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Peter K.

Manning

OS ESTUDOS SOBRE A POLÍCIA NOS PAÍSES
ANGLO-AMERICANOS1

INTRODUÇÃO
Os estudos sobre a polícia nos países angloamericanos apresentam um desenvolvimento recente, materializado em obras publicadas nos últimos 50 anos. Neste breve ensaio, quero concentrar a atenção sobre o desenvolvimento de investigações no campo dos estudos policiais e tecer alguns comentários sobre o futuro dessa especialização. Para mim, a polícia é uma organização legítima, com articulação burocrática, que se dispõe a
manter a ordem política mediante o uso da força
(Manning, 2003, p. 41-42). A função policial democrática, que é valorizada nas sociedades angloamericanas, rechaça a tortura, o terrorismo e o contra terrorismo, baseando-se no direito e buscando
o mínimo de prejuízo para as relações civilizadas.
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Este artigo é uma versão modificada da comunicação
apresentada ao Seminário Internacional sobre Estudos
de Polícia, realizado na Faculdade de Justiça Criminal e
Segurança da Universidade de Eastern Kentucky,
Richmond, Kentucky, Estados Unidos, entre 12 e 15 de
junho de 2003. Agradeço os comentários sobre este trabalho formulados pelos participantes do Congresso, os
materiais gentilmente enviados por Tim Newburn, as
reflexões de Maurice Punch e a tradução e revisão editorial de Christopher Birkbeck.

Essa função policial democrática é erigida
sobre valores éticos e morais que são tácitos e somente submetidos à análise quando se fragilizam.
Pareceria também que, para manter-se como tal, a
função policial democrática deve existir juntamente
com manifestações de atividade policial opostas à
sua natureza, tais como as empresas de segurança
privada, as associações voluntárias e as atividades
policiais na alta hierarquia social ou na esfera política (Liang, 1992, p. 2).2 Embora haja muitos tipos de polícia democrática, influenciados pelo
modelo de direito civil continental nas sociedades
mediterrâneas e hispânicas, neste artigo ocupo-me
dos estudos sobre a polícia anglo-americana, que
se desenvolveu mediante a adaptação mais do que
a conquista e resultou da difusão do modelo britânico idealizado por Robert Peel em 1829, no Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos.3

Definições de polícia e da função policial democrática
encontram-se em Manning (2003).
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Neste trabalho, “polícia” significa as características
ocupacionais e organizacionais da polícia anglo-americana, e “função policial” se refere a práticas, habilidades e
comportamentos daqueles que integram a polícia.
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CADERNO CRH, Salvador, v. 18, n. 45, p. 431-446, Set./Dez. 2005

Peter K. Manning

Dois livros muito promissores não obtiveram muita atenção por parte dos especialistas: o estudo sobre a interação entre a polícia e o públi4 Mesmo que o livro de Punch trate sobre a polícia de Amsterdam. observa-se a grande influência de não muitas obras. Em ambos. 1996. Salvo os casos de Wilson (politólogo) e Banton (antropólogo). examinam-se as origens dos estudos policiais nesses países e a trajetória dos pesquisadores mais destacados nessa especialidade. em primeiro lugar. Reiner (1991). existente tanto implícita com explicitamente. agora em sua terceira edição) e dois capítulos e prólogos preparados por Tim Newburn (2003). sobre a polícia e o público. Meu ensaio conclui com algumas reflexões sobre o futuro dos estudos sobre a polícia. Mulchay. Reiner (1992. Adicionalmente. 1996). Todas elas foram organizadas por temas e não pela sua orientação teórica. de Maureen Cain (1972). 1983. 432 432 . e faz-se menção às pressões públicas para a realização de projetos de pesquisa financiados em curto prazo. sobre o papel da polícia na sociedade. isto é. 2005 Em particular. 1998. por exemplo. 2000). 2003). 2003. foram identificadas algumas tensões entre a pesquisa e a docência. e Reiss (1973. as de William Westley ([1950]1977) sobre a violência e a polícia. tentarei relacionar a dinâmica social dos interesses e recompensas atinentes aos estudiosos da polícia com a produção e aquisição de conhecimentos sobre a polícia em si. 1983. Leishman. n. Loader. Tal perspectiva fixa a atenção nos pressupostos que definem o âmbito do estudo. Salvador. 1979. Bowling e Foster (2002. 1996. Savage. v. As mais recentes são as de Loader e Sparks (2002). vejamos quem são os estudiosos que modelaram a investigação sobre a polícia. de James Q. sobre “a justiça sem juízo”. de Bittner (1972). 1994). 1985. Johnston. p. 1986. As figuras mais destacadas são poucas e. Com efeito. Compêndio de Criminologia da Universidade de Oxford (Maguire. Shearing. e o Compêndio de Estudos Policiais (Handbook of Policing) compilado por Newburn (2003). de fazer com que os estudos policiais contribuam para a configuração de uma “polícia melhor”. 2000a). Wilson (1968). Fontes de consulta recentes e essenciais para essa especialidade são o Oxford Handbook of Criminology. nos temas ou conhecimentos que são aceitos sem questionamento. Também se assinalam algumas diferenças quanto à disponibilidade de fundos para a pesquisa e treinamento dos futuros pesquisadores sobre a polícia. Waddington (1991. e Holdaway (1979. Loveday. Clarke. Bayley.4 Smith e Gray (1985). Smith e Gray (1985). Shearing. 1995). Também foram publicadas várias compilações de grande utilidade (Hough. Reiner. Waring. OS ESTUDOS SOBRE A POLÍCIA NOS PAÍSES ANGLO-AMERICANOS Em segundo lugar. o qual está em sua terceira edição e oferece uma visão parcimoniosa sobre a delinqüência e o controle social. 18./Dez. 1992. Em seguida. sobre as funções da polícia. de Michael Banton (1964) sobre a polícia na comunidade de Skolnick (1966). Morgan. 431-446. todos os demais autores aqui citados são sociólogos. 1992). 2000. Weatheritt. Há três revisões gerais do campo de estudos policiais que são bastante importantes (Bayley. 1999). analisando-as em termos das diferenças socioculturais entre os dois países. 45. 2002). Fielding (1984.OS ESTUDOS SOBRE A POLÍCIA NOS PAÍSES ANGLO-AMERICANOS CADERNO CRH. referente à corrupção policial (Punch. Weisburd. Também tiveram impacto mais recente as obras de Punch (1979). detecta-se uma obrigação moral. e de Reiss (1973). sobre as variedades do comportamento policial. este trabalho se inicia com uma consideração sobre os fundamentos dos estudos sobre a polícia nos Estados Unidos e no Reino Unido. (1975. Set. as resenhas bibliográficas no campo dos estudos sobre a polícia. UMA VISÃO GERAL Consideremos. Outras resenhas bibliográficas de importância são Cain (1979). é incluído aqui porque influenciou sobre seu livro posterior muito citado. 1985). de fato. Brodeur. Punch.

