Boletim de D.

António Barroso

Director: Amadeu Gomes de Araújo, Vice-Postulador
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III Série  .  Ano V  .  N.º 13  .  Janeiro / Março de 2015

CONCLUÍDO E ENVIADO PARA ROMA O PROCESSO
DE BEATIFICAÇÃO DE D. ANTÓNIO BARROSO
ENCERRADO O PROCESSO DO MILAGRE, POR PADRE MANUEL CASTRO AFONSO
No Paço Episcopal do Porto,
em sessão pública do Tribunal
diocesano, presidida pelo bispo D. António Francisco dos
Santos, encerrou-se, na tarde
do passado dia 4 de Março, o
processo relativo a um milagre atribuído à intercessão de
D. António Barroso. A sala do
tribunal encheu-se de devotos,
vindos da sua terra natal, Remelhe, Barcelos, com a sua Junta de freguesia, de Cernache
do Bonjardim onde ele se formou missionário, também com
a junta de Freguesia, da Sociedade Missionária da Boa Nova,
continuadora da missionação
dos sacerdotes seculares por-

tugueses, com o Superior Geral e seu conselho, familiares
de D.  António Barroso, quatro filhos do Dr. José Ferreira
Gomes, iniciador e primeiro

NA QUINTA-FEIRA SANTA, DIA 2 DE ABRIL, O PAPA
FRANCISCO VISITOU OS RECLUSOS DA CADEIA DE
REBIBBIA, EM ROMA, ONDE PRESIDIU À MISSA E
LAVOU OS PÉS DE ALGUNS PRESOS

vice-postulador da causa de
beatificação, à qual consagrou
os últimos 25 anos da sua
vida, membros do cabido diocesano e bispos auxiliares, e
o actual vice-postulador da
causa de beatificação, também
natural de Remelhe, Doutor
Amadeu Gomes de Araújo, a
quem D. António Francisco incumbiu de levar pessoalmente
a Roma os actos do processo,
sob sigilo, tal como sob sigilo
decorreu todo o processo.
O trabalho do tribunal está
protegido por rigoroso segredo canónico e dele nada pode
ser divulgado.
Contudo, encerrando a sessão em ambiente de júbilo,
D. António Francisco, que recentemente tratou em Roma
dos vários processos de beatificação e canonização da dio-

cese do Porto, congratulou-se
com a feliz conclusão deste
processo dum milagre atribuído a D. António Barroso e
acentuou que a Congregação
da Canonização dos Santos lhe
recomendara que apressasse o
seu envio para Roma.
De facto o centenário da
morte de D. António Barroso, que ocorre em 2018, seria
boa oportunidade para a Igreja
oficializar, com a beatificação,
a veneração que lhe tem vindo a ser prestada pelos fiéis
desde a sua morte em 1918.
A campanha para a beatificação foi iniciada em Outubro
de 1991 pelo Dr. José Ferreira
Gomes, advogado de profunda
fé, natural de Remelhe, e pelo
P. Manuel Castro Afonso, Superior da Sociedade Missionária
da Boa Nova. O acolhimento
por parte do bispo do Porto,
D. Júlio Tavares Rebimbas, e de
todo o episcopado foi imediato. No ano seguinte o tribunal
diocesano do Porto iniciou o
processo para a sua beatificação que foi encerrado em
1994, e levado a Roma pelo Dr.
José Ferreira Gomes que D. Júlio nomeara vice-postulador. O
presumível milagre agora julgado pelo mesmo tribunal diocesano do Porto irá completar o
processo canónico em Roma.

Fundador: Pe. António F. Cardoso
Design: Filipa Craveiro | Alberto Craveiro
Impressão: Escola Tipográfica das Missões - Cucujães - tel. 256 899 340 | Depósito legal n.º 92978/95 | Tiragem 2.600 exs. | Registo ICS n.º 116.839

