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Prof.

Paulo Luiz da Silva Barros
plsbarros@aedu.com

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18/03/15

Curso: Engenharia Mecânica
Disciplina: Projetos de máquinas - Parafuso de Potência

Aula: 2

 Definição de Parafuso de potência ou movimento:
Parafusos de potência convertem seu movimento rotativo em deslocamento linear sendo
amplamente empregados em macacos, portões residenciais, prensas, fusos de máquinasferramentas e máquinas com reversão de movimento.

a) Vantagens
 Projeto simples;
 Pode se obter altas relações de velocidade;
 Pode ser auto-frenante;
 Possibilidade de construção com elevada precisão.
b) Desvantagens
 O elevado atrito de deslizamento na rosca;
 Baixo rendimento.

 Aplicação de parafuso de potência

Figura 1 – Morsa

Figura 2 – Macaco mecânico

Figura 3 – Macaco com sem-fim

Modo de Falha do Parafuso de Potência
Na análise típica de montagem de parafuso de potência
englobam características de mancais de deslizamento,
eixos de transmissão de potência como colunas
carregadas axialmente e de mancais de elementos
rotativos, dessa forma o parafuso de potência deverá ser
analizado pelo seguintes modos de falhas:
 Pela característica de mancal de deslizamento, a
falha pode ocorrer por escoamento, corrosão,
desgaste adesivo, abrasivo e corrosivo, desgaste
por fadiga superficial, desgaste por atrito,
fluência ou desgaste por contato e aderência.
 Pela característica de eixos de transmissão,
devido ao tipos de elementos que podem ser
montado no eixo (engrenagens, rodas dentadas,
polias e mancais, as falhas possíveis são,
tensões de cisalhamentos torcionais e devido à
desalinhamentos provocados por cames,
mancais, podem provocar deformações elásticas
induzida por força.
 Pela características de mancais de rolamento,
podem sofrer falha por fadiga superficial,
causando pites superficiais. Em alguns casos de
cargas estáticas pordem levar a falha por
identação.
O projeto para prevenir a falha dentre alguns destes
modos prováveis de falha pode se tornar complicado
pela natureza indeterminada da região de contato entre
os filetes das roscas da porca e do parafuso.
Teóricamente, todos os filetes em contato deveriam
dividir a carga, mas imprecisões no perfil do filete e
folgas, fazem virtualmente, com que poucos filetes, os
primeiros, suportem a carga. Esta incerteza tem
relevância para a determinação da área de contato do
filete da rosca, para a seleção de lubrificante adequados e
para a minimização do desgaste, desgaste de contato e
aderência.

514. 515) 3.: A rosca de perfil quadrado não é padronizada e portanto está gradativamente sendo substituída pela rosca de prefil trapezoidal.Prof. 378. 379) 2. Rosca Trapezoidal (DIN 103. . Paulo Luiz da Silva Barros plsbarros@aedu. Rosca Dente de Serra (DIN 513. Rosca quadrada OBS.com Página 2 de 8 18/03/15  Tipos de roscas para parafuso de potência ou movimento 1.

Os materiais mais utilizados são: bronze fosforoso. d) Boa usinabilidade. Nestas condições. então deveremos minimiza-lo pela:  Seleção adequada dos materiais do parafuso e da porca. 1045. . 8620. Os materiais mais utilizados: .  Dimensionamento do parafuso de potência com rosca trapezoidal Como a principal desvantagem do parafuso de potência é o desgaste da rosca. . ferro fundido cinzento e babbit. 4140. 410  Materiais para a fabricação das porcas Para a porca os materiais deverão apresentar boas características de deslizamentos.  Melhorar a lubrificação.Aço carbono: ABNT 1040. Rosca para esfera recirculantes  Materiais para a fabricação de parafusos Para a construção de parafusos de potências devemos utilizar aços que apresentem as seguintes características: a) Resistência à tração.Prof. Paulo Luiz da Silva Barros plsbarros@aedu. b) Resistência à fadiga. 8640. 1050.Aços liga: ABNT 4130.  Reduzir a pressão nos flancos da rosca. 8650.Aços inoxidáveis: AISI 303. o dimensionamento quanto ao desgaste é fundamental em todos os parafusos de potências. além dos específicos. c) Resistência ao desgaste. e) Boa estabilidade ao tratamento térmico.com Página 3 de 8 18/03/15 4. .

