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E SCOLA SECUNDÁRIA D. SANCHO I Língua Portuguesa Ficha Informativa "As sobiando à vontade", de

E SCOLA SECUNDÁRIA D. SANCHO I

Língua Portuguesa Ficha Informativa

"As sobiando à vontade", de Mário Dionísio Categorias da Narrativa

 

1.

AÇÃO

Definição: Sucessão de acontecimento s que conduzem a um desenlace. No Conto, uma ação principal, sem intrigas secund árias.

normalmente existe apenas

Estrutura: Normalmente, o Conto está e struturado em três partes:

a) situação inicial (apresentação das per sonagens, do espaço, do ambiente);

b) desenvolvimento (algo vem perturbar o equilíbrio da ação);

c) situação final (conclusão — com reso lução ou não — dos desequilíbrios da ação).

Delimitação:

a) ação fechada — quando a situação fi nal é o resultado natural e definitivo do encadea mento dos acontecimentos.

b) ação aberta — quando a situação fina l não apresenta uma resolução para os desequil íbrios da ação.

"Assobiando à vontade", de Mário Di onísio:

 

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Situação inicial: Apresentação da cidad e e dos seus habitantes, em especial, os que uti lizam o elétrico.

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Desenvolvimento: Um dos passageiros começou a assobiar, em desafio às regras soci ais dos "elegantes".

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Situação final: Este passageiro saiu e t odos voltaram ao "silêncio e dignidade".

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A ação pode ser considerada aberta. O

"problema" colocado pela postura do homem q ue assobia termina, mas os

receios, a antipatia e os sonhos das per sonagens perduram.

 

2.

PERSONAGENS

Definição: Seres individuais ou coletivo s que intervêm na ação. No Conto, o número de personagens com relevo na ação normalmente é reduzido.

Tipos:

a) protagonistas (personagens centrais) :

b) secundárias (com menos importância , mas com características individualizadoras);

 

c) figurantes (aparentemente irrelevant es para a ação, mas com um papel importante

na criação do ambiente da

história)

Caracterização:

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física (aparência exterior, vestuário

)

o u psicológica (emoções e sentimentos); por outra personagem) ou indireta (característ icas deduzidas a partir das

direta (apresentação pelo narrador ou ações da própria personagem).

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"Assobiando à vontade", de Mário Di onísio - exemplos:

 

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Protagonista — Homem que entra no e létrico e começa a assobiar.

. Personagens secundárias — Uma s enhora "opulenta", uma menina (que bate pal mas ao desconhecido que

assobia) e a sua mãe.

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Figurantes — Transeuntes e passageir os do elétrico.

 

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Caracterização física direta — "o home m, que usava um chapéu coçado e um sobretud o castanho"

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Caracterização psicológica direta — "F icara nos lábios e nos olhos de todos um sorriso de bondosa ingenuidade"

Caracterização psicológica indireta — assobio de um dos passageiros.

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Uma criança demonstra a sua alegria e simpli cidade, batendo palmas ao

3.

ESPAÇO

Definição: Cenário onde se desenrola a ação. No Conto, não é habitual haver longas de scrições de espaços. Tipos:

a) físico (espaços interiores e exteriores que servem de cenário à ação);

 

b) social (ambiente criado pela sociedad e, que influencia as personagens);

c) psicológico (mundo interior de uma pe rsonagem).

"Assobiando à vontade", de Mário Di onísio - exemplos:

 

Espaço físico — a cidade, com as suas lojas, oficinas, ruas, elétricos etc. Espaço social — ambiente de tensão e ntre "a chamada classe média e as camadas provocado pelo desafio às regras soci ais (como a condenação da espontaneidade e

mais baixas da população", da livre expressão, que é

colocada em causa pelo assobio e pelas

palmas).

Espaço psicológico — o campo onde a " senhora nova e bonita" se divertia quando era cr iança.

4.

TEMPO

Definição: Conjunto de indicadores que permitem ordenar os acontecimentos de acordo com a sua data e conhecer a sua duração. No Conto, é habitual hav er sumários (momentos em que se resume a his tória) e elipses (omissão de uma parte dos acontecimentos). Tipos:

a) cronológico (momentos associados a os acontecimentos da ação);

b) psicológico (tempo transformado pela s vivências das personagens).

"Assobiando à vontade", de Mário Di onísio - exemplos:

Tempo cronológico — "as ruas da Baixa enchiam-se de elegantes que iam dar a sua volt a, às cinco horas".

Tempo psicológico — recordação de m omentos da infância, pela mãe da criança que a plaudiu o desconhecido que

 

assobiava.

5.

NARRADOR

Definição: Entidade responsável por

contar a história. É uma invenção do autor , como acontece com

as

personagens.

 

Tipos:

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Quanto à presença — presente (é um a testemunha direta dos acontecimentos e pode contracenar com as outras

personagens) ou ausente (limita-se a co ntar a história);

 

Quanto ao ponto de vista — objetivo (é imparcial na forma como narra os aconteciment os) ou subjetivo (envolve-se com os acontecimentos ou com as pers onagens, manifestando sentimentos de revolta, e moção, surpresa etc.)

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"Assobiando à vontade", de Mário Di onísio:

 

O narrador do conto é ausente, uma

espécie de voz exterior que conta a história.

No entanto, nota-se que é

subjetivo na forma como apresenta a s personagens. Por exemplo, ao falar das cl asses mais baixas, usa o diminutivo, para traduzir o pensamento d os "cavalheiros" e das "senhoras" das classes m ais altas.

6.

MODOS DE APRESENTAÇÃO DO T EXTO NARRATIVO

Definição:

O conto é composto por sequências em que pode predominar o enredo, a apresentação de espaços ou o discurso das personagens. Tipos:

Descrição — momento de pausa nos a contecimentos da ação, destinado à apresentaç ão de informações sobre as personagens, os espaços, objetos etc.

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Narração — momento de avanço na aç ão, em que são relatados os acontecimentos e c onflitos envolvendo as

personagens.

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Diálogo — troca de informação realizad a por um locutor e um interlocutor, cujos papéis são reversíveis.

"Assobiando à vontade", de Mário Di onísio:

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Descrição — na primeira parte do cont o, predomina a descrição dos transeuntes e dos passageiros do elétrico.

Narração — verifica-se a partir do mom ento em que se destaca um dos passageiros, qu e vem desafiar a "compostura" da viagem.

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Diálogo — não aparece claramente, m as pressentimos que existe, por exemplo, entre a

mãe e a filha.