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Energia Eólica

Eurico G. C. Neves

CAPÍTULO 6

PARÂMETROS TÉCNICOS PARA A ESCOLHA DE SÍTIOS

Q uando da escolha de um sítio para a implantação de equipamento eólico, muitos fatores devem ser considerados. Em primeiro lugar, há que se saber a demanda de energia no

local e a finalidade a que se destinará o equipamento (geração de energia elétrica, bombeamento, etc.) a fim de que se possa prever qual o tipo de rotor mais adequado; a seguir, deve-se analisar as condições dos ventos na região, a fim de confirmar (ou excluir!) a possibilidade de instalação do equipamento e também, se for o caso, colher os parâmetros técnicos necessários para o projeto. Claro está que o nível de profundidade do estudo dependerá fundamentalmente do tipo de equipamento que se pretende instalar . A implantação de um gerador eólico de grande potência, cujo preço atinge facilmente milhares de dólares, deve ser precedida de uma análise muito apurada dos ventos na região; já para a instalação de um rotor simples, como o Savonius, exige pouco mais do que bom senso. A finalidade a que se destina o equipamento também é um fator determinante. Por exemplo, se precisamos instalar um equipamento para bombeamento de água, a instalação deve ser feita naquele local e não em outro próximo, mesmo que este seja melhor servido de ventos; já para a geração de energia elétrica, é possível instalar o equipamento em um local mais distante - e com melhores condições de vento -, transmitindo a energia elétrica através de linhas até o local onde a energia se faz necessária.

de linhas até o local onde a energia se faz necessária. 6.1. PRÉ-ANÁLISE A pré-análise da

6.1. PRÉ-ANÁLISE

A pré-análise da viabilidade de implantação consiste em um estudo efetuado sobre toda uma região, sem considerar locais específicos. Para que se possa efetuá-la, são necessários dados precisos sobre o regime de ventos na região, que podem ser encontrados em estações meteorológicas, normalmente em forma de cartas ou mapas. São de especial interesse cartas de curvas isoeólicas, que ligam pontos de mesmas intensidades médias dos ventos (diária, semanal ou anual). A Fig. 6.1 mostra a carta isoeólica do estado do Rio Grande do Sul.

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cartas de curvas isopotenciais, que ligam pontos de mesmas densidades de potência média dos ventos (em W/m 2 ou unidade equivalente), podendo ser esta diária, mensal ou anual. Tal carta para o estado do Rio Grande do Sul é mostrada da Fig. 6.2.

cartas de curvas de mesmo período consecutivo de calma, que mostra a ligação dos pontos de mesmo percentual médio de tempo consecutivo com velocidades inferiores a um valor pré-fixado (usualmente 8 mi/h = 3,6 m/s), sendo esta percentagem tomada em relação à duração de um dia, um mês ou um ano.

Tabela 6.1 - Quadro das freqüências de velocidades de vento em 3 localidades da Região da Bacia da Lagoa Mirim, RS (em %)

     

NÍVEIS DE VELOCIDADE (m/s)

 

LOCAL

MÊS

0-1

1-2

2-3

3-4

4-5

5-6

6-7

7-8

8-9

9-10

10-11

11-12

12-13

13-14

14-15

15-16

16-17

17-18

18-19

19-20

 

Jan

27

11

08

14

12

10

09

02

01

01

**

                 

Fev

28

14

06

13

15

08

12

02

01

**

**

                 

Mar

35

10

08

12

13

08

09

01

**

**

**

                 

Abr

40

12

08

09

10

06

09

01

**

**

**

**

 

**

           

PELOTAS

Mai

48

12

10

09

09

02

15

**

**

01

**

                 

Jun

40

12

08

10

09

07

06

02

**

01

**

                 

Jul

41

15

08

11

08

03

06

02

**

01

**

                 

Ago

32

15

11

09

10

06

07

02

01

**

**

**

               

Set

22

09

09

11

10

08

12

03

02

05

02

01

 

**

         

**

 

Out

18

13

09

12

10

06

14

03

03

05

02

 

**

**

           

Nov

19

11

09

10

10

09

15

04

02

05

01

**

               

Dez

22

10

09

11

12

10

13

04

02

03

01

                 

Global

31

12

09

11

11

07

10

02

01

02

**

**

**

**

         

**

 

Jan

04

34

12

15

07

07

06

03

03

02

**

**

**

**

           

Fev

05

33

11

11

10

06

06

05

03

03

**

**

**

**

**

         

Mar

06

27

13

13

11

10

04

02

05

01

**

**

**

 

**

         

Abr

11

33

13

14

08

07

03

03

02

**

01

**

               

