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PODERES PSÍQUICOS e IMORTALIDADE

£ Antónte MILTON Freitas de AMOBIM £

Este livro é dedicado às pessoas sinceras que, arrostando o ceticismo reinante, tiveram a coragem de .relatar experiências supra- normais, e àqueles dedicados pesquisadores que gastaram anos e arriscaram a própria reputação no estudo da mais importante de todas as áreas do conhecimento humano. Ê também dedictido à ~minha famílià e aos amigos qué tiberdm a paçiéiiçía ~de aceitar como normais certos fatos que, na melhor das hipóteses, outros julgariam surpreendentes.

prefácio

Ao LEB UM LtVBO desta espécie qualquer pessoa deseja saber alguma ooisa sobre o autor. Vários estudos de natureza psíquica foram realizados por cientistas, outros por leigos interessados no assunto, e muitos por sim- ples curiosos. Qual é, portanto, a formação de John Alan Appleman?

Como editor, conheço-o há muitos anos e acabei por ter-lhe um grande respeito. Quanto à sua educação, estudou na Universidade de Illinois. Apesar de extremamente ativo no tocante aos esportes colegiais e nas demais atividades do campus universitário, foi eleito, ainda calouro, para o Phi Beta Kappa, e conquistou o diploma de Bacharel em Artes, com louvor. Recebeu, depois, o diploma de Mestre em Finanças e Direito Internacional e o de Bacharel em Direito e aos 22 anos já exercia a advocacia. Ê possível que o fato de possuir um QI de 175 lhe tenha servido de muito.

Como especialista em Direito Criminal demonstra um cuidado verdadeiramente profissional pelos fatos e

é implacável, como mostra o texto, em condenar o que julga improvável ou infundado. Possui a habilidade do

criminalista para reunir os fatos numa descrição realista. E apesar de ser um "advogado provinciano**, sua fama

é tal que foi eleito Deão da Academia Internacional de Advogados Criminalistas, presidente da Federação do

Conselho de Seguros, e seus colegas criminalistas acorrem de todas as parte do país (pagando honorários de 1.000 dólares) para ouvi-lo discorrer sobre as qualidades de um advogado.

Aos vinte e três anos publicou seu primeiro artigo sobre Direito, no Jornal cia Associação Forense Americana. Aos vinte e cinco, seu primeiro livro sobre Direito. Desde os vinte e oito que seu nome vem aparecendo no Who*s Who in America, e em muitas outras publicações congêneres. E, apesar de ser um criminalista

extremamente atarefado, além de exercer a presidência de seis corporações, sua produção literária ultrapassa a

.E o Vento Levou. Suas obras são clássicas. A

casa dos cem volumes e equipara-se, proporcionalmente, a

Enciclopédia Britânica e a Enciclopédia Mundial do Livro há muitos anos se valem da sua cultura jurídica. É tido

em alta conta como advogado, como cidadão, e como homem. O que afirma, tem o cunho da verdade. Pode-se aceitá-lo sem reserva.

Ê possível que eu esteja sendo parcial a seu favor. Há alguns anos, publiquei um livro de John Alan Appleman (Como Aumentar Seu Dinheiro Fazendo Força) e fui visi- tá-lo em sua magnífica propriedade. Nessa ocasião, discutimos certos problemas editoriais. Com apenas algumas perguntas tocou nos fatos mais importantes: propôs uma solução que adotei, e que até hoje tem dado os melhores resultados. Naquele dia, fato ainda mais importante, senti a ligação a que John freqüentemente se refere como situada além da comunicação mental e que as palavras não podem traduzir.

O autor não se propõe a responder a todos os problemas relacionados com os poderes psíquicos ou com a imortalidade. Com sua enorme capacidade pedagógica, limitou-se a separar o joio do trigo e a mostrar o grão que provoca o raciocínio. Sugere possibilidades extraídas das suas experiências pessoais, e das que foram realizadas por observadores dignos de crédito. E' isso, em nossa opinião, é importante abertura numa área de grande significação para todos nós área que os eruditos sérios muitas vezes receiam palmilhar por medo ao ridículo, ou pela diminuição da estima em que são tidos como homens de cultura.

Recomendo este livro a todos os leitores. O que aqui vão ler a aprender será, sob muitos aspectos, uma porta aberta para a imortalidade.

FREDERICK FELL

natureza do problema

Voce, LETTOR, é uma extraordinária máquina. Nada daquilo com que sonhou o bem intencionado Dr.

Frankenstein pode ser comparado a você. Seus músculos, sistema circulatório, tipos nervosos e hormonais são mais complicados do que seria possível em qualquer outro sistema evolutivo. No entanto, tudo isso é insignificante se oomparado aos poderes latentes em você. Sua mente pode alcançar os extremos da Terra,

interligar-se aos pensamentos alheios, e captar imagens a milhares de quilômetros de distância. Mesmo sem

qualquer esforço, por meio da?conexão e da empatia, você pode provocar nos outros uma onda de simpatia ou

uma hostilidade encoberta. Alguns dé vocês podem “ver” através de caixas fechadas e distinguir os objetos que

elas contêm. Todas essas qualidades são conhecidas dos cientistas corno-üpoderes^ psíquicos 1 *. Neste livro,

estudaremos esses poderes separando á verdade da ficção, para descobrir tanto quanto possível o que faz você palpitar. E, se possível, desejamos ajudá-lo a despertar esses poderes adormecidos em quase todos nós para tomá-los tão acessíveis e fáceis como é fácil apanhar uma garrafa de Coca-Cola.

Quase toda a humanidade vive preocupada com três problemas. A primeira, e provavelmente a maior dessas

preocupações, talvez possa ser descrita pela pergunta: “Que sou?" — e, sobretudo, “Sou imortal, ou esta vida acaba quando findar todo o contato de minha parte, como pessoa, com a onda continua de vida?” Ê provável que

a segunda das preocupações universais seja a que diz respeito à guerra e à paz; e a terceira, a tocante à segurança financeira pessoal e nacional.

Para falar a verdade, existem inúmeros outros problemas. como o da atração sexual, a conquista da fama,

a simples- premência da fome. Ê perfeitamente normal que os homens, se mostrem preocupados com esses problemas de âmbito universal; somente assim as tentativas mútuas podem conjugar-se- numa solução. Em todos os casos, porém/a compreensão deve preceder as soluções de quaisquer problemas/

fO homem é um organismo complexo, muito mais

complicado* que qualquer computador jamais construído pelos cientistas, e possuidor de faculdades que não

podem ser transferidas à máquina/Até mesmo para sugerir qualquer hipótese razoável capaz de responder às nossas perguntas precisamos compreender a anatomia daquelas partes do corpo humano que controlam todos os poderes mentais e psíquicos que o homem possui e o modo como eles atuam. /Precisamos compreender a

Este livro trata, em parte, do primeiro desses problemas

parte desempenhada por todo tipo evolutivo para perceber quais os poderes que o homem possui, e quais os que

perdeu nesse processo evolutivo^ E precisamos explorar,, paeientemente, esses poderes potenciais geralmente conhecidos como “poderes psíquicos” — para chegar, assim esperamos, a certas conclusões capazes de ajudar a responder àquelas perguntas.

Naturalmente, é impossível a qualquer indivíduo conhecer pessoalmente, ou experimentar, cada uma das áreas de informação compreendidas num trabalho como este. Nem se poderia esperar por isso em nenhum outro aspecto de uma pesquisa ou conhecimento. Contudo, [quando atingimos cértá área situada além do alcance do

^normal” — como a telepatia, a precognição, ou a clarividência todos nós experimentamos certo ceticismoT/

O ceticismo inteligente ajuda a pesquisa científica construtiva Afinal de contas, se, pessoalmente,

experimentei algo sob condições que não me poderiam iludir, então posso ter a certeza da veracidade dessa coisa. Mas, se alguém me diz que viu o fantasmas do Tio Harry correr os cem metros nos Jogos Olímpicos, não me acusem se eu sair correndo porta a fora. Mesmo se alguém me vier contar alguma coisa aparentemente aceitável, antes de aceitá-la devo informar-me quanto à idoneidade dessa pessoa como observadora, e quanto ao

crédito que merece como informante.

Durante muitos anos, meu trabalho tem sido o de advogado criminalista. Esse trabalho exige a pesquisa da verdade e o exame de todas as informações sob todos os ângulos possíveis para descobrir-lhe os “pontos fracos* — os possíveis ângulos de ataque ou, por outro lado, a confirmação dela. (São podemos aceitar como verdade a palavra de uma testemunha sem fazer o confronto de suas declarações com todos os fatos concretos, e com as declarações de outras pessoas colocadas em situação que lhes permita conhecer os mesmos fatos?)

“Por outro lado, não somos presunçosos ao ponto de desprezar! todas as provas que não tenhamos testemunhado pes- soalmente.j Se isso fosse necessário, os tribunais e os júris deixariam de existir. Obviamente, juiz, jurados, promotores e advogados ficariam em outro lugar qualquer que não o palco de um choque na controvérsia. Precisam ouvir as testemunhas e julgar até que ponto suas declarações representam realmente a verdade.

O mesmo se dá conosco. Você, leitor, e eu, não vamos esmiuçar um cérebro vivo para determinar as funções de cada uma das suas áreas. Podemos reunir as informações disponíveis fornecidas pelos especialistas em cirurgia cerebral, bem como as de clínicos especializados no tratamento de pessoas portadoras de doenças cerebrais. Atualmente, aceitamos também a hipnose como fato verídico muito embora, à época de Mesmer, tenha sido absolutamente anti- científico adotar essa opinião.

Ao chegarmos à análise dos problemas paranormais expressão que adotamos para designar os fatos que

fogem à experiência diária, como os poderes psíquicos ou ocorrências psíquicas nesse caso, precisamos aplicar padrões críticos para avaliar o depoimento das testemunhas envolvidas. O grau de instrução do informante pode ajudar, embora nem sempre. Trata-se de pessoa capaz de separar a verdade da ficção como o fariam o cientista, o criminalista, ou o juiz? Tem, por acaso, motivo capaz de levá-lo à impostura como o desejo de publicidade ou de lucro pessoal? Ademais, o grau de corroboração ou a ocorrência de experiências exatamente iguais registradas entre um grupo de pessoas dotadas da mesma boa-fé pode também ajudar a quem procura separar o joio do trigo.

Assim, por exemplo, se Norman Vincent Peale ou George Washington Carver revelaram exatamente as mesmas experiências, diríamos instantaneamente que ambos são (ou era, no caso do Professor Carver) homens

dignos e cultos. O Bispo Sheen poderia convencer qualquer de nós da veracidade das suas observações. Mas, então, poderíamos desprezar como inverídicas as declarações de S. José ou de Santa Teresa, ambos canonizados como santos, apenas porque não os conhecemos em vida, ao passo que já vimos o Bispo Sheen na televisão?

y£m quaisquer das áreas de nossas pesquisas é importante avaliar todas as informações razoavelmente acessíveis?)Assim, conservei as experiências pessoais porque posso garanti-las. Incluí outras experiências realizadas em circunstâncias cujos personagens ignoravam o resultado, como nos casos de comprovação médica estabelecida. Foram, também, utilizadas as informações prestadas por pessoas idôneas e dotadas de capacidade de observação, quer se trate de dados reunidos em nossa atual geração ou em gerações passadas. Eliminei enorme quantidade de “bobagens” — nas quais os informantes, levados pela fantasia, deixaram-se cair em conjeturas e especulações. Mantive, porém, alguns casos “intermediários”, com comentários adequados sobre sua aparente autenticidade ou não. Vamos discutir esses poderes psíquicos tal como se mostram em ação; e então, no capítulo final, poderemos discutir o que é conhecido como de natureza científica com relação à mente e ao cérebro.

£ AiUnlo MILTON Freitas d« ÂMOR1M £

o subconsciente

XIÁ ANOS, antes de ter começado a explorar a literatura médica para verificar quais as funções atribuídas às várias partes do cérebro, conversava com um médico cujo principal interesse consistia no tratamento de pessoas portadoras de doenças cerebrais, e na exploração da hipnose. Meu interlocutor fez diversos comentários sobre o subconsciente.

Não sei o que é subconsciente observei mas, sei onde está localizado.

Onde? perguntou-me.

o interior do cérebro, e abaixo da parte posterior_}- retruquei. Não quero dizer que seja apenas uma pequena parte da área posterior do cérebro. Parece, mesmo, que ocupa um espaço maior que todo o resto do cérebro.

E como é que sabe? insistiu ele.

Bem, é que de godas as vezes que ^sou obrigado a digerir rapidamente uma porção de

assimtòsjcomo, por exemplo, um punhado de documentos redigidos pelo advogado contrário, limito-me a concentrar-me sobre aquele assunto e procuro esquecer tudo o mais.fiPode-se, de fato, sentir a ação do subconsciente^Experimenta-se perfeitamente uma sensação de atividade nessa região, quase como se o couro cabeludo estivesse em movimento, ou como se os cabelos ficassem eriçados. Ê difícil de descrever, mas é assim

mesmo!

Nesse mesmo dia, à tarde, o médico telefonou-me profundamente excitado.

Consegui, consegui afirmou.

Parabéns respondi. “E agora, que pretende fazer?”

Essa é uma das perguntas mais importantes que alguém pode fazer a si mesmo. Mais importante ainda que responder à pergunta quanto a que é o subconsciente, ou onde se localiza, é saber como usá-lo e que possível perigo ou dano pode 'resultar de uma mente subconsciente excessivamente ativa.

Um caso de utilização possível do subconsciente ocorreu há alguns anos quando fui ao México numa viagem

de negócios. Nunca estudara o Espanhol. Minha filha tinha um álbum de vinte discos com lições dessa língua.

Sabendo que não dispunha de tempo nem mesmo para aprender algumas frases delicadas durante o pouco tempo que me restava, durante cinco noites consecutivas pus-me a ouvir quatro discos, começando por permanecer completamente relaxado e evocando meu subconsciente no sentido de gravar frases e palavras. Não pretendo afirmar que me tomei um completo poliglota em conseqüência dessas cinco noites, mas a maior parte do vocabulário espanhol que ouvi ficou “gravada” no meu subconsciente, e não tive a menor dificuldade em me entender até mesmo com pessoas que não falavam o Inglês.

O mesmo recurso tem sido de grande importância para mim no julgamento dos processos. Não há tempo para tomar notas; o mais importante é poder sentir a atmosfera de um julgamento. Se o subconsciente conserva perfeita noção dos depoimentos das testemunhas é possível, mesmo sem se ter tomado notas, responder a uma delas ou argumentar com o júri quanto a uma afirmação importante dias após o ocorrido.

Da mesma forma, um criminalista precisa 1er todos os anos milhares de páginas sobre novas decisões, e arquivar as questões importantes nos compartimentos adequados da memória. Além disso, uma vez que a maior parte de seu trabalho relaciona-se com a medicina traumática (ferimentos provocados por violência, como

fraturas ósseas e ligamentos dilacerados), deve 1er ainda inúmeros textos e revistas médicas, e assinalar essas informações de forma a tê-las na ponta da língua ao ter que interrogar um médico. Não há tempo para recorrer

à biblioteca a fim de realizar novas pesquisas.

É possível que, inicialmente, um processo intelectual «steja envolvido na percepção e compreensão dos dados técnicos mas, fundamentalmente, tudo que fazemos consiste ém reunir novas peças de informações nesse computador extraor- Idinariamente complexo que é a “mente”. E isso é conseguido [através do subconsciente.

| Prossigamos, para discutir mais alguns aspectos do que 0 subconsciente faz e pode fazer relativamente

ao organismo humano, antes de tentarmos racionalizar o que é, e como funciona. Por isso, eliminaremos a

função do subconsciente relacionada com os contatos externos, uma vez que essa parte ú tratada em capítulos separados.

O corpo humano possui três centros nervosos fundamen- /tais. São os nervos motores, que governam os

movimentos / grandes ou pequenos; os nervos sensórios, que transmitem sensações como a dor, o sabor, o olfato;

e os nervos autônomos, que controlam a maioria das demais funções o ritmo ( cardíaco, a respiração e a

exsudação. Cada uma dessas fun- I ções é de grande utilidade; entretanto, todas são controladas ] pelo

subconsciente. E isso pode ser facilmente demonstrado pela hipnose.

Muitos supõem que a hipnose consiste em mergulhar no sono ou, pelo menos, cair numa espécie de transe. £ verdade que, de modo geral, as pessoas são incapazes de relacionar seus diversos poderes sem um relaxamento total obtido daquela forma ou, talvez, um relaxamento produzido pela anestesia geral.

Entretanto, muitas vezesJLa hipnose (pessoalmente não me agrada o termo) envolve apenas o emprego_dos

poderes subconscientes para arquivar quaIqu^F~nova informaçan cni 'relembrar coisaseiquecidas, examinar as

condições do corpo físico, auxiliar ou prejudicar a ação de um ou mais centros fiêrvoSõsI

"

'

As experiências realizadas em Montreal pelo Dr. Wilder Penfield e seus colegas, e pelo Dr. Harvey Cushing e outros de uma geração anterior, demonstraram quefa inserção de um elétrodo em determinada área do cérebro faz com que o paciente se recorde, com todos os detalhes visuais e auditivos, de uma experiência ocorrida quarenta anos anfê|( talvez até as palavras e a música -de uma canção. [Mesmo sem esse estímulo, um paciente hipnotizado pode ser levado a revelar fatos há muito esquecidos, regressando aparentemente a idades das quais em circunstâncias normais não teria a menor recordação. Isso porque ta^recordações estão guardadas nos arquivos do subconsciente. |

O subconsciente pode controlar os movimentos muscula- resJTomemos um exemplo. Leiam este parágrafo e,

em seguida, ponham o livro de parte. Relaxem completamente. Fechem os olhos, e digam: “Minhas pálpebras estão pesadas, muito pesadas, muito pesadas”. Depois, afirmem: “Não posso abrigas” — e se estiverem realmente convencidos, suas pálpebras permanecerão fechadas até o momento em que afirmem: “Agora posso abri-las” — e elas se abrirão instantaneamente.

O mesmo pode ser feito com qualquer parte muscular do corpo. Infelizmente, o antigo hipnotizador de

teatro desapareceu com a morte do teatro de sátiras. No entanto, a maneira com que escolhia seus colaboradores

na platéia obedecia, em geral, ao seguinte recurso: explicava que as pessoas não poderiam ser hipnotizadas se não quisessem cooperar. “Agora, todos vão erguer o braço direito sobre a cabeça.” Algumas pessoas hesitavam em obedecer; a maioria, porém, obedecia.

“Agora, alguns de vocês podem concentrar-se o suficiente para afirmar com absoluta convicção: *Não posso abaixar meu braço’. Se puderem concentrar-se fortemente não poderão abaixar o braço. Agora, experimentem.”

£ de todos os braços erguidos, os auxiliares do hipnotizador anotavam mentalmente aqueles que seriam

capazes de ajudar nas experiências a serem executadas. Então, o hipnotizador dizia calmamente: “Pronto, já podem abaixar o braço.” Em seguida, os braços voltavam à posição normal, e o homem preparava-se para as demonstrações. Pelo poder do subconsciente, o leitor pode fazer exatamente o mesmo, adotando o processo conhecido como auto-hipnose.

A sensação de dor é uma função física partícularmente útil. Se. não a sentíssemos, não haveria aviso quando

uma criança pusesse a mão sobre a chapa quente do fogão, o que produziria queimaduras suficientes para inutilizar a mão queimada. Da mesma forma, se não sentíssemos quando um inseto penetrasse em nosso olho, a infecção ocular poderia desenvolver-se e provocar até a perda da visão. Muitos leprosos ficaram sem parte dos dedos roídos pelos ratos porque não sentiam mais a dor capaz de adverti-los.