45. A maioria das pessoas mais destacadas no teatro dos estudos policiais se conheceu desde os anos 1970. para expor. a Fundação Nacional para a Ciên5 Reiner (2000) continua revisando o texto de seu livro. mesmo que brevemente. e resenharam e aplaudiram os livros publicados por seus pares. sem os resultados de projetos de investigação. Canadá e Europa Ocidental. 18. Richard Ericson. Clifford Shearing. e as intrigas. Ronald Clarke. Algumas das universidades que tiveram um papel-chave nesses intercâmbios foram a Uni6 Ainda que atualmente seja raro que a Fundação Nacional para a Ciência financie pesquisas sobre a polícia. Betsy Stanko.5 E contribuições importantes para o estudo da polícia anglo-americana também provieram de autores localizados nos países da Comunidade Britânica. participaram de reuniões acadêmicas sobre a polícia nos Estados Unidos. pesquisaram e ensinaram. 431-446. a competência e a inveja (sanções).co. Bayley. na sigla em inglês). em ambos os lados do Atlântico. Michael Banton./Dez. são pouco citados: o estudo etnográfico da Polícia Metropolitana de Londres. Janet Chan. John Van Maanen. mas que. Muitos pesquisadores trabalharam por períodos consideráveis de tempo em países distintos de seus países de origem – Frances Heidensohn. Através dessa rede. isto é. Clifford Shearing e Philip Stenning. Adicionalmente. Set. Newburn) publicaram apenas resenhas e resumos dos estudos policiais. cia (NSF). Por exemplo. foram beneficiários de muitos dos financiamentos provenientes das poucas instituições que promovem os estudos policiais – o Instituto Nacional de Saúde mental (NIMH. Jean Paul Brodeur. Manning . enquanto outros vínculos foram informais. e a Fundação para a Polícia (Police Foundation) nos Estados Unidos promoveu um intercâmbio de pesquisadores entre os dois países. ou seja. e o estudo da mão de obra policial. Alguns vínculos foram fortemente estabelecidos. Margaret Beare. Reino Unido. atualmente. Tim Hope e Time Newburn. Normalmente. Salvador. Em terceiro lugar. v. e outros (policiais e profissionais) que aceitaram ofertas como professores visitantes no Reino Unido e nos Estados Unidos. como a relação mantida ente o Colégio Nacional de Treinamento Policial de Bramshill (Reino Unido) e o colégio John Jay de Justiça Criminal (Nova York). Lawrence Sherman. Alguns dos autoresinvestigadores de maior renome (Reiner. Richard Ericson. Jean Paul Brodeur. tanto na Escócia como em Londres) no Reino Unido. realizado através da observação sistemática por Sykes e Brent (1983). aproveitando contratos. Philip Stenning. Vimos uma “circulação das elites”. Ken Pease. e a breve (quase inconclusa) exposição de uma teoria da polícia por parte de Klockars (1983). o qual já foi publicado na sua terceira edição. fluem as recompensas e as sanções que estabilizam a hierarquia nela existente. Peter Manning. Manning. realizado com grande perspicácia e compreensão por Peter Laurie (1972). essa organização patrocinou o projeto ambicioso de Sykes. os convites para escrever. Nick Tilley. 433 433 CADERNO CRH. o Ministério do Interior britânico foi a incubadora de uma quantidade apreciável de professores nos Estados Unidos e no Reino Unido. entre eles.6 e o Instituto Nacional de Justiça (NIJ) e seus antecessores nos Estados Unidos. n. Chris Murphy. 2005 Peter K. Brent e Clark (publicado por Sykes e Brent em 1983) e a obra de David Bayley (1985). entre os organismos governamentais de justiça e a academia. bolsas. David Bayley. levado a cabo por Martin e Wilson (1969). doações e cargos como professores visitantes. para visitar. e entre as fundações privadas e as universidades. As figuras mais destacadas viveram. Mike Hough. Clive Norris. tais como Margaret Beare. p. o Instituto Nacional de Saúde Mental patrocinou e publicou o brilhante trabalho de Bittner (1972) sobre as funções da polícia na sociedade moderna. Janet Chan. havia dois livros que exerceram considerável influência sobre outros estudos policiais de sua época. um movimento de profissionais entre Estados Unidos e Inglaterra. o Ministério de Justiça (Solicitor General’s Office) no Canadá e os Ministérios do Interior (Home Office. figuraram nos livros publicados sobre a matéria. essas pessoas-chave nos estudos sobre a polícia constituem uma espécie de rede de relações. para integrar-se a bancas de teses de doutorado em vários países (recompensas). Nigel Fielding.

apoiaram projetos muito importantes de pesquisas. apoiados e moldados pelas políticas dos governos centrais. Tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido. 2005 OS ESTUDOS SOBRE A POLÍCIA NOS PAÍSES ANGLO-AMERICANOS versidade Estadual de Michigan. o Instituto de Criminologia da Universidade de Sheffield. que me ajudou a realizar um estudo de campo nesse corpo policial em 1973. enquanto que. Em quarto lugar. e foram realizadas como teses de doutorado. o Informe Scarman. 434 434 . Punch. o Centro para a Criminologia e o Centro Wolfson de Estudos Sócio-legais de Oxford. a Universidade de Cambridge e a Universidade de Surrey. com financiamento de Londres e. atendendo a um convite que lhe fez Louis Radelet. o Informe MacPherson. um pequeno grupo de universidades desempenhou um papel fundamental no crescimento dos estudos sobre a polícia. fazendo conferências e seminários. no Reino Unido. v. encontra-se o papel central desempenhado pelo governo na concessão de recursos para a polícia (e a auditoria correspondente). como Van Maanen. Poucas são as fontes de financiamento direto para os estudos policiais. o governo central teve uma presença ativa e simbólica e exerceu uma liderança no financiamento dos estudos policiais. o Colégio Goldsmith e a Escola Londrina de Economia (LSE). como diretores de investigação ou assessores. pelas crises no trabalho policial e os informes oficiais levantados em torno dessas crises (o Informe Koerner. Michael Banton visitou a Universidade Estadual de Michigan. Manning [1977]. em 1971. são adotadas com amplitude para o resto do país. em formatos estatísticos e em base de dados se iniciam no centro. Banton passou vários dias em Michigan. o que levou à publicação de meu livro sobre o trabalho policial (Police Work. a interação entre acontecimentos. na sigla em inglês). n. o Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT). a orientação das “políticas” não operacionais e o estabelecimento de pautas para a 8 Devo muito à resenha desses temas no Reino Unido elaborada por Tim Newburn (2003). a Universidade de Toronto. Por outra parte. a Universidade Estadual de Michigan também recebeu Stephen Brooks. da Polícia Metropolitana de Londres. a Universidade de Oxford (tanto através de seu Centro de estudos Sócio-legais como do Centro para Criminologia). Posteriormente. nos Estados Unidos. se localizam na mesma cidade. o governo central não protagonizou esse papel. 45. que descreve. as inovações em software. a Universidade Estadual de Michigan. geradas pelos meios de comunicação. No Reino Unido. muitas investigações iniciais sobre a polícia não receberam financiamento direto. a seleção e avaliação dos contratos para os Chefes Regionais da Polícia. Salvador. 431-446. 18. e o Centro Mannheim da Escola Londrina de Economia. a avaliação dos corpos policiais em termos das pautas elaboradas pelo próprio Ministério e por Inspetores Reais de Polícia. o Informe McCone. no Canadá e. e. Elas incluem o Instituto de Criminologia de Cambridge. de investigadores que trabalhavam por conta própria. de maneira detalhada. a Fundação para a Polícia (Police Foundation) e o Fórum de Investigação dos Executivos Policiais (PERF. em padrões de investigação. nos Estados Unidos. Manning. delitos e políticas governamentais para a polícia desde o final dos anos 1980. etc.7 a Universidade de Harvard e a Universidade Estadual de Nova Iork em Albany. até os anos 1980. ambos pertencentes à Universidade de Londres. ambos nos Estados Unidos. Algumas dessas iniciativas obedecem a mandatos do Ministério do Interior. p. no Reino Unido. a Universidade estadual de Nova York em Albany. e Chatterton. os estudos sobre a polícia foram financiados. talvez. Tive a oportunidade de conhecê-lo e ele me motivou a realizar um ano sabático na Inglaterra. Holdaway.CADERNO CRH.). 1997). ao mesmo tempo em que celebraram contratos curtos com vários acadêmicos. ALGUMAS DIFERENÇAS SOCIOCULTURAIS E LEGAIS DE IMPORTÂNCIA NA ORGANIZAÇÃO E FINANCIAMENTO DOS ESTUDOS SOBRE A POLÍCIA NO REINO UNIDO E NOS ESTADOS UNIDOS Talvez a diferença mais importante entre os dois países é que. ocasionalmente. Paralelamente a esse processo.8 Por outro lado. 7 Em 1971. e elas se ampliaram como respostas às crises de confiança na polícia. freqüentemente. pela teorização incipiente. com o tempo./Dez. Set. Estados Unidos.

