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“Dioxinas em Alimentos”

Resumo

As dioxinas são compostos orgânicos que se podem dividir em dois grandes grupos: dibenzo-p-dioxinas policloradas (PCDDs) e dibenzofuranos policlorados (PCDFs). São contaminantes da cadeia alimentar podendo causar efeitos nocivos na saúde animal e humana, nomeadamente problemas cancerígenos, reprodutivos e ao nível do desenvolvimento embrionário. Existe uma grande preocupação ao nível da Comunidade Científica e da população em geral sobre os efeitos das dioxinas e em particular a sua toxicidade. A dioxina com toxicidade mais elevada é a 2, 3, 7, 8-tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD). A exposição semanal aceitável para as dioxinas tem o valor de 14 picogramas de equivalentes tóxicos (TEQ) por quilograma de peso corporal. Estes compostos policlorados são absorvidos no tracto gastrointestinal e acumulam-se no tecido adiposo. A intensidade e a duração da exposição são factores que influenciam a quantidade absorvida.

A população humana pode entrar em contacto com as dioxinas por três vias:

ingestão, inalação e contacto dérmico. Sabe-se que grande parte da exposição humana às dioxinas provém da alimentação, em especial a de origem animal.

O presente artigo diz respeito ao estudo das dioxinas nos seguintes alimentos:

fast food, carne, leite bovino e ovos orgânicos.

PalavrasChave:

Alimentos,

dioxinas,

dibenzofuranos policlorados.

dibenzo-p-dioxinas

policloradas

e

Conteúdo

Resumo

1

Introdução

3

Dioxinas no Fast Food

6

Dioxinas na carne para alimentação humana

7

Dioxinas no leite bovino

8

Dioxinas nos ovos orgânicos

9

Conclusão

10

Referências Bibliográficas

13

Lista de Figuras

Figura 1 - Estruturas químicas das dibenzo-p-dioxinas policloradas (PCDDs) e

3

Figura 2 - Estrutura química da 2, 3, 7, 8-tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD). (5)

3

Figura 3 - Distribuição da ingestão diária de dioxinas através dos diferentes tipos

dos dibenzofuranos policlorados (PCDFs). (3)

de alimentos da dieta humana (1)

4

Listas de Tabelas

Tabela 1 - Ingestão de PCDD e PCDF por crianças e adultos americanos (9)

6

Tabela 2 - Concentração e ingestão diária de dioxinas e PCB no leite de bovinos

9

provenientes de vários países (14)

Lista de Abreviaturas

CCAH - Comité Científico da Alimentação Humana KFC - Kentucky Fried Chicken PCDD - Dibenzo-p-dioxinas policloradas PCDF - Dibenzofuranos policlorados TEQ Toxicity Equivalent (Equivalente Tóxico)

Introdução

Uma das primeiras evidências da toxicidade das dioxinas reporta-se a Julho de 1976, aquando da explosão da fábrica de produtos químicos Hoffman-LaRoche,

Seveso, Itália. Durante o fabrico de 2,4,5-Triclorofenol, ocorreu uma explosão que libertou uma nuvem de compostos tóxicos, entre os quais se encontrava a TCDD (2,3,7,8-Tetraclorodibenzo-p-dioxina), vindo-se anos mais tarde a confirmar a relação deste composto provocando efeitos nefastos para a saúde humana a nível dérmico, reprodução e metabolismo entre outros. Esta dioxina é a mais conhecida como a mais tóxica e portanto também a mais perigosa de entre as que foram identificadas (1) . As dioxinas e seus derivados são poluentes ambientais, altamente tóxicos e persistentes no meio ambiente (2) sendo por isso, nos últimos anos, um importante alvo de estudo em áreas como a medicina e a saúde ambiental.

A classe química das dioxinas dissocia-se em: dibenzo-p-dioxinas policloradas

(PCDDs) e dibenzofuranos policlorados (PCDFs).