Mas a dor pode ser também um incômodo quando deixa de servir a uma-função útil. É claro que a dor do câncer, desde que o indivíduo tenha sido informado das suas verdadeiras condições, não é construtiva, como

também não o é a pressão provocada pela enxaqueca. As chamadas aulas sobre "parto natural” limitam-se apenas ao princípio de treinar a futura mamãe para utilizar o ritmo natural necessário para expelir a criança, eliminando a tensão desnecessária e as dores que a acompanham. 1

Assisti a uma das muitas aulas ministradas por um hipnotizador profissional, David Elman. Um dos primeiros exemplos que deu sobre a supressão da dor foi o que se segue: exibiu um pequeno bastão, que tinha na ponta uma mecha de algodão, e um copo d*água. Em seguida, observou: "Como vêem, trata-se de simples bastão e de um copo d’água. Todos sabemos disso. No entanto, já que o subconsciente de vocês prefere as sensações agradáveis, se eu lhes fizer uma sugestão contrária ao que sabem, todos a aceitarão. Agora, prestem atenção.”

Assim dizendo, avançou até a primeira fila de modo a dirigir-se diretamente a um dos médicos, a quem falou calma e confiantemente:

"Os entregadores da farmácia acabaram de chegar trazendo alguns remédios sobremodo eficazes. Trata-se de um anestésico local. Vou mergulhar este bastão no anestésico e passá-lo nas costas de sua mão. O lugar ficou insensível, como pode verificar. Agora, vou espetá-lo com uma agulha (o que realmente fez), e você não sentirá nada.”

Essa foi uma demonstração completa e efetiva da recepção de uma idéia que a mente intelectual sabia ser inverídica. fTara que a mente subconsciente possa reter uma idéia, o pensamento ou idéia deve ser alguma coisa que não contraria suas normas ou padrões, alguma coisa desejável ou agradável de aceitar, e a idéia (se transmitida por uma terceira pessoa) deve ser apresentada por alguém que tenha a certeza de que ela será aceita e produzirá o efeito devido a essa certeza proveniente de seu comportamento, isto é, uma sugestão transmitida em termos que o sujeito compreenda, de modo a não confundi-lo e a não quebrar a concentração, da mesma forma que as palavras precisam possuir conotações afirmativas e não negativas. Todos esses detalhes são da máxima importância) Sobre a última questão, por exemplo, não se deve empregar a palavra “dor**, porque ela provoca resposta negativa; ao contrário, a pessoa pode ter um local insensível ou sentir-se otimamente ou experimentar qualquer outra sensação correspondente.

Vejamos, agora, essas pobres crianças cbamadas de diabéticas “instáveis*'. Não é nada agradável deixar que a enfermeira ou o médico passem todos os dias a espetá-las com agulha hipodérmica para ministrar-lhes uma dose de insulina. Para o médico, é muito melhor oferecer à criança um “lugar mágico** para esse fim.

“Joãozinho, vou dar-lhe um presente: um lugar mágico. Vou apanhar este algodão e passá-lo sobre essa pequena área, que vai ficar insensível. Assim, daqui por diante você pode receber sua dose de insulina por esse lugar mágico sem sentir a menor dor, a menos que esteja olhando. Não é um presente maravilhoso?**

1 1. Dr. Ralph V. August, “Easier, Safer Childbirth Through Hypnosis” (Parto Mais Fácil e

Seguro Pela Hipnose), Family Weekly, dez. 1, 1963, págs. 6/9. Para economia de espaço,

ordinariamente os títulos completos das publicações, datas e nomes dos editores serão

dados na bibliografia, na parte final do livro, imediatamente seguidos dos agradecimentos.

E quando Joãozinho compreende o que significa um lugar mágico, já o ganhou.

Não é mistério para ninguém que o cérebro ou a mente, para empregar livremente e por enquanto esses termos, recebem de certa forma os impulsos vindos de todas as partes do corpo, podem examinar as condições de cada uma dessas partes e, provavelmente, podem também controlar todas as funções orgânicas. Comecemos com a última dessas funções.

Tirem as meias e os sapatos. É provável que possam mover os dedos à vontade. Mas, poderão movê-los separadamente, um por um? Provavelmente, não. No entanto, se tentarem fazê-lo, e se tiverem uma boa razão para isso, poderão aprender a movê-los um por um da maneira que bem quiserem.

Concentrem-se, agora, no indicador da mão direita. Dei- xem-no completamente estendido. Depois, digam, concentrando-se no subconsciente: “Não posso dobrar o dedo.** Se fizeram uma concentração perfeita e se aceitaram a sugestão, então, de fato, não poderão dobrar o dedo. Mas, se substituírem a sentença e dissem:

“Agora já posso dobrar o dedo**, este perderá instantaneamente a rigidez anterior.

Há uma outra experiência mais difícil já realizada por muitas pessoas, inclusive eu próprio. Concentrem-se na mão e no antebraço direito estendidos sobre uma escrivaninha ou mesa. E digam: “Isto é um pedaço de pau. Não há circulação nele”. E enquanto estiver a observá-lo ficará branco e insensível.

Quando se faz isso, começa-se a notar a palidez da carne, provocada pela paralisação da circulação. 2 Ê quando a sensibilidade desaparece a carne pode ser espetada com uma agulha sem que isso provoque a menor dor.

Dia virá em que nossos poderes a esse respeito poderão ser desenvolvidos a ponto de permitir que muitas operações cirúrgicas sejam realizadas com toda a segurança mediante o emprego da anestesia local, ao invés da geral. Outro emprego atual desse método consiste no tratamento dos hemofílicos esses infelizes cujo sangue só se coagula com extrema lentidão. A hipnose tem sido empregada para sugerir a retirada do sangue da área afetada como, por exemplo, no caso de ser preciso extrair um dente e para provocar a constrição dos vasos sangüíneos. O Dr. Oscar Lukas, e sua equipe de médicos e dentistas, vêm adotando habitualmente esse processo com os melhores resultados no tratamento dos hemofílicos internados no Hospital Jefferson, de Filadélfia, 3

Os médicos conhecem o poderoso impacto das emoções sobre os seres humanos. O homem tem a idade que sente” é um aforismo bastante recomendável. Vitalidade, energia e bom humor são produzidos muito mais pelos estímulos mentais ou emocionais do que pelos físicos ou pelo físico motivado por essas correntes subconscientes!) A média das curas cirúrgicas é afetada de forma decisiva pela confiança do paciente em seu

2 2. Veja também, Larson, Your Forces and How to Use Them (Suas Forças e Como

Usá-las), pág. 231; bem como o Dr. J. V. Basmajian, da Universidade Queen’s, Kingston,

Ontário, Canadá, no Science, 1963, págs. 141 e 440.

3 2- A. Quanto ao “amortecimento” de uma parte do corpo pela hipnose, veja Science

News, 6 de maio, 1967, págs. 91 e 423.

completo restabelecimento, ou por sua vontade de sobreviver e restabelecer-se. Muitos casos de paralisação cardíaca acreditam os médicos que são causados pelo desejo de morrer, pela falta de motivação ou desejo de cura, ou pela certeza subconsciente de que “não se vai sobreviver” à operação necessária.

Para ilustrar o poderoso efeito que as emoções podem causar ao nosso bem-estar físico, tomemos como exemplo um próspero advogado de 42 anos. Sua esposa, por quem alimenta uma grande afeição, leva o filho único do casal, jovem brilhante e atlético, de volta para casa. De repente, a secretária estende-lhe um telegrama. Houve um desastre: mãe e filho morreram instantaneamente. O marido fica com os olhos rasos d’água, fisionomia crispada e, no mesmo instante, adquire a aparência de um velho. Esses são apenas os sinais físicos exteriores que notamos embora não tenham sido provocados por qualquer violência externa, nem por contato físico. Foram causados pelo interior. E as modificações no íntimo desse homem foram muito mais consideráveis. Registraram-se violentas mudanças circulatórias e talvez cardíacas no momento do choque; modificações respiratórias; reações musculares e orgânicas. As reações psíquicas e emocionais foram ainda maiores. Suas esperanças, aspirações e sonhos foram destruídos num instante; desapareceu o incentivo que possuía para chegar a ser um homem bem sucedido na vida. Naquela fração de tempo, ele se transformou, e muito provavelmente passará a ser uma pessoa inteiramente diferente do que era antes. E tudo isso foi provocado pelo que chamamos de subconsciente.

As chamadas “sugestões”, descritas no capítulo anterior, . agiram de forma destruidora. Da mesma forma, os pensamentos negativos que ocupam a mente de muitas pessoas durante a maior parte de suas vidas os receios, as fobias, as certezas de fracasso persistem à sua moda para sabotar os poderes e as capacidades naturais que essas pessoas podem possuir. 4 Daqui a pouco, discutiremos algumas ações construtivas que podem ser controladas pelo subconsciente ou por seu intermédio. Antes, porém, vamos examinar uma das áreas mais fascinantes: o subconsciente, no papel de “detetive do corpo”.

Quando seu dedo toca a ponta acesa do cigarro você diz instantaneamente (ou pelo menos pensa) “ai”. A mensagem dolorosa viajou até o cérebro, foi interpretada como uma sensação desagradável, e traduzida em duas ações uma, física (a de retirar o dedo); outra, vocal as traduções conscientes do que foi detectado pelo subconsciente.

Entretanto, o subconsciente pode fazer muito mais que as tarefas ordinárias ou esperadas. For exemplo:

estamos de tal forma habituados às ações autónomas ou automáticas de nosso corpo que quase não lhes prestamos a menor atenção. Vejamos o bater do coração. Ao invés de introduzir colorantes mais ou menos perigosos para fotografar esses vasos sanguíneos ou confiar em eletrocardiogramas sabidamente pouco mere-

4 3. Larson, Your Forces and How to Use Them, págs. 86, 87, 239, 246, 247, 250, 251;

Maltz, na sua obra, Psycho-Cybernetics (Cibernética Psíquica), pág. 206, acentua que uma

vez que a mente não pode distinguir entre uma experiência real e outra imaginada,

permanecer num fracasso projetado já equivale a um verdadeiro fracasso. As pessoas felizes

curam-se com maior rapidez, diz John A. Schindler no livro How to Live 365 Days a Year

(Como Viver os 365 Dias do Ano), págs. 91 a 93; Murphy (noia 4) e Williams (nota 5), pág.

93, observam: “Todos devem cooperar com o inevitável”.

cedores de fé, alguns médicos estão usando um novo método.

Depois de hipnotizar o paciente, fazem-no sentir todas as suas sensações físicas: ritmo cardíaco, movimentos dos intestinos e outros, e descrevê-los para o médico, 5A que, com seus conhecimentos técnicos, pode traduzir o significado dessas informações.

O Dr. Perry London, por exemplo, professor de Psicologia na Universidade da Califórnia do Sul e especialista

em hipnose, queixava-se de dores numa região, que ordinariamente seriam interpretadas como apendicite. Seu

médico assistente hipnotizou-o e fez com que descrevesse cada região anatômica à medida que prosseguia no exame da área. Nenhuma das áreas examinadas acusou a menor dor, inclusive a do apêndice. De repente, Perry exclamou: “Ora, é aqui e como dói!"

O médico pediu-lhe para descrever o local da dor. Perry obedeceu, e revelou que embora parecesse ser o

apêndice, o ponto dolorido estava localizado por baixo e por trás, e doía tremendamente.

Foi levado imediatamente para a sala de operações. Feita a incisão, verificou-se que o apêndice estava perfeito. No entanto, exatamente na posição descrita pelo paciente, havia um divertículo inflamado e intumescido a ponto de supurar, que foi imediatamente extirpado.

O fato teve uma seqüência interessante. Perry estava ansioso para restabelecer-se imediatamente e adotar

uma nova posição. Seu médico descreveu a natureza exata do processo de fechamento da incisão, inclusive a importante função de exsudação da região operada. No entanto, a incisão não cicatrizou com a rapidez esperada. A observação hipnótica revelou que as sugestões feitas ao paciente foram tomadas de modo excessivamente literal, isto é, ao pé da letra, e que o organismo estava produzindo soro em demasia. Quando, por sugestão, sua produção foi reduzida ao nível normal, a ferida cicatrizou rapidamente.

Muitas vezes o especialista ignora a extensão das lesões sofridas por um cliente. Isso é exato principalmente nos casos de aparente lesão cerebral em crianças. Num caso dessa natureza, um menino queixava-se de dores de cabeça permanentes que nenhum médico conseguia aliviar. Um novo médico, porém, hipnotizou-o e obrigou-o a examinar a zona craniana ofendida. O garoto afirmou que ali não havia nenhuma anormalidade. Ao ser-lhe perguntado o que provocava as dores que sentia, revelou que não podia ler o que estava escrito no quadro-negro da escola. Com as lentes apropriadas que passou a usar, as dores de cabeça desapareceram.

É possível esperar que, futuramente, maior e mais íntima cooperação entre médico e paciente poderão

auxiliar no diagnóstico das doenças. O médico tem, sobre o veterinário, a vantagem de tratar de pacientes que podem comunicar-se com ele. Podem descrever por palavras as sensações que experimentam, e os sintomas que são da maior importância para fazer o diagnóstico. Os animais não podem descrever os males de que padecem. Entretanto, seria possível conseguir ajuda muito maior se os médicos fossem ensinados a dispor desse auxílio a mais pelo processo hipnótico! As hipóteses poderíam ser reduzidas ao mínimo e inúmeros processos exploratórios caros e perigosos, além de outras experiências, poderíam ser eliminados.

5 3- A. Veja os comentários sobre estudos publicados pelo Dr. Kline no Science News de

Voltando a Perry London, surgiu um terceiro tipo de informação da qual os cirurgiões de há muito suspeitavam. Posto novamente em transe, o médico-assistente revelou que Perry pôde lembrar-se de tudo quanto fora dito, e de todos os detalhes do processo operatório enquanto se achava sob anestesia geral. Esses dois estados são encarados como consideravelmente idênticos.

Muito frequentemente os cirurgiões ficam admirados e sem saber por que motivo determinado' paciente afasta-se tanto depois de uma operação, ou por que sürge uma inesperada frieza nas relações entre ambos, que anteriormente eram as mais amigáveis. A maior parte dessa atitude pode ser levada à conta de comentários descuidados. Suponha que durante a operação o cirurgião faça a seguinte observação: “O caso vai ser muito sério. Ela levará muitos meses para recuperar-se, se o conseguir” — ou então: "Observem’ todas essas excrescências que precisamos cortar. Que trabalheira. Ela devia ter esfregado chão ao menos uma vez na vida.”

A mente consciente nada ouve nessa ocasião. Mas a mente subconsciente não somente ouve como retém essas palavras e tais afirmações têm um impacto marcante sobre o comportamento futuro e as reações emocionais do paciente. Não se pode negar que mortes, paralisias e muitos outros males .psíquicos podem ser atribuídos aos comentários descuidados feitos na sala de operações. 6

Contrastando com isso, é o caso do cirurgião que utiliza o subconsciente como instrumento ativo para ajudar o processo de recuperação. Em primeiro lugar, consegue uma equipe médica compreensiva e cooperadora, inclusive enfermeiras. Em seguida, explica antecipadamente ao paciente o processo cirúrgico correto a ser adotado, e o fato de que sua saúde vai melhorar depois da extração dos cálculos da bexiga, ou qualquer outra coisa, procurando oonversar com ele (ou ela, conforme o caso) durante a operação, acentuando o importante papel do subsconsciente no processo de recuperação.

Os passos finais surgem durante a operação propriamente dita. Com o paciente completamente anestesiado, o cirurgião conversa com ele com toda calma e confiança, exatamente como se estivesse acordado. Faz com que se lembre do que lhe disse antes, bem como o fato de que será provavelmente um daqueles pacientes afortunados que podem ajudar a modelar a própria cura. Todos os detalhes da operação são descritos naturalmente, e em termos simples. O paciente recebe parabéns pelo excelente estado dos órgãos e tecidos expostos. Em seguida, diz-lhe que não há razão alguma para a existência de resíduos de qualquer espécie, que

6 4. Veja o que disse Arthur Ellen sobre o caso da Eunice Kinzer, de Shaler, Pennsylvania

menina normal que ficou paralítica aos sete anos e com quem entrou em contato dez

anos depois. Submetida à regressão hipnótica, em 1949, pela qual foi levada à idade de sete

anos, verificou-se que Eunice ouviu, quando anestesiada, uma enfermeira dizer à outra: *‘Ê

horrível. Esta menina nunca mais poderá andar.” Graças às sugestões quo lhe foram

transmitidas quando hipnotizada, a doente conseguiu recobrar o uso das pernas. “I

Hypnotize the Stars” (Eu Hipnotizo as Estrelas), Family Weekly, 26 de janeiro, 1964, pág.

15. Veja também o artigo de Fred T. Kolouch: “Hypnosis: The Quick Way Back From

Surgery” publicado no Family Weekly de 4 de dezembro, 1966, pág. 22; e a obra de Joseph

Murphy, How to Use Your Healing Powers (Como Usar Vossos Poderes de Cura).

vai sentir-se bem sob todos os aspectos, que poderá andar logo ao primeiro dia, e que nem nesse dia, nem depois, precisará de qualquer medicamento. 7

Numa inspeção de rotina desse processo cirúrgico adotado em cinqüenta e cinco operações importantes, comparadas com o mesmo número de operações realizadas segundo os métodos habituais, o período de hospitalizaçãço diminuiu em cinqüenta por cento, a medicação pós-operatória em noventa por cento. E os resultados foram uniformemente melhores nos casos em que, agindo dessa forma, conseguiu-se a cooperação do subconsciente.

Passemos a outro aspecto do subconsciente. Que é o homem? Pode-se afirmar que o homem é a soma total das suas realizações, das suas convicções, das suas aspirações, dos seus fracassos; é o homem exterior ligado a seu ser ou seres internos, tal como os outros o vêem e como ele mesmo se vê. Certas pessoas são brilhantes oomo um jato de luz que se reflete na água calma de uma piscina e, no entanto, todas se inclinam a serem presas, ou a se prenderem, a um modelo que elas (ou nós) encaram como representando a entidade total.

Se alguém cria uma auto-imagem de tudo que deseja ser, vende essa imagem de si mesmo a seu subconsciente, e faz todos os sacrifícios ou submete-se aos trabalhos necessários para trazer à vida essa pessoa idealizada, nenhum objetivo pode deixar de ser alcançado (dentro das limitações físicas) . 8 Norman Vincent

7 5. Sobre curas por sugestão hipnótica, veja o livro de Williams: The Knack of Using Your

Subconscious Mind (O Modo de Usar a Mente Subconsciente), págs. 61/62; e pela

auto-hipnose, o de Grave e FerreII, The Subconscious Speaks (Fala o Subconsciente), págs.

62/63. E Maltz, em Psycho-Cybemetics, pág. 235, salienta que os possuidores de um

otimismo alegre curam-se mais depressa. O processo do sono é descrito por Luce e Segai no

livro Sono e no artigo “What Happens When You Sleep” (O que Acontece Quando Você Está

Dormindo) publicado no Reader’s Digest, de agosto, 1966, pág. 84.

8 6.

Veja também a Psycho-Cybemetics, de Maltz, págs. 2 a 4, 10, 19 e 26; The Secret of

Perfect Living, de Mangan, págs. 156 e 162; Launching Your Spiritual Power in the Space Age,

de Foster, pág. 95; e The Subconscious Speaks, de Grave e Ferrell, pág. 33. Certos escritores

sustentam que qualquer idéia do subconsciente, por mais duradoura ou desagradável que

possa ser (inclusive o “auto-retrato”), sempre se manifesta; Grave e Ferrell, op. cit., págs.