σc = Q ≤ σ c S Fórmula 1 S = Sf x f (área projetada no plano transversal) Sf = π x d2 x t2 (área projetada de 1 filete) t2 Π.com Página 4 de 8 18/03/15  Verificação quanto ao desgaste Q (carga) Verifica-se a pressão exercida na projeção dos filetes da rosca num plano transversal. temos: σc = Q π x d2 x t2 x L x z p Fazendo: ᴪ = L/d2 → σc = Qxp π x d2 x t2 x L x z Fórmula 3 → L = ᴪ x d2 Fórmula 4 Substituindo a fórmula 4 na fórmula 3: σc = Qxp π x d22x t2 x ᴪ x z Fórmula 5 Características das roscas Altura do dente da rosca (t2) Tipo de rosca trapezoidal dente de serra t2 0.5 2.2 a 2. Paulo Luiz da Silva Barros plsbarros@aedu.5 a 3.4 x p/z 0.75 x p/z Proporção da porca (ᴪ) Tipo de rosca Integral bipartida ᴪ 1.Prof.d2 f=Lxz p z = µ x π x d2 cosβ x p (β=30º/2) substituindo as fórmulas: S = π x d2 x t2 x L x z p Fórmula 2 Substituindo fórmula 2 na fórmula 1.5 Substituindo na fórmula 5 os detalhes das características das roscas para descobrir o diâmetro “d”: .

75.8 x Q ᴪ x σc Fórmula 6 → σc = 0.4 x Q ᴪ x σc Fórmula 7 b) Rosca dente de serra σc = Qxp π x d22x 0. Paulo Luiz da Silva Barros plsbarros@aedu.com Página 5 de 8 18/03/15 a) Rosca trapezoidal σc = Qxp π x d22x 0.Prof. A tensão máxima (σmax). é determinada por: σmax = √ (σ2 + 4δ2)  ≤ σesc Fórmula 8 Tensão de tração ou compressão σ= Q S1 → S1 = π x d12 (área do núcleo do parafuso) 4 σ= 4xQ π x d12 Fórmula 9 onde: σ = tensão de tração ou compressão (N/mm2) Q = carga aplicada (N) S1 = área do núcleo do parafuso (mm2) d1 = diâmetro do núcleo do parafuso (mm)  Tensão de cisalhamento (devido ao momento torçor) δ = Mt Wt Fórmula 10 Definindo o momento torçor (Mt) Mt = Q x d2 x tg(α + φ) 2 Fórmula 11 .8 x Q ≤ σc ᴪ x d22 → d2 = √ 0.4 x Q ≤ σc ᴪ x d22 → d2 = √ 0. o parafuso está sujeito ao estado duplo de tensões (tração ou compressão + torção).4.p x ᴪ x z z onde: σc = tensão de compressão (N/mm2) Q = carga aplicada (N) S = área projetada no plano transversal (mm2) Sf = área projetada de um filete de rosca (mm2) f = número de filetes na altura da porca (adm) p = passo da rosca (mm) d2 = diâmetro médio da rosca (mm) t2 = altura do dente (mm) L = comprimento da porca ᴪ = proporção entre comprimento e diâmetro médio da porca (adm) z = número de entradas da rosca  Verificação quanto à resistência Nas condições de trabalho.p x ᴪ x z z → σc = 0.