A estrutura química das dioxinas é constituída por dois anéis benzénicos unidos

por átomos de oxigénio. Ao redor dos anéis existem ligações de cloro cujas posições originam diferentes congéneres, como se pode ver na figura 1 (3) .

congéneres, como se pode ver na figura 1 ( 3 ) . Figura 1 - Estruturas
congéneres, como se pode ver na figura 1 ( 3 ) . Figura 1 - Estruturas

Figura 1 - Estruturas químicas das dibenzo-p-dioxinas policloradas (PCDDs) e dos dibenzofuranos policlorados (PCDFs). (3)

Existem 75 congéneres que são PCDDs e 135 são PCDFs onde se enquadram 17 com nível toxicológico indefinido. (4)

A dioxina com toxicidade mais elevada é a 2, 3, 7, 8-tetraclorodibenzo-p-dioxina

(TCDD) que tem estruturas tetracoloradas nas posições 2, 3, 7 e 8 tal como se mostra na figura 2 (5) .

2, 3, 7 e 8 tal como se mostra na figura 2 ( 5 ) .

Figura 2 - Estrutura química da 2, 3, 7, 8-tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD). (5)

A maioria das dioxinas tem origem em processos de combustão de matéria orgânica na presença de cloro sob condições onde o oxigénio escasseia (6). Alguns exemplos práticos onde pode ocorrer formação de dioxinas são a fabricação de produtos químicos clorados, como o PCV, e também o branqueamento de papel. Outras dioxinas podem ser originadas a partir de alguns fungos como por exemplo o “bolor branco” que cresce e forma colónias brancas em madeiras que se encontram em estado de decomposição. A queima de madeiras também pode promover o desenvolvimento de dioxinas, como por exemplo, em lareiras localizadas em casas com problemas de ventilação ou até nas próprias florestas. (7) As dioxinas são bastante resistentes à degradação química e biológica e, por isso, persistem no meio ambiente demorando bastante tempo a serem destruídas. Esta destruição é desencadeada pela luz solar e por alguns fungos presentes no solo. Os humanos podem entrar em contacto com as dioxinas por três vias: ingestão, inalação e contacto dérmico. As dioxinas vão-se instalando no tecido adiposo de animais e humanos, ao longo do tempo, podendo atingir níveis elevados. Perante esta situação, a acumulação de dioxinas na cadeia alimentar de humanos e animais foi inevitável. Com a contaminação dos animais cuja carne faz parte da alimentação humana, o risco de contaminação humana vai aumentar (6) . Factores externos, como o tabaco, podem aumentar o risco de incorporação destes contaminantes. Diariamente, a ingestão de dioxinas é feita através dos mais diversos alimentos como se pode ver na figura 3 (1) .

alimentos como se pode ver na figura 3 ( 1 ) . Figura 3 - Distribuição

Figura 3 - Distribuição da ingestão diária de dioxinas através dos diferentes tipos de alimentos da dieta humana (1) .

Mais de 90 % da exposição humanas às dioxinas provêm da alimentação, sendo a alimentação de origem animal (carne, peixe, lacticínios, entre outras) responsável

por cerca de 80 % da exposição global uma vez que os animais funcionam como recicladores o que conduz à acumulação e consequente biomagnificação das dioxinas na cadeia alimentar. Também para os animais, a alimentação representa o risco maior de contaminação por parte das dioxinas. Assim sendo, é extremamente

importante a realização de testes a alimentos para averiguar a presença de dioxinas (4) . O Comité Científico da Alimentação Humana (CCAH) da União Europeia, em 30 de Maio de 2001, emitiu a avaliação dos riscos de dioxinas e PCB sob a forma de dioxinas na alimentação humana. Esta avaliação foi actualizada em 22 de Novembro de 2000 e foi deliberado que a exposição semanal aceitável para as dioxinas tinha o valor de 14 picogramas de equivalentes tóxicos (TEQ) por quilograma de peso corporal. As estatísticas revelam que grande parte da população ingere doses superiores à aconselhável (4) . As elevadas contaminações por parte das dioxinas levaram o Comité a fazer um estudo sobre o impacto deste contaminante em variados alimentos. A farinha e óleo de peixes foram consideradas as matérias-primas para alimentação animal mais contaminadas, de seguida encontra-se a gordura animal. As restantes matérias- primas para alimentação animal de origem vegetal e animal apresentaram baixos valores de contaminação por parte das dioxinas. Os alimentos grosseiros apresentam valores bastante díspares de contaminação dependendo da localização, do grau de contaminação pelo solo e da exposição à poluição atmosférica. Assim sendo, o Comité aconselhou que se reduzisse o impacto das matérias-primas para alimentação animal mais contaminadas (4) . As contaminações provenientes das dioxinas podem provocar efeitos nefastos na saúde pública, tais como (8) :

