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O relato autobiográfico de

uma vítima da intolerância.


“Ainda que muito eu sofra, pela ação dos
espoliadores que me perseguem; mesmo que o meu
espírito fosse minado por anos de desonra no ócio do
cárcere e o meu corpo lentamente definhado na prisão,
não poderia deixar de me alegrar, por ter lutado em prol
da liberdade de expressão”.
O autor
JEOVANE PEREIRA

CENSURADO
O relato autobiográfico de uma vítima da intolerância.

1ª EDIÇÃO

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de setembro de 1998.
Todos os direitos reservados ao autor.
Dedico este livro, in memoriam,
à minha saudosa avó
Maria Aires Magalhães, foi ela que, em
vida, edificou no meu coração o valor da virtude;
Jecilda Pereira do Nascimento,
cúmplice do que me tornei e tutora, dos anjos que
recebi de Deus e que, por “ato falho”, os abdiquei;
Vanilse Ines Ferres, menina que se
transformou em guerreira e saiu em minha defesa,
quando os meus “amigos” desvaneceram, diante
dos meus numerosos e poderosos opositores; e,
Lucineide dos Santos, uma mulher com
quem prendendo, um dia, dançar na chuva.
Quatro mulheres iluminadas, dignas da
minha eterna adm iração, “minha vida ficou
profundamente melhor”, por conhecê-las.
SUMÁRIO
PREFÁCIO....................................................................................09
ANO DA MUTAÇÃO.......................................................................13

CAPÍTULO - I
MILITANDO NA IMPRENSA............................................................19
- Idéia do panfleto

CAPÍTULO - II
A CRÍTICA É REALIDADE...............................................................23
- Parecer da juíza federal
- Parte estética e redacional
- A Crítica é realidade

CAPÍTULO - III
NOVA OPÇÃO JORNALÍSTICA.......................................................31

CAPÍTULO - IV
ELEIÇÕES 2000............................................................................35

CAPÍTULO - V
AUTÊNTICO E IMPARCIAL.............................................................39
- Inoperância

CAPÍTULO - VI
PRELÚDIO....................................................................................47
- Mentiroso, tratante, e dissimulado
- Para não dizer que eu não te falei de flores
- Falsas testemunhas

CAPÍTULO - VII
A TOGA A SERVIÇO DA TRUCULÊNCIA..........................................59
- Façanha pode render uma fortuna
- Apólogo do gavião e do rouxinol
- Nota da redação
- Justiça ou vingança
- Minha prisão
CAPÍTULO - VIII
PERSEGUIÇÃO DESENFREADA...................................................73
- Cegueira corporativista
- Identificada as causas da perseguição

CAPÍTULO - IX
ATENTADO À LIBERDADE DE IMPRENSA......................................81
- Sem liberdade de imprensa
- Carta aberta

CAPÍTULO - X
NINGUÉM PODE ALEGAR DESCONHECER A LEI...........................87
- Responsabilidade de registrar e fiscalizar
- Regulamentação e fiscalização da profissão

CAPÍTULO - XI
A JUSTIÇA TARDA E FALHA...........................................................93
- Parecer do advogado
- Dia da imprensa

CAPÍTULO - XII
ESTÁ CONSUMADO....................................................................105
- Carta ao juiz
- Ofício aos juízes

RESUMO BIOGRÁFICO.................................................................111

BIOGRÁFIA..................................................................................112
PREFÁCIO
Muitas histórias fabulosas acontecem na região amazônica,
algumas delas ocorrem totalmente despercebidas, há outras que é preciso
registrar e existem aquelas que se renovam. Está que eu registrei nas
páginas deste livro, aconteceu numa pequena cidade localizada no estado
de Rondônia.
No decorrer da leitura de cada capítulo o leitor irá se deparar com
eventos nunca antes revelados, não da forma tão cristalina que aqui foram
expostos. Da redação para páginas de um jornal, uma editoria autêntica,
se deparando com os poderes constituídos, desnudando as práticas anti-
morais de juízes, promotores, políticos, advogados, policiais... Enfim,
revelando a notícia sem nenhum comprometimento, a não ser com o
sagrado dever de informar. É certo que ocorreu numa pequena cidadezinha
ao norte do Brasil. Mas, isso não diminui a gravidade do que aqui foi
registrado.
Esta não é uma obra de ficção. Portanto, nunca é demais lembrar
que esses são fatos verídicos. Após a leitura de todo este conteúdo, o
leitor irá se permitir olhar com outros olhos para estrutura do poder
estabelecido.
CENSURADO é uma trama que, pelo requinte da maldade que
será exposta, poderia até ser tratada como contraditória e duvidosa, se
ela não estivesse devidamente registrada.
Não tenho dúvidas que o conteúdo aqui exposto causará espanto
e indignação a qualquer pessoa que se atreva chegar até o término deste
livro. Contudo, não deixará de ser uma leitura apaixonante. Ainda que,
este registro reconstitua as atitudes vergonhosas praticadas por
autoridades que deveria proteger nossos direitos. Certamente que será
tratada como polêmica. Embora esse não seja o meu desejo.
Este documentário, se assim pode ser chamado, revela as
angustias, privações, perseguições e ultimato, dos quais sofri, por ter
tido o zelo pelos conteúdos que divulgava, doessem eles a quem doesse,
atingissem a quem atingisse. Sobretudo, este livro trata-se de uma
reportagem jornalística. Assim sendo, evitarei ao máximo adentrar a
complexidade dos trâmites processuais, pois se tal é necessário em
obras que tratam de jurisprudência, tornam-se desnecessário para o grande
público, para quem tal procedimento poderia aborrecê-lo ou até mesmo
parecer tedioso.
Além disso, não pretendo tornar este livro uma obra para
jurisconsulto, até porque, eu me considero a última pessoa desse mundo
capaz de tratar de um tema tão complexo como a jurisprudência; da
minha parte seria uma sandice e com certeza, incorreria em desacertos.
Pois, em hipótese alguma, eu me prestaria servir a qualquer causa, por
mais célebre que fosse se para tal tivesse que renunciar da condição que
dar dignidade à função do jornalista, que é a de relatar com autenticidade.
Existe uma minoria dos jornalistas em Rondônia, difícil até mesmo
de ser detectada, que faz jornalismo preocupando-se com a ética
profissional: é a esse grupo que pertencíamos. O jornalista Carlos
Sperança, que até a data do livro ser impresso, ainda não havia tido o
prazer de conhecê-lo pessoalmente. Mas que quando ocorreram os eventos
que aqui estão registrados, era ele o presidente do SINJOR - Sindicato
dos Jornalistas de Rondônia e que, por sua postura ilibada, concedo-lhe
neste livro, o status de "Gigante da imprensa rondoniense". Sendo ele o
representante legal dessa classe a que me refiro e que o leitor ficará
sabendo mais detalhadamente, quando for aprofundada a leitura.
Na contra capa deste livro, resolvi fazer uma homenagem aos 30
anos da passagem do assassinato do professor da Universidade Federal
de São Paulo, jornalista Vladimir Herzog, que se tornou símbolo da luta
contra a repressão da ditadura militar brasileira.
Finalizando este prefácio, quero justificar o título: assim que resolvi
escrever um livro que falasse sobre minha acidentada passagem por
Cacoal, decidi me ausentar do município. Eu não tinha em mente as
dificuldades que encontraria para ambientar cronologicamente minha
história, tanto é verdade que não consegui no prazo pretendido. Hoje posso
imaginar o que ocorre a um escritor que deseja executar uma façanha
dessa magnitude: a de encontrar as palavras e expressões certas que
simbolizem com clareza o conteúdo que pretende desenvolver no espaço
de tempo determinado. Eu reconheço que não sabia nem mesmo por
onde começar. E mesmo depois de concluído, tenho a impressão que
comecei da forma errada. Pois, queria a todo custo, encontrar um título
apropriado para o livro que a pouco tinha iniciado e não era certo que
concluiria.
Fiz vários rabiscos, tentando tematizar o conteúdo do "livro". Depois
de matutar sobre aqueles títulos que tinha rabiscado, sempre chegava à
conclusão de que mais parecia um livro para acadêmicos. Por fim, descobri
o título adequado, que representa a verdadeira expressão visual do tema
que permeia capa a capa deste livro.
Minha busca pelo título certo acabou por me fazer descobrir os
subtítulos para alguns dos capítulos que formam todo o livro. Portanto, na
medida em que buscava o título apropriado, acabei por construir um
esqueleto ideológico da história que eu pretendia registrar. E o título do
livro se tornou definitivamente: CENSURADO.
Espero, maiormente, que minha história sirva de algum modo, ao
enaltecimento da Imprensa séria.
Vilhena, março de 2005.
Jeovane Pereira do Nascimento
O ANO DA MUTAÇÃO
Na década de sessenta aconteceu uma grande transformação
mundial "Tudo se modificou!". A partir dos anos 1960, o mundo nunca
mais foi o mesmo. O "velho mundo" deu lugar ao "novo mundo". Explodiu
a moda da psicodélica, que trouxe cores gritantes para as roupas e
decorações jovens, o figurino das minissaias, os jovens participavam de
agitações e passeatas que se sucediam em todos os cantos e continentes,
os adultos se abismavam e ficavam assombrados diante das vastas
cabeleiras encaracoladas e das boinas dos jovens espalhados nos campi
universitários, que declaravam na voz de um hippie: "Desconfiem dos
chefes, dos heróis. Desconfiem de todas as pessoas de fora que tentam
impor a vocês suas estruturas. Se não sabem o que são, descubram". O
"papa" desse movimento hippie era Timothy Leary, professor de psicologia
da Universidade de Harvard. Ídolos como Janis Joplin e Jeni Hendrix, que
morreram jovens, justamente devido a doses excessivas de heroína,
polarizavam entre os jovens.
No campo artístico, proliferavam os grupos de teatro de rua, com
peças curtas que exigiam a participação do espectador e ou transeunte,
como foi o caso do Living Theatre, que levava em praças públicas do
mundo inteiro sua obra mais polêmica, Paradise Now (Paraíso Agora). O
“não” passivo dos hippies evoluiu para o “não” ativo dos yippies,
influenciados pelo anarquismo e pelo pacifismo na linha de Mahatma
Gandhi.
Para argumentar a chegada do "novo mundo", aparecia com
freqüência referência quase mitológica a um velho pensador alemão, Herbert
Marcuse, que vivia nos Estados Unidos há muito tempo. Inspirando os
líderes estudantis de todo o mundo, a exemplo de Daniel Cohn-Bendit
(francês) e Rudi Dutschke (alemão). Marcuse valorizava ao máximo o
papel transformador dos jovens e, segundo seus seguidores, acreditava
na importância da utopia e das ações diretas e radicais. Ao lado de
Marcuse, outro grande mito da época era Che Guevara, morto em 1967 e
cultuado como "santo" pela juventude rebelde.
No ano 1968 a História registrou o ápice de todos os movimentos:
a revolução sexual; na música, firmava-se a influência esmagadora dos
Beatles e dos Rolling Stones, formavam-se centenas de conjuntos de
rock. Iniciavam-se as ações dos índios, dos presidiários, bem como as
das feministas e as dos homossexuais. O movimento negro (Black Power)
toma força. No ano 68 todos os movimentos convergiram.
"A resistência passiva significa vontade de sofrer e sacrificar-se.
Pode significar também a ida para o cárcere ou a morte física". Essas
foram as únicas palavras de Martin Luther King, ao ser preso, como
desordeiro. Mas tinha um conteúdo profético, pois ele acabaria sendo
morto pelos racistas norte-americanos, no ano 1968.
No Brasil, em janeiro do ano 1968 a peça (Roda Viva) de Chico
Buarque de Holanda, provoca um dos maiores escândalos nacional.
No III Festival Internacional da Canção, Geraldo Vandré concorre
com uma obra explosiva: Caminhando. Deixando arrebatadas as trinta
mil pessoas que estavam no maracanãzinho. O júri não lhe deu o primeiro
lugar e dias depois, o coronel Otávio Costa, através de um artigo, publicado
no Correio da Manhã, pedia a prisão de Geraldo Vandré, por subversão.
Caminhando "Para Não Dizer que Não Falei de Flores", torna-se hino do
movimento estudantil.
Enquanto alguns cineastas nacionais procuravam aumentar o
mercado para seus filmes, como Roberto Farias que, com Roberto Carlos
em Ritmo de Aventura, atingiu maior bilheteria em 1968, arrecadando
milhões de cruzeiros. Outros, ainda dentro do esquema geral do Cinema
Novo, batiam-se num front estético do subdesenvolvimento. Já Leon
Hirszmam, nesse ano, realizara Garota de Ipanema.
Na noite de 28 de março de 1968, no Rio de Janeiro, uma quinta
feira, os estudantes haviam programado mais uma passeata, que sairia
do restaurante "calabouço", considerado foco de agitações, pelas
autoridades. Mas um pelotão da Polícia Militar não os deixou sair. Houve
vaias, pedradas, tiros. Um estudante tombou morto. Imediatamente o
corpo de Édson Luiz foi levado por seus colegas para a Assembléia
Legislativa. No dia seguinte, mais de cinqüenta mil pessoas se
aglomeraram na frente da Assembléia Legislativa, para acompanhar o
enterro.
Nos outros Estados, o movimento estudantil estava fervilhando. No
dia 1º de abril, vários estudantes morrem.
No dia 26 de maio de 1968, no Hospital das Clínicas, no estado de
São Paulo, 41 médicos, chefiados pelos doutores Euríclides de Jesus
Zerbini e Luís Decourt, preparavam-se para realizar o primeiro transplante
brasileiro de coração.
A igreja, na sua macha solitária contra o poder autoritário, pagava
um alto preço em prisões de religiosos, expulsões de padres estrangeiros
e arriscando-se a ser cobrada mais tarde, por sua contribuição ao
endurecimento do regime.
Em meados do ano 1968, centenas de estudantes foram presos e
outros tantos mortos. No dia 26 de junho, a fusão dos movimentos operário
e estudantil, realiza a passeata dos "cem mil".
Leila Diniz era um dos ícone da rebeldia feminista, em 68, a Leila
estava no auge. Caetano Veloso e Gilberto Gil revolucionavam a MPB.
Não há como registrar e contextualizar, nas poucas páginas de um
livro, tudo o que ocorreu no ano 1968 no mundo.
Foi nesse clima de modificação reinante, em todo o globo, no dia
19 de junho do ano 1968, que o autor nasceu apressadamente: após dois
meses do nascimento do primeiro dos meus quatro irmãos, eu já estava
gerado no útero da minha mãe.
No final do ano 1968, quando eu estava apenas com seis meses
de nascido, foi registrada a culminância do lado obscuro da História do
Brasil. O presidente da república Arthur da Costa e Silva, convoca o
Conselho de Segurança Nacional, delibera e institui o Ato Institucional nº.
5, fecha o Congresso por tempo indeterminado, literalmente, desconsidera
a existência da Constituição; restringindo e amordaçando as liberdades
do povo brasileiro. Tenho que dizer aqui da isenção do louvável vice-
presidente José Aleixo, ele foi o único, naquela reunião, a desprezar a
medida do AI5, alegando ser defensor da Constituição brasileira.
Nos quatro cantos da terra, estava ocorrendo a "mutação". O
desaperceber deste fenômeno, por parte do governo brasileiro, até mesmo,
confundindo com subversão, levou-o a conduzir o país à margem da
tolerância.
Com apenas cento e oitenta dias do meu nascimento, a reprimenda
torna parte da minha vida, pela primeira vez, meus direitos foram tolhidos,
eu se quer percebia a diferença de estar vivendo sob uma "ditadura".
Quando fiz meu primeiro ano, surge o jornal "O Pasquim". Foi como uma
luz "a liberdade triunfando sobre a escuridão do absolutismo", não por
muito tempo, mas foi o pontapé inicial.O jornalismo ideológico deu seu
jeito de permanecer atuante, mesmo o país sendo governado sob regime
ditatorial.
O "Quarto Poder", desde então, teve papel determinante nas
transformações da sociedade brasileira e foi nossa imprensa, responsável por
levar o povo brasileiro à sua mais elevada "transmutação": as DIRETAS JÁ.
Nos meus primeiros vinte anos de vida, no Brasil, o autoritarismo
esteve no poder. Por fim, as barbáries "cessaram". Surgiu um novo e
esperançoso futuro para os brasileiros: foi consolidada a nova Constituição.
Quatorze anos após ter sido instituído esse instrumento democrático
no Brasil, na minha vida foi iniciado uma reviravolta. Em decorrência dessa
mudança inesperada, fui levado a conhecer, efetivamente, o que representa
verdadeiramente, a conjuntura deplorável do Estado: a "ditadura". Agora
com nova roupagem, passou a ser institucionalizada. E novamente, meus
direitos foram cerceados, uma vez mais, a intolerância do poder estatal
esteve espoliando-me, acometendo-me e oprimindo-me.
São esses os fatos que relato a seguir:

*A maioria das referências históricas do “Ano da Mutação”, são créditadas à coleção Novo Século, editora Abril S.A. Cultural, 80/86.
CAPÍTULO I

MILITANDO NA IMPRENSA
No ano 1998 eu estava residindo na cidade de Porto Velho, capital
do estado de Rondônia. O ano seguinte foi de grandes expectativas com
a aproximação da chegada do novo milênio, e foi nesse ano, que a minha
vida foi drasticamente modificada por dois acontecimentos.
O primeiro foi o falecimento do ministro das Comunicações no
Governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, o saudoso Antonio
Sérgio Carneiro Motta. Alguém pode até estranhar o fato da morte do
ministro está relacionada e influenciar na vida de um habitante da região
amazônica. Pois bem, vou esclarecer: na época eu trabalhava no setor
de marketing e propaganda de uma empresa especializada na venda de
ar-condicionado, centrais de ar e na manutenção desses aparelhos. Minha
função consistia em que eu redigisse texto para panfletos, campanhas
publicitárias e por três dias da semana visitava nossos clientes de cadastro,
como também, os gestores de instituições públicas, alertando-os quanto
aos cuidados apropriados com a manutenção dos aparelhos
condicionadores de ar e os resultados maléficos a sua não-limpeza
periódica. Aos 19 de abril do ano 1998, foi noticiado que a morte de Sergio
Motta aconteceu em decorrência de complicações respiratórias, agravadas
por bactérias provenientes da exposição aos condicionadores de ar que
foram tidos como contribuidores da proliferação dos micróbios e que,
naquela ocasião, foram de certa forma responsáveis pelo seu falecimento.
IDÉIA DO PANFLETO
Naquele dia eu estava assistindo o noticiário e me surgiu uma
brilhante idéia em função daquela notícia. Mesmo não sabendo explicar
cientificamente a correlação existente entre as bactérias e o uso do ar-
condicionado, resolvi redigir um texto referente ao assunto, e cinco dias
depois muito empresários, gestores de instituições públicas e proprietários
de condicionadores de ar na cidade de Porto Velho, receberam um panfleto
intitulado: BACTÉRIA, FUNGOS E GERMES - inimigos da saúde pública
moderna.
O conteúdo do panfleto detalhava os males causados pelos
microrganismos, evidentemente, sem nenhum valor científico e alguns
exageros, o folheto anunciava que as minúsculas criaturinhas haviam
contribuído com a morte do ministro brasileiro.
O panfleto apresentava algumas preocupações e relacionei alguns
cuidados que deveríamos ter com o uso dos condicionadores de ar.
Alistando o principal e indispensável como sendo a manutenção periódica.
Endereço e telefone onde eu trabalhava receberam papel de destaque no
final do referido informe. Posteriormente à distribuição desse panfleto, a
empresa ficou alguns dias com suas linhas telefônicas ocupadas com
pedido de manutenção e limpeza. E eu passei a ser chamado, no meu
local de trabalho, pelo codinome: bactéria. Inicialmente, todos que ouviam
ficavam curiosos em saber o motivo pelo qual eu atendia por "bactéria", e
assim a história se repetia de boca em boca.
No início do mês de novembro daquele ano, o empresário Ailton
Batista, proprietário de um jornal no interior do estado de Rondônia, estava
transferindo sua residência para capital. Foi através do proprietário da
empresa que ele satisfez sua curiosidade: ficou sabendo o porquê do
funcionário atender por bactéria. E a história do panfleto se repetiu mais
uma vez.
Naquele mesmo dia, quando acabou o expediente na empresa,
recebi a informação que tinha sido convidado para um churrasco na casa
de certo empresário amigo do dono da empresa, quando foi comemorado
o aniversário de um filho seu. Durante todo aquele churrasco, eu fiquei
deslocado no meio daqueles empresários desconhecidos. Foi somente
quando a grande parte das pessoas haviam se retirado que ocorreu aquela
pequena reunião particular, que mudou o rumo da minha vida. Quando saí
daquele churrasco, um turbilhão de pensamentos tinha invadido e se
apoderado da minha mente. Procurei harmonizá-los, na busca de alcançar
a dimensão da surpresa e do quanto àquela proposta mudaria minha vida:
havia conhecido o empresário Osias Labajos, proprietário do jornal Folha
de Vilhena e sócio do empresário Ailton Batista, no jornal O Liberal de
Cacoal. Estava saindo daquela "festa" com o convite para trabalhar no
departamento comercial do jornal O Liberal, com ordenado de 20% do
rendimento bruto das publicidades.
Cinco dias após a realização do churrasco, estava recebendo
passagem e certo valor que foi usado nas minhas acomodações. Os
primeiros meses na cidade de Cacoal eu optei por me hospedar em hotel.
Nos dias que se seguiram, conheci e simpatizei com Estebam Vera
Labajos, diretor comercial do jornal, que coordenava o trabalho dos
repórteres. Estava em Cacoal para cuidar dos interesses do seu tio Osias
Labajos.
Numa certa ocasião, encontrava-se reunida toda a equipe para
deliberar sobre a próxima edição, casualmente, Estebam pegou meu
crachá, ficou observando atentamente e disse: "É por isso que esse jornal
não vai indo bem! Trocaram a data de nascimento do Jeovane". A
concomitância com a data do seu aniversário o deixou intrigado. Naquele
dia descobrimos que embora tivéssemos idades distintas, tínhamos
nascido no mesmo dia e mês. Logo a partir desse acontecimento, me fiz
seu amigo, e dessa convivência que passamos ter, se tornou mais tarde
como a um irmão que ganhei do mundo.
Meu trabalho consistia em que eu fizesse contato com empresários
nas cidades onde o jornal circulava, visando obter contratos de publicidades
e realizava pesquisas de preços nos estabelecimentos em Cacoal, no
sentido de que as informações obtidas através das pesquisas, orientassem
os leitores do jornal a fazer economias nas compras dos finais de semana.
Depois de alguns meses realizando esse trabalho, fiquei familiarizado
com os funcionários e passei a ficar minhas horas de folgas observando
mais atentamente como se administrava aquele jornal. Logo me deparei
com as dificuldades que os sócios do jornal estavam encontrando para
levar adiante aquele periódico. Conseqüentemente, passei a entender o
porquê dos meus repasses não estarem sendo realizados integralmente;
criando-me certo constrangimento de ordem econômica perante meus
credores.
Nesse período, Esteban Vera, também, não estava recebendo do
tio o combinado por seus serviços, gerando nele um estado de insatisfação
e aborrecimento pela má administração dos demais gestores. Até, mesmo,
algumas matérias que circulavam, causaram-lhe transtornos, surgindo
algumas desavenças com os outros diretores e com isso, seu
descontentamento com a linha editorial adotada.
No mês de janeiro do ano 2000, conheci o empresário Flávio,
proprietário de uma casa de bingo que estava encontrando dificuldades
para tornar lucrativa sua empresa, um patrimônio monstruoso, mas que
não estava lhe dando o retorno desejado. Depois de alguns contatos com
ele, fui convidado a criar e coordenar campanhas publicitárias que pudessem
captar clientes para seu estabelecimento. Ficou acertado que se minhas
campanhas publicitárias dessem certas, seria necessário formar uma
nova equipe de funcionários. Assim sendo, nas primeiras semanas do
ano 2000, fiz circular chamadas de empregos no jornal O Liberal,
aparecendo depois vários pretendentes. Essa foi uma das poucas vezes
que me vi obrigado a falar em público para várias pessoas. Como eu não
conhecia os candidatos às vagas ao emprego e por se tratar de vendas
externas das cartelas que seriam programadas semanalmente, propus
aos candidatos um critério único para contratação: os cinco que mais
vendessem as cartelas seriam contratados e o restante, receberia como
recompensa pelos esforços empregados, o valor de 20% do que
conseguissem arrecadar.
As cartelas eram programadas com uma premiação de oito mil
reais, que seria distribuído durante uma programação semanal. No final
do mês, tinha o prêmio extra de uma motocicleta, assim teríamos o cliente
durante toda a programação mensal. Em cada semana, foram colocadas
à venda cinco mil cartelas com o valor de dez reais. Os valores arrecadados
eram distribuídos da seguinte forma: 20% usados com a premiação, 20%
para os vendedores das cartelas, 10% gastos com a balística e
propaganda, 10% meu ordenado e 40% mais os lucros do consumo de
bebidas e lanches, eram destinados ao proprietário da casa de bingo,
tornando o negócio lucrativo para todas as partes. Para facilitar as vendas
das cartelas, ficou combinado que certo valor seria distribuído entre as
instituições filantrópicas. Esse valor não sendo repassado para as
instituições foi o motivo da minha discórdia com o empresário Flávio.
Desse modo, formei uma excelente equipe de publicitários.
Com minha saída da casa de bingo, os convidei a que se tornassem
meus sócios numa empresa de publicidade.
No mesmo período, um ambiente hostil passou a reinar entre os
diretores do jornal. Como havia me tornado amigo de todos os diretores,
passei a me sentir deslocado diante àquela situação. Foi então que
perguntei ao Esteban se não estaria disposto a que abríssemos o nosso
próprio jornal.
Tudo foi acertado. Esteban Vera se tornou meu sócio na Editora
Gráfica a Crítica Ltda. - ME, empresa passou a subsidiar as edições do
jornal A CRÍTICA de Rondônia. Com os cinco publicitários constituímos a
JAC PUBLICIDADE Ltda. - ME, empresa que cuidaria das publicidades
comerciais divulgadas no jornal A Crítica, pelo I.P.O.P - Instituto de
Pesquisa e Opinião Pública e com a publicação de atos oficiais e
campanhas publicitárias dos órgãos públicos.
Esteban ficou gerenciando a parte jornalística do jornal A Crítica, o
mesmo trabalho que realizava no periódico O Liberal, eu fiquei responsável
pela administração das duas empresas e os demais sócios cuidavam
das publicidades.
E assim se deu: o falecimento do ministro Sergio Motta e a brilhante
idéia do panfleto mudaram o curso da minha vida.
CAPÍTULO II

