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Introdução

Os termos Polímeros, elastómeros e borracha são definidos, de acordo com a “Norma ISO 1
382” como:
Polímero - Substância composta por moléculas caracterizadas pela repetição múltipla d
u várias espécies de átomos ou de grupos de átomos ligados entre si em quantidade sufici
ente para conferir um conjunto de propriedades que não variam de uma forma marcada
por adição ou remoção de uma algumas unidades constitutivas.
Elastómero - Material macro molecular que recupera rapidamente a sua forma e dimen
sões iniciais, após cessar a aplicação de uma tensão.
Borrachas - Elastómero que já está ou pode ser modificado para um estado no qual é es
cialmente insolúvel, se bem que susceptível de aumentar de volume num solvente em eb
ulição, tal como benzeno, metiletilcetona e etanol-tolueno azeotrópico, e que, no seu
estado modificado, não pode ser reprocessado para uma forma permanente por aplicação d
e calor e pressão moderadas.
Nem todos os polímeros amorfos são elastómeros. Alguns são termoplásticos, dependendo a cl
assificação da temperatura de transição vítrea, Tg, definida como a temperatura acima da q
ual um polímero se torna mole e dúctil e abaixo da qual se torna duro e quebradiço, ti
po vidro.
Podemos dizer, como regra geral só aplicável a polímeros amorfos, que um polímero amorfo
que tenha uma Tg inferior à temperatura ambiente será um elastómero, enquanto um políme
ro amorfo que tenha uma Tg superior à temperatura ambiente será um termoplástico.
A propriedade predominante dos elastómeros é o comportamento elástico após deformação em com
pressão ou tracção. É possível, por exemplo, esticar um elastómero até dez vezes o seu compri
ento inicial, e após remoção da tensão aplicada, verificar que ele voltará, sob circunstânci
as ideais, à forma e comprimento originais.
O perfil das propriedades que pode ser obtido depende fundamentalmente do elastóme
ro escolhido, da formulação do composto utilizada, do processo de produção e da forma e
desenho do produto.
As propriedades que definem um elastómero só podem ser obtidas usando compostos ade
quadamente formulados e após vulcanização subsequente.
Elastómeros, ou borrachas, são classes de materiais que, como os metais, as fibras,
as madeiras, os plásticos ou o vidro são imprescindíveis à tecnologia moderna.
Relativamente ao termo borracha que abrange um grande número de compostos macro mo
leculares que podem ser reticuláveis para formar estruturas tridimensionais, deve
referir-se que é usual dizer-se que “A borracha, matéria-prima, está para os compostos d
e borracha assim como a farinha está para o pão”, pretendendo-se assim frisar que, ape
sar da escolha dos aditivos utilizados e da quantidade usada de cada um deles nu
m composto poderem originar variações consideráveis nas propriedades do produto final,
a característica determinante é dada pela borracha utilizada nesse composto.
O termo “borracha” tinha inicialmente por significado, somente borracha natural e o
termo “vulcanização” somente reticulação com enxofre. Face ao aparecimento de muitas borrach
as sintéticas e de novos sistemas de reticulação, o alcance daqueles termos foi alarga
do, para que passem a ser termos genéricos. As borrachas, matéria-prima, podem ser t
ransformadas em elastómeros pela vulcanização.
Assim, vou dedicar este trabalho á borracha natural, mencionando ocasionalmente, c
onforme a necessidade do contexto, algumas das borrachas sintéticas.
Segundo a norma DIN 53501:
A norma DIN 53501 define os termos borrachas (matéria-prima), elastómero (borracha)
e vulcanização de acordo com critérios baseados no produto final da seguinte forma:
Borracha (matéria-prima) - as borrachas (matéria-prima) são polímeros não reticulados
reticuláveis (vulcanizáveis) e que são “rubber-elastic” à temperatura ambiente e, dentro de
