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REVISTA DE

FFLCH-USP
Revista de Historia 132

JD semestre de 1995

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AMOR, SEXO E MORAL MEDICO-CLERICAL
NA ÉPOCA MODERNA
Henrique Carneiro
Mestre em História Social pelo Departamento de História — FFLCH-USP

RESUMO: A época moderna viveu um acirramento dos controles sobre a vida cotidiana. Em Portugal, o moralismo contra-reformista caracterizou-se pelas prédicas de castidade em contraste com diversas formas de revalorização do corpo
que tinham sido conhecidas no período renascentista. Os argumentos médicos passaram a ocupar um papei privilegiado
na definição das normas regulamentadoras da sexualidade. O pecado foi medicalizado, a paixão condenada como doença
e a luxúria tornou-se a fonte primordial de todos os males. O amor e o erotismo foram o principal alvo do moralismo
moderno, no qual a Igreja e a medicina se fundiram numa empreitada conjunta de controle social.
ABSTRACT: During the Modem Age, there was a greater control on daily life. In Portugal, counter-reformist moral ism
was characterized by chastidy preachments in contrast to the several ways of appreciation of the body which had been
known since the Renaissance. Medical arguments played an important role in definig sexuality standards. Sins were
related to medicine, passion equated to disease and luxury became the prime source of all evils. Love and erotism were
the main target of modern moralism in which the church and medicine merged in a common quest for social control.
PALAVRAS-CHAVE: moralidades, medicina, contra-reforma, erotismo, castidade.
KEY-WORDS: moralities, medicine, counter-reformation, eroticism, chastidy.

O Concílio de Trento, no século XVI, intensificou o controle da Igreja sobre a vida cotidiana. Logo
após a descoberta da América e com o surgimento da
Reforma protestante na Europa, a Igreja queria estreitar seus laços sobre a vida íntima das populações.

sa, disseminadas na Europa e predominantes no Brasil e em outras r e g i õ e s c o l o n i a i s , o n d e as u n i õ e s
consensuais, c h a m a d a s de "tratos ilícitos", eram
majoritárias sobre o s casamentos oficializados até o
século XIX.

Entre outros mecanismos, a Igreja aumentou sua
exigência de que as pessoas se casassem oficialmente, para acabar com o "concubinato" q u e eram as
uniões não oficializadas por uma cerimónia religio-

A insistência na conjugalização a c o m p a n h o u - s e
de outras características n o r m a t i v a s , b a s e a d a s n o
aumento do autocontrole. A ocorrência na modernidade de um a u m e n t o da repressão é um fato que os

S o b r e o a u m e n t o da r e p r e s s ã o . desde que a mulher não estivesse doente: " N ã o está obrigada a mulher a pagar o débito quando está com febre. supressão ... p. F l a n d r i n afirma que: Estamos melhor informados sobre a repressão: fechamento dos bordéis municipais desde o século XVI e marginalização das prostitutas. cujos contornos severos foram d e l i n e a d o s p e l o s m e c a n i s m o s i n t r o j e t a d o s de autocontrole (apesar de algumas seitas anabatistas ou ranters na Alemanha e na Inglaterra pregarem radicalismos isolados). 1986. A partir do século XVI a situação muda e a perseguição às prostitutas soma-se à grande onda de "caças às bruxas" e aos marginais que o século XVI passa tristemente a conhecer: Desde os anos 1490-1500. o debito conjugal era obrigatório. p. Feitas estas e x c e ç õ e s . 1986.] As "raparigas vagabundas". apud Mary Del Priore.. considerando-se pecam i n o s a s a da mulher de quatro. p. pensavam. Diante da austeridade protestante. e até mesmo as prostitutas públicas.. cuja prática nos tempos remotos fora c o n s i d e r a d a por muitos teólogos c o m o a causa do dilúvio. e prolonga-se até os séculos XIX e XX (FLANDRIN. que pode ser considerada como um aspecto importante da reforma católica na França. na época moderna. breve e voltada à procriação".. alguns fatores de equilíbrio desapareceram [. depois de 1500. 29-42 nupciais e dos concubinatos. na virada do XVI e X V I I . sendo impróprios o s d i a s de jejum e de festas religiosas e durante a quarentena após o parto.das antigas liberdades de frequentação. a partir do século XVI. S e g u n d o Mary Del Priore. aparecem com muito maior frequência como delinquentes (ROSSIAUD. 148). O i n í c i o da é p o c a m o d e r n a c o n h e c e u u m a contraposição polarizada entre o erotismo renascentista e a castidade contra-reformista. se exprime a partir dos anos 1450" (ROSSIAUD. 1981. Manuel de Arceniaga. insípida.] deste conúbio nasce a prole leprosa" . mediterrânico e católico vivia uma efervescência cultural mani- . interdição rigorosa das coabitações pré1. fechamento dos adolescentes nobres e burgueses nos colégios onde seus costumes serão. em todos os aspectos. a amamentação c a m e n s t r u a ç ã o 1 . por isso mesm o ..] explicam a intensa alegria de viver que. a gravidez. era permitida apenas em raras ocasiões. 153. denominada retro ou more canino. "a cópula com mulher menstruada era interditada [. moralismos puritanos e contra-reformistas e uma maior introjeção d o s controles morais sobre o s hábitos s o m a r a m . pois defendia que o prazer sexual que visasse à procriação era útil e defensável. mulier supra virimi.] Tais ganhos [. Esta repressão.. são doravante consideradas criminosas pelo fato de serem errantes. historiador francês que especializou-se no estudo da prostituição medieval demonstra que houve num período do século XV um auge na "alegria de viver" c um dos sintomas era o florescimento de uma prostituição mantida inclusive pelas municipalidades. a " s e x u a l i d a d e que devia ser conjugal e. 14).30 Henrique Carneiro I Revista de História pesquisadores não questionam. tudo sob penas de excomunhão. Jacques Rossiaud. p. A posição deveria ser s e m p r e a tradicional. A finalidade do ato sexual era e x c l u s i v a m e n t e procriativa. e a da mulher sobre o homem. Inquisição. p. o mundo latino. 132 (1995).desde datas muito diversas segundo as regiões . sendo proibido qualquer meio contraceptivo. antes toleradas. começa entretanto antes do concílio de Trento. O motivo para tal virada na história dos costumes é atribuída por Rossiaud a fatores econômicos: "os anos d e 1440 marcam o 'nadir demográfico'. constitui-se numa exceção no mundo ibérico. 1 9 9 3 . de multas e de prisões. inclusive o coito interrompido. 111).s e para promover. está porém obrigada a pagá-lo quando se acha com dor d e cabeça ou de d e n t e s " (DELPRIORE. 107).. um equilíbrio relativo entre os salários rurais e urbanos [. um acirramento da repressão cultural em geral e sexual em particular. mais fáceis de se vigiar. O teólogo T o m á s Sanches.