A influência do “gerencialismo” sobre a polícia. como se deve ter notado. uma vez que se incursiona no labirinto do financiamento federal. há uma maior centralização dos institutos de pesquisa (em menor quantidade de universidades). n. No Reino Unido. Como assinala Newburn (2003). da capacitação dos efetivos policiais (Colégio de Bramshill e colégios de capacitação regionais). v. p. 45. parecem ter os mesmos objetivos e uma orientação similar quanto à aplicabilidade dos resultados. Além disso. dado que quase toda a pesquisa sobre a polícia é patrocinada pelo Departamento de Justiça. entre a unidade de polícia do Ministério do Interior e os estudos realizados pela unidade de investigações do mesmo ministério sobre a polícia. Contudo. embora não tenha havido um só efeito sobre a centralização e a consolidação. que tem algumas funções de polícia nacional. Em muitos sentidos. pode promover mudanças nas práticas policiais. é muito provável descobrir que o tema da polícia é estudado em relação com outros assuntos de interesse para os departamentos de Estado. Também as pesquisas financiadas por outros setores do Departamento de Justiça. Nos dois países. regulamentada e apoiada pelo Ministério do Interior por leis parlamentares e instruções dos Inspetores Reais de Polícia. o Departamento de Energia e a Fundação Nacional de Ciências. embora distintos. fundamentados mais na análise organizacional ou na psicologia social experimental. universidades e cidadãos) têm significados importantes. 431-446. Set. sugerindo e apoiando variados temas de pesquisa. do que na necessidade de respostas a problemas e preocupações práticas. a Polícia Metropolitana. as instruções do Ministério do Interior e os efeitos que essas últimas tiveram sobre objetivos. Existe alguma competição em torno de orientações e preocupações entre as agências de financiamento central. teve maior impacto no Reino Unido. 18. a maioria deles com orientação teórica. exemplificada pela Associação (Britânica) de Chefes de Polícia (ACPO na sigla em inglês). não há uma divisão entre as fontes de financiamento. No Reino Unido. Nos estados Unidos. que admitiu vários chefes de polícia com títulos acadêmicos e “conhecimentos práticos” especializados. e existe maior consenso cultural sobre o que se pode esperar da polícia pública. o “centro” (as forças governamentais) e a “periferia” (pesquisadores. com freqüência o pressuposto centralizado. o Instituto Nacional de Abuso do Álcool (NIAA). É bastante evidente que um sistema parlamentar. com a função legislativa. a inovação irradia do centro.capacitação e ascensão de policiais. gerada. depois de 1945 o impacto do governo central sobre a polícia foi muito grande. que constitui o maior corpo policial do país e cuja jurisdição se encontra na maior cidade – Londres) e das normas legais e procedimentos policiais. enquanto o Instituto Nacional de Justiça e o programa COPS são 435 435 CADERNO CRH. Manning . por exemplo. o Departamento de Defesa. 2005 Peter K. indicadores de rendimento e metas nas agências comunitárias (não somente na polícia) aproximaram a sombra da racionalização cada vez mais da instituição policial. para decisões baseadas em políticas previamente estabelecidas e para o desenho dos sistemas de controle da polícia. existe bastante cooperação. porque foi vinculado com as políticas orçamentárias e operativas do Ministério do Interior. Alguns estudos sobre a polícia são financiados pelo Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH). Educação e Assuntos Urbanos. como. agora concebida como um serviço público orientado para consumidores. como a Oficina de Estatística Judicial e a Oficina para a Justiça Juvenil e Prevenção da Delinqüência Juvenil. do financiamento para a pesquisa (Ministério do Interior e algumas fundações privadas). que une a dotação de recursos econômicos através de uma administração centralizada. na sigla em inglês). a prevenção do delito e temas afins./Dez. das atividades policiais em geral (por exemplo. Também no Reino Unido presta-se maior atenção sistemática aos mecanismos locais e nacionais de controle da polícia por parte da comunidade. Nos Estados Unidos. e que chegou a “colaborar” com o Ministério do Interior. Salvador. através do Instituto de Justiça ou do Programa de Polícia Orientada para a Comunidade (COPS. Contudo observou-se uma tendência para uma gerência racional.

