Aforismos antigos, provérbios e conselhos

para manutenção da saúde na tradição e
medicina hipocrática.
Paulo Pedro P. R. Costa / costapppr@gmail.com - (071) 9925-2498

Palavras Chave: Hipocrates, aforismos, clima, energia vital, emoções, sistemas
etnomédicos, Grécia, China

Esse trabalho faz parte de um estudo da medicina chinesa através de suas
fontes clássicas, o Livro do Imperador Amarelo o considerando como uma
narrativa mítica, (um documento bruto ou descrição etnográfica realizada por
membros de sua própria cultura, um modelo "feito em casa" nas palavras de
Lévi-Strauss), ou melhor, utilizando os recursos da história e antropologia para
seu entendimento. Trata-se de um ensaio explorando a possibilidade de
comparar suas metáforas e símbolos, em especial a concepção de Chi (Qi 氣), nas culturas mais próximas à China no ocidente da época em que foi
escrito (200 aC.), o período que os historiadores denominam “antiguidade
oriental”.
No presente texto, que é a segunda parte do projeto de estudo das concepções
de energia vital,vida e saúde em aforismos e antigos provérbios médicos, da
tradição oriental e ocidental, nos limitaremos à medicina hipocrática, o grande
marco de início da atual medicina cosmopolita, científica e baseada em
evidências. Integrando a clássica abordagem da etnomedicina que busca
identificar as concepções de “doença”, “saúde”, “tratamento”, em diferentes
culturas. Por se tratar de uma análise de aforismos e provérbios que muitas
limitam-se à conselhos e recomendações de normas de comportamentos, nos
aproximamos do que atualmente se denomina medicina comportamental ou
psicologia da saúde para sua interpretação.
Segundo Wolpe (1981) embora o terapeuta comportamental moderno aplique
deliberadamente os princípios de aprendizagem em suas operações
terapêuticas, as prescrições terapêuticas envolvendo o comportamento são
provavelmente tão antigas quanto a civilização.
Por outro lado sabe-se que é essencial a utilização dos recursos da etno –
história para o entendimento de muitos dos aforismos hipocráticos, sem dúvida
similares a prescrições comportamentais, e sabe-se também que na medicina
comportamental pouco adianta conselhos genéricos, pois os hábitos tem que
ser modificados como conquistas individuais, por uma aproximação sucessiva
e transformação do comportamento atual.

1

Quanto as dificuldades de convencimento do paciente para mudanças de
comportamento e certeza da prescrição, vale consultar o velho mestre:
A arte é longa e a vida é breve. a crise é passageira, a experiência perigosa e a
decisão difícil. O médico deve estar preparado não só para saber o que é certo,
mas também para praticar o que é certo e convencer os pacientes, atendentes
e os outros de que o que ensina é o correto.(Aforismos 1/1)

Hipócrates e Galeno (Mural do séc. XII, Anagni / Itália)

Hipócrates e a energia vital
Hippokrátēs (Ippokráti̱s) em nascido entre 406 e 460 aC., em Cós, uma das
“doze ilhas” (Dodecaneso) a 4 km da costa da Turquia. Nesta cidade deu
continuidade à tradição da prática médica de sua família. Como médico
(asclepiades do gr. Asklepias, nome de Esculápio - o Deus da Medicina).
integrou-se a escola médica de Cós onde registrou uma forma própria de
exercer a medicina, consolidando a tendência grega da época de dissociar a
clínica médica das práticas mágico-religiosas dos séculos anteriores, o que lhe
deu a fama de pai da medicina moderna. É comum entre seus biógrafos a
afirmação que viajou por toda Ásia Menor (Anatólia). Há menos incertezas
quanto a data e local de seu falecimento, em 370 - 377 a.C. na Tessália, a
antiga Eólia (Aeolia; Αἰολία) situada ao norte da Grécia central. (Lyons &
Petrucelli, 1997; Cairus & Ribeiro Jr. 2005)