de almíscar e de perfumes animais. testemunhando o contraste entre a pudibunda corte lisboeta e a capital francesa. Portugal é a porta de entrada dessas especiarias eróticas e os portugueses são os primeiros agentes da colonização. praticamente ausente em Portugal. descritos nos fablieux franceses da Idade Média. botânica e médica. serão os grandes arautos de uma recuperação do estilo apotegmático do estoicismo. entre os quais despontam Séneca. Todos os livros publicados em português são condenadores do amor. Especiarias estimulantes. entretanto. entre os quais os jesuítas terão destacado lugar. O tema da colonização portuguesa das Ierras ultramarinas ser baseada no contalo sexual. como doença moral já estão presentes nos textos moralizantes do começo do XVI. cujas necessidades tinham de ser supridas a não importasse que preço (DEL PRIORE. por exemplo. cebolas cruas. publicado em 1515. que encontrará no século XVIII um auge. pinhões.. chegando ao Brasil e à índia. empírica. Em Portugal. E as coleções de citações dos moralistas antigos. A época barroca convive com formas de luxúria que. mas logo será sufocada pela medicina moral. Epicteto. escrevia versos no século XVI elogiando a genitália feminina. A questão do amor foi tratada em Portugal de forma muito diferente da França ou da Itália.. Muitos o seguem nessa trilha da edificação moral. 1993. . Uma outra literatura. mas comidos em diversos pratos. inclusive sexual. destituída de pretensões moralizantes. por todo o orbe português. medido pela natureza das publicações. tonificantes e revigorantes ampliavam a gama erótica dos prazeres da carne. numa miscigenação mais distinguida do que outros povos europeus. mas as teorias medicalizadoras da luxúria. com o Diálogos da Viciosa Vergonha. No momento em que se desencadeia a caça às bruxas. de uma erótica portanto. bem distantes dos corpos exuberantes. que haviam apimentado a Europa de sabores. eram incentivadas por um convívio pioneiro com as culturas de além-mar. se espalham. como em João de Barros. como Garcia da Orta. é a pedra de toque da tese de Gilberto Freyre em Casa Grande e Senzala de História 132 (J995). a diferença do ambiente cultural. além dos filósofos gregos. quando os padres e os médicos se fundirem num estilo moral patologizante. Plutarco. dessas terras lascivas das índias2. . Sopas de testículos de ovelhas.Henrique Carneiro I Revista festada pelo conflito entre essas polaridades. desde o século XVI. reconfortantes. 2. trufas são algumas das substâncias usadas na Europa na culinária afrodisíaca. Catão. os seios e o ardor amoroso.29-42 31 Na França. Esse veio moralizante foi inaugurado. embora não tivessem profundidade filosófica como os libertinos materialistas alcançaram no século XVIII. p. odores e sensualidades novas. Mas é também cm Portugal que a contra-reforma católica mais age no sentido de reprimir o erotismo. Carnes tristes. notável cronista judeu-português que testemunha a importância dessa nova experiência de desbravamento sensorial vivida pelos europeus nas índias. há também a expansão de uma erótica que vai dos versos e da pintura obscena de Aretino à gastronomia lasciva dos afrodisíacos. que é registrada nos apotegmas e sermões eclesiásticos. 137). Há um aumento do tom das censuras morais após o Concílio de Trento. Marco Aurélio. também sairá à luz no século XVI. pode ser notada na existência de obras exaltadores da sexualidade.lembra Mary Del Priore a respeito da atmosfera moral portuguesa — cames pálidas c frias estas das quais se falava entre os séculos XVII e XVITI. a publicação de obras do gênero moralista obtém grande expressão literária. pelo navegador e viajante João de Barros. não só como odorizantes do corpo. Ronsard. em que se exacerba a misoginia terrorista. Os padres. entre outros. Na França e na Itália renascentistas expande-se um uso suntuoso de âmbar. omeletes de testículos de galo.

Portugal. o troar das invectivas para a catarse do espírito por . o bramido das condenações. p. Torricelli. em Lisboa. ungüentos. L e o n a r d o da Vinci. perseguição c extermínio inquisitorial. não se aprecia mais nos alimentos os sabores inatos. nascido em 1644. que não teve Renascimento. rupturas profundas na ordem cultural que anteviam as convulsões disciplinadoras terríveis e genocidas que se avizinhavam: guerras de religião. mas os monstros. nova atitude diante do corpo. confundindo a ordem dos sentimentos. é u m exemplo paradigmático desse género literário. cosméticos. a despeito d e toda s e v e r i d a d e moralista. 122). administra ao gosto os tributos do odor e. Assim. verberaram contra a dissipação dos costumes. serão eles um prejuízo menor? Uma nova indústria. t a m b é m penetram os mistérios gozosos do Oriente dos perfumes c da A m é r i c a da bucólica inocência indígena. também na Itália. nas quais os sentidos são adulados com o exótico. das plantas excitantes. E esses Orientais das ilhas Molucas que infectam abundantemente de aromas inflamados todos os pratos da Europa desencantada. a depravação dos vícios. 1990. Tendo vivido os últimos trinta anos d e sua vida c o m o recluso n u m c o n v e n t o . diante da Igreja. os que. Muitos foram. Não nos regalamos mais com a came dos animais mais delicados se elas não são alteradas pelos sucos desagradáveis das frutas mais ásperas e mais nojentas. dos cremes para a pele deixa de ser o terrível crime das bruxas c torna-se luxo dos palácios e mercadorias do Oriente e da América. campanhas de delação. Piero Camporesi recolhe muitos desses autores no seu livro Les Baumes de l'Amour. sedas e cetins. que conheceram seguidas edições c inspiraram toda a escola abundante de escritores moralistas do século XVII e XVIII. onde. massacres de índios. poética. a corrupção dos hábitos. matança de mulheres nas fogueiras. escreveu vários livros de "literatura moral". a porta de entrada na Europa da cultura das índias. O estímulo renovado dos sentidos foi uma das facetas mais exuberantes do R e n a s c i m e n t o . mas os querem mudados e confusos. uma nova estupidez. quando o uso dos filtros de amor. novas plantas. A r e t i n o . novas culturas. O R e n a s c i m e n t o italiano. a viga mestra do discurso moralizante na época moderna. em meio a um universo d e luxo sensorial exacerba- do até os extremos através de afrodisíacos. no entanto. Não a p e n a s na expressão artística. 1990. tem um erotismo ético c e s t é t i c o . entretanto.32 Henrique Carneiro I Revista de Historia 132 (1995). o inventor do barómetro. cm notável contraste c o m o m u n d o português. A corrupção dos costumes foi o tema chave. a visão nostálgica de um mundo ordenado emergia em todos esses textos que são um dos principais filões editoriais do século XVI ao XVIII. ou melhor. Seu alvo eram os perfumes luxuriosos: Os gostos luxuosos dos paladares eruditos não amam mais as coisas da natureza. mas n u m a sensualização dos costumes. constituída de valorização plástica e escultural e de exibição c ostentação em verdadeiras pompas carnais. perfumes. transmuta em alimento os mais preciosos de todos os odores (apud CAMPORESI. M a r i n o são manifestações de uma outra relação com o corpo. refletindo a moral oficial da Igreja e do Estado em Portugal. 98). unindo os pratos aos perfumes. o bizarro e o afrodisiaco. foi. plena d e saberes sensuais. Esse contato imediato dos portugueses com a languidez tropical do Oriente c da A m é r i c a não poderia deixar d e trazer influências na cultura lusitana. Em todos eles. 29-42 O padre Manuel Bernardes. Diante das novidades da época. gastronómica e luxuriosa do corpo. refinamentos sensoriais destinados a uma cultura do luxo e da luxúria. p. no qual expõe c o m o a "ciência dos prazeres" do século XVIII recuperará a m u l h e r c o m o festejado a g e n t e e-veículò de prazer. cujos produtos d e luxo sensorial alimentaram a sede de estímulo das cortes da França c das ricas c i d a d e s da Itália. "A mulher moderna nasce quando morre a feiticeira" (CAMPORESI. denunciava na Academia de Florença outras tempestades além das atmosféricas: aquelas que atormentam o espírito. não conhec e n d o a exaltação pictórica.