em âmbito privado. O ambiente político e econômico dos Estados Unidos favorece financiamentos e controles financeiros em âmbito local. Shearing. Set. uma maior preocupação com o “manejo de riscos” e uma menor preocupação com o controle e a sanção da delinqüência e da desordem. Num projeto de pesquisa ainda em andamento. Em todo caso. 18. v. as seguintes inquietações a respeito do que tem sido tomado como supostos sobre as práticas e violências da polícia. a maneira muito mais sofisticada com que a polícia britânica maneja suas relações com os meios de comunicação (Mawby. Consideremos. Finalmente. Por outro lado. 1991. o papel da polícia privada está ainda para ser elucidado. tais como a política de tolerância zero. Algumas diferenças entre os países são ignoradas./Dez. os oito bilhões de dólares que o programa COPS investiu nos programas policiais em âmbito local não surtiram um efeito observável. Em que pese a redefinição de seu papel. simplesmente. Loader e Mulcahy (2003) propõem que a polícia deve ser entendida como uma faceta da cultura (definida de modo amplo) dentro de um ambiente sociocultural. consultese Norris (1993). • Se as tecnologias da informação modificaram as práticas policiais. por parte do Reino Unido. mas não há estudos equivalentes de observação sobre esse tema no Reino Unido. por quê? • Se a polícia britânica é mais ou menos violenta (em seu trabalho cotidiano) que a polícia dos Estados Unidos. • Se o enfoque da polícia comunitária transformou as estratégias e táticas da polícia anglo-americana. como uma agência de garantia da paz num ambiente quase revolucionário (Brewer. permitem perfilar padrões americanos de atuação. onde. • Se o papel da educação e do treinamento teve impacto nas práticas policiais. contando para isso com a existência muito significativa. que aparentemente precisam ser investigadas. Os estudos realizados por Mastrofski. • Se o status da polícia e da função policial se elevou ou deteriorou nos últimos 40 anos. como. a polícia britânica permanece como um símbolo poderoso do melhor da sociedade inglesa. Salvador. que financiam e realizam estudos em âmbitos não acadêmicos. mais que uma emanação do governo central. encontramos interrogações sobre o grau em que a cultura. Newburn examinou a tendência à adoção. histórico e institucional. Por outro lado. temos a polícia que merecemos. Esse padrão de inovação e difusão contribui para a institucionalização da pesquisa nos grandes departamentos de polícia urbana nos estados Unidos. o que não pode ser dito do caso dos estados Unidos. 436 436 . 45. há outras diferenças entre os países. mesmo que os trabalhos de Johnston (1992). n. fundações e organizações para a investigação. de associações caritativas. citados mais adiante. Com tudo isso. É importante perguntar: • Se a cultura ocupacional da polícia tem a “mesma” forma e conteúdo em ambos os países. p. Johnston. sem a devida reflexão. Jones e Newburn (1998) e Rigakos (2003) ofereçam perspectivas e temas potencialmente interessantes sobre essa temática.CADERNO CRH. por exemplo. ou a perspectiva de “ventanas rotas”. as tradições e as relações sociais de cada país influem sobre suas práticas policiais. e. contudo não se detecta a sombra da racionalização. de “programas americanos”. o grande “polvo” que é o novo Departamento de Segurança da Pátria (Homeland Security) canaliza dinheiro para as polícias locais de diversas maneiras. 431-446. 2002) e a natureza parcialmente oculta da Polícia Real de Ulster na Irlanda do Norte. • Se a polícia se tornou mais “científica”. contudo essas diferenças tendem a ser exageradas pelos pesquisadores. • Se a “gerência” e o “gerencialismo” estão moldando as atividades dos oficiais de polícia (com grau superior ao de sargento). a título de exemplo. com maior orientação para a vigilância. sendo assim. Entre elas. 2005 OS ESTUDOS SOBRE A POLÍCIA NOS PAÍSES ANGLO-AMERICANOS fontes importantes de financiamento. a inovação é um processo particularmente local e regional. 2003). Numa brilhante exposição.

consulte-se Harcourt. Há grandes dificuldades em formular cos.cia das grandes fundações e organizações dedicadas te e se fundamenta em dados empíricos. Mesmo que não logia da polícia se ocupa da relevância das teorias haja uma diferença marcante entre as universidae conceitos aplicados à organização e ocupação des e as empresas privadas. Um compromisso com os estu. ressaltar suas perspectivas mais pessimistas e ne. ou seja. 2001. 2005 • Se os procedimentos.por pesquisadores universitários. os estudos um público acadêmico ou intelectual. nos Estados Unidos. Salvador. a gerência e o nível de aplicabilidade das generalizações que resultam da rendimento da polícia. Oxford. as generadiminuir os problemas. Em todo caso. ou somente teve uma presença débil.policial. Exagerando um pouco o contraste. hoje. A socio. 2003) é um estudo importante sobre esse tema. realizadas sociología para a polícia (Banton. 45. p. 10 437 437 CADERNO CRH. de caso etnográficos. 1977. Para críticas importantes desses temas. 1971). duvidosa de seu trabalho. Consideremos. Tal é o caso de Roger Grimshaw e Tony ça com o modelo utilizado pelos Estados Unidos 11 Jefferson (1987). a socioloinferências e em estabelecer o domínio de gia para a polícia se dedica a objetivos de melhoria – e busca elevar o status. os vínculos entre “a construção de nações” e a função policial. 1988. que o conceito de “las ventanas rotas” constitui uma teoria (não é). os estudos pragmáticos de Kelling e Coles (1996) e Wilson e Kelling (1983) raras vezes foram submetidos a críticas profundas do mérito.à pesquisa requer que elas participem dos estudos ologia foi moldada poderosamente por um punha.policiais e que ponham a melhor aparência em seus do de pesquisadores e de acontecimentos políti. baseadas unicamente em dados sobre as sição de agradar o “público policial” mais que a chamadas à polícia). e que as proposições formuladas no ensaio sobre “las ventanas rotas” podem ser generalizadas para outras jurisdições. e. a sobrevivêné um empreendimento impulsionado analiticamen. para paráveis (Manning. às vezes. Set.Peter K./Dez. Esses problemas manterão sua vigência na medida em que a “polícia democrática” permanegativas sobre a polícia. Essa soci. que somente Kelling sabe como conduzir um departamento de polícia.afirmações que supostamente se baseiam em da- . O compromisso de Kelling e seus colaboradores é com a polícia e a função policial. Também poderíamos acrescentar na sua política exterior. padrões e trabalho dos de. uma invasão. que esse departamento de polícia é a melhor polícia do mundo. por outro lado. as afirmações de Bayley [1985] discriminada de fatos e achados.damentam em dados empíricos muito concisos dos para a polícia poderia obrigar a uma entrega (como. por exemplo. que não existia antes. e os problemas associados à criação de uma polícia estatal. e os juízos de valor subjacentes a 9 O livro recente de Martin Innes. todavia refere-se aos detetives vinculados à divisão de homicídio num só corpo policial ao sul da Inglaterra. 431-446.10 Há uma tensão permanente no governo dos Estados Unidos entre a necessidade de manter um espaço potencial para ALGUMAS ANOMALIAS NAS PESQUISAS contratar a empresa privada e a importância de SOBRE A POLÍCIA projetar uma reputação como um ente que solicita É útil diferenciar a sociología da policía da e financia pesquisas de alta qualidade. Manning tetives são. e Taylor. que tratam Estados Unidos e alguns pesquisadores com opiniões políticas mui. Investigating Murder (A Investigação Policial do Homicídio. por exemplo. portanto. Também incluo como proposições a serem criticadas: a afirmação de que o Departamento de Polícia de Nova Iork reduziu a taxa de delitos. Por outro lado. (1981).Reino Unido como se fossem implicitamente comto contundentes focalizam essa percepção. que. ao tempo em que intenta pesquisa. 11 Aqui incluo a vinculação dos militares às atividades policiais. a exportação da “função policial” como se fosse um bem qualquer. a uma supressão sobre o nível de demanda pública para a ativação de contradições e impedimentos.9 mais do que com a academia. os mesmos relatados por Ericson dos empíricos. críticas que assinalariam a qualidade intelectual heterogênea e. Manning. 2001. com uma dispo. a escassez de fundos policiais e os impactos que têm sobre ela.1999). tais como a corrupção e a lizações sobre a polícia anglo-americana que se funviolência policial. Forst.resultados. n. pode gerar conflitos. v. há 25 anos. 18.