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Boletim de D. António Barroso
PELAS TERRAS DO REINO DO CONGO
EVOCANDO A MEMÓRIA DE D. ANTÓNIO BARROSO
Texto e fotos de Augusto Farias (continuação do boletim anterior)
do aparelho de estado, já reconstruíram o
internato masculino e as escolas. Agora vai
começar a reconstrução da casa paroquial,
da Igreja e finalmente a casa das Irmãs. É
o reconhecimento por tudo quanto receberam para chegarem à posição que hoje
têm na sociedade.
Frei Mariano, hoje com mais dois frades
capuchinhos, falou-me dos atuais desafios
pastorais: a chegada permanente de gente
nova, alguma vinda do Congo, a proliferação das seitas, a candonga, a formação de
catequistas para responderem às seitas,
a problemática juvenil hoje em profunda
crise de identidade e de cultura, as tradições ancestrais a corroer a cultura evanO PADRE AUGUSTO FARIAS, DA SOCIEDADE MISSIONÁRIA DA BOA NOVA,
NAS TERRAS ANGOLANAS DE MBANZA CONGO, ONDE TRABALHOU O
gélica… enfim um mundo de situações a
PADRE ANTÓNIO BARROSO, SERVO DE DEUS A CAMINHO DOS ALTARES
que é necessário dar resposta.
Na manhã seguinte, dia 10, iniciámos do dia. Pelo caminho muitos postos de
Maquela do Zombo, devido à proximinova aventura. D. Vicente desafiou-me a controlo da polícia, tropa e guarda fron- dade com o Congo Democrático sempre
acompanhá-lo até Maquela do Zombo, a teira devido à proximidade do Congo.
foi uma zona de risco. Aí estão aquartela180 Km quase sempre ao lado da fronEm Maquela do Zombo fomos rece- dos mais de 3.000 militares e 400 polícias
teira com o Congo Democrático, por ca- bidos pelo Frei Mariano Rampazzo há 46 de intervenção rápida para além de cenminhos do demo. Valeu-nos a perícia do anos a trabalhar naquela imensa paróquia tenas de agentes da guarda fronteira para
seu motorista, homem experimentado com comunidades a 200Km. No dia an- controlarem gente que vem do norte de
naquelas picadas. A primeira paragem foi terior tinha regressado duma visita de África e que tenta entrar em Angola por
em Quimba, uma recém Paróquia criada 11 dias a essas comunidades longínquas estas fronteiras à busca da “terra prometia 15 de Agosto e entregue à
da”. Vêm do Mali, do Senegal,
Congregação dos Pobres SerMauritânia, Nigéria, das Guivos da Divina Providência. Aí
nés, Congos…
encontramos o velho amigo P.
No regresso a Luanda cruNelo que ao terminar o seu
zámos com dezenas de platamandato de Provincial se ofeformas carregadas de peixe
receu para essa nova Paróseco, cimento, ferro, gasoil,
quia a começar do nada. Tem
óleos vegetais e outros proapenas a Igreja Paroquial na Aspectos da cidade de Mbanza Congo, onde o Padre António Barroso dutos alimentares a caminho
exerceu actividade missionária, entre 1881e 1888
vila e uma pequena casa ofede Mbanza Congo com desrecida pelo governo num bairro residen- apesar da idade e dos limites de saúde. A tino ao Congo. Disse Frei Mariano que
cial nos arredores. Ele e um jovem padre paixão pela missão e pelo povo ultrapassa junto à fronteira se está a construir um
angolano remendavam o tecto novo de todas essas contingências!... É uma espécie enorme interposto comercial para servir
chapa de zinco já furada com pastilhas de de monumento histórico. Com ele passei de apoio às vilas e cidades fronteiriças.
chiclete… engenho missionário! Foi uma o resto da manhã. Contou-me imensas É uma zona de grande desenvolvimento
enorme alegria para todos, mas particu- peripécias, as amizades, os riscos e até comercial. Embora sem grandes linhas urlarmente para eles que vivem num grande ameaças de morte pelos mercenários da banísticas vai surgir uma enorme cidade
isolamento. O Bispo partilhou com eles os FNLA, a entrada dos cubanos e agora a com pequenos palacetes de gente grande
mamões que tinha levado do seu quintal administração angolana. Na sala de entra- de Luanda. Estão a nascer outros prédios
do paço e eles connosco o seu pequeno da há várias placas de mérito oferecidas para apoio à extracção da maior jazida de
almoço que deu para umas trocas de im- pelos amigos, antigos alunos e autoridades cobre a céu aberto ali nas redondezas. E
pressões. Porque a viagem era longa e por de Maquela do Zombo evocadoras da sua por tudo isto o governo está atento a tomaus caminhos até Maquela partirmos presença por aquelas terras. Os naturais e das as movimentações que possam trazer
com a promessa de nos vermos no final amigos de Maquela, hoje grandes senhores desestabilização para esta zona norte.

