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Capacidades físicas utilizadas em uma bateria competitiva de surfe

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 * rogério brandão wichi** 271 Resumo ● O surfe competitivo brasileiro atingiu um

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Resumo O surfe competitivo brasileiro atingiu um nível de grande relevância no cenário esportivo mundial. Os surfistas competidores brasileiros alcançaram, na última década, resultados em competições

e circuitos internacionais que surpreendem os mais otimistas visionários dos anos anteriores. Paralelamente

a esse sucesso competitivo, há carência de estudos científicos na área da Educação Física que possam dar suporte aos atletas e técnicos, durante o processo de elaboração e aplicação de um treinamento específico para a modalidade. Tendo isto em vista, pretendemos com esta revisão levantar dados que possam auxiliar na compreensão das exigências orgânicas da prática do surfe competitivo, considerando os diferentes eventos que ocorrem em uma bateria competitiva e relacionando-os com o perfil de capacidades físicas exigidas dos atletas competidores. Palavras-chave Surfe competitivo. Qualidades físicas. Ajustes metabólicos

Title Physical Capacities Employed by a Competitive Surfing Battery Abstract Brazilian competitive surfing has reached a level of great relevance in the world’s sports scene. Results obtained in the last decade by competitive Brazilian surfers in international competitions and circuits did amaze even the most optimistic visionaries. Together with this competitive success there is a lack of scientific studies in the field of Physical Education to support athletes and coaches during the process of elaboration and application of a specific training for surfing. Thus, we intend to raise data that might help in the comprehension of the organic demands of competitive surfing, taking into consideration the different events occurring in a competitive battery, and relating them to the profile of physical capacities demanded from the competing athletes. Keywords Competitive surfing. Physical qualities. Metabolic adjustments

1. introdução

A modalidade do surfe, atualmente, é dividida em duas categorias de prática: a recreativa, caracte- rizada pela prática do surfe pelo lazer e também pela relação que existe com a promoção de saúde; e a competitiva, que está relacionada com o desem- penho e a obtenção de resultados. Sabemos que, embora o surfe competitivo brasileiro tenha atin- gido um nível de grande relevância no cenário esportivo mundial ao longo da última década, a

Data de recebimento: 02/03/2007. Data de aceitação: 11/05/2007. * Mestrando em Educação Física na USJT, especialista em Treinamento Desportivo e graduado em Educação Física pela UFBA. E-mail: mvpalmeira@yahoo.com.br. ** Professor doutor do curso de Educação Física da USJT e do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu (Mestrado) da USJT. E-mail: prof.rogeriowichi@usjt.br.

literatura científica brasileira e mundial é carente de estudos que possam auxiliar no desenvolvi- mento do surfe competitivo. As competições na modalidade do surfe, em todas as categorias, são organizadas em forma de baterias classificatórias com duração média de 25 minutos cada, a depender da entidade que está promovendo o campeonato e das categorias dispu- tadas. A bateria é composta por dois ou quatro atletas, e cada atleta tem direito a surfar um total de dez ondas. Notas são atribuídas em função das manobras realizadas em cada onda surfada, e o atleta é classificado conforme somatório das duas melhores notas obtidas, de onde se extrai a média nal. Assim, a execução de manobras na onda é o principal objetivo do atleta visando a alcançar um bom desempenho na competição. No entanto, ao analisar uma bateria competitiva observa-se que há uma pluralidade de situações motoras, com repetições dos movimentos (fases cíclicas) e com

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diversidade dos movimentos (fases acíclicas), nos diversos estágios que compõe a sua prática, que po- dem interferir no resultado final da competição. Primeiro, o atleta, ao entrar no mar, precisa atra- vessar a arrebentação para posicionar-se na área

de receberem um estímulo sonoro, entram no mar para início da bateria. No segundo, os atletas posi- cionam-se dentro do mar e, com o estímulo sonoro, são autorizados a começar a competição. O beach- start é o principal sistema utilizado em competi-

e

a capacidade de realizar movimentos coordena-

de

formação das ondas, região conhecida como out-

ções de surfe.