Prof. sendo: β 15º 3º .tgα .15 0. Paulo Luiz da Silva Barros plsbarros@aedu.21 Acabamento e lubrificação ruins Definindo o módulo de resistência a torção (Wt) Wt = π x d13 16 Onde: Wt = módulo de resistência à torção (mm3) d1 = diâmetro do núcleo (mm) Fórmula 12 Calculando a tensão de escoamento admissível (σesc) σesc = σesc FS Onde: σesc = Tensão de escoamento (N/mm2) FS = Fator de segurança de 3 a 5(adm) Fórmula 13  Verificação quanto à Estabilidade Usualmente se faz a verificação quando sujeitos à compressão e calculamos pela Equação de Euler quando o comprimento “L” do parafuso for maior que 7.  Verificação de Equilíbrio (auto frenagem ou auto retenção) A auto retenção só é obtida quando: Tipo de rosca Trapezoidal Dente serra µ ≥ cosβ.18 Acabamento e lubrificação regulares 0.14 Acabamento e lubrificação cuidadosa 0.mm) d2 = diâmetro medio do parafuso (mm) α = ângulo formado por uma volta na rosca do parafuso (graus) φ = ângulo formado pelo coeficiente de atrito entre parafuso e porca (graus) a = avanço a cada giro (mm) p = passo (mm) z = número de entradas (adm) Descobrindo o ângulo α α a a=pxz Π x d2 → tgα = p x z (graus) π x d2 Descobrindo o ângulo φ α = ângulo de atrito tgφ = µ (graus) Tabela de condições de acabamento e coeficiente de atrito Coeficiente de atrito Condições de acabamento e lubrificação Cinemática Estático (parafusode aço e porca de bronze ou ferro fundido) µ1 µ01 0.com Página 6 de 8 18/03/15 Onde: Mt = momento torçor (N.10 0.5 x d1.13 0.

D2) 2 L  Verificando Cisalhamento (δ) δ = Q S ≤ δ S=πxDxfxh Fórmula 14 L = ᴪ x d2 f= Lxz p S=πxDxLxhxz p Fórmula 15 Substituindo a fórmula 15 na fórmula 14. teremos: σc = Qxp π x D2 x t2 x L x z ≤ σ (Fórmula 19) σc = tensão de compressão (N/mm2) δ = tensão de cisalhamento (N/mm2) S = área projetada no plano transv.d2)(mm) z = número de entradas (adm) . Devemos prover um sistema de trava para impedir os movimentos de translação e/ou rotação da porca no seu alojamento (cubo). Paulo Luiz da Silva Barros plsbarros@aedu.tg15º y = t + (D .x x = y.mm) p = passo da rosca (mm) z = número de entradas (adm)  Dimensionamento da Porca A porca poderá ser integral ou bi partida para facilitar a montagem e/ou manutenção.Prof. Fórmula para definir “h” h = 2. teremos: δ = Qxp πxDxLxhxz ≤ δ Fórmula 16  Verificando pelo desgaste – Compressão (σc) σc = Q S ≤ σ Fórmula 17 S = π x D2 x t2 x L x z p Fórmula 18 Onde: Substituindo fórmula 18 na fórmula 17. (mm2) Q = carga (N) p = passo da rosca (mm) D2 = d2 = diâmetro médio da porca (mm) T2 = altura do perfil da rosca (mm) L = comprimento da porca (ᴪ.com Página 7 de 8 18/03/15  Cálculo do Rendimento (η) η= Qxa = Mt x 2π tgα tg(α+φ) Onde: Q = carga (N) a = avanço (mm) (p x z) Mt = momento torçor (N.

com Página 8 de 8 18/03/15  Calculando a Potência Requerida para o Trabalho P = Mt x π x np 30.Prof.mm) np = rotação requerida pelo sistema (rpm) H = comprimento estimado para movimentação do parafuso (2 x L) (mm) av = avanço do parafuso (mm) t = tempo estimado para esse percurso H (s) . Paulo Luiz da Silva Barros plsbarros@aedu.000 Fórmula 20 np = Fórmula 21 H x 60 av x t onde: P = potência requerida para o motor (W) Mt = momento torçor do parafuso (N.