---- Ei\lPRÊGO 149 ----------------- I" 2 '30 Rorschach: Sentimento depressivo,

I"

2 '30

Rorschach: Sentimento depressivo, censura, preocupacão. Em suma: adolescente em situação conflitiva, parecendo-nos que nao confia em sua inteligência, que de fato, não se qualificou.

Bellevue: Q. I. = 0,94. De acôrdo com o resultado do presente teste, podemos classificar intelectualmente o indivíduo na zona média.

Destaca-se

de detalhes. Atitude

um pouco mais na zona verbal; dificuldades na percepção

tímida frente ao teste.

II! grupo -

Adultos

A) Procurou o ISOP, para orientação profissional, um indivíduo

série clássica (seus

estudos se realizaram

que pretendera seguir - a advocacia.

O teste da Árvore, revelou: Personalidade primitiva, imatura inte-

lectual e emocionalmente, com provável conflito íntimo (sentimento de inferioridade?) que procura não deixar transparecer. Evidencia forte

desejo de afirmação, porém

necessárias

cionar-se com o ambiente, apesar de certa vulnerabilidade. Necessidade

de obter mérito e louvor (como seu complexo?). (Ver. figo 6.)

compensação à sua insegurança e ao

para se lançar a atividades superiores. Capacidade de r'ela-

não nos parece possuir as qualificacões

muito tarde) começa a vacilar sôbre a carreira

de 40 anos, casado. Tendo terminado êste ano a 3. a

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ARQUIVOS BRABcrLEIROS DE PSICOTÉCNICA

150 ARQUIVOS BRABcrLEIROS DE PSICOTÉCNICA Rorschach: Personalidade cujas reações flutuam entre segurança e
150 ARQUIVOS BRABcrLEIROS DE PSICOTÉCNICA Rorschach: Personalidade cujas reações flutuam entre segurança e

Rorschach: Personalidade cujas reações flutuam entre segurança

e insegurança, frustrada, com sentimento de inferioridade. Desejo de

afirmação, sobretudo no setor intelectual,

reotipia de pensamento, isto é, falta de plasticidade mental; senso crítico

deficiente. Leve oposição ao meio. Interêsses muito primitivos. Percepção

global, de tipo superficial, porém sem se

da realidade

Entrevista Psicológica: Dificuldades de assimilação, não aprende com facilidade, tem feito muito esfôrço para poder estudar. Tendo para- do seus estudos, por razões econômicas, no 3.0 ano primário, voltou a

imediata e sem se deter em minúcias. Traços neuróticos.

integrar aos aspectos práticos

em que revela grande este-

estudar já depois de casado, pois se sentia envergonhado de sua igno- rância e humilhado. Vive triste e deprimido, com um sentimento de

insuficiência

outros entendem rápido. Personalidade neurótica.

uma jovem de 18 anos que se sente em

dificuldades na escolha de um curso superior. Hesita entre Medicina

Entretanto, quando lhe aplicamos o teste

de Koch declarou

esta única citação em questionários preenchidos durante o decorrer dos ~xames. Em verdade, parece êste interêsse se sobrepor aos outros, sendo

estar interessada em Medicina, aparecendo também

Direito, Veterinária, Filosofia.

diante da sua lentidão em aprender uma explicação que

B) Aqui, temos o caso de

bastante forte para se expressar, no teste, em Arvores que lembram, pelo

formato do tronco,

uma arborização vascular. Na sua prova, o traçado

estranho, sinuoso, cheio de ramificações, cortes e extremidades abertas

poderia influir na análise, induzindo a uma interpretação baseada em

o

TESTE

DE

KOCH

E

SEU

E \'PRÊGO

151

------~-- ~~----------

traços negativos, não tivesse a orientanda indicado sua inclinação. Mesmo assim, preferimos deixar de lado essas considerações, apresen- tando resultados baseados na técnica da apuração que já vínhamos empregando e solicitamos, então, outros testes a fim de confirmar ou não as características: Certa desarmonia, emotividade, nervosismo, sinais de traumas; preocupação no setor sexual. (Ver figo 7.)

de traumas; preocupação no setor sexual. (Ver figo 7.) Os resultados do P. M. K. foram:
de traumas; preocupação no setor sexual. (Ver figo 7.) Os resultados do P. M. K. foram:

Os resultados do P. M.

K. foram:

Personalidade fina, sensível,

controlada e com boa coerência intrapsíquica.

Catálogo de Livros: Personalidade intratensiva, com forte preo- cupação morbo-biológica. Provável problemática sexual. Interêsse pelo aspecto assistencial e político dos problemas sociológicos.