2

A concepção grega de “energia vital” apesar de ter permanecido na medicina
européia por séculos, constituindo-se como o vitalismo clássico, reafirmada
pelas concepções de Samuel Hahnemann (1755-1843), o vitalismo
homeopático, não é um conceito fácil de ser compreendido isolado de seu
sistema original, envolve as relações do “pneuma” (fôlego), "physis" (natureza)
e "dynamis" (atividade, potencialidade) (Luz, 1996; Rebollo, 2006). Tampouco é
simples a sua comparação a concepção de Chi (Qi - 氣) da medicina chinesa.
As principais contestações da concepção de energia vital a partir das
experiências de Friedrich Wöhler (1800-1882) de síntese da uréia a partir de
amônia evidenciando a origem química (inorgânica) compostos orgânicos e
Louis Pasteur (1822-1895) contestando as teorias de geração espontânea e
revelando os microrganismos, devem ser analisadas no contexto do paradigma
científico do século XIX e ascensão do capitalismo industrial, onde não havia
mais lugar para o repouso, dietas, banhos e contato com a natureza
encontrada nos templos/clínicas de Asclépio.
A utilização da antropologia médica por outro lado identifica na prática da
acupuntura e medicina chinesa, advinda do conjunto multi-étnico da Ásia; na
sobrevivência da homeopatia, a presença das medicinas antigas
(especialmente grega ) unificadas "provisoriamente" como sugere Madel Luz
por um “novo paradigma” vitalista.
Especialmente quanto a medicina chinesa coligida, como dito, no “Livro do
Imperador Amarelo, o sinólogo Joseph Needham (1900 -1995) ressalta a
semelhança entre este e o “corpus hipocraticus” que propõe uma divisão da
matéria médica em funções normais e anormais do corpo humano e métodos
de diagnose, prognose, terapia e regime. Ambos se referem à importância dos
alimentos e elementos da natureza. Existindo também coincidências dos
períodos clássicos de ambas as civilizações em torno de 500 aC. Ambos
anteriores ao período Han quando, na China houve uma sistematização e
divulgação da cultura clássica.

Emoções e elementos da natureza
Um dos aspectos mais intrigantes da comparação das medicinas grega e
chinesa é a utilização mítica (metafórica) de elementos da natureza (água,
fogo, terra, ar, madeira) e a importância que ambas atribuem às estações do
ano e emoções humanas na relação ou processo saúde doença.
Para os chineses existe uma estreita relação entre a atividade emocional e os
órgãos internos, mas não exclusivamente com o cérebro. Identificaram que as
funções dos órgãos e vísceras dependem das funções de aquecimento e de
impulsão e da nutrição do sangue, como se lê no “Suwen”...”o homem tem
cinco órgãos que metabolizam as cinco energias e que produzem a alegria, a
raiva, o pesar, a ansiedade e o medo”... e estas emoções, por sua vez,
influenciam cada órgão e víscera. (Huihe, Baine, 2012)

3

O corpo humano, segundo os antigos gregos e conforme consta no texto
hipocrático “Da natureza do homem” ...contém sangue, fleuma, bile amarela e
negra; esta é a natureza do corpo, através da qual adoece e tem saúde”...
Esses quatro humores, regulariam as emoções e mesmo o caráter
(personalidade) dos indivíduos, segundo a predominância de um ou de outro
desses fluidos classificando os homens como coléricos, fleumáticos,
sanguíneos e melancólicos respectivamente. (Cairus, 2005; Cordás, 2002)
A melancolia, mania e a paranóia foram descritas nestes parâmetros de
observação hipocrático. Sua descrição da melancolia (“melan”, negro; “cholis”,
bile) ainda é utilizada ...um quadro clínico que envolve: “aversão à comida, falta
de ânimo, insônia, irritabilidade e inquietação” ...”se o medo ou a tristeza duram
muito tempo, tal estado é próprio da melancolia” (Cordás, 2002)
Atribui-se também a medicina hipocrática e à Alcméon de Crotona (região da
Calábria) no século V a.C. a identificação do cérebro como órgão do
pensamento. Lê-se no texto hipocrático “Da doença sagrada” ...”o cérebro
(dentre todos os órgãos é o que) exerce o maior poder no homem. Pois ele, se
acaso está são, é o nosso intérprete das ocorrências oriundas do ar, e o ar lhe
proporciona a consciência”... (Cairus, 2005)
Não se pode dizer, entretanto, que os chineses não conheciam as
propriedades e funções do encéfalo, diante da qualidade de suas descrições
das emoções humanas, conhecimento de substâncias psicoativas e sobretudo
capacidade de intervenção sobre a dor e outras funções orgânicas com as
técnicas da acupuntura, como veremos.
Por ora nos limitaremos a descrição que a medicina hipocrática estabeleceu
entre as estações do ano, emoções e saúde exatamente porque, a medicina
chinesa também se estendeu sobre tais relações, sendo portanto comparáveis
tal como Needham referiu.
É clássica a referência de reconhecimento das funções do encéfalo (εγκέφαλος
enképhalos) no texto hipocrático “Da Doença Sagrada” :
É preciso que os homens saibam que nossos prazeres, nossas alegrias, risos e
brincadeiras não provêm de coisa alguma senão dali (isto é, do cérebro), assim
como os sofrimentos, as aflições, os dissabores e os prantos. E, sobretudo,
através dele, pensamos, compreendemos, vemos, ouvimos e reconhecemos o
que é feio e o que é belo, o que é ruim e o que é bom, o que é agradável e o
que é desagradável, tanto distinguindo as coisas conforme o costume, quanto
sentindo-as conforme o que for conveniente – e distinguindo dessa forma os
prazeres dos desprazeres; de acordo com a ocasião, as mesmas coisas não
nos agradam sempre. É também através dele que enlouquecemos e deliramos,
e nos vêm os terrores, os medos, alguns durante a noite, outros durante o dia,
e as insônias, os erros inoportunos, as preocupações inconvenientes, a
ignorância do estabelecido, a falta de costume e a inexperiência. (“Da Doença
sagrada” Cairus, 2005 p.76)

