Você está na página 1de 2

A ORIGEM DOS MINERAIS Os minerais, por definição, são formados por processos naturais inorgânicos e são encontrados na crosta terrestre. Por outro lado, as rochas são constituídas por um ou mais minerais e constituem parte essencial da crosta terrestre.

Como já foi visto no estudo do ciclo das rochas, encontramos três possíveis grandes grupos de rochas

(magmáticas, sedimentares e metamórficas) consoante suas gêneses. Assim sendo, ao estudar a gênese dos minerais, novamente encontram-se estes três processos, denominados, agora, processos mineralizadores. Resumindo, tem-se: - Mineralização Magmática (Vulcânica e Plutônica);

- Mineralização Sedimentar e

- Mineralização Metamórfica.

Cada um destes processos mineralizadores tem suas características próprias e dão origem a espécies minerais mais ou menos bem definidas. Alguns minerais, entretanto, são encontrados em rochas formadas por diferentes processos, os quais nem

sempre têm ligação direta com sua formação (cristalização) propriamente dita. Exemplificando, tem-se o caso do diamante.

O diamante, acredita-se atualmente, tem sua origem nas partes mais profundas da litosfera, numa região limite

com a astenosfera onde predominam elevados valores de pressão e de temperatura, via de regra são trazidos às proximidades da superfície por um tipo especial de evento magmático que dá origem às chamadas chaminés de

Kimberlito, abundantes na África do Sul. Entretanto, acredita-se que esta rocha, o Kimberlito, apenas executa o transporte dos cristais de diamante desde as profundezas da litosfera e que, portanto, não tenha relação direta com sua gênese. Por outro lado, parte significativa dos diamantes encontrados na crosta terrestre, o são nos denominados depósitos aluvionares, originados por sedimentação fluvial em locais apropriados. Isto deve-se à grande resistência mecânica e à sua baixa reatividade nas condições de temperatura e pressão das proximidades da superfície terrestre. Assim sendo, os processos intempéricos e erosivos destroem com relativa facilidade a matriz sólida (rocha) onde se encontram os cristais de diamante, os quais restam praticamente intactos, sendo então transportados pelas águas do rio, vindo a ser depositados em regiões favoráveis, onde a capacidade transportadora do rio é diminuída ou onde são encontrados obstáculos naturais. Não pode ser descartada a possibilidade de que uma destas rochas venha a sofrer certo grau de metamorfismo, o que torna possível a presença de diamantes em certas rochas metamórficas.

O que não se pode perder de vista de tudo o que foi dito até o momento é que os processos geradores de rochas

são semelhantes aos processos geradores de minerais, mas nem sempre a cristalização do mineral ocorre de forma concomitante à formação da rocha. Desta forma pode-se afirmar que os minerais têm sua origem nos processos de cristalização, os quais podem ou não ocorrer durante a formação de uma rocha. Entretanto o que se entende, via de regra, como processos mineralizadores, são aqueles que promovem a concentração local de determinados tipos de minerais. Assim sendo, apesar de o diamante não ser formado a partir de processos sedimentares, estes processos são importantes na formação de depósitos ricos em diamantes. Em contrapartida, existem processos menos complexos, como a formação de Talco que via de regra está associado a eventos metamórficos, sendo o principal constituinte da denominada pedra sabão. Concluindo, os minerais têm origem nas diversas formas possíveis de cristalização ou de alteração de cristais preexistentes nos diferentes processos geológicos. Alguns exemplos são:

- evaporitos: evaporação de água em soluções que contêm sais: - sal gema, - calcita;

- caulinização: alteração de feldspatos para a formação de caulim; - diferenciação magmática: cristalização de minerais a partir do magma; - processos hidrotermais: cristalização nas últimas etapas do magmatismo a partir de soluções aquosas a temperaturas pouco elevadas e ricas em elementos voláteis; - recristalização: metamorfismo, podendo haver formação de minerais distintos dos originais;

- entre muitos outros. No que se refere aos processos mineralizadores, é possível resumi-los como segue:

1. Mineralização Magmática.

1.a. Vulcânica.