C) Vindo ao ISOP para readaptação profissional, realizou o Teste da Árvore um rapaz de 29 anos. Apos uma esquizofrenia e conseqüente

tratamento, o PR. veio em busca de ajuda quanto à sua socialização e

de orientação

pera estudos de arquitetura, já no quarto ano, quando da sua doença. No primeiro desenho da árvore o orientando revelou apenas acen- tuada intratensão, dificuldade em se relacionar com o ambiente; inde- cisão, insegurança. A árvore, bastante esquemática, revelava ainda habi- lidade plástico-gráfica. Nada mais. Na segunda árvore porém, represen- tativa de uma camada mais profunda da personalidade, apareceram traços, os quis podem ser considerados patológicos (traçado do tronco).

Agressividade normal.

quanto às atividades que poderia desenvolver. Interrom-

152

ARQUIVOS BRASILEIROS DE PSICOTÉCNICA

Assim, assinalamos ainda: "sinais de desagregação 'ja personalidade'"

indícios de regressão emocional; "fraca estabilidade do ego".

(Fig. 8.)

emocional; "fraca estabilidade do ego". (Fig. 8.) Tendo em vista êsses resultados foi solicitada uma

Tendo em vista êsses resultados foi solicitada uma Entrevista Psiquiá-

Estamos diante de uma personalidade

esquizofrênica

(tratada, mas com defeito), que ainda necessita de cuida-

Não está em condi-

ções

ser um "hobby". P. M. K.: Personalidade sensível, predisposta a depressões, com ego fraco e instável. Atualmente demonstra impaciência e insatis- fação vital.

D) Solicitando orientação profissional, procurou-nos um jovem de 2 Oanos com estudos secundários completos e desejando seguir Enge- nharia Eletrônica. Segundo êle, seu objetivo era confirmar as suas apti- dões para tal carreira. O primeiro teste realizado foi o de Koch, cuja análise revelou: Personalidade inquieta, ansiosa, insegura, preocupada

consigo mesma.

!\. execução do teste mostra que, partindo de um tema dado, o Propósitus

pode afastar-se completamente da realidade, passando a reagir de acôrdo com o seu mundo fantástico interior. "Sinais de problemática sexual"; traços obsessivos. Em suma - teste patológico, com sinais degenerativos (a confirmar por outro Psicodiagnóstico e por Entrevista Psiquiátrica).

trica, sendo o diagnóstico:

dos psiquiátricos e orientação psicológica adequada.

ainda de reassumir seus estudos e a atividade a realizar deverá

Fraca objetividade, capacidade crítica prejudicada.

o TESTE

DE

KOCH

E

SEU

EMPRÊGO

153

Acreditamos necessitar o PR., antes de qualquer orientação pro- fissional, de assistência psicológica, talvez mesmo psiquiátrica. (Ver

figo 9.)

psicológica, talvez mesmo psiquiátrica. (Ver figo 9.) As outras provas de seu processo, aplicadas

As outras provas de seu processo, aplicadas posteriormente,

Rorschach: Afetividade egocêntrica, mas chocada. Emotividade.

foram:

em calcar e disfarçar

alguma coisa.

estar ,sua insatisfação, são bem grandes, aparecendo possIvelmente sobre

uma forma ansiosa. Simbolismo sexual. Em resumo: Jovem que apre- senta interêsse homossexual mascarado. Procura reprimir, ou pelo menos

mas está em conflito e e possível que tenha

disfarçar, êsse pendor,

reações, quando menos, neuróticas. Questionários: O preenchimento do Questionário Objetivo pelo PR., nos fornece apreciavel documentação sobre a situação psíquica

do orientando. Afastando-se de perguntas objetivas (tais como: data de

imensa-

mente sôbre considerações pessoais, interpretando e analisando os dados

mais comezinhos

desconexa e entremeada de explicações que não têm razão de ser - por

uma pergunta sôbre as atividades que saberia

desenvolver

perturbadas por males de caráter pessoal, emotivo, psicológico, que pro-

num escritório - comenta ter ouvido já falar de pessoas

Vivência coartativa, demonstrando preocupação

O PR. ajusta-se constrangidlssimo, censura-se e seu mal-

nascimento; instrução escolar; matérias preferidas), alonga-se

da vida cotidiana. Sua exposição várias vêzes se torna

exemplo, respondendo a

~uram Faculdades a fim de serem seus próprios doutores (sic).

