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Para não esquecer o Holocausto

Por Ehud Gol

http://jornal.publico.clix.pt/noticia/27-01-2010/para-nao-esquecer-o-holocausto-
18663947.htm

A luta contra o anti-semitismo não é apenas um assunto judaico, mas um


desafio global que afecta todas as nações

Desde há 10 anos que o Dia do Holocausto vem sendo assinalado publicamente. 2005 veio
formalizar essa celebração quando a Assembleia Geral das Nações Unidas designou a data de
27 de Janeiro como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Esta data foi
escolhida porque marca o aniversário da libertação de Auschwitz, o maior campo de morte
nazi. Auschwitz é um símbolo da História humana, como o é a revolta heróica do gueto de
Varsóvia. Ambos personificam a determinação na luta pela liberdade, contra o Mal, o ódio e a
barbárie da espécie.
Muitos dos sobreviventes de Auschwitz, cujo número diminui a cada ano, chegaram à terra de
Israel para fazer parte do estabelecimento do Estado hebraico. É sempre importante reiterar
que o Estado de Israel não nasceu por causa do Holocausto mas apesar do Holocausto.
Nos últimos anos, numa iniciativa conjunta entre a Polónia e Israel, pautada pela participação
de muitos jovens, acontece a Marcha da Vida que é por si só um modo de educar e
sensibilizar. Este ano, Portugal será representado nesta marcha, algo reforçado com a sua
aceitação como membro observador da International Task Forcepara a Cooperação na
Educação, Memória e Pesquisa sobre o Holocausto.
Devemos atentar que muitas cerimónias pela Memória têm lugar nos parlamentos do mundo,
nomeadamente nos europeus, e o destaque deste ano é a participação do Presidente de Israel,
hoje mesmo, numa cerimónia no Bundestag (Parlamento alemão). Mas, apesar de todos os
sinais, não nos devemos iludir. A doença do anti-semitismo está à nossa volta e tem vindo a
aumentar nos últimos anos. A deslegitimação de Israel é a sua moderna expressão. O novo
anti-semitismo mascara-se de crítica a Israel, o abrigo do povo hebraico. As palavras
desprezíveis de Ahmadinejad clamando a destruição de Israel são recebidas com apatia e os
representantes diplomáticos ouvem-nas impávidos nas conferências internacionais, um
fenómeno que tem sido percebido por ele como o "quem cala consente".
As pinturas de suásticas e a profanação de sepulturas e sinagogas são outra expressão de
ódio quotidiano. É por isso que todos temos o dever de recordar esse capítulo obscuro da
História dos Povos: a destruição de milhões pela besta nazi.
Hoje, quando a geração dos sobreviventes está praticamente a acabar, temos uma missão
diária: a de lutar contra a minimização e banalização da Shoah, e principalmente contra a
tendência revisionista da sua negação.
A luta contra o anti-semitismo não é apenas um assunto judaico, mas um desafio global que
afecta pessoas de todas as nações e que por isso mesmo deve ser percebido pela comunidade
global. Aqueles que respeitam os valores morais básicos e a liberdade humana precisam de
unir forças para confrontar este fenómeno.
Educar as novas gerações desta forma é o único garante para prevenir a repetição da mais
terrível tragédia da História da Humanidade - a Shoah.

Embaixador de Israel em Portugal