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Álcool

O consumo de álcool, produzido pela fermentação


natural ou espontânea de alguns produtos vegetais,
deve ser tão antigo como a própria humanidade, já
que até os primatas tentam ou inclusivamente
conseguem fermentar fruta para produzir leves
intoxicações.

O procedimento para produzir álcool destilado deve-


se aos árabes, mas o seu desenvolvimento industrial
começou nos países cristãos do mediterrâneo a partir do século XII, ficando a tecnologia
perfeitamente desenvolvida e implantada no resto da Europa no século XIV.

À medida que cresce o consumo, aumentam os problemas relacionados com estes produtos,
e no século XX surgem tentativas para a redução da sua presença na sociedade: a proibição
nos Estados Unidos, nos anos 20, e as campanhas de prevenção, a partir dos anos 60, nos
países desenvolvidos.

Vias de administração

A sua administração é feita por via oral.

Aspectos farmacológicos

Poucos minutos depois da ingestão do álcool, este passa para a corrente sanguínea, onde
pode manter-se várias horas, e a partir da qual exerce a sua acção sobre diversos órgãos do
corpo.

O etanol afecta todo o organismo, sendo o fígado um dos órgãos mais afectados; este tem a
missão de transformar o álcool noutras substâncias pouco perigosas para o indivíduo, mas
tem uma capacidade limitada: pode metabolizar entre 20 a 30 gramas de álcool por hora.
Entretanto, a bebida circula pelo sangue, danificando os outros órgãos por onde passa.

Efeitos

O marcado carácter social desta droga e a grande aceitação de que goza permitem catalogar
como normais padrões de consumo que, na realidade, são claramente exagerados. Estes
geram uma série de consequências adversas que a seguir passaremos a resumir:

- Efeitos imediatos

Contrariamente ao que se diz, o álcool não é um estimulante do sistema nervoso central


mas sim um depressor, pois à sensação inicial de euforia e de desinibição, segue-se um
estado de sonolência, turvação da visão, descoordenação muscular, diminuição da
capacidade de reacção, diminuição da capacidade de atenção e compreensão, fadiga
muscular.
O excessivo consumo de álcool produz acidez no estômago, vómito, diarreia, baixa da
temperatura corporal, sede, dor de cabeça, desidratação, falta de coordenação, lentidão dos
reflexos, vertigens e mesmo dupla visão e perda do equilíbrio. Se as doses ingeridas forem
muito elevadas podem provocar depressão respiratória, coma etílico e eventualmente a
morte.
O álcool actua bloqueando o funcionamento do sistema cerebral responsável pelo controlo
das inibições. Estas, ao verem-se diminuídas, fazem com que o indivíduo se sinta eufórico,
alegre e com uma falsa segurança em si mesmo que o poderão levar, em determinadas
ocasiões, a adoptar comportamentos perigosos.

Os acidentes de tráfego merecem uma menção especial. Uma altíssima percentagem deles
têm relação directa com o consumo do álcool. Há mais mortes por dia causadas pelo álcool
do que por outras drogas. Podemos afirmar que é a primeira causa de morte entre os
jovens.

- Efeitos a longo prazo

O consumo crónico produz alterações, de diversa natureza, em diferentes órgãos vitais:

Cérebro: deterioração e atrofia.

Sangue: anemia, diminuição das defesas imunitárias.

Coração: alterações cardíacas (miocardite).

Fígado: o alcoolismo é uma das principais causas da hepatopatia, que se pode manifestar
em forma de hepatite ou cirrose.

Estômago: gastrite, úlceras.

Pâncreas: inflamação e deterioração.

Intestino: transtornos na absorção de vitaminas, hidratos e gorduras, que provocam


sintomas de carência.

A irritabilidade, a insónia, os delírios por ciúmes ou a mania da perseguição são algumas das
alterações de que, com frequência, sofrem os consumidores crónicos desta substância.

O consumo habitual na mulher grávida pode dar lugar à chamada síndrome alcoólica-fetal,
caracterizado por malformações no feto, baixo coeficiente intelectual, etc.

Trata-se de uma droga capaz de originar tolerância e um alto grau de dependência, tanto
física como psicológica. Muitos alcoólicos apresentam a denominada tolerância negativa:
basta uma pequena quantidade de etanol para que fiquem completamente ébrios.

A supressão do álcool no paciente consumidor costuma desencadear uma enorme síndrome


de abstinência que requer atenção médica urgente. Os sintomas são os seguintes: entre as
doze e as dezasseis horas seguintes à privação da bebida, aparecem: inquietação,
nervosismo e ansiedade. Várias horas depois, podem aparecer cãibras musculares,
tremores, náuseas, vómitos e grande irritabilidade. A partir do segundo dia de abstinência,
nos casos mais graves, surge o denominado "delírium tremens", caracterizado por uma clara
desintegração dos conceitos, aparecimento de delírios, alucinações, fortes tremores.