35, 50, 51; e Wilkins e Sherman em Thoughts Through Space (Pensamentos Enviados

Através do Espaço), pág. 234. Por isso, Maltz, op. cit., págs. 90 e 99, fala do

desenvolvimento de um “hábito de felicidade”; Mangan, ibidem, págs. 38, 41, 48, 73, 79,

81, 87, 132/3, 167/71, cita uma série de palavras em código para levar a um reflexo

automático. Maltz, nas págs. 77 e 140, revela certas regras para conseguir o

funcionamento efetivo do subconsciente. Veja também o artigo “The Power of the

Subconscious Mind” (O Poder da Mente Subconsciente) publicado no Chimes, out. 1960,

pág. 9; e o de Theodore Irwin, “Ten Ways to Beat Tension” (Dez Maneiras de Veneer a

Peale, em sua coluna Confident Living (Viver Confiantemente), descreveu, há alguns meses, a entrevista que manteve com uma senhora gorda que estava decidida a perder a maior parte das suas enxúndias, e a recon- quistar a esbeltez antiga. Por isso, foi aoonselhar-se com ele.

Peale observou muito bem: “Perguntei se ela seria capaz de criar uma imagem mental do que gostaria de ser, explicàn- do que essa imagem mental perfeitamente descrita e sustentada com toda a convicção tende a provocar uma ação que acaba transformada em fato.**

Aquela senhora conseguiu o desejado objetivo submeten- do-se a todos os sacrifícios necessários para atingir o ideal que tinha em mente.

Outros escritores igualmente interessados no progresso próprio acreditam aparentemente que esse objetivo pode ser alcançado pela constante repetição ao subconsciente da sua natureza, uma vez que, em geral, o subconsciente aceitará e agirá de acordo com as sugestões recebidas. 9 Outros consideram que o subconsciente é criador, 10 que não há dúvida de que é possível aprender durante o sono, 11 e que o funcionamento efetivo do subconsciente exige repouso. 12 De fato, muitas pessoas de génio revelaram que as idéias que as tornaram célebres surgiram sem nenhum esforço feito para concentrar-se sobre o assunto na verdade, quando inteiramente entregues a outra atividade ou mergulhados numa calma total. 13 O subconsciente pode executar

Tensão), publicado no Family Weekly> de 27 de março, 1966, pág. 4; e o livro de U. S.

Anderson, Success Cybernetics, págs. 30/33.

9 7.Veja a nota 6, e também Foster, ibidem, pág. 92; Grove e Ferrell, pág. 25; Williams,

The Knack of Using Your Subconscious Mind, págs. 31/2.

10 8.

Maltz, ibidem, pág. 26.

11 9.

Williams, op. cit., n.° 6, págs. 44/5.

12 10.

Williams, op. cit., págs. 72, 73, 94, 95, 103; Maltz, op. cit., pág. 155; e Long,

em Self-Suggestion, pág. 7.

13 11. Também Arquimedes, Einstein, Tchaikowsky, Darwin, Watt, Poincaré, Blake, e

muitos outros citados por Williams, op. cit., págs. 15, 17, 72, 73, 99/101; Williams, em

The Wisdom of Your Subconscious Mind (A Sabedoria de Vossa Mente Subconsciente), pág. 26.

Durante o tempo em que o relax permanece controlado pelo subconsciente, a pessoa pode

ter que ajudá-lo a desenvolver essa habilidade; Curtiss, Mitcheel, no artigo “How To Relax

When You Are Busy” (Como Relaxar Quando se Está Atàrefado) publicado no Family Weekly

de 17 fevereiro, 1963, págs. 12 e seguintes; L. L. Vasiliev, na obra Mysterious Phenomena of

the Human Psyche (Misteriosos Fenômenos da Psique Humana), pág. 28. Tal como afirmou

Brad Steiger no artigo “Test Yourself for ESP” publicado no Family Weekly de 6 de agosto,

1967, pág. 5: “O pensamento consciente servirá apenas para bloquear vosso processo

perfeitamente suas funções; conseqüentemente, ninguém deve se preocupar demais quanto ao desempenho do que lhe foi transmitido pela mente consciente. 14 Não há dúvida de que a cooperação efetiva de todas as qualidades mentais pode modificar a pessoa. 15 Naturalmente, a arte de concentrar-se não é fácil, 16 e são muitos os métodos empregados para auxiliar seu desenvolvimento. 17

«

Existem pessoas, às vezes situadas na categoria de idiota, que têm o poder de ver a passagem de um trem de carga, guardar os números de cada vagão, e depois repeti-los corretamente e até mesmo somá-los mentalmente e dar o total exato. Um observador experimentado pode observar a vitrina de uma loja e depois citar detalhadamente os artigos expostos, ao passo que outro observador menos experiente erraria logo após enunciar os primeiros artigos observados.

Em geral, as pessoas possuidoras dessas qualidades foto- grafam mentalmente os objetos observados, e guardam deles uma lembrança visual. Lembro-me de que as matérias complicadas do curso ginasial, como a Geometria e o Latim, tornaram-se fáceis simplesmente porque logo após um exame eu era capaz de visualizar a página do texto em questão, limitando-me a ler a informação desejada. E nas experiências psicológicas, do tipo em que algumas pessoas correm para um aposento e realizam diversos atos em poucos segundos, o caso não exige nenhum esforço destinado a recordar ações específicas, a cena foi simplesmente fotografada e a infor- mação fornecida pela foto. 18

ESP**.

14 12.

Maltz, op. cit., pág. 26.

15 13.

Veja a nota 5; e também Larson, ibidem, págs. 236/7; Williams, The Knack of

Using Your Subconscious Mind, pág. 27.

16 14.

William Knowlton Marston no artigo “Put Your Mind on the Spot” publicado no

Reader’s Digest de maio, 1965, pág. 68.

17 15. Como a Ioga, o Zen-Budismo, ou os artifícios empregados pelos grupos

primitivos, segundo Gerald Herd no artigo “Psychical Research, History and Future”

(Pesquisas Psíquicas, História e Futuro) publicado em Borderline, volume I, n.° 1, pág. 34 e

seguintes. Ê perigoso estimular demasiadamente o subconsciente, uma vez que isso pode

levar a pessoa a criar profundos problemas durante as vinte e quatro horas do dia,

provocando insônia ou tensão ou ambos.

18 16. Julia Mead, no seu Tonight Show de 14 de junho de 1965, confessou-se

possuidora dessa qualidade; e a mesma qualidade de Toscanini foi constatada por diversas

vezes a última por William Walker, o cantor de óperas, como também no Tonight Show

da época.

Você, leitor, pode aprender a fazer o mesmo. Observe um lindo pôr-do-soL Feche os olhos, e a imagem captada pela retina persistirá. 19 Em seguida, abra os olhos e verá que não conseguiu observar certos detalhes da cena a vela de um barco, uma formação de nuvens, ou um avião. Da próxima vez, sua capacidade de observação será melhor e a impressão visual mais duradoura. Diz-se que “uma paisagem vale por mil palavras“; com respeito à memória de cada um, isso pode encerrar uma verdaòe.

poderes psíquicos e males físicos

CALCOIA-SE que muito mais de cinquenta por cento dos males físicos são de origem psicossomática. “Psique", refere-se à mente; “soma”, ao corpo. Conseqüente- mente, o termo corresponde a doenças ou condições provo- cadas por sugestão mental de origem geralmente subcons- ciente.

Existem, para isso, inúmeras razões subjacentes. Às vezes, conseqüências desagradáveis são causadas por declarações de outros. Como acentuamos no capítulo anterior, muitos médicos, enfermeiras e leigos não compreendem que uma pessoa que permanece inconsciente por efeito da anestesia ou por quaisquer outras causas pode ouvir com o auxílio de sua mente subconsciente. Muito frequentemente, certas pessoas de palavreado inconseqüente põem-se a falar sobre o paciente anestesiado na sua presença, como se ele ou ela estivessem ausentes. Certa vez, um visitante observou que seria uma desgraça se o doente se recuperasse, pois acabaria transformado num “vegetal”. O doente, que antes disso vinha se mantendo razoavelmente, piorou rapidamente, e no dia seguinte ouviram-no tartamudear “como um vegetal”. 20

No capitulo anterior, revelei o caso de uma menina que ficou paralítica por vários anos porque, enquanto estava anestesiada, uma enfermeira disse que seria uma tragédia se ela nunca mais pudesse andar ou brincar , 21 Não havia qualquer causa orgânica que justificasse a paralisia, mas a recuperação da garota só ocorreu muitos anos depois, e durante todo esse tempo ela ficou inválida.

Na minha opinião, os visitantes dos hospitais deveriam ser tratados como perigosos inimigos de um Estado ditatorial. Deveriam ser encarcerado, antes de chegar à presença do doente, ou fuzilados. E se fosse preciso fazer sugestões incentivadoras ao paciente, estas deveriam ser transmitidas por pessoas conhecedoras de medicina e semântica (isto é, o significado correto das palavras). Isto não é tarefa de leigo, cuja inclinação natural leva-o a prejudicar o doente com expressões impróprias.

Aliás, os médicos também não estão isentos de censura. O patologista que entra na sala de operações fazendo

19 17. Na verdade, a pupila aumenta ou diminui de acordo com a reação pessoal a um

objeto, som, odor ou gosto, segundo Clifford B. Hides, no artigo “Your Eyes TeÚ Your

Secrets” publicado no Family Weekly, de 11 de agosto, 1966, pág. 4.

20 1.

Mann, Stella, Terrill, Beyond the Darkness, pág. 28.

21 1-A. Arthur Ellen, "I Hypnotize the Stars”, Family Weekly, 26 de janeiro, 1964, pág.

verdadeira atoarda com seus comentários desabridos, ou o cirurgião que agrava com suas palavras a situação do paciente anestesiado, comentando em voz alta os possíveis resultados adversos da operação, estão contribuindo para provocar uma parada cardíaca ou outras conseqüência igualmente desfavoráveis. Durante todo o tempo, o paciente experimenta um medo mortal. Da mesma forma, o médico-assistente que afirma bruscamente ao doente que, sob o ponto de vista físico, tudo está muito bem, e que tudo que ele sente é de “origem mental”, faz quase o mesmo mal. Em primeiro lugar, muito freqüentemente o médico se engana; depois, se o paciente sofre de qualquer doença séria de origem mental, deve ser entregue aos cuidados de um especialista. Além disso, o médico que assim procede está apelando para o intelecto do doente, inteiramente inútil num terreno onde só o subconsciente é o responsável. De fato, nesse caso deve-se registrar uma violenta reação do subconsciente num esforço que visa a provar o erro do médico — uma “reação ao insulto”, por assim dizer.

Voltando à primeira das razões acima mencionadas, o leitor supõe que eu exagero quanto a que uma causa física pode ser desprezada no caso de uma queixa legítima? Então, permito-me citar apenas alguns dos inúmeros casos registrados nas minhas atividades profissionais como advogado.

Uma mulher paralítica do pescoço para baixo foi esbofeteada e arrastada de um lado para outro para acabar com a sua “histeria”; tinha três vértebras fraturadas que faziam pressão sobre a coluna. Um garoto vinha sendo criticado por não querer andar, em virtude de ser “gordo e preguiçoso* — e tinha o pé quebrado. Um agricultor foi tachado de “malandro” por queixar-se de dores no pulso; a chapa de Raios-X mostrou que ele tinha um osso necrosado ou morto que foi preciso remover. Um colegial queixava-se de dores constantes que sentia por baixo da camada de gesso que lhe envolvia a perna. O médico disse que ele não passava de uma “criança”. A constrição circulatória resultante exigiu a amputação da perna. Eu mesmo consegui acabar com um mal cardíaco permanente porque certo cardiologista recusou-se a acreditar que eu fosse capaz de diagnosticar um ataque cardíaco; em vez disso, aceitou o que mostravam os eletrocardiogramas.

Casos dessa espécie ocorrem milhares de vezes todos os anos. Isso, porém, não quer dizer que todos os médicos sejam descuidados. Advogados, carpinteiros e eletricistas cometem os mesmos erros. O que se pretende salientar é a absoluta certeza de que não existe qualquer causa fisiológica ou orgânica para justificar as queixas antes de classificá-las como imprecisas, neuróticas, ou psíquicas. Os sintomas ainda são, e devem continuar sendo, um auxiliar da maior importância para p diagnóstico.

Passemos, agora, aos casos nos quais as queixas não são motivadas por causas físicas. Existe uma segunda área que deve ser constantemente levada em conta. Trata-se dos males provocados pelas pressões do ambiente. Talvez valha a pena citar dois casos registrados nas minhas atividades profissionais.

Uma jovem senhora do Kentucky jamais estivera doente. Deu à luz os filhos com a mesma facilidade com que executava diariamente seus afazeres domésticos. Um dia, trabalhando na cozinha, o fogão explodiu causando-lhe ligeiras queimaduras. Durante o tempo em que permaneceu hospitalizada, convenceu-se de que iria morrer. Emagreceu, ficou fraca e pálida. A declaração do médico no sentido de que seu estado geral era perfeitamente normal não a convenceu porque ela sabia que iria morrer.

Só havia um meio de curá-la: afirmar que ela sofria de uma doença complicadíssima, mas curável, e tratá-la. Arranjamos um frasco de pílulas de açúcar, que rotulamos com um nome em Latim como o que tínhamos dado à sua doença imaginária (e isso deixou-a profundamente impressionada, sobretudo pela raridade do mal cujo

nome não ocorrera ao médico), e prescrevemos à doente um regime rigoroso de dieta, exercícios e medicamentos. Levantou-se em uma semana; e seis semanas depois voltou ao seu estado normal. 22

Outro caso ocorreu com um indivíduo alto, forte, saudável, que sofria de um mal nas costas. Durante vários meses não experimentou nenhuma melhora. Entretanto, havia um problema de ambiente que foi aparecendo pouco a pouco durante as nossas palestras.

Ê que o cliente, pouco antes de adoecer, tinha-se mudado para um novo bairro, onde nem sua mulher, nem seus filhos, foram aceitos desde logo; os filhos brigavam todos os dias com os garotos vizinhos. Tomou-se aparente que as tensões provocadas por essa situação impediriam a cura enquanto ele vivesse naquele ambiente.

Com a cooperação recíproca, expliquei-lhe que precisava de um clima mais cordial para conseguir curar-se de seus males. Mudou-se novamente para um estado sulino, subme- teu-se a um severo modo de vida e recuperou imediatamente a saúde. Livre das antigas tensões, progrediu rapidamente em seu trabalho e alcançou uma posição muito superior a quaisquer expectativas que pudesse alimentar anteriormente.

Portanto, essas são situações nas quais regístraram-se danos traumáticos complicados por ocorrências psicossomáticas que foi preciso remover para conseguir a cura do doente. Os fatores ambientais nunca devem ser subestimados quando a saúde do. paciente é o objetivo precípuo e, de fato, o único.

Entretanto, como afirmamos anteriormente, mais de metade de todas as desordens tem origem psicossomática. E a maioria absoluta dessas desordens é provocada artificialmente pelo paciente não voluntariamente ou maliciosamente, exceto em casos bastante raros mas, provocada por fraquezas nem sempre de natureza física.

São muitas as pessoas que precisam de doenças 23 . A doença pode servir-lhes de desculpa; pode servir-lhes de

22 2. De forma bastante interessante, estudos sobre o “efeito dos placebos”

proporcionaram notáveis resultados, atuando tão eficientemente em muitos tipos de

moléstias quanto as drogas geralmente utilizadas nesses casos. Veja-se também os debates

sobre a cura do histerismo na obra de Vasiliev, Misteriosos Fenómenos da Psique Humana,

págs. 86, 91; e na de Cantor, Unitrol, págs. 175 a 180.

As provas de histeria não se limitam à doença. Por exemplo, durante os primeiros anos da

Segunda Guerra Mundial, uma mulher residente no condado de Coles, Illinois, afirmou ter

sido atacada por um “gás venenoso”. O caso chegou às manchetes dos jornais, e misteriosos

ataques de gás começaram a aparecer em número cada vez maior não somente naquele

condado como também por todo o pais. Felizmente, o hábil Procurador do Estado, William

K. Kidwell, conseguiu uma confissão no sentido de que o primeiro oaso nada tinha de

verídico, e os ataques de gás cessaram imediatamente.

23 3.

Tillich, The New Being, pág. 36. E também Harry Smith, The Secret of

Instantaneous Healing, págs. 45, 48, 75, 81/90, 130/32, 171. 192, 198/9.

amparo. Todos nós vivemos num mundo de conoorrência, financeira e socialmente. Vivemos também acossados por outras pressões, como os problemas dos filhos que recaem sobre os pais, a pressão das guerras frias ou não, da política, do envelhecimento, dos cabelos que vão embranquecendo e dos músculos que vão sendo tomados pela celulite.

Um homem que não consegue a esperada promoção, nem alcança o sucesso comercial com que sonhava, dispõe de uma desculpa razoável para seus males físicos. Ê possível que uma taquicardia excessiva ou os espasmos do duodeno não lhe permitam trabalhar as horas extras exigidas para alcançar o sucesso. 24 As enxaquecas podem reduzir as obrigações sexuais de uma mulher frigida. Qualquer tipo de dor pode ter uma origem psicogênica.

Além disso, doença gera doença. À proporção em que continuam os sintomas psicossomáticos originais, as atividades físicas do paciente tornam-se geralmente reduzidas e podem até cessar quase completamente, como nos casos de invalidez. A inatividade gera debilidade, atrofia, anormalidade do tônus muscular, circulação deficiente; por sua vez, esses resultados produzem fraqueza e fadiga; estas, de sua parte, tendem a diminuir cada vez mais a atividade, e assim por diante. Desenvolve-se um círculo vicioso no qual o sintoma transforma-se em causa, e os efeitos produzem o sintoma.

É extraordinário verificar como muitos paralíticos, que durante anos não conseguiam mover um só músculo, fogem sem o menor auxílio quando ameaçados por um incêndio. 25 Obviamente, em casos dessa espécie, a causa da paralisia não era de natureza anatômica. Por outro lado, devemos ter em mente que grande número de pessoas alimentam uma "vontade de morrer” profundamente arraigada, embora não reconhecida e que, a menos que essa motivação possa ser erradicada, um tratamento de qualquer outro tipo raramente ó bem sucedido. 26

Ê dupla a razão da prolongada discussão preliminar deste capitulo: em primeiro lugar visa a acentuar o papel preponderante desempenhado pelo subconsciente na criação das doenças; depois, adquirir a certeza de que compreendemos a diferença existente entre a cura, de modo mais ou menos milagroso, dos males que têm origem física verdadeira, e daqueles de natureza inteiramente funcional (isto é, sintomática).

Se estou sentindo os efeitos da tensão provocada por uma enxaqueca e você, com sua amabilidade e palavras agradáveis, consegue fazer com que eu relaxe e desapareça a enxaqueca, nenhum poder psíquico entrou em cena; mas, se tenho um vaso sangüíneo cardíaco obstruído, com o tecido rompido já penetrando pela parede do coração, e você pronuncia um “Abracadabra”, obriga o vaso sangüíneo a abrir-se e o tecido rompido a voltar às condições normais, então o caso cai numa categoria absolutamente diferente. Ou, digamos que tenho uma perna

24 4.

Veja-se referências na nota 3.

25 5.

Williams, The Knack of Using Your Subconscious Mind, págs. 39/42.

26 6.

Se o paciente se sente desprezado, tal pode ser o caso, e esse pode ser alterado

simplesmente com a projeção de amor. Johnstone, “Diga-o Agora”, Christian Herald,

outubro. 1965, condensado no Reader's Digest do mesmo mês, pág. 139.

quebrada, você põe as mãos sobre a fratura, pronuncia uma oração, eu me levanto e começo a andar sem o menor sinal de fratura, então isso será a manifestação de um poder que deve interessar-nos nas nossas discussões.

E-' estamos interessados nessa área devido às constantes referências à “cura pela fé”, de todas .as vezes em

que vêm à baila os poderes psíquicos

processo de cura. A “vontade de viver”, a confiança no próprio e total restabelecimento, são fatores de enoi?ne

Sabemos que o subconsciente pode ser um poderoso instrumento no

valor no processo de cura. Podem, inclusive, estabelecer a diferença entre a vida e a morte.