side. A seguir, o atleta necessita entrar na área fun- cional da onda, que compreende a distância entre

Nessa fase, o atleta tem como objetivo passar rapidamente a arrebentação e posicionar-se no

a

crista e a sua base, para a execução de manobras,

out-side (região de formação de ondas). É uma fase

e,

por fim, é importante que ele retorne rapidamen-

importante, pois o atleta que primeiro chegar ao

te

à área de formação de ondas (out-side) para a

out-side garante a prioridade de escolha da onda.

escolha de outra onda a ser surfada. Sendo assim,

Esta fase é caracterizada pela realização de movi-

as

necessidades do organismo devem ser analisadas

mentos cíclicos de remada, com duração de apro-

não apenas no momento da execução das mano- bras, mas também durante toda a bateria compe- titiva, tendo em vista a diversificação motora e física que acontece em cada momento diferente da competição e que pode interferir na prática das manobras do surfe. É importante ressaltar que os atletas de maior sucesso serão aqueles que apresentarem nível de aptidão física apropriado para responder aos ajus- tes do organismo à prática do surfe em sua totali- dade, e não apenas no momento de execução de manobras. Tendo em vista que o treinamento dos atletas de surfe na maioria das vezes limita-se ao desenvolvimento de técnicas que visam o aperfei- çoamento da realização de manobras, acreditamos que a identificação das principais capacidades físicas

2. transição do repouso ao

ximadamente 80 (oitenta) segundos (Fonseca et al., 2003). É importante ressaltar que, as condições do mar, como a quantidade e a força das ondas, podem interferir na duração e na intensidade do exercício físico realizado nesta etapa, podendo ultrapassar até 5 minutos. Assim, vários ajustes orgânicos devem ocorrer para suprir a demanda energética necessária às exigências da atividade fí- sica que ocorre nesta fase. Inicialmente, é necessário um ajuste de termor- regulação para adaptar o corpo à temperatura da água, que geralmente é inferior a 37ºC. Se houver um isolamento insuficiente contra o frio, qualida- des físicas relevantes para o surfista competidor, como a capacidade de desenvolver força muscular

utilizadas nos diversos momentos da bateria com-

dos, podem ser afetadas (Fox, 2000). O ajuste da

petitiva, e não apenas no momento de execução de manobras, pode auxiliar no desenvolvimento de um programa de treinamento físico específico para esta

temperatura corporal é auxiliado por alterações que ocorrem no sistema cardiovascular e respiratório. Estudo realizado por nosso grupo demonstrou que

modalidade. Portanto, este estudo teve como obje-

a

transição do repouso para o exercício, nesta fase,

tivo identificar as principais capacidades físicas que um atleta precisa apresentar para o bom desem- penho no surfe. Para isso, foi adotada a metodo- logia descritiva de cada fase que constitui uma bateria competitiva.

exercício: a entrada no mar e a passagem pela arrebentação

induz aumento da freqüência cardíaca – resposta cronotrópica (dados não publicados). Esta resposta adaptativa pode auxiliar no aumento do débito cardíaco, permitindo assim que uma quantidade maior de sangue possa ser distribuída para a mus- culatura ativa durante o exercício (Fox & Mcardle, 1979; Suslov et al., 1997; Weineck, 1999). Além disso, a vasodilatação que ocorre nas áreas envol- vidas com a atividade muscular e a vasoconstrição em regiões menos importantes, como a região

O

início da bateria pode ocorrer por dois sistemas

subcutânea, são respostas fisiológicas importantes

diferentes: o beach-start ou o water-start. No pri-

que, além possibilitar maior fluxo de nutrientes e

meiro, os atletas posicionam-se na areia e, depois

oxigênio para as células envolvidas na contração

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muscular, fazem diminuir também a perda de calor para o meio ambiente. A transição do repouso para o exercício de remada também é evidenciada pelo aumento do metabolismo celular, em especial, na musculatura ativa, que, para suprir a demanda energética e o controle de temperatura, depende da ativação do sistema respiratório (Mcardle et al., 1998). Não encontramos na literatura nenhum estudo demons-

trando qual a principal via metabólica utilizada nesta fase do surfe. No entanto, considerando que