No núcleo familiar, um elevado grau de alcoolismo pode conduzir à falta de


responsabilidade, desintegração familiar, crises, maus tratos, etc.

Outras consequências provocadas pelo alcoolismo são a instabilidade e o absentismo laboral,


o aumento de acidentes, os comportamentos criminosos, alterações da ordem e até o
suicídio.
TABACO

O tabaco vem da planta Nicotiana


Tabacum e é uma substância
estimulante. Pode ser encontrado em
forma de charuto, cigarro (com ou sem
filtro), cachimbo, rapé e tabaco de
mascar. O tabaco é principalmente
fumado, mas pode também ser inalado
ou mastigado. Tem uma acção
estimulante.

A combustão do tabaco produz inúmeras


substâncias como gases e vapores, que
passam para os pulmões através do
fumo, sendo algumas absorvidas pela
corrente sanguínea. Estes substâncias
são:

Nicotina: A nicotina é o alcalóide da


planta do tabaco. Quando chega ao
Sistema Nervoso Central, actua como um
agonista do receptor nicotínico da
acetilcolina. Possui propriedades de
reforço positivo e viciantes devido à
activação da via dopaminérgica
mesolímbica. Aumenta também as
concentrações da adrenalina,
noradrenalina, vasopresina, beta endorfinas, ACTH e cortisol, que parecem influir nos seus
efeitos estimulantes.

Substâncias irritantes (como a acroleína, os fenóis, o peróxido de nitrogénio, o ácido


cianídrico, o amoníaco, etc): provocam a contracção bronquial, a estimulação das glândulas
secretoras da mucosa e da tosse e a alteração dos mecanismos de defesa do pulmão.

Alcatrão e outros agentes cancerígenos (como o alfabenzopireno): contribuem para as


neoplasias (tumores malignos) associadas ao tabaco.

Monóxido de carbono: provocam a diminuição da capacidade de transporte de oxigénio por


parte dos glóbulos vermelhos.
Origem

A planta Nicotina tabacum deve o seu nome ao médico Jean Nicot que popularizou o seu uso
na Europa. Esta planta, juntamente com cerca de mais de cinquenta outras espécies, faz
parte do grupo nicotínico.

É originária da América onde era usada, antes da descoberta deste continente, pelos seus
efeitos alucinogéneos. É difundida na Europa, após a viagem de Colombo, em parte devido à
crença no seu valor terapêutico.

A procura do tabaco fez com que a coroa espanhola se apropriasse do monopólio do seu
comércio. Mais tarde, os franceses e ingleses juntam-se aos espanhóis, contribuindo para a
expansão desta substância.

O consumo era principalmente feito por aspiração nasal, apresentando-se o produto em


forma de pó fino ou resíduos (neste último caso, era-lhe atribuído o nome de rapé). O
tabaco era também enrolado ou recheado de triturado. Crê-se que o cigarro surgiu das
navegações transatlânticas, durante as quais eram apanhados os restos de tabaco, que
estavam a ser transportados para a Europa, e enrolados em papel (dado que as folhas
inteiras da planta pertenciam à coroa). Começando por ser um consumo de marinheiros,
pensa-se que em 1800 já se tinha alargado a outros estratos sociais na Península Ibérica e
no Mediterrâneo. Para a sua expansão pelo resto da Europa, em muito contribuíram as
guerras napoleónicas.

Na segunda metade do século XIX, o monopólio da fabricação dos cigarros passa a ser dos
anglo-saxões. A partir desta altura, o tabagismo passa a afectar quase metade da população
mundial.

Os malefícios do tabaco

Os fumadores têm em média menos 10 anos de vida do que os não fumadores. Isto porque
as substâncias absorvidas destroem alguns órgãos importantes ao mesmo tempo que
fragilizam o organismo em relação a vírus e a doenças oportunistas.

Nos olhos, o fumo produz a ambliopia tabágica, que representa a debilitação do sentido da
visão e distorção do ponto de foco visual.

Na boca ocorrem os cancros dos lábios, língua, além de enfermidades nas gengivas,
incluindo até perda de dentes.

Na laringe, o fumo dilata as cordas vocais, e produz rouquidão, não sendo raro o cancro
nesse local derivado do uso do cigarro.

Nos pulmões, a sucessão de enfermidades produzidas pelo hábito de fumar é notória:


enfisema, bronquite, asma e o mortal cancro pulmonar.