RIO GRANDE

Mai

16

34

14

12

08

04

02

02

01

**

 

**

 

**

           

Jun

13

26

11

16

12

06

03

03

02

01

01

**

**

             

Jul

14

31

12

12

09

06

02

02

02

01

01

 

**

**

**

**

**

**

**

 

Ago

12

24

13

15

11

08

04

03

02

01

01

**

**

**

 

**

 

**

**

 

Set

09

20

14

14

11

06

07

04

03

02

01

01

**

**

**

01

       
 

Out

06

25

10

14

13

05

08

03

04

03

02

**

**

**

**

   

**

   

Nov

03

25

12

12

11

07

05

07

05

04

02

**

**

             

Dez

03

26

13

13

15

06

06

05

04

01

01

**

**

**

**

   

**

   

Global

08

28

12

13

11

06

03

04

03

02

01

**

**

**

**

**

 

**

**

 
 

Jan

03

07

21

29

10

13

04

05

02

01

   

**

 

**

         

STA. VITÓRIA DO PALMAR

Fev

05

07

17

18

11

14

03

06

02

02

**

                 

Mar

05

09

18

30

11

13

02

05

01

02

**

 

**

             

Abr

09

12

18

29

09

09

02

05

**

02

**

                 

Mai

10

15

20

26

08

10

01

03

01

**

   

**

 

**

         

Jun

06

12

15

26

10

10

03

06

02

03

   

**

**

**

         

Jul

07

13

19

28

07

12

02

05

01

03

   

**

 

**

   

**

 

**

Ago

05

10

06

26

09

15

02

07

**

04

   

**

 

**

   

**

   

Set

01

09

11

26

09

28

04

09

02

04

   

02

 

**

   

**

   

Out

01

07

15

30

08

13

04

07

02

06

**

 

**

       

**

   

Nov

02

07

13

26

13

14

03

07

02

03

01

 

01

             

Dez

01

03

13

32

11

17

04

08

02

03

**

 

**

 

**

         
Global 05 09 16 28 10 13 03 06 02 03 ** ** ** **
Global
05
09
16
28
10
13
03
06
02
03
**
**
**
**
**
**

** - Freqüência entre 0 e 1 % Fonte: Convênio SUDESUL/FURG (1978)

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Os dois primeiros tipos de carta permitem uma avaliação da quantidade de energia que poderá ser captada, bem como uma visão preliminar dos custos de implantação; já o último tipo de carta é útil para que se possa prever quanto tempo por ano o equipamento deixará de funcionar por falta de vento permitindo, assim, o dimensionamento de um sistema para armazenamento de energia (como um banco de baterias, por exemplo). Deve-se registrar que estas cartas não são facilmente encontradas para todas as regiões brasileiras; na maioria das vezes, o que se dispõe são tabelas confeccionadas para regiões onde existam estações meteorológicas ou centros de pesquisa. Exemplos dessas são mostradas nas Tabelas 6.1 a 6.3, válidas para a região da Bacia da Lagoa Mirim, no estado do Rio Grande do Sul.

6.2. CARACTERÍSTICAS LOCAIS

Como se sabe, as condições dos ventos podem variar significativamente de um local para outro próximo. Por isso, uma vez que a pré-análise tenha confirmado a viabilidade da implantação de um sistema eólico em determinada região, deve-se escolher em que sítio da mesma se erigirá o sistema. Em primeiro lugar, deve-se usar o bom senso, descartando-se de antemão lugares próximos a grandes edificações ou árvores altas, bem como aqueles cuja topografia é desfavorável.

É necessário, então, conhecer-se os dados relativos aos ventos no provável sítio.

Idealmente se deveria ter a velocidade instantânea dos ventos registrada continuamente ao longo de vários anos, o que permitiria a obtenção de dados importantes como:

velocidades máximas, necessárias para o projeto dos mecanismos de controle e proteção, bem como para a previsão dos esforços mecânicos a que estarão submetidos o rotor e a torre de sustentação; velocidades médias dos ventos do sítio para vários níveis de tempo (horária, diária, mensal, anual), parâmetros de grande importância para o dimensionamento do equipamento; densidade de energia anual, dada por

d

E

=

C p

1

2

r

1ano

Ú 0

3

v dt

que pode ser expresso em kWh/ano ou outra unidade equivalente.

