Você está na página 1de 25

Ementário Forense

(Votos que, em matéria criminal, proferiu o Desembargador


Carlos Biasotti, do Tribunal de Justiça do Estado de São
Paulo. Veja a íntegra dos votos no Portal do Tribunal de
Justiça: http://www.tj.sp.gov.br).

• Crimes contra a Honra


(Arts. 138, 139 e 140 do Cód. Penal;
arts. 20, 21 e 22 da Lei nº 5.250/67, Lei de Imprensa).

Calúnia
(art. 138 do Cód. Penal)

Voto nº 209
Apelação Criminal nº 1.040.555/1
Art. 138 do Cód. Penal

– A desonra é a “única desgraça que se imprime na alma como um caráter


imortal” (Matias Aires, Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, 1752, p.
42).
– Primeiro que se lhe imponha alguma pena, é mister provar que o acusado
cometeu o crime contra a honra, porque do mesmo modo que a calúnia a
condenação constitui marca indelével.

Voto nº 576

Habeas Corpus nº 312.022/3


Arts. 138 e 141, nº II, do Cód. Penal
– Em caso de “habeas corpus” fundado na alegação de falta de justa causa,
forçoso é proceder ao exame da prova, único processo lógico de apreensão
da verdade. “O que a lei não permite e o que a doutrina desaconselha é a
reabertura de um contraditório de provas, no processo sumaríssimo de
habeas corpus” (Rev. Trim. Jurisp., vol. 40, p. 271).
–“Na ação penal pública também vige o princípio da indivisibilidade da
ação penal, que deve ser velado pelo Ministério Público” (Damásio E. de
Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 13a. ed., p. 52).
– “A intenção de defender (animus defendendi) neutraliza a intenção de
caluniar (animus calumniandi)” (JTACrSP, vol. 70, p. 165).
–“O advogado tem de ser inteiramente livre, para poder ser completamente
escravo de seu dever profissional! O único juiz da sua conduta há de ser a
sua própria consciência...” (Alfredo Pujol, Processos Criminais, 1908, p.
128).
– Sobretudo a liberdade de expressão há sempre de garantir-se aos
advogados, que, dentre todos os profissionais, são os únicos a quem tocou a
palavra por instrumento de luta.
–“O advogado precisa da mais ampla liberdade de expressão para bem
desempenhar o seu mandato. Os excessos de linguagem, que porventura
cometa na paixão do debate, lhe devem ser relevados” (Rafael Magalhães,
in Rev. Jurisp., vol. I, p. 375).
–“O patrono de uma causa precisa, muitas vezes, para bem defendê-la,
assegurando assim o seu êxito, ser veemente, apaixonado, causticante. Sem
que o advogado revista a sua defesa de tais características, a sorte do seu
cliente estará, talvez, irremediavelmente perdida” (Sobral Pinto; apud,
Carvalho Neto, Advogados, 1946, p. 481).

Voto nº 658

Recurso em Sentido Estrito nº 1.065.383/1


Arts. 138, 139 e 140 do Cód. Penal

– Para submeter alguém ao rigor de um processo-crime, é mister apresente o


acusador (público ou particular) elementos dos quais se extraia o “fumus
boni juris”, ou a justa causa para a ação penal.
– A honra: “é mais preciosa e mais amável que a mesma vida” (Vieira,
Sermões, 1959, t. XIV, p. 228).
Voto nº 887
Apelação Criminal nº 1.090.619/8
Arts. 138 e 139 do Cód. Penal

– Não se aperfeiçoa o tipo do art. 139 do Cód Penal, sem a certeza de que era
intenção do sujeito denegrir a honra objetiva alheia. No caso de dúvida a
respeito do “animus diffamandi”, será prudente só o Magistrado que
absolver o réu.
– Nos crimes de calúnia, a dúvida acerca da falsidade da imputação elide o
dolo, imprescindível à sua configuração penal. Se verdadeiro o fato
criminoso imputado ao sujeito passivo, o delito do art. 138 do Cód. Penal
desaparece.
– É doutrina geralmente recebida que se não pode condenar sem prova plena,
certa e irrefutável.

Voto nº 1285

Apelação Criminal nº 1.110.869/1

Art. 138 do Cód. Penal

–“Eu te exorto, em nome dos deuses, a que não te entregues à calúnia, o mais
odioso de todos os vícios e uma injustiça que se pratica contra um
semelhante” (Heródoto, História, 1950, vol. II, p. 138; trad. J. Brito
Broca).
– Honra: “esta constitui uma religião, que se não pode desprezar sem crime”
(Matias Aires, Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, 1757, p. 101).
– Comete o delito de calúnia (art. 138 do Cód. Penal) aquele que, sabendo
falsa a imputação, atribui a Magistrado, por escrito, a prática de fato
definido legalmente como crime falimentar e prevaricação. É que
“nenhuma contemplação merecem aqueles que, por ódio, despeito,
rivalidade ou áspero prazer do mal, se fazem salteadores da honra alheia”
(Nélson Hungria, Comentários ao Código Penal, 1980, vol. VI, p. 43).

Voto nº 1363

Habeas Corpus nº 338.414/7


Art. 138 do Cód. Penal

– Em caso de “habeas corpus” fundado na alegação de falta de justa causa,


forçoso é proceder ao exame da prova, único processo lógico de apreensão
da verdade. “O que a lei não permite e o que a doutrina desaconselha é a
reabertura de um contraditório de provas, no processo sumaríssimo de
habeas corpus” (Rev. Trim. Jurisp., vol. 40, p. 271).
–“A intenção de defender (animus defendendi) neutraliza a intenção de
caluniar (animus calumniandi)” (JTACrSP, vol. 70, p. 165).
–“O advogado tem de ser inteiramente livre, para poder ser completamente
escravo de seu dever profissional! O único juiz da sua conduta há de ser a
sua própria consciência...” (Alfredo Pujol, Processos Criminais, 1908, p.
128).
– Sobretudo a liberdade de expressão há sempre de garantir-se aos
advogados, que, dentre todos os profissionais, são os únicos a quem tocou a
palavra por instrumento de luta.
–“O advogado precisa da mais ampla liberdade de expressão para bem
desempenhar o seu mandato. Os excessos de linguagem, que porventura
cometa na paixão do debate, lhe devem ser relevados” (Rafael Magalhães,
in Rev. Jurisp., vol. I, p. 375).
–“O patrono de uma causa precisa, muitas vezes, para bem defendê-la,
assegurando assim o seu êxito, ser veemente, apaixonado, causticante. Sem
que o advogado revista a sua defesa de tais características, a sorte do seu
cliente estará, talvez, irremediavelmente perdida” (Sobral Pinto; apud,
Carvalho Neto, Advogados, 1946, p. 481).

