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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS FACULDADE DE ARTES VISUAIS DESIGN DE MODA ARTE CONTEMPORÂNEA

KATIANNE DE SOUSA ALMEIDA

RESENHA CRÍTICA SOBRE O PÓS-MODERNISMO DOS ANOS 1980

Goiânia, 04 de Novembro de 2014.

A obra Arte Contemporânea: uma história concisa de Michel Archer apresenta um capítulo sobre o tema Pós-Modernismos, tendo como elemento temporal principalmente os anos de 1980. Archer destaca o crítico de arte italiano Achille Bonito Oliva por este resumir tal momento artístico não como um aspecto de uma “história da arte” linear, mas que haviam uma multiplicidade de atitudes e abordagens que exigiam a atenção do público e também dos artistas. Este mesmo crítico indica notáveis representantes dessa época tais como: na Itália, Francesco Clemente (1952-), Enzo Cucchi (1949-), Sandro Chia (1946 -) e Mimmo Paladino (1948-); na Espanha, Miquel Barceló (1957-) e Ferrán García Sevilla (1949-); na França, Gérard Garouste (1946-), Jean-Michel Alberola (1953-), Jean-Charles Blais (1956-), Robert Combas (1957-); na Grã-Bretanha, Christopher LeBrun (1951-), Paula Rego (1935-), Bruce McLean; na Alemanha, Anselm Kiefer (1945-), Georg Baselitz (nascido George Kern em 1938), Markus Lüpertz, Gerhard Richter; nos EUA, Julian Schnabel (1951-), David Salle (1952-), Eric Fischl (1948-), Jack Goldstein (1945-); na Dinamarca, Per Kirkeby (1938-); na Holanda, René Daniëls (1950-); e na Bélgica, Narcisse Tordoir (1954-). Contudo, o autor ressalta que estes artistas não constituíam qualquer espécie de movimento, pois o pluralismo do pós-modernismo proibia algo coerente como um movimento. Um dos argumentos iniciais de Archer para destacar o pós-modernismo do que ocorreu anteriormente na arte de décadas anteriores (exemplo, a desmaterialização da obra e a impessoalidade) foi o restabelecimento da habilidade manual por meio do prazer da execução que traz de volta à arte a tradição da pintura. As pinturas vigorosas que caracterizam a produção da geração dos anos 1980 incitavam um reencontro com o prazer e com a emoção provocados pelos gestos das pinceladas e pela cor. Ao mesmo tempo, as obras deste momento se nutrem de comentários e questionamentos fora do âmbito da arte, ou seja, referências às realidades cotidianas. As pinturas pós-modernistas têm o interesse de se comunicar com o observador. Muitas vezes com linguagens menos sacralizadas, como o grafite 1 ; trazendo as manifestações comuns dos contextos das cidades para as galerias. Pode-

1 Importante destacar a produção de Jean-Michel Basquiat. Suas pinturas que mesclavam técnicas diversas, trazendo o seu histórico da expressividade do grafite, criticavam o imperialismo norte-americano, o racismo e a condição do negro na sociedade.

se considerar, assim, que o pós-modernismo procura legitimar a cultura popular ao invés de se desgastar democratizando a arte de elite. Em resumo, a pós-modernidade pode ser vista como um questionamento para os conceitos e conjecturas da modernidade. Logo, os artistas pós-modernos apresentaram (ou apresentam? Ainda vivemos na pós-modernidade?) uma nova forma de compreender o mundo, conectando linguagens artísticas a uma forma de realidade multifacetadas, fragmentadas e híbridas, que busca apenas exprimir sensibilidade numa sociedade apontada por eles como fria, apressada e ambiciosa.

Contudo, havia um contraponto, pois como não existia um movimento artístico nem todos percebiam as dispersões e multiplicidades das atividades artísticas da mesma forma. Sendo assim, enquanto alguns experimentavam esse momento como um espaço de liberação cultural outros sentiam uma profunda perda e desorientação.

A seleção de artistas que Archer faz indica que eles nesta arte da

transvanguarda buscavam juntar fragmentos, combiná-los e recombiná-los de maneiras significativas. Podemos citar como exemplo de artista Sigmar Polke, seu uso de imagens e da mídia serviu como paradigma da natureza eclética da arte dos anos

80.

Nos anos de 1980 podemos citar, especialmente, algumas artistas que tornaram a crítica ao machismo, sexismo, misoginia, patriarcado, aos sistemas de poder mais contundente. O feminismo na arte tornou-se mais visível e palpável. Podemos indicar as obras de Paula Rego, Sherrie Levine, Jenny Holzer, Barbara Kruger.

A relação entre arte e feminismo ofereceu ao público a possibilidade de

questionamento das normas sociais e morais vigentes sob o prisma do inusitado. As colagens, as projeções, as fotografias, as pinturas, as instalações, enfim, a multiplicidade de formatos além de enfocarem diferentes questões relacionadas ao cotidiano também refletiam sobre os papéis das instituições de arte nestas relações. Neste contexto, as artistas passavam a ser mais do que produtoras de objetos de arte, incorporando uma conduta crítica sobre a totalidade de criação das obras, passando a assumir o papel de manipuladoras de signos artísticos potencializando a crítica a estrutura social existente.