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Boletim de D. António Barroso

D. Vicente Kiaziku, actual Bispo de Mbanza Congo, é o “sucessor” de D. António Barroso. Nas fotos de cima, D. Vicente visita uma escola
católica. «Os capuchinhos orientam uma enorme escola e tomam conta de uma casa de acolhimento para crianças abandonadas acusadas
de feitiçaria pelos próprios familiares. Esta é uma verdadeira chaga social».

Por aqui passou D. António Barroso.
Ele já previa, a um século de antecedência, o futuro destas terras. Por isso era
necessário criar polos de presença cristã que fossem ao mesmo tempo centros
de educação e promoção humana. Só a
partir daqui seria possível um verdadeiro
desenvolvimento a todos os níveis. Daí a
sua preocupação em fazer escolas onde
rapazes e raparigas pudessem ser protagonistas do seu futuro.
A meio da tarde regressámos a Mbanza Congo. Ao longo da picada passámos
por centenas de chineses a enterrar

leia do Zola que no dia seguinte regressava a Luanda. O avião já não voa para
aquela terra há tempos, e os transportes
públicos além de morosos trazem muita confusão. Às cinco e meia estávamos
a partir depois dum pequeno almoço
preparado pelo Sr. Bispo. Na viagem de
regresso já tinha os olhos mais abertos
para sentir as peugadas de D. António
Barroso e seus companheiros, nessa altura inóspitas e sem condições mínimas
de vida. Ao longo da estrada já havia pequenos mercados para venda de produtos do campo, vários postos de abaste-

cimento de combustível, algumas lojas e
uma ou outra exploração agro-pecuária
para além das pescarias do Nzeto, Ambriz, Barra do Dande. Cruzámos com
muitas crianças e adolescentes de batas
brancas a caminho da escola e os chineses a fazerem os últimos acabamentos na
estrada. Enfim, uma terra em efervescência ao contrário dum território votado
ao abandono encontrado por D. António
Barroso. Ele foi enviado para aí para fazer
milagres perante a incúria e abandono
do sistema colonial agonizante nos finais
do século XIX. Fui reparando nas placas

« Para se extirpar esse cancro terrível da miséria (...) tenho pedido esmolas. E tenho obtido muitas roupas,
muitas dádivas. Mas não descanso. Para os pobres, para os que têm fome, para os rotos que não têm que vestir,
e que o tifo vai procurar nos seus antros de miséria, tudo é pouco. Tudo é nada. E hei-de conseguir mais...».
(Última entrevista de D. António Barroso ao jornal A Voz Pública, de 21-03-1918, meses antes da sua morte)

quilómetros de tubos com fibra óptica,
a construírem escolas e fontanários. Temos, dizia D. Vicente, muitas escolas mas
faltam-nos professores. Daí o baixo nível
escolar. Passámos de novo por Cuimba
para nos despedirmos dos Pobres Servos.
Foi uma despedida rápida porque a noite
estava a cair. Chegámos já de noite cerrada. Encerrámos a jornada com a eucaristia concelebrada pelos dois na pequena
capela da casa episcopal. No meio daquele silêncio evoquei de novo a pessoa do
P. Barroso e dos seus companheiros que
construíram aquela missão em tempos
difíceis onde não havia nada dando início
a uma nova arrancada missionária hoje
continuada pelo clero secular e por um
resto de missionários já gastos pelo trabalho e pelos anos.
Tinha muitas perguntas a fazer a
D. Vicente mas tive que aproveitar a bo-

Retrato de D. António Barroso, na parede
da residência episcopal de Mbanza Congo,
pintado por um congolês.

de sinalização das povoações colocadas
ao longo da estrada onde pude recordar
as terras por onde passou: Noqui, Soyo,
Bembe, Songo, Ambriz… Nesses lugares
estabeleceu postos avançados de catequese e evangelização na esperança de aí
surgirem novas missões com dinamismo
para anunciar ao nome de Jesus e se tornarem polos de promoção humana ou de
civilização, como ele dizia na linguagem
do seu tempo. Resposta adiada por muitos anos devido à decadência do sistema
e também à inércia da Igreja. Dei graças
a Deus pelo empenho que hoje aí se verifica e pelas novas estruturas, mesmo da
Igreja, que estão a ser erguidas. Há ainda
muito a fazer, mas as coisas estão a andar.
Foi uma viagem curta no tempo mas evocadora de grandes sonhos e projectos,
alguns ainda à espera de realização…