A CRÍTICA É REALIDADE
Aos 27 de março do ano 2000, foi constituída a Editora Gráfica A
Crítica. Ltda - ME. Na data desse acontecimento, em Rondônia existiam
quatro jornais diários de circulação no Estado: o Alto Madeira, o Estadão
do Norte, o Diário da Amazônia e o Folha de Rondônia.
Existiam dezenas de outros semanários, quinzenários, mensal, e
aqueles que circulavam sem cumprir o quesito da periodicidade, recorrente
em todo o interior como também, na capital. Somente na cidade de Cacoal
existiam cinco desses periódicos, alguns circulavam sem preencher os
pré-requisitos exigidos por lei. A maioria desses periódicos existentes no
estado de Rondônia não apresentava ou apresenta uma linha editorial
definida. Outros atendem exclusivamente aos interesses de determinados
homens públicos e seu grupo político. Até, mesmo, nos jornais de grande
porte (diários), são constante os trocadilhos praticados por "jornalistas",
ausentes da ética profissional. O ajuntamento dessas empresas são os
que pertencem ao que eu vou classificar neste livro de "imprensa alternativa"
e responsável pela celeuma editorial existente no estado de Rondônia.
Existe um número bem pequeno dos que aparecem no meio desses
periódicos e que apresentam zelo pelos conteúdos que divulgam. É
também insuficiente nesta vasta região, a quantidade dos profissionais
que alimenta a rebuscada clientela da boa leitura, e que,
conseqüentemente, estejam preparados para realizar esse trabalho digno
da admiração pública.
Antes de me aprofundar aos fatos, farei uma alusão à decisão
promulgada, no dia 10 de janeiro do ano 2003, pela juíza federal Carla
Abrantkoski Rister, da 16ª Vara Civil de São Paulo, que suspendeu em
todo o país a obrigatoriedade do diploma de jornalista para obtenção do
registro profissional no Ministério do Trabalho. Seguramente, essa decisão
se faz necessária, pois enaltecerá a corrente de pensamento que permeia
todo este documentário.
PARECER DA JUÍZA FEDERAL
A sentença foi proferida em ação civil pública, proposta pelo
Ministério Público Federal e Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão
do Estado de São Paulo.
Em sua decisão, Carla Rister afirma que o Decreto-lei nº 972/69
não foi respaldado na Constituição Federal de 1988, no tange à exigência
do diploma do curso superior de jornalismo para o registro do profissional
perante o Ministério do Trabalho. Segundo a juíza, a regulamentação trazida
pelo Decreto-lei não atende aos requisitos necessários para perpetrar
restrição legítima ao exercício da profissão.
Para Carla Rister, a profissão de jornalista não pode ser
regulamentada sob aspecto de capacidade técnica, eis que não pressupõe
a existência de qualificação profissional específica, indispensável à
proteção coletiva. "O jornalista deve possuir formação cultural sólida e
diversificada, o que não se adquire apenas com a freqüência a uma
faculdade, mas, sim, pelo hábito da leitura e pelo próprio exercício da
prática profissional", afirma.
Segundo a juíza, a regulamentação trazida pelo Decreto-lei 972/69
não visa o interesse público, que consiste na garantia do direito à
informação, a ser exercido sem qualquer restrição, através da livre
manifestação do pensamento, da criação, da expressão e da informação,
conforme previsto no inciso IX do art. 5º e caput do art. 220 da Constituição
Federal.
"O argumento de que não haveria requisitos de ordem ética ou
moral como decisões de capacidade que justificariam a regulamentação
da profissão não se sustentam, eis que a comum honestidade não é
requisito profissional específico para o exercício de profissão de jornalista,
mas sim um pressuposto para o exercício de qualquer profissão, pelo
que não pode ser considerado como legitimador da exigência do diploma
para o caso em tela, até mesmo porque honestidade e ética não são
atributos que se adquirem somente durante o curso universitário de quatro
ou cinco anos, mas sim compõe um núcleo de personalidade e de caráter
do indivíduo, formando durante toda a vida, seja pelo exercício da atividade
acadêmica, seja pelo exercício profissional propriamente dito, seja pela
convivência em família e até mesmo pela demais forma de convivência
em sociedade", diz a juíza.
Para Carla Rister, o aludido diploma legal de jornalista, a par do
fato de ter sido editado sob forma de Decreto-lei e não de lei em sentido
formal, elaborado em época eminente diversa, em que não inexistia
liberdade de expressão, inclusive nos meios de comunicação, colide
materialmente com os princípios sagrados pela Constituição de 1988,
das liberdades públicas, donde se insere a liberdade de manifestação de
pensamento, a liberdade de expressão intelectual, artística e científica.
"Tenho, ainda, que a estipulação do requisito de existência de
diploma, de cunho estilista, considerada a realidade social do país, vem
perpetuar ofensa aos princípios constitucionais, na medida em que impõe
obstáculos ao acesso de profissionais talentosos à profissão, mas que,
por um revés da vida, que todos nós bem conhecemos, não pôde ter
acesso a um curso de nível superior, pelo que estaria restringida liberdade
de manifestação do pensamento e da expressão intelectual", diz.
Carla Rister afirma que, caso a exigência do diploma prevalecesse,
"o economista não poderia ser responsável pelo editorial da área de
economia, o professor de português não poderia ser o revisor ortográfico,
o jurista não poderia ser responsável coluna jurídica e, assim por diante,
gerando distorções em prejuízo do público, que tem o direito de ser
informado pelos melhores especialistas da matéria em questão". Para a
juíza, a atual regulamentação da matéria revela-se falha, na medida em
que condiciona o exercício da profissão tão-somente com base na exigência
do diploma de jornalista, sem prever qualquer outra exigência que aferisse
o mérito ou a posse dos atributos de qualificação profissional.
A sentença, parcialmente procedente, determina que:
a) A ré União Federal, em todo o país, não mais exija o diploma
de curso superior em jornalismo para registro no Ministério do Trabalho,
para o exercício da profissão de jornalista, informando aos interessados a
desnecessidade de apresentação de tal diploma para tanto, bem assim
que não mais execute fiscalização sobre o exercício da profissão de
jornalista por profissionais desprovidos de grau universitário de jornalismo,
assim como deixe de exarar os autos de infração correspondente;
b) Seja declarada a nulidade de todos os autos de infração
pendentes de execução lavrados por Auditores, Fiscais do Trabalho contra
indivíduo em razão da prática do jornalismo sem o correspondente diploma;
c) Sejam remetidos ofícios aos Tribunais de Justiça dos Estados
da Federação, de forma a que se aprecie a pertinência de trancamento de
eventuais inquéritos policiais ou ações penais em trâmite, tendo por objeto
a apuração de prática de delito de exercício ilegal da profissão de jornalista;
d) Fixar multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais), a ser revertida
em favor de Fundo Federal de Direitos Difusos, nos termos dos art. 11 e
13 da Lei nº 7.347/85, para cada auto de infração lavrado em
descumprimento das obrigações impostas neste decisium.
Satisfeita a exigência desta referência, me permito retomar o curso
da minha história.
Fizemos um breve estudo estético e redacional para tornar nosso
jornal viável para o município e ao mesmo tempo atraente para os nossos
futuros leitores. Ficou decidido que o jornal A Crítica seria composto de
doze páginas, formato tablóide, capa e contra capa coloridas. Também
ficou definido que o jornal circularia na fase inicial com mil exemplares
semanais.
Na parte redacional ficou decidido colocar colunas opinativas
permanentes, sendo elas: o Editorial, como pede a praxe jornalística
dos impressos; Horóscopo; a coluna O Povo Opina, onde escolheríamos
um tema e um repórter ficava de fazer coletas da opinião popular e
escolhendo as três melhores opiniões para serem publicadas com a foto;
O Leitor Escreve, nessa coluna escolhíamos um profissional liberal para
falar sobre um assunto específico à sua área de atuação; uma página de
variedades com as colunas Corredores do Palácio, Piadas, Nota "0"
e Nota "10", No Brasil e no Mundo, nessas colunas recheávamos de
notas dos acontecimentos semanais, opinávamos sobre o desempenho
das instituições públicas e acontecimentos marcantes no contexto geral;
a coluna Ponto Crítico, o autor era quem assinava; na Página Social
publicávamos a agenda cultural dos municípios, fotos das pessoalidades
que se destacavam na semana e dávamos assessoria aos empresários
que mantinham contrato com o jornal; e uma vez por mês publicávamos
uma Entrevista com uma personalidade pública ou um visitante eminente
que chegasse ao município. O restante do espaço das doze páginas
publicava-se reportagens diversas e de interesse público; sempre dando
prioridade aos conteúdos que os leitores denunciavam através de nossos
telefones e e-mails, assim como, os assuntos que achávamos ser
polêmicos.
O lançamento desse jornal naquela comuna se deu sem tantos
alaridos. Era uma noite com o céu amazônico estrelado e tudo mais
conspirava para realização de um evento memorável, que quase aconteceu.
Proporcionamos um alegre jantar para nossos convidados. Fomos
homenageados com a presença de aproximadamente oitenta pessoas, a
maioria dos presentes militava na vida pública; estavam ali atraídos pelo
fascínio que um órgão de imprensa exerce sobre qualquer pessoal pública:
a notoriedade.
Dentre os presentes encontrava-se o comandante da Polícia Militar
Luiz Cláudio Soares Azambuja, os vereadores Daniel Néri, João Carlos
Passarelo, Luiz Carlos da Fonseca (Luiz Contec), os jornalistas Paulo
Benito, Eli Batista (representante do jornal Folha de Rondônia e assessora
de imprensa no município de Cacoal), Edna Mendes dos Reis Okabayashi
(representante do jornal O Estadão do Norte). Essas foram algumas das
pessoas responsáveis pelos tumultuados acontecimentos ocorridos nos
anos 2000 a 2004, no município de Cacoal, que o autor estava no âmago
dessa desordem e que passo a descrever através de artigos jornalísticos
e dos fatos que presenciei.
O primeiro editorial do jornal A Crítica de Rondônia alistava os ideais
e aspirações de nossa equipe de trabalho, tornava claros nossos reais
objetivos.
A CRÍTICA É REALIDADE
Começa um novo desafio em nossas vidas, seja esse qual for
sempre é difícil, já que estamos propensos a infinitas dificuldades, porém,
a dedicação e a constante luta para conseguir os objetivos traçados,
estimulam os anseios e a espiritualidade empreendedora.
Sabemos que não será fácil e que a partir desta edição estaremos
correndo o risco de sermos alvos para críticos e incompetentes,
começamos este novo desafio (se pode ser chamado assim), preparando
este veículo de comunicação que estará ligado diretamente à comunidade.
Temos um objetivo. As nossas metas estão programadas e faremos com
que elas um dia se tornem realidade. Colocamos Deus em primeiro lugar
nas nossas vidas, porque sem Ele, nada é possível realizar. Se nós,
agora, iniciamos este desafio, é porque Ele, de uma ou outra maneira,
teve participação, seja direta ou indiretamente, mas que a partir de hoje
se torna público.
Decidimos por abrir essa empresa no município de Cacoal, porque
somos unânimes em aceitar que a cidade precisa de mais um veículo de
comunicação para abordar e divulgar assuntos de interesse público e
coletivo. A nossa missão será a de informar, muitos pensarão que é
repetitivo, mas sempre foi a nossa intenção.
A Crítica, veículo de comunicação que neste instante está em suas
mãos, foi assunto de intenso debate pela nossa equipe de trabalho. Todos
preparados para enfrentar vários desafios, como por exemplo, de que
você leitor, acompanhe nosso jornal durante todas as edições que serão
preparadas futuramente.
Somos profissionais nessa área, com muitos anos de experiência
no ramo. Passamos por diversos meios de comunicação do Estado,
sempre adotando a postura da verdade e nunca querendo obter benefícios
que pertencem a terceiros, nesse sentido temos o nosso lema: "O que é
meu é meu, o que é teu é teu; só é meu o que eu produzir".
Mais uma vez temos certeza que nada é fácil, e só conseguiremos
o desejado, "lutando" energicamente sem que algum obstáculo tente
atrapalhar nosso anseio comum. Só a união e a capacidade recíproca de
uma equipe bem formada e aliada a interesse mútuo, fazem com que um
empreendimento tome novo horizonte, simultaneamente.
Agradecemos o apoio incondicional dos amigos que sabem
perfeitamente, da nossa capacidade e temos certeza que estarão nos
melhores e piores momentos deste jornal e de nossas vidas.
Aquela foi uma noite festiva e cheia de boas surpresas, mas ouve
os contratempos.
A reportagem da manchete, intitulada: EMPRESÁRIO DESMENTE
DENÚCIA SOBRE TRANSPORTE COLETIVO, não me parece polêmica,
mais foi. Primeiro porque contrapunha uma reportagem divulgada no jornal
O Estadão do Norte e sua representante no município de Cacoal, como
era do conhecimento de todos, não se agradava de ser contrariada. O
outro motivo era porque o empresário em questão chamava-se Valdomiro
Corá, um ex-vereador que perdeu seu mandato e teve seus direitos políticos
suspensos, por ter concedido carteirinhas para que os idosos pudessem
trafegar livremente nos ônibus de sua empresa sem pagar passagem. A
investigação do Ministério Público e comprovação da Justiça que ouve
crime eleitoral surgiram em função de uma reportagem assinada por Eli
Batista. Não somente por esse motivo, mas porque anos depois empresário
teve seu mandato de vereador cassado pela Justiça, um filho seu se
envolveu num acidente automobilístico, que veio a óbito o irmão da jornalista
Eli Batista. Assim sendo, nos envolvemos em dois grandes conflitos, dos
quais fiquei sabendo, no dia seguinte ao lançamento do nosso jornal,
após ouvir de um dos meus sócios que, me informou do reclame por parte
de algumas pessoas, por causa da nossa reportagem de capa.
Com o nome jornal intitulado "A Crítica" e sua linha editorial voltada
à "polêmica", era evidente que iríamos fazer alguns desafetos. Os relatos
que seguem informam como tudo se deu.
CAPÍTULO III

NOVA OPÇÃO JORNALÍSTICA


O ano 2000, em Cacoal, foi o último ano do segundo mandato do
prefeito Divino Cardoso. Um empresário e pecuarista de sucesso, que
chegou ao município quando o lugar era um vilarejo. Começou o que
mais tarde se tornou numa fortuna: vendendo caldo de cana. Algum tempo
depois, mudou seu negócio para o varejo de confecções, trazia do sul do
país malas cheias de bugigangas. Mas tarde se tornou proprietário do
armarinho Plano da Economia que, nos dias atuais, é o maior comércio
lojista da cidade. Divino Cardoso, naquela época, já era proprietário de
uma grande parcela dos imóveis da cidade de Cacoal.
Uma controvérsia entre o prefeito e o comandante da Polícia Militar,
foi o tema da reportagem de capa na segunda edição: PREFEITURA
ANISTIARÁ MULTAS DE TRÂNSITOS. As fotos do prefeito Divino Cardoso
e do comandante da Pólicia Militar coronel Luiz Cláudio Azambuja, foram
postas na capa, com um grande "X" no meio, sugerindo uma disputa
entre gigantes.
Essa reportagem gerou outra polêmica: de um lado os
representantes da Prefeitura alegavam que a cobrança das multas
abusivas, pois foram aplicadas de forma irregular pelos policiais militares
e que por esse motivo, deveriam ser anistiadas. Na outra corrente de
pensamento, o coronel Luiz Cláudio Azambuja declarava que a Prefeitura
não tinha autonomia para anistiar as multas, haja vista os tais fiscos
serem da competência da esfera estadual e não da municipal. Essa
polêmica foi o tema das conversas de uma semana inteira na cidade,
acabando por ter razão o coronel Azambuja.
A população de Cacoal, nessa época, estava em torno de setenta
mil habitantes. O nosso jornal circulava com mil exemplares que, durante
o período de adaptação, foram distribuídos gratuitamente, tornando o
jornal A Crítica de Rondônia conhecidíssimo, desde a segunda edição.
Nossa terceira edição suscitou outra polêmica. O prefeito foi
novamente reportagem de capa: DIVINO PODE FICAR FORA DA
REELEIÇÃO. Isso porque, tramitavam na Promotoria de Justiça alguns
processos contra sua administração. Essa reportagem foi como se caísse
uma bomba no município. O jornalista abordou o tema com muita
propriedade, fez constar que os processos poderiam complicar a reeleição
do prefeito Divino, que acabou mais tarde por não concorrer à reeleição.
Nas reportagens procurávamos ser o mais autêntico possível, nos
mostrando sempre imparciais em qualquer tema que fossemos abordar.
Nosso zelo na divulgação dos fatos nos rendeu um instantâneo vínculo de
admiração por parte da maioria da população. Na nossa terceira edição,
na coluna Corredores do Palácio, trouxe um comentário dando conta do
péssimo atendimento por parte dos serventuários do Poder Judiciário.
Logo, fomos convidados a prestar esclarecimentos à juíza Tânia Mara
Guirro Baldan, na época, diretora do Fórum da comarca. Esteban Vera foi
o escolhido para comparecer ao Fórum, onde deixou claro que, embora,
ele mesmo tivesse presenciado o mau comportamento por parte de alguns
serventuários, optou por não revelar a fonte que gerou aquele comentário
na nossa coluna de variedades.
A notícia da recusa do jornalista do jornal A Crítica, por não querer
revelar sua fonte, mesmo perante o pedido da juíza, se espalhou
rapidamente no município. A partir dessa ocorrência, a população se tornou
nosso maior trunfo na preparação do jornal. Telefonemas e mensagens
de e-mails chegavam à nossa Redação a todo o momento. Nossos
colaboradores voluntários eram movidos pela certeza de não serem
descobertos, aumentando a confiança recíproca jornal/população. Não
importava em qual instituição acontecia irregularidade, as infrações eram,
rapidamente, delatadas por nossos colaboradores. E, nós, do jornal A
Crítica, éramos os primeiros a ficar sabendo de praticamente tudo o que
acontecia na cidade.
No ano 2000, em Cacoal, não existiam cinema ou casa de
espetáculos. O projeto do teatro tinha ficado no esqueleto de concreto. A
"obra" foi iniciada na primeira administração do Divino, passou pelo
comando do Orlandino Ragnini e novamente, na segunda gestão do Divino.
A Avenida Porto Velho (rua de lazer) era o local onde os jovens se divertiam
com o som dos seus carros no máximo volume. Os mais entusiasmados
empinavam as rodas de suas motocicletas, promovendo manobras
acrobáticas, na maior algazarra. Existia uma ou outra casa de shows,
onde eram promovidas as festas dos finais de semana para os jovens que
se disponha a extravasar suas energias. Esses eram os locais que,
sempre, motivavam ocorrências policiais, assim como as constantes
notícias para nosso semanário.
Na Câmara de vereadores a diversão era garantida, todas as
segundas-feiras, pelos discursos cômicos e a enérgica disposição da
maioria dos vereadores em defender com unhas e dentes as propostas
do prefeito; contrapondo com a minoria que, tentavam demonstrar a
inviabilidade da administração do chefe do Executivo municipal. Essas
sessões na Câmara de vereadores eram verdadeiras peças teatrais e
local propício para infinitas polêmicas. E, nós, sempre, estávamos apostos
na tentativa de colher uma boa notícia, o que nunca faltou.
A Mesa diretiva, composta de presidente e vice-presidente os
agricultores Mensaque Fernandes e Isaias Campana, o primeiro e segundo
secretários era o radialista Noel de Almeida e o técnico em radiografia
Rubens Campos. Assessorados pelo advogado e vereador Luiz Contec.
Os demais vereadores eram o "empresário" Expedito Macedo, a médica
Raquel de Carvalho, o agricultor Ademar Margotto, o funcionário público
Daniel Néri e o sempre em cima do muro, jovem apresentador de programa
na tevê, João Carlos Passarelo.
Uma Casa de leis composta de quatro semi-analfabetos, dois doutos,
e os demais tinham pouco estudo, compunham uma Câmara de vereadores
de pouquíssima expressão. A maioria com pouquíssimo conhecimento,
nada entendiam de leis. Falar da autonomia daquela Casa de leis é até
um ato burlesco. Mas, estávamos em Cacoal, onde tudo é possível
acontecer.
Por muitos motivos a redação do jornal se tornou para mim um
local aprazível, onde passei a me sentir muito à vontade. Muitas vezes
me peguei lendo e relendo alguns daqueles e-mails que a população nos
enviava. Seus conteúdos me revelavam segredos ocultos daquela
comunidade e esse ambiente de conspiração me enfeitiçava. A todo o
momento alguém queria nos dizer algo e pouco a pouco, a próxima edição
do nosso jornal era preparada, só tínhamos que correr atrás da veracidade
dos conteúdos.
Sempre procurávamos corresponder com a confiança que aquelas
pessoas depositavam na nossa equipe e as reportagens divulgadas no
jornal A Crítica, quase sempre, na totalidade, era decorrente dos e-mails
e telefonemas que recebíamos.
Quando se aproximaram as eleições municipais, os políticos
passaram a nos assediar mais acintosamente. Sabíamos que eles queriam
tirar proveito da fascinação que o jornal A Crítica exercia sobre os
formadores de opinião e a população em geral, pela credibilidade que
tínhamos conquistado.
Em meados do ano 2000, foi realizada uma reunião realizada na
sua residência da deputada estadual Sueli Alves Aragão, onde a pré-
candidata a prefeito de Cacoal nos expôs suas aspirações e os projetos
que pretendia realizar no município.
Naquela reunião, eu fiquei sabendo, através da deputada Sueli
Aragão, os relevantes serviços que seu finado esposo senador Ronaldo
Aragão, implantou no estado de Rondônia e especialmente no município
de Cacoal. E que, também, foi essa a tônica dos seus dois mandatos de
deputada estadual. Informou-nos que, sua eleição ao cargo de prefeito,
era um desejo não realizado do finado esposo e que ela, deputada Sueli,
alguns anos atrás, tinha se aventurado a concretizar aquele sonho, sem
ter obtido sucesso. Mas que naquele momento, a deputada alegou que
tinha fortes motivos para acreditar que sua candidatura representava uma
aclamação popular e que seria preciso disseminar seus projetos.
Congratulou-nos pelos excelentes serviços que estávamos prestando ao
município. Disse-nos que, nunca alguém teve a ousadia de denunciar
alguns figurões da cidade e nos parabenizou por nossa coragem. Por fim,
nos fez uma proposta de adesão ao seu projeto político. Acabando por
nos perguntar se estaríamos dispostos a participar das transformações
que estavam próximas de acontecer no município de Cacoal, chegando
mesmo a lagrimejar, ao mencionar a precariedade e o caos que, segunda
a deputada, tinham se instalado no município. Ficamos combinados que
retornaríamos com nossa resposta noutra ocasião e prometemos avaliar
suas propostas, assim como faríamos com as dos outros pré-candidatos.
Uma semana depois retornamos com nossa resposta e acertamos o que
ambas as partes teriam que realizar.
Tratando com meu sócio Esteban Vera, discorrendo sobre aquela
reunião, a performance efusiva da deputada Sueli Aragão, seus projetos
sociais e a maneira como pretendia alavancar o desenvolvimento do
município de Cacoal, eu me tornaria um grande mentiroso, se não dissesse
aqui que, a "atuação" de cidadania por parte da deputada quando da
reunião realizada na sua casa, não tenha influenciado na minha decisão
e no que nosso informativo passou a divulgar a respeito do feitos e das
pretensões políticas se Sueli Alves Aragão. Talvez por imaturidade ou
excesso de confiança, naquela época, eu cheguei acreditar que estava
fazendo a coisa certa e que, ajudando a massificar a divulgação dos
projetos da pré-candidata, o jornal estaria cumprindo com o papel de
informar e de contribuir com o desenvolvimento do município de Cacoal.
Permitimos espaço para os demais candidatos, mas naquela
eleição do ano 2000, a plataforma política de Sueli Aragão foi amplamente
divulgada através do jornal A Crítica.
CAPÍTLO IV

ELEIÇÕES 2000
Os estudos de viabilidade para implantação do jornal deram certos,
com três meses empenhados no papel de bem informar a população, o
jornal A Crítica estava consolidado no município de Cacoal.
Desse modo, passamos a almejar vôos mais altos: circulando em
fase experimental nas cidades de Pimenta Bueno e Ministro Andreazza,
ambas as cidades eram circunvizinhas de Cacoal. Pensamos no acréscimo
de mais quatro páginas, idéia que logo foi descartada, pois os custos
inviabilizavam. Portanto, tínhamos que encontrar outra solução. E
encontramos: a partir do mês de junho do ano 2000, o jornal A Crítica de
Rondônia passou a ser o primeiro jornal no interior do Estado, a circular
com doze páginas, formato padrão, com capa e contra capa coloridas e
com sua tiragem de três mil exemplares semanais.
Para que o leitor possa formar uma idéia do quanto foi grande esse
nosso passo, eis aqui dois comparativos: os jornais diários, na época,
distribuíam uma tiragem de duzentos a trezentos exemplares, somando
no máximo dois mil exemplares semanais no município de Cacoal; o
semanário mais antigo de Rondônia é de Cacoal, estava circulando há
vinte anos, e permanecia com doze páginas, imprimindo em duas cores,
somente a capa e contra capa. Portanto, além das polêmicas, passamos
a ser o jornal com maior abrangência de público no município. Tínhamos
saído do quadro funcional de um periódico local e nos tornado uma equipe
extraordinária. Com isso, percebi um detalhe que poderia nos prejudicar
sumamente. A classe jornalística local dividiu-se em duas: os que
trabalhavam no jornal A Crítica e os outros. Em decorrência desse fato, fui
obrigado a tomar uma decisão estratégica. Combinei com Esteban Vera,
visto que ele era quem representava o jornal perante o público, decidimos
que tudo o que de bom fazíamos seria creditado à sua pessoa e eu fiquei
como pára-choque: o responsável por todas as reportagens polêmicas
que divulgávamos. Dessa forma, permitimos trânsito-livre ao meu sócio.
Para muitas pessoas daquela comuna, Esteban era o "queridinho" e eu,
detestado por muitas pessoas, mesmo para pessoas que não me
conheciam, tornei-me uma "persona non grata".
A Lei Eleitoral nos permitiu angariar um bom recurso extra. Nas
emissoras de tevês e rádios era, obrigatoriamente, fazer a divulgação das
propagandas eleitorais gratuitamente. Nos jornais impressos foi permitida
propaganda paga, com espaço especificado em lei.
Assim sendo, dos dez vereadores eleitos no ano 2000, oito tinham
feito propaganda conosco. Inclusive a prefeita.
O coronel Luiz Cláudio Azambuja, a médica Raquel de Carvalho, o
advogado Luiz Ribeiro da Fonseca, a professora Lurdes Kemper, o
engenheiro Josafá Marreiro, Luiz Carlos Pinto e o Antonio Masioli (eram
formados ou estavam próximos de se formar), os vereadores Paty Paulista
(filho de deputado), Daniel Néri e o empresário Pedro Ferrazin, totalizavam
os dez vereadores eleitos.
Sueli Alves Aragão foi eleita prefeita do município, concretizado o
sonho e realizado o objetivo político de ser a primeira mulher que alcançou
o Palácio do Café, sede do Governo municipal de Cacoal, e com expressiva
votação, fez de Sueli Aragão, "mulher referência política" no estado de
Rondônia.
Os vereadores eleitos na maioria com uma boa formação cultural,
a princípio, passaram a boa imagem que teríamos uma Câmara cidadã.
Mas não foi bem assim que ocorreu, estávamos em Cacoal, isso faz a
diferença.
O jornal A Crítica de Rondônia, com menos de um ano da fundação,
contribuiu de forma significativa nos resultados daqueles acontecimentos,
o que o tornava muito esperado a cada edição.
Antes de finalizar este capítulo, vou discorrer sobre um episódio
que marcou de forma negativa o fim daquela eleição para nossa equipe.
Nosso jornal sempre circulava na sexta-feira e era distribuído até a
segunda-feira seguinte. Aquela eleição ocorreu num domingo, 3 de outubro.
Nesse dia, policiais de serviço revistaram o carro onde estavam os dois
diretores do jornal A Crítica, Esteban Vera e Idelfonso Antonio, ao encontrar
os jornais que estavam sendo distribuídos, os policiais o detiveram.
Rotulados e autuados, o trabalho dos diretores foi interpretado pelas
autoridades policiais, como sendo o delito de distribuição de propaganda
eleitoral, proibida por lei.
Logo que fiquei sabendo do ocorrido, desloquei-me ao ginásio de
esporte da cidade, local que foi usado para acomodar os infratores daquela
eleição, quando lá cheguei, apresentei meu crachá, concedido pela Justiça
Eleitoral, para facilitar os trabalhos dos profissionais da imprensa,
licenciados para fazer a cobertura do evento. Dentro do recinto, fotografei
os exemplares dos jornais foram confiscados, bem como os dois diretores
que foram detidos. Diante dessa minha atitude, o delegado Raimundo
Nonato, me proibiu de ficar no local e mandou que eu me retirasse do
recinto. Informei ao delegado que o meu crachá foi expedido por um juiz
eleitoral e que, minha permanência naquele local não caracterizava
qualquer desrespeito à lei. Informando-lhe que, a prisão dos diretores,
essas sim, constituía um ato arbitrário, dando lhe ciência da lei eleitoral
nº. 9.504/97, que trata da propaganda eleitoral impressa, no seu artigo
43: "É permitida, até no dia das eleições, a divulgação paga, na imprensa
escrita, de propaganda eleitoral, no espaço máximo, por edição, para
cada candidato, partido ou coligação, de um oitavo de página de jornal
padrão e um quarto de página de revista ou tablóide", e no parágrafo único
- "A inobservância dos limites estabelecidos nesse artigo, sujeita os
responsáveis pelo veículo de comunicação, os partidos, a coligação e os
candidatos beneficiados, à multa no valor de mil UFIR, ou equivalente ao
da divulgação da propaganda paga, se esta for maior".
Não se contendo com minhas informações, o delegado ordenou a
dois policiais que me "conduzisse" até a saída. Foi então que eu perguntei
"se ele era surdo ou se o estresse da eleição o tinha tornado um louco?".
O delegado imediatamente meu deu voz de prisão e apreendeu meus
materiais de trabalho, alegando que eu tinha desacatado sua autoridade.
A notícia da prisão dos diretores do jornal A Crítica, se espalhou
tão rápido como a uma praga. E logo, uma multidão se fez presente na
porta do estádio. Aquelas pessoas estavam querendo saber informações
de como nós estávamos e os nossos "amigos" da imprensa, afoitos para
fazer a cobertura da nossa prisão.
O juiz Guilherme Ribeiro Baldan, responsável pela 31ª. Zona
Eleitoral, recém chegado no ginásio, quis saber o que significava todo
aquele alvoroço, foi quando lhe entreguei o crachá expedido pelo próprio
magistrado, informando todo o ocorrido, acabando por acrescentar que
aquele pedaço de papel não tinha qualquer valor e que seu despacho foi
completamente ignorado. O juiz imediatamente exigiu a devolução dos
nossos materiais de trabalho e que nós fossemos soltos.
Diante de todo aquele tumulto, acabei por me esquecer que foi
lavrada uma ocorrência policial antes da chegada do juiz, e foi por causa
dessa ocorrência que foi solicitada nossa presença ao Fórum, para darmos
explicações do acontecido no dia das eleições, gerando os autos de nº.
007.00.004875-1, um procedimento especial criminal, tipificado por
"Desobediência".
Por serem réus primários e desconhecer das tramitações
processuais, fomos induzidos pela advogada Rose Delgado, que
aceitássemos o acordo com a Justiça, e assim o processo foi "extinto":
ficou acordado que os dois diretores pagariam um valor que foi revestido
em materiais de construção para instituições da cidade e eu, para que
cumprisse dezesseis horas de serviços na Unidade Hospitalar da Cidade.
Desse episódio saí ileso e nossos "amigos" da imprensa, que
estavam alvoroçados por notícias negativas ao nosso respeito, viram seus
ânimos desvanecerem.
Pouco a pouco foi crescendo o número das pessoas que nos
ajudavam com todas as edições. Logo, se tornou um batalhão de voluntários
secretos que auxiliavam no nosso serviço: garçons, atendentes nas lojas,
taxistas, servidores públicos, policiais militares e civis insatisfeitos com
seus comandantes... Enfim, em quase todos os locais de movimentação
na cidade, tínhamos alguém que nos auxiliava com a nossa próxima
edição.
No final do ano 2000, cogitamos a implantação de uma linha
telefônica 0800, para tornar as coisas fáceis para nossos colaboradores
voluntários e respectivamente, aos membros de nossa equipe. Mas, o
futuro nos reservou outras surpresas.
CAPÍTULO V