certos limites, em gamas adjacentes de temperatura. A temperaturas elevadas e/o
u sob a influência de forças de deformação, a borracha, matéria-prima, mostra, de modo cre
scente, um fluxo viscoso que a torna capaz, sob condições adequadas, de sofrer proce
ssos de modelação. A borracha, matéria-prima, é o material de partida para a manufactura
de elastómeros (borracha).
Vulcanização - a vulcanização é um processo de reticulação pelo qual a estrutura quím
acha, matéria-prima, é alterada. A mudança de estado torna o material elástico, restaura
a elasticidade possuída no início pelo material ou alarga o intervalo de temperatur
as em que a elasticidade é observada de princípio ao fim.
Elastómeros (borracha) - os elastómeros são materiais poliméricos reticuláveis, a tem
uras inferiores à sua temperatura de decomposição. São duros e tipo vidro a baixas tempe
raturas e não são sujeitos a fluxo viscoso a altas temperaturas. Em vez disso, espec
ialmente à temperatura ambiente, eles comportam-se de maneira “rubber-elastic”. Este c
omportamento é caracterizado pelos relativamente baixos valores de módulo de corte q
ue são pouco dependentes da temperatura.
Desenvolvimento
SOBRE A BORRACHA NATURAL
O primeiro material conhecido como borracha (“caoutchouc” derivado da palavra índia “caa
-o-chu”) é o poliisopreno recolhido da seiva da árvore Hevea Brasiliensis, látex, sendo
por tal facto conhecido como borracha natural (NR). A borracha natural pode reag
ir com o enxofre a temperaturas elevadas para formar reticulações, ocorrendo a trans
formação de um estado pegajoso e fundamentalmente plástico num estado elástico.
A borracha natural foi a primeira e única borracha a ser utilizada até 1927, sendo o
seu interesse actual não simplesmente histórico, mas sim, devido ao seu potencial téc
nico.
A borracha natural é obtida por coagulação do látex. Os graus de qualidade mais elevados
são obtidos através da coagulação por acidificação, sob condições fabris cuidadosamente cont
adas.
A borracha natural comercial tem uma pequena quantidade, 4 a 9%, de outros const
ituintes. Destes, os mais importantes são os antioxidantes naturais e activadores
de vulcanização representados pelas proteínas e ácidos gordos. Na tabela seguinte indica
-se a composição típica da borracha natural, NR.
CONSTITUINTE PERCENTAGEM
Humidade 0.3 - 1.0
Extracto de acetona 1.5 - 4.5
Proteínas 2.0 - 3.0
Cinzas 0.2 - 0.5
Borracha (hidrocarboneto) 91.0 - 96.0
Quimicamente, a borracha natural é um cis-1,4-poliisopreno, apresentando uma longa
cadeia polimérica linear com unidades isoprénicas (C5 H8) repetitivas e com densida
de aproximadamente igual a 0,93 a 20 °C. O isopreno é um sinónimo comum do composto quím
ico 2-metil-1,3 butadieno.
Devido à regularidade da sua estrutura, cristaliza a uma temperatura inferior a -2
0 °C, variando a velocidade de cristalização com a temperatura e com o tipo de borrach
a. Na estrutura química da borracha natural existe uma ligação dupla por cada unidade
de isopreno; estas ligações e os grupos metilo em posição alfa, são grupos reactivos, send
o um pré-requisito para a vulcanização com enxofre. Estas ligações duplas podem, no entant
o, entrar em reacções adicionais com o oxigénio ou o ozono para degradar (envelhecer)
os compostos.
Na indústria da borracha, desde que T. Hancock e Charles Goodyear obtiveram em 184
3 e 1844 as primeiras placas de borracha natural, muito se avançou. Essas placas r
epresentam o começo da produção de artigos de borracha e da formulação de compostos. Na ma
ioria dos casos, os compostos de borracha baseados em borracha natural ou sintétic
a, necessitam de serem vulcanizados com enxofre, peróxidos, óxidos metálicos ou combin
ações dos mesmos. Outros produtos químicos são também necessários para se obter ou melhorar
propriedades físicas, químicas ou térmicas específicas.