– A renúncia ao exercício do direito de queixa, em relação a um dos


autores do crime, a todos se estenderá (art. 49 do Cód. Proc. Penal) e
constitui causa de extinção da punibilidade do agente (art. 107, nº V, do
Cód. Penal).

Voto nº 1396

Apelação Criminal nº 1.144.717/5


Art. 22 da Lei de Imprensa (injúria)

– Quando as palavras são, de si mesmas, injuriosas, presume-se a intenção de


ofender (“cum verba sunt per se injuriosa, animus injuriandi
praesumitur”).
– A retorsão de injúrias (art. 22, parág. único, letra b, da Lei de Imprensa)
unicamente se admite quando a represália irrompe apenas a provocação
tenha chegado à notícia do ofendido, pois se inspira no mesmo critério da
legítima defesa, de que é condição essencial a atualidade.
– Nisto de honra, os que lhe compreendem o valor inestimável costumam
compará-la à mulher de César: “não pode ser nem sequer suspeitada”.
Aqueles que se abalizam na virtude não sofrem ver seus nomes metidos
entre os de corruptos, ainda que por engano!
– Desonra: “a única desgraça que se imprime na alma como um caráter
imortal!” (Matias Aires, Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, 1752, p.
42). Donde o haver a sabedoria das nações cunhado o prolóquio: a calúnia
é como o carvão, quando não queima, tisna.
– Para os efeitos do art. 22, parág. único, letra a, da Lei de Imprensa (perdão
judicial), basta a prova de que o ofendido concorreu diretamente para a
injúria, isto é, que entre sua provocação e o revide ofensivo tenha havido
nexo ideológico ou relação de causalidade.

Voto nº 3242

Apelação Criminal nº 1.211.185/5


Arts. 138, 139 e 140 do Cód. Penal;
art. 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal

– Sem prova plena e cabal de que tivesse o réu certeza da falsidade da


imputação formulada contra o ofendido, não se caracteriza o crime de
calúnia, por falha do elemento normativo do tipo (art. 138 do Cód.
Penal).
– Aquele que, sem o propósito de ferir a honra alheia, narra fatos que lhe
chegaram à notícia, não incorre em caso de calúnia, pela ausência do
elemento moral do tipo.
– Sem a certeza total da autoria do fato criminoso e da culpabilidade do
agente, não pode o Juiz Criminal proferir condenação, em obséquio ao
princípio comum de interpretação da dúvida: “in dubio pro reo”.

Voto nº 2157

Habeas Corpus nº 360.726/4


Art. 138 e art. 145, parág. único, do Cód. Penal;
art. 29, nº VI, da Const. Fed.
– A persecução penal por ofensa à honra de funcionário público “propter
officium” somente pode ser instaurada mediante ação penal pública
condicionada à representação do ofendido (art. 145, parág. único, do Cód.
Penal). Ao funcionário público, portanto, é defeso ajuizar queixa-crime
contra o autor da ofensa, visto lhe falece a legitimação “ad causam”, ou
pertinência subjetiva da ação, cuja titularidade pertence ao Ministério
Público, órgão estatal da pretensão punitiva.
– O vereador, no exercício de seu mandato e na circunscrição de seu
município, tem imunidade material (art. 29, nº VI, da Const. Fed.), de
sorte que não pode ser processado pelas opiniões, palavras e votos que, no
recinto da Câmara, venha a proferir no interesse da comunidade.

Voto nº 2269

Recurso em Sentido Estrito nº 1.205.707/1


Arts. 138, 139 e 140 do Cód. Penal

–“A intenção de defender (animus defendendi) neutraliza a intenção de


caluniar (animus calumniandi)” (JTACrSP, vol. 70, p. 165).
–“O advogado tem de ser inteiramente livre, para poder ser completamente
escravo de seu dever profissional! O único juiz da sua conduta há de ser a
sua própria consciência...” (Alfredo Pujol, Processos Criminais, 1908, p.
128).
– Sobretudo a liberdade de expressão há sempre de garantir-se aos
advogados, que, dentre todos os profissionais, são os únicos a quem tocou a
palavra por instrumento de luta.
–“O advogado precisa da mais ampla liberdade de expressão para bem
desempenhar o seu mandato. Os excessos de linguagem, que porventura
cometa na paixão do debate, lhe devem ser relevados” (Rafael Magalhães,
in Rev. Jurisp., vol. I, p. 375).
–“O patrono de uma causa precisa, muitas vezes, para bem defendê-la,
assegurando assim o seu êxito, ser veemente, apaixonado, causticante. Sem
que o advogado revista a sua defesa de tais características, a sorte do seu
cliente estará, talvez, irremediavelmente perdida” (Sobral Pinto; apud,
Carvalho Neto, Advogados, 1946, p. 481).

– Está além de toda a crítica a decisão que, por ausência de justa causa
(“fumus boni juris”), rejeita queixa por delito contra a honra, pois ninguém
pode ser submetido ao estrépito de ação penal, sem prova suficiente de sua
culpabilidade.
Voto nº 2962

Apelação Criminal nº 1.261.801/9


Arts. 138 e 140 do Cód. Penal;
art. 149 do Cód. Proc. Penal

– Não incorre na censura do direito o despacho que indefere pedido de


realização de exame médico-legal do acusado por falta do requisito exigido
por lei: forte dúvida sobre sua higidez mental (art. 149 do Cód. Proc.
Penal).
– Não configuram delitos contra a honra (calúnia e injúria) as observações
escritas de caráter genérico, feitas por assessora de empresa de ônibus a
seus funcionários, encarecendo-lhes espírito de cooperação profissional e
honestidade no trato do dinheiro proveniente das passagens. Ainda que
veementes, não encerram tais expressões a intenção de caluniar ou injuriar,
mas aconselhar (“animus consulendi”), o que afasta o elemento subjetivo
dos tipos (arts. 138 e 140 do Cód. Penal).

