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A Igreja que não é notícia 17 Jan.

2010

http://www.jornalw.org/index.php?cont_=ver2&id=838&tem=3&lang=pt

2009 foi um ano trágico para a Igreja Católica no mundo, com o assassinato de trinta
sacerdotes, duas religiosas, dois seminaristas e três voluntários, leigos.

Um editorial do jornal do Vaticano, “L'Osservatore Romano”, questiona o motivo pelo


qual a imprensa não eclesial ignorou estas mortes. "Nos últimos dez anos nunca foi
alcançado um número assim tão alto, e a cifra não é definitiva porque provavelmente
outras mortes não tiveram repercussão", escreve o jornal.

De acordo com o editorial, a notícia não teve relevo porque contradiz a imagem
dominante da Igreja nos meios de comunicação social: "uma estrutura rica e poderosa,
que quer impor as suas leis também a quem não se sente parte do universo católico, uma
oligarquia que é incapaz de entender como o mundo mudou".

A generalidade dos media considera que a Igreja é uma instituição antiga e rígida,
ignorando ou esquecendo que é composta por pessoas seriamente comprometidas com
uma missão difícil, e muitas vezes perigosa, “que perdem a vida por causa dessa escolha
de caridade corajosa", lê-se no artigo assinado pela professora Lucetta Scaraffia,
docente de História Contemporânea da Universidade La Sapienza, de Roma.

''Sem armas, e frequentemente com pouquíssimos meios, os missionários mártires


testemunham que outro mundo é possível, um mundo de solidariedade e verdade, de
amor gratuito. E isso já é suficiente para torná-los um alvo mortal", destaca o
Osservatore Romano, citando as histórias dos padres mortos por morarem e actuarem
sem protecção em regiões violentas.

Tratam-se de "locais pouco visitados e que poderiam ser definidos como estando
abandonados por Deus, mas onde os missionários estão presentes para provar que Deus
jamais abandona alguém”, assinala o jornal. “Esta é a verdadeira Igreja, aquela que não
faz notícia", conclui o editorial.

AIS lança campanha de adopção de sacerdotes

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) presta homenagem “aos mártires da
modernidade, aqueles padres que são esmagados pela carga do dia-a-dia e da aparente
impotência do bem”.

Neste sentido, está a promover uma campanha destinada a “adoptar” sacerdotes de todo
o mundo, assinalando assim o ano sacerdotal convocado por Bento XVI.

A secção portuguesa da organização católica internacional convida os fiéis a


acompanhar um sacerdote com a oração, lembrando que eles “têm a grande
responsabilidade de tornar Deus presente no meio de nós” e “marcam presença nos
momentos mais importantes das nossas vidas”.
Até à conclusão do ano sacerdotal, a 19 de Junho de 2010, cada pessoa compromete-se,
desta maneira, a “rezar diariamente por um sacerdote da Igreja que sofre” e recebe uma
pagela com o nome e o país de origem deste sacerdote.

“Hoje, encontramos padres carenciados em todos os continentes”, indica a organização,


por isso a nova campanha de apoio aos padres de todo o mundo pede também ajuda
material e recorda que, em várias partes do globo, os estipêndios de Missa são o único
meio de subsistência para muitos padres da Igreja Católica. Nesse sentido, além da
oração é deixado um apelo para que cada pessoa envie estipêndios de Missa ou
Trintários Gregorianos.

Fundação Ajuda à Igreja que Sofre