CLASSIFICAÇÃO DA BORRACHA NATURAL (NR)


Podemos classificar a borracha natural em três grandes grupos: graus convencionais
, borrachas tecnicamente especificadas (TSR) e borrachas tecnicamente classifica
das (TCR).
No primeiro grupo encontramos os denominados “Ribbed Smoke Sheets” (RSS), “Air-Dried
heets”, “Pale Crepe”, “Sole Crepes” e os “Brown and Blanket Crepes”.
Os graus pertencentes ao segundo grande grupo, TSR, foram introduzidos pela prim
eira vez no mercado, em 1965, pela Malásia como “Standard Malaysian Rubber” (SMR). Est
a adesão pela Malásia à normalização foi posteriormente seguida por outros países produtores
tais como a Indonésia com a “Standard Indonesian Rubber” (SIR). Os graus mais comuns
dentro dos TSR são o SMR L de cor muito clara, SMR CV com viscosidade estabilizada
, SMR WF similar a SMR L mas de cor mais escura, SMR GP de uso geral mas com vis
cosidade estabilizada e adequada para uso em pneus, TSR 5 feita de látex usando o
mesmo processo de obtenção do SMR L mas sem tratamento com metabissulfito de sódio e T
SR10, TSR 20 e TSR 50.

Quanto ao terceiro grupo, TCR, podemos considerar a Borracha Natural Extendida c


om Óleo (OENR) que contém cerca de 20% a 30% de um óleo de processamento aromático ou na
fténico, Borracha Natural Desproteinizada (DPNR), Borrachas de Superior Processame
nto (SP), Borracha Natural Epoxidada (ENR) e Borracha Natural Termoplástica (TPNR)
Para além dos graus de borracha natural provenientes da Malásia e da Indonésia e class
ificados de acordo com as especificações do país de origem, SMR e SIR, respectivamente
, encontram-se no mercado outros graus, tais como, TTR da Tailândia, SSR de Singap
ura, NSR da Nigéria, CAM dos Camarões, GHA do Ghana, GAB do Gabão, LIB da Libéria, SPR d
as Filipinas, PNG CR da Papua Nova Guiné, SLR do Sri Lanka, SVR do Vietname e CSR
da China
PROPRIEDADES E APLICAÇÕES DA BORRACHA NATURAL
Os vulcanizados de borracha natural possuem propriedades com valores muito inter
essantes do ponto de vista tecnológico, especialmente boa resistência à tracção combinada
com uma boa elasticidade, boa resistência ao calor até 80-90 °C, boa flexibilidade a b
aixas temperaturas até cerca de -55 °C e excelentes propriedades dinâmicas exibidas du
rante solicitações cíclicas. Apresenta alta permeabilidade ao gás, resistência limitada ao
envelhecimento e ao ozono. Não é resistente a agentes oxidantes como por exemplo o ác
ido nítrico, a óleos minerais e a hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos. No entanto, d
evido à grande proliferação, melhoramento, inovação e especialização das borrachas sintéticas
borracha natural tem vindo a ser gradualmente substituída, especialmente em peças téc
nicas com necessidade de resistência ao calor, ao envelhecimento e ao aumento de v
olume em contacto com líquidos. Não obstante, ainda satisfaz cerca de um terço da nece