"É a última que nós declaramos ser a melhor". a dos iniciados em Dionísio e a dos amantes. Essas opiniões atravessaram mais de vinte séculos para continuarem presentes no mundo moderno. segundo a expressão de Fernel. quase vinte e cinco 33 séculos depois: "Não tenho dúvida de que o conceito de 'belo' tem suas raízes na excitação sexual e que seu significado original era 'sexualmente estimulante'" (FREUD.29-42 meio da denúncia da carne e de seu império crescente num tempo de dissoluções. para Platão. pois paixão deriva do termo grego pathos. Os manuais médicos alertavam para o risco do desperdício do "espírito vital". mas também considerado um grande mal e um grande perigo. sangue fervido até a efervescência espumante. Platão reconhece-o como uma "loucura". O género moralista e sua denúncia da corrupção dos costumes utilizou-se. era um dos objetivos dos estóicos. O racionalismo ocidental desde o seu nascedouro opôs à força voluntária do entendimento o clamor instintivo e incontrolável de Eros.9. Sócrates defende o amor contra Lisias. entretanto. a perturbação amorosa do desejo carnal é sofrida por um sujeito passivo. diz Sócrates. e. Esta loucura bem-aventurada tem seu fundamento na relação intrínseca que possui com o valor da beleza. se manifesta cruamente como voz da carne desnuda-se o seu lado perigoso como caminho por excelência do excesso. que detratava o amor para propor um sexo sem envolvimento amoroso. p. é o extrato mais puro do sangue. Os estóicos admitiam o sexo apenas para procriação. a patologização de Eros. a atambia (ausência de medo) e a adiaforia (ausência total de sensibilidade aos estados afetivos despertados pela dor ou peio prazer). a apatia. Na Grécia clássica já coexistem as duas faces desse monstro bifronte que assola a humanidade com os maiores dos prazeres e com os maiores sofrimentos sentimentais. e um desejo devastador antecede o seu uso" (GALENO. a partir do século XVII. O amor como doença. Hipócrates considerava o ato sexual uma forma de epilepsia. O Cristianismo agiu pior do que Lisias. A apatia permitia a ataraxia (ausência de perturbações).Henrique Carneiro I Revista de História 132 (1905). p. De usus partium 14. conforme expressa um médico brasileiro do século XTX: "O esperma c. Mas o belo platònico longe de ser uma concretização corpórea singular é a idéia abstrata apreensível unicamente pela alma. 1872. Médicos da Roma imperial. 48). de um novo arsenal argumentativo baseado na munição médica. O amor. 1990. de Platão. p. Aphrós — "espuma" — era de onde originava-se o nome de Afrodite. esteve vigente como doutrina oficial a condenação do amor sexual. apud BROWN. esse apetite primordial da vida. a dos poetas. sem contradição. A paixão erótica. é quase uma tautologia etimológica. Há quatro loucuras assim. a secreção mais importante e a mais preciosa da economia. é o amor pelo belo. Quando a compulsão pelo belo. No diálogo Fedro. A busca da ausência de afetos. O amor é exaltado. reconhecendo seu exclusi- . 1973. 363). do tipo que traz as maiores alegrias. pois detratou não só o amor como o próprio sexo no que ele tem de prazeroso. Este último acusa-o de ser uma doença que nos priva da senhoria de nós mesmos. monges do Egito ou da Síria antiga. idéia presente desde a Antiguidade e propagada insistentemente pelo Cristianismo e pela medicina moralista do período moderno. A paixão como patologia é a paixão como mal. Galeno estranhava que os deuses mantivessem a espécie por um prazer tão aguçado e tão anti-social: "há um imenso prazer pareado com o exercício dos órgãos geradores. 25). Durante muitos séculos. poetas de diversas épocas e cientistas sociais do nosso século são unânimes em qualificar o sexo como o mais forte clamor da vida. totus homo semen est" (MELLO MORAES. Um pensamento semelhante poderemos encontrar formulado de outra maneira em Freud. O sêmen era considerado o "espírito vital". inspiradas: a dos profetas.

. surgida dos q u e anunciavam o fim dos tempos e a superfluidade da a m b i ç ã o propagadora das gerações. O Cristianismo retomou a idéia difamadora do a m o r corno p e c a d o . . sendo tratada c o m o enfermidade moral. cuja expressão de máximo controle sobre as almas está na disciplina resoluta dos ascetas. 1623. epilepsias.] ao final do século XVIII. o controle e a erradicação desse tipo de achaque" (DEL PRIORE. o diagnóstico. 9-10). ou seja. ganha uma importância e um poder inquestionável e ubíquo. p. retiram as mulheres e as riquezas da circulação. cabendo-lhe. com o fortalecimento do Estado moderno. que é o principal pec a d o . " E melhor casar do que abrasar". O celibato sacerdotal serve para a centralização do poder e da riqueza no anonimato sem hereditariedade do clero. melancolias. mas um ônus moral e um s i n t o m a do p e c a d o . fome insaciável. sufocações. d e Eros c o m o doença. síncopes. em um livro dedicado especialmente ao assunto. A medicina será a fornecedora do rol dos argumentos físiológico-morais que passarão a condenar o amor não mais apenas como um pecado. 180-181). A luxúria. muitas da aristocracia romana. C o m o escreve Mary Del Priore. na qual o prazer não era uma recompensa.. 29-42 v o aspecto d e função reprodutiva. mas como uma doença. A culpabilização do a m o r sexual acompanhou-se da instituc i o n a l i z a ç ã o do matrimônio indissolúvel. passa a ser fortemente medicalizada 3 . sede raivosa.]. apetites depravados. Estes acidentes fizeram que muitos acreditassem que o Amor seja um veneno que se engendra em nosso corpo ou escorre pela veia. opressões. o francês Jean Ferrand descrevia. a idéia do amor como enfermidade se consolidara e a Igreja oferecia-se como 'médico da alma'. na d e v o ç ã o exemplar dos jejuns e das privaç õ e s . 1993. que não recebem mitigação nem cura na maior parte das vezes a não ser pelos remédios do amor [. A a s c e n s ã o d a Igreja c a t ó l i c a c o m o p o t ê n c i a milenar sobre os escombros da civilização clássica traz ao domínio d o mundo u m a casta d e homens c mulheres q u e proclamam na sua castidade a marca d e s u a diferença. o amor como uma doença melancólica e apresentava recomendações terapêuticas para a sua cura. longe de ser um meio para a efusão do erotismo. entesourando sob controle eclesiástic o os m á x i m o s símbolos da diferenciação social dos cristãos. No século XVII. Dois m a n d a m e n t o s da lei de D e u s referem-se diretamente à interdição do amor sexual: o sexto ( " N ã o fornicarás") e o nono ("Não desejarás a mulher do próximo").. pp. 177. dissera São Paulo. 1993. cresce c o m o primeiro poder no m u n d o a não suceder-sc por meio de linhagens dinásticas. pp. Sobre ¡i importância primordial dn luxúriü na moral médica e clerical do periodo colonial c a constituição da "nosologia da alma" ver DEL PRIORE. Sua causa era atribuída por muitos a um "veneno engendrado no corpo" ou a "filtros": Nossos médicos modernos chamam de febre amorosa os batimentos do coração. furores uterinos. 3. Monges. E m s e m e l h a n t e cultura o A m o r é tornado o principal inimigo. A detração do amor na época moderna será realizada por uma antiga ciência que.. sempre foi um recurso para a domesticação da paixão e sua anulaç ã o . O discurso m é d i c o moral da época moderna medicaliza o pecado considerado como causador de males para a saúde. vigílias contínuas. causado por medicamentos que eles chamam de filtros (FERRAND. "a luxúria travestiu-se nos tempos modernos em doença [. portanto.34 Henrique Carneiro ¡Revista de História 132 (1995). Tal instituição. tristeza. clérigos e virgens consagradas fazem d e sua atrofia sexual a marca de um novo poder temporal. raivas. inchamento do rosto. Mas São Jerónimo fez questão de acrescentar q u e quem a m a s u a mulher c o m o a u m a a m a n t e c a i n d a pior p e c a d o r . Desde a sua origem q u e o matrimonio cristão. suspiros. os h í m e n s intocados e as fortunas não dissipadas no m u n d o . satinases e outros perniciosos sintomas. O s exércitos de virgens e as legiões de viúvas castas. cefalgias. lágrimas sem motivo.