AUTÊNTICO E IMPARCIAL
As primeiras edições do nosso jornal foram editadas na "casa" do
jornalista Daniel Oliveira da Paixão. Digo isso porque o periodista tinha
uma agência de publicidades e seu escritório era anexado à sua casa.
Assim sendo, não será nenhum exagero dizer que o jornal A Crítica
"nasceu" na casa do Daniel da Oliveira Paixão. Depois de algum
participando nessa atividade, ele foi "intimado" pelo proprietário do periódico
onde trabalhava que exigiu que deixasse de auxiliar na editoração do
nosso jornal ou seria despedido. Daniel da Paixão optou por ficar no seu
primeiro emprego, mesmo porque, o pouco valor que recebia da nossa
empresa não era suficiente para manter as despesas da filha e esposa.
Com certeza se ele mantivesse sua ideologia jornalística não conseguiria
pagar suas contas. Portanto, quando foi aberta uma discussão para
nomeação do próximo assessor de imprensa do município, participei da
campanha para que fosse indicado o nome do jornalista Daniel Oliveira
da Paixão. Não somente porque eu tinha um débito moral com o mesmo,
mas sim porque ele milita há muito tempo na imprensa, nunca sendo
reconhecido seu trabalho. Daniel da Paixão pode nunca ter sido
reconhecido seu valor no município de Cacoal. Mas, no mês de julho do
ano 2001, nosso jornal reconheceu seu valor.
O MELHOR - Não temos cerimônias de publicar que, infelizmente,
o melhor jornalista dessa região, não faz parte na equipe do jornal A
Crítica. Embora em outro periódico, Daniel da Paixão não deixa de ser a
seriedade viva, tamanho é seu profissionalismo. Muitas vezes chegou a
ouvir comentários negativos dos seus quefazeres, sendo até questionado
quanto ao seu trabalho jornalístico. Nós pautamos nossos trabalhos no
mesmo lema e já fomos também, algumas vezes, interrogados quanto à
nossa lisura e boa execução de nossas funções. O pior é que, por pessoas
desmerecidas. Por esse motivo, queremos reafirmar nossa admiração
por esse "pequeno" grande homem. Daniel, não esmoreça, você é o melhor.
No dia 25 de setembro do ano 2000, compareceu ao meu escritório
João Clemente Bonfá, se auto-intitulando intermediário da prefeita eleita.
Tivemos uma conversa rápida, onde ele me disse ter sido o tesoureiro da
campanha de Sueli Aragão e que, estava com alguns problemas para
justificar certos gasto da campanha perante a Justiça eleitoral. Informei-
lhe que nada tinha haver com aquilo, pedindo ao João Bonfá que, mesmo
antes de retomarmos com aquela conversa, gostaria que a prefeita me
telefonasse, informando o que esperava que eu fizesse. Desse modo,
depois de ter conversado ao telefone com a prefeita, Sueli Aragão me
pediu que atendesse ao João Bonfá, como se fosse ela quem estivesse
ali.
Dessa forma, João Bonfá retornou, esclarecendo-me que os gastos
da campanha ultrapassaram o máximo declarado à Justiça eleitoral,
exigindo que eu assinasse uma declaração de doação igual ao valor total
dos "santinhos" que foram publicados no jornal A Crítica. Assim sendo,
no dia 29 de setembro de 2000, depois de questionar o valor especificado
no donativo que não correspondia à importância dos serviços que a
candidata tinha acordado antes conosco, João Bonfá me assegurou que
o valor real seria repassado conforme o combinado. Fui então convencido
a assinar um recebo, como sendo um dos doadores na campanha a
prefeito de Sueli Aragão, naquela eleição. Esse valor, assim como de
outros políticos, nunca foi ressarcido à nossa empresa.
Ao final da discussão para indicar o próximo assessor de imprensa
municipal, acabou prevalecendo a representatividade do "maior" jornal de
Rondônia, de propriedade do então senador Mário Calixto, suplente que
assumiu quando Amir Lando foi nomeado ministro da Previdência Social,
no Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desse modo, a
representante do jornal o Estadão do Norte, Edna Mendes dos Reis
Okabayashi, foi nomeada assessora de imprensa do município e o jornalista
Daniel Oliveira da Paixão, nomeado assessor de imprensa na Câmara de
vereadores.
Assim mesmo, continuamos a realizar o que tínhamos proposto:
representar a comunidade como órgão fiscalizador e divulgar a notícia de
forma autêntica e imparcial. E assim agindo, logo ficamos sabendo que
um grupo dos nossos "amigos" da imprensa, estava fazendo reuniões
com o intuito de acabar de uma vez por todas com o jornal A Crítica.
Desse modo, no dia 18 de abril de 2001, passei a publicar na nossa
coluna de variedades a primeira de uma serie de notinhas, informando a
população sobre as ditas reuniões.
BOATOS - Um boato na cidade nos dar conta que existe um
grupinho de nossos "amigos", que está se reunindo todas as semanas.
Na pauta do dia, tem sempre alguém que levanta a questão de acabar de
vez com o nosso jornal. Nosso informante nos disse: "A turma está
inconformada e quer acabar de vez com o jornal A Crítica". É, parece que
nossos amigos não gostam que nosso jornal exponha algumas verdades.
FIM DE PAPO - Parece que esses nossos "amigos" querem voltar
a época da ditadura, quando foi feito tudo de sujo, ilegal, imoral, e não
ouve a quem reclamar. Cercear o mecanismo de imprensa que adotar o
uso da editoria autentica e imparcial? Fechar os jornais que não adotarem
a prática da mentira na divulgação dos fatos? Meu Deus! Até que ponto
quer chegar essa gente?
Sempre publicávamos os atos oficiais e campanhas educativas da
Prefeitura e da Câmara de vereadores. Quando íamos receber nosso
pagamento do Vilmar Bernardes (proprietário da Wil Publicidades, empresa
que agenciava os valores destinados às publicações de atos oficiais e
campanhas publicitárias públicas na imprensa), ele nos alertava, nos
informando que os valores que eram repassados ao jornal A Crítica
poderiam ser cortados a qualquer momento, porque não estavam gostando
do que publicávamos sobre a administração da prefeita Sueli Aragão e da
atuação do vereador Daniel Néri, que naquele ano foi eleito presidenta da
Casa de leis.
No início de outubro do ano 2001, Esteban Vera resolver mudar sua
residência para o município de Vilhena, estava inconformado com o muito
trabalho e pouco ou nenhum reconhecimento. Nessa época, começaram
as tentativas de me intimidar. Em todas as edições, recebíamos telefones
e mensagens de e-mails com ameaças. Uma das mais comuns era: "Um
dia vai amanhecer e eu vou saber que você foi encontrado com a boca
cheia de formiga". Foi então que eu passei a tomar alguns cuidados para
preservar minha vida; um deles era sempre que sair a partir das 18 horas,
estar acompanhado com no mínimo seis pessoas e o outro, era tornar
públicas as ameaças através do jornal.
Com a saída de Esteban Vera da equipe, eu passei a freqüentar as
reuniões dos diretores de empresas jornalísticas, ali eram definidos os
valores pré-determinados para os jornais, emissoras de tevê e rádios da
cidade. O nosso valor era sempre o mais baixo de todos. Na edição de 15
de outubro de 2001, fiz publicar uma notinha sobre a divisão desses valores:
O VALOR - Tenho certeza que a prefeita Sueli Aragão não está
sendo informada de como tem sido feito o tratamento com alguns órgãos
de utilidade pública local, que se diga de passagem, está sendo de um
profundo mau gosto. Acontece que alguns assessores da prefeita
desconhecem os amparos legais das instituições. Contudo, entendemos
os motivos da irracionalidade de seus intermediadores. Sugerimos que
todo e qualquer procedimento seja feito às claras e que chegue ao
conhecimento da população, que é de fato quem paga a conta. Concluindo,
achamos ser importante que se faça uma análise de dois pontos: a
responsabilidade dos meios de comunicação é tão importante quanto a
termos promotores, juízes, defensores públicos, partidos políticos, e até
mesmo o Legislativo e o Executivo. Todas as instituições e autoridades
desempenham papel relevante na consolidação de uma nação soberana,
embora os poderes exerçam papeis distintos, harmonizam-se no contexto
social.
No dia 9 de junho do ano 2001, um empresário nos informou através
de e-mail, sobre a falta da boa vontade das autoridades locais para resolver
assuntos pertinentes ao continuo mau uso do dinheiro público no município
de Cacoal. Após checarmos suas informações, foi noticiado:
INOPERÂNCIA
Chicago, anos 30, o desemprego reinante, associado à Lei Seca,
que proibia o comércio de bebidas alcoólicas no país, fertiliza o terreno
para o crescimento da criminalidade e predominante, o crime organizado,
que teve como seu nome mais famoso o temível Al Capone. Embora
envolvido em várias modalidades de criminosas e da pior espécie, foi
pego por sonegação fiscal, ou seja, para tirá-lo de circulação, um grupinho
de apenas seis pessoas, se apegou ao banal crime de sonegação para
que elemento tão nocivo fosse banido da sociedade.
Por quê? Porque pelos demais crimes não foi possível se obter
provas suficientes.
Por que, aqui, quando se obtém provas contra algumas pessoas
nocivas à sociedade, por mais banal que seja o crime, não se leva a
punição às últimas conseqüências, uma vez que o Código Penal,
estabelece penas pelos crimes e não importa se o roubo foi de um centavo
ou um milhão.
Em 1996, a Prefeitura de Cacoal comprou 35 toneladas de leite em
pó da empresa NUTRIL, de Minas Gerais. Pagou pelo produto o valor de
R$ 6,20 e 6,50 por quilo (foram duas compras). Na época, o prefeito era
Orlandino Ragnini, que tinha na Comissão de Licitação os funcionários
públicos Orlando Góis, Santa Espagnol e Ilza Fernandes Araújo e como
advogado do município Silvério Oliveira, todos, réus, no processo que já
se arrasta até agora. Na mesma época, a NUTRIL cotou para Secretaria
de Educação e Cultural do estado e para Prefeitura de Cabixi, o mesmo
leite em pó por R$ 4,11. Nesses cinco anos, o processo passou pelos
juízes Antônio Júlio, José Odemar Góis (irmão de uma dos réus), Vilmar,
Elisir e agora Wilson Gama. À época, o fato foi denunciado pelo vereador
Luiz do Contec e levado ao Ministério Público.
Nós é que pagamos pelo leite e pelo salário de todos os citados
acima, sem falar nos oficiais da Justiça, funcionários dos cartórios,
telefonemas, xérox e todos os custos operacionais inerente ao andamento
do processo.
O povo já fez sua parte, banindo Orlandino da vida pública, porém,
os demais réus, continuam rindo da nossa cara, já que ainda nem foram
a julgamento e, considerando a idade dos envolvidos, uma vez julgados,
basta recorrer, que certamente, quando a sentença for levada a termo, já
terão morrido. Será que esse é o único roubo dessa gestão ou nas
seguintes? Óbvio que não! Nesse caso existem as provas documentais.
Nos demais, foram bem feitos ou os vereadores da época levaram um
"cala boca".
Deixo a pergunta: "Se, ao invés da NUTRIL, fosse um mercadinho
local e o prefeito o falecido Josino Brito, a Justiça seria tão lenta?".
Fatos como esse, passa a idéia aos políticos e, principalmente, ao
povo, que existe impunidade ou a justiça só existe para pobres. E quanto
a nós, vamos pagar a conte.
O leitor, em geral, pouco conhece da funcionalidade na redação de
um jornal. Por exemplo: eu queria emitir opinião sobre qualquer assunto,
sempre eu o fazia na coluna que assinava ou o fazia através de um artigo;
quando um assunto diz respeito à equipe, assinávamos uma nota da
redação; além dos materiais ineditoriais (material jornalístico pago e de
responsabilidade de terceiros); nas reportagens o certo e que o repórter
não omita opinião, atendo-se apenas a relatar os fatos. Assim sendo,
essas são as funções de um jornal livre e independente: expor opiniões e
interesse diverso e muitas vezes contrastante, e não apenas opiniões
que concordam com a linha editorial adotada. Desse modo, passarei para
o próximo capítulo, colando uma nota da redação, publicada na primeira
semana de setembro do ano 2001.
NOTA DA REDAÇÃO
O jornal a Crítica encontra-se corroborando seriedade e veracidade
na divulgação de fatos. A nossa preocupação é que a verdade seja mostrada
sem rodeios. Quando na edição 23, denunciamos que, "o maior comércio
nas noites cacoalenses eram os de prostituição e vendas de drogas",
tentaram nos desacreditar. O vereador Azambuja, chegou ao ponto de
acusar levianamente nossa equipe, afirmando que estaríamos manipulando
as notícias e que um de nossos diretores era freqüentador de prostíbulos.
Sabe-se, agora, que, a proprietária de um dos bordeis, citados na nossa
reportagem, encontra-se aprisionada, aguardando julgamento por
prostituição de menor e vendas de drogas. Mostrando assim que, somos
de fato, um jornal autêntico e imparcial.
CAPÍTULO VI

