Você está na página 1de 11

ARTIGO

Fluência verbal semântica e fonêmica em
crianças: funções cognitivas e análise temporal
Octávio Moura1, Mário R. Simões, Marcelino Pereira
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, Portugal

RESUMO
Testes de fluência verbal são medidas sensíveis a diferentes funções neuropsicológicas usadas na avaliação da integridade dos lobos
frontal e temporal. Participaram neste estudo 120 crianças (7 a 10 anos) que foram avaliadas por meio da prova de fluência verbal
semântica e fonêmica. Os resultados obtidos das análises fatoriais exploratória e confirmatória e da análise de correlação parecem
indicar que essas duas provas dependem de diferentes funções neurocognitivas. O número de palavras produzidas nas tarefas fonêmicas
foi significativamente inferior ao obtido nas tarefas semânticas, uma vez que as primeiras são cognitivamente mais complexas. Não
foram observadas diferenças de gênero, mas foi observado um efeito significativo em função da idade da criança, o que corrobora a
sensibilidade desses testes aos processos neurodesenvolvimentais. Na análise do desempenho ao longo dos 60 segundos, observa-se
uma maior produção de palavras nos primeiros 15 segundos e uma significativa diminuição ao longo dos restantes 45 segundos.
Palavras-chave: fluência verbal semântica e fonêmica; crianças; neuropsicologia; BANC.
ABSTRACT – Semantic and phonemic verbal fluency in children: cognitive functions and temporal analysis
Verbal fluency tests are sensitive to different neuropsychological functions used in assessing the integrity of the frontal and temporal
lobes. In this study, 120 healthy children (aged 7 to 10 years) were examined through a semantic and a phonemic verbal fluency
test. The results of exploratory factor analysis, confirmatory factor analysis and correlation analysis seem to indicate that these
two verbal fluency tests depend on different neurocognitive functions. The number of words produced in the phonemic task was
significantly lower than the semantic task, indicating that is cognitively more complex. No gender differences were found, but
a significant effect was observed for children’s age, showing the sensitivity of these verbal fluency tests to neurodevelopmental
processes. The analyze of performance over the 60 seconds showed a significant production of words in the first 15 seconds and
decrease over the remaining 45 seconds.
Keywords: semantic and phonemic verbal fluency; children; neuropsychology; BANC.
RESUMEN – Fluidez verbal semántica y fonémica en niños: funciones cognitivas y análisis temporal
Las pruebas de fluidez verbal son medidas sensibles a las diferentes funciones neuropsicológicas utilizadas en la evaluación de la integridad
de los lobos frontal y temporal. Participaron de este estudio 120 niños (7 a 10 años) que fueron evaluados mediante la prueba de fluidez
verbal semántica y fonémica. Los resultados obtenidos de los análisis factoriales exploratorio y confirmatorio y del análisis de correlación
indicaron que esas dos pruebas dependen de diferentes funciones neurocognitivas. El número de palabras producidas en las tareas
fonémicas fue significativamente inferior al obtenido en las tareas semánticas, ya que las primeras son cognitivamente más complejas.
No hubo diferencias entre los sexos, pero fue observado un efecto significativo en función de la edad de niños, lo que corrobora la
sensibilidad de esos testes a los procesos neurológicos del desarrollo. En el análisis del desempeño a lo largo de los 60 segundos, se observa
una mayor producción de palabras en los primeros 15 segundos y una significativa disminución a lo largo de los restantes 45 segundos.
Palabras clave: fluencia verbal semántica e fonémica; niños; neuropsicología; BANC.

Apesar de apresentarem uma grande simplicidade em termos de administração e cotação, os testes de
Fluência Verbal (FV) envolvem um complexo conjunto de aptidões, funções e processos cognitivos. Dada a
importância na avaliação dos processos cognitivos complexos, esses testes têm sido largamente utilizados na
avaliação neuropsicológica, na prática clínica e na investigação (Simões, Pinho e cols., 2007). Diversas baterias
de avaliação neuropsicológica incluem testes de avaliação

1

da FV, nomeadamente o Developmental Neuropsychological
Assessment (NEPSY-II; Korkman, Kirk, & Kemp, 2006),
o Delis-Kaplan Executive Function System (D-KEFS; Delis,
Kaplan, & Kramer, 2002), o Neuropsychological Battery
(NEUROPSI; Ostrosky-Solis, Ardila, & Roselli, 1999),
entre outros (para uma revisão consultar: Simões, 2003;
Strauss, Sherman, & Spreen, 2006). Em Portugal é possível encontrar testes de FV para mensuração específica de
funções executivas na Bateria de Avaliação Neuropsicológica

