Você está na página 1de 19

FACULDADE DOM BOSCO

DÉBORA D. RAGANHAN KLASS

ÉRICA BRAGA DO AMARAL

RENATA G. SCHAFRANSKI

SAMANTHA ZEFERINO

SAYMON COSTA

CASO DOUGLAS BASBOSA E OUTROS X REPÚBLICA FEDERATIVA DE AMANDAJE

Trabalho apresentado a disciplina de Direitos Humanos, 8º período, manhã, do curso de Direito da Faculdade Dom Bosco.

Profª. Cristina Zadra Valladares

CURITIBA PR

2015

CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS San José, Costa Rica

CASO DOUGLAS BASBOSA X REPÚBLICA FEDERATIVA DE AMANDAJE

MEMORIAL DOS REPRESENTANTES DA COMUNIDADE VILA DOS MALÊS

2015

SUMÁRIO

1.

DECLARAÇÃO DOS FATOS

5

2.

DA CONCESSÃO DA MEDIDA

8

3.

ADMISSIBILIDADE DA PETIÇÃO

9

4.

QUESTÕES PRELIMINARES

10

4.1

INEXISTÊNCIA DE LITISPÊNCIA INTERNACIONAL

10

4.2

O NÃO ESGOTAMENTO OU EFICÁCIA DE RECURSO DA JURISDIÇÃO

 

INTERNA

10

4.3

INDENTIFICAÇÃO OU POSSIBILIDADE DE INDENTIFICAÇAO DA

VITIMA

11

5.

QUESTÕES DE MÉRITO

11

5.1

A OBRIGAÇÃO DO ESTADO EM RESPEITAR DIREITOS

11

5.2

VIOLAÇÃO DO DIREITO A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

12

5.3

VIOLAÇAO AO DIREITO DE ASSOCIAÇÃO E DO DIREITO DE

REUNIÃO

13

5.4

VIOLAÇÃO DA PROTEÇÃO DA HONRA E DA DIGNIDADE

14

6.

SOLICITAÇÃO DE ASSISTÊNCIA

18

INDICE DE JUSTIFICATIVAS

Declaração

Universal

dos

Direitos

Humanos.

Disponível

em:

 

Pacto

internacional

de

direitos

civis

e

políticos.

Disponível

em:

Convenção

americana

sobre

direitos

humanos.

Disponível

em:

Relatório Anual da Corte Interamericana de Direitos humanos. RELATORIO Nº 34/00 CASO 11.291 (CARANDIRU)* BRASIL 13 de abril 2000 Disponível em

<http://cidh.oas.org/annualrep/99port/Brasil11291.htm>

Regulamento da Comissão interamericana de Direitos Humanos. Disponível em

<http://www.oas.org/pt/cidh/mandato/Basicos/RegulamentoCIDH2013.pdf>

SILVA, Andressa Souza e. A corte interamericana de direitos humanos.

em:

Disponível

Resolução nº 09 de 20 de janeiro de 2009.

Constituição Federal da República Federativa de Amandaje.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ PRESIDENTE DA HONORÁVEL CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS

Considerando a convocação da Honorável Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), para audiência pública referente ao Caso Douglas Basbosa e Outros vs. República Federativa de Amandaje vem, respeitosamente, submeter o memorial em defesa da vítima, representada por seus advogados, que apresenta síntese dos fatos e os respectivos fundamentos consonantes à admissibilidade da demanda, questões formais preliminares, ao mérito, às reparações cabíveis, bem como expõe as razões quanto ao pedido de medida de urgência, além das solicitações de assistência previstas na Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH)

