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MELHORES PRÁTICAS NA LOGÍSTICA EMPRESARIAL *Por Luiz Manoel Aguilera João Carlos Pinto Oscar Salviano Silva

MELHORES PRÁTICAS NA LOGÍSTICA EMPRESARIAL

*Por Luiz Manoel Aguilera João Carlos Pinto Oscar Salviano Silva Filho Miguel Juan Bacic

A iniciativa da ASLOG de criar os comitês técnicos para discussão das Melhores Práticas aplicadas à Logística suscita um debate que já se mostrava presente em temas acadêmicos e que agora, oportunamente, se estende à área empresarial. A busca de melhores práticas é reconhecidamente questão imperativa para que as organizações possam se tornar mais competitivas ou manter sua posição no mercado. Igualmente importante é a definição dos critérios para a avaliação de tais práticas. Por isso, a estruturação dos indicadores de desempenho e o modelo utilizado para classificar e organizar os dados levantados devem ser criteriosamente definidos, para conferir consistência e confiabilidade aos resultados obtidos. Esse trabalho é resultado da cooperação entre a ASLOG e o Centro de Pesquisas Renato Archer (CenPRA), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia contando com apoio do Instituto de Economia (IE/UNICAMP). O objetivo é contribuir com as atividades dos Comitês Técnicos da ASLOG, através de um estudo dos conceitos envolvidos, e de uma breve revisão sobre os modelos utilizados em processos de benchmarking e critérios de avaliação das Melhores Práticas. Nesse contexto, são propostas diretrizes de uma metodologia para a organização dos dados levantados pelos referidos comitês, visando às Melhores Práticas aplicadas à Logística.

Conceitos sobre Melhores Práticas (Benchmarking) Em sua definição mais abrangente, o Benchmarking pode ser considerado a busca de melhores práticas que conduzam a um desempenho superior (CAMP, 1996). As empresas o adotam como instrumento para a correção de rota, utilizando as informações obtidas para adicionar valor a seu negócio e ganhar mais competitividade. Como processo baseado em comparação, a realização do Benchmarking deve responder a duas perguntas básicas: i) O que comparar?; ii) Com quem comparar? Cada uma dessas questões oferece uma classificação para os tipos de benchmarking existentes.

Quanto a o que comparar Benchmarking de desempenho – compara níveis de desempenho da empresa com outras empresas. Benchmarking de processo – além do desempenho, compara as práticas da empresa com outras empresas. Benchmarking de produto – baseado na prática de “engenharia reversa”, onde os produtos são desmontados para identificar e absorver novas tecnologias ou materiais. Benchmarking estratégico – compara decisões estratégicas da empresa, relativas a recursos, investimentos, mercado.

Quanto a com quem comparar Benchmarking interno – compara processos similares de diferentes unidades de uma mesma organização. Benchmarking funcional ou genérico – compara processos ou funções similares de empresas do mesmo setor ou não. Benchmarking competitivo – compara produtos, processos ou desempenho da empresa com concorrentes ou empresas líderes.

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da empresa com concorrentes ou empresas líderes. Apoio: © 2006 Associação Brasileira de Logística PDF Creator

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Uma das metodologias mais usadas para a aplicação do benchmarking é o processo de dez

Uma das metodologias mais usadas para a aplicação do benchmarking é o processo de dez passos (CAMP, 1996), que divide suas atividades em quatro etapas. A primeira, planejamento, inclui os

passos: 1) Identificar o objeto do benchmarking; 2) Identificar empresas comparativas; 3) Determinar

o método de coleta de dados; e 4) Coletar os dados. A segunda etapa, Análise: 5) Determinar a

diferença competitiva; e 6) Comunicar resultados. A terceira, Integração: 7) Estabelecer metas futuras; e 8) Desenvolver planos de ação. E a última etapa, Ação, inclui: 9) Implementar ações e

monitorar o progresso; e 10) Recalibrar os benchmarks.

Panorama sobre metodologias e modelos de avaliação de desempenho Existe grande quantidade e diversidade de sistemas de avaliação do desempenho, cuja difusão gerou farta literatura sobre metodologias, classificações e conteúdos diversos. As aplicações variam entre

questionários para definir critérios de premiação, sistemas comerciais (softwares) para a avaliação do desempenho organizacional, modelos-referência de classificação de processos e outros. Apesar das diferentes aplicações, há conceitos e tendências comuns, que podem ser usadas no desenvolvimento

de um modelo específico que atenda às necessidades e particularidades das empresas de Logística.