154 ARQUIV.oS BRASILEIR.oS DE PSIC.oTÉCNICA

. Res~ündend.o a.o Questi.onári.o íntim.o, declara-se satisfeitíssim.o de vlv~r, ~a.o tend.o tid.o nunca nenhuma impressã.o desagradável, send.o

se,u .prlllclp~l defeit.o pensar muit.o em si mesm.o; n.o entant.o, n.o questi.o-

declarara nã.o ter nunca certeza, a.o res.olver um pr.oblema,

d.o raClOCllllO que empregara e que, quand.o devia dem.onstrar .o que

era .ou sabia, vinham-lhe tantas medidas de precauçã.o à

cabeça, que era um h.orr.or (sic). Entrevista Psiquiátrica: Pers.onalidade que p.ode ser c.onsiderada c.om.o esquiz.opata derreísta e autista, c.om f.ortes traç.os c.ompulsiv.os, env.olvid.o p.or pre.ocupações de natureza metafísica e religi.osa, aprag- mata e c.om pr.ovável pr.oblemática vital. Há indíci.os de que uma f.orma incipiente de esquiz.ofrenia esteja em causa.

P. M. K.: Apresenta fraca base de pers.onalidade, pr.ocurand.o c.om- pensá-la. Traç.os esquiz.otímic.os. F.orte agressividade, algumas vêzes .oscilante.

ANÁLISE DOS DADOS E CONCLUSõES

Pel.os cas.os exp.ost.os - pequena am.ostra d.os milhares atendid.os pel.o ISOP - parece-n.os ter ficad.o dem.onstrad.o .o val.or d.o Teste de K.och na Orientaçã.o Pr.ofissi.onal e Educaci.onal, quer indicand.o .os tip.os tem- peramentais, a carga de energia d.o indivídu.o frente a.o mund.o, a capaci-

c.om .o ambiente, .o nível intelectual; quer reveland.o

.o tip.o de percepçã.o, .o interêsse pel.o detalhe e a minúcia, a rapidez de reações, a habilidade gráfica, a tendência artística; e quer evidenciand.o .os c.onflit.os, psic.opatias e c.ompr.ometimentüs da pers.onalidade.

à validade d.o teste, a alta c.onc.ordancia verificada entre

.os traç.os por êle ap.ontados e .os levantad.os através dü R.orschach, P. M. K. e .outr.os, n.o-Ia c.onfirmam, de m.odü indiscutível. Em alguns cas.os até, é possível pôr em evidência, pel.o Teste da Árv.ore, perturba- ções que nã.o transparecem em .outras pr.ovas, tal c.om.o n.o últim.o caso p.or nós ab.ordad.o, em que .o afastament.o da realidade e a interpretaçã.o delirante d.os fat.os nã.o ficaram evidenciad.os senã.o n.o teste de Küch, de m.od.o clar.o.

Só n.os resta, ag.ora, apresentar algumas das c.onclusões a que

chegam.os, e que pr.ocuram.os evidenciar, através d.o estud.o d.os indiví-

duos

nan.o a.nt~n

realmente

or

dade de relações

Quant.o

aqui examinad.os:

1 - A capacidade que tem a prova de exprimir .objetivamente .os

interêsses e preücupações d.ominantes d.o indivíduü, c.om.o vem.os n.os casos D d.os ad.olescentes e d.os adult.os, em que .o interêsse pela aviaçã.o

se manifesta numa árv.ore lembrand.o nitidamente um pára-quedas e em que a inclinaçã.o pelas ciências médicas fêz c.om que uma j.ovem desenhasse uma árv.ore repr.oduzind.o anatômicamente ramificações vasculares. pr.opüm.os entã.o que o psicól.og.o ad.ote a atitude metódica

de indagar a si própri.o, diante de um teste de K.och - c.om que se parece

esta

mentos preciosos.

árv.ore? -. Essa indagaçã.o p.oderia trazer, muitas vêzes, esclareci-

2 -

(exceto no

A p.ossibilidade de dar uma visão geral d.o nível intelectual cas.o de graves distúrbi.os psíquicos), com.o ficou demonstrado

nos casos B e C, crianças, e caso A d.o grup.o de adultos.

o

TESTE

DE

KOCH

E

SEU

E:\IPRÊGO

155

3 - A prova, revelando, de imediato, as perturbações graves da

personalidade, serve para um reconhecimento inicial, nos casos que solicitam Orientação Profissional, mas que em realidade necessitam de Assistência Psicológica. (Caso D de adultos e A e B de adolescentes).

4 - É possível apontar certas características (que foram objeto

de estudos nossos) tais como: "distúrbios de conduta" - à base da árvore se agrega um emaranhado compacto, enegrecido, mais ou menos esférico, em lugar de raízes; "comprometimento básico da personalidade, signos de desagregação" - o traçado do tronco é formado por feixes de traços desconexos e emaranhados ou então a superfície do mesmo é preenchida por tal traçado, não se preocupando o propositus em dar-lhe um acabamento aceitável; "problemática sexual" - a preocupação com

a linha mediana, a persistência no preenchimento da linha central; neste setor ainda pode ser tomado em consideração o simbolismo. Podem ilustrar essas nossas afirmações, respectivamente, os casos B do grupo de crianças, idem do grupo de adolescentes e D do grupo de adultos.