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Boletim de D. António Barroso
A VOZ PORTUCALENSE TEM APOIADO SEMPRE E DE
VARIADAS FORMAS A CAUSA DA BEATIFICAÇÃO E
CANONIZAÇÃO DE D. ANTÓNIO BARROSO. COM AS
AMÊNDOAS DESTA PÁSCOA RECEBEMOS DOIS TEXTOS
DE COLABORADOR(ES) DAQUELE SEMANÁRIO. AMÊNDOAS COM
LICOR, DOCES E BOAS. D. ANTÓNIO AGRADECE.
D. ANTÓNIO BARROSO
NA MEMÓRIA DO PORTO
por João da Ponte
A Voz Portucalense, na esteira
de D. António Ferreira Gomes,
seu fundador, sempre deu relevo à memória do “bispo santo
de barbas brancas” de que falava minha mãe e ainda hoje me
povoa as recordações de infância. Mas, nos últimos anos, inicialmente com o incentivo de
D. Manuel Clemente e, agora,
de D. António Francisco, tem
dedicado particular atenção à
causa da sua beatificação. Isso
mesmo reconheceu D. António
Francisco na homilia do Dia da
Voz Portucalense em 21 de dezembro passado: “A Voz Portucalense tem procurado esta
proximidade com o senhor
D. António Barroso, acompanhando também este caminho
que vamos fazendo no sentido
de manter vivo o interesse e
intensificada a oração em prol
da sua beatificação e canonização, cujo processo foi iniciado
em 1992.”
Para além de muitos artigos, organizou, na Associação
Católica do Porto, quatro
conferências sobre D. António
Barroso, integradas na Festa de
S. Francisco de Sales: D. António
Barroso e a Primeira República,
por D. Carlos Azevedo (2010);
A Santidade da Igreja: três processos de beatificação que correm na Diocese: Padre Américo,
D. Sílvia Cardoso e D. António
Barroso por Monsenhor Ângelo
Alves, Vigário Judicial (2012); A
ação missionária de D. António
Barroso, por Dr. Amadeu Araú-

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jo, Vice – postulador da Causa
de Canonização (2012); De S.
Francisco de Sales a D. António
Barroso, por P. José Adílio de
Macedo, Pároco de Remelhe
(2014).
Mereceu especial atenção
o primeiro centenário das primeiras ordenações na capela
de São Tiago com uma romagem, em 2011, presidida por
D. Manuel Clemente e participação de D. Jorge Ortiga, de
que se fez memória no ano
seguinte na romagem presidida
por D. Pio Alves com o descerramento da lápide comemorativa: “No ano de 1911, D.
António Barroso, exilado da sede
episcopal, ordenou nesta capela
de S. Tiago 23 sacerdotes da sua
diocese do Porto."
No dia 4 de Setembro de
2011, recordando os 100 anos
do acontecimento, a Fundação
Voz Portucalense, com a participação do Bispo D. Manuel Clemente, fez memória desse gesto
profético, com um Te Deum e
uma evocação neste local pelo
Padre José Adílio de Macedo”.
E também o primeiro centenário do seu regresso do
exílio. No dia 26 de novembro, a VP anunciava: “O ano de
2014 está prestes a chegar ao
fim. E a “memória agradecida”
da Igreja do Porto não o pode
deixar terminar sem lembrar o
primeiro centenário do regresso, em 3 de abril de 1914, de D.
António Barroso à sua diocese
após o exílio em Remelhe. Por

isso, no “Dia da Voz
Portucalense”, em
21 de dezembro,
iremos rezar pela
sua beatificação e
recordaremos o Te
Deum, de há cem
anos, que congregou milhares de
pessoas na Sé Catedral, muitas das
quais choravam de
alegria ao ouvir de
novo a voz do pastor
a quem amavam”.
No dia anunciado, foi distribuído
aos muitos participantes que encheram a Sé Catedral
uma pagela com a
fotografia do “Monumento a D. António Barroso,
no Largo 1.º de Dezembro, da
autoria do escultor José Rodrigues e inaugurado por D.
Armindo em 2 de Agosto de
1999”. Nas páginas interiores,
destacavam-se
importantes
“Notas biográficas e de imprensa” relativas a D. António
Barroso.
No início da Eucaristia, presidida por D. António Francisco, foi dito: “Muito especialmente, queremos comemorar
o primeiro centenário do regresso de D. António Barroso
à sua diocese após o seu exílio em Remelhe. E rezaremos
pela sua beatificação. Para o
evocar, o Senhor Bispo irá usar
o báculo que, há cem anos, os
párocos do Porto ofereceram
ao seu bispo amado. Também a
escolha deste dia foi intencional pois fez ontem 97 anos que
D. António Barroso regressou