Reisig. v. produto de um conjunto complexo de determinantes situacionais e das “tensões” que se originam dentro e fora da organização (Mastrofski. 2000. tenha dedicado algumas páginas de seu livro à idéia de cultura ocupacional e de personalidade da polícia. 1983. Set. 1988. “polícia comunitária”. Jermier et al. não são mais do que clichês que datam de 40 anos. que trabalhavam nas zonas de abundante delinqüência das cidades americanas maiores. 1999a). 2003). de raça branca. os estudos americanos sobre a polícia empregam uma concepção estreita.12 Paralelamente a essa situação. Assim. históricos e econômicos da nação “receptora”. naquele momento. desde as amizades que os policiais mantêm até os níveis de violência no trabalho policial. no prelo). todos eles com Waddington. Siegel. há poucas semanas recebi um texto sobre justiça penal que cita várias listas de crenças dos policiais. Manning 1977. não explica nada (Crank. na melhor das hipóteses. 13 Essa estreiteza de visão agora faz parte da política exterior dos Estados Unidos.CADERNO CRH. As listas desse tipo aparecem em quase todos os textos sobra a polícia e. que se baseia em idéias e dados coletados há uns trinta anos sobre as opiniões e observações de efetivos policiais masculinos. A maioria dos estudos sobre a cultura ocupacional deixa de medir o contexto organizacional do comportamento (algumas exceções a essa tendência seriam Mastrofski. as infrações. Esses estudos tampouco estabelecem uma diferenciação entre a organização policial. representava uma compilação-tentativa de minhas impressões não fundamentadas. 465. são estreitos. os episódios e intervenções.13 Não surpreende. Reisig. os encontros entre a polícia e o público. do papel e das conseqüências da “cultura ocupacional” ou “subcultura” da polícia (cf. Shearing e Ericson (1991) tratam o conceito da cultura ocupacional como uma configuração ou conjunto de idéias e valores que constituiriam um recurso do qual se poderia dispor para conectar com as experiências “cruas”. e de um aspecto do que poderíamos denominar a explosão mundial do poder americano em vários países. Manning. baseando-se em parte na obra de Westley (1977). McCloskey. a corrupção) como a variável dependente. o crescimento e a exportação da concepção americana de polícia – sob qualquer nome: “polícia democrática”. Dunham. 2002. no Reino Unido. estereotipada e parcialmente equivocada da “cultura ocupacional”. Como revelam os textos sobre a polícia e o sistema de justiça penal. p. incluindo as invasões recentes do 12 438 438 . mas. Por sua vez. composta em uma quarta parte por civis (incluindo advogados. Reiner 1992. a cultura ocupacional não é senão uma espécie de “caixa de ferramentas”. A imagem resultante é enganosa. esse conceito já se converteu em leitmotiv do perfil da polícia nos textos escolares (por exemplo. 18. fragmentadas e estranhas. em processo de observação sistemática. Em minha opinião. Salvador. o conceito de uma cultura ocupacional permanece como tema muito importante na literatura britânica sobre a polícia e a função policial. no marco dos problemas de generalização e inferência. na realidade. a qual. é melhor assumir como hipótese de trabalho que a cultura ocupacional pode dar conta do comportamento policial. Paoline. 2000). 1979. o tema das origens. nota 16. salvo o estudo de John Clark (1965) sobre o papel da polícia. 2002. em conseqüência. investigadores forenses.1992. Os estudos americanos são aparentemente supranacionais. tenha mensurado qualquer dessas variáveis em diferentes âmbitos culturais. políticos. Se bem que Skolnick (1966). para esses autores. em menor grau. ou simplesmente “a função policial” – descarta as tradições e impedimentos culturais. 2003). McCloskeye. Alguns concebem o comportamento como uma variável dependente. 2005 OS ESTUDOS SOBRE A POLÍCIA NOS PAÍSES ANGLO-AMERICANOS Consideramos. 431-446. observa-se um etnocentrismo nos estudos sobre a polícia nos Estados Unidos e. Outros investigadores utilizam a cultura ocupacional como um determinante ou (se quiserem) uma variável independente. Terrill. operadores e pessoal de manutenção) e o trabalho policial em si. n. Em particular. em vez de tratá-la como um conceito geral que explica tudo e./Dez. Representa uma “variável” que dá conta de tudo. 45. 1991. p. enPor exemplo. nem entre as tarefas e práticas do trabalho policial e as maneiras como elas se apresentam em relatos verbais e escritos. Embora nenhuma investigação. Reiner. essa lista faz eco com uma lista que eu mesmo publiquei em 1970 (escrita em 1967-68). com Holdaway. e tratam o comportamento (a violência. Alpert. etnocêntricos e paroquiais.

Essa nova linha de inderão ser analisados em detalhe. Alemanha sob rança pública e da ordem política. como. 2003. 2003. p. que os estudos americanos sobre a polícia restrinjam o significado da “função policial”. 1992. uma consideração das comparações transnacionais mais complexas e das novas ou emergentes formas de trabalho policial: qüências. Hitler.Peter K. de um contexto organizacional farão um uma con• A polícia privada e corporativa e a “indústria tribuição importante para as novas linhas de militar privatizada”. Rob Worden. As investigações publicadas evitam. Newburn e seus colegas no Reino Unido e de Mastrofski e outros colegas.temáticas da qualidade dos dados. Bill Terrill. 1999. Manning tão. omitindo as semelhanças e diferenças entre o âmbito anglo-americano e focalizando a atenção na polícia pública. Os temas atuais da polícia transnacional. Salvador. Um corpo crescente de conhecimentos inais” vinculados às intervenções das Nações Uni. e coordenado por Stephen Mastrofski. 2003). 431-446. Na medida em que se debata sobre o tema da segurança naci• A polícia nos países islâmicos (Irã.blico nos Estados Unidos. Forst. Em geral. Jones. custos. 18. os países com uma tradição continental possuem corpos policiais públicos com maiores níveis de diferenciação interna. AS PRÁTICAS E AS espanhola) e as variedades históricas desses CRENÇAS TÊM EFEITO SOBRE O COMPORmodelos nos países de origem como no mundo TAMENTO DA POLÍCIA anglo-americano. • Os tipos de polícia continental (alemã. realizada por Reiss e Black evidência as práticas que se associam com esses há 35 anos (resumida em Reiss. (no prelo) sobre a interação entre a polícia e o púda “polícia democrática” e da globalização só po. e as nações da Península da Arábia). nesse momento. Jeff Snipes. v. italiana. AS ORGANIZAÇÕES. 1998) e. por exemplo. Megan Stroshine. para ser utilizada na criação do poder militar e econômico e como um conceito que legitima o desenvolvimento de uma polícia nacional. 14 439 439 CADERNO CRH. contratadas por diversas docência e pesquisa. Assim. Scheptycki. realizados vação do trabalho policial em três grandes cidades etnograficamente.do através de observação mais direta e mais detacia “pública” e “privada” são ainda mais impreci.5 milhões de dólares doados pelo NIJ-COPS. o anterior onal. trabalhava na Universidade Estadual de Michigan. O âmbito da interação entre a polícia e a cidadania é estudafenômenos de tão forte significação moral. poderá ser requerido um estudo maior do papel da “policia privada” na construção da seguIraque. Nesse sentido. Ao contrário. • A regulação e a vigilância policial na Internet. As diferenças entre os tipos ideais de polí. 2000. só podemos especular sobre números./Dez. jo e agregação dos dados e de avaliações mais sisManning. e têm poucos corpos de polícia privada (Bayley. os Gendarmes e os Carabinieri. n. seguida de melhores técnicas para o manesas (Johnston.lhada. Rigakos. refiro-me a Roger Parks. A “função policial” é um bem de exportação. 1975). violência e funções dessa última. 45.dica que os estudos das práticas policiais dentro das (DeFlem. com financiamento de 1. na au. talvez possamos pôr em dos Estados Unidos. Newburn. Em vez da consência de estudos etnográficos detalhados. Robin Engel. Taiwan sob a lei marcial). nações (Singer. • As polícias totalitárias (Rússia. 1973).14 e Alpert e Dunham tanto nacional como internacionalmente. que. tanto públicos como privados. conseAfeganistão e do Iraque. cabe mencionar as pesquisas recentes e inovadoras de Fielding. 2002). quase por completo. se contarmos com vestigação reflete uma continuidade com a obserestudos de caso minuciosos. 2005 • A polícia transnacional e os “operativos polici- . os paises com tradição de direito consuetudinário têm grandes corpos policiais. Christina Polsenberg e outros que trabalharam no projeto POPIN (Policing of People in Neighborhoods – O trabalho policial com pessoas das comunidades vizinhas). e um número relativamente grande de efetivos por cada mil habitantes. do “papel da policia” e da “cultura ocupacional” aos conceitos que existem nos Estados Unidos sobre esses fenômenos. Set. Nesse sentido.