1. DECLARAÇÃO DOS FATOS

A República Federativa de Amandaje fica situada na região do Caribe e tem como capital a cidade de Amaralina. A principal cidade da Republica é Amdavade, localizada no Estado de Santo Elder. A população de Amandaje é de cerca de 12 milhões de habitantes, e sua população é composta por povos indígenas, descendentes de colonos europeus e asiáticos, e descendentes de populações africanas. A maior parte da população (47%) são brancos, seguidos de (43%) pardos, (7,6%) pretos, (2,1%) de amarelos e (0,3%) de indígenas, sendo que a população mais pobre são de negros (pretos e pardos). A população negra é a que mais sofre, pois um estudo da Universidade Federal de Amandaje mostrou que 70% dos homicídios ocorridos no país tinham como vítimas jovens negros. Amandaje era uma República Democrática mas após o Presidente ter sido destituído do cargo pelos militares em setembro de 1973, o voto direto foi abolido para presidente e governadores. Nesse período houve torturas e desaparecimentos forçados para aqueles que eram contrários a ideia militar. Após muitas lutas houve a redemocratização do país. Em 1996 a República de Amandaje ratificou os tratados da Organização das Nações Unidas (ONU) referente aos Direitos Humanos. Em 2004 foi a vez de ratificar o tratado de Direitos Humanos do Sistema Interamericano de Direitos Humanos,

declarando e reconhecendo a competência da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH). Entre os municípios de Amaril do Sul e Amdavade fica localizado a Vila dos Malês, com cerca de 50 mil habitantes, sendo maior parte de sua população negra descendentes de escravos. A Vila dos Malês é um lugar extremamente pobre, onde seus habitantes vivem em casebres e barracos sem saneamento básico. A saúde publica também é precária, assim como as escolas. Pelo fato de não verem uma melhora em suas vidas, alguns moradores da Vila dos Malês fazem parte de um grupo chamado Falcões, que coordena o livre comércio de maconha. Em troca dessa liberdade, os moradores recebem alimentos, medicamentos. A Vila dos Malês conta com a Associação de bairro Malala que tem o intuito de reivindicar melhorias para o povo. Essa associação era comandada por dona Zilda Basbosa, mulher sempre engajada nas lutas por melhorias. Dona Zilda tinha apenas um filho que se chamava Douglas Basbosa, nascido em 11 de maio de 1981, era estudante do curso de Ciencias Sociais e Direito na Faculdade de Amandaje. Douglas era casado com Dandara Serna, uma produtora de vídeos independentes. Em 21 de fevereiro de 2007 a Associação Malala junto com a Altera- Alteridade publicaram um livro com depoimentos dos moradores da comunidade, que contavam detalhes das fugas as fazendas onde existia trabalho escravo. Douglas Basbosa escreveu um capítulo onde se referia a violência dos tempos passados comparando com a atuação da policia militar de Santo Helder. Em janeiro de 2008 durante as comemorações de ano-novo houve a realização de uma operação policial na Vila dos Malês, que segundo um oficial da PM tinha apenas o intuito de apreender drogas e traficantes. Infelizmente durante a operação policial, Douglas foi atingido por um tiro na cabeça, em um beco que ligava duas praças da Vila. Os policias até tentaram socorrer a vítima mas Douglas não resistiu. O comandante da operação alegou que Douglas fazia partes dos Falcões e por isso teria reagido a abordagem policial e atirado em legitima defesa. Conforme perícia realizada, não foi apresentado vestígios de pólvora nas mãos da vítima, sendo que foi localizada uma arma na mão do mesmo. Após a polícia

