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Umuarama, domingo,

31 de janeiro de 2010 15
por Angela Russi
Créditos da foto: “Foto por Thiago Casoni”

O Inimigo

O que?! Como assim?!


Isso é injusto! Há muitos anos atrás fui a um estádio de futebol assistir a uma partida
entre Palmeiras e Paraná Clube. Apesar da chuva, que só faltou molhar
vocabulário de quem é alvo de um inimigo. É preciso ficar cuidando
do que fala senão ele interpreta de outra forma (geralmente de uma
por Caroline Guimarães Gil  meus ossos, foi muito divertido. Entre gols do Palmeiras e palavrões das forma bem ruim) e influencia outras pessoas para que se tornem
torcidas vivi um momento muito interessante. Entretanto, o que marcou inimigas também. Esse é o inimigo. Acontece que quando o inimigo
Vocês sentam numa mesa de um restaurante qualquer, para mim aquele dia foi um acontecimento fora das quatro linhas. De é um suposto amigo, a conversa e as ações de quem não o conhece
quando menos espera, lá estão, as ditas conversas! Uma já repente ouvi as duas torcidas gritando: “vai morrer’, mas demorei a são inocentes. Confia-se sem saber que ele não é confiável. Quando
puxa os ouvidos da outra para cá e para lá, danando a sussur- descobrir quem iria ser morto e por que. Um torcedor inocente, para não se descobre a presepada toda, já é tarde, pois descobrir um inimigo
rar histórias incompletas de fulano ou cicrano... “Você ficou dizer insano, entrou no estádio com uma camisa do São Paulo. Naquele é horrível e não descobrir é pior ainda.
sabendo da última?...” Começam elas/eles, num entusiasmo. momento ele era o inimigo de todos aqueles que estavam ali torcendo   Quem tem tempo para se ocupar com um inimigo é alguém com
Existem pessoas que não perdem a oportunidade de receberam por seus respectivos times e nenhum deles era o São Paulo. Um inimigo segundas intenções. Só se ocupa de algo que não é seu aquele que
declarado havia adentrado naquele recinto. Poucos segundos depois ouvi terá alguma recompensa, mesmo que esta seja apenas o prazer de
qualquer informação crua e transformá-las, no maior drama em coro ‘tira, tira, tira.’ Ele tirou, pois apenas pedaços da camisa pulavam ver o outro fracassar. Buscar recompensas desse tipo é triste. Por
de novela! A informação que antes, era pura, já possui outro sobre a torcida como pipoca na panela. Depois dessa manifestação de aí dá para ter ideia do perfil de quem age assim.
sentido. Uma hora e outra, essa gama de informações, agora, amor à camisa das duas partes tudo voltou ao normal.   O negócio é ficar esperto com algumas pessoas. Uma hora ou
total poluídas, voltam para os ouvidos de quem talvez, não   O que levou o torcedor do São Paulo, além do amor ao time, outra o inimigo disfarçado em amigo acaba se traindo. Só se ele for
era para ficar sabendo. Então, os conflitos se iniciam. Antes ir com aquela camisa para um espaço em que era o inimigo?    Ele muito competente para enganar por muito tempo. Quem sabe um
de iniciar este assunto, gostaria de esclarecer uma palavra, seria um inimigo disfarçado se vestisse uma camisa comum, pois grande ator Hollywoodiano? Aí fica mais complicado desmascará-lo.
muito confundida por todos, e também já foi confusa para mim, continuaria sendo torcedor do São Paulo de qualquer forma. Todavia Mesmo assim creio que uma hora ou outra a máscara cai.
que é o verbo danado “JULGAR”. preferiu demonstrar sua predileção futebolística. Esse pensamento   Gosto das pessoas verdadeiras que vestem a camisa em que
  A palavra JULGAR, muitas vezes, está conectada a idéia ficou pairando sobre mim até que o jogo começou. Acho bobagem acreditam sem desmerecer a do outro. Aquelas que dizem como Vol-
negativa, como se já fosse uma sentença. Engana-se ao pensar, esse negócio de torcedores de times oponentes serem inimigos, porém taire: ”não concordo com nenhuma de suas palavras, mas defenderei
que está atribuída a essas crenças com sentido oposto. O julgar esse comportamento simplesmente revela o que existe no dia a dia até a morte o seu direito de dizê-las.” Não precisa ser até a morte,
de todos nós: inimigos disfarçados e inimigos declarados. para que ser tão radical? Mas que fale, se não concorda, na frente
ou o juízo antecede qualquer tipo de formação de idéias de bom   Certa vez ouvi alguém dizer que um inimigo disfarçado em amigo e sem o intuito de ofender. Amigos fazem isso.
ou ruim, pois ela é o próprio discernimento e não o conceito. é mais perigoso que mil inimigos declarados e acabei por concordar   Acredito que aquele torcedor São Paulino, inimigo declarado,
Consiste no processo de DISCRIMINAR “formar juízo a cerca com essa afirmação. Penso que o inimigo é todo aquele que, em dado era apenas um desavisado inocente que não via maldade em algo tão
de”, “decidir”. Outra palavra confundida é DISCRIMINAÇÃO, momento, não deseja o bem para o outro É aquele que, mesmo sem simples como vestir a camisa do seu time do coração. Para ele, e para
utilizada negativamente. Nada mais é, do que “estabelecer cometer nenhum ato concreto, torce para que o outro fracasse. É um os inocentes que têm dificuldade em enxergar a maldade, aconselho
diferenças”. Digamos que possuímos um quadrado e um cír- desafeto. Temos uma visão dele como alguém malévolo como os vilões a cuidar-se mais. A quem se incomoda com os declarados aconselho
culo. Com nossa percepção e conhecimento, caracterizamos das novelas e filmes, mas ele está mais perto do que se imagina e é a preocupar-se mais com os disfarçados. Esses são mais perigosos
que não é o mesmo objeto, mas, podem ser feitos do mesmo absolutamente comum. Esse é o inimigo. que uma torcida adversária, pois agem sorrateiramente.
material. Se pegarmos madeira, como matéria-prima, podemos   Amizade é um sentimento nobre e valoroso, dói reconhecer que   Melhor é o inimigo declarado que sem disfarces, sem máscaras,
transformá-la, tanto em quadrado, como em círculo, dependendo possa ser usado contra outro ser humano com fins nada nobres, sem sorrisos falsos, mostra quem é de verdade, além do mais, dois
de como iremos moldá-la. Isso, não significa, que o quadrado porém é usado sim e frequentemente.     inimigos declarados acabam se respeitando o que torna tudo mais
  Ter amigos é maravilhoso. Ter inimigos é desgastante. Dá tra- fácil, apesar de ser péssimo também. O ideal é não ter inimigo nen-
é a forma CORRETA, e muito menos, que o círculo é a forma balho e tira a paz preocupar-se com o que o inimigo possa lhe fazer hum, mas o real é que ele existe. Para mim e para você. Eu detesto
PERFEITA. Ambas são apenas formas. Tendemos a julgar (a de mal. Perde-se muito. Liberdade de expressão não pode existir no que seja assim, entretanto, é assim que é.
processar a discriminação para obter maior conhecimento)
de uma maneira generalista.
  Os pontos de apoio que se estabelece para se discriminar,
não são o perfeito e o que não é perfeito. E sim o que é con-
veniente, o que  parece coerente ou está centrado numa con-
O Livro da Vez. por Tiago Lobão