a que surgiu no Reino Unido. Skogan. como produto do interesse político nas questões gerenciais e no controle do delito. • Os valores dos efetivos policiais influem sobre a freqüência e o tipo de força empregada contra o cidadão (Terrill. as interações entre polícia e público são PREOCUPAÇÕES DO PÚBLICO civilizadas. Mastrofski. Paoline. Salvador. Greene. • No geral. 2000. 2003). Maguire. Por outra parte. ampliar. 431-446. 45. Reisig. através do manejo de dados. Até o momento. anos de serviço. 2000. a qual depende da TIGAÇÃO SOBRE A POLÍCIA. Fielding. quase não vimos esforços para explorar. • Algumas características dos efetivos policiais se associam com os níveis de força que eles empregam (sexo. ocupação ou comportamento dos efetivos policiais (as exceções são os estudos realizados por Rosenbaum. a supervisão e a disciplina do efetivo policial influem sobre o nível de violência que se observa nas interações entre polícia e público. na população de jovens negros (às vezes. modificar e contrastar as teorias sociológicas básicas em relação à organização./Dez. 2003). em alguns casos. • O treinamento. em particular. 1998). Set. e são destinadas a ajudar o cidadão (Mastrofski. podemos assinalar que a iniciativa de maior importância nos intentos para transformar o trabalho policial – a polícia comunitária – teve um efeito poderoso e duradouro sobre a imagem e o inventário retórico da polícia e. por exemplo: • Os cidadãos iniciam maior quantidade de agressões contra a polícia do que a policia inicia contra eles. também se observam tensões entre os estudos realizados no cumprimento dos contratos de pesquisa e os estudos que buscam uma abordagem teórica do tema. as diretrizes programáticas e a influência do governo central no Reino Unido.1998. os procedimentos e as estruturas da polícia em cada país. n. corpo de pertencimento). v. não sejam muito evidentes e. sobre suas estratégias de apresentação. • A violência tem um efeito sobre a seqüência de interações entre o cidadão e a polícia. e esses valores são reflexos dos distintos segmentos da subcultura ocupacional. DERIVADAS DAS FONTES DE FINANCIAMENTO E DAS cidade e do contexto organizacional. Greene. Harnett. não indicam ou indicam pouco efeito (Greene. e a concatenação de fundos para investigação. As tensões assim geradas incluem aquela referente ao horizonte temporal dos estudos policiais (curto prazo versus longo prazo). as fundações privadas e as universidades mais importantes. uma maior incidência que no resto da ALGUMAS TENSÕES ADICIONAIS NA INVESpopulação. 2005 • O controle verbal é o tipo de interação mais freqüente e mais exitoso. 1986. 1996. p. 18. esses dois tipos de estudo se orientam em termos de critérios distintos. 1995).OS ESTUDOS SOBRE A POLÍCIA NOS PAÍSES ANGLO-AMERICANOS clusão simples de que a função policial constitui um serviço não muito efetivo para o controle do delito. Podemos ver uma tensão contínua na esfera policial em ambos os países entre o que poderia 440 440 . • A violência policial tem uma incidência direta. Ainda que ocupem terrenos parcialmente compartilhados. CADERNO CRH. o qual depende da primeira atuação do cidadão. ainda que os resultados já obtidos Se bem que a lista anterior represente um intento de especificar algumas das anomalias na investigação sobre a polícia. McCloskey. Manning. como. mas variável. Em que pese os 8 bilhões de dólares investidos pelo programa COPS na polícia e na “polícia comunitária”. O que concluir de tudo isso? Que depois de 20 anos de promoção da idéia da polícia comunitária por parte dos governos. 2002). ainda não sabemos com certeza qual foi o impacto dessa iniciativa sobre as práticas. uma avaliação geral das fortalezas e debilidades dessa iniciativa sugere que é agora o que era antes: uma estratégia retórica para manter e transformar (ligeiramente) o mandato policial (Brodeur. esses estudos produziram resultados de importância para o futuro. às vezes menor).

Cain. Holdaway). por outro (basta ler qualquer revista profissional de criminologia para encontrar exemplos desses últimos). derivados de preocupações programáticas e não por inquietudes teóricas. Bordua. nem oferece treinamento nacional) e em parte porque as pressões para a construção de bases de dados estatísticos que poderiam fundamentar o trabalho policial são ainda incipientes. treinamento. em termos de gerência. 2003. tanto no âmbito da organização como no de seu papel. Manning. Banton. Também se observa uma tensão no Reino Unido. 1978. de um lado. Reiner. no geral a teorização sobre a polícia necessitou da transformação de conceitos e inferências disponíveis em teorias existentes. o papel dos controles legais e assim pelo estilo. como parte da economia política de controle. Jefferson. 1979. (c) a teoria de Clinard e Hartnung sobre o delito de colarinho branco. Black. 1967. Crank. além . 1992. porque o Centro Nacional para a Análise da Delinqüência é localizado em um bunker subterrâneo nos terrenos de Bramshill. Chan. Punch. acumulativa e geradora de hipóteses por um lado (por exemplo. os estudos sobre a polícia se caracterizaram. Bittner. 1987). 2000) se organizam em torno de temas como eficiência. o mais provocador é o de Janet Chan (2003)./Dez. análises de programas. como. Alguns exemplos desse tipo de procedimento (de tipo indutivo) em criminologia são: (a) a teoria da associação diferencial de Sutherland). controle do delito. 15 441 441 CADERNO CRH. e (d) a teoria de Felson sobre os riscos rotineiros da vitimização. liderança etc. a perspectiva marxista (Hall. Essa tensão assume dimensões físicas. de adaptar as idéias de Bourdieu ao tema da socialização da polícia. Manning de a capacidade técnica de produção dessas bases ser ainda primitiva. E as resenhas dos estudos sobre a polícia preparadas por Reiner (1992. da dramaturgia (Manning). 1996. manifestada no Colégio de Polícia de Bramshill. Bordua. O FUTURO DOS ESTUDOS POLICIAIS Se bem que alguns trabalhos sobre a polícia recorram a uma orientação teórica (por exemplo. Grimshaw. Uma tensão similar não surgiu nos estados Unidos. 431-446.15 Talvez o único tema nos estudos policiais que experimentou um processo sustentado de contrastação e modificação tenha sido o impacto da “cultura ocupacional da polícia” sobre o comportamento da polícia. 1988. Na seção seguinte. Cain e Wilson mencionados anteriormente). do interacionismo condutista (Sykes e Brent). 1992) não surtiram efeito. 45. p. em parte porque não há semelhante centro nacional de treinamento policial (a Academia do FBI em Quântico nem é uma instituição acadêmica. 1980). 18. Os apelos periódicos para aproximar-se da teorização (Reiss. Jefferson. Uma exceção do que estou afirmando poderia ser o estudo de Black (1980). Para dizê-lo de maneira taxativa. e os estudos empíricos e avaliativos de curto prazo. como uma faceta da produção de novas desigualdades e contradições no estado democrático. tem lugar na mansão do século XVII que dá o seu nome ao lugar. os trabalhos de Westley. as obras de Grimshaw. Langworthy. 1987. 1994. Dos intentos mais recentes de teorização. Bayley. e as preocupações sobre a gerência e liderança policiais. 1992. 1972. de outro. os estudos sobre a polícia são Nenhuma teoria foi elaborada unicamente com base em dados e investigações sobre a polícia. Salvador. 1992). A investigação sobre a polícia. entre a análise e controle do delito. como os estudos da função policial e não como estudos da polícia como manifestação de tendências socioeconômicas e políticas mais amplas. Reiss. 1977. e da análise organizacional institucional (Reiss. 2005 ser denominado de investigação teórica. não inteiramente com êxito. tanto no reino Unido (ver a resenha de Reiner) como nos Estados Unidos (minha própria conclusão) é impulsionada por temas de baixo nível.Peter K. de um tempo para cá. n. enquanto o “treinamento policial”. Set. por exemplo. e como um tipo de organização. v. que trata. do interacionismo simbólico (Fielding. quero formular algumas sugestões sobre a maneira como as anomalias e tensões mencionadas anteriormente poderiam afetar o caráter atual e futuro dos “estudos policiais”. (b) a teoria de Shaw e McKay sobre grupos e delinqüência. Como apontou Reiner (1992) há uma década.