ssidade mundial de borracha, graças à indústria de pneus.
A borracha natural é bastante usada para a fabricação de apoios de borracha, sendo as
principais razões para este êxito as seguintes:
• Excelente resistência à fadiga e à propagação de fendas;
• Elevada resiliência;
• Reduzida histerese;
• Aderência eficaz aos metais.
REQUISITOS DAS BORRACHAS
As borrachas, para além da sua capacidade para formar estruturas reticuladas tridi
mensionais, têm que satisfazer os seguintes requisitos:
Possuir preferencialmente longas cadeias moleculares;
O segmento individual da cadeia deve ser flexível para ter movimento Browniano, à te
mperatura ambiente. Assim, as moléculas assumem uma formação estatisticamente ordenada
quando são sujeitas a tensões de tracção. Uma vez essa tensão removida, elas retomam a su
a formação aleatória (estado de entropia máximo), podendo o processo de deformação ser descr
ito termodinamicamente, considerando que sob condições ideais, a energia interna do
sistema não sofre alteração.
A borracha deve ser predominantemente amorfa à temperatura ambiente, para que a fl
exibilidade da cadeia não seja inibida pela cristalização. Isto conduz aos requisitos
adicionais:
A temperatura de transição vítrea, Tg, deve ser inferior a -50°C;
Deve haver uma interacção entre cadeias moleculares, para que não se possam mover de
ma forma inteiramente livre e independente. Nas borrachas vulcanizadas, há uma int
eracção adicional devida à formação de pontes intermoleculares (ligação química que reduz a m
lidade das cadeias), que melhoram a resistência à tracção e a elasticidade;
Devem ter uma distribuição do peso molecular tão larga quanto possível, para que poss
ser processadas utilizando as máquinas convencionais.
CLASSIFICAÇÃO DAS BORRACHAS
As borrachas podem ser classificadas em grupos, usando uma nomenclatura consider
ada satisfatória, Norma DIN/ISO 1629, e apresentada na tabela seguinte. Forneço também
, na mesma tabela, algumas indicações de polaridade e grau de saturação.
GRUPO R
cadeia principal de carbono com unidades insaturadas ("borracha") DEFINIÇÃO
POLARIDADE GRAU DE SATURAÇÃO
ABR Borrachas de acrilato butadieno
BR Borrachas de butadieno Não polar Insaturada
CR Borrachas de cloropreno Polar Insaturada
IIR Borrachas de isobutileno-isopreno Não polar Fracamente saturada
BIIR Borrachas de bromobutilo Não polar Fracamente saturada
CIIR Borrachas de clorobutilo Não polar Fracamente saturada
IR Borrachas de isopreno (sintéticas) Não polar Insaturada
NBR Borrachas de acrilonitrilo-butadieno Polar Insaturada
HNBR Borrachas de acrilonitrilo-butadieno hidrogenado
NCR Borrachas de acrilonitrilo-cloropreno
NIR Borrachas de acrilonitrilo-isopreno
NR Borracha de isopreno (borracha natural) Não polar Insaturada
PBR Borrachas de vinil piridina-butadieno
PSBR Borrachas de vinil piridina butadieno-estireno