PRELÚDIO
No dia 11 de setembro do ano 2001, nas primeiras horas da manhã,
eu estava em companhia do jornalista Paulo Araújo Benito em Porto Velho,
na sala “vip” da empresa de ônibus Eucatur, recém chegados de Cacoal.
Os noticiários nos deixavam perplexos, diante da notícia da colisão
de um avião sobre uma das torres gêmeas do World Trade Center, em
Nova Iorque. Até aquele momento, concebíamos o fato como se fosse um
acidente de ordem catastrófico. Depois de observar as imagens, me afastei
para falar com a recepcionista e repentinamente, o Paulo Benito assustado,
gritou: outro avião acabou de colidir com a outra torre. Foi então que lhe
disse: você está alucinado, não percebe que está sendo reprisada uma
imagem? O Paulo Benito asseverou: não é mesmo! Veja com os teus
próprios olhos. No momento seguinte, constatamos que estava em
execução um ataque terrorista aos Estados Unidos da América.
Naquela ocasião, fomos a Porto Velho, para assumir um
compromisso que foi agendado com a Secretária de Estado em Educação,
professora Sandra Marques.
Antes, porém, de continuar com esse relato, vou me reportar ao
ano 2000, foi quando o jornalista Paulo Benito ficou alguns dias detido no
presídio de Cacoal, por não ter repassado o valor da pensão alimentícia
de certo filho seu que reside ao sul do país e um juiz expediu um mandado
de prisão. Depois da sua soltura, Paulo Benito foi ao Rio Grande do Sul,
resolver a pendenga com sua ex-esposa. Desse modo, quando retornou
para Cacoal, as portas lhe haviam sido fechadas: o Paulo não conseguia
emprego em qualquer empresa.
Naquele ano, o jornal A Crítica ficou dois meses sem jornalista
editor, e eu respondendo como diretor responsável. Foi então que o Paulo
bateu à na nossa porta. Depois de ouvir suas lamurias e ter lhe explicado
os riscos de assinar como editor responsável de um jornal de editoria
polêmico, o convidei a trabalhar comigo. A partir de então, o Paulo Benito
passou a receber como nosso editor responsável (ter um número de DRT,
mesmo provisionado, é garantia de assinar como editor de jornal, essa
prática era constante e aceitável no estado de Rondônia). Desse modo,
passei a conviver e presenciar mais de perto, com os problemas financeiros
do Paulo Benito. Quando ele decidiu trazer do sul do país a jovem Ana
Paula (nome fictício, para preservar sua idoneidade e não relacioná-la a
este relato prosaico), lhe fiz um repasse antecipado de três meses do
seu salário, possibilitando à jovem, vir ao encontro do seu destino. Com a
chegada de "Ana Paula", passei a presenciar a complicada convivência
do casal, por falta do financeiro. Foi então que resolvi intervir, fazendo um
pedido a um amigo, que arrumou emprego para a moça, pois a mesma
tinha qualificações dignas de admiração. Ana passou a trabalhar com
esse amigo e à noite, realizava trabalho de digitação no jornal, chegou
mesmo por um tempo assinar nossa coluna social.
Quando aos 11 de setembro de 2001, comigo o Paulo Benito, na
capital do estado de Rondônia, era para fazer contratos para o jornal e
solucionar a precária vida do jovem jornalista.
Naquela ocasião, a professora Sandra Marques pouco fez pelo
jornal. Mas, depois que ficou informada das excelentes qualificações
jornalísticas do Paulo Benito, decidiu nomeá-lo assessor de imprensa da
Secretaria de Estado da Educação e Cultura, no interior do Estado. Logo
em seguida, o Paulo Benito passou a trabalhar na capital.
Na noite anterior ao ataque nas torres gêmeas, tinha assistido à
sessão da Câmara de vereadores de Cacoal, onde recebi um exempla do
jornal O Observador, na reportagem principal desse periódico, o agricultor
Valdo Medrado estava acusando o vereador Azambuja. Foi depois da
sessão que partimos para Porto Velho, onde tínhamos uma agenda com
compromissos. Após ler e reler por vezes a notícia da acusação do
agricultor ao vereador, mais ficava impressionado com o conteúdo. Mesmo
antes de chegar a Porto Velho, fiz um rascunho plagiando aquela
reportagem e mesmo antes de chegar ao nosso destino, eu já tinha
decidido qual era a reportagem de capa da edição seguinte do nosso
jornal. Falei com Valdo Medrado ao telefone, me certifiquei se ele manteria
a acusação veiculada no outro jornal, informando-lhe sobre minha pretensão
uma reportagem sobre o caso. Conclui o rascunho da reportagem na sala
de espera da Secretária de Estado. E encomendei uma pesquisa da
opinião pública sobre aquele assunto polêmico.
Portanto, no dia 11 de setembro de 2001, não foram somente as
torres gêmeas que desmoronaram, também, iniciou o que mais tarde se
tornou na ruína do jornal A Crítica de Rondônia.
Três dias depois, estampávamos na primeira página:
AZAMBUJA ENVOLVIDO EM DENÚNCIAS - E no subtítulo,
"Vereador que pregou ética e moralidade se vê imerso em escândalo que
pode levá-lo à cassação, por quebra do decoro parlamentar".
Nossa reportagem iniciou com a observação que, em Cacoal, na
manha de 10 de setembro, a população estava estarrecida, com a notícia
divulgada no jornal O observador, dando conta da denúncia do agricultor
Valdo Medrado contra o vereador Azambuja e, concluímos, ressaltando a
opinião popular que foi maioria, na enquete realizada pelo Instituto de
Pesquisa e Opinião Pública "Se for confirmada a denúncia, o lugar do
vereador era na cadeia".
Nessa mesma edição, na coluna Corredores do Palácio, trouxe
um comentário sobre o Paulo Benito.
ESCLARECIMENTO - Na sua coluna Ponto de Vista, José Maria
Monteiro, colaborador de um jornal local, fez uma alusão ao comportamento
de certas pessoas que se dizem jornalistas. Eu concordo em número,
gênero e grau com esse senhor. Sou diretor de jornal e ainda não adquiri
meu DRT (produto escasso em Rondônia). Portanto, não me considero
um jornalista. Tenho uma coluna que publico em todas as nossas edições
(função que não depende de ser jornalista para executá-la). Nosso jornal
tem um editor responsável, e acreditamos que ele seja de alto valo; gostaria
de ter condições de pagar um valor justo às suas qualificações, digo
justo, porque acho baixo o valor do teto salarial da categoria. Sei que não
é tarefa fácil ser o editor responsável de um jornal, isso envolve risco e
esse é um dos motivos pelo qual tenho tanto apreço pela pessoa de
Paulo Benito. Muito me orgulha o fato que ele seja uma pessoa confiável,
a ponto da Secretária Sandra Marques aceitá-lo como um dos assessores
de imprensa da SEDUC - RO.
No mês seguinte, Paulo Benito foi chamado ao Fórum, para
esclarecer sobre a reportagem que o agricultor acusava o vereador, onde
atuou com extrema covardia, eximindo-se da responsabilidade de ser o
nosso editor responsável. Assim mesmo, com dívida pendente comigo,
continuou trabalhando conosco.
O vereador Azambuja, na semana seguinte, na Câmara de
vereadores, disparou uma série de inverdades contra nosso jornal, atacando
a pessoa do autor.
No dia 25 de setembro de 2001, na capa do jornal A Crítica, uma
NOTA DE ESCLARECIMENTO se fez necessária.
AZAMBUJA É MENTIROSO, TRATANTE E DISSIMULADO
Neste espaço segue uma nota de esclarecimento do diretor
responsável do jornal A Crítica, Jeovane Pereira, a respeito do
pronunciamento do vereador Azambuja na sessão da Câmara de
Vereadores do município de Cacoal, no dia 17 de setembro de 2001, e às
matérias divulgadas em jornais locais e estaduais. Faz-se necessária a
elucidação de fatos relatados pelo vereador por não condizerem com a
verdade em relação ao nosso jornal, nossa equipe e nosso diretor
responsável.
Quando no início do seu pronunciamento na Câmara de Vereadores
deste município, o vereador Azambuja afirmou que Valdo Medrado
confirmou-lhe que redigiu a nota e pagou para que fosse publicada. Quando
partiu para desacreditar as notícias veiculadas no nosso jornal, o vereador
Azambuja mente e se contradiz ao afirmar que os jornais foram contatados
a partir de Porto Velho para divulgar reportagem falando sobre a nota e
desvio de sua conduta. Ele se esqueceu de informar que nosso jornal
apenas transcreveu reportagem que já havia sido publicada em outros
informativos.
Quando o vereador afirma que fizemos a reportagem sem direito ao
contraditório e que esquecemos a boa norma do bom jornalista, que é
ouvir as partes envolvidas, mente mais uma vez porque na tribuna da casa
de leis, no dia 10 de setembro (data da sessão anterior), afirmou que só
manifestaria sua opinião após falar com Valdo Medrado. Esse é o verdadeiro
motivo de nossa equipe não procurá-lo para esclarecimento, já que nossa
edição estaria circulando antes da data do seu novo pronunciamento.
Azambuja também falou que nos esquecemos de acusar o
secretariado do PDT e também o vereador Josafá Marreiro, mas não nos
esquecemos de acusá-lo na reportagem. Ao fazer essa afirmação, o
vereador mostra a sua falta de caráter porque não somos laboratório de
notícia, mas sim divulgadores de fatos. As afirmações de que o vereador
havia prometido uma portaria no valor de R$ 17.500,00 e de que estaria
envolvido em fraude e desvios de recursos públicos são, na verdade, de
Valdo Medrado, e não criação de nossa reportagem (isso é crime passivo
de cassação).
Quando me agride dizendo que sou diretor de folhetim, e que o
formato de nosso jornal, que ele classifica como "quase jornal", é de
folhetim, mostra o quanto esse individuo é patife, pois se esqueceu de
mencionar que, desde a eleição passada, adquiriu débito com este jornal
sem saldar sua dívida até o dia de hoje. Quero deixar claro que, se ele
provar que saldou o débito da campanha passada com este informativo,
esse diretor devolve em dobro o valor da dívida, para isso acionarei a
justiça para reaver esses valores e desmascarar sua velhacaria.
Quanto ao fato de nosso jornal ser classificado de "folhetim", não é em
que digo, a população sabe que foi através de nosso trabalho e dedicação
que ele se promoveu e chegou a Câmara de Vereadores. Desde nossa
segunda edição (3 de outubro de 2000), Azambuja se promoveu através
de nosso jornal sem reclamar do formato "folhetim". Isso mostra o
descaramento de individuo, que se beneficia dos bens alheios para depois
repudiá-los. "Porco depois que come vira o cocho".
Interessante que só após o cancelamento de suas publicações no
nosso jornal, ele tenha chegado à conclusão de que nossas notícias não
condizem com a seriedade e são de baixo nível. Vemos aqui, mais uma
vez, a sua contraditoriedade.
Em relação desse diretor se encontrar em um prostíbulo em
ocorrência policial não querendo pagar a conta, esse seu relato foi
distorcido porque, em nossa reportagem, visitamos diversos prostíbulos
para averiguar fatos que embasassem nossa reportagem. Em um deles,
ouve tentativa de extorsão, a qual nos negamos a ceder, pois é direito de
todo cidadão recorrer quando tentam roubá-lo.
O vereador mentiu novamente no seu discurso ao afirmar que sou
freqüentador assíduo do prostíbulo citado na nossa reportagem, já que só
estive lá no dia da coleta de fatos para reportagem. Gostaria que o vereador
apresentasse provas verídicas desse fato.
Esse senhor pode ter certeza que não esqueci que, um dia, na
minha coluna Ponto Crítico (15 de junho de 2001) afirmei que o admirava;
lamento que os fatos decorridos posteriores tenham alterado minha opinião
com relação à sua pessoa.
Gostaria de entender o que o vereador Azambuja quer dizer ao
afirmar que usará o poder de polícia dentro da política. De que forma isso
ocorrerá?
O vereador esqueceu-se de mencionar também, que na mesma
edição do dia 15 de junho de 2001 nosso jornal publicou: "Tem muita
gente no país que prefere um encontro cara a cara com o diabo, que viver
num regime militar". Pela afirmação do vereador, não seria esse o regime
que ele pretende implantar em Cacoal?
Sua imaginação pervertida chega ao clímax, quando afirma que
mantinha um contrato mensal com nosso informativo. Essa é mais uma
sórdida mentira. A verdade: quando do término da eleição passada, procurei
Azambuja para que ele quitasse sua dívida com nosso informativo; ele
então me disse não ter condições de saldar seu débito. Então que sugeriu
contribuir com certo valor por cada edição, até poder sanar sua dívida
comigo.
Tendo-se agora uma visão geral dos fatos relacionados à sua
declaração na tribuna da Casa de leis, como poderemos acreditar na
inocência de um ser desprezível, mentiroso, dissimulado e tratante, um
home que não sabe dar valor á sua palavra?
Entristece-nos o fato de nosso sério informativo ter sido usado
para promover uma pessoa de índole duvidosa. Nosso compromisso com
todos os cidadãos e de relatar os fatos com fidelidade, sem criar artifícios
que mascarem a informação. Procuramos ser um jornal autêntico, que
busca a realidade para oferecer aos nossos leitores, mas infelizmente
cometemos erros; e peço desculpas à população por termos contribuídos
com a ilusão criada por Azambuja, pois também fomos vítimas dela. Sei
por que o vereador não recorreu aos meios legais quando achou que
nossos procedimentos estavam incorretos, o problema dele é que não
têm respaldo legal para seus devaneios.
O juiz aposentado, advogado José Odemar Góis, no ano 2001,
tornou-se presidente da CrediCacoal, procurador do município de Cacoal,
mantendo aberta uma banca de advocacia. Fez contrato entre a Prefeitura
e a Cooperativa de Crédito gerenciada por ele (feriu a lei 8.906 de 4 de
julho do ano 1994, no capítulo VII, artigo 28, parágrafo VIII), que trata da
incompatibilidade à advocacia: "Ocupante de funções de direção e gerência
em instituições financeiras, inclusive privadas". Inciso 1º - "A
incompatibilidade permanece mesmo que o ocupante do cargo ou função
deixe de exercê-lo temporariamente".
Além dessa irregularidade, muitas outras estavam sendo levantada
nas Secretarias da administração da prefeita Sueli Aragão. Num tom
conciliador, permiti circular uma carta, na data de 20 de setembro do ano 2001.
PARA NÃO DIZER QUE NÃO TE FALEI DE FLORES
Minha prefeita. Quero convidá-la a uma breve reflexão, mas para tanto,
antes de seguir viagem, devemos nos despojar de toda e qualquer negativa
que eu ou você tenhamos um do outro. Para tanto, me perdoe por possíveis
erros de outrora, que possam ter levado a macular minha imagem perante
vós, pois errar é humano e as conclusões de pensamentos de um homem
estão sujeitas ao momento que ele está vivendo (tempo) e o meio que ele
está inserido (espaço). Portanto, sobre a influência de consciência todos
podem trocar de opinião.
Depois desse breve preâmbulo, permito-me começar uma nova
história. Sueli, com certeza numa época recente, você foi uma jovem
idealista com aspirações de mudar o mundo, talvez até tenha como tantos,
caminhado cantando e seguido a canção. É claro, também pode ter
acreditado num mundo onde todos fossem iguais. Quem sabe pertenceu
ao "movimento" e fez seu, o lema de Che Guevara: "Se você é daqueles
que treme de indignação perante uma injustiça no mundo, estão somos
companheiros". E como esperar não é saber, a vida e você seguiram seu
curso. Mas nessa época, com certeza, fixaram-se as suas raízes do
objetivo político.
O tempo avançou, e nesse ínterim, você se formou a mulher, esposa
e mãe; como mulher se descobriu um ser cheio de possibilidades, como
esposa uma conciliadora e no estágio de mãe conheceu o amor que
constrói. Mas à frente no tempo, também conheceu as grandes tristezas
da vida que prepararam sua alma e coração para buscar seu sonho político.
Amadurecida, você é descendente dos bravos farroupilhas (povo que ousou
proclamar no sul do Brasil uma nação independente por volta de 1835),
encarou suas próprias limitações e se fez grande como deputada de seu
estado jovem e também cheio de sonhos.
Chegamos ao hoje, quando você é detentora do honroso cargo de
prefeita de Cacoal; foi eleita com o maior coeficiente de votos da história
do município, há quem diga que seu sucesso se deve ao carisma e boas
obras, mas ouso ir mais longe e manifestar minha opinião de que os
frutos de tanto sucesso ainda inicial se devem à mescla de uma trajetória
de vida. Com a sábia capacidade de tomar decisões e colocá-las em
prática, você que ouve a todos, mas julga pelo seu próprio discernimento,
deve estar atenta nesse momento a um clamor ainda silencioso que emana
dos cidadãos pacatos e trabalhadores desse município, que estão vendo
coisas irregulares acontecer e se sentem inseguros no pensamento até
mesmo nos seus lares. Esse povo humilde confia em você do mesmo
modo que um filho confia na sua doce mãe. Sueli, você ainda é uma
esperança para esse povo. Não caia na omissão criminosa, nem dê ouvido
ao bajulador que confunde, ouça o clamor de seus cidadãos, reflita enquanto
há tempo. Se o povo está tendo a participação no teu governo, do jeito
que você queria no começo. Reflita, minha amiga, se você quer que a
prefeitura de Cacoal seja a vírgula ou o ponto final na sua caminhada
política que tanto promete. Sueli, o povo ainda é teu, não perca tempo
como os que só pensam no lucro próprio, varre do teu convívio os
perniciosos que não permitem que teu olhos vejam a realidade e ainda
confundem os teus sentimentos.
Para encerrar, minha prefeita, e para não dizer que não te falei de
flores, fica o refrão da música forte do passado, que diz: "Quem sabe faz
a hora, não espera acontecer".
Quanto ao jornalista Paulo Benito, depois de tê-lo auxiliado em
várias de suas dificuldades, falta de pecúnia, intermediado sua inclusão
no quadro de funcionários da SEDUC - que posteriormente, sem
desmerecer suas qualificações profissionais, foi conduzido aos trabalhos
de uma emissora próspera da capital, com boas perspectivas de melhoras.
Quando não mais necessitava do valor que recebia para assinar como
nosso editor responsável, retribuiu-me, no momento em que mais precisei
dele, com uma "bela" e esclarecedora NOTIFICAÇÃO EXTRAJUDICIAL
que, a seguir, passarei a descrever seu conteúdo:
Paulo Daniel Araújo Benito, brasileiro, divorciado, jornalista DRT
0696, portador do RG 773.737 SSP/RO e CPF 564.611.350 - 49, residente
e domiciliado à Avenida Afonso Pena, 678, bairro Centro, Porto Velho/RO
e endereço comercial sito Avenida Benjamim Constant, 773, bairro Olaria,
Porto Velho/RO, tendo em vista constar nas edições do jornal "A Crítica",
como sendo editor responsável e não havendo nenhuma autorização
expressa para utilização do meu nome com responsável deste órgão de
imprensa semanal, é a presente para notificar extrajudicialmente a Editora
Gráfica A Crítica Ltda. - ME, com endereço à Avenida São Paulo, 2142,
bairro Centro, Cacoal/RO, para que se abstenha de constar e utilizar o
meu nome como editor responsável, ou qualquer outra veiculação de caráter
profissional, sob pena de assim não o procedendo, seja a empresa, na
pessoa de seus proprietários, responsabilizados diretamente pelos
prejuízos de natureza moral e material, além de outros previstos em nossa
legislação pátria, sem prejuízo, de outras medidas para o ressarcimento
de possíveis danos à minha pessoa.
AS FALSAS TESTEMUNHAS
No final do mês de abril do ano 2001, um editorial publicado no
periódico mais antigo no interior de Rondônia, sugeriu que os demais
semanários existentes em Cacoal eram desprestigiados. Acabei por fazer
um comentário sobre o semanário Tribuna Popular e ser diretor.
Classificando o TP de "Trivial Piegas" e seu diretor o dinossauro da
imprensa, ainda que, apesar de ser um periódico que circulava a mais de
vinte anos, era desqualificado, não sintonizado com a realidade do nosso
mundo moderno, ausente dos ideais da moralidade, composto do
despreparo e comodismo, incapaz de produzir uma consciência que
fascinasse leitores, acabando por ressaltar que, nós, do jornal A Crítica,
não tinha a fatuidade d ser o "maior", tampouco o "melhor", mas que
fazíamos parte numa equipe dileta.
O diretor do Tribuna Popular, Aldair Perin, se sentiu ofendido e
mais tarde, se tornou uma das testemunhas dos promotores, que se
disse atacado por nosso conteúdos.
A Associação dos Diretores das Empresas Jornalísticas do Interior
de Rondônia (presidida por estrangeiro) fez circular uma nota defendendo
seu membro "eminente". Eu, como sempre, nesses casos, onde a verdade
era distorcida, tive que esclarecer.
NOTA DE ESCLARECIMENTO - A ADJORI, na pessoa de seu
presidente Osias Labajos, publicou no jornal Tribuna Popular, uma Nota
de Repúdio, classificando de inescrupulosas e chantagistas algumas
verdades publicadas no jornal A Crítica. Pensamento extraído do jornal
Folha de Vilhena (edição 936), do qual Osias é diretor comercial.
Nós, aqui, do jornal A Crítica, estamos de pleno acordo que a
Associação dos Diretores das Empresas Jornalísticas do Interior de
Rondônia tome providências cabíveis contra pessoas sem ética e moral
jornalística. Não existe uma só pessoa, na nossa equipe, com essas
características. Mas, com certeza, um bom número desse tipo de gente
congrega nas entranhas do SINJOR e da ADJORI.
Nessa época, não fiquei sabendo se o presidente do Sindicato dos
Jornalistas tomou conhecimento da nossa denúncia. O gigante da
imprensa de Rondônia não se pronunciou.
Em todo caso, ganhamos mais um desafeto, Osias Labajos, que
foi ágil, quando solicitado pelos promotores.
Nunca desejei nos associar à ADJORI, mesmo porque, nossa Lei
Magna garante que "ninguém poderá ser compelido a associar-se ou
permanecer associado". Sempre achei que não era certo nos associar
àquela Associação, por conta da falta de seriedade com que era conduzida.
Eu sempre me perguntei como era possível permitir a um estrangeiro,
não-naturalizado, presidir as empresas jornalísticas? Se a Constituição e
Lei de Imprensa estabelecem que "seja vedada a propriedade de empresas
jornalísticas, sejam políticas ou simplesmente noticiosas, a estrangeiro
e a sociedade por ação ao portador".
§ 1º - Nem a estrangeiros, nem pessoas jurídicas, excetuados os
partidos políticos, poderão ser sócios ou particular de sociedade
proprietárias se empresas jornalísticas, nem exercer qualquer tipo de
controle direto ou indireto.
§ 2º - A responsabilidade e a orientação intelectual e administrativa
das empresas jornalísticas caberão, exclusivamente, a brasileiros natos,
sendo rigorosamente vedado qualquer modalidade de contrato de
assistência técnica com empresas ou organizações estrangeiras, que
lhes faculte sobre qualquer pretexto ou maneira, ter participação direta,
indireta ou sub-reptícia, por intermédio de propostos ou empregados, na
administração e na orientação da empresa jornalística.
Nossa coluna CORREDORES DO PALÁCIO bem poderia se chamar
"Corredores de Intrigas", a má fama do jornal polêmico, tornava qualquer
nota publicada num grande insulto. No início dessa coluna, em todas as
edições, colocávamos a "Câmera Indiscreta", certa nota cômica, com a
foto da "vítima".
Eu sempre acompanhei de perto o trabalho parlamentar do deputado
federal Nilton Capixaba, um comprador de café com pouco saber, mas
que se destacou no meio político.
No final do mês de junho do ano 2001, foi sua vez de ser citado na
Câmera Indiscreta: nosso homenageado dessa semana é o deputado
federal Nilton Capixaba, é notório que o homem é de fato o terceiro mais
poderoso do Brasil, na hierarquia política, e é merecidamente o primeiro
de Rondônia. Portanto, nossa colocação a seguir é apenas uma síntese
do seu poder. Foi colocada uma foto do deputado e a seguinte legenda:
"Fui eu que fiz as marginais, fui eu que trouxe as ambulâncias, eu que
vou trazer o dinheiro para construir o aeroporto, eu é quem fim isso e fiz
aqui, e várias etc., subentendendo uma infinidade de obras, realizadas,
sob sua intermediação". Bom, esta simples nota caricata foi o suficiente
para desestruturar o emocional da esposa do referido deputado que, ao
me encontrar, exigiu que eu lhe apresentasse satisfações referentes à
nota. Depois de ouvi-la atentamente, disse-lhe, ter mais o que fazer que
ficar ouvindo pessoas desajustadas.
O final dessa pendenga foi o deputado que me ligou e se desculpou
pelo papelão da esposa. E ela, um filho seu e o assessor Celso Mariano,
tornaram-se três peças, no plano de fechar nosso jornal.
Quando foi iniciado o cerco ao autor, tinham se passado alguns
meses desde essa ocorrência acima citada. Portanto, pelo deputado ter
me confessado que desaprova a atitudes dos três, acredito que suas
participações nos processos, foram motivadas pelo clarão dos holofotes.
Não importava o que publicávamos, em todas as edições, algum
detalhe contribuía para aumentar o estado de animosidade, quando não
com os grupos políticos, algumas pessoas se sentiam ofendidas com o
papel fiscalizador que nosso jornal desempenhava e assim,
desagradávamos a gregos e troianos. Até mesmo o que deixávamos de
divulgar era maldosamente interpretado, como foi o caso do advogado
Ismael Curi, gestor filantrópico da UNESC (União das Escolas Superiores
de Cacoal).
Tínhamos por regra, sempre, ouvir as partes envolvidas em
denúncias: vários acadêmicos tinham nos enviado e-mails e eu conversei
com alguns deles por telefone, todos afirmavam que foram lesados pelos
gestores daquela instituição filantrópica. Os acadêmicos de Pedagogia
(conclusos) tinham decidido abandonar o curso, porque a instituição não
oferecia especialização em "Alfabetização", a UNESC não tinha conseguido
a liberação dessa especialização no Ministério da Educação e Cultura.
Foi então que os gestores prometeram aos universitários que até o término
do curso conseguiriam junto ao MEC a liberação daquela especialização,
convencendo os acadêmicos a não abandonarem o curso, essa promessa
dos gestores não foi efetivada. Desse modo, quando concluíram o curso,
ficaram sem seus diplomas da especialização em Alfabetização; esse
era o motivo que os acadêmicos alegavam ter gerado seus
descontentamentos com os gestores da UNESC. Informei aos acadêmicos
que estávamos dispostos a publicar suas "denúncias", mas para isso,
antes precisava ouvir a versão dos representantes da referida filantropia.
O diretor presidente da instituição, advogado Ismael Curi, me convidou a
comparecer na UNESC. Depois de ouvi-lo falar sobre os relevantes serviços
prestados pela instituição, Ismael Curi me disse que os descontentes era
minoria e que se aquela informação se tornasse notória, causaria alguns
transtornos para instituição. Foi quando lhe perguntei se não seria possível
que a instituição ressarcisse os queixosos. Ismael Curi se comprometeu
a resolver o problema e eu me comprometi a não publicar as denúncias,
até mesmo me tornei o intermediador do conflito.
Dois eventos ocorreram em decorrência de ter intermediado aquele
impasse: perdemos nosso assessor jurídico, presidente da OAB/Cacoal,
advogado Valter Nunes de Almeida que, alegou trabalhar para UNESC, o
que gerava incompatibilidade. Mesmo diante de fervoroso apelo, ficamos
sem a contribuição do eminente douto, e o diretor geral da instituição,
advogado Ismael Curi, alguns meses depois, tornou-se uma das
testemunhas dos promotores, afirmando no seu depoimento que, não
eram claras as minhas intenções quando estive à sua procura.
Lavrando sentenças condenatórias que não se originam dos tribunais
competentes, mas que são partes de métodos inquisitoriais que atropelam
direitos individuais, entre estes, o direito à dignidade. É o alerta anunciado
nos capítulos seguintes.
CAPÍTULO VII