por exemplo. especializações claras. 1988. é o empirismo endêmico. as quais.ver citações anteriores). estudos dirigidos e supervisão tutorial que conduzem a pesquisa e uma consciência sobre os vínculos entre os estudos policiais e os desenvolvimentos mais gerais na ciência social (incluindo os desenvolvimentos teóricos). na sigla em inglês) nos Estados Unidos. e as quase emergentes universidades e colégios universitários de terceiro nível com sua “orientação profissional”. Os produtores se caracterizam por ter programas de estudo estruturados. entre a Sociedade Estadunidense de Criminologia e a Sociedade Britânica de Criminologia. estudantes de doutorado e advogados para instituições de segundo nível. os conceitos de “estudos policiais”. Stephen Mastrofski. p. n. o abuso da autoridade. o Instituto de Estudos Urbanos (Urban Institute). e na Universidade de Athabasca. dado que o objetivo da ciência social é vincular as práticas com as teorias e as crenças das organizações policiais. Rubinstein. realizados por pesquisadores eventuais. O grande e impressionante acúmulo desse tipo de estudos. No Reino Unido. como a violência “excessiva”. mas os aportes etnográficos tendem a ser citados com freqüência. o Fórum policial para a Educação e Investigação Policiais (Police Education and Research Forum. Skolnick. Jones) ou os estudos da geração anterior (Westley. David Weisburd y Wesley Skogan. de “estudos sobre a justiça” e de “justiça criminal” surgiram nos Estados Unidos nos finais dos anos 1960. fundamentado em observações. nos Estados Unidos. Esse tipo de diferença também é observado. entrevistas. pelo grupo da Kennedy School (Universidad de Harvard). as universidades de Plymouth. o nível de satisfação dos cidadãos com o trabalho policial. Essa situação é um tanto estranha. como Lawrence Sherman. Set. o Instituto Londrino para os Estudos de Políticas Públicas (London Institute for Policy Studies). Graças a uma série de acontecimentos. e é possível ter acesso aos estudos policiais oferecidos por essas universidades e pela Universidade de Cambridge. por sua vez. existem tensões contínuas dentro dos atuais arranjos institucionais no Reino Unido e nos Estados Unidos. protestos e manifestações. O método primordial. Manning . grosso modo. no Canadá. 2005 OS ESTUDOS SOBRE A POLÍCIA NOS PAÍSES ANGLO-AMERICANOS empíricos e centram sua atenção sobre temas pragmáticos e urgentes. 431-446. mas que simplesmente quer propiciar a comparação entre 442 442 . e a Academia de Ciências da Justiça Criminal (ACJS. continua influindo sobre a investigação empírica publicada em criminologia e em estudos policiais. apesar de haver algumas academias de treinamento regionais.CADERNO CRH. Leicester e Exeter contam agora com programas consolidados nas áreas de polícia e justiça criminal. ou PERF). Não existe uma academia nacional de polícia. Trevor. Nigel Fielding. como. Os estudos acadêmicos sobre a polícia são estratificados em ambos os países./Dez. os atacadistas e os varejistas do conhecimento. também se observa uma divisão entre as universidades que oferecem programas de doutorado em estudos sobre a polícia e outras instituições de educação superior (colégios universitários estaduais. questionários ou registros oficiais. e os detalhes programáticos da polícia comunitária. através do Colégio Nacional de Polícia em Bramshill. 45. Salvador. 1972. Agora existem programas de educação à distância na área de justiça criminal. nos Estados Unidos. tal como ocorre nos estados Unidos. com responsabilidade para treinamento. apoiadas e financiadas pelo programa COPS. sejam eles os estudos mais atuais (John Van Maanen. quando esse é objeto de atenção. e vinte anos mais tarde no Reino Unido (afirmação que não implica uma crítica negativa ao segundo país nomeado. de uma parte. Atualmente há muito pouca etnografia da polícia. e pelos grupos de investigação tais como o Instituto de Direito e Justiça (Institute of Law and Justice). 18. universidades pequenas e institutos universitários) que têm programas de “justiça criminal”. Essa situação se aproxima do que Wright Mills (1961) descreveu como os produtores. na Universidade de Phoenix. Como já foi dito. e os centros que mais se sobressaem disponibilizam professores. produzem alguma investigação e alguns candidatos a doutorado nessa matéria. v.