Efeitos cancerígenos;

Problemas de foro imunológico, fígado e tiróide;

Maior susceptibilidade a infecções;

Perturbações cognitivas;

Efeitos teratogénicos (malformações fetais, anorexia, disfunções metabólicas e biológicas);

Problemas a nível dos sistemas cardiovasculares, endócrino, gastrointestinal, respiratório e reprodutivo.

Dioxinas no Fast Food

Actualmente, a maioria das pessoas têm um dia-a-dia bastante atarefado acabando por limitar o tempo das refeições. Assim, muitas vezes, recorrem ao fast- food que é um género de alimentação simples e rápido de confeccionar. Por outro lado, é do conhecimento geral que o fast-food apresenta desvantagens nomeadamente a nível nutricional, visto que tem na sua constituição inúmeros ingredientes pouco saudáveis como é o caso das gorduras. No final do século XX foram feitos os primeiros estudos sobre a presença de dioxinas, dibenzofuranos, PCB’s sob a forma de dioxina e DDE’s no fast-food. Os resultados revelaram-se preocupantes. Para este estudo foram analisados, nos Estados Unidos da América, os seguintes produtos alimentícios: hamburger Big Mac (McDonald’s), Personal Pan Pizza Supreme (Pizza Hut), três receitas originais para confeccionar hamburgueres (Kentucky Fried Chicken - KFC) e gelado de chocolate (Haagen-Daz). Os estudos efectuados permitiram concluir que o fast-food contribui entre 16,7 % e 52,7 % para o total de TEQ ingeridos, por dia, em adultos e crianças com idade superior a seis anos. Os resultados obtidos revelaram que, em média, as crianças ingerem diariamente uma quantidade três vezes superior de dioxinas do que os adultos, por quilograma de peso corporal. Dos produtos analisados, a pizza e os hamburgers KFC foram os que obtiveram uma gama de TEQ ingerida diariamente pelas crianças mais elevada. Como mostra a figura 1, a quantidade de dioxinas ingeridas por crianças através da pizza variou entre 0,51 e 4,93 pg/kg e através do KFC os valores variaram entre 0,16 e 5,05 pg/kg (9) .

Tabela 1 - Ingestão de PCDD e PCDF por crianças e adultos americanos (9) .

PCDD e PCDF por crianças e adultos americanos ( 9 ) . Para fornecer informação mais

Para fornecer informação mais consistente quanto á presença de dioxinas na alimentação e, neste caso em particular, no fast-food seria necessário analisar um maior número de amostras (9) .

Nos restaurantes de fast-food são usadas muitas embalagens alimentares. Durante muitos anos estas embalagens eram constituídas por poliestireno expandido que é uma espuma formada a partir de derivados de petróleo. Actualmente, o recurso a este tipo de embalagens é mais reduzido porque a altas temperaturas pode acontecer a extracção das dioxinas e posterior passagem para os alimentos (10) .

Dioxinas na carne para alimentação humana

Uma das maiores fontes de contaminação humana por parte das dioxinas é a ingestão de carne. Por conseguinte, é necessário existir um apertado controlo da segurança alimentar da carne no que concerne às dioxinas, de modo a que a sua concentração não ultrapasse os limites aconselháveis pela União Europeia. Um pouco por todo o mundo já existiram casos em que os níveis de dioxinas em carne para alimentação humana atingiram valores bastante elevados. Uma situação recente que chocou a população mundial passou-se em Dezembro de 2008. Foram descobertas contaminações de dioxinas em carne suína

proveniente da Irlanda que atingiam níveis entre 80 e 200 vezes acima dos limites recomendados pela União Europeia (11) .

O produto em questão era exportado para cerca de vinte e cinco países

sobretudo do continente europeu. Depois de detectados os elevados níveis de dioxinas, as autoridades irlandesas e os países importadores decidiram que se retirasse o produto do mercado deixando os consumidores bastante alarmados com a situação.