No aparelho circulatório ocorrem o aumento da pressão arterial, obstrução de vasos


sanguíneos, aumento de colesterol, todos factores conducentes a ataques cardíacos.

Nos órgãos digestivos o fumo produzi a úlcera péptica dado o aumento da acidez, além de
distúrbios vários no duodeno, e cancro do estômago.

No útero, ocorre aceleração das batidas do feto. Os bebés nascem com menos peso e ocorre
probabilidade maior de nascimentos prematuros.

Nos órgãos urinários pode ocorrer o adenocarcinoma, uma forma de cancro.


A qualidade do leite materno é afectada para a mãe fumadora, pois substâncias tóxicas são
transmitidas à criança, o que lhe causa irritabilidade e transtornos digestivos. Também o
hábito de fumar tende a diminuir a quantidade de leite.

O órgão que mais sofre é o cérebro, que necessita de uma alta concentração daquele
elemento no sangue, a fim de que possa desempenhar todas as suas funções com perfeição.

A doença mais vulgar associada ao consumo do tabaco é o cancro. Este pode ocorrer não
apenas nos pulmões, mas também na laringe, na faringe ou na boca.

Os problemas respiratórios também se agravam, podendo surgir bronquites crónicas ou


enfisemas, e ficando os fumadores mais susceptíveis de apanhar constipações.

No nosso país o consumo de tabaco atinge cerca de 20 por cento da população, com
predomínio de três homens e meio para cada mulher.

Mas são as mulheres que vieram manter os níveis do consumo, pois os homens
presentemente fumam menos; as mulheres, que até há cerca de trinta anos praticamente
não fumavam, começaram a partir de então a consumir cada vez mais tabaco.

Mas estas são apenas os malefícios mais conhecidos, pois a lista de problemas de saúde
associados ao tabaco é extensa. Mais alguns exemplos:

• o envelhecimento precoce com o aparecimento de rugas e cabelos brancos;


• a tosse crónica também é bastante vulgar entre os fumadores, e na maior parte dos
casos indicia problemas respiratórios mais graves;
• o cheiro do tabaco é bastante desagradável e bastante difícil de retirar das roupas e
das casas, mas também leva a uma diminuição das capacidades olfactivas;
• os dentes também sofrem as consequências do tabaco, enfraquecendo e ficando
amarelados;
• o fumo aumenta o risco de Doenças Reumáticas;
• o tabaco pode causar a infertilidade tanto em homens como em mulheres,
ocasionando ainda outras doenças do aparelho reprodutor

Esta extensa lista de doenças contribui certamente para que um fumador pense duas vezes
no seu hábito e equacione os custos e as consequências para a saúde que ele provoca.

A própria Organização Mundial de Saúde estima que mais de 100 milhões de pessoas irão
morrer devido ao consumo do tabaco nas duas primeiras décadas do séc. XXI.
HEROÍNA (Opiáceo)
Devido ao elevado número de viciados em morfina e
às nefastas consequências que esta droga trouxe à
sociedade no século XIX, impôs-se a necessidade de
encontrar uma nova substância com igual potencial
analgésico, mas que não gerasse dependência.

Era, pelo menos, este o objectivo dos laboratórios de


prestígio naquela época. Um deles, a firma alemã
Bayer, acreditou ter encontrado o produto desejado
em 1879, que foi aprovado e registado em 1898.
Tinha sido descoberta a heroína, nome derivado da
palavra alemã heroish, que significa poderoso,
heróico. Não admira que fosse denominada assim, já
que se tratava de um produto que produzia maiores Plantação de papoilas de ópio no Afeganistão
efeitos com uma dose menor. Pensaram que serviria
para tratar os dependentes da morfina, assim como
outras doenças (por exemplo, a tuberculose). Aparentemente, não tinha efeitos secundários
adversos, mas depressa se tornaram evidentes os seus riscos e efeitos negativos, apesar de
a Bayer ter conseguido manter as críticas sob controlo, durante uma dezena de anos.

Finalmente retirada do mercado como medicamento em todo o mundo, converteu-se numa


droga ilegal e no eixo de uma estrutura internacional de narcotráfico.

Apresentação. Vias de administração

Durante muito tempo, a heroína foi administrada por via intravenosa. O aparecimento da
SIDA e a sua emergência devastadora entre os heroinómanos explica a tendência actual dos
novos consumidores para fumar ou aspirar o vapor libertado pelo aquecimento da
substância.

Preparar a injecção de heroína transformou-se num ritual: numa colher, ou num objecto
semelhante, coloca-se a droga em pó, mistura-se com água e umas gotas de sumo de limão
e coloca-se sobre uma fonte de calor para facilitar a dissolução.