A TOGA A SERVIÇO DA TRUCULÊNCIA


No início da minha adolescência, meus pais decidiram me enviar
ao Nordeste, para morar com minha avó materna, dona Maria Aires
Magalhães, uma descendente da panícula Ibérica, de estrutura agigantada,
pertencia à Ordem das Franciscanas da Igreja Católica e tinha um vício
que, aos meus olhos, tornava-a ainda mais imponente: fumava seu
cachimbo com muita elegância. Quando era indagada sobre a violência
praticada pelos homens, tinha opinião definida, e sempre respondia: “Os
homens fazem coisas que até Deus duvida”. Há muito tempo é assim,
quando retrocedem na ideologia, torna-se um ser atroz, capaz de fazer
terríveis barbáries; possuindo poder, torna-se perigoso; os que fazem uso
da toga, a sabedoria popular afirma que existem duas espécies: “A que
pensa ser deus e a que tem certeza de ser”.
As lembranças da minha saudosa avó e seus ensinamentos
permanecerão sempre comigo, assim como os fatos que a seguir passarei
a relatar.
No mês de janeiro do ano 2001, o Ministério Público do Estado
de Rondônia, estava completamente desacreditado perante a comunidade
cacoalense. O promotor Éverson Antônio Pini havia trabalhado
acirradamente na campanha eleitoral do candidato a vereador Luiz Cláudio
Soares Azambuja, mesmo nossa Constituição Federal, artigo 128, vedar
a um membro do Ministério Público, exercer atividade político-partidária.
Íris Cristina Gurgel Pini, esposa do promotor, ganhou uma cortesia política
assumindo a Secretaria de ação Social do município de Cacoal e levado
para trabalhar com ela na Prefeitura, Helena Grille Gama, esposa do juiz
Wilson Gama da Rocha. Naquela época, foram ventiladas na mídia, as
despesas exageradas com telefones celulares por parte de Íris Cristina
Pini, esses gastos pessoais com celulares foram pagos com o dinheiro
público e esses valores chegaram a ultrapassar ao valor de alguns
investimentos em programas sociais.
Nenhum processo contra a chefa do Executivo municipal
prosperava dentro da Promotoria de Cacoal, embora sendo muitos os
reclames da população. Denúncias que lá chegavam, era paradeiro certo
as mãos da mandatária do município que, logo cuidava de promover as
retaliações ao incauto funcionário público delator. Era notória a inoperância
do Ministério Público em fiscalizar os atos lesivos praticados na Prefeitura.
A Câmara municipal de Cacoal era vista apenas como uma
extensão do Executivo, seu presidente, vereador Daniel Néri, escudeiro
fiel da prefeita Sueli Aragão, tratava para que nenhum pedido, projeto,
demanda, deixasse de ser aprovado naquela casa de leis. Nenhum ato
era contestado.
Aos 16 de fevereiro do ano 2002, foi realizada uma reunião pelo
Sindicato dos Servidores Públicos de Cacoal, onde os servidores me
repassaram uma lista dos desmandos que eram praticados dentro da
Prefeitura de Cacoal. O empresário José Maria Monteiro denunciou fraudes
com valores astronômicos e disse que o presidente da Câmara municipal,
vereador Daniel Néri, era a cabeça no esquema. O vereador Azambuja,
que tinha sido convidado para aquela reunião, proferiu um discurso
afirmando que todas as denúncias já estavam sendo investigadas e que
quando concluídas as investigações, seriam passadas a quem de direito
tomar as providências.
Tudo estava vindo na direção do jornal A Crítica. No dia 20 de
fevereiro do ano 2002, eu protocolei um requerimento na Prefeitura de
Cacoal, solicitando a cópia do contrato da Prefeitura com a Cooperativa
de Crédito CrediCacoal, bem como a relação nominal de todas as
empresas cadastradas no município de Cacoal e que estavam participando
das Licitações de tomada de preço, carta convite, concorrência e se
possível, o nome de seus representantes legais. Nessa época, o presidente
da CrediCacoal e procurador do município era o juiz aposentado José
Odemar Andrade Góis.
No dia 22 de fevereiro, protocolei outro requerimento na Autarquia
Municipal de Esporte e Cultura, solicitando as cópias dos documentos
que constassem os valores repassados da Prefeitura para a referida
Autarquia, no período dos últimos doze meses e ainda, cópia da relação
dos fornecedores que prestaram serviços para AMEC, bem como
constasse os valores que lhes foram pago.
Na época, o time de futebol profissional local, União Cacoalense,
era presidido pelo vereador Luiz Carlos da Fonseca, e havia indícios que
estava recebendo repasse do dinheiro que era justificado como sendo
gasto com esportistas amadores.
Portanto, no dia 3 de março do ano 2002, o jornal A Crítica de
Rondônia, na sua coluna CORREDORES DO PÁLACIO, informou que
nas próximas edições, estaria divulgando uma série de reportagens com
denúncias gravíssimas e que, estávamos apenas esperando a expedição
dos documentos requeridos na Prefeitura municipal de Cacoal.
A movimentação na redação do jornal tinha se tornada frenética.
Muitas pessoas me avisavam que eu poderia ser morto e que estavam
preparando minha prisão.
Na edição de 15 de outubro do ano 2001, nós já havíamos alertado
a população para o que poderia nos acontecer “Cacoalenses, não
estranhem se alguém da nossa equipe for encontrado morto ou envolvido
em escândalos repentinos. Eles tentaram forjar situações
comprometedoras e nos envolver em armadilhas; farão de tudo para tirar
a “pedra” (A Crítica) dos seus sapatos”.
Eu esperava pelo pior, só não fiquei sabendo quando e de qual
forma o “serviço” seria feito. Cacoal tinha se tornado um barril de pólvora
prestes a explodir, e explodiu.
Nosso editorial, na edição de 3 de março, expôs:
FAÇANHA PODE RENDER UMA FORTUNA NAS
CONTAS DO VEREADOR AZAMBUJA
Se os acontecimentos fossem em outras localidades do Brasil,
seriam recebidas com chacotas, mas foi no município de Cacoal. Portanto,
esses acontecimentos são merecedores de esclarecimentos, porque diz
respeito a nossa equipe. Dos fatos: no dia 21 de janeiro, chegaram à
nossa redação dois “convites” do Poder Judiciário desta comarca, nos
dando conta de que o responsável por nosso informativo (jornal A Crítica)
teria que comparecer a duas audiências de tentativa de reconciliação, no
prazo de 24 horas (comparecemos ao chamado da Justiça, infelizmente
o requerente na apareceu). Existem dois processos, os de nº. 0070100321
– 4 e nº. 00702000148 – 3, em que o impetrante, vereador Luiz Cláudio
Soares Azambuja, pleiteia indenização no valor de R$ 14.400,00 (quatorze
mil e quatrocentos reais). Segundo o solicitante, nosso jornal, nas edições
25 na reportagem - AZAMBUJA ENVOLVIDO EM DENÚCIAS e na de
número 26, uma Nota de Esclarecimento do nosso diretor responsável –
AZAMBUJA É MENTIROSO, TRATANTE, E DISSIMULADO, nosso jornal
estaria maculando sua imagem de homem publico, como também sua
dignidade e que, por estes supostos motivos, a bagatela acima citada,
seria pela reparação dos possíveis danos causados à sua pessoa pública.
Não é realmente uma proeza esse golpe, caso fosse concretizado?
A verdade dos fatos: em nossa edição 25, veiculamos reportagem
em que o vereador estaria envolvido em denúncias, as mesmas, foram
transcritas de reportagens anteriormente recorrentes em outros
informativos. As denúncias foram feitas pelo agricultor Valdo Medrado
(identificada está a fonte). Num acesso de extremismo e intolerância, o
coronel Azambuja usando das prerrogativas de vereador, utilizou a tribuna
da Casa de leis do município para nos insultar e agredir, na contra partida,
nosso diretor publicou uma nota de esclarecimento, que equivale restaurar
a verdade outrora deturpada pelo vereador em seu discurso. Descabidas,
insultuosas e sobre tudo inconstitucional foram suas demandas, mesmo
sabendo que suas tentativas incorreriam na ilegalidade, o dito cujo,
resolveu investir numa das possíveis brechas da lei, na tentativa de nos
imputar erro, promoveu uma outra ação, agora, “queixa crime” contra nosso
diretor, na tentativa de ampara legalmente seus litígios.
Desses fatos, o pior é que o coronel Azambuja conta com a ajuda
de alguns “doutos” na tentativa de nos incriminar. Com certeza a
Corregedoria Geral e a Procuradoria Geral de Justiça, deveria nos procurar
para discorremos sobre o triunfo da ilegalidade nos corredores da Justiça.
Vamos ficar esperando o convite do procurador José Viana e o corregedor
do Ministério Público, Abdiel Ramos Figueira.
Triste é o fato que esse cidadão um dia esteve à frente nas fileiras
de uma instituição séria, como é a nossa Polícia Militar, agora, impregnada
e submersa em vários escândalos, praticados por alguns biltres que se
escondem atrás das fardas para cometer seus crimes.
A imprensa séria, com certeza, irá noticiar vez após vez, pois
esse é o nosso papel: divulgar fatos. Talvez por isso, o vereador Azambuja
tenha necessidade de repetir diversas vezes que por ser notícia negativa,
que essas notícias acabem por ferir sua dignidade, quem sabe com isso,
revogando a culpa de suas intransigências.
O conteúdo do editorial acima foi publicado em função de eu ter
recebido algumas informações que, os processos que o vereador Azambuja
pleiteava na Justiça contra o jornal A Crítica e respectivamente à minha
pessoa, foram confeccionados dentro da Promotoria de Cacoal e só depois,
levados ao advogado Adelino Cataneo, para que o mesmo assinasse.
Tudo me levava a crer que essas informações eram verdadeiras e os fatos
posteriores confirmaram de forma dolorosa sua veracidade.
Dez dias após a divulgação do citado editorial, onde
manifestávamos o desejo de apontar o “triunfo da ilegalidade nos corredores
da Justiça”, os promotores Alex Nunes Figueiredo, Ivanildo de Oliveira e o
Éverson Antônio Pini, estavam apostos para ouvir quatro pessoas, segundo
o que consta nos autos, formam intimadas a prestarem seus depoimentos
na Promotoria, e foi desse modo que surgiu o processo (nº. 007.02.001880
– 7) que consiste no pedido de minha prisão cautelar. Em síntese, os
promotores “constataram” que através do jornal A Crítica, seu diretor
responsável estava praticando uma série de crimes, e tudo se “confirmou”
com os depoimentos de quatro pessoas.
Uma contemplação criada e executada em “poucas horas”. Nas
folhas 9 a 17 no referido autos constam que o vereador Luiz Carlos Ribeiro
da Fonseca foi ouvido 9h30m, a assessora de imprensa Edna Mendes
dos Reis Okabayashi foi ouvida 12h30m, o procurador do município
advogado José Odemar Góis foi ouvido 13hs, e o assessor especial da
prefeita João Carlos Passarelo foi ouvido 13h30m. É provável que os
atarefados promotores tenham concretizado o ato às 17hs, porque o
carimbo do recebimento no Fórum consta a data de 14 de março e às
17h30m. O juiz Carlos Augusto Teles de Negreiros deva ter recebido os
autos nas primeiras horas do expediente do dia seguinte, porque consta
a data do recebimento de 15 de março, às 8hs, provavelmente assinado
pela secretária do juiz, que expediu sua decisão quatro horas depois,
porque às 13h30m, eu estava sendo conduzido ao presídio de Cacoal.
Vejamos: da hora em que foi ouvida a primeira testemunha, 9h30m do dia
14 de março, às 13h30m do dia seguinte, quando eu estava sendo
recolhido à casa de detenção, se passaram apenas 28 horas. Um trabalho
da Justiça que foi realizado com extraordinária perfeição, se não fosse
pelos sórdidos motivos que se deu à causa. Sem mencionar o fato jurídico
desastroso de que fui preso e após doze dias fui solto e se quer os
promotores responsáveis por minha prisão preventiva se preocuparam com
a praxe jurídica em pedir que fosse lavrada uma ocorrência policial.
Desse modo, também, impediram a publicação da série de
reportagens que, a partir do dia 16 de março, o jornal A Crítica,
inevitavelmente, publicaria a reportagem “A Lei da Mordaça”.
Na manhã seguinte, os jornais destacaram nas suas primeiras
páginas o ocorrido, com riqueza de detalhes.
E o que dizer dos “profissionais” da imprensa que cobriram esse
evento? Para que se tenha uma idéia do quanto eles foram “aguerridos” e
“capazes”, é preciso recorrer aos autos do dito processo, na folha “8”,
consta as condições em que os promotores deveriam suceder na
instauração do referido processo administrativo. No item III, reza:
“Determinar que o presente procedimento administrativo tramite na
Promotoria de Justiça de Cacoal, sob SIGILO”.
Em poucas horas, o “sigilo” da Promotoria estava estampado
nas primeiras páginas dos jornais.
Algum tempo depois, eu descobri que as reportagens divulgadas
partiram de uma única pessoa, da “jornalista” Edna Mendes dos Reis
Okabayashi, a dito-cujo, foi quem redigiu e repassou aos seus agregados
Eli Batista e Onésio Soares, que estavam aos seus serviços, ordenando-
os para que massificassem o ocorrido através dos veículos de
comunicação que representavam. Duas volumosas gafes permitiram que
a verdade viesse à tona: o nome do juiz que expediu aquele mandado de
prisão é Carlos Augusto Teles de Negreiros, e em todas as reportagens
apareceu com sendo Carlos Augusto Teles do “Nascimento”; em todos
os jornais usaram a mesma foto minha.
Quem melhor para explicitar o ocorrido que um douto da lei, o
advogado José Costa, no dia 28 de março de 2002, comentou o
acontecimento na sua coluna jurídica, publicada no jornal O Observador,
sob o título:
O APOLÓGO DO GAVIÃO E DO ROUXINOL
Apólogo é uma alegoria, uma exposição moral em que animais
ou coisas inanimadas falam. E esta começa assim:
Agora, aos reis, embora sábios, contarei uma história. Eis que o
gavião disse ao rouxinol de pescoço pintado, enquanto transportava lá no
alto, no meio das nuvens, presos nas suas garras. O rouxinol, transpassado
lastimavelmente pelas garras aduncas, gemia, mas o gavião brutamente
lhe diz: Miserável, por que gritas? Pertence ao mais forte que tu. Irás para
onde eu te conduzir, por melhor cantor que sejas: de ti farei meu jantar, se
assim o quiser, ou te deixarei em liberdade.
Dentre as várias histórias literárias do passado, aplicáveis à
política atual, estando atualizadíssima para nosso tempo, a que se encaixa
para os últimos e tumultuados acontecimentos político ocorrido em Cacoal,
é esta que foi narrada acima.
Como já é sabido da comunidade, no dia 15 deste mês, o diretor
administrativo do jornal A Crítica, Jeovane Pereira do Nascimento, foi preso
pela prática, em tese, do crime de extorsão.
A LEI DO MAIS FORTE
A história que lhes trago foi escrito por Hesíodo, poeta que viveu
provavelmente no século VII antes de Cristo.
No século do poeta imperava a lei do Mais Forte.
Para elucidá-la, Hesíodo conta o apólogo do gavião, os reis da
época (representados, hoje, pelas instituições que compõem a estrutura
do poder) e o rouxinol-cantor, representado atualmente pelos órgãos de
imprensa: jornal, televisão, rádios, etc, e pessoas que denunciam os
desmandos administrativos, bem como o falso discurso dos políticos
atuais.
No texto, o Rouxinol-Cantor é o próprio poeta e o Gavião, ave de
rapina, é os “Reis comedores de presentes”.
O poeta, como rouxinol-cantor. Denunciou à opressão, os
desmandos, a injustiça praticada pelos reis de sua época contra os pobres,
contra o povo.
Hoje, os reis do tempo de Hesíodo, estão representados na figura
do prefeito e vereadores de sua cidade; na figura de um governado,
deputado, senador, etc.
CREDIBILIDADE DA IMPRENSA
Ora, o papel do poeta, do rouxinol-cantor, aqui, é representado
pelos órgãos de imprensa, Instituição de maior credibilidade no Brasil,
segundo pesquisas, que têm conseguido trazer ao público as armações
dos grandes agentes da política nacional.
Em Cacoal, para não ser diferente, têm mostrado à população a
má aplicação do dinheiro público, a perseguição política, os riscos à saúde
dos munícipes e tantas outras coisas que só ela pode correr atrás, em
nome do interesse público.
A imprensa de Cacoal (rouxinol-cantor), nos últimos dias, tem
estado presa nas garras do gavião, forçada a silenciar o seu canto, a não
dizer do caos que tomou conta de nossa bela cidade, em função da má
interpretação dos políticos, dos agentes que se acham ofendidos pelo
caráter fiscalizador deste órgão.
Agora sim, os políticos de Cacoal, aqueles que são “Reis
Comedores de Presentes”, os que ajudaram a estourar o orçamento do
município em 2001, que votaram ou se omitiram na votação pelo aumento
de impostos, que contribuíram para redução dos salários dos servidores
públicos municipais, que pousam de moralistas nas reuniões sociais –
não falando a verdade quanto à quantidade de protegidos que têm dentro
da atual administração, inchando a máquina administrativa do município,
já podem descansar em paz.
Ao se sentirem incomodados por algum jornalista ou algum órgão
de imprensa, por querer lhe perturbar a “tranqüilidade dos justos”, basta
correrem atrás do prejuízo, porque as portas da gaiola da prisão estão
abertas para o rouxinol-cantor.
BEM-ESTAR DA COMUNIDADE
A fim de evitar injustiça, necessário se faz chamar a atenção das
pessoas que se preocupam com o dia-a-dia do povo desta terra, gente
que já tem raízes aqui, que participa da vida social, econômica, religiosa
e política da cidade, não por revanchismo, por ego ferido, ou pura
competição, mas por estarem interessados no bem-estar da comunidade;
para o “clima” de medo e insegurança que paira no ar.
Como o poeta Hesíodo tinha uma preocupação central com a
justiça, façamos uma reflexão no texto que segue:
“A razão central dessa verdadeira entronização da justiça deve
ser buscada nos graves fatos sociais que agitaram os séculos VIII e VII
antes de Cristo, quando os reis, os eupátridas, donos da polis e das
melhores glebas, porque só eles tinham meios de defendê-las, apossaram
se de todo o resto: religião, leis, sacerdócio...”.
É contra este estado de coisas que se levanta também a voz de
Hesíodo, em nome da justiça.
Finalizo com a opção feita por Aquiles: “e, já que a vida que
desfrutamos é breve, devemos fazer por deixar de nós a mais longa
memória”.
No dia 18 de março de 2002, eu estando recolhido na casa de
detenção, os promotores tentando encontrar uma forma de tornar sérios
seus desmandos, criaram outro processo, o de nº. 007.02.001950 – 1, e
assim uma Busca e Apreensão ocorreu no meu apartamento e escritório
do jornal, o pretexto era que encontrariam provas dos “crimes” que estavam
sendo praticados.
O advogado que atendeu ao meu caso entrou com o pedido de
revogação da minha prisão, logo sua demanda foi rejeitada.
No meu entendimento, existiam dois procedimentos e que
poderiam ser adotados para rapidamente garantir a ordem jurídica que
acabara de ser violada: um pedido de hábeas corpus e a revogação da
prisão. Como já haviam passados 8 dias desde a data da minha prisão, e
o juiz indeferido o pedido de revogação da prisão, eu reagi com fúria,
atacando o causídico, acusando-o de está recebendo à parte para me
manter no presídio.
Na tarde da terça-feira 23 de março, eu perdi o meu advogado,
que se negou a permanecer no caso, alegando que minhas acusações
eram injustas e que ele estava achacado, por conta dos promotores que
o pressionavam para que ele abandonasse o caso.
Vanilse Ines Ferres acionou certa tia sua que foi à Porto Velho e
lá, se encontrou com o advogado Tadeu Nunes Fernandes que, preparou
um pedido de hábeas corpus aos procuradores do estado de Rondônia. O
pedido foi acatado e no final da tarde de sexta-feira 27 de março de 2002,
um oficial da Justiça chega ao presídio de Cacoal com meu alvará de
soltura.
Devo ao juiz Guilherme Ribeiro Baldan – eu mesmo não possuindo
um advogado em Cacoal para requerer – foi magistrado que se antecipou
em baixar na internet o parecer dos procuradores, assinou o alvará de
soltura e enviou o oficial da Justiça ao presídio. Dessa forma, foi impedido
que um inocente permanecesse dois finais de semana atrás das grades.
Certo dicionário define um habeas corpus – sm. (lat.) “Designa
a instituição judiciária que assegure a liberdade individual do impetrante e
pela qual ninguém pode ser preso ou continuar em prisão sem culpa
formada ou sem ordem da instância judiciária competente”.
E outro dicionário atualizadíssimo, define habeas corpus – sm.
“Garantia constitucional outorgada em favor de que sofre ou está na
iminência de sofrer coação ou violência de sua liberdade de locomoção
por ilegalidade ou abuso do poder”.
Mesmo após alguns dias da minha liberdade, os promotores
permaneciam com os aparelhos, arquivos de fotos, documentos e outros
pertences do jornal.
Na edição seguinte à minha soltura, expusemos o ocorrido ao
nosso jornal e simultaneamente à minha pessoa, numa Nota da Redação,
nosso Editorial e na minha coluna Ponto Crítico. A seguir passarei a expor
esses conteúdos:
NOTA DA REDAÇÃO
“Há crimes que se cometem com a caneta que são barbáries
deploráveis, tanto quanto os crimes de assassinato, tráficos ilícitos e
seqüestro”.
Caros clientes e leitores, através desta estamos tornado público
os empuxos que sofremos, “cerceados no comprometimento de informar,
evidenciada a vergonhosa prática da censura e da violação do direito à
livre manifestação do pensamento”, foi preso nosso diretor e apreendido
nossos materiais de trabalhos, somente no último dia 30 de abril foram
devolvidos, com isso, fomos impedidos de cumprir com os compromissos
firmados com nossos clientes e leitores. Reafirmamos o desejo de cumprir
com os nossos compromissos, não sendo novamente espoliados os
nossos direitos.
Nosso editorial:
JUSTIÇA OU VINGANÇA
“Os fatos pelos quais levaram para prisão o diretor deste informativo.”
Aos 15 de março do ano 2002, para a maioria da população de
Cacoal foi um dia comum, como de costume numa cidade pacata.
Entretanto, para o diretor responsável do jornal A Crítica, Jeovane Pereira
do nascimento, e para quem mora às proximidades da redação desse
jornal, foi de medo e terror. No início da tarde de 15 de março, na Avenida
São Paulo, próximo a NIPOMED, estava repleto de policiais; a causa
para tanto alvoroço foi que havia um mandado de prisão para nosso diretor.
Mais de 20 policiais foram destacados para efetuarem a dita prisão. Eis
que nosso diretor figurava na lista dos homens mais perigosos dessa
cidade.
No dia seguinte, os noticiários estampavam nas suas primeiras
páginas o ocorrido: “FALSO JORNALISTA ACUSADO DE EXTORSÃO É
DENUNCIADO E PRESO”, “JORNALISTA EM CANA”, “DONO DE
JORNAL É PRESO”, “DONO DE JORNAL PROCESSADO POR
AZAMBUJA FOI PRESO”, e assim seguiam-se as manchetes.
Um dos membros do Ministério Público, promotor Ivanildo de
Oliveira, declarava nas reportagens: “Não sabemos se ele tem registro
profissional, caso não tenha, estamos trabalhando para indiciá-lo também
por exercício ilegal da profissão e fecharmos as portas do seu jornal. O
MP, que já ouviu vários depoimentos de pessoas que foram pressionadas
por Jeovane, pede a colaboração de todas as vítimas do dono do jornal A
Crítica, no sentido de prestarem suas declarações à Promotoria, para
que a Justiça seja feita. É uma afronta contra a hora e os bons costumes”.
Segundo o plano que foi arquitetado e colocado em prática, nosso
diretor seria mostrado como um homem perigoso, que havia cometido
vários crimes contra empresários, políticos e servidores públicos, e os
homens da Lei tinham efetuado um grande prodígio. Pois, eis que estava
atrás das grades um homem ameaçador e danoso à sociedade. Vale
ressaltar que este relato não é um conto policial, ou teria sido copiado
dos filmes de suspense, aconteceu de fato.
Após doze dias trancafiados na prisão, nosso diretor foi solto
mediante um habeas corpus. Liberto, hoje responde aos procedimentos.
Nos autos dos vários processos os muitos empresários, políticos e
servidores públicos, que foram lesados não existe, desapareceram, foram
substituídos pelas declarações de quatro pessoas: Edna Mendes dos
Reis Okabayashi (assessora de imprensa da Prefeitura), convocada pelo
Ministério Público, afirmou levianamente que, mediante grave ameaça,
forneceu ao jornal A Crítica atos oficias em número muito superior àqueles
enviados aos outros jornais, porque estava sendo coagida pelo nosso
diretor Jeovane Pereira; João Carlos Passarelo (assessor especial da
prefeita), também disse que, sob ameaça de nosso diretor estava foi forçado
a conseguir um contrato de dois mil reais, para o jornal A Crítica (veja
bem, assessor encarregado de fazer contratos a mando de Sueli Aragão);
advogado José Odemar Góis (assessor jurídico da Prefeitura), teria
presenciado, em tese, a extorsão; e o vereador Luiz Carlos Ribeiro da
Fonseca declarou que foi forçado requerer uma moção de aplauso para o
jornal A Crítica, ou teria sua vida pública difamada (a mulher do vereador
recebe um gordo salário na Prefeitura).
Foi com base nessas declarações e nas “denúncias” de calunia,
difamação e danos morais (a suposta vítima é o vereador Azambuja), que
foi privado da liberdade nosso diretor Jeovane Pereira. É esse o exemplo
que devemos esperar da Justiça?
As reportagens acima mencionadas foram publicadas no jornal
Estadão do Norte (a correspondente em Cacoal e Edna Okabayashi), no
jornal Folha de Rondônia (a correspondente em Cacoal é Eli Batista), no
jornal Diário da Amazônia (o correspondente é Onésio Soares, facilmente
encontrado na Assessoria de Imprensa do Município), no informativo de A
a Z (o proprietário é o vereador Azambuja), no site Rondônia Digital (a
proprietária é Edna Okabayashi), no provedor de internet Nettravel ( a
proprietária é a esposa do vereador Azambuja), e assim foi feito, segundo
um ditado popular: “Enquanto a verdade dar um passo, a mentira dar volta
e meia ao mundo”.
Dos fatos: depois de receber várias reclamações da forma com
estavam sendo o atendimento da CrediCacoal, pois a mesma é a única
agência bancária designada para receber tributos municipais; outras
empresas estavam sendo denunciadas por estarem sendo usadas por
políticos e funcionários da Prefeitura para aplicar golpes no município,
que as fraudes giram em torno de um milhão de reais mensal e que o
presidente da Câmara de vereadores, Daniel Néri, é o cabeça do esquema.
No mês de fevereiro do ano 2002, nosso diretor protocolou vários
requerimentos com pedidos de cópias dos contratos que estavam sendo
apontados com fraudulentos. Para nossa surpresa, não fomos atendidos,
muito embora nossa Constituição no seu artigo 5, incisos XXXIII garanta:
“Todos têm direito a receber dos órgãos públicos, informações de seu
interesse particular os interesse coletivo”.
A “jornalista” Edna Mendes dos Reis Okabayashi, o assessor
especial da prefeita João Carlos Passarelo, o juiz aposentado José Odemar
Andrade Góis, os vereadores Daniel Néri, Luiz Carlos da Fonseca, Luiz
Cláudio Azambuja, e tantas outras pessoas que estão intimamente ligadas
de uma ou outra forma com as sangrias que ocorrem ao erário público,
estariam preocupados que acontecesse Justiça? Ou esses atos arbitrários
não passam de uma vingança? Uma forma de impedir nosso informativo
de desnudar o desmazelo com a coisa pública? Todo esse protecionismo
da Justiça e abusos ocorridos é facilmente entendido, se for verificado os
funcionários nomeados que figuram no topo da lista dos que recebem os
salários mais altos na Prefeitura: é mulher de juiz, mulher de promotor,
filho de fulano, parente de sicrano e os amigos do beltrano.
Nosso informativo irá vez após vez divulgar os fatos de forma
autêntica, como sem assim o fizemos, doam a quem doer, atinjam a
quem atingir, porque entendemos que esse é o nosso dever. Agora, se
eles vão conseguir nos calar ou fechar o jornal A Crítica, somente o
tempo dirá.
Coluna Ponto Crítico:
MINHA PRISÃO
É notório no estado de Rondônia que, no dia 15 de março, o
diretor do jornal A Crítica foi preso. Tudo o que a população ficou sabendo
a respeito desse fato, foi publicado pelos jornais Estadão do Norte, Folha
de Rondônia, Diário da Amazônia, informativo de A a Z e nos sites Nettravel
e Rondônia Digital. Foi até cogitado pelo promotor Ivanildo de Oliveira,
fechar as portas do nosso jornal.
O que muita gente em Rondônia ainda não sabe, é que no jornal
predisse esses acontecimentos e alertamos a população para que não
estranhasse se alguém da nossa equipe fosse encontrado morto ou
envolvido em escândalos repentinos. Até mesmo, informamos da
existência de algumas pessoas interessadas em cercear a imprensa e
fechar as portas do jornal que publicasse editorias autênticas e imparciais.
Outro fato interessante que noticiamos, é que o número de meus “amigos”
foi crescendo e quando eles noticiam nos seus conteúdos apócrifos que
eu fui preso por extorsão praticada contra empresários, políticos e
funcionários públicos, na verdade são eles mesmo que servem de falsas
testemunhas e estão por trás das acusações que pesam sob minha
pessoa. Portanto, chamo a atenção para o único fato que foi predito e que
ainda não aconteceu: alguém da nossa equipe pode ser encontrado morto.
No meu depoimento dado no dia 30 de março de 2002, ao juiz
Carlos Augusto Teles de Negreiros, alistei o nome de alguns dos meus
principais “amigos”, são eles: Sueli Alves Aragão, José Odemar Góis,
Daniel Néri, Luiz Carlos da Fonseca, Luiz Cláudio Soares Azambuja, Edna
Mendes dos Reis Okabayashi e João Carlos Passarelo.
Como já havíamos noticiado antes, “não serão esses atropelos
que farão com que desistamos de ser um jornal autêntico e tão pouco
iremos cruzar os braços diante dessas práticas anti-morais”.
Entristece-me o fato que nossas instituições estejam sendo
usadas por algumas autoridades, para resolver “picuinhas” de caráter
pessoal.
Depois que descritos os motivos abomináveis e a causa verdadeira
do que me foi imposto, seguirei abordando as retaliações e ultimato que
se seguiram em razão da autenticidade do que publicávamos.
Assim sendo, finalizo este capítulo, recorrendo novamente a um
artigo escrito pelo advogado José Costa, publicado no jornal O Observador,
e que irá cristalizar este conteúdo:
SALVO CONDUTO
“A vitória da prisão do rapaz não foi conseguida diretamente, pois
coube a uma outra instituição – o Ministério Público – intervir no processo.
Do dia 15 de março, época da prisão do rapaz, até o dia 27 do mesmo
mês, quando da sua soltura, o clima de terror, de insegurança e de
sentimento de perseguição tomou conta daqueles que fazem a imprensa
fiscalizadora deste município. Diga-se de passagem, senhores leitores,
não fosse esse setor da imprensa, a coisa estaria pior. E foi justamente
desse grupo, ou do uso dele, que apareceu aquela luz – logo sobre a
cabeça – iluminando a idéia de prender o empresário”.
CAPÍTULO VIII

