Os relatos são assustadores.

Ora descreve-se como a cabeça de uma pessoa, de cabelos
compridos, olhos arregalados e amedrontadores, com um grande sorriso na face, a se
deslocar rolando ou saltitando pelo chão.
Outros a descrevem como a cabeça de um cangaceiro, de feições rudes e sempre com
um sorriso à contemplar quem com ela se depara. Pode surgir de repente com se fosse
uma pessoa comum. Essa pessoa sempre aparece de costas para sua vítima, sempre
tarde da noite, em lugares onde há pouca luz. Então aquela pessoa taciturna, de repente,
se desfaz, se desmanchando, caindo no chão como um monte de entulhos, e aí surge a
assustadora cabeça rolante.
Há relatos que a descrevem como sendo uma cabeça conduzida numa das mãos por
outra entidade fantástica, a segurá-la pelos cabelos, que logo, ao se defrontar com
alguém, larga-a no chão para que esta possa perseguir sua vítima.
É uma entidade tão temida pelos habitantes das regiões mais remotas, que a simples
menção do seu nome já exige o sinal da cruz. Por isso, todos evitam comentar. Mesmo
em rodas de conversas sobre assombrações, coisa comum no interior do país, evitam
pronunciar tal nome, pois associam o mesmo a encarnação viva do próprio diabo, e
dizem que basta que ela toque em alguém para que a pessoa adoeça e morra. É portanto
sinal de mal agouro, quando ela corre noites afora, e de repente de detém diante da casa
de alguém.
Uma cruz feita da palha do Domingo de Ramos, colada no lado de fora das portas, é a
certeza de que ela, diante daquela casa não irá parar.
De fato, a tradição da cruz com as palhas do Domingo de Ramos afixadas à porta
das casas, é ainda hoje um costume largamente praticado pelos moradores das
regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Informações Complementares:
Nomes comuns: Cabeça Satânica, Cabeça Errante, Besta Fera (este mito tem lenda
própria),
Catecate
(Bolívia),
Ráhu
(Índia).
Origem Provável: É dífícil determinar em que época surgiu esse mito no Brasil. É pouco
conhecido até no Nordeste do país, apesar de aparentemente ser originário desta região.
É mais relatado nas regiões agreste, sertão e alto sertão, sendo pouco conhecida nas
capitais. É mais comum em Pernambuco, Alagoas e Paraíba onde coletamos diversos
relatos. Outras menções são dos colonos nordestinos que se mudaram para a região
Norte do país. Pode estar relacionado com o mito Europeu do Lobisomem e certamente
tem raízes portuguesas. Também devemos considerar os mitos asiáticos das Cabeças
Voadoras,
crenças
milenares
daquele
continente.
Entre os Caxinauás, índios Panos, do rio Iboaçu, afluente do Muru, no território do Acre, J.
Capistrano de Abreu recolheu o mito da origem da Lua [2]. O tema da Cabeça Errante e
falante aí aparece como centro etiológico. Trata-se da explicação do próprio astro celeste.
Se assemelha ao mito do Maranhão ou Pará do Cumacanga ou Curacanga.
Na Europa e Ásia há a tradição das cabeças humanas que voam, destacadas do corpo,
atravessando os ares, espalhando pavor. Na américa do sul, Bolívia, há a Catecate, que

com o consentimento das autoridades religiosas. com cabelos e olhos de fogo. que depois se espalharia por outros continentes. Era crença comum na Europa Medieval. a gargalhar de forma terrível.aparece por cima dos tetos amigos. espalhando pavor e pânico nas paragens onde passa. não importa se de escuridão total ou de lua. habitavam a terra juntamente com os vivos. Em seguida. Sobre o personagem brasileiro. Mas. Inúmeros são os relatos oficiais de tais aparições. como única forma de libertá-lo da maldição. . tomando as devidas adaptações locais. deverão as casas ter uma cruz de palha benta. a tradição mais comum a descreve como a cabeça do próprio demônio. assim também como do remédio adotado na época para resolver a questão. era o defunto outra vez enterrado. Acreditava-se que a cabeça do fantasma. como reforço. presa do lado de fora da porta. Terá então um padre que rezar uma missa e exorcizar o local. deve o morador se agarrar com um terço bento e fazer suas orações. e poder-se-á ouvir e sentir seu horrível hálito atravessando as frestas da madeira. agora com a cabeça decepada entre as pernas. que os mortos-vivos. Nessas horas. Nessa tradição fica bem evidente uma parte da origem do mito da cabeça errante como a entidade fantástica. ou morto. queixando-se. mas não permanecerá ali por muito tempo. a perseguir andarilhos que teimam em ficar fora de casa às altas horas. para assim ficarem livres do mau agouro. fazer a exumação do seu corpo e o eventual corte de sua cabeça. Assim. era o elo de ligação dele com o mundo físico. Descrevem-na como uma cabeça gigante. nas noites de suas aparições. iluminando o interior com seus olhos de fogo. quando caminha ou pula. De forma alguma deverá abrir a porta para tentar ver o que está acontecendo lá fora. que sai em noites. era prática comum. ou Zumbis. e os moradores terão que realizar uma novena. então é quase certo que uma pessoa ali residente morrerá ou irá contrair uma doença grave. sem data ou motivo definido. Para se proteger dela. depois de identificado o morto que assombrava. Ela assim mesmo poderá chegar às portas dessas casas. ao se deter em frente à alguma casa. entre os séculos X e XV.

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