DIREITO DA UNIÃO EUROPEIA (2014/15

)
— CASOS PRÁTICOS —
1. A Comissão Europeia, tendo em vista aumentar a segurança dos transportes
ferroviários, propôs ao Conselho a adopção de um Regulamento, no qual se previa a
obrigatoriedade do cumprimento de determinados requisitos técnicos na construção
de novos comboios, bem como a adaptação dos comboios em circulação, no prazo
máximo de dois anos. O Parlamento Europeu e o Comité Económico e Social foram
consultados, tendo o primeiro proposto que o prazo referido fosse alargado para
quatro anos. O Conselho apresentou a sua posição ao Parlamento Europeu, na qual
mantinha o prazo de dois anos para a adaptação dos comboios em circulação. O
Parlamento Europeu, não obstante, votou uma emenda em que fixava o prazo em
quatro anos. A Comissão mostrou-se em completo desacordo com essa alteração,
acusando o Parlamento Europeu de «adiar a segurança dos passageiros europeus». O
Conselho, não querendo antagonizar o Parlamento Europeu, e «uma vez que essa foi a
única alteração proposta pelo PE», sujeitou a posição assim alterada a votação, tendose registado os seguintes resultados: todos os membros do Conselho votaram a favor,
com a excepção de Malta, Luxemburgo e Chipre.
a) Pronuncie-se sobre a regularidade do processo.
b) Suponha que, depois da apresentação da proposta da Comissão, os
Parlamentos Nacionais de dez dos Estados-Membros pretendem que a mesma
seja reanalisada. O que é que podem fazer?

2. Suponha que o Conselho Europeu elegeu Juan

X. — Primeiro Ministro

espanhol — como seu Presidente. Todavia, atendendo ao compromisso que assumira
perante

o

povo

espanhol,

Juan

X.

pretende

exercer

ambos

os

mandatos

simultaneamente. Por seu turno, o Alto Representante da União para os Negócios
Estrangeiros e a Política de Segurança contesta a validade da deliberação do Conselho
Europeu, alegando que o seu voto negativo deveria ter sido contabilizado, facto que
impediria a obtenção da maioria qualificada exigida para a sua eleição. Quid Juris?

3. Imagine que o Conselho solicita à Comissão que lhe dirija uma proposta de
regulamento sobre segurança no trabalho. Suponha que a Comissão nada faz, ou que
recusa apresentar a proposta, por considerar que não se revela oportuna, para o

interesse da União, a adopção de um regulamento sobre aquela matéria. O que
poderá fazer o Conselho?

4. Suponha que a República Islâmica do Azerbaijão, invocando a sua localização
a oeste dos Urais e a norte da Ásia Menor e, portanto, a sua inserção na Europa
«geográfica», apresenta ao Conselho um pedido de adesão à União. O Conselho
consultou a Comissão, o Parlamento Europeu e o Comité das Regiões. O parecer da
Comissão foi no sentido da aceitação do pedido do Azerbaijão. Já o Parlamento
Europeu foi da opinião contrária. O Comité das Regiões não chegou a pronunciar-se.
No Conselho, depois de um longo debate quanto ao pedido em causa, verificou-se a
seguinte votação: todos os Estados votaram a favor, com excepção do Reino Unido e
da Dinamarca, que votaram contra. Foram cumpridos todos os requisitos de que
depende a aprovação do pedido pelo Conselho?

5. Suponha que um Estado-membro da União Europeia tem adoptado, de forma
sistemática, no seio do seu ordenamento jurídico, legislação que limita de forma
inadmissível a liberdade de expressão, pondo em causa, na opinião dos principais
partidos da oposição nesse país, o regular funcionamento da democracia. Alertada
para a situação pelas múltiplas queixas de cidadãos comunitários, a Comissão
solicitou ao Conselho que tomasse as medidas adequadas. Este, depois de ouvir o
Estado-membro em questão, e apesar da manifesta discordância do Parlamento
Europeu, resolveu suspender o direito de voto do representante do governo desse
Estado-membro no seio do Conselho. Sabendo que a decisão em causa foi aprovada
com o voto contra da Alemanha, França e Reino Unido, pronuncie-se sobre a
regularidade do processo.

6. Imagine que o Ministro da Educação Francês, descontente com a actuação do
Comissário responsável pela educação e cultura, que na última reunião da Comissão
apresentou uma proposta de directiva relativa à utilização de símbolos religiosos nas
escolas (contrariando as mais recentes orientações do Governo Francês a este
respeito), decide propor a demissão do referido Comissário. Quid iuris?

7. Na década de oitenta, o Conselho constatou que as fusões de empresas de
grandes dimensões, sediadas em diferentes Estados-membros, geradoras de efeitos