Endereço para correspondência: E-mail: octaviomoura@gmail.com

Avaliação Psicológica, 2013, 12(2), pp. 167-177

167

Os testes de FVS ou fluência de categorias são provas que requerem que os indivíduos produzam e verbalizem o maior número de palavras numa categoria semântica específica. Korkman.. e (2) um armazenamento lexical mais extenso que é acedido quando se esgotam as palavras contidas no primeiro tipo de armazenamento (Crowe. entre outros. 1997). 1998. Frutos. Howieson. As categorias semânticas mais utilizadas são Animais. & Pereira.. a memória de trabalho (Barkley. (2006. normalmente durante 60 segundos. por parte do indivíduo. 2005. 2012) utiliza no teste de FVS as categoriais Animais. 2013.. Simões. Riva. observa-se a produção de um maior número de respostas na prova semântica comparativamente à prova fonêmica (Crowe. os testes de FVF ou fluência fonológica consistem na verbalização do maior número de palavras iniciadas por uma determinada letra.. o número de palavras produzidas nos testes de FV tem tendência a ser maior no período inicial (primeiros 15 segundos) e diminui significativamente ao longo dos 60 segundos de duração da tarefa. L-P-S e P-M-F. 2001. Pinho e cols.. Strauss e cols. C-F-L. 1997). Razani. Por sua vez. Assim. 2009). & Devoti. 2010). Hurks e cols. Nos estudos que comparam o desempenho entre os testes de FVS e de FVF. os testes de FV mais utilizados são a Fluência Verbal Semântica (FVS) e a Fluência Verbal Fonêmica (FVF) (Lezak. Simões e cols. 2006). pensamento abstrato (Anderson. 2008) e do Montreal Cognitive Assessment (adaptação portuguesa: Freitas. 2006). Northam.. e cols. Hurks e cols. 2006). Vilar. Simões e cols. & Catroppa. 2010). flexibilidade cognitiva e a busca estratégica (Anderson e cols. 1998. 2004) e em adultos (Brucki & Rocha.. Radanovic e cols.. 2006. 2001. Edwards. Luszcz. Simões. Kirk. R. durante os primeiros 15 segundos. 2006. Alimentos. Essa particularidade foi observada em amostras de crianças saudáveis (Filippetti & Allegri. 2004. A maioria dos estudos sobre a FV apenas analisa o número total de palavras produzidas num minuto. Na prática clínica e na investigação. Os testes de FV foram inicialmente introduzidos para avaliação de lesões no lobo frontal em pacientes adultos (Benton. 2004). Villodre e cols. 1968. 168 Avaliação Psicológica. 2000). uma vez que a capacidade de organização e recuperação de palavras que começam pela mesma letra se desenvolve mais lentamente e se encontra associada ao conhecimento do alfabeto. 2007). 2010) refiram que este procedimento não permite recolher a informação necessária para compreender os mecanismos cognitivos específicos que estão na base de um desempenho deficitário. 2010. Hurks e cols. 1996. Pinho. 2008). Jacobs. a capacidade de organizar e recuperar palavras foneticamente (Riva e cols. Tal como referem Simões. 2006). 1969) e mais recentemente o seu estudo tem sido alargado à avaliação neuropsicológica de crianças e adolescentes (Hurks e cols. Brocki & Bohlin. pp. entre vários outros (Simões. P-F-L. M... e a (4) aptidão verbal: envolve o conhecimento de palavras (Reader. Villodre e cols. Simões. Laneri. & Denckla. o desempenho nos testes de . Harris.... Schuerholz.. Anderson. No entanto. & Kemp.. 2000) e procurar palavras de categorias específicas armazenadas na memória (Korkman. (3) linguagem: mede a capacidade para aceder rapidamente ao léxico. a utilização de testes de FVF em crianças antes da aquisição formal da leitura não é muito frequente. de Coimbra (BANC. (2) memória: compreende processos mnésicos como a memória semântica (Brucki & Rocha. Em Portugal. Martins. velocidade de processamento (Bryan. 2001. Henry. Peças de Vestuário. Simões e cols. Durante as tarefas de FV são ativados dois tipos de armazenamento lexical: (1) um armazenamento em longo prazo que é rapidamente acedido e que contém as palavras mais frequentes. & Phillips.. Pinho e cols. como é o caso do Addenbrooke Cognitive Examination-Revised (adaptação portuguesa: Firmino. 2004. 2000). 2012). 2001). 167-177 têm sido utilizados os seguintes conjuntos de letras: P-M-R (BANC. & Crawford. (2007). Mitrushina.. Okamoto. Riva e cols. Hurks e cols. 12(2). crianças com Perturbação de Hiperatividade com Déficit de Atenção (PHDA) (Hurks e cols. & Metevia. 2000). De um modo geral.. A tarefa de produção semântica é considerada cognitivamente menos complexa e exigente (Crowe.. enquanto a evocação de palavras que iniciam pela mesma letra requer a exploração mental de um maior número de subconjuntos de categorias e está mais dependente da maturidade do lóbulo frontal (Riva e cols. Simões.. São uma medida de avaliação sensível a diversas funções e processos cognitivos complexos. 2002). 2004. Fletcher. Uma avaliação de desempenho em função do tempo permite uma compreensão mais alargada dos processos cognitivos associados a essas tarefas. & Lahti-Nuuttila. Nomes Próprios de Rapazes e Moças. os conjuntos de letras mais utilizados são o F-A-S. a BANC (Simões e cols. 2006). que consistem na evocação de palavras. Em Portugal. & Bertolucci. 2007). sendo igualmente mais sensível aos efeitos da escolaridade (Brucki.Moura. 2010. Nomes e Alimentos. 2004. uma vez que a produção de palavras incide especificamente numa categoria semântica. & Martins. muito embora Troyer (2000) e Hurks e cols. 2003). Pinho.. Nichelli. M. & Loring. durante um determinado período de tempo... Raboutet e cols. Cerejeira. Boone. Crawford. nomeadamente: (1) funções executivas: envolvem aspectos como a capacidade para iniciar a busca sistemática e a recuperação (Delis e cols. 1994). P-F-T e P-M-R (Fernandes e cols.. Newcombe.. & D’Elia. O. 2011. Malheiros.. & Santana. Os testes de FV são tarefas de produção verbal de palavras de fácil e rápida aplicação. 2006. a capacidade para produzir palavras de diferentes categorias (FVS) surge mais cedo e constitui uma medida de avaliação da fluência verbal passível de aplicação a crianças mais novas (Simões. 2003. entre outros. Klenberg. Na investigação publicada internacionalmente. Strauss e cols. 2012) e em testes de rastreio cognitivo de pessoas idosas.