acende a concupiscência c por este desejo começa toda a sedição [. Entre as causas interiores...s e as sangrias c remédios "frios e úmidos". "grãos de cànfora" e "cicuta". chegando finalmente ao cérebro. 1872. . que eia se sujeita e torna-se totalmente escrava (FERRAND. 1623. 1540). encontraremos no Brasil médicos repetindo tais recomendações de c o m o domar a luxúria através de medidas contra o seu vício análogo. os alimentos.. demasiado suculentos [. ou parece amável. que é "a contínua ereção viril com desejo e apetite para o coito. Recomendava-se também untar rins. imprime subitamente um desejo ardente da coisa que é realmente. nunca de costas. Sabe-se qual a influência estimulante que sobre os órgãos genitais produz uma alimentação suculenta. pp. as paixões do espírito.. A satiríase é um afeto com intenção pudenda".]. substância considerada o maior antídoto na época. no Tratado de las siete enfermidades. pênis e perineo com um unguento refrigerador. 378). aromaticamente temperada e regada de vinhos generosos. dela procede ciática. Evite-se para ambos os sexos os manjares muito adubados.aos maiores inconvenientes da luxúria que. Em 1623. bezoar. cega o homem e o faz néscio. água escorcioneira ou de alface".. indica que "dormir de costas de acordo com todos os médicos provoca a luxúria" (FERRAND. por exemplo. segundo São Tomás dana a fama e honra do homem e escandaliza o próximo (BARROS. 204). O s remédios p o d e m ser dietéticos.]. 1 6 2 3 . como os exercícios ou o repouso. 346-35Û). a esmeralda c o j a s p e também "preservam da melancolia erótica". da mesma forma que a "pedra bezoar". O regime alimentar é de grande importância para combater as inclinações eróticas [. ataca depois tão vivamente a razão e todas as potências nobres do cérebro.29-42 Esse mal ataca inicialmente pelos olhos. 1872. p. o qual estando uma vez assegurado como o mais forte lugar. A maior parte dos libertinos são grandes comedores ou gastrónomos famosos (MELLO MORAES. 35 Mello Moraes. c o m o "águas de alface". 1623. porque a concentração d o calor na região tombar d e s e n v o l v e excitabilidade nos órgãos sexuais" (MELO MORAES. a vigília ou o sono. O s r e m é d i o s " c i r ú r g i c o s " c o n t r a a d o e n ç a do amor são. C o m o terapia. O moralista português quinhentista João de Barros já utilizava os mesmos conceitos medicalizados para referir-se .. que inflama.Henrique Carneiro I Revista de História 132 (1995). Aleixo de Abreu. que afirmava: "Dormir de lado. 47). de forma a transmitir um calor aos rins e ao lombo. como verdadeiros espiões e porteiros cia alma. Tal preceito continuará a ser repetido dois séculos mais tarde por um médico brasileiro. traz diversos males: Tais crenças sobre a relação entre a dietética e a atividade erótica atravessa os séculos e consolida-se no pensamento m é d i c o m o d e r n o . a excreção ou a retenção. p. o dr. Vai diretamente ganhar a cidadela do coração. se portadas no dedo médio esquerdo (FERRAND. as indefectíveis sangrias. feito de "ervas muito frias. A o " r e g i m e de viver" s o m a m . que é escravizado: O Amor tendo abusado dos olhos. conforme o Espelho de Casados. dirige-se ao fígado. deixa-se deslizar docemente por um par de canais e caminha insensivelmente pelas veias até o fígado. p. Pedras preciosas como o rubi. flui pelas veias como um veneno. muito empece ao estómago e ao miolo e aos olhos e já alguns no mesmo ato morreram e os castos vivem muito. o confessor e médico de Felipe III. principal método terapêutico da medicina da época moderna. p. que tornam-se sedes importantes dos sintomas eróticos.]. N o século XIX. podagra. segundo diz Galeno e os médicos. relatará c o m o ele próprio foi acometido de uma "satinase". Ferrand refere-se às causas exteriores como o ar. antes de t u d o . a gula: O primeiro é que dispõe o corpo a muitas enfermidades e abrevia a vida do homem e por ela se evacua o nutrimento dos membros e a virtude do homem enfraquece-se e se seca. Seneca diz que não há coisa mais mortal ao engenho. 54). cirúrgicos e farmacêuticos. dores de cabeça. e às interiores.

