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[ Inéditos ]

Obrigado, Portugal!
A gentileza humana parece ter feito seu último reduto em Portugal. moderna, o berro, não encontra forma vocal na garganta de um por-
E quando eu falo em gentileza, dou-lhe quase a acepção medieval tuguês. Hitler, Mussolini ou Lyndon Johnson jamais poderiam
de amor cortês, de medida, de mesura. É um povo que não levanta governar esse «jardim d’Europa à beira-mar plantado», onde se fala
a voz, e ninguém pense que por covardia, mas por uma boa educa- baixo, ama-se com fervor e chora-se nas despedidas.
ção instintiva e um senso de afetividade. Essa desagradável invenção Essa tristeza, de que nós brasileiros somos os novos legatários,

e
«PORTUGAL SERIA
O ÚNICO PAÍS DA EUROPA
ONDE EU PODERIA
VIVER FORA DO BRASIL»,
ESCREVEU VINICIUS
EM 1969, DEPOIS
DE REGRESSAR
DE LISBOA. A CRÓNICA
FAZ PARTE DO ACERVO
DA FUNDAÇÃO CASA
DE RUI BARBOSA,
NO RIO DE JANEIRO,
ONDE CONSTAM
TAMBÉM INÉDITOS DO
POETA, COMO A CARTA
QUE PUBLICAMOS
NESTAS PÁGINAS.
©DR

Vinicius de
Na crônica «Museu: fantasia?», publicada a 11 de Julho de 1972, no
Jornal do Brasil, Carlos Drummond de Andrade manifestou-se em
relação a um sonho que cultivava há muito: «Velha fantasia deste
Porém, cinco meses depois, a velha fantasia do cronista tornava-se
realidade. Criava-se, na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de
Janeiro, o Arquivo-Museu de Literatura, a respeito do qual Carlos
colunista – e digo fantasia porque continua dormindo no porão da Drummond se manifestaria a 4 de Janeiro de 1973, na crônica «Em
irrealidade – é a criação de um museu de literatura. Temos museus São Clemente, 134», publicada no mesmo jornal: «Colecionador ou
de arte, história, ciências naturais, carpologia, caça e pesca, anato- não colecionador, que tenha em casa um retrato, uma carta, um poe-
mia, patologia, imprensa, folclore, teatro, imagem e som, moedas, ma, um documento de escritor brasileiro digno do nome de escri-
armas, índio, república... de literatura não temos [...].» tor, e pode com ele enulentar [sic] o arquivo-museu menino, dirigido