PERSEGUIÇÃO DESENFREADA
O município de Itaituba, no estado do Pará, situa-se à margem
direita de quem sobe o rio Tapajós. Nas proximidades dessa cidade
existem algumas ilhas que, nas vazantes (quando as águas dos rios
amazônicos baixam), são utilizadas para o cultivo de cereais e no lazer
das pessoas que residem naquelas redondezas, porque também surgem
praias fluviais por todos os lados.
No ano 1985, meu pai adquiriu o direito de cultivar uma dessas
ilhas e também se tornou proprietário de grande parte noutra ilha, ao lado
do rio Piracanã, um dos afluentes do rio Tapajós, aonde as cheias das
águas não impedem que essa ilha seja cultivada o ano todo.
Para escoar a produção de sua colheita, meu pai construiu um
pequeno barco e o denominou de "Menguele". Naquelas redondezas, o
nome do barco soava estranho aos ribeirinhos, aguçando a curiosidade
daquelas pessoas simples. Assim como meu pai sempre informara a
todos, nós sabíamos que o nome do barco era referência ao carrasco
nazista, o médico alemão Josef Menguele, e para que ninguém se
esquecesse das atrocidades cometidas aos mais de seis milhões de
judeus, na segunda guerra mundial: nas câmaras de gás, fornos
crematórios, execuções sumárias, confinamento e asfixia com fumaça
tóxica, trabalhos forçados até a morte, e por fim, enterrados em valas
comuns.
Essas práticas desumanas praticadas ao povo judeu são
inadmissíveis, qualquer pessoa sana admitiria. O difícil é compreender o
porquê dos seres humanos cometerem tantas dessas sandices.
Além do barco "Menguele", meu pai chegou a possuir uma lancha
moderníssima, que lhe permitia viagens rápidas à cidade, assim como
lazer à família nos finais de semana, quando todos nós íamos ao lago
Piracanã.
Eu nunca vou esquecer aqueles momentos felizes com minha
família, assim como, tampouco esquecerei os acintes a que fui submetido
na cidade de Cacoal.
Seguindo no relato e detalhando a perseguição e ultimato que
ocorreram comigo, é possível descobrir que a maldade de classe, cor ou
clero, é inerente ao ser humano, muitas vezes tornam-se capazes de
fazer qualquer coisa para encobrir suas desonras.
Antes, porém, de iniciar na descrição da crueldade que sofri, farei
um relato de como foram os 12 dias que passei aprisionado.
Aos 18 de março de 2002, uma segunda-feira, eu já tinha me
conscientizado que passaria mais tempo do que o que antes eu me
permitia imaginar. Diante disso, procurei na noite do domingo anterior, o
detento responsável por fazer o que os demais infratores denominavam
de "correria".
Para o diretor do presídio, seu trabalho consistia em repassar as
refeições para as celas, permitindo-lhe certa mobilidade nos corredores
daquela ala da casa de detenção e com isso, ele intercambiava a vontade
supérflua dos detentos, tornando possível a troca de objetos entre os
presos. Quando me dei conta dos seus "relevantes" serviços à comunidade
carcerária, informei-lhe da idéia que me ocorreu, ali mesmo, nos últimos
dois dias em que estava engaiolado e lhe perguntei se não estaria disposto
a me ajudar concretiza-la.
Ele me disse que o trabalho que ele realizava só lhe foi possível
devido à confiança do diretor, que ele tinha conquistado, assegurando-me
que qualquer deslize que cometesse, seria tirado o seu "emprego". Aquela
ocupação é para ele como a um privilégio. Então, depois de lhe garantir
que nenhum problema se daria em função da ajuda que ele me desse,
concordou em tornar parte na minha idéia.
Daí, então, na manhã da segunda-feira seguinte, ele tinha me
providenciado uma caneta e um caderno, permitindo que eu enviasse um
bilhete a cada cela daquela ala do presídio, pedindo para que eles se
reunissem e decidissem se queria participar de uma competição que eu
iria realizar entre os membros de cada cela. Informei a eles que a
competição consistia em que eu enviasse, na hora das refeições e do
café da manhã, dez perguntas para que fosse respondida pelos membros
de cada cela e no sábado, eu somaria os acertos e a cela que fizesse
mais ponto seria considerada a vencedora; sendo que cada um de seus
membros, receberia um prêmio. Quando recebi as respostas me surpreendi
com duas coisas: a unanimidade que todos estavam dispostos a participar
da competição e com alguns presos me perguntando se não seria possível
arrumar uma mulher ou uma "parada" de maconha.
Aquela semana no presídio passou rapidamente. Quando eu não
estava interagindo com os presos na "hora do sol" (tempo que é permitido
aos presos de bom comportamento saírem das celas para tomar ar puro
num grande pátio), ficava ocupado formulando e copiando as perguntas
que eram enviadas a cada cela. À noite, dava aula ao meu ajudante que,
por um revés da vida, não tinha aprendido a ler e escrever. Pouco tempo
sobrou para que eu pensasse no que fazer quando saísse daquele lugar.
Foi grande a agitação quando aos 24 de março, um domingo, Vanilse
Ines Ferres entrou no presídio com uma grande caixa cheia de sabonetes,
cremes dentais, cigarros, biscoitos, refrigerantes e chocolates, que foram
distribuídos entre os 14 detentos da cela vencedora da competição.
Quando as visitas saíam, eu ficava informado do que estava
acontecendo. Uma nova idéia me veio à mente, naquela noite dormi pouco,
fiquei até altas horas da noite, redigindo à caneta, um abaixo-assinado,
que foi enviado para a juíza Tânia Mara Guirro. Uma lista das reivindicações
foi feita, exigindo lápis, giz, quadro negro, massas de modelar, revistas
usadas, livros, que seriam usados na ocupação diária dos detentos.
Naquele dia me lembrei do que minha avó sempre me disse: "Mente vazia
é oficina onde o diabo trabalha". Eu já sabia que era primordial se ocupar
com alguma coisa adequada.
No dia seguinte, todos os presos assinaram o dito abaixo-assinado,
inclusive meu ajudante, que aprendeu fazer seu nome e já identificava
algumas palavras os três presos que não sabiam escrever, sujaram seus
dedos com a tinta de caneta e se fizeram presentes.
Na tarde do dia 27 de março do ano 2002, fui ovacionado com os
gritos e murros que os presos davam nas grades das celas, quando da
minha soltura. Em seguida, fui ao escritório do diretor do presídio e quis
saber sobre o resultado do abaixo-assinado. Ele me informou que a
representante do Judiciário tinha tomado ciência de nossas reivindicações,
mas que tinha se recusado atendê-las. Informei aos detentos e nunca
mais voltei àquele lugar. Assim mesmo, sempre algum detento pediu para
alguém da sua família me procurasse e solicitasse algum tipo de ajuda.
Encontrei-me algumas vezes com aqueles que tinham ganhado liberdade
e dávamos boas gargalhadas do que tínhamos realizado. E depois eu
procurava lembrar a eles o valor do trabalho e da liberdade: "Entre todas
as injustiças, nenhuma clama tanto ao céu como as que tiram a liberdade
aos que nascem livres e as que não pagam o suor aos que trabalham;
essas são e foram sempre, os dois maiores pecados do Estado".
No final do mês de março daquele ano, tramitavam no Fórum de
Cacoal, cinco processos contra minha pessoa, todos eram relacionados
ao vereador Azambuja. Em dois desses processos ele preiteava
indenizações, os outros dois eram queixa-crimes, exigindo que eu fosse
punido por ter lhe caluniado, e um quinto era uma ação penal proposta
pelo Ministério Público, exigindo que eu fosse punido por ter caluniado,
difamado e injuriado o vereador Azambuja. Além dos já mencionados pedido
de "prisão cautelar" e uma "busca e apreensão", impetrados pelo Ministério
Publico de Rondônia.
Os reflexos de ter se mostrado interessado em apontar "o triunfo
da ilegalidade nos corredores da Justiça" haviam sido interpretados como
uma afronta de proporção catastrófica e, eu só fui entender isso, aos 28
de março de 2002, quando fui ao Fórum, me fazer presente ao chamado
da Justiça. Como havia chegado antecipado ao horário marcado e recém
tinha saído da prisão, fui visitar os meus amigos que trabalhavam ao lado,
na Promotoria de Justiça. Naquele dia, um ocorrido me fez ficar com as
pernas bambeando e foi então que percebi a proporção do agravo que
causou minhas colocações, diante aos gritos do promotor Ivanildo de
Oliveira, solicitando que eu me retirasse daquele recinto. Por um momento
me recompus do susto, informando ao promotor que, pelo que me
constava, aquela ainda era a casa do povo. Perguntando-lhe em seguida:
"Desde quando havia deixado de ser?". Além dos gritos do promotor Ivanildo
de Oliveira, nenhum tumulto se fez acontecer naquele dia.
As sessões na Câmara Municipal eram televisadas e ocorria toda
a segunda-feira. Eu sempre me fiz presente em todas elas quando morava
em Cacoal, não me recordo de ter perdido alguma daquelas encenações,
a não ser, quando me enjaularam.
Na sessão do dia 1 de abril do ano 2002, o vereador primeiro
secretário leu a súmula do processo em que a Promotoria estava movendo
contra a minha pessoa; ao término da sessão, o vereador presidente
informou que aquela leitura havia sido feita em razão de um ofício remetido
àquela Casa de leis pelos três promotores de Cacoal.
Nunca em minha vida eu tinha presenciado algo daquela natureza,
mas foi possível vislumbrar o aparato que tinha se formado, com o intuito
de desacreditar o nosso jornal e, ao mesmo tempo, minha pessoa.
Naquela mesma semana a Ordem dos Vereadores de Rondônia,
fez circular uma nota que, por se tratar de inverdades, foi rebatida com
outra nota, que eu assinei e é a que segue:
CEGUEIRA CORPORATIVISTA
A Ordem dos Vereadores de Rondônia publicou uma nota em jornais locais,
alertando a população sobre denúncias tidas como infundadas. Seu
presidente vereador Fábio Camilo, de Presidente Médici, manifestou sua
preocupação quanto à presença de pessoas mal intencionadas na
imprensa de Rondônia. Causa-nos estranheza que Fábio Camilo, à frente
da OVR, ainda não tenha denunciado tais pessoas; ou seria esta mais
uma denúncia infundada? Sugerimos que o presidente da OVR se preocupe
mais em apontar os nomes desses maus profissionais para que,
conjuntamente, possamos denunciá-los. Também, não se pode descartar
o comentário de que existem vereadores cometendo excessos em
Rondônia. E, para tanto, contamos com a autocrítica e investigação da
OVR, assim mantendo a transparência do nome da entidade.
Reconhecemos que, realmente, a imprensa pode estar impregnada de
indivíduos ineficientes e inescrupulosos, porém, não se justifica, na contra
partida, que tenhamos tantos despreparados nas Câmaras Municipais do
nosso estado. Quanto à afirmação deste presidente da OVR, em relação
ao hipotético linchamento moral que o vereador Azambuja - Cacoal - estaria
sofrendo, supostamente, por parte do jornal A Crítica, consideramos essa
colocação uma aberração, pois temos convicção de que apenas
transcrevemos as denúncias impetradas por Valdo Medrado. Ao fato da
imprensa merecer profundo respeito por parte da OVR, esta colocação
muito nos apraz, porque acreditamos fazer parte deste segmento. Contudo,
acreditamos que a imprensa é, de fato, correta; o que acontece, muitas
vezes, é que ela agrega aleivosos "jornalistas". Já, quanto ao que a OVR
chama de morosidade da Justiça sobre as questões relativas à imprensa,
queremos esclarecer que a lentidão da Justiça não se manifesta somente
em nosso seguimento, mas, premia, também, uma classe de maus
políticos, a exemplo do deputado estadual Emílio Paulista, que, em 1997,
segundo denúncia do Ministério Público de Rondônia, envolveu-se em
desvios de dinheiro público e outras irregularidades, quando o referido
deputado ainda era presidente da Câmara Municipal de Cacoal e,
ironicamente, só em três de março de 2001, foi indiciado judicialmente.
Mais um exemplo de escândalo, no meio político local, ocorreu em 1996.
Igualmente, é mais uma das ações que, até hoje, espera julgamento em
Cacoal, envolvendo superfaturamento na compra de leite para crianças
carentes do município. Quando, o então prefeito Orlandino Ragnini e seus
cúmplices, lesaram os cofres públicos (proc. nº. 00789.002459-1). E, por
aí, vai o trem da alegria. Ainda assim, temos convicção de que a "Justiça
tarda mais não falha". Suscitamos após este breve resumo, que a OVR,
o Ministério Público e o Poder Judiciário unifiquem focas com a imprensa
séria, para que possamos limpar esses corruptos e mal-intencionados,
do meio das pessoas íntegras de Rondônia.
Com a imagem da serenidade e seriedade do Ministério Público
maculada pelos últimos e calamitosos acontecimentos, os promotores
Alex Nunes de Figueiredo, Ivanildo de Oliveira e Érveson Antônio Pini,
guiados pelo ódio e insensatez, enveredaram-se no caminho que antes
fora habitado apenas por bárbaros, passando a insurgir noutras demandas
contra minha pessoa.
Aos 20 de março do ano 2002, estando eu preso, compareceram à
Promotoria de Cacoal, a mandatária do município Sueli Alves Aragão, o
presidente da Câmara de vereadores Daniel Néri, e a jornalista Eli Batista,
para apresentarem suas declarações. Com as falas dos "eminentes"
representantes do Poder Executivo, Poder Legislativo e do "Quarto Poder"
(delegada do SINJOR - função extinta), seria inevitável a culpabilidade da
minha pessoa em atos mortificantes, perante o Poder Judiciário.
Desse modo, um novo processo foi dado entrada no Fórum da
comarca de Cacoal. A "tese" da Promotoria pretendia demonstrar a
materialidade do crime de extorsão, praticado três vezes, consistindo
nos depoimentos da assessora de imprensa Edna Mendes dos Reis
Okabayashi, assessor especial da prefeita João Passarelo e da mandatária
Sueli Alves Aragão, todos se dizendo ameaçados, num processo de
chantagem que já ocorria há meses.
Falar aqui das declarações dessas três pessoas é o mesmo que
falar de da existência de extraterrestre; por serem de fora da Terra, eles
existem, mas, nunca alguém provou que os viu. Isso para não dizer que
foram todos depoimentos forjados.
Uma simples e desinteressada observação, até mesmo por um
leigo, concluiria que, as declarações dadas, falham pelo interesse pessoal
de cada um dos envolvidos. Ora, declarantes, por terem interesse na
causa, trabalhando dentro da Prefeitura e se juntaram para montar uma
estória, ou seja, um conto popular, narrativa de ficção.
Não é preciso ser jurisconsulto, nem mesmo doutorado na
Jurisprudência, para saber que o Direito exige história verdadeira, fatos
provados, flagrantes realizados, ocorrência policial registrada, testemunhas
isentas, depoimentos verdadeiros. Parece aqui que, os promotores haviam
se esquecido do que aprenderam nos bancos da Faculdade. Bem deveriam
saber eles que, a semente deve ser jogada em terra fértil, para brotar e
produzir frutos. Jogada na areia ou nas pedras, ela não germina; a não
ser que, com a ajudinha dos que a sabedoria diz: "pensando ser deus ou
tendo certeza de ser". Fatos que serão mostrados mais adiante. Dada
esta simplória introdução do Direito, é aconselhado perguntar: onde, nesse
caso, existe a semente da verdade? E o que dizer da fita que foi gravada
com uma conversa comercial que tive com a assessora de imprensa do
município Edna Mendes dos Reis Okabayashi, que foi arrolada nos autos
pelo Ministério Público? Deliberar sobre ela é constatar a brutalidade de
um grosseiro adultério; gravada sem ordem judicial, se constitui por si
mesma, num flagrante atentado à ordem jurídica (sem mencionar o fato
que o áudio foi feito uma montagem).
A agitação e a falta da boa-fé com que foram conduzidos os
processos pelos promotores, demonstram o quanto esses senhores
estavam dissuadidos da legítima causa e do verdadeiro papel que deve
proceder a um membro do Ministério Público.
A certeza do engodo má-fé por parte desses fiscais da aplicação
da lei se deu comprovados, chegando ao grau elevadíssimo da obsessão,
quando transformaram as declarações do vereador Luiz Carlos da Fonseca,
noutro procedimento especial criminal, acusando-me de perturbação da
tranqüilidade. Ora, declarações estas totalmente desacreditadas, por conta
do deferimento dos procuradores ao pedido de hábeas corpus, em que foi
total demonstrada a ilegalidade da dita prisão cautelar, baseada nas
declarações do referido vereador.
O cerco total quase se completou aos 20 de maio do ano 2002, foi
quando o promotor Alex Nunes de Figueiredo protocolou uma ação civil
pública, o pedido pretendia a dissolução da empresa Editora Gráfica A
Crítica Ltda. ME, e através de liminar, a medida suspensiva da circulação
do jornal A Crítica de Rondônia, sob pena de ser cobrada uma multa no
valor de quinze mil reais/dia.
Eu não poderia classificar de outra forma que, um ato extremo,
chegando a beirar à insanidade, quando na data do meu aniversário, 19
de junho do ano 2002, os promotores Ivanildo de Oliveira e Éverson Antônio
Pini, impetraram mais duas ações penais, demandadas, para provar o
exercício ilegal da profissão, ações esta de idêntico teor.
Cristalizadas as origens despropositadas de suprimir a atividade
intelectual através do jornal A Crítica de Rondônia, nosso editoria na edição
de 18 de julho de 2002, dissecou sobre o tema:
IDENTIFICADAS AS CAUSAS DESPREZÍVEIS DA
PERSERGUIÇÃO AO JORNAL A CRÍTICA
No dia 27 de março do ano 2000, constituía-se a empresa Editora
Gráfica A Crítica Ltda. ME neste município. Tendo como finalidade a edição
de jornais, revistas, livros e periódicos. Passamos a editar o jornal A Crítica
e, de o início, nos propusemos a divulgar fatos, alguns de caráter
investigativos e propalando de forma autêntica e imparcial. Sempre
atendendo aos interesses dos munícipes e da coletividade; pois, concluímos
que o papel da imprensa estava sufocado nesta comuna, atendendo
somente a interesses particulares e políticos de algumas pessoas.
Devido à longa ausência do exercício da imprensa fiscalizadora
neste município, "muitas" pessoas acabam por confundir e receber as
reportagens veiculadas no nosso jornal como sendo expressões de
desafetos, ofensivas e desabonadoras, eis que expõem conduta
desregradas destes. Deslembram ainda que, divulgar fatos é um direito
constitucionalmente assegurado à imprensa, atinjam a quem atingir. De
certo, passamos a encontrar certas resistências de algumas pessoas
que se acham "os maiorais" e seus amigos, pois algumas notícias
veiculadas em nosso jornal acabam por causar certo desconforto e até
indignação por parte dos envolvidos.
A veiculação de certas notícias com certeza causa um judicioso
abalo emocional, por serem contrárias aos seus interesses, eis que os
"maiorais" estão acostumados a lhes fazerem cócegas nos ouvidos com
notícias melosas. Estas sim, feitas de forma fantasiosas, visam somente
enganar a população o alimentar o ego vaidoso dos mencionados "inábeis".
Conseqüentemente somos de toda sorte perseguidos. O que podemos
observar neste município é o desejo de calar e amordaçar, a quem se
propuser realizar um trabalho jornalístico de forma digna.
Nesses mais de dois anos temos efetuado nossas atividades
comerciais e jornalísticas de forma legítima, contudo, combativas. Nunca
estivemos envolvidos em atividades ilícitas ou usando de meios sórdidos
e vulgares para executarmos nossos trabalhos. No entanto, no vemos
sendo processados por nossas observações não atenderem aos anseios
de certos "ignóbeis". Até o dia de hoje, nenhuma das notícias veiculadas
em nosso jornal foi contestada ou tidas como inverídicas, nos dando
evidências cristalinas dos fatos que vêem acontecendo conosco, como
sendo um traçado vergonhoso para tolher nossos direitos, na tentativa de
nos emudecer.
Intentaram outras vezes contra a liberdade de imprensa. Esse é o
assunto que tratarei no próximo capítulo.
CAPÍTULO IX

ATENTADO À LIBERDADE DE IMPRENSA


Se não fosse a história, através da escrita, seria difícil, isso para
não dizer impossível, apregoar com louvor, a função do jornalista Benjamim
Franklin. Os livros referem-se a Franklin sempre como muita ênfase ao
estadista e cientista, pouco dando importância ao seu papel de escritor,
tipógrafo e jornalista. Talvez por ele tiver exercido essas funções quando
era ainda um adolescente. Contudo, considero sua passagem meteórica
pelo jornalismo de singular estimação, na defesa da liberdade de expressão.
No ano 1721, os Estados Unidos da América, eram tão somente
as "colônias inglesas". Nesse mesmo ano, James, certo irmão de
Benjamim, resolveu incorporar aos serviços de sua tipografia, um jornal
de duas páginas que, desde o início, se tornou um incômodo para as
autoridades e os intolerantes puritanos da cidade. Nessa época, Franklin
com apenas 16 anos, era tipógrafo, exercendo a função sem qualquer
remuneração. Assim, em 1722, uma publicação em forma de sátira, foi
interpretada pelas autoridades como se fosse um insulto e um deboche.
E, no mesmo dia, James e Benjamim foram presos. Porém, o fato de
Benjamim Franklin ter sido achado ainda muito jovem, foi lhe feito uma
severa admoestação e depois solto.
Quando voltou para oficina, readquiriu logo toda sua coragem. O
irmão preso, mas, o jornal precisando sair todas as segundas-feiras. Então,
autonomeou-se diretor (ad ínterin) e começou a preparar um novo número,
com cuidados especiais e muito entusiasmo. Na semana seguinte, os
leitores na pequena colônia de nome Boston deparam-se, com os escritos
do jornalista Benjamim Franklin. No artigo intitulado:
SEM LIBERDADE DE PENSAMENTO
Escreveu: "Não pode haver sabedoria; sem liberdade de
expressão, não pode haver liberdade pública. A liberdade de
expressão constitui um direito de todo homem, enquanto não ferir
ou controlar o direito do outro. Essa é a única restrição que pode
haver a este direito. Quem quiser destruir a liberdade de uma nação
deve começar por subjugar a liberdade de expressão, terror dos
traidores da coletividade".
A imprensa, desde então, atesta sua relevância e o entendimento
de vanguarda do jornalista Benjamim Franklin, torna-se sempre propício.
No Brasil, a lei 5.250 regula a liberdade de manifestação do
pensamento e da informação. Está homologado desde o ano 1967.
No seu artigo 1º reza: "É livre a manifestação do pensamento e a
procura, o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer
meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos
da lei, pelos abusos que cometer". E no artigo 2º "É livre a publicação e
circulação, no território nacional, de livros e de jornais e outros periódicos,
salvo os clandestinos (art. 11) ou quando atentem à moral e aos bons
costumes".
Vejamos o que diz o artigo 11, "Considera-se clandestino o jornal
ou outra publicação periódica não registrada nos termos do artigo 9, ou,
cujo registro não constem o nome e qualificação do diretor ou redator e
do proprietário".
E é amplamente amparada pela nossa Constituição de 1988, artigo
220.
§ 1º Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constar embaraço
a plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de
comunicação social, observado o dispositivo no artigo 5º, incisos IV, V, X,
XIII e XV.
§ 2º É vedada toda e qualquer censura de natureza política,
ideológica e artística.
§ 6º A publicação de veículo impresso de comunicação independe
de licença de autoridade.
A Editora Gráfica A Crítica Ltda. - ME, constituída sob CNPJ nº.
03.734.349/0001 - 45, registrada na Junta Comercial de Rondônia sob nº.
110262164, Alvará municipal de funcionamento nº. 001173193 - 8 e
Cadastro de Prestador de Serviço Municipal inscrito sob nº. 4721 - 2,
estava legalmente constituída e quem subsidiava as edições do jornal A
Crítica de Rondônia. Assim sendo, eu, Jeovane Pereira do Nascimento,
respondendo como um dos sócios-proprietários e diretor responsável do
jornal A Crítica, tinha como obrigação a de registrar a editora e o jornal no
Cartório competente do Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Esse
procedimento eu não adotei, tornando o "jornal" clandestino, segundo
exigência do artigo 11 da lei 5250/67, que doutrina e determina os
procedimentos corretivos às empresas que porventura não tenham o
referido registro, no seu artigo 10 "A falta do registro das declarações
exigida no artigo anterior, ou averbações de alteração, será punida com
multa que terá o valor de meio a dois salários mínimos da região".
§ 1º - A sentença que impuser a multa fixará prazo não inferior
a 20 dias, para o registro ou alteração das declarações.
§ 2º - A multa será liminarmente aplicada pela autoridade
judiciária cobrada por processo executivo, mediante ação proposta
pelo Ministério Público, depois que, marcada pelo juiz, não for
cumprido o despacho.
§ 3º - Se o registro ou alteração não for efetivado no prazo
referido no § 1º deste artigo, o juiz poderá impor uma nova multa,
agravando-a de 50% (cinqüenta por cento) toda vez que seja
ultrapassada de dez dias o prazo assinado da sentença.
Pois bem, eram estas as exigências que deviriam constar no pedido
processual do promotor Alex Nunes de Figueiredo. Porque a autoridade
judiciária não atentou para cobrar do responsável pelo jornal A Crítica a
observança da lei? Ocorre aqui que, está comprovado um atentado contra
a liberdade de imprensa, praticado em nome dos que Benjamim Franklin
apropriadamente os identificou de "traidores da coletividade". E digo
mais, nesta ocasião, não estava se tratando de arbitrar uma correição a
um infrator da lei, mas através de métodos torpes, pretendiam tornar uma
pessoa socialmente correta, na figura de um criminoso passivo de cometer
uma série de crimes.
Já, quanto ao comportamento dos "jornalistas" que se deliciavam
com as ocorrências, massificando-as através de seus artigos apócrifos,
ficaram mais que comprovadas as suas aleivosias.
Desse modo, após ser acatada a liminar que impediu o jornal A
Crítica de Rondônia de circular, se fez necessária uma Carta Aberta, que
foi distribuída no município e região circunvizinha:
Antes de qualquer coisa, dirigir-me-ei a vós para lembrá-los de
uma pequena introdução "Nós, representante do povo brasileiro, reunidos
em Assembléia Nacional Constituinte para instituir o Estado Democrático,
destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a
liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a
justiça, como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e
sem preconceitos".
Seu conteúdo geral nos oferece a certeza de sermos um povo livre,
mas com responsabilidades. Na ausência deste contexto, nós que
simbolizamos o "povo" estamos sendo oprimidos. Vós que residem em
Cacoal, tenho algo que gostaria de dizer:
Envergonhem-se cacoalenses, vós os que estão acostumados a
improvisar na conivência, os que também silenciam diante das
perseguições, intimidações e ultimatos.
Envergonhem-se cacoalenses, vós os que dão honra aos que
saqueiam o erário público, mesmo sendo sabedores que os larápios estão
roubando o que vos pertence.
Envergonhem-se cacoalenses, vós os que estão protegidos pelo
manto da Justiça e que praticam atrocidades irreparáveis aos cidadãos
de bem; protegendo os que são hostis, desordeiros, biltres, cafajestes e
canalhas.
Envergonhem-se cacoalenses, vós os que não tendes os direitos
sociais e individuais assegurados, pois há dentre o teu povo, aqueles que
se infiltraram sorrateiramente nas instituições democráticas para acuar,
tocaiar e proteger "direitos" alheios.
Envergonhe-se Cacoal, porque o direito à liberdade de tua gente é
desigual, somente pertence àqueles que se submetem aos atos covardes
e na cumplicidade de delitos.
Envergonhe-se Cacoal, porque a tua segurança pública está sendo
usada apenas para alguns infames fazerem palanque político.
Envergonhe-se Cacoal, porque o bem-estar não é dos que trabalham
honrosamente, pertence aos que sabem defraudar e participar em
conchavos.
Envergonhem-se cacoalenses, porque o desenvolvimento só é
conseguido a passos lentos e os custos são triplicados.
Envergonhem-se cacoalenses, pois não tem como falar de valores
supremos e sociedade fraterna na vossa cidade, porque esse torrão tem
sido contaminado pelo câncer do preconceito e vergonhoso corporativismo,
eximindo o pluralismo e igualdade.
Envergonhe-se Cacoal, pois é aqui que nossa Constituição estar
sendo desconsiderada e os direitos constituídos estão sendo tolhidos,
com intuito de proteger bandidos.
Contudo, existem aqueles que te honra, Cacoal, trabalhadores
honestos, homens honrados, justos leais e retos, a estes eu darei mil
vivas, por predominar sobre os cancerígenos.
Está é uma carta-aberta do diretor responsável do jornal A Crítica
de Rondônia, Jeovane Pereira do Nascimento, a todos os cacoalenses,
para lembrá-los de que o texto a que se refere esta introdução acima
citada foi homologado desde 1988, no entanto, existem aqueles que
persistem em pisoteá-lo.
CAPÍTULO X

NINGUÉM PODE ALEGAR DESCONHECER A LEI


O trabalho de um jornalista sério é informar com autenticidade, ter
conhecimento do que vai informar e possuir uma boa ética profissional.
Os jornalistas não criam fatos, eles apenas divulgam-nos, mesmo porque,
redação de jornal não é "laboratório" de notícias. Com base na aplicação
destes princípios, temos a comprovação da existência dos bons
profissionais que militam na imprensa.
Como a lei é falha, no sentido estrito da palavra. Para um bom
funcionamento do Estado de Direito, precisaríamos de políticos bem
intencionados, boa ética por parte dos nossos representantes do Poder
Judiciário, legisladores qualificados e representantes cuidadosos e
comprometidos com o bem-estar da comunidade.
Desse modo, quando resolvi constituir a Editora Gráfica a Crítica
Ltda. - ME, procurei um contador para fazer valer meu direito de empresariar
perante as instituições comerciais e um advogado, para estabelecer os
termos jurídicos da referida atividade comercial.
Quero deixar claro que eu não estou querendo transferir culpas,
tanto é verdade que vou preservar os nomes dos profissionais que estavam
responsáveis por me fornecer as informações e ditames referentes à
atividade de minha empresa. Em momento algum, desde que passamos
a circular o jornal (aos 18 de abril do ano 2000), até a data que saí da
prisão (aos 27 de março do ano 2002), tive qualquer conhecimento da
existência das exigências do registro de minha empresa perante o Cartório
das Pessoas Jurídicas, para poder editar o jornal A Crítica de Rondônia.
Todas as providências necessárias a serem adotadas, e que chegaram
ao meu conhecimento, eu fielmente as providenciei para que fossem
adotadas. Tanto é verdade que, a Editora Gráfica A Crítica Ltda. - ME,
estava devidamente inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica,
registrada na Junta Comercial de Rondônia, tinha seu Alvará de
Funcionamento no município de Cacoal e registro no Cadastro de Empresa
Prestadora de Serviço no município de Cacoal, o código da descrição da
atividade econômica, contava como objetivo social, a edição de jornais,
revistas, livros e periódicos.
Quando passamos a editar o jornal, deveria ter sido informado pelo
advogado responsável pelos ternos jurídicos da empresa, sobre a lei 5.250/
97, que regulamenta a liberdade de manifestação do pensamento e de
informação, que exige no seu artigo 11, o registro no Cartório de Pessoa
Jurídica, para tornar a atividade do jornal A Crítica de Rondônia plenamente
legal.
Essa informação eu não recebi do nosso advogado, só fui saber da
exigência do referido registro quando saí da prisão e procurei orientação
jurídica adequada, descobrindo um pouco tarde, o quanto fui ingênuo e ao
mesmo tempo descuidado, por ter me lançado na realização de um
trabalho que só tinha conhecimento superficial.
Hoje, devidamente informado, posso comentar sobre alguns pontos
da lei 5.250/67.
RESPONSABILIDADE DE REGISTRAR E FISCALIZAR
Cabem às delegacias Regionais do Trabalho, fiscalizar as empresas
caso estejam elas adequadas ou não à determinação da lei 5.250,
possuindo ou não, o devido registro no Cartório de Pessoa Jurídica (desde
a fundação da empresa, eu nunca recebi qualquer visita dos fiscais da
DRT). Não sei se por descuido, má interpretação da lei ou o despreparo
dos profissionais dessa instituição, em Rondônia, 90% ou numa maior
proporção, os que compõem a imprensa alternativa, estão irregulares
perante a lei (acredito que em todo o país esteja ocorrendo este problema).
Explico-me:
Espera-se que os cartórios de Registro de Pessoas Jurídicas ao
fazerem o registro do jornal, devam também, exigir o registro da gráfica ou
editora onde será impresso esse jornal, mesmo que essa empresa seja
de propriedade de quem vai editar o jornal.
Não havendo essa observância, segue a esses detalhes, uma série
de equívocos (irregularidades).
No parágrafo II, da lei 5.250, trata do referido registro.
Artigo 8º. - Estão sujeitos a registros no cartório competente do
Registro Civil das Pessoas Jurídicas:
I - os jornais e demais publicações periódicas;
II - as oficinas impressoras de qualquer natureza, pertencente a
pessoas naturais ou jurídicas;
IV - as empresas que tenha por objetivo o agenciamento de notícias.
Artigo 9º. - O pedido do registro conterá as informações e será
instruído com os seguintes documentos:
I - no caso de jornais ou demais publicações periódicas;
a) título de jornal ou periódico, sede da redação, administração e
oficinas impressoras, esclarecendo quanto a estas, se são próprias ou
de terceiro, indicando, neste caso, os respectivos proprietários;
b) nome, idade, residência e prova de nacionalidade do diretor ou
redator-chefe;
c) nome, idade, residência e prova de nacionalidade do proprietário;
d) se propriedade de pessoas jurídicas, exemplar do respectivo
estatuto ou contrato social e nome, idade, residência e prova de
nacionalidade dos diretores, gerentes e sócios da pessoa jurídica
proprietária;
II - no caso de oficinas impressoras:
a) nome, nacionalidade, idade, residência do gerente e do
proprietário, se pessoa natural;
b) sede da administração, lugar, rua e número onde funcionam
as oficinas e denominação destas;
c) exemplar do estatuto ou contrato social, se pertencentes a
pessoa jurídica...
Parágrafo único - As alterações me qualquer dessas declarações
ou documentos deverão ser averbadas no registro no prazo de 8 dias.
A não observância das exigências relacionadas acima, incorre na
norma corretiva do artigo 11º. "Considera-se clandestino o jornal ou outra
publicação periódica não registrada nos termos do artigo 9º, ou cujo registro
não conste o nome e qualificação do diretor e do proprietário".
Acontece que algumas das oficinas gráficas não possuem este
registro no Cartório das Pessoas Jurídicas e o cartório, ao registrar os
jornais, acaba que recebendo apenas as demais exigências, esquecendo-
se do registro da gráfica ou da editora.
Cabendo às Delegacias Regionais do Trabalho, o dever de fiscalizar
se os jornais têm o referido registro, até mesmo, se as alterações em
qualquer dessas declarações ou documentos estão sendo averbadas no
prazo de 8 dias.
REGULAMENTAÇÃO E FISCALIZAÇÃO
DA PROFISSÃO DE JORNALÍSTICA
Embora o parecer da juíza federal Carla Rister já ter sido citado no
início desse documentário, formatarei meu entendimento no Decreto-lei
nº. 972, estabelecido aos 17 de outubro do ano 1969, e que dispõe sobre
o exercício da profissão de jornalista no Brasil.
No seu artigo 13, consta - A fiscalização do cumprimento dos
preceitos deste Decreto-lei se fará na forma do artigo 626 e seguintes da
Consolidação das Leis do Trabalho sendo aplicável aos infratores multas,
variável de um a dez salário-mínimo vigente no país.
Parágrafo único - Aos Sindicatos de jornalistas incumbe representar
as autoridades competentes acerca do exercício irregular da profissão.
Portanto, consta nesse Decreto-lei algumas especificações das
quais irei colar a seguir:
Artigo 1º. - O exercício da profissão de jornalista é livre, em todo o
território nacional, aos que satisfazerem as condições estabelecidas neste
Decreto-lei.
Artigo 2º. - A profissão de jornalista compete, privativamente, o
exercício habitual e remunerado de qualquer das seguintes funções:
a) redação, condensação, titulação, interpretação, correção ou
coordenação de matéria a ser divulgada, contenha ou não comentário;
b) comentário ou crônica, pelo rádio ou televisão;
c) entrevista, inquérito ou reportagem, escrita ou falada;
d) planejamento, organização, direção e eventual exercício de
serviços técnicos de jornalismo, como os arquivos, ilustração ou
distribuição gráfica de matéria a ser divulgada;
e) planejamento, organização e administração técnica dos
serviços de que trata a alínea "a";
f) ensino de técnica de jornalismo;
g) coletas de notícias ou informações e seu preparo para
divulgação;
h) revisão de originais de matérias jornalísticas, com vista à
correção redacional e a adequação de linguagem;
i) organização e conservação de arquivos jornalísticos, e
pesquisas dos respectivos dados para a elaboração de notícias;
j) execução de distribuição gráfica de texto, fotografia ou
ilustração de caráter jornalístico, para fins de divulgação;
l) execução de desenhos artísticos ou técnicos de caráter
jornalístico.
Artigo 3º. - Considera-se empresa jornalística, para os efeitos deste
Decreto-lei, aquela que tenha como atividade a edição de jornal ou revista,
ou a distribuição de noticiário, com funcionamento efetivo, idoneidade
financeira e registro legal.
§ 3º. - A empresa não-jornalística sob cuja responsabilidade se
edita publicação destinada a circulação externa, promoverá o cumprimento
desta lei relativamente aos jornalistas que contratar, observando, porém,
o artigo 8º. § 4º. "O exercício da atividade prevista no artigo 3º. § 3, não
constituirá prova suficiente de permanência na profissão se a publicação
e seu responsável não tiverem registro legal (a DRT de Rondônia expede,
desde sua fundação, registro provisionado, artigo 4º. c, e na forma do
artigo 12º.)", e a maioria dos jornais da imprensa alternativa, têm como
seus responsáveis, pessoas que adquiriram esse registro provisionado.
Sendo que, o registro do diretor responsável, só é recepcionado no artigo
4º, do Decreto-lei 972/69 - O exercício da profissão de jornalista requer
prévio registro no órgão competente do Ministério do Trabalho e Previdência
social, que se fará mediante a apresentação de:
I - prova de nacionalidade brasileira;
II - folha corrida;
III - carteira profissional;
IV - declaração de estágio em empresa jornalística;
V - diploma de curso superior de jornalismo, oficial ou
reconhecido registrado no Ministério da Educação e Cultura ou em
instituição por este credenciada, para as funções relacionadas nas
alíneas de "a" a "g" no artigo 6º.
E no artigo 5º. - Haverá, ainda, no mesmo órgão, a que se refere o
artigo anterior, o registro dos diretores de empresas jornalísticas que,
não sendo jornalistas, respondam pelas respectivas publicações.
Portanto, mesmo a empresa fazendo seu registro "legal" (que é
muito difícil, por conta dos já mencionados "equívocos" que ocorre nos
Cartórios de Pessoas Jurídicas), as Delegacias Regionais do Trabalho,
só poderia emitir as "carteirinhas provisionadas", se o diretor
responsável pelo jornal, mesmo não sendo jornalista, tenha feito seu
registro amparado no artigo 5º. do Decreto-lei 972, ou um jornalista que
tenha registro na Delegacia do Trabalho e que tenha feito curso superior e
que corresponde usufruir as prerrogativas relacionadas nas alíneas de "a"
a "g", do artigo 6º.
"Carteiras de jornalistas provisionadas não podem recepcionar a
emissão de uma outra carteira provisionada, e isso vem ocorrendo desde
muito tempo".
Outra irregularidade, "equívoco", refere-se ao conteúdo no artigo
3º. § 2º - O órgão da administração pública direta ou autarquia que mantiver
jornalista sob vínculo de direito público, para fins de registro, a declaração
de exercício profissional ou de cumprimento de estágio. Se as Delegacias
Regionais do Trabalho, além de cobrar a documentação referente ao
estágio, verificasse se de fato ocorreu esse estágio, vai encontrar uma
série de carteiras provisionadas de forma irregular.
E o que dizer do Sindicato dos jornalistas, porque não cumpre sua
função determinada, a saber: Parágrafo Único - Aos Sindicatos de
jornalistas incube representar as autoridades competentes acerca do
exercício irregular da profissão.
Eu como um dos sócios-proprietários da Editora Gráfica A Crítica
Ltda. - ME e diretor responsável pelo jornal A Crítica de Rondônia, afirmo,
nunca ter recebido qualquer visita no meu estabelecimento comercial do
representante do Sindicato dos jornalistas. Onde e o que estava fazendo
Eli Batista, delgada do Sindicato, que não fiscalizou minha empresa?
Mas que soube defender seus interesses para preservar o trabalho que
realizava na Prefeitura, quando deu seu depoimento contra o autor aos
promotores de Cacoal.
Se de fato ocorre todo tipo de irregularidade no estado de Rondônia,
porque somente o jornal A Crítica recebeu o extremo rigor da lei?
Aqui, uma vez mais, está constatada a perseguição que sofri e
consequentemente, um atentado contra a liberdade de expressão.
Conseqüência da existência de pessoas mal-intencionadas, profissionais
desqualificados, a ausência da boa ética por parte dos nossos
representantes do poderes constituídos, assim com, dos meus descuidos.
CAPÍTULO XI

