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COJE – COORDENAÇÃO DOS JUIZADOS ESPECIAIS

4ª TURMA RECURSAL CÍVEL E CRIMINAL
RECURSO INOMINADO
PROCESSO Nº 0001077-80.2012.8.05.0043
RECORRENTE: CIELO S/A
RECORRIDA: BISTRO DO PORTO
JUÍZA RELATORA: MARY ANGÉLICA SANTOS COELHO

EMENTA

RECURSO INOMINADO. CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE ATENDIDAS. JUIZADOS
ESPECIAIS. CONSUMIDOR. AUTORA CONFIGURADA COMO DESTINATÁRIA FINAL. MÁQUINA DE CARTÃO. CONDENAÇÃO DO RECORRENTE AO PAGAMENTO DE DANOS MORAIS EM RAZÃO DA FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PELO TRANSTORNO E PERDA
DE CLIENTELA DEVIDO A SUCESSIVOS DEFEITOS NÃO SOLUCIONADOS PELA RECORRENTE. MAQUINETA DEFEITUOSA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. ART. 14 DO
CDC. FALHA OU DEFEITO NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. DANOS CONFIGURADOS E ARBITRADOS EM CONFORMIDADE COM OS PRINCIPIOS DA RAZOABILIDADE. RECURSO
CONHECIDO E IMPROVIDO. PRECEDENTE DA TURMA – PROCESSO Nº 000152258.2010.805.0079-1. SENTENÇA CONFIRMADA.
RELATÓRIO
Em sessão.
VOTO
Conheço do recurso, pois apresentado por patrono regularmente constituído, tempestivo e
devidamente preparado.
Sem preliminares suscitadas, cumpre aduzir que no que se concerne ao mérito, aplica-se ao
presente caso o Código de Defesa do Consumidor, vez que é relação de consumo a travada entre as
partes.
É princípio informador do conceito de consumidor o da vulnerabilidade. In casu, há vulnerabilidade
da vítima em relação ao fornecedor do serviço e produto para fins de aplicação da tutela especial
do CDC e não o Código Civil.
Em que pese a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ainda não possua homogeneidade
quanto à adoção da teoria subjetiva ou objetiva, é possível ter acesso a vários julgados do referido
Tribunal dando primazia à condição de vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo.
Assim, devendo o CDC sempre ser interpretado para proteger a parte mais fraca da relação

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056 – SP .COJE – COORDENAÇÃO DOS JUIZADOS ESPECIAIS 4ª TURMA RECURSAL CÍVEL E CRIMINAL jurídica (o vulnerável. A recorrente. Desta forma. consolida-se o entendimento desta relatora que é de consumo a relação travada entre as partes.Aquele que exerce empresa assume a condição de consumidor dos bens e serviços que adquire ou utiliza como destinatário final. razão pelo qual não vislumbro carecer de reforma. Destinação final caracterizada. o que fora exposto em sede de contestação. incontroversa a relação negocial existente entre as partes. não desconstituiu o direito da autora. Conflito de competência. que realiza transações mediante utilização de cartões de crédito e débito.por meio de transformação. nos termos do art. quando o bem ou serviço. 2 . ( STJ – CC 41. Contrato. a sentença. Foro de eleição. VIII do CDC. está a concepção da Ministra Nancy Andrighi: EMENTA: Processo civil. Com efeito.o produto ou serviço que venha a ser ofertado a terceiros. Relação de consumo. caberia a acionada comprovar. Contratação de serviço de crédito por sociedade empresária. A requerida credencia o estabelecimento da requerente. 6º. montagem.P/ACÓRDÃO: MINISTRA NANCY ANDRIGHI – AUTOR FARMÁCIA VITAL BRASIL LTDA – RÉU: COMPANHIA BRASILEIRA DE MEIOS DE PAGAMENTO – Acórdão publicado em 20/09/2004) Analisando o mérito. O suporte tecnológico é oferecido pela Cielo. não consertados após as noticiadas ocorrências. . através da juntada de documentos claros e elucidativos. ao meu sentir. ainda que venha a compor o estabelecimento empresarial. A pessoa jurídica demandante persegue a compensação de danos morais e materiais em tese suportados quando das transações não se realizam pelo defeito da maquineta. o produto objeto de sua empresa. analisou com precisão e justeza a matéria em debate posta nos autos. pertinente é a inversão do ônus probatório. isto é. Pois bem. de medicamentos. . verifica-se que trata-se de ação objetivando indenização por danos morais de correntes de alegada falha da ré ao proceder a troca de máquina de cartão de crédito no estabele cimento autor.R. hipossuficiente). diretamente. no entanto. não integre diretamente . Ratificando tal entendimento. nem ao menos logrou êxito em demonstrar a licitude de suas ações. Ademais. que instala terminal apto a permitir a concreti zação destas negociações. porquanto presente a verossimilhança da alegação contida na peça inicial e a hipossuficiência técnica da recorrida. beneficiamento ou revenda . no atacado ou no varejo. deve ser considerado destinatário final do serviço de pagamento por meio de cartão de crédito porquanto esta atividade não integra.O empresário ou sociedade empresária que tenha por atividade precípua a distribuição.