concluir pela ausência de indícios, o inquérito foi remetido ao Ministério Publico do Estado de Santo Elder, que resultou no arquivamento do processo em janeiro de 2010. Na data de 4 de janeiro de 2008, a população da Vila se reuniu na principal praça da Vila, a Praça da Libertação, para um protesto organizado e pacifico. No protesto haviam moradores idosos, jovens e estudantes do projeto Altera- alteridade, e eles pediam explicações sobre a morte de Douglas Basbosa, muitos manifestantes estava com cartazes onde diziam que Douglas era mais uma vítima de genocídio contra a juventude negra. No protesto também houve quem fosse reivindicar melhorias no saneamento básico, saúde, educação. Dandara Serna conseguiu filmar os protestos e enviou as imagens a rede de televisão Internacional Peninsula. O vídeo foi amplamente divulgado. Perto das 16hs a Policia Militar tentou desbloquear as vias que estavam ocupadas pelo protesto, como foi infrutífera a tentativa de desbloquear pois os manifestantes não quiseram sair do local, a Policia Militar agiu rapidamente borrifando spray de pimenta nos manifestantes, dispararam tiros com balas de borrachas, e bombas de efeito moral. Duas pessoas ficaram gravemente feridas, Giuliana Falkone que com a explosão de uma das bombas chegou a perder a audição do ouvido direito, e Pedro Raouf Dink que perdeu a visão do olho direito após ser atingido por uma bala de borracha. Após ficar chocada com a atitude policial, Dandara Serna foi protestar na frente de uma viatura policial, pois ela estava ainda em estado de choque por ter perdido seu marido em um “confronto” policial há apenas alguns dias antes do protesto. Dandara foi detida e levada a delegacia de Amaril do Sul, chegando lá foi indiciada por desacato. Durante o período de 9 horas em que Dandara ficou detida, ela não pode ter acesso ao telefone e nem contactar algum advogado ou algum parente . Após algum tempo Dandara foi condenada a detenção de 1(um) ano e meio, convertidos em prestação de serviços a comunidade, não foi admitido nenhum outro recurso. Os casos de Giuliana Falkone e Pedro Raouf Dink ainda não houve investigação criminal ou um processo aberto. Quando ocorre casos em que policiais militares cometem crimes contra civis, a Corregedoria da Policia Militar é responsável pela investigação dos casos. Nos casos de crimes

dolosos contra civis quem será responsável por receber a denuncia é o Tribunal do júri. Na data de 24 de janeiro de 2008, houve novamente um protesto no centro de Amandave, na frente da Estação de metrô do Parque Owns. Os manifestantes acusavam o Governador Tião Towa Towa de adotar uma política de marginalização da Vila dos Malês. A policia fechou todas as saídas do parque e não permitiu que entrasse água, alimentos e remédios para os manifestantes. Dona Zilda mãe de Douglas, e sua genitora Dona Isaura foram na manifestação e após o ocorrido, entraram com uma ação por dano moral contra o Estado e contra o Coronel Huart, comandante geral da Policia Militar de Amdavade. Ação encontra-se pendente no tribunal de Justiça de Santo Helder. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) recebeu em 20 de março de 2010, uma petição assinada pelo Centro Sulamarilense de Direitos Humanos (CESADH) e pela Associação Malala, alegando a violação dos Direitos Humanos pelo Estado de Amandaje durante a operação Policial do dia 1 de janeiro de 2008 na Vila dos Malês. Alegam violações dos direitos a vida, a integridade pessoal, a liberdade pessoal, de acesso à justiça, proteção da honra e da dignidade, direito a liberdade de pensamento e expressão, direito de reunião, da liberdade de associação, e o direito de circulação e de residência. A Federação de Amandaje apresentou contestação a petição, alegando que os recursos internos não teriam sido exauridos. A Comissão Interamericana admitiu seu relatório, e declarou admissível a denúncia e considerou violado todos os artigos elencados pelos peticionários. Como o Estado de Amandaje não tomou providencias para cumprir as recomendações feitas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o caso foi remetido para a Corte Internacional de Direitos Humanos.

2. DA CONCESSÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA.

Com fulcro no artigo 63.2 da CADH e 25.1 do Regulamento da Corte IDH, que assim dispõe: Artigo 63.2. “Em casos de extrema gravidade e urgência, e

quando se fizer necessário evitar danos irreparáveis às pessoas, a Corte, nos assuntos de que estiver conhecendo, poderá tomar as medidas provisórias que considerar pertinentes. Se se tratar de assuntos que ainda não estiverem submetidos ao seu conhecimento, poderá atuar a pedido da Comissão”. Artigo 25.1. “Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido ou a qualquer outro recurso efetivo, perante os juízes ou tribunais competentes, que a proteja contra atos que violem seus direitos fundamentais reconhecidos pela constituição, pela lei ou pela presente Convenção, mesmo quando tal violação seja cometida por pessoas que estejam atuando no exercício de suas funções oficiais”. Dessa forma, a corte poderá conhecer de eventuais medidas provisórias que se fizerem necessárias, quando direitos e liberdades protegidas pela CADH estão sobre grave ameaça, fica evidente a urgência em evitar danos irreparáveis ás vítimas de Amandaje. Assim, requer-se que a Corte adote medidas preventivas, assegurando o direito á vida e sua integridade as vítimas da demanda, direitos que já são concedidos pela CIDH.