à diocese após o seu último
exílio em Coimbra.”
Na homilia, o Bispo do Porto disse: “Raras figuras da história religiosa dos séculos XIX
e XX reuniram, como D. António José de Sousa Barroso,
a admiração diante do seu dinamismo apostólico e da coragem da sua fé no contexto dos
tempos frágeis do fim da Monarquia e dos desafios imensos colocados ao nosso País
nos tempos conturbados do
início da República. (...) Em 21
de fevereiro de 1899, o mesmo
dia em que, por coincidência,
fui, 115 anos depois, nomeado
Bispo do Porto, o senhor D.
António Barroso foi transferido de Bispo de Meliapor para
a sede do Porto. Aqui recomeça a sua inesquecível ação
pastoral, percorrendo a Diocese em visitas pastorais, cujos

Boletim de D. António Barroso
NO CENTENÁRIO DA ASSOCIAÇÃO DOS
MÉDICOS CATÓLICOS PORTUGUESES
por J. A. D.

Foi em 1915 que D. António Barroso criou a Associação dos
Médicos Católicos Portugueses. E esse facto não deixou de ser
mencionado, agora que se celebra o seu primeiro centenário.
Foi-o num programa da Rádio Renascença como refere o texto
“D. António Barroso vive nas suas obras”: “Na semana em que, a
propósito do 1º centenário da Associação dos Médicos Católicos, ouvi, na Rádio Renascença, enaltecer o contributo de D. António Barroso para a sua criação” (Voz Portucalense, 28/1/2915).
Foi-o nas palavras do seu atual presidente, Dr. Carlos Alberto
da Rocha, em conversa com o semanário da Diocese do Porto
que, em 21 de janeiro, escreveu “Recordando um pouco da sua
história, o presidente refere que a Associação foi criada em 1915
por iniciativa de D. António Barroso, na altura bispo do Porto,
que tinha regressado do exílio em 1914. Por isso recorda que a
AMCP é uma das mais antigas associações de médicos católicos
no mundo”. Lembrou-o o bispo do Porto, D. António Francisco
dos Santos. Como escreveu a Agência Ecclesia em 20 de Janeiro
“O bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, destacou
este domingo o centenário da Associação dos Médicos Católicos Portugueses. Durante a missa na Sé do Porto, o prelado
enalteceu a “inspiração de D. António José de Sousa Barroso” ao
criar aquele organismo, em 1915, e “a inteligência lúcida, coração

D. ANTÓNIO BARROSO
NA MEMÓRIA DO PORTO
relatos da época nos revelam
uma bondade profética e uma
proximidade evangelizadora
impressionante. A coragem
manifestada frente às atitudes
irresponsáveis do Governo da
República face à Igreja e a sua
decisão ao determinar que fosse lida em todas as paróquias
da Diocese a Carta do Episcopado português levaram-no
ao exílio, para onde parte a 7
de março de 2011. Depois de
vários processos de intenção
e de julgamentos que inclusivamente o levaram à prisão, D.

António Barroso, regressa do
exílio que viveu na sua aldeia
natal, em Remelhe, Barcelos, a
3 de abril de 1914, para retomar o seu múnus de Bispo do
Porto, no dia seguinte, em celebração festiva nesta Sé.
Demos graças a Deus por
este nosso Bispo, que serviu a
Igreja do Porto e a Igreja Universal, em tantas e delicadas
frentes de missão. Rezemos
para que de Deus possamos
merecer a sua beatificação e
canonização. Tudo procurarei
fazer nesse sentido!”