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tem uma ancestralidade que vem de muitas dominações, muita sub- ra (assim mesmo com k) de um povo, como dois ou três que eu conhe-
missão forçada, muito fatalismo histórico e geográfico. Povo afeito ço, se neles a relação humana torna-se cada dia mais difícil e indesejá-
às guerras – ainda hoje as mantém no Ultramar – parece ele sofrer vel diante de um outro tipo de ignorância bem mais perigoso a longo
de um silencioso heroísmo na paz, como se a Desgraça, essa invisí- prazo, como esse da reserva e falta de diálogo; da submissão a pre-
vel espada de Dâmocles lenta e diariamente forjada pelo Destino, conceitos econômicos falsos na verdadeira escala de valores; do abur-
pudessea qualquer momentocair-lhesobre a cabeça. Quase humilde guesamento progressivo e da mesmificação do mais pessoal dos
no trato pessoal, logo verificará quem o conhecer melhor que não se meios de comunicação, que é a linguagem? Que qualidade é mais
trata de servilismo, e sim de uma necessidade de não fazer vibrar a prezar no ser humano, se não for a gentileza, o gosto de conviver,
além do necessário os frágeis fios que suspendem imanentemente a boa vontade em cooperar, em socorrer, em dar-se um pouco em
os Maus Fados sobre sua existência. E é talvez por esse motivo que tudo o que se faz, desde trabalhar a amar, desde comer a cantar, des-
seus bons fados também são tristes, sempre a carpir as penas do de criar no plano intelectual a fazer no plano industrial ou agrícola?
viver e do amar. Obrigado, Portugal! No contato de tuas gentes, teus escritores e teus
Isto é tão mais curioso quanto, apesar de pobre e subdesenvolvido artistas, teus estudantes e teus simples – teu povinho das brancas al-
em sua grande maioria, o português é um povo saudável e de bom as- deias! – eu senti que há ainda muito isso que cada dia mais falta ao
pecto, com boa pele e dentes magníficos, bem certo fruto de uma ali- mundo: carinho e sinceridade. Represados, talvez, nas latentes como
mentação mais adequada: nada como o brasileiro menos aquinhoa- o sangue sob a pele, e prontos a romper a crosta criada a duras penas,
do das regiões pobres do país, no geral malsão e banguela, além de ao longo de um passado tão cheio de sacrifícios e infortúnios.
irônico e desconfiado por mecanismo de descrença e autodefesa. Obrigado, Lisboa, terra tão boa, gente tão gente, casas tão casas,
A propalada «burrice» do português simples e iletrado nada mais é amigos tão como já não se encontra. Obrigado, Coimbra que me re-
que uma forma sadia e vegetativa de ser (ou não ser, como queiram). cebeste em tua Academia e em teu Convívio e que me puseste uma
Foi minha mulher quem matou a charada: «Eles não são burros», dis- velha capa sobre os ombros. Obrigado, Porto, onde teus estudantes
se-me ela. «Eles apenas desconhecem que têm inteligência.» E a de- quiseram não me deixar trabalhar em boate, porque não sabem ain-
cantada «esperteza» ou «inventiva» do pária brasileiro nada mais é da que a poesia e a canção têm de estar em toda parte (mas obrigado
que o antivírus da forma crônica da ignorância e indigência em que pelo gesto, estudantes do Porto!). Obrigado, Óbidos, que pareces fei-
vive, tendo que se virar mesmo de fato para não juntar os calcanha- ta no céu, tão linda e pura como uma avozinha menina que ainda usas-
res. O pária brasileiro tem que lutar não só contra os indesejáveis cro- se flores silvestres na cabeça. Obrigado, Évora, mãe alentejana de
mossomos da desnutrição; a dor de dentes endêmica e a cachaça de Ouro Preto, cidade onde mais que nenhuma outra se sente o Brasil
má qualidade, até um tipo de ensino – e isso quando é muito afortu- colonial, o Brasil do Aleijadinho, cidade perfeita de gentil austerida-
nado – em que lhe baralham a cabeça com uma língua cheia de pre- de. Obrigado, Monserraz [sic], que esta não quero ver nunca mais por-
conceitos semânticos e acentos desnecessários – isso porque há de- que se a ela voltar nela hei-de ficar, entre seus muros brancos e seus

a
cênios os cartolas da lingüística nas duas pátrias teimam em não
simplificá-la, quem sabe para justificar a continuidade de seus jetons
e sua dolce vita acadêmica.
Eu confesso que depois desta minha última viagem, e de um con-
tato intermitente de três meses com sua gente, Portugal seria o úni-
co país da Europa onde eu poderia viver fora do Brasil: com eventuais
incursões à Itália. Que adiantam o superdesenvolvimento e a kultu-

Moraes
pelo espírito público de Plínio Doyle na Casa de Rui Barbosa: faça
um beau geste, mande isso para São Clemente, 134, e terá oferecido
a si mesmo o prêmio de uma satisfação generosa.»
O sonho desse poeta reserva hoje um grande acervo literário, com
124 arquivos, entre os quais os de Clarice Lispector, Cruz e Sousa,
Fernando Sabino, João Cabral de Melo Neto, José de Alencar,
Manuel Bandeira, Pedro Nava, Rubem Braga e Vinicius de Moraes,
além do próprio arquivo de Carlos Drummond de Andrade.

revista LER [novembro 2009]


homens e mulheres do mais franco olhar. Obrigado, Portugal. Resta
sempre uma esperança. Eu voltarei.

Rio de Janeiro, 15 e 16 de Junho de 1969

Também com intuito de oferecer aos leitores uma «satisfação


generosa», aqui serão reproduzidos dois documentos que se en-
contram sob os cuidados dessa fundação, todos de Vinicius de
Moraes (1913-1980): uma carta a Rodrigo Melo Franco de Andra-
de, escrita a 9 de Outubro de 1938, no Magdalen College, onde
Vinicius de Moraes estudou, em Oxford, e a crônica «Obrigado,
Portugal!», datada a 15 e 16 de Junho de 1969 e publicada no Jor-
nal do Brasil.