enviavam grande cópia de espíritos ao membro. assim pontificava contra o sexo. d e 1732. 3 3 7 ) . p. dava certos e evidentes sinais da presença de tal enfermidade (ABREU. autor c l á s s i c o de o b r a s diversas v e z e s publicada e t r a d u z i d a s . Primeiramente considera. faz o h o m e m pálido e torpe. priva do sentido. de quantos há. pode esfriar os Amores lícitos e esquentar os ilícitos" (FERRAND. seria "uma enfermidade da alma ociosa". que culpa será o profanar o sacrário. mas também suja o corpo.] debilita as forças. na veia da Arca. amortece a formosura. Aleixo de. o pague com . A Colleçam moral de apophtegmas memoráveis. 1699.. não só nos incêndios libidinais c o m o também pelo resfriamento dos q u e vivem sob o j u g o matrimonial: "muitos teólogos e médicos acreditam [.36 Henrique Carneiro / Revista de História 132 (1995). 1732.. 31-33). que com sua inchação. q u e assim define o a m o r : " O amor e m b o t a os sentidos. p. estraga a saúde. velhacarias. p. mas com mais moderação que as passadas. O culpado é sempre o demônio. no qual. e isto é uma coisa que há de ferir agudamente a consciência na hora da morte. com trechos inteiros plagiados diretamente do Guia de Pecadores. as mais duras são as da castidade. apenas com ligeiras alterações: A Luxúria consiste em um desejo de sujos e desonestos deleites. O padre Angelo Sequeira. em que Deus mora? Considera também. para quem " a m o r é negócio dos que estão em ó c i o " (BERNARDES. que o Filho de Deus limpou com o seu sangue. O s tratos ilícitos. que este pecado comumente não se põem por obra sem escândalo de outras pessoas. 1623. Frei Luís d e G r a n a d a . 82). causa enfermidades sem número. é mui rara a vitória [. com alguma acrimònia.] que o diabo. 1623. pois seria o "grave calor do sangue" q u e causaria "o incêndio do lombo": Me mandei sangrar no braço direito. como em um sacrário. referia-se ao amor. t e ó l o g o e c o n f e s s o r d o m i n i c a n o e s p a n h o l . 1873. defende-se dele com estas considerações. p. era a causa do incêndio dos lombos. Porque (como diz São Bernardo) enlre todas as batalhas dos cristãos. autor de toda m a l d a d e . nem traz consigo maior infamia [. e se é grande culpa o profanar o templo material de Deus. Para Tcofrasto. d e Pedro José Suppico Moraes. É este um dos vícios mais gerais e furiosos de acometer.. que havia crescido. refugiado em Portugal por ter sido perseguido c o m o " m í s t i c o " pela Inquisiç ã o e s p a n h o l a . 218). A m b o s detalham a mesma sintomatologia e as mesmas conseqüências. cita S ã o Gregório. traz a velhice e expressa a m o r t e " (MORAES. escândalos. O a m o r carnal é uma doença.. Quando este vício abominável tentar o coração do pecador. Tal consideração encontra-se insistentemente presente tanto nos tratados médicos c o m o nos textos moralistas dos séculos XVI ao XIX. Porque primeiramente rouba a fama (que entre as coisas humanas é a mais formosa possessão que podes ter). 63). que este vício não só suja a alma. porque se a lei de Deus manda que quem tirou uma vida. e estas muito asquerosas c imundas. O padre Manuel Bernardes busca apoio nos antigos para afirmar que coisa seria o a m o r profano... torpezas. abrindo as bocas mais do que convinha. em 1754. de Frei Luís de Granada. e se fez uma sangria copiosa. tira a boa disposição. porque nenhum rumor de vício cheira mais mal. cm obra o r i g i n a l m e n t e publicada em 1 5 5 3 : A luxúria é um apetite desordenado de sujos c desonestos deleites. pp. confunde o entendimento. desonestidades. aonde sendo cotidiana a lula. por entender que o grave calor do sangue. 29-42 Aleixo promoverá contra a doença do desejo as mesm a s s a n g r i a s q u e r e c o m e n d a nas o u t r a s d o e n ç a s . escurece a vista. tira a m e m ó r i a . atos torpes c lasc i v o s dos divertimentos ilícitos nas casas de alcouce ou saraus e galhofas em lugares de perdição são o principal objeto da fiscalização clerical sobre os costumes.] quantas multidões de outros males traz consigo esta suave e atrativa pestilência. se deposita o corpo de Jesus Cristo. esquentando as artérias demasiadamente. opinião corroborada por Diógenes. maganagens. arruina antes do tempo a frescura c flor da mocidade e faz vir mais cedo uma feia e torpe velhice (GRANADA.

p.luxúria e soberba . 1726. enfcia a formosura. quem fez uma morte. . pois passa a delírio. o pague com a morte. Esse apetite contagioso e doentio é o mais perigoso pecado. estorvam a transpiração c a circulação do sangue. escrevia palavras semelhantes. E pela luxúria a carne se rebela contra o espírito e não obedece ao domínio da razão (BERNARDES. p. ]648. Bernardo Pereira. em 1726. desde que lhes aponta a barba até a sepultura" (MARQUES PERErRA.. somente se apaga e se modera com o uso da oração e penitência. aparta os homens dos exercícios honestos c o faz espojar no lodo. Mas contanto que. aqui como em toda parte. o coito. que introduz na alma infernais incêndios. 1686. tira as forças do engenho. ele diz que Deus Nosso Senhor castigou os orgulhos da soberba com quedas da luxúria. BERNARDO. Por isso trataram de cobrir-se. embota o juízo. O médico holandês Willen Pies. 1728. 69). p. que infecciona a pureza dos afetos (PEREIRA. mas provocado pela turgidez natural e não por uma libido vaga e intempestiva. 1754. Santo Tomás: Libido rationens est appetitus excitatus" yehemens contra (ABREU. comendo do fruto proibido d a ciência. pecado original do gênero humano. como há de pagar isto? Considera também os mates. Bernardes diz que o cristão deve buscar a perfeição. 242-243). Primeiramente rouba a fama. e x citado pelo gosto e sugerido pela desordem. 1686.] Sc acaso ha" tardança nessa aplicação. 1686.. pp. Apeteceram nossos primeiros pais a excelência própria e indevida de ser como deuses e logo sentiram a rebelião da sua carne como brutos. é naturalmente conducente a extinguir o incêndio de Vénus. tira a boa disposição.] a culpa da soberba segue-se a pena da luxúria [.. 64). m a s nunca crer soberbamente q u e a conquistou. debilita as forças. mas relativas apenas ao "abuso". p.que se destacam dentre todos os demais por sua gravidade superior. p. que viveu em Pernambuco junto com Maurício d e Nassau. pp. que a peste deste vício traz consigo. 1734. em 1734. seguiu-se a pena da luxúria e da embriaguez. Tal relação expõem o nexo que une esses dois pecados capitais .29-42 a vida. o vício da luxúria. Brás Luís de Abreu. e isso melhor à noite que de dia. assim define a lascívia: " É a lascívia 37 um veemente apetite contrário a o reto discurso..] aquele fogo'ou aquela febre ardentíssima. p. 325). degenera cm terribilíssimos sintomas. donde o difundirem-se facilmente cruezas no âmbito do corpo. para que viva e morra sujo (SEQUEIRA.] A proporção desta pena com esta culpa consiste em que pela soberba o homem se rebela contra Deus e não reconhece superior naquele tanto em que se ensoberbece. nem àquele se siga imediatamente o trabalho com a vigília (PISO. causas de catarros no cérebro e palpitações no coração. q u e S ã o Gregório afirma ser "o que mais guerra faz aos descendentes de Adão. deita a perder a saúde. Ao orgulho do homem. E qual o pior dos pecados? Manuel Bernardes escreve que o "homicídio é o pecado mais grave em seu gênero que os da luxúria. em seu tratado " m é dico-teológico" afirma que: só estas cogitações e pensamentos cristãos são os verdadeiros antídotos de que nos devemos valer contra o feitiço voluptuoso da Lascívia para que não chegue a prender-nos e maleficiar-nos como inimigo tão capital [.. Assim castigou o primeiro pecado da soberba no homem. E comentando o caso de uma freira q u e começou a se orgulhar tanto de ser tão casta que passou a cometer o pecado da soberba. NUNO.Henrique Carneiro / Revista de História 132 (J995). tendo o nome aportuguesado para Guilherme Piso. chama pela velhice. BRÁS. tendo por mais vergonhosa a pena do que a culpa [. pare inumeráveis achaques. em 1648: Os que abusam de Vénus extinguem o ardor juvenil e se preparam uma velhice precoce. neste caso. 11). pois " m e n o s a b o r r e c e Deus a um pecador humilde do que a um casto soberbo" (BERNARDES. com a lembrança e consideração do inferno [. não se coma logo depois.se apaixonar e deixar o convento. a maior parte ¡medicáveis. e a contágio. médico publicado em Coimbra. Pois. Diante do sucedido à freira que terminou por. 66-67). quem causou tantas mortes de almas. que descompõe a honestidade dos costumes.. 736). e nenhum rumor é mais infame que este rumor.. 29). mas os da luxúria são mais torpes e afrontosos" (BERNARDES.. sua soberba em querer saber.