Portanto, quando chegamos às desordens de origem psicossomática, não há como negar que elas podem ser tratadas por uma sugestão apropriada. Numa situação na qual o paciente quer curar-se (e geralmente não se sente ou não se sentiria embaraçado ao ter que enfrentar uma numerosa congregação), a confiança no curandeiro e a tensão dramática desse momento — a oração e a sugestão de que “agora você está curado” — podem produzir a cura permanente dessa doença ou, por outro lado, uma cura temporária, desde que as pres- sões que provocaram seu aparecimento inicial continuem presentes. 27 Ê preciso reconhecer que a tensão exerce poderosa influência sobre o organismo humano, 28 e deve ser responsável por muitas desordens, quando não até por quase todas.

Minha única experiência pessoal na observação do trabalho de um curandeiro limitou-se à televisão. Ao ligar o aparelho, o programa já estava no fim. Um casal idoso estava de pé diante do pregador e do enorme público. A mulher, imediatamente identificada pela cifose visível, ou corcunda, sofria de uma espondilite reumática, às vezes chamada de doença de Marie-Strumpell. O curandeiro fez uma oração, e disse aos gritos que ela estava curada; a mulher, com a face banhada em lágrimas, disse que estava curada, mas continuava tão corcunda como no início da cerimônia.

Isso não quer dizer que as curas milagrosas não possam acontecer. Quer dizer, apenas, que devemos excluir de nossas oonsiderações os casos como esse, nos quais a histeria do momento convence jg doente da própria cura. Devemos, também, excluir as desordens do tipo das que apresentam diminuições esporádicas e iôexplicáveis. Devemos excluir igualmente as que são criadas e curadas pelo subconsciente.

A Bíblia descreve os poderes de cura de Jesus. Algumas das doenças citadas eram indiscutivelmente de natureza psi- cogênica; outras, porém, eram de natureza física como a cura de um braço paralítico, a da loucura (expulsão de demônios), e a ressurreição de Lázaro. Temos ainda numerosos casos de curas ocorridas em diversos santuários religiosos que, após cuidadosa investigação* (e a Igreja Católica é, provavelmente, mais

27 7. Nesse terreno, é particularmente interessante a explicação religiosa-sugestiva

de Smith, The Secret of Instantaneous Heeding, págs. 0, 18, 19, 24, 25, 29, 38/41, 45,

48, 75, 81, 89, 90, 96, 130/32, 171, 192, 198/99.

28 8.

Selve, Stress; Selye, The Stress of Life;, Bykov, The Cerebral Cortex ana the Internal

Organs. O cientista russo acentua a realização de curas pela mudança de ares do paciente,

pela troca da cor da pintura de um quarto, etc. (pág. 27); veja ainda Vasiliev, Misteriosos

rigorosa nas suas investigações que as outras seitas), foram aceitas como milagrosas? A propósito, sou protestante.

Atualmente, existem curandeiros que vivem longe da residência deste autor e que deveriam ser examinados pelos leitores, sobretudo os de formação científica ou cética. Ê claro, porém, que nada de construtivo decorrente de tal aproximação poderia constituir um processo marcante do nosso conhecimento dessa área. 29 Um dos expoentes desse tipo de curandeirismo é Kathryn Kuhlman, de Pittsburgh, de quem se diz ter curado diversos casos de câncer, meningite, e várias outras doenças graves. 30 Outros, menos conhecidos, atuam em outras cidades.

Ivan Sanderson, o conhecido zoólogo, revelou um caso ocorrido nas Honduras Britânicas, onde certo feiticeiro fez um importuno calar a boca apontando-lhe o dedo e fazendo-o contorcer-se em dores, que ninguém mais, a não ser o tal feiticeiro, conseguiu acalmar. E de forma particularmente interessante, a dor cessou imediatamente a uma ordem do curandeiro, embora o paciente estivesse num aposento separado onde não podia ouvi-la. 31 O fato parece indicar uma dor de origem subconsciente, submetida a controle hipnótico ou interligado.

Situação muito maiá* inusitada é a que se refere aos curandeiros fílipinos. Escrevi a um promotor de Manilha pedindo-lhe algumas informações de primeira mão sobre o assunto, mas até agora não me foi possível examiná-las. Aparentemente, um tal Eleutério Terte, de San Fabian, distrito de Pangasian, além de outros, realiza regularmente operações cirúrgicas metendo as mãos nuas no corpo dos pacientes e removendo o órgão doente, fechando-se a incisão quase instantaneamente depois, sem deixar a menor cicatriz. 32 Um dos livros aqui citados

Uma organização chamada Spiritual Frontiers Fellowship, pelo quo sei, está

empenhada nessas investigações. Debate ainda mais interessante vem citado na obra de

Mann, Beyond the Darkness, págs. 22/4. Veja o caso descrito por Virginia Lively, “Three

Months in His Presence”, publicado no Guidespost, agosto, 1966, p&g. 3.

29 10.

30 11.

Allen Spraggett, “The 'Miracle' of Kathryn Kuhlman”, no Borderline, vol. I, n.°

8, de setembro, 1965; e Suzy Smith, World of the Strange, pág. 89. Um livro publicado por

Miss Kuhlman tem o titulo I Believe in Miracles.

31 12.

Smith, ESP, págs. 143/44.

32 13.

Ormond e McGill, Into the Strange Unknown, págs. 19 e seguintes. Faço muitas

reservas sobre esse livro, em vista das declarações relativas a outros assuntos para mim

absolutamente inaceitáveis. Essa obra merecería maior confiança se também não induisse

uma fotografia de Deus (pág. 78); se um dos autores não tivesse realizado um vôo pelo

astral que o levou ao Shangri-La himalaio, onde recebeu lições de sabedoria transmitidas

pelos dirigentes anciãos, págs. 167/73, e se ambos não tivessem descoberto a localização

dos discos voadores no sudeste da Asia. Sherman vem de publicar um livro, Wonder Healers

of the Philippines.

As seguidas averiguações desses .fatos têm-me fornecido informações contraditórias. A esse respeito, o Tenente Thomas A. Gail, da Marinha de Guerra dos EUA, escreveu-me o seguinte, em 19 de abril de 1966:

“Eleutério Terte é um entre mais de trinta “curandeiros espirituais” praticantes nas Filipinas. Recentemente, tem-se registrado um interesse cada vez maior pelas atividades desses homens, sobretudo devido às notícias publicadas por um jornal britânico. Tais indivíduos são tidos como capazes de realizar incisões abdominais e outras sem usar nenhum instrumento cirúrgico. Assim, dizem que removem um órgão doente e curam o paciente. A maior parte desses homens (e mulheres) alegam uma base espiritual para as qualidades que possuem.

Um vez que realizamos investigações idênticas às suas, averigüei pessoalmente pelo menos dois “curandeiros” (com exceção de Terte). Num dos casos, o curandeiro removeu uma “pedra” do abdômen de um americano, curando-o, supostamente, de sua doença renal. No entanto, a pedra extraída era apenas um pedaço de adobe. Outro curandeiro tinha que realizar também uma operação idêntica. Foram retiradas amostras de sangue do abdômen do paciente. As amostras, porém, não eram de sangue humano.

Portanto, enquanto não completarmos uma investigação mais detalhada não há a menor prova capaz de demonstrar quaisquer qualidades de cura desses homens.

Creio ter respondido à sua pergunta. Se quiser, poderá escrever novamente dentro de mais alguns meses, depois de terminada uma investigação mais acurada sobre o assunto.”

O Tenente Gail revelou que W. H. Belk, residente à rua 151, 1934, N. E., Miami, Flórida, realizou uma investigação e chegou a conclusões opostas. Mr. Belk publica um pequeno “jornal psíquico” no qual afirma ter observado pcssoalmente outro curandeiro filipino, Antonio Agpoa, remover cataratas, verrugas, tumores e curar doenças internas de todos os tipos. Os pacientes não sentem dor alguma, afirma Belk, acrescentando que nunca se registrou um caso fatal.

Uma segunda carta do Tenente Gail, datada de 28 de julho de 1966, acrescenta:

Na minha última carta insinuei a existência de fortes provas indicando que o u curandeiro psíquico” das Filipinas não passa de um mis- üficador. Hoje; posso reafirmar essa opinião depois de ter assistido pessoalmente aos “processos cirúrgico»P. Além disso, consultei afamados psicólogos que investigaram esses homens durante seis semanas Usaram filmes cinematográficos coloridos,

contém inúmeras fotografias que se diz terem sido batidas dessas operações.

Os exploradores há muito vêm revelando curas aparentemente miraculosas de ossos quebrados, efetuadas pelos feiticeiros africanos. Admitindo que, em princípio, tais informações possam ter sido fiel e veridicamente transmitidas, o segredo dessas curas imediatas mereceria ser estudado. Um autor, que escreveu muitas coisas sobre as crendices havaianas e os kahunas, muitos dos quais eram curandeiros, descreveu um incidente, infelizmente em segunda mão, da seguinte forma:

“Meus intimo e fiel amigo, J. A. K. Combs, de Honolulu, que é grande estudioso da ciência kahuna, e que me tem sido de grande auxilio, tinha como sogra uma das mais poderosas mulheres kahunas das ilhas. Essa mulher dedicava-lhe grande amizade e revelou-lhe muitas coisas sobre seus conhecimentos secretos, seu poder e suas práticas. Na ocasião em pauta, Combs participou de uma festa praiana realizada em sua casa de veraneio. Muitos hóspedes já haviam chegado quando um automóvel foi dirigido para o extremo da praia, e dele saíram diversos havaianos. Entre eles encontrava-se um homem ligeiramente embriagado, que tropeçou ao descer do carro e caiu na areia. Ao levantar-se, todos puderam ouvir o ruído característico de ossos quebrados.

O exame revelou tuna fratura dupla da perna esquerda, exatamente adma do tornozelo. As pontas do osso

eram perfeitamente visíveis saindo para fora da pele. Combs, que ouvira o conhecido ruído de ossos quebrados,

pois já sofrera uma fratura, percebeu imediatamente a gravidade do caso e propôs que o ferido fosse levado imediatamente a Honolulu. Mas a velha kahuna aproximou-se e começou a agir. Ajoelhando-se ao lado do ferido, esticou-lhe o pé e a pema comprimindo o ponto por onde os ossos fraturados rompiam a pele, e então começou a entoar em voz baixa uma oraçfio apropriada.

Minutos depois, calou-se. Os que a cercavam observando tensa- mente a operação não viram coisa alguma até o momento em que, de repente, a velha pôs-se a massagear delicadamente a perna do ferido, parando em seguida para dizer-lhe calmamente na língua havaiana: “Está acabado. Levante-se. Já pode andar.*'

O ferido, já inteiramente sóbrio, ergueu-se bastante admirado, experimentou um primeiro passo, depois

outro. A cura tinha sido completa o perfeita. A perna não mostrava o menor sinal de qualquer fratura.**

Em casos como esse, a autenticidade da informação depende de muitas coisas: primeiro, o incidente teria realmente acontecido? segundo, Combs observou-o acuradamente? terceiro, sua descrição foi perfeita? quarto, Long também pôde descrevê-lo fielmente?

O relato de Long, 33 baseado em seus estudos sobre as técnicas dos kahunas como curandeiros, é mais ou

fotografias e gravadores nessas investigações. Passaram a maior parte do tempo investigando Tony

Agpoa, um curandeiro de 28 anos que operava em Quezon. Concluiram que todos os processos são

E reconheceram que Agpoa revelou-se um

consumado prestidigitador

fraudulentos e baseados em truques e prestidigitação

33 14. Max Freedom Long, Secret Science Behind Miracles, pág. 192. Belativamento às

asserções de Long, torna-se necessária umu nova investigação.

Uma das dificuldades que surgem em qualquer pesquisa consiste em determinar a autenticidade das informações fornecidas por terceiros. A importante obra acima citada é das que devem ser avaliadas, sobretudo uma vez que seu autor escreveu várias outras da mesma natureza, c já que seus estudos foram considerados tão importantes que serviram de base para a criação, na Califórnia, de uma seita chamada Huna. Sc os argumentos de Long fossem inteiramente aceitáveis, responderiam a problemas ainda insolúveis.

Já que a maior parte das matérias citadas por Long eram de origem havaiana, o único lugar para comprová-las ou desmenti-las era o Havaí, para onde me dirigi oom essa intenção. A fonte revelada para a maioria das informações sobre os kahunas e seus poderes, a aparição de fantasmas, os poderes espirituais dos que andam sobre fogo, e muitas outras coisas, era o falecido Dr. William Tufts Brigham, primeiro conservador do Museu Bishop, cujo nome, segundo afirma Long, consta do Who's Who.

O atual conservador do museu, Dr. Kenneth Emory, distinto estudioso da cultura e da etnologia polinésias, afirmou bruscamente: “Tenho a certeza de que se o Dr. Brigham fez algum dia as declarações contidas nos livros de Long, fê-las em tom de pilhéria, “O Dr. Albert W. Palmer escreveu uma crítica não publicada sobre a Secret Science na qual afirma, em parte:

O Dr. Brigham jamais faria isso. Conheci-o muito bem; era um homem dotado de profundo senso de humor. Na verdade, não posso esconder a impressão de que estava

apenas se divertindo com Long em algumas histórias que contou

as lendas que Long narra sobre ele devem ser levadas à conta da sua imaginação. Antes de

fazê-lo, poderiamos notar o piscar de olhos do retinto de Brigham no Museu Bishop. Brigham possuía um profundo senso de humor. Um homem desse tipo podería ser facilmente mal compreendido por outro com tão pouco senso de humor como Long parece ser.

O Dr. Brigham morreu, e

Eis aí duns pessoas importantes que, de fato, referem-se a Long como tendo sido “enganado” por Brigham. O próximo passo consistia em determinar se Brigham, na sua obra pessoal, revela o mesmo senso de humor; verificar também se seus assuntos refletiam uma crença ou descrença nos fantásticos fatos narrados por Long. O melhor trabalho disponível para essa verificação é uma obra em três volumes, datilografada mas não publicada, de autoria de Brigham, existente no Museu Bishop, intitulada The Ancient Worship of the Haxoaiians. Além disso, para um escritor profissional, parece que Brigham foi um homem repleto da alegria de viver e de um senso sardónico dissimulado.

Assim, por exemplo, referindo-se a certo kahuna que posou para uma estátua, afirma (pág. 52, vol. I): “Morto, tem melhor aparência que quando vivo”. Anteriormente (pág. 11), falando de um macaréu que exterminou numerosos kahunas, depois de uma oração dirigida ao deus tubarão, observa: “No entanto, em ambas as versões o deus tubarão fez, aparentemente, um bem público” — e apôs suas iniciais a essa observação “W. T. B.”

Referindo-se aos espíritos que encarnam nas pessoas, Brigham afirma (vol. II, pág. 305):

“Com certeza, agora, deve-se admitir que se trata de seres espirituais desempregados

esse o mesmo homem que, tal como salientado em outro capítulo, atravessou correndo um lençol de lava candente somente para verificar se isso era possível. Era, obviamente, um

homem cheio de vitalidade, da alegria de viver e de grande senso de humor.

” £

Acreditaria ele nas narrativas de Long? Obviamente, não. Long faz alarde das pessoas que caminham sobre fogo, assunto que discutimos detalhadamente cora os comentários de Brigham (Brigham, op. cit., vol. H, cap. XI, pág. 260 e seguintes). Ademais, dá grande importância às raízes das palavras da língua havaiana. Brigham afirma (pág. 65) que, futuramente, não se pode esperar aprender os cânticos antigos, uma vez que desapareceram todos os documentos e que a linguagem dos ver da- eiros ancestrais está morta, acrescentando que “o espírito e muitas vezes a beleza do pensamento original se perdem na tradução.” Isso é muito significativo quando os próprios havaianos acreditam que a alteração de uma simples palavra ou inflexão, não somente anularia a oração mas atrairia a cólera do deus sobre o infrator.

Long refere-se constantemente aos kahunas. O termo “kahuna” não tem o significado de médico-feiticeiro, ou de mago negro, mas de qualquer líder ou especialista em instrução. Assim, estadistas, juizes ou quaisquer outros técnicos (inclusive os curandeiros e feiticeiros mais elogiados) foram kahunas. Brigham afirma (pág. 67a): "Nem todos os leahunas

e prossegue para esclarecer que o grupo do feiticeiros está

situado nesta categoria. O ceticismo de Brigham sobre a posse de corpos pelos espíritos vagabundos já foi revelado (Brigham, op. cit., pág. 305). E, uma vez que se atribui a Brigham o fato de ter falado a Long a respeito da marcha de fantasmas, é interessante citar a seguinte passagem de sua obra (pág. 62):

havaianos foram charlatães

Perguntei-lhe (a seu motorista, que afirma ser um havaiano inteligente) se alguma vez tinha visto os fantasmas (que conforme se diz patrulham duas estradas da Ilha Grande), e ele surpreendeu-me com a resposta: “Sim, vi-os por duas vezes quando regressava por este mesmo **

caminho, entre meia-noite e uma hora da madrugada

Diverti-me tanto com a procissão

menos assim: segundo as crenças kahunas, o ego interior é um modelo interno perfeito do ego exterior sem as suas imperfeições. Assim, quando ocorre a fratura de um osso do ego exterior, o ego interno continua ileso. Então, o kahuna, pela oração, e com o emprego dos poderes curadores, obriga o corpo físico a assumir a forma do ego interno ileso, e o osso se recompõe.

Além da pesquisa mencionada na nota adiante citada, conversei com vários médicos que clinicaram nas ilhas durante muitos anos e tiveram inúmeros contatos com os kahunas; ademais, falei também com outros profissionais que os conheciam perfeitamente. Infelizmente, nenhuma dessas pessoas conseguira verificar a teoria básica kahuna relativa à cura instantânea, embora seja exato que os kahunas sustentam que são capazes de curar praticamente quase toda a classe de males físicos. 34

Outro caso idêntico é o que se diz ter ocorrido a Peter Hurkos. O autor do relato é um cavalheiro mencionado como editor associado do News Week Magazine. Segundo ele, em 17 de maio de 1958 Hurkos sofreu uma fratura exposta da perna quando, em Nova York, se achava no apartamento de Henry Belk, a quem se faz referência na nota 13. O informante afirma que Hurkos curvou a cabeça como se estivesse orando, que o osso fraturado voltou ao lugar, e que a pele rasgada recompôs-se e ficou perfeita. 35 Revela, ainda, que inúmeros cavalheiros altamente reputados que presenciaram o episódio gravaram um disco detalhado do que tinham observado e que ele, Steam, ouviu a gravação.

Por enquanto, ainda estamos longe de saber se essas coisas são possíveis e, em caso afirmativo, como operam, e qual o papel que podem desempenhar para mitigar os sofrimentos humanos. Pelo que sabemos sobre a ação do subconsciente, é claro que deve-se dar maior importância ao seu papel na causa das enfermidades e no auxilio à sua cura. Na década de 20, existia um homem de nome Coué que se tomou famoso pela divulgação de uma simples frase que as pessoas repetiam por toda a parte: “Todo dia, sob todo ponto de vista, vou cada vez

iluminada dos fantasmas que csque- ci-me de perguntar-lhe se a procissão usava as antigas tochas de óleo de kukui ou se dispunha de lâmpadas de querosene.