É muito pouco provável que se consiga obter os dados registrados de forma

contínua para um sítio em especial. Se a aquisição dos mesmos é fundamental, como no caso de grandes instalações, provavelmente será necessário instalar no local um anemógrafo pelo período mínimo de um ano. O conhecimento da velocidade média horária do vento a cada hora do dia, durante todo um ano, já permite uma boa avaliação, resultando num total de 24 x 365 = 8.760 registros. Porém até mesmo isso é difícil de ser obtido, pois exige um grande esforço organizacional da equipe e aparelhagem possível apenas para centros meteorológicos maiores. Pode-se, em último caso, usar dados de velocidade média diária tomados ao longo do ano, como mostra a Tab. 6.4. Isso é perfeitamente viável na maioria das estações

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meteorológicas; nesse caso, as estimativas a serem feitas serão mais grosseiras, porém isso é melhor que não haver qualquer estimativa.

Tabela 6.2 - Velocidade média diária dos ventos em uma localidade hipotética (em m/s)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

JAN

FEV

MAR

ABR

MAI

JUN

JUL

AGO

SET

OUT

NOV

DEZ

 

01 6,3

4,3

9,0

2,3

2,9

10,2

4,9

5,7

3,2

5,2

4,2

3,0

 

02 6,6

5,2

8,5

3,7

1,0

8,0

5,3

6,3

4,0

6,5

4,9

3,0

 

03 9,3

5,2

5,7

5,2

3,2

8,3

6,1

7,0

6,2

9,5

5,2

1,0

 

04 8,2

3,0

5,5

6,1

3,9

10,3

5,8

7,0

5,6

6,3

5,2

4,0

 

05 5,0

1,8

5,4

6,2

6,4

8,2

6,0

3,7

6,7

7,9

2,0

5,7

 

06 4,0

0,6

6,3

6,3

5,3

7,6

5,0

2,3

7,3

7,4

2,9

5,8

 

07 5,3

2,5

7,2

8,2

6,5

5,8

7,3

3,8

7,0

5,2

7,0

6,3

 

08 3,2

1,0

7,4

6,7

4,3

6,3

7,2

5,4

6,0

8,2

6,3

6,2

 

09 2,7

3,7

4,3

10,2

5,6

6,4

10,2

9,1

3,2

7,0

7,1

6,0

 

10 3,6

3,5

3,7

9,1

7,5

8,4

9,0

6,4

5,2

8,5

6,0

7,2

 

11 4,3

4,2

5,2

4,3

7,3

8,1

7,6

6,4

5,8

9,3

7,8

7,8

 

12 6,3

7,8

6,7

5,7

8,0

5,3

6,2

7,3

4,3

10,3

9,2

6,4

 

13 4,7

6,5

6,8

6,0

3,6

5,4

7,5

7,3

8,3

6,8

8,6

2,4

 

14 5,3

8,4

7,0

5,9

4,3

9,2

7,6

8,0

8,1

7,0

8,2

2,7

 

15 3,6

6,0

1,0

6,3

6,8

4,2

5,2

4,8

9,7

4,5

7,6

4,8

 

16 4,8

7,0

3,2

8,1

5,0

3,6

7,3

5,0

8,2

5,3

5,6

6,0

 

17 4,1

7,0

3,9

8,3

6,7

1,5

7,3

6,2

8,2

4,8

6,3

6,2

 

18 5,8

9,2

4,0

8,2

7,0

2,0

7,6

6,0

6,3

6,3

6,3

7,1

 

19 5,9

8,3

4,2

5,0

7,9

3,7

9,3

8,6

6,0

6,2

5,8

7,3

 

20 5,6

6,3

5,7

3,6

7,9

7,0

7,0

6,2

2,5

3,2

8,2

7,2

 

21 6,9

5,0

7,2

3,2

8,0

7,3

7,3

3,2

1,0

4,7

3,9

3,9

 

22 3,8

6,1

7,4

2,7

9,7

6,9

5,4

3,6

1,03

5,2

3,7

3,2

 

23 0,2

4,7

8,0

2,5

9,0

6,3

7,1

8,3

6,2

5,4

4,0

4,0

 

24 2,8

4,4

8,6

2,0

8,3

7,5

7,0

6,2

6,1

3,8

5,5

6,2

 

25 6,3

6,0

8,1

4,2

8,1

5,2

3,6

6,7

5,3

5,3

5,5

5,2

 

26 7,0

6,3

7,3

7,0

6,8

5,6

2,8

8,1

4,6

5,4

5,0

5,6

 

27 6,2

7,4

7,7

7,3

6,2

5,4

0,3

5,1

3,5

8,1

3,8

6,8

 

28 8,0

4,3

5,0

7,0

3,6

7,6

4,2

5,1

6,0

6,2

4,6

2,6

 

29 10,5

-

4,3

5,8

4,2

8,4

7,3

3,2

6,0

2,1

4,2

6,3

 

