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HERANÇA POR CABEÇA E POR ESTIRPE

Edson Tubias dos Santos Juliana Salete de Arruda Almeida Mara Fernanda de Oliveira Bastos Tavares

A sucessão por cabeça ou in capita é quando a herança é dividida, em partes iguais, pelo número de herdeiros (incluindo o cônjuge e o companheiro), ou seja, sucedem aqueles do mesmo grau. A sucessão por estirpe ou in stirpes, se dá nos casos em que há concorrência de herdeiros em graus diferentes dentro da mesma classe, os de grau mais remoto, chamados por direito de representação. Se o autor da herança deixa três filhos vivos, a herança será partilhada em três, atribuindo-se a cada um deles uma terça parte, por cabeça. Se um dos filhos, porém, é pré-morto e tinha dois filhos, netos do de cujus, a herança continuará sendo dividida em três partes, duas delas cabendo aos dois filhos sobreviventes, que herdam por cabeça, e a terceira parte a ser entregue aos dois netos, filhos do herdeiro pré-morto, que herdam por estirpe.

HERANÇA POR CABEÇA E POR ESTIRPE Edson Tubias dos Santos Juliana Salete de Arruda Almeida Mara

Modelo de Herança por cabeça

Modelo de Herança por Estirpe Assim, os filhos herdam por cabeça (per capita), e os netos,

Modelo de Herança por Estirpe

Assim, os filhos herdam por cabeça (per capita), e os netos, por estirpe (in stirpes). Se, no entanto todos os filhos já faleceram, deixando filhos, netos do finado, este receberão cotas iguais por direito próprio, operando-se a sucessão por cabeça, pois se encontram no mesmo grau. Essas quotas chamam-se avoengas, por serem transmitidas diretamente do avô para os netos. Os netos estão excluídos se não há filho premorto.

Conclui-se que, herdará por cabeça os herdeiros do mesmo grau, e por estirpe os herdeiros (descendentes) de grau diferente, por representação, podendo também os outros descendentes herdar por cabeça, conforme disserta o art. 1835 do

Código Civil: “Na linha descendente, os filhos sucedem por cabeça, e os outros descendentes, por cabeça ou por estirpe, conforme se achem ou não no mesmo grau”.

SUCESSÃO DO CÔNJUGE

Uma das contendas repousa na possibilidade de concorrência do cônjuge sobrevivo com descendentes e ascendentes, conforme o regime de bens adotado no casamento, capaz de gerar perplexidades frente à visível imprecisão conceitual.

Assim, o cônjuge habilita-se ao concurso hereditário quando estiver casado pelo regime da comunhão parcial desde que existam bens particulares do autor da herança, na separação convencional de bens e no regime de participação final de aquestos, os últimos por não constarem da exceção legal, não se aceitando que o aplicador da lei imagine hipótese que não fora pensada pelo legislador em caráter limitativo.

Também se achará legitimado para a concorrência quando estiver separado de fato por menos de dois anos, ou em prazo maior se não foi responsável pela ruptura do edifício conjugal. Assim como acontecera na relação das causas para a separação judicial, a bíblia mortuária não foi feliz em entronizar a discussão da culpa para justificar a exclusão do cônjuge ao direito de concorrência, circunstância já atomizada pelo pensamento jurídico, e que além de sua pequenez ética vai delongar o desfecho dos inventários, levando a uma discussão lateral que engessará a efetividade judicial. Também desnecessária a estimação de um prazo para a separação fática, que a massiva jurisprudência já houvera tido como suficiente para desatar o regime de bens, inclusive para efeitos sucessórios. Na concorrência entre cônjuge e descendentes comuns e somente do finado, a melhor exegese é a que observa a igualdade da partilha, sem o privilégio da quarta parte para o consorte, pois a regra que institui a parcela diz especificamente da situação do concurso com os filhos do casal, presumindo se que depois o acervo vá retornar aos descendentes pelo falecimento de seu genitor, e como regra restritiva ao direito dos herdeiros somente pode ser superada por lei que projete o benefício. O cônjuge obteve compensação com o novo enunciado do direito real de habitação, agora possível em qualquer regime de bens adotado no casamento, mas não prevê sua extinção por novo casamento ou união estável de seu beneficiário, o que pode ser causa de fricções judiciais para adaptá-lo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Diniz, Maria Helena. (2012). Curso de Direito Civil Brasileiro: 6. Direito das Sucessões. São Paulo. Gonçalves, Carlos Roberto. (2014). Direito Civil Brasileiro: Direito das Sucessões. São Paulo. Tartuce, Flávio. (2014). Manual de Direito Civil: Volume Único. São Paulo. Venosa, Sílvio de Salvo. (2012). Direito Civil: Direito das Sucessões. São Paulo.

%C3%BAvida-estirpe-x-cabe%C3%A7a> Acesso em: 02/04/2015 < http://www.rkladvocacia.com/arquivos/artigos/art_srt_arquivo20090318000839.pdf> Acesso em: 14/04/2015