largo e generosidade ilimitada” das pessoas que por ele
passaram ao longo dos últimos 100 anos”. São dele as
seguintes palavras: “Celebramos a Eucaristia nesta Igreja
Catedral, no dia em que damos início à comemoração
do centenário da Associação
dos Médicos Católicos Portugueses, que nasceu no Porto, em 1915, pela inspiração e
bênção de D. António José de
Sousa Barroso, nosso Bispo.
Vimos aqui, hoje, com alegria, gratidão e confiança, de
olhar voltado para o futuro. Num mundo preocupado por tantas
razões, as válidas e as desnecessárias, vale a pena saber que há
gente de inteligência lúcida, de coração largo e de generosidade
ilimitada. Vale a pena saber que há homens e mulheres, médicos
de vocação, profissionais competentes, cristãos comprometidos,
que vislumbram horizontes de esperança e que dão uso ao ouvido do coração, constituindo um porto seguro de abrigo à vida
humana.
Vale a pena saber que há homens e mulheres que não se
cansam de “cuidar” da pessoa humana, sobretudo quando ela é
doente, quando sofre, quando está frágil, quanto é indefesa. Vale
a pena saber que há homens e mulheres que contemplam Deus
e se sentem discípulos de Cristo Médico e nele se inspiram no
trabalho e na vida. Vale a pena saber que há homens e mulheres
que tudo fazem para que na Humanidade surjam oásis habitados
pela saúde, pela esperança nos avanços da ciência médica e pela
espiritualidade cristã, que nos dão conforto e paz na doença.
Queremos dar graças a Deus pela doação generosa e dedicada
de todos os médicos que juntam à entrega das suas vidas ao serviço dos irmãos doentes o testemunho cristão e o compromisso
apostólico.
Na Oração dos Fiéis, a assembleia deu voz a esta intenção e rezou: - “Por D. António
Barroso para que se realizem
as condições humanas e eclesiais que possibilitem a proclamação oficial da sua santidade
como exemplo universal de
vida cristã - Nós Vos pedimos
e louvamos.”
A Voz Portucalense, certa
do apoio do seu Bispo, continuará a privilegiar a memória
de D. António Barroso, como
claramente afirmou o seu diretor, P. Correia Fernandes, no
editorial do primeiro número
deste ano (7/1/2015) “Recordamos aqui a presença de D.

Manuel Clemente, patriarca
e cardeal nomeado, e de D.
Armindo Lopes Coelho, os
mais próximos, mas neles está
também a memória dos que
os precederam, e particularmente do fundador D. António
Ferreira Gomes, e na distância
de um século recordado nos
dias finais de 2014, de D. António Barroso, cujo processo de
canonização se encontra em
andamento e para o qual queremos ser expressão do contributo da diocese, processo
em que também se encontra
empenhado o nosso Bispo.”
Soli Deo honor et gloria (I Tim
1.17).

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Boletim de D. António Barroso
A SOCIEDADE MISSIONÁRIA QUE D. ANTÓNIO BARROSO
IDEALIZOU ESTÁ PRESENTE NAS TERRAS DE SANTA CRUZ
A REALIZAÇÃO DE UM SONHO DE
D. ANTÓNIO BARROSO EM TERRAS BRASILEIRAS
(continuação do boletim anterior)
por Manuel Neves, Pároco da Chapadinha, Maranhão *

Com a saída de alguns missionários de
Moçambique a quando da sua nacionalização, alguns membros do Instituto, levados
por vários conhecimentos, foram trabalhar
para o Sul do Brasil, para o Estado de Paraná,
concretamente para a Diocese de Umuarama. Os primeiros chegaram em 1975. Por
essa razão, a Direção Geral decidiu abrir um
novo campo de ação no Sul no qual se foram
juntando outros missionários. Foram criadas as novas paróquias de Cafezal, S. Jorge
do Patrocínio e Boa Esperança. Foram-lhes
confiadas as paróquias de Brasilândia, Pérola e Xambrê e, mais tarde, na, Diocese de
Dourados, as paróquias de Iguatemi, S. João
Batista e Paranhos. Em todo este trabalho
pastoral, os missionários, alguns já avançados em idade, integraram-se na pastoral
diocesana estabelecendo bases sólidas para
a Pastoral do Dízimo e, dum modo especial, para a Pastoral Vocacional tendo de lá
até saído o primeiro membro brasileiro do
Instituto. A situação social aí era mais ordeira e a pastoral tornava-se mais fácil de organizar. Construíram-se três
grandes igrejas, centros sociais, várias
capelas e residências para os padres
e Irmãs e centros de Ensino. Mas a
principal preocupação foi sempre a
formação do povo e particularmente
de lideranças cristãs.
Todo este trabalho nas diversas regiões do Brasil pautou-se e continua
a pautar-se pela proximidade das populações, pelo trabalho para a tomada
de consciência da dignidade humana
das pessoas e pela promoção de uma
igreja organizada com os diversos mi-