O processo vulcânico caracteriza-se pelo resfriamento rápido da lava em condições superficiais ou quase

superficiais, o que impede o desenvolvimento de cristais, podendo, inclusive haver a formação de vidro vulcânico. Trata-se, portanto de um processo mineralizador muito pobre, com exceção de alguns processos possíveis de ocorrerem nas últimas etapas do vulcanismo, nas fases hidrotermal e de fumarola. Na fase hidrotermal pode haver o preenchimento de cavidades e fraturas da rocha por materiais cristalizados a partir de soluções ricas em elementos voláteis, podendo dar origem a minerais como a apofilita, a calcita, zeólitas, quartzo (nas diversas variedades), sulfetos e cobre. Na fase de fumarola pode haver a formação de depósitos de sulfetos e de enxofre, principalmente.

1.b.Plutônica.

O processo plutônico caracteriza-se pelo resfriamento do magma em condições de profundidade na crosta

terrestre, havendo, portanto, um resfriamento lento, o que favorece o desenvolvimento de cristais.

A primeira fase caracteriza-se pela diferenciação magmática, onde os cristais são formados na medida em que

as condições físico-químicas apropriadas são alcançadas. Estes minerais podem ser separados da solução por diferenças relativas de densidade, os mais densos indo para regiões mais profundas e os menos densos migrando para posições mais acima da massa magmática. Estes cristais podem ser reabsorvidos pela solução mãe ou permanecerem quase inalterados até o final do processo. Outro mecanismo possível de separação ocorre com a confluência do fator densidade com possíveis correntes de convecção na massa magmática, a qual pode igualmente absorver material da rocha encaixante. No estudo dos processos envolvidos nesta fase destaca-se o trabalho desenvolvido por BOWEN, que estabeleceu a existência de duas séries de cristalização concomitantes, uma denominada série contínua e outra de série

descontínua (ver figura ao final). Ambas as séries convergem para um estágio posterior onde ocorre a cristalização de quartzo, mica e feldspato, os maiores componentes dos granitos. Nas últimas etapas, a solução residual, rica em voláteis e em elementos metálicos propicia o surgimento de diversos minerais de interesse econômico sejam eles minérios metálicos (por exemplo, o espodumênio - de lítio, ou mesmo o ouro) e ainda os denominados minerais gemas, ou pedras preciosas.

2. Mineralização Sedimentar.

Trata-se, a esta altura do curso, de um processo já suficientemente bem descrito, podendo ser relembrados a

precipitação de sais (calcita) e a sedimentação (argilominerais, depósitos aluvionares, etc.), apenas a título de exemplos.

3. Mineralização Metamórfica.

Via de regra trata-se da recristalização de minerais preexistentes que sob certas circunstâncias pode dar origem a minerais distintos dos originais, como na formação do talco, por exemplo. Todavia é necessário ressaltar a possibilidade de existência de diferentes graus de metamorfismo, sendo que em casos extremos pode ocorrer que estes processos originem rochas praticamente idênticas às plutônicas, podendo haver, nestes casos, a ocorrências das fases descritas para aqueles processos (mineralização magmática plutônica, item

1.b).

Séries de Bowen

Série Descontínua Piroxênios Rômbicos Piroxênios
Série Descontínua
Piroxênios
Rômbicos
Piroxênios

Monoclínicos

Piroxênios Rômbicos Piroxênios Monoclínicos Anfibólios Olivina (Mg,Fe) 2 SiO 4 ABSi 2 O 6

Anfibólios

Olivina
Olivina

(Mg,Fe) 2 SiO 4

ABSi 2 O 6 A=Ca, Na, Mg, Fe 2+ B=Mg, Fe 3+ , Al

Biotita
Biotita

K((Mg,Fe 2+ ) 3 (Al,Fe 3+ )Si 3 O 10 (OH) 2

(albita) NaAlSi 3 O 8 Plagioclásios Ácidos (Na,Ca)Al(Si,Al)Si 2 O 8 Plagioclásios Médios CaAl 2
(albita)
NaAlSi 3 O 8
Plagioclásios
Ácidos
(Na,Ca)Al(Si,Al)Si 2 O
8
Plagioclásios
Médios
CaAl 2 Si 2 O 8
Plagioclásios
Básicos
Série Contínua
Anortita

Ortoclásio,

Moscovita e

Quartzo

KAlSi 3 O 8 , SiO 2 , Kal 2 (Al,Si 3 )O 10 (OH) 2

Etapas

“Pós-Magmáticas”

Diminuição de Temperatura

, SiO 2 , Kal 2 (Al,Si 3 )O 1 0 (OH) 2 Etapas “Pós-Ma gmáticas”