Sobre a mistura põe-se um pedaço de algodão ou o filtro de


cigarro, para assim filtrar as impurezas, antes de introduzir a
droga na seringa. Fica então preparada a injecção.

Por outro lado, o processo de fumar ou inalar os vapores


libertados torna-se mais fácil e rápido se se puser a heroína
num papel de estanho sobre uma fonte de calor.

É muito frequente o consumo de heroína misturada com outras


drogas, por exemplo a cocaína ("speedball"), para prolongar e intensificar os efeitos de
ambos os produtos.

Aspectos farmacológicos

Todos os opiáceos actuam sobre receptores cerebrais específicos. Estes localizam-se no


sistema límbico, na massa cinzenta, na espinal medula e em algumas estruturas periféricas.
Os principais efeitos farmacológicos da heroína, em maior grau, justificam-se por causa da
morfina, que é um dos seus componentes principais.
Efeitos

Ao falar sobre os efeitos da heroína, é importante destacar o facto de estes não serem iguais
no início do consumo ou depois de gerada a dependência: o motivo que leva inicialmente
uma pessoa a injectar-se, deve-se a uma intensa sensação de prazer e euforia.
Posteriormente, o indivíduo vê-se obrigado a consumi-la para evitar o estado de carência
que provoca a ausência da substância. Isto significa que o opiáceo se torna num poderoso
reforço de seu próprio consumo. Isto não se passa com a metadona.

- Efeitos imediatos

Sobre o Sistema Nervoso Central: sonolência, euforia, sensação de tranquilidade e


diminuição do sentimento de desconfiança, embotamento
mental, contracção da pupila, náuseas, vómitos, depressão da
respiração (causa de morte por overdose) e desaparecimento
do reflexo da tosse.

Outros efeitos: produz a libertação de histamina


(vasodilatação e comichão na pele). A nível endocrinológico:
inibição da hormona que liberta a gonadotropina, diminuição
dos níveis do factor de libertação da corticotropina (diminuem
os níveis de plasma do cortisol testosterona). Na mulher
produzem-se ciclos menstruais irregulares. No aparelho
digestivo: os movimentos peristálticos tornam-se lentos,
favorecendo a prisão de ventre. Na bexiga: o tónus do
esfíncter aumenta e diminuem os reflexos da micção,
provocando dificuldade de urinar.

- Efeitos a longo prazo e potencial de dependência

Desenvolvimento de tolerância com grande rapidez: Tendência para aumentar a quantidade


de heroína auto-administrada, com o fim de conseguir os mesmos efeitos que antes eram
conseguidos com doses menores, o que conduz a uma manifesta dependência. Passadas
várias horas da última dose, o viciado necessita de uma nova dose para evitar a síndrome
de abstinência provocada pela falta dela.
Desenvolve tolerância em relação aos efeitos de euforia, de depressão respiratória,
analgesia, vómitos e alterações hormonais. Não a desenvolve para a miose nem para a
prisão de ventre. Estes efeitos, junto com a diminuição da libido, a insónia e a transpiração,
são os sintomas dos consumidores crónicos.
Os opiáceos, devido aos seus potentes efeitos eufóricos e à intensidade da sintomatologia de
abstinência, são drogas que geram um alto grau de dependência. Há milhares de pessoas no
mundo inteiro que tentam desintoxicar-se destas substâncias. Nos casos mais graves o
método mais eficaz passa pela utilização de outro opiáceo, como, por exemplo, a metadona.

- Síndrome de abstinência

Sintomas: desejo de consumo, inquietação e irritabilidade, hiper-sensibilidade à dor,


náuseas, dores musculares, estado de ânimo disfórico, insónia, ansiedade.

Marcas físicas: dilatação da pupila, transpiração, "pele de galinha", taquicardia, aumento da


tensão arterial, bocejos, febre.

Os sintomas demoram aproximadamente uma semana a desaparecer, apesar de


permanecer uma lembrança constante da droga.
Muitas das complicações típicas dos heroinómanos estão intimamente relacionadas com as
infecções causadas pelo uso da seringa, falta de hábitos higiénicos adequados e também
pela adulteração do opiáceo mediante produtos tóxicos ou prejudiciais (é frequente
encontrar açúcar em pó, talco, lactose, cacau, ...). Isto explica o aparecimento no paciente
de chagas, abcessos, processos infecciosos como hepatites, pneumonias, SIDA.
Bibliografia:
http://www.psicologia.com.pt/instrumentos/drogas/ver_ficha.php?cod=tabaco

http://www.bhservico.com.br/cigarro.htm

http://www.idt.pt/id.asp?id=p1

http://sopostelnik.tripod.com/