A JUSTIÇA TARDA E FALHA


Iniciarei este capítulo me reportando ao ano 2002, nesse ano
aconteceu do agricultor Luiz Mariano de Souza ser preso na cidade de
Palmeira dos Índios, no estado de Alagoas (processo nº. 00798.000364-
0). Um despacho assinado em Cacoal constava que, em anos anteriores,
na área rural do município de Cacoal, esse agricultor assassinou sua
amásia. Luiz Mariano o tempo todo alegava sua inocência, foi comprovado
que ele se quer conhecia a cidade de Cacoal, ou teria algum dia saído da
região onde sempre morou.
Posso imaginar o constrangimento que esse agricultor e sua
família sofreram. A humilhação e o sentimento de inutilidade diante de
uma injustiça e nada poder fazer. Um homem simples e trabalhador,
honesto, sem posses, mas digno, e seus familiares impossibilitados de
fazer algo contra tamanha arbitrariedade. Eu disse poder imaginar a dor
que o agricultor Luiz Mariano sentiu, porque, também já fui vitimado por
essas anomalias jurídicas. Posso até garantir que não existe antálgico
capaz de amenizar a dor sofrida.
Depois de noventa dias presos, ter sido transferido como criminoso
da cidade de Palmeira dos Índios para o município de Cacoal, no episódio
aconteceu um desfeche insólito: foi constatado que o nome do agricultor
não era nem mesmo idêntico ao do dito criminoso procurado pela Justiça.
No seu pedido de habeas corpus aos procuradores do estado de
Rondônia, foi manifestado o constrangimento ilegal ao agricultor. Seu
advogado Everaldo Damião da Silva informou que o juiz que decretou a
prisão do Luiz Mariano o tinha feito em total discordância com a Lei, com
a Doutrina e com a Jurisprudência brasileira.
Uma das maiores gafes jurídicas ocorridas no estado de Rondônia,
ao menos esta foi a que eu tomei conhecimento, mas não descarto a
possibilidade de ter existido até piores, de nada posso duvidar depois do
que me aconteceu.
Aos 15 de março do ano 2002, eu fui preso inocentemente, em
seguida me foi negada a correção dessa injustiça quando foi indeferido o
meu pedido de revogação da prisão. Após 12 dias trancafiados, um habeas
corpus restaurou a brutalidade ocorrida comigo, restaurou em parte.
Um fato que me deixou melindrado, foi quando um juiz sugeriu a
retirada nos autos do CD-ROM que comprova a autenticidade das notícias
que nosso jornal divulgava, alegando não ser possível a degravação por
parte da Polícia Técnica local. Foi então que eu enviei um ofício ao Instituto
de Criminalística, Porto Velho, seu diretor Edílson Gomes de Oliveira, me
confirmou que aquela instituição tinha, sim, condições de realizar a
degravação. E só depois de informado da resposta ao ofício enviado ao
diretor do Instituto de Criminalística, o juiz remeteu o CD àquele órgão
para que fosse degravado.
Outro fato ainda mais grave me aconteceu em junho do ano 2003,
após ser condenado no processo nº 0007.01.006667-1. Solicitei parecer
de um advogado sobre os procedimentos que foram adotados e que me
conduziram àquela condenação.
PARECER DO ADVOGADO
Nota-se pelo relato de ambos, que foi o apelado (Azambuja) quem
iniciou a provocação inicial em face do apelante (o autor). Ele mesmo
afirmanoseudepoimento:“...Do meu conhecimento , o que falei em
câmara, entendo que jamais poderiam gerar as matérias publicadas
pelo réu na sua imprensa.” Ora, quem chama um jornal periódico de
QUAZE JORNAL, FOLHETIN, ETC., também está praticando um ato lesivo
à pessoa do diretor responsável, não se pode ignorar que o apelante agiu
por violenta emoção após a injusta provocação da vítima, que além de
não honrar com ele os seus compromissos financeiros, ainda fez chacota
pública de seu periódico, utilizando-se da tribuna de uma casa de leis, e
tudo isso com ônus público.
A inviolabilidade dos atos e palavras do vereador, amparados pela
norma suprema, tem como escopo, que se respeite os princípios que
norteiam a administração pública, como moralidade e legalidade, entendidas
aqui como moral jurídica e o respeito à norma jurídica em sentido estrito,
do qual o homem público não poderá se afastar, sob pena de ser corrigido
pelo poder judiciário, como o apelado desviou-se desse caminho, atacando
pessoalmente o apelante, não poderá exigir deste, conduta diversa, pois
também praticou contra ele “danos morais financeiros irreversíveis”, sendo
legítima a sua defesa (contra-ataque).
É interessante notar, que o eminente juiz, absolveu o apelante da
prática do crime de calúnia (art. 20 da lei de imprensa). Se o julgador
fixou entendimento que o apelante não praticou o crime de calúnia, deixa
super entendido que o apelante não faltou com a verdade em suas
declarações.
Quanto à análise da condenação dos crimes de Difamação e
Injúria, tenho a dizer, pois bem, inicialmente o que vem a ser difamação:
“é a imputação a alguém de fato ofensivo à sua reputação”. Imputar –
o mesmo que atribuir. É lógico que a matéria publicada não deixa de ser
ofensiva, entretanto, não julgo tratar de atribuição, pois nela há nexo da
casualidade, de verdade, conforme provas dos autos.
Sobre a injúria – diz a Jurisprudência – “Não há injúria se a
manifestação do agente representa de algum modo, o exercício
regular de direito ou o cumprimento de dever jurídico, com a intenção
de defender-se, corrigir, disciplinar ou consultar” (TAC, RT 540/320).
Assim, considerando o contexto em que as expressões foram
empregadas, e não essas isoladamente, não se pode tê-las por injuriosas,
pois a intenção do apelante foi tão somente exercer seu direito de resposta,
contra-atacar a ofensa a si imputada”. Portanto, inexiste fundamentação
legal para a condenação.
Por outro lado, vulnerou o ilustre magistrado ao afirmar em sua
sentença que, “... ressalta-se que tal prática, segundo o noticiado pelos
documentos as fls. 134-160, é parte do modo de vida do réu, que se
utiliza do jornal A CRÍTICA, de sua propriedade, para extorquir
dinheiro de políticos”. E justifico, ao declinar tal afirmação, o ilustre
magistrado, terminou por assinar o seu impedimento para julgamento de
ação em que o apelante é acusado da prática de extorsão, pois terminou
por fazer um PRÉ-JULGAMENTO do processo nº 007.02.002426 – 2,
cujo pedido principal ainda está em senda cível. Por outro lado, feriu o
ilustre juiz o princípio da presunção da inocência, por não existir sentença
transitada em julgado, capar de corroborar o fato que o apelante tenha
praticado delito semelhante, delimitando seja este o seu modo de vida.
Diante deste parecer, solicitei os serviços do advogado João
Francisco Pinheiro de Oliveira, no recurso de Apelação, que foi protocolado
aos 21 de junho do ano 2003.
Na apelação foi exposta uma pré-determinação do juiz na
condenação, independente do que constasse nos autos. Dessa forma, o
tal juiz retroagiu a data de sua sentença condenando-me também, no
processo de nº 007.02.002426-2, ou seja, num único dia, fui julgado e
condenado em dois processos pelo mesmo juiz, só que fui receber
condenatório desse último processo aos 16 de julho. Portando, 25 dias
após ter recebido o do primeiro, onde o advogado João Francisco
demonstrou e expôs suas falhas (má-intenção).
Esse mesmo juiz, certa feita, me ameaçou dar voz de prisão,
caso eu usasse a câmera fotográfica que portava em qualquer das
instalações de seu Fórum.
Tanto o agricultor Luiz Mariano, citado no início deste capítulo,
que foi preso de maneira injusta, quanto a minha prisão ilegal, o parecer
indeferido ao pedido de revogação da minha prisão preventiva, quem me
condenou simultaneamente nos processos nº. 0007.01.006667-1 e no de
nº. 007.02.002426-2 (retroagindo a data) e a ameaça da voz de prisão,
foram episódios concebidos pelo juiz Carlos Augusto Teles de Negreiros.
DIA DA IMPRENSA
No dia 10 de setembro do ano 2003, três meses após ser
impetrado o recurso de Apelação ao Tribunal de Justiça de Rondônia,
com efeito suspensivo da decisão imposta pelo juiz de primeira instância,
foi comemorado o Dia da Imprensa, data em que o jornal Estadão do
Norte fez circular uma no Caderno dos Municípios, a seguinte matéria:
FALSÁRIO CONDENADO – chamada de capa – e na matéria
ficou intitulada – FALSO JORNALISTA CONDENADO.
Cacoal – Sentenças registradas sob números 79/03 e 80/03
resultou na condenação do falso jornalista Jeovane Pereira do Nascimento
pela prática do crime tipificado na Lei de Imprensa e no Código Penal.
Somadas as duas condenações, a pena pode chegar a quatro anos de
prisão.
O acusado era responsável pela publicação do jornal que
funcionava clandestinamente, usado como instrumento para extorquir e
ameaçar empresários, políticos, profissionais liberais e servidores públicos.
Ele chegou a ser preso em 15 de março de 2003, após ter sido denunciado
pela prática dos crimes de extorsão, chantagem, calúnia e difamação.
Na época, Jeovane Pereira do Nascimento dizia abertamente que, caso
não fosse atendido em suas exigências, usaria o jornal para expor de
forma negativa sua vítima.
As vítimas tinham por regra o silêncio. “Não foi fácil conseguir os
primeiros depoimentos contra Jeovane Pereira, que tinha como arma o
próprio jornal, que intimava as pessoas e ameaçava publicar matérias
negativas contra elas, caso não aceitassem suas propostas”, afirmou o
representante do Ministério Público.
Após algumas vítimas terem procurado o Ministério Público para
denunciar as ameaças, as vítimas foram orientadas a gravar as invertidas
do falso jornalista. Várias fitas foram entregues ao Ministério Público que
ofereceu denúncia, após ter constatado que as práticas adotadas pelo
réu colocavam em risco a segurança da sociedade, afrontavam o estado
de direito e a democracia. Segundo os Promotores, não se trata d cercear
o direito de imprensa, “mas de resgatar a dignidade dos bons profissionais
da área, que não concordam com esse tipo de comportamento em
sociedade”.
Na sentença o juiz afirma que o réu era plenamente imputável e
tinha pleno conhecimento da ilicitude dos atos, logo, exigia-se-lhe conduta
diversa, presente assim os elementos integralizadores da culpabilidade,
pressuposto da punibilidade. O juiz afirma que o réu Jeovane Pereira do
Nascimento possui personalidade de pessoa inadaptado socialmente,
“eis que possui personalidade voltada à prática de crime contra a honra,
utilizando-se, para tanto, do jornal que editava”.
Desse modo, uma vez mais, foi constatada a perfídia dos artigos
apócrifos, escritos por pseudo-jornalistas que militam na imprensa de
Rondônia.
Não compreendo por nenhuma forma de entendimento, como um
jornal que possa ser considerado sério, mantém por tanto tempo uma
pessoa despreparada, sem ética profissional, tendenciosa e da estirpe
da “jornalista” Edna Mendes dos Reis Okabayashi.
Optei por copiar essa matéria na sua íntegra, com seus erros e
acertos gramáticos, porque a seguir formatarei em negrito alguns dos
disparates que constatei e que passo a dissecar:
“Usando o jornal como instrumento para extorquir e ameaçar
empresários, políticos, profissionais liberais e servidores públicos”.
Nesse processo consta Edna Mende dos reis Okabayashi, Sueli Alves
Aragão e João Carlos Passarelo, como os prováveis extorquidos; onde
estão as provas e quem são os empresários, políticos, profissionais liberais
e servidores públicos que estavam sendo extorquidos? A bem da verdade,
é preciso dizer aqui que eles não existem.
“Chegou a ser preso em março do ano 2003”. A minha prisão
preventiva foi decretada em março do ano 2002, a data na matéria fazendo
constar que foi em 2003, era para que o leitor ficasse com a impressão
que eu teria sido preso no início daquele ano.
“Não foi fácil conseguir os primeiros depoimentos contra
Jeovane Pereira, que tinha como arma o próprio jornal, que intimidava
as pessoas e ameaçava publicar matérias negativas contra elas, caso
não aceitassem suas propostas, afirmou o representante do Ministério
Público”. Essas declarações foram feitas pelo promotor Ivanildo de Oliveira,
quando da minha prisão cautelar no ano 2002. É interessante notar que
no ano que foi publicada essa matéria no jornal Estadão do Norte, aos 10
de setembro do ano 2003, o promotor Ivanildo já tinha sido transferido
para Porto Velho. Portanto, não existiu um promotor que deu essas
declarações em 2003, essas afirmações fantasiosas foram criadas por
Edna Medes Okabayashi, plagiando as reportagens divulgadas no ano
2002.
“As vítimas foram orientadas a gravar as invertidas do falso
jornalista. Várias fitas foram entregues ao Ministério Público”. Nos
autos consta apenas uma fita com montagem do áudio de uma conversa
comercial que eu tive com a própria Edna Mendes Okabayashi. Várias
fitas foram entregues? Se não existem vítimas e se Edna foi orientada a
gravar nossa conversa e depois fazer uma montagem, fica constatado
que ouve realmente um plano arquitetado bem antes, quando o cerco ao
autor teve início. Aqui, ficou devidamente demonstrado mais um ato insano,
proveniente de uma mente que inspira cuidados.
Concluindo minha análise dessa matéria, fica registrado:
Ora, é lógico que o juiz não encontro nenhum prova verídica,
testemunhas fiéis de suas palavras serem achadas verdadeiras ou qualquer
indício comprobatório arrolados nos autos, e sendo seu desejo culpar um
inocente, amparou-se no “direito” de diagnosticar desajustes psíquicos.
“As práticas adotadas pelo réu colocavam em risco a segurança da
sociedade, afrontavam o estado de direito e a democracia. O juiz
afirma que o réu Jeovane Pereira do Nascimento possui personalidade
de pessoa inadaptado socialmente, eis que possui personalidade
voltada a prática de crimes contra a honra”. Aonde no ramo do direito
cabe um diagnóstico psicológico feito pela autoridade judiciária, para
demandar a culpabilidade de uma pessoa? Ao menos vestígios técnicos
de “desajustes psíquicos” precisam ser trazidos aos autos para que sejam
analisados. Eu colocava em risco a segurança da sociedade, afrontava o
estado de direito e a democracia? Não seriam estas “constatações” por
demais exacerbadas? Outrora foi dito: “O direito exige história
verdadeira, fatos provados, flagrantes realizados, ocorrência policial
registrada, testemunhas isentas, depoimentos verdadeiros e todo um
ritual amparado na legalidade, para que um magistrado possa
vislumbrar a culpabilidade de uma pessoa que esteja envolvida em
crimes”. Isso porque não vou me ater à dosemétria da pena que me foi
imposta: uma dosagem com o extremo rigor da lei.
Quando fui intimado a apresentar defesa no prazo de cinco dias,
no processo que o Ministério Público estava requerendo que fosse acatada
a liminar que suspendeu a atividade do jornal A Crítica de Rondônia e
posterior dissolução da Editora Gráfica A Crítica Ltda. – ME, que recebi a
notificação na sexta-feira, e só depois de bater na porta de vários
advogados, inclusive solicitado à OAB, que me indicasse um advogado
para que pudesse me representar, todos onde me apresentei se negaram
a me defender, alegando não querer se comprometer perante os membros
do Ministério Público e do Judiciário, justificando-se por dizer que eram
notórios o estado de animosidade existente entre eu e alguns membros
desses poderes. Foi então que resolvi preparar minha defesa, onde mostrei
que o pedido do Ministério Público em querer suspender a atividade do
jornal A Crítica consistia num abuso, pois a lei 5.250 estava homologada
desde 1967, e no seu artigo 10 regula e determina as sanções pertinentes
às empresas que estiver em falta com o registro no Cartório competente
das Pessoas Jurídicas.
Minha defesa foi considerada ilegítima, por eu não possuir direitos
que permitissem me representar pessoalmente perante uma autoridade
judiciária. Fui julgado à revelia, pelo juiz Nelson Dagmar Ferrer, minha
defesa retirada dos autos e foi acatada a liminar que suspendeu a circulação
do nosso jornal.
Outros dois fatos dignos de nota aconteceram quando foi
solicitada minha situação perante as entidades da ADJORI e SINJOR. A
resposta da Associação dos Diretores dos Jornais do Interior de Rondônia,
presidida por Osias Labajos, ao requerimento da Promotoria, informava
que o autor não pertencia àquela agremiação e insinuava não compreender
o porquê do jornal A Crítica ainda está circulando. Esse documento foi
prontamente recebido pelos promotores e anexado nos autos. O
documento do Sindicato dos jornalistas de Rondônia, presidido pelo
jornalista Carlos Sperança (gigante da imprensa rondoniense), informava
que o autor não era associado ao Sindicato, mas que aquele presidente
dava conta do despacho da juíza federal Carla Abrantkoski Rister, da 16ª
Vara Cível de São Paulo, que suspendeu em todo o país a obrigatoriedade
do diploma de jornalista para obtenção do registro profissional no Ministério
do Trabalho. A resposta do presidente do SINJOR foi prontamente
desconsiderada pelos promotores.
Certa ocasião no mês de junho do ano 2002, fui a Porto Velho
fazer uma visita de cortesia e agradecer ao ilustre advogado Tadeu
Fernandes, os excelentes préstimos ao autor. Aproveitei da ocasião e fui
concretizar o que havia proposto fazer no ano anterior: apontar o triunfo
da ilegalidade nos corredores da Justiça. Solicitei ao advogado Tadeu
Fernandes que me indicasse um dos advogados de sua banca para me
acompanhar, e me convidei a comparecer perante o corregedor geral do
Ministério Público, Abdiel Ramos Figueira. Seu secretário, promotor
Amadeu Sikorski Filho, foi o indicado a ouvir meu depoimento e depois
me pediu para que eu fizesse as denúncias por escrito. Informei-lhe que
as “denúncias” que os promotores cacoalenses estavam fazendo contra
minha pessoa baseavam-se em declarações de supostas vítimas, que
eram declarações forjadas para tentar me incriminar, testemunhas falsas
de pessoas que tinham se sentido ofendidas com as verdades que
publicávamos, tornado-se meus desafetos. Essas declarações eram
recebidas pelos promotores, como sendo de supostas vítimas, inclusive
com a boa aprovação dos “fiscais das leis”, que também tinham se tornado
meus desafetos. Lhe perguntado, porque meu depoimento verbal não era
aceito? Fiquei sem a resposta para essa pergunta, assim como foi
asseverado o pedido para que as denúncias fossem feitas por escrito.
Assim, voltei para Cacoal com as mãos vazias, prometendo
retornar com a papelada. Não voltei! Mas enviei um calhamaço de papel
via postal (AR/mão própria). Dessa forma, somente o corregedor ou alguém
indicado por ele, poderia receber aqueles papeis, e fiquei aguardando o
corregedor Abdiel Ramos se pronunciar, fato esse que, nunca aconteceu.
Depois de muito tempo esperando, fique sabendo que o corregedor
geral do Ministério Público estaria fazendo uma visita de correição ao
município de Cacoal, e o procurei perguntando-lhe, pessoalmente, quais
as providências que estavam sendo tomadas? E quis saber o porquê da
demora com as providências. O corregedor me informou que estava fazendo
uma averiguação dos documentos e que logo se manifestaria sobre o
caso. Fiquei esperando as tais providências até o final do ano 2003, quando
da sua saída, substituído por outro corregedor. Hoje, tenho certeza, vou
ficar esperando a minha vida toda pelas providências. Por tal omissão do
corregedor do Ministério Público bem poderia ser cobrada uma
responsabilidade por prevaricação. Se algumas providências tivessem sido
tomadas pelo corregedor, muitas das mazelas praticadas pelos promotores
cacoalenses poderiam ter sido evitadas.
Foi então depois de muito tentar, com todas as minhas forças,
que decidi esperar a “avalanche” passar, sem espernear. Resolvi não dar
mais um passo em busca de justiça ou tentar justificar os equívocos
(maldades), que estavam cometendo contra minha pessoa. Após essa
decisão, quando era convocado pelo Poder Judiciário, passei a comparecer
sozinho às audiências, os juízes é quem se encarregavam de nomear um
defensor público, mesmo porque, meu pequeno patrimônio já tinha ido
ralo abaixo. Parei definitivamente de me preocupar com aqueles processos.
Disse para mim mesmo “Que venha a avalanche!”.
Hoje me permito fazer uma reflexão: “Não seria nenhuma afronta
sugerir que, além dos costumeiros concursos para os que desejam
ingressar na magistratura, se exija também, exames psicológicos
periódicos para detectar qualquer deslumbramento ocasionado pelo elevado
peso e estresse que é colocado diante dos nossos magistrados, ou é
melhor aceitar passivamente que inocente paguem pelos desvios morais
e mentais dos cidadãos que estão protegidos pelo manto da lei?”.
As “más línguas” do povo (as que têm sempre razão), afirmavam
que um juiz foi depois devidamente recompensado pelos excelentes
préstimos que realizou para a chefa do Executivo municipal.
É-me difícil acreditar que os documentos transcritos a seguir
tenham co-relação, sendo esta uma comprovação da bonificação dos
“trabalhos” do juiz, quando o poder público foi usado para me acuar, tocaiar
e atacar.
ESTADO DE RONDÔNIA
PREFEITURA MUNICIPAL DE CACOAL
ADVOCACIA GERAL

Ofício nº. 117/AGM


Cacoal/RO, 6 de março de 2003.

Senhor prefeito,
Com os cumprimentos, venho por meio desse, mui respeitosamente, solicitar a Vossa Excelência
queaservidora ROSANA MATOS FERRER, seja cedida para compor o quadro de servidores da Procuradoria
deste município. Outrossim, informo ainda que o ônus ficará a cargo desta municipalidade.
Solicito ainda especial gentileza para que o ato produza efeitos a partir de 14/03/2003.
Sem mais para o momento, reitero votos de elevada consideração e apreço.