Dianto disso e das numerosas pesquisas realizadas em fontes ha- vaianas, estou convencido

de que Mr. Long deve ter agido com certa credulidade ao documentar suas afirmações. A

propósito, minhas pesquisas incluiram a leitura de obras escritas na língua havaiana há mais

le cem anos por David Maio, e há mais de setenta e cinco anos por Samuel Kamakana,

traduzidas para o inglês. Naquela época, curandeiros e feiticeiros exerciam uma atividade

muito maior. No entanto, não consegui encontrar um só relato sobre a cura instantânea de

uma fratura óssea, tal como revelada por Long baseado em informação de segunda mão

34 15. Eles se encarregam da cura de fraturas tanto no homem como cm cavalos. O

curador do Museu Real Havaiano em Kauai, Mrs. Sara Wong Kelekoma Sheldon,

descreveu-me os processos usados. E no tocante aos habitantes primitivos dessa região, veja

o trabalho de Mendieta, "Wari-Willka”, publicado na revista Américas de janeiro, 1967,

pág. 17.

melhor”. 36

Isto é apenas auto-sugestão. Se, utilizando a idéia do “ego interior”, somos capazes de nos encarar como internamento fortes, saudáveis, perfeitos e atuar como fazem os duendes com nossos exteriores deficientes a fim de tomá-los iguais a essa imagem, confiando, implicitamente, em seu bom resultado , talvez possamos surgir mais fortes e melhores em todos os sentidos.

Entretanto, certas incongruências dos escritores que tratam do assunto tocam as raias do absurdo. Um deles, que se diz capaz de curar até o câncer e outras doenças graves, afirma que o curandeiro deve ver uma coisa perfeita, 37 pois, caso trate de doença como pertencente ao paciente nenhuma cura pode ser conseguida: 38

isso porque, se o fizermos, não podemos, subsequentemente, livrá-lo do mal

O curandeiro procura encarar o

homem como perfeito, que não precisa ser curado de coisa alguma.”

E adiante, reafirma: 39

“Se alguém vê mentalmente um homem doente, esse homem continuará doente mentalmente.”

No entanto, o mesmo escritor declara logo a seguir: 40

“Uma vez que a nossa compreensão espiritual não é suficiente para permitir que curemos mentalmente os ossos fraturados, chamamos um cirurgião; e já que não podemos andar sobre a água, tomamos um bote.”

O recurso de usar o exemplo religioso com a ortopedia é claro e fácil, mas absolutamente inadequado. Se os ossos se encontram numa justaposição razoável, imobilizados, e em condições de poderem voltar à posição correta, então, a cura se processará naturalmente. Isso, entretanto, não é verdade no tocante ao câncer ou ao enfisema. Se esse homem é capaz de ver a perfeição no primeiro caso, pode fazê-lo no segundo; caso contrário, sua fé tem limites enganosos.

telepatia

DENTRE TODOS OS poderes psíquicos, provavelmente o mais conhecido e o mais amplamente aceito é a telepatia, que significa a leitura dos pensamentos alheios.

36 17.

Williams, The Knack of Using Your Subconscious Mind, pâgg. 60 e 61; e Larson,

Your Forces and How to Use Them, pág. 59.

37 Eric Holmes, The Science of Mind, pág. 212.

18.

38 Op cit., pág. 202.

19.

39 Op. cit., pág. 203.

20.

40 Op&cit., pág. 219.

21.

Todos nós já conseguimos saber, em certas ocasiões, exatamente o que outra pessoa estava prestes a dizer, antes mesmo que o fizesse. No entanto, o fato pode reduzir-se apenas ao conhecimento do modo de pensar dessa pessoa, da sua maneira de se expressar, e de conhecer o modo como reagiria em determinada situação. Ou pode ter sido a manifestação de certo poder telepático ainda não completamente desenvolvido.

Quando meu irmão e eu freqüentávamos a Universidade de Illinois, podíamos ficar cada um no canto oposto da sala, bastando trocar um olhar para sabermos exatamente o que o outro estava pensando. E raramente precisávamos recorrer à comunicação verbal entre nós dois, exceto em se tratando de auxiliar os outros. 41 Após meu casamento com Jean, conseguia responder a uma pergunta que ela ainda não fizera.

Entretanto, aprendi imediatamente uma coisa: Jean não gostava de alguém capaz de ler seus pensamentos. E os outros também não. Todos têm direito à própria intimidade. E desde então, com exceção de um inocente deslize, afastei-me pessoalmente desse campo.

Devo comparar a telepatia a um truque com cartas de baralho. Há anos, aprendi a baralhar com enorme habilidade, e a distribuir as cartas à minha vontade por cima, por baixo, ou como quisesse. Uma noite, há mais ae trinta anos, um parceiro de bridge afirmou em voz alta que longe do público os artistas podiam executar toda sorte de truques com o baralho, mas ninguém seria capaz de fazer o mesmo numa mesa de bridge. Apenas acabou de falar, dei ao meu parceiro dez cartas de espadas e, ao outro, três ases. Apostei “uma espada”. E ante o olhar atônito do meu parceiro, rompi numa gargalhada e mostrei as minhas cartas explicando a natureza da lição que acabava de dar.

A paitir desse dia nunca mais repeti a proeza. Seria incorreto e desleal. Da mesma forma, imiscuir-se na

mente alheia, pelo menos com intenções pouco recomendáveis, equivaleria a agir como um bisbilhoteiro vulgar. Para fins de experiências cientificas, ou para o desenvolvimento de poderes latentes, acho que a telepatia deveria

ser explorada integralmente. Mesmo-porque, e como medida de defesa, qualquer um pode esvaziar a mente a qualquer momento.

O inocente deslize a que me referi ocorreu em 1964, quando minha mulher, minha filha e eu estávamos

hospedados no Bel-Air Hotel, em Saint Louis. Acabávamos de tomar o elevador quando um desconhecido, que inegavelmente estivera nadando, também entrou acompanhado de seus dois filhos. Eu estava perto dos botões da cabina. Irrefletidamente, observei: “Pelo que sei, o senhor está hospedado no segundo andar.”

O desconhecido concordou, encarando-me com olhos de espanto, e apertei o botão. Minha filha, depois que

eles saíram, observou: “Você precisa acabar com essa mania. Acho que o homem ficou amedrontado.”

41 1. O poder que possuem os gêmeos de se comunicarem desse modo tem sido

salientado inúmeras vezes. No artigo que Robbins publicou no This 'Week Magazine de 28 de

janeiro de 1962 sob o título “Os Gêmeos Podem Ler os Pensamentos do Outro“, citado por

Smith, ESP, pág. 25, narrando as experiências realizadas pelo Dr. Robert Sommer na

Universidade de Alberta, Canadá; bem como as experiências dos D rs. Thomas Duane e

Thomas Behrendt, da Escola Médica de Jefferson, uma das quais foi descrita pelo Science de

15 de outubro de 1965, pág. 367.

E certo homem quase perdeu um ótimo negócio exatamente porque possuía poderes telepáticos. Quando um freguês estava para chegar à sua loja de louças, e às vezes até antes, Sam preparava o pedido que ainda deveria ser feito, fazia o embrulho e ficava à espera. Isso deixava as pessoas nervosas, tanto que passaram a fazer compras em outro lugar, o que obrigou Sam a abandonar de vez seus poderes telepáticos. 42

Mas como culpá-los? Enquanto Sam ficava bisbilhotando sobre o que eles pensavam da mercadoria, não pretenderia descobrir as intenções daquele contador para com sua nova secretária, ou a briga que ele e sua mulher tiveram na noite anterior?

Mas nosso objetivo não consiste em discutir o uso desses poderes e, sim, a sua existência. Há muito que já não é mais possível duvidar da telepatia. Estamos familiarizados com o funcionamento do “telégrafo da selva” onde, mesmo sem o rufar dos tambores ou o envio de mensagens, os nativos que se encontram a muitos quilômetros de distância são informados da próxima chegada de um grupo de caçadores ou de uma expedição científica. 43

Felizmente, o Dr. Rhine teve a coragem de acreditar na existência dos poderes psíquicos e de dedicar sua carreira a esse problema. As experiências que realizou na Universidade I>uke, com o emprego do baralho de Zener e outras formas de mensagem, demonstraram seguidamente que certas pessoas “sensitivas” podem, facilmente, receber mensagens enviadas pelos transmissores. 44 Além disso, verificou-se também que freqüentemente os gêmeos podem se ajudar mutuamente nos trabalhos escolares ou receber mensagens sob outras condições. 45

O uso efetivo da telepatia foi igualmente demonstrado mesmo com grande distanciamento geográfico das

42 2.

Robbins, “The Psychic Powers of Sam Benson“, publicado no This Week

Magazine de 13 de setembro de 1964, e condensado no Reader s Digest de janeiro de

1965.

43 3.

Ormond e McGill, Into the Strange Unknown, pág. 49; Long, Secret Science

Behind Miracles, págs. 131 e 154; MacLaine, “A Tip from a Seasoned Traveler“, publicado

no Carte Blanche, número de aniversário de 1964, pág. 31; Dunninger, What’s on Your

Mind, pág. 7; Smith, ESP, págs. 32/3; Ford e Bro, Nothing So Strange, pág. 139.

44 4. J. B. Rhine, New Frontiers of the Mind, págs. 74/111, 162/173, 199/228;

Eisenbud, “The World of Ted Seriös: The Man with the Camera Brain*', True: The Magazine

for Men, janeiro, 1967, págs. 119/ 120: Ruth Montgomery, “My Psychic Friends“,

Reader’s Digest, abril, 1967, pág. 151.

45 5. Duane e Behrendt (do Jefferson Medical College, Filadélfia), no Science, de 15

de outubro, 1965, pág. 367; Smith, ESP, págs. 25/6, narrando as experiências

canadenses.

pessoas. 46 O obstáculo de portas fechadas, de milhares de quilômetros de distância, e a colocação do “leitor” numa cabina Faraday, não afetaram os resultados de maneira apreciável. E a comunicação não fica limitada a uma só coisa, como um número, por exemplo, mas pode abranger uma idéia completa, uma imagem pictórica, um aviso de perigo, ou qualquer outra mensagem transmitida.

Dunninger, que é mentalista, e Rhine, que é psicólogo, possuem uma formação profundamente diferente. No entanto, ambos concordam sobre certas coisas. Em primeiro lugar, o experimentador precisa acreditar que a comunicação telepática é possível. Se sua atitude é negativa, os resultados também o serão. Geralmente, o meio ambiente deve ser favorável tépido, confortável, amistoso, e descontraído. 47 Deve haver uma atitude de incentivo, muito embora, caso exista uma afinidade positiva entre transmissor e receptor, é provável que o meio ambiente não tenha grande importância.

Por que funciona a telepatia? De acordo com certos conceitos primitivos, a matéria de que se compõe o ego interno constituiria uma rede invisível através da qual as idéias podem ser transmitidas. Determinadas pessoas que reconhecem a energia elétrica produzida pelo cérebio e pelo sistema nervoso criam, na imaginação, certo tipo de sistema radiofô- nioo receptor e transmissor. 48 Pareceria difícil conceber tal mensagem radiofônica projetada a uma distância de milhares de quilômetros. Por outro lado, já se disse que determinados instintos correlatos, como o instinto do lar que possuem os pombos-correios, são anulados pela proximidade das estações radioemissoras. 49 Experiências realizadas pela Força Aérea demonstraram que os paralíticos podem aprender a

46 6. Clarence Johnson, Psychical Research, pág. 21; Pollack, “The Case of Croiset

the Clairvoyant: the Man With the Xray Mind”, True: The Magazine for Men, abril, 1964,

pág. 54 e seguintes, narrando o trabalho dos Drs. Histemarker e Pasilive; Puharich, Beyond

Telepathy, pág. 209; Williams, The. Wisdom of Your Subconscious Mind: Wilkins &

Sherman, Thoughts Through Space, 1951, págs. 13/15, 203/233; Sherman, How to

Make ESP Work for You, págs. 60/75; Smith, ESP, páç. 25 e seguintes; Long,

Self-Suggestion, págs. 23/4; Dunninger, What’s on Your Mind, págs. 25, 30, 44, 55, 66,

67 e 77; St. Johns, “When Time Stood Still”, GuUwposts, dezembro, 1966, pág. 6. Quanto

à experiência em massa realizada pelos russos, veja Science News, 91:118, 4 de fevereiro,

1967.

47 7. Veja-se referências da nota anterior, juntamente com a exposição do Sherman na

obra Thoughts Through Space, p&gs. 233, 251, 422 e 491, onde também assinala as

dificuldades inerentes nos testes com o baralho de Zener.

48 8. Vasiliev, Mysterious Phenomena of the Human Psyche, p&gs. 120 e seguintes. Veja

também a nota 12.

se comunicar através das ondas alfa do cérebro. 50 E outras pessoas aprenderam a receber mensagens através das vibrações cutâneas. 51

Upton Sinclair, conhecido novelista e reformador social, depois das experiências observadas durante muitos anos con- venceu-se, aparentemente, de que deve estar em jogo um princípio radiofônico qualquer no problema. E chegou a redigir um estudo sobre o assunto. 52 Muitas outras pessoas igualmente distintas e dignas de crédito revelaram experiências telepáticas, émbora até hoje nenhuma tenha conseguido apresentar uma resposta completa explicando por que funciona a telepatia.

Seja-me permitido revelar uma experiência de tipo pessoal, que hesito em incluir por dois motivos primeiro, porque o leitor comum poderia pretender que o autor foi, ou é, “maluco”; segundo, porque as experiências repetidas poderiam ser usadas com objetivos prejudiciais. Entretanto, é sabido que os laboratórios russos há muitos anos vêm trabalhando com afinco no desenvolvimento da comunicação telepática, possivelmente para usá-la como arma ofensiva e, por isso, o assunto deve ser discutido. 53

Até agora temos falado sobretudo sobre a recepção de mensagens telepáticas, e deixado de lado o transmissor. Durante muitos anos, em minha casa, minha mulher, e às vezes também minha filha, pediam-me que “enfeitiçasse” o jogo de beisebol que assistiam pela televisão. Em geral, nesse momento, eu estava deitado na varanda lendo um livro qualquer. De repente, elas me apareciam pedindo que entrasse e arranjasse um meio de fazer com que o time pelo qual torciam ganhasse dois tempos.

Dr. Edmond M. Dewan, Air Force Cambridge Research Laboratories, Bedford,

Massachusetts; vcja Science News Letter, de 31 de outubro, 1964, pág 275. Relativamente

ás proporções da força elétrica produzida, veja a obra de Vasiliev acima mencionada, pág.

143.

50 10.

51 11. Dr. Frank A. Geldard, de Princeton; veja Science News Letter, do 31 de outubro,

1964, pág. 275. Sem o auxilio da hipnose, pela injeção de agulhas nos músculos primários

da mão direita dos pacientes e a ligação a um eletromiógrafo, usando respostas audíveis, os

pacientes aprenderam a relaxar uma ou mais unidades motoras c a rcativá-las a vontade.

Dr. J. V. Basmajian, da Universidade Queen's, Kingston, Ontário, no Science, 141:440,

1963. E a comunicação por meio de um movimento muscular sutil pode substituir a

transmissão vocal. Dr. Ray L. Birdwhistcll, do Temple University Medical Center, no Science

News Letter 88:264, 23 de outubro, 1965. Naturalmente, os meios físicos, unificando os

meios eletrônicos e mecânicos, têm sido igualmente empregados; Hazelwood, “Electronic

Eyes for the Blind”, Science News. 91:456, maio, 1967.

52 12.

Sinclair, Mental Radio, 1930, Pasadena Station.

E por mais estranho que pareça, a verdade é que quase sempre a coisa dava certo. Coincidência? Ê provável que sim, porém, mais estranhamente ainda, o resultado desejado coincidia com o que eu fizera durante o desenrolar do jogo.

Ora, admitindo a existência de uma possível relação entre a vontade projetada e o contato do bastão com a bola, pode-se admitir também esse controle mental de um objeto físico nesse caso, o bastão ou a bola. Contudo, admitir isso estaria errado. Minha concentração seria realizada estritamente do meu subconsciente para as mentes subconscientes de duas pessoas o jogador que atira a bola, e aquele que a rebate. Conhecendo de modo geral a habilidade do primeiro e seu melhor tipo de lançamento, eu o projetava numa atitude na qual ele aparece como um verdadeiro craque, um herói que faz um lançamento extraordinário que vai cair exatamente numa linha situada entre os jogadores do centro e da esquerda. Em seguida, eu agia subconscientemente sobre o batedor no sentido de fazer com que ele se sentisse cansado, que o lançamento oblíquo da bola estava certo, para que ele não virasse demasiadamente o pulso, e assim por diante. Ou então, se o batedor fosse muito rápido, era isso. justamente o que eu tentava persuadir o outro a fazer.

Simples, não? Nos jogos de basquete, essa sugestão produz o maior efeito nos casos de lances livres. Para meu time, eu projetava a imagem mental de que a abertura da cesta era "tão larga como uma cesta de roupas”, e que a bola passaria "zunindo” exatamente pelo meio. Quando os adversários faziam um lançamento, eu visualizava a cesta como se estivesse se encolhendo, e a bola como grande demais para ser encestada.

No caso de alguns atletas, essas sugestões produziam aparentemente certo efeito. Com outros, não.

Obviamente, se as mensagens telepáticas podem ser recebidas, podem também ser transmitidas. É evidente. E parece desnecessário que o receptor tenha conhecimento de quç uma mensagem está em vias de lhe ser transmitida. Por exemplo, Sam Benson, a quem já me referi no capítulo anterior, teve

repentinamente a impressão de que seu filho debatia-se na água, e enviou-lhe uma mensagem dizendo o que devia fazer. O filho narrou-lhe a experiência, inclusive a recepção da mensagem e o que fez para respondê-la. 54 Outros avisos de perigo foram transmitidos em casos de emergência. 55

Vejamos o exemplo citado por um homem que todos respeitamos. Norman Vincent Peale, na sua coluna de 15 de maio de 1965, 56 disse ter lido um livro de autoria do missionário Dr. Frank C. Laubach, no qual o autor sugere a adoção de “rajadas de preces”. E revela na sua coluna:

54 14. Robbins, “The Psychic Powers of Sam Benson”, no This Week Magazine, 13 de

setembro, 1964, condensado no Reader’s Digest, janeiro, 1965; e quanto ao sonho que

salvou um garoto perdido nas montanhas, veja o artigo de Steiger, “Test Yourself for ESP”,

publicado no Family Weekly, 6 de agosto, 1967, pág. 4.

55 15.

Stanaway, “I Saved a Life Through a Psychic Message”, publicado em Borderline,

vol. I, n.° 8, setembro, 1965, pág. 40.

56 16. Publicado no Chicago Tribune da mesma data.

“Suponha o leitor que está viajando num ônibus. No banco do lado oposto está sentado um homem de ombros caídos e expressão desanimada. Alguma coisa o aborrece; está preocupado com um problema qualquer. Reze em sua intenção, pedindo orientação e auxílio. Ou pode observar um jovem obviamente no mau caminho. Reze também por ele, pedindo que compreenda a situação, e não acabe estragando a própria vida. Andando pela rua, você pode encontrar uma mulher de má catadura com expressão de ódio no olhar. Reze por ela, pedindo para que se tome amável e serena.

Bem, a verdade c que nunca ouvi falar de nenhum trabalho espiritual como esse. Mas isso deixou-me interessado e resolvi fazer uma experiência. E quero afirmar que há nisso verdadeiro poder e felicidade. Realmente, as pessoas voltavam-se para me olhar quando rezava por elas. Fosso garantir que tive muitas provas de que esse pensamento fortalecido pela oração atinge realmente as pessoas."

Obviamente, o receptor de tal mensagem ou “prece” não a esperava. No entanto, recebeu-a. Seria possível acrescentar muitos outros exemplos. Contudo, esses devem bastar. Tal como ficou acentuado em diversos pontos deste livro, o processo da oração não é um apelo intelectual. Passa pelo subconsciente e, em seguida, pelo superconsciente. Essas orações endereçadas aos outros, ou percorrem um rumo oposto relativamente ao receptor, ou se dirigem diretamente de subconsciente para subconsciente, como se dá com qualquer outra mensagem telepática.

A esta altura de nosso desenvolvimento, não é possível, à luz dos limitados conhecimentos da mente humana, estabelecer o método de transmissão de comunicações telepáticas através do espaço entre as pessoas diretamente em questão.