nistérios laicais. Um membro chegou mesmo
a ser o Secretário Nacional da CPT, Comissão Pastoral da Terra, órgão da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil que se ocupa da defesa dos lavradores na posse e uso
das terras. Um membro em Minas Gerais foi
atingido a tiro por estar na defesa dos direitos de várias comunidades. No Maranhão
os missionários são bem conhecidos pela sua
luta pela Reforma Agrária, pela organização
e promoção social das populações sem descuidar a evangelização e a preparação para
os serviços eclesiais .Várias foram as vezes
que os missionários foram perseguidos, ameaçados de morte e até levados a tribunal,
mas milhares de pessoas sempre os acompanharam durante os julgamentos defendendo
seu comportamento a bem das populações
mais carenciadas e marginalizadas. Na Paróquia de Chapadinha, na Diocese de Brejo, no
Maranhão, já foram construídas vinte igrejas
na cidade e mais de 110 capelas no interior.
Os grandes latifúndios deram lugar a associações de lavradores que trabalham suas terras
em ambiente mais humano e desenvolvido,
vivendo em aldeamentos com casa e quintal
próprios e podendo gozar de centros escolares e de saúde, mais ou menos dignos. E as
populações confiam nos missionários recorrendo com frequência a eles para serem a

Grupo de Missionários da Boa Nova no Brasil
(Seminário de Contagem, Belo Horizonte)

voz dos excluídos da sociedade.
Na hora presente a Sociedade conta
com um grande seminário perto da cidade
de Belo Horizonte donde têm saído vários
sacerdotes quer do Brasil, quer de Moçambique e Angola. Aí também uma paróquia de
Nossa senhora ad Boa Nova ajuda no treino
para a prática pastoral. Todas as outras paróquias foram entregues pela morte dos missionários. No Sul temos ainda três paróquias
e no Maranhão duas. Enquanto os trabalhos
pastorais exigem mais, os missionários sentem que lhes vão faltando as forças e não
há quem os possa substituir. Vários Padres
tombaram no campo de trabalho e aí se
encontram sepultados junta das populações
que serviram.
Seja também de salientar a ajuda que
dioceses de Portuga, como Aveiro, e Coimbra, nos têm feito deixando que sacerdotes
diocesanos trabalhem com os missionários
da Sociedade como membros temporários.
E trabalho, verdadeiramente precioso, prestam também as Missionárias da Boa Nova
que trabalharam em Minas Gerais e agora
estão em Chapadinha e já se responsabilizaram pela Pastoral na paróquia de Mata
Roma na diocese de Brejo. Outra nota muito
importante é a colaboração de grupos de
jovens, quer dos Convívios Fraternos, quer
da Diocese de Aveiro ou Coimbra
que se têm associado aos missionários durante os meses de férias dedicando-se com grande entusiasmo à
ação missionária junto do povo mais
carenciado. Houve até uma forte vontade da Diocese de Aveiro para ter
sempre um sacerdote trabalhando
com os missionários, expressando assim visivelmente a dimensão missionária da diocese. Infelizmente a falta
de sacerdotes não deixou continuar
esta experiência, mas aí fica sempre
o apelo para se concretizar com mais
frequência esta iniciativa.

* O dinâmico e dedicado missionário da Sociedade da Boa Nova, Padre Manuel dos Santos Neves, regressou recentemente
a Portugal, por razões de saúde. Foi internado há cerca de um mês, no hospital da Vila da Feira, gravemente enfermo.
Roguemos para ele a intercessão do bispo missionário António Barroso.

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Boletim de D. António Barroso
FLORES PARA OS AMIGOS DE
D. ANTÓNIO BARROSO
Ao lado: Roma, 16 de Fevereiro de 2015.
Nas celebrações do Cardinalato, o vice-postulador com o novo cardeal, D. Manuel
Clemente, e com os bispos D. António Francisco e D. Pio Alves. Três membros insignes
da hierarquia que, de diferentes formas, têm
dado o seu apoio total à Causa de D. António Barroso.
Em baixo: Paço Episcopal do Porto, 4 de
Março de 2015. Algumas imagens da cerimónia de encerramento do processo, de
que se dá informação detalhada neste boletim. Fotos de José Campinho.

Ao lado: Vaticano, Congregação das
Causas dos Santos, 10 de Março de
2015. O vice-postulador, mandatado pelo bispo da diocese de Porto,
D. António Francisco, faz a entrega
do processo que, como esperamos,
conduzirá à beatificação de D. António Barroso. No momento da entrega, com Monsenhor Cónego Ângelo
Alves e Monsenhor Saldanha.