o processo mais adequado para resolver o problema enunciado. mas não reuniu a unanimidade no seio do Conselho. o Tratado de Roma não dispõe de uma norma que permita um controlo único. todavia. Dez Estados consideraram que a proposta apresentada poderia pôr em causa interesses fundamentais nacionais. Na sua reunião de Dezembro de 1995. a nível comunitário. Qual seria. o Conselho deliberou encarregar a Comissão de negociar com Moçambique e Sudão a conclusão de um tratado internacional sobre a ajuda financeira a prestar pela União àqueles dois Estados. como não foi publicada no JOUE. nos termos do artigo 86º do TFUE. não poderiam ser objecto de avaliação pelas autoridades comunitárias. no que à respectiva remuneração diz respeito. Suponha que o Conselho solicitou á Comissão uma proposta de regulamento com vista à instituição de uma Procuradoria Europeia a partir da Eurojust.pró e anti-concorrenciais no território comunitário. por infracção das regras estabelecidas nos artigos 101º e 102º do TFUE. . invocando a violação do TFUE que proíbe a discriminação entre trabalhadores do sexo masculino e do sexo feminino. cumprir a decisão. De facto. a qual terá por missão combater as infracções lesivas dos interesses financeiros da União. O representante da Irlanda está convencido de que o projecto de Tratado que está a ser negociado viola o Direito da União Europeia. para a salvaguarda da concorrência europeia. Em contrapartida. Quid juris? 9. Imagine que no âmbito da política de concorrência a Comissão Europeia decide aplicar sanções a uma empresa portuguesa. uma vez que a União não dispõe de competência para o efeito. do seu ponto de vista. os restantes Estados mostraram-se entusiasmados com o texto apresentado e pretendem concretizar o projecto legislativo. evitando a insegurança jurídica que poderia resultar de diferentes apreciações pelas várias autoridades nacionais em contacto com essa operação transnacional. nesse contexto. Suponha que ainda não foi adoptada nenhuma medida. 8. Quid juris? 11. uma vez que esta não só não se encontra devidamente fundamentada. obteve a aprovação do Parlamento Europeu. Quid juris? 10. A empresa em causa não tenciona. A proposta foi apresentada. das concentrações de empresas de grande dimensão. A “Federação Dinamarquesa dos Empregados de Comércio e de Escritório” intentou uma acção num tribunal ‘arbitral’ profissional dinamarquês contra a empresa Ganfoss.

c) Suponha agora que o tribunal sueco considera o regulamento comunitário inválido e pretende afastar imediatamente a sua aplicação. Poderá fazê-lo? . Kapla resolveu interpelar directamente o Tribunal de Justiça enviando-lhe um relatório em que descrevia a situação de facto e solicitava certos esclarecimentos sobre o regulamento comunitário.º 918/83 a importação revestia carácter comercial.A “Federação dos Empregados” invocou a referida norma a favor de duas empregadas da empresa em causa. aumentos específicos em função de critérios subjectivos como a maior flexibilidade de um colaborador?» A empresa dinamarquesa considera que o tribunal nacional não tem “legitimidade” para interpelar o Tribunal de Justiça e pretende reagir. facto que acabaria por desfavorecer sistematicamente os trabalhadores femininos O tribunal arbitral profissional decidiu suspender a instância e submeter ao Tribunal de Justiça a seguinte questão: «A norma comunitária acima referida opõe-se a que sejam concedidos a trabalhadores de sexo diferente. 12. Aprecie o argumento aduzido prestando especial atenção à jurisprudência comunitária vigente neste domínio. a) Perante a inactividade do tribunal sueco. Quid juris? b) O tribunal sueco recusou-se a suscitar a questão pois considerava-se capaz de julgar o processo. O interessado recorreu desta decisão para o tribunal superior (Hovrätt for Västra Sverige). do qual não há possibilidade de recurso. alegando que esta atribui aos seus trabalhadores suplementos salariais individuais calculados em função da flexibilidade. que efectuam o mesmo trabalho. pelo que o tribunal sueco tinha a obrigação de submeter a questão ao Tribunal de Justiça. pois procurara introduzir na Suécia 500 kg de arroz a partir de território norueguês. Quid juris? Nota: Na resposta a esta questão deve ter em conta que a competência do tribunal dinamarquês não está dependente do acordo das partes e que a composição do tribunal não é confiada à livre decisão das partes. O Tribunal considerou que foi ultrapassada a quantidade de 20 kg autorizada por uma decisão da administração aduaneira para a importação de arroz com a franquia de direitos aduaneiros. Kapla foi condenado pelo tribunal sueco de primeira instância (Stömstads Tingsrätt) por tentativa de contrabando. uma vez que a interpretação da norma comunitária não oferecia dificuldades. e alegou que as normas do regulamento comunitário sobre esta questão não eram claras. e que nos termos do Regulamento (CE) n.

pelo que interpela o Tribunal de Justiça. Pronuncie-se sobre o acerto desta decisão.d) Imagine agora que. solicitando a declaração de invalidade do mesmo. . o tribunal sueco entende que as decisões prejudiciais só produzem efeitos nos processos a que se referem. apesar do Tribunal de Justiça já se ter pronunciado sobre a validade do regulamento comunitário.

Tendo decidido questionar o Governo português quanto a tal facto. que teria aprovado normas proibindo a importação de determinados bens tidos como lesivos de sectores nacionais estratégicos. por que razão estava a violar o art.A sociedade RECREB celebrou um contrato relativo a um curso de inglês por correspondência com Paola Dori. nomeadamente.. e pretende invocar os referidos direitos contra a sua entidade patronal. b. que foi afetada pelas medidas restritivas executadas pela administração aduaneira alemã.Suponha que a Comissão Europeia verifica. O contrato foi celebrado na estação central . Que argumentos poderá invocar em sua defesa? Poderão os argumentos do Parlamento Federal alemão ser contrariados? 14. A Diretiva X de 2009 impunha o reconhecimento de determinados direitos aos trabalhadores do sector ferroviário. Pronuncie-se sobre a pertinência do argumento do Governo português. mas sim do Parlamento Federal Alemão. o mesmo respondeu que não tinha transposto a diretiva porque. a Comissão Europeia pediu esclarecimentos ao Governo alemão. recorreu das mesmas para o tribunal alemão competente. dadas as particulares condições de trabalho nessa área.”. Depois de pressionada pelo Estado português. perguntando-lhe.c) Princípios fundamentais de Direito da UE 13. O Parlamento Federal fundamentou esta atitude com o facto de estar a cumprir uma lei alemã. A empresa portuguesa “AUTOPEÇAS. Poderá João invocar os direitos resultantes da Diretiva X? Como? 15. a transposição tornou-se inútil». que o Estado Português ainda não a transpôs para a ordem jurídica nacional. Este respondeu que a culpa não era sua. acrescentando ainda que qualquer norma comunitária contrária à lei alemã seria inválida. S.A. João é trabalhador da empresa pública C. «uma vez que o Tribunal de Justiça já reconheceu o efeito direto das normas da diretiva.P. findo o prazo de transposição da Diretiva X de 2009.Suponha que o Estado alemão impediu de forma repetida a entrada de produtos portugueses (peças destinadas à indústria automóvel) no seu mercado. e na sequência da queixa de João. 34º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. a.