Análises inferenciais em função do gênero têm sido efetuadas.. Simões. & Winocur. 2010.93). 2010). Cohen.. 2004) e 6-15 anos (Matute. Se por um lado. Frequentam o Ensino Básico entre o 2º e o 4º ano de escolaridade. 2009). Riva e cols. Vaughn. 2007. Grogan.7%) e as restantes 58 crianças do gênero feminino (48. & Kirk. 2006. N9 anos = 33. e a componente alternância parece encontrar-se mais associada aos processos do lobo frontal. Henry & Crawford. 2005. Enquanto ambas as componentes parecem ser importantes para o bom desempenho nos testes de FVS. Um bom desempenho nas tarefas de FV parece assim depender da eficácia dos processos automáticos e controlados de evocação da informação (Hurks e cols. (2) estimar o efeito das variáveis sociodemográficas (gênero e idade). Fineza. 2006). noutros os participantes do sexo feminino apresentam resultados superiores aos do sexo masculino em amostras de crianças e jovens (Anderson e cols. os sujeitos tendem a evocar palavras pertencentes a uma determinada subcategoria (agrupamento) e quando as palavras relativas a esta subcategoria se esgotam necessitam mudar para uma nova subcategoria (alternância). nos testes de FVF a componente alternância parece ser bem mais relevante. ainda. Marchetta.. & Price. 2010. Gaillard e cols. tornando-se. em que as palavras mais frequentes estão rapidamente disponíveis e são automaticamente ativadas para verbalização. Haugrud. Loureiro. & Crossley. À medida que o tempo decorre e que as palavras se esgotam. é esperado que os testes de FVS e FVF constituam duas medidas de avaliação específicas. 2007). Ardila.. 1998. DP = 0. & Gonçalves. 2008). e (3) examinar o desempenho ao longo dos 60 segundos (em períodos de 15 segundos).. nomeadamente na memória verbal e no armazenamento/conhecimento de palavras. 2010). N10 anos = 18) dos 7 aos 10 anos de idade (M = 8. Davidson. & Santos. Espera-se. Moskovitch. Kemp.. os processos de pesquisa estratégica e a mudança rápida de uma subcategoria para outra (Troyer.. Hurks. 2011. Moskovitch. Método Participantes A amostra é constituída por 120 crianças (N7 anos = 19. Radanovic e cols. entre outros. na epilepsia (Henkin e cols. Reiter.3%). Villodre e cols. alguns estudos não encontram diferenças significativas em função do gênero em crianças (Hurks e cols.. N8 anos = 50. 2002.. encontrar diferenças significativas em função da idade da criança em ambos os testes de FV. mais dependentes das funções executivas (Crowe. uma menor produção. Mason. Nieto.. 2009. Pinho e cols. 2001). 2007) e em amostras de adultos. 2008. 2005. os testes de FV parecem também depender de duas componentes cognitivas distintas.. 2000) e adultos (Brucki & Rocha. Krabbendam. 2000.. A componente agrupamento parece estar mais dependente do lobo temporal. Winocur.Fluência verbal semântica e fonêmica em crianças FV estará associado a processos automáticos de evocação da informação. 2001. Troyer e cols. 1999. 2008. 6-13 anos (Brocki & Bohlin. Blamire. espera-se uma produção superior e estatisticamente significativa de palavras nos primeiros 15 segundos comparativamente com os restantes períodos. 167-177 169 ... Essa sensibilidade aos processos neurodesenvolvimentais tem sido observada em diferentes grupos etários: 5-12 anos (Korkman. & Anderson. Morgan.. Lanting. Hyder. 1998). 2004. O crescente interesse pelos testes de FV tem também possibilitado o seu estudo em grupos clínicos específicos. Simões e cols. & Lange. nomeadamente na dislexia (Brosnan e cols. estando o seu desempenho mais associado a processos controlados de evocação da informação (Hurks e cols. sendo 62 crianças do gênero masculino (51.. Pinho. 12(2). & Shulman. Alexander. Crinion. 2010. & Espinosa. na esquizofrenia (Fu e cols. & Morales. Robalo. Com base na revisão da literatura... Galtier. pp. 2006). & Dronkers. & Stuss. ocorre um maior esforço na procura de palavras. Rosselli. Vogel e cols. 2006.. & Hall. 1997. Schwartz. 2004). Objetivos e Hipóteses Este estudo tem como principal objetivo analisar o desempenho de crianças nos testes de FV. Troyer e cols.. referindo-se que o desempenho nos testes de FVS se encontra mais dependente do funcionamento do lobo temporal e o desempenho nos testes de FVF está mais associado ao funcionamento do lobo frontal (Baldo. 2010. 2004. mas neste caso apenas na FVF (Weiss e cols. Lanting. & Crossley. 2009). 2009. 2013. & Jolles. Riva e cols.. McDowd e cols. 2006. 1997). 2005. Phelps. Diversos estudos têm associado as tarefas de FV a localizações cerebrais específicas. como sejam a flexibilidade cognitiva. nas doenças neurodegenerativas (Haugrud. assim. 1997. 2004. Troyer. Barroso. 2000. Simões. na PHDA (Hurks e cols. Martins. Birn e cols. em particular aos lobos frontal e temporal. Vieira.. Wilkins. e cols. Green. Gao. 2005). 1998). Por fim. Durante as provas de FV.. sendo os resultados inconsistentes. Diversos estudos têm demonstrado de forma consistente a existência de um aumento significativo no desempenho em testes de FV com o aumento da idade da criança. Lopes.42. Winocur. designadas originalmente por clustering (agrupamento) e switching (alternância) (Troyer. observando-se uma distribuição relativamente próxima entre estes três anos escolares: Avaliação Psicológica. tendo por base três objetivos específicos: (1) verificar se os testes de FVS e FVF constituem duas provas que envolvem diferentes funções neurocognitivas. Riccio. 2006. não sendo de prever um efeito significativo em função do gênero. Ali.. Estudos com amostras normativas nacionais têm também reportado a influência da idade nas tarefas de FV (Fernandes. Hurks e cols. Hurks e cols. Hurks e cols. 2007). Tucha. Para além do desempenho ao longo dos 60 segundos.. 2005). Simões.

