DAHL, Robert A. Poliarquia. São Paulo: Edusp, 1997.

DAHL, Robert A. Poliarquia. São Paulo: Edusp, 1997.
Estrutura. I. Democratização e oposição pública. II. Qual a importância da Poliarquia?
III. Seqüências históricas. X. A teoria: resumo e qualificações.
Resumo:
Regime fechado é o oposto de uma poliarquia, que seria constituída por um alto grau de
1. competição pelo poder político e uma 2. grande parcela da população participando
das decisões tomadas por este poder político. A democracia pressupõe 1. um governo
responsivo em relação a seus cidadãos, estes politicamente iguais, constitui-se num
sistema ideal; 2. os cidadãos são detentores de oportunidade plenas de: a. formular
preferências; b. expressar suas preferências; c. serem contemplados em suas
preferências institucionalmente, sendo que tais instituições deverão fornecer à sociedade
8 garantias para que estas oportunidades abarquem o maior número de pessoas
possíveis; e 3. a conexão entre garantias e oportunidades são evidentes.
As oito garantias: 1. liberdade de formar e aderir a organizações; 2. liberdade de
expressão; 3. direito de voto; 4. elegibilidade para cargos públicos; 5. direito de líderes
políticos disputarem apoio e votos; 6. garantia de acesso a fontes alternativas de
informação; 7. eleições livres e idôneas; 8. instituições para fazer com que as políticas
governamentais dependam de eleições e de outras manifestações de preferência. Numa
escala construída com base nestas garantias para a efetivação das oportunidades será
possível uma análise comparada entre regimes, dividida em duas dimensões.
Considerando estas duas dimensões, a da competição política e da inclusividade nela
permitida, o direito ao voto pertence a ambas. Tendo direito ao voto somente alguns dos
cidadãos, isto poderá levar a uma maior contestação política; o aumento, no entanto, do
número de cidadãos portadores de tal direito significa um regime mais inclusivo. Ainda
assim, vê a variação destas duas dimensões como relativamente independentes entre si
no curso da história, mostrando exemplos em que uma dimensão tenha se desenvolvido
anteriormente a outra.
O caminho para poliarquias não é inevitável, suas condições não são comuns e nem
fáceis de se criar como pode-se concluir ao se ter em mente as variáveis citadas até
agora. São antes frutos de um processo freqüentemente frágil e dependente de sete
condições principais, quais sejam: 1. seqüências históricas, 2. grau de concentração na
ordem sócio-econômica, 3. nível de desenvolvimento sócio-econômico, 4. desigualdade,
5. clivagens sub-culturais, 6. controle estrangeiro e 7. crenças de ativistas políticos.
É mais democrático um regime que seja menos inclusivo e mais tolerante à contestação
do que a contestação sendo restrita ou inexistente ainda que a inclusão seja praticamente
plena. A participação apenas legitima a administração de políticas que já foram
deliberadas, não há espaço para que se conteste de fato os abusos por parte do regime
nem que se lhes dê outro rumo. Com um alto poder de manipulação, na medida em que
se restringem, por exemplo, fontes alternativas de informação, uma população poderá
muito bem não estar fazendo pleno uso de suas faculdades decisórias e sim apenas
outorgando aquilo que lhes é imposto.
A análise é limitada na medida em que sua escala é classificatória e não relacional
podendo por isso desconsiderar algumas nuanças. Assim faz a escolha por uma