sciência moral. O que se julga é uma coerência ou não. Como


disse uma pessoa muito querida para mim num dia desses: Durante o mês de janeiro me ocupei de algumas leituras e uma delas é
um quadrado nunca será um círculo, enquanto o forem suas digna de ser citada aqui. O livro Bola da Vez, escrito por Fábio Brazil que,
devidas formas. Para que uma coisa seja, é preciso permitir além de poeta, dramaturgo, professor de literatura e história da arte, é
que outra morra. Aquilo que está morto é preciso permitir que amante incondicional do Bixiga, bairro paulistano que ele freqüentou durante
morra, e aquilo que está vivo, é preciso permitir que viva. Isso boa parte da adolescência. Ele mesmo me disse quando o conheci naquela
vizinhança, lá no Sabelucha, um café e doceria que fica na 13 de Maio com
é referência, causa chão, fortalecimento, segurança, aumenta a Conselheiro Carrão: “o Bixiga nem existe oficialmente, no mapa da cidade
o número de possibilidades quando se limita. Estranho não isso aqui tudo chama Bela Vista. Mas no coração do pessoal que vive aqui
é? Se não tivermos foco, não caminhamos. Iremos ficar tão em volta, não tenha dúvida, aqui é o Bixiga”.
deslumbrados pelo o todo, que não iremos conseguir tomar Lançado em Novembro de 2009, o “Bola da Vez” é um livro composto por
orientação. Há momentos em que precisamos de FOCO con- 29 contos, de cinco páginas cada, que contam a saga do policial Faustino,
stante, e há outros, que precisamos enxergar de uma forma que investiga o assassinato do “cara errado”, João, executado por engano,
mais abrangente. Mas, retomando o assunto do JULGAMENTO. dias depois da final da Copa de 1994, sem graça e sem gols – como diz o
Ah! Ainda bem que possuímos  o julgar. Mas é preciso ter um livro. Mas, apesar da linha mestra do tempo do livro estar entre a final da
processo de discriminação adequado, é preciso ser justo, e não Copa de 1994 e a tradicional Festa da Achiropita (que acontece em Agosto,
bom. “A bondade está atrelada ao JUSTO, aquilo o que é justo, no Bixiga), as histórias dão saltos que nos levam a passados mais distantes,
naturalmente será bom” disse-me outra vez, essa pessoa que como a Segunda Guerra Mundial, o Golpe Militar de 64, desastrosos planos
econômicos, jogo do bicho e vai atravessando décadas da boemia daquele
refletiu sobre o quadrado. bairro, onde os personagens dos contos se encontram e influenciam a vida
  Há  pessoas que não sabem julgar, não conseguem es- um do outro.
tabelecer diferenças concretas. Estabelecem o perfeito, ou o O grande barato do livro é perceber que, apesar dos contos serem com-
diabo. A coisa em si, não é boa, nem ruim. Mas como se olha pletamente independentes um do outro, as histórias que eles contam acabam
para ela, as intenções se modificam. As pessoas tendem a se esbarrando e se influenciando. Assim como são as pessoas no trato diário
tornar qualquer informação, em histórias banais! E quando da vida. Não por menos, todos os contos do livro possuem nomes de pessoas,
a história muda a direção? Derrepente, deparamo-nos com a que são os personagens principais de cada história. E esse entrelaçamento
nossa própria fofoca. “Como assim? Isso não é justo!” Neste das histórias e as surpresas causadas quando se percebe a famosa equação
momento, cobramos justiça. É preciso cautela. Muita cautela. “causas x conseqüências” funcionando tão na frente do nosso nariz, é que
Antes de bater o martelinho e dar o parecer final, pense se este transforma a idéia genial do “Bola da Vez” em um livro apaixonante, daqueles
martelinho não irá bater na sua própria mão. que se lê devagar pra não acabar tão cedo.
Saiba mais sobre o livro visitando:  www.livro-bola-da-vez.blogspot.
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