4

Observe-se porém que apesar da localização anatômica similar ao que
pensamos hoje, a interpretação sua fisiologia era bem mais semelhante ao
mundo das tradições chinesas que nosso. Ambas as tradições têm como
agentes patógenos (ou terapêuticos): o frio; a umidade; o calor; a secura e
seus efeito nos principais órgãos associados aos humores, ou seja o sangue, a
bílis, o fleuma (linfa) e a antrabílis (bílis negra) respectivamente associados ao
coração, fígado, cérebro e baço. (Dalgalarrondo, 2008)
O movimento ou circulação dos humores (ou do Chi - 氣) engendram emoções
e as funções patológicas ou normais do corpo humano. Lê-se no citado texto
“Da Doença Sagrada”:
A corrupção do cérebro é devida ao fleuma e à bile. Conhecerás as duas
causas desta maneira: os que enlouquecem devido ao fleuma são
pacíficos e não gritam, nem bramem. Mas os que enlouquecem devido à
bile costumam berrar, e tornam-se furiosos e inquietos, sempre fazendo
algo inoportuno. Se enlouquecem continuamente, essas são suas
motivações; mas, se os terrores e medos se lhes afiguram, isso se deve
ao deslocamento do cérebro, que se desloca quando aquecido, e ele se
aquece devido à bile, quando se projeta sobre o cérebro através das
veias sangüíneas procedentes do corpo. ...
...o cérebro, quando este não está saudável, porém torna-se mais quente do
que sua natureza, ou mais frio, ou mais úmido, ou mais seco, ou sofre, contra a
natureza, outra afecção que lhe é inabitual. Enlouquecemos devido à umidade;
pois, quando se está mais úmido do que seu natural, é forçoso que se mova, e,
movendo-se, nem permaneça estável a visão, nem a audição. Mas ora ouve-se
e vê-se uma coisa, ora outra, e a língua expressa tais coisas como são ouvidas
e vistas em cada circunstância. Durante o tempo em que o cérebro ficar
estável, o homem estará consciente. ...(“Da Doença sagrada” Cairus, 2005
p.76)

Aforismos
Aforismo corresponde a palavra grega aphorismós (pelo lat. aphorismu) a uma
regra, um princípio explicativo ou sentença moral breve e conceituosa segundo
dicionários (Aurélio; Caldas Aulete). Com este tome “Aforismos” integra o
“corpus hippocraticum” que é conjunto de cerca de sessenta seis tratados,
acrescidos de um juramento que deveria ser prestado pelo médico da escola
de Cós.
Observe-se em seguida alguns aforismos hipocráticos selecionados pelo tema
estações do ano e emoções numa pretensa "homogeneização" para
comparação de grandezas heterogêneas tais como as medicinas, semíticas,
chinesas e gregas:

5

Estações do ano
As mudanças e estação engendram doenças, e nas estações grandes
variações de frio e calor seguem a regra da mudança de estações. (3/1)
Uns temperamentos são mais bem dispostos ao verão, outros ao inverno (3/2)
Algumas doenças e idades tem bem ou mal adaptação para tal ou qual
estação, tal ou qual lugar/ região, tal ou qual estilo de vida (3/3)
Durante as estações quando o calor e o frio se apresentam no mesmo dia
alternadamente, ocorrem doenças do tipo de outono (3/4)
Quando o verão é parecido com a primavera as febres se acompanham de
muitos suores (3/6)
O outono é nocivo aos afetados pela tísica (consumption) (3/10)
Na constituição do ano, o tempo seco é mais saudável que úmido e com menor
mortalidade. (3/15)
Todas as moléstias podem ocorrer em todas as estações; porém algumas
aumentam a freqüência e gravidade em alguma das estações. (3/19)
No verão preferencialmente purgar por cima; no inverno por baixo. (4/4)
As pessoas magras, que vomitam com facilidade devem ser purgadas por
cima, porém com mais cuidado no inverno. (4/5)
As pessoas que tem dificuldade de vomitar, e bem nutridas, devem ser
purgadas por baixo, porém com mais cuidado no verão. (4/6)
O frio é inimigo dos ossos, dos dentes, dos nervos, do cérebro, da medula
espinhal, porém o calor lhes é benéfico. (5/18)
As coisas frias , tais como a neve e o gelo são inimigas do peito, provocam a
tosse, as hemorragias e os catarros. (5/24)
Purgantes citados:
Heléboro (Helleborus cerca de 20 espécies da família das Ranunculaceaes)