Voto nº 3036

Apelação Criminal nº 1.264.757/3


Art. 138 do Cód. Penal;
art. 133 da Const. Fed.

– A liberdade de requerer das partes “não deve degenerar em abuso por


forma a paralisar a marcha do processo, com o propósito de retardar a
administração da justiça ou tumultuar a ordem processual” (Bento de
Faria, Código de Processo Penal, 1960, vol. II, p. 210).
– O acusado que não se manifesta acerca de proposta de suspensão
condicional do processo (art. 89 da Lei nº 9.099/95), sobretudo se
intimado insistentemente a fazê-lo, já não pode reclamar a concessão do
benefício em grau de recurso. Não se ignoram os efeitos da inércia no
âmbito do processo penal, consubstanciado no aforismo jurídico:
“Dormientibus non succurrit jus”.
– Comete o crime de calúnia (art. 138 do Cód. Penal) o Advogado que, ao
patrocinar a defesa oral de Vereador no recinto de Câmara Municipal,
imputa falsamente a um dos edis fato definido como corrupção passiva (art.
317 do Cód. Penal) e não o prova nem se defende mediante exceção da
verdade.
– A imunidade penal do Advogado exige estreita relação entre a eventual
ofensa e o exercício da profissão (defesa de direito). A indenidade não
pretende liberar abusos, tanto que a disposição constitucional a impõe nos
limites da lei (art. 133 da Const. Fed.) (Damásio E. de Jesus, Código
Penal Anotado, 9a. ed., p. 460).

Voto nº 4919

Recurso em Sentido Estrito nº 1.386.873/1

Arts. 139 e 140 do Cód. Penal; art. 43 do Cód. Proc. Penal;


art. 29, nº VI, da Const. Fed.

– Não pode vereador ser processado por crime contra a honra, sem prévia e
cabal comprovação de que seu proceder incorreu na censura do Direito
Penal, pois que a Constituição da República lhe assegura a inviolabilidade,
“por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na
circunscrição do Município” (art. 29, nº VI).
– Há casos em que o Magistrado que dá de mão aos ápices da Lei e rejeita
queixa-crime argui não somente abalizada ciência do Direito, senão ainda
alto grau de sabedoria. É que o Estado, como escreveu o primeiro de nossos
penalistas, “só deve recorrer à pena quando a conservação da ordem
jurídica não se possa obter com outros meios de reação” (Nélson Hungria,
Comentários ao Código Penal, 1978, vol. I, t. I, p. 19).
– Ainda que simples infortúnio, o recebimento da queixa-crime que não
atende aos cânones processuais representa mal insigne para o indivíduo
porque, atingindo-lhe o “status dignitatis”, é sempre fonte e ocasião de
prejuízos imensos, muita vez irreparáveis.

Voto nº 5271

Apelação Criminal nº 1.357.271/4

Art. 90 da Lei nº 8.666/93; art. 133 da Const. Fed.;


art. 386, ns. III e VI, do Cód. Proc. Penal

– A arguição de nulidade por falta de apreciação de teses da Defesa não


prevalece contra a sentença cuja conclusão se mostre com elas
inconciliável. É que “a sentença precisa ser lida como discurso lógico”
(STJ; REsp nº 47.474/RS; 6a. Turma; rel. Min. Luiz Vicente
Cernicchiaro; DJU 24.10.94, p. 28.790).
– A figura do art. 90 da Lei nº 8.666/93 – que instituiu normas para licitações
e contratos da Administração Pública – somente se integra, segundo a
comum opinião dos doutores, com a obtenção de vantagem econômica. “A
infração só se realiza caso demonstrado o fim especial de agir: (...) intuito
de obter, para si ou para outrem, vantagem decorrente da adjudicação do
objeto da licitação” (Marcelo Leonardo, Crimes de Responsabilidade
Fiscal, 2001, p. 53).
– Advogado que emite parecer em processo de licitação não incorre na
censura do Direito Penal: à uma, porque, ao opinar, não obriga a
Administração Pública; à outra, porque é “inviolável por seus atos e
manifestações no exercício da profissão” (art. 133 da Const. Fed.); à
derradeira, porque ninguém pode ser punido por pensar: “Cogitationis
poenam nemo patitur” (Ulpiano).
–“No processo criminal, máxime para condenar, tudo deve ser claro como a
luz, certo como a evidência, positivo como qualquer expressão algébrica”
(Rev. Tribs., vol. 619, p. 267).

Difamação
(art. 139 do Cód. Penal)

Voto nº 401

Apelação Criminal nº 1.051.803/4

Art. 139 do Cód. Penal

– Nisto de crime contra a honra, prevalece a doutrina de que ao autor do


fato não lhe aproveita a escusa de que não estava em seu propósito ofender
a vítima, se o contrário se deixa conhecer das palavras e expressões que
proferiu. É a antiga fórmula: “Cum verba sunt injuriosa, animus injuriandi
praesumitur”.
– À luz do art. 139 do Cód. Penal, afigura-se de todo irrelevante a positiva
convicção da verdade do fato imputado, “por isso mesmo que a falsidade
da imputação é estranha ao conceito de difamação” (Nélson Hungria,
Comentários aos Código Penal, 1980, vol. VI, p. 88).

Voto nº 618

Apelação Criminal nº 1.071.429/7


Arts. 139 e 140 do Cód. Penal

– É doutrina geralmente recebida que não se integraliza o crime do art. 139


do Cód. Penal sem o “animus diffamandi”.
– É a honra “mais preciosa e mais amável que a mesma vida” (Vieira,
Sermões, 1959, t. XIV, p. 228).
– Nos crimes contra a honra, a dúvida acerca do elemento subjetivo do tipo é
razão de vulto, que autoriza decreto de improcedência da queixa.

