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O ERRO, O TEMPO E O QUE É REAL

Todos nós somos muito hábeis em identificar os erros dos outros. Mas devemos
reconhecer que erro que vemos nos outros só é identificável porque o conhecemos em
nós mesmos. Só sou capaz de identificar o medo nos outros, porque sei o que é medo,
por experiência própria ou discernimento intelectual. Só sou capaz de identificar o outro
como arrogante, porque conheço a arrogância. Só sou capaz de chamar o outro de
egoísta, porque também sou capaz de manifestar o egoísmo. Além disso, qualquer
tentativa de corrigir o outro significa que eu acredito ser possível que a correção do
outro possa vir através de mim. Mas, se encontro dificuldades em corrigir a mim
mesma, como, então, pensar que posso corrigir outra pessoa? Se sou capaz de
reconhecer que meu ser é tão complexo a ponto de ter dificuldade de me libertar de
crenças equivocadas, porque me acho capaz de julgar quem quer que seja?

A verdade é que sou capaz de ver os meus erros e os dos outros porque tenho idéias
limitadas a respeito de quem eu verdadeiramente sou, e é desse senso de limitação que
surgem todos os erros. No tempo e espaço em que vivo, olho a todos de maneira
limitada.

Eu reconheço meu senso de limitação. Quanto mais me dedico ao estudo de aprendiz de


Deus, mais percebo que não tenho a menor idéia do que significa o verdadeiro “EU
SOU”, aquela centelha divina, feita imagem e semelhança Dele, incorruptível.

Para Deus, sua criação não está errada nunca, pois ela é feita imagem e semelhança de
Si mesmo e em Deus não há erros. Os erros são criações do Ego, portanto, não são reais,
eternos, não fazem parte do ser que verdadeiramente sou e do que cada irmão meu
verdadeiramente é.

Então, como lidar com os erros que identificamos nos outros? A nós é pedido que
sejamos capazes de ignorá-los. Que nos esforcemos a ver adiante. Deus tudo perdoa,
porque em sua pureza, ele não é capaz de “ver” nossos erros. Não há, em Deus, coisas
como o mal, a dor, o erro. Deus não julga. Isso só existe no universo humano, no mundo
temporal. A gente acha que perdoar é uma ação que acontece depois de julgar. Mas no
eterno agora, não há o tempo do antes e depois. Perdoar é não ver o erro. Como se
nunca houvesse existido.

Se quiser reconhecer o eterno, lembrar o que seja eternidade, terá que abrir mão do
tempo e de tudo que não tem significado no eterno.

Tempo e eternidade não podem ser ambos reais porque se contradizem um ao outro. Um
é real e outro não. É por isso que começo a entender porque dizem que nosso mundo
não é real. Tudo o que há nele não é eterno e apenas o que é eterno é real. Parece
assustador pensar que nosso mundo não seja tão real como imaginamos. Afinal, ele
parece bem real para nós. Mas, para podermos nos lembrar de quem realmente somos,
precisamos começar a olhar o mundo com olhos divinos.

Não podemos reconhecer como reais as coisas que não são de Deus. Olhar um filho de
Deus como uma imagem doente, falha e incapaz é ver apenas o nosso mundo temporal.
É ver com os olhos do ego que quer a separação, pois é apenas nela que ele, o ego, pode
existir. A arrogância é a negação do amor. O amor tudo inclui, compartilha. No eterno
só há UM e é o AMOR.

Mas como ver com olhos divinos? A nós é pedido apenas boa vontade: procurar
perceber apenas o que é real e tentar olhar para tudo o que não é de Deus, como sem
significado. Mas, isso não é nada fácil. A cada dia proponho-me a oferecer a paz para
todos aqueles com quem vou lidar durante o dia, mas percebo que logo estou fazendo
julgamentos. Percebo que não há em mim uma predisposição amorosa, nem receptiva.
Nunca sou rude, mas isso não basta. Ter olhar divino é saber olhar cada um com afeto.
Reconhecer cada um como Deus manifesto. Sabe o quanto isso é difícil?

Faço, também, julgamentos duros sobre mim mesma. Outro dia, me deparei lamentando
algumas decisões de vida que, se tivesse feito diferente, teriam me proporcionado hoje
muito mais segurança e estabilidade. Daí percebi o enorme atrevimento do meu EGO
em denegrir uma criação divina, que aos olhos de Deus é perfeita. (Lembre-se... Deus
não pode ver diferente; para Ele, toda a sua criação é perfeita) Que sei eu? Quem sou eu
para julgar? Como posso ser tão atrevida e arrogante? E, o que ganho com isso? Só
consigo negar quem realmente Sou e destituir-me do poder que tenho por direito.
Porque me identificar com o EGO e abrir mão de ser algo imensamente maior?

Se pararmos para pensar, nos damos conta do quanto somos críticos, o tempo todo.
Fazemos sempre comentários negativos, mesmo que em pensamento, sobre quase tudo.
Pensar errado é tão perigoso como agir errado. Afinal, já sabemos que temos o poder de
criar, como filhos de Deus que somos, e a criação começa na mente, na vontade. Então,
como criar o mundo de Deus se estamos continuamente mergulhados na MÁ
VONTADE? Insatisfeitos!!!

Pense um pouco, como seria seu comportamento se você soubesse que é eterno. Não
esse eterno mixuruca que você “crê” que é. Uma alminha que será eterna depois da
morte. Não! Pense que você é eterno AGORA! Imortal. Um ser que pode não
envelhecer. Pode existir além do tempo e se renovar a cada dia no poder de Deus
ilimitado que você tem.

Sinta, incorpore, faça de conta se preciso for, mas se perceba como esse SER
IMORTAL ONIPOTENTE e olhe para seu mundo depois disso. Muita coisa terá uma
nova interpretação. A começar pelas coisas que você acha que deixou de realizar e que
agora parece tarde demais para fazê-lo.

Há momentos em minha vida que eu me sinto cansada de viver. Parece tão exaustiva a
vida! A vida cansa porque parece que o tempo urge, que há uma demanda enorme e
muito pouco tempo para o que desejamos ser e fazer. TEMPO... ele parece ser nosso
inimigo. Mas o tempo só existe aqui, na matéria.

Ver com olhos divinos, enfim, é um enorme desafio. Mas não se pode desanimar. Nesse
meu aprendizado, muita coisa vem se desenrolando harmoniosamente na minha vida. E
eu entendo que isso já é um reflexo da minha vontade e determinação de acordar e
lembrar quem realmente EU SOU. Mas, reconheço que há um longo caminho pela
frente. Há muitos conceitos equivocados e cada pequena nova visão do mundo tem
enorme repercussão e exige de mim uma revisão completa sobre as coisas que penso
serem verdade, ou reais.
Só a palavra eternidade, como demonstrei acima, esbarra num monte de atitudes que
tomo sem pensar no dia a dia e exige de mim uma postura de humilde abertura. Rever
meus conceitos e olhar o mundo com olhos divinos parece algo gigantesco e cansativo
de realizar, mas sempre me lembro da promessa... eu só preciso dar um pequeno passo,
que Deus fará todo o resto. E, cada vez que erro, que deixo de ver com olhos divinos,
que faço um julgamento, que exijo demais de mim ou de outra pessoa, procuro me
lembrar que não devo me censurar. Afinal, identificar o erro já é um grande passo e
Deus tem toda a eternidade a minha espera. Ele sabe que estou verdadeiramente tentado
e deve estar feliz com isso.