3. ADMISSIBILIDADE DA PETIÇÃO

Os peticionários tiveram seus direitos violados e ainda, esgotaram-se os recursos internos conforme prevê o regulamento da comissão interna de direitos humanos em seu artigo 37. Demonstra-se também que petição apresentada respeita o prazo estipulado na convenção em seu artigo 46,1b : Para que uma petição ou comunicação apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 seja admitida pela Comissão, será necessário: b que seja apresentada dentro do prazo de seis meses, a partir da data em que o presumido prejudicado em seus direitos tenha sido notificado da decisão definitiva; Artigo 39 do regulamento da comissão interna de direitos humanos, e ainda é demostrado também que não há simultaneamente outro procedimento internacional, preenchendo o artigo 39 do regulamento. Desta forma a presente petição é admissível ao passo que o que ela apresenta, está de acordo com os requisitos de admissibilidade traçados nos

artigos 44, 46 e 47 da Convenção Americana de Direitos Humanos, e dos artigos

37, 38 e 39 do Regulamento da Comissão Interamericana.

4. QUESTÕES PRELIMINARES

A aceitação do requerimento pedido pela comissão e Corte IDH, devera

satisfazer a competência e atendimento das condições formais de

admissibilidade estipulado pelo art.46 da CADH, preveem o recurso de da

jurisdição disponibilizada a peticionar a ofensa no prazo legal, não havendo outro

litigio internacional pendente com o deslumbramento dessas condições dentro

do fato a ser narrado, manifestações e violência institucional, com a matéria de

fato Liberdade de Expressão e Segurança Pública.

4.1 INEXISTÊNCIA DE LITISPÊNCIA INTERNACIONAL

Sendo este o direito e o único processo que envolva a demanda, sendo

entregada ao dia 28/04/2015, por onde o povo de amandaje requer dentro da

organização Internacional proteção aos Direitos Humanos, concluindo que não

há outra apreciação dentro da jurisdição Internacional em questão da matéria

que esteja em apreciação dentro da jurisdição Internacional em questão do litigio

matéria que esteja em apreciação ou que já tenha sido apreciado.

4.2 O NÃO ESGOTAMENTO OU EFICÁCIA DE RECURSO DA JURISDIÇÃO

INTERNA

De acordo com o art.46 do CADH,a demanda deve observar o

esgotamento dos recursos disponíveis da jurisdição interna perante o SIDH,

demostrada através de uma decisão definitiva, administrativa ou judicial, que

ponha fim a um processo. Em 20 de março de 2010, a comissão internacional

de Direitos Humanos (CIDH) recebeu a petição assinada pelo Centro

Sulamariense de Direitos Humanos (CESADH) e pela associação de malala, em

que foi violado Direito Humanos durante a operação policial do dia 1 de janeiro

de 2008, na vila dos males.

Com a objetiva a ciência de fatos e soluções prévia pelo Estado acerca

da violação de um direito protegido no dispositivo internacional. E o devido ao

bloqueio ao protesto de 24 de janeiro de 2008 em Andavande no parque Ows,

como será exposto no transcorrer da peça processual. Ao dia 19 de agosto de

2013, através do Edital 01 da mesma data a corte Internacional de Direitos

Humanos estabeleceu o prazo de apresentação de representação escritos cm

os argumentos dos representantes das vitima e do Estado e datas para as

audiências autoriais.