o tempo de duração desta fase é de em torno de 80

segundos a cada retorno ao out-side, é provável que

o metabolismo anaeróbio láctico seja a principal

via ativada. Dessa forma, a capacidade física ana- eróbia láctica torna-se uma capacidade que deve estar incluída na prescrição do treinamento físico para aprimoramento dos atletas. Para superar essa fase, o atleta necessita de força muscular, principalmente de membros superiores. A força muscular é utilizada para a atividade de remada, visando a atravessar a arrebentação e chegar ao local de formação das ondas. Associado a esta capacidade física, outro componente relevante nessa

fase é a resistência muscular localizada. Ela auxilia na repetição do movimento de remada executado pelos membros superiores, possibilitando a conti- nuidade do mecanismo de contração muscular sem

o aparecimento precoce da fadiga (Dantas, 1995). Dessa forma, a fase de entrada na água e pas- sagem pela rebentação é marcada pela ativação do sistema cardiorrespiratório, o uso da via anaeróbia láctica e o recrutamento de força e resistência muscular.

3. fase 2: entrada na área funcional da onda e realização de manobras

Após o estágio inicial no qual o atleta já se localiza

no out-side, é iniciada outra fase do surfe competi- tivo: a entrada e utilização da área funcional da onda.

média de 4% a 5% do tempo total de uma bateria competitiva. É uma fase caracterizada por movi- mentos acíclicos, devido à diversidade de gestos motores que são executados de acordo com as condições da área funcional da onda. Ao posicionar-se para entrar na área funcional da onda, o atleta necessita geralmente de um re- flexo motor apurado. Neste momento os movi- mentos de remada passam a ser curtos e acelerados (sprint) para favorecer o aumento da aceleração e facilitar a entrada na área mais íngreme da onda. Nessa fase é imprescindível que o atleta possua uma boa velocidade de reação visomotora para executar o movimento de mudança da posição de decúbito ventral, sobre a prancha, para posição

vertical no local e momento exatos que possam favorecer a utilização da área funcional útil na onda.

O atleta que possuir essa qualidade mais evoluída

tenderá a executar manobras com maior grau de dificuldade (manobras radicais) e, conseqüentemen-

te, obter melhores notas por parte dos árbitros.

A realização das manobras depende do tempo

no qual o atleta permanece na área funcional da onda. Um estudo realizado recentemente pelo grupo observou que esse tempo é de em média de 10,9 segundos (dados não publicados). Esses dados corroboram o estudo realizado por Fonseca e cola- boradores (2003), em que foi verificado um tempo médio de 15 segundos. No entanto, dependendo das condições da onda, este tempo pode chegar aos 40 segundos, como observado em ondas encon- tradas no Taiti e na África do Sul. Ao realizar uma descrição funcional dos movi- mentos utilizados na realização das manobras executadas por um surfista, observa-se a comple- xidade nelas existente. O atleta deve manter em todos os momentos o maior controle sobre sua pran- cha e sincronia total com a onda que estiver surfan- do. Os movimentos necessitam de uma combinação precisa entre coordenação motora, agilidade, equi-

líbrio, velocidade de movimentos, força de explosão, flexibilidade e capacidade anaeróbia (Palmeira,

É

na área funcional, região localizada entre a crista

2004).

e

a base da onda, que os atletas executam as mano-

A

coordenação motora pode ser definida como

bras. Estudo realizado por Mendes-Villanueva e colaboradores (2006) em etapas do circuito mundial de surfe demonstrou que esta fase representa em

uma interação sincronizada entre o sistema nervo-

so central e a musculatura esquelética, o que per- mite uma ação ótima entre os grupos musculares

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na realização de uma seqüência de movimentos, com

de

movimentos, permitindo a execução de diversos

um máximo de eficiência e eficácia (Gobbi et al.,

gestos motores rápidos, com intensidade elevada.