N4ºano = 6). A grande maioria das crianças não apresenta qualquer retenção escolar (N = 105) e apenas 15 alunos apresentam uma retenção ao longo do seu percurso académico (N2ºano = 7.76% da variância (total da variância explicada de 75.05. enquanto no teste de FVF foi pedido aos participantes que produzissem o maior número de palavras iniciadas pela letra P e pela letra M durante um período de 60 segundos. pp. N2º ano = 43 (35.654. (4) Motricidade. Fluência Verbal Fonêmica e Torre).8%). enquanto as duas tarefas de FVF (Letra P e Letra M) apresentam pesos fatoriais elevados no segundo fator e valores baixos no primeiro fator (ver Tabela 1). Deficiência Mental ou Perturbação da Comunicação. T-Test Amostras Independentes. para este estudo apenas as crianças falantes nativas do Português Europeu e excluídas as crianças com um diagnóstico clínico de Perturbação da Aprendizagem (Leitura. Perturbação Disruptiva do Comportamento (Perturbação de Hiperactividade com Déficit de Atenção. após prévia autorização do Conselho Executivo das respectivas escolas e do consentimento informado dos pais.5%). 167-177 Os dados recolhidos foram tratados estatisticamente por meio do programa SPSS 18. Alimentos e Nomes). clínica e escolar) foram selecionadas 170 Avaliação Psicológica.001 demonstram ser adequada a utilização da AFE às variáveis em estudo. 3º período: 31–45 segundos. tendo sido efetuadas pontuações parciais de 15 em 15 segundos para cada uma das provas de fluência verbal (1º período: 0–15 segundos. A BANC apresenta normas para conversão dos resultados brutos em resultados padronizados por idade. para além do valor do nível de significância (p) será também reportada uma medida da dimensão do efeito: d de Cohen (d) ou Partial Eta Squared (η2p).7%) e N4º ano = 39 (32. 2005).80%). Figura Complexa de Rey e Tabuleiro de Corsi). p < 0. muito embora pela análise do scree plot tenham sido identificados 2 fatores.898 e explica adicionalmente mais 15. para um nível de significância de p < 0. Memória de Histórias. foi solicitado aos participantes que produzissem o maior número de palavras para cada uma das três categorias semânticas (Animais.. 12(2). Com o objetivo de avaliar o desempenho da criança ao longo dos 60 segundos. procedeuse a uma Análise Fatorial Exploratória (AFE) com recurso à Análise de Componentes Principais com Rotação Oblíqua (Direct Oblimin).Moura. Resultados Análise Fatorial De modo a testar como as cinco tarefas de FV se comportavam em termos de estrutura fatorial. sem forçar o número de fatores. 2º período: 16–30 segundos. O. Simões.0. durante um dia normal de aulas. O teste KMO = 0. Na Anova foram efetuados adicionalmente testes post-hoc por meio do teste de Scheffe. todas as análises estatísticas serão efetuadas a partir dos resultados brutos. que explica 60. em que este segundo fator apresenta um valor próprio de 0. consoante o procedimento estatístico utilizado. A sessão de avaliação individual decorreu num local sossegado. (2) Atenção e Funções Executivas (Cancelamento de 2 e 3 Sinais. Nas análises inferenciais. esta última com recurso ao programa de modelos de equações estruturais EQS 6. 2012). existe um único fator com valores próprios (eigenvalues) superior a 1.04% da variância. Nmãe = 31) e Ensino Superior (Npai = 7. Os pontos de corte dos . A pontuação para cada uma das tarefas tem por base o número total de palavras corretamente produzidas pela criança nos 60 segundos. Nmãe = 72). foram seguidos os procedimentos indicados por Hurks e cols. R. (2006). 2013. tendo sido utilizados os seguintes testes paramétricos: Coeficiente de Correlação de Pearson. mas não apresenta normas de conversão autônomas para cada uma das três tarefas da FVS e das três tarefas da FVF. & Pereira. Foi também realizada uma análise fatorial exploratória e confirmatória. Compreensão de Instruções e Nomeação Rápida). No teste de FVS. M. Com a rotação desses 2 fatores por meio de Rotação Oblíqua (Direct Oblimin) verificou-se que as três tarefas de FVS (Animais. Anova (a 1 ou 2 fatores) e Anova Medidas Repetidas. As habilitações acadêmicas das figuras parentais se distribuem da seguinte forma: até ao 3º Ciclo do Ensino Básico (Npai = 87.804 e o Teste de Esfericidade de Bartlett χ2(10) = 220. Procedimentos As crianças participantes deste estudo foram recrutadas de três escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico da região norte de Portugal. N3ºano = 2. Perturbação de Oposição ou Perturbação do Comportamento). Uma vez que o objetivo deste estudo foi o de estudar o desempenho individual de cada uma das tarefas de fluência verbal.. (3) Linguagem (Consciência Fonológica. Análises Estatísticas Instrumento Para a avaliação da fluência verbal foi utilizado o teste de Fluência Verbal (Semântica e Fonêmica) da BANC (Simões e cols. Trilhas – Parte A e B. Ensino Secundário (Npai = 26. A BANC é constituída por diversos testes neuropsicológicos que avaliam seis domínios: (1) Memória (Listas de Palavras. Em seguida. Escrita ou Cálculo). Nmãe = 17). Utilizando o critério de Kaiser. (5) Lateralidade e (6) Orientação. e 4º período: 46–60 segundos). N3º ano = 38 (31.1 (Bentler. M. Alimentos e Nomes) apresentam pesos fatoriais (loadings) elevados no primeiro fator e valores baixos no segundo fator. Reconhecimento de Faces.. Fluência Verbal Semântica. T-Test Amostras Emparelhadas. Após recolha de informação anamnésica (desenvolvimental. procurou-se testar este modelo por meio de uma Análise Fatorial Confirmatória (AFC) com recurso ao método de estimação de máxima verosimilhança (maximum likelihood) a partir da matriz de covariância dos resultados brutos.

Da análise dos resultados é possível verificar que as três tarefas de FVS apresentam valores superiores às duas tarefas de FVF. são apresentados os resultados da estatística descritiva das cinco tarefas de FV. SRMR < 0.001. Foi calculada a média das três tarefas de FVS e das duas tarefas de FVF para cada criança.Fluência verbal semântica e fonêmica em crianças principais índices de ajustamento para se considerar a adequação do modelo fatorial confirmatório são os seguintes: χ2/gl < 3 (Kline.73. Os coeficientes de correlação com valores mais elevados foram encontrados entre as três tarefas de FVS e entre as duas tarefas de FVF. Na Tabela 2.342.06 (Hu & Bentler.25. 167-177 171 .08 e RMSEA < 0. SRMR = 0. Procurou-se verificar se essas diferenças são estatisticamente significativas por meio do t-test amostras emparelhadas.120). RMSEA = 0.021. A categoria semântica Nomes foi a que apresentou o maior número de evocação de palavras.001 (0.61. DP = 2. Na Figura 1 é apresentada a representação da AFC com os respectivos pesos fatoriais dos parâmetros estimados da solução estandardizada. p < 0.67.919. χ2/gl = 0. 1999). Os índices de ajustamento obtidos indicam que esse modelo apresenta um ajustamento muito adequado: χ2(4) = 2.80) com um t(119) = 18. d = 1. p > 0.01) é significativamente superior ao obtido no teste de FVF (M = 6. 2013.000 – 0.999. enquanto a Letra M foi a que revelou o menor número de evocações. DP = 4. CFI > 0. pp.05. Os resultados indicam que o desempenho no teste de FVS (M = 12. 1998).95. Na análise das intercorrelações observam-se correlações positivas significativas entre todas as tarefas. 12(2). T-Test Amostras Emparelhadas e Análise Correlacional Avaliação Psicológica. Estatística Descritiva. CFI = 0. As correlações apresentam valores moderados quando se correlacionam os testes de FVS com os testes de FVF (ver Tabela 3).

e nas duas tarefas de FVF: Letra P. F (3. Desempenho ao Longo dos 60 Segundos De modo a testar o desempenho nos testes de FV ao longo dos 60 segundos.09. Quando se analisa a interação entre gênero x idade (Anova a dois fatores) não se observam diferenças significativas em nenhuma destas provas.01. η2p = 0. M..11. Gênero e Idade Por meio do t-test amostras independentes. por meio da análise de variância a um fator.889. 116) = 3. F (3. 116) = 6. 167-177 F (3. d = 0.899. p < 0.09. p = 0. com magnitudes da dimensão do efeito (η2p) bastante elevadas.08. 116) = 5. segundos em todas as provas de fluência verbal. η2p = 0. foi possível verificar que o gênero não produz um efeito significativo em nenhuma das três tarefas de FVS: Animais. d = 0. a existência de diferenças estatisticamente significativas nas provas de FV em função da idade da criança. F (3. p = 0.70. em que as crianças com 9 anos apresentam valores superiores comparativamente com as crianças de 7 anos (Alimentos e Nomes) e 8 anos (Animais e Alimentos). η2p = 0. procurou-se avaliar. t (118) = 0. Relativamente às tarefas de FVF. p < 0.001. p = 0. Alimentos. M. p < 0.801.01. .500.14.12.110. d = 0. Não se registaram diferenças no desempenho entre o terceiro (31-45 segundos) e o quarto período de tempo (46-60 segundos). t (118) = -1. t (118) = 0. O. t (118) = -1. p = 0. O número de evocações nos 15 segundos iniciais é claramente superior aos restantes três períodos e o número de evocações entre os 16-30 segundos é igualmente superior ao terceiro e quarto períodos. 12(2).05.Moura. pp. Dos resultados presentes na Tabela 5 é possível verificar a existência de diferenças bastante significativas no desempenho ao longo dos 60 172 Avaliação Psicológica. Alimentos. d = 0.891. η2p = 0. tendo as crianças de 7 anos apresentado valores inferiores. Como se pode observar pela análise da Tabela 4. Nomes.42.530. com recurso ao teste post-hoc para a comparação múltipla de médias (compare main effects) utilizando a correcção de Bonferroni. Em seguida. Letra P. R. d = 0. p < 0. nem as crianças com 10 anos se diferenciaram das restantes em nenhuma das três tarefas semânticas. e Letra M.06. Simões. η2p = 0.59. Foi utilizado como procedimento estatístico a Anova Medidas Repetidas. Não se observaram diferenças entre as crianças dos 7 e dos 8 anos. 2013.20 (ver Tabela 4). t (118) = -0. p = 0. foram encontradas diferenças significativas em todas as cinco tarefas avaliadas: Animais.06. Testes post-hoc indicam a presença de diferenças na FVS.15. Letra M. foram efetuadas quatro pontuações parciais de 15 segundos cada. Nomes. as diferenças no desempenho verificam-se apenas na comparação das crianças de 7 anos com as crianças de 9 e 10 anos.611. F (3.26.002. & Pereira.34. 116) = 3. p < 0.380.. 116) = 5. Nas restantes comparações entre as diversas idades não foram encontradas diferenças significativas.05.