5 - Assinalando problemas de conduta, desvios do caráter, sim-

bolismos sexuais, a prova abre campo à investigação do tipo dessas manifestações, por intermédio de testes tais como o Thematic A. Test,

a

hipótese de os conflitos apresentados pelo orientando serem devidos a uma acentuada predisposição ou a fatores externos. O caso C do grupo de crianças serve de exemplo.

7 - A observação e anotação da conduta do Pro frente à prova, devem ser feitas pelo examinador, pois que, neste como em outros testes, podem servir como elementos auxiliares ao julgamento.

8 - O registro do tempo de cada prova e a observação do modo

pelo qual o orientando executa o teste, dao indicações preciosas sôbre a maneira de trabalhar do indivíduo - confiança, rapidez, segurança ao enfrentar as situações, ou cauteloso, metódico, minucioso, lento, preo- cupado com o julgamento alheio.

9 - A aprendizagem do desenho pode interferir nos resultados, devendo ser levada em consideração (veja-se a l.a árvore do caso C - adultos). Também a declaração enfática - detesto desenhar! - deve acautelar o examinador, pois temos visto alguns casos em que a grande falta de habilidade plástico-gráfica prejudicou, até certo ponto, os resul- tados; neste caso, será sempre conveniente recorrer a outras técnicas de personalidade.

10 - A técnica de obtenção do teste mais recomendável é a nosso ver, aquela que solicita não uma, mas duas árvores, porqua~t~ não só elimina um dos inconvenientes apontados acima (conhecimentos de desenho), como proporciona o exame de dois níveis da personalidade:

um, mais superficial, - o das atitudes conscientemente controladas

o comportamel-:to .so~ial enf~m .(1.a árvore); o o}ltro, mais profundo, ~ em que a coerenCIa mtrapsIqmca, os conflItos mtimos e alguns tracos

básicos podem ser percebidos (2.

I! - A decl~ração do autor de que o teste é bem aceito, mesmo por aqueles que resIstem a outros métodos de diagnóstico ficou confir-

mada entre nós; dos 4.050 indivíduos examinados no ISOP

se recusou a executá-lo.

ou pela Entrevista Psicológica (caso B de adolescentes).

6 - A comparação entre a l.a e a 2. a árvore permite levantar

a árvore).

J

'

apenas um

156 ARQUIVOS

BRASILEIROS DE

PSICOTÉCNICA

RESUMO

A autora apresenta algumas das suas observações - durante 8 anos de trabalho - sôbre o teste de Koch, chegando às seguintes con~ clusões: a) O teste presta valioso auxílio à Orientação Profissional e Educacional; b) É bem alto o índice de concordância entre os seus resul- tados e os de outros métodos de exame da personalidade; c) A prova tem a capacidade de exprimir, muitas vêzes, os interêsses e preocupações

dominantes do indivíduo; d) permite

tual; e) revelando de imediato as perturbações graves do psiquismo,

possibilita

que, embora desejosos ou necessitados de uma assistência psicologica, solicitam, como pretexto, Orientação Profissional; f) várias caracterís-

ticas aparecidas em clientes do ISOP têm se revelado significativas -

substituição das raízes

uma apreciação do nível intelec~

determinar inicialmente o tipo de orientação a dar à~uêles

por uma forma esférica, enegrecida; traçado

desconexo do tronco, etc.; g) através de características especiais deixa

entrever problemas de conduta, deformação de caráter; h) por meio da comparação das 2 árvores (1. a e 2. a ), permite supor serem os conflitos devidos ou a uma predisposição (estrutura fraca) ou a fatôres exógenos; i) a observação e anotação da conduta do indivíduo frente à prova devem ser feitas; j) é também importante a observação do método de trabalho, dos movimentos empregados e do tempo de execução; k) a experiência no ISOP demonstra que em alguns casos a aprendizagem do desenho, assim como uma grande falta de habilidade grafica, podem interferir nos resultados; 1) a obtenção de 2 árvores - que deve consti- tuir técnica rotineira - elimina um dos inconvenientes acima aponta-

entre nós a boa aceitação do teste - entre

4.050 indivíduos examinados apenas um se recusou a executá-lo.

dos; m) ficou confirmada

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P

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1I.'ota:

Os

mensões do campo em que estão reproduzidos.

desenhos

apresentados

neste

artigo

sofreram

redução

proporcional

às

di-