Voto no 342

Recurso em Sentido Estrito nº 1.043.281/4

Arts. 138, § 2º, e 139 do Cód. Penal

– Em vista da omissão normativa, não constitui crime a difamação da


memória de pessoa falecida.
– Posto moralmente reprovável (demais de arguir em seu autor nódoa imensa
de caráter), não caracteriza ilícito penal o ato de quem difama ou injuria os
que já faleceram desta vida presente. Donde a impossibilidade de se lhe
instaurar persecução criminal.

Voto nº 887

Apelação Criminal nº 1.090.619/8

Arts. 138 e 139 do Cód. Penal

– Não se aperfeiçoa o tipo do art. 139 do Cód Penal, sem a certeza de que era
intenção do sujeito denegrir a honra objetiva alheia. No caso de dúvida a
respeito do “animus diffamandi”, será prudente só o Magistrado que
absolver o réu.
– Nos crimes de calúnia, a dúvida acerca da falsidade da imputação elide o
dolo, imprescindível à sua configuração penal. Se verdadeiro o fato
criminoso imputado ao sujeito passivo, o delito do art. 138 do Cód. Penal
desaparece.
– É doutrina geralmente recebida que se não pode condenar sem prova plena,
certa e irrefutável.

Voto nº 1153

Apelação Criminal nº 1.106.515/1

Art. 139 do Cód. Penal

– Esforcem-se as partes, quanto em si couber, por alcançar o ideal de


conciliação e pôr termo às querelas, poupando-se destarte aos
inconvenientes do estrépito forense (art. 520 do Cód. Proc. Penal). Sempre
é preferível transigir a contender.
– Embora direito do cliente recorrer ao órgão disciplinar da classe e encarecer
a apuração da responsabilidade de advogado por eventual infração do
Código de Ética Profissional (podendo, para tanto, narrar fatos, ainda que
da última gravidade), contudo lhe não é lícito dar sua opinião a respeito
deles. É que, nesse caso, já não estará a exercer direito (e talvez dever),
senão incorrendo em crime, pois viola o Código Penal quem, não com
“animus narrandi”, mas com o propósito de abocanhá-lo na honra, atribui a
outrem fato ofensivo à sua reputação, mesmo que verdadeiro.
– A honra, sentenciou o ínclito Vieira, é “mais preciosa e mais amável que a
mesma vida” (Sermões, 1959, t. XIV, p. 228).

Voto nº 2499

Habeas Corpus nº 370.026/4

Art. 139 do Cód. Penal;


art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Ainda na esfera do “habeas corpus”, é admissível a análise de provas para


aferir a procedência da alegação de falta de justa causa para a ação penal;
defeso é apenas seu exame aprofundado e de sobremão, como se pratica na
dilação probatória.
– Para trancar a ação penal sob o fundamento da ausência de “fumus boni
juris”, há mister se mostre a prova mais clara que a luz meridiana, a fim de
se não subverter a ordem jurídica, entre cujos postulados se inscreve o da
apuração compulsória, pelos órgãos da Justiça, da responsabilidade criminal
do infrator.
– Ainda que dirigida a pessoa jurídica, a imputação ofensiva pode, em tese,
configurar difamação (art. 139 do Cód. Penal), pois alcança seus
representantes legais, os sujeitos passivos do crime.

Voto nº 3254

Recurso em Sentido Estrito nº 1.266.281/1


Arts. 139 e 242 do Cód. Penal;
art. 400 do Cód. Proc. Penal

– É direito do acusado peticionar e juntar aos autos os documentos que julgar


úteis à sua defesa, o que a lei não somente prevê, mas parece persuadir, em
obséquio à busca da verdade real, alma e escopo de todo o processo (art.
400 do Cód. Proc. Penal e art. 5º, nº XXXIV, alínea a, da Const. Fed.).
– Não comete crime de difamação a testemunha que presta depoimento sob
o compromisso de dizer verdade, pois a intenção de narrar fatos exclui o
dolo, ou “animus diffamandi”. Se faltar à verdade, incorrerá nas penas do
falso testemunho, crime de ação penal pública (art. 342 do Cód. Penal).

Voto nº 3584

Apelação Criminal nº 1.295.175/4


Art. 21 da Lei nº 5.250/67;
art. 43, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Nenhum reparo, senão franco louvor, merece o despacho de delibação que,


em obediência às regras do Direito, atalha o curso da persecução penal e
preserva o indivíduo de graves danos a seu “status dignitatis” (art. 43, nº I,
do Cód. Proc. Penal).
–“Em face do Código atual, somente pode ser sujeito passivo de crime contra
a honra a pessoa física (...). A pessoa jurídica não é instituto de Direito
Penal” (Nélson Hungria, Comentários ao Código Penal, 1980, vol. VI, pp.
44 e 45).
– Não configura crime de difamação (art. 21 da Lei de Imprensa), mas
exercício do direito de crítica, o teor de proceder de quem, durante
entrevista a órgãos da imprensa e radiodifusão, faz acerbos comentários ao
sistema de saúde, a cuja deficiência atribui a morte da filha.
– Algum excesso que porventura cometa, por incontinência de linguagem,
sempre haverá de relevar-se à mãe que, em razão da morte da filha,
desfecha violentas críticas a instituição hospitalar. Espera ainda a
Humanidade apareça aquele que, tendo-lhe morrido o filho, consiga, com
afronta das leis da Natureza, unir a dor à serenidade da reflexão!