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[ Inéditos ]
Carta a Rodrigo Melo Franco de Andrade
Magdalen College, Oxford. 9.10.38

Rodrigo, meu querido, está cheio de uma meninada completamen- consigo próprio, e com tendência a se achar
Só agora na verdade, mais sossegado e mais te ingênua em relação à vida. É meio besta te as piores coisas, como eu estou agora. Me
adaptado à nova vida, sinto forças pra te escre- falar assim na minha idade,4 mas a impres- acho feio no espelho, desajeitado dentro dos
ver direito. Antes seria possível, mas eu não são que me dá – mesmo quando eu sinto grandes ótimos casacos ingleses, me acho
queria te mandar, em vez de novas, névoas, e a cultura deles de melhor qualidade que a «acentuado» na rua, fico com os piores com-
elas eram tantas que por um momento pensei minha e sem comparação mais determina- plexos e me infrinjo as maiores humilhações.
fosse o navio naufragar. Não estou esperando da – é de escola pública, uma escola pública Evidentemente tudo isso vai passar, eles
não, mas se não ganhei, com essas duas sema- de principezinhos, cheia de regras e de hábi- acabarão ou por me aceitar, ou por me esque-
nas de Inglaterra, um aneurisma ou coisa tos incomuns em relação ao mundo e sua li- cer completamente e eu vou poder aprovei-
semelhante, é pela força do bom Deus. berdade. Ora, pra quem já viveu um pouco a tar melhor. Só te conto isso agora, no calor da
A velha «cachorra» bateu desde o primei- sua liberdade como eu, não seria difícil atu- coisa, pra você poder ver como eu estou so-
ro dia de Londres com uma intensidade que rar um pouco também o outro lado, mas pra frendo e pra justificar tudo do meu silêncio.
me desequilibrou. Tive todas as ânsias, des- fazer isso brasileiro tem que agir com um Nem perguntei por você, por Graciema,7
de a vontade de acabar com a raça, até a de certo artifício, e eu detesto agir com artifício, pelos garotos. Vai tudo ótimo, não vai, Rodri-
ficar sentado no passeio de Piccadilly Circus, de maneira que me entrego a solidão e deixo go? Tenho uma grande saudade daí de sua
e deixar correr. Não que o ambiente estives- ao tempo a obra de me encaixar num velho casa, como vai a macaquinha? E o Serviço, o
se especialmente ruim, mas eu estava, e bas- nicho qualquer de Magdalen e me apaixonar Reis,8 como vai o querido Reis? Dê um gran-
ta. Creio mesmo que o [que] me levantou o pelo meu trabalho – porque isso é condição de abraço nele, Rodrigo, diga que vou me
moral foi o instante da guerra, a necessidade de um bom oxfordiano. arrastando menos mal. E não se esqueça de
de providenciar muito, etc... Felizmente o ins- Eu quereria poder esquecer aí o calor de me mandar as publicações do serviço. Estou
tante morreu e com ele muito do meu vazio. todas as coisas vividas, a amizade de vocês, sentindo que vou me arruinar em livros. Se
Você compreende, vim num momento tão fazer um parêntese, aproveitar tudo da me- você visse o que é a Blackwell, aqui em Ox-
especialmente intenso da minha vida, inten- lhor maneira e levar essa experiência dando ford, você ficava tonto. É a livraria mais es-
so por todos os motivos, sentimentalmente cacho, você compreende? Fico pensando... pantosamente boa que se pode imaginar.
intenso – ela,1 vocês, meu livro,2 a família, a será possível? Pergunte ao Nava5 se ele acha- Hoje saí com 10 L.9 no bolso e voltei a neném.
nossa viagem a Ouro Preto,3 tudo tão bom, ria possível. Tenho a impressão que o Nava Comprei 10 L. de livros, seu Rodrigo! O Sha-
tudo me fazendo festa porque eu devia vir... – morria de tédio aqui. Tenho a impressão que kespeare do Chambers, em dois volumes
que quando me senti só, e palpei com o dedo todos os homens como eu ou como o Nava ou enormes, as obras completas em um volu-
a espessura da minha solidão, vi que ela era como o Caloca6 não têm nada a fazer nem a me, gramáticas do Anglo-Saxão, os Oxford-
a mais forte de nós dois. Toquei o meu ban- ver com a Inglaterra, a não ser de passatem- book de poesia do[s] séculos[s] 16 e 18, dicio-
jo argentino, bebi minha cerveja, fiz todas as po. As mulheres não despertam grandes coi- nários, uma coisa louca. Se você precisar de
visitas de cortesia que precisava (talvez de- sas em você e mesmo quando você deita com alguma coisa mande dizer, porque tem tudo.
mais até)[,] assisti o dia 27 de Setembro em elas é impossível tirar o pijama, porque faz Já comecei meus Tutorials. Creio que vai
Londres que foi impressionante, arrumei as muito frio. Nada da «porcaria» daí, nada de ser duro fazer o meu Anglo-Saxão, mas en-
malas, vim pra Oxford, fiz todas as coisas que um corpo nu ao seu lado, suando, com as ja- fim, comecei, toca prà frente. Peguei literatu-
tinha pra fazer e agora estou ferozmente nelas abertas. Você vive aqui entre cortinas ra diretamente nos Elisabetheanos, o que já
trancado no meu apartamento, violentando fechadas, pisando só em tapetes, se aquecen- é mais agradável. O sistema de estudos aqui
a paz íntima de que eu preciso pra não des- do no fogo da lareira. E se você fala uma pala- é uma das grandes coisas que eu tenho visto,
controlar diante dessa aventura perigosa em vra menos correta num inglês menos puro, a equilibrado, eficientíssimo pra quem quiser
que me meti. Porque Oxford, meu caro, delicadeza assombrada com[o] eles escutam realmente aprender. Os Tutores são cria-
é uma aventura perigosa pra um homem e perdoam é de fazer a gente pegar o primei- turas sábias, com bons ares saudáveis.
da minha formação e da minha natureza. ro vapor. O estrangeiro é tão estrangeiro aqui Fui recebido no sábado, em grande ceri-
O lugar é sereno e tem muito encanto, mas que ele próprio acaba com má vontade para mônia coletiva, li um papelzinho em latim, e