consequentemente. afirmando novamente que tinha rescindido o contrato nos termos da diretiva. uma vez que nos contratos celebrados fora dos estabelecimentos comerciais do comerciante a iniciativa das negociações parte normalmente deste e o consumidor é frequentemente apanhado desprevenido. a RECREB intentou uma ação num tribunal italiano. Passaram dois anos sem que as autoridades portuguesas tivessem adotado qualquer medida relativa à Diretiva em causa. A Diretiva «Aves» estipulava que a respetiva transposição deveria ocorrer dentro de um prazo de seis meses. a. em resposta a uma epidemia da «gripe das aves». não estando em condições de comparar a qualidade e o preço da proposta com outras ofertas. Dois dias mais tarde. intentar uma ação de . 16. Apurou-se que o frango responsável pela infeção provinha de um aviário da Lourinhã (o «Frango Franguito») que. tendo em conta que à data dos factos não tinha sido adotada em Itália qualquer medida de “execução” da Diretiva. a diretiva comunitária visa atribuir ao consumidor um direito de resolução do contrato durante um período de pelo menos sete dias. a fim de lhe dar a possibilidade de avaliar as obrigações decorrentes do contrato. relativa à proteção dos consumidores no caso de contratos celebrados fora dos estabelecimentos comerciais. invocando para o efeito a faculdade consagrada na Diretiva 85/577. pela qual visa instituir regras comuns de carácter sanitário nos aviários europeus. Esta deduziu oposição. ou seja. João. habitual consumidor de frango «de churrasco». tendo sofrido prejuízos de diversa ordem.de Milão. Decide. foi infetado pela «gripe das aves». Diga qual deve ser o sentido da decisão do tribunal nacional. João passou quase um mês no hospital. por carta registada. aprovou uma Diretiva dirigida a todos os Estados-membros. Paola Dori informou a sociedade. Dois meses mais tarde. na sequência de uma proposta da Comissão. embora cumprisse de forma exemplar toda a regulamentação nacional relativa a cuidados sanitários e outros. embora o prazo já tivesse terminado. mais exigente. o Conselho da União Europeia. De facto. pedindo a condenação de Paola Dori no pagamento da soma acordada acrescida de juros e despesas. fora do estabelecimento comercial da RECREB. não cumpria a regulamentação prevista nas Diretiva «Aves». que cancelava a encomenda.Suponha que.

De quem poderá exigir o ressarcimento dos prejuízos sofridos? Com que fundamento? Justifique a sua resposta. o Iliabum. acabava em Julho de 2009. Qual deve ser a decisão? 18. João Marco. mesmo que o contrato entre um jogador e o seu clube anterior já tivesse terminado. João Marco considerou-se livre para ingressar na alta-roda do basquetebol europeu.responsabilidade num tribunal de primeira instância. o governo português decidiu repor as . b. as regras da Associação de Basquetebol Europeia (ABE). o Barcelona comunicou-lhe que não podia cumprir o acordado. De facto. chegou a acordo com o clube espanhol Barcelona no sentido de integrar o plantel de jogadores do mesmo clube na época de 2009/2010. e como o Iliabum não se mostrou interessado em renovar o contrato. jogador de basquetebol profissional. O tribunal indeferiu o pedido. procurando saber se uma regulamentação do tipo da da ABE estaria ou não conforme ao Direito Comunitário. João Marco viu-se subitamente no desemprego. tendo a questão chegado ao Tribunal da Relação de Coimbra que colocou uma questão prejudicial a uma instância comunitária. exigindo que este lhe pagasse os honorários a que teria direito se a transferência para o Barcelona se tivesse concretizado. visto que o Iliabum se recusava a deixar sair o jogador se não fosse paga uma indemnização avultada. da qual fazem parte as federações nacionais portuguesa e espanhola. A resposta à pergunta anterior seria a mesma no caso de o tribunal comunitário competente ter respondido à mesma questão três meses antes? 17. Como o Barcelona se recusou a pagar a indemnização. Suponha que a ação chega ao Supremo Tribunal de Justiça. estipulavam que. Passados uns dias. Em Agosto de 2009. Uma vez que o seu contrato com o clube anterior.Em Julho de 2009. João Marco intentou junto do tribunal da comarca de Aveiro uma ação de indemnização contra o Iliabum. seria sempre devida pelo clube ulterior uma indemnização ao primeiro clube.Para garantir o sucesso da realização do festival de música ‘Rock in Rio’ e do campeonato de futebol ‘Euro 2004’. Haverá alguma hipótese de um tribunal comunitário ser chamado a pronunciar-se? c.