SBR Borrachas de butadieno-estireno Não polar Insaturada
SCR Borrachas de cloropreno-estireno
SIR Borrachas de isopreno-estireno
GRUPO Q
cadeia principal siloxano DEFINIÇÃO POLARIDADE GRAU DE SATURAÇÃO
FMQ Borracha de silicone com grupos metil e flúor na cadeia do polímero
Polar Saturado
FVMQ Borracha de silicone com grupos metil, vinil e flúor na cadeia do polímero
MQ Borracha de silicone só com grupos metil na cadeia do polímero Polar
Saturado
PMQ Borracha de silicone com grupos metil e fenil na cadeia do polímero
Polar Saturado
PVMQ Borracha de silicone com grupos metil, fenil e vinil na cadeia do polímer
o Polar Saturado
VMQ Borracha de silicone com grupos metil e vinil na cadeia do polímero.
NOTA: As borrachas de silicone são muitas vezes designadas simplesmente por Q
Polar Saturado
GRUPO T
além de carbono também tem enxofre na cadeia principal DEFINIÇÃO POLARIDADE
GRAU DE SATURAÇÃO
Borrachas de polisulfureto
GRUPO U
além de carbono também tem N e O na cadeia principal DEFINIÇÃO POLARIDADE
GRAU DE SATURAÇÃO
AFMU Terpolímeros de tetrafluoretileno trifluornitroso-metano e ácido nitrosoperf
luorbutirico
AU Borrachas de poliéster uretano Polar Saturado
EU Borrachas de polieter uretano Polar Saturado
GRUPO O
além de carbono também tem oxigénio na cadeia principal DEFINIÇÃO POLARIDADE
GRAU DE SATURAÇÃO
CO Policlorometil oxirano; borrachas de epiclorohidrina Polar Saturado
ECO Copolímeros de óxido de etileno (oxirano) e clorometil oxirano (epiclorohid
rina) Polar Saturado
GPO Copolímero de óxido de propileno e éter de alquilglicidilo Polar Saturado
GRUPO M
cadeia principal de carbono, somente com unidades saturadas (“metileno”) DEFINIÇÃO
POLARIDADE GRAU DE SATURAÇÃO
ACM Copolímero de acrilato de etil ou outros acrilatos com uma pequena quantid
ade de um monómero que facilita a vulcanização Polar saturado
ANM Copolímero de acrilato de etil ou outros acrilatos e acrilonitrilo
CM Polietileno clorado Polar saturado
CFM Politrifluorocloroetileno (de acordo com ISO 1043:PCTFE)
CSM Polietileno clorosulfunado Polar saturado
EAM Copolímeros de etileno e acrilato com uma pequena quantidade de um monómero
que facilita a vulcanização
EPDM Terpolímeros de etileno, propileno e um dieno com a porção insaturada residua
l do dieno na cadeia lateral Não polar Saturado
EPM Copolímeros de etileno e propileno Não polar Saturado
EVM Copolímeros de etileno e acetato de vinil
FPM Borrachas com flúor, grupos de fluoralquilo ou fluoralcoxi na cadeia princ
ipal do polímero (também FKM) Polar Saturado
IM Poliisobuteno, poliisobutileno
GRUPO N
além de carbono também tem azoto na cadeia principal DEFINIÇÃO POLARIDADE
GRAU DE SATURAÇÃO
N Amidas de polieter (polyether amides)
MODIFICAÇÕES
X- Borrachas carboxiladas
S- Borrachas de solução
EM- Borrachas de emulsão
OE- Borrachas extendidas com óleo
B- Borrachas bromadas
C- Borrachas cloradas
Y- Borrachas termoplásticas