4.3 INDENTIFICAÇÃO OU POSSIBILIDADE DE INDENTIFICAÇAO DA VITIMA O SIDH rege-se pela titularidade ativa da individualização, todavia esta em

frente a uma dano irreparável a vitima de disparo por arma de fogo, em uma

emboscada decorrente da Policia Males,Douglas Barbosa, recebendo um projetil

de arma de fogo em sua cabeça. A perda do maior bem jurídico sendo a vida a

corte de IDH é legitima para reconhecer a exigibilidade do Estado no ato prática

em face de Douglas

5. QUESTÕES DE MÉRITO

5.1 A OBRIGAÇÃO DO ESTADO EM RESPEITAR DIREITOS

Em observância ao artigo 1 da CIDH ressalta que :Estados Partes nesta

Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela

reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja

sujeita à sua jurisdição, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo,

idioma, religião, opiniões políticas ou de qualquer outra natureza, origem

nacional ou social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição

social, artigo violado em vários momentos já supra citados , bem como a violação

do artigo da Carta Maior, da Constituição Federal de Amandaje que dispõe em

seu artigo 441: A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade

de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade

das pessoas e do patrimônio.

De fato os artigos não foram de nenhuma maneira respeitados, bem como

o Artigo 2. Dever de adotar disposições de direito interno da CIDH que trazem

seu dispositivos o exercício dos direitos e liberdades mencionados no artigo 1

ainda não estiver garantido por disposições legislativas ou de outra natureza, os

Estados Partes comprometem-se a adotar, de acordo com as suas normas

constitucionais e com as disposições desta Convenção, as medidas legislativas

ou de outra natureza que forem necessárias para tornar efetivos tais direitos e

liberdades. De maneira clara e salvo de qualquer dúvida que o Estado tem o direito e o dever de garantir sua própria segurança. Tampouco se pode discutir que toda sociedade padece pelas infrações de sua ordem jurídica; entretanto, por mais graves que possam ser certas ações e por mais culpáveis que sejam os réus de determinados delitos, não cabe admitir que o poder possa ser exercido sem limite algum ou que o Estado possa valer-se de qualquer procedimento para alcançar seus objetivos sem sujeição ao direito e à moral. Nenhuma atividade do Estado pode fundamentar-se no desprezo à dignidade humana. O Estado e seus

agentes tem o dever de respeitar a vida e a integridade pessoal dos que se encontram sob a sua custódia faz parte o dever de prestar informação adequada

e oportuna aos moradores, garanti-lhes saneamento básico, segurança

educação dignidade para que possam sobreviver, verifica-se portanto de que todos os direitos garantidos pela comissão interna de direitos humanos foram desrespeitadas em algum momento nos fatos oportunamente narrados.

5.2 VIOLAÇÃO DO DIREITO A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

A violação desse direito fundamental no caso descrito acima, ocorreu em dois momentos. O primeiro momento ocorreu com a publicação de um livro em que moradores mais antigos relataram as fugas das fazendas que existiam no país, fazendas estas que tinham trabalho escravo. Em um dos capítulos, Douglas Basbosa se expressou de forma que comparava a violência da época do coronelismo à atual atuação da Policia Militar do Estado de Santo Elder. Após a publicação do livro, no dia 1º de janeiro de 2008, Douglas foi morto com um tiro na cabeça, e ao que tudo indica já que não foi encontrado pólvora em suas mãos, ele foi assassinado em uma emboscada pelos Policiais Militares que faziam uma operação na Vila dos Malês. Conforme o art. 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.” Outro momento em que o direito à liberdade de expressão foi violado

aconteceu após a morte de Douglas Basbosa, quando manifestantes com

cartazes pedindo explicações sobre a morte de Douglas, os cartazes

continham frases como “Douglas - Mais uma vítima do genocídio contra a

juventude negra neste país”, o protesto também pedia melhores condições

para os moradores da Vila.

Após algum tempo de protesto a Policia Militar agiu com violência sobre

os manifestantes, que na maioria era idosos, jogando bombas de efeito moral,

disparando tiros de borrachas, e borrifando spray de pimenta. O manifesto era

pacífico e organizado, as pessoas que participavam não tinham intenção

alguma de fazer que uma manifestação séria, se tornasse uma algazarra que

terminaria em violência.