Mary Angélica Santos Coelho Juíza Relatora 3 . Aquele que. tal meio ressarcitório não deve homenagear o enriquecimento ilícito de uma das partes. Ante o exposto. Assim. a intensidade do sofrimento do ofendido. convém que não seja fixada em valor que não atenda aos critérios supra mencionados. coletivos e difusos. razão pela qual venho manter o quantum arbitrado pelo juiz a quo. É como voto. infere-se que a ré em questão agiu de forma negligente. Faz-se. Custas e honorários devidos pelo recorrente vencido em 10% sobre o valor da condenação. desta forma. o Juiz deve obedecer aos princípios da equidade e moderação. É certo que referida indenização não deve ser objeto de enriquecimento da parte que busca reparação do dano moral e assim.COJE – COORDENAÇÃO DOS JUIZADOS ESPECIAIS 4ª TURMA RECURSAL CÍVEL E CRIMINAL Neste diapasão. considerando-se a capacidade econômica das partes. Salvador. natureza e repercussão da ofensa. comete ato ilícito. 29 de novembro de 2012. o consumidora tem o direito de pleitear e obter. 6º São direitos básicos do consumidor: VI . VI. voto no sentido de CONHECER E NEGAR PROVIMENTO ao recurso intentado.a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais. ainda que exclusivamente moral. deve objetivar uma compensação do mal injusto experimentado pelo ofendido e punir o causador do dano. Art. concluir. individuais. O aludido dever de indenizar impõe-se em virtude da consonância do artigo 186 do Código Civil de 2002 com o artigo 6 º. que no caso em exame. do CDC: Art. 186. Para a fixação do quantum indenizatório/reparatório. enfim. violar direito e causar dano a outrem. negligência ou imprudência. por ação ou omissão voluntária. o grau do dolo ou da culpa do responsável. desestimulando-o à repetição do ato. a compensação pecuniária pelos danos causados. a gravidade. contra a empresa acionada.

0079-1. à unanimidade de votos. CONSUMIDOR. ELOISA MATTA DA SILVEIRA LOPES Juíza Presidente MARY ANGÉLICA SANTOS CÔELHO Juíza Relatora 4 . PRECEDENTE DA TURMA – PROCESSO Nº 000152258.8.05. decidiu. composta das Juízas de Direito ELOISA MATTA DA SILVEIRA LOPES. em 29 de novembro de 2012. MAQUINETA DEFEITUOSA. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. CONHECER E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO INTERPOSTO. A QUARTA TURMA RECURSAL.0043 RECORRENTE: CIELO S/A RECORRIDA: BISTRO DO PORTO JUÍZA RELATORA: MARY ANGÉLICA SANTOS COELHO EMENTA RECURSO INOMINADO. Sala das Sessões. CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE ATENDIDAS. DANOS CONFIGURADOS E ARBITRADOS EM CONFORMIDADE COM OS PRINCIPIOS DA RAZOABILIDADE. Custas e honorários devidos pelo recorrente vencido em 10% sobre o valor da condenação.2012.COJE – COORDENAÇÃO DOS JUIZADOS ESPECIAIS 4ª TURMA RECURSAL CÍVEL E CRIMINAL RECURSO INOMINADO PROCESSO Nº 0001077-80. CONDENAÇÃO DO RECORRENTE AO PAGAMENTO DE DANOS MORAIS EM RAZÃO DA FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PELO TRANSTORNO E PERDA DE CLIENTELA DEVIDO A SUCESSIVOS DEFEITOS NÃO SOLUCIONADOS PELA RECORRENTE. SENTENÇA CONFIRMADA.805. MARTHA CAVALCANTI SILVA DE OLIVEIRA e MARY ANGELICA SANTOS COELHO. ART. AUTORA CONFIGURADA COMO DESTINATÁRIA FINAL. FALHA OU DEFEITO NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. ACÓRDÃO Realizado o julgamento do RECURSO INOMINADO em epígrafe. MÁQUINA DE CARTÃO. 14 DO CDC. para manter em seus próprios termos a sentença vergastada.2010. Salvador. JUIZADOS ESPECIAIS. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.