As amostras recolhidas pelo governo irlandês foram analisadas verificando-se a

elevada contaminação. Segundo os técnicos, uma das razões para o que aconteceu pode estar relacionada com a ração consumida pelos suínos. Investigaram-se então quarenta e sete quintas irlandesas (dez de suinicultura e as restantes de bovinocultura). Nas quintas dedicadas à suinicultura foi detectado que a dioxina tinha entrado na cadeia de produção de ração para a alimentação animal certa de dois meses antes. Assim, com preocupação, concluiu-se que os produtos contaminados já estavam a ser comercializados e muito provavelmente consumidos há algum tempo. Os efeitos na saúde pública não foram perceptíveis porque os níveis de contaminantes que se acumularam eventualmente no organismo dos humanos que ingeriram a carne foram de tal modo baixos que não

tinham a mínima possibilidade de provocar efeitos adversos sobre a saúde desses indivíduos. As contaminações encontradas nas quintas referentes à bovinocultura apresentaram concentrações de dioxinas ligeiramente superiores ao limite aconselhável. O Dr. Andrew Wadge, cientista chefe na área da segurança alimentar

na Irlanda, afirmou que o risco de dioxinas na carne bovina é significativamente inferior à carne de porco visto que o gado tem uma alimentação mais variada e excreta as dioxinas através do leite (6) . Foram apontadas falhas à rastreabilidade feita pelo sistema produtivo europeu que permitiu que durante dois meses a carne contaminada fosse exportada para grande parte dos países membros da União Europeia (12) . Após este episódio de contaminação da alimentação com dioxinas houve redução do consumo de carne e mais cuidado na escolha dos produtos. A carne irlandesa que veio para Portugal apresentou quantidades de dioxinas um pouco acima do limite aconselhável. Grande parte dessa carne foi exportada, outra parte foi transformada em salsichas, enchidos e afins. Uma pequena parte do produto foi para consumo (13) .

Dioxinas no leite bovino

O leite é uma fonte rica de nutrientes. Como é uma excreção da glândula

mamária, pode ter várias substâncias xenobióticas, que constituem um factor de risco para os consumidores Nos últimos anos, a segurança dos consumidores tem sido uma questão vital na cadeia leiteira, como resultado de vários incidentes de contaminação de dioxinas

envolvendo alimentação animal e o leite bovino (14) .

A entrada de dioxina no leite de bovino é feita principalmente por meio de

alimentos para os animais. Os produtos lácteos têm sido reportados como responsáveis por cerca de 32-43 % da exposição humana às dioxinas e por 28% da exposição humana aos PCB (14) . Vários estudos têm sido realizados em relação à concentração de dioxinas e PCB no leite de bovinos provenientes de vários países encontrando-se na Tabela 1 os resultados. (14) Os estudos mostraram que a média de exposição às dioxinas e PCB no consumo de leite bovino pasteurizado está abaixo do PTWI de 14 pg recomendado pelo SCF e JECFA. Além disso, os resultados deste estudo mostraram que as concentrações de dioxinas e de PCB no leite bovino pasteurizado estavam dentro dos limites relatados nos relatórios. Contudo, há incertezas no modelo de resultados devido a variações na concentração de dioxinas e PCB e os dados de consumo de leite (14) .

Tabela 2 - Concentração e ingestão diária de dioxinas e PCB no leite de bovinos provenientes de vários países (14) .

de bovinos provenientes de vários países ( 1 4 ) . Dioxinas nos ovos orgânicos Os

Dioxinas nos ovos orgânicos

Os ovos contribuem para cerca de 4 % para a ingestão diária de dioxinas nos seres humanos. Segundo, estudos realizados na Holanda e outros países da UE foram revelados que os ovos orgânicos contêm mais dioxinas do que os convencionais, e que um número significativo de quintas orgânicas produz ovos com um teor de dioxinas que excede o padrão da UE (15) .