Conforme o art. 4 § 2º da Resolução nº 09/2009 do Conselho de Direitos

Humanos de Amandaje, em que diz “Não deverão, em nenhuma hipótese, ser

utilizadas por agentes do Poder Público armas contra crianças, adolescentes,

gestantes, pessoas com deficiência e idosos”, é inadmissível o que ocorreu

nessa manifestação. Houve sim, uma ofensa, uma violação a um direito

fundamental.

No caput do Art. 4 da resolução o uso de armas de baixa letalidade só é

aceitável em situações extremas, quando for para resguardar a integridade

física do agente do Poder Público ou de terceiros, acontece que a manifestação

era ordeira e pacífica, sem qualquer sinal de vandalismo ou violência, ou seja,

os Policias Militares de Santo Elder agiram erroneamente, com negligencia,

ainda mais que a maioria dos manifestantes eram pessoas idosas.

5.3 VIOLAÇAO AO DIREITO DE ASSOCIAÇÃO E DO DIREITO DE REUNIÃO A violação desse direitos fundamentais ocorreu em todos os protestos que

a comunidade da Vila dos Malês organizou, e que a Policia Militar interviu. A

primeira intervenção desnecessária da Policia Militar ocorreu no dia 4 de janeiro

de 2008, quando usou de armas de baixa letalidade para enfrentar os

manifestantes.

A segunda violação ocorreu na data de 24 de janeiro de 2008, quando a

comunidade da Vila dos Malês se reuniu novamente para uma manifestação

pacífica, dessa vez alguns moradores levavam cartazes com frases em que

culpavam o Governador por ter adotado uma política que marginalizava a Vila

dos Malês, e mais uma vez a Policia Militar interviu de forma bruta, cercando as

entradas e saídas do parque onde os manifestantes se encontravam, não

permitindo que tivessem acesso a água, remédios, comida.

Aonde está o direito desse povo de se reunir para protestar por melhorias

na sua cidade? O parágrafo único do art. 1º da resolução diz que a atuação do

Poder Público deverá assegurar a proteção da vida, da incolumidade das

pessoas e os direitos humanos de livre manifestação do pensamento e de

reunião essenciais ao exercício da democracia, bem como deve estar em

consonância com o contido nesta resolução. Mas ao lermos os fatos, percebe-

se que não foi isso que aconteceu, o poder Público não agiu com o cuidado que

o parágrafo único citou.

Há várias normas jurídicas que protegem esses dois direitos

fundamentais, podemos encontra-las no art. 20, inciso I da DUDH “Todo o

homem tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas”, e também no

art. Artigo 21 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Politicos “O direito de

reunião pacífica será reconhecido. O exercício desse direito estará sujeito

apenas às restrições previstas em lei e que se façam necessárias, em uma

sociedade democrática, ao interesse da segurança nacional, da segurança ou

ordem públicas, ou para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e

as liberdades das demais pessoas.”

No Art. 93 da Constituição Federal de Amandaje fica explicito que “Os

tratados e Convenções internacionais ratificados pela República Federativa de

Amandaje, que reconhecem direitos humanos e que proíbem sua limitação em

situações de exceção, prevalecem na ordem interna”.

Importante salientar que a República Federativa de Amandaje ratificou

todos os Tratados de Direitos Humanos do Sistema da Organização das Nações

Unidas em vigor na época de 1996, como também ratificou os tratados de

Direitos Humanos do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, e

reconheceu a competência da CorteIDH para julgar os casos relativos a

interpretação ou aplicação das Convenções.

5.4 VIOLAÇÃO DA PROTEÇÃO DA HONRA E DA DIGNIDADE Conforme o art. 11 da Convenção americana sobre Direitos Humanos:

1.Toda pessoa tem direito ao respeito da sua honra e ao reconhecimento de

sua dignidade.