Atenciosamente
Sueli Aragão

Excelentíssimo Senhor
Carlos Camurça
DD. Prefeito da cidade de Porto Velho
Prefeitura Municipal de Porto Velho

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO


PROCURADORIA GERAL
Ofício 145/GAB/PGM/2003
Senhor Prefeita
Aos cumprimentos de Vossa Excelência, informamos que em atendimento ao ofício nº. 117/AGM/
Cacoal/RO, de 6 de março de 2003, com a devida autorização do Chefe do Executivo deste Município de Porto
Velho,acadênciadaservidora ROSANA MATOS FERRER, Procuradora do quadro desta Procuradoria
Geral ao Município de Cacoal, para que esta execute suas funções com ônus para esse Município.
Aproveito o ensejo para reiterar os protestos de distinta consideração e apreço por Vossa Excelência,
colocando-se ao inteiro dispor.
RONILSON DE PONTES GOMES
PROCUADOR GERAL DO MUNICÍPIO

Excelentíssima Senhora
SUELI ARAGÃO
DD. Prefeita do Município de Cacoal
Rua Anísio Serrão nº. 2.100/Cacoal/RO
ESTADO DE RONDÔNIA
PREFEITURA MUNICIPAL DE CACOAL
GABINETE DO PREFEITO
PORTARIA nº. 995/PMC/2002
A PREFEITA DO MUNICÍPIO DE CACOAL, no uso de suas atribuições legais e
considerando a Lei nº 1542/PMC/2.003.
RESOLVE:
I – Nomear, a partir de 10/03/03, a servidora ROSANA MATOS FERRER, portadora da
identidade 802.9595538 SSP/RS e CPF n. 522.864.520-91 PARA EXERCER O CARGO DE
ADVOGADA DO MUNICÍPIO – GABINETE – (a) mesma será lotada na ADVOCACIA GERAL DO
MUNICÍPIO.
II – Esta portaria entrará em vigor na data de sua publicação com efeitos legais e
financeiros retroativos a 10/07/03, como consta na Tabela III Símbolo II da Lei n. 1.542/PMC/
2.003.
Cacoal – RO, 11/08/03
SUELI ARAGÃO
Prefeita Municipal

Uma tramitação aparentemente inofensiva, mas que fere o Regime


Jurídico Estatutário do Servidor Público Municipal de Cacoal que, só permite
ceder servidores e em hipótese alguma, receber um servidor de outro
município com ônus para municipalidade cacoalense; sendo que a pessoa
em questão é a esposa do juiz Nelson Dagmar Ferrer, e foi nomeada
procuradora geral do município de Cacoal. Sem mencionar o grave erro
tramitatório do feito: uma servidora concursado em outra municipalidade
foi nomeada por Portaria, quando o tramite correto, se houvesse amparo
legal, a servidora deveria ser nomeada por Decreto.
Não há como refutar a existência de um número alarmante de
cidadãos refratários na magistratura brasileira, mas não será a permanecia
desses renitentes que vai abalar a briosidade do pátrio poder da Justiça.
Isso só não acontece porque a maioria dos juízes possui o mesmo gabarito
prestigioso do juiz Guilherme Ribeiro Baldan.
Quando foi preciso, dentro da lei, emitiu parecer desfavorável ao
jornal A Crítica de Rondônia, episódio em que um de nossos repórteres
se desviou da boa conduta ética que deve nortear os profissionais da
imprensa.
Sempre pautado na serenidade e seriedade, o referido juiz
determinou que fosse soltos o autor e os diretores do jornal Esteban Vera
e Idelfonso Antônio, e ainda que fossem devolvidos nossos materiais de
trabalho, quando percebeu que a atitude dos policiais não condizia com
um ao legal.
Durante todo o período que estava sendo obsidiado pelos “fiscais
da lei”, esse magistrado se manteve a parte e, só se fez presente quando
para assinar meu alvará de soltura, designando um oficial da Justiça ao
presídio de Cacoal.
Todos esses anos residindo em Cacoal, na soube que viesse
macular seu bom caráter, certamente, devidamente alicerçado sob elevado
valor moral.
Um juiz que faz jus a exigência da imparcialidade que deve
proceder a um membro do judiciário brasileiro.
Se a sociedade me delegasse poderes para conceder uma
honraria pelos préstimos do juiz Guilherme Ribeiro Baldan, eu não titubearia
em lhe conferir o mais elevado grau honorífico; esperando ainda que, iguais
a esse magistrado, seja composta a maioria dos que representam a Justiça
brasileira. Mesmo sabendo que é certo: “A Justiça tarda e falha!”.
Concluirei este capítulo, recorrendo a um fato histórico ocorrido
na Revolução Francesa, quando a recém formada República julgou
sumariamente e guilhotinou o rei Luiz XVI e o cientista Antoine Lavoisier.
Disse o rei: “Silêncio tambores, peço a palavra! Morro
perfeitamente inocente dos crimes dos quais me acusam. Absolvo todos
aqueles que são a causa da minha morte. E espero que meu sangue
possa cimentar a felicidade dos franceses”.
O cientista Antoine Lavoisier, quando estava sendo conduzido à
guilhotina, exclamou: “Cidadãos! Aceito minha condenação, embora me
considere totalmente inocente. Todavia, peço a este tribunal que me
conceda uma prorrogação do cumprimento da sentença. Antes de me
entregar às autoridades estava conduzindo interessantíssimas experiências
científicas sobre a respiração e transpiração do corpo humano. São
pesquisas de alto valor científico. Peço apenas a oportunidade para
concluí-las, de chegar ao resultado e contribuir com isso, ao
engrandecimento da minha pátria”.
A História nos torna cientes da inocência do cientista e da celebre
frase do promotor Fouquier Tinville, membro do Ministério Público acusador
do cientista: “A república não precisa de sábios!”.
CAPÍTULO XII

ESTÁ CONSUMADO
Aos 19 de junho do ano 2004, eu programei uma viagem que
pretendia ficar os meses de outubro ao dezembro no município de Vilhena.
Estava disposto a organizar e escrever um livro que falasse sobre os
acontecimentos comigo que foi vivenciado em Cacoal entre os anos 2000
ao ano 2004.
Em meados do mês de setembro daquele ano, próximo da data
de partida que tinha programado, fui visitado por um oficial da Justiça, que
trouxe consigo uma notificação para que eu comparecesse ao Fórum.
Essa intimação era para receber parecer condenatório em um dos meus
processos.
Quando decidi comparecer perante o juiz, fui disposto a aceitar
essa condenação (depois de ouvir um advogado que me aconselhou a
não recorrer às instâncias superiores, por ser amena essa condenação).
O juiz Fabiano Pegoraro Franco, recém chegado ao município de
Cacoal, julgou procedente o pedido dos promotores nos dois processos
que se tornaram um (autos nº. 007.02.004031-4), e expôs os motivos: “O
acusado apresenta bons antecedentes, eis que entendo apenas para ser
considerados como maus antecedentes, condenação criminal transitada
e julgada não geradora de reincidência; quanto à sua conduta social e
personalidade, nada foi trazidos aos autos, para que fossem consideradas
fora dos padrões de normalidade; os motivos e circunstâncias da prática
contravencional são comuns ao tipo apurados. Assim, fixo a pena em 15
(quinze) dias de prisão simples, em razão da circunstância da continuidade
delitiva, aumento a pena em 1/6 (um sexto), encontrando 17 (dezessete)
dias de prisão simples, tornando-a definitiva neste mesmo patamar, face
ao ausência de causas especiais ou circunstâncias modificadoras a serem
consideradas.
O regime inicial de cumprimento de pena será o aberto.
Não obstante os antecedentes do réu, com base no artigo 44, §
3º, do Código Penal, substituo a pena privativa de liberdade aplicada por
uma restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à
comunidade por igual prazo, nos termos do artigo 46 do Código Penal,
junto a entidade a ser designada pelo Juízo da Execução.
Ficou assim decidido. As 17 (dezessete) horas de serviços à
comunidade seriam realizadas na Casa dos Idosos e que, também, seria
respeitado o máximo de oito horas semanais.
Informei ao juiz Fabiano Pegoraro Franco, sobre uma viagem que
anteriormente havia programado e que minha ausência do município estava
prevista por dois meses. Perguntando-lhe, em seguida, se não era possível
adiar o cumprimento da pena para quando eu retornasse da viagem
(embora minha pena não tenha sido igual à de Antoine Lavoisier, que foi
guilhotinado, e o meu motivo nem de perto se aproximava do nobre pedido
que motivasse Lavoisier a recorrer ao adiamento da sua pena), o juiz
determinou que a pena fosse iniciada até aos 18 de dezembro do ano
2004.
Depois de conversar com meu irmão Esteban Vera (residente em
Vilhena) sobre aquela situação, decidi adiar a viagem e cumprir meu “dever”
com a Justiça. Desse modo, respeitadas as 8 (oito) horas semanais,
fiquei mais vinte dias em Cacoal.
CARTA AO JUIZ
Foi então, após ter decidido adiar a viagem, resolvi escrever ao
juiz a carta seguinte:
“Peço licença para deixar de lado a formalidade, eis que escrevo
ao grande homem e não ao ilustre juiz Fabiano Pegoraro Franco.
A princípio acredito que deva está achando estranha essa minha
correspondência. Prometo ao término, o objetivo de tê-la escrito seja
plenamente suprido.
Tua benevolência ao julgar dois dias atrás meu quinhão (permitindo
um adiamento para cumprir a minha pena), me propiciou uma centelha de
alegria, e novamente passei a redescobrir a Justiça tal qual outrora
acreditava; apesar de que por mais de dois anos uma liminar mantém as
portas de meu jornal fechadas e esta condenação seja equívoca. Afirmo
que sejam equívocos, pois estou bem certo que o senhor da razão (o
tempo), se encarregará de mostrar que eu sempre procurei agir de forma
a preservar minha honorabilidade, embora, no momento, a Justiça não
veja assim. Assim mesmo, estou bem certo que a Justiça tarda, mas não
irá falhar (referindo-se ao meu caso).
Foi assim com Charles Darwin, Johannes Kepler, Isaac Newton,
Louis Pauster, Albert Einstein, Galileu Galilei, e tantos outros. Não que
eu esteja aqui querendo me igualar, somente que os ilustres acima, em
suas épocas, foram insultados, perseguidos, ridicularizados, assim como
eu, muitos foram até condenados. No entanto, mostrou-se depois que
eles estavam certos nos seus desígnios.
Por não querer delongar, apreço-me em lhe agradecer por me
fazer acreditar na Justiça (no meu caso). Também, informo lhe que, embora
tenha me concedido um longo prazo, até mesmo me oportunizando fazer
uma viagem tranqüila, decidi antes, por me acertar com a Justiça.
Não é porque alguns homens que compõem a Justiça se
equivocam vez outra, que ela não seja um dia achado plena.
Se não fui esclarecedor nesta carta, os artigos anexados
certamente o serão. Acredito na Justiça para este meu caso.
No entanto, aos 19 de novembro do ano 2004, data da minha
saída de Cacoal, aos 15 de fevereiro do ano 2005, quando eu já estava
para concluir este livro, fatos relevantes aconteceram em Cacoal, tornando
necessário estender um pouco mais minha história, e é possível que esta
história nunca se acabe.
Como entendo que nunca cometi qualquer ilícito conscientemente
programado, pode ser que minha decisão de ter aceitado passivamente a
condenação de exercício ilegal da profissão, possa ter desencadeado os
novos acontecimentos que culminaram com a dissolução da Editora
Gráfica A Crítica Ltda. – ME. Pois, até então, como poderia um magistrado
justificar o fechamento de uma empresa legalmente constituída, se nada
do que foi “suspeitado” pelos promotores foi confirmado? Ter aceitado o
parecer em primeira instância e não recorrido ao Tribunal de Justiça de
Rondônia, agora me parece um grave erro; repetindo o mesmo erro do
passado, quando no ano 2000, no processo de “desobediência”, por ser
réu primário e desconhecer de leis, o autor facilitou os trabalhos da
advogada Rose Delgado, quando aceitou o acordo com a Justiça e prestou
serviços à comunidade, para que aquele processo fosse revogado. O
processo pode até ter sido extinto, mas permanece, ainda, até os dias
atuais, quando recorro às minhas certidões circunstanciadas, onde
sempre sou lembrado desta frase: “Seja o nome do réu lançado no rol dos
culpados”.
Existem registros, segundo a tradução latina Vulgata, da injustiça
cometida a certo judeu que foi condenado sumariamente, há cerca de
dois mil anos atrás, e que quando da sua crucificação, suas últimas
palavras foram: CONSUMMATUM EST (tudo está consumado). Mas, que,
depois de sua morte, seus feitos foram relatados nos lugares mais
longínquos e Ele, muitos anos depois, se tornava um dos personagens
mais atraentes na história da humanidade.
Portanto, aos oito de fevereiro do ano 2005, dia em que recebi um
telefonema de um dos antigos colaboradores voluntários do jornal A Crítica
de Rondônia, informando-me que a Editora Gráfica A Crítica Ltda. – ME
foi dissolvida perante a Junta Comercial de Rondônia. Fui levantar
informações e que me levassem a entender como poderia ter acontecido
tal fato. Constatei através da internet que, nos autos de nº. 007.02.004031-
4, o mesmo que tinha cumprindo a pena de dezessete horas de serviços
à comunidade, três meses atrás, constava que eu não estava sendo
encontrado em Cacoal e meu paradeiro era lugar desconhecido pela
“justiça”. Resumindo. Eu estava sendo procurado e que a Justiça tinha
por incerto o local onde me encontrar: FORAGIDO.
Foi então que resolvi oficializar os juízes que respondiam pelas
quatro Varas Cíveis e Criminais de Cacoal. Todos, ofício com o seguinte
teor:
OFÍCIO AOS JUÍZES
O motivo deste é informar ao ilustre magistrado, minha ausência
do município de Cacoal, tal qual fiz em audiência com o brioso juiz
Fabiano Pegoraro Franco, ocorrido aos 18 de outubro do ano 2004, no
Fórum Ministro José Américo de Almeida. Desse modo, ratificar o
ocorrido.
Igualmente, aproveitar do ensejo, para dar conhecimento do meu
atual endereço. Encontro-me no município de Vilhena e que, estou ao
inteiro dispor da Justiça, para quaisquer eventualidades, no endereço
acima citado, haja vista, haver processos tramitando em meu desfavor
nessa comarca.
Também, fui informado por um serventuário do Poder Judiciário
que, a Editora Gráfica A Crítica Ltda. – ME, foi dissolvida na JUCER, por
demanda transitada e julgada nessa comarca, na ação que lhe move o
Ministério Público de Rondônia e que, por quais meios ocorreu esse fato,
sendo que sou sócio-proprietário responsável pela referida empresa e até
a presente data fui comunicado oficialmente pela Justiça.
Como pouco sei dos tramites processuais, nesse momento não
tenho uma explicação plausível e que possa demonstrar com clareza, o
que ocorreu juridicamente a Editora Gráfica A Crítica Ltda. – ME,
devidamente constituída sob as leis da pátria soberana Brasil.
No mês de junho do ano 2002, a “justiça” cortou o galho onde o
rouxinol-cantor emitia seu canto. No início do ano 2005, cortaram a árvore
que sustentava o galho onde o rouxinol-cantor costumava cantar. Enfim,
os tumultuados acontecimentos ocorridos em Cacoal, desde a primeira
edição do jornal A Crítica de Rondônia e que me tornei o pivô, até a
dissolução da Editora Gráfica A Crítica Ltda. – ME, serviram para me
mostrar que os homens podem até mesmo sufocar a verdade (por um
tempo), quando esta verdade estiver contrapondo a estrutura do poder
que eles representam, ou pode ser que neste meu caso não ocorra assim:
“Quem sabe este registro jornalístico, acabe por demonstrar que o rouxinol
de pescoço pintado, que foi obrigado a silenciar seu canto, agora liberto
das garras aduncas do gavião, metamofoseou-se tornando a lendária fênix,
ave que ressurge das cinzas, alçando seus vôos e levando seu canto aos
confins da Terra”.
BIOGRAFIA
O autor Jeovane Pereira do Nascimento, candango* de nascimento,
foi registrado no distrito de Zé Doca, do município de Monção, no estado
do Maranhão.
Na pré-adolescência, seus pais migraram para a Amazônia, onde
ele se naturalizou, definitivamente, habitante da nova região. Passou a
conviver com os pais na cidade de Itaituba "lugar de pedras pequena" na
língua tupi-guarani (Ita/pedra, ituba/pequena), no estado do Pará.
Seu pai se tornou proprietário de um pequeno hotel, foi onde o autor
passou a ouvir incríveis histórias, testemunhos e aventuras dos garimpeiros
que se embrenhavam na floresta em busca de ouro. Aproveitava para
desenvolver a capacidade de bom ouvinte. O pai era quem guardava o resultado
da garimpagem de muitos dos seus hóspedes, armazenado em frascos de
plástico o metal em pó, e as pepitas embrulhadas em papel, sempre, mantendo
uma boa quantidade do metal precioso em seu poder. Assim desenvolveu
seu respeito pela posse de outrem, através das atitudes dos pais.
Na fase final da sua adolescência, passou uma temporada no
Nordeste, com seus avós maternos, onde estruturou seu caráter, observando
as virtudes dos avós.
Quando retornou ao lar, permaneceu pouco tempo. Logo colocou
seus pés novamente nas estradas e passou a conhecer, quase na
totalidade, a extensão territorial do mundo amazônico, levado pela latente
veia migrante herdada do pai.
O autor não tem formação de nível
superior, dos mestres e livros, é que vêm sua
modesta formação cultural.
Em setembro do ano 2004, fez uma
visita ao tio Francisco Aires Magalhães, em
Brasília, lá redescobriu o que mais gosta de
fazer: escrever. Pelo que decidiu se
empenhar com o seu melhor espírito
literário.

*CANDANGO - primeiros habitantes da atual capital brasileira; expressão usada pelos espanhóis, se referindo aos nordestinos
na época da construção de Brasília; aqui, a expressão candango representa a maior corrente migratória por ocasião da época
do nascimento do autor que, é filho de um eterno migrante.
FOI A INTOLERÂNCIA!
Tu que nasceste na cidade de Osijsk, viste da
Iugoslávia, quando teus pais Zigmundo e Zora decidiram
fugir da intolerância nazista que assolava toda a Europa.
Aportaste no Brasil, aqui encontrou o teu lugar;
encontraste até certa dama de nome
Clarice, com quem te casastes,
as segurando-te o
direito paternal.
Pelos teus
próprios méritos te
tornaste um homem
conceituado.
“Vlado! ” Foi
aquela velha e
mesma intolerância
que um dia te trouxe
aqui; é essa intolerância que vem
banhando a história com o sangue de
pessoas inocentes, ceifando vidas indefesas e sem culpa.
Foi ela! Foi ela Vlado, que ceifou tua vida, nas
dependências do DOI/GODI, naquele dia 25 de novembro
de 1975.

Homenagem pela passagem dos 30 anos do assassinato


do jornalista Vladimir Herzog, vítima da intolerância do
governo ditatorial brasileiro.
A primeira edição do livro CENSURADO foi disponibilizada ao
público no dia 15 de março do ano 2005. Três meses depois, este livro já
tinha sido vendido mais de mil exemplares nos dez principais municípios
do estado de Rondônia.
O autor estava realizando a divulgação do livro na cidade de Porto
Velho, foi quando recebeu um telefonema do amigo Esteban Vera,
informado que a Polícia e oficiais da Justiça o procuravam, resolveu então
retornar para Vilhena e ao chegar a essa cidade, se deparou com dois
mandados de prisão.
Foi preso aos 27 de junho do ano 2005. Cumpriu cinco meses de
pena em Vilhena, no regime semi-aberto nos moldes do aberto, onde era
obrigado a dormir num albergue. Foi transferido para o presídio em Cacoal,
e cumpriu mais oito meses do infortúnio no regime semi-aberto, intra-
muros, até galgar as progressões do regime penal.
No final do ano 2007, foi beneficiado com o indulto natalino,
assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva; só recebeu o indulto
porque cumpriu todas as exigências impostas no Decreto Presidencial.
Aos 5 de fevereiro do ano 2008, ficou livre definitivamente da tutela
do pátrio poder da Justiça.
As peripécias minuciosas dessa odisséia que Jeovane Pereira
viveu estão registradas na segunda edição deste livro.
Na edição impressa contém um acervo fotográfico que valoriza a
autenticidade dos relatos do autor. Na segunda edição será acrescentado
um número maior de fotos.
Para que o leitor forme uma idéia apropriada do quanto são
eletrizantes os relatos do autor, nas próximas páginas foi colada uma
entrevista de Jeovane Pereira publicada no site O Guaporé, no mês de
agosto do ano 2005 e que consta na segunda edição do livro CENSURADO.
A JUSTIÇA ESTUPROU O JORNALISMO DE RONDÔNIA

Rondônia já foi palco do mais horrendo matricídio cruel, ocorrido na


região norte do Brasil: o famigerado Massacre de Corumbiara. Foi aqui
também, no ano 2002, que ocorreu um dos fatos históricos mais
escandalosos da América do Sul: o primeiro jornal foi fechado a mando
da "Justiça". Até ontem, o Sindicato dos jornalistas, os mecanismos de
defesa dos direitos individuais e sociais e parte da Imprensa, permanecem
omissos diante tamanha arbitrariedade.
Nosso site entrou em contato com o ex-diretor responsável do jornal
A Crítica de Rondônia, o escritor Jeovane Pereira, que nos concedeu esta
entrevista com exclusividade. Detalhes da odisséia que ele viveu em Cacoal;
um pouco sobre como estar sendo sua vida em Vilhena; sua passagem
meteórica com empresário da comunicação; e a peripécia de ter
conseguido a façanha de colocar em circulação o primeiro jornal em formato
padrão, com doze páginas, capa e contra capa coloridas e de maior
abrangência no interior do estado de Rondônia. Esta entrevista prenderá
nosso leitor/internauta pelas declarações bombásticas de Jeovane Pereira,
que não deixa dúvida: o jornalismo de Rondônia foi e continua sendo
estuprado. Saiba dos detalhes, na entrevista que segue:
O Guapore - Enfim, mais uma das poucas vezes que o Sr. teve
oportunidade de falar sobre o que ocorreu em Cacoal?
Jeovane Pereira - (sorrindo desconcertadamente) Realmente!
(agora ele ficou sério) Acompanhei estarrecido a excessiva divulgação
dos últimos acontecimentos políticos na mídia brasileira. Como se políticos
ladrões nunca existissem, aqui nas terras "descobertas" por Cabral. Em
Rondônia, enquanto se ocupavam da excessiva amostragem do que todo
mundo sabe, a grande maioria dos meios de comunicação, deixou passar
despercebido um fato histórico de relevância mundial.
O Guapore - Mas do quê exatamente o Sr. está falando?
Jeovane Pereira - Ora, da vergonhosa censura enraizada no estado
de Rondônia. Acompanhe meu raciocínio: quando acontece censura
institucionalizada, ou qualquer outro tipo de censura, não ocorre somente
um ataque contra a pessoa de um jornalista ou o seu mecanismo de
imprensa. Mas sim um crime contra toda sociedade e como tal, esse
crime odioso deveria receber o mesmo tratamento dos crimes hediondos.
Assim, daríamos um longo passo para arrefecer de vez a intolerância
praticada pelos adversários da liberdade de expressão e de todas as
liberdades públicas. Em Rondônia, e no Brasil, centenas de jornalistas
são processados aleatoriamente. Como se divulgar crimes dos bandidos
de colarinhos brancos, ou outras mazelas de funcionários públicos, aqui
falo dos três poderes nas suas esferas, não pudesse ser realizado com
dignidade. Um exemplo dessa opressão foi a proibição do programa
Fantástico da Rede Globo, pelo desembargador Gabriel Marques, esse
cidadão atacou as liberdades do povo rondoniense e nada foi feito. A
"justiça" dissolveu minha empresa legalmente constituída e nada aconteceu
aos déspotas. Na Carta magna, dos Estados Unidos da América, no ato
5º, proíbe até mesmo a possibilidade de se criar leis ou obstáculos que
impeça a liberdade de expressão.
O Guaporé - Se o Sr. diz que no Brasil não existe a plena liberdade
de expressão, então o que é preciso ser feito para existir de fato?
Jeovane Pereira - É muito "simples": a lei 5.250/67 (Lei da
Imprensa), foi instituída em pleno exercício do poder autoritário, não se
vislumbrou qualquer possibilidade desse poder ser questionado. É esse
autoritarismo que está arraigado na Lei de Imprensa brasileira. Portanto,
se faz necessário mudar a Lei. Hoje, no Brasil, é imperativo sistematizar
punição para os que ousarem censurar a liberdade da Imprensa. Não
importa se a censura vier de um juiz, desembargador, promotor, ou até
mesmo de um presidente. A liberdade de expressão, seja ela intelectual,
artística ou científica, é patrimônio da humanidade. Ninguém tem o direito
de cercear os direitos adquiridos de todos os seres humanos. O bom
exemplo de mudar a Lei no Brasil foram os modos transloucos usados
para fechar meu jornal. Atos como esses deveriam, deveriam não, devem
ser repudiados veementes e expostos seus executores. Referente ao
meu caso, a maioria da Imprensa permanece muda. Percebeu a gravidade
desse silêncio? É utópico acreditar que no Brasil exista plena liberdade
de Imprensa.
O Guaporé - O Sr. Concorda que o silêncio por parte da Imprensa
é também responsável pela censura no Brasil?
Jeovane Pereira - Sim! Concordo. Mas há outros fatores. Falando
no caso específico de Rondônia: o Sindicato dos jornalistas é totalmente
inoperante. A Delegacia Regional do Trabalho não fica atrás nesse
despreparo. Que fique claro aqui, que eu não nutro qualquer aversão às
pessoas do presidente do Sindicato dos jornalistas e do diretor geral da
DRT de Rondônia. O fotógrafo Marcos (presidente do Sindicato dos
jornalistas) pode até ser um bom homem, mas quanto à sua postura com
relação a classe jornalística, ele deixa muito a desejar. Eu estive falando
com o Marcos alguns meses atrás sobre o que aconteceu com meu
jornal. Ele me deixou a impressão de que jornalista é só quem estiver
associado ao Sindicato. Um pensamento assim enquadra-se em
retrocesso. Existem também os pseudo-jornalistas que militam na
Imprensa de Rondônia, que tornam as coisas ainda muito pior, porque
minam a credibilidade dos profissionais sérios. Salvo raras exceções, o
jornalismo em Rondônia está entregue ao "deus-dará". Atente para o meu
caso: a intransigência, o poder abusivo e a intolerância, têm me feito
refém do cárcere e não será novidade, se me levarem ao martírio. Contudo,
aceito alegremente ambas as condenações, pela honrosa causa da
liberdade de expressão. Mesmo diante de tantas dificuldades, eu não
pouparei esforços para responsabilizar perante a História, as pessoas
que me atacaram, e farei isso não como ato de vingança, mas de Justiça.
Aqui está a diferença: sou motivado por uma causa nobre. Eu tenho um
ideal. Isso não se compra com dinheiro, é conquista de quem zela por
sua integridade.
O Guaporé - Então, podemos admitir que os jornalistas muitas
vezes excedem no exercício da profissão?
Jeovane Pereira - Hoje é raro jornalismo autêntico. O que lemos é
muita notícia direcionada. Muita versão e descomedimento por parte de
alguns profissionais da Imprensa. Nada que umas boas horas de cursos
de aperfeiçoamento e um pouco de ética não resolvam. Por outro lado, a
aleivosia e o recalque dos pseudos-jornalistas têm que ser combatidos
não somente pelo Judiciário, mas pelo Sindicato dos jornalistas e
empresários da Comunicação. Não estou falando de reprimi-los com
violência ou cercear seus direitos de atuarem na Imprensa, mas é
necessário criar meios para torná-los capazes. A aleivosia e o recalque
dos pseudos-jornalistas existem normalmente por faltar-lhes o
conhecimento. Raramente há um jornalista com caráter totalmente
reprovável. Já quanto a colocar jornalistas na prisão, isso é se valer de
leis retrógadas de civilizações passadas é total desnecessário. O que é
preciso, caso um jornalista venha a se desviar da conduta ética profissional,
será promover uma ampla divulgação da retratação desse erro, caso seja
confirmada as informações interesseiras e desabonadoras a qualquer
pessoa honesta. Que fique bem claro: pessoas comprovadamente
honestas. Fora isso, qualquer tipo de censura deve ser tratada como algo
abominável.
O Guaporé - O Sr. é muito positivo e me parece que está muito
seguro de seus objetivos, embora eles sejam insólitos. Já não lhe passou
pela cabeça a possibilidade de ser considerado por alguns como sendo
um homem louco?
Jeovane Pereira - (uma longa gargalhada) Esta tua pergunta me
faz vaguear pela História. Desde que o homem conseguiu fazer brotar o
fogo, reter a água e captar o vento, todo o progresso da humanidade foi
essencialmente idealizado e realizado por homens que os cidadãos
comuns, o Estado e a Igreja, insistem em taxá-los de loucos. Se a minha
árdua luta pela liberdade de expressão e o meu idealismo forem tratados
por alguns como sendo um ato de loucura, aceito de bom grado, porque
sei que a histeria desses é falta de paciência e é sempre passageira.
Afinal, quem estiver de posse da razão é quem prevalecerá.
O Guaporé - O Sr. está privado de sua liberdade, o que tem a dizer
sobre isso?
Jeovane Pereira - Nos processos e na forma como esses foram
conduzidos é evidente que sirvo de bode expiatório. Não ter dinheiro me
torna uma presa fácil de meus opositores. E eles não deixam por menos,
usam e abusam de prerrogativas controvertidas; certos da impunidade
que lhes é assegurada em nome da Lei. Mas no seu devido tempo e a
contento, trarei à luz a verdade, desmascarando os que pousam de
moralistas, a hipocresia, e aqueles que se escondem atrás do manto do
Estado, para defender interesses escusos. Onde encontram motivos para
me atacar.
O Guaporé - O Sr. deve guardar muitas mágoas do passado, estou
certo?
Jeovane Pereira - Errado! Se eu tivesse que guardar algum rancor
na minha alma, eu teria que descer a escala mais baixa da dignidade
humana e me tornar igual aos meus opositores. Como já disse antes,
repito em outras palavras: se os meus oponentes estivessem escolhido
outra pessoa para escalpar, eles teriam se sagrado vencedores.
Felizmente, apesar de pagar um alto preço e dos dissabores, luto por um
ideal. A única coisa que pode me impedir de realizar meus objetivos é
tirarem a minha vida. Caso contrário, todos que me perseguiram e os
sórdidos motivos, eu deixarei um registro, para quando no futuro tivermos
a plena liberdade de expressão, as futuras gerações saibam que aqui na
Amazônia a luta foi árdua.
O Guaporé - Concluindo esta entrevista, fica um espaço reservado
para suas considerações finais.
Jeovane Pereira - Primeiramente, gostaria de agradecer aos
responsáveis pelo site O Guaporé, por ter me concedido espaço para que
eu falasse um pouco das minha idéias e do que ocorreu comigo. Concluindo,
me amparo nessa declaração, para justificar minha persistência: "Ainda
que muito eu sofra, pela ação dos espoliadores que me perseguem; mesmo
que o meu espírito fosse minado por anos de desonra no ócio do cárcere
e o meu corpo lentamente definhado na prisão, não poderia deixar de me