O consumo de dioxinas pelas galinhas a partir de várias fontes leva a um

aumento da dioxina nos ovos orgânicos. Essas fontes incluem, plantas, alimentos, solos, vermes e insectos. Comparando as galinhas de produção orgânica com as criadas em aviários, estas andam ao ar livre fazendo mais uso dessas fontes. As plantas aparentam não ter importância como fonte de dioxinas, assim como os alimentos orgânicos comerciais, geralmente tem um baixo nível de dioxinas, contudo não se sabe muito sobre o alimento não comercial, tal como, o consumo de vermes, insectos e particularmente a ingestão de solo. A fim de reduzir a exposição humana a dioxinas, a União Europeia decidiu que a partir de 1 de Janeiro de 2005 os ovos não podem conter mais de 3 picogramas (pg) Equivalentes Toxic (TEQ) por grama de gordura do ovo. A partir desta data, as explorações agrícolas que excedem este padrão tem que tomar medidas para reduzir o teor de dioxinas nos seus ovos. (15) Para ocorrer essa diminuição dos níveis é necessário que haja, uma redução do tempo que as galinhas passam ao ar livre, contudo essa redução pode ao mesmo tempo interferir com a imagem do sistema de produção orgânica. Apesar do facto de muitas fontes de contaminação por dioxinas serem eliminadas, ainda pode levar muitos anos antes que os níveis de fundo diminuam os valores de dioxinas nos ovos das galinhas que andam ao ar livre e que estes estejam de acordo com a legislação comunitária em vigor (15) .

Conclusão

As dioxinas são contaminantes que estão presentes no ambiente representando

uma ameaça à qualidade de vida nomeadamente à saúde pública. A dioxina mais tóxica que se tenha conhecimento é a 2, 3, 7, 8-tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD). No presente artigo foram mencionados diversos estudos que analisaram a presença de dioxinas na alimentação humana, mais precisamente no fast food, na carne, no leite bovino e nos ovos orgânicos. Caso as dioxinas estejam presentes no organismo humano em quantidades superiores às estabelecidas pela directiva 2006/13/CE podem causar efeitos nefastos para a saúde pública. As dioxinas chegam aos humanos através da alimentação por um processo de bioacumulação, isto é, a acumulação de dioxinas em gorduras animais. Desta forma as dioxinas vão ser transportadas ao longo dos níveis tróficos atingindo os

humanos.

O estudo sobre o fast food presente neste artigo revela que este tipo de

alimentação contribui entre 16,7 % e 52,7 % para o total de TEQ ingeridos, por dia, em adultos e crianças com idade superior a seis anos (9) .

A carne para alimentação humana é um dos produtos alimentares que mais

contribui para a contaminação por parte de dioxinas. Neste artigo mencionou-se um episódio dramático ocorrido em Dezembro de 2008 onde foram identificadas contaminações de dioxinas em carne suína proveniente da Irlanda que atingiam níveis entre 80 e 200 vezes acima dos limites recomendados pela União Europeia. Suspeita-se que uma das origens desta elevada contaminação tenha sido a ração consumida pelos suínos (11) . No que diz respeito à média de exposição às dioxinas e PCB do consumo de leite bovino pasteurizado, estudos mostraram que as concentrações de dioxinas e de PCB no leite bovino pasteurizado estavam dentro dos limites. No entanto, há incertezas no modelo de resultados devido a variações na concentração de dioxinas e PCB e os dados de consumo de leite (14) . Comparando os níveis de dioxinas em ovos de galinhas de aviários e galinhas criadas ao ar livre, segundo estudos mostram que estes são mais elevados em ovos de galinhas criadas soltas do que em ovos de galinhas mantidos no interior, isto deve-se ao facto de que galinhas criadas ao ar livre ingerem solo e comem insectos e vermes contendo dioxinas que são eficientemente transportados para a gema de ovo (15) .

Para quantificar as dioxinas presentes numa amostra são necessários métodos de elevada sensibilidade de forma a possibilitar a determinação da sua concentração e simultaneamente permitir a identificação estrutural das diferentes dioxinas (1) .

O método analítico mais utilizado para esta determinação é a cromatografia

gasosa associada à espectrometria de massa (GC-MS) (1) .