1 Referência a Tati, com quem Vinicius de Moraes se casa- Franco de Andrade fizeram pesquisas a respeito das obras sacristia de São Francisco de Assis à cata de comprovan-
ria em 1939. de Aleijadinho, conforme esclarece na crônica «O amigo tes de obras de talha do Aleijadinho ainda não autentica-
2 Provável referência ao livro Novos Poemas, que a edito- exemplar», de 29 de Junho de 1969, publicada no Jornal do das: e com que sucesso [...].»
ra José Olympio veio a publicar em 1938, quando Vinicius Brasil: «[...] lembrança de minhas aventuras em nossa pri- Tratava-se de uma viagem relacionada com o Serviço do
de Moraes já se encontrava na Inglaterra. meira viagem a Ouro Preto, no Inverno de 1938, quando Patrimônio Histórico e Artístico, fundado e dirigido por
3 No Inverno de 1938, Vinicius de Moraes e Rodrigo Melo fomos com esse caro José Reis debulhar os gavetões da Rodrigo Melo Franco, intelectual responsável pelo tom-

A carta, que permaneceu inédita até hoje, revela a dificuldade de impressões sobre a universidade, além de manifestar a saudade
o poeta adaptar-se a Oxford, para onde foi estudar em 1938, após re- que sentia do Brasil e da família.
ceber uma bolsa de estudos do British Council, com duração de dois Trinta anos depois dessa viagem, já consagrado mundialmente pela
anos. Destinada ao amigo Rodrigo Melo Franco de Andrade, que bossa nova, Vinicius de Moraes embarca rumo a Lisboa, onde faria
na época dirigia o recém-criado Serviço do Patrimônio Histórico e shows com Baden Powell. Instala-se no Hotel Tivoli e estreia na noi-
Artístico Nacional – o SPHAN, atual IPHAN –, a correspondência re- te de 11 de Dezembro. Foi uma viagem emocionante pela recepção
lata angústias e anseios, descreve seu cotidiano e as primeiras afetuosa dos portugueses. Uma viagem também emocionante, num