2.Ninguém pode ser objeto de ingerências arbitrárias ou abusivas em sua vida privada, em sua família, em seu domicilio ou em sua correspondência, nem de

ofensas

3.Toda pessoa tem direito á proteção da lei contra a ingerências ou tais ofensivas.Em 1º de janeiro de 2008, quando Douglas Barbosa foi baleado na cabeça pelo Policial Militar de Salto Helder o artigo 11 da convenção Americana de Direitos Humanos começa a ser violado. O comandante do Batalhão da Policia Militar de Amdavade e Região afirmou que o jovem era membro do grupo dos Falcões e que havia efetuado disparos com uma arma de fogo contra policiais que participavam da operação. Os policiais teriam reagido e atirado em Douglas em legitima defesa, conforme o registro da ocorrência, porém o exame de residuográfico feito na mão de Douglas não apresentou algum vestígio de pólvora compatível com a utilização da arma encontrada com ele. O segundo momento em que foi citado o artigo e não foi respeitado, foi em 4 de janeiro de 2008, quando centenas de moradores encontravam-se na Praça da Liberdade, os manifestantes pediam explicações sobre a morte de Douglas. A partir de 13 horas daquele dia, aproximadamente três mil manifestantes já se reuniam na Praça da Liberdade, a grande parte era formada por moradores da comunidade, mas havia também jovens de classes medias de varias parte do Estado de Santo Helder. Por volta das 16 horas, a Policia Militar tentou liberar as vias bloqueadas através do avanço de uma coluna de policias com escudos, os manifestantes sentaram-se no chão, bloqueando a passagem dos policiais, alguns soldados começaram a borrifar spray de pimenta contra os manifestantes, que mesmo assim não recuavam. Ás 16 horas, a Policia Militar disparou duas bombas de efeito moral e duas bombas de gás lacrimogêneo no publico, instantes depois, dois manifestantes com rostos cobertos por lenços negros jogaram fogos de artificio próximo a barreira da policia militar, logo depois os policiais disparam dezenas de bombas de gás lacrimogêneo e tiros de bala de borracha contra os manifestantes. Uma das bombas de efeito moral explodiu há poucos centímetros dos ouvidos de Giuliana Falkone, moradora da Vila dos Malês, com a explosão ela perdeu parte a audição do ouvido direito. Uma das balas de borracha atingiu o olho de Pedro Raouf Dink,também morador da Vila

ilegais

á

sua honra ou reputação.

que perdeu a visão do olho direito. Todos os feridos na manifestação mencionados não tiveram seus direitos á proteção da lei, contra as ofensas e violências sofridas. A dignidade dos manifestantes não foi respeitada, e muito menos preservada. Na terceira manifestação, mais uma vez os direitos daqueles manifestantes da Vila foram feridos, pelo fato de em 24 de janeiro de 2008, manifestantes pretendiam concentrar-se no centro de Amdavade, ou melhor em frente á estação do metrô do parque Ows. Com apenas cem metros de diâmetro o Parque fica quilômetros da Praça Curucchetra, para onde os manifestantes pretendiam seguir. Ás 12 horas e 30 minutos a polícia militar cercou todas as estradas do Parque Ows com grades moveis e barreiras formadas por policiais com escudos, ninguém foi autorizado a sair da praça ou nela entrar. Dentre os manifestantes que se encontravam no Parque, estava Dona Zilda, mãe de Douglas Barbosa e sua mãe Dona Zilda, Não foi permitido que agua e nem alimentos e remédios fossem disponibilizados aos manifestantes, cerca das 22 horas que alguns manifestantes começaram a ser liberados. Dona Isaura e Dona Zilda apresentaram processos civis de indenização por dano moral contra o Estado de Santo Helder e contra o Coronel Huart mandante do ato contra os manifestantes, o juiz de primeira instancia da Comarca de Amdavade, o mesmo rejeitou os pedidos no mérito da ação e em decisão publicada em junho de 2010. A ação encontra-se atualmente pendente a decisão de recurso dos peticionários ao Tribunal de Justiça de Santo Helder.