Dor, sinais, sintomas e emoções.
Pessoas que tem uma afecção dolorosa em qualquer parte do corpo, e estão
em grande parte insensíveis a essa dor, estão mentalmente perturbadas. (2/6)
Os velhos tem menos queixas que os jovens; mas as doenças crônicas que os
acompanham geralmente nunca os deixam (2/39)

6

Nem a fartura nem a abstinência, nem qualquer outra coisa é boa quando mais
que o natural (2/4)
A dificuldade de dormir em qualquer doença é um sintoma perigoso. Caso
contrário se dorme facilmente não há perigo (2/1)
Quando o sono põe fim a um delírio é um bom sintoma (2/2)
Tanto o sono como a sonolência em excesso são ruins (2/3)
O cansaço espontâneo indica doença (2/5)
De duas dores ocorrendo ao mesmo tempo em diferentes partes do corpo, a
mais forte enfraquece a outra (2/46)
No movimento do corpo, quando se começa a sentir dor, o repouso afasta o
sofrimento (2/48)
Na parte do corpo que aparece o suor, aí está a moléstia (4/38)
Na parte do corpo onde se manifesta o calor ou o frio, aí está a moléstia (4/39)
Se o medo ou a tristeza duram muito tempo, tal estado é próprio da melancolia
(6/23)
Os tremores de febre ardente, passam após um delírio (6/23)
Os eunucos não ficam calvos nem gotosos (6/28)
Um rapaz não sofre de gota antes do início de ser sexualmente ativo. (6/30)
Os delírios de motivos alegres são mais benignos que os de motivos sérios
(6/53)
O estupor ou delírio após traumatismo craniano são maus sinais (7/14)
Uma convulsão ou delírio com insônia é mau sintoma (7/18)
Quando há letargia, o tremor é mau (7/18a)
O choro que verte o doente com motivo é bom sinal, o choro sem motivo é mau
sinal. (7/83)

PROVÉRBIOS E AFORISMOS RELATIVOS À NUTRIÇÃO / ALIMENTAÇÃO
Faz do alimento teu medicamento e do medicamento teu alimento.
Pessoas com saúde logo perdem suas forças quando tomam medicamentos
purgativos ou comem alimentos ruins (2/36)

7

O corpo em crescimento tem um calor inato; requer portanto mais alimento
para não enfraquecer. No velho calor é menos intenso, portanto requer menos
combustível tal qual uma chama que seria extinta com muito. Do mesmo modo
a febre em pessoas velhas não é tão grave quanto nas jovens exatamente
porque seus corpos são mais frios. (1/14)
Uma dieta úmida é conveniente em todas as doenças febris, particularmente
em crianças e em pessoas acostumadas a viver em tal regime (1/16)
Tudo que precisa ser evacuado deve ser evacuado pela vias adequadas (1/21)
As evacuações devem ser julgadas não só pela sua quantidade e sim se elas
são como devem ser e como foram criadas. Quando necessário levar a
evacuação ao " deliquium animi" cuidando que o paciente o suporte (1/23)
No início das doenças agudas use medicamentos purgativos espaçadamente e
com a devida cautela (1/24)
Se a matéria for purgada como deve ser purgada, a evacuação é benéfica e
facilmente tolerada caso contrário se tem dificuldades (1/25)
Os que tem o ventre relaxado quando moços, ficam constipados a medida que
envelhecem; e ao contrário, quando constipados em moços, o ventre se relaxa
a medida que envelhecem. (2/20)
Na maioria das vezes as pessoas com pouca saúde que tem inicialmente um
bom apetite, mas não melhoram, acabam perdendo o apetite; enquanto que
aquelas que no início tem bem pouco apetite e depois o adquirem ficam boas.
(2/32)