contra a DKR. uma pena de prisão de um mês. para o efeito. Ao entrarem na autoestrada portuguesa. depararam com uma equipa da Guarda Nacional Republicana (GNR). não pode ser derrogado. a. celebrou um contrato de trabalho com uma empresa portuguesa. ao paciente. Jean pretende intentar uma ação de responsabilidade num tribunal de primeira instância. adotada em execução da Diretiva 93/104. Suponha que o agente português recusou a entrada de Nadine por não possuir nacionalidade de um dos Estados-membros da União Europeia. que os conduziu ao posto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). O serviço alemão de emergência médica terrestre é assegurado por uma entidade privada. 19. Tendo sofrido prejuízos avultados. invocando para o efeito a legislação alemã relativa à duração do trabalho. por consumo de drogas leves. A sua pretensão será procedente? Justifique a sua resposta. .António. Aprecie os argumentos invocados pelo agente português. Além disso. como assistente de emergência médica. durante o mês de Junho daquele ano. a mesma diretiva comunitária. pedindo-lhes a respetiva identificação. francês. e efetuar o controlo documental. O início de atividade estava previsto para o mês de Junho. a DRK exigiu a António que trabalhasse em média 50 horas semanais. Jean. trabalha desde Dezembro de 2008. de acordo com o Ministério da Administração Interna. António intentou. que mantém os postos de emergência médica abertos 24 horas por dia. a DRK. de nacionalidade ucraniana. invocando. facto que lhe permitiria assistir a vários espetáculos em Portugal com a sua esposa Nadine. na Alemanha. há 16 anos. uma ação de condenação no pagamento das horas extraordinárias prestadas para além das 48 horas semanais. que permite ao empregador prolongar o tempo de trabalho normal em situações de urgência. no local. b. uma vez que este tinha cumprido.fronteiras. O objetivo. era prevenir a imigração ilegal e a entrada em território nacional de ‘cidadãos ou grupos referenciados como habituais causadores de conflitos ou desordens públicas’. o mesmo agente recusou a entrada a Jean. de nacionalidade portuguesa. a. Esta é assegurada por meio de ambulâncias que se deslocam para prestar cuidados médicos. tal como resulta da jurisprudência do TJCE. fixado na diretiva. Entre Março e Dezembro de 2009. alegando que o limite das 48 horas.

c. ocupou um emprego administrativo. tem sérias reservas sobre a conformidade da diretiva comunitária com certas disposições do tratado CE. Aos três anos de idade. o seu irmão e a sua tia foram deportados para a ex-URSS. António recebeu a visita do seu pai que pretendia. por um lado. Nerkowska. aos sessenta e cinco anos. Em 2002. todavia. perdeu os pais. Ao iniciar a viagem. O tribunal alemão. António recebeu a visita da namorada portuguesa. Em 2000. posteriormente.H. após a conclusão dos mesmos. Em 1951. a título da sua incapacidade parcial para o trabalho relacionada com a sua permanência em espaços concentracionários. H. A suspensão da pensão foi decidida devido ao facto de a beneficiária ter deixado de residir em território polaco. a autoridade administrativa polaca competente reconheceu o direito à pensão de H. da vontade de o legislador polaco circunscrever a obrigação de solidariedade para com as vítimas civis da guerra ou da repressão apenas às . verificou. Regressou à Polónia ao fim desses seis anos. que foram deportados para a Sibéria. encantada com a organização do Estado Alemão. Aprecie as situações descritas no plano do Direito da União Europeia. que os vários museus alemães ostentavam o seguinte aviso: “As entradas nos museus são gratuitas para nacionais alemães menores de dezoito anos ou maiores de sessenta anos de idade”. Nerkowska é uma cidadã polaca que nasceu na Polónia em 2 de Fevereiro de 1946. Berta. até Janeiro de 1957. pretende residir definitivamente nesse Estado. Na mesma data. que. a título dos problemas de saúde que teve durante a sua deportação. Fez aí os seus estudos e. As autoridades polacas alegam que essa causa de suspensão da pensão prevista na legislação polaca resulta. chamado a apreciar a questão.b. e pretende afastar a sua aplicação. aproveitar as benesses do turismo da terceira idade. Nerkowska. d. Em Dezembro de 2009. A Senhora Nerkowska passou a beneficiar dessa pensão até que em 2005 lhe foi retirada em virtude de ter mudado a sua residência para Portugal logo após a adesão da Polónia à União Europeia em 2004. H. Nerkowska apresentou ao Zakład Ubezpieczeń Społecznych Oddział w Koszalinie (vamos chamar-lhe “autoridade administrativa polaca competente”) um pedido de pensão de invalidez. 20. Viveu aí em condições difíceis.

Suponha que o legislador português decide proibir a comercialização em Portugal de equipamentos lúdicos. A “Toros de France” viu ser proibida pelas autoridades portuguesas a importação de seis toiros seus destinados a serem toureados em praças Portuguesas. Suponha que a legislação portuguesa impede que sejam lidados em Portugal toiros que não possuam um certificado de bravura conferido pelas autoridades sanitárias logo após terem sido submetidos. Atendendo às disposições do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia relativas à cidadania da União diga. indicando como deve ser tratado este problema à luz das disposições do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia e como deve agir a empresa. 22. uma manifestação do grau de integração destas com a sociedade polaca. É-lhe pedido ainda que indique que possibilidades existem de obter a reparação dos prejuízos decorrentes da impossibilidade de exportar os seus toiros para Portugal. Por outro lado. se a Senhora Nerkowska terá direito à referida pensão apesar de residir em Portugal. O ato legislativo português onde se proíbe essa comercialização indica no seu preâmbulo como razões justificativas para essa proibição que esse tipo de equipamentos se destina a simular atos homicidas implicando uma . de pontaria laser (semelhantes a pistolas automáticas) bem como os recetores de raios instalados em coletes a serem usados pelos jogadores.pessoas que tenham uma conexão com o povo polaco. a um sistema de controlo genealógico que permite traçar com rigor a vida e antecedentes de cada animal. as autoridades polacas consideram que só um requisito de residência como o que está em causa no processo principal é suscetível de garantir a possibilidade de verificar que a situação do beneficiário da prestação em causa não sofreu alterações suscetíveis de ter uma incidência no seu direito à prestação. O conselho de administração da empresa referida pede-lhe que elabore um breve memorando. portanto.A empresa “Toros de France” é proprietária de uma exploração de toiros bravos que se destinam a ser lidados em espetáculos tauromáquicos. justificando. no momento do nascimento do toiro. para adultos. O requisito da residência constitui. 21. em virtude de não terem nenhum certificado de bravura emitido pelas autoridades sanitárias Francesas.