Injúria
(art. 140 do Cód. Penal)

Voto nº 2749
Apelação Criminal nº 1.219.995/3

Arts. 138, 139, 140 do Cód. Penal;


art. 18, parág. único, do Cód. Penal

– A forma tem inquestionável importância, como o significa o trilhado


brocardo jurídico “forma dat esse rei”: a forma dá vida à coisa. Não há,
entretanto, imolar na ara do frívolo curialismo, pois entre nós foi
“consagrado o princípio geral de que nenhuma nulidade ocorre se não
há prejuízo para a acusação ou a defesa” (Exposição de Motivos do
Cód. Proc. Penal, nº XVII).
– A linguagem veemente, nos pleitos judiciais, é matéria que não espanta
nem admira: empregaram-na sempre os mais abalizados causídicos. O
que requer tem o direito de fazê-lo com energia e bravura; aliás, nisto
parece que assenta a pedra de toque da confiança e justiça do pedido,
conforme aquilo do genial Vieira: “Não hei de pedir pedindo, senão
protestando e argumentando, pois esta é a licença e liberdade que tem
quem não pede favor senão justiça” (Sermões, 1683, t. III, p. 472).
– Não há confundir, todavia, animação de linguagem com ofensa ou
convício. Sob a cor de prover à defesa de seus direitos, ao litigante não é
lícito abocanhar a honra alheia.
– A petição há de ser escrita respeitosamente, atenta a prerrogativa da
dignidade judiciária e das instituições (Pontes de Miranda, História e
Prática do Habeas Corpus, 4a. ed., p. 409).
– “A injúria é sempre um mau argumento: não é lógico, porque não desce
da razão; brota do sentimento, por isso não convence, revolta; a injúria
nada prova. No mais das vezes, ela é a razão do que não tem razão”
(Eliézer Rosa, Novo Código de Processo Civil, 1986, p. 46).
–“Se a intenção do sujeito é apenas de narrar um fato (animus narrandi ),
descrevendo sem vontade tendenciosa o que viu ou ouviu, não há os
elementos subjetivos do tipo” (Damásio E. de Jesus, Código Penal
Anotado, 9a. ed., p. 442).
– Ainda quando descomedida e apartada da usança pretoriana, a voz da
Defesa é da primeira importância no seio dos autos.
– Isto a calúnia tem de especial: torna pior o caluniador, que não o
caluniado.

Voto nº 441

Apelação Criminal nº 1.062.077/1

Art. 140 do Cód. Penal

– Desde que proferidas no ardor de discussão, expressões afrontosas não


caracterizam injúria, pela ausência do intuito criminoso. Para configurar o
delito do art. 140 do Cód. Penal, com efeito, é mister o dolo específico, o
“animus injuriandi”, inconciliável com o estado de espírito de quem se
empenha em altercação.

Voto nº 577

Recurso em Sentido Estrito nº 1.043.243/7

Art. 140 do Cód. Penal

– A cláusula do art. 41 do Cód. Proc. Penal – “exposição do fato criminoso


com todas as suas circunstâncias” – prescreve que a denúncia e a queixa
contenham a descrição perfeita e pormenorizada, “não apenas do fato
infringente da lei, como também de todos os acontecimentos que o
cercaram, não somente de seus acidentes, mas ainda das causas, efeitos,
condições, ocasião, antecedentes e consequentes” (Hélio Tornaghi, Curso
de Processo Penal, 1980, vol. I, p. 47).
– Proferidas no auge de discussão, as expressões tidas por injuriosas não
configuram delito, por ausência do “animus injuriandi”, isto é, a
consciência e a vontade de agravar a honra alheia.
– É de bom exemplo não submeter ao estrépito de um processo o autor de
fato que, por de somenos, não devera cair sob o rigor da Justiça Criminal.
Voto nº 582

Apelação Criminal nº 1.069.439/1

Art. 140 do Cód. Penal

– Comete injúria quem dirige a outrem palavras que, por seu teor aviltante e
insultuoso, inegavelmente lhe ferem a dignidade e o decoro.
–“Nenhuma contemplação merecem aqueles que, por ódio, despeito,
rivalidade ou áspero prazer do mal, se fazem salteadores da honra alheia”
(JTACrSP, vol. 65, p. 451).

Voto nº 2925

Recurso em Sentido Estrito nº 1.210.797/9


Arts. 138, 139 e 140 do Cód. Penal;
arts. 41 e 43, nº III, do Cód. Proc. Penal

– Ao investir o particular do direito de processar o autor de crime contra a


honra, transferiu-lhe também o Estado o encargo de elaborar a peça
técnica, segundo o rigor do estilo judiciário. A queixa-crime, por isso,
“conterá a exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias”,
em ordem a possibilitar a verificação da existência de justa causa para a
“persecutio criminis” e a plena defesa do acusado (art. 41 do Cód. Proc.
Penal).
– A inobservância do referido cânon (art. 41 do Cód. Proc. Penal) importa
vício formal grave, cuja sanção é a rejeição mesma da queixa-crime.
– “As omissões da queixa só podem ser supridas (CPP, art. 569) dentro do
prazo de seis meses previsto no art. 38 (STF, RTJ 57/190; TJSP, RT
514/334)” (Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 17a.
ed., p. 43).

Voto nº 3013

Apelação Criminal nº 1.264.013/0


Art. 140 do Cód. Penal;
art. 566 do Cód. Proc. Penal
–“Mas, essa liberdade (de requerer) não se deve degenerar em abuso, por
forma a paralisar a marcha do processo, com o propósito de retardar a
administração da justiça ou de tumultuar a ordem processual” (Bento de
Faria, Código de Processo Penal, 1960, vol. II, p. 210).
–“Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído
na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa” (art. 566 do
Cód. Proc. Penal).
–“Nenhuma contemplação merecem aqueles que, por ódio, despeito,
rivalidade ou áspero prazer do mal, se fazem salteadores da honra alheia”
(Nélson Hungria, Comentários ao Código Penal, 1980, vol. VI, p. 43).

Voto nº 3087

Recurso em Sentido Estrito nº 1.258.839/8


Art. 144 do Cód. Penal

– Os autos do pedido de explicações, após manifestação de quem as compete


prestar, serão entregues ao requerente, sem que se pronuncie o Juízo a
respeito do ponto controverso (art. 144 do Cód. Penal).
– Faltando a sucumbência, que lhe é pressuposto fundamental, nenhum
recurso cabe de decisão proferida nos autos do pedido de explicações.