Isso deve ser conseguido dentro das próximas décadas. O desenvolvimento desses vestígios de poderes ou sentidos pode ser levado a elevado grau se começarmos com as crianças antes que aprendam, como adultos sofisticados, que tais coisas são anticientíficas e não merecem o menor crédito. Da mesma forma que se permite aos que possuem pendores artísticos inatos desenvolvê-los para depois usá-los, nossos poderes psíquicos devem ser igualmente descobertos e treinados. Futuramente, nossa sobrevivência como pessoas civilizadas, ou como nação, pode vir a depender disso.

clarividência

CLARIVIDÊNCIA é a faculdade de ver um objeto, ou talvez um acontecimento que esteja ocorrendo, que é invisível ao órgão da vista normal, o olho humano. Existem certas modalidades desse termo, como a clauriaudiència, que significa a percepção de sons que não são captados pelo ouvido, por mais apurado que seja.

No estudo deste capítulo excluiremos todas as informações telepáticas, isto é, a leitura da mente de outra pessoa em condição de ver ou ouvir, já que o assunto incide numa área inteiramente diferente dos poderes psíquicos.

Tanto quanto posso lembrar, minha primeira experiência pessoal com a clarividência ocorreu no meu último ano de Direito. Quando nasci, meu pai já era bastante idoso e compreendi que ele não teria muitos anos de vida. Por isso, aproveitava todos os momentos de folga que me permitiam o estudo ou o trabalho para passar em companhia dos velhos, frequentemente disputando partidas de bezigue.

Quando me sentia predisposto e saliento o termo porque tenho a certeza de que a clarividência não pode ser forçada adivinhava todas as minhas cartas quando elas ainda estavam viradas para baixo. Ao conferi-las, acertava cem por cento. Aparentemente, o esforço despendido para me concentrar e adivinhar as cartas deixava-me completamente atordoado, e geralmente irritado.

Daí por diante, nunca mais repeti essas experiências pessoais. Jamais gostei do baralho Zener, modificado para uso do Dr. Rhine, por dois motivos: primeiro, porque o número de símbolos era muito reduzido, levando as pessoas a possíveis impressões de estarem se enganando; segundo, porque acredito que é preciso sentir-se predisposto para a clarividência, e tal predisposição não pode ser forçada. 57 No entanto, há muitos anos, quando recebíamos alguns amigos para uma partida de bridge, e a esposa do parceiro queixava-se da falta de trunfos na mão, eu dizia que ela tinha dois ases, ela comprava duas cartas e eram dois ases.

Fiz o mesmo muitas vezes na presença do mesmo casal. Mais tarde, o fato voltou à baila numa partida mista de bridge e em duas mesas diferentes dei-lhes novamente outros ases. E com outras amigas nossas, cujos maridos são inteiramente céticos, repeti a façanha e acertei em todas as vezes.

Ocorreram numerosos casos de experiência pessoal que podem ser incluídos na mesma categoria. Uma noite, em 1965, no Tonight Show de Johnny Carson, Ad Ames trouxe uma caixinha e pediu a Johnny que tentasse descobrir o que ela continha. Eu disse à minha mulher que se tratava de uma caixinha de metal que era um pequeno instrumento musical, mas que não podia imaginar nada de proporções tão insignificantes para caber no seu interior. Johnny afirmou que tinha a impressão de que se tratava de “ouro ou prata” — e estava muito perto da verdade. A caixinha continha uma corneta em miniatura perfeitamente polida. 58

Como explicar a existência de um objeto capaz de permitir que uma pessoa possa vê-lo apesar de oculto por uma superfície opaca? A explicação admite numerosas hipóteses. | Todo objeto emite emanações de determinada natureza que, se nossos sentidos forem suficientemente aguçados, podemos reconhecer e interpretar. Sabemos que muitos soldados que ficaram cegos em combate conseguem aprender durante ò período de reabilitação, mesmo sem auxilio da bengala, a reconhecer a proximidade de um muro ou de uma cadeira em seu caminho. Determinados sentidos tomam-se muito mais aguçados nas pessoas que possuem tal percepção, a fim de compensar a perda da visão. 59 Entretanto, ordinariamente encararíamos esses objetos

57 1. É interessante observar que o notável clarividente Gerard Croiset, submetido a

muitas provas pela Universidade de Utrecht, recusou-se terminantemente a realizar as

experiências de Rhine devido à falta de reação emocional. Veja Pollack, “The Case of Croiset

the Clairvoyant: The Man with the X-Ray Mind”, publicado no True: The Magazine jar Men,

abril, 1964, pág. 122.

58 1-A. Carson e Ames discutiram novamente esse episódio a 21 de setembro de 1966.

Estou curioso para saber como tantas pessoas, além de mim, conseguiram ler perfeitamente

o “3” numa carta marcada do To Tell the Truth, de 8 de abril, 1966.

59 1-B. A faculdade física de perceber objetos distantes é descrita por Zajackowska,

inanimados, como uma cadeira ou um muro, como substâncias “mortas” incapazes de emitir qualquer espécie de emanações.

Quem olha fixamente para alguma ooisa durante muito tempo termina geralmente por ficar nervoso e espantado. Esse desassossego é de origem telepática ligada à mente da pessoa, ou é manifestação de uma percepção de natureza primitiva como a que deve experimentar o coelho na presença da raposa de tocaia?

Os selvagens que usam os sentidos da visão, olfato, audição, paladar e do tato, com sensibilidade maior do que a nossa, que embrutecemos com o fumo, remédios e condimentos, e por não termos necessidade de perseguir a caça ou descobrir água num terreno deserto, são muito mais clarividentes do que o homem civilizado. Nas experiências realizadas com os indígenas da Nova Gales do Sul, sob os auspícios da Universidade de Sidney, a exatidão que demonstraram ao descrever o tamanho, a forma e o aspecto dos artigos encerrados numa caixa de madeira lacrada oscilou de 90 a 100 por cento. 60 Os mesmos resultados foram conseguidos nas experiências realizadas com outros povos primitivos. O fato leva a admitir que esses indígenas não desenvolveram nenhum novo sentido, ao contrário, dá a impressão de que todas as pessoas possuem poderes inatos desse tipo, que desapareceram pela falta de uso.

As experiências atualmente reàlizadas nos Estados Unidos 61 e na Rússia 62 demonstram a existência de pessoas capazes de captar a cor de objetos, como tecidos, quando fechadas num aposento escuro e de olhos vendados, usando para isso somente o tato. Para essas pessoas, o vermelho provoca uma sensação inteiramente diferente da do amarelo; e a sensação provocada por essas duas cores são diferentes da do azul ou do preto. Ademais, são ainda capazes de distinguir matizes e gradações de cor.

Isso, porém, não nos deve surpreender. Ê claro que qualquer um de nós pode distinguir entre uma chapa de fogão apenas ligeiramente aquecida e outra aquecida ao rubro. No entanto, se nossas reações táteis ficaram embrutecidas por danos causados ao sistema nervoso dessa área, não podemos fazê-lo.

conforme o Science News, 91:322, de 8 de abril, 1966.

60 2. Veja-se as descrições detalhadas fornecidas por Smith, ESP, págs. 33/4. As

experiências russas são descritas por Vasiliev, Mysterious Phenomena of the Human Psyche,

págs. 160-62.

61 3. A Sra. Patricia Stanley, de Flint, Michigan, foi submetida a experiências pelo Prof.

Richard P. Yontz, do Barnard College. Essas experiências foram descritas por Fuller no

artigo “I See by the Papers”, pag. 22, e por Sparks no artigo “Seeing with the Fingertips”,

publicado em Borderline, vol. I, setembro, 1964.

62 4. Veja-se a ultima nota. Um debate mais detalhado consta do artigo de Albert

Rosenfield, “Seeing Color With the Fingers”, págs. 102/113; e de outro excelente estudo de

Vasiliev na obra Mysterious Phenomena of the Human Psyche, pág. 155. Os resultados

expostos foram impugnados por outros estudiosos do assunto.

A medicina sabe que os músculos que não são usados acabam atrofiados ou enrijecidos pelo desuso e que podem até ficar completamente inutilizados. 63 Isso pode explicár a perda dos poderes psíquicos do homem que vive protegido pela polícia, que anda de automóvel, que é alimentado pelos gêneros adquiridos nos armazéns. Esse homem não precisa procurar e caçar o alimento; pode comunicar-se telefonicamente com um concorrente sem a necessidade de confiar exclusivamente na leitura da mente do outro embora isso possa ajudar.

Contudo, são muitos os casos que provam a existência indiscutível do poder de clarividência no homem moderno com exceção somente quanto à extensão do desenvolvimento de tal poder, e à forma de conseguir treiná-lo. Richard Ireland, de Phoenix, 64 Arizona, realizou inúmeras demonstrações dessa natureza. Ireland afirma que se tocar fisicamente num objeto qualquer, como numa nota de um dólar, pode “ver” o número da série. Ê claro que todas as experiências desse tipo devem ser feitas de modo a excluir qualquer possível telepatia, deixando apenas a clarividência como explicação do fato.

Afirmo-o simplesmente porque se me vendarem os olhos, desenharem uma árvore numa folha de papel, e me pedirem para reproduzi-la, posso desenhá-la nessa mesma folha de papel, ou a imagem mental da árvore que tiverem visualizado. 65 Esses dois poderes psíquicos são igualmente importantes mas precisamos saber qual deles se manifesta em determinada situação. Trataremos do assunto mais detalhadamente ao abordar o problema da psicometria.

Certos autores aventuram-se tão profundamente no campo de que estamos tratando que chegam a sugerir que todos os objetos, animados e inertes (se é que isso existe, levando-se em conta a conhecida atividade das partículas atômicas e eletrônicas e respectivos elementos), possuem uma aura 66 que os circunda e que, na

63 5. Quanto ao fato de que tais poderes primitivos podem existir apenas em estado

latente, voltando à atividade era casos de sonambulismo, veja-se a obra de Vasiliev acima

mencionada, pág. 44.

64 6. Burke Johnson, “Parapsychology”, publicado no Arizona Days and Ways Magazine

de 31 de janeiro, 1965, págs. 7/11.

65 6-A. Tanto a clarividência como a “fotografia mental” são demonstradas no artigo de

Eisenbud sobre Ted Sérios publicado pelo True: The Magazine for Men, janeiro de 1967,

págs. 119/20. Sérios é apontado como capaz de reproduzir em papel fotográfico objetos e

paisagens distantes. No programa de Mike Douglas de 20 de junho de 1967, o

apresentador teve uma entrevista bastante interessante com o Dr. Eisenbud.

66 7. Yale, A Yankee and the Swamis, págs. 32/3, obra na qual o autor se baseia para

explicar a psicometria de modo idêntico à de Long; Crenshaw, Telephone Between Worlds,

págs. 130, 144, onde o autor afirma também a existência de planos de vibração em cada

aura; Lethbridge, Ghost and Ghoul, págs. 66, 129, 130; Cayce, Auras: An Essay Hi the

Meaning of Colors, que deixa bastante a desejar. No entanto, no terreno científico, e de

opinião de um desses autores, pode consistir em energia. 67 Tais especulações, porém, levaram a toda sorte do que atualmente parecem ser conclusões sobremodo exóticas e alguns deles sustentam que podem ver perfeitamente essa aura das pessoas, e por ela dizer se alguém está bem de saúde ou não, se morrerá dentro de pouco tempo, e outras coisas mais. Se assim é, essas pessoas obviamente estão perdendo tempo e, ao invés disso, deveriam oferecer-se para auxiliar os médicos.

Williams James refere-se à clarividência como um dos tipos mais comuns de automatismo. 68

psicometria

U M DOS SIGNIFICADOS da psicometria é empregado para traduzir a capacidade de, mediante o toque ou o manuseio de um objeto, identificar pessoas ou acontecimentos que estiveram direta ou fortemente em contato com o mesmo objeto

Teoricamente, tal descrição não parece inteiramente infundada. Se entrarmos em contato com uma superfície qualquer, deixaremos sobre ela as nossas impressões datiloscópicas. Contudo, não ficamos sem os dedos e, portanto, nada perdemos, mas deixamos uma marca que qualquer especialista na leitura dessas impressões (antigamente ridicularizada como superstição) poderá usar para nos identificar.

A verdade, porém, é que deixamos muito mais que isso. Deixamos uma partícula da oleosidade segregada por nossas glândulas sebáceas, sobretudo num dia de calor; podemos deixar também minúsculas partículas de água; e apesar da publicidade feita em tomo de desodorantes, que nos protegem durante vinte e quatro horas, existe um cheiro peculiar da nossa presença que permanece onde tocamos. Um rafeiro familiarizado com esse cheiro pode descobrir-nos entre milhares de odores diferentes.

Os cães se fazem notar urinando na árvore ou na grama, dependendo de se tratar de macho ou fêmea, e, aparentemente, pretendem anundar dessa forma muito mais que o simples fato de um cão que se identificou.

Como afirmamos em todos os capitulos deste livro, diz-se que segundo a crença dos povos mais primitivos,

Aristóteles até hoje, admite-se que toda energia emite uma ressonância o que é

traduzido pela expressão comum “música das esferas”, e o movimento dos planetas tem

sido expresso musicalmente da mesma forma que pela matemática e pela astrofísica.

67 8. Lethbridge, op. cH., pág. 129. Na página 130 o autor fala das experiências

realizadas por De la Warr citadas no livro New Worlds Beyond the Atom, e diz: “Numa

ligeira descrição, seus resultados parecem mostrar que todas as células de cada organismo

vivo, e até mesmo as partículas mais insignificantes da matéria viva, produzem, ou emitem,

um raio individual para si mesmas. Tais raios não podem ser vistos pelo olho humano, mas

podem ser registrados numa chapa fotográfica sensibilizada.”

como os po- linésios, o ego interior ou, para nós, o subconsciente, é de natureza "viscosa”, e que por isso tudo aquilo em que toca fica impregnado por uma porção diminuta dessa viscosidade. Conseqüentemente, quem, depois, tocasse o mesmo objeto seria capaz de acompanhar a trilha dessa viscosidade, mais ou menos idêntica a uma teia de aranha, até chegar à pessoa de quem ela emanou. Da mesma forma, os que acreditam no Vudu ou em outras práticas semelhantes, nunca permitem que fiquem em mãos inimigas pedaços de unhas, fios de cabelos, ou outras coisas relacionadas com a própria pessoa.

Quer se trate de matéria viscosa, odores pessoais, ou secreções, são muitas e importantes as informações sobre pessoas tidas como possuidoras desses poderes. Pode-se supor que uma sensibilidade extremamente aguçada seja responsável por tais faculdades, a menos que o simples contato com o objeto transmita a essas pessoas uma ligação qualquer com outrem e, assim, o restante da identificação é puramente telepático.

Minhas experiências pessoais com indivíduos desse tipo têm sido limitadas e decepcionantes. Provavelmente, o mais conhecido dos psicômetras europeus é Gerard Croiset. A única informação que possuo a seu respeito é através de artigos populares; pelo menos, nunca consegui encontrar as matérias publicadas pela Universidade de Utrecht ou pelo Professor Tenhaeff sobre suas experiências. Nos Estados Unidos, o mais afamado psicômetra é Peter Hurkos.

Li inúmeros artigos que estudam Hurkos sob os mais diversos pontos de vista. Há cerca de dois anos, exibiu-se no Tonight Show. Na minha opinião, seu desempenho foi lamentável, apesar das pretensões dos seus admiradores que o apresentaram como um verdadeiro triunfo. É improvável que se possa encontrar ainda o vídeo-tape para nova exibição, se alguém o desejasse. Por isso, quando assisti pessoalmente ao programa “Uma noite com Peter Hurkos”, exibido em Chicago em 26 de setembro de 1965, sentei-me na segunda fila e tomei notas detalhadas sobre todo o espetáculo.

Hurkos ordenava aos seus ajudantes que apanhassem objetos dos espectadores. Os objetos eram alinhados

sobre

uma mesa por pessoas ligadas à produção do

espetáculo.

Em seguida, um espectador escolhido na platéia entregava a Hurkos um dos objetos que ele devia “ler”.

Agora, detenhamo-nos por um momento nesse ponto, Se a psicometria é baseada na leitura de um objeto que guarda as nossas impressões, oleosidade, suor, ou matéria pegajosa, j ' nesse caso, por que permitir que essas coisas possam ser apagadas pelas impressões de estranhos? Mesmo quando uma cadela procura urinar sobre as pegadas de outra fêmea para fazer com que predomine seu próprio cheiro, qual será o efeito de um objeto manuseado por um auxiliar, depois pelas pessoas que os colocam sobre a mesa e, finalmente, pelo espectador que entrega o objeto esoolhido a Hurkos? Quais as impressões que ele poderia estar lendo? As do dono, do espectador que entrega o objeto, dos ajudantes, ou as dos demais?

O próprio Hurkos estabeleceu as condições do seu trabalho por isso, seus poderes deveriam ser suficientes para descrever o dono de qualquer objeto. No entanto, em nenhum caso conseguiu identificá-lo pelo nome, idade, ou endereço. Obviamente, qualquer um seria capaz de descrever a bolsa ou a estola de uma senhora baseando-se na carteira do marido mas, em cada caso, Hurkos pedia ao dono do objeto para subir ao palco. E ninguém se recusava a fazê-lo.

A essa altura, já não se tratava mais de psicometria. Pelo contrário, se o operador fosse especialista em

telepatia, a resposta poderia ser encontrada telepaticamente. De qualquer forma, porém, foram os seguintes os verdadeiros resultados da demonstração:

A primeira experiência foi realizada com uma jovem senhora que fazia parte de um grupo familiar de oito

pessoas.

Hurkos afirmou que ela era solteira; ela revelou que era divorciada. Hurkos acrescentou que o marido não a sustentava; ela observou que, ao contrário, ele a mantinha. Hurkos disse que ela trabalhava; ela respondeu “não”. Hurkos perguntou quem aniversariava em dezembro (alguém da sua intimidade, mas não a senhora, explicou incisivamente). A mulher disse que era ela própria que fazia anos em dezembro. Hurkos exultou com a resposta, que eu julgaria um erro total e uma prova de mistificação. Num grupo familiar de oito pessoas e mais alguns amigos seria difícil não encontrar alguém cujo aniversário ocorresse em determinado mês. Hur- kos perguntou à jovem por que motivo ela não comparecia à igreja. A moça respondeu que freqüentava a igreja todos os domingos. Então, ele perguntou por que não o fazia mais assiduamente.

A segunda pessoa a subir ao palco era também uma senhora. Hurkos afirmou que o pequeno objeto que ela

entregara para a experiência era de caráter religioso, Na verdade, tratava-se de uma caixinha dessas que as senhoras usam para guardar pílulas. Então, Hurkos disse que ela estava sob tratamento médico coisa perfeitamente óbvia, uma vez que a senhora usava pílulas. Depois, disse que ela era solteira; no entanto era casada. Hurkos observou que na sua casa havia uma lâmpada queimada ela respondeu que havia muitas lâmpadas nas mesmas condições. Hurkos afirmou que o w. c. estava desarranjado; ela disse que isso já vinha acontecendo há muito tempo (quem não passa por isso?)

A terceira pessoa teve que identificar-se. A mulher respondeu afirmativamente às seguintes perguntas: que

se casou muito depressa; que o marido sofria do estômago, mas não queria consultar um médico; que ainda recentemente fora aumentado; que há seis meses ela ficara muito preocupada por supor que estava grávida; e que a porta da sua geladeira não estava funcionando muito bem.

À quarta consulente, Hurkos afirmou que tinha uma cicatriz conseqüente de uma operação e acertou.