23.º a 36. ao abrigo do artigo 267.A empresa “Do it yourself” é uma sociedade com sede no Luxemburgo onde se dedica à exploração de lojas de bricolage. contrariando assim a legislação luxemburguesa que enumera as listas de produtos que podem ser vendidos ao Domingo e que. englobam artigos como bebidas. provando que a proibição de abertura das lojas ao Domingo tinha como efeito reduzir o total das vendas da empresa e ainda que 60% das mercadorias postas à venda por si provinham de outros Estados membros da União Europeia. Uma empresa portuguesa que importa do Reino Unido esse tipo de equipamentos viu-se sujeita a uma multa pelo facto de os ter comercializado em Portugal.º TFUE. A empresa alegou em sua defesa que a legislação do Luxemburgo viola os artigos 34. jardinagem e equipamentos de lazer. jornais e revistas e outros produtos de consumo corrente. a legislação em causa constituiria uma medida de efeito equivalente incompatível com o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia e. tabaco. produtos alimentares. Esta empresa foi acusada perante um órgão jurisdicional nacional do Luxemburgo de abrir as suas lojas de venda a retalho ao Domingo. Em que sentido deverá responder o Tribunal de Justiça à jurisdição de reenvio? CASOS PRÁTICOS DE EXAMES E FREQUÊNCIAS DE ANOS ANTERIORES . em caso afirmativo. resumidamente. A sanção que lhe poderá ser cominada é a de uma multa cujo máximo pode atingir 10. à luz do atual estado da jurisprudência do Tribunal de Justiça sobre a liberdade de circulação de mercadorias. o Tribunal de Justiça quanto a saber se. Será esta (hipotética) legislação portuguesa conforme ao Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia? Justifique. O Tribunal em causa questionou.º da Constituição da República Portuguesa.banalização da violência que é contrária aos valores fundamentais dominantes na opinião pública em Portugal e ao princípio fundamental da dignidade da pessoa humana consagrado no Artigo 1.000 €.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. se seria abrangida por alguma das exceções previstas pelo referido Tratado.

que apenas cumpre a lei portuguesa. b. Ana decide interpor recurso para o tribunal nacional competente. para poder desempenhar as funções de engenheiro nesse país. dirige-se ao departamento de recursos humanos da entidade patronal.Suponha que o Parlamento Europeu pede à Comissão Europeia que adote uma proposta de diretiva no sentido de aumentar o período de licença de maternidade de 14 para 20 semanas. pedindo que lhe sejam reconhecidas mais quatro semanas de licença de maternidade. como fundamento para o seu pedido de admissão à “Ordem dos Engenheiros”. Tendo chegado ao local. a Diretiva 2005/36/CE. . António foi imediatamente contratado por uma empresa de construção civil portuguesa (Mata & Gil). cujas 14 semanas de licença de maternidade estão prestes a acabar. tendo em vista a promoção da igualdade de oportunidades no mercado de trabalho entre homens e mulheres. invocando. e explique sucintamente. Suponha agora que a diretiva foi adotada no sentido da proposta da Comissão. de acordo com a lei alemão. a. em Portugal. para uma obra de construção de um viaduto. Indique. António procurou inscrever-se na “Ordem dos Engenheiros” alemã. uma vez que tal inscrição é indispensável. o processo de decisão adequado para a adoção desta proposta legislativa. invocando para o efeito a dita diretiva comunitária.24. na Alemanha. António decidiu recorrer das decisões das autoridades alemãs para um tribunal. com a duração de três anos. acaba de se licenciar em Engenharia Civil. tal inscrição foi recusada. trabalhadora numa empresa privada em Portugal. Ana. tal como é prática corrente na Alemanha. Perante o pedido do Parlamento. A empresa responde. foi-lhe respondido que teria de «efetuar um curso alemão de engenharia civil».António. a Comissão adota uma proposta de diretiva que prevê o aumento da licença de maternidade para as 18 semanas. Qual deverá ser a decisão do tribunal? 25. após ter realizado o curso respetivo. e que o prazo de transposição da diretiva se esgotou sem que Portugal tivesse adaptado a sua legislação. português. No entanto. em virtude de António não ter realizado um curso de engenharia de cinco anos. no entanto. Tendo questionado as autoridades alemãs competentes quanto aos trâmites que deveria seguir para poder efetuar a inscrição.