2005). A capacidade coordenativa habilita o prati-

O

nível de perfeição das manobras depende muito

cante a dominar suas ações motoras em situações

da

velocidade com que o atleta realiza as manobras,

previstas e imprevistas, auxiliando na execução do gesto motor de forma segura, precisa e econômica (weineck, 2000). Além de contribuir para o desem- penho técnico de entrada na onda (drop), ajuda na execução e na finalização das manobras, como tam- bém na combinação dos movimentos intermediá- rios entre uma manobra e outra, reduzindo assim

como também da percepção deste, em relação ao

local da onda no qual estas são executadas (Dantas, 1995; Weineck, 1999; Verjoshanski, 2001). Dessa forma, a velocidade de reação visomotora torna-se também uma qualidade física importante, já que ela é responsável pela definição, com precisão, do mo- mento e local mais indicados para a execução das

o

gasto energético. Durante a realização de manobras, o atleta muda

manobras na onda. Aliada às capacidades acima citadas, pode-se

posicionamento da prancha em resposta às cons- tantes mudanças na área funcional da onda. A

o

apontar a força de explosão, que está associada também à velocidade. Esta capacidade física permi-

mudança de posicionamento da prancha tem como objetivo obter maior velocidade e, conseqüente- mente, atingir maior nível de execução de mano- bras realizadas. Para que isso ocorra, a agilidade é uma capacidade física fundamental para o bom desempenho do atleta. Ela possibilita a realização de movimentos de curta duração e alta intensidade com mudanças de direção ou alterações na altura do centro de gravidade do corpo, com aceleração

e desaceleração (Gobbi et al., 2005). Durante a utilização da área funcional da onda, além de coordenação e agilidade, o surfista compe- tidor precisa também de um bom nível de equilí- brio para realizar as manobras. É esta capacidade que ajuda na manutenção do centro de gravidade dentro da área da superfície de apoio, no caso em questão, a prancha. Tendo em vista que a superfí-

cie de apoio está em constante movimento, o atleta necessita de um equilíbrio muito acurado para man- ter o centro de gravidade na superfície de apoio.

O atleta utiliza o equilíbrio dinâmico para manter-

se em uma postura eficiente durante a realização das manobras e o equilíbrio recuperado quando há um desequilíbrio muito forte no corpo gerando uma reação para recuperar este equilíbrio, evitando, conseqüentemente, uma queda (Gobbi et al., 2005). Desta forma, esta é uma capacidade física impor- tante, uma vez que apenas as manobras concluídas pelos atletas serão pontuadas, ou seja, sem quedas ao longo de sua execução. Outra qualidade física bastante importante nessa fase é a velocidade. Ela é utilizada para a realização

te movimentar uma determinada resistência num

curto espaço e no menor período de tempo possível.

No surfe, ela é utilizada na execução das manobras, em resposta ao estímulo visual, para executar uma resposta motora adequada e adquirir um alto nível

de dificuldade (radicalidade) nas ondas, critério de

elevada relevância no momento em que os juízes avaliam a onda para pontuá-la. O elevado número de posições e deslocamentos do centro de gravidade nessa fase da bateria impõe

ao corpo humano intenso trabalho de mobilidade articular, principalmente na região da cintura pél- vica, na articulação coxofemoral e na articulação dos joelhos. Por isso, faz-se necessário ao competidor atingir um bom nível de flexibilidade, que será um fator de grande relevância para a execução perfei-

ta de manobras e a sua conclusão de forma segura,

minimizando assim o risco de lesionar as articula- ções e seus componentes (Weineck, 2000). Essa fase de entrada na onda também é marcada por ativação respiratória, cardiovascular e metabó-

lica visando a manter a atividade neuromuscular para realização das manobras. Embora ocorra aumento

da freqüência respiratória, o déficit de oxigênio ob-

servado nesta fase induz a célula muscular a obter energia de forma anaeróbia. Dados recentes do nosso grupo demonstraram aumento da formação de ácido láctico após cada onda surfada (dados não publicados), sugerindo ativação do sistema anaeróbio láctico para obten- ção de energia durante esta fase de uma bateria de surfe competitivo.