Acrescentou, em seguida, que ela devia ter cursado a universidade; ela revelou que cursara apenas o ginásio e nisso ele errou. Disse depois que ela começara a estudar piano, mas abandonou o estudo e acertou; que uma sua amiga íntima tivera um filho em abril e também acertou; em seguida, perguntou onde estava “Betty”, e esta estava presente; então, voltou a falar na cicatriz para revelar que estava localizada numa parte “interessante”. Enganou-se; a senhora tinha a cicatriz na perna, e estas não são “interessantes” — a menos que o sejam para Hurkos.

A quinta consulente era uma garota de dez anos. Hurkos afirmou que o quarto da pequena era uma

barafunda (certo, mas previsível); disse que ela costumava sentar-se à janela do colégio, mas foi proibida de fazê-lo (certo); e perguntou quem era Kathy (uma colega).

A sexta era novamente uma senhora. Hurkos afirmou que o objeto que ela entregara não lhe pertencia. A

senhora discordou. Hurkos, então, observou que ela não o usava continuamente fato mais que óbvio, uma vez que se tratava de um suéter. Em seguida, pediu-lhe que mostrasse um objeto de uso constante o que pareceu outro estratagema. Depois, perguntou: “Quem é Bill?” A mulher disse que não conhecia ninguém com esse nome.

O psicômetra visualizou o marido da senhora em companhia de quatro pessoas, acrescentando que o casal tinha problemas financeiros.

Interrompendo momentaneamente essa narração, notei tanto no Tonight Show como naquela ocasião que Hurkos procurava usar os nomes mais corriqueiros, como “Bill”, “Betty”, “Jack” — e famílias de quatro ou cinco pessoas e fazia declarações de um caráter geral tão visível que poderiam ser aplicadas praticamente a qualquer pessoa, ou interpretadas de modo a permitir um comentário apropriado.

A senhora, então, perguntou a Hurkos o que lhe acontecera um ano e meio antes. Hurkos embatucou.

Casualmente, referiu-se a um acidente onde havia “chamas”; não houve nada disso. Acrescentou que a senhora pretendia trocar de advogados, o que ela desmentiu. Finalmente, afirmou que havia mais de uma firma envolvida no caso, detalhe que, em se tratando de uma zona metropolitana, geralmente ocorre.

A sétima consulente era também uma senhora. Hurkos descreveu-a como pessoa de grande atividade, o que

ela admitiu. Em seguida, disse que tinha havido um rompimento entre seus pais. Ela negou, revelando que ambos já tinham falecido. Hurkos perguntou quem era “Arme”, e ela disse que era sua irmã. Então ele afirmou que ela devia ser solteira; mas era casada. A senhora pediu-lhe que dissesse alguma coisa sobre seu estado de saúde. Hurkos evitou responder imediatamente, tentando desoobrir se o mal de que ela sofria estava localizado na parte superior ou inferior do corpo, acabando por dizer que se tratava de uma doença do estômago no que acertou. Em seguida, revelou que Anne fora operada mais de uma vez — acertando; perguntou quem era “John”. Era o irmão da consulente.

Um cavalheiro foi a última pessoa a submeter-se à experiência. Hurkos afirmou que ele trabalhava dia e noite no que acertou; disse tratar-se de um trabalhador autônomo, e acertou; no trabalho, usava um paletó branco, no que também acertou; que era pessoa extremamente meticulosa, e acertou mais uma vez; revelou que estudara à própria custa, e acertou ainda exceto que não chegou a terminar o curso; acertou ainda revelando que o cavalheiro tinha sido casado; que sustentava quatro pessoas errou, porque eram só três; que o homem estava pensando em se mudar errado; perguntou quem era “Jack" — e o homem não conhecia nenhum Jack. Hurkos disse que havia uma mulher metida no caso e o homem negou. Então perguntou-lhe quem era Louise. e o homem respondeu dizendo que era a dona do negócio que ele representava.

A essa altura surgiu uma discussão entre Hurkos e um dos presentes, em seguida à qual suspendeu a

exibição.

Para fazer alguns comentários sobre Hurkos baseado nas minhas opiniões pessoais, acho que ele possui indiscutivelmente alguns poderes psíquicos. Entretanto, julgo altamente desaconselhável forçar a manifestação de tais poderes "à vontade”. Um dos pontos fundamentais reconhecido por todos os possuidores desses poderes é que eles só se manifestam de modo eficaz quando as pessoas estão física e mentalmente descontraídas, e quando em condições de poderem utilizá-los. Ninguém pode nem mesmo despertar o subconsciente a fim de garantir a atuação eficaz desses poderes, a menos que esteja completamente descontraído, uma vez que os poderes psíquicos parecem emanar ou funcionar através do subconsciente. A fadiga ou a dúvida anulam a possibilidade de conseguir bons resultados.

Prova-o o fato de que as pessoas que obtiveram resultados fenomenais ha Universidade Duke, tanto nos testes telepáticos como nos testes de controle de dados quando essas experiências constituíam uma novidade

excitante para elas, experimentaram enorme redução nos resultados com o prosseguimento dos testes e a fadiga resultante. Croiset declarou categoricamente que jamais se submetería aos testes de Zener porque não podería se interessar emocionalmente por eles.

Acredito que Jeane Dixon e muitas outras pessoas possuidoras de inegáveis poderes psíquicos sentem exatamente o mesmo. Poucas pessoas dotadas desse tipo de temperamento podem sentir-se suficientemente calmas para atuar com sucesso sob condições adversas.

Conseqüentemente, embora não seja um entusiasta de Hurkos, tenho a impressão de que ele atua sob condições adversas. Em lugar de esperar que suas condições pessoais possam ser conjugadas à calma e à energia, dá um estalo com os dedos e põe-se a agir. Como resultado, é bem possível que tenha desenvolvido certas técnicas de prestidigitação contra as quais tenho as mais violentas objeções a fazer, a fim de com elas suprir as deficiências existentes sob tais condições.

O responsável pelos maiores estudos com os paranormais é o Prof. William H. C. Tenhaeff, atual diretor do Instituto de Parapsicologia da Universidade de Utrecht. Apesar dos limitados recursos financeiros de que dispõe, Tenhaeff conseguiu elevar os estudos desse setor a um nível científico. Num artigo 69 de sua autoria afirma o seguinte:

“As faculdades paranormais dos paragnósticos não constituem nenhuma novidade. São de natureza atávica. São fenômenos de regressão. Chegaram até nós procedentes dos nossos ancestrais pré-históricos. O homem primitivo vivia em estreito contato com a natureza, e piecisava usar suas faculdades extra-sensórias para lutar contra os perigos iminentes da selva; entretanto, à proporção que nos tomamos mais civilizados, mecanizados, e intelectualizados, tais poderes tendem a decrescer.“

Inúmeros textos incluem a descrição das teorias e aplicações da psicometria. 70 Entretanto, esta deve ser considerada como um dos campos psíquicos menos desenvolvidos e pouco explicados. Contudo, deve-se admitir a existência dessa faculdade que, eventualmente, será comprovada 71 , desde que a confiança dos investigadores

69 1.

Pollack, "The Case of Croiset the Clairvoyant: the Man with the X-Ray Mind",

publicado no True: The Magazine for Men, abril, 1964, pág. 54.

70 2.

Hettinger,

The

Ultra-Perceptive

Faculty;

Hettinger,

Exploring

the

Ultra-Perceptive Faculty; Osty, Supernormal Faculties in Man, todas aceitas por Johnson,

Psychical Research, p&gs. 58, 61, 66, 69, 71; veja também Long, Secret Science Behind

Miracles, p&gs. 23, 24, 127.

71 3. Um dos casos mais interessantes de retrocogniçáo, em oposição à precognição,

possivelmente poderia ser explicado por esse modo. O caso diz respeito ao Prof. Herman

Hilprccht, antigo professor da Universidade da Pennsylvania, relativamente à decifração

das inscrições de certos anéis assírios antigos. Veja Williams, The Knack of Using Yonr

científicos não seja destruída por uma publicidade excessiva e prejudicial relacionada com casos criminais sensacionais. Eu recomendaria a esses investigadores que jamais esquecessem a possibilidade da existência de uma “força livre” relacionada tanto a objetos quanto a indivíduos.

telecinesia

SEGUNDO a Bíblia, a fé move montanhas. Talvez seja verdade. Nunca vi uma montanha mover-se a não ser com o auxílio de tratores, de escavadeiras gigantes, e explosivos. Ficaria satisfeito somente se visse alguém qualquer um em plena luz do dia e sem lançar mão de truques, movimentar um simples copo usando apenas esforço mental.

Ainda recentemente, pareceu ter chegado essa oportunidade. O Chicago Tribune Magazine de 22 de agosto de 1965 publicou um artigo sensacional sob o título “Homem com a mente de raios X”, assinado por James Hurley que, falando de Olaf Jonsson, disse, em parte:

“Olaf Jonsson foi uma criança extraordinária. Não há dúvidas quanto a isso. Aos 7 anos de idade já era capaz

Ele apenas 'queria' que o copo

de fazer com que um copo andasse de um lado para outro da mesa da cozinha andasse — e o copo andava.”

O articulista passava a descrever, por ouvir dizer, o controle de objetos físicos demonstrado a uma revista parisiense. e afirmava ter visto Jonsson fazer vibrar uma lâmpada elétrica. Fato extraordinariamente excitante, se verdadeiro. Procurei informar-me sobre o articulista. Trata-se de um professor da Universidade de Loyola, de Chicago. Uma vez que o artigo dizia que Hurley ia patrocinar uma demonstração de Jonsson nos dias 25 e 26 de setembro, remeti imediatamente os dez dólares da entrada. Além disso, consegui falar com Hurley por telefone para saber se poderia entrevistar Jonsson após a exibição. Hurley concordou com a entrevista na segunda noite.

Quando recebi a entrada, esta anunciava M Uma Noite com Peter Hurkos”. Chocado com isso, entrei em contato com a organização comercial de Hurley, a Johnly Productions, que me garantiu que ambos fariam uma demonstração. Exigi expressamente uma demonstração de telecinesia de qualquer tipo a movimentação visível de um objeto razoavelmente pesado somente por meio do esforço mental.

A 26 de setembro inúmeras pessoas, inclusive eu, lota- ram o Auditório Prudential Plaza, em Chicago. Jonsson falou durante uns cinco minutos para salientar a extraordinária faculdade que possuía, leu corretamente cinco cartas do baralho de Zener cuja face estava voltada para o auditório, e bateu com as costas da mão sobre a mesa para mostrar o controle da sensação pelo esforço mental. Depois, retirou-se. O resto do programa consistiu na passagem de um filme sobre Peter Hurkos, e uma demonstração que realizou das suas faculdades psicométricas. Já me referi a Hurkos no capítulo anterior. Naquela noite, nem Jonsson nem Hurkos deram qualquer prova de telecinesia. Terminado o programa, surpreendi-me ao verificar que o jovem professor, contrarias mente ao que combináramos por telefone, tinha desaparecido juntamente com Mr. Jonsson.

Diante disso, escrevi a Hurley a carta que se segue, com um envelope já endereçado e devidamente selado, pedindo- -Ihe para responder às duas seguintes perguntas:

X. Hurkos afirmou que estava se exibindo gratuita- mente. 72 Verdade?

No artigo sobre Jonsson, afirmava-se que ele podia movimentar à vontade até objetos físicos pesados. Ele mesmo o afirmou ao falar ao auditório mas, não movimentou coisa alguma. O senhor o viu alguma vez movimentar qualquer coisa pesada como, por exemplo, um copo d'água, usando apenas a concentração mental?

Lamento ter que dizer que não recebi qualquer resposta à minha carta. Conseqüentemente, não posso dizer se Jonsson pode ou não realizar as coisas que anunciou.

Eu desejava, e até ansiava, ser oonvencido da possibilidade de realizar tais coisas desde, porém, que pudesse presenciá-las. É verdade que, durante as sessões espiritas, as cornetas voam pelos ares e os objetos saltam das mesas; no entanto, muitos mágicos repetiram esses efeitos fisicos e mostraram como se pode fazê-lo. Contudo, pelas experiências pessoais destes últimos anos, convenci-me de que o esforço mental só podia criar efeitos físicos se o autor possuisse energias suficientes capazes de serem reunidas num esforço único.

Seja-me permitido relatar duas dessas experiências. Em janeiro de 1964 hospedei-me num quarto do segundo andar de um motel de Phoenix, Arizona, chamado Arizona Ambas- sador. O aposento possuía um aquecedor elétrico dotado de chave, e um termostato regulado de um a cinco.

Nessa noite deixei o termostato ligado, mas virei totalmente o controle para a esquerda para evitar a produção de calor durante a noite. Na manhã seguinte, o quarto estava frio, e não quis arriscar-me a andar descalço sobre o linóleo frio para virar a chave. Por isso, concentrei-me conscientemente no sentido de fazer com que ele se movesse. Imediatamente, o aparelho acendeu-se, esquentou, e aqueceu todo o quarto. Então, concentrei-me para desligá-lo. Ele apagou-se e o quarto ficou novamente frio. Para confirmar a experiência, liguei e desliguei o aparelho cinco vezes seguidas naquela manhã antes de levantar-me, e ele correspondeu exataménte a cada estímulo de minha parte.

Mais tarde, ao narrar o episódio, perguntaram-me se não teria sido possível que esse efeito aparente fosse apenas alucinação ou, em outras palavras, que a incandescência e o calor aparentes fossem somente ilusão, uma miragem por assim dizer. Não é possível, embora possa haver uma explicação mais simples. É a possibilidade de uma coincidência. Em outras palavras, a temperatura pode ter caído o suficiente para fazer funcionar o aquecedor e, à proporção em que este esquentava, o mecanismo do aquecedor o desligava. Mas, pa- rece pouco provável que sua reação pudesse corresponder com tamanha precisão às sugestões concentradas em cada uma das cinco vezes, embora isto constitua uma explicação possíveL

A segunda experiência deve ser dividida em duas partes. Em janeiro de 1965, voltei a Phoenix para uma pesquisa a mais destinada a este livro. A Sra. Ivan Robinette, esposa de um advogado meu amigo, senhora de grande inteligência e antiga professora, foi buscar-me no hotel para levar-me a uma biblioteca. Quando entrei no carro, apesar de não estar chovendo, os limpadores do pára-brisa funcionavam de um lado para outro com um ruído desagradável.

72 1.

Reproduzido por cortesia do Chicago Tribune. 1-A. Assim sendo, alguém foi

enganado em conseqüência das duas exibições.

Por que não desliga os limpadores, Dorothy? perguntei.

Não posso respondeu. Estão enguiçados, e vou ter que recolher o carro.

Vou ver se consigo consertá-los observei.

Concentrei-me sobre as pás dos limpadores. Nada. Então

concentrei-me sobre o mecanismo que os faz andar, e eles pararam instantaneamente.

Ê melhor recolher o carro sugeri. Não sei o que aconteceu, mas tenho a certeza de que o conserto não é permanente.

O fato pode

ter sido

mera coincidência,

muito embora

como criminalista

não acredite

muito

em

coincidências. No entanto, liguemos o fato a outro ocorrido dez dias mais tarde.

A Sra. Robinette veio apanhar-me, à noite, para levar-me a investigar um suposto clarividente. Chovia, e os limpadores do pára-brisa funcionavam muito rapidamente. A chuva parou, e eles continuaram a funcionar com o mesmo ruído desagradável da primeira vez.

Você não levou o carro para consertar os limpadores? perguntei-lhe.

Ainda não tive tempo respondeu. Além disso, nunca mais choveu.

Está bem observei. Vamos parar com eles. Não é preciso fazer muito esforço. Você se encarrega do limpador da esquerda, e eu fico com o da direita. Quando eu disser um, dois, três, concentre-se apenas no mecanismo e não na palheta.

Com isso, contei “um, dois, três”, e concentrei-me somente no mecanismo da direita. Os dois limpadores baixaram e ficaram imóveis. Olhei para a Sra. Robinette, um tanto surpreso.

_ Não sabia que você possuía poderes psíquicos observei.

Bem, disseram-me que eu os possuía explicou.

Agora, que expliquem o fato - e desta vez desprezamos o velho argumento da coincidência. Possivelmente, pelo menos uma vez, o esforço mental e o efeito físico aparente puderam coincidir. Isso seria impossível por duas vezes seguidas, sobretudo com tal ajustamento preciso de sugestão e reação.

Exatamente duas noites antes de redigir estas linhas, palestrava com Bill Satumio, formado em Arquitetura pela Universidade da Califórnia do Sul e atual representante do National Car Rental em Kailua-Kona, no Havaí. Falávamos sobre meu desejo de localizar alguns velhos kahunas havaianos para diátutix com eles as suas teorias sobre a restauração aparentemente espontânea de fraturas ósseas. Fugindo inteiramente do assunto Bill observou, de repente:

Sabe, certa vez em Los Angeles, tive uma experiência extraordinária. Éramos quatro em casa de uma

garota. Ela afirmou que podia mover um copo d'água com um simples esforço mental e, realmente, fez o copo

andar de um lado para outro da mesa até cair no chão. Fiquei boquiaberto.

Não havería possibilidade de ter ela lançado mão de fios elétricos ou de outro truque qualquer, Bill? perguntei.

Não; mais tarde, a única explicação que nos ocorreu foi a da hipnose coletiva. É possível que ela

tenha conseguido convencer-nos de que íamos ver o copo andar, e nós vimos de fato o copo andando. Não sei ao

certo.

A explicação de Bill não é inteiramente infundada. Vejam, por exemplo, o velho truque lundu da corda. Suponham que um faquir é capaz de atirar uma corda para o alto e obrigá-la a permanecer tão rígida que um garoto possa subir por ela e aparentemente desaparecer. 73 Baseando-se exclusivamente nas informações publicadas, há quem diga que as observações realizadas sobre esse estratagema, com o auxílio de câmaras cinematográficas, mostram tratar-se de pura ilusão, efeito real de hipnose coletiva. Entretanto, Bill está convencido de que o copo moveu-se sem a intervenção de qualquer força física.

O Dr. Rhine, que chefiou por muitos anos os Laboratórios de Parapsicologia da Universidade Duke, verificou que certas pessoas podem “querer” determinado número de um dado (o seis, por exemplo), fazendo-o virar com uma fre- qüência muitas vezes superior à atribuída às leis da casualidade. 74 Muitos de nós já vimos jogadores de “mão quente” no jogo de dados — cujos resultados, sem o emprego de dados preparados, lhes fornecem um excelente meio de vida. E se admitirmos que nenhum esforço mental pode afetar o movimento físico, a que devemos atribuir o golpe inglês que o lançador profissional de críquete ou o golfista profissional dá para acertar a bola na caçapa ou no buraco, conforme o caso? Logicamente, deveríamos afirmar que, nesse instante, a bola de críquete ou de golfe está inteiramente fora de alcance mas, tentem convencer disso o profissional

Quase todos estamos familiarizados com o nome do falecido Kenneth Roberts, novelista histórico e autor de Northwest Passage, Arundel t e Rabble in Arms. Roberts vivia preocupado com a diminuição dos nossos recursos de água doce; além disso, estava convencido da autenticidade dos poderes de certos indivíduos que podem descobrir veios cTágua, ou rabdomantes, como às vezes são chamados. Depois de ter trabalhado muitos anos com um tal Henry Gross, Roberts escreveu um livro, Henry Gross and his Dowsing Rod (Henry Gross e sua Varinha Mágica), no qual afirma que tanto Gross como outros indivíduos podiam descobrir a presença de água até mesmo em áreas aparentemente áridas, revelar a profundidade do veio, e até localizá-lo no mapa.

73 1-B. Eddie Joseph, grande mágico educado na Índia e que estudou todos os truques dos

faquires, afirma que nunca viu nem ouviu falar do truque de erguer uma corda no ar

enquanto viveu naquele pais.

74 2.