nomeadamente funções executivas. memória e linguagem. crianças 5-11 anos: Riva e cols. Os índices de ajustamento da AFC confirmam a adequação dessa estrutura fatorial. De modo a testar se os desempenhos nos testes de FVS e de FVF remetem para diferentes funções neurocognitivas.. pp. que exigem uma maior capacidade de natureza organizativa e estratégica (Riva e cols. crianças 8-12 anos: Weckerly. 167-177 173 .. Quando se analisa o desempenho entre as provas semânticas e fonêmicas. colegas e familiares. A tarefa semântica Nomes foi a que obteve um maior número de evocações. pois são tarefas bem mais complexas. requerem um maior esforço e uma busca estratégica mais ativa. Riva e cols. 2000. observam-se resultados significativamente superiores das tarefas de FVS comparativamente com as tarefas de FVF. já que se observam pesos fatoriais elevados das três tarefas semânticas num primeiro fator e pesos fatoriais elevados das duas tarefas fonêmicas num segundo fator. 2000). Os resultados dos diversos estudos com crianças que comparam o desempenho em ambos os testes de FV apontam neste mesmo sentido. 2013. provavelmente por ser uma tarefa menos complexa. 12(2). Este estudo teve por objetivo analisar se as provas de FVS e FVF envolvem a mobilização de diferentes funções cognitivas. o que os levou a concluir que esses resultados parecem refletir diferentes competências e dependem de funções cognitivas distintas. 2001). crianças 7-15 anos: Simões e cols. Wulfeck.. & Reilly. para além de na AFE terem obtido uma estrutura fatorial com 2 fatores.. e coeficientes moderados no cruzamento entre as provas de ambos os testes. AFC e análise de correlação. da idade e o desempenho ao longo dos 60 segundos. (2000) obtiveram igualmente coeficientes de correlação mais elevados entre as duas tarefas semânticas e entre as duas tarefas fonêmicas. Os resultados da AFE parecem apoiar essa diferenciação entre ambas as medidas. já que as crianças tendem a associar a evocação de palavras desta categoria a nomes de amigos. 2012. existindo uma menor evocação de palavras nos testes de FVF (crianças 8-9 anos: Hurks e cols.Fluência verbal semântica e fonêmica em crianças Discussão Os testes de FV são tarefas de produção de palavras durante um determinado período de tempo sensíveis a diversas funções neurocognitivas. avaliar o efeito do gênero. já que são menos congruentes com o modo como Avaliação Psicológica. 2006. Esses dados são ainda corroborados pelos resultados da análise correlacional. procedeu-se a uma AFE. na qual os coeficientes de correlação mais elevados se encontram justamente entre as três tarefas da FVS e entre as duas tarefas de FVF.