Para concluir
Nesse artigo, alguns conceitos são necessários para entender o mundo de
alegorias ao qual fomos remetidos como um determinado espaço entre mito
(aqui considerado uma narrativa) e técnica enquanto duas dimensões do
processo cognitivo. Sendo o primeiro relacionado ao processo criativo
(intuição) e metáforas explicativas e o segundo à acumulação da experiência
empírica.
A interpretação que poderá resultar da comparação de aforismos ou narrativas
de diferentes culturas reunidos pelo nexo de pertencer, ao que pode ser
descrito como, sistemas etnomédicos, ainda está por ser realizada. No
momento o objetivo é compreender o aforismo enquanto uma descrição precisa
dos sinais ou sintomas do processo saúde-doença e/ou uma prescrição
análoga aos conselhos dos psicólogos da saúde ou medicina comportamental.
Posteriormente
serão
analisados
as
narrativas
ou
“prescrições
comportamentais” da medicina chinesa equivalentes aos conjuntos de textos

8

hipocráticos e/ou derivados de representações da ética/ moral judaico cristã
(analisadas anteriormente como provérbios relacionados a medicina semítica,
atribuídos ao Rei Salomão). Numa primeira análise pode-se afirmar que esta
última (talvez pela fonte de pesquisa utilizada de natureza cristã - os referidos
provérbios), ao contrário dos aforismos hipocráticos, enfatizam a relação com
emoções e conduta, pouco ou nada referindo-se ao clima e estações do ano,
apesar da clássica referência ao tempo e periodicidade cíclica da vida no
Eclesiastes. A medicina chinesa propõem um equilíbrio entre os sentimentos
emoções e estações do ano, como veremos na terceira parte deste ensaio.
A meta é o entendimento do enigmático Livro do Imperador Amarelo conhecido
atualmente como Nei Jing (内經) atribuído a Huang Di (黃帝) escrito por um
grupo de médicos do Período dos Reinos Combatentes 480-221 a.C. ou no
séc. III a.C. na antiga China sob dinastia dos Han (漢朝) enquanto o
fundamento da acupuntura e medicina tradicional chinesa.

Bibliografia
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médico e a doença. RJ FioCruz, 2005
Cordás, Táki Athanássios. Depressão: da bile negra aos neurotransmissores:
uma introdução histórica. SP, Lemos Editorial, 2002
Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais.
Porto Alegre, Artmed, 2008
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Luz, Madel T. Estudo comparativo das medicinas ocidental contemporânea,
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Luz, Madel T. Natural, Racional, Social ; Razão Médica e Racionalidade
Científica Moderna, Rio de Janeiro, Ed. Campus, 1988

9

Lyons A. S.;Petrucelli, J. História da medicina. SP, Manole, 1997
Needham, Joseph; Gwei-Djen, Lu. Celestial lancets a history and rationale of
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Svoboda, R; Lade, A. Tao e Dharma, medicina chinesa e ayurveda. SP,
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Wolfgang Mieder. DE PROVERBIO. Electronic Journal of International Proverb
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Wolpe, Joseph. Prática da terapia comportamental. SP, Brasiliense, 1981
__________________________
Proposição do artigo do qual esse texto é a segunda parte

O sistema etnomédico chinês, uma estratégia de aproximação do modo
de ver oriental a partir das medicinas antigas grega e semítica.
O entendimento da medicina tradicional chinesa (MTC) também requer a
avaliação de sua inserção no conjunto asiático (grego - asiático) das Medicinas
Antigas, que formam e formaram a nossa concepção ocidental de "Oriente".
Analisando máximas, provérbios e aforismos médicos semitas (hebraicos) e
gregos antigos, explora-se as possíveis conexões e semelhanças entre estes e
as concepções médicas da China antiga, expressas no Livro do Imperador
Amarelo, ou pelo menos a forma como podem ser e/ou foram absorvidos pelo
Ocidente cristão. Explora-se também, enquanto uma possibilidade de
comparação já esboçada pelo sinólogo Joseph Needham (1900-1995), a
hipótese de que a medicina chinesa foi consolidada na forma escrita a partir da
Dinastia Han (206 a.C. até 220 d.C.) e que possui influência ou influenciou a
medicina grega, analisada aqui basicamente a partir dos aforismos hipocráticos
e provérbios médicos. Essa estratégia pretende tornar seus conceitos mais
acessíveis aos ocidentais de hoje em especial no paradigma da energia vital e
influência da conduta ética e emoções sobre a saúde.
Disponível em
http://medicinacomportamental.blogspot.com.br/
atualização / abril 2015

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