5.5 Violações praticadas pela República Federativa de Amandaje contra seu próprio povo, referente ao Acesso à justiça

No dia 24 de janeiro de 2008 foi organizado um protesto no centro de Amandaje, mais precisamente em frente à estação de metrô do Parque Ows. A manifestação pretendia apenas apresentar gritos de ordem em frente ao Palácio de Governo. Muitos dos cartazes culpavam o Governador Tião Towa Towa por adotar uma política da marginalização da Vila dos Malês. Entretanto, a policia Militar cercou todas as entradas do Parque Ows, de forma que todas as pessoas ficaram encarceradas no local sem poder sair, sem ter acesso a água, alimentos e remédios. Por conta desta violação de

direitos (cárcere) Dona Isaura e Dona Zilda, que lá estavam presentes, ajuizaram ação de indenização por dano moral, entretanto o juiz de primeira instância da comarca de Amandaje rejeitou os pedidos no mérito da ação promovida. A violação do direito de acesso a justiça ficou evidente já que o artigo 521 da Constituição de Amandaje foi violado, vejamos:

Art. 521. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios

estabelecidos nesta Constituição. (

)

§ 5º Compete aos juízes de direito do juízo militar processar e julgar,

singularmente, os crimes, comuns ou militares, cometidos contra civis e as ações judiciais contra atos disciplinares militares, cabendo ao Conselho de Justiça, sob a presidência de juiz de direito, processar e julgar os demais crimes militares.

E ainda:

CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS - Pacto de San José Artigo 25º - Proteção judicial

1. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido ou a qualquer outro recurso efetivo, perante os juízes ou tribunais competentes, que a proteja contra atos que violem seus direitos fundamentais reconhecidos pela constituição, pela lei ou pela presente Convenção, mesmo quando tal violação seja cometida por pessoas que estejam atuando no exercício de suas funções oficiais.

* Princípio da legalidade

A Constituição de Amandaje não foi cumprida no seu artigo 441 que diz

"A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é

exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas

e do patrimônio.", durante as várias manifestações que ocorreram em

Amandaje houve o descumprimento deste preceito, haja vista, a policia militar

não preservou a ordem pública e sim promoveu cárceres, dentre outras violações de direitos humanos (Ano novo de 2008, 4 de janeiro de 2008 e protesto do dia 24 de janeiro de 2008).

6.

SOLICITAÇÃO DE ASSISTÊNCIA

Diante do exposto, requer-se respeitosamente a Honorável Corte IDH a concessão da medida provisória com base nos arts. 63.2 da CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS e 27 do REGULAMENTO DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS: Artigo 63º § 2. Em casos de extrema gravidade e urgência, e quando se fizer necessário evitar danos irreparáveis às pessoas, a Corte, nos assuntos de que estiver conhecendo, poderá tomar as medidas provisórias que considerar pertinentes. Se se tratar de assuntos que ainda não estiverem submetidos ao seu conhecimento, poderá atuar a pedido da Comissão. E ainda, o reconhecimento da admissibilidade e responsabilidade internacional República Federativa de Amandaje pela violação dos seguintes direitos estabelecidos na CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS:

Art. 1° - Obrigação de respeitar os direitos

Art. 2° - Dever de adotar disposições de direito interno

Art. 4° - Direito à vida

Art. 5° - Direito à integridade pessoal

Art. 7° - Direito à liberdade pessoal

Art.8° - Garantias judiciais

Art. 13 - Liberdade de pensamento e de expressão

Art. 15 - Direito de reunião

Art. 25 - Proteção judicial

Ademais, requer-se a Honorável Corte que determine a República Federativa de Amandaje:

a) A reparação por danos materiais e imateriais que possam ter sofrido as supostas vítimas, devido ao desrespeito aos direitos assegurados pela CADH, acima listados;

b) O pagamento das custas oriundas da tramitação processual na jurisdição interna, assim como diante do SIDH;

c) A implementação de medidas normativas que visem a proteção dos direitos violados da população da República Federativa de Amandaje;

e) Que sejam julgados totalmente procedentes os pedidos, a fim de que as violações aos direitos humanos pela República Federativa de Amandaje tenham fim;

f)

Protesta-se

por

todos

os

meios

de

prova

admitidos

no

direito

internacional, sobretudo, prova documental, testemunhal e pericial.