. só rompida pela desobediência humana que após comer do fruto sente a vergonha de estar nu. em particular contra os hereges. os C i s m á t i c o s . A retomada da moral agostiniana pelo moralismo moderno se fará com um novo contorno medicalizante. marca de sua desobediência para com Deus. Adão c Eva só tinham um sexo "latente". Jerónimo. de uma indiferenciação sexual angelical c edênica. Querer conhecer e querer gozar. o pecado da conc u p i s c ê n c i a . não de água elementar. Nem tínhamos.] aplicou à tua doença o maior remédio [. repetida no século XVII pelos moralistas portugueses. mas sim do seu próprio Sangue preparado na botica do Calvário [. Tal é a explicação do porque s e m p r e havia acusações d e práticas sexuais contra os i n i m i g o s da Igreja.. A revolta da carne contra a regra do espírito era vista c o m o análoga à revolta d o hornem contra Deus. Ela com outros tais lhe corresponde. à Igreja.. Tc que por esta frase Adão começa De amor para o deleite a requestá-la [.. 50). (MILTON. p.. Gregório de Nissa e Orígenes. não manifesto. Comentários Literais ao Gênese. No fogo da lascívia ambos se abrasam.. 68). mas todos os males dos h o m e n s nascem nesse gesto original de inconformismo.[. Durante os últimos Î5 anos de sua vida. pois o primeiro pecado foi c o m e r do fruto da curiosidade e só depois o de praticar o sexo. diferentemente de seus antecessores Ambrósio. s e seguirá a o orgulho. 29-42 C o m o descrevem as palavras do poeta John Milton. na qual expõe sua doutrina que se tornará a moral mais que milenar do Cristianismo. Esta a consolação do seu pecado. Se tal gosto há nas proibidas coisas. no século XVII: Eis que o falsário fruto lhes imprime Antes disso um efeito desenvolto E o carnal apetite lhes inflama. Quem não resiste à carne resiste a Deus. os A p ó s t a t a s . 277-27S) Esta marca do delito original. é o signo da soberba da ciência. como há de ajudá-los Deus a que a sua parte inferior obedeça à parte superior" (BROWN. Quem desobedece a Deus n ã o mais poderá obrigar a que sua carne obedeça ao seu espírito. na maior parte foram monstros da sensualidade. como hoje. pois "daqui vem que os Hereges.. Santo Agostinho. aos Prelados. 1990..] Descomedidamente ali se fartam: De seu mútuo delito este é o selo. Porque se estes recusam obedecer a Deus.3S Henrique Carneiro I Revista de História 132 (1995). em Paraíso Perdido. Agostinho se dedicará a uma exegese do Gênese. Deveríamos querer que a dez subissem.] Para te curar desta tua enfermidade veio do céu à terra o Divino Médico [. A origem das doenças também está no ato rebelde de Adão: Ao pecado do primeiro homem. Essa natureza ambígua. defende uma natureza sexual em Adão e Eva. chama a Igreja peste mortal [. pp. Não apenas o sexo terá sua origem na rebelião adámica primeva.] Perdemos de prazeres larga cópia Enquanto deste fruto não comemos. A o invés de um "remédio misericordioso" dado ao homem junto a punição da morte para impedir o desaparecimento da espécie. o gosto da fornicação.]. ideia exata Do prazer. Q u e m não obedece a D e u s não poderá obrigar a sua c a r n e a obedecer-lhe. A luxúria. p. quase andrógina. portanto.. Para os padres da Igreja anteriores a Agostinho.. "A guerra do espírito contra a carne e dessa contra o espírito foi uma i m a g e m d e s e s p e r a d a da resistência h u m a n a contra D e u s " (BROWN. Em lugar de uma as árvores vedadas.. 1949.. ' Sobre Eva lança Adão sôfregos olhos. Para te curar das recaídas deixou na Igreja sete remé- . posto ser por nós sentido. proibido pelo sexto m a n d a m e n t o . o sexo já existiria no Éden. é contestada por um Agostinho que vê no sexo a "pena recíproca" que condenou o homem a ter em seu corpo a desobediência da carne. 1990.] um lavatório.

segundo o aparente consenso médico do século XIX. também não poderia estar isento d e seqüelas causadas pela fricção venérea: Apoplexia.. do matrimônio. pois "é errado abandonar inteiramente aos romancistas o belo domínio das doenças da alma". o pulso umas vezes cheio. nada a ocupava. "Há poucos médicos que não tenham tido a ocasião de patentear um amor oculto que roa o coração de um dos seus doentes". náuseas. sede viva. 1911. Londe. o órgão mais nobre do corpo. emagreceu rapidamente. 341). ceifada por esse mal implacável. diz o dr. a patogenia ou interpretação do mecanismo mórbido. Além da própria Igreja que continua professando essa crença. vòmito. delirio. trata da medicina das paixões. a visão do amor como fenômeno doentio permanece presente na medicina até o século XX. Serres. Ela sofria cansaços espontâneos. quando provém de excessos venéreos (MELLO MORAES. E como a luxúria é o pior pecado. Moraes. e para nosso doutor trata-se de fazer do estudo do amor "uma ciência mais positiva". Luiz.. Uma moça. O amor é uma das causas de mortes entre a juventude. Mas não são a p e n a os p u l m õ e s q u e o e x c e s s o genital afeta. os olhos se encovaram e as lágrimas correram. Numa época c o n t e m p o r â n e a às p e s q u i s a s de Havelock Ellis e de Freud. moralista e normatizadora. nada a distraia. o d i a g n ó s t i c o . escrito no final do século XIX. suas amigas. tabes dorsalis. o cérebro. 1734. tudo lhe aborrecia. Andrai. O livro Introduction de ia Medicine de l'Esprit. têm sido muitas vezes reconhecidas nos libidinosos [. De forma prática. As doenças da medula espinhal são tão frequentes nas pessoas devassas.Henrique Carneiro I Revista de História 132 (1995). esta patologia compreenderá "a análise das causas. com edições se sucedendo pelo início do século XX. o prognóstico e o tratamento. Esta doença pode causar uma morte ràpida. A patologização do amor se refinará no século XIX quando uma longa série de doenças será atribuída à "libertinagem"..s e sempre no terreno do relato "trágico ou cômico. ficou triste e pensativa. há congestão e palidez da face. sem causa conhecida. paralisia dos membros [. Em seguida refere-se à tuberculose. as urinas vermelhas. o dr. 365-367). q u e não é 39 movido pelo desejo carnal. apontada por diversos médicos c o m o s e n d o causada pelo abuso sexual: "[a tísica] é de todas as doenças graves aquela. aos "excessos v e n é r e o s " . p. os s i n t o m a s .29-42 dios receitados que foram os sete Sacramentos (PEREYRA. entre outros Tissot. Estes m a n t é m . ela também será considerada como a mais adversa de todas as doenças. Mello Moraes é um exemplo eloqüente da completa invasão do domínio amoroso pela medicina presentiva. porque curar aqueles que sofrem é o objetivo que nós perseguimos!' (DE FLEURY. bem claramente o dizem em suas obras sobre a tísica pulmonar". que se lhe deu o nome de consumpção tísica dorsal. poético ou filosófico". com o beneplácito oficial das academias francesas. Pinei. A noção do amor como pecado capital é um dos fundamentos da moral crista. Maurice De Fleury propõe uma espécie de "patologia didática do coração como víscera sentimental" que tratará da "intoxicação amorosa" c da "terapêutica do amor".. declarou-se uma pequena . a que os abusos venéreos provocam mais freqüentemente. Evitava seus pais. Bayle. Relata inicialmente esta afecção segundo a descrição de um colega francês: Sauvage descreveu com o nome de febre ardente dos esfalfados uma doença que sobrevêm de repente àqueles que cometem excessos venéreos: a pele fica seca e ardente. 430). passa a relacionar o conjunto de males provocados pelo sexo. 1872. gemia e suspirava.] Doenças crônicas do cérebro. Cruveilhier. p.. sem moléstia física. e sobretudo do cerebelo. seu rosto fez-se pálido. Portal. amolecimento cerebral. têm colocado os excessos da extravagância entre as causas dessas afecções [..] todos os autores. e após redimir o "amor feliz".]. O médico brasileiro dr. outras pequeno. pp. austero ou voluptuoso.