Resistência a Óleo e ao Calor das Borrachas


A escolha da borracha base para a execução de uma formulação é fortemente determinada pelo
comportamento pretendido no que respeita ao amortecimento, à rigidez, à resistência a
temperaturas elevadas ou baixas, à resistência a óleos, à resistência ao ataque químico e p
or algumas das características apresentadas após envelhecimento.
De uma forma simples, dividimos as borrachas em grupos em função da sua resistência a ól
eo e ao calor.

BORRACHAS APLICÁVEIS
(SÍMBOLOS) TEMPERATURA MÁXIMA DE UTILIZAÇÃO (°C)
Não resistente a óleo NR 80
IR 80
SBR 90
BR 80
IIR 130
EPM 110
EPDM 120
Elevada resistência a óleo NBR 115
HNBR 150
AU 80
EU 90
CO 125
ECO 125
Moderada resistência a óleo CR 100
CSM 125
CM 125
Muito elevada resistência ao calor e a baixa temperatura MQ 200
PMQ 200
VMQ 200
FVMQ 200
Elevada resistência ao calor e a óleo a alta temperatura ACN 160
ANM 160
EAM 160
FPM 230
SOBRE OS ANTIOXIDANTES / ANTIOZONANTES
Os elastómeros vulcanizados, tal como a maioria dos materiais poliméricos, apresenta
m em serviço, um envelhecimento que se traduz por deterioração das características gerai
s e por alteração do aspecto dos produtos. A perda nas propriedades físicas associada
aos processos de envelhecimento, é normalmente causada pela cisão da cadeia, reticul
ada, ou por alteração química das cadeias do polímero. Consequentemente, as matérias-prima
s anti-envelhecimento usadas, antioxidantes e antiozonantes, devem ser capazes d
e reagir com os agentes causadores do envelhecimento (ozono, oxigénio, calor, luz,
tempo e radiação), para prevenir ou diminuir a falha do polímero, melhorar as qualida
des do envelhecimento e aumentar o tempo de vida, em serviço, do produto envolvido
.
O oxigénio é a causa principal do envelhecimento e o que produz maiores alte
rações nos produtos. A acção do oxigénio é tanto mais acentuada quanto maior for o tempo de
exposição e quanto mais elevada for a temperatura. Para retardar ou evitar este fenóme
no utilizam-se antioxidantes. Para evitar a acção do ozono, que é muito mais rápida do q
ue a do oxigénio e é, essencialmente, um fenómeno superficial sendo bem visível o result
ado, aparecimento de fissuras perpendiculares à direcção das tensões, utilizam-se antioz
onantes. O ozono é destrutivo para as borrachas sob tensão, tendo um efeito reduzido
em borrachas saturadas. A escolha de um antioxidante, antiozonante ou qualquer
outro antidegradante é determinada pelo meio ambiente de serviço. Sempre que possível
deve utilizar-se antioxidantes de peso molecular elevado para reduzir a volatili
zação ou a migração para a superfície, às temperaturas utilizadas na moldagem, particularmen
te no caso de produtos com paredes finas. O resultado do ataque oxidativo depend
e do tipo de polímero/elastómero: a borracha natural torna-se mole e pegajosa, enqua
nto a borracha de estireno butadieno (SBR) se torna dura.
MECANISMO DA OXIDAÇÃO DOS ELASTÓMEROS
Crê-se que a oxidação dos elastómeros segue um mecanismo radicalar comum, igual ao da fo
to-oxidação dos polímeros, representado da seguinte forma:
Iniciação
RH R* + H*
Propagação
R* + O2 ROO*
ROO* + R - H ROOH + R*
ROOH RO* + HO
2ROOH RO*+ ROO* + H2O
Terminação
R* + ROO* ROOR
2R* R-R
No caso concreto da borracha natural os factores mais importantes associados ao
envelhecimento estão indicados na tabela abaixo.
FACTOR ACTIVO EFEITO AGENTE DE PROTECÇÃO
1 - Envelhecimento anaeróbico Reversão Sistema de vulcanização resistente ao calor
2 - Oxigénio + Calor Oxidação Antioxidante
3 - Oxigénio + Metais pesados Oxidação catalisada pelo metal Desactivador do
metal
4 - Oxigénio + Flexão Fendas de flexão Agente anti-flexão, antiozonante químico ou
cera
5 - Ozono + Tensão Fendas provocadas pelo ozono Antioxidante e absorvedo
r de U.V.
6 - Luz ou ultra violeta Fendas, foto-oxidação
Os factores 1 a 3 afectam geralmente as propriedades físicas e a superfície, enquant
o os factores 4 a 6 afectam normalmente só a superfície.
O envelhecimento anaeróbico traduz-se num decréscimo da rigidez, resiliência e resistênc
ia à tracção, ao rasgamento e à fadiga. O envelhecimento oxidativo causa, geralmente, um
decréscimo da resistência à tracção, rasgamento e fadiga. O efeito na rigidez depende da
formulação e da temperatura de envelhecimento: temperaturas mais baixas favorecem um
aumento de rigidez, particularmente nas etapas iniciais. A temperaturas elevada
s, o envelhecimento oxidativo afecta só a superfície, dado que, essencialmente, todo
o oxigénio é consumido por reacção com a borracha, antes de se poder difundir na estrut
ura.
É frequente a utilização simultânea de dois, ou mais, antioxidantes já que muitas aplicações
equerem protecção contra mais do que uma das acções referidas anteriormente, e só com mist
uras de antioxidantes se consegue tal efeito, devendo ser considerada a admissib
ilidade ou não do manchamento das peças produzidas e o perigo da perda por volatiliz
ação ou por extracção com água, óleos e solventes.