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Boletim de D. António Barroso
SEMINÁRIO DAS MISSÕES DE CERNACHE DO BONJARDIM,
QUE D. ANTÓNIO BARROSO FREQUENTOU,
DECLARADO MONUMENTO DE INTERESSE PÚBLICO

Diário da República,
20 de Fevereiro de 2015

Devotos, AMIGOS e admiradores visitam D. ANTÓNIO
VISITAS À CAPELA-JAZIGO. No período de 1 de Setembro de 2014 a 31 de Março de 2015, entre os inúmeros visitantes de D. António Barroso, houve 235 que deixaram o seu nome registado em livro, confessando-se devotos e agradecendo ou
pedindo graças. Na maioria são oriundos do concelho de Barcelos, mas muitos vieram do Porto, Matosinhos, Esposende, Trofa,
Famalicão, S. Tirso, Espinho, S. João da Madeira, e alguns, de São Paulo, Brasil.
Porque seria longa e repetitiva a reprodução de todos os nomes e mensagens, destacamos algumas: 19 -10 -2014: «Celebração
dos 135 anos da Missa Nova de D. António Barroso, Padre José Adílio Macedo, + Jorge Ferreira da Costa Ortiga – Arcebispo
de Braga, Padre José Gomes da Silva Araújo – Arcipreste de Barcelos, Padre Tiago Martins de Barros, Padre Augusto Farias –
Missionário da Boa Nova, em Angola, Padre José Campos – Negreiros, Padre António Palma Alves Martins – Grimancelos, Padre
António Júlio de Faria Limpo Trigueiros, sj – Lisboa, Padre José Barbosa – S. Miguel da Carreira» // 26-10-2014: «No dia em que
entrego a Paróquia de Remelhe, venho despedir-me com muita saudade de D. António Barroso e desejar a merecida subida aos
altares da Igreja. Obrigado, D. António Barroso, por todas as graças concedidas durante 21 anos da minha paroquialidade e, por
D. António, ao Senhor Jesus Cristo, Único Senhor. Até sempre. Padre José Adílio Macedo» // Em 13-03-2015: Monsenhor Cónego Dr. Ângelo Aves registou: «Acompanhei ontem a entrega pelo vice-postulador Dr. Amadeu Araújo, na Congregação para as
Causas dos Santos, em Roma, do processo do presumível milagre atribuído à intercessão do Servo de Deus D. António Barroso.
Rezei aqui em acção de graças e em sufrágio do pai do vice-postulador, falecido no dia 11».

Se alguém entender que recebeu graças por intermédio do Servo de Deus D. António Barroso,
agradecemos que as comunique por carta para AMADEU GOMES DE ARAÚJO, RUA LUÍS DE CAMÕES,
N.º632, ARNEIRO / 2775-518 CARCAVELOS, ou por e-mail para vicepostulador.antoniobarroso@gmail.com

CONTAS EM DIA
A última relação de contas (até 30 de Novembro de 2014) está disponível no Boletim n.º 12, III Série. Desde aquela data,
até 31 de Março de 2015, foram efectuadas as seguintes despesas: Escola Tipográfica das Missões. Execução e expedição do Boletim n.º 12, III Série: 647,34 €; Consumíveis, expediente, correio, comunicações: 70,00 €. TOTAL: 717,34 €.
No mesmo período, foram recebidos os seguintes donativos para apoio à Causa da Canonização de D. António Barroso
e para as despesas deste Boletim: D.ª Laurinda Fonseca do Vale e Sr. Manuel Ribeiro Fernandes: 100,00 €; Dr. Serafim Falcão:
10,00 €; Dr. António José Gonçalves Barroso: 50,00 €; Dra. Maria Clara Maciel Beleza Ferraz e Dr. José Manuel Meira de Matos:
20,00 €; Sr. Manuel Arnaldo Vieira Martins Vidal 5,00 €; Dra. Maria Arminda Barroso Ferreira: 120,00 €; Sr. Joaquim Manuel Duarte
Costa: 25,00 €; Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria - Porto: 20,00 €; D.ª Maria Alice Araújo e Sr. Abílio Oliveira:
10,00€; D.ª Marinha Adozinda Carvalho Gomes: 5,00€; D.ª Maria de Lurdes Guimarães da Costa: 5,00 €; Amadeu Gomes de
Araújo: 40,00€. TOTAL: 410,00 €.
Para transferências bancárias que tenham a bondade de fazer para apoio à Causa da Canonização
de D. António Barroso e para as despesas deste Boletim, informamos que a conta em nome do «Grupo de
Amigos de D. António Barroso», na Caixa Geral de Depósitos, Oeiras, tem as seguintes referências:
NIB: 003505420001108153073. IBAN: PT50003505420001108153073. BIC: CGDIPTPL

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