Entre os vários modelos de auto-avaliação usados como referência para premiações, os critérios de excelência adotados para o Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) mostram-se adequados à análise aqui proposta. De fato, eles baseiam-se em outros critérios para premiações internacionais, como o Malcolm Baldrige National Quality Award, European Quality Award, Prêmio Ibero-Americano da Qualidade e outros. Os critérios de excelência do PNQ expressam conceitos reconhecidos internacionalmente, traduzidos nas práticas encontradas em organizações líderes de Classe Mundial, resumidos nos seguintes fundamentos: visão sistêmica, aprendizado organizacional, proatividade, inovação, liderança e constância de propósitos, visão de futuro, foco no cliente e no mercado, responsabilidade social, gestão baseada em fatos, valorização das pessoas, abordagem por processos, orientação para resultados.

O Balanced Scorecard (BSC) é uma das estruturas de avaliação de desempenho mais conhecidas e

utilizadas atualmente, englobando indicadores estratégicos operacionais e financeiros. Baseia-se em quatro perspectivas: 1) Perspectiva financeira (como vemos nossos acionistas?); 2) Perspectiva interna ao negócio (no que devemos ter excelência?); 3) Perspectiva do cliente (como nos vêem nossos clientes?); e 4) Perspectiva de aprendizado e inovação (como podemos continuar a melhorar

e a criar valor?). Para cada uma dessas perspectivas são estabelecidas metas e adotados indicadores específicos de modo a atingir tais metas.

O Process Classification Framework (PCF) é um modelo de classificação de processos

desenvolvido pela APQC, como padrão aberto para facilitar melhorias através do benchmarking e da gestão de processos. O PCF traz mais de 1500 processos, que podem ser aplicados indistintamente

do porte, setor, ou localização da indústria. Sua estrutura considera doze diferentes áreas de

atividades, classificadas em processos e serviços. As áreas relativas aos processos operacionais são:

definição da visão e estratégia; projeto e desenvolvimento de produtos e serviços; marketing e

vendas de produtos e serviços; entrega de produtos e serviços; e gerenciamento do serviço ao cliente. As áreas relativas aos serviços de suporte e gerenciamento incluem: desenvolvimento e gerenciamento do capital humano; gerenciamento da tecnologia da informação; gerenciamento de recursos financeiros; aquisição, construção e gerenciamento de propriedades; gerenciamento de segurança, saúde e meio ambiente; gerenciamento de relações externas; e gerenciamento do conhecimento, melhorias e mudanças.

O Supply Chain Operations Reference-model (SCOR) é um modelo-referência de processos, desenvolvido pelo Supply-chain Council, visando uma comunicação eficaz entre parceiros dentro de uma cadeia de suprimentos. As métricas padronizadas permitem a medição do desempenho da cadeia e a aplicação do benchmarking. Sua metodologia inclui as etapas: 1) Levantar a situação atual

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inclui as etapas: 1) Levantar a situação atual Apoio: © 2006 Associação Brasileira de Logística PDF

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de um processo (como está) e derivar daí a situação desejada (como deverá ser). 2)

de um processo (como está) e derivar daí a situação desejada (como deverá ser). 2) Quantificar o desempenho operacional de empresas similares e estabelecer metas internas baseadas nos resultados “best-in-class”. 3) Análise das melhores práticas - Caracterizar as práticas gerenciais e outras soluções que resultem num desempenho “best-in-class”. O SCOR preconiza também a importância da definição das fronteiras do modelo e sua necessidade de possuir recursos de configurabilidade.

O Programa Melhores Práticas para Excelência Industrial (PMPEI) - é um programa de âmbito

nacional formado por uma rede de instituições para a aplicação do Benchmarking Industrial, visando fortalecer e ampliar a sustentabilidade e a competitividade da indústria nacional. O PMPEI é coordenado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL)-SC, com apoio da FINEP/MCT, e tem como um dos executores regionais o CenPRA/MCT e a UNICAMP.

O Benchmarking Industrial baseia-se em processo de auto-avaliação de diversas funções da

empresa, que posteriormente são comparadas a um banco de dados internacional, com informações

de empresas de diversos setores. A estrutura de informações do Benchmarking Industrial baseia-se

na análise das respostas de um questionário que analisa sete áreas da empresa: qualidade total; desenvolvimento de novos produtos; logística; produção enxuta; meio ambiente, saúde e segurança;

gestão da inovação; e organização e cultura. Cada uma dessas áreas abriga indicadores relativos a i) práticas (conjunto de ferramentas gerenciais e tecnológicas) e ii) performance (resultados mensuráveis obtidos pela empresa). Após aplicação do questionário, os resultados são comparados com as líderes mundiais, podendo ainda fornecer os resultados comparativos de forma regional (país)

ou setorial (concorrentes).