ANTIOXIDANTES QUÍMICOS E FÍSICOS


Os antioxidantes podem dividir-se em químicos e físicos. No primeiro grupo temos gen
ericamente três tipos de compostos usados:
As aminas: que em geral tendem a alterar a cor (são “staining”) e por isso os antioxi
antes à base delas são praticamente só usados em borrachas pretas, existindo quatro cl
asses de aminas largamente usadas: as naftilaminas, as difenilaminas, as parafen
ileno-diaminas e as di-hidroquinolinas.
Os fenólicos: (que são “non staining”) são mais utilizados em produtos manufacturado
cor clara, podendo agrupar os mais usados em dois grupos, derivados de monofenol
e derivados de bisfenol.
Os fosfitos têm a sua maior aplicação como estabilizadores na polimerização do SBR.
Quanto ao segundo grande grupo, antioxidantes físicos, eles são usados em produtos m
anufacturados que, em serviço, sofrem pequenos ou nenhum movimento. São ceras que mi
gram para a superfície (“bloom”), formam uma camada protectora, evitando assim que a s
uperfície seja afectada pelo oxigénio, ozono, etc.
DESEMPENHO COMPARATIVO
Apresento, agora, uma tabela com o desempenho comparativo de vários antioxidantes,
em que:
Colunas I a VII: 1 (melhor), 6 (pior)
Colunas VIII e IX: 0 = não manchante; 6 = muito manchante.

ABREV. I
AUTO-OXIDAÇÃ II
CALOR III
FLEXÃO IV
OZONO (ESTÁTICO) V
ENVEN POR METAL VI
FORMAÇÃO “PELE DE ELEFANTE” VII
CICLIZAÇÃO VIII
MANCHANTE IX
MANCHANTE POR CONTACTO
IPPD 2 2-3 1 1-2 2 6 - 5-6 5
6PPD 3-4 2-3 1-2 26) 2 6 - 5-6 5
77PD 2 3-3 2 1 - 6 - 5 5
DTPD 2-3 2-3 2 36) 2 6 - 5 4
ODPA 2 24) 4 6 3 6 - 2-3 1-2
TMQ 2 1-23) 4-5 6 3-4 6 - 3 2
SPH 4 4 4 6 - 2 1-2 0 0
BPH 2-3 3 6 6 33) 3 - 1 0
BHT 3-4 4-5 6 6 4-5 1 2-3 0 0
MBI 42) 35) 6 6 68) 6 6 09) 0
MMBI 42) 35) 6 6 68) 6 6 09) 0
ZMMBI 42) 35) 6 6 68) 6 - 09) 0
Sobre Normas para Borracha
Apresentamos uma equivalência directa ou aproximada, entre algumas Normas para Bor
racha, tais como Normas ISO (International Organization for Standards), Normas A
STM, (ASTM International, anteriormente conhecida como American Society for Test
ing and Materials), Normas DIN (Deutsches Institut fur Normung E.V.), Normas BS
(British Standards Institution), Normas JIS K (JSA - Japanese Standards Associat
ion), Normas ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e Normas NP (Instituto Po
rtuguês da Qualidade) - Comissão Técnica 76), que consideramos relevantes para a indústr
ia de borracha.
No caso das Normas Brasileiras, ABNT, a referência da norma é constituída normalmente
por dois códigos, código principal/código secundário, podendo, no entanto, a pesquisa no
sítio da Associação Brasileira de Normas Técnicas ser feito sómente através do código secund
o.