Voto nº 3242

Apelação Criminal nº 1.211.185/5

Arts. 138, 139 e 140 do Cód. Penal;


art. 386, nº VI, do Cód. Proc. Penal

– Sem prova plena e cabal de que tivesse o réu certeza da falsidade da


imputação formulada contra o ofendido, não se caracteriza o crime de
calúnia, por falha do elemento normativo do tipo (art. 138 do Cód.
Penal).
– Aquele que, sem o propósito de ferir a honra alheia, narra fatos que lhe
chegaram à notícia, não incorre em caso de calúnia, pela ausência do
elemento moral do tipo.
– Sem a certeza total da autoria do fato criminoso e da culpabilidade do
agente, não pode o Juiz Criminal proferir condenação, em obséquio ao
princípio comum de interpretação da dúvida: “in dubio pro reo”.
Voto nº 2094

Apelação Criminal nº 1.196.111/9

Art. 22 da Lei de Imprensa (injúria)

–“A Imprensa é a vista da nação” (Rui, A Imprensa e o Dever da Verdade,


1920, p. 15).
–“Não há Justiça sem Imprensa. A publicidade é o princípio que preserva a
Justiça de corromper-se. Todo o poder que se oculta perverte-se” (Rui,
Discurso, 30.11.1895, p. 18).
– Os excessos da Imprensa devem sempre ser coibidos, porque a liberdade de
informar não tem foros sobre a honra.

Voto nº 4919

Recurso em Sentido Estrito nº 1.386.873/1

Arts. 139 e 140 do Cód. Penal; art. 43 do Cód. Proc. Penal;


art. 29, nº VI, da Const. Fed.

– Não pode vereador ser processado por crime contra a honra, sem prévia e
cabal comprovação de que seu proceder incorreu na censura do Direito
Penal, pois que a Constituição da República lhe assegura a inviolabilidade,
“por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na
circunscrição do Município” (art. 29, nº VI).
– Há casos em que o Magistrado que dá de mão aos ápices da Lei e rejeita
queixa-crime argui não somente abalizada ciência do Direito, senão ainda
alto grau de sabedoria. É que o Estado, como escreveu o primeiro de nossos
penalistas, “só deve recorrer à pena quando a conservação da ordem
jurídica não se possa obter com outros meios de reação” (Nélson Hungria,
Comentários ao Código Penal, 1978, vol. I, t. I, p. 19).
– Ainda que simples infortúnio, o recebimento da queixa-crime que não
atende aos cânones processuais representa mal insigne para o indivíduo
porque, atingindo-lhe o “status dignitatis”, é sempre fonte e ocasião de
prejuízos imensos, muita vez irreparáveis.

Voto nº 746

Apelação Criminal nº 1.080.155/8


Art. 140 do Cód. Penal;
art. 40, nº I, alínea c, da Lei nº 5.250/67 (Lei de Imprensa)

– Simples irregularidade, a apresentação de razões fora do prazo não obsta ao


conhecimento da apelação, uma vez que, até sem elas, dispõe a lei que os
autos serão remetidos à Instância Superior (art. 601 do Cód. Proc. Penal).
O ponto está em que o recurso tenha sido tempestivo.
– Está sujeito à Lei de Imprensa (Lei nº 5.250, de 9.2.67) aquele que, em
entrevista divulgada pela televisão, profere expressões injuriosas.
– Nos crimes definidos pela Lei de Imprensa, a denúncia ou queixa deverá
ser instruída com a notificação a que se refere seu art. 58. Como se trata de
documento substancial, pode sua falta implicar a rejeição da queixa.
– Ditos chistosos e comentários vivazes, próprios do jornalismo desportivo,
só excepcionalmente configuram crime contra a honra, pela carência do
elemento subjetivo: “animus calumniandi, diffamandi vel injuriandi”.
–“De todas as liberdades é a da imprensa a mais necessária e a mais
conspícua” (Rui, Obras Seletas, t. VII, p. 158).
–“(...) Cavour, jornalista, no seu Risorgimento: Non tocate la stampa! Não
toqueis na imprensa, que é sagrada!” (Rui, op. cit., p. 182).

Voto nº 1968

Apelação Criminal nº 1.190.807/5


Art. 29 da Lei nº 5.250/67

–“A Imprensa é a vista da nação” (Rui, A Imprensa e o Dever da Verdade,


1920, p. 15).
–“Para os homens honrados há leis que nunca lhes será lícito infringir”
(Rui, Obras Completas, vol. XXXIV, t. I, p. 35).
– Ofensa à reputação de Câmara Municipal toca diretamente à honra
objetiva de seus membros e, pois, justifica o direito de resposta previsto no
art. 29 da Lei de Imprensa.
– O exercício do direito de resposta não está adstrito à demonstração do erro
ou inverdade da notícia divulgada, que se presumem a prol de seu titular,
desde que o indique de forma clara e pontual.
– Os excessos da Imprensa devem sempre ser coibidos, porque a liberdade de
informar não tem foros sobre a honra.
Voto nº 1995

Apelação Criminal nº 1.181.061/1


Art. 140 do Cód. Penal

– Bem eminentíssimo, a honra nenhum homem digno a perde senão com a


própria vida. Não é muito, pois, que as legislações de todos os povos cultos
ponham timbre em preservá-la dos detratores, cominando-lhes penas da
última severidade.
–“Nenhuma contemplação merecem aqueles que, por ódio, despeito,
rivalidade ou áspero prazer do mal, se fazem salteadores da honra alheia”
(Nélson Hungria, Comentários ao Código Penal, 1980, vol. VI, p. 43).
– Honra: “religião humana, que se não pode desprezar sem crime” (Matias
Aires, Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, 1752, p. 101).
– Não há crime de injúria (art. 140 do Cód. Penal) se o agente empregou as
expressões notadas de ofensivas no regular exercício do direito de crítica,
sem o deliberado propósito de agravar a honra subjetiva alheia. O “animus
criticandi” exclui o dolo, sendo pois o fato penalmente atípico.