Definição de uma metodologia para as Melhores Práticas aplicadas à Logística Os modelos apresentados têm particularidades definidas por objetivos específicos. Em seu conjunto reúnem tendências e conceitos que sendo aplicáveis ao setor de Logística, devem ser considerados na elaboração do modelo a ser desenvolvido. Nesse processo, devem ser preservadas as características do setor, suas necessidades e os objetivos almejados pela ASLOG nesse empreendimento.

A metodologia a ser proposta para as Melhores Práticas aplicadas à Logística encontra no

processo de dez passos de CAMP (1996) uma forte alternativa de apoio, pois se trata de um processo utilizado globalmente com sucesso em diversos modelos, como por exemplo, o Programa Melhores Práticas para Excelência Industrial (INSTITUTO EUVALDO LODI-SC, 2005). Esse programa já foi aplicado em mais de 140 empresas industriais instaladas no país, e o envolvimento do CenPRA e a experiência adquirida serão certamente úteis para os objetivos propostos. Num primeiro momento, pode-se adaptar a metodologia proposta, limitando-a às suas fases de planejamento e análise, suficientes para os propósitos mais imediatos da pesquisa, ou seja, o levantamento das melhores práticas. Futuramente, as fases posteriores de integração e ação trarão grande benefício à área de Logística, pois poderão ser implementadas individualmente, em nível de empresa.

Em relação à organização dos indicadores dos modelos analisados, mostrou-se uma tendência em classificá-los em indicadores relativos ao desempenho e indicadores relativos às práticas. Isso aponta para a adoção do Benchmarking de Processo, que avalia exatamente essas duas dimensões, além de ser mais abrangente e adequado aos objetivos da pesquisa. Quanto aos outros tipos de benchmarking apresentados, o Benchmarking Competitivo é aquele que mais se alinha com o levantamento das melhores práticas, pois pode comparar processos e desempenho, com concorrentes ou empresas líderes. Além disso, é aquele que, certamente, fornece informações com maior capacidade de agregar valor aos negócios da empresa.

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capacidade de agregar valor aos negócios da empresa. Apoio: © 2006 Associação Brasileira de Logística PDF

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da empresa. Apoio: © 2006 Associação Brasileira de Logística PDF Creator - PDF4Free v2.0 http://www.pdf4free.com
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Geralmente, o agrupamento dos indicadores em diferentes áreas busca sua uniformização em termos de importância.

Geralmente, o agrupamento dos indicadores em diferentes áreas busca sua uniformização em termos de importância. Definir áreas igualmente importantes permite definir também uma mesma quantidade de indicadores dentro de cada uma delas, sem a necessidade de fazer ajustes através de diferentes pesos. Além disso, uma classificação criteriosa minimiza a possibilidade de indicadores de áreas diferentes, conflitarem entre si. As áreas relativas aos Comitês Técnicos criados pela ASLOG surgem aqui como um ponto de partida natural para essa classificação.

Concluindo, a consideração das práticas, modelos e tendências globais tem por objetivo contribuir com a construção de uma metodologia consistente e confiável para abrigar os dados sobre as Melhores Práticas aplicadas à Logística, reforçando seus aspectos de padronização e comparabilidade.

Bibliografia

em

<http://www.apqc.org>. Acesso em fevereiro de 2006. CAMP, R C. Benchmarking dos processos de negócios: descobrindo e implementando as melhores práticas. Rio de Janeiro, Qualitymark, 1996. INSTITUTO EUVALDO LODI - SC Programa Melhores Práticas para Excelência Industrial - Manual Treinamento Teórico Benchmarking Industrial. Florianópolis, 2005. PINTO, J.C.; AGUILERA, L.M.; SILVA FILHO, O. S. Proposta de Metodologia para as Melhores Práticas Aplicadas à Logística. Documento interno do Centro de Pesquisas Renato Archer – CenPRA, Campinas, 2006.

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Benchmarking.

Disponível

*Luiz Manoel Aguilera, João Carlos Pinto, Oscar Salviano Silva Filho, Centro de Pesquisas Renato Archer (CenPRA/MCT) Fone: (019) 3746 6000 Fax:- (019) 3746 6028 E-mails: luiz.aguilera@cenpra.gov.br, joao.pinto@cenpra.gov.br , oscar.salviano@cenpra.gv.br

*Miguel Juan Bacic Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/UNICAMP) E-mail:- bacic@eco.unicamp.br

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