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a ESTOU LONGE DA POESIA, SECO, ESTUDANDO ANGLO-SAXÃO
E METIDO EM GRANDES ROUPAGENS. MAS SINTO QUE SÓ
VOU COMEÇAR A VIVER MESMO QUANDO ELA VIER.

isso tudo vestido de preto com gravata bran-


ca de laço e colarinho duro – e cap and gown.
Cap and gown é uma tragédia aqui. Você tira,
você bota, daqui a pouco tira de novo, não
pode fumar em cap and gown, não pode va-
diar na rua em cap and gown, cap and gown
são duas entidades!
Me sinto vagamente errado, fazendo essas
coisas reais que não mostram nenhuma rea-
leza e que sobretudo não tem nenhuma reali-
dade, são símbolo puro, símbolo desprovido
de vida. Toda Oxford é um símbolo em estado
de pureza, a cultura desses homens é um sím-
bolo como a própria velha pedra dos colégios.
Tenho impressão que Oxford é o coração da
Inglaterra, e que a Inglaterra não poderia vi-
ver sem esse ritmo perfeito dentro dela. Por
isso tenho tanto medo e me fecho tanto ante a
perspectiva de causar uma pulsação em falso
ou perturbar de qualquer modo esse coração.
É isso, meu querido Rodrigo. Estou longe
da poesia, seco, estudando Anglo-Saxão
e metido em grandes roupagens. Jantando
no Hall em que jantou o Rei, vendo nomes
penosos por toda a parte e monumentos be-
líssimos a cada passo. Mas sinto que só vou
começar a viver mesmo quando ela10 vier,
quando ela me trouxer de volta tudo o que eu
deixei de mim – eu mesmo – nela, quando a
aventura me obrigar a vir e sobretudo quan-
do o segredo me fortificar as horas, e o cui-
dado, a ação. Então, vai ser bom, vai haver
Oxford e o perigo, vai haver ela e a vida. Sem
isso não creio que possa fazer nada de útil
nem por mim mesmo, nem pra ninguém.
Abraça o povo todo, me defende de toda a
intriga, e sobretudo salva o nome dela dessa
história, se houve alguma coisa, Rodrigo.
Não creio que haja nada, mas enfim...

Teu Vinicius
Diz ao Nava que fiz a bordo uma poesia pra ele,
sob a dor de corno. Breve mandarei.11
Vi.

bamento e restauração de muitas obras de arte do patri- 5 Pedro Nava, escritor brasileiro. 8 José Reis, arquiteto brasileiro.
mônio brasileiro. 6 Caloca, apelido de Carlos Leão, arquiteto, desenhista e 9 Libras.
4 Nascido a 19 de Outubro de 1913, Vinicius de Moraes pintor brasileiro. Poemas, Sonetos e Baladas, de Vinicius 10 Tati.
estava então a 10 dias de completar 25 anos, enquanto de Moraes, foi publicado em 1946 com 22 desenhos de 11 Trata-se provavelmente do poema «Balada de Pedro
Rodrigo Melo Franco, nascido a 17 de Agosto de 1898, Carlos Leão. Nava», publicado em Poemas, Sonetos e Baladas.
estava com 40 anos. 7 Graciema Melo Franco de Andrade, mulher de Rodrigo.

outro contexto, por saber – no próprio dia 13 de Dezembro de 1968 – No meu país foi instaurado hoje o Ato Institucional n.º 5. Pessoas
que havia sido decretado o Ato Institucional n.º 5, lançando o Brasil estão sendo perseguidas, assassinadas, torturadas. Por isso, quero
num regime militar sem precedentes no país. Nessa mesma noite, ler um poema.» Baden Powell começa a dedilhar o hino nacional
antes de encerrar o show com o clássico «Canto de Ossanha», can- brasileiro e Vinicius de Moraes lê versos de «Pátria Minha», que
ção composta em parceria com Baden Powell, anuncia, conforme extasia a plateia lusitana.
José Castello na biografia Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão:
Eduardo Coelho, chefe do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira ,
«Eu hoje gostaria de dizer a vocês umas palavras de muita tristeza. da Fundação Casa de Rui Barbosa e editor da Língua Geral.

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