E necessário combater esta crença que não é fundamentada em coisa alguma séria e que nunca foi submetida às provas de uma verdadeira observação (MELLO MORAES. 1872. as emoções violentas tão frequentes no amor desgraçado. 1872. o que não acontece na retenção (FONSECA HENRIQUES. ficou epilético. Hoffmam e muitos outros têm sustentado esta opinião errônea. três dias depois do seu casamento. p. tremuras.] Os oculistas mais distintos: Sichel. A epilepsia sobrevêm algumas vezes imediatamente depois do excesso que a causa. Porém as mais das vezes o abuso dos prazeres obra com mais lentidão [. 333). tem sido considerado em todos os tempos como conseqüência dos excessos venéreos [. nutrindo e dando maior vigor. Francisco da Fonseca Henriques. Ele admitia que embora a retenção seminal fosse saudável pois ela enriqueceria o "quilo". Platão. 29-42 tosse. o bolo alimentício do corpo. o dr. que nas pessoas continentes passa a nutrir outras partes {. o amor d e s r e g r a d o t a m b é m produz neuroses. A opinião antiga que considerava o esperma c o m o um fluido precioso que não devia ser vertido frequentemente também considerava. que sentem um verdadeiro acesso convulsivo. 368-369).. que deve ser contida ao máximo. roídos no coração por esse mal devorador (MELLO MORAES. dez perderam a razão pela libertinagem [. No século X I X .] Considerando-se os efeitos fisiológicos do ato venéreo. histeria. "A abstinência absoluta não é de ordinário a causa das doenças" proclama Mello Moraes. 504). adaptada por sua vez dos estóicos. por exemplo. A exaltação da imaginação. em 1731. Mello Moraes. do ponto de vista fisiológico da retenção seminal. João V. da vista. pp. epilepsias.40 Henrique Carneiro I Revista de História 132 (1995). Ela levou consigo o seu segredo para a sepultura: a pobre moça amava! Quantos acabam assim ceifados na flor da idade.] O enfraquecimento ou a perda dos sentidos. Hipócrates. Sanson. contrariando até mesmo Hipócrates e Galeno. pelas mesmas razões.. . Galeno. cada vez que se entregam à voluptuosidade. por fim a morte. à castidade.. nascidas da retenção c corruptela da matéria seminal. tanto a retenção c o m o a excreção frequente da matéria seminal produzem melancolia erótica. (tomam-se) exaustos e tísicos dorsais. particularmente do ouvi.. Esquirol conta a observação que fez em um jovem que... abalam muitas vezes o sistema nervoso a ponto de produzir ataques de nervos. espasmos. a ponto tal que os antigos lhe chamavam epilepsia breve. 1872. desarranjos de cabeça. amauroses. porque ela é uma porção do quilo. surdez. vê-se que oferecem uma grande analogia com a epilepsia. tem uma opinião médica que isentava ainda mais a castidade. Não negamos. epilepsia. veio a febre.. onde esclarecerá que é ruim para a saúde reter todas as excreções corporais.. 1731.do e da vista. recusam essa opinião antiga para defender que a continência prolongada é saudável. loucura: A liberlinagem produz também as neuroses de todo o gênero: indisposições sempre renasccnles.] O grande Boherhaave.] Zimrriermann conta que viu um homem de 23 anos que ficou epilético depois de se ter debilitado por frequentes masturbações [. médico de D. e mesmo a catalcpsia. c e gueira. notam os abusos da voluptuosidade como causa poderosa de cegueira pela amaurose [. Além dos males pulmonares e cerebrais. Fernel.] Os dados estatísticos mostram que sobre cem homens alienados.. Para Jean Ferrand.. p. a excitação dos sentidos. mas dizemos que sucedem poucas vezes e que comumente faz maior mal a nimia excreção. ela também podia chegar a provocar "histeria": O mais frequente é não fazer dano a retenção de matéria seminal. sendo certo que estes padecem mais que aqueles... p. epilepsia. Há indivíduos que têm uma tão grande suscetibilidade nervosa. porque com as frequentes excreções da matéria seminal se debilitam as entranhas. 333). Alguns autores têm atribuído muitas dessas afecções nervosas à continência. agravou-se. histerismo. paralisias particulares ou gerais. fala dessas enfermidades com a força e precisão que caracterizam suas descrições (MELLO MORAES. publicou a Ancora medicinal. aberrações do ouvido.. de qualquer efeito pernicioso para a saúde. convulsões. Os médicos moralistas que dão forma "medicinal" à dou- trina cristã. exceto a matéria seminal. que há queixas histéricas.]. que a contenção prolongada do esperma tamb é m era nefasta.. depois o marasmo. Rognatla. contrações dos membros [.