and sense of time in adolescents with Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD) and Oppositional Defiant Disorder (ODD). Northam. E.. 2001. V. 2000). as palavras mais frequentes são mais rapidamente ativadas para verbalização. 1996). 2006.. Matute e cols. Essa diminuição de desempenho ao longo do tempo está de acordo com os resultados obtidos por outras investigações que avaliaram esses processos (Filippetti & Allegri.... muito embora ainda não existam dados concretos sobre a idade em que se atinge a realização máxima. M. K. 1998). R. 1973. pp. Ratcliff e cols.. 167-177 . No entanto. muito embora as crianças com 10 anos não se diferenciem das crianças mais novas (7. 896-900.. (2001). não deverão ser utilizadas isoladamente. Jacobs. Em investigações com amostras de crianças da comunidade e sem problemas identificados (escolares ou outros) não é usual serem analisadas diferenças em função da escolaridade. 1998.. Korkman e cols. Laneri. 29(6). L.. Barkley. & Mack.. Petersson. Martins e cols. (2005). dado que em Portugal não são conhecidos estudos neste âmbito. medido em intervalos de 15 segundos ao longo dos 60 segundos.. Hurks e cols. Development of executive functions through late childhood and adolescence in an Australian sample. R. continua a ser necessário clarificar melhor o papel da linguagem e da memória. No entanto. Differential behavioural effects in frontal lobe disease. Ratcliff e cols. A. Developmental Neuropsychology. & Reis.. No período inicial. C. Hurks e cols. Nesse sentido. 12.. Hurks e cols. alguns estudos reportam um menor desempenho das crianças com problemas de aprendizagem (Simões e cols. Executive functioning. 541-556. Os testes de FV são frequentemente utilizados na avaliação e na investigação neuropsicológica. a memória semântica está organizada (Martin. Journal of the International Neuropsychological Society. 2004.3% das crianças com 10 anos (6 em 18) apresentarem uma retenção escolar durante o seu percurso acadêmico (enquanto com 7 anos = 0% reprovações. Apenas entre o terceiro (31-45 segundos) e o quarto período (46-60 segundos) não são observadas diferenças significativas. J. 2004.Moura. 8 e 9 anos) em nenhuma das três tarefas semânticas e apenas difiram das crianças de 7 anos nas duas tarefas fonêmicas. Passler. 2010. um adequado desempenho nas tarefas fonêmicas depende da maturação do lobo frontal. P. Raboutet e cols..1% reprovações) o que poderá indicar a presença de crianças com algumas dificuldades na aprendizagem neste grupo etário. temporal discounting.. 1985)... O. Nieto e cols. e como não são medidas puras no que diz respeito às dimensões avaliadas.. empregadas no contexto de um exame neuropsicológico mais abrangente. Wiggs. Edwards. & Metevia. 2007.. Isaac. V.. 2006.. 6. & Pereira. 2005) nas tarefas de fluência verbal comparativamente com grupos de controle. R. Reiter e cols. 2007. (2006). 2001). LaLonde.0% reprovações e 9 anos = 6. (2001). Encino. CA: Multivariate Software Inc. S. N.. Tal como esperado. não se observaram diferenças significativas entre rapazes e moças nas cinco provas de FV. 12(2). Os resultados obtidos indicam uma maior produção de palavras nos primeiros 15 segundos e um declínio significativo ao longo dos restantes períodos temporais. Faísca. 385-406. Os resultados obtidos demonstram que as crianças com 9 anos apresentam um desempenho superior às crianças de 7 anos (na FVS e FVF) e às crianças de 8 anos (na FVS). 2010) e podem ser explicados à luz do modelo de armazenamento lexical (Crowe.. Anderson.1: Structural equations program manual. mas à medida que o tempo decorre e as palavras dentro dessa categoria se esgotam ocorre uma menor produção. Wilkins.. Apesar de a literatura mais recente delimitar com maior precisão as dimensões avaliadas (funções executivas) e as estruturas neuroanatômicas envolvidas (lobo frontal e temporal). M.. A. A. 2011. 2013. M. G. Silva. Riva e cols. 2010.. (1968). & Catroppa.. & Hynd.. F.. Os diversos estudos relativos ao efeito da idade da criança no desempenho dos testes de FV apontam para o fato de estas tarefas serem sensíveis aos processos neurodesenvolvimentais (Brocki & Bohlin. M. o que é consistente com a maioria dos estudos que analisaram o desempenho em função do gênero (Hurks e cols. Bentler. Journal of Abnormal Child Psychology. 174 Avaliação Psicológica. Uma das particularidades desta investigação foi a avaliação do desempenho das crianças nas tarefas de FVS e FVF. Neuropsychologia. P. Baldo. bem como as áreas cerebrais associadas às tarefas de fluência verbal. L. 2004) e que a progressão dos desempenhos continua para além da adolescência (Klenberg e cols. 20. Ingvar. 2004). Uma das possíveis justificações para esse resultado poderá estar associado ao fato de 33. Schwartz. sendo essas diferenças mais significativas nas tarefas de FVF (Mathuranath e cols. Simões. 2007) e com dificuldades de aprendizagem específicas (Brosnan e cols.. 2008. dada a existência de uma correspondência linear entre idade e escolaridade (Simões e cols.. em que os indivíduos com menor escolaridade apresentam um menor desempenho. Role of frontal versus temporal cortex in verbal fluency as revealed by voxel-based lesion symptom mapping. 1994). 2007). Benton. & Dronkers. Estudos desenvolvidos na população adulta têm igualmente reportado um efeito do nível de literacia nos testes de FV (Brucki & Rocha. Fletcher. o que segundo alguns autores apenas ocorre por volta dos 12 anos de idade (Luria. pois se encontram mais dependentes dos processos controlados de evocação da informação. 53-60. 8 anos = 14. Martins e cols. D.. EQS 6. 2003. mas antes. 2002. Referências Anderson.