30 8,3

-

3,7

7,3

4,0

6,2

7,1

8,0

4,4

3,7

8,2

6,0

 

31 6,3

-

3,8

-

3,2

-

5,3

8,0

-

-

9,8

6,0

6.3. CURVA DE DURAÇÃO DA VELOCIDADE

De posse dos dados anteriormente referidos, é possível construir a chamada curva de duração da velocidade. Para tanto, adota-se o seguinte procedimento:

1. escolhem-se níveis de velocidade média (horária ou diária, conforme os dados disponíveis) pré-determinados ; por exemplo, de 1 em 1 unidades de velocidade;

2. para cada nível de velocidade soma-se o número de horas (ou dias) por ano durante os quais a velocidade do vento esteve igual ou superior ao nível considerado;

3. constrói-se um gráfico cartesiano com ordenadas e abscissas correspondendo, respectivamente, aos níveis de velocidade e à duração do nível correspondente.

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Como exemplo, tome-se a Tab. 6.4, que apresenta os dados relativos à velocidade média diária dos ventos em uma localidade hipotética. Para construção da curva de duração da velocidade estabeleceram-se níveis de 1 em 1 m/s. Os resultados da análise estão resumidos na Tab. 6.5. Na segunda coluna estão registrados o números de dias t 1 em que a velocidade média diária esteve dentro do nível considerado; assim, durante 3 dias a velocidade média enteve no nível 0 (isto é, entre 0 e 0,9 m/s), durante 7 dias a velocidade esteve no nível nível 1 (entre 0 e 1,9 m/s) e assim por diante

Na coluna 3 se vê oi número de dias t 2 em que a velocidade foi igual ou superior ao nível considerado. Por exemplo, durante todo o ano a velocidade média diária foi igual ao superior a 0 (óbvio!), durante 362 dias a velocidade foi igual ou maior que 1 m/s, etc Para a construção da curva de duração da velocidade, mostrada na Fig. 6.3, estes dados são suficientes. Os valores registrados nas colunas 4 e 5 serão discutidos na próxima seção.

Tabela 6.3 - Tabulação dos dados relativos ao sítio hipotético cujos dados de velocidade são mostrados na Tab. 6.2.

Nível

t 1 (dias)

t 2 (dias)

v

3

v

3 xt 2 (x 10 3 )

 

0 03

365

0

 

0,00

 

1 07

362

1

 

0,36

 

2 18

354

8

 

2,38

 

3 40

336

27

 

9,07

 

4 40

296

64

 

18,94

 

5 62

256

125

 

32,00

 

6 75

194

216

 

41,90

 

7 58

119

343

 

40,82

 

8 40

61

512

 

31,23

 

9 15

21

729

 

15,31

 

10 06

06

1.000

 

6,00

 

11 00

00

1.331

 

0,00

6.4. CURVA DE DURAÇÃO DA POTÊNCIA

Considerando-se que a potência desenvolvida pelo rotor é proporcional ao cubo da velocidade do vento, pode-se plotar um gráfico cartesiano tendo nas ordenadas o valor de v 3 e nas abscissas o tempo t 2 anteriormente definido (coluna 3 da Tab. 6.5). Este gráfico é chamado curva de duração da potência e sua finalidade será vista na Seção 6.6. Na coluna 4 da Tab. 6.5 estão expressos os valores dos níveis de velocidade elevados ao cubo. Com tais valores construiu-se a curva de duração da potência para o sítio hipotético considerado, conforme mostra a Fig. 6.3(b).

6.5. VELOCIDADE NOMINAL, DE PARTIDA E DE FECHAMENTO

Uma vez conhecidos os requisitos de potência no local onde será instalado o equipamento, pode-se fixar sua potência nominal (P n ), através da equação

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P

n

= C

p

¥ K ¥ A ¥ v

3

v

Qual será, porém, o valor de velocidade do vento a ser usada no projeto? Considerando que a potência é proporcional ao cubo da velocidade, pode-se imaginar que quanto mais alto for o valor de v v adotado, menor será a área A varrida pelo rotor. Isto é correto, porém, se levarmos em consideração que altas velocidades de ventos ocorrem poucas vezes durante o ano, veremos que a potência produzida pelo rotor raramente se igualará à nominal. Isto significa também que, por força da pequena área de captação, o rotor produzirá pequenos valores de energia para velocidades mais baixas, justamente as que predominam. Somos, então, tentados a tomar velocidades baixas em nosso projeto, já que estas ocorrem durante a maior parte do ano: assim, nosso equipamento produziria potência nominal quase todos os dias e acima da nominal quando a velocidade do vento aumentasse. Este raciocínio é enganosos: ventos de baixa velocidade produzem pouca energia, a menos que a área de captação seja muito grande e, consequentemente, cara, devido ao custo de material das pás, sistemas de orientação e proteção necessários, além da torre de sustentação. A velocidade a ser usada no projeto, chamada velocidade nominal, deve otimizar o

desempenho do equipamento durante o ano: é aquela que torna máximo o produto

, onde v v correponde ao nível da velocidade de vento considerada. Este produto corresponde ao potencial eólico anual do sítio analisado. No exemplo anteriormente tomado, temos, na coluna 5 da Tab. 6.5, o valor de