Pierre decide abrir um estabelecimento em Portugal.Suponha que Pierre. num tribunal administrativo. A Diretiva referida não foi transposta para o ordenamento jurídico alemão.a. ao Supremo Tribunal Administrativo. Suponha que o tribunal alemão recorrido tem dúvidas quanto à interpretação de algumas normas de Diretiva referida. e exigindo uma indemnização. mas conciliáveis”. Suponha agora que a ação chega. Passado algum tempo. no procedimento da sua aprovação. portuguesa. Poderá resolvêlas sozinho? 26. na sequência dos lucros que obteve ao participar numa feira de antiguidades em Lisboa. foi surpreendido com um despacho de recusa do Presidente. Aprecie a aplicabilidade da Diretiva 2005/36/CE. de nacionalidade francesa é administrador de uma Sociedade que se dedica à compra e venda de antiguidades. invocando a violação de certas disposições do Tratado CE. Imagine que. chamado a pronunciar-se sobre a questão. a. supondo que. tendo em vista a recuperação arquitetónica de uma zona antiga da cidade. Sabendo que a Câmara Municipal de Roma abriu um concurso público.Antónia. um caso semelhante tinha sido julgado na Alemanha. Antónia decidiu apresentar o seu projeto. No entanto. Quid iuris? 27. c. Suponha que Pierre interpôs. Poderá fazê-lo? b. em recurso. Em Janeiro de 2007. A pretensão de António deve ser considerada procedente? b. Antónia viu recusada a sua . não havia sido pedido o parecer do Comité Económico e Social. por razões relacionadas com a defesa do consumidor e verificação da autenticidade das obras vendidas. possui um atelier de arquitetura no Porto. ao requerer na Câmara Municipal o alvará para abertura do estabelecimento. Qual o sentido desta afirmação? c. um recurso de anulação do despacho do Presidente da Câmara. e que o Tribunal de Justiça. que tem dúvidas sobre a interpretação das disposições comunitárias aplicáveis ao litígio em causa. com base num decreto-lei que exige que as sociedades que se dediquem ao comércio de antiguidades tenham a sua sede em Portugal. tinha decidido que a legislação nacional (semelhante ao decreto-lei português) e a comunitária “não são incompatíveis. dois anos antes.

e tendo em conta as disposições do Tratado CE que considere relevantes para a resolução deste caso. que consagra o princípio da igualdade de tratamento entre homens e mulheres no acesso a bens e serviços e seu fornecimento. quer à Diretiva 2004/113/CE do Conselho. Aprecie a validade da Diretiva 2004/113/CE. António confessou ter encerrado esse capítulo da sua vida. considerou que a questão era em si mesma complexa e procurou transferir o processo para um Tribunal . invocando o facto de António ter pertencido à ETA e de o Decreto n. do Governo Francês proibir o exercício de atividade profissional a estrangeiros comprometidos com grupos terroristas. Suponha agora que o caso se encontra para apreciação num tribunal italiano. tendo em conta que este ato foi adotado no seio do Conselho com a abstenção de dois Estadosmembros. e que. o qual pretende afastar imediatamente a aplicação da Diretiva 2004/113/CE. b. Antónia considera que a lei italiana é contrária. face aos artigos 43º e seguintes do Tratado CE. Sabendo que a Diretiva referida não foi transposta no prazo para o ordenamento jurídico italiano. cidadão espanhol.António. Poderá fazê-lo? 28. uma vez que a Câmara Municipal de Roma tinha “decidido dar preferência a projetos apresentados por arquitetos italianos”. c. António recorreu então para o Tribunal Administrativo de Paris e pediu a anulação do despacho do Ministro do Interior. a.proposta. questionando mesmo a validade desses preceitos. Segundo essa lei deveria ser dada preferência a projetos de recuperação arquitetónicos apresentados por “arquitetos de nacionalidade italiana por serem aqueles que melhor conhecem a matriz cultural italiana que se pretende manter em qualquer projeto de recuperação”. diga se a pretensão de Antónia deve ser considerada procedente. mas teve dúvidas sobre o exato entendimento a dar os preceitos do direito comunitário invocados por António. e contra o parecer do Parlamento Europeu. Quando chegou a Paris. invocando para o efeito a lei italiana de proteção e recuperação do património arquitetónico nacional. quer ao direito comunitário originário. o Ministro do Interior francês ordenou a sua expulsão do território francês.º 04/98. o Governo francês não podia impedi-lo de exercer a sua atividade. emigrou para França para exercer advocacia. O juiz francês recebeu o recurso. Por fim. relativos à livre circulação de trabalhadores independentes.

Stavros Dimas. qual deve ser a decisão do tribunal nacional? e. nesta última situação. a Comissão permanece em silêncio. Que argumentos poderia Stavros invocar? b. Suponha agora que da decisão do juiz do tribunal nacional. Se o regulamento em causa tiver sido adotado. em virtude de ter nacionalidade albanesa. a. Qual o procedimento a que deve obedecer a adoção de tal regulamento? Descreva-o sucintamente. Passados 15 dias. o tribunal nacional considera o ato comunitário inválido e não procede ao reenvio. na pendência da apreciação de um pedido de indemnização apresentado por um particular junto de um tribunal nacional. sem ter sido pedido o parecer ao Comité Económico e Social. O juiz nacional é obrigado a reenviar? d. o que lhe aconselharia? 30. Imagine agora que o regulamento veio a ser adotado. decidiu passar as férias de Verão em Espanha. Imagine agora que. e que uma transportadora portuguesa. Chegados ao aeroporto de Málaga. Após muita insistência de sua mulher. acompanhado da sua mulher e da sua sogra. c. a mulher de Stavros decidiu não regressar a Bruxelas. levanta a questão da sua invalidade.O Conselho pede à Comissão que lhe apresente uma proposta legislativa tendo em vista a diminuição dos prejuízos causados pelos atrasos nas viagens aéreas. cabe recurso para uma instância superior. Perante o pedido do Conselho. a. Se fosse advogado de um particular. tendo comprado uma loja onde passaria a exercer a . prejudicado pela decisão do tribunal nacional. cidadão grego residente em Bruxelas. Stavros contestou as decisões das autoridades espanholas. Como poderá o Conselho reagir? b.Comunitário para ser este a julgar as questões suscitadas por António. Quid iuris? 29. Suponha agora que a Comissão propõe a adoção de um regulamento que estabelece regras comuns para a indemnização e a assistência aos passageiros dos transportes aéreos em caso de atraso considerável dos voos. foi impedida a entrada da sogra de Stavros. que está a apreciar o pedido de indemnização.

chegou ao Porto e instalou-se no hotel Dourolindo com o seu amigo Rajiv.Kate B.. O SEF. onde lidera um gabinete de engenharia. que prontamente contactaram o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Kate B. De nada valeu argumentar que os mesmos não eram necessários na Grécia e que as duas senhoras haviam exercido essa profissão durante 10 anos. cidadã britânica e engenheira civil. Apesar de o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias já ter resolvido essa questão num outro caso. Com que argumentos poderão Kate B. O facto de este ter espirrado quando procedia ao check-in gerou desconfiança nos funcionários do hotel. Essa isenção é automática. que tem dúvidas quanto à interpretação de uma norma da Diretiva 2005/36. recebeu uma visita de fiscais espanhóis que encerraram o estabelecimento em virtude da não apresentação de certificados de cursos de cabeleireiro e manicure. sendo que a sua mãe exerceria a profissão de manicure.profissão de cabeleireira. residente em Londres. tendo em conta a presente epidemia de gripe A. obrigatórios para se poder exercer a profissão. o tribunal espanhol decidiu reenviar-lhe novamente a questão. c. dirigiu uma ordem de expulsão a Rajiv. e Rajiv contestar as decisões de que foram objeto? 32. Avalie o caso. Pode? 31. Kate B. deslocou-se a Portugal para apresentar a sua candidatura a um concurso de conceção de uma nova ponte sobre o Douro.Suponha que a legislação portuguesa que estabelece portagens nas SCUT prevê que as pessoas com residência habitual em Portugal que tenham deficiência permanente. de nacionalidade paquistanesa. a questão chegou ao tribunal supremo espanhol. gozam de uma isenção de pagamento de portagem relativamente a veículos motorizados registados em seu nome. bastando . que limite gravemente a sua locomoção. Na sequência de um recurso para os tribunais competentes da decisão das autoridades espanholas. Passados uns dias. à luz da Diretiva 2005/36. viu a mesma recusada pelo facto de não estar inscrita na Ordem dos Engenheiros portuguesa. No dia da apresentação da candidatura ao concurso.

a sentença do TAF não está sujeita a recurso. Quid iuris? d. ativista espanhol que defendia o direito ao suicídio assistido.º 2004/38. é portador de um documento identificativo de pessoas deficientes emitido pelas autoridades alemãs. Quid iuris? b. em sua defesa. após cumprir uma longa pena de prisão em Espanha. pois considerava que a diretiva em causa tinha sido adotada em violação das regras dos Tratados. Gottwald se desloca frequentemente a Aveiro. o “Doutor Morte” alegou que as autoridades portuguesas ainda não tinham transposto aquela diretiva. Dado o baixo valor da causa. Imagine que. Suponha que o Sr. É então sujeito ao pagamento de uma coima em virtude de não preencher os requisitos para a isenção do pagamento de portagem. a Comissão apresentou uma proposta de modificação que foi aprovada pelo . Quid iuris? c.º 2004/38 não era aplicável. Quid Juris? (6 valores) b. a. em Setembro deste ano. O Sr. Face às dificuldades existentes em torno desta diretiva. o Sr. que padece de paraplegia total. por razões pessoais. O Sr. Gottwald não se conforma com a decisão das autoridades portuguesas e solicita-lhe aconselhamento jurídico. Gottwald recorre da coima para o Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro. Tendo a questão chegado a tribunal. Suponha que. todavia. Gottwald que o tribunal deve reenviar a questão ao Tribunal de Justiça da UE. deslocou-se a Portugal ao abrigo de um contrato de trabalho estabelecido com um lar privado de idosos no Porto. residente em Vigo (Galiza).Suponha que o “Doutor Morte”. por não ter a sua residência habitual no nosso país. Quid Juris? 33.que a pessoa em causa circule na auto-estrada munida de documento identificativo de deficiente emitido por entidade pública. Anton Gottwald é um cidadão alemão. o juiz português decidiu que a Diretiva n. Por esta razão. pelo que não podiam invocá-la contra si. As autoridades portuguesas proibiram. alegando que. Gottwald é sujeito a um controle policial na A29 a caminho de Aveiro verificando-se então não ter pago qualquer portagem. a existência daquela condenação penal anterior o impedia de exercer qualquer atividade no seu território. no seu automóvel utilizando as SCUT’s portuguesas. de acordo com a Diretiva n. entendendo o Sr. a sua entrada no país. a.

Quid iuris? 34. para efeitos de tributação. apesar de mais de metade dos parlamentos nacionais terem assinalado que algumas soluções punham em causa o princípio da subsidiariedade. Para o efeito.Conselho da União Europeia. a empresa de eventos argumentou que a Diretiva n. Terá sido o TFUE regularmente alterado? 35. de forma a atribuir à União competências no domínio do desporto profissional.Suponha que João Mouzinho.º 2005/36 não podia ser invocada. impunha que.º 2005/36 lhe conferia o direito de participar nos referidos jogos. O juiz considerou que não podia decidir essa questão. Mais tarde. Quid iuris? b. Quid iuris? c. ia ser tributada por mais valias (a diferença entre o valor de compra e o valor de venda) “fictícias”. ao Conselho da União e ao Parlamento Europeu. pois ainda não havia sido transposta para o ordenamento jurídico inglês. é contratado por uma empresa de eventos para participar em três jogos de homenagem a antigas glórias do futebol inglês. sem necessidade de obtenção do curso. jogador português de futebol profissional. A lei equiparava. a realizar até ao fim do presente ano de 2011. apesar do parecer desfavorável do Parlamento Europeu. João Mouzinho invocou que a Diretiva n. a empresa de eventos invoca o facto de João Mouzinho não ter um curso de três meses de futebol profissional. que seria exigido para participar em jogos profissionais em Inglaterra. O Conselho Europeu.A lei portuguesa relativo ao imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas. Quid iuris? d. apresenta uma proposta ao Conselho Europeu. a transferência de sede à realização efectiva dessas mais valias e cobrava de . exceto Alemanha. Tendo o caso chegado a um tribunal inglês de primeira instância. devendo obrigatoriamente reenviá-la ao Tribunal de Justiça. A Comissão considera que devem ser alteradas as regras do TFUE. Reino Unido e França. se uma empresa era titular de acções cotadas em bolsa. a. Assim. quando uma empresa quisesse transferir a sua sede para fora de Portugal fosse imediatamente taxada por rendimentos não realizados. aprova a proposta com os votos favoráveis de todos os Estadosmembros.

apenas se exige a indicação de um fiador. O sabor é obtido através de aromas artificiais e a lista de ingredientes deixa isso claro. O que deverá fazer? Quais as consequências de o Tribunal não fazer aquilo a que está obrigado? 37. afirmando que esta prática era contrária ao direito nacional e europeu.imediato imposto sobre esse valor. Tsakouridis voltou à ilha de Rodes e prosseguiu aí a . contem regras relativas à aproximação das legislações dos Estados-Membros respeitantes à rotulagem. P. Furioso. regressou à Alemanha. Tsakouridis. O Tribunal em causa. onde trabalhou a partir de Dezembro de 2004. tem dúvidas sobre como deve interpretar a legislação. apesar de ele não ter sido realizado. apresentação e publicidade dos géneros alimentícios. português. cidadão grego.. Para gerir o seu dinheiro decide abrir uma conta num banco. Que resposta lhe dará? 36. para os nacionais escoceses. Desde Outubro de 2001. Quid Juris? 38. Tsakouridis dispõe de uma autorização de residência de duração ilimitada na Alemanha.P. Depara-se com várias dificuldades: não aceitam o seu cartão do cidadãos. O gerente da empresa NSi. no pub comenta com os amigos escoceses as condições que lhe exigiram e descobre que.Joaquim Miguel. estuda e reside na Escócia. Em meados de Outubro de 2005.A Directiva 2000/13/CE do Parlamento Europeu e do Conselho. A empresa Teekanne vende um produto que. explorou uma creperia na ilha de Rodes. A seguir. apesar de se chamar “chá de framboesa e baunilha” não utiliza nos seus ingredientes nem baunilha nem framboesa. Mais tarde. pergunta-lhe se uma legislação destas será admissível perante o direito da União Europeia. em 1978. lda. exigindo-lhe passaporte. pedem-lhe prova de residência na Escócia há mais de dois anos e ainda a indicação de um fiador (alguém que se responsabilize pelas suas dívidas caso este não cumpra). A empresa Teekanne defende-se dizendo que cumprem todos os requisitos da legislação nacional. que quer transferir a sua sede para o Luxemburgo. De Março de 2004 até meados de Outubro do mesmo ano. Uma associação de protecção de consumidores apresentou uma queixa pela violação das legislação nacional que transpõe a directiva. cuja decisão não admite recurso. na Grécia. Joaquim abandona o banco. de 20 de Março de 2000. P. nasceu na Alemanha.

declarou a perda do seu direito de entrada e de residência no território alemão e prepara-se para o expulsar do território alemão. por ofensa grave à integridade física e por ofensa à integridade física com dolo em concurso com coacção. a criminalidade ligada ao tráfico de estupefacientes. Quid Juris? . foi transferido para a Alemanha. o Landgericht Stuttgart condenou P. o Amtsgericht Stuttgart emitiu um mandado de detenção internacional contra P. Por último. o Tribunal de Estudgarda. Mediante decisão de 19 de Agosto de 2008. A sociedade tem um interesse fundamental em combater de forma eficaz. P. que é especialmente nociva do ponto de vista social. em 28 de Agosto de 2007. foi detido em Rodes e. Em 19 de Novembro de 2006. por oito crimes de tráfico ilícito de estupefacientes em quantidade significativa e em associação criminosa. Os antecedentes criminais de P. Tsakouridis são os seguintes: o várias penas pecuniárias. por posse de objecto proibido. em 19 de Março de 2007. os crimes que cometeu em matéria de tráfico de estupefacientes são muito graves e há um risco concreto de reincidência. Tsakouridis mostrou-se indiferente aos problemas que resultam desse tráfico para os toxicodependentes e para a sociedade em geral. Poderá o Tribunal Alemão expulsá-lo e impedi-lo de voltar a entrar na Alemanha? 39. Segundo o Tribunal.exploração da creperia. Em 22 de Novembro de 2005.Preocupado com a possível dissipação do património artístico português além-fronteiras o Governo institui um imposto que cobra 50% do valor de mercado de uma obra de arte portuguesa com mais de cinquenta anos caso esta seja enviada para fora do País. com todos os meios disponíveis. Tsakouridis. Tsakouridis numa pena de prisão de seis anos e seis meses.