Supressão mais custosa significa maior segurança para a oposição. O risco de fracasso pode ser reduzido. Axiomas. 4. assim. de um regime competitivo e inclusivo? Qualificações. 1.terminologia mais adequada à realidade que seja a da poliarquia em detrimento da democracia já que esta jamais teria se concretizado plenamente. Hipóteses. 1. É preciso. Elas seriam casos extremos em que a região média entre eles conteria provavelmente a maior parte dos regimes existentes. O avanço da poliarquia aumenta o número de indivíduos. regimes sem disputas de poder mas com ampliação da participação política. 3. o percurso recorrente foi de oligarquias competitivas para poliarquias. porém seus passos no sentido da liberalização forem acompanhados de uma busca dedicada e transparente de um sistema viável de garantias mútuas. 2. Quanto maior o conflito maior a tendência dos governos restringirem a participação de seus opositores na política. grupos e interesses cujas preferências deverão ser levadas em conta nas decisões políticas. Desta forma sistemas poliárquicos dependem de um novo axioma. Um governo será tolerante com altos custos de supressão. No caso do ocidente. ou quase-poliarquias. ou melhor. Como garantir uma segurança mútua entre governo e oposição? Qual a importância da poliarquia? A argumentação sobre o caminho para uma poliarquia pode ser sintetizada em quatro proposições: 1. ter graves conseqüências para o governo e sua estabilidade. precisando do controle do estado para suprimir os governantes. 4. regimes em que o poder não seja disputado e a participação política limitada. 2. Os termos devem então ser considerados como úteis. sob as condições de sufrágio universal e política de massa. 3. É preciso levar isso em consideração para contra balancear com os custos da tolerância. hegemonias fechadas. 2. regimes com disputas de poder e participação política limitada. A diminuição dos custos da tolerância propicia uma maior chance de sua efetivação para com a oposição por parte do governo. Daí que a liberalização de quase-hegemonias correrá um sério risco de fracassar devido às dificuldades. Estas quatro classificações expressam as linhas gerais de regimes discutidos pela analise de suas transformações. O primeiro caminho é mais passível do que os outros de produzir o grau de segurança mútua exigido para um regime estável de contestação pública. Com custos da supressão maiores que os da tolerância. 3. É preciso considerar a democratização como um processo histórico. hegemonias inclusivas. Quanto maior o conflito maior será o esforço de cada parte em negar à outra a oportunidade de participação nas decisões políticas e. regimes com disputas de poder e ampliação da participação política. . Seus limites práticos estariam expressos no esquema classificatório entre: 1. de construir um sistema de segurança mútua. poliarquias. oligarquias competitivas. ou seja. Tolerância menos custosa significa maior segurança para o governo. Mas o primeiro caminho já não está aberto para à maioria dos países com regimes hegemônicos. maior a possibilidade de um regime competitivo. Isso abre precedentes para que haja conflito no poder e também que os grupos que o detêm sejam substituídos. caminhar para um sistema de garantias mútuas e com alto grau de contestação e participação. portanto. 2. A tolerância entre as partes será mais difícil na medida em que se tenha um maior conflito e com a oposição. 1. maiores serão as dificuldades para a tolerância. Que condições favorecem ou desfavorecem a democratização de um regime hegemônico? O que aumentam as chances de contestação política neste regime? O que favorece a constituição de uma poliarquia. ainda que arbitrários. Suprimir a oposição pode também ser muito custoso.

Este resultado é provável quando uma poliarquia é inaugurada por uma guerra civil ou revolução em que um grande segmento da população. as principais opções disponíveis são a evolução ou a revolução no interior de um Estado-nação já independente. A presença de modelos de poliarquia e de hegemonias de partido único. medido em gerações. O processo de inauguração mais auspicioso para uma poliarquia é o que transforma formas e estruturas hegemônicas legítimas nas formas e estruturas adequadas à competição política. sua presença provavelmente eleva as expectativas de que os regimes podem ser rapidamente transformados em qualquer direção. mas ainda assim incorporado como cidadãos no novo regime. No mínimo. No futuro. mas seus efeitos são imprevisíveis. 5. O processo inaugural mais passível de levar a este resultado é a evolução pacífica no interior de um Estado-nação independente ou de uma nação quase-independente que alcance a independência sem um movimento de independência nacional. evitando assim produzir clivagens duradouras ou dúvidas generalizadas sobre a legitimidade do novo regime. é derrotado. que sustenta a legitimidade do velho regime ou nega a legitimidade do novo. 2. Marcos Katsumi Kay – N1 .A argumentação sobre processo de inauguração de uma poliarquia pode ser resumida nas seguintes proposições: 1. A transformação de regimes hegemônicos em poliarquias provavelmente vai continuar sendo um processo lento. O processo de inauguração menos auspicioso para uma poliarquia é o que deixa um grande segmento do corpo de cidadãos contrário à legitimidade da política competitiva. 3. 8. no mundo. 6. A extensão do processo provavelmente pode ser reduzida e as perspectivas de uma transformação estável aumentam se os processos inaugurais forem acompanhados pela busca de um sistema interno de segurança mútua. provavelmente tem um impacto no processo de inauguração de regimes. 4. 7.

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