Robert Sampson e colaboradores (1997). se converteu numa especialização com grande dependência dos fundos 443 443 CADERNO CRH. com as únicas exceções. embora esteja claro que as universidades estaduais fora da Califórnia diferiam muito da Escola de Criminologia da Universidade de Berkeley. no que se refere ao trabalho policial. e não há um esforço para refletir sobre os valores e os objetivos da atividade policial. os quais assinalam as conseqüências de um crescimento massivo. ou LEAP). Nos estados Unidos. COMENTÁRIO FINAL Retomando a perspectiva da sociologia do conhecimento. da desigualdade nas sociedades capitalistas. fundada por Vollmer (e posteriormente fechada pelo então Governador Ronald Reagan). 2005 Peter K. há pouca teoria (salvo as teorias sobre gestão). A massa crítica de estudantes e de outros consumidores dos estudos policiais na próxima geração é definida de maneira muito distinta em cada país. o marco teórico de referência havia sido fixado nos anos 1920. com o esforço de Augusto Vollmer de fazer do trabalho policial uma profissão. que trabalham de modo individual e com pouco ou nenhum financiamento. Atualmente. esse processo proporcionou as bases acadêmicas para os programas de doutoramento e de pré-graduação na área da justiça criminal nos Estados Unidos. Não fica claro como a palavra “justiça” chegou a converter-se em uma etiqueta do sistema. e na Universidade Estadual de Michigan. ou LEAA). conhecido como a Administração para Assistir ao Trabalho Policial (Law Enforcement Assistance Administration. Essa pressão retórica surgiu no Reino Unido através da Comissão Parlamentar encabeçada por Edmund Davis. Salvador. A mesma noção de profissionalismo foi ampliada pelo programa de Lyndon Jonson. alguns dos quais se denominam marxistas e de alguns filósofos. e na Universidade Estadual de Nova York em Albany. devemos perguntar: como uma área de estudos gerada por pesquisadores criativos. v./Dez. na Universidade Northeastern. há pouca preocupação com a ética. Duas conseqüências dos acontecimentos políticos que impulsionaram o desenvolvimento dos estudos sobre a polícia (e sobre o processamento da delinqüência) foram o surgimento e a adoção do conceito de “sistema de justiça criminal” e a criação dos colégios e escolas de “justiça criminal (nas universidades de Kentucky Oriental e do Norte de Kentucky. em termos do enfraquecimento que ela produz na ideologia democrática. pretensões de profissionalismo alegadas pelos próprios efetivos policiais. 18. e David Garland (2001). Vollmer teve como visão a consolidação de uma profissão cientificamente fundamentada. Em minha opinião. especialmente nas obras de W.ambos os países). a evolução dos estudos sobre a polícia significou uma relocação dos mesmos em um conjunto academias policiais regionais (associadas com corpos de polícia e com orientação prática) e até em universidades. p. em ambos os países. todas essas nos Estados Unidos). Wilson (1987). é importante mencionar as críticas morais implícitas nos textos-chave sobre a justiça criminal. nesses dois países. nem como chegou a ser o nome desses programas universitários. J. Manning . Por sua vez. 431-446. quanto a benefícios educativos para a polícia. dos “criminólogos críticos”. nem filosofia. n. apoiado pelos governos. Set. nomeada para estudar os soldos da polícia e através dos aumentos de soldo concedidos posteriormente pelo governo de Margaret Thatcher. Enquanto as universidades estaduais fora da Califórnia intentaram influir sobre as políticas públicas mediante a educação e capacitação no terceiro e quarto nível. Preocupa-me que haja pouca atenção sistemática sobre o problema da justiça nos estudos policiais: não há ética. Não obstante. onde antes o programa se chamava “Administração Policial”. mas não envolveram. 45. bem como pelos esforços dos sindicatos de polícia nos Estados Unidos para fazer com que a “profissão” de polícia fosse a base para reclamar aumentos salariais (com pouco proveito adicional). nem agora nem antes. pelo Programa de Assistência à Polícia (Law Enforcementt Assistance Program. a justiça ou a igualdade.

BOWLING. 980-1033 BREWER. p. 7. Michigan: Universidad Estadal de Michigan.). BITTNER. tratar como suspeito um homem “negro” que transita por uma urbanização povoada de “brancos” (nota do tradutor). 431-446. Changing police culture. 45. p. 1964. e há grandes pressões para a publicação precoce e freqüente de uma série de informes empíricos que não guardam relação entre si. 586-606. por exemplo. e parte dele tenha sido integrada em achados mais gerais. In: TONRY. No futuro. New York: Oxford University Press. 2002. Princeton: Princeton University Press.). In: MAGUIRE.. 307-319. alimentamo-nos de muitas disciplinas científicas. 56.]. Law and Society Review. 1971. Oxford: Oxford University Press. D. v. v. Police in the political development of Europe. How to gecognize good policing. The formation of national states in Europe.l. a antropologia. Nessa área de estudos. definham temas que constituem grandes objetos de pesquisa para nossos tempos. R. MORGAN. New Brunswick: Rutgers University Press. REINER. Chicago: University of Chicago Press. Washington.]. SHEARING. Inside the RUC. 18. Em meio a essa agitada atividade.ed. p. Journal of Criminal Law. Salvador./Dez. 1985. G. London: Routledge and Kegan Paul. In: TILLY. Clifford. Por sua vez. ______. CHAN. M. Policing for the future. The isolation of the police. boa parte dessa pesquisa provém de uns poucos centros de estudo. 1975. CLARK. o mal chamado “perfil racial”?16 O comportamento típico do atual estudioso sobre a polícia se reflete na publicação de breves estudos empíricos. e cujo resultado são informes O perfil racial se refere à prática policial (nos países onde raça é uma variável de relevância social) de construir retratos de pessoas “suspeitas” baseados parcial ou totalmente na raça. Cambridge: Cambridge UniversityPress.. 1996. 444 444 . _______. mas a força impulsora será o financiamento em curto prazo. BANTON. David. (Comps. New York: Academic Press. Wilson). v. Somos muito vulneráveis às modas nas prioridades para financiamento de pesquisa. Set. Michael. _______.). 3.. Egon. R. CAIN. Thousand Oaks. and Police Science. Society and the policeman’s role.. Oxford: Oxford University Press. REFERÊNCIAS ALPERT.[S.C. e com um grande entusiasmo pelos estudos não teóricos de qualquer tema da moda. mayo. de limitado alcance. p. 1980. Comparative organization of the police in English-speaking countries. Charles (Comp. Cambridge: Cambridge University Press. Patterns of policing. John. Continuam de pé algumas diferenças nos estudos realizados e nas políticas de financiamento da investigação sobre a polícia nos Estados Unidos e no Reino Unido. Modern policing . 1979. n. por exemplo.: NIMH. 1972. M. BLACK.CADERNO CRH. a justiça reparadora e a fragmentação das noções de justiça sob o impacto forte das forças do mercado livre. tais como a organização transnacional e corporativa do trabalho policial. CA: Sage.]. 1998. Maureen. MORRIS. International Journal of the Sociology of Law. Janet. New York: Basic Books.l. The policeman in the community. entre elas o campo emergente da justiça criminal. 1972. orientado para resolver problemas imediatos. com contribuições menores por parte das ciências econômicas e de políticas públicas e uma contribuição secundária da estatística. Policing and the police. BAYLEY. [S. John. _______. Banton. umas três gerações de pesquisadores avocaram a si o estudo sério da polícia. e o trabalho conceitual se fundamenta nas obras de uns poucos pesquisadores muito conhecidos. em grande parte gerada como reflexo dos interesses dos governos de plantão. Skolnick. Manners and customs of the police. como. o intercâmbio de pesquisadores e funcionários policiais entre os dois países continuará sendo possível.[S. _______. N. 30. J. 1965. v. Police uses of violence. Police for the future. 1994. (Comps. _______. nos Estados Unidos.). No prelo. _______. Westley. The functions of the police in modern society. Jean (Comp. BRODEUR. Criminology. p. Comunicación personal. a psicologia social e a ciência política. Fair cop. Trends in the sociology of police work. Oxford handbook of criminology. Ben. 2003. com resultados triviais. Donald. temos poucas avaliações das hipóteses e achados de estudos anteriores e dependemos de umas poucas obraschave. publicadas há 30 ou 40 anos (por exemplo. 143-167. Ainda que o volume de pesquisas seja considerável. frequentemente como produto de “dinheiro escasso”. 16 breves. R. 1992. não se aprecia a conformação de uma teoria da polícia ou da atividade policial. 2005 OS ESTUDOS SOBRE A POLÍCIA NOS PAÍSES ANGLO-AMERICANOS disponíveis para a pesquisa. 1991.l. 1996. DUNHAM. Toronto: University of Toronto Press.. Até esta data. FOSTER.

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