¥ t para os vários níveis de velocidade. Ali se vê que este produto é máximo para o nível de velocidade igual a 6 m/s; portanto, este será o valor de velocidade nominal para os ventos da região considerada. Denomina-se velocidade de partida ao menor valor de velocidade de vento capaz de fazer com que o rotor seja acionado; no outro exetremo existe o que se chama de velocidade de fechamento, que é aquela além da qual deve ser acionado o mecanismo que corta o funcionamento do rotor. Estes parâmetros vão depender unicamente das características técnicas do equipamento, não sendo afetados pelas condições locais de velocidade dos ventos.

v

3

v

¥ t

2

v

3

v

2

6.6. CÁLCULO DA ENERGIA DISPONÍVEL

Para o cálculo da energia disponível anualmente num equipamento usa-se a curva de duração da potência. A fim de melhor ilustrar o procedimento, suponhamos que os dados de velocidade média horária dos ventos em uma região sejam aqueles fornecidos nas colunas 1 e 2 da Tab. 6.5. Os valores que constam nas colunas 3 e 4 são calculados da maneira vista anteriormente. Pela tabulação, vê-se que a velocidae nominal do vento na região é de 6 m/s. Suponhamos agora que, devido às características construtivas do equipamento, as velocidades de partida e de fechamento do rotor sejam 2 m/s e 10 m/s, respectivamente. Construída a curva de duração da potência, sabemos que a energia contida no ventos será dada proporcionalmente por

e =

Ú

P.dt

Energia Eólica

Eurico G. C. Neves

Energia Eólica Eurico G. C. Neves Figura 6.3 - Curvas referentes à localidade hipotética cujos dados

Figura 6.3 - Curvas referentes à localidade hipotética cujos dados de velocidade constam nas Tabelas 6.4 e 6.5: (a) curva de duração da velocidade; (b) curba de duração da potência.

Energia Eólica

Eurico G. C. Neves

equivalendo, portanto, à área delimitada pelos eixos ortogonais e a curva. Se o rotor funcionasse durante todos os dias do ano com velocidade nominal - e considerando que não há funcionamento do rotor abaixo da velocidade de partida nem acima da velocidade de fechamento -, a energia produzida seria proporcional à potência nominal Pn, que é dada pela área achurada e delimitada pelos pontos abcdhi na Fig. 6.5(b). Como a velocidade não é constante, a energia realmente produzida é proporcional à área acinzentada, delimitada pelos pontos abcdefghi. A relação entre estas duas potência fornece a energia específica disponível (e d ), isto é

e

d

=

Área abcefghi

Área abcdfe

No exemplo dado, as áreas foram medidas com auxílio de um planímetro e a relação entre entre elas resultou em e d = 0,76. Define-se, então, o fator anual de carga (F ac ), dado pelo produto entre a energia específica disponível e o número de horas do ano (365 ¥ 24 = 8.760 horas), isto é

F

ac

= e

d

¥

8.760

grandeza expressa em kWh/ano/kW ou outra unidade equivalente. No exemplo em pauta F ac = 0,76 ¥ 8.760 = 6.657,6 kWh/ano/kw Para entender o significado desta grandeza, suponhamos que a necessidade de suprimento nesta região seja 10 kW (potência nominal do rotor). Isto significa que a produção anual do equipamento será igual a 10 ¥ 6.657,6 = 66.576 kwh/ano, equivalendo a uma potência média igual a

P m =

66.576

8.760

= 7,6 kW.

A princípio, considera-se bom para aproveitamento eólico o local que permita uma produção energética de pelo menos 3.000 kWh/ano/kW. Isto quer dizer que uma gerador com potência nominal de, por exemplo, 10 kW poderia produzir uma quantidade de energia igual a 3.000 x 10 = 30.000 kWh/ano, o que corresponderia a uma potência média igual a

P

30.000

=

365

¥

24

= 3,42

kW.

Em outras palavras, tal gerador produziria em média 34,2% de sua potência nominal continuamente durante todo o ano.