Vasiliev, Mysterious Phenomena of the Human Psyche, pág. 173; Johnson,

Physical Research, pág. 75; Long, Self-Suggestion, pág. 17. Vasiliev refere-se às

experiências de Osty, que afirma terem sido realizadas sob o mais severo controle, e nas

quais um lenço foi transportado de um lado a outro da mesa, op. cit., págs. 180/182,

referindo-se ao trabalho de E. e M. Osty, “Les Pouvoirs Inconnus de 1’Esprit sur la Matière”

publicado pela Revue Metapsychique, n.° 6, 1931; e 1 e 2, 1932.

Para mim, essa faculdade sempre me pareceu inacreditável mas, de um modo geral, a idéia não deixava de ser fascinante. Certa vez, acabávamos de adquirir um terreno arborizado de vinte e cinco acres no qual pretendíamos construir uma casa. No terreno havia também um açude. Precisávamos saber se ali existia água bastante para justificar a abertura de alguns poços; além disso, eu ainda queria saber se existiam fontes subterrâneas com capacidade suficiente para alimentar o açude, se eu resolvesse tomá-lo mais fundo para tentar uma criação de peixes.

Impressionado pelas idéias daquele livro, dirigi-me à propriedade, cortei um galho de macieira em forma de forquüha, e tratei de experimentar a coisa. Paia minha surpresa, em certos lugares manifestava-se uma poderosa reação fisica que se repetia de todas as vezes que voltava aos mesmos lugares. Entretanto, essas reações eram exatamente contrárias ao que eu esperava. Eu supunha que a forquilha, se reagisse, teria que se curvar paTa a frente. Ao invés disso, curvava-se para trás com uma força suficiente para lascar a casca e esfolar as palmas de minhas mãos.

Naquela tarde, de regresso a casa, recebi a visita de um engenheiro meu amigo e funcionário da Inspetoria de Águas, do Illinois, a quem narrei o ocorrido. O amigo riu-se, zombando da minha credulidade.

John observou admiro-me de você. Com três títulos acadêmicos e um “Phi Beta Kappa”, e ainda

acredita nessas tolices! Mas tenho algo ainda pior para contar-lhe. Sabe que as autoridades de Villa Grove, que fica ao sul daqui, destinaram milhares de dólares para contratar um rabdomante capaz de localizar um manancial público?

Ouvi dizer que a cidade tinha esse problema observei.

De fato, tinha confirmou. Estudamos detalhadamente o problema, da mesma forma que a Inspetoria de

Geologia estadual. Aquelas camadas de terra são tão secas como um osso. Não existe nenhuma gota d’água para descobrir entretanto, homens adultos e autoridades públicas estão esbanjando o dinheiro dos contribuintes numa superstição.

Quinze dias depois, esse mesmo amigo telefonou-me para o escritório.

Você ainda se lembra daquele caso de Villa Grove de que lhe falei?

Sim, ainda me lembrava.

Pois bem, o tal rabdomante descobriu o maior veio de água que você pode imaginar.

Tempos depois, assinalei os lugares onde deveriam ser abertos dois poços que, por sinal, continuam fornecendo água em abundância, e contratei Dale Collins, de St. Joseph, de Illinois, para o serviço de dragagem e aumento do açude. A primeira providência a tomar consistiu em retirar a água do açude com o auxílio de bombas de sucção, para, depois, dragar o leito seco até o lugar das fontes subterrâneas, que sabia existirem graças à reação da forquilha que tinha experimentado. Collins já tinha feito um bom trabalho quando fui vê-lo.

Estamos chegando ao lugar que mencionou, Sr. Apple- man observou-me mas, até agora não encontramos o menor sinal de água. Para onde devemos prosseguir?

Pedi-lhe emprestado o canivete, cortei um galho em forma de forquilha de uma árvore próxima, e pus-me a

caminhar vagarosamente para o norte do açude, já então quase seco. A forquilha teve uma violenta reação quando passei por determinado lugar, reação que desapareceu quando dei dois passos à frente. Voltando ao ponto onde a reação fora mais forte, disse a Collins para acompanhar-me andando para o sul, no interior da área arredondada que seguia a linha da reação.

Precisamos descobrir as nascentes ao longo desta linha observei.

E quando nos aproximamos do ponto mais fundo, exatamente sobre aquela linha, notamos no leito do açude um borbulhar quase imperceptível de dois pequeninos veios d’água que, depois de devidamente cavados, ainda ajudam a manter o nível do açude.

Pouco depois de terminada a construção de nossa casa, recebemos a visita de alguns amigos, o Sr. e Sra. Curtis Howd, de Muncie, Indiana. Curt é o diretor da Bali State Laboratory School, e tanto ele como a esposa são criaturas inteligentíssimas. Conversamos sobre rabdomancia e levei-os a um lugar que sabia “quente*' — uma zona completamente saturada ao alto de uma “colina**. Dei a Curt uma forquilha, e ensinei-lhe a maneira de segurá-la, mas calei-me sobre o que podíamos esperar.

Não houve a menor reação da forquilha. Nem o mínimo sinal. No tocante a qualquer reação foi, para Curt, como se segurasse nas mãos uma bola de futebol.

Virei-me para Dorothy e perguntei-lhe se queria experimentar.

Estava louca por isso confessou mas, não queria pedir.

No mesmo instante em que apanhou a forquilha, esta estremeceu violentamente. Admirada, atirou-a longe. Depois, apanhou-a novamente. A forquilha tornou a reagir, retorcendo-se violentamente para trás a ponto de arranhar e avermelhar as suas mãos. Diante disso, verificamos que metade da família Howd constituía-se de rabdomantes.

Anos mais tarde, confiaram-me a defesa de uma ação judicial protelada que fora movida contra a Companhia de Gás do Illinois do Norte, caso que exigia a presença de muitos dos seus engenheiros em inúmeras audiências. Ficamos todos amigos, e conversamos sobre os mais variados assiíntos, inclusive rabdomancia. Nenhum deles demonstrou a menor surpresa, e um afirmou:

Temos pessoas que podem e realmente descobrem veios d*água subterrâneos por esse meio. Por exemplo, quase nunca dispomos de plantas que nos indiquem por onde passam esses veios. E não podemos dar-nos ao luxo de derrubar vinte ou trinta metros de um pavimento cimentado se um rabdomante pode perfeitamente localizar e traçar a direção dos encanamentos de gás. E todas as principais empresas de serviços públicos contam com o serviço de homens que fazem esse trabalho.

Roberts, num de seus livros, afirma que a França reconhece a rabdomancia como profissão, e autoriza pessoas qualificadas a executá-la. 75 Cientistas dos mais eminentes, como John W. Campbell, editor de Analog,

75 3.

Vasiliev, encarregado, na Rússia, de estudos parapsicológicos, admite o caso na

sua obra Mysterious Phenomena of the Human Psyche, pág. 173.

têm salientado em vários seminários científicos que os engenheiros hidráulicos de New Haven e Milford, no Connecticut, usam forquilhas para localizar veios d'água e, entretanto, observa Campbell, nenhum departamento da Universidade de Yale, localizada na área contígua, realiza qualquer esforço para investigar ou explicar os princípios básicos do fato.

As experiências realizadas por Crookes durante a levitação de um objeto revelaram o deslocamento ou a redução do peso durante o tempo em que o objeto ficou sob observação enquanto durava a experiência. 76 O fato, encarado de um ponto de vista científico, assemelha-se a um efeito de anti- gravidade. Informações de segunda mão revelam que certos curandeiros sabem como transmitir uma carga de energia elétrica a certas armas de arremesso que, lançadas contra um inimigo, tomam-no inconsciente. 77 Ademais, numerosas referências de primeira mão falam de indivíduos que caminham sobre brasas, e não sofrem a menor queimadura ao executarem essa façanha aparentemente arriscada. 78

Informações sobre proezas fisicas extraordinárias são fre- qüentemente transmitidas de tal forma, ou em determinadas circunstâncias, que levam a atribuí-las a conotações sobrenaturais. Assim, por exemplo, os

76 4.

Johnson, Psychical Research, págs. 79 e 80; ademais, detalhes sobre

experiências e resultados algo semelhantes são revelados na obra de Long, Secret Science

Behind Miracles, págs. 73/76.

77 5.

Long, op. cit., págs. 66 e 99; Long, Self-Suggestion, pág. 15.

78 6. Long, Secret Science Behind Miracles, págs. 38, 39, 42/45, 57/ 58;

MacQuarrie, Tahiti Days (a que se refere o livro de Brigham anteriormente citado, n.° 6).

Um episódio interessante citado por Long (pág. 39) diz que o Dr. Brighans, a quem já me

referi anteriormente foi levado sobre esses carvões. O couro dos seus sapatos ficou queimado

e enrugado, mas ele não sofreu a menor queimadura. Na página 44, um jovem devoto

cristão repetiu a façanha, aparentemente protegido pôr sua fé. Long descreve ainda (págs.

354/55) “um estranho culto religioso do Japão, cujos membros caminham ou rolam, de

costas nuas, sobre cacos de vidro, deixando-se cortar, mas seus ferimentos são curados

instantaneamente sem deixar nenhuma cicatriz, mediante uma palavra pronunciada pelo

mestre de cerimônia”.

Conversei com uma mulher que pertencia a esse grupo, embora josse uma norte-americana loura. Aprendeu gradativamente a entrar em contato com o Ser responsável pela cura dos ferimentos e, mais tarde, a conseguir a ajuda desse Ser para manter os pés incólumes nas suas frequentes demonstrações de subir numa escada cujos degraus consistiam em lâminas de espadas.

Entretanto, veja-se meus comentários sobre as afirmações de Long a esse respeito, ante,

truques hindus da corda, do caminhar sobre brasas, ou engolir espadas. Trata-se de exibições visuais espetaculares que, antes de serem atribuídos a poderes sobre-humanos, deveriam ser submetidos a uma observação científica razoável.

Todos já presenciamos as façanhas dos comedores de fogo e dos engolidores de espadas. Deve-se admitir que o esôfago humano é formado por uma cartilagem mole mais delicada que as solas ou os calcanhares dos pés. Já vimos mágicos realizarem, por diversas vezes, demonstrações de aparente levitação. No entanto, todos esses profissionais confessam abertamente que o resultado de suas façanhas consiste num “truque”, ou numa ilusão, ou numa demonstração de habilidade e que nada tem de sobrenatural. O indivíduo que no palco é erguido no ar, numa prova de levitação, está apoiado n’alguma coisa perfeitamente sólida, como uma prancha ou uma barra de ferro, e não pelas orações ou pelos poderes sobrenaturais do artista. Naturalmente, existem inúmeros casos devidamente comprovados de levitação de certos santos, e médiuns, como D. D. Home, que serão mencionados adiante mas que, por enquanto, deixaremos de lado.

Vejamos o caso dos que andam sobre brasas, como exemplo de um suposto controle mental sobre objetos físicos, uma vez que o caso impressionou profundamente a muitas pessoas, inclusive Long. Os naturais do arquipélago de Fidji que realizam essa proeza limitam-se à ilha de Bega. 79 Trazem de sua ilha nativa as pedras sobre as quais vão caminhar, e recusam-se a fazê-lo sobre quaisquer outras. 80

Qual o significado dessa preferência? São muitos os motivos. Um deles reside no fato de o fogo ser cuidadosamente ateado por baixo, sob diversas camadas de gravetos ou outros materiais (folhas, pedras diferentes etc.), de modo que as pedras sobre as quais os indígenas caminham constituem obviamente a camada superior. Depois, as pedras são aquecidas de baixo para cima, e até certo ponto também pelos lados. O Dr. S. P. Langley, antigo diretor do Instituto Smith- soniano, examinou as pedras usadas por esses indígenas e levou amostras para serem analisadas. A análise revelou que as pedras eram todas de origem vulcânica, um tipo de basalto poroso de baixa condutividade de calor. Nas experiências que realizou, oonseguiu sustentar uma dessas pedras por um lado, e aquecê-la pelo outro até tornar esse lado incandescente, sem sofrer a menor quentura. 81

Naturalmente, as pedras deviam ser dispostas o mais horizontalmente possível, mas com um mínimo de distância entre elas, pois, do contrário, o fogo se apagaria por falta de oxigênio. Os indígenas sobem nas pedras; as chamas que irrompem entre elas são muito vivas e perigosas. Diz-se que os que realizam a proeza serão

79 7.

O Dr. T. M. Hocldn, citado na obra de Brigham, The Ancient Worship of the

Hawaiians, vol. 2, pág. 262.

80 8.

Brigham, op. cit., pág. 296.

81 9.

Brigham, op. cit., págs. 276 e seguintes. Existem diversas referências aos feitos

de Papa Ita, de Honolulu, uma das quais foi publicada no Boston Evening Transcript, de 20

de março de 1891. Langley estudou a técnica de Papa Ita, e soube que ele fracassara num

teste realizado numa ilha cujas rochas eram de natureza marmórea. Obviamente, quanto

mais densa a pedra, maior seu poder de condutividade do calor.

queimados se vacilarem ou perderem a fé. Entretanto, os observadores verificaram que quem pisar fora das pedras e entrar em contato com as chamas ficará queimado. 82

Mas, vamos prosseguir com o assunto. O “passeio sobre fogo” dura apenas de 14 a 16 segundos. E o contato com uma pedra aquecida não se prolonga por mais de meio segundo. Muito especialistas do Havaí conseguiram caminhar sobre lava candente; realmente, o Dr. Brigham, eminente cientista e Diretor do Museu Bishop, em Honolulu, atravessou correndo um lago de lava fervente para ver se isso era possível. 83

Outros fatos deveriam ser mencionados. Tal como diz a obra citada, 84 quando ocorre o contato com um objeto suficientemente aquecido, e se o contato é momentâneo, uma camada de perspiração protege a superfície cutânea. Diz-se que certos profissionais conseguiram mergulhar a mão em chumbo derretido sem o menor dano, exatamente devido à ação dessa camada protetora. Alguns dos que caminham sobre brasas molham os pés durante muito tempo em água gelada. 85 E um americano, John Hyde, estudou as técnicas dos japoneses que andam sobre brasas e descobriu que eles fricionam demoradamente os pés com sal, e depois caminham repidamente sobre um leito de carvões acesos de cerca de 7 metros de comprimento. Adotou o mesmo processo, e sentiu apenas uma ligeira sensação de quentura nos pés, embora ficasse com os tornozelos empolados. 86

Anteriormente já nos referimos ligeiramente ao problema da levitação, que significa o poder de um ser humano. de dominar a lei da gravidade e elevar-se nos ares certo tempo (sem o auxílio de meios mecânicos). Existem, naturalmente, muitos casos dessa natureza devidamente comprovados. São José Cupertino julgava tal poder extremamente desagradável. 87 Suas levitações foram registradas tanto no interior como no exterior dos

82 Op. cit., págs. 269, 278 e seguintes.

10.

83 Brigham, op. cit., págs. 295/96. Quanto ao primeiro, o calor podia ser sentido

“através das nossas grossas solas”. No episódio da corrida, ao terminá-la, olhou para trás e

pôde ver a marca dos seus sapatos claramente impressas. Os sapatos apenas juntos; seus pés

não foram queimados. Disse ele: “Devo ter percorrido muitas vezes a distância percorrida

pelos habituais caminhantes sobre brasas,' mas não descalço, embora provavelmente sobre

lava mais quente.” Somente um cientista seria capaz de cometer uma idiotice como essa.

Isso, aparentemente, também contradiz a afirmação de Long quanto ao fato do Dr.

11.

Brigham ter sido “conduzido” sobre carvões acesos, n.° 5, ante.

84 Op. cit., pág. 262.

12.

85 Op. cit., págs. 276 e seguintes.

13.

86 Science, vol. L, n.° 1285, pág. 162; citado por Brigham, op. cit., pág. 298.

14.

87 15.

Dingwall, Some Human Oddities, págs. 9, 12, 13, 16 e 20.

edifícios, e ocorreram em momentos inoportunos, como, por exemplo, quando orava diante do Papa. 88 Da mesma forma, Santa Teresa também julgava desagradáveis essas ocorrências, e as monjas de seu convento costumavam rodeá-la para abaixá-la com a intenção de esconder os pés da santa suspensos no ar. 89

Crookes, o eminente cientista britânico, geralmente merecedor do maior respeito, com exceção, talvez, de quando aborda o sobrenatural, foi um dos que observaram mais de perto as levitações de D. D. Home, 90 e Anna Rasmussen. 91 Outro pesquisador revelou que um jovem que praticava o controle da respiração podia levitar à vontade. 92 Susy Smith afirma que nos mosteiros tibetanos até hoje se diz que os lamas podem usar desse poder quando querem. 93 No entanto, a distância que nos separa do Tibé é grande demais para ir até lá a fim de comprovar ou desmentir tais afirmações.

Precognição

Precognição é o dom da profecia que, de uma forma ou de outra, é conhecido desde os tempos mais remotos. Deus apareceu a Moisés, em sonho, para aconselhá- -lo e o guiar sobre os acontecimentos futuros. João Batista

88 16.

Op. cit., págs. 12, 13.

89 17.

Smith, World of the Strange, pág. 69. Veja-se igualmente as descrições

contidas nas Confessions desse santo.

90 18.

Johnson, Psychlcal Research, págs. 79 e seguintes; Smith, ibidem, pág. 71.

91 19.

Johnson, op. cit., pág. 81.

92 20.

O Barão Schrenck Notzing citado por Long em Secret Science Behind Miracles,

pág. 76. Se foram autênticas as levitações, a explicação ainda assim seria uma insensatez. O

jovem poderia inalar com a capacidade de um balão, e isso não o ergueria do chão nem um

centímetro. O ar no interior dos pulmões teria pelo menos o mesmo peso do ar atmosférico,

senão um peso superior. Assim, se o jovem tivesse ossos ocos e pulmões dotados de

capacidade dez vezes superior à normal, e inalasse hélio ao invés de oxigênio, então poderia

flutuar no ar até que o perfurassem.

93 21.

Smith, World of the Strange, pág. 68. A Autora cita como observador um certo

Hans Nordwio Von Koerber, antigo aluno da Universidade da Califórnia do Sul, que se dizia

capaz de fazer o mesmo, depois de o ter aprendido no Tibé. Sendo assim, o sujeito poderia

ser localizado e submetido a uma experiência. Long, em sua obra Secret Science Behind

Miracles, pág. 72,. refere^se a um livro de Arthur Spray, The Mysterious Cobbler, no qual o

autor sustenta ter realizado a levitação do corpo de um ‘’paciente de fé” em ângulos retos

em relação ao solo.

sabia da vinda do Cristo. E Jesus sabia que seria traído e por quem. Sabia que Pedro iria negá-lo, como também sabia que seria crucificado e que ao terceiro dia ressuscitaria dos. mortos.

A começar pela Bíblia, que na opinião de algumas pessoas pode ser explicada por diversas formas, as

informações, sobre profecias antecederam de muito a literatura. Recordemos a infeliz Cassandra; lembremo-nos das gerações que consultaram o oráculo de Delfos. Reis e homens de negócio sempre tentaram, pela Astrologia ou por outros meios, conhecer o que o futuro lhes reservava e, dessa forma, ajudar até certo ponto a modelar os respectivos destinos

Sabemos que existem seitas religiosas, e das maiores, baseadas na idéia da predestinação. Em outras palavras, que os principais acontecimentos que controlarão as nossas vidas, a de você, leitor, e a minha, de há muito foram determinados, e são imutáveis. É, de certo modo, uma crença confortadora. Assim, por exemplo, se o Sr. Silva regressasse inesperada- mente à casa e nos encontrasse em íntimo colóquio com sua esposa, isso seria uma desgraça que fugiria inteiramente do nosso controle. É que o fato estava predeterminado.

Uma vez que a existência tanto da telepatia como de outros poderes psíquicos já foi cabalmente comprovada, seria melhor deixarmos de lado esse e outros assuntos na suposição de que já não precisam ser discutidos numa sociedade intelectual. Infelizmente, porém, tal atitude seria desonesta de nossa parte.

Ê inegável que todos os leitores já tiveram sonhos anunciando acontecimentos futuros que, de fato,

ocorreram. A explicação habitual