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Maria Divanira de Lima Arcoverde (UEPB)

Diagramação

Arão de Azevêdo Souza

Gabriel Granja

FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL - UEPB

150

T185p

Targino, Magnólia de Lima Sousa. Psicologia da Aprendizagem - Licenciatura em letras – Português./ Magnólia de Lima Sousa Targino./ Pró-Reitoria de Ensino Médio, Técnico e Educação a Distância.- Campina Grande: EDUEPB, 2013. 176 p.: il.: Color.

ISBN 978-85-7879-162-9

1. Psicologia. 2. Freud. 3. Aprendizagem psicologia para a educação. I. Título. II. EDUEPB/Coordenadoria Institucional de Programas Especiais. 21. ed.CDD

EDITORA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA

Rua Baraúnas, 351 - Bodocongó - Bairro Universitário - Campina Grande-PB - CEP 58429-500 Fone/Fax: (83) 3315-3381 - http://eduepb.uepb.edu.br - email: eduepb@uepb.edu.br

Magnólia de Lima Sousa Targino

Psicologia da Aprendizagem

Magnólia de Lima Sousa Targino Psicologia da Aprendizagem Campina Grande-PB 2013

Campina Grande-PB

2013

Sumário
Sumário

I Unidade

O contexto histórico da psicologia e a sua importância para a formação de professores.........................................................7

II Unidade

Aprendizagem por Condicionamento Clássico..................................29

III Unidade

Aprendizagem por Condicionamento Operante. Aprendizagem por Observação.......................................................49

IV Unidade

Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel...............................69

V Unidade

Bruner : Teoria da Instrução................................................................91

VI Unidade

A Teoria Genética da Aprendizagem de Piaget............................111

VII Unidade

A Teoria Histórico Cultural de Vygotsky.............................................133

VIII Unidade

As Inteligências Múltiplas de Howard Gardner..............................155

I UNIDADE O contexto histórico da psicologia e a sua importância para a formação de professores
I UNIDADE
O contexto histórico da
psicologia e a sua importância
para a formação de professores
Psicologia da Aprendizagem
I
SEAD/UEPB
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Apresentação Caro(a) aluno(a), Seja bem vindo(a) a sua primeira jor- nada de estudo no mundo da
Apresentação
Caro(a) aluno(a),
Seja bem vindo(a) a sua primeira jor-
nada de estudo no mundo da Psicolo -
gia neste curso de Letras a Distância. É
um prazer imenso fazer parte desta ca-
minhada, que considero uma tarefa di-
fícil e desafiadora. Indubitavelmente
nessa jornada, nos debateremos com
conceitos, idéias e teorias complexas,
do ponto de vista científico, mas que ao mesmo tempo expli-
cam situações práticas, que fazem parte do dia a dia das
pessoas dos mais diversos espaços e, mais especificamente
na sala de aula, lugar onde você se propõe a trabalhar futu-
ramente e para isso, investe na sua formação.
A jornada que iniciaremos agora será cheia de desco -
bertas e experiências novas, e o mais importante é o desejo
de crescer. Para isso, algumas precauções já podem ser to -
madas como assumirmos o compromisso de que estaremos
juntos. Nesse sentido, elaborei um trabalho visando fornecer
os subsídios básicos necessários considerando o contexto
no qual estamos inseridos, através dos diversos instrumentos
disponíveis que se articulam e se complementam entre si,
quer sejam sugestões de leituras complementares, filmes, ví-
deos, fotos e os diferentes recursos da internet, entre outros.
Acima de tudo, espero que esse material lhe sirva como
um desafio à reflexão e instigue a se aprofundar mais na
prazerosa aventura do mundo do conhecimento da Psicolo -
gia, sobretudo na área da Educação.
Desejo que você mergulhe no tempo e no espaço e tire
o máximo de proveito dessa disciplina para sua formação
como professor(a). O nosso estudo inicial se dará a partir do
surgimento da Psicologia para introduzirmos os conteúdos
específicos da “Psicologia de Aprendizagem”. É importante
ressaltar que, por uma questão de aplicação prática, abor-
daremos essencialmente a aprendizagem humana e temas
que dizem respeito a educação.
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Psicologia da Aprendizagem

Objetivos
Objetivos

Tenho a plena certeza de que ao desenvolver o presente estudo, você irá sentir a necessidade de traçar os seus próprios objetivos de acordo com a sua experiência de vida. Isso será de grande valia para a sua prática profissional. Entretanto, devemos partilhar de alguns objeti- vos comuns, para que alcancemos as metas do Curso. Destarte, espero que ao final dessa primeira unidade você seja capaz de:

Distinguir a psicologia das outras áreas do conhecimento;

Identificar os pontos comuns e divergentes das diferentes abor- dagens iniciais no processo de construção da psicologia como ciência independente;

Nomear os principais representantes das abordagens históricas da psicologia;

Justificar a importância da psicologia da aprendizagem para a formação de professores.

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Para Reflexão

Convido você a pensar um pouco na clientela que você irá se depa- rar nos diferentes contextos da sua prática profissional. Analise a letra da música abaixo:

Quero falar de uma coisa Advinha onde ela anda? deve estar dentro do peito ou caminha pelo ar pode estar aqui do lado bem mais perto que pensamos a folha da juventude é o nome certo desse amor ... ) ( Coração de estudante há que se cuidar da vida há que se cuidar do mundo tomar conta da amizade alegria e muito sonho espalhados no caminho verde: plantas e sentimento folhas, coração, juventude e fé.

Coração de Estudante

Milton Nascimento e Wagner Tiso

Pense nisso ...

Estudante, vida, mundo, amizade, sonho, caminho, senti- mento, coração, juventude e fé. Psicologia. o que tem a ver com tudo isso?

Diferentes Áreas do Conhecimento

Tenho certeza de que mesmo se você ainda não estudou, já ou- viu falar com frequência no seu dia a dia, no termo “Psicologia”. Há, inclusive, um dito popular muito utilizado pelas pessoas que diz: “de psicólogo e de louco todo mundo tem um pouco”, considerando, desta forma, que cada pessoa tem sua própria “psicologia”.

Como se vê, esse termo é utilizado com vários sentidos. Especifi- camente, no processo de ensino aprendizagem, é comum ouvirmos

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comentários como por exemplo “o professor de matemática não tem psicologia para ensinar” ou “a professora de língua portuguesa tem psicologia para entender os alunos”, como também, se faz sempre presente no nosso meio, afirmações como: “é preciso ter psicologia para motivar os alunos a aprender”.

Observe então que as pessoas geralmente utilizam o termo Psico- logia para se referir as diferentes situações, nas quais se faz necessária a compreensão dos problemas cotidianos a partir de um ponto de vista psicológico, embora, na maioria das vezes, os autores de situações como as acima descritas tenham por base a “psicologia do senso comum”.

Porém, é preciso ficar atento, pois embora a psicologia do senso comum expresse um certo domínio em relação ao conhecimento da psicologia dita científica, não é suficiente para as exigências do desen- volvimento da humanidade e para que o homem domine a natureza em seu próprio proveito. Por uma questão de sobrevivência, os gregos antigos já dominavam cálculos matemáticos, que ainda hoje são con- siderados difíceis pela maioria dos jovens do ensino médio. Com o passar do tempo, o conhecimento científico foi se especializando cada vez mais, atingindo um nível altíssimo de sofisticação, como a ida do homem a Lua, e mais recentemente, as descobertas com as células do genoma humano. É importante que você saiba que chamamos de ci- ência, esse tipo de conhecimento, que definiremos com mais detalhes, um pouco mais adiante.

Entretanto, você deve estar estranhando, pois já ouviu falar em ou- tros tipos de domínios do conhecimento humano como a filosofia 1 , a arte 2 e a religião 3 que são também domínios do conhecimento humano.

E eu posso lhe assegurar que você está coberto (a) de razão, mas o que vai nos interessar daqui por diante é o conhecimento científico, pois é ele vai subsidiar o estudo da presente disciplina.

Atividade I

comentários como por exemplo “o professor de matemática não tem psicologia para ensinar” ou “a professora
comentários como por exemplo “o professor de matemática não tem psicologia para ensinar” ou “a professora
  • 1 Filosofia - tipo de conhecimento que surgiu

a partir dos questionamentos do homem so-

bre a sua origem e o seu significado, a partir

dos estudos dos pais desse corpo de saber:

Sócrates, Platão e Aristóteles.

comentários como por exemplo “o professor de matemática não tem psicologia para ensinar” ou “a professora
  • 2 Arte – atividade humana ligada a mani- festações de valores estéticos (beleza, equilíbrio, harmonia, revolta) que parte da

percepção, das emoções , das ideias, da cultura e da história e dá um significado úni- co e diferente para cada obra. A expressão da arte ocorre através de uma grande varie- dade de meios e materiais, como a pintura,

a escrita, a música, a dança, a fotografia, o

cinema,o teatro, o desenho, a arquitetura e outros.

comentários como por exemplo “o professor de matemática não tem psicologia para ensinar” ou “a professora
  • 3 Religião - crenças, tradições e modelos de condutas.

1) Cotidianamente, você se depara com situações que mostram conhecimentos da psicologia apropriados pelo senso comum. Cite exemplos:

2) O conhecimento humano não é produzido exclusivamente através dos

critérios científicos. Quais são os demais conhecimentos do domínio humano

e o que cada um deles abrange?

comentários como por exemplo “o professor de matemática não tem psicologia para ensinar” ou “a professora

dica. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!

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A Evolução da

Psicologia Científica

Quero propor que antes de iniciarmos o estudo sobre a Psicologia propriamente dita, façamos uma revisão do que entendemos por ciên- cia, e, só então depois, nos dedicaremos ao estudo da Psicologia, que hoje é considerada uma de suas áreas.

O que é ciência?

De acordo com Bock (2009, p. 19) :

a ciência compõe-se de um conjunto de conhe - cimentos sobre os fatos ou aspectos da realidade (objeto de estudo), expresso através de uma lin- guagem precisa e rigorosa. Esses conhecimentos devem ser obtidos de maneira programada, siste -

mática e controlada, para que se permita a verifi-

cação de sua validade

o saber pode assim ser

... transmitido, verificado, utilizado e desenvolvido.

Como você vê, a continuidade da produção científica só é possível se as características acima descritas que são definições rigorosas de um objeto de estudo, construído de forma programada, com controle e sistematização. Isso vai permitir que outra pessoa interessada, seguin- do os mesmos critérios do cientista chegue as mesmas conclusões por ele alcançadas. Desta forma, esse conhecimento, depois de testado e comprovado, é aprovado e passa a servir de alicerce para novas des- cobertas, o que caracteriza a ciência como um processo.

Já estudamos que, a história da Psicologia se confunde com a histó- ria das próprias pessoas em busca de um melhor entendimento sobre si mesmas. Ela teve o seu surgimento a partir das especulações filosóficas a respeito da mente e houve todo um desenvolvimento até chegar a ser considerada a ciência comportamental moderna.

Weiten (2010, p.04), ressalta que:

o termo psicologia origina-se de duas palavras gre- gas: psique, que significa a alma, o espírito ou a mente, e logos, que se refere ao estudo de um as- sunto. Essas duas raízes gregas foram inicialmente colocadas lado a lado para definir um tópico de es- tudo no século XVI, quando psique era usado para se referir a alma, espírito ou mente em contraposição ao corpo (Boring, 1966 apud Weiten,2010). Mas foi somente no início do século XVIII que o termo psi- cologia tornou-se mais comum entre os estudiosos. Foi quando passou a significar ‘o estudo da mente’.

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Psicologia da Aprendizagem

Essa evolução se deu a partir dos pais intelectuais da psicologia, que foram a fisiologia e a filosofia. Aproximadamente em 1870, nesses dois campos de estudo, o interesse se voltava para questões sobre a mente. Cada campo de saber explorava o estudo da mente de acordo com a sua ótica, diferenciando o seu foco.

A essa altura, a pergunta que você deve estar se fazendo é em relação a como se deu a superação desta dicotomia, dessas visões separadas. Pois, foi um professor alemão chamado Wilhelm Wundt (1832-1920) que conseguiu fundar o primeiro laboratório formal para pesquisas em psicologia na University of Leipzig, em 1879 – ano de “nascimento” da psicologia.

Já em 1881, Wunt lançou o primeiro periódico para publicações de pesquisas em psicologia. A luta dele foi reconhecida e ele passou a ser chamado o “pai” da psicologia. Por conta de sua formação em fisiologia, ele considerou que o objeto de estudo da psicologia era a consciência. Essa concepção dominou o campo por duas décadas e continuou influenciando por muitas outras e teve como foco a mente, sendo que os métodos utilizados para explorá-la eram tão rigorosos como os dos físicos e os dos químicos.

Embora a psicologia tenha surgido na Alemanha, foi nos Estados Unidos onde se deu o crescimento rápido dessa nova ciência. Entre os anos de 1883 e 1893, surgiram 23 novos laboratórios de pesquisa psicológica, berços das primeiras abordagens ou escolas.

Agora você pode achar que a partir daí, como a psicologia se trans - formou em uma ciência independente tornou-se unificada e seus adep - tos tinham uma única ótica de estudo. Se você pensa assim, está redon- damente enganado(a), pois a partir de então, surgiram as divergências internas. Como aliás, há na grande maioria das disciplinas científicas e que acabam por favorecer um terreno profícuo para o desenvolvimento da nova ciência , também com a psicologia não foi diferente. Vejamos:

As primeiras abordagens científicas: O Funcionalismo, o Estrutura- lismo, o Associacionismo.

Essa evolução se deu a partir dos pais intelectuais da psicologia, que foram a fisiologia e

Figura 1 – Wilhelm Wundt (1832-1920)

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O Estruturalismo

Esta escola foi inaugurada por Wundt, mas foi o seu discípulo, o in- glês Edward Titchener, que emigrara para os Estados Unidos em 1892, quem utilizou o termo estruturalismo pela primeira vez e encarregou-se de fundar um novo laboratório de psicologia experimental na Univer- sidade de Cornell. Grande admirador de Wundt e tendo se graduado no laboratório de Leipzig, que foi fundado pelo “pai” da psicologia, desenvolveu uma visão própria da psicologia na América e tornou-se o líder do movimento. (Hilgard, 1987, Thorne e Henley, 1997 apud Weiten, 2010). Para os estruturalistas, a psicologia deveria estudar a consciência nos seus elementos básicos, tais como as sensações, os sentimentos e as imagens, bem como a relação entre eles. O método de observação dos estruturalistas era o da introspecção, ou o da siste - mática e cuidadosa observação da própria experiência consciente. Para que o participante fosse mais objetivo e consciente na sua introspecção era necessário que passasse por treinos no laboratório. Depois de trei- nada, a pessoa que estava sendo estudada era exposta a sons, ilusões de ótica e estímulos visuais, e era solicitada para analisar o que havia experimentado.

O Estruturalismo Esta escola foi inaugurada por Wundt, mas foi o seu discípulo, o in- glês

Figura 2 – Edward Titchener

Davidoff (2001) enumera algumas limitações no movimento estru- turalista:

a introspecção formal era um método de estudo obscuro e não confiável;

considerava os fenômenos complexos como o pensamento, lin- guagem, moralidade e anormalidade como impróprios para es- tudos introspectivos e desta forma, fora do alcance da ciência;

era contra a orientação para assuntos práticos.

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O Funcionalismo

Os funcionalistas tinham uma visão diferente dos estruturalistas para a psicologia. O grande líder desse movimento foi o psicólogo americano William James (1842-1910), professor de filosofia e de psi- cologia na Universidade de Harvard, durante trinta e cinco anos.

O Funcionalismo Os funcionalistas tinham uma visão diferente dos estruturalistas para a psicologia. O grande líder

Figura 3 – William James (1842-1910)

Willian James se opunha ao estruturalismo porque o via como arti- ficial, limitado e inexato. Ele defendia o ponto de vista de que a cons- ciência era “pessoal e única”, estava “continuamente em mudança”, evoluía com o tempo e era “seletiva” na escolha dentre os estímulos que a bombardeiam. A função primordial da consciência, segundo W. James era de ajudar as pessoas a se adaptarem aos seus ambientes. (DAVIDOFF, 2009)

Esta visão influenciou diversos psicólogos da Universidade de Chi- cago, inclusive o famoso filosofo e educador John Dewey, no início dos anos 1900.