Voto nº 1144

Apelação Criminal nº 1.103.949/8


Arts. 140 e 141, nº II, do Cód. Penal

– A confissão, no geral sentir dos doutores, é a mais perfeita das provas:


“Confessio est regina probationum”.
– Pratica injúria (art. 140 do Cód. Penal) aquele que, em presença de muitos,
imputa a funcionário público fato que, embora de cunho genérico e vago,
lhe ofende a dignidade.
– No crime de injúria, consiste o dolo na consciência mesma do caráter
contumelioso das expressões irrogadas à vítima, adotada a fórmula dos
práticos: “cum verba sunt per se injuriosa, animus injuriandi praesumitur”.
–“Nenhuma contemplação merecem aqueles que, por ódio, despeito,
rivalidade ou áspero prazer do mal, se fazem salteadores da honra alheia”
(Nélson Hungria, Comentários ao Código Penal, 1980, vol. VI, p. 43).
Voto nº 1224

Embargos de Declaração nº 1.103.949/8 1


Art. 140 do Cód. Penal

– O mérito da apelação não pode ser objeto de embargos declaratórios, que


isto equivaleria a renovar instância recursal já exausta.
– Para sua configuração legal (art. 140 do Cód. Penal), a injúria não há
mister da ciência de terceiro; basta-lhe a do ofendido.

Voto nº 1396

Apelação Criminal nº 1.144.717/5


Art. 22 da Lei nº 5.250/67

– Quando as palavras são, de si mesmas, injuriosas, presume-se a intenção de


ofender (“cum verba sunt per se injuriosa, animus injuriandi
praesumitur”).
– A retorsão de injúrias (art. 22, parág. único, letra b, da Lei de Imprensa)
unicamente se admite quando a represália irrompe apenas a provocação
tenha chegado à notícia do ofendido, pois se inspira no mesmo critério da
legítima defesa, de que é condição essencial a atualidade.
– Nisto de honra, os que lhe compreendem o valor inestimável costumam
compará-la à mulher de César: não pode ser nem sequer suspeitada.
Aqueles que se abalizam na virtude não sofrem ver seus nomes metidos
entre os de corruptos, ainda que por engano!
– Desonra: “a única desgraça que se imprime na alma como um caráter
imortal!” (Matias Aires, Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, 1752, p.
42). Donde o haver a sabedoria das nações cunhado o prolóquio: a calúnia
é como o carvão, quando não queima, tisna.
– Para os efeitos do art. 22, parág. único, letra a, da Lei de Imprensa (perdão
judicial), basta a prova de que o ofendido concorreu diretamente para a
injúria, isto é, que entre sua provocação e o revide ofensivo tenha havido
nexo ideológico ou relação de causalidade.

Voto nº 1410

Apelação Criminal nº 1.146.159/7


Art. 140 do Cód. Penal

–“Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige...”
(art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil).
–“Usar de razão e amar são duas cousas que não se ajuntam” (Vieira,
Sermões, 1959, t. IV, p. 326).
– A ideia de que pequenas infrações podem subtrair-se ao direito sancionador
já a propugnavam os romanos, perpetuando-a na fórmula clássica: “de
minimis non curat praetor”.
– À majestade da Justiça (perante a qual só devem ter entrada os fatos
relevantes) não convém entender em questões miúdas nem recorrer aos
ápices da Lei e do Direito.
– Sem prova de ter o agente procedido com a intenção de ofender a honra
subjetiva alheia (“animus injuriandi”), não há crime que punir.

Voto nº 1431

Apelação Criminal nº 1.147.531/6

Art. 22 da Lei nº 5.250/67

–“A existência privada do cidadão é indevassável, a sua vida pública não.


Esta está sujeita à vassoura da crítica” (Darcy Arruda Miranda,
Comentários à Lei de Imprensa, 1969, vol. I, p. 354).
– Os mandatários estão sujeitos à apreciação dos mandantes, aos quais devem
dar contas de seus atos, e isto mesmo se entende dos administradores
públicos, no exercício de sua função. Pelo que, não constitui injúria a
crítica, ainda que acerba, aos atos praticados pelos agentes da
Administração Pública, desde que se lhes poupem os fatos da vida privada.
– A crítica inspirada pelo interesse público, reza a Lei de Imprensa que não
constitui abuso no exercício da liberdade de manifestação de pensamento e
de informação (art. 27, nº VIII).
– “Grito de ansiedade e resolução indomável de Cavour jornalista no seu
Risorgimento: Non tocate la stampa. Não toqueis na Imprensa, que é
sagrada! Se ela tem excessos, esses defeitos mesmos encerram o seu lado
útil” (Rui, Obras Completas, vol. VI, t. I, p. 182).
Voto nº 6448

Recurso em Sentido Estrito nº 831.079-3/5

Arts. 20, 21, 22 e 44, § 2º, da Lei nº 5.250/67;


arts. 579 e 581, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Embora seja a apelação o recurso adequado a impugnar decisão que rejeita


queixa por crime contra a Lei de Imprensa (art. 44, § 2º), não prejudica a
parte utilizar o recurso em sentido estrito. É que integra nosso sistema
jurídico o princípio da fungibilidade da interposição dos recursos. “Salvo a
hipótese de má-fé a parte não será prejudicada pela interposição de um
recurso por outro” (art. 579 do Cód. Proc. Penal).
– Ainda que acerba e veemente, não constitui injúria a crítica feita, pela
imprensa, a administrador público, no desempenho de sua função. É que o
mandatário está sujeito à apreciação do mandante. Demais, verdadeiro
exercício de cidadania, as críticas têm muito concorrido para o
aprimoramento dos serviços públicos e, portanto, para a realização do bem
comum (arts. 20, 21 e 22 da Lei de Imprensa).
–“A imprensa é a vista da nação” (Rui, A Imprensa e o Dever da Verdade,
1920, p. 15).
– É superior a toda crítica a decisão que rejeita, de plano, queixa-crime, sob
o argumento de que o fato nela descrito não entende com a esfera criminal,
senão com o Direito Civil, no âmbito das inadimplências contratuais. A
sanção penal, de consequências graves para o indivíduo, deve-se reservar às
hipóteses em que demonstrada, inequivocamente, a existência de crime
(art. 43, nº I, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 3182

Recurso em Sentido Estrito nº 1.234.377/8


Art. 140 do Cód. Penal

– Impossível que é obstar a realização de ato processual já perfeito e


acabado, tem-se por prejudicado recurso interposto com esse intuito.
–‘Como o escopo do processo é a pesquisa da verdade real, nenhum
prejuízo pode trazer ao litigante de boa-fé a presença, nos autos, de
provas obtidas por meio lícito e com observância do princípio do
contraditório. Faz ao propósito aquilo dos velhos praxistas: “Quod
abundat non nocet”. Em nosso vernáculo: o que abunda não dana.
– É a prova, consoante retrilhada parêmia, o farol que ilumina o Juiz na
boa decisão da causa.
Voto nº 3616