A avaliação da exposição humana pela via alimentar depende por um lado da

dieta e hábitos alimentares e por outro lado da concentração de dioxinas nos alimentos ingeridos (1) . Em Portugal não existem dados sobre a quantidade de dioxinas presentes nos mais diversos alimentos então torna-se difícil estimar a exposição diária da população por via alimentar. A extrapolação de dados de outros países não é viável devido à grande variação da concentração das dioxinas nos diferentes alimentos consoante a sua origem (1) . Assim sendo, a resolução deste problema passa por efectuar estudos epidemiológicos que consistem em estudar a relação de causa-efeito ou causa-

doença. Outra forma para tentar resolver esta situação é identificar quais os alimentos mais expostos às dioxinas e tentar estabelecer recomendações para os produtos alimentares (1) .

É importante controlar de forma efectiva (do ponto de vista operativo e analítico) as fontes emissoras de dioxinas reduzindo ao máximo a formação destes contaminantes (1) .

A destruição das dioxinas por catalisadores (ex: pentóxido de vanádio 98% -

99.99% cuja fórmula química é V 2 O 5 ) também tem vindo a ser defendida. Estes catalisadores baixam a temperatura de oxidação desde cerca de 1200ºC até aproximadamente 180ºC, com consequente destruição das dioxinas (1) .

A longo prazo, a transformação, reciclagem e reutilização de materiais (ex:

vidro, papel, plástico) e substâncias (ex: solventes) parece ser a melhor forma de contrabalançar a necessidade de incinerar e/ou tratar toneladas de resíduos sólidos

urbanos e químicos e dessa forma actuar na raiz do problema da formação das dioxinas (1) .

Referências Bibliográficas

[1] C. Carvalho, E. Campos, D. Martins, A. Raposo, A. Viveiros e M. Batoréu, “Dioxinas: Origens e Efeitos na População Humana”, Laboratório de Toxicologia,

Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, 2001. [2] T. Ishida, M. Hori, Y. Ishii, K. Oguri e H. Yamada, Journal of Dermatological Science (2005), http://www.sciencedirect.com/science/journal/09231811.html. [3] G. Camp, “Análisis de Flujos de Substancias: Una Herramienta Aplicada a la Evaluación de Riesgos en la Provincia de Tarragona ”, Tese de Doutoramento, Universidade Rovira I Vergili, 2002. [4] Directiva 2006/13/CE da Comissão que altera os anexos I e II da Directiva 2002/32/CE do Parlamento Europeu e do Concelho, relativa às substâncias indesejáveis nos alimentos para animais, no que diz respeito às dioxinas e aos PCB sob a forma de dioxina, Jornal Oficial da União Europeia de 3 de Fevereiro de 2006, L 32/44. [5] R. Pinto, “Estrutura e Actividade Biológica de 2, 3, 7, 8-tetraclorodibenzo-p- dioxina”, Departamento de Química, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Nova de Lisboa. [6] http://www.food-info.net/pt/qa/qa-wi2.htm, consultado em 16 de Outubro de 2010.

[7]http://www.noharm.org/saude_sem_dano/temas/toxicos/pvc_ftalatos/dioxina

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2C-

[10]http://jorgeroriz.wordpress.com/o-perigo-da-dioxina-para-sua-saude/,

consultado em 18 de Outubro de 2010.

[11]http://www.merck-chemicals.com.br/food-analytics/dioxin-in

meat/c_UmGb.s1ONMIAAAEgesc.30Nc, consultado em 18 de Outubro de 2010.

[12]http://www.avicultura.com.pt/index.php?option=com_content&task=view&i

d=671&Itemid=59, consultado em 18 de Outubro de 2010.

[13] http://www.publico.pt/Sociedade/carne-de-porco-irlandesa-em-portugal- tinha-dioxinas_1353047, consultado em 18 de Outubro de 2010. [14] Adefunke O. Adekunte, B. K. (18 July 2010). Exposure assessment of dioxins and dioxin-like PCBs in pasteurised bovine, Chemosphere, http://www.sciencedirect.com/science. [15] M. De Vries, R.P. Kwakkel e A. Kijlstra. “Dioxins in organic eggs: a review.” 9 Agosto 2006, http://orgprints.org/10175/1/NJAS_54-2_207-222.pdf, consultado em 20 Outubro de 2010