ALGUMAS NORMAS GERAIS PARA BORRACHA


Campo de Aplicação ISO ASTM D DIN BS JIS K ABNT NP
Borracha - Vocabulário 1382 1566 3558 NP ISO 1
382
Borracha e latex - Nomenclatura 1629 1418 DIN ISO 1629 3502/2
Determinação da Viscosidade Mooney 289 1646 53523 903-A58 6300-1 NBR 1071
8/MB 2454 NP ISO 289
Características da vulcanização - Reométro de disco oscilante 3417 2084 53529
903-A60 NP ISO 3417
Características da vulcanização - “Rotorless Curemeters” 6502 5289 53529
NP ISO 6502
Unidades 1000 ASTM E 380 1301

ALGUMAS NORMAS PARA BORRACHA VULCANIZADA


Campo de Aplicação ISO ASTM D DIN BS JIS K ABNT NP
Tolerâncias dimensionais para produtos moldados e extrudidos 3302
DIN ISO 3302 NP ISO 3302
Preparação de provetes para testes 4648, 4661 3182, 3183 53534 903-A36
NP 2393
Determinação da densidade 2781 1817 53479 903-A1 6268 NP ISO 2
781
Determinação da dureza IRHD 48 1415 53519 903-A26 6253 NP ISO 4
8
Determinação da dureza Shore A e Shore D 868 2240 53505
NBR 7318/MB 497 2916, 2917, 2918
Determinação do efeito dos líquidos 1817 471 53521 903-A16 6258 NBR 1140
7/MB 408 NP ISO 181
Determinação da resistência à tracção 37 412 53504 903-A2 6251 NBR 7462
/MB 57 NP ISO 37
Determinação da resistência ao rasgamento 34 624 53507, 53515 903-A3
6252 NBR 11911/MB 407 NP ISO 34
Envelhecimento acelerado em estufa 188 572, 573 53508 903-A19
6257 NBR 6565/MB 394
Determinação da deformação permanente por compressão 815 395 DIN ISO 815, 535
17 903-A6 6262 MB 523, MB 524, NBR 10025/MB 383 NP ISO 815
Determinação da tensão de relaxamento em compressão 3384 53537 903-A42
6263 NP ISO 3384
Determinação da deformação permanente por tensão 2285 412 53518 903-A5, 903-A
6251 NP ISO 2285
Determinação da resiliência com o pendulo (resiliência de ressalto) 4662 1054
53512 903-A8 6255 NBR 6566/MB 464, NBR 8690/MB 2074 NP ISO 4662
Determinação da temperatura de fragilidade 812 2137 DIN ISO 812 903-A25
NP ISO 812
Retracção a baixas temperaturas (ensaio TR) 2921 1329 903-A29
NP 2921
Determinação da resistência ao “gretamento por flexão” e do “desenvolvimento da greta”(De Mat
) 132 430, 813 53522 903-A10, 903-A11 6260 MB 565
Determinação da resistência à abrasão 4649 53516 903-A9 6264-1 NBR 1191
0/MB 382 NP ISO 4649
Determinação da resistência ao ozono 1431 518, 1149, 1171, 3395 53509 903-A43,
903-A44 6259 NBR 8360/MB 1933
Determinação da resistividade de produtos condutores e antiestáticos 1853 991
2044 6271 NP ISO 1853
Determinação da permeabilidade ao gás 2782 53536 903-A17, 903-A30
6404-10
Determinação do comportamento a baixa temperatura 812, 1432 746, 797, 1053,
2137 903-A13, 903-A25
Manchamento de superfícies por elastómeros 3865 925 53540 903-A33 6267
NBR 10572/MB 730 NP ISO 3865
Determinação das cinzas 247 4574 53568 1673 NBR 8676/MB 2027
NP ISO 247
Determinação das propriedades dinâmicas da borracha 2856 53513, 53535
903-A24,903-A31 6394