Apelação Criminal nº 1.277.167/3


Art. 593, nº I, do Cód. Proc. Penal;
art. 22 da Lei nº 5.250/67

– Ainda que desacompanhada de razões escritas, pode o Tribunal, em


obséquio ao princípio de ampla defesa, conhecer e julgar da apelação
tempestiva do réu (art. 593, nº I, do Cód. Proc. Penal).
– Não obsta à persecução criminal em Juízo, por crime contra a honra, a
circunstância de, na publicação considerada injuriosa, não ter sido
expressamente declinado o nome do ofendido, se lhe foi apurada a
identidade.
– Chamar “nefasto” a advogado, em artigo de jornal, constitui crime de
injúria (art. 22 da Lei de Imprensa), pois o vocábulo argui a ideia do que é
“nocivo, prejudicial, danoso”, etc. Dar “nefasto” a alguém, com efeito, é
incluí-lo entre os símbolos ou agentes do mal.
– Injúria “é um insulto que macula a honra subjetiva, arranhando o conceito
que a vítima faz de si mesma” (Guilherme de Souza Nucci, Código Penal
Comentado, 2000, p. 375).

Voto nº 3917

Recurso em Sentido Estrito nº 1.310.393/3


Art. 140 do Cód. Penal; art. 41 do Cód. Proc. Penal

– A instauração da “persecutio criminis in judicio”, por implicar violência


considerável ao estado de dignidade do indivíduo, não a deve ordenar o
Magistrado sem excepcional cautela, ao proferir o despacho de delibação.
– Importa muito não esqueça ao Juiz que, em todo o seu rigor de norma
preceptiva, dispõe o art. 5º, nº XXXV, da Const. Fed.: “a lei não excluirá da
apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.
– O direito à honra (que graves autores antepõem à própria vida) justamente
se deve defender e reparar, quando violado. Pelo que, não pode a Justiça
Criminal fechar as portas, “in limine”, ao ofendido, se afirma ter sido
agravado em sua dignidade e o comprova com testemunhos e documentos.
– Ainda que, de regra, a queixa-crime deva acompanhar-se de inquérito
policial, pode supri-lo se instruída com elementos que evidenciem a
existência e a autoria do fato criminoso e, portanto, a justa causa para a
ação penal de iniciativa privada (art. 41 do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 3918

Recurso em Sentido Estrito nº 1.308.725/3

Art. 140 do Cód. Penal; art. 38 do Cód. Proc. Penal;


art. 107, nº IV, 2a. fig., do Cód. Penal

– Se o ofendido não exerce o direito de queixa no prazo peremptório e


improrrogável de 6 meses, a contar da data da ciência da autoria do crime
(art. 38 do Cód. Proc. Penal), opera-se a decadência, que impede a
instauração da persecução penal, por extinta já a punibilidade do agente
(art. 107, nº IV, 2a. fig., do Cód. Penal).

Voto nº 4336

Recurso em Sentido Estrito nº 1.343.653/3


Arts. 21 e 22 da Lei nº 5.250/67;
arts. 41 e 43 do Cód. Proc. Penal

– O recebimento da queixa deve atender aos mesmos pressupostos que


vigoram quanto à denúncia: imputação de fato criminoso e legitimidade de
parte (“legitimatio ad causam”).
– A imunidade material do prefeito, prevista na lei orgânica do município,
respeita unicamente às opiniões e conceitos desfavoráveis que emitir no
exercício da função ou em razão dela; não lhe compreende os excessos de
linguagem que cometer durante entrevista radiofônica, nem as ofensas
verbais que irrogar a vereador enquanto particular e profissional liberal.
– Chamar nomes (“psicopata” e “advogado ruim”) a profissional liberal
(advogado e contador) com assento em câmara de vereadores configura, em
tese, delito contra a honra (injúria e difamação). “Uma coisa é acusar ou
denunciar de modo responsável; outra, vilipendiar e denegrir leviana-
mente” (Cícero, Em Defesa de Célio, cap. III).
– Em caso de delito contra a honra de funcionário público, fica a seu nuto
representar ao Ministério Público para que promova ação penal contra o
ofensor ou, por iniciativa própria, instaurar a “persecutio criminis”
mediante ajuizamento de queixa. Exegese é esta que nossos Tribunais
Superiores geralmente emprestam ao teor literal do art. 40, nº I, alínea b,
da Lei de Imprensa (cf. Rev. Tribs., vol. 781, p. 684).

Voto nº 9469

Recurso em Sentido Estrito nº 1.083.928-3/5-00

Arts. 140, § 3º,e 145 do Cód. Penal;


arts. 14 e 20 da Lei nº 7.716/89; art. 38 do Cód. Proc. Penal;
art. 2º da Lei nº 9.459/97;
arts. 103 e 107, nº IV, 2a. fig., do Cód. Penal

– O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade


do exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código
Penal Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
– Se o ofendido não exerce o direito de queixa no prazo peremptório e
improrrogável de 6 meses, a contar da data da ciência da autoria do
crime (art. 38 do Cód. Proc. Penal), opera-se a decadência, que impede
a instauração da persecução penal, por extinta já a punibilidade do
agente (art. 107, nº IV, 2a. fig., do Cód. Penal).
– Não se confunde a injúria racial ou preconceituosa (art. 140, § 3º, do
Cód. Penal), com os crimes resultantes de discriminação ou preconceito
de raça e cor, definidos e punidos pela Lei nº 7.716/89: enquanto aquela
é a ofensa à honra subjetiva relacionada com a raça ou a cor, a nota
distintiva dos crimes de racismo consta da prática de atos de
segregação, i.e., que visam a impedir ou obstar a alguém, por amor dos
acidentes de sua cor ou etnia, o acesso aos bens da vida, ou o livre
exercício de seus direitos.

(Em breve, novas ementas)