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4. fase 3: o retorno ao out-side

Após surfar uma onda durante a bateria competi- tiva, o atleta retorna ao out-side, com o objetivo de entrar na área funcional de uma nova onda. Esse percurso de retorno caracteriza-se essencialmente por movimentos cíclicos de remada, acompanhado de rápido mergulho para facilitar a passagem pela onda. Estudo realizado por Fonseca e colaboradores (2003) verificou que, no Brasil, esse tempo de rema- da é de aproximadamente 80 segundos. Nesta fase, se não houver condições de promover a ressíntese do ATP pela doação de fosfato de creatina, o organismo

do atleta tende a iniciar a utilização de outra via para

o fornecimento de energia para a atividade mus-

cular, o sistema anaeróbio glicolítico, ou de glicó-

lise anaeróbia, que é ativada após 15 segundos de atividade (Suslov et al., 1997; Weineck, 1999). Nessa fase, diferentes capacidades físicas estão envolvidas para garantir que o atleta apresente um bom desempenho durante o processo de retorno ao out-side. Podemos citar, por exemplo, a velocidade de movimento, uma capacidade importante para que o atleta possa retornar ao local de formação das ondas com mais rapidez, escolhendo, em seguida, outra onda. O rápido retorno depende também da

força dinâmica e da resistência muscular localizada.

A força dinâmica é uma capacidade física utilizada

para vencer uma resistência na ação de empurrar, tracionar ou elevar (Dantas, 1995). Nesta fase da

bateria competitiva, ela é solicitada quando o atleta mergulha para passar por debaixo da onda, facili- tando assim o retorno ao out-side. A resistência mus- cular localizada, caracterizada pela manutenção de um esforço contínuo por elevado período de tempo,

é bastante solicitada nas remadas longas contra as

correntes marítimas, objetivando o retorno mais rápido e menos desgastante para o atleta (Dantas, 1995; Verjoshanski, 2001). Embora esta revisão tenha sido apresentada mostrando-se o fracionamento das fases práticas do surfe competitivo, é importante salientar que a prá- tica competitiva é contínua, havendo a participação incontestável do componente aeróbio durante toda a bateria, que tem duração de 25 minutos. Durante este período, os atletas realizam movimentos cícli- cos e acíclicos em fases alternadas, caracterizando

a utilização das três vias de transferência de energia,

iniciando pelas vias anaeróbias, mas com a parti- cipação efetiva da via aeróbia. Estudo realizado por Lowdon e colaboradores (1980) identificou que os atletas que participaram da etapa do circuito mun- dial de surfe apresentaram valores de consumo máximo de oxigênio (VO 2máx ) de 70 (ml/kg -1 /min -1 ),

o que sugere ser o componente aeróbio predomi-

nante durante o conjunto total de execução prática no surfe competitivo. Embora o componente aeró- bio seja uma capacidade importante, é preciso ressaltar que o surfe é uma modalidade de esforço intermitente, alternando entre o sistema anaeróbio

e aeróbio. Sabemos que a duração do exercício físico é inversamente proporcional a sua intensidade (dan- tas, 1995), e a utilização do sistema energético pelo organismo para suprir as necessidades metabólicas durante a prática da atividade do surfe dar-se-á de acordo com a intensidade apresentada em cada fase de execução de movimentos.

5. considerações finais

Diante do exposto, concluímos que a performance do atleta de surfe depende do desenvolvimento de diferentes capacidades físicas e ajustes fisiológicos que ocorrem durante toda a bateria competitiva. Nesta prática, esses ajustes são solicitados com maior grau de precisão e sincronia, uma vez que o número de capacidades físicas envolvidas difere em nível de prioridades e exigências em relação à prá- tica recreativa. Assim, identificamos a necessidade da prescrição de um programa de treinamento físico especifico para desenvolver as diferentes capacidades físicas envolvidas na prática do surfe em sua tota- lidade, e não apenas no momento da realização de manobras. Acreditamos que o treinamento de tais capaci- dades pode ser o fator diferencial em relação ao nível da performance do atleta de surfe. Sugerimos, também, a realização de mais estudos envolvendo os aspectos fisiológicos e de rendimen- to nesta modalidade, entre outros que compõem

a prática esportiva em sua complexidade dialética,

visto haver carência de materiais científicos, abor- dando a modalidade do surfe.

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