O interesse maior destes estudiosos se dava por investigar como funcionavam os processos mentais para ajudar os homens a sobrevive - rem num mundo perigoso. Apesar de discordarem entre si em muitos pontos, se solidificaram em sua oposição ao estruturalismo.

Entretanto, como você sabe, a diversidade e a flexibilidade são atraentes, mas causam grandes dificuldades para a sobrevivência de qualquer movimento. Então, aos poucos os espaços foram sendo ocu- pados pelo Associacionismo.

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O Associacionismo

Teve como principal representante Edward L. Thorndike, que foi o primeiro formulador de uma primeira teoria de aprendizagem na psico - logia. Seu trabalho tinha por base uma visão de utilidade do conheci- mento, muito mais do que por questões filosóficas.

O Associacionismo Teve como principal representante Edward L. Thorndike, que foi o primeiro formulador de uma

Figura 4 – Edward L. Thorndike (Lei do Efeito)

Como dá pra você deduzir o termo “associacionismo” originou-se da concepção de que a aprendizagem se dá por um processo de asso - ciação das idéias, sendo essas das mais simples as mais complexas. De acordo com esse ponto de vista, para o aluno aprender um conteúdo mais complexo, precisa passar primeiro por uma aprendizagem mais simples, associando as idéias.

E. Thorndike quem formulou a Lei do Efeito, que teve grande utilida- de para a psicologia behaviorista. Essa Lei considera que todo compor- tamento de um organismo vivo tende a se repetir se for recompensado (efeito) assim que ele o emitir, da mesma forma que se castigado (efeito) após a sua ocorrência, tenderá a não acontecer. Desta forma, o orga- nismo irá associar essas situações com outras semelhantes.

O Associacionismo Teve como principal representante Edward L. Thorndike, que foi o primeiro formulador de uma

dica. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!

Atividade II

O Associacionismo Teve como principal representante Edward L. Thorndike, que foi o primeiro formulador de uma

1) Para adquirir o status de ciência a psicologia teria que atender alguns

critérios. Quais foram esses?

2) Caracterize os movimentos funcionalista, associacionista e estruturalista.

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Psicologia da Aprendizagem

3) Diferencie a Psicologia como ramo da Filosofia e a Psicologia Científica.

4) Analise os possíveis objetos de estudo da psicologia, explicitando os motivos responsáveis pela diversidade de objetos para a psicologia.

3) Diferencie a Psicologia como ramo da Filosofia e a Psicologia Científica. 4) Analise os possíveis

dica. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!

As principais teorias da Psicologia a partir do século XX

Já vimos que a psicologia iniciou como um ramo da filosofia e tinha como objeto de estudo a alma. No século XX, a psicologia científica surgiu com Wundt que defende a psicologia sem alma de acordo com os padrões de ciência do século XIX. A psicologia fica ligada a medici- na, assumindo o método de investigação das ciências naturais com o critério rigoroso da construção do conhecimento.

Segundo Bock (2009) as três escolas da psicologia científica – fun- cionalismo, estruturalismo e associacionismo – foram substituídas, no século XX, por novas teorias. Neste período as três mais importantes tendências teóricas consideradas por inúmeros autores (como Politzer e Japiassú, apud: Bock, 2009) são: Behaviorismo ou Teoria Estímulo - -Resposta, Gestalt e Psicanálise.

O Behaviorismo

John Watson fez doutorado no campo da psicologia animal na Uni- versidade de Chicago sob a orientação de um professor funcionalis- ta. Entretanto, passou a criticar o funcionalismo e o estruturalismo por considerar que a introspecção consistia em um sério obstáculo ao pro - gresso da psicologia, pois dependia das impressões e idiossincrasias de cada pessoa treinada para desenvolvê-la.

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Figura 8 – John Watson (1879-1958) Davidoff (2009) assinala que o behaviorismo começou como um movimento

Figura 8 – John Watson (1879-1958)

Davidoff (2009) assinala que o behaviorismo começou como um movimento forte que ampliou a sua filosofia à medida que foi evoluin- do. O enfoque behaviorista continua a exercer muita influência sobre a moderna psicologia. Por isso, as idéias behavioristas serão estudadas com mais aprofundamento posteriormente.

A Gestalt

A psicologia da Gestalt teve seu berço na Europa. Gestalt é a pa- lavra alemã que se refere a forma, padrão ou estrutura. Assim, os psi- cólogos da Gestalt defendem que as experiências trazem consigo uma característica de totalidade ou de estrutura. Essa Teoria surgiu, em parte como um protesto contra o estruturalismo, contrapondo-se a prática de se reduzir experiências complexas a elementos simples.

Alguns defensores da Gestalt foram: Wolfgang Kohler, Kurt Koffka e Max Wertheimer, sendo o último considerado o precursor da Teoria, quando publicou pela Universidade de Frankfurt um relatório sobre os estudos de “movimento operante”, um movimento percebido, quando na realidade nada esta acontecendo. O slogan adotado foi que “o todo era claramente diferente da soma de suas partes”.

Essa filosofia direcionou a psicologia na Alemanha e também in- fluenciou a psicologia Norteamericana. A psicologia da Gestalt tem a sua marca em dois enfoques contemporâneos da psicologia, o huma- nismo e o cognitivismo.

Figura 8 – John Watson (1879-1958) Davidoff (2009) assinala que o behaviorismo começou como um movimento

Figuras 9 – Imagens Gestalt

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Psicologia da Aprendizagem

A Psicanálise

Freud é tão falado na psicologia que mesmo se você nunca tivesse estudado essa ciência, possivelmente ainda não tivesse ouvido falar em Wundt, Watson, Wertheimer e William James. Mas, muito provavelmen- te já ouviu falar em Freud, o médico vienense que se interessou pelo tratamento dos problemas do sistema nervoso e, mais particularmente, das desordens neuróticas. Ele postulou o inconsciente como objeto de estudo, quebrando a tradição da Psicologia como ciência da consciên- cia e da razão.

A Psicanálise Freud é tão falado na psicologia que mesmo se você nunca tivesse estudado essa

Figura 10 – Sigmund Freud (1856-1939)

A teoria psicanalítica é uma teoria psicológica. Mas, o nome e as idéias de Freud são tão conhecidos para as pessoas que a psicologia é muitas vezes confundida com a teoria psicanalítica.

O movimento psicanalítico não se assemelhou aos outros porque o seu precursor nunca quis influenciar a psicologia acadêmica. Ele ti- nha como objetivo primordial levar ajuda para pessoas com sofrimento psíquico. Entretanto, a influência desta abordagem foi tamanha que ela passou a ser considerada um movimento da psicologia. Entretanto, como não se trata de uma teoria da aprendizagem não faremos um aprofundamento aqui dos seus postulados.

Como você percebe, até aqui fizemos um estudo histórico do sur- gimento da Psicologia e das principais correntes teóricas desta ciência. De agora por diante, iremos nos focar nas teorias psicológicas mais importantes que contribuíram (e continuam contribuindo) para que a aprendizagem atinja um nível de relativa satisfação.

Antes de prosseguir, responda as questões seguintes para recaptular.

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Atividade III

Atividade III 1)Qual a importância de se conhecer a história da psicologia? 2)Quem foi Wundt e

1)Qual a importância de se conhecer a história da psicologia?

2)Quem foi Wundt e qual o seu papel na história da psicologia?

3)Imagine que você tenha que optar por qualquer uma das tendências

teóricas da psicologia. Qual você escolheria? Por quê?

Atividade III 1)Qual a importância de se conhecer a história da psicologia? 2)Quem foi Wundt e

dica. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!

A contribuição da psicologia da aprendizagem para a educação

Através do conhecimento inicialmente apresentado sobre a origem e contextualização histórica da Psicologia, você pode perceber que desde a antinguidade, filósofos, psicólogos e demais pensadores já se preocupavam com a aprendizagem verbal e ideativa.

É especificamente sobre a aprendizagem e questões específicas a ela, que convido você a se dedicar a partir de agora nos nossos estu- dos.

Para facilitar a compreensão dos importantes conceitos que serão estudados a partir de agora, elaborei para você algumas questões que apresento a seguir em termos de perguntas e respostas e lhe convido para refletir um pouco sobre elas:

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I

Psicologia da Aprendizagem

O que é aprendizagem?

Quais são as suas características?

Na verdade, essas questões suscitaram diferentes conceitos e defi- nições de acordo com as diversas teorias de aprendizagem que se fo - ram organizando na base dos fatos investigados. Entretanto, um ponto comum nas diferentes concepções teóricas, é que a aprendizagem diz respeito a uma mudança duradoura no indivíduo vivo, que não seja marcada pela herança genética. Essa mudança pode ser de “insights”, de comportamento, de percepção ou de motivação, e, ainda pode se dá também pela combinação de todos esses elementos.

Faço questão de enfatizar o destaque que o autor Bigge( 1977,p.1) faz ao citar Hilgard e Marquis, em sua obra clássica, “Teorias da Aprendizagem para Professores”:

“a aprendizagem é básica para o desenvolvimento da habilidade atlética, da preferência por alimen- tos e roupas, da apreciação pelas artes e pela mú- sica. Contribui para a formação do preconceito ét- nico, para o vício em drogas, para o aparecimento do medo e para o desajustamentos patológicos. Produz o miserável e o filantropo, o hipócrita e o patriota. Em resumo, a aprendizagem influencia nossas vidas a todo momento, sendo responsável, em parte, pelo que há de melhor e pior nos seres humanos e em cada um de nós.”

Assim sendo, a aprendizagem nem sempre leva a um crescimento pessoal ou social. Pois, não se aprende somente os comportamentos que favoreçam a um crescimento pessoal, mas também comportamen- tos inúteis ou prejudiciais à vida do aprendiz, como por exemplo, fumar ou fazer uso de drogas.

Qual a influência dos professores sobre os alunos?

Sem dúvida, a área de atuação mais efetiva de atuação dos profes- sores é a aprendizagem, já que em relação a maturação dos alunos , eles só podem acelerá-la ou retardá-la, mesmo assim, até certo ponto.

Qual a importância da aprendizagem para o ser humano?

Diferentemente dos animais inferiores, para o homem a aprendiza- gem é crucial na sua vida. É notório que nós, enquanto seres humanos, somos os animais que mais possuimos potencial para aprender. Somos a espécie mais evoluída, temos o menor número de comportamentos inatos, fixos e invariáveis. Desta forma, a aprendizagem possui um pa-

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pel mais importante para nós, do que para qualquer outra espécie ani- mal, ao ponto de que se nós não aprendêssemos não sobreviveríamos.

Através da aprendizagem é que gerações tiram proveito das ex- periências e descobertas das gerações anteriores, dão a sua própria contribuição e repassam para as gerações futuras.

Por que estudar as teorias da aprendizagem?

Antes de respondermos essa questão, vejamos os seguintes exem- plos de fala de professores em sala de aula:

Situação 1:

“Esse aluno não tem jeito. Como diz o ditado popular: ‘pau que nasce torto, morre torto`, não vou mais perder tempo, ele já está re - provado mesmo.”

Situação 2:

“ Me dê um aluno que não passe fome, nem sede e com condições ambientais favoráveis, que eu farei ele aprender tudo rapidinho, inde - pendente de qualquer outra coisa.”

Na verdade, situações como essas transparecem a concepção de aprendizagem do professor, quer seja uma concepção inatista, ambien- talista, de interação entre elas, ou outra.

Destarte, é importante que você, enquanto professor em formação, conheça as teorias da aprendizagem para que saiba como conduzir o processo ensino aprendizagem de forma mais coerente com a sua escolha teórica e, também, o que fundamenta afirmações como as acima descritas.

O fato é que toda ação está ligada a uma teoria, caso contrário, é uma ação sem objetivo, portanto, não se sabe aonde se quer chegar. Assim, todo professor tem uma teoria da aprendizagem, às vezes, ele não consegue descrever sua teoria explicitamente, mas através de sua atuação se deduz a teoria que ele ainda não é capaz de verbalizar. Desta forma, nem é preciso frisar que o professor que não tem uma orientação teórica sólida, não vai além do passar ocupações despro - positais para os alunos, com o intuito mantê-los ocupados para “pas - sar o tempo”. Infelizmente, não é difícil encontrar na nossa realidade, sobretudo na educação pública, professores que não fazem uso de um corpo teórico sistemático em suas ações diárias e utilizam uma mistura de métodos, sem uma orientação teórica. Sem dúvida, esses são um dos principais fatores responsáveis pelos maiores gargalos da educa- ção do nosso país: a repetência escolar e a aprovação automática sem aprendizagem satisfatória.

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Psicologia da Aprendizagem

Desta forma, não é difícil para você perceber que a fundamentação da prática do professor(a) numa boa teoria científica é crucial para que ele (a) tenha uma prática diferenciada no cotidiano.

Ainda nos referindo a obra clássica de Bigge (1977) o autor assina- la que desde épocas remotas, o homem não só quis aprender, mas teve curiosidade de aprender como se aprende. Já no século XVII, surgiram as primeiras teorias sistemáticas da aprendizagem, desafiando terias existentes.

Atualmente, as teorias 4 da aprendizagem são referências básicas quando se desejar trabalhar no processo de ensino-aprendizagem. Elas procuram sistematizar e organizar os conhecimentos sobre a aprendi- zagem.

Desta forma, não é difícil para você perceber que a fundamentação da prática do professor(a) numa

4 Teorias – conjunto de afirmações que são relacionadas entre si, com o objetivo de ex- plicar e resumir observações importantes.

Considero também muito pertinente a afirmação do autor Lefran- çois (2008 p. 29): “são úteis para explicar, prever e controlar o comporta- mento e podem gerar novas informações.” Desta forma, é através do estudo dessas teorias que se torna mais fácil identificar os métodos e técnicas para facilitar a aprendizagem dos alunos; o porquê de alguns alunos obterem mais sucesso na aprendizagem do que outros e, diversos ou- tros fatores que interferem neste processo.

Entretanto, não esqueça que nenhuma teoria pode ser, em termos absolutos, considerada superior a todas as demais. As divergências sobre a aprendizagem oferecem diferentes respostas para muitas das questões que possam ser levantadas, não significa dizer que uma deter- minada teoria X seja superior a outra Y.

Por outro lado, é muito comum, e isso você já deve ter percebido, que os professores adotem aspectos conflitantes das diferentes teorias da aprendizagem, sem perceber que são basicamente contraditórias em sua natureza. Isso é catastrófico e traz prejuízos muito sérios para a Educação! Por isso, para se ter coerência na adequação educacional é preciso conhecer as teorias da aprendizagem.

Como avaliar uma teoria da aprendizagem?

Na psicologia, as boas teorias, além de ser úteis apresentam as seguintes características de acordo com Lefrançois (2008):

refletem os fatos de modo claro e compreensível; são úteis para prever e para explicar; tem aplicação prática; são consistentes; possuem como base poucas presunções não verificáveis; são satisfatoriamente convincentes; instigam pesquisas mais avançadas.

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

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Quais são as teorias da aprendizagem?

Há um número considerável de teorias da aprendizagem. Vamos fundamentar os nossos estudos na classificação de Bock (1999) ao considerar que genericamente essas teorias poderiam ser reunidas em duas categorias: as teorias do condicionamento e as teorias cognitivas.

É o que vamos estudar a partir do próximo módulo.

Atividade IV

Quais são as teorias da aprendizagem? Há um número considerável de teorias da aprendizagem. Vamos fundamentar

Chegamos ao final da primeira unidade e está na hora de você se questionar

até que ponto os conhecimentos adquiridos até o momento, são uteis para

a sua vida profissional em formação. Por quê? ( Faça um texto de 10 a 15

linhas).

Foi muito bom estarmos juntos nessa fase inicial do processo de construção de conhecimento. Por enquanto, ficamos por aqui. Até a nossa próxima aula.