e por isso é entre os homens como o querubim entre os anjos" (ARRAES. vaidade do ho- . "querubim entre os anjos". 1726. Histórica. Porto. Portugal Medico ou Monarchia MedicoLusitana. p.29-42 41 Santíssima é a verdadeira botica preciosa" (SEQUEIRA. na medicina os remédios são leis para atender a saúde dos enfermos" (PEREYRA. a medicina. Traduzido do Grego cm língua portuguesa por D. ABREU. Brás Luis de. composto pelo doutor Duarte Madeyra Arraes. Lisboa. além de divina. Espelho de Casados (1540). 430) c Jesus Cristo é o "médico divino". BRÁS. assim como para Angelo de Sequeira "Maria 132 (1995).. inscrita junto à religião e ao Estado. e citando Vieira diz. A faculdade e ciência do médico é um ajuntamento de todas. atualizando o Methodo de conhecer e curar o Morbo Gallico. com a monarquia portuguesa e com a sabedoria clássica greco-latina. de Sousa. a respeito da ciência dos médicos que ela deve ser uma súmula de todos os conhecimentos: "do médico diz também o Platão Divino da Prédica (o padre Antonio Vieira) que deve saber todas as ciências. Manual de Epictcto filósofo. 1715. A medicina moral comparava-se insistentemente com a divindade cristã.. com uma função consagrada. prescrições e proscrições para os usos do corpo que se destacou em todo o período moderno e. Introdução). ele acode com a justiça aos morbos populares e perniciosas epidemias dos pleitos. que Deus o guarde. Cada uma das nossas faculdades é uma ciência. Exercícios espirituais. BARROS. era patriótica: El Rey Nosso Senhor. ele remedia com a magnificência. não só como o romano César. Régia Oficina. Pedro Craesbeeck. que fôra o "physico mor" de Dom João IV. Joam Antunes. 1726. está atualmente sendo. 5). Lisboa. Aleixo de. Duarte Madeira. Paschoal Ribeyro Coutinho. [pois] as leis no direito são remédios-para curar a peste dos delitos. Practica. mas como ele só. Ele cura radicalmente com os castigos os frenesis. os delíquios e os paroxismos da pobreza. monárquico. juiz supremo do organismo. 1876. 1715. Bibliografia ABREU. 1734. 1623. Padre Manuel. publicou em 1715. se como Divino Imaginário levantou de barro a estátua do homem. as síncopes. agente das recomendações. Francisco Antonio BERNARDES. Coimbra. particularmente no século XVIII. Mcihodo de conhecer e curar o Morbo Gallico.Henrique Carneiro I Revista de História A força incontrolável do desejo que para Agostinho era uma rebeldia introduzida na própria natureza da carne será encarada pela medicina como um sintoma de um grave distúrbio. Lisboa. Imprensa Portugueza. Prólogo). dizendo que "mal se pode curar o corpo pela medicina. Symbolica. bispo de Viseu e novamente correcto c ilustrado com Escólios c Anotações Críticas c dirigido ao ¡Ilustríssimo c excelentíssimo Senhor Duque de Atafões General Junto d real Pessoa de Sua Majestade. é a personagem "detentora de todas as ciências". se não concorrer para medicar a alma a teologia. João de. o único e o soberano Médico de todo Portugal. AZEVEDO. p. já afirmava que: "Deus soberano protótipo de todas as ciências. Etilica e Politica. c meditações da via purgativa: sobre a malícia do pecado. Para Brás Luís de Abreu. Bernardo Pereyra compara a medicina com a teologia. cuja cura cia propõese a proporcionar. como Médico soberano a reformou do acidente e fealdade do pecado". à maneira de Deus. em carta escrita ao autor e publicada no prólogo do livro que o médico de Dom João V. sara todas as enfermidades e fraquezas do seu povo lusitano (ABREU. 1754. ARRAES. Esse médico divino. Tmctado de las siete enfermedades. ele ultimamente. os delírios e os letargos das culpas. 1785. Antonio Pedroso Gabran. Francisco da Fonseca Henriques. pai da Pátria. Luis Antonio.

Magica. Corpo c Sociedade.. 1986. Lisboa. Francisco de Oliveira. Sigmund. Anaccp/udcosis Medico-T/ieologica. Hachelle. ed. Paraíso Perdido.. 1734. 1872. Miguel Manescal da Cosia. ROSSIAUD. 9.) sobre os males que produzem a libertinagem. Jacques.r ensaios sobre a teoria da sexualidade. com uma instrução breve do modo prático com que os principiantes podem exercitar a oração mentai. Jean-Louis. Nuno Marques. Endereço do Autor: Rua Japuríí n" 55 apto. o amor e o casamento. PEREIRA. . O Homem. São Paulo. José OI y m pio/Ed unb. Ao Sul do Corpo. A prostituição nas cidades francesas do século XV. Paris. Coimbra. 1873. Oficina de Miguel Deslandes. a prostituição. PEREIRA. sobre a sympathia. . Miguel Deslandes. conservar. DE. Rio de Janeiro. FLANDRIN. Rio de Janeiro/Brasília. Jean. 1973. Lisboa. Pão Partido cm pequeninos para os pequeninos da casa de Deus. Traicté de l'Essence et Cuerison de l'amour. MELLO MORAES. W. Imago. c bem assim um artigo sobre o parto. Rio de Janeiro. GRANADA. Documentário. Paris. Lisboa. DE FLEURY. Angelo.M. a Mulher e a Renúncia Sexual no Início do Cristianismo. Piero.São Paulo . FREUD. e diligencias covcnícntcs para adquirir. 1990. FONSECA HENRIQUES. Miguel Rodrigues. Mary. Majestade. Typographia Nacional. Rio de Janeiro.. Zahar. 1979. e quatro novíssimos do homem. Francisco da. 1731. c defender esta angelica virtude.J. introduction a la Médecine de l'Esprit. 1737. Guilherme (Willen Pies). São Paulo. FERRAND. Évolution des attitudes et des comportements. Lisboa. Guia de Pcccadorese cxhortaçóes à virtude (1553). Nacional. Maurice. Nova Floresta (Seleção). 1990. misérias da vida. Prefácio de Múcio Leão. c modo de cffcctuar-sc. em que se instrui um fiel nos pontos principais da fé e bons costumes.MJackson. I9I1. São Paulo. Bernardo. John. impressos de S. 29-42 mcm. Moral e Politica. SEQUEIRA. ou De la Melancholic Erotique. Tratado Espiritual cm que por modo pratico se cnsinão os meios. Pd. Rio de Janeiro. breve tratado espiritual. 1623. Cottcçam moral de apophtcgmas memoráveis. Denys Moreau. Botica preciosa c tesouro precioso da Lapa. 1699. Lisboa. . Compêndio Narrativo do Peregrino da América.Brasil . Lisboa.Brastliense. Paris. Librairie Félix Alean. Jackson Inc. DEL PRIORE. In: Moralistas do Século XVII!. W. MILTON. 1970. CAMPORESI. Seuil. Pedro José Suppico. SãoPauIo. Condição feminina. 1949. A. Frei Luís de. c o onanismo. Rio de Janeiro. Miguel Rodrigues. 410* CEP 01335-900 • São Paulo . História Natural do Brasil Ilustrada (1648). BROWN. Diccionario de Medicina e Thcrapcutica Homocophatica ou a Homocopathia posta ao alcance de todos (. Peler.42 Henrique Carneiro I Revista de História 132 (1995). 1686. MORAES. Jurídica. em relação á saudc c ás enfermidades dos homens. e sobre as paixões. l ° 8 l . maternidades e mentalidades no Brasil Colônia. 1993. 7'rc. PISO. Garnier. Les Baumes de l'Amour. Ancora Medicinal. 1732. Le Sexe et L'Occident. 1948. Armas da Castidade. In: Sexualidade Ocidentais. Paris. 1754.