V. F. T. (2004). F. Winocur.. M. M. Category fluency test: Effects of age. H.. M.. M. R. K. pp. D. Dias. 126-132. The Clinical Neuropsychologist. S. Avaliação Psicológica. Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology. A.. & Kroes. American Journal of Psychiatry. J. Pinheiro (Ed. 17. 366-387. (2005). J. Henry. (2010). Korkman. D. (2005).. D. Verbal fluency performance in dementia of the Alzheimer’s type: a meta-analysis. clustering. M.. Avaliação Psicológica. D... M. Crowe. Brocki. A. T. D. 20. L. e cols. M. M. Green.. Delis-Kaplan Executive Function System (D-KEFS). (2002).. Crowe. Developmental Neuropsychology. 6. M. F. (2009). N. Barnett.Fluência verbal semântica e fonêmica em crianças Birn. A.. sex and Alzheimer’s Disease on strategy use during verbal fluency tasks. Lanting.. G. & Kramer. & Martins. Lima. (2004). Brucki. P. 14(5).. Lezak. (2011). S. L. Sadeh. & Allegri.. M. Pinho. C. Principles and practices of structural equation modeling. Brosnan. Developmental Medicine and Child Neurology. M. J... S. S. Verbal fluency in children: Developmental issues and differential validity in distinguishing children with Attention-Deficit Hyperactivity Disorder and two subtypes of Dyslexia. J. R.. R. The effects of age. & Bohlin. Y. 54.. Martins. Neuropsychology. & McGuire. Kirk. (2010). J. Howieson. 684-695. A. Effects of age on neurocognitive measures of children ages 5 to 12: A cross-sectional study on 800 children from the United States. L. P. & Theodore. Freitas. J. & Jolles. 284-295. 427-451). C. Vles. & Rocha. Cutoff criterion for fit indexes in covariance structure analysis: Conventional criteria versus new alternatives. Australian Psychologist. U. San Antonio: Psychological Corporation. 345-357. Williams. P. Fu. J. C. & Kirk. Shabtai. J. (2005). D. & Bertolucci. 18-32. 19.. Nepsy-II: A developmental neuropsychological assessment. 167-177 175 ... Hurks. & Cody. P. Vieira.. & Martins. (1999).. Caravella... G. New York: Guilford. Hertz–Pannier.. and switching. (2000). D. Davidson.. Fernandes. Hendriksen. G. Cerebral Cortex. J. N. I. B. clustering.. Vieira. H. 30.. D. 407–428. Y... 12(3). M. D. A. Dados normativos para o teste de fluência verbal: Categoria animais no nosso meio. Developmental changes in semantic verbal fluency: Analyses of word productivity as a function of time. W. Arquivos de Neuropsiquiatria. Executive functions in children aged 6 to 13: A dimensional and developmental study. F... R. S.. Crawford. Korkman. M. L. F. Wassenberg. P.. H. & Crossley. P.. 196-204. Developmental Neuropsychology. (2008). Neurology.. 2690-2698. Aging. 55. M. Feron. Decrease in performance on the verbal fluency test as a function of time: Evaluation in a young healthy sample. Agrupamentos e alternâncias nas tarefas de fluência verbal: Um estudo na população adolescente. Kenworthy. 1212-1222. 1099-1107. (2010). Journal of the International Neuropsychological Society. Grogan. Hurks. M. Jones. 2013... R. Robson. 47. M. E. 391-401. & Santana.. Matos. Differential development of attention and executive functions in 3. N. 28. clustering and switching in Brazilian Portuguese-speaking subjects.. Seixas. 1771-1777. A.. J. G. & Lahti-Nuuttila. Feron. M. 1-55. S. J. L. (1996). and Wisconsin Card Sorting Test performance following right frontal lobe tumor resection. J. Schrans.. Semantic category fluency versus initial letter fluency over 60 seconds as a measure of automatic and controlled processing in healthy school-aged children. T. Malheiros. R. Shepherd. Q.. 16(4). Estudos de adaptação do Montreal Cognitive Assessment (MoCA) para a população portuguesa. J.. Loureiro. & Crossley. Simões.. A meta-analytic review of verbal fluency performance following focal cortical lesions. M. & Crawford.. Vles.(2004). C. W. Okamoto. J. J. H. 220-239. P. D.. Mason. Rabin. Executive functioning in adults and children with developmental dyslexia. Vilar & M. J. (2006). E. M. 9(3). Haugrud. 413-436. M. I. G. Meijs. M.. C. Structural correlates of semantic and phonemic fluency ability in first and second languages. The perfomance os schizophrenic and depressed participants on tests of fluency: Support for a compromisse in dorsolateral pre-frontal functioning. Developmental Neuropsychology. C.. Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology. 18.. Cognitive function in idiopathic generalized epilepsy of childhood. M.. S. Coimbra: Almedina. & Hall. and switching strategies and performance over time. Kalff. & Cadoth. Trail Making. Kroes. 56-61. W. Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology. Kalff. Case. gender and education on total scores. Korkman. C. B. (1998). Luszcz.. R. (2004).. 162. (2004). J. Suckling. D. (2004). 40.. S. & Kemp. B. & Crawford. P. Neuropsychological assessment. M. F. C. The effect of age and sex on clustering and switching during speeded verbal fluency tasks. Simões. & Anderson. Functional anatomy of cognitive development: fMRI of verbal fluency in children and adults. Feron.. N.. Brucki.. Demetre. B.. 485494. Hu. R. M. A. P. Archives of Clinical Neuropsychology. Firmino. M.. Cohen. S. S. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Delis.. 433-443. R.. Effects of psychotic state and task demand on prefrontal function in schizophrenia: An fMRI study of overt verbal fluency. A. (2001).. Verbal fluency in Spanish-speaking children: Analysis model according to task type. S. P.. Verbal fluency over time as a measure of automatic and controlled processing in children with ADHD. M. 12(2).. H. Kivity. L. Cerejeira. 55. J. Henry. Neuropsychology and Cognition. 571-593. 42(9). F. L. H. Gao.. & Loring. 535-544. Vilar. Kaplan. H. D.to 12-year-old Finnish children. L. H. (1998). (2008). R. San Antonio: Psychological Corporation. & Bentler. C. M. (2009). Klenberg. 20. G.. 473-478. P. Structural Equation Modeling.. S. (2006). J. & Phillips. J.. F.. J. L. Brazilian Journal of Medical and Biological Research. I. (2002). 49. Verbal fluency. Crinion. Mott. (2010). 331-354. C. (2003). K. Vaughn. Brain and Cognition. (1997). Psychology and Aging. D. 37. K. Addenbrooke Cognitive Examination-Revised (ACE-R): Adaptação portuguesa.. R. Haugrud. Fluência verbal e idade.. S. Verbal knowledge and speed of information processing as mediators of age differences in verbal fluency performance among older adults. S. Child Neuropsychology. Ali. Bryan. Morgan.. 26(2)... Em C. Neuroimage. P. e cols.. (1999). M. H. P. R.. N... R. New York: Oxford University Press. A. 25(3). R. J.). C. C. (1997). M... F. 180-185. G. 15. M.. Neuropsychologia. Ensaios sobre o comportamento humano: Do diagnóstico à intervenção. S. 31. Neuropsychologia. Hamill. Kemp. 20(1). H. W. Vythelingum. & Price. N. Coimbra: Serviço de Avaliação Psicológica. M.. S. P. Riccio. M. Neural systems supporting lexical search guided by letter and semantic category cues: A self-paced overt response fMRI study of verbal fluency. S. A.. Silva. 2144-2155. (2001). 204-209. M. Gaillard. Hendriksen. U. A.. R. Fernandes.. L. S. S. W. M. M.. Coimbra: Comunicação apresentada no Simpósio Internacional de Psicologia "Neuropsicologia e Problemas de Desenvolvimento". P. C. Lanting. Kline. Bandettini. Filippetti. S.. T. contributos nacionais e internacionais (pp. Andrew. Henkin. Hurks. LeBihan.

Word retrieval to letter and semantic cues: A double dissociation in normal participants using interference tasks... A.). C. B. Doan. M..(2006). L. W.. E. P. George. Fineza. 71. Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology. C. Psychologica. 2-6. J. S. Unilateral frontal lobe epilepsy affects executive functions in children. A. 61(1).. 370-378.. Mathuranath.... (2003). A. Novaretti. Developmental Neuropsychology. (1985)... Simões. E. Understanding verbal fluency in healthy aging. Neuropsychology. E. NEUROPSI: A brief neuropsychological test battery in Spanish with norms by age and educational level. C. & Santos.. P. XIII Seminário de Desenvolvimento. working memory. C. Simões. G. Hyder. & Copland.. Vogel.. M. Blamire.. & Stuss. (1998). Journal of Psycholinguistic Research.. e cols. S. Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology. J. & Hynd. J. G. M. P. A. M. M. 115-122.. Radanovic. & Gonçalves.. Chenery. G. Dyslexia. R. Strauss. & Reis.)... Interference control. Reader. K.. M. M.. (1994). R. 2013.... Schuerholz. Troyer... Martin. (2010). Lopes. A compendium of neuropsychological tests: Administration. Sarma.(2012). M. L. J... Troyer. A... Revista de Neurología. M. D.. Vago. P. L. M. & Espinosa.. Luria. G. Silva. & Lange. Lopes. Dart.. e cols.(2007). R. 36. Rosselli... Krabbendam. Langevin. Matute. 265-272.. 281-304). D. E. 8. Neuropsychologia. Clustering and switching as two components of verbal fluency: Evidence from younger and older health adults. Chandra.. Alexander. G. Coimbra: Quarteto. LaLonde. Almeida (Ed. A. 5. Machado. J.. R. M. Developmental Neuropsychology.. I. (2000). Sharma. M.. Simões. (1997). 176 Avaliação Psicológica. R.. 124-130. C. C. & Pereira. S. S. Corsini. F. Pereira. I. Attention deficit hyperactivity disorder and executive dysfunction. Riva. Alfaiate. Nieto. education and gender on verbal fluency. G. 26(2). Wiggs. E.. Diniz. S. Pahwa. Isaac. L. Ganguli... (1969). S. Neuropsychologia.. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Fernandes. S. 138-146. O. Simões. Tan. 25(8). Albuquerque. (1994). M. R. K. context and symptom complexes in Schizophrenia. M. Galtier. A. K. Normative data for clustering and switching on verbal fluency task.. 459-473. 1057-1064. S. International Psychogeriatrics. B.. Hurks. London: Oxford University Press. The effects of literacy and education on the quantitative and qualitative aspects of semantic verbal fluency. Mitrushina. A. K.. Loureiro.. 38. Sherman. C. F. K.. Winocur. (2006). A. Executive functions in children with dyslexia. Burns. Pinho. A. Neuropsychological development of behavior attributed to frontal lobe functioning in children. (1997). Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology. N. 46. Neuropsychology.. pp. A. Performance on a semantic verbal fluency task across time: Dissociation between clustering. Missile wounds of the brain. M. C. Martins.. 1. H.(1998). R. Coimbra: Serviço de Avaliação Psicológica. D. New York: Oxford University Press. 32(3). The working brain. Petersson. Reiter. Sánchez-Alfonso. 22. pp. M.. J. 449-504. III. McDowd. S. semantics. M. S. M. B. Z. Vieira. 32. Os testes de fluência verbal na avaliação neuropsicológica: Pressupostos.. 22. A. Nichelli. J.. e cols. Lisboa: Cegoc. Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra (BANC). O. Boone. (2000). E. R. O. Effects of age. M. M. 263-270. J. M. C. M. funções examinadas e estruturas anatómicas envolvidas. (1999). J. & Jolles.. 26. M.. Clustering and switching on verbal fluency: The effects of focal frontal and temporal lobe lesions. E. M.... V. M. C.. Hoffman. A. Ostrosky-Solis.. A.(2008).. Raboutet. Yassuda. & Roselli. 32. C. (2003). M. Villodre. 319-332. 10(4). & Devoti. concept shifting. Bateria de Avaliação Neuropsicológica de Coimbra (BANC): Estudos de validação num grupo de crianças e adolescentes com problemas de aprendizagem escolar. & N'Kaoua.. J. Vaz. norms and commentary (3ª ed. Saletti.. Santos. P. 116-131. (2004). T. Martins.. 25-50. I. 647-660. S. Simões.. M. (2011). 268-280. S. Neurological Sciences. M. (2008). (2007).. Alexander.. H. 11. M. P.. Coimbra: Centro de Desenvolvimento e Neurologia do Hospital Pediátrico de Coimbra. and verbal fluency in adults with Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder (ADHD). F. 1081-1087. Franceschetti. (2010). Belle. M. Pinho. Flacks. Cherian.. F. (1973). Marchetta. Newcombe... J. D. 1487-1494. Troyer. Teste de fluência verbal semântica. Rozek.. Fluencia verbal en niños españoles en edad escolar: Estudio normativo piloto y análisis de las estrategias organizativas. Fernandes.. & Spreen. (2005).-M. A. 11. 349-370.. and categorical exploitation processes. e cols. Rodrigues. P.. Nichelli. Alfaiate. Chirivella. 21..(2007). Freitas. A. L. e cols.. P. Journal of the International Neuropsychological Society. 74-84. 561-565.. Child Neuropsychology. A. (2004). Núñez. Passler.. V.. Simões. W. Moskovitch. Faísca. Simões. New York: Oxford University Press.. e cols.). switching... F. M. C.. P. Firmino.(2005)...Moura.. Developmental aspects of verbal fluency and confrontation naming in children. M. & Denckla. 210-225. M. Sauzéon.(2009). K.. G. 21.. Ardila. A. K. 25(2). D. Effects of literacy and education on measures of word fluency. Alberto. B.. Evaluación neuropsicológica en niños con epilepsia: Atención y funciones ejecutivas en epilepsia del lóbulo temporal. Em M. 12(2).... 167-177 . & Mack. Brain and Language. 50. Riva. G. E. M. 266-277. N. & Shulman. G.. Barroso. R. (2009). (2008). A. Montreal Cognitive Assessment (MoCA): Adaptação portuguesa.. Neurología. L. 13(4). J. Ratcliff. 26(2). Seabra-Santos. B... Phelps.. Handbook of normative data for neuropsychological assessment (2ª ed. Seaberg. Avaliação psicológica: Instrumentos validados para a população portuguesa (Vol. Gonçalves & L. Moskovitch. J. C.. e cols. L. Mirandez. Simões. Tucha. M. Alzheimer's Disease. R. Revista de Neurología... e cols. L. R. Developmental Neuropsychology. R. Avanzini.. Brain and Language. A.. Brines. P.. R. and Parkinson's Disease. Fluencia verbal: estudio normativo piloto según estrategias de «agrupación» y «saltos» de palabras en población española de 20 a 49 años. F. New York: Basic Books.. M. Nasreddine. Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology. Speech rate and fluency in children and adolescents. Albuquerque. & D’Elia. e cols. Neuroreport. F. C. W. B. R. M. (2005). Ferri. Ardila. Ingvar. Harris. I. M. & Winocur. 267-284. & Sarma. Santana. FMRI of the prefrontal cortex during overt verbal fluency. E. S. R. C. A. Neuropsychology. E. Verbal and nonverbal fluency in spanish-speaking children.. Pereira. Lyons. M. E.. Verbal fluency in the detection of mild cognitive impairment and Alzheimer’s disease among Brazilian Portuguese speakers: the influence of education. & Morales. Robalo. A. Verbal fluency. G.. K. Razani. H. F. 493-512. S. 413-433. L. J.

Marcelino Pereira é Professor Associado da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo Comportamental (CINEICC). B. 502-509. Mário R.. J. A. Verbal fluency deficits in children with Specific Language Impairment: Slow rapid naming or slow to name? Child Neuropsychology.. Bilker.. & Reilly. E. M. (2001). E. 2013. D. Sex differences in clustering and switching in verbal fluency tasks. 12(2).. 167-177 177 . Recebido em março de 2012 Reformulado em outubro de 2012 Aprovado em dezembro de 2012 Sobre os autores Octávio Moura é Licenciado e Mestre em Psicologia. (2006). 7.. Journal of International Neuropsychological Society. 12. Weiss. 142-152. J. J. Ragland. M. B. & Delazer. Deisenhammer. Laboratório de Avaliação Psicológica da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.. M. Wulfeck. pp. Doutorando em Neuropsicologia na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Avaliação Psicológica. Simões é Professor Catedrático da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Grupo de Investigação em Desenvolvimento e Aprendizagem da FPCE-UC. Brensinger. Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo Comportamental (CINEICC).Fluência verbal semântica e fonêmica em crianças Weckerly. C. W. Professor na Escola Superior de Educação de Fafe e no DFP do Instituto Superior de Psicologia Aplicada..