Quais são as teorias da aprendizagem? Há um número considerável de teorias da aprendizagem. Vamos fundamentar

dica. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!

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I

Psicologia da Aprendizagem

Leituras Indicadas

Teorias da Aprendizagem para Professores; M. L. Bigge.trad: José Augusto

da Silva Pontes Neto e Marcos Antonio Rolfini. São Paulo, EPU, Editora da

Universidade de São Paulo, 1977.

Esta obra apresenta muitas teorias divergentes sobre a aprendiza- gem, constituindo diferentes respostas para muitas das questões que possam ser levantadas, oferecendo um aprofundamento em relação às “correntes de pensamento” existentes atualmente em Psi- cologia e a compreensão das diferentes abordagens feita a cada uma delas.

Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia., A. M.B. Bock, , M.de L. T. Teixeira e O. Furtado, 14ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009.

“Psicologias” é uma introdução ao estudo da Psicologia, que apre - senta sua história, as abordagens teóricas, os temas básicos, as áreas de conhecimento, as principais características da profissão do psicólogo e temas relativos ao cotidiano desse profissional .

Introdução à Psicologia. Linda L Davidoff. 3ª ed. São Paulo. Trad. Auriphebo Berrance e Mª da Graça Lustosa. McGraw-Hill do Brasil, 2001.

Recomendo pricipalmente a primeira parte da obra por abordar temas do interesse da presente disciplina. Ela trata do presente e passado da Psicologia; a abordagem científica; O começo: a he - reditariedade, o meio ambiente e o desenvolvimento da criança na primeira infancia; O cérebro, o comportamento e a cognição; Os processos fundamentais de aprendizagem; A percepção; A consci- ência; A memória; Pensamento e linguagem; Motivação; A emo - ção; Inteligencia e criatividade.

Teorias da Aprendizagem. Guy R. Lefrançois. Traduzido por Vera Magyar. 5ª ed.

São Paulo: Cengage Learning, 2008.

Este livro aborda algumas das mais importantes teorias e descober- tas da psicologia da aprendizagem. Ele traz uma visão histórica do desenvolvimento das teorias behavioristas e cognitivas, com clareza da apresentação, na relevância e implicação prática dos tópicos. O texto é criativo e de fácil compreensão, apresentado através de um relato de uma Velha Senhora, que guia o leitor de forma sábia a temas complexos da aprendizagem.

Psicologia da Aprendizagem

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Filmes indicados

“Sociedade dos Poetas Mortos” (1989): Este filme apresenta a história de uma tradicional escola/ internato preparatório masculino, Welton Academy, no ano de 1959, na qual predominavam valores tradicionais e conservadores, onde um ex-aluno se torna o novo professor de litera- tura, e logo seus inovadores métodos de incentivar os alunos a pensa- rem por si mesmos cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos sobre a “Sociedade dos Poetas Mortos”- grupo que ele fez parte quando era estudante daquela escola,que reunia os seus membros para recitar poesias, tocar músicas, expressar-se, enfim, aproveitar o dia –“Carpe Dien”. Com a influência do professor, os alunos vão se soltando e aderindo cada vez mais a fi- losofia de aproveitar o dia. Muitos deles vão se libertando das amarras e correndo atrás de seus sonhos e desejos. Destaca a importância da figura do professor para a aprendizagem dos alunos.

“O Enigma de Kasper Hauser” (1974): É a história de um jovem que foi trancado a vida inteira num cativeiro, desconhecendo toda a existência do mundo exterior.O isolamento trouxe muitas conseqüências graves em sua formação pessoal. Quando ele é solto nas ruas, as pessoas querem ensinar a Kaspar comportamentos básicos no processo de hu- manização, como falar ou andar. Baseado em uma história real, enfa- tiza a importância da aprendizagem na vida social.

Filmes indicados “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989): Este filme apresenta a história de uma tradicional escola/

Resumo

Nesta unidade vimos que a construção da Psicologia como ciência tem seu marco original, a partir da instalação do primeiro laboratório formal para pesquisas em Psicologia na Universidade de Leipzig, na Alemanha, em 1879. Com mais de um século de estudos, a história desta ciência é marcada por diferentes concepções que estão direta- mente relacionadas com o contexto sócio-histórico e a concepção de homem que o(a) pesquisador(a) possui. Estudamos também a contri- buição da psicologia da aprendizagem para a educação, através de questionamentos chaves sobre o conceito de aprendizagem e suas características; a influência dos professores sobre os alunos; a impor- tância da aprendizagem para o ser humano; o motivo do estudo das te - orias da aprendizagem e fechamos o módulo, classificando as teorias da aprendizagem que iremos nos dedicar a partir de então.

  • 26 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Autoavaliação Após o presente estudo, faça uma análise sobre a importância da psicologia da aprendizagem na

Autoavaliação

Após o presente estudo, faça uma análise sobre a importância da psicologia

da aprendizagem na sua formação como professor (a). (10 a 15 linhas).

Autoavaliação Após o presente estudo, faça uma análise sobre a importância da psicologia da aprendizagem na

dica. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!

Referências

BIGGE, M. L. Teorias da Aprendizagem para Professores; trad: José Augusto da Silva Pontes Neto e Marcos Antonio Rolfini. São Paulo,

EPU, Ed. Da Universidade de São Paulo, 1977.

BOCK, A. M. B., TEIXEIRA, M.de L. T., FURTADO, O. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 14ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009.

DAVIDOFF, Linda L. Introdução à Psicologia. 3ª ed. São Paulo. Trad. Auriphebo Berrance e Mª da Graça Lustosa. McGraw-Hill do Brasil,

2009.

LEFRANÇOIS, Guy R. Teorias da Aprendizagem. Traduzido por Vera Magyar. 5ª ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

WEITEN, Wayne. Introdução à Psicologia: temas e variações. Edição Concisa. Vários tradutores. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

Psicologia da Aprendizagem

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  • 28 EAD/UEPB

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Psicologia da Aprendizagem

II UNIDADE Aprendizagem por Condicionamento Clássico Psicologia da Aprendizagem I SEAD/UEPB 29
II UNIDADE
Aprendizagem por
Condicionamento Clássico
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29
Apresentação A presente aula inicia o estudo de um conjunto de teo - rias relacionadas entre
Apresentação
A presente aula inicia o estudo de um conjunto de teo -
rias relacionadas entre si que modificam o comportamento
dos seres humanos e de outros animais: o condicionamento
respondente, o condicionamento operante e a aprendizagem por
observação. São processos fundamentais de aprendizagem
que geralmente ocorrem no nosso dia a dia e que, muitas
vezes, nem nos damos conta. O ponto inicial do nosso es -
tudo será o Condicionamento Respondente, a partir de uma
cena comum apresentada, ocorrida no cotidiano.
  • 30 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Objetivos Ao final, esperamos que você tenha condições de: • Apresentar argumentos a respeito da importância
Objetivos
Ao final, esperamos que você tenha condições de:
• Apresentar argumentos a respeito da importância da aprendiza-
gem na vida dos animais, principalmente para o ser humano;
• Conceituar e explicar o conceito de aprendizagem;
• Explicar e exemplificar a aprendizagem por condicionamento
respondente;
• Definir os termos estudados do condicionamento respodente;
• Explicar a importância dos experimentos com outros animais
para o ser humano.
Psicologia da Aprendizagem
I
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31

Aprendizagem no cotidiano

Veja a seguir uma cena cotidiana:

Socorro Silva sorriu para o pequeno Eduardo de cinco anos, depois olhou nervosa e ligeiramente ao resto da família - o marido João, Mar- cela de sete anos, e Fernando de onze. Ultimamente os jantares vinham sendo tensos, ninguém mais sorria. João serviu o prato de todos com sopa de carne e legumes. No centro da mesa havia pão e manteiga, umas fatias de inhame e um prato de carne que sobrou do almoço. A família começou a comer.

-“A comissão da pelada de futebol tem uma reunião esta noite e eu tenho que sair desta casa dentro de vinte minutos”anunciou João de repente. “-Socorro, se você quiser que eu lhe dê uma carona até a casa de sua mãe como você pediu, não temos tempo para continuar sentados esperando por Eduardo e por Fernando. Temos que terminar

em quinze minutos. Ouviram todos?

Como que a casa está uma

... bagunça – brinquedos, livros e agasalhos para todo lado”.

-“É que eu hoje não tive tempo de arrumar“. Socorro fulminou o marido com um olhar e murmurou .

-“Você nunca tem tempo”, falou João“. -Que injustiça , às vezes eu arrumo

Na verdade, levei uma por-

... ção de tempo apanhando as sua coisas. Você deixou duas toalhas,

uma cueca e uma camisa no chão do banheiro.” -“E os cigarros“, replicou Marcela animada.

-“Quem lhe pediu?

Eu estava com pressa”. (A defesa de João foi

... sem nenhum entusiasmo.) Socorro continuou a atacar: “- Apanhei dois pares de calças e quatro camisas no quarto de dormir. Duas cami- sas dá para entender. Mas quatro? E a cozinha estava um caos. Você não é capaz ao menos de pôr os pratos na pia e abrir as torneiras em cima deles?”.

Socorro se preparava para o que estava para vir, e veio mesmo.

-“Eu trabalho duro o dia inteiro, dez onze horas por dia, seis dias por semana. Quero paz e tranqüilidade quando volto para casa. E quero a casa arrumada. Você tem que apanhar o que eu deixo atrás de

mim. Foi para isso que eu casei com você. È para isso que servem as

esposas. O que mais você tem a fazer?

Fernando, por que não está

... comendo? Eduardo também não. Comam! Vocês tem dez minutos”.

-”Eu não sei cortar a carne”, choramingou Eduardo. -“Corte para ele”, ordenou João à filha. A voz de Socorro tremia quando ela disse:

-“Oh, eu não tive nada que fazer hoje! Depois que acabei de lim- par o que você sujou, fiz dois almoços, despachei dois garotos para a escola, lavei os pratos , limpei a cozinha, fiz as camas, tomei conta de Eduardo, lavei duas máquinas de roupa, passei a ferro, apanhei

  • 32 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

os meninos, levei o Fernando ao dentista, levei Marcela a lanchonete,

apanhei o Fernando, apanhei a Marcela, comprei verduras, fiz o jan-

tar ...

Nada vezes nada!”

João não estava ouvindo, berrou para o Eduardo:

-“Como você quer algum dia jogar futebol se não come carne nem

legumes? Quero ver você acabar todos os pedacinhos que estão no

seu prato. Todos eles”.

-“É muito”, protestou.

-“Você andou chupando pirulito o dia inteiro hoje. Também mas -

tigou chiclete antes do jantar, não foi?”, ajudou Socorro a interpelar.

-“Corte essa carne em pedaços menores”, ordenou João à mulher.

“Marcela, não cortou como devia. Ela nunca faz as coisas direito ...

Marcela, vá buscar seus cadernos”. “- “Não posso. Esqueci”,

-“É a quarta vez esta semana”, gritou João. Quero ver esses deve -

res. Traga-os para casa amanhã – todos eles – ou você passará todo o

fim de semana no quarto. Sem TV, nem vídeo games”.

João olhou o relógio, viu que era tarde e começou a comer rapi-

damente. A conversa mudou de assunto; o monte de legumes do prato

de Fernando.

-“O Fernando não está comendo os legumes da sopa“, anunciou

Marcela.

-“Detesto legumes”. Respondeu ele.

-“Desde quando?”, desafiou João.

-“Fizeram-me mal a semana passada”, explicou Fernando.

-“Que ridículo!”, exclamou o pai.

-“Não é ridículo”, interrompeu Socorro, continuando: “Lembre-se

de que você o forçou a comer na – acho que foi 6ª feira passada,

quando ele teve aquela virose e vomitou.”

-“Legumes parecem vômito, só olhar me faz vomitar”.

-“Coma todas os legumes desse prato”, ordenou João. “Você não

sairá desta mesa enquanto não tiver comido até o último. Não me

interessa se você fica entalado”.

Fernando olhou súplice pra a mãe, que não ofereceu ajuda, embo -

ra parecesse querer fazê-lo.

-“Tenho cinco minutos”, protestou;

-“Quantos minutos?” trovejou João.

Fernando cruzou as mãos e olhou-o com raiva. Após cerca de um

minuto e meio, juntou os legumes lentamente numa colher de chá,

levantou a colher até os lábios, jogou a cabeça para trás, foi deixando

cair os legumes dentro da boca, poucos de cada vez, e tentou engolir

tudo. O menino engasgou e tomou um gole d’água. A façanha foi

repetida uma segunda vez:

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

33

-“Vou vomitar”, gritou Fernando de repente. E partiu como um raio

em direção ao banheiro. João acompanhou-o.

Socorro virou-se para Eduardo: “-Coma, Duduzinho”. Animou-o

afetuosamente:

-“Vou ficar contente. Isto, coma para mim!”

Eduardo tentou passar manteiga num pedaço de pão.

Socorro tomou-o das mãos dele.

-“Deixa que eu faço”, disse. Depois cortou o inhame dele e enfa-

tizou:

-“Coma querido, coma para a mamãe.”

Embora não haja ninguém ensinando deliberadamente, está ocor-

rendo muita aprendizagem durante o jantar da família Silva (supondo

que este seja um jantar típico). Apenas observando os outros, as

pessoas aprendem muitas lições. As crianças estão aprendendo que

jantar é uma ocasião de fermentar ressentimentos, e que os problemas

são dissolvidos ignorando-os, insultando os outros, acusando e contra-

-acusando. As pessoas também aprendem a partir das conseqüências

de seu comportamento. Tendemos a repetir atos que têm resultados

agradáveis e a evitar os que conduzem aos desagradáveis. Eduardo

está aprendendo a mostrar-se desamparado, pois desperta a atenção.

Marcela dominou a arte de deixar os deveres na escola porque mini-

miza comentários desagradáveis sobre sua nem sempre sentiu náusea

à vista de legumes. Recentemente, a náusea fora “transferida” de uma

doença (e de engolir muito de uma vez) para os legumes, de modo que

agora é o própria comida que provoca um mal-estar semelhante com-

petência. Para evitar a cólera do pai, todas as crianças estão aprenden-

do a comer depressa demais, e talvez a comer demais.

Antes de explorar esses tipos de aprendizagem com maiores deta-

lhes, consideraremos algumas questões preliminares.

(Texto adaptado de Davidoff, 2001)

Aprendizagem:

Questões preliminares

Agora vamos retomar algumas questões que já foram exploradas

na aula anterior, mas devido a importância que tem para o atual assun-

to, proponho a você revisá-las:

  • 34 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

O que é aprendizagem?

Na aula passada vimos que a aprendizagem é uma mudança du-

radoura no comportamento resultante da experiência. Os cientistas do

comportamento medem o que as pessoas e outras espécies de animais

fazem para conferir a aprendizagem.

Mas você não pode esquecer que as mudanças do comportamento

não ocorrem só por conta da experiência, mas, outros fatores como a

maturação, as emoções, a motivação, o cansaço também interferem

no comportamento dos animais de forma geral.

Se você fizer uma comparação, vai constatar que os efeitos das

drogas, do cansaço, da motivação e das emoções são bem mais breves

que os resultantes da experiência.

Outra questão que deve ser levada em consideração é que há

também os padrões fixos de atuação, anteriormente denominados “com-

portamentos instintivos”, que de acordo com Davidoff (2001), incluem

reações com as seguintes características:

  • 1. Especificidade da espécie (considerando todos os membros di- tos normais e de mesmo sexo de uma mesma espécie);

  • 2. Altamente esteriotipadas (muito semelhantes cada vez que exe - cutadas);

  • 3. Sempre completadas, uma vez iniciadas;

  • 4. Que não foram aprendidas por treino específico;

  • 5. Resistente à modificação;

  • 6. Provocada por um estímulo ambiental muito específico.

De modo geral, quanto mais complexa a espécie animal, mais a

aprendizagem contribui para sua formação. Daí, porque a experiência

é tão importante para mim e você.

Após a revisão do conceito de aprendizagem, vejamos uma outra

questão: se ela tem tanta importância para o ser humano, como pode -

mos medi-la?

Como medir a aprendizagem?

Esse é um ponto muito importante na Psicologia. Os comportamentalistas medem a aprendizagem, observando o desempenho do homem e de ou- tros animais. Entretanto, sabemos que unicamen- te a observação não é satisfatória, pois muito da aprendizagem acontece sem que seja observável, tornando-se evidente apenas quando utilizada. Por

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

35

exemplo: você trabalha com seus alunos um texto sobre o preconceito, mas só saberá se as informa- ções contidas afetarão ou não o comportamento deles no futuro. Por outro lado, medir o desempe - nho pode nem sempre refletir sua aprendizagem com precisão. Basta você se lembrar de quantas vezes deu um branco na hora da prova, mesmo você tendo estudado muito. Assim, fica eviden- te que muitos fatores interferem no desempenho, como o cansaço, a ansiedade e a motivação. Des- ta forma, utilizar o desempenho como medida da aprendizagem não é satisfatório.

Outra questão que veremos diz respeito ao vocabulário utilizado

por essa abordagem: é o mesmo para cientistas do comportamento é

o mesmo?

Os adeptos dessa abordagem, geralmente concordam em relação

aos princípios básicos da aprendizagem, mas utilizam termos e defini-

ções distintas. Então, preste a atenção porque a partir de agora vamos

estudar os três processos fundamentais da aprendizagem, e muitas ve -

zes, a terminologia utilizada entre eles, ás vezes se difere, embora se

exemplo: você trabalha com seus alunos um texto sobre o preconceito, mas só saberá se as

dica. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!

refira a mesma coisa.

Atividade I

exemplo: você trabalha com seus alunos um texto sobre o preconceito, mas só saberá se as

Antes de prosseguir responda:

1) A aprendizagem sempre ocorre de forma consciente?

2) Quando se afirma que ocorreu uma aprendizagem o que foi constatado?

3) Cite uma reação humana que seja um “padrão fixo de atuação”:

4) Quais são outras formas de medida de aprendizagem que os professores

podem empregar no lugar do desempenho em prova?

Destaca-se que os princípios que se consolidaram na Análise Expe -

rimental do Comportamento são a base para três tipos de aprendiza-

gens associativas: o Condicionamento Clássico; o Condicionamento

Operante e a Aprendizagem por Observação, que tem como princi-

pais influentes Ivan Pavlov; B.F.Skinner e Albert Bandura, respectivamen-

te. Nesse módulo veremos o primeiro, e no próximo módulo, os dois

últimos citados.

  • 36 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Condicionamento clássico/ Pavloviano ou respondente

Todo aluno já passou pela experiência de estar assistindo aula com

a barriga roncando de fome e tocar a campainha do final da aula.

Após repetidas vezes de sentir fome e tocar a campainha, a pessoa

passa a sentir fome só ao ouvir o toque da campainha. Pois bem, esse

foi o estudo de foi Ivan Petrovich Pavlov (1849 – 1936) que observou o

comportamento de cães e concluiu que poderia provocar um apren-

dizado no qual um estímulo passasse a evocar uma resposta que era

originalmente evocada por outro estímulo.

Quem foi Pavlov?

Pavlov foi um eminente fisiologista russo que provinha de uma famí-

lia muito pobre na Rússia. O pai dele era pastor e todos achavam que

ele seguiria os passos do genitor. Ao terminar o ensino médio, Pavlov

foi mandado para o Seminário Eclesiástico de Riazan. Mas, ele foi tão

influenciado pelas traduções russas dos antigos científicos ocidentais,

e particularmente pelas implicações darwinianas, que acabou abando -

nando a educação religiosa. Foi quando ele ingressou na Universidade

de São Petersburgo, onde se especializou em fisiologia animal.

Quando formou-se em Medicina, foi para Alemanha, onde estu-

dou fisiologia e medicina por mais 2 anos e voltou para São Peter-

sburgo para trabalhar como assistente num laboratório de fisiologia.

Logo depois, foi nomeado professor de farmacologia e, aos 41 anos,

já chefiava o departamento de fisiologia, prosseguindo os trabalhos

com os processos digestivos. Depois dos 50 anos é que Pavlov come -

çou a estudar o condicionamento clássico, fase que se prolongou por

30 anos. Ele tinha uma reputação internacional tão grande que foi um

dos únicos cientistas soviéticos que podia defender, sem ser punido, os

direitos humanos.

Pavlov se considerava um fisiologista, e não psicólogo, a ponto de

chamar a atenção de qualquer um dos seus assistentes terminologia

de laboratório psicológica em vez de fisiológica (Watson, 1971 apud

Lefrançois,2008, p.35). Mesmo assim contribuiu muito para o desen-

volvimento das primeiras teorias da aprendizagem e escreveu muitos

artigos e explicações teóricas sobre temas psicológicos, como hipnose

e paranóia. Ele continuou estudando o condicionamento respondente

até o dia de sua morte, aos 87 anos de idade.

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

37

O Experimento

Você já deve conhecer o experimento de Pavlov com o cachorro, no

qual foi provocado o reflexo de salivação, produzido em presença dos

alimentos, que foi chamado se “salivação psicológica”. Sintetizando, a

experiência consistia em fazer um cão salivar antes de ter a comida na

boca, ao ouvir tocar um som de uma campainha que marcava o sinal

da comida.

A partir do reflexo da salivação, reação do organismo que ocorre

em resposta a presença de alimento na boca e se caracteriza como

espontânea, Pavlov fez relação entre o estímulo comida e a reação

salivação, designando-a como incondicional ou resposta incondicionada.

Esse eminente fisiologista provocou a partir de um estímulo incon-

dicionado de um sinal, a mudança no comportamento do cão, como

vemos, a aprendizagem. O sinal escolhido foi um som fraco para mar-

car seu papel de “anunciador”. Naturalmente, sons não provocam a

salivação em cães, esse estímulo foi designado como neutro em relação

à reação de salivação. Após muitas repetições da associação estímulo

neutro mais estímulo incondicionado, o som concomitante a comida, ele

viu que o primeiro sozinho já provocava a reação de salivação. Desta

forma, deixou de ser neutro e passou a ser chamado de estímulo condi-

cionado, pois o salivar ao ouvir o som é uma reação condicionada. A

condição para que passe a ocorrer é a associação repetida dos dois

estímulos.

O Experimento Você já deve conhecer o experimento de Pavlov com o cachorro, no qual foi

Experimento de Pavlov com cães (figura 1) 1

Podemos fazer uma representação esquemática da seguinte forma:

1 Disponível em: http://www.google.com.

br/search?sourceid=navclient&aq=1&oq

=fotos+de+experimentos+de+&hl=pt-

BR&ie=UTF-8&rlz=1T4SNNT_pt-BR

BR

___

445&q=fotos+de+experimentos+de+pa

vlov&gs_upl=0l0l1l476635lllllllllll0&aqi=

s2&pbx=1

Estímulo neutro + estímulo incondicionado

________

reação incondicionada

Estímulo condicionado

__________________

reação condicionada

Som + comida

____________________

salivação

Som

____________________________

salivação

  • 38 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

As contribuições de Pavlov

A partir dos experimentos realizados com os animais irracionais,

Pavlov e os demais behavioristas consideram que o condicionamento

ocorre não só com os animais conforme se comprovou no experimento

com o cão, mas também com o ser humano. Assim, torna-se evidente

uma série de possibilidades nos seres vivos, que terão consequencias

no entendimento de determinados fenômenos, como as emoções, a

ansiedade, os processos psicossomáticos, etc. No nosso dia a dia, con-

tinuamente coisas se associam a coisas, de forma que umas passam a

provocar o efeito de outras, assim, o condicionamento pode ser usado

para produzir mudanças de comportamento. É possível que esta ca-

pacidade de alguns animais e dos seres humanos esteja na base das

adaptações ao ambiente físico e social.

As contribuições de Pavlov A partir dos experimentos realizados com os animais irracionais, Pavlov e os

Treino de bebes humanos (figura 2) 2

Davidoff (2001) relata que a utilização dos princípios básicos do

condicionamento respondente foi realizada por comportamentalistas

no treino de bebês humanos no uso do toalete. Um ruído forte era

apresentado sempre que uma gota de umidade tocava um sensor cos -

turado dentro da fralda da criança. O ruído, estímulo incondicionado,

acaba associado ao estímulo neutro, que é a tensão da bexiga ou intes -

tino cheio ( ou estado físico que a precede logo a seguir). O ruído pro -

duz uma resposta incondicionada, o susto, que é um alerta para o bebê

para as sensações relacionadas à bexiga e ao intestino. Eventualmente,

a criança aprende a atender à tensão urinária e intestinal sem o ruído.

Essa atenção é a resposta condicionada. Ao sentirem as sensações que

assinalam a necessidade de eliminar, ela tende a utilizar o toalete.

Quando Pavlov estabeleceu a possível conexão entre estímulos am-

bientais neutros e atividade fisiológica, deu uma grande contribuição

no conhecimento das relações entre o organismo e o ambiente que o

rodeia, relação que tem sua origem psicológica e que supera o deter-

minismo biológico. O grande achado de Pavlov demonstra que um

comportamento de natureza fundamentalmente psicofisiológica, como

a salivação, a secreção hormonal e outros comportamentos chamados

involuntários ou de resposta, e que pareciam ser regulados exclusiva-

mente por mecanismos fisiológicos, podiam ser controlados por aspec-

tos ambientais, nos animais superiores e no homem ( COLL,1996).

2 Disponível em: http://www.google. com.br/search?q=fotos+de+

bebe+com+chocalho&hl=pt-

BR&qscrl=1&nord=1&rlz=1T4SNNT_pt-

BR

___

BR445&prmd=imvns&tbm=isch&tb

o=u&source=univ&sa=X&ei=fvh8T5TAIo

mo8QTRrqCKDQ&sqi=2&ved=0CDAQsA

Q&biw=1192&bih=514

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

39

É muito comum na escola nos depararmos com situações, nas quais

os processos emocionais, de ansiedade e outros dessa natureza, afetam

o aluno e prejudicam o seu desempenho escolar. É importante observar

para que se compreenda melhor a atividade geral da criança na escola

e que se tenha, ao menos, conhecimento dos processos de condicio -

namento clássico que possam estar ocorrendo e condicionando alguns

aspectos da atividade deste aluno. Esse conhecimento irá propiciar

condição para modificar ou pelo menos, para entender a natureza do

comportamento.

Principais termos e conceitos chave

Os respondentes (Reflexos)

É muito comum na escola nos depararmos com situações, nas quais os processos emocionais, de ansiedade

Reflexo dilatação e contração da pupila (figura 3) 3

São reações automáticas que os animais, inclusive o homem, pos -

suem por sua herança genética. Os respondentes são atos provocados

por eventos que lhe são imediatamente antecedentes. O evento de -

sencadeante é o estímulo elicitante. Por exemplo, são comportamentos

reflexos: tremer quando se está com frio; transpirar no calor; salivar

na presença de um alimento que agrade o paladar; sobressaltar-se

ao ouvir ruído forte inesperadamente. São respostas filogeneticamente

instaladas no indivíduo, sendo assim, estão no DNA; existem desde a

origem e contribuem para a sobrevivência da espécie.

3 Disponível em: http://www.google.com.br/ search?q=fotos+de+olhos+dilatados&hl

=pt-BR&qscrl=1&nord=1&rlz=1T4SNNT_

pt-BR BR445&prmd=imvns&tbm=isch ___

&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=ygZ9T6

fYBYLO9QT1obmRDQ&sqi=2&ved=0C

A transferência do comportamento

CcQsAQ&biw=1192&bih=514#hl=pt-

  • BR&qscrl=1&nord=1&rlz=1T4SNNT_pt- No condicionamento respondente há a transferência de um com-

BR BR445&tbm=isch&sa=1&q=fotos+ ___

de+olhos+com+dilata%C3%A7%C3%A3

o+e+contra%C3%A7%C3%A3o+da+pu

portamento reflexo de uma situação para outra. A “transferência” se

refere a capacidade que um novo estímulo adquire para evocar o res -

pila&oq=fotos+de+olhos+com+dilata%

C3%A7%C3%A3o+e+contra%C3%A7%C

3%A3o+da+pupila&aq=f&aqi=&aql=&

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gc.r_pw.r_qf.,cf.osb&fp=bd00d935e4dc8e

e&biw=1192&bih=514

pondente. A eficácia do antigo estímulo elicitante permanece. Você se

lembra da náusea apresentada por Fernando no exemplo apresentado

anteriormente, não e? Pois bem, a náusea ( comportamento responden-

te) foi transferida de uma virose para os legumes que foram associados

àquela experiência. Nesse exemplo, houve uma aversão condiciona-

  • 40 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

da de Fernando aos legumes. Uma determinada virose de estômago

(estímulo incondicionado) produz náusea (resposta incondicionada).

Supõe-se que os legumes iniciaram como estímulos neutros. Depois de

ter sido associada a enjôo durante a virose, a simples visão dos legu-

mes evoca uma sensação condicionada de enjôo. Nesse caso, o con-

dicionamento aumenta a probabilidade de uma determinada resposta.

O uso do reforço: aquisição

Para que se obtenha a “aquisição” ou “treinamento de aquisição”,

os pesquisadores apresentam o estímulo neutro concomitante ao estí-

mulo incondicionado, ou logo a seguir, e terminam ambos ao mesmo

tempo. Esse procedimento, chamado de condicionamento simultâneo tem

como resultante uma resposta condicionada confiável, sendo o méto -

do de treinamento mais eficaz para os seres humanos e animais me -

nos complexos. O termo, reforço, a grosso modo, significa aumentador.

Trata-se de um evento que aumenta a probabilidade de uma resposta

ser dada em circunstâncias semelhantes, devido às conseqüências que

tem essas mesmas respostas sobre o contexto e sobre o próprio sujeito.

Os reforçadores são as conseqüências especificas que aumentam as

probabilidades de que um determinado tipo de resposta seja produzida

novamente no futuro, em condições similares. É importante lembrar

que os reforçadores não existem isoladamente, e que nenhum obje -

to ou ação é um reforçador, nem prêmio algum. O reforçador está

sempre relacionado ao individuo e seu meio, de forma que torna mais

provável determinado tipo de ação. O reforço é fundamental para que

ocorra o fenômeno do condicionamento. Ele tanto pode ser positivo

como negativo.

No reforço positivo, acrescenta-se um evento e ele aumenta a pro -

babilidade do comportamento desejável ocorrer.

O reforço negativo é um processo, que assim como o positivo, tam-

bém aumenta a probabilidade de aparição de uma resposta. Ao con-

trário do que muitos pensam, não é um castigo. A retirada do reforço

negativo fortalece a resposta.

No experimento de Pavlov, o estímulo que garante a salivação no

cão é o estímulo reforçador da reação – a comida. No condicionamen-

to clássico, reforçar é apresentar o estímulo incondicionado ao mesmo

tempo, ou logo depois do estímulo neutro (sinal).

Na maioria das escolas, é comum se adotar uma campainha para

”sinalizar” o horário do intervalo para o lanche. Ocorre que, como

essa é uma prática diária, a maioria dos alunos fica condicionada a

“ficar alegre” ao ouvir a campainha. Mediante a condição de associar

por algumas vezes o estímulo neutro “o som da campainha”, ao estí-

mulo incondicionado “intervalo”, o primeiro “perdeu a neutralidade”,

passando a deixar os alunos “alegres”.

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

41

Vamos ver como ficaria aqui o mesmo esquema utilizado para

descrever o que ocorreu com o cão de Pavlov:

EN + EI -------RI

campainha + intervalo ---------- alegria

EC ------------RC

campainha -----------------------alegria

O experimento pavloviano também identificou que o condiciona-

mento pode ser desfeito. Sendo assim, como se poderia extinguir a

reação de salivar ao som no experimento de Pavlov? Vejamos ...

A EXTINÇÃO. Para extinguir a reação condicionada de salivação no

cão, Pavlov retirou o estímulo reforçador. Parece óbvio: sem reforço o

condicionamento acaba; sem a comida, a campainha não mais provo -

ca a salivação. O condicionamento existirá enquanto persistir a condi-

ção para sua existência.

A GENERALIZAÇÃO. Ao utilizar determinado som para o seu cão

aprender, Pavlov observou posteriormente que sons semelhantes pro -

duziam também a reação salivar.

A DISCRIMINAÇÃO. Pavlov fez a seguinte experiência: ao emitir

o som original, o verdadeiro sinal da comida, era sempre reforçado;

outro som foi apresentado após o condicionamento, pela primeira vez

produzira salivação, passou a ser apresentado sem a comida e o cão

não salivou mais. Isso mostra que a generalização pode ser extinta, se

não for reforçada, em contraste com o regular reforço do condiciona-

mento original.

Mariana, de 6 anos, começou a ir para a escola e passou a gene -

ralizar para a professora o bem querer que ela sente pela mãe. Entre -

tanto, não teve da parte da professora a atenção que é fundamental

para provocar esse gosto., enquanto a mãe continua dispensando-lhe

a mesma atenção. Com a continuidade a criança discriminará/ dife -

renciará a mãe da professora, passando a gostar da mãe e não mais

da professora.

É importante destacar como assinala Falcão (1988) que, em se

tratando de condicionamento clássico ao comportamento humano,

grande parte dos casos se refere a reações emocionais ou afetivas tais

como: medo, satisfação, insatisfação, gosto, desgosto, simpatia, anti-

patia, ódio, amor, repulsa, raiva ...

  • 42 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Experimentos Clássicos com Humanos

Experimentos Clássicos com Humanos O pequeno Albert (figura 4) Uma experiência clássica realizada pelos behavioristas Watson

O pequeno Albert (figura 4)

Uma experiência clássica realizada pelos behavioristas Watson e

Rayner, em 1920, mostra a utilização do condicionamento no compor-

tamento humano.

Os citados psicólogos se utilizaram do reflexo incondicionado da

criança de sobressaltar-se ao ouvir barulho forte e inesperado. Então,

utilizaram um ratinho branco como sinal para um barulho forte, no

caso uma martelada, na presença de Alberto, menino de cerca de um

ano, que anteriormente não tinha medo do ratinho. A presença do rati-

nho branco passou a ser estímulo neutro em relação à reação de medo

do barulho. Desta forma, por várias vezes, foi realizada a associação

entre o estímulo neutro ratinho com o estímulo incondicionado baru-

lho, ao ponto de que aquele perdeu neutralidade e passou a provocar

medo na criança.

Desta forma, Alberto ficou condicionado a ter medo do rato, isto é,

aprendeu a ter medo do rato, mudando o comportamento anterior. O

medo que era antes apresentado diante um barulho forte e repentino

passou também a ser provocado pelo ratinho branco.

Posteriormente, Watson e Rayner procuraram o pequeno Alberto

para desfazer o condicionamento, conforme a proposta de extinção de

Pavlov, mas o menino já havia sido liberado do hospital onde estava,

quando participou da experiência. Assim, não ficou mais nada registra-

do sobre Alberto e o seu medo de rato.

Contracondicionamento

Alguns anos depois, outro psicólogo, chamado Jones deparou-se

com Pedro, uma criança de três anos, que apresentava violento medo

de coelho. Jones então, se propôs a extinguir o medo de Pedro. Então,

planejou associar o coelho a algo que desse satisfação ao menino e

para isso, escolheu a hora da alimentação.

A proposta era de tornar o coelho um sinal para a chegada da

comida para que provocasse satisfação ao invés de medo. Entretanto,

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

43

havia um complicador pois, na experiência de Pavlov o sinal escolhido

era fraco, só pra marcar o anúncio da presença da comida. No caso

do menino Pedro, o coelho era estímulo fortemente desencadeador de

medo, o que poderia provocar medo da comida e não satisfação pelo

coelho. Então, a proposta foi de minimizar o caráter de estímulo forte

representado pelo animal.

Assim, escolheu-se um coelhinho branco e pequeno para ficar pre -

so em uma gaiola, numa distância que desse para Pedro vê-lo, mas

não fosse assustador. Aos poucos a gaiola foi sendo aproximada ao

ponto de, no final, a criança aceitar o coelhinho em seu colo.

Dessa forma, foi realizado o contracondicionamento, que, como

sugere o nome, trata-se em condicionar uma resposta contrária aquela

produzida pelo estímulo condicionado. No caso de Pedro, o condi-

cionamento realizado foi para que ele passasse a sentir pelo coelho

a satisfação que tinha ao ver a comida. O resultado foi favorável e o

menino perdeu o medo do coelho.

Atividade II

havia um complicador pois, na experiência de Pavlov o sinal escolhido era fraco, só pra marcar
  • 1. Dê exemplos pessoais de extinção de comportamento e de generalização e

discriminação de estímulo.

  • 2. Considere que Mateus, criança de seis anos, quase se afogue nadando e

fique com terror a piscinas. Como reduzir esse medo através de técnicas de

condicionamento respondente?

havia um complicador pois, na experiência de Pavlov o sinal escolhido era fraco, só pra marcar

dica. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!

  • 44 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Leituras Recomendadas

Teorias da Aprendizagem para Professores; livro de Morris L. BIGGE, .

trad:

José Augusto da Silva Pontes Neto e Marcos Antonio Rolfini. São Paulo, EPU,

Ed. da Universidade de São Paulo, 1977.

Esta é uma obra que apresenta muitas teorias sobre a aprendiza-

gem, constituindo diferentes respostas para muitas das questões que

possam ser levantadas; oferece um aprofundamento em relação às

“correntes de pensamento” existentes atualmente em Psicologia e

a compreensão das diferentes abordagens feita a cada uma delas.

A Origem das Espécies, de Charles Darwin,Editora Martin Claret,2004

Darwin foi um dos grandes influenciadores do Behaviorismo, de

forma que essa obra chega a ser considerada como o primeiro

marco na história dessa corrente. O presente livro é historicamente

reconhecido como o tratado mais importante de Biologia já escri-

to , marcado por uma linguagem coloquial e acessível para um

leitor iniciante. O conteúdo do livro tem tanta afinidade com o

Behaviorismo, ao ponto de se considerar que o que Skinner fez foi

dar continuidade ao Evolucionismo para além da Biologia. Só por

esse motivo, essa é uma leitura imprescindível para o estudo do

Behaviorismo.

Teorias da Aprendizagem. Livro de Guy Lefrançois, Traduzido por Vera Magyar.

5ª ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

Esse livro versa sobre as mais importantes teorias e descobertas

da psicologia da aprendizagem. Ele traz uma visão histórica do

desenvolvimento das teorias behavioristas e cognitivas, com clareza

da apresentação, na relevância e implicação prática dos tópicos. O

texto é criativo e de fácil compreensão, apresentado através de um

relato de uma Velha Senhora, que guia o leitor de forma sábia a

temas complexos da aprendizagem.

É uma obra que cada capítulo, além do texto base, consta de ques-

tões para trabalhar o texto, leitura suplementar e comentários que

facilitam o desenvolvimento do programa de Psicologia da Apren-

dizagem; utiliza a abordagem da aprendizagem pela reflexão, tor-

nando-se indispensável para cursos de formação de professores.

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

45

Resumo Como vimos na Unidade I, a aprendizagem associativa já era dis - cutida há muito

Resumo

Como vimos na Unidade I, a aprendizagem associativa já era dis -

cutida há muito tempo, entretanto, foi o fisiologista russo, Ivan Pavlov,

que demonstrou o fenômeno, em seus experimentos clássicos sobre o

condicionamento.

Nesta unidade vimos que Pavlov em seus experimentos constatou

que ao apresentar um estímulo neutro (campainha) um pouco antes

de um estímulo condicionado (alimento) provocar uma reação condi-

cionada (salivação) por repetidas vezes, a campainha passava a ser o

estímulo condicionado que desencadeava uma reação condicionada

(salivação). Pode haver generalização de estímulos adicionais seme -

lhantes ao estímulo condicionado original. Pode haver também, a dis -

criminação, o oposto da generalização, que envolve a não resposta

aos estímulos que se assemelham ao estímulo condicionado original.

O trabalho de Pavlov consolidou a posição de Watson ao defender

que a Psicologia só deveria estudar os comportamentos observáveis e

não deveria considerar a atividade mental que não se podia observar.

Essa posição foi denominada de behaviorismo.

Pode-se afirmar que Pavlov deu grandes contribuições ao conside -

rar que os princípios da aprendizagem aplicam-se através das espécies

e que o condicionamento tem importante aplicação prática no dia a

dia; e, também, que os fenômenos psicológicos podem ser estudados

em termos objetivos.

Nesta aula fizemos inicialmente uma revisão das questões prelimi-

nares sobre a aprendizagem. Depois discutimos o arcabouço teórico

do condicionamento clássico e apresentamos um caso cotidiano para

identificar como a aprendizagem ocorre no dia a dia a partir desse

processo.

Sugestões de filme

http://www.youtube.com/watch?v=C40cXKi4c3Y&feature=related

O Cão de Pavlov (legendado) tempo: 3:35

  • 46 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Indicação de site

http://olharbeheca.blogspot.com.br/2011/01/coercao-e-suas-implicacoes-

parte-8-de-8.html

Indicação de site http://olharbeheca.blogspot.com.br/2011/01/coercao-e-suas-implicacoes- parte-8-de-8.html Autoavaliação No nosso dia a dia, comumente condicionamos nosso comportamento. Cite

Autoavaliação

No nosso dia a dia, comumente condicionamos nosso comportamento. Cite

dois exemplos pessoais de condicionamento respondente e discrimine os

elementos de acordo com a nomenclatura adotada nesse modelo.

Indicação de site http://olharbeheca.blogspot.com.br/2011/01/coercao-e-suas-implicacoes- parte-8-de-8.html Autoavaliação No nosso dia a dia, comumente condicionamos nosso comportamento. Cite

dica. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

47

Referências

COLL,C., PALACIOS, J. & MARCHESI, A. Desenvolvimento Psicológico

e Educação: Psicologia da Educação. trad. Angélica Mello Alves. Porto

Alegre: Artes Médicas, 1996.460p.

DAVIDOFF, Linda L. Introdução à Psicologia. Trad. Auriphebo Berrance

e Mª da Graça Lustosa. 3ª ed. São Paulo .McGraw-Hill do Brasil,

2001.732p

FALCÃO G. M. Psicologia da Aprendizagem. São Paulo.Editora Ática,

1988.237p.

FERREIRA, S. F. Skinner e a Máquina de Ensinar. Curso de Pedagogia

das Faculdades Integradas Simonsen. Rio de Janeiro, 1998. Disponível

em: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/per07.htm. Acesso em:

03abr.2012.

MYERS, D. Introdução a Psicologia. Rio de janeiro: LTC Livros Técnicos e

Científicos Editora S.A,1998.533p.

WEITEN, Wayne. Introdução à Psicologia: temas e variações. Edição

Concisa. Vários tradutores. São Paulo: Cengage Learning,

2010.605p.

  • 48 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

III UNIDADE Aprendizagem por Condicionamento Operante Aprendizagem por Observação Psicologia da Aprendizagem I SEAD/UEPB 49
III UNIDADE
Aprendizagem por
Condicionamento Operante
Aprendizagem por
Observação
Psicologia da Aprendizagem
I
SEAD/UEPB
49
Apresentação Para os comportamentalistas a aprendizagem ocor- re tanto por Condicionamento Respondente, visto na aula passada,
Apresentação
Para os comportamentalistas a aprendizagem ocor-
re tanto por Condicionamento Respondente, visto na aula
passada, como também por Condicionamento Operante, e
ainda, por meio da Observação ou Aprendizagem Social.
O condicionamento operante, ocorre quando a resposta do
organismo se torna freqüente por ser seguida de um estímu-
lo reforçador. A outra modalidade de aprendizagem men-
cionada ocorre quando as respostas dos animais, inclusive
o homem, são influenciadas pela observação de outros, que
fazem o papel de modelos.
  • 50 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Objetivos Ao término da presente unidade você deverá ser capaz de: • Diferenciar o condicionamento simples
Objetivos
Ao término da presente unidade você deverá ser capaz de:
• Diferenciar o condicionamento simples do condicionamento
operante;
• Explicar e exemplificar a aprendizagem por condicionamento
operante e a aprendizagem por observação;
• Conceituar os principais termos estudados nos dois tipos de
aprendizagem por condicionamento e por observação.
Psicologia da Aprendizagem
I
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51
Condicionamento operante- já é chamado assim porque o comportamento opera no ambiente para produzir estímulos

1 Condicionamento operante- já é chamado assim porque o comportamento opera no ambiente para produzir estímulos de recom- pensa ou punição.

O condicionamento operante 1 ou instrumental

Você já sabe que quando se quer ensinar um animal a salivar ao

som de uma campainha, um organismo associa diferentes estímulos

que não controla, através do condicionamento clássico. Agora vamos

conhecer o condicionamento operante, no qual o organismo associa

seus comportamentos com as consequências. Se um operante for re -

petidas vezes acompanhado de resultados agradáveis para o sujeito,

terá mais probabilidade de ser realizado mais vezes em condições se -

melhantes. Se, por outro lado, for geralmente acompanhado de con-

sequências desagradáveis, o comportamento tem probabilidade de

ser repetido menos frequentemente em circunstâncias semelhantes. O

princípio central desta concepção é que os comportamentos seguidos

por reforços aumentam; os que são seguidos por punição diminuem.

Desta forma, através do condicionamento operante a associação é en-

tre comportamentos e conseqüências. De forma prática, digamos que

uma nova técnica de estudo provoque um melhor aproveitamento nos

seus estudos; através dela você passe a aprender mais. Evidentemente,

você irá utilizá-la toda vez que for estudar.

Assim, o condicionamento operante, como o clássico, envolve: a

aquisição; a extinção; a recuperação espontânea, a generalização

e a discriminação. Mas, há distinções evidentes: enquanto o condi-

cionamento clássico, forma associações entre estímulos (um Estímulo

Condicionado- EC- e o Estímulo Incondicionado -EI- que sinaliza) e o

comportamento respondente ( ex. salivar em reação a comida e depois

a campainha), o condicionamento operante envolve o comportamento

operante, que já é chamado assim, porque o ato opera no ambiente

para produzir estímulos de recompensa ou punição.

Myers (1999, p.180) propõe uma questão para se fazer a distinção

do condicionamento simples para o condicionamento operante: o or-

ganismo está aprendendo associações entre eventos que não controla

( condicionamento clássico)? Ou está aprendendo associações entre

seu comportamento e eventos resultantes (condicionamento operante)?

A História do Condicionamento Operante

Muitos estudiosos contribuíram para aprimorar o estudo do Con-

dicionamento Operante. Vamos conhecer o trabalho de dois pioneiros

que tiveram especial destaque:

  • 52 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

THORNDIKE e a importância das consequências

O psicólogo americano, EDWARD LEE THORNDIKE (1874-1949),

foi um dos primeiros estudiosos do comportamento a dar ênfase ao

fato de que as consequências são importantes para a aprendizagem.

Ele observou gatos famintos para saber como eles resolviam seus pro -

blemas. Então, privava os animais de comida e colocava em gaiolas,

chamadas ”caixas quebra-cabeças” ou “de segredos”, de onde os ani-

mais podiam fugir através atos simples, como: manobrar uma corda,

movimentar uma alavanca ou pisar uma plataforma. Logo à saída da

gaiola havia alimento, em lugar onde pudesse ser visto e cheirado,

como incentivo para a resolução do problema. Esse cientista do com-

portamento observou como muitos gatos aprenderam a fugir de várias

caixas. A conclusão que Thorndike chegou foi que os animais, inclu-

sive o homem, resolvem problemas pela aprendizagem por ensaio e

erro. Inicialmente, o animal experimenta várias respostas ‘instintivas’.

Os comportamentos exitosos tornam-se mais freqüentes e os atos frus-

trados passam a ser menos prováveis.

THORNDIKE e a importância das consequências O psicólogo americano, EDWARD LEE THORNDIKE (1874-1949), foi um dos

Ilustração 1 caixa quebra-cabeça ou de segredo de Thorndike

Disponível em: http://www.google.com.br/search?q=fotos+de+experimentos+skin

ner&hl=pt-BR&qscrl=1&nord=1&rlz=1T4SNNT_pt-BR

___

BR445&prmd=imvns&t

bm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=se98T-KyDoOa8gSy--ngDA&sqi=2&ve

d=0CCQQsAQ&biw=1192&bih=514

Skinner e a tecnologia operante

B.F.Skinner nasceu em Susquehanna, Pennsylvania, no dia 20 de

março de 1904, numa família presbiteriana e republicana. Seu pai

era um advogado bem sucedido, embora basicamente autodidata.

Segundo seu próprio relato, seu ambiente da infância era estável e não

lhe faltou afeto. Ele se formou em inglês e, logo, manifestou o desejo

de tornar-se escritor, mas frustrou e ingressou numa pós graduação em

Psicologia. Tornou-se a figura mais influente do behaviorismo moderno.

Teve como influentes John B. Watson, Ivan Pavlov e Thorndike. Skinner

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

53

usou como ponto de partida a “lei do efeito” e desenvolveu uma “tec-

nologia do comportamento” que lhe permitia ensinar animais a de -

senvolverem comportamentos que não era comum na espécie, como

um pombo a andar num desenho do número oito. Nenhum pensador

ou cientista do século 20 levou tão longe a crença na possibilidade

de controlar e moldar o comportamento animal, inclusive o humano,

como o norte-americano Burrhus Frederic Skinner (1904-1990).

Skinner realizou a maioria de suas experiências com animais infe -

riores, principalmente o Rato Branco e o Pombo, por conta da preocu-

pação que ele tinha com controles científicos estritos. Ele desenvolveu

como aparelho adequado para estudo animal a “Caixa de Skinner”. En-

tão, ele colocava um rato dentro de uma caixa fechada que continha

apenas uma alavanca e um fornecedor de alimento.Quando o rato

apertava a alavanca sob as condições estabelecidas pelo experimenta-

dor, uma bolinha de alimento caia na tigela de comida, e desta forma,

o rato era compensado. Após o rato fornecer essa resposta, Skinner

colocou o comportamento do rato sob o controle de uma varieda-

de de condições de estímulo. Além disso, o comportamento pode ser

gradualmente modificado ou modelado até que aparecessem novas

repostas que não faziam parte do repertório comportamental do rato.

A conclusão de Skinner foi que as leis de aprendizagem se aplicam a

todos os organismos, pois, o que é comum ao homem, a pombos, e a

ratos é um mundo no qual prevalecem certas contingências de reforços

trazendo esses ensinamentos para a educação a grande contribuição

de Skinner foi que o comportamento de alunos podem ser modelados

pela apresentação de materiais em cuidadosa seqüencia e pelo ofere -

cimento das recompensas ou reforços apropriados. Ele criou os méto -

dos de ensino programado que podem ser aplicados sem a intervenção

direta do professor, através de livros, apostilas ou mesmo máquinas.

Reforço- pode ser qualquer evento que aumenta a frequência de uma

reação precedente.

Reforço positivo- quando o comportamento desejado é alcançado

um elemento de recompensa é adicionado.

Para Skinner, a aprendizagem programada e máquinas de ensinar,

são os meios mais apropriados para realizar a aprendizagem escolar.

Disponível em: http://www.google. com.br/search?q=fotos+de+

experimentos+skinner&hl=pt-

BR&qscrl=1&nord=1&rlz=1T4SNNT_

pt-BR ___

BR445&prmd=imvns&tbm=

isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei

=se98T-KyDoOa8gSy--ngDA&sqi=

2&ved=0CCQQsAQ&biw=1192&

bih=514

usou como ponto de partida a “lei do efeito” e desenvolveu uma “tec- nologia do comportamento”

Ilustração 2 Skinner habitat de trabalho

  • 54 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Termos e Conceitos Chaves

Modelagem - Skinner usou esse procedimento onde utilizava “recom-

pensas”, como alimento, gradativamente, para orientar o comporta-

mento de um animal para o comportamento desejável. Por exemplo:

Se você condicionar um rato para apertar uma barra, primeiro você

vai observá-lo como ele se comporta naturalmente antes do treino

para ter como base os comportamentos existentes. Então, dê ao rato

uma recompensa de comida cada vez que ele se aproxima da barra.

Vá, cada vez mais, diminuindo a distância da barra para recompensá-

-lo, até exigir que ele toque na barra antes de lhe dar a comida. Esse

é o método de aproximações sucessivas, através do qual pesquisadores e

adestradores de animais moldam aos poucos comportamentos com-

plexos. Skinner chama a atenção para o fato de que , na vida cotidiana,

sempre recompensamos e moldamos a vida das pessoas, embora, na

maioria das vezes, agimos de maneira não intencional, de forma que,

recompensamos o comportamento desagradável, e, consequentemen-

te, o fortalecemos.

Termos e Conceitos Chaves Modelagem - Skinner usou esse procedimento onde utilizava “recom- pensas”, como alimento,

Ilustração 3 Uso da modelagem para adestrar cães

Disponível em: http://www.forbraz.com.br/?gclid=CMnPzb6BnK8CFZ

NV7AodASzuZA

Reforço 1 - O conceito de reforço de Skinner, considera que qualquer

evento aumenta a freqüência de uma reação precedente. Um reforço

pode ser uma recompensa tangível, como uma boa nota na escola.

Pode ser um elogio ou uma atenção, como o reconhecimento do pro -

fessor em público. Ou pode ser uma atividade, como poder brincar

depois de uma hora e meia de estudo.

Termos e Conceitos Chaves Modelagem - Skinner usou esse procedimento onde utilizava “recom- pensas”, como alimento,

1 Reforço - pode ser qualquer evento que aumenta a frequência de uma reação prece- dente. Reforço positivo - quando o compor- tamento desejado é alcançado um elemento de recompensa é adicionado.

Mas, reforço não é só recompensa. Há dois tipos de reforços: o

reforço positivo, que fortalece uma reação ao oferecer um estímulo

depois de uma reação desejada. Por exemplo , no nosso sistema edu-

cacional, tirar uma nota boa é um reforço positivo para a maioria dos

alunos. O outro tipo de reforço, o negativo, fortalece uma reação ao

reduzir ou remover um estímulo aversivo. Por exemplo: um aluno ficou

muito preocupado porque errou bastante numa prova e tirou uma nota

baixa. Para próxima avaliação, ele resolve estudar mais, consequente -

mente, ele tira uma nota melhor, consegue atingir a média e, diminui a

ansiedade. Observe que um reforço é uma conseqüência que fortalece

o comportamento, tanto por oferecer algo positivo ou por reduzir alguma

coisa negativa.

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

55

Punição - Enquanto o reforço aumenta um comportamento à pu-

nição diminui, assim, uma punição é uma conseqüência aversiva que

diminui a freqüência de um comportamento que vem logo em seguida.

O psicólogo Robert Larzelere (1996 apud: MYERS,1999,p.183) apon-

tou em seus estudos que crianças espancadas tem risco aumentado

de agressividade, depressão e baixa auto estima. Outras desvantagens

são que o comportamento punido não é esquecido, mas é suprimido. A

supressão pode reforçar o comportamento (de forma negativa) o com-

portamento punitivo. Uma criança que leva uma punição da mãe toda

vez que roe as unhas, pode deixar de roer na presença da mãe e voltar

a roer quando ela não está por perto.

A punição também pode criar o medo e ensinar agressividade.

Por exemplo, uma criança pode temer uma professora punitiva e não

querer ir mais à escola. Pode também, desenvolver sentimentos de as

coisas estão fora do controle dos indivíduos e, provocar desamparo e

depressão. Em poucas palavras, a punição diz o que não fazer e não

ensina como agir de forma positiva. Por isso, a maioria dos psicólogos

é favorável ao reforço e não é a punição.

Punição - Enquanto o reforço aumenta um comportamento à pu- nição diminui, assim, uma punição é

Ilustração 4 reforço

Implicações na Educação: A Tecnologia do Ensino

Um dos grandes problemas do ensino, segundo Skinner, é o uso

do controle aversivo. É verdade que atualmente, as escolas não usam

mais a punição física como a palmatória, mas ainda adota como he -

rança, o controle aversivo, fazendo uso de repreensão, sarcasmo, crí-

tica, tarefa de casa adicional, retirada de privilégios e outros compor-

tamentos violentos, como forma de “proporcionar” a aprendizagem.

Skinner observou que o aluno perde muito tempo, fazendo coisas que

não deseja fazer e para as quais não há reforços positivos. Assim, ele

trabalha principalmente para fugir da estimulação aversiva. Faz o que

tem a fazer porque o professor detém o poder e autoridade, mas, com

o tempo, o estudante descobre outros meios de fugir como: chegar

atrasado ou faltar, não prestar atenção (retirando assim reforçadores

do professor), ficar pensando “longe”, não parar na cadeira, tornar-se

agressivo, recusar-se a obedecer e abandonar os estudos na primei-

ra oportunidade. Como se não bastasse, na avaliação, as provas são

usadas como ameaça e são destinadas principalmente a mostrar o que

o aluno não sabe e coagi-lo a estudar Skinner acredita, que na verda-

de, os professores não desejam usar controles aversivos. Possivelmente,

  • 56 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

as técnicas aversivas continuam sendo usadas porque não foram de -

senvolvidas alternativas eficazes. De acordo esse teórico, as pessoas

aprendem porque foram reforçadas para lembrar o que viram ou ou-

viram. Para ocorrer à aprendizagem devemos reconhecer a resposta, a

ocasião em que ocorrem as respostas e as conseqüências da resposta.

Desta forma, Skinner propôs a aplicação de seus métodos através do

arranjo de contingências de reforço sob as quais estudantes aprendem.

O primeiro passo é modelar as respostas, para tanto, deve-se colo -

car o comportamento sob numerosas espécies de controle de estímulo.

Os reforços devem ser contingentes a cada passo da conclusão satis -

fatória, pois os reforços ocorrem freqüentemente, quando cada passo

sucessivo no esquema for conquistado no menor extrato possível. Para

isso, sustentava Skinner, aparelhos mecânicos e elétricos devem ser

usados para maior aquisição do conhecimento.

as técnicas aversivas continuam sendo usadas porque não foram de - senvolvidas alternativas eficazes. De acordo

Ilustração 5 máquina de ensinar

A Máquina de Ensinar

A mais conhecida aplicação educacional do trabalho de Skinner é

sem dúvida Instrução programada e máquinas de ensinar Skinner acre -

dita que as máquinas de ensinar apresentam várias vantagens sobre

outros métodos. Uma vez que os alunos podem compor sua própria

resposta em lugar de escolhê-la em um conjunto de alternativas. Como

também, se exige mais do aluno porque além de responder, ele tem

que verificar quais são as respostas corretas para poder ir adiante. A

máquina assegura que esses passos sejam dados em uma ordem cui-

dadosamente prescrita. É claro que a máquina, propriamente dita, não

ensina, mas ela coloca estudantes em contato com o professor ou a

pessoa que escreve o programa. Em muitos aspectos, diz Skinner, é

como um professor particular, no sentido de haver constante intercâm-

bio entre o programa e o estudante. A máquina mantém o estudante

ativo e alerta. Além do mais, a máquina de Skinner permite a liberação

do professor para formas mais sutis de instrução, como a discussão, e

também para se concentrar nas necessidades especiais do aluno.

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

57

Materiais Programados (Instrução Programada)

O sucesso de tais máquinas depende, naturalmente, do material

nelas usado. Podem hoje, ser encontrados comercialmente numerosos

programas em qualquer área de matéria, mas muitos professores estão

aprendendo a escrever seus próprios programas. Os programas não

precisam ser necessariamente usados em máquinas; muitos são escritos

em forma de livro, embora, através do livro, o aluno se exponha mais.

De acordo com Skinner (apud MYERS,1999, p.186), a boa instrução

exige que o aluno seja informado se acertou ou errou a resposta da

questão e quando acertar deve logo ser orientado para o passo se -

guinte. Em síntese, as características deste método são: a matéria a ser

aprendida é apresentada em pequenas partes; estas são seguidas de

uma atividade cujo acerto ou erro é imediatamente verificado. Outra

característica é que o estudo é individual, mas com o auxílio do profes -

sor, permite ao aluno progredir em seu próprio ritmo.

Materiais Programados (Instrução Programada) O sucesso de tais máquinas depende, naturalmente, do material nelas usado. Podem

Ilustração 6 Instrução programada

O Legado de Skinner

Desde 1950, tem-se expandido muito o estudo do condicionamen-

to operante para utilização com animais superiores, inclusive os hu-

manos. A aplicação prática que se tem feito dos estudos experimentais

do condicionamento operante é baseada na eficácia da administração

Disponível em: http://www.google. com.br/search?q=fotos+de+ex

sistemática de recompensas (reforços) a um organismo, que tem como

  • perimentos+de+skinner&hl=pt- alvo o desenvolvimento de certas reações. Essa aplicação prática re -

    • BR&qscrl=1&nord=1&rlz=1T4SNNT_pt- quer que se faça o levantamento dos eventos que reforçam um dado

BR ___

BR445&prmd=imvns&tbm=isch&

tbo=u&source=univ&sa=X&ei=Lvt8T7

indivíduo, uma vez que o estímulo é particular. As reações são con-

troladas utilizando as consequencias reforçadoras. O ideal de Skinner
QQsAQ&biw=1192&bih=514#hl=pt-

zZDJSW8gTyn6juDA&sqi=2&ved=0CC

está mais próximo agora de ser alcançado, por conta dos pacotes de

  • BR&qscrl=1&nord=1&rlz=1T4SNNT_pt- software para estudantes bastante interativo e da facilidade de aces-

BR ___

BR445&tbm=isch&sa=1&q=fotos+

de+experimentos+de+skinner+m%C3%A

1quina+de+ensinar&oq=fotos+de+exper

imentos+de+skinner+m%C3%A1quina+d

so a internet. Concordo com Myers (2009) ao destacar que Skinner

provocou um grande debate intelectual sobre a natureza da liberdade

e+ensinar&aq=f&aqi=&aql=&gs_l=img.3

...

726246l733828l0l735008l19l19l0l18l0

l0l295l295l2-1l1l0.frgbld.&bav=on.2,or.r_

gc.r_pw.r_qf.,cf.osb&fp=bd00d935e4dc8e

e&biw=1192&bih=514

humana, as estratégias e éticas de dirigir as pessoas. Indubitavelmente,

os pressupostos desta teoria são importantes em todos os campos em

que o comportamento figura, com principal destaque para a Educação.

  • 58 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Atividade I

Atividade I 1. O que você entende por Condicionamento Operante? 2. Em que aspectos o Condicionamento
  • 1. O que você entende por Condicionamento Operante?

  • 2. Em que aspectos o Condicionamento Operante se distingue do

Condicionamento Simples?

  • 3. Dê exemplos de aprendizagem por Condicionamento Operante que ilustrem

cada um dos tipos de reforços

Atividade I 1. O que você entende por Condicionamento Operante? 2. Em que aspectos o Condicionamento

dica. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!

Aprendizagem por observação

Como você já sabe para os comportamentalistas nem toda aprendiza-

gem ocorre exclusivamente por Condicionamento Básico ou Condiciona-

mento Operante, mas também por meio da Observação ou Aprendizagem

Social, Modelação ou Imitação. Essa modalidade de aprendizagem ocorre

quando as respostas dos animais, inclusive o homem, são influenciadas

pela observação de outros, que fazem o papel de modelos.

Na verdade, Albert Bandura considera que a aprendizagem por

imitação não ocorre inteiramente separada do condicionamento clás -

sico e do condicionamento operante. Ela acontece como uma extensão

do alcance dos condicionadores. De acordo com esse teórico, tanto o

condicionamento clássico como o operante podem acontecer de forma

indireta através da aprendizagem por observação, a qual envolve ser

condicionado indiretamente por meio da observação do condiciona-

mento dos outros (Weiten, 2010).

Atividade I 1. O que você entende por Condicionamento Operante? 2. Em que aspectos o Condicionamento

Ilustração 7 Aprendizagem por observação

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

59

Disponível em: http://www.google. com.br/search?q=fotos+de+

experimentos+skinner&hl=pt-

BR&qscrl=1&nord=1&rlz=1T4SNNT_pt-

BR ___

BR445&prmd=imvns&tbm=isch&

tbo=u&source=univ&sa=X&ei=se98T-

KyDoOa8gSy--ngDA&sqi=2&ved=0CCQ

QsAQ&biw=1192&bih=514

Os Experimentos de Bandura

Uma criança em idade pré escolar encontra-se concentrada dese -

nhando numa sala. Em outra parte da sala, um adulto brinca com uns

brinquedos e por quase 10 minutos dá socos e chutes, joga um grande

boneco João teimoso inflado de um lado para outro da sala, enquanto

grita comentários como: “Acerte um soco no nariz

..

um chute.”

Derrube-o.”Dê-lhe

Após observar essa cena, a criança é levada para outra sala onde

há muitos brinquedos. Quando a criança começa a brincar, a pes -

quisadora interrompe a diversão da criança e explica que decidiu dar

aqueles brinquedos para outras crianças e leva a criança com tamanha

frustração para outra sala, que contém poucos brinquedos, dentre eles

um João teimoso.

Constatou-se que em comparação com crianças que não observa-

ram a explosão agressiva, as que presenciaram as cenas de violência,

tinham muito mais probabilidade de descarregar no boneco. Inicial-

mente, a interpretação dada era de que observar o modelo adulto ba-

ter no boneco baixava as inibições da criança, mas a criança também

imitava os próprios atos que tinha observado e usava as mesmas pa-

lavras ditas.

Após fazer muitas pesquisas, Bandura (apud DAVIDOFF, 2001) en-

fatizou a importância da observação ao destacar que se tivesse que

confiar exclusivamente nos próprios atos para aprender, a maioria de

nós nunca sobreviveria. Mas é preciso enfatizar que considere que a

aprendizagem por observação não limita o efeito à mímica precisa.

Geralmente, as pessoas extraem regras e princípios gerais de compor-

tamentos que lhes permitem ir além do que vêem e ouvem.

Você se lembra do exemplo da família Silva citado no início da

Unidade II? Pois bem, embora as crianças não utilizem as expressões

exatas de seus pais, elas estão aprendendo estilos de interação e estra-

tégias de solução de ressentimentos. É se observando umas as outras

que as pessoas adquirem um vasto número de respostas, desde o voca-

bulário, as maneiras de cuidar do corpo, incorporam as regras sociais

como etiquetas, os papéis sexuais, as funções que exercem, de pais, de

filhos e de conjugues. A partir de agora, vamos dedicar nosso estudo

a conhecer como as pessoas aprendem por observação, quem imita e

quem é imitado e como a observação contribui para muitos tipos de

comportamento.

Bandura (apud:WETEIN, 2011, p.191) aponta quatro processos

cruciais na aprendizagem observável, são eles:

Atenção. A aprendizagem por observação requer que o edu-

cando observe o comportamento de outra pessoa, que exerce a

função de modelo, suas conseqüências, e reconheça os traços

distintivos da conduta do modelo.

  • 60 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Retenção. Há o armazenamento das respostas do modelo na

memória do educando por um período que pode ser de sema-

nas, meses ou anos.

Reprodução. A execução de uma resposta modelada depen-

de da habilidade do aluno em reproduzi-la, convertendo suas

imagens mentais armazenadas em comportamento observável.

Motivação. Para se reproduzir uma resposta observada, é ne -

cessário que o aluno esteja motivado o que depende de como

ele encara a situação e de acreditar que a resposta trará resul-

tados positivos.

De acordo com Davidoff (2001) a aprendizagem por observação

é mais complicada que o condicionamento operante ou respondente,

pois ela sempre implica atividades cognitivas e, por outro lado, geral-

mente é muito demorada. Mas , assim como o condicionamento ope -

rante e respondente, a aprendizagem por observação pode ser usada

propositalmente na modificação do comportamento.

Quem é o Modelo?

Há um caso clássico relatado pelo jornal americano, Washington

Post, em 1962, no qual um menino de onze anos, que se juntou a um

bando de cães, andava de quatro e ladrava todas as noites com os

seus companheiros. Casos como esse tem muita repercussão porque

geralmente as pessoas são mais exigentes do que o citado na escolha

de modelos.

Há algumas características que os modelos frequentemente pos -

suem que foram identificados em estudos experimentais como: Gla-

mour ou status, poderosos, os indivíduos do mesmo sexo e idade e an-

tecedentes econômicos, temperamento educação e valores parecidos.

Outros determinantes são o estado emocional e o estilo de vida do

educando aumentam a suscetibilidade à aprendizagem por observa-

ção. (Davidoff, 2001 )

Aplicações da Aprendizagem por Observação

Os estudos comprovaram que os modelos anti sociais- na família,

na escola, na vizinhança ou na TV- podem ter efeitos anti sociais. Assim

como, os modelos positivos, prestativos podem ter efeitos pró sociais.

Isso pode explicar por exemplo, por que pais agressivos tinham filhos

agressivos, e, por outro lado, por que os cristãos europeus que arrisca-

ram a vida para salvar judeus dos nazistas, tinham em geral um rela-

cionamento estreito com pelo menos um dos pais, que exerciam a fun-

ção de modelo de preocupação moral ou humanitária (Myers, 1998).

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

61

Você já ouviu falar no ditado popular: “faço o que eu digo, mas

não faça o que eu faço”. Pois bem, os experimentos da observação

mostraram que se forem expostas a um comportamento hipócrita, as

crianças tendem a imitar a hipocrisia, dizendo e fazendo como o mo -

delo. Por outro lado, os modelos são eficazes quando suas ações e

palavras são coerentes.

O que determina quando um modelo será imitado?

De acordo com Bandura ( apud MYERS, 1998) parte da respos-

ta está em reforços e punições recebidos tanto pelo modelo, quanto

pelo imitador. Observamos e aprendemos tanto pelo modelo, como

pelo imitador. Ao observar, aprendemos a prever as conseqüências de

um comportamento em situações como as que estão observando. Por

exemplo: quando assistem a programas de TV , as crianças tendem

a “aprender” que a intimidação física é um modo eficaz de controlar

comportamentos de outras pessoas.

Você já ouviu falar no ditado popular: “faço o que eu digo, mas não faça o

Ilustração 8 Aprendizagem por Observação e a Violência na Mídia

Disponível em: http://www.google.com.br/search?q=fotos+de+experimentos+

skinner&hl=pt-BR&qscrl=1&nord=1&rlz=1T4SNNT_pt-BR

___

BR445&prmd=i

mvns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=se98T-KyDoOa8gSy--ngDA

&sqi=2&ved=0CCQQsAQ&biw=1192&bih=514

  • 62 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Aprendizagem por Observação e a Violência na Mídia

O experimento clássico de Bandura, em 1960, já investigou e

constatou que a observação de modelos filmados pode influenciar a

aprendizagem do comportamento agressivo nas crianças. Essa pioneira

pesquisa foi uma das primeiras demonstrações de causa e efeito entre

a exposição à agressão demonstrada na TV e o crescente comporta-

mento agressivo, quer seja físico, verbal e de emoções e pensamentos

agressivos em crianças e que, posteriormente, outros estudos compro -

varam também nos adultos.

Esse longo debate sobre a violência na mídia demonstra que a

aprendizagem por observação tem um importante papel na regulagem

do comportamento. Ela é o terceiro mais amplo tipo de aprendizagem

que surge após o Condicionamento Clássico e o Condicionamento

Operante. (Myers, 1998).

Atividade II

Aprendizagem por Observação e a Violência na Mídia O experimento clássico de Bandura, em 1960, já
  • 1. Em que consiste a aprendizagem por observação?

  • 2. Em que a aprendizagem por observação pode ser comparada com o

condicionamento operante e com o condicionamento clássico?

  • 3. Dê um exemplo de aprendizagem por observação no ser humano:

Aprendizagem por Observação e a Violência na Mídia O experimento clássico de Bandura, em 1960, já

dica. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

63

Indicação de Livros

Indicação de Livros A análise do comportamento, de J. G .. Holland e B. F. Skinner

A análise do comportamento, de J. G ..

Holland e B. F. Skinner (São

Paulo,Herder/USP,1969) sobre a

análise do comportamento é um

livro para principiantes que ensina

os principais conceitos da teoria

S-R.,utilizando o método de instrução programada.

Walden II: Uma Sociedade do futuro de B. F. Skinner (São Paulo, Herder/

USP, 1972), partindo da concepção da análise experimental do compor-

tamento, o autor apresenta uma visão utópica sobre um mundo onde

as contingências estariam todas controladas.

Ciência e Comportamento Humano de B. F. Skinner (Brasília, Universidade

de Brasília, São Paulo, FUNBEC, 1970 discute como a ciência pode ajudar

na resolução de problemas que a sociedade enfrenta; traz discussões

sobre: os principais conceitos; o indivíduo como um todo; o compor-

tamento das pessoas em grupo; as agências controladora do compor-

tamento e, por último, a questão do controle.

Sobre o Behaviorismo de B. F. Skinner (São Paulo, Cultrix/EDUSP, 1972

retoma a questão do mundo interior ao individuo; a questão do con-

trole e apresenta discussões e análise sobre o comportamento como

perceber, falar, pensar e conhecer. Traz as questões recentes da análise

do comportamento nos escritos dos últimos 20 anos de trabalho de B.

F. Skinner.

Indicação de Filmes

O Show de Truman, O Show da Vida

Indicação de Livros A análise do comportamento, de J. G .. Holland e B. F. Skinner

É um filme que traz uma discussão profunda

sobre a vida das pessoas, sobre o fenômeno da

mídia e sobre o que consideramos real. Ele faz o

expectador pensar.Truman Burbank vive na peque -

na cidade litorânea de SeaHeaven ; trabalha em

uma empresa de seguros; e ,é aparentemente bem

casado com a enfermeira Meryl ; também vive bem com amigos e vizi-

nhos que gostam muito dele. Mas, tem uma coisa que difere Truman

dos outros milhões de norte-americanos classe média : só a existência

dele é real em SeaHeaven. Ele é o primeiro homem que, há 30 anos,

tem sua vida completamente controlada pelos outros: a vida dele é te -

levisionada 24 horas por dia . Truman não pode sair da cidade e toda

a produção se esforça para mantê-lo lá, como um prisioneiro. O filme

começa exatamente no momento em que Truman passa a desconfiar

  • 64 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

que sua vida não é real . Mas ele nunca pensou em abandonar sua

vida ideal.No filme até os nomes dos personagens têm a ver: “True” e

“Man” em inglês significam “homem verdadeiro”e, Christof, o diretor,

é derivado da palavra “Christ”, que quer dizer “Cristo” , o Deus do

mundo por ele criado.

Laranja Mecanica

Num possível futuro, jovens são influenciados e criados por uma

cultura desregrada de uma sociedade sem valores e hipócrita. Forma-

-se então, uma gangue de delinquentes que matam, roubam e es -

tupram gratuitamente. As absurdas ações dos adolescentes causam

sentimentos de estranhamento e repulsa nas pessoas. O líder da turma

acaba preso e é usado em experimento destinado a refrear os impulsos

destrutivos, num lançamento de um programa do governo para rea-

bilitação de criminosos, no qual ele se vê impotente para lidar com a

violência que o cerca. O filme é uma critica não revelada ao modo de

vida sempre mais egoísta do ser humano.

Meu filho, meu mundo

Raun nasceu aparentemente um bebê saudável e feliz .Entretanto,

com o passar do tempo, seus pais começam a observar que há alguma

coisa estranha com ele, pois sempre está com um ar distante . Um dia

a suspeita é confirmada: o menino é autista. Então, o amor que sentem

pelo filho faz com que, através de uma verdadeira sintonia, descubram

estratégias eficientes para penetrar no mundo dele. Os recursos utili-

zados são a observação e a imitação do comportamento da criança.

Indicações de vídeos

  • 1. Operant Conditioning [03:58] [YouTube.com]

que sua vida não é real . Mas ele nunca pensou em abandonar sua vida ideal.No

O vídeo inicia começa apresentando um pombo

já com o comportamento já condicionado. Ao apa-

recer a palavra escrita “peck” [bique] ele bica o

quadro e quando a palavra no quadro é “turn”

[vire] ele gira em torno de si. Depois mostra o me -

canismo da caixa operante e o registrador cumula-

tivo em funcionamento e Skinner falando sobre os programas de refor-

ço e como eles controlam o comportamento. Skinner finaliza falando

sobre liberdade, escolha e as causas do comportamento.

  • 2. Comercial da Skol (2007) [00:30] [YouTube.com]

Trata-se de um comercial da Skol veiculado em 2007. Mostra um

experimento em que ratos, tomam choque para ter acesso ao alimento

,e mesmo assim, continuam a emitir a resposta que produz ambos (cho -

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

65

que e alimento). A seguir o comercial exibe cenas surpreendentes que

mostram como o comportamento humano também é controlado por

suas conseqüências. O vídeo demonstra de uma forma inusitada que,

se o evento seguinte ao comportamento é compensador, o organismo

se esmera no comportamento mesmo que ele produza também eventos

aversivos.

  • 3. Negócios e Behaviorismo [dublado] [08:06] [YouTube.com]

O vídeo parece ter sido produzido para um público leigo.no qual

Skinner procura apresentar definições curtas e usa uma linguagem bem

coloquial No decorrer da entrevista, Skinner. procura explicar que sua

teoria não ataca ou destrói a liberdade individual.Ele explica o senti-

do das palavras “liberdade” e “dignidade” Skinner apresenta também

sintéticas definições para “behaviorismo”, “condicionamento”, “refor-

ço”, etc ...

Por fim, há uma discussão sobre o emprego da Análise do

Comportamento nas empresas, onde ele argumenta porque o salário

não é um reforçador positivo e alerta para o uso excessivo do controle

aversivo nas relações de trabalho.

Video: Comportamentalismo

• Skinner - Modelagem (legendado) 4:46

• O Pequeno Albert de Watson (legendado) 4:05

• Modelagem 5:34

que e alimento). A seguir o comercial exibe cenas surpreendentes que mostram como o comportamento humano

Resumo

O condicionamento operante envolve o comportamento que con-

siste no ato que opera no ambiente para produzir estímulos de recom-

pensa ou punição. A aprendizagem por observação sempre implica

atividades cognitivas e, por outro lado, geralmente é mais demorada.

Destaca-se que, a aprendizagem por observação pode ser usada pro -

positalmente na modificação do comportamento assim como, o condi-

cionamento operante e respondente. Nesta unidade estudamos o arca-

bouço teórico da Aprendizagem por Condicionamento Operante e da

Aprendizagem por Observação, as suas contribuições para a educa-

ção e aplicações práticas que são determinantes para que o professor

fundamente a sua atuação.

  • 66 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Autoavaliação Dê exemplos e explique, descrevendo os termos e conceitos chaves: 1) condicionamento operante; 2) aprendizagem

Autoavaliação

Dê exemplos e explique, descrevendo os termos e conceitos chaves:

1) condicionamento operante;

2) aprendizagem por observação.

Referências

COLL,C., PALACIOS, J. & MARCHESI, A. Desenvolvimento Psicológico

e Educação: Psicologia da Educação. trad. Angélica Mello Alves. Porto

Alegre: Artes Médicas, 1996.460p.

DAVIDOFF, Linda L. Introdução à Psicologia. Trad. Auriphebo Berrance

e Mª da Graça Lustosa. 3ª ed. São Paulo .McGraw-Hill do Brasil,

2001.732p

FALCÃO G. M. Psicologia da Aprendizagem. São Paulo.Editora Ática,

1988.237p.

FERREIRA, S. F. Skinner e a Máquina de Ensinar. Curso de Pedagogia.

Faculdades Integradas Simonsen. Rio de Janeiro ,1998. Disponível

em: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/per07.htm. Acesso

em:03abr.2012.

MYERS, D. Introdução a Psicologia. Rio de janeiro: LTC Livros Técnicos e

Científicos Editora S.A,1998.533p.

WEITEN, Wayne. Introdução à Psicologia: temas e variações. Edição

Concisa. Vários tradutores. São Paulo: Cengage Learning,

2010.605p.

http://www.youtube.com/watch?v=m2mCRFHFUR0&feature=results_video

&playnext=1&list=PLC40EB23434765750

Psicologia da Aprendizagem

I

SEAD/UEPB

67

  • 68 EAD/UEPB

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Psicologia da Aprendizagem

IV UNIDADE Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel Psicologia da Aprendizagem I SEAD/UEPB 69
IV UNIDADE
Teoria da Aprendizagem
Significativa de Ausubel
Psicologia da Aprendizagem
I
SEAD/UEPB
69
Apresentação Nesta unidade, antes de iniciarmos o estudo das teorias cognitivas, vamos retomar algumas diferenças entre
Apresentação
Nesta unidade, antes de iniciarmos o estudo das teorias
cognitivas, vamos retomar algumas diferenças entre as teo -
rias comportamentalistas e as cognitiva da aprendizagem.
Posteriormente, começamos o estudo das teorias cognitivas,
a partir da Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausu-
bel. Estudaremos os eixos da aprendizagem por descoberta/
aprendizagem receptiva e o da aprendizagem significativa /
aprendizagem mecânica. Veremos também as condições ne -
cessárias para a aprendizagem significativa: a significativi-
dade lógica e a significatividade psicológica, assim como os
aspectos determinantes para favorecer esse tipo de aprendi-
zagem, que são os organizadores prévios e a hierarquia con-
ceitual. Concluiremos nosso estudo, com as contribuições
dos seguidores de Ausubel, que são instrumentos específi-
cos, propostos com o objetivo de favorecer a representação
conhecimento do aprendiz sobre sua realidade e a reflexão
sobre ela: os mapas conceituais e o V epistemológico.
Bons estudos!
  • 70 EAD/UEPB

I

Psicologia da Aprendizagem

Objetivos Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: • Reconhecer as principais diferenças entre
Objetivos
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:
• Reconhecer as principais diferenças entre as terias behavioristas
e cognitistas da aprendizagem;
• Analisar os tipos de aprendizagem de acordo com os seus eixos;
• Caracterizar as condições necessárias para a aprendizagem
significativa;
• Analisar um mapa conceitual;
• Definir o "V" epistemológico, como o elemento facilitador da
aprendizagem
Psicologia da Aprendizagem
I
SEAD/UEPB
71

Você já sabe que as teorias comportamentalistas ou behavioristas

investigam as relações entre os estímulos, as respostas e as conseqüên-

cias do comportamento. Seus defensores priorizam o estudo do com-

portamento objetivo e nas condições observáveis que impulsionam o

comportamento.

A outra orientação, a chamada Psicologia Cognitiva, considera

que o mais importante é a explicação dos eventos intelectuais como

pensamento, imaginação, solução de problemas, processamento de

informação, percepção e conhecimento. Desta forma, as abordagens

cognitivas trabalham com representação mental e priorizam a pesquisa

com humanos.

A autora Bock (1999) aponta três controvérsias entre as duas orien-

tações acima mencionadas: (1) diz respeito ao que e como se aprende;

(2) refere-se ao que mantém o comportamento aprendido; e, (3) diz

respeito a como resolvemos uma nova situação problema.

De acordo com os teóricos do condicionamento aprende-se os há-

bitos; a relação entre um estímulo e uma resposta, através da prática.

Já para os cognitivistas, a aprendizagem se dá através da relação entre

as idéias (conceitos), abstraídas das experiências passadas.

No que diz respeito a segunda questão, a teoria do condicionamen-

to considera que o comportamento que foi aprendido se mantém pelo

seqüenciamento de respostas. De acordo com a teoria cognitivista, o

comportamento é mantido através dos processos cerebrais mentais,

como a atenção e a memória.

Em relação a última controvérsia apontada, segundo os behavioris -

tas, numa nova situação problema, evoca-se os hábitos já adquiridos

adequados , seja de acordo com os elementos em comum existentes

entre o novo problema e experiências passadas , ou de acordo com

a semelhança entre esses elementos. Para os cognitivistas, a apresenta-

ção da nova situação problema permite a percepção de um “insight”,

ou seja, a compreensão interna das relações essenciais da situação; é

Você já sabe que as teorias comportamentalistas ou behavioristas investigam as relações entre os estímulos, as

1 Gestalt (palavra alemã para forma, padrão ou estrutura)

aquela “sacada” do ‘X” da questão. Nas palavras de Lefrançois (2008)

o insigt é a percepção das relações de uma situação problema.

O termo insight vem da psicologia da Gestalt 1 , movimento iniciado

segundo os historiadores em 1912, teve como fundadores: Werthei-

mer, Koffka e Köhler. Você se lembra, de acordo com o que vimos no

estudo que fizemos na evolução da psicologia científica, na unidade

I, esse conhecido “grupo de Berlim” foi considerado a “ponte” entre

behaviorismo e cognitismo, ao adotar como objeto de estudo a per-

cepção, o pensamento e a resolução de problemas, e também por

possuir como métodos de pesquisas a introspecção informal e métodos

objetivos.

Antes de iniciarmos o estudo dos principais conceitos dessa abor-

dagem teórica, não poderia deixar de destacar que existe uma falsa

idéia de que há mais consistência e aplicação prática nas mais recentes

formulações, Ledo engano!

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Psicologia da Aprendizagem

Muitos pontos das primeiras concepções teóricas ainda aparecem

nas teorias atuais, embora muitas vezes subliminarmente. O comporta-

mentalismo ainda sobrevive na Psicologia, com uma literatura forte e

aplicação prática em vários programas educacionais.

Cognitismo Moderno

A psicologia cognitiva, mais do que a behaviorista, faz o uso de me-

táforas para explicar como se dá o funcionamento das estruturas mentais

no ser humano. Como a metáfora é uma comparação, a mais comum

utilizada ultimamente para a cognição humana é com uma máquina de

computador. Desta forma, os modelos cognitivos se referem ao funciona-

mento da mente humana com temos utilizados na computação como: pro-

cessamento, armazenamento e recuperação da informação, dentre outros.

Nesses termos, Lefrançois (2009), citando Massaro e Cowan (1993),

ressalta que a metáfora dominante na psicologia cognitiva é a do proces-

samento de informação (PI). Esse refere-se a como a informação (input) é

modificada ou alterada, destacando os processos perceptuais e conceitu-

ais que fundamentam pensamento, memorização, resolução de proble-

mas, etc.

Assim, a psicologia cognitiva tem como características a representação

mental e o processamento de informação. De forma que, o desenvolvi-

mento da teoria cognitiva tem a forma de metáforas que envolvem a natu-

reza da representação mental e aos processos de construção e uso dessas

representações.

O nosso trabalho destacará dentre os que mais contribuíram para a

psicologia cognitiva as contribuições de David Ausubel, Jerome Bruner,

Jean Piaget e Lev Vygotsky.

De acordo com Salvador (2000), a perspectiva cognitiva passa a con-

ceber a aprendizagem como um processo de modificação do conheci-

mento e a enfatizar o valor que os processos mentais têm nesse desenvol-

vimento.

O primeiro dos cognitivistas que vamos ver é Ausubel. A teoria da

aprendizagem significativa defendida por ele, parte do princípio de que as

pessoas possuem uma organização cognitiva interna fundamentada em

conceitos, e que a sua complexidade depende das relações que os con-

ceitos têm entre si. Essa estrutura cognitiva é entendida como uma rede

de conceitos organizados de modo hierárquico, de acordo com o grau de

abstração e de generalização.

De acordo com Ausubel, a aprendizagem significativa no processo de

ensino tem que fazer algum sentido na vida do aprendiz, para que a in-

formação interaja e passe pelo processo de ancoragem nos conceitos já

existentes na estrutura do aluno. O autor entende que a aprendizagem

significativa se verifica quando o banco de informações no plano mental

do aluno se revela, tanto através da aprendizagem por descoberta, como

também, por recepção.

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Quem foi Ausubel?

Quem foi Ausubel? Figura 1 David Paul Ausubel Disponível em: http://www.google.com.br/ search?q=foto+de+david+ausubel&hl= pt-BR&prmd=imvnso&tbm=isch&tbo=u& source=univ&sa=X&ei=wnEQUNWhKom N6AHty4DYAw&ved=0CFEQsAQ&biw=1 024&bih=566

Figura 1 David Paul Ausubel

Disponível em: http://www.google.com.br/ search?q=foto+de+david+ausubel&hl= pt-BR&prmd=imvnso&tbm=isch&tbo=u& source=univ&sa=X&ei=wnEQUNWhKom

N6AHty4DYAw&ved=0CFEQsAQ&biw=1

024&bih=566

David Paul Ausubel (nasceu em 25 de outubro 1918, Nova Iorque e

morreu em 9 de julho de 2008), destacou-se como grande psicólogo

da educação norte-americano.

Filho de pais imigrantes da Europa Central, oriundo de uma família

judia e pobre, ele era revoltado com a educação que teve. Inconforma-

do com os castigos e humilhações recebidos na escola, ele considerava

a educação violenta e reacionária. Ausubel era indignado com várias

experiências negativas que passou na escola e que o marcaram muito.

Ele chegou a comparar a escola a um cárcere e os educadores aos

carcereiros que se aproveitavam da pouca idade das crianças para lhes

passar castigos e humilhações. Perseguiu uma formação acadêmica na

qual pudesse contribuir com as melhorias necessárias ao verdadeiro

aprendizado. Totalmente contra a aprendizagem puramente mecâni-

ca, concebeu a aprendizagem como um processo de organização das

informações e de integração do material à estrutura cognitiva existen-

te. Desta forma, ele valorizou os conhecimentos prévios dos alunos,

para que possam construir estruturas mentais cognitivas, com significa-

dos que darão origem a atribuição de outros significados, tornando a

aprendizagem prazerosa e significativa na vida dos sujeitos.

As ideias de Ausubel, são um marco para a educação, suas for-

mulações iniciais foram nos anos 60, quando publicou seus primei-

ros estudos sobre a teoria da aprendizagem significativa em 1963 (The

Psychology of Meaningful Verbal Learning), tendo desenvolvido-a du-

rante as décadas de 1960 e 1970. Mais tarde, no final da década

de 1970,teve como colaborador Joseph Novak que muito contribuiu

com a “teoria da aprendizagem verbal significativa” fundamentando as

primeiras propostas psicoeducativas que conceberam a aprendizagem

escolar e o ensino de uma maneira diferente do pensamento condutista

dominante da época.

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Psicologia da Aprendizagem

Para Reflexão

Atualmente, passados mais de cinquenta anos após a difusão das

idéias de Ausubel, a pergunta que não quer calar é: Será que a apren-

dizagem escolar mudou?

Vamos analisar a letra da música de Gabriel O Pensador, sucesso

entre os jovens admiradores do estilo Rap, Pop e Hip Hop. O mais

grave é que a música está postada na internet, em um site que fez um

apanhado de uma ”Relação de amor ou ódio”, com uma lista de vinte

músicas sobre educação e escolas- nacionais e internacionais.

Estudo Errado

Autor: Gabriel o Pensador Álbum: As Melhores Estilo: Música Brasileira, Pop, Rap/Hip- Hop Gravadora: SONY Selo: Chaos Ano: 1999

Eu tô aqui Pra quê? Será que é pra aprender? Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer? Tô tentando passar de ano pro meu pai não me bater Sem recreio de saco cheio porque eu não fiz o dever A professora já tá de marcação porque sempre me pega Disfarçando, espiando, colando toda prova dos colegas E ela esfrega na minha cara um zero bem redondo E quando chega o boletim lá em casa eu me escondo Eu quero jogar botão, vídeo-game, bola de gude Mas meus pais só querem que eu “vá pra aula!” e “estude!” Então dessa vez eu vou estudar até decorar cumpádi Pra me dar bem e minha mãe deixar ficar acordado até mais tarde Ou quem sabe aumentar minha mesada

Pra eu comprar mais revistinha (do Cascão?)

Não. De mulher pelada A diversão é limitada e o meu pai não tem tempo pra nada E a entrada no cinema é censurada (vai pra casa pirralhada!) A rua é perigosa então eu vejo televisão (Tá lá mais um corpo estendido no chão) Na hora do jornal eu desligo porque eu nem sei nem o que é inflação

  • - Ué não te ensinaram

  • - Não. A maioria das matérias que eles

dão eu acho inútil Em vão, pouco interessantes, eu fico pu. Tô cansado de estudar, de madrugar, que sacrilégio (Vai pro colégio!!) Então eu fui relendo tudo até a prova começar Voltei louco pra contar:

Manhê! Tirei um dez na prova Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova Decorei toda lição Não errei nenhuma questão Não aprendi nada de bom Mas tirei dez (boa filhão!) Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi

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Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi Decoreba: esse é o método de ensino Eles me tratam como ameba e assim eu não raciocino Não aprendo as causas e conseqüências só decoro os fatos Desse jeito até história fica chato Mas os velhos me disseram que o “porque” é o segredo Então quando eu num entendo nada, eu levanto o dedo Porque eu quero usar a mente pra ficar inteligente Eu sei que ainda não sou gente grande, mas eu já sou gente E sei que o estudo é uma coisa boa O problema é que sem motivação a gente enjoa O sistema bota um monte de abobrinha no programa Mas pra aprender a ser um ignorante ( ) ... Ah, um ignorante, por mim eu nem saía da minha cama (Ah, deixa eu dormir) Eu gosto dos professores e eu preciso de um mestre Mas eu prefiro que eles me ensinem alguma coisa que preste - O que é corrupção? Pra que serve um deputado? Não me diga que o Brasil foi descoberto por acaso! Ou que a minhoca é hermafrodita Ou sobre a tênia solitária. Não me faça decorar as capitanias hereditárias!! ( ) ... Vamos fugir dessa jaula! “Hoje eu tô feliz” (matou o presidente?) Não. A aula Matei a aula porque num dava Eu não agüentava mais E fui escutar o Pensador escondido dos meus pais Mas se eles fossem da minha idade eles entenderiam

(Esse num é o valor que um aluno merecia!)

Íííh

...

Sujô (Hein?)

O inspetor! (Acabou a farra, já pra sala do coordenador!) Achei que ia ser suspenso mas era só pra conversar E me disseram que a escola era meu segundo lar E é verdade, eu aprendo muita coisa realmente Faço amigos, conheço gente, mas não quero estudar pra sempre! Então eu vou passar de ano Não tenho outra saída Mas o ideal é que a escola me prepare pra vida Discutindo e ensinando os problemas atuais E não me dando as mesmas aulas que eles deram pros meus pais Com matérias das quais eles não lembram mais nada E quando eu tiro dez é sempre a mesma palhaçada Refrão Encarem as crianças com mais seriedade Pois na escola é onde formamos nossa personalidade Vocês tratam a educação como um negócio onde a ganância, a exploração, e a indiferença são sócios Quem devia lucrar só é prejudicado Assim vocês vão criar uma geração de revoltados Tá tudo errado e eu já tou de saco cheio Agora me dá minha bola e deixa eu ir embora pro recreio ... Juquinha você tá falando demais assim eu vou ter que lhe deixar sem recreio! Mas é só a verdade professora! Eu sei, mas colabora se não eu perco o meu emprego.

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Psicologia da Aprendizagem

Não precisa se aprofundar muito para perceber que a escola fala-

da, considerada uma “jaula´, não é diferente da escola que Ausubel

contestou e a chamou de ´cárcere”,

A decoreba, conteúdos sem aplicação prática; estudar só pra pas -

sar na prova e no outro dia esquecer; conteúdos sem relação com a re -

alidade vivenciada e todas as demais situações trazidas pelo Pensador

são abomináveis